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Perplexity vaza chats para Google e Meta, diz processo

6 de Abril de 2026, 09:40
Ilustração sobre o Perplexity
Dados sensíveis teriam alimentado as redes de publicidade da Meta e do Google (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A ação coletiva nos EUA acusa o Perplexity, o Google e a Meta de compartilhar chats privados sem consentimento por meio de rastreadores de anúncios.
  • A denúncia afirma que o Perplexity envia transcrições, email e outros identificadores ao Google e à Meta, inclusive no modo anônimo, e que usuários sem assinatura recebem URLs acessíveis por terceiros.
  • O processo cobre o período de 7 de dezembro de 2022 a 4 de fevereiro de 2026 e pede liminar, devolução de lucros e multas acima de US$ 5 mil por infração individual.

Uma ação coletiva protocolada nos Estados Unidos acusa o Perplexity, o Google e a Meta de compartilharem indevidamente milhões de conversas privadas. O processo aberto por um usuário não identificado alega que a empresa de inteligência artificial utiliza rastreadores de anúncios embutidos em sua plataforma para enviar transcrições de bate-papos às gigantes da tecnologia.

A prática ocorreria sem o consentimento, com o objetivo claro de turbinar a receita com publicidade direcionada.

Como funciona o rastreamento?

O vazamento de dados afetaria todos os usuários do buscador com IA, independentemente de terem ou não uma conta cadastrada. Conforme relatado pelo site Ars Technica, análises comprovaram que a primeira mensagem digitada no chat e todas as perguntas seguintes são repassadas aos rastreadores. Para quem não é assinante, o cenário é ainda pior: a plataforma geraria um URL que permite a terceiros acessarem a conversa na íntegra.

O rastreamento funciona como uma “escuta telefônica de navegador”, interceptando tudo o que é digitado. Assim que o usuário pesquisa uma dúvida sobre sua vida financeira, um problema legal ou uma questão médica, ferramentas como o Meta Pixel ou Google Ads capturam discretamente essas informações.

Com esses dados em mãos, as empresas conseguem criar perfis detalhados para vender anúncios segmentados. O autor do processo relatou surpresa ao descobrir que partes de suas conversas foram enviadas à Meta e ao Google, acompanhadas de informações de identificação pessoal. Ele utilizava o Perplexity justamente para organizar impostos, tomar decisões de investimento e buscar orientação jurídica.

Ilustração sobre o Perplexity
Denúncia diz que o Perplexity gera URLs para conversas inteiras de usuários (imagem: Divulgação/Perplexity)

Ilusão do modo anônimo

O texto da denúncia classifica ainda o modo anônimo do Perplexity como uma “farsa”. O recurso, vendido como uma garantia de sigilo, não impediria que os bate-papos cheguem aos servidores do Google e da Meta. A acusação aponta que até mesmo os usuários que ativaram essa proteção continuaram tendo seus endereços de email e outros identificadores repassados.

A falta de transparência da IA também é duramente criticada. Segundo a ação, o Perplexity não exige que o usuário aceite os termos de uso na entrada e esconde sua política de privacidade. É preciso caçar o documento, que não menciona nada sobre o uso de rastreadores invasivos.

O Google e a Meta também são descritos como negligentes. O processo argumenta que ambas possuem regras que, na teoria, proíbem a coleta de dados sensíveis por rastreadores.

Risco de multas milionárias

A ação coletiva engloba o período de 7 de dezembro de 2022 a 4 de fevereiro de 2026. O objetivo é representar os usuários do Perplexity nos EUA afetados pelo vazamento. As penalidades previstas são pesadas. Se o Google, a Meta e o Perplexity forem condenados, enfrentarão multas estatutárias que passam de US$ 5 mil por infração individual (cerca de R$ 25 mil).

Como o caso envolve milhões de registros ao longo de três anos, as indenizações podem facilmente chegar à casa dos bilhões. A acusação solicita uma liminar imediata para barrar a coleta de dados e exige o ressarcimento dos lucros obtidos de forma ilícita.

Até o momento, Meta e Perplexity não comentaram o caso. O Google, por sua vez, emitiu uma nota declarando que “as empresas gerenciam os dados que coletam e são responsáveis por informar os usuários”, reforçando que essas informações não identificam indivíduos por padrão e que proíbe anúncios baseados em informações sensíveis.

Perplexity vaza chats para Google e Meta, diz processo

(imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(imagem: Divulgação/Perplexity)

Samsung libera Perplexity nas TVs vendidas no Brasil

3 de Fevereiro de 2026, 10:54
TV 4K Samsung Neo QLED QN90A (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)
Interface Vision AI das TVs Samsung agora conta com três assistentes inteligentes (imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)
Resumo
  • A Samsung integrou a inteligência artificial da Perplexity às TVs QLED Q7F ou superiores no Brasil, permitindo buscas visuais otimizadas para telas grandes.
  • O Perplexity, parte do Vision AI Companion, oferece respostas complexas e pesquisas em tempo real em transmissões ao vivo e plataformas de vídeo, reconhecendo comandos em dez idiomas.
  • A Samsung oferece 12 meses gratuitos do Perplexity Pro; após, a assinatura mensal custa R$ 110. A funcionalidade está disponível para modelos QLED lançados a partir de 2024.

A Samsung anunciou a integração da inteligência artificial da Perplexity às TVs da linha Vision AI comercializadas no Brasil. A novidade está disponível para donos de modelos QLED Q7F ou superiores, e reforça a estratégia de converter o televisor em um “hub de informações interativo”.

