Visualização normal

Received before yesterdayOlharDigital

Lula anuncia novo Desenrola com bloqueio às bets

30 de Abril de 2026, 22:26

Nesta quinta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou um pronunciamento especial pelo Dia do Trabalho nas rádios e TVs para anunciar um novo programa do governo federal voltado para endividados, o chamado Desenrola.

Segundo Lula, a proposta permitirá renegociações do cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) com juros de até 1,99% e descontos de 30% a 90%. O trabalhador poderá utilizar 20% do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

E as bets?

“Agora, o que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. Por isso, quem aderir ao Novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on-line. Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos”, informou o presidente.

Ou seja, se você quer aderir ao Desenrola e também aposta em bets, não poderá apostar pelo período de um ano. Lula afirmou que não foi em seu governo que as bets entraram no Brasil, “mas é nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando”.

Lula discursando com um microfone na mão
Presidente brasileiro bradou contra as bets – Imagem: casa.da.photo/Shutterstock

Leia mais:

O que mais Lula abordou no pronunciamento

  • O presidente falou, ainda, do projeto que quer acabar com a escala 6×1 de trabalho;
  • Para Lula, não faz sentido, em pleno século XXI, com a evolução da tecnologia, que milhões de brasileiros trabalhem seis dias por semana e descansem apenas um;
  • Ele também citou a crise do petróleo gerada pela guerra entre Estados Unidos e Irã;
  • Ressaltou ainda as medidas tomadas em prol dos trabalhadores, como a alíquota zero do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil;
  • Para encerrar, comentou sobre a liberação antecipada do 13º salário para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a licença-paternidade, a conta de luz zerada para quem consome até 80 kW e o programa Gás do Povo.

O post Lula anuncia novo Desenrola com bloqueio às bets apareceu primeiro em Olhar Digital.

Reviravolta: liminar barra multa diária do Cade ao WhatsApp

30 de Abril de 2026, 21:27

A Justiça Federal de São Paulo decidiu suspender a multa diária de R$ 250 mil aplicada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ao WhatsApp. A decisão favorável à empresa foi proferida na quarta-feira (29), e os advogados da companhia comunicaram a autarquia sobre a sentença no dia seguinte, quinta-feira (30).

Whatsapp vence (temporariamente) Cade na Justiça

  • A penalidade havia sido imposta no âmbito de um inquérito conduzido pelo Cade, que investiga suposto descumprimento de medida preventiva relacionada ao funcionamento da plataforma;
  • A determinação do órgão exigia que a Meta, controladora do WhatsApp, mantivesse o acesso gratuito de inteligências artificiais (IA) de terceiros ao serviço de mensagens — algo que, atualmente, é cobrado;
  • Além disso, o Cade também questiona a política de preços adotada pela empresa para a utilização da API do WhatsApp Business, ferramenta voltada a empresas que utilizam o aplicativo para comunicação com clientes.

Em nota, um porta-voz da Meta afirmou que considera que o Cade extrapolou suas atribuições ao exigir a gratuidade do acesso à plataforma. “Pequenas e médias empresas que usam legitimamente a API do WhatsApp não deveriam estar subsidiando o uso gratuito do serviço pela OpenAI e por outros grandes chatbots de IA”, declarou a companhia (leia a nota completa abaixo).

Logo da Meta em um smartphone
Meta, dona do WhatsApp, se mostrou satisfeita com a decisão – Imagem: jackpress/Shutterstock

A empresa sustenta que sua estrutura de custos possui justificativa comercial e afirma que a cobrança de US$ 0,0625 (R$ 0,31) por mensagem está respaldada pela legislação vigente, além de ser equivalente a tarifas praticadas por outras empresas tanto no Brasil quanto no exterior.

A origem do caso remonta a setembro de 2025, quando as startups Luzia e Zapia apresentaram denúncias ao Cade sobre mudanças nos termos de uso do WhatsApp Business. Em março deste ano, o tribunal do órgão antitruste rejeitou um recurso da Meta e determinou o retorno às condições anteriores à alteração desses termos.

Com a decisão da Justiça Federal, a multa diária fica suspensa enquanto o caso segue em discussão, em segredo de Justiça. Contudo, o Olhar Digital obteve acesso à solicitação dos advogados da Meta. Leia aqui.

Leia mais:

Nota da Meta

A seguir, leia a nota completa enviada por um porta-voz da Meta:

“Estamos satisfeitos que a Justiça brasileira tenha reconhecido nossas preocupações em relação à decisão do CADE. Ao exigir acesso gratuito a um serviço pago, acreditamos que a autoridade antitruste vai além de suas atribuições. Pequenas e médias empresas que usam legitimamente a API do WhatsApp não deveriam estar subsidiando o uso gratuito do serviço pela OpenAI e por outros grandes chatbots de IA.”

O post Reviravolta: liminar barra multa diária do Cade ao WhatsApp apareceu primeiro em Olhar Digital.

OpenAI: Sam Altman pede desculpas por não denunciar suspeito de massacre à polícia

24 de Abril de 2026, 20:19

O CEO da OpenAI, Sam Altman, emitiu um pedido oficial de desculpas à comunidade de Tumbler Ridge, no Canadá, por não ter acionado as autoridades sobre as atividades de Jesse Van Rootselaar. O suspeito é apontado como autor de um massacre em fevereiro que resultou na morte de oito pessoas.

Em carta datada de 23 de abril, Altman expressou condolências e admitiu que a empresa falhou ao não contatar a polícia sobre Van Rootselaar, que teve sua conta no ChatGPT suspensa em junho do ano passado após o sistema de segurança da plataforma identificar conteúdos preocupantes.

“Quero expressar minhas mais profundas condolências a toda a comunidade. (….) Ninguém deveria jamais ter que passar por uma tragédia como esta.”

Trecho da carta de Sam Altman

Mensagens violentas foram ignoradas pela liderança

De acordo com relatos obtidos pelo The Wall Street Journal, o sistema de revisão automatizada da OpenAI sinalizou internamente mensagens do suspeito que descreviam cenários de violência extrema. Na época, embora funcionários tenham interpretado os textos como um indicativo de perigo real e urgido pela denúncia às autoridades canadenses, a liderança da empresa optou por apenas banir o usuário, sem envolver a polícia.

Após o crime em fevereiro, a polícia identificou Van Rootselaar, uma mulher trans de 18 anos, como a principal suspeita. A OpenAI revelou posteriormente que, após a divulgação da identidade da suspeita, descobriu uma segunda conta que ela utilizava para acessar o chatbot.

Mudanças nos protocolos de segurança

Como resposta à tragédia, a OpenAI afirmou ter reforçado seus protocolos de segurança. A empresa garantiu que, sob as novas regras, uma conta com o mesmo teor de mensagens seria denunciada imediatamente às autoridades se fosse descoberta hoje.

O compromisso de Altman inclui:

  • Colaboração contínua com governos para prevenir futuras tragédias.
  • Aperfeiçoamento dos sistemas de detecção proativa de ameaças.
  • Transparência no diálogo com as comunidades afetadas.

Pressão por regulamentação no Canadá

O caso intensificou o debate sobre a regulação de inteligência artificial no Canadá. Membros do Partido Liberal aprovaram recentemente uma resolução não vinculativa que pede a proibição do uso de chatbots de IA para menores de 16 anos.

O ministro encarregado da pasta de IA no país, Evan Solomon, e outros funcionários de alto escalão confirmaram que estão considerando novas regulamentações para o setor, embora nenhuma decisão final tenha sido tomada até o momento, segundo o WSJ.

O post OpenAI: Sam Altman pede desculpas por não denunciar suspeito de massacre à polícia apareceu primeiro em Olhar Digital.

Guerra das IAs: DeepSeek V4 supera rivais em programação e desafia OpenAI

24 de Abril de 2026, 19:03

A startup chinesa DeepSeek acaba de elevar o tom na disputa pela supremacia da inteligência artificial. Nesta sexta-feira (24), a empresa lançou uma prévia do DeepSeek V4, seu mais novo modelo que promete não apenas competir, mas superar os atuais líderes de mercado em tarefas complexas de desenvolvimento de software.

De acordo com testes da consultoria Vals AI, mencionada pelo The New York Times, o V4 apresentou um desempenho em escrita de código superior a qualquer outro sistema de código aberto disponível, estreitando drasticamente a vantagem que gigantes como OpenAI e Anthropic mantinham até então.

O poder dos agentes de IA

A proficiência do DeepSeek V4 em programação não interessa apenas aos desenvolvedores. Essa habilidade é o motor principal para a criação de agentes de IA, isto é, sistemas autônomos que podem utilizar outros softwares (como planilhas, e-mails e calendários) para executar tarefas complexas sem supervisão humana constante.

Além do ganho de produtividade, o avanço traz novos desafios para o setor de segurança digital. Segundo o jornal, a capacidade de escrever código com precisão permite que a IA identifique vulnerabilidades em redes de forma muito mais rápida, servindo tanto para o fortalecimento da cibersegurança quanto para potenciais ataques.

Estratégia chinesa: o código aberto como arma

Diferente das empresas do Vale do Silício, que guardam seus modelos mais potentes a sete chaves, a China adotou o open-source como estratégia de expansão global. O objetivo é claro: tornar a tecnologia chinesa o padrão mundial por meio da acessibilidade.

  • Domínio de mercado: no último ano, modelos chineses já representavam cerca de um terço do uso global de IA.
  • Influência global: países como a Malásia já confirmaram que sua infraestrutura nacional de IA será baseada na tecnologia da DeepSeek, conforme apurado pelo The New York Times.
  • Adoção em massa: desenvolvedores de mercados emergentes, da Nigéria à Malásia, preferem o modelo chinês por ser mais barato e flexível para experimentação.

Geopolítica e a “técnica de imitação”

O sucesso da DeepSeek ocorre apesar das sanções dos EUA, que tentam limitar o acesso da China a chips de alto desempenho. No entanto, rivais americanos sugerem que o crescimento acelerado da startup pode ter um “atalho”.

Executivos da OpenAI e da Anthropic afirmam que a DeepSeek utiliza um processo chamado destilação. Na prática, isso significa “treinar” um modelo novo fazendo milhões de perguntas a uma IA superior (como o GPT-4) e ensinando o modelo menor a imitar seu comportamento.

Nesta quinta-feira (23), o governo dos Estados Unidos acusou formalmente a China de conduzir uma campanha de roubo de propriedade intelectual voltada para inteligência artificial em “escala industrial”. De acordo com o documento vazado, entidades estrangeiras estão engajadas em esforços para “destilar” sistemas de IA de fronteira desenvolvidos nos EUA.

Apesar das críticas, o “momento DeepSeek” consolidou 2025 e o início de 2026 como a era da explosão das IAs chinesas. Gigantes como Alibaba e ByteDance (dona do TikTok) também entraram na onda, liberando modelos como o Qwen, que já soma mais de um bilhão de downloads, conforme o jornal.

O post Guerra das IAs: DeepSeek V4 supera rivais em programação e desafia OpenAI apareceu primeiro em Olhar Digital.

Nvidia: ações quebram recorde e fazem valor de mercado voltar aos US$ 5 trilhões

24 de Abril de 2026, 18:41

As ações da Nvidia fecharam em alta recorde nesta sexta-feira (24) pela primeira vez desde outubro, empurrando o valor de mercado da empresa para além dos US$ 5 trilhões (R$ 25 trilhões) mais uma vez, em meio ao movimento dos investidores em direção ao setor de chips de inteligência artificial (IA) antes dos resultados das grandes empresas de tecnologia na próxima semana.

As ações subiram 4,3% para fechar a US$ 208,27 (R$ 1.043,08). A Nvidia acumula alta de mais de 14 vezes desde o final de 2022, impulsionada pela crescente demanda por serviços e modelos de IA. As unidades de processamento gráfico (GPUs, na sigla em inglês) da Nvidia são utilizadas por Google, Microsoft, Meta e Amazon, bem como pelos desenvolvedores de modelos de IA OpenAI e Anthropic.

O movimento de sexta foi provocado pelos resultados melhores que o esperado da Intel, divulgados na quinta-feira (23). A fabricante de chips havia sido amplamente deixada de fora do mercado de IA até recentemente. As ações da Intel dispararam 24%, seu melhor desempenho desde 1987.

A AMD, que compete com Nvidia e Intel, saltou 14%, enquanto a fabricante de chips para dispositivos móveis Qualcomm subiu 11%. Os investidores vinham se afastando das ações de tecnologia de grande capitalização conforme os preços do petróleo disparavam devido à guerra no Irã e às interrupções da cadeia de suprimentos que se seguiram.

Logo da Nvidia em um chip
Resultados das concorrentes animaram os investidores da Nvidia – Imagem: alexgo.photography/Shutterstock

Leia mais:

Setor de tecnologia volta ao foco

Amplos segmentos da tecnologia voltaram a favor recentemente, com a demanda por infraestrutura de IA não mostrando sinais de desaceleração. O Nasdaq agora sobe 15% em abril, caminhando para seu melhor mês desde abril de 2020.

A Nvidia enfrenta crescente competição em IA. A Alphabet, grande cliente da Nvidia, anunciou novos chips que tentarão competir com as ofertas da Nvidia quando ficarem disponíveis para clientes em nuvem ainda este ano.

O post Nvidia: ações quebram recorde e fazem valor de mercado voltar aos US$ 5 trilhões apareceu primeiro em Olhar Digital.

Anthropic anuncia acordo com Google e Broadcom para fornecimento de computação

7 de Abril de 2026, 17:39

A Anthropic anunciou um acordo com o Google e com a Broadcom para ampliar sua infraestrutura de computação em inteligência artificial. A iniciativa busca sustentar o crescimento acelerado da demanda pelos modelos da linha Claude, especialmente no segmento corporativo.

Segundo a empresa, os novos contratos expandem o uso das unidades de processamento de tensores (TPUs) do Google Cloud (chips desenvolvidos para tarefas avançadas de IA). O acordo também aprofunda uma parceria que já existe desde outubro de 2025. Na ocasião, o acordo previa mais de um gigawatt de capacidade computacional – número que, agora, será ampliado.

A Anthropic não divulgou oficialmente os detalhes completos da expansão, incluindo a quantidade de poder computacional prevista. No entanto, documentos recentes da Broadcom indicam que o novo contrato pode envolver até 3,5 gigawatts de poder computacional.

Segundo o TechCrunch, a maior parte dessa estrutura deverá ser instalada nos Estados Unidos, alinhada ao plano da empresa de investir US$ 50 bilhões em infraestrutura no país. A nova capacidade deve entrar em operação a partir de 2027.

