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Meta lucra bilhões por ano com anúncios fraudulentos, diz agência

6 de Novembro de 2025, 12:30
Arte com a logomarca da Meta à esquerda e o rosto de Mark Zuckerberg à direita. Na parte inferior direita está a logomarca do Tecnoblog.
Documentos mostram que 15 bilhões de anúncios suspeitos são veiculados diariamente (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Documentos revelam que 10% da receita da Meta em 2024, cerca de US$ 16 bilhões (R$ 85 bilhões), veio de anúncios fraudulentos e produtos proibidos.
  • Segundo a Reuters, a Meta teria adotado critérios mais rigorosos para banir anunciantes suspeitos, cobrando taxas mais altas em leilões.
  • O objetivo seria desviar golpistas, mas, financeiramente, a plataforma seguiria lucrando com os anúncios suspeitos.

Relatórios internos da Meta indicam que 10% da receita total da empresa em 2024 — cerca de US$ 16 bilhões (mais de R$ 85 bilhões) — veio da veiculação de anúncios de golpes e produtos proibidos. A informação foi revelada nesta quinta-feira (06/11) pela agência Reuters.

Os documentos expõem como a dona do Facebook, Instagram e WhatsApp gerencia a vasta quantidade de conteúdo fraudulento em suas redes. Registros das divisões de finanças, segurança e engenharia revelam que, apenas entre 2021 e 2024, a empresa exibiu cerca de 15 bilhões de anúncios fraudulentos por dia.

O resultado seria uma arrecadação anual de US$ 7 bilhões (R$ 37 bilhões) somente com anúncios de “alto risco” (aqueles com indícios claros de fraude).

Como a Meta lida com anunciantes suspeitos?

Logo da Meta no Menlo Park, Califórnia
Meta contesta interpretação dos dados (foto: Lucas Lima/Tecnoblog)

De acordo com a Reuters, apesar dos sistemas internos sinalizarem atividades suspeitas, a Meta adota critérios rigorosos para o banimento definitivo. Segundo os documentos, a empresa só remove anunciantes se seus sistemas tiverem pelo menos 95% de certeza de que há fraude.

Em vez de banir imediatamente os que não atingem o limite, mas que ainda são considerados prováveis golpistas, a companhia teria implementado um sistema de taxas mais altas a serem cobradas desses anunciantes em leilões de anúncios na plataforma.

A estratégia teria o objetivo de desviar anunciantes suspeitos ao impactar seus lucros, reduzindo a exposição dos usuários a esses conteúdos. Financeiramente, porém, a medida permite que a Meta continue lucrando sobre os anúncios fraudulentos.

Os relatórios internos também revelam restrições financeiras impostas às equipes de segurança. No primeiro semestre de 2025, a equipe responsável por avaliar anunciantes questionáveis teria sido impedida de tomar medidas que pudessem custar à empresa mais de 0,15% de sua receita total.

Além disso, a Meta teria calculado internamente que eventuais multas regulatórias — estimadas em até US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) — seriam financeiramente menores do que o lucro obtido mantendo esses anúncios no ar.

À agência, o porta-voz da Meta, Andy Stone, contestou a interpretação dos dados. Segundo Stone, os documentos apresentam uma “visão seletiva”, e a estimativa é “excessivamente abrangente”, incluindo também anúncios legítimos.

Stone declarou que a empresa combate fraudes “de forma agressiva” e já removeu mais de 134 milhões de anúncios fraudulentos em 2025.

Na mira das autoridades

Mark Zuckerberg (imagem: Reprodução/Facebook)
Plataformas da Meta expõem usuários a 22 bilhões de tentativas de golpes por dia, diz agência (imagem: reprodução)

Além dos anúncios pagos, a agência revela que a Meta enfrenta um volume ainda maior de “golpes orgânicos”, que não envolvem pagamento direto à plataforma, como perfis falsos e fraudes no Facebook Marketplace. Uma apresentação de dezembro de 2024 estima que os usuários são expostos a 22 bilhões de tentativas do tipo diariamente.

A divulgação desses documentos ocorre em um momento de pressão regulatória contra a Meta. Nos EUA, a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) investiga a empresa por veicular anúncios ligados a golpes financeiros. Já no Reino Unido, autoridades afirmam que plataformas da Meta estiveram envolvidas em mais da metade das perdas com fraudes de pagamento em 2023.

A Reuters revela que, internamente, a própria Meta reconhece as falhas. Uma análise de abril de 2025 teria concluído que “é mais fácil anunciar golpes em plataformas Meta do que no Google”. Diante da pressão, executivos traçaram metas para reduzir a porcentagem da receita vinda de golpes para 7,3% até o final de 2025. O plano é chegar a 5,8% em 2027.

