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Satélites russos acendem alerta de espionagem espacial na União Europeia

5 de Fevereiro de 2026, 09:34
Satélite para acesso à internet (imagem: divulgação/Viasat)
Satélites de comunicações sob alerta de segurança na Europa (imagem: divulgação/Viasat)
Resumo
  • Satélites russos Luch-1 e Luch-2 realizam aproximações prolongadas de satélites europeus, levantando suspeitas de espionagem espacial.
  • Autoridades europeias alertam para risco de interceptação de comunicações e possível manipulação de dados críticos.
  • Rússia expande capacidades com lançamentos dos satélites Cosmos 2589 e 2590, intensificando preocupações de segurança espacial na União Europeia.

Autoridades de segurança da União Europeia avaliam que satélites russos vêm monitorando e possivelmente interceptando comunicações de pelo menos uma dúzia de satélites que prestam serviços essenciais ao bloco. A movimentação, considerada atípica, ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Moscou e países ocidentais desde a invasão da Ucrânia.

De acordo com análises de inteligência citadas por autoridades europeias, além do risco de acesso a dados sensíveis, as manobras podem abrir caminho para interferências mais graves, como a alteração de trajetórias orbitais ou até a inutilização deliberada de satélites civis e governamentais.

Aproximações suspeitas em órbita geoestacionária

Os satélites russos conhecidos como Luch-1 e Luch-2 são monitorados há anos por autoridades civis e militares do Ocidente. Nos últimos três anos, porém, eles passaram a realizar aproximações mais frequentes e prolongadas de satélites europeus em órbita geoestacionária, a cerca de 35 mil quilômetros da Terra.

Dados orbitais e observações feitas por telescópios em solo indicam que esses veículos permanecem por semanas – às vezes meses – próximos a satélites usados para comunicações comerciais, governamentais e, em alguns casos, militares. Desde seu lançamento, em 2023, o Luch-2 já teria se aproximado de ao menos 17 satélites que atendem a Europa, além de partes da África e do Oriente Médio.

O general Michael Traut, chefe do comando espacial das Forças Armadas da Alemanha, afirmou ao Financial Times que há fortes indícios de que os satélites russos estejam realizando operações de inteligência de sinais. Para ele, o padrão de voo sugere a tentativa de permanecer dentro do feixe de dados enviado das estações terrestres aos satélites europeus.

Ilustração de satélite Direct-to-Device
Atividades russas levantam preocupações sobre satélites europeus (Imagem: Kevin Stadnyk/Unsplash)

Por que essas manobras preocupam as autoridades?

Um ponto central da preocupação está no fato de que muitos satélites europeus mais antigos não utilizam criptografia avançada em seus comandos. Isso significa que dados críticos – como instruções de controle orbital – podem ser captados, armazenados e eventualmente reutilizados por agentes hostis.

Segundo um alto funcionário europeu de inteligência, mesmo sem capacidade imediata de derrubar satélites, o simples acesso a esses sinais pode permitir ataques futuros. Ele explica que com esse tipo de informação, é possível imitar operadores em solo e enviar comandos falsos.

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, classificou as redes de satélites como um ponto vulnerável das sociedades modernas. “As atividades russas representam uma ameaça fundamental para todos nós, especialmente no espaço. Uma ameaça que não devemos mais ignorar”, afirmou em discurso no ano passado.

Especialistas do setor privado reforçam o diagnóstico. Belinda Marchand, da Slingshot Aerospace, afirmou que os satélites russos estavam “manobrando e estacionando próximos a satélites geoestacionários, muitas vezes por vários meses seguidos”. Já Norbert Pouzin, analista da empresa francesa Aldoria, observou que os alvos pertencem majoritariamente a operadores ligados à Otan.

Além do Luch-1 e do Luch-2, a Rússia lançou recentemente os satélites Cosmos 2589 e 2590, que apresentam capacidades semelhantes. O movimento é interpretado como parte de uma escalada mais ampla da chamada “guerra híbrida”, agora estendida ao espaço.