De acordo com a companhia, o movimento representa o maior investimento em computação já realizado pela Anthropic até o momento:

Essa parceria inovadora com o Google e a Broadcom é uma continuidade da nossa abordagem disciplinada para escalar a infraestrutura: estamos construindo a capacidade necessária para atender ao crescimento exponencial que temos visto em nossa base de clientes, ao mesmo tempo em que permitimos que Claude defina a fronteira do desenvolvimento de IA. Estamos fazendo nosso maior investimento em computação até o momento para acompanhar nosso crescimento sem precedentes.

Krishna Rao, CFO da Anthropic
claude pentágono
Nem a briga com o governo dos EUA foi suficiente para barrar a demanda pelo Claude – Imagem: RixAiArt / Shutterstock

Expansão da Anthropic e do Claude

O anúncio ocorre em meio a uma rápida expansão do negócio da Anthropic. A desenvolvedora registrou um salto expressivo em sua receita anualizada, que passou de US$ 9 bilhões no fim de 2025 para cerca de US$ 30 bilhões atualmente. A base de clientes também cresceu, com mais de mil empresas gastando acima de US$ 1 milhão por ano com as soluções.

Esse avanço foi impulsionado pela adoção crescente de modelos de IA generativa em ambientes corporativos. A empresa também concluiu recentemente uma rodada de financiamento Série G de US$ 30 bilhões, que elevou sua avaliação de mercado para US$ 380 bilhões.

Apesar do crescimento, a Anthropic já foi apontada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos como um potencial risco para a cadeia de suprimentos – um fator que, por ora, não impediu a expansão da demanda pelos serviços. O Olhar Digital deu os detalhes sobre a briga da empresa com o governo norte-americano neste link.

O post Anthropic anuncia acordo com Google e Broadcom para fornecimento de computação apareceu primeiro em Olhar Digital.

Custos bilionários colocam pressão sobre modelo de negócios da IA

7 de Abril de 2026, 17:09

O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) está redefinindo não apenas a tecnologia, mas também a lógica financeira das empresas do setor. Em um cenário marcado por investimentos massivos, gastar grandes quantias passou a ser parte essencial da estratégia para crescer — ainda que isso signifique operar no vermelho por anos.

De acordo com documentos financeiros obtidos pelo The Wall Street Journal, as empresas OpenAI e Anthropic projetam gastar juntas quase US$ 65 bilhões (R$ 335,4 bilhões) em 2026 apenas com custos de treinamento e operação de seus modelos de IA. O valor supera a receita gerada por ambas no mesmo período.

A tendência é de forte crescimento. Esses custos combinados devem chegar a US$ 127 bilhões (R$ 655,5 bilhões) no próximo ano e atingir quase US$ 250 bilhões (R$ 1,2 trilhão) até 2029, segundo projeções apresentadas pelas próprias companhias a investidores privados.

No caso da OpenAI, a expectativa é que os gastos com treinamento e inferência — processo pelo qual os modelos respondem às consultas dos usuários — continuem superando a receita até 2029. Já a Anthropic prevê ultrapassar esse ponto já no próximo ano. Ainda assim, outros custos devem manter a empresa controladora do chatbot Claude no prejuízo antes dos impostos também até o fim da década.

Apesar das projeções, o cenário pode mudar. Há a possibilidade de crescimento de receitas em ritmo mais acelerado do que o estimado atualmente. Ainda assim, o histórico recente do setor aponta para uma escalada contínua dos custos.

Smartphone em cima de várias notas de dólar; na tela do aparelho, está o logo da OpenAI
OpenAI e Anthropic investem pesado, mesmo que isso signifique prejuízo no começo – Imagem: izzuanroslan/Shutterstock

Concorrência com gigantes pressiona modelo

  • Além dos altos gastos, OpenAI e Anthropic enfrentam concorrência direta de gigantes da tecnologia que também investem pesadamente em IA, mas contam com negócios principais altamente lucrativos para financiar essas iniciativas;
  • Empresas, como Alphabet (dona do Google) e Meta, devem gerar juntas cerca de US$ 334 bilhões (R$ 1,7 trilhão) em fluxo de caixa operacional neste ano, segundo estimativas da FactSet — uma vantagem significativa frente às startups focadas exclusivamente em IA;
  • Nesse contexto, surge a dúvida sobre o apetite dos investidores. Tanto OpenAI quanto Anthropic estariam planejando realizar ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) ainda em 2026, mesmo diante de prejuízos elevados;
  • Casos anteriores mostram que isso não é inédito. A Amazon, por exemplo, operou com prejuízo por anos após seu IPO em 1997, segundo dados da S&P Global Market Intelligence, e acabou se tornando um investimento bem-sucedido no longo prazo;
  • Ainda assim, há diferenças importantes. Na época de sua abertura de capital, a Amazon valia cerca de US$ 430 milhões (R$ 2,2 bilhões) — menos de 0,01% do valor do índice S&P 500. Já OpenAI e Anthropic somam hoje mais de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,1 trilhões) em valor de mercado, de acordo com a PitchBook, o equivalente a mais de 2% do índice;
  • Esse contraste indica que a capacidade de controlar custos será um fator decisivo para atrair e manter investidores.

Leia mais:

Estratégias para crescer e atrair clientes

Para ampliar receitas, a Anthropic aposta no mercado corporativo. A empresa planeja investir US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão) em uma nova joint venture com grandes companhias de private equity, voltada à venda de ferramentas de IA para empresas de seus portfólios.

A iniciativa também deve atuar como braço de consultoria, orientando clientes sobre como integrar as soluções da startup em suas operações — uma estratégia para acelerar a adoção da tecnologia no ambiente empresarial.

Outro movimento relevante envolve infraestrutura. A Broadcom firmou contrato para fornecer à Anthropic, a partir de 2027, capacidade computacional equivalente a 3,5 gigawatts, utilizando chips TPU desenvolvidos pelo Google.

IA se expande — e enfrenta resistência

Enquanto empresas investem pesado, o impacto da IA já se espalha por diferentes setores. Um exemplo é o sucesso dos óculos inteligentes Ray-Ban, da Meta, que venderam 7,2 milhões de unidades no ano passado, segundo a IDC. A Meta vê o produto como uma porta de entrada para suas soluções de IA, enquanto sua parceira EssilorLuxottica também colhe benefícios comerciais.

Por outro lado, o avanço da infraestrutura necessária para sustentar a IA começa a enfrentar resistência. No Estado do Maine (EUA), uma proposta legislativa pode transformar a região na primeira a impor uma moratória à construção de novos data centers. Movimentos semelhantes já surgem em mais de dez estados estadunidenses, além de dezenas de municípios.

A reação indica que, além dos desafios financeiros, o crescimento da IA também levanta questões sociais e regulatórias — ampliando a complexidade de um setor que já lida com custos cada vez mais elevados.

O post Custos bilionários colocam pressão sobre modelo de negócios da IA apareceu primeiro em Olhar Digital.

Intel se une a projeto de chips de IA de Elon Musk

7 de Abril de 2026, 16:02

A Intel anunciou, nesta terça-feira (7), que participará do projeto Terafab, complexo de fabricação de chips de inteligência artificial (IA) idealizado por Elon Musk em parceria com a SpaceX e a Tesla. A iniciativa tem como objetivo desenvolver processadores capazes de sustentar as ambições do bilionário em áreas, como robótica e infraestrutura de data centers.

Após o anúncio, as ações da Intel subiram mais de 2%, segundo a Reuters. A empresa também divulgou uma imagem em que seu CEO, Lip-Bu Tan, aparece apertando as mãos de Musk, informando que recebeu o empresário em seu campus no último fim de semana.

A entrada da Intel no projeto ocorre meses depois de Musk apresentar planos para que a Tesla construa uma gigantesca fábrica de chips de IA, voltada a acelerar o desenvolvimento de tecnologias autônomas. Na ocasião, ele já havia sugerido a possibilidade de colaboração com a fabricante de semicondutores.

Segundo a Intel, suas capacidades industriais devem acelerar o objetivo do Terafab de produzir um terawatt por ano em capacidade computacional, com foco em avanços futuros em IA e robótica.

Em publicação no X, Lip-Bu Tan afirmou: “Elon tem um histórico comprovado de reinventar indústrias inteiras. Isso é exatamente o que é necessário na fabricação de semicondutores hoje. O Terafab representa uma mudança significativa na forma como lógica de silício, memória e empacotamento serão construídos no futuro.”

Elon has a proven track record of reimagining entire industries. This is exactly what is needed in semiconductor manufacturing today. Terafab represents a step change in how silicon logic, memory and packaging will get built in the future. Intel is proud to be a partner and work… https://t.co/PmzsTLNmad

— Lip-Bu Tan (@LipBuTan1) April 7, 2026

No mês passado, Musk afirmou que sua empresa de foguetes, a SpaceX — que recentemente se fundiu com a empresa de redes sociais e inteligência artificial xAI —, junto com a Tesla, pretende construir duas fábricas avançadas de chips em um grande complexo em Austin, Texas (EUA).

Uma dessas unidades será voltada para veículos e robôs humanoides, enquanto a outra será projetada para data centers de IA no espaço.

Paralelamente, a SpaceX entrou com pedido confidencial para realizar uma oferta pública inicial (IPO) nos Estados Unidos, o que pode resultar em uma das maiores aberturas de capital da história. A expectativa é de que o lançamento no mercado ocorra ainda este ano.

Leia mais:

Reestruturação da Intel ganha fôlego

  • Para a Intel, que vinha ficando atrás de concorrentes na corrida pela IA, a parceria tende a reforçar a confiança dos investidores à medida que seus esforços de reestruturação avançam;
  • A empresa vem registrando melhora financeira, impulsionada pelo aumento da demanda por seus processadores;
  • “A Intel precisa mostrar que pode atender os maiores clientes em seus projetos mais importantes, e isso parece ser o caso com a parceria com a Tesla”, afirmou o analista Gil Luria, da D.A. Davidson, à Reuters, classificando o movimento como um “passo importante” na reestruturação da companhia;
  • Sob a liderança de Lip-Bu Tan há mais de um ano, a Intel vem adotando medidas agressivas para recuperar sua saúde financeira, incluindo cortes de empregos e venda de ativos;
  • A empresa também recebeu bilhões de dólares em investimentos da Nvidia e do governo dos Estados Unidos, que atualmente é seu maior acionista.

Um dos pilares da estratégia de recuperação é o negócio de fabricação de chips sob contrato, conhecido como Intel Foundry, que ainda registra prejuízos significativos. Em 2025, a divisão teve um prejuízo operacional de US$ 10,3 bilhões (R$ 53,3 bilhões), enquanto sua receita cresceu apenas 3%.

Apesar disso, a Intel tem apostado na tecnologia de fabricação 18A. No mês passado, a companhia indicou que essa tecnologia poderá ser oferecida a clientes externos, após ter sido utilizada majoritariamente para fins internos no ano anterior.

O post Intel se une a projeto de chips de IA de Elon Musk apareceu primeiro em Olhar Digital.

Anthropic: juíza barra medida do Pentágono contra empresa

26 de Março de 2026, 21:20

Uma juíza federal dos Estados Unidos determinou o bloqueio temporário de uma medida do Pentágono que classificava a empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic como um “risco à cadeia de suprimentos para a segurança nacional”.

A decisão foi proferida pela juíza distrital Rita Lin, que apontou indícios de que a medida teria caráter punitivo. Segundo ela, “o registro sustenta uma inferência de que a Anthropic está sendo punida por criticar a posição de contratação do governo na imprensa”.

Na avaliação da magistrada, a ação do governo pode configurar retaliação ilegal com base na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. “Punir a Anthropic por trazer escrutínio público à posição de contratação do governo é um caso clássico de retaliação ilegal da Primeira Emenda”, escreveu.

A decisão judicial ocorre após audiências realizadas no início desta semana e estabelece que a ordem de bloqueio temporário entre em vigor dentro de sete dias.

Leia mais:

claude pentágono
Deliberação começou na terça-feira (24) (Imagem: RixAiArt/Shutterstock)

Anthropic vs Pentágono: linha do tempo

11 de julho de 2024: a Anthropic firmou uma parceria com a Palantir para integrar o Claude à plataforma de IA Palantir AIP. O objetivo era permitir que agências de inteligência e defesa dos EUA usassem a IA para analisar grandes volumes de dados complexos de forma segura.

14 de julho de 2025: o Pentágono concedeu à Anthropic um contrato de prototipagem no valor de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão). O objetivo era desenvolver capacidades de IA de fronteira para a segurança nacional. Outras empresas, como OpenAI e xAI, também receberam contratos de valores similares na mesma época.

Janeiro de 2026: o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, emitiu um memorando exigindo que todos os contratos de IA do Departamento de Defesa incluíssem uma cláusula de “qualquer uso lícito” em até 180 dias. A medida entrou em conflito direto com as políticas de segurança da Anthropic, que proíbem o uso do Claude para vigilância doméstica em massa ou armas totalmente autônomas.

24 de fevereiro de 2026: Hegseth reuniu-se com o CEO da Anthropic, Dario Amodei, exigindo formalmente a assinatura de um documento que garantisse ao exército acesso total e irrestrito aos modelos Claude, sem as “travas” de segurança da empresa.

27 de fevereiro de 2026: fim do prazo estipulado pelo Pentágono. A Anthropic recusou-se oficialmente a remover as salvaguardas. Em resposta, o presidente Donald Trump ordenou que todas as agências federais interrompessem o uso dos produtos da Anthropic. No mesmo dia, Hegseth declarou a empresa um “risco à cadeia de suprimentos”, proibindo qualquer contratante militar de fazer negócios com ela.

28 de fevereiro de 2026: a OpenAI, através de Sam Altman, aproveitou o vácuo deixado pela Anthropic e anunciou um novo acordo para implantar seus modelos na rede classificada do Departamento de Defesa, comprometendo-se com os termos de “uso lícito” exigidos pelo governo.
Enquanto os Estados Unidos baniam a Anthropic, o Pentágono iniciava a Operação Epic Fury, uma ofensiva aérea contra o Irã, usando as ferramentas de IA da empresa.

24 de março de 2026: Anthropic e governo foram aos tribunais pela primeira vez. Houve uma audiência em um tribunal federal da Califórnia, que deliberou sobre a validade da medida tomada pelo Pentágono.

O post Anthropic: juíza barra medida do Pentágono contra empresa apareceu primeiro em Olhar Digital.

Epic Games demite mais de mil funcionários após queda de engajamento em Fortnite

24 de Março de 2026, 15:27

A crise que atinge a indústria de jogos eletrônicos acaba de fazer sua vítima mais notável até agora. A Epic Games anunciou nesta terça-feira (24) o corte de mais de 1.000 postos de trabalho, uma decisão motivada pela queda no engajamento de seu principal título, o battle royale Fortnite, de acordo com informações da agência Reuters.

