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Brasil se torna referência para maior rigidez da Europa com redes sociais

9 de Fevereiro de 2026, 08:22
Elon Musk, do X, e Ursula von der Leyen, da Comissão Europeia (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Brasil bloqueou o X/Twitter em 2024 por descumprimento de ordens judiciais, influenciando políticas europeias de controle sobre redes sociais.
  • França e Espanha adotaram medidas rigorosas contra o X, com propostas de restrição de acesso para menores de 16 anos.
  • União Europeia investiga as práticas do X, enquanto Elon Musk critica as ações governamentais.

O bloqueio do X/Twitter no Brasil em 2024 não ficou só na memória dos usuários brasileiros. Segundo analistas, a recente postura agressiva de governos europeus contra as big techs reverbera a atitude brasileira ao bloquear a plataforma de Elon Musk por descumprimento de ordens judiciais.

Ao New York Times, o especialista espanhol em soberania tecnológica Ekaitz Cancela diz que as ações no continente – como operações policiais na França contra o X e propostas na Espanha de maior responsabilização das redes sobre o conteúdo – “seguem o manual que o Brasil estabeleceu em 2024 quando bloqueou o X por desafiar ordens judiciais”.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou em 3 de fevereiro que avalia banir menores de 16 anos das redes sociais. O plano segue um movimento internacional que ganhou força após a restrição imposta pela Austrália, que começou a valer em novembro de 2025.

Brasil forçou recuo do X em 2024

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o queda da plataforma no Brasil em agosto de 2024 por descumprimento de decisões judiciais, como o bloqueio de contas, levando a um apagão de contas brasileiras na rede por cerca de 39 dias.

Para a operação voltar, a Justiça determinou condições como a nomeação de um representante legal, esclarecimento de informações sobre a situação cadastral e o pagamento de multas acumuladas.

A ação do judiciário brasileiro gerou um impasse pessoal entre Elon Musk e o STF, especialmente com a figura do ministro Alexandre de Moraes, e repercutiu internacionalmente. Apesar de fazer jogo duro e comunicar o bloqueio categorizando as exigências como “ilegais”, o X acatou às ordens do tribunal no fim de setembro e, em outubro, o acesso foi normalizado.

Na visão de Cancela, portanto, a abordagem de enfrentamento às plataformas criou um precedente para que países do outro lado do Atlântico agora transformem “a política tecnológica em arma”, ameaçando a operação das empresas em vez de se limitar a sanções administrativas.

Países fecham o cerco contra big techs

Big techs deverão mostrar se combate a golpistas é efetivo em seus ecossistemas
Big techs tornam-se alvos de políticas de proteção para menores de idade (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Na França, a tensão aumentou no início desse mês quando a polícia realizou buscas nos escritórios do X em Paris e promotores emitiram intimações para Elon Musk e para a ex-CEO da X Corp, Linda Yaccarino.

A ação faz parte de uma investigação sobre sete acusações, incluindo cumplicidade na distribuição de pornografia infantil, o que também ocorre no Reino Unido. Além dos países, a União Europeia anunciou que vai analisar as medidas adotadas pela rede e investigar se essas medidas estavam funcionando quando toda a polêmica veio à tona.

Simultaneamente, na Espanha, Sánchez propôs medidas legislativas para proteger menores do que chamou de “velho oeste digital”, barrando o acesso para menores de 16 anos. A ideia é forçar a implementação de sistemas de verificação de idade e rastrear a disseminação de ódio, além de tornar executivos responsáveis por conteúdos ilegais.

Musk, como de costume, não reagiu bem a nenhum dos casos. Na própria rede social, o bilionário atacou o primeiro-ministro espanhol, chamando-o de “tirano e traidor do povo da Espanha”. Quanto à investigação francesa, o X afirma que se trata de uma ação “politizada” que coloca a liberdade de expressão em risco.

Brasil se torna referência para maior rigidez da Europa com redes sociais

Elon Musk vs. União Europeia (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

França troca Teams e Meet por app estatal de videochamada

27 de Janeiro de 2026, 11:11
Captura de tela mostra uma videochamada com quatro pessoas no app Visio
Visio roda no navegador e dispensa instalações externas (imagem: reprodução/Governo da França)
Resumo
  • França substituirá Teams, Meet e Zoom pelo Visio, um app de videochamada estatal, que será a solução obrigatória até julho de 2027.
  • O Visio, baseado no Jitsi Meet, roda no navegador e usa código aberto, facilitando auditorias de segurança.
  • O app faz parte do La Suite Numérique e deve economizar cerca de 1 milhão de euros por ano para cada 100 mil funcionários.

O governo da França anunciou ontem (26/01) mais um passo importante para a independência tecnológica: todos os serviços estatais usarão o Visio, aplicativo de videoconferência desenvolvido para os servidores públicos do país.

Segundo o portal Developpez.com, a iniciativa chega para substituir definitivamente soluções de fora da União Europeia até julho de 2027, descontinuando o uso de plataformas populares como Microsoft Teams, Google Meet e Zoom.

O comunicado oficial do Ministério da Economia da França destaca a mudança para proteger dados sensíveis de legislações estrangeiras e combater a fragmentação de ferramentas, que gera custos elevados de licenciamento. O cronograma de implementação prevê que grandes órgãos, incluindo o Ministério das Forças Armadas, concluam a transição já no primeiro trimestre de 2026.

Como funciona o Visio?

Imagem mostra o logotipo do Visio, app de videochamadas, em um fundo de cor branca
Visio é uma solução baseada em código aberto (imagem: reprodução/Governo da França)

O Visio utiliza como base o Jitsi Meet, um software de código aberto (open source). Segundo o Le Big Data, essa escolha técnica permite auditorias constantes de segurança por órgãos governamentais.

Outro diferencial é que, ao contrário de soluções que exigem a instalação de arquivos executáveis, a ferramenta roda apenas no navegador. Isso simplifica a gestão de TI e reduz drasticamente a chance de ataques cibernéticos em computadores estatais.

A plataforma integra tecnologias de inteligência artificial desenvolvidas localmente, como o sistema de separação de fala da startup Pyannote e legendagem automática em tempo real da Kyutai, mantendo o processamento de dados em fronteiras nacionais.

Vale mencionar que o Visio é uma peça de um ecossistema maior chamado La Suite Numérique, desenhado para ser uma alternativa ao Microsoft 365. Esse pacote inclui o Tchap (mensagens instantâneas), o Grist (gestão de bases de dados) e o Nuage (armazenamento de arquivos em nuvem).

Soberania digital e economia de recursos

A estratégia francesa é se desvincular de fornecedores sujeitos ao U.S. Cloud Act — legislação dos Estados Unidos que permite ao governo americano solicitar acesso a dados armazenados por suas empresas, mesmo em servidores localizados no exterior.

De acordo com a revista Alliancy, para neutralizar esse risco jurídico, o Visio é hospedado na Outscale, subsidiária da Dassault Systèmes, garantindo que a infraestrutura seja operada sob leis estritamente europeias.

Do ponto de vista financeiro, a economia é grande. Estimativas oficiais projetam que a substituição de licenças proprietárias por uma solução interna poupará cerca de 1 milhão de euros por ano para cada 100 mil funcionários (aproximadamente R$ 6,3 milhões).

A movimentação da França reforça uma tendência na Europa. O caso assemelha-se ao do estado alemão de Schleswig-Holstein, que no ano passado iniciou a migração de 30 mil computadores para sistemas Linux e LibreOffice.

França troca Teams e Meet por app estatal de videochamada

97% dos ouvintes não conseguem identificar música feita por IA

13 de Novembro de 2025, 06:17
Uma ilustração digital de um perfil de cabeça humana, formada por linhas e pontos luminosos azuis que simulam uma rede neural ou mapeamento digital. Ao lado direito, em letras brancas, a sigla "AI" (Inteligência Artificial). O fundo é escuro com leves pontos de luz. No canto inferior direito, o logo "tecnoblog".
IA dificulta distinguir músicas humanas de sintéticas (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • 97% dos ouvintes não distinguem músicas feitas por IA das compostas por humanos.
  • Deezer implementou etiquetas para identificar músicas criadas por IA e excluiu essas faixas de playlists editoriais.
  • A proporção de faixas geradas por IA nas plataformas de streaming aumentou de 18% para 33% desde abril.

Uma pesquisa encomendada pela Deezer e conduzida pela Ipsos revelou que 97% das pessoas não conseguem distinguir músicas produzidas por inteligência artificial das compostas por artistas humanos. O estudo, que ouviu 9 mil participantes em oito países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e França, reforça as preocupações sobre o impacto da IA na criação e monetização da música.

Os dados indicam uma divisão de opiniões entre os ouvintes: enquanto 73% defendem que faixas feitas por IA sejam claramente identificadas nas plataformas, 45% gostariam de poder filtrá-las e 40% afirmam que evitariam esse tipo de conteúdo. Além disso, 71% disseram ter se surpreendido ao perceber que não conseguiram reconhecer a origem das canções.

O consumo de músicas geradas por IA

A pesquisa destaca o crescimento acelerado de conteúdos criados por inteligência artificial nas plataformas de streaming. Segundo a Deezer, atualmente são enviadas mais de 50 mil faixas geradas por IA por dia — cerca de um terço. Em abril, essa proporção era de apenas 18%.

Diante do avanço, a plataforma implementou medidas para aumentar a transparência: passou a incluir etiquetas que identificam músicas criadas por IA e retirou esse tipo de conteúdo das playlists editoriais e das recomendações automáticas. “Acreditamos firmemente que a criatividade é gerada por seres humanos e que eles devem ser protegidos”, declarou o CEO da Deezer, Alexis Lanternier, à agência Reuters.

Deezer
Deezer aponta dificuldade em diferenciar músicas feitas por IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Como o setor musical reage à popularização das faixas sintéticas?

O crescimento das músicas criadas por IA tem provocado tensões no mercado. Lanternier afirmou que a criação de modelos de remuneração diferenciados para faixas sintéticas ainda é um desafio complexo, mas destacou que a Deezer já começou a excluir reproduções falsas do cálculo de royalties.

Casos recentes reforçam a preocupação da indústria. A banda virtual The Velvet Sundown, criada por IA, chegou a conquistar mais de 1 milhão de ouvintes mensais no Spotify antes de sua origem artificial ser descoberta. Já o Universal Music Group firmou um acordo judicial com a startup Udio e anunciou planos para lançar uma ferramenta de criação musical com IA em 2026.

97% dos ouvintes não conseguem identificar música feita por IA

Cloudflare declara guerra a bots de IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Deezer (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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