Satélites russos acendem alerta de espionagem espacial na União Europeia

Satélite para acesso à internet (imagem: divulgação/Viasat)

Tecnologia D2D promete levar sinal a áreas não cobertas por meios terrestres (Imagem: Kevin Stadnyk/Unsplash)

Russos apelam para RAM feita em casa como forma de driblar crise

26 de Dezembro de 2025, 12:04
Diversos pentes de memória RAM
Indústria diz que não é possível aumentar a produção de RAM no mesmo ritmo da demanda (foto: Everton Favretto/Tecnoblog)
Resumo
  • Russos estão montando RAM em casa usando PCBs e circuitos integrados de marketplaces chineses.
  • O custo para montar um pente de 16 GB é de cerca de 12 mil rublos russos, equivalente a US$ 152.
  • Adaptadores de memória de notebook e PCs sem RAM são algumas alternativas para lidar com escassez e preços altos.

Youtubers e entusiastas em tecnologia russos estão tentando montar seus próprios chips de memória DDR5, obtendo as partes principais de diferentes fontes e juntando tudo em casa.

A discussão surgiu no canal de Telegram do youtuber Pro Hi-Tech. Um entusiasta com o nome de usuário Vik-on diz ser possível conseguir PCBs em marketplaces chineses por aproximadamente R$ 35. PCB é sigla para “placa de circuito impresso”, que serve como base para os circuitos integrados de memória.

Preço da memória RAM deve encarecer smartphones e PCs em 2026 (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A outra parte do processo é conseguir esses circuitos propriamente ditos. Isso é mais difícil, já que a produção de RAM está estrangulada no momento, com foco total no mercado de data centers de inteligência artificial.

O usuário Vik-on afirma, no entanto, que é possível achar alguns chips da SK Hynix e da Samsung nos marketplaces chineses, buscando o código correto da peça.

E funciona? Vale a pena?

Aparentemente, sim. Vik-on compartilhou um print do programa ZenTimings, usado para testar RAM, que supostamente indica que a memória feita em casa funciona.

O problema é o custo. Segundo ele, são 12 mil rublos russos para montar um pente de 16 GB com especificações médias. Em dólares, isso dá cerca de US$ 152, o que é o preço de uma memória nova, segundo o site Tom’s Hardware.

O preço e o trabalho não compensam hoje, mas pode ser que futuramente isso se torne viável — não porque o processo vai ficar mais barato, mas porque a memória “pronta” pode ficar ainda mais cara e difícil de comprar.

Em um cenário assim, resgatar pentes de computadores usados pode se tornar uma alternativa. Outra solução seria dessoldar os circuitos integrados de memórias de laptops e soldá-los novamente na PCB de RAM de desktop.

Adaptadores e PCs sem memória

A criatividade para lidar com a crise da RAM levou a soluções bastante inusitadas. Uma delas é usar um adaptador de SODIMM (memória de notebook) para DIMM (memória de desktop), como forma de aplicar as opções de peças para a máquina — algo que já aparece nos canais de alguns youtubers brasileiros.

Mesmo a indústria está tendo que se virar nessas condições. Como lembra o Tom’s Hardware, a fabricante de PCs gamers Maingear anunciou um modelo de vendas “bring your own RAM”, ou “traga sua própria RAM”. A ideia é segurar os preços e deixar o consumidor livre, caso ele queira reaproveitar peças, procurar ofertas ou recorrer a produtos de segunda mão.

Nesse caso, o comprador precisa mandar a memória para a empresa colocar no novo computador, seja enviando sua máquina atual, seja fazendo a compra e mandando entregar diretamente na fábrica. A Maingear não envia desktops sem RAM, já que prefere testar o componente no sistema para checar o funcionamento.

Com informações do Tom’s Hardware

Russos apelam para RAM feita em casa como forma de driblar crise

Memórias RAM (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Aumento de preço da memória RAM (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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