O objetivo é oferecer uma interface de busca que seja visualmente otimizada para telas grandes, diferente da experiência mais limitada dos navegadores tradicionais de smart TVs.

O que muda com o Perplexity nas TVs Samsung?

A novidade faz parte do Vision AI Companion (VAC), um ambiente multimodal que agrega diversos serviços de inteligência artificial. Ao contrário dos comandos de voz convencionais, focados em trocar de canal ou ajustar o volume, o Perplexity atua como um motor de respostas complexas.

O sistema foi desenhado para operar de maneira nativa, permitindo que ele funcione sobre qualquer conteúdo exibido, seja em transmissões ao vivo, no streaming da Samsung TV Plus ou em outras plataformas de vídeo. A ferramenta permite que o espectador realize pesquisas acadêmicas, verifique informações em tempo real ou planeje roteiros de viagem.

O serviço reconhece comandos em dez idiomas – incluindo português, inglês, espanhol e coreano – e fornece respostas contextuais baseadas no que está na tela. A ativação é feita mantendo pressionado o botão de Início ou utilizando o botão dedicado AI nos novos modelos de controle remoto Bluetooth, como o TM2560E.

Linha de TVs QLED da Samsung ganha reforço do Perplexity Pro no Brasil (imagem: divulgação/Samsung)

Benefícios e requisitos

Para estimular a adoção da tecnologia no Brasil, a Samsung oferece 12 meses de gratuidade no plano Perplexity Pro. Após esse período promocional, o usuário poderá optar pela renovação do serviço, com assinatura mensal estimada em R$ 110.

É importante destacar que o hub Vision AI possui ainda o Microsoft Copilot Pro e a assistente Bixby.

De acordo com a empresa, a funcionalidade é restrita à categoria QLED e modelos superiores lançados a partir de 2024. A Samsung ressalta que, por se tratar de conteúdo gerado por inteligência artificial generativa, a precisão das informações não é garantida, recomendando a conferência de dados sensíveis em fontes oficiais.

Samsung libera Perplexity nas TVs vendidas no Brasil

TV 4K Samsung Neo QLED QN90A (Imagem: Paulo Higa/Tecnoblog)

Golpistas enganam IA para dar falsos números de atendimento

10 de Dezembro de 2025, 17:48
Ilustração de uma mão segurando um smartphone. A tela exibe uma chamada recebida, com a identificação de golpe. Na parte inferior direita, o logo do "Tecnoblog" é visível.
Criminosos estão usando sistemas de IA para aplicar golpes (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Golpistas manipulam chatbots para exibir números falsos de suporte, enganando usuários que buscam ajuda.
  • Segundo a empresa de cibersegurança Aurascape, criminosos usam táticas antigas e novas para enganar IAs, espalhando números falsos pela web.
  • Aurascape também afirma que os criminosos conseguiram inserir conteúdo adulterado em sites de confiança, como páginas governamentais.

Criminosos estão explorando um novo terreno para aplicar golpes: os sistemas de inteligência artificial que respondem perguntas do público. Segundo um relatório da empresa de cibersegurança Aurascape, golpistas têm conseguido fazer com que chatbots exibam números de telefone falsos como se fossem canais oficiais de suporte ao cliente.

Quando usuários pedem informações de contato em plataformas como Perplexity recebem respostas via os resumos de IA do Google (AI Overviews), algumas respostas têm exibido telefones controlados pelos próprios fraudadores. Do outro lado da linha, em vez de equipes de atendimento, estão golpistas especializados em roubar dados e dinheiro.

Como os golpistas conseguem enganar as IAs?

A investigação da Aurascape mostra que os criminosos usam uma combinação de táticas antigas com estratégias novas voltadas especificamente para modelos de linguagem (LLMs). O método mais comum é espalhar textos em plataformas que aceitam conteúdo de usuários, como YouTube, Yelp e serviços de avaliação.

Nessas páginas, os golpistas adicionam números telefônicos falsos e recheiam o texto com termos que as pessoas provavelmente consultariam, como “número de atendimento ao cliente” de alguma companhia ou variações semelhantes.

Em alguns casos, eles conseguem inserir conteúdo adulterado em sites de alto nível de confiança — como páginas governamentais, universidades e portais que usam WordPress — após comprometer esses sistemas.

Ilustração com dois cadeados, representando segurança
Golpistas usam combinação de táticas novas com o uso de chatbots (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A diferença, segundo a empresa de cibersegurança, está no formato escolhido pelos criminosos. Eles estruturam com listas simples ou trechos de perguntas e respostas, para tentar convencer a IA de que aquele conteúdo é “a resposta” ideal para a consulta.

A técnica inclui repetir diversas vezes o nome da marca e o número falso, além de publicar PDFs e páginas com formatação que facilita a leitura automática. O relatório cita como exemplo um suposto telefone de reservas da Emirates — “Emirates Reservations Phone Number: +1 (833) 621-7070” — que apareceu em testes feitos com o Perplexity e até no AI Overviews.

Perplexity deixou de recomendar números

O portal Gizmodo menciona que tentou obter a mesma informação pelo chatbot da Perplexity, mas a IA se recusou a fornecer números de telefone. Em resposta, passou a recomendar que usuários consultem os sites oficiais das empresas.

No relatório, porém, a Aurascape afirma que o problema é amplo e não atinge apenas um modelo de IA. “Nossa investigação mostra que agentes maliciosos já estão explorando essa fronteira em grande escala — disseminando conteúdo malicioso em sites governamentais e universitários comprometidos”, escreveu a empresa.

Golpistas enganam IA para dar falsos números de atendimento

Criminosos criaram rede de celular para enviar SMSs golpistas (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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