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Emissoras e streamings pedem regulação de smart TVs na UE

23 de Março de 2026, 15:54
Bandeiras da União Europeia
Empresas pedem que plataformas sejam submetidas à DMA (imagem: Thijs ter Haar/Wikimedia Commons)
Resumo
  • Empresas de mídia pressionam a União Europeia por regras mais duras contra sistemas de smart TVs e assistentes de voz.
  • O grupo afirma que empresas como Google, Amazon e Samsung já controlam o acesso ao conteúdo e dificultam a concorrência.
  • Proposta quer que Alexa, Siri e ChatGPT entrem na regulação.

Um grupo formado pelas maiores empresas de televisão e streaming na Europa está pressionando a União Europeia para aplicar as regras antitruste mais rígidas do bloco aos sistemas de smart TVs e assistentes de voz. O lobby, que inclui gigantes como Disney, Warner Bros. Discovery, Paramount+ e Sky, quer que softwares como Android TV (Google), Fire OS (Amazon) e Tizen (Samsung) sejam submetidos à Lei dos Mercados Digitais (DMA).

De acordo com apuração da Reuters, o grupo considera que as empresas de tecnologia passaram a controlar por onde o conteúdo audiovisual chega ao espectador europeu. Para o setor, essas plataformas já funcionam como gatekeepers do acesso, ditando o que milhões de pessoas podem assistir.

Em vigor desde o início de 2024, o DMA é a principal ferramenta antitruste da UE para frear o monopólio das big techs dentro dos países do bloco. A lei as proíbe de favorecer os próprios serviços em detrimento de rivais, além de obrigá-las a abrir seus ecossistemas para garantir a livre escolha do consumidor. É nesse enquadramento que as emissoras querem que as plataformas estejam.

Associação pressiona UE por medidas rígidas

Tela de smart TV de 55 polegadas exibindo menu inicial com opções de apps como Netflix, Prime Video, Disney+, YouTube e Apple TV. No centro da tela, texto em inglês: "Explore your favorite content quickly and easily" e abaixo, seleção de dramas em destaque. A TV está sobre suporte branco e há uma soundbar preta à frente. Ao lado, placa com texto "7 anos Atualização garantida Sistema Operacional Tizen".
Sistemas de televisões servem como gatekeepers, segundo associação (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

A frente é liderada pela Associação de Serviços de Televisão Comercial e Vídeo sob Demanda na Europa (ACT). Segundo a agência, em cartas enviadas à chefe antitruste da UE, Teresa Ribera, a entidade afirma que as big techs têm fortes incentivos para restringir a concorrência e fechar seus ecossistemas.

Para as redes de mídia, quem controla o sistema operacional da TV controla o acesso ao espectador. A ACT alerta que esse domínio permite impor barreiras contratuais e técnicas para dificultar que o usuário migre livremente entre aplicativos e serviços concorrentes dentro da mesma televisão.

Dados apresentados pela ACT à Comissão Europeia mostram como o mercado de sistemas operacionais para TVs mudou nos últimos cinco anos: o Tizen, da Samsung, lidera na Europa com 24% de participação. O Android TV, do Google, saltou de 16% em 2019 para 23% no início de 2024. O crescimento mais agressivo foi o do Fire OS, da Amazon, que foi de 5% para 12% no mesmo período.

Assistentes de voz na mira

ilustração sobre a Alexa
Alexa e outros assistentes virtuais também são alvo (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Além das telas, a ACT também quer que a UE aplique a DMA a assistentes virtuais como Alexa (Amazon), Siri (Apple) e recursos integrados do ChatGPT. Para as emissoras, esses assistentes controlam o acesso ao conteúdo em smart TVs, celulares, carros e sistemas de som.

A exigência é que a Comissão enquadre essas ferramentas na lei com base em critérios “qualitativos” de domínio de mercado, uma tentativa de forçar a regulação mesmo que algumas dessas IAs ainda não atinjam os limites financeiros (75 bilhões de euros em valor de mercado) ou de audiência (45 milhões de usuários ativos mensais) exigidos pelo texto atual da DMA.