De acordo com um comunicado enviado pelo CEO Tim Sweeney aos funcionários, a empresa está gastando “muito mais do que estamos ganhando”. Para estancar a sangria, a Epic planeja economizar cerca de US$ 500 milhões por meio da redução de gastos com marketing, contratações e a eliminação de cargos abertos.

O fim da “magia” constante?

Embora o gênero de “jogos como serviço” tenha se mostrado resiliente nos últimos anos, manter o interesse do público exige um fluxo constante e caríssimo de novos conteúdos. Sweeney admitiu que a empresa enfrentou desafios para entregar a “magia de Fortnite” de forma consistente e que as condições atuais do mercado são as mais extremas desde a fundação da Epic, em 1991.

Um ponto importante destacado pelo CEO é que as demissões não estão relacionadas à inteligência artificial. Em um momento de medo generalizado de que a tecnologia substitua desenvolvedores, Sweeney fez questão de reforçar que os cortes são uma medida puramente financeira para garantir a sobrevivência da operação.

Esta é a segunda grande rodada de demissões da Epic Games em menos de três anos; em setembro de 2023, a empresa já havia cortado 830 funcionários. No entanto, ela não está sozinha:

  • EA e Amazon: gigantes como Electronic Arts e a divisão de games da Amazon também realizaram cortes em massa recentemente.
  • Custo de hardware: a alta nos preços dos chips de memória também pressiona o setor, elevando os custos de semicondutores e forçando fabricantes de consoles a reajustar preços.

O post Epic Games demite mais de mil funcionários após queda de engajamento em Fortnite apareceu primeiro em Olhar Digital.

Musk propõe pagar salários de funcionários de aeroportos em meio à crise orçamentária nos EUA

22 de Março de 2026, 09:19

Enquanto aeroportos americanos enfrentam filas intermináveis e funcionários trabalham sem salário há semanas, Elon Musk anunciou que vai cobrir os vencimentos dos agentes da TSA durante a atual paralisação orçamentária do governo federal.

A TSA (Transportation Security Administration) é a agência federal dos EUA, criada após 11 de setembro de 2001, responsável pela segurança em aeroportos e transportes. Ela fiscaliza passageiros e bagagens, define regras de líquidos e itens proibidos, e utiliza chaves mestras para inspecionar malas trancadas com cadeados padronizados. 

De acordo com a Reuters, o empresário, considerado a pessoa mais rica do mundo, fez o anúncio no sábado através de sua plataforma X. A decisão surge em meio ao quinto fim de semana consecutivo de impasse no Congresso sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), órgão responsável pela TSA.

“Gostaria de me oferecer para pagar os salários do pessoal da TSA durante este impasse de financiamento que está afetando negativamente a vida de tantos americanos em aeroportos em todo o país”, escreveu Musk na rede social.

Aeronaves não são suficientes: Tesla quer dominar transporte terrestre em aeroportos
(Imagem: Georgiy Datsenko / iStock)

Funcionários prestes a perder segundo salário

Os aproximadamente 50 mil agentes de segurança aeroportuária estão a poucos dias de perder o segundo salário integral em seis meses. Mesmo sem remuneração, eles continuam sendo pressionados a comparecer ao trabalho enquanto os tempos de triagem em alguns aeroportos se estendem por horas.

Segundo dados federais, os funcionários da TSA ganham uma média de 61 mil dólares por ano. A situação se tornou tão crítica que aeroportos estão organizando campanhas de arrecadação de alimentos e aceitando doações para ajudar os trabalhadores da segurança.

Companhias aéreas e grupos de viagem alertam que as ausências entre os agentes de segurança podem aumentar novamente neste fim de semana, agravando ainda mais os atrasos nos aeroportos.

Negociações continuam sem prazo definido

O líder da maioria no Senado, John Thune, disse na sexta-feira que negociadores bipartidários conseguiram reduzir as disputas restantes sobre o financiamento do DHS. No entanto, ainda não há um acordo finalizado.

A atual crise orçamentária tem origem em um acordo firmado pelos democratas no Congresso em fevereiro. Eles concordaram em financiar a maior parte do governo federal, mas retiveram os recursos do DHS após a morte de dois cidadãos americanos em Minnesota por autoridades de imigração.

heathrow
Aeroporto mais movimentado da Europa(Imagem: GordonBellPhotography/iStock)

Precedente de financiamento privado

Esta não seria a primeira vez que um doador privado intervém durante uma paralisação governamental. No ano passado, o presidente Donald Trump revelou que um doador rico forneceu 130 milhões de dólares para cobrir possíveis déficits no pagamento militar durante uma paralisação que durou 43 dias – a mais longa da história americana.

Até o momento, nem o DHS, nem a TSA, nem representantes de Musk responderam às solicitações de comentários sobre a proposta do bilionário.

A situação continua impactando milhões de passageiros que enfrentam longas esperas nos aeroportos, enquanto os trabalhadores essenciais da segurança aeroportuária permanecem sem seus salários em meio às negociações políticas em Washington.

O post Musk propõe pagar salários de funcionários de aeroportos em meio à crise orçamentária nos EUA apareceu primeiro em Olhar Digital.

Jornal afirma que marinheiro revelou posição de porta-aviões francês com um app

20 de Março de 2026, 22:59

Um marinheiro francês expôs, involuntariamente, a localização de um porta-aviões da França ao manter ativado o aplicativo de exercícios Strava durante uma corrida a bordo da embarcação. As informações foram divulgadas pelo jornal Le Monde nesta quinta-feira (19).

Segundo a publicação, no dia 13 de março, às 10h35, o militar percorreu pouco mais de sete quilômetros em cerca de 35 minutos enquanto utilizava um relógio conectado ao aplicativo. Ao compartilhar os dados da atividade física, ele também tornou pública a localização quase exata do porta-aviões Charles de Gaulle, que operava no Mar Mediterrâneo, a noroeste do Chipre e a aproximadamente 100 quilômetros da costa da Turquia.

Embora a presença do grupo aeronaval francês na região já fosse conhecida, a divulgação de sua posição precisa é considerada uma falha grave em um contexto de guerra, no qual a localização de forças militares é um dado estratégico essencial. No início do mês, em 3 de março, o presidente Emmanuel Macron havia anunciado o envio da força poucos dias após o início do conflito no Oriente Médio.

Tela do app Strava
App entregou “de bandeja” a localização do porta-aviões (Imagem: Reprodução/Strava)

Episódio piora tensões

  • O episódio ocorre em meio a tensões crescentes na região;
  • A França registrou recentemente sua primeira baixa confirmada no conflito, apesar de não participar diretamente dos combates;
  • O suboficial Arnaud Frion morreu após um ataque de grupos pró-Irã na região de Erbil, no Iraque. Além disso, bases francesas já foram alvo de mísseis iranianos;
  • De acordo com o Le Monde, os dados públicos do perfil do marinheiro permitem reconstituir parte dos deslocamentos do porta-aviões e de sua escolta nas últimas semanas;
  • Em fevereiro, registros indicam atividades em alto-mar próximo à costa francesa. Dias depois, o militar aparece em terra, em Copenhague (Dinamarca), durante uma escala.

Leia mais:

Já em 13 de março, os dados o situam nas proximidades de Chipre — informação posteriormente confirmada por imagens de satélite. Em um dos registros, captado pouco mais de uma hora após a corrida, é possível identificar o formato característico do navio, que possui 262 metros de comprimento.

O trajeto registrado pelo relógio mostra voltas em alto-mar, possivelmente realizadas a bordo de uma embarcação em movimento. O percurso aparece a cerca de seis quilômetros do ponto onde o porta-aviões foi fotografado. Essa diferença pode ser explicada tanto pelo deslocamento do navio quanto pela possibilidade de o militar estar em uma embarcação da escolta.

Em ambos os cenários, segundo o jornal, o compartilhamento público das atividades físicas foi suficiente para permitir a identificação da localização do grupo naval em tempo quase real.

O post Jornal afirma que marinheiro revelou posição de porta-aviões francês com um app apareceu primeiro em Olhar Digital.

Júri conclui que Elon Musk enganou investidores do Twitter antes de comprá-lo

20 de Março de 2026, 22:10

Um júri na Califórnia (EUA) concluiu que Elon Musk enganou investidores do Twitter (atual X) durante o período que antecedeu a aquisição da empresa por US$ 44 bilhões (R$ 233,7 bilhões). O veredicto foi emitido nesta sexta-feira (20) e estabelece que os danos totais podem chegar a até US$ 2,6 bilhões (R$ 13,8 bilhões), segundo advogados dos autores da ação.

O processo coletivo, intitulado Pampena v. Musk, foi protocolado em outubro de 2022, após Musk concluir a compra da rede social por US$ 54,20 (R$ 287,99) por ação. Posteriormente, ele renomeou a empresa para X e a integrou à sua companhia de inteligência artificial, a xAI, antes de também vinculá-la à SpaceX.

O que os advogados que acusam Musk dizem

  • Segundo os advogados dos investidores, o comportamento de Musk prejudicou acionistas comuns;
  • “Este é um grande exemplo do que você não pode fazer com o investidor médio — pessoas que têm planos de aposentadoria, filhos, fundos de pensão, professores, bombeiros, enfermeiros”, afirmou Joseph Cotchett, representante dos investidores, em entrevista à CNBC no tribunal de São Francisco (EUA). “Era disso que tratava este caso. Não era sobre Musk. Era sobre toda a operação”;
  • Em comunicado enviado por e-mail, advogados de Musk do escritório Quinn Emanuel afirmaram: “Vemos o veredicto de hoje, em que o júri decidiu tanto a favor quanto contra os autores e não encontrou um esquema de fraude, como um obstáculo no caminho. E esperamos a reabilitação na apelação”;
  • A controvérsia teve início após a proposta de compra do Twitter feita por Musk em abril de 2022. Pouco depois, o empresário passou a demonstrar dúvidas sobre o negócio, questionando publicamente o nível de contas falsas, bots e spam na plataforma;
  • Em maio daquele ano, ele escreveu no Twitter que a aquisição estava “temporariamente suspensa” até que o então CEO da empresa comprovasse que as contas inautênticas representavam cerca de 5% do total, conforme divulgado em relatórios enviados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês).

As publicações e declarações adicionais de Musk provocaram uma queda de quase 10% nas ações do Twitter em uma única sessão. Após quatro dias de deliberação, o júri concluiu por unanimidade que os tuítes publicados em 13 e 17 de maio eram materialmente falsos ou enganosos.

Elon Musk de terno
Executivo teria forçado queda no valor das ações do Twitter deliberadamente
(Imagem: photosince/Shutterstock)

Leia mais:

Ex-acionistas da empresa, incluindo investidores de varejo e operadores de opções, argumentaram que as declarações faziam parte de uma estratégia para pressionar o conselho do Twitter a aceitar uma venda por um valor inferior à oferta inicial. Segundo eles, Musk também estaria motivado pela queda nas ações da Tesla, o que o obrigaria a vender mais papéis da empresa para financiar a aquisição.

Os autores da ação afirmaram ainda que venderam suas ações por valores abaixo de US$ 54,20 em resposta às declarações públicas de Musk e entrevistas à imprensa. A estimativa de danos potenciais leva em conta análises de especialistas sobre o impacto das mudanças de posição do empresário no preço das ações durante o período abrangido pelo processo.

De acordo com os advogados dos investidores, o processo de administração das reivindicações deve ser estruturado em cerca de 90 dias. Em seguida, o governo levará mais alguns meses para processar os pedidos e permitir que os investidores comecem a recuperar parte de suas perdas.

A defesa de Musk sustentou que as declarações do empresário se baseavam em preocupações legítimas sobre bots, spam e contas falsas na plataforma, e que não configuravam fraude de valores mobiliários nem uma tentativa deliberada de derrubar o preço das ações.

O júri concluiu que, embora Musk tenha feito declarações falsas e enganosas que prejudicaram alguns acionistas, não houve um esquema específico de fraude contra investidores.

Apesar de representar uma reprimenda significativa ao empresário, o impacto financeiro do veredicto tende a ser limitado diante de sua fortuna, estimada atualmente em cerca de US$ 650 bilhões (R$ 3,4 trilhões), segundo a Bloomberg.

O post Júri conclui que Elon Musk enganou investidores do Twitter antes de comprá-lo apareceu primeiro em Olhar Digital.

Novo robô humanoide pode desarmar bombas e identificar alvos em guerras

20 de Março de 2026, 08:29

Uma empresa de tecnologia Foundation Future Industries, dos Estados Unidos, está desenvolvendo um robô humanoide com foco em aplicações militares. O projeto, chamado Phantom-01, foi criado para lidar com logística, navegação e até identificação de alvos de forma autônoma.

O modelo tem 1,80 metro de altura e 80 quilos. Ele foi projetado para transportar cargas de até 40 quilos e se deslocar a velocidades de até 6,1 km/h. Segundo a empresa, o equipamento já está sendo testado em atividades não letais, como movimentação de materiais e execução de tarefas industriais.

A proposta vai além do uso em ambientes civis. De acordo com Sankaet Pathak, fundador da Foundation Future Industries, o objetivo de longo prazo é desenvolver um sistema capaz de atuar de forma autônoma em operações militares, incluindo navegação em campo e identificação de alvos.

Apesar disso, o executivo afirma que o uso de armamentos ainda dependerá de supervisão humana. A lógica, segundo ele, segue o modelo já adotado em drones militares, que podem operar de forma independente em várias etapas, mas exigem autorização humana para ações ofensivas.

Pathak destaca que a autonomia será aplicada principalmente em tarefas operacionais, como transporte de suprimentos, organização de materiais e outras funções ligadas à logística em cenários de defesa. Para ele, essas atividades são essenciais e podem ser automatizadas com maior segurança.

Outro ponto enfatizado pela empresa é a arquitetura do sistema. O Phantom-01 foi desenvolvido para operar com um computador embarcado, reduzindo a dependência de conexões externas. A estratégia busca diminuir a exposição a possíveis ataques cibernéticos, especialmente em ambientes sensíveis.

Phantom-01, da Foundation Future Industries
Empresa espera lançar novo modelo de robô humanoide no mês que vem (Imagem: Foundation Future Industries)

Próxima geração do robô humanoide está chegando

A companhia já prepara a próxima geração do robô, com lançamento previsto para abril. A nova versão deve trazer melhorias voltadas à produção em larga escala, com a expectativa de comercializar milhares de unidades ainda este ano.

O projeto coloca a Foundation Future Industries em um mercado cada vez mais competitivo, que inclui iniciativas semelhantes de empresas como Tesla, Agility Robotics e Apptronik, todas investindo no desenvolvimento de robôs humanoides com potencial para aplicações industriais e, em alguns casos, estratégicas.

Como demonstração, a empresa divulgou um vídeo do robô desarmando uma bomba:

O post Novo robô humanoide pode desarmar bombas e identificar alvos em guerras apareceu primeiro em Olhar Digital.

ECA Digital entra em vigor nesta terça; saiba o que muda na internet brasileira

17 de Março de 2026, 00:01

Passa a valer hoje o novo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). A medida entra em vigor nesta terça-feira (17). Ela — Lei nº 15.211/2025 — foi sancionada em 18 de setembro de 2025.

Seu objetivo é o de atualizar a proteção de menores no país e deixá-la preparada para a era da internet atual, cada vez mais utilizada por bons e maus atores. A lei determina que empresas do setor de tecnologia criem mecanismos de certificação de idade e sistemas de supervisão parental.

Como pena, as companhias que não acatarem as medidas do ECA Digital poderão sofrer sanções que podem chegar a R$ 50 milhões por infração. A proposta, que agora é lei, ganhou força no debate político após uma denúncia feita pelo youtuber Felca, que revelou redes de exploração infantil e adultização de crianças nas plataformas digitais.

“Vários países começaram a adotar algumas medidas. Chegou ao ponto da Austrália proibir o acesso a redes sociais para menores de 16 anos, começou a exigir que pelo menos 13 anos fosse a idade mínima para se entrar em redes sociais em boa parte dos países, mas sentiu-se que isso não era suficiente. Por quê? Porque, infelizmente, não há uma verificação sólida e efetiva da idade das crianças”, pontuou Cláudia Costin, especialista em educação e ex-diretora global de educação do Banco Mundial, ao Olhar Digital.

“Então, muitas crianças entrando em redes sociais, muitos até ataques a escolas planejados na Dark Web por adolescentes, por vezes, então há riscos muito grandes para essas crianças. Então, pelo menos a partir do dia 17 [hoje], começa a viger o ECA digital e eu acho que isso é um avanço. Não vai ser perfeito, mas é um grande avanço“, prosseguiu.

Quais são os principais pontos do ECA Digital?

Agora, entre as medidas que apps, jogos eletrônicos, redes sociais e serviços digitais precisarão aplicar, estão:

  • Verificação de idade confiável;
  • Ferramentas de supervisão familiar;
  • Resposta ágil a conteúdos ilícitos;
  • Regras específicas para o tratamento de dados e publicidade dirigida a menores.

As empresas passam a ter mais responsabilidades, devendo garantir mais segurança para o acesso de crianças e adolescentes.

“O que o ECA Digital basicamente fez foi ampliar as responsabilidades daquelas empresas que posicionam produtos e serviços digitais no mercado para que estes sejam mais seguros quando são acessados por crianças e adolescentes”, explicou, ao Olhar Digital, Ricardo Lins Horta, Secretário Nacional Interino de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Diferentemente de outros países, como a Austrália, o ECA Digital não força o banimento de certa faixa etária, mas estabelece o seguinte: Nas redes sociais, o conjunto de leis dá destaque à supervisão parental. Isso significa que contas de adolescentes com menos de 16 anos precisarão ser vinculadas às de adultos responsáveis.

As redes precisarão, além de fornecer a supervisão parental, utilizar outros métodos de verificação de idade, como a estimativa etária, que algumas plataformas já utilizam. Caberá à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinar quais serão os métodos utilizados na verificação de idade de jovens e adolescentes.

Já as lojas de aplicativos e sistemas operacionais precisarão disponibilizar o sinal de idade (informação sobre a idade do usuário) para os apps. Nos casos de sites de pornografia, marketplaces e aplicativos de entrega que vendem bebidas alcoólicas ou cigarros, será necessária a verificação de idade.

Contudo, essa verificação ainda não está disponível, sendo aplicada escalonadamente, segundo Horta. Isso deve levar alguns meses.

“Outros países que aprovaram leis de segurança online levaram um período maior e ainda estão implementando. A gente sempre soube que seis meses era um prazo ambicioso, mas, ao encurtar, o governo Lula estava mandando o recado para todo o ecossistema: vamos nos adaptar rápido para proteger esse público“, explicou.

Enquanto as tecnologias permitidas para aferição da idade não são detalhadas, orienta-se tratar os dados pessoais dos usuários com o mínimo necessário para haver a confirmação da idade desses usuários.

Isso se assemelha ao que vemos em locais físicos, como quando você vai a uma festa para maiores de idade, por exemplo, e seguranças conferem seu RG na entrada para determinar se você pode ou não participar. A ideia é igual, com a diferença de que as empresas e serviços com restrições para menores são os “seguranças” que irão “pedir seu RG digital“.

“A gente está pensando, obviamente, em redes sociais, mas, ao mesmo tempo, o ECA Digital tem um efeito ou impacto sistêmico, porque várias das questões que a própria legislação brasileira sempre proibiu ou sempre definiu que não deveriam acontecer com crianças e adolescentes passam a valer também para a internet de forma muito clara. Então, para ficar no exemplo, o ECA de 1990 já dizia que você não poderia ofertar ou vender álcool ou revistas pornográficas para crianças e adolescentes. O que se observava é que, na internet, você não tinha nenhuma forma de controle ou checagem disso”, disse o secretário.

“Vale lembrar que a aferição de idade não se confunde com verificação de identidade. Para acessar um ambiente proibido para crianças e adolescentes, eu não preciso identificar a pessoa. A pessoa pode manter a privacidade dela, acessar aquele ambiente e, ao mesmo tempo, provar que é adulta. A gente já tem várias tecnologias que permitem fazer isso sem você rastrear o que as pessoas fazem na internet: você pode usar, por exemplo, uma credencial etária, uma credencial de idade, que manda só uma única informação para a aplicação — ‘este usuário tem mais de dezoito anos’, por exemplo. E aí você, de fato, separa crianças e adolescentes de um lado, adultos de outro, e consegue proteger esse público, evitando que ele acesse ambientes que não são adequados para a sua idade”, prosseguiu.

A ANPD informou que o regulamento específico para aferição de idade deve ficar pronto até o fim deste ano e, a partir do ano que vem, este será um de seus temas prioritários.

Agora, a conversa que a gente tem que estimular e que a gente quer que ocorra é que as famílias tenham consciência de que o mundo digital é muita coisa. Eu posso, na internet, ter vários usos muito interessantes, educativos, eu posso ter jogos eletrônicos que ajudam a desenvolver habilidades, eu posso fazer trabalhos escolares na internet, eu posso conectar com amigos, tudo bem. Mas a gente precisa que tenha uma consciência de que a autonomia da criança e do adolescente é progressiva. Se eu dou um celular para a criança, para que ela possa comunicar com o pai ou a mãe, que são separados e vivem em lares distintos, por exemplo, é muito ruim que junto com essa funcionalidade protetiva venha junto todo o risco associado da internet em ambientes que são projetados para adultos.

O ECA Digital vem para acabar com isso. Se eu começo a exigir controles etários, se eu tenho mecanismos de supervisão parental ativa melhores, os pais e as mães podem fazer no ambiente digital aquilo que sempre fizeram no ambiente físico. No ambiente offline, pais e mães, avós, tios, tias sempre tiveram que decidir: a partir de qual idade meu filho pode sair sozinho na rua? A partir de qual idade pode dormir fora de casa? A partir de qual idade pode viajar com o amiguinho? São escolhas que as famílias sempre tiveram que fazer. No fundo, antes do ECA digital, o que estava acontecendo é que o ambiente digital estava desempoderando as famílias, porque elas não tinham sequer a oportunidade de exercer esse poder familiar. Agora a gente vai ter mecanismos e ferramentas para que os pais e as mães consigam separar o joio do trigo, separar onde as crianças podem estar, que são ambientes desenhados para serem seguros, de outros onde elas não deveriam estar porque não foram projetadas para serem seguras para esse público.

Ricardo Lins Horta, Secretário Nacional Interino de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em entrevista ao Olhar Digital

“Na prática, o que a lei define como ‘verificação eficaz‘ é um mecanismo que atenda cumulativamente a três requisitos: confiabilidade (capacidade real de distinguir menores de adultos), auditabilidade (possibilidade de verificação e prestação de contas sobre o funcionamento do sistema) e segurança técnica (proteção dos dados coletados no processo, com uso restrito à finalidade de verificação de idade conforme o art. 13)”, explicou Rafael Soares Magalhães, advogado especializado em crimes cibernéticos e compliance digital, mestre em direito, diretor do núcleo de consultas públicas e legislação da OAB/MG, membro da comissão de direito digital e diretor de assuntos legislativos da comissão de defesa e da cidadania dos interesses coletivos da sociedade da OAB/MG.

“A abordagem que vem prevalecendo no debate regulatório é a de proporcionalidade ao risco: quanto maior o risco oferecido pelo serviço (pornografia, apostas, venda de armas e bebidas, redes sociais), mais rigoroso deve ser o mecanismo de verificação. A regulamentação específica, que será expedida por decreto do Poder Executivo (art. 12), deverá definir os requisitos mínimos concretos. Até lá, as empresas devem buscar soluções que superem a mera autodeclaração e que sejam compatíveis com os princípios da LGPD, especialmente minimização de dados e finalidade”, disse.

Costin, por sua vez, concorda com a medida tomada pela Austrália, além de destacar o quão maléfico é o vício para menores. “Preferia dizer que não [a medida da Austrália foi uma boa decisão], mas eu acho acertada. No começo se dizia, não, mas a discórdia é uma rede social que é voltada a adolescentes, mas boa parte dos problemas de bullying, de agressões, vieram da discórdia. Por quê? Porque sem supervisão parental ou de responsáveis é muito complicado, é viciante, que é um outro ponto, que nós adultos sabemos quantos colegas nossos estão viciados no que a gente chama de scrolling, de não conseguem sair dos celulares, não conseguem se concentrar em jantares familiares ou até em conversas com amigos. Então, imagine a criança ou o adolescente que tem o córtex pré-frontal, que é essa parte do cérebro que lida com autorregulação, com autodisciplina, maduro, ele só fica maduro plenamente a partir dos 25 anos. Então, vício virou uma coisa muito complicada“, explanou.

“E também tentar seduzir crianças e adolescentes para comprar coisas que eles não desejam por meio de identificação de gostos, de características, que os algoritmos vão lidando com isso e jogando publicidade, é muito mais grave do que para adultos, porque em adultos, pelo menos alguns de nós selecionam o que de fato quer comprar ou não. Então, tudo isso para dizer que não acho que nós estamos atrasados. Eu acho que nós temos que agir rápido como os demais países”, disse.

Leia mais:

Adolescentes usando o celular
Lei visa dar mais proteção aos menores de idade (Imagem: antoniodiaz/Shutterstock)

O que já está valendo?

Nesta terça-feira (17), já passam a valer pontos, como:

  • Prevenção e mitigação de riscos previstos no art. 6º (exploração sexual, violência, conteúdos nocivos à saúde etc.);
  • Obrigação de configuração padrão no modelo mais protetivo de privacidade e proteção de dados;
  • Vedação à autodeclaração como mecanismo único de verificação de idade para conteúdos impróprios ou proibidos a menores de 18 anos;
  • Proibição de caixas de recompensa (loot boxes) em jogos eletrônicos direcionados ou de acesso provável por crianças e adolescentes;
  • Proibição de monetização e impulsionamento de conteúdos que retratem crianças e adolescentes de forma erotizada ou sexualmente sugestiva;
  • Vinculação obrigatória de contas de menores de 16 anos à conta de um responsável legal no âmbito de redes sociais;
  • Obrigação de retirada de conteúdo violador de direitos de crianças e adolescentes mediante comunicação da vítima, de seus representantes, do Ministério Público ou de entidades representativas, independentemente de ordem judicial;
  • Obrigação de manter representante legal no País com poderes para receber citações e notificações.

Grandes empresas e setores “sensíveis”

Enquanto alguns pontos do ECA Digital serão escalonadamente liberados, espera-se que empresas grandes que já tinham a observação governamental desde o ano passado, como Meta, Roblox e Discord, apliquem as regras de controle parental o quanto antes.

Contudo, alguns setores, como o da pornografia, pode ter que esperar mais. Isso é o que diz a distribuidora de conteúdo adulto Aylo, que aguarda orientações complementares dos órgãos reguladores, ajustando assim os planos de conformidade técnica tão logo as diretrizes sobre coleta de dados de idade forem divulgadas.

A gente tem um objetivo comum. O objetivo de todos os agentes que aprovaram no Congresso o ECA Digital, das entidades da sociedade civil, do Ministério Público, enfim, que apoiaram o ECA Digital, mas também das próprias empresas: oferecerem produtos mais seguros.

Ricardo Lins Horta, Secretário Nacional Interino de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em entrevista ao Olhar Digital

Redes sociais concentram o maior número de obrigações específicas, como vinculação de contas de menores de 16 anos a responsável legal (art. 24), proibição de perfilamento para publicidade (art. 26), regras específicas de tratamento de dados de menores (art. 25), verificação contínua de idade com métodos complementares (art. 24), suspensão de contas com indícios de operação por menor em desconformidade (art. 24) e relatórios semestrais de transparência para provedores com mais de um milhão de usuários menores (art. 31).

Jogos eletrônicos têm obrigações próprias: vedação às loot boxes (art. 20), integralidade das salvaguardas da Lei nº 14.852/2024 (Marco Legal dos Jogos Eletrônicos) para jogos com funcionalidades de interação (art. 21) e limitação padrão de funcionalidades de interação com exigência de consentimento dos pais (art. 21).

Plataformas de streaming e serviços com controle editorial recebem tratamento diferenciado favorável. O art. 39 dispensa provedores de serviços com controle editorial e de conteúdos protegidos por direitos autorais previamente licenciados das obrigações mais pesadas, desde que observem a classificação indicativa, ofereçam transparência na classificação etária, disponibilizem mecanismos de mediação parental e mantenham canais de denúncia.

Lojas de aplicativos e sistemas operacionais têm papel de “guardiões da porta de entrada“: devem aferir idade ou faixa etária dos usuários, permitir configuração de supervisão parental e fornecer sinal de idade via API segura aos provedores de aplicativos (art. 12).

Por último, buscadores e marketplaces estão sujeitos às obrigações gerais proporcionalmente ao seu grau de interferência sobre os conteúdos, o que será definido com mais precisão pela regulamentação (art. 39).

Loot boxes: compras com dinheiro de verdade estão contadas

Você (ou seu filho ou filha) já deve ter se deparado com as chamadas loot boxes, mecanismo que realiza estímulos psicológicos para fazer com que usuários, independentemente de serem crianças, adolescentes ou adultos, gastem dinheiro de verdade dentro do jogo eletrônico no qual está “mergulhado”.

Pois, com o ECA Digital, haverá restrições severas a essas caixas de recompensa, com sua proibição total, pois funcionam como uma espécie de jogo de azar digital. Também está proibida a monetização de conteúdos nos quais menores apareçam em contextos sexualizados.

Todos esses pormenores serão verificados pela ANPD, que virou uma agência reguladora. Agora, ela tem autonomia para elaborar normas e punir empresas e serviços que estejam em desacordo com o ECA Digital.

O secretário do Ministério da Justiça disse que o governo está otimista quando se fala da implementação e aceitação das novas leis. “A gente está vendo várias das grandes empresas que já estavam adotando soluções em outros países trazendo para o Brasil rapidamente soluções que tinham desenvolvido lá fora, porque entenderam que a lei é para valer.”

O ECA Digital amplia a lógica de responsabilidade das plataformas ao estabelecer deveres preventivos, e não apenas reativos. Isso significa que provedores não devem agir exclusivamente após denúncias, mas também implementar mecanismos razoáveis de mitigação de riscos, moderação adequada e ferramentas de proteção voltadas a crianças e adolescentes.

A norma dialoga com o debate constitucional em torno do Marco Civil da Internet e com a evolução da jurisprudência do STF, que vem reconhecendo a necessidade de atuação mais diligente das plataformas em situações de risco evidente a direitos fundamentais. Assim, permanece a proteção à liberdade de expressão, mas reforça-se o dever de cuidado ativo quando estiverem em jogo direitos infantojuvenis.

Daniella Avelar, advogada e presidente da comissão educação digital da OAB-MG, em entrevista ao Olhar Digital

Integração com a LGPD

Segundo Magalhães, o ECA Digital dialoga com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em vários pontos. “O ECA Digital e a LGPD não se excluem, mas se complementam, com prevalência da norma mais protetiva quando se trata de dados de crianças e adolescentes. A própria lei faz referências expressas à LGPD em diversos dispositivos, vinculando seus deveres aos princípios de proteção de dados já vigentes. Em vários pontos, porém, o ECA Digital vai além”, afirmou.

“O fator institucional de integração é a designação da ANPD como autoridade administrativa de ambas as leis, o que concentra na mesma agência a fiscalização de proteção de dados e de proteção digital de crianças, evitando conflitos de competência. Na prática, porém, uma mesma conduta pode configurar infração autônoma a cada uma das leis, devendo ser observado o princípio da vedação à dupla punição pelo mesmo fato”, prosseguiu.

O ECA Digital e a LGPD possuem natureza complementar. Enquanto a LGPD estabelece o regime geral de proteção de dados pessoais, o ECA Digital cria obrigações específicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Na prática, as medidas exigidas pelo ECA Digital, como verificação de idade e mecanismos de segurança, devem ser implementadas em conformidade com os princípios da LGPD, especialmente finalidade, necessidade, transparência e segurança.

Isso significa que a proteção do menor não autoriza coleta excessiva de dados, exigindo soluções tecnicamente eficazes e juridicamente proporcionais.

Daniella Avelar, advogada e presidente da comissão educação digital da OAB-MG, em entrevista ao Olhar Digital

Vai dar certo?

Com todas essas medidas, podemos nos perguntar: o ECA Digital vai dar certo? Ou precisaremos de medidas mais restritivas, como na Austrália?

“Eu acho que nós vamos ter que monitorar o que está acontecendo. Toda legislação, ela começa a atuar a partir da identificação de um fenômeno novo e que merece ser regulado. Nós não temos clareza da extensão dos danos que isso pode trazer, então, eventualmente, nós vamos ter que ir aperfeiçoando durante a implementação”, enfatizou a especialista em educação e ex-diretora global de educação do Banco Mundial.

“Agora, o ECA Digital estabeleceu, também junto com as diretrizes ou referenciais que o próprio Ministério da Educação criou, uma autoridade ligada à proteção de dados. E essa autoridade de proteção de dados vai também ter um papel muito importante, porque nós precisamos evitar que, ao fazer reconhecimento facial, por exemplo, das crianças para checagem de idade, que isso não seja usado para outros fins. Então, a proteção de dados das crianças e adolescentes vai ser muito importante.”

“Como fazer isso melhor? Talvez nós não tenhamos clareza ainda. Então, provavelmente, depois de um ano ou um ano e meio de implementação do ECA Digital, nós vamos ter que revisitar e ver se tudo está funcionando, se a implementação está funcionando bem. E especialmente lembrando que o poder das grandes plataformas, das big techs, é muito grande. Então, há lobbies para que a legislação não traga custos adicionais para eles. E nós, cidadãos, temos que proteger as nossas crianças, mesmo que contrariem interesses imediatos das grandes plataformas“, finalizou.

O post ECA Digital entra em vigor nesta terça; saiba o que muda na internet brasileira apareceu primeiro em Olhar Digital.

Quem precisa declarar o Imposto de Renda em 2026?

16 de Março de 2026, 13:30

Quando falamos em Imposto de Renda, a maior parte das pessoas torce o nariz. E, confesso, dá para entender, considerando que a Receita Federal usa uma linguagem difícil de entender. Se você é uma dessas pessoas, nesta matéria você vai descobrir de forma simples se você tem ou não que declarar o Imposto de Renda em 2026.

Ah, e isso não é igual a bingo que você tem que acertar todos os números para ganhar. Se você se encaixa em pelo menos uma das regras, a entrega da declaração é obrigatória, ok? E tem outro detalhe: declarar não significa (necessariamente) que você vai ter que pagar mais imposto; pode significar receber dinheiro de volta, a famosa “restituição”.

O quanto você ganhou no ano: renda tributável

Sabe aquele dinheiro que “carimba” o seu contracheque todo mês? Pois é. Aqui entra o seu salário, aposentadoria, aquele aluguel que você recebe ou o seu pro labore (se você é dono de empresa).

A regra é curta e grossa: se a soma de tudo o que você recebeu desse tipo de renda em 2025 passou de R$ 35.588,00, você está obrigado a declarar.

Se você tem a sensação de que o valor subiu, você está certo. O limite aumentou um pouquinho em relação ao ano passado por causa do ajuste na tabela do IR. Isso é um alívio (ainda que pequeno), pois deixa mais gente fora da obrigatoriedade, mas ainda assim, qualquer um que ganhe pouco mais de R$ 2.965,66 por mês já precisa ficar esperto com o Leão.

A regra dos R$ 5 mil já vale?

Sim e não! Muita gente ouviu falar da isenção de R$ 5 mil e acha que já pode dar adeus ao Leão. A real é a seguinte: essa nova isenção serve para o que é descontado do seu salário hoje (em 2026).

Mas a declaração que você entrega agora é sobre o seu ano de 2025. E, no ano passado, a régua era mais baixa. Ou seja: você pode até ter parado de ter IR descontado no mês passado, mas se em 2025 você ganhou mais de R$ 35.588,00 no total, você ainda está no radar da Receita e precisa declarar!

Dinheiro “livre” de imposto (mas que o Leão vigia): rendimentos isentos ou tributados na fonte

Nem todo dinheiro que cai na conta sofre mordida do Leão na hora. Tem alguns valores que são isentos ou que o imposto já foi pago lá na fonte, antes de chegar em você. Estamos falando de coisas como:

  • Saque do FGTS (muito comum para quem foi demitido ou comprou um imóvel);
  • Indenizações trabalhistas;
  • Heranças ou doações;
  • Rendimento da poupança.

A regra aqui é para quem “nadou no dinheiro” em 2025: se a soma de tudo isso passou de R$ 200.000,00, você marcou mais um “X” no bingo da obrigatoriedade.

Por que declarar se não paga imposto? Pense na declaração como uma justificativa. Se você comprou um carro novo ou deu entrada num apartamento usando esse dinheiro, a Receita precisa saber que você não “fabricou” essa grana do nada. Declarar esses valores evita que você caia na malha fina por um erro de lógica no seu patrimônio.

Vendeu a casa ou deu um pulinho na Bolsa: ganho de capital e Bolsa de Valores

Aqui é onde o Leão fica de olho em quem fez o dinheiro circular (e render). Tem dois grupos principais que marcam o “X” no bingo aqui:

  • Venda de bens (lucro no bolso): se você vendeu um carro, um terreno ou um apartamento em 2025 e teve o que a Receita chama de “ganho de capital” – que nada mais é do que vender por um preço maior do que você comprou –, você precisa declarar. Se esse lucro for sujeito a imposto, não tem escapatória.
  • Investidores da Bolsa: calma, não é porque você comprou duas ações que já está obrigado. A regra é mais “amigável”: você só é obrigado a declarar se em 2025 vendeu ações, ouro ou outros ativos na Bolsa que, somados, passaram de R$ 40.000,00.

Tem uma exceção: se você fez vendas menores, mas teve lucro líquido sujeito a imposto (como no caso de day trade ou vendas de ações acima de R$ 20 mil no mês), você também entra na lista de obrigatoriedade.

Se você é investidor, não deixe para a última hora. O extrato da sua corretora e o CEI (Canal Eletrônico do Investidor) são seus melhores amigos para não errar nenhum centavo e fugir da malha fina.

Vida no campo: atividade rural

Se o seu negócio é a terra, a Receita Federal também tem um cercado para você. Não importa se você produz soja, cria gado ou tem qualquer outra atividade rural, a obrigatoriedade bate à sua porta em dois casos:

  • Faturamento: se o dinheiro bruto que entrou no seu caixa (a receita total, sem descontar os custos) passou de R$ 177.920,00 em 2025 (era R$ 169.440,00 em 2024).
  • Compensação de prejuízo: se você teve um ano difícil e quer avisar a Receita que teve prejuízo (seja em 2025 ou em anos anteriores) para abater isso do imposto e pagar menos lá na frente. É como se você estivesse guardando um “crédito” para os anos de colheita farta.

Mesmo que você não more no campo, mas tenha participações em resultados de atividades rurais, vale dar uma conferida no seu informe de rendimentos para não ser pego de surpresa.

O tamanho do seu patrimônio: bens e direitos

Aqui a regra não é sobre o dinheiro que entrou na conta, mas sobre o que você já conquistou. Se no dia 31 de dezembro de 2025 a soma de tudo o que você possui passava de R$ 800.000,00, você marcou o último “X” do nosso bingo.

Nessa conta, você deve somar tudo:

  • Sua casa ou apartamento;
  • Seu carro ou moto;
  • O saldo nas suas contas bancárias e investimentos;
  • Criptoativos e joias;
  • Até a chamada “terra nua” (terrenos rurais sem nenhuma construção).

Para a Receita, o que vale é o valor de compra dos seus bens, e não o valor de mercado atualizado. Se você comprou um apartamento por R$ 700 mil anos atrás e hoje ele vale R$ 1 milhão, o que conta para o Leão ainda são os R$ 700 mil (a menos que você tenha feito reformas e declarado as benfeitorias).

Imposto de Renda 2026: calendário

Confira as principais datas do IRPF:

  • 20/03/2026: liberação do programa para download (mas sem transmissão ainda);
  • 23/03/2026, às 8h: início das entregas das declarações (inclusive das pré-preenchidas);
  • 27/03/2026: início de processamento e liberação do extrato;
  • 10/05/2026: prazo de envio da declaração para concorrer ao primeiro lote de restiuição e prazo para optar pelo débito automático da primeira cota (para aqueles que pagam IR);
  • 29/05/2026: fim das entregas das declarações às 23h59; liberação do pagamento do 1º lote de restituição; vencimento da primeira parcela, cota única e DARF de destinação.
  • 30/06/2026: liberação do pagamento do 2º lote de restituição;
  • 15/07/2026: liberação do pagamento da restituição automática do IRPF (o “cashback“);
  • 31/07/2026: liberação do pagamento do 3º lote de restituição;
  • 31/08/2026: liberação do pagamento do 4º lote de restituição.

E aí, vai ter que declarar o IR?

Se você se encaixou em qualquer uma dessas situações, não tem para onde correr: a entrega da declaração é obrigatória. Ignorar o Leão pode custar caro, com multas que começam em R$ 165,74 e podem chegar a 20% do imposto devido, além de deixar seu CPF “pendente”, o que trava a vida de qualquer um.

Mesmo se você passou longe de todas as regras acima, ainda vale dar uma olhada no seu informe de rendimentos. Se em algum mês de 2025 você teve imposto retido na fonte (aquele desconto maroto no contracheque, talvez por causa de um bônus ou férias), você pode ter direito à restituição. Nesse caso, declarar não é um dever, é um direito de pegar seu dinheiro de volta!

Independentemente de você estar no grupo da obrigação ou da restituição, a melhor forma de fazer as pazes com a Receita é usar a declaração pré-preenchida. Ela já puxa quase tudo automaticamente (salários, despesas médicas e saldos bancários), o que economiza um tempo precioso e, o mais importante: reduz drasticamente as chances de você cometer um erro bobo e cair na temida malha fina.

Agora que você já sabe se está no radar da Receita, é hora de separar os documentos e não deixar para o último dia!

O post Quem precisa declarar o Imposto de Renda em 2026? apareceu primeiro em Olhar Digital.

Fundador do Uber lança Atoms, nova empresa focada em robótica

13 de Março de 2026, 17:51

O fundador e ex-CEO do Uber, Travis Kalanick, está de volta ao centro das atenções com o lançamento da Atoms. A nova companhia marca o retorno do executivo ao universo dos veículos autônomos e da automação, mas com um foco diferente do passado: em vez de transportar pessoas, o objetivo agora é dominar setores industriais pesados, como mineração, logística e até a produção de alimentos.

Robôs especializados e a aquisição da Pronto

Diferente de empresas que apostam em robôs humanoides, Kalanick revelou que a Atoms focará em robôs especializados. Em entrevista recente ao canal TBPN nesta sexta-feira (13), o executivo afirmou que, embora os humanoides tenham seu lugar, há um mercado massivo para máquinas desenhadas para eficiência em escala industrial. A Atoms já anunciou o desenvolvimento de uma base sobre rodas universal que poderá ser adaptada para diferentes funções robóticas.

Para acelerar a entrada no setor de mineração, Kalanick confirmou que está prestes a adquirir a Pronto, uma startup de veículos autônomos focada em locais industriais. Curiosamente, a Pronto foi criada por Anthony Levandowski, antigo colega de Kalanick no Uber e figura central no processo de segredos industriais que envolveu a Waymo (Google) anos atrás.

O fim das “cozinhas-fantasma” e o suporte do Uber

Como parte da estratégia, a atual empresa de Kalanick, a CloudKitchens (famosa pelo modelo de ghost kitchens), será integrada à Atoms. A ideia é automatizar processos dentro da produção de alimentos, utilizando a expertise em robótica da nova startup.

Embora Kalanick tenha deixado o Uber em 2017 após uma série de crises, rumores indicam que a gigante dos aplicativos pode estar apoiando financeiramente o novo projeto. Informações do TechCrunch sugerem que Kalanick pretende ser “mais agressivo” na implementação de tecnologia autônoma do que a Waymo, corrigindo o que ele mesmo chamou de “erro” quando o Uber vendeu sua divisão de carros autônomos em 2020.

O movimento sinaliza que a “segunda onda” da robótica não será apenas sobre robôs que andam como humanos, mas sobre máquinas invisíveis que tornam indústrias base da economia (como a mineração) muito mais produtivas.

O post Fundador do Uber lança Atoms, nova empresa focada em robótica apareceu primeiro em Olhar Digital.

O fim do PC como conhecemos? AMD lança a era do Computador de Agentes

13 de Março de 2026, 16:45

Há 40 anos, o computador pessoal (PC para os íntimos) tem sido a ferramenta definitiva para criação e trabalho. No entanto, a AMD afirma que essa era está evoluindo. Em vez de uma máquina que espera por seus comandos para abrir aplicativos, surge o Computador de Agentes (ou “Agent Computer” em inglês). O conceito abandona a ideia de “operação passo a passo” e introduz a “delegação”: você não usa os apps; a inteligência artificial da máquina usa os apps por você.

O que é um Computador de Agentes?

Diferente de um PC tradicional, o Computador de Agentes é projetado para rodar agentes de IA de forma persistente e ininterrupta. Enquanto um chatbot comum apenas responde perguntas, esses novos agentes realizam ações: eles pesquisam, planejam e executam tarefas complexas através de diferentes ferramentas e softwares, funcionando de forma independente mesmo enquanto você dorme.

A ideia é que o dispositivo se torne um colaborador “sempre ativo” em sua casa ou escritório. Em vez de abrir o Slack ou o WhatsApp para gerenciar pendências, você simplesmente delega a tarefa ao seu agente local, que cuida da logística e entrega o resultado final pronto.

Ainda não existe um termo fixo para essa inovação no Brasil, e sabemos que muitas vezes a própria palavra em inglês domina nosso dia a dia. O que você precisa saber é que independentemente do nome (Computador de Agentes, Computador Agêntico ou Computador Autônomo), a forma convencional como usamos este dispositivo pode estar com os dias contados.

Como a IA da AMD impulsiona essa evolução

Para que essa autonomia funcione, é necessário um novo tipo de poder computacional. A AMD destaca que processadores como o Ryzen AI Max+ 395 foram desenvolvidos especificamente para essa arquitetura. Essas máquinas possuem largura de banda de memória massiva e processamento paralelo eficiente, permitindo que múltiplos agentes de IA rodem localmente ao mesmo tempo.

Imagem: AMD / Divulgação

Diferente de um console de videogame, o Agent Computer não é um modelo único, mas uma categoria de dispositivos. Você já pode encontrar essa tecnologia em sistemas equipados com os novos processadores Ryzen AI Max ou em plataformas modulares como o Framework Desktop, que oferecem o poder de processamento necessário para manter os agentes rodando localmente.

A grande vantagem de manter esse processamento de forma local, e não na nuvem, é a privacidade e o controle de dados. Empresas e profissionais podem usar IA de alto nível sem limites de uso ou preocupações com o compartilhamento de informações confidenciais em data centers externos.

A transição para a computação “agêntica” promete mudar a rotina de criadores e desenvolvedores. Imagine acordar e encontrar suas mensagens urgentes já respondidas e um briefing completo da sua primeira reunião preparado pela IA.

O post O fim do PC como conhecemos? AMD lança a era do Computador de Agentes apareceu primeiro em Olhar Digital.

O plano da dona do TikTok para driblar os EUA e usar chips de IA potentes da Nvidia

13 de Março de 2026, 08:03

A ByteDance, empresa dona do TikTok, estabeleceu uma rota logística e jurídica para contornar o bloqueio tecnológico dos Estados Unidos e usar GPUs Nvidia Blackwell (B200), considerados os “motores” mais potentes da inteligência artificial (IA) atual. É o que o Wall Street Journal revelou na quinta-feira (12).

A manobra é basicamente montar data centers fora da China. Isso porque o fornecimento direto dos processadores ao território chinês é proibido por Washington sob justificativa de segurança nacional.

O plano foca na instalação de aproximadamente 36 mil chips em data centers localizados na Malásia, operados em parceria com a Aolani Cloud. Como a Aolani é uma parceira certificada da Nvidia no Sudeste Asiático, ela possui acesso prioritário ao hardware. 

Na prática, a empresa vai servir como ponte para a ByteDance competir com empresas como OpenAI e Google no desenvolvimento de modelos de linguagem.

Parceria da ByteDance garante hardware topo de linha da Nvidia para data centers

A complexa operação logística para viabilizar esse projeto envolve a compra de servidores da Aivres, empresa especializada em montar os sistemas que abrigam a tecnologia da Nvidia. 

Estima-se que o investimento total apenas para a infraestrutura na Malásia ultrapasse os US$ 2,5 bilhões (aproximadamente R$ 13 bilhões).

Esses sistemas funcionam como grandes “cérebros eletrônicos” capazes de processar volumes massivos de dados em frações de segundo.

Logo da ByteDance em um smartphone em cima do teclado de um notebook
(Imagem: rafapress/Shutterstock)

O apetite por expansão não se limita ao território malaio. A ByteDance já negocia infraestruturas similares na Indonésia, onde planeja instalar mais de 7 mil chips B200, além de avaliar mercados na Coreia do Sul, Austrália e Europa

Paralelamente, a ByteDance reforça sua presença técnica no Ocidente com a abertura de mais de 100 vagas para especialistas em IA em seus escritórios de San Jose e Seattle, nos Estados Unidos. 

Essa movimentação garante que a empresa chinesa mantenha talentos próximos ao polo de inovação americano, enquanto o hardware opera em jurisdições mais flexíveis.

Essa infraestrutura externa sustenta o ecossistema de produtos da empresa, que hoje já gera cerca de 25% de sua receita fora da China. 

Atualmente, a ByteDance detém cinco dos 50 aplicativos de IA voltados ao consumidor mais populares do mundo. Entre eles, estão: o chatbot Dola, o assistente escolar Gauth e o modelo de vídeo Seedance, que gera cenas realistas a partir de textos. 

Sem o acesso aos chips da Nvidia, a capacidade de resposta e a evolução dessas ferramentas seriam severamente limitadas pela falta de potência de processamento.

A viabilidade jurídica da operação repousa numa brecha nas regras de exportação de Washington: as normas impedem a venda dos chips para a China, mas não proíbem que empresas chinesas utilizem o poder de processamento desses chips em “nuvens” localizadas em países terceiros. 

Um porta-voz da Nvidia confirmou ao WSJ que as diretrizes permitem que infraestruturas de processamento remoto sejam construídas e operadas por parceiros fora das nações controladas, desde que os equipamentos não cruzem as fronteiras restritas.

Para assegurar a conformidade, a Aolani Cloud enfatiza que seus clientes, como a ByteDance, não detêm a propriedade física dos chips, mas apenas alugam o poder de processamento por meio de contratos de serviço. 

Essa estrutura permite que a companhia avance em sua meta de “alcançar o cume mais alto” da IA, conforme definido pelo CEO Liang Rubo, apesar das tensões geopolíticas entre Pequim e Washington.

O post O plano da dona do TikTok para driblar os EUA e usar chips de IA potentes da Nvidia apareceu primeiro em Olhar Digital.

Como data centers e custos com energia são afetados pelo conflito no Irã

11 de Março de 2026, 16:38

O conflito no Irã, que já dura quase duas semanas, tem influência e impacto em todos os setores, como os de energia e data centers.

  • A reação dos iranianos ameaçou o transporte e preços de petróleo e gás, já que o país tenta impedir que os navios passem pelo Estreito de Ormuz, um dos lugares-chave para transporte das substâncias;
  • Israel também atacou depósitos de combustível iranianos, que miram a infraestrutura de petróleo e gás dos demais países do Golfo;
  • Para entender o real impacto do conflito, especialmente o controle do Estreito de Ormuz, no setor de petróleo e gás e nos planos das gigantes de tecnologia para construir data centers de inteligência artificial (IA) consumidores de alta demanda energética, a jornalista Justine Calma, do The Verge, conversou com Reed Blakemore, diretor de pesquisa e programas do Centro de Energia Global do Atlantic Council;
  • A seguir, veja os principais pontos da conversa e o que o especialista pensa sobre a questão.

Conflito no Irã: como vai afetar o setor energético e o de data centers?

Justine Calma: Qual é a sua perspectiva atual sobre como o conflito provavelmente afetará os preços do petróleo e da gasolina?

Reed Blakemore: A questão fundamental neste momento, em termos das implicações energéticas do conflito, é como o mercado está reagindo à incerteza em torno da passagem segura pelo Estreito de Ormuz. No início do conflito, quando vimos os prêmios de seguro desses navios subindo, estávamos falando principalmente sobre isso no contexto de: “Ei, ficou muito mais caro para um navio atravessar o Golfo e, portanto, eles estão evitando navegar.”

Passamos dessa preocupação para a questão real da segurança ao atravessar o estreito; portanto, não se trata mais tanto de um problema de custo de seguro, mas sim de uma questão de segurança.

Praticamente não temos tráfego passando pelo Estreito de Ormuz. Muitos países estão começando a interromper a produção. Portanto, já existe um efeito cascata surgindo, simplesmente porque o mercado e, basicamente, os petroleiros, estão fundamentalmente preocupados com a possibilidade de não conseguirem ou não atravessarem o estreito com segurança.

Outro fator que, acredito, influenciou fortemente o mercado nos últimos dias foi a percepção da duração do conflito. E podemos observar os comentários do presidente [dos EUA, Donald Trump] nas últimas 72 horas e a reação do mercado como uma importante evidência nesse sentido. Com a chegada do fim de semana, em que a campanha eleitoral claramente se intensificou, a incerteza sobre a abertura ou não do Estreito de Ormuz atingiu níveis alarmantes.

A reação dos mercados asiáticos na abertura do domingo [8], com o preço do barril ultrapassando os US$ 100 [R$ 520,47] e chegando perto de US$ 120 [R$ 624,56], reflete a incerteza do mercado quanto ao fim do conflito. A correção observada ontem foi uma resposta à declaração do presidente, que afirmou que o fim do conflito está próximo.

Os Estados Unidos são um grande produtor de petróleo. Acredito que a estratégia de domínio energético americano desempenhou um papel significativo na proteção dos consumidores americanos contra as consequências iniciais da decisão de entrar em guerra com o Irã.

Os aumentos de preços que vimos até agora teriam sido muito mais responsivos à volatilidade do mercado. Isso deu ao governo um pouco de tempo em relação a quanto tempo levará até que os preços da gasolina comecem a subir de fato no mercado interno. Mas, à medida que esse conflito persistir e a volatilidade do mercado continuar, infelizmente, começaremos a ver uma pressão de alta nos preços da gasolina ao longo do tempo.

A dominância energética dos EUA tem um limite para proteger os consumidores americanos de um mercado de petróleo globalizado. Como os Estados Unidos são um grande produtor nacional de petróleo, têm a capacidade de exercer alguma pressão para baixo sobre os preços da gasolina em seu próprio território.

Mas, como participa de um mercado global por meio de suas exportações de petróleo, está exposta à volatilidade do mercado global de petróleo.

Leia mais:

Barril de petróleo
Barris de petróleo não podem ser transportados pelo Estreito de Ormuz (Imagem: PhonlamaiPhoto/iStock)

Calma: Podemos esperar que os preços da eletricidade também subam? Por quê?

Blakemore: Para os Estados Unidos, a situação do gás é um pouco melhor, mas não está imune ao mercado global. O gás natural é comercializado principalmente em âmbito regional dentro dos Estados Unidos.

Os EUA são um grande produtor de gás natural para consumo interno, o que os protege ainda mais. Isso torna a situação dos Estados Unidos muito diferente da sensibilidade ao preço do gás que observamos na Europa, no Japão ou em outras partes do Leste Asiático.

O problema é semelhante ao do petróleo, pois os Estados Unidos são um grande exportador de GNL [gás]. À medida que os preços do gás natural aumentam em outros lugares, os exportadores de GNL serão incentivados a exportar mais gás, pois é aí que reside a oportunidade de arbitragem, o que criará pressão de alta nos preços internos dos Estados Unidos.

Calma: Que riscos isso representa para as empresas de tecnologia e para esse esforço de construção de mais centros de dados de IA e infraestrutura energética relacionada?

Blakemore: Nos Estados Unidos, a maior parte da construção de data centers já começou a ser alimentada por gás natural. Não veremos os preços da eletricidade atingirem um ponto crítico nos Estados Unidos no curto prazo por causa desse conflito. O horizonte temporal que estamos considerando em relação ao gás e, portanto, aos preços da eletricidade, provavelmente é de meses, e não de semanas, como seria de se esperar com o petróleo.

No entanto, quanto mais esse conflito se prolongar e quanto mais apertada for a oferta no mercado global de gás, isso acabará por se espalhar pelos Estados Unidos e criar uma pressão ascendente sobre os preços do gás, o que, por sua vez, afetará os preços da eletricidade e, consequentemente, trará à tona a questão dos data centers.

Acho que o ponto singular é que isso não afeta necessariamente a capacidade dos data centers de comprar energia. Os custos de eletricidade representam uma proporção relativamente marginal do custo de construção e operação de um data center.

O que isso faz é apenas agravar ainda mais os desafios de acessibilidade energética que atualmente estão deteriorando a aceitação social dos data centers no país. Portanto, o impacto nos preços da eletricidade provavelmente não prejudicará diretamente a expansão dos data centers. Os desafios indiretos de acessibilidade que isso criará irão consolidar ainda mais o descontentamento popular com a expansão dos data centers, porque os data centers estão simplesmente encarecendo muito as contas de luz dos consumidores.

O post Como data centers e custos com energia são afetados pelo conflito no Irã apareceu primeiro em Olhar Digital.

Google completa compra da Wiz e fortalece segurança na nuvem

11 de Março de 2026, 15:27

O Google anunciou, nesta quarta-feira (11), a conclusão da aquisição da Wiz, plataforma de segurança em nuvem e inteligência artificial (IA) sediada em Nova York (EUA). Com a operação finalizada, a empresa passará a integrar a divisão Google Cloud, mantendo sua marca e a finalidade de proteger clientes em diferentes ambientes de computação em nuvem.

A aquisição foi realizada por US$ 32 bilhões (R$ 166,5 bilhões, na cotação atual) em março do ano passado. Em novembro, o governo dos EUA aprovou a compra. Em fevereiro, foi a vez da União Europeia (UE) confirmar a transação. Trata-se do maior negócio já realizado pela companhia.

Segundo o Google, a compra representa um investimento para reforçar a segurança em nuvem e permitir que organizações desenvolvam soluções com rapidez e segurança em qualquer plataforma de nuvem ou de IA.

Wiz agora é do Google

  • A empresa destacou que, na atual era da IA, empresas e governos estão migrando dados e sistemas críticos para a nuvem e adotando práticas de desenvolvimento de software mais ágeis e contínuas;
  • Nesse cenário, organizações passam a operar em ambientes multicloud e a utilizar cada vez mais recursos de IA. Ao mesmo tempo, de acordo com a companhia, atacantes também estão explorando a IA para realizar ações com maior velocidade e sofisticação;
  • Ainda conforme a big tech, a Wiz oferece plataforma de segurança considerada de fácil utilização, com forte especialização em ambientes de nuvem e em código. O sistema se conecta às principais plataformas de nuvem e ajuda empresas a prevenir e responder a incidentes de cibersegurança;
  • De acordo com o Google, essas capacidades complementam o Google Cloud em infraestrutura de nuvem e seu conhecimento em inteligência artificial, incluindo ferramentas de inteligência de ameaças e operações de segurança baseadas em IA.

Com a integração das duas empresas, a expectativa é criar uma plataforma unificada de segurança capaz de acelerar a detecção, prevenção e resposta a ameaças.

Logos do Google e da Wiz lado a lado
Aquisição da Wiz foi anunciada em março do ano passado (Imagem: Poetra.RH/Shutterstock)

Leia mais:

A proposta também inclui identificar ameaças emergentes criadas com modelos de IA, proteger sistemas de inteligência artificial contra ataques e utilizar modelos de IA para auxiliar profissionais de segurança na busca por riscos de forma mais eficiente.

A plataforma conjunta deverá oferecer um conjunto consistente de ferramentas, processos e políticas de segurança em todos os principais ambientes de nuvem e em diferentes camadas da infraestrutura tecnológica — do código à nuvem e ao ambiente de execução.

Segundo o Google, a combinação das tecnologias também deve ampliar a adoção de soluções de segurança multicloud, aumentando a capacidade das empresas de utilizar múltiplas plataformas de nuvem e estimulando a inovação em computação em nuvem e aplicações de inteligência artificial.

A empresa afirma que organizações e órgãos governamentais poderão melhorar significativamente a forma como a segurança é projetada, operada e automatizada, ampliando a escala das equipes de cibersegurança e reduzindo custos relacionados à implementação e gestão de controles de proteção.

A companhia também destacou que a nova plataforma pode ajudar pequenas empresas, que muitas vezes não dispõem de recursos ou conhecimento especializado para se proteger, a enfrentar ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas e destrutivas.

Disponibilidade

Os produtos da Wiz continuarão funcionando e disponíveis em diversas plataformas de nuvem, incluindo Amazon Web Services (AWS), Google Cloud Platform, Microsoft Azure e Oracle Cloud. As soluções também serão oferecidas por meio de diferentes parceiros de segurança.

Além disso, o Google informou que seguirá oferecendo aos clientes uma variedade de opções por meio das soluções de parceiros disponíveis no marketplace do Google Cloud.

O post Google completa compra da Wiz e fortalece segurança na nuvem apareceu primeiro em Olhar Digital.

Google se aproveita do litígio entre Anthropic e Pentágono

10 de Março de 2026, 15:28

O Google faz como a OpenAI e está aproveitando o litígio entre Pentágono e Anthropic para reforçar seu relacionamento com o governo dos Estados Unidos.

Um dia após a startup de Dario Amodei processar o Pentágono, a gigante das buscas está expandindo o papel de seus modelos de inteligência artificial (IA) no âmbito militar.

Nesta terça-feira (10), o Google informou que vai lançar recurso que permitirá a civis e militares criar agentes de IA personalizados para trabalhos não classificados no GenAI.mil, portal de IA corporativa do Pentágono.

Agora, os funcionários do Departamento de Defesa podem usar ferramenta sem ou com pouco código, de nome Agent Designer, para criar assistentes digitais para tarefas administrativas repetitivas.

Leia mais:

Celula com letreiro do Google na tela; ao fundo, tela maior exibe logomarca da empresa
GenAI.mil poderá gerar agentes de IA para civis e militares (Imagem: Algi Febri Sugita/Shutterstock)

Google e as novas ferramentas para funcionários do Departamento de Defesa

  • O Google disse que os agentes podem auxiliar em tarefas, como redação de atas de reuniões, criação de listas de ações e divisão de grandes projetos em planos detalhados por etapas;
  • A princípio, funcionarão em redes não classificadas. Contudo, segundo a Bloomberg, há informações de que as negociações para expansão para ambientes classificados e ultrassecretos;
  • Ao portal, Emil Michael, chefe de tecnologia do Departamento de Defesa, disse que está “confiante” de que o Google será “um ótimo parceiro em todas as redes“;
  • Ele também falou que o Pentágono está “seguindo em frente” ante à disputa com a Anthropic e que isso não será resolvido nos tribunais.

Concorrência

Com o litígio com a Anthropic, surgiram outras concorrentes no caminho: OpenAI e xAI. Ambas foram adicionadas às redes restritas, enquanto o Google expandiu sua colaboração. Mas, até pouco tempo, a Anthropic era a única fornecedora de IA na nuvem do Pentágono.

A tensão entre as empresas de IA sobre a validade do uso da tecnologia para fins militares só cresce. Jeff Dean, chefe de IA do Google, assinou, junto a dezenas de outros funcionários de OpenAI e da gigante das buscas, um parecer jurídico que apoia a Anthropic contra o Pentágono.

Dean, anteriormente, já expressou simpatias por preocupações envolvendo IA militar e vigilância, quando funcionários circularam cartas solicitando limites claros sobre como a empresa atua com os militares.

O post Google se aproveita do litígio entre Anthropic e Pentágono apareceu primeiro em Olhar Digital.

Amazon anuncia demissão de mais funcionários – dessa vez, na divisão de robótica

5 de Março de 2026, 09:32

Em mais um movimento de reestruturação interna, a Amazon confirmou na terça-feira (4) a demissão de funcionários em sua divisão de robótica. De acordo com duas fontes familiarizadas com o assunto ouvidas pela agência Reuters, ao menos 100 cargos administrativos foram afetados.

A área atingida é responsável pelo desenvolvimento de robôs e sistemas de transporte utilizados principalmente na automação de armazéns da empresa. Em comunicado, a Amazon afirmou que revisa regularmente sua estrutura organizacional para garantir que as equipes estejam alinhadas com as prioridades de inovação e atendimento aos clientes, mas não informou oficialmente o número de demissões.

Os novos cortes ocorrem após uma série de reduções no quadro corporativo ao longo do último ano. Em outubro, a Amazon dispensou cerca de 14 mil trabalhadores. Já em janeiro, anunciou a demissão de mais 16 mil funcionários como parte de um plano mais amplo para cortar 30 mil postos corporativos (cerca de 10% da força de trabalho administrativa). O Olhar Digital deu os detalhes aqui.

A empresa atribui parte dessa redução aos ganhos de eficiência proporcionados pela adoção de tecnologias baseadas em inteligência artificial, além de mudanças internas na cultura organizacional.

robôs amazon
Amazon tem plano de cortar 30 mil postos de trabalho (Imagem: Amazon / Divulgação)

Demissão é na divisão de robótica

As demissões da vez são exclusivamente na divisão de robótica. Segundo a agência, o anúncio veio poucos meses depois de a companhia interromper o desenvolvimento de um projeto interno de automação conhecido como Blue Jay.

O sistema, apresentado publicamente em outubro, consistia em um braço robótico com múltiplos manipuladores capazes de separar vários itens simultaneamente, projetado para auxiliar trabalhadores em espaços reduzidos dentro dos armazéns.

Leia mais:

As demissões anteriores também atingiram áreas menores, como dispositivos e serviços, livros e podcasts.

O post Amazon anuncia demissão de mais funcionários – dessa vez, na divisão de robótica apareceu primeiro em Olhar Digital.

Anthropic volta a conversar com Pentágono sobre uso do Claude na guerra

5 de Março de 2026, 08:53

A Anthropic e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos retomaram as negociações nesta quinta-feira (05) para definir o uso de inteligência artificial (IA) em sistemas militares, revelou o Financial Times nesta quinta-feira (05). O diálogo ocorre após o colapso das conversas na semana passada, quando o governo americano ameaçou designar a startup como um “risco à cadeia de suprimentos”, medida que proibiria agências federais de utilizarem suas ferramentas.

A divergência central envolve as salvaguardas de segurança da empresa, que resiste ao uso de sua tecnologia para vigilância em massa ou operação de armas autônomas. Enquanto a concorrente OpenAI já firmou acordos para o uso de modelos em redes confidenciais (sistemas protegidos por sigilo de segurança nacional), a Anthropic busca garantias contratuais de que sua tecnologia não executará análises indiscriminadas de grandes volumes de dados.

Pressão de investidores e risco de exclusão aceleram retomada de diálogo entre Anthropic e Pentágono

O retorno às negociações foi motivado por uma pressão de grandes investidores, como Amazon e Nvidia. Por meio de um conselho de tecnologia, essas empresas enviaram uma carta ao governo na qual manifestaram preocupação com a possível punição à Anthropic, o que poderia prejudicar todo o mercado de tecnologia dos Estados Unidos.

Agora, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, conversa diretamente com Emil Michael, um alto funcionário do Pentágono responsável por pesquisas e engenharia. O objetivo é criar um contrato que permita aos militares usar a tecnologia, mas garanta que os limites éticos da startup não sejam desrespeitados.

OpenAI e Anthropic
Enquanto a OpenAI opera em redes secretas, a Anthropic exige garantias contra o uso de sua IA na análise indiscriminada de dados em massa (Imagem: Ascannio/Shutterstock)

A Anthropic está numa fase de crescimento e espera faturar US$ 20 bilhões (R$ 105 bilhões) por ano, o que torna o governo um cliente estratégico. Se fosse expulsa desse mercado, a empresa perderia espaço para concorrentes que possuem menos travas de segurança em seus sistemas de IA.

O impasse ocorreu porque o governo americano queria retirar uma cláusula que impedia a IA de analisar grandes volumes de dados coletados de forma massiva. Oficiais do Pentágono criticam a startup há meses, afirmando que a preocupação exagerada com a segurança da IA atrapalha o desenvolvimento de ferramentas de defesa do país.

O desfecho dessa negociação vai definir como as empresas do Vale do Silício e os militares trabalharão juntos no futuro. Um novo acordo permitiria que o exército voltasse a usar o sistema Claude (a IA da Anthropic) e mostraria se o governo aceita as regras de controle ético propostas pelos desenvolvedores.

(Essa matéria também usou informações de Reuters.)

O post Anthropic volta a conversar com Pentágono sobre uso do Claude na guerra apareceu primeiro em Olhar Digital.

Amazon: Irã ataca centro de dados no Bahrein com drones

4 de Março de 2026, 23:56

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã realizou ataques com drones contra centros de dados da Amazon no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (4) pela agência estatal iraniana Fars.

As ações teriam como objetivo investigar o papel dessas instalações no apoio a atividades militares e de inteligência consideradas adversárias por Teerã.

Como foi o ataque a drones contra o centro de dados da Amazon

  • De acordo com a mídia estatal iraniana, o ataque contra o data center localizado no Bahrein foi realizado após a inteligência do país concluir que as instalações da empresa estariam sendo utilizadas para apoiar operações militares e de inteligência dos Estados Unidos;
  • A agência Fars afirmou que a ofensiva foi lançada “para identificar o papel desses centros no apoio às atividades militares e de inteligência do inimigo”;
  • O Irã também sustenta que a instalação da Amazon no Bahrein é a maior da companhia na região e funciona como porta de entrada para os serviços avançados de computação em nuvem da empresa nos países do Golfo Pérsico e no Oriente Médio.

A Amazon Web Services (AWS), divisão de computação em nuvem da companhia de Jeff Bezos, informou, na segunda-feira (2), que suas instalações foram afetadas por ataques na região. Segundo a empresa, dois centros de dados nos Emirados Árabes Unidos foram atingidos diretamente por drones, enquanto no Bahrein um ataque nas proximidades causou danos à infraestrutura.

“Nos Emirados Árabes Unidos, duas de nossas instalações foram atingidas diretamente, enquanto, no Bahrein, um ataque de drone nas proximidades de uma de nossas instalações causou impactos físicos em nossa infraestrutura”, informou a AWS.

Leia mais:

Logo da AWS em seu site, ampliado por uma lupa
Página de status da AWS aponta problemas na região (Imagem: IB Photography/Shutterstock)

A empresa também relatou que os ataques provocaram danos estruturais, interrupções no fornecimento de energia e a necessidade de combater incêndios, resultando em mais danos provocados pela água.

“Essas descargas elétricas causaram danos estruturais, interromperam o fornecimento de energia à nossa infraestrutura e, em alguns casos, exigiram ações de combate a incêndios que resultaram em danos adicionais causados pela água”, afirmou a companhia.

Segundo o painel de monitoramento da AWS, todas as instalações afetadas permanecem fora do ar após os ataques. Alguns aplicativos populares hospedados na plataforma passaram a registrar “taxas de erro elevadas e disponibilidade degradada”.

Diante da situação, a empresa orientou clientes a adotarem medidas de contingência, incluindo a realização de backups de dados, a migração de cargas de trabalho para outras regiões e o redirecionamento do tráfego para fora do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos.

Guerra

De acordo com a Fars, os ataques fazem parte de operações recentes conduzidas pela Guarda Revolucionária Islâmica contra centros de dados da Amazon em Dubai e outros pontos estratégicos da região.

Os incidentes ocorreram após ataques conjuntos realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã durante o fim de semana. Em resposta, o governo iraniano lançou ações retaliatórias contra bases militares israelenses e estadunidenses ao longo da região do Golfo.

Até o momento de publicação desta matéria, a Amazon não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

O post Amazon: Irã ataca centro de dados no Bahrein com drones apareceu primeiro em Olhar Digital.

Data center de IA: big techs aceitam acordo de Trump para aliviar contas de luz

4 de Março de 2026, 22:54

Empresas gigantes do setor de tecnologia e inteligência artificial (IA), as chamadas big techs, selaram compromisso com a Casa Branca para mitigar o impacto do consumo de energia de seus data centers sobre as contas de eletricidade dos cidadãos estadunidenses.

O acordo, denominado “Ratepayer Protection Pledge” (Compromisso de Proteção ao Consumidor), visa impedir o aumento dos custos de energia para os residentes à medida que a demanda por data centers, que consomem muita energia, cresce exponencialmente.

Entre as empresas que aderiram à iniciativa estão nomes de peso, como Amazon, Google, Meta, Microsoft, OpenAI, Oracle e xAI. A participação de algumas delas, notadamente Amazon, Google e Meta, coincidiu com a divulgação de comunicados de imprensa elogiando suas próprias políticas e esforços para reduzir os efeitos negativos da construção de data centers.

Representação de um data center
Demanda energética em centros de dados é uma preocupação mundial (Imagem: vectorfusionart/Shutterstock)

Leia mais:

Detalhes da proposta do governo às big techs

  • As cláusulas centrais deste compromisso federal estabelecem que as empresas de tecnologia se comprometem a “construir, trazer ou comprar os novos recursos de geração e eletricidade necessários para satisfazer suas novas demandas de energia, pagando o custo total desses recursos”;
  • Isso significa que as companhias devem garantir que a infraestrutura que usam para operar seus data centers não gere custos adicionais para os consumidores residenciais;
  • Além disso, a promessa estipula que essas empresas se responsabilizarão por quaisquer reformas ou melhorias na infraestrutura de energia que se fizerem necessárias devido às suas operações;
  • Elas também deverão operar sob estruturas de tarifa de energia distintas, nas quais os pagamentos serão efetuados independentemente do volume de eletricidade consumido por seus negócios.

O post Data center de IA: big techs aceitam acordo de Trump para aliviar contas de luz apareceu primeiro em Olhar Digital.

Documento diz que Brasil tem base militar chinesa; Ministério da Defesa vai se explicar

4 de Março de 2026, 22:01

Um relatório do Comitê Seleto sobre o Partido Comunista Chinês da Câmara dos Representantes dos EUA aponta que a China opera ou possui acesso a várias instalações espaciais na América Latina com potencial militar. E o Brasil está na lista.

O documento cita a “Estação Terrestre de Tucano“, apresentada, da mesma forma que as demais citadas, como projeto civil e científico. Contudo, congressistas estadunidenses a veem com capacidade de uso duplo, ou seja, também podendo servir ao exército chinês.

Explicações

Com a exposição do relatório, o Ministério da Defesa foi convocado para dar explicações à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) sobre o que seria a Estação Terrestre de Tucano.

  • Nesta terça-feira (3), o CREDN aprovou requerimento de informação destinado à Defesa, de autoria do presidente do Colegiado, Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL/SP);
  • Segundo o presidente, “o relatório do Comitê Seletivo do Congresso dos EUA sobre Competição Estratégica entre os EUA e o Partido Comunista Chinês analisa como a República Popular da China está expandindo sua infraestrutura espacial na América Latina, usando projetos civis e comerciais como fachada para fortalecer a Consciência de Domínio Espacial (CDE) do Exército de Libertação Popular”;
  • “Considerando as implicações sensíveis que o tema acarreta para a segurança do Estado e a integridade do território nacional, impõe-se o pleno esclarecimento dos fatos pelo Ministério da Defesa”, prosseguiu.

Estação Terrestre de Tucano e relatório dos EUA

No relatório, são apontadas 11 instalações ligadas à China no Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e outros. Tucano foi estabelecida em acordo realizado em 2020 como um projeto entre a startup brasileira Ayla Nanossatélites e a chinesa Beijing Tianlian Space Technology.

Não se sabe a localização exata da estação, apenas que se encontra na região de Salvador (BA). No relatório estadunidense, é descrito o laboratório conjunto de radioastronomia em Serra do Urubu, concebido em 2025 após acordo entre Instituto de Pesquisa em Comunicação de Redes de Ciência e Tecnologia Elétrica da China (CESTNCRI) e universidades federais de Campina Grande (UFCG) e Paraíba (UFPB).

A Beijing Tianlian é vinculada à Academia Chinesa de Tecnologia Espacial e à China Aerospace Science and Technology Corporation, do governo. Ambas são chaves do programa espacial da China.

Além disso, a falta de informações concisas sobre o uso da estação preocupa os congressistas, que apontam risco de uso para fins militares. Na documentação oficial, o que a estação faz é apoiar satélites de observação da Terra e comunicações espaciais.

O relatório indica que a Beijing Tianlian fornece comunicações de voz e dados entre satélites e o planeta, inclusive para missões tripuladas e satélites desenvolvidos para reconhecimentos. A Alya declarou que a estação daria suporte à constelação de satélites comerciais Alya-1, que observa a Terra.

Os congressistas estadunidenses dão conta de que o acordo entre as empresas prevê troca e armazenamento de dados operacionais por meio de suas redes de antenas interligadas. Eles entendem que essa conexão aumentaria a cobertura de órbitas polares e equatoriais e, por consequência, a capacidade de rastreamento de satélites.

Os parlamentares entendem, ainda, que essa combinação é capaz de aprimorar a “consciência situacional espacial”, o que envolve monitoramento e rastreamento de objetos espaciais.

Dessa forma, diz o documento, seria possível contribuir para inteligência militar, orientação de mísseis e acompanhamento de ativos estrangeiros. Além disso, há uma citação a uma parceria entre Alya e o Departamento de Ciência e Tecnologia da Força Aérea Brasileira (FAB) como apoio à Tucano.

Assim sendo, o comitê entende que essa ligação é uma integração sensível entre a estação em si e estruturas de defesa do Brasil. Ele recomenda que o governo dos EUA reavalie sua cooperação espacial com países que detenham infraestrutura da China e limite a expansão dessas estruturas no hemisfério ocidental.

O relatório aponta ainda que bases, como Tucano, podem aumentar a capacidade chinesa de vigilância e possível interferência em sistemas espaciais de nações consideradas adversárias por Pequim.

Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Processamento de Imagens de Satélite (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas, diminuiu a importância do relatório. “Está muito claro hoje que, pelo nível de desenvolvimento tecnológico que esses dois países [Estados Unidos e China] alcançaram, não há qualquer necessidade de uma base fixa localizada em uma área extremamente fácil de ser rastreada e de fácil espionagem“, afirmou ao UOL.

Não imagino um chinês colocando sua tecnologia, principalmente na área militar e com equipamentos sofisticados, em uma área tão vulnerável como o Brasil. Isso é uma piada, não dá nem para levar a sério e mostra o nível de um grupo muito específico nos Estados Unidos que ainda traz esse tipo de discussão”, prosseguiu.

Apesar da preocupação estadunidense, não há provas públicas de uso militar dessa base. Inclusive, o próprio texto admite que as instalações são apresentadas como civis e comerciais e que as suspeitas são originárias da análise de capacidades técnicas e vínculos institucionais com a área espacial da China, operada com políticas de integração civil-militar.

Mapa com indicação da localização das supostas bases militares chinesas
Mapa com indicação da localização das supostas bases militares chinesas (Imagem: Reprodução/The Select Committee on the Chinese Communist Party)

Leia mais:

O que dizem as citadas

A Alya Space alegou, em nota, que atua junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e à União Internacional de Telecomunicações (UIT) e nega ter envolvimento com atividades militares ou de vigilância estratégica. Lembrou, ainda, que sua atuação é inteiramente civil e alinhada à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

Leia a nota na íntegra:

A Alya Space é uma empresa brasileira do setor espacial, sediada em Salvador (BA) e fundada no final de 2019, dedicada ao desenvolvimento de soluções espaciais sustentáveis voltadas ao monitoramento ambiental, análise territorial e apoio à tomada de decisão estratégica por meio do uso responsável da tecnologia espacial.

A empresa está desenvolvendo uma constelação e possui as licenças de operação expedidas pela UIT (União das Nações para telecomunicações – Genebra) para o lançamento de 216 satélites em órbita baixa da Terra, destinada à geração de imagens de alta resolução e dados analíticos aplicados a áreas como agricultura sustentável, resiliência climática, energia e gestão ambiental.

Atualmente, suas atividades concentram-se em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e provas de conceito tecnológicas, etapa necessária à construção segura e estruturada de um projeto espacial de longo prazo, com operação comercial ativa prevista para 2027.

A conformidade regulatória é um dos pilares centrais da Alya Space. A empresa conduz seus processos em estrita observância às legislações brasileiras e internacionais aplicáveis, atuando junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para licenciamento de radiofrequências e coordenação internacional junto à União Internacional de Telecomunicações (UIT), onde obteve o status de operadora de satélites e autorização para uso orbital de sua constelação, seguindo rigorosamente as normas vigentes em todas as etapas do projeto.

Como parte de sua estratégia, a Alya Space participa de iniciativas internacionais voltadas ao uso sustentável do espaço e à cooperação tecnológica global, alinhando suas atividades à Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 17, que promove parcerias internacionais para o desenvolvimento sustentável.As interpretações que associam a empresa a atividades secretas de vigilância estratégica ou aplicações militares não refletem sua atuação. A Alya Space opera sob princípios estritamente civis, comerciais e alinhados às legislações nacionais e internacionais aplicáveis.

A empresa permanece à disposição das autoridades, parceiros institucionais e da sociedade para quaisquer esclarecimentos adicionais, reiterando que todas as suas atividades são conduzidas dentro dos marcos legais vigentes e orientadas ao desenvolvimento sustentável da economia espacial e ao benefício coletivo da humanidade.

Alya Space, em nota

O Olhar Digital entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores (por conta de se tratar de um assunto que envolve atores estrangeiros), com o Ministério da Defesa (responsável pela FAB e chamado pela CREDN para dar explicações) e com o Ministério da Ciência, Tenologia e Inovações (que cuida do programa espacial brasileiro). Assim que obtivermos um retorno, atualizaremos esta reportagem.

O post Documento diz que Brasil tem base militar chinesa; Ministério da Defesa vai se explicar apareceu primeiro em Olhar Digital.

Com William Shatner, Elon Musk inicia testes do X Money

4 de Março de 2026, 15:54

O X/Twitter iniciou a fase de testes externos do seu serviço de pagamentos, o X Money, nesta semana. Para distribuir os primeiros convites, a empresa organizou um leilão beneficente em parceria com o ator William Shatner, famoso pela franquia Star Trek.

A iniciativa libera o acesso à ferramenta que, até então, era testada apenas por funcionários da própria rede social. O lançamento é um passo para o plano de Elon Musk de transformar a plataforma num “aplicativo para tudo“. A visão do bilionário é reunir finanças, mensagens e vídeos num só lugar.

X Money oferece cartão de metal e rendimento sobre dinheiro guardado

O sistema funciona com abas para organizar a conta, os prêmios e o histórico de uso. Por meio desses menus, os usuários podem depositar, enviar dinheiro para outras pessoas ou cobrar.

Here’s a few more screenshots. There’s a debit card with cash back too! 😳😱 pic.twitter.com/yeKE1gXAjQ

— William Shatner (@WilliamShatner) March 3, 2026

𝕏 Money https://t.co/JQ51VrmQeI

— Elon Musk (@elonmusk) March 4, 2026

Existe a opção de configurar o depósito direto para que o dinheiro parado renda juros de até 6% ao ano. Esse rendimento é identificado pela sigla APY, termo técnico para lucro acumulado entregue a uma conta ao longo de 12 meses (em português, geralmente é o Rendimento Percentual Anual).

Os primeiros escolhidos para o teste receberão um cartão de débito feito de metal com o seu próprio nome de usuário do X. Os pagamentos são processados pela rede Visa, que garante a tecnologia para a transferência de valores entre os usuários.

This will be big https://t.co/Xubex9Mea1

— Elon Musk (@elonmusk) March 4, 2026

Embora o X/Twitter não seja um banco, o dinheiro dos clientes fica guardado no Cross River Bank, que possui seguro do governo dos Estados Unidos (FDIC) para valores de até US$ 250 mil. A empresa já obteve licenças para operar como transmissora de dinheiro em mais de 40 estados norte-americanos.

Musk planeja que o serviço seja liberado para todo o mundo em cerca de dois meses. O objetivo do X Money é competir diretamente com outros aplicativos financeiros já consolidados, como o PayPal.

O post Com William Shatner, Elon Musk inicia testes do X Money apareceu primeiro em Olhar Digital.

Musk se defende de acusação de fraude em tribunal por compra do Twitter

4 de Março de 2026, 15:24

Elon Musk depôs num tribunal federal de São Francisco, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (04). O empresário se defende de acusações de fraude civil em investimentos durante a compra do Twitter por US$ 44 bilhões (R$ 229 bilhões, na cotação atual), ocorrida em 2022.

Antigos investidores da rede social acusam Musk de manipular o mercado ao criticar publicamente o sistema da empresa e ameaçar desistir do negócio. Segundo o processo, ele teria usado o problema das contas falsas (bots) para pressionar a diretoria a aceitar um preço menor pela venda.

Musk nega intenção de prejudicar mercado e afirma que bolsa de valores é instável

Durante o depoimento, o bilionário foi questionado se entendia que suas postagens na internet afetavam o valor das ações. Musk respondeu que o mercado financeiro funciona como um “maníaco-depressivo”. E que suas mensagens nem sempre geram o resultado que as pessoas esperam.

O grupo de investidores que move a ação afirma que sofreu prejuízos ao vender suas ações por acreditar que o bilionário iria cancelar o acordo. Eles alegam que Musk criou um esquema para derrubar o valor do Twitter antes de concluir a compra pelo preço prometido de US$ 54,20 por ação (aproximadamente R$ 280 na época).

A defesa de Musk garante que ele nunca teve o objetivo de prejudicar os acionistas durante a negociação. No entanto, o empresário também é alvo de um órgão regulador por ter demorado a revelar que já possuía uma parte da empresa antes de fazer a proposta oficial de compra.

Uma derrota neste julgamento pode obrigar Musk a indenizar os antigos acionistas pelas perdas relatadas. Atualmente, o empresário lidera a X Corp., que uniu o Twitter (hoje chamado de X) à xAI e SpaceX, outras empresas de Musk. Atualmente, investidores privados consideram que a companhia vale US$ 1,25 trilhão (R$ 6,5 bilhões).

(Essa matéria usou informações de CNBC.)

O post Musk se defende de acusação de fraude em tribunal por compra do Twitter apareceu primeiro em Olhar Digital.

Após adiar estreia no RJ, Keeta demite funcionários

4