Taxas de novos CDBs de bancos médios recuam para 107% do CDI após quebra do Master
As liquidações extrajudiciais do Banco Master e de outras instituições financeiras entre o fim de 2025 e o início deste ano afetaram o mercado de renda fixa bancária. Essas crises, de forma resumida, decretaram o fim da era dos CDBs com remunerações muito fora da curva que usavam o marketing da segurança do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para atrair investidores.
Um levantamento da provedora de dados financeiros Quantum mostra que em maio as taxas máximas oferecidas nas emissões dos certificados bancários por instituições pequenas e médias alcançaram o equivalente a 106,9% do CDI, no caso do CDB da fintech Qista Crédito.
Outros certificados com taxas de 106% do CDI foram ofertados pelos bancos Pine e BMG. Ou seja, taxas muito distantes das que eram oferecidas nas vendas massivas de títulos com retornos de 120% do CDI – e muito abaixo do que foi praticado nos últimos anos antes da quebra do Master.
Já os grandes conglomerados financeiros, como Banco do Brasil, Caixa Econômica e Santander, colocaram no mercado certificados que pagam abaixo de 100% do referencial pós-fixado. Os CDBs das três casas saíram com taxas médias de 95%, 90% e 97% do CDI, respectivamente.
As taxas dos novos certificados bancários têm girado entre 90% e 106% do CDI desde fevereiro, conforme os dados da Quantum.
As taxas mais contidas dos CDBs também refletem a forte demanda por produtos de renda fixa diante de um novo contexto e de novas expectativas no mercado para a Selic.
Selic alta mantém demanda pela renda fixa
Começa a se consolidar no mercado uma visão de que a taxa básica pode se manter mais perto de 14% ao ano no fim de 2026 devido aos sinais de aceleração inflacionária no Brasil e no mundo. Na última semana de 2025, por exemplo, o consenso de mercado calculado pelo relatório Focus, do Banco Central, apontava para uma Selic de 12,25% no fim deste ano.
O relatório agora mostra que a mediana do mercado já coloca a Selic em 13,50% ao ano no fim de 2026.
Algumas casas já colocam a taxa básica acima de 14% ao ano no fim de 2026. É o caso do Bank of America (BofA), que revisou sua projeção para a Selic de 13,25% para 14,25%.
A Genial, o Banco Pine, a XP e o BNP Paribas projetam que o BC pausará o ciclo de cortes quando a taxa chegar em 14% ao ano. O Itaú Unibanco estima que a queda dos juros possa chegar a 13,75%.
Com a perspectiva de a Selic e, portanto, o CDI, que segue a taxa básica de perto, permanecerem perto de 14% ao ano, a demanda pelos títulos pós-fixados se mantém elevada. Diante dessa procura, as remunerações dos certificados devem permanecer no atual patamar ao longo do ano.
A média de todas as emissões ficou em 100,67% do CDI. Está levemente abaixo de março e abril, quando o retorno médio ficou entre 101% e 102% do referencial pós-fixado.
FGC aperta as regras – CDBs impactados
Em maio, houve ainda mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Crédito feitas pelo Banco Central. A autoridade apertou as regras para que bancos possam usar a cobertura do FGC.
O BC regulamentou o chamado “Ativo de Referência”, um indicador para medir qualidade, liquidez e diversificação dos ativos dos bancos.
Se um banco captar demais com produtos cobertos pelo fundo e não tiver ativos seguros suficientes, fica obrigado a alocar parte dos recursos captados em títulos públicos federais. Desse modo, aumenta o chamado colchão de liquidez e limita o uso de tais recursos sem critério – exatamente o que as investigações apontaram que aconteceu no banco de Daniel Vorcaro.