Meta lucra bilhões por ano com anúncios fraudulentos, diz agência

Mark Zuckerberg é fundador e CEO da Meta (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Logo da Meta no Menlo Park, Califórnia (Imagem: Lucas Lima/Tecnoblog)

Mark Zuckerberg (imagem: Reprodução/Facebook)

Anatel e Receita Federal apreendem R$ 2 milhões em eletrônicos piratas

5 de Novembro de 2025, 13:07
Imagem mostra três agentes, da Receita Federal e Anatel, de costas em uma loja de eletrônicos
Operação Safira apreendeu produtos sem homologação da Anatel (imagem: reprodução/Anatel)
Resumo
  • Anatel e Receita Federal apreenderam mais de duas toneladas de eletrônicos irregulares em Campina Grande (PB).
  • Os dispositivos foram avaliados em mais de R$ 2 milhões.
  • A operação faz parte do Plano de Ação de Combate à Pirataria da Anatel e visa barrar eletrônicos não homologados.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Receita Federal apreenderam mais de duas toneladas de eletrônicos irregulares em Campina Grande (PB), na última quinta-feira (30/11). A informação foi divulgada ontem (04/11). A Operação Safira recolheu produtos avaliados em mais de R$ 2 milhões e mira a venda de dispositivos falsificados, de origem irregular ou sem homologação.

Segundo a Anatel, o nome da operação faz referência à cor azul do Bluetooth — tecnologia presente na maioria dos dispositivos apreendidos. Esses produtos precisam passar por homologação antes de serem vendidos no Brasil, conforme as normas vigentes.

Plano de Combate à Pirataria da Anatel

A Operação Safira integra o Plano de Ação de Combate à Pirataria (PACP) da Anatel. Segundo os órgãos envolvidos, a iniciativa busca proteger os interesses nacionais, a indústria legalmente estabelecida e a segurança dos consumidores.

A agência alerta que dispositivos irregulares, como carregadores de celular, fones de ouvido e caixas de som, podem apresentar riscos diretos à integridade física dos usuários. Entre os perigos citados estão a possibilidade de superaquecimento, choques elétricos, explosões de baterias e o vazamento de materiais tóxicos.

Mão segurando controle remoto. Uma estampa de caveira sobrepõe a imagem.
Anatel alerta para riscos em produtos não homologados (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Em comunicado, o conselheiro Alexandre Freire, líder do tema na Anatel, destacou a importância estratégica da ação. “A venda de equipamentos não homologados é uma ameaça dupla: ela corrói o mercado legal, desestimula o investimento da indústria e, mais grave, expõe o consumidor a riscos reais de segurança física e cibernética”, afirmou.

A fiscalização foi conduzida pela Superintendência de Fiscalização (SFI) da Anatel, em parceria com a Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho (DIREP04) da Receita Federal.

Além dos agentes públicos, escritórios de advocacia que representam as marcas afetadas pela pirataria acompanharam a ação. Essas representações serão responsáveis pela análise técnica dos materiais apreendidos para confirmar as irregularidades.

Novas ações estão previstas para 2025

A ação em Campina Grande se soma a uma série de operações intensificadas pela Anatel e pela Receita Federal ao longo de 2025 para coibir o comércio de eletrônicos irregulares no Brasil.

A própria superintendente de Fiscalização da Anatel, Gesiléa Fonseca Teles, citou que a Operação Safira sucede ações recentes em João Pessoa (PB) e Teresina (PI), e que novas fiscalizações conjuntas devem acontecer ainda este ano.

Dados de operações anteriores divulgados pela agência ilustram o volume do mercado irregular. Em Teresina, a Operação Poty, realizada em 23 de outubro, resultou na apreensão de R$ 2,5 milhões em mercadorias. Outras ações significativas em 2025 incluem a Operação Tomassarina, na Bahia, em maio deste ano, que reteve 56 mil produtos com Bluetooth (fones e caixas de som).

No mês passado, fiscalizações distintas em São Paulo, Bahia e Santa Catarina resultaram na lacração de 1,7 milhão de metros de cabos de fibra óptica, além de 45 mil eletrônicos diversos. Em São José (SC), fiscais lacraram 10 mil fechaduras eletrônicas, avaliadas em R$ 5,7 milhões.

Anatel e Receita Federal apreendem R$ 2 milhões em eletrônicos piratas

Anatel apreendeu TV Box, celulares e milhares de dispositivos sem homologação (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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