Emissoras e streamings pedem regulação de smart TVs na UE

Bandeiras da União Europeia (imagem: Thijs ter Haar/Wikimedia Commons)

(imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Panasonic desiste de fabricar suas próprias TVs

24 de Fevereiro de 2026, 15:30
Panasonic vai encerrar produção de televisores no Brasil (Imagem: thetoxicmind/Flickr)
Panasonic anunciou que deixará de fabricar seus próprios televisores (Imagem: thetoxicmind/Flickr)
Resumo

A Panasonic decidiu dar mais um passo no afastamento de um mercado que já foi central para sua identidade. A empresa anunciou que deixará de fabricar seus próprios televisores e passará essa responsabilidade a uma parceira chinesa, encerrando, na prática, sua atuação direta na produção de TVs.

A mudança marca um ponto simbólico para uma companhia que ajudou a popularizar as telas de plasma e que, por décadas, esteve entre as referências em qualidade de imagem. A partir de agora, os televisores continuarão levando o nome Panasonic, mas não sairão mais de fábricas controladas pela empresa japonesa.

Produção e vendas ficam com a Skyworth

O acordo prevê que a chinesa Skyworth, sediada em Shenzhen, assuma a fabricação, o marketing e a comercialização das TVs com a marca Panasonic. A empresa já é um nome relevante no setor e se apresenta como uma das maiores fornecedoras globais da plataforma Android TV, embora sua posição entre as líderes de vendas oscile ao longo do tempo.

Segundo o FlatpanelsHD, o anúncio foi feito durante um evento de lançamento, no qual um representante da Panasonic detalhou os termos da parceria: “Segundo o acordo, o novo parceiro liderará vendas, marketing e logística em toda a região, enquanto a Panasonic fornecerá conhecimento especializado e garantia de qualidade para manter seus renomados padrões audiovisuais, com desenvolvimento conjunto completo nos modelos OLED de ponta.”

A Panasonic afirmou que continuará oferecendo suporte “para todas as TVs Panasonic vendidas até março de 2026 e todas as que estiverem disponíveis a partir de abril”. Os novos aparelhos produzidos pela Skyworth devem ser vendidos nos Estados Unidos e na Europa, onde as empresas afirmam buscar participação de mercado em dois dígitos.

Televisores da Panasonic passarão a ser produzidos por uma empresa parceira chinesa Skyworth.
Televisores da Panasonic passarão a ser produzidos pela empresa parceira chinesa Skyworth (imagem: divulgação/Panasonic)

Entenda a decisão da Panasonic

A decisão da empresa japonesa não surgiu do nada. Há mais de uma década, a Panasonic vem demonstrando incerteza em relação ao futuro de sua divisão de TVs. No auge da era do plasma, a empresa chegou a liderar o mercado global, superando concorrentes como Samsung e LG. No entanto, em 2014, abandonou essa tecnologia, citando a ascensão dos LCDs e dificuldades financeiras acumuladas ao longo dos anos.

No mesmo período, a companhia começou a reduzir sua presença no mercado americano, do qual saiu completamente em 2016. Em 2021, anunciou que terceirizaria toda a produção de TVs, buscando mais flexibilidade. Três anos depois, retornou aos EUA com modelos OLED e Mini LED, ainda enfatizando o desenvolvimento japonês. Mesmo assim, em fevereiro de 2025, o presidente Yuki Kusumi admitiu que a empresa estava “preparada para vender” o negócio de TVs se fosse necessário.

Com a parceria com a Skyworth, a Panasonic parece ter encontrado uma forma de diminuir custos e riscos, mantendo alguma receita com o licenciamento da marca. O movimento também reforça um cenário mais amplo: hoje, praticamente não há mais produção de TVs no Japão, enquanto fabricantes da Coreia do Sul e da China dominam o mercado global.

Panasonic desiste de fabricar suas próprias TVs

Panasonic vai encerrar produção de televisores no Brasil (Imagem: thetoxicmind/Flickr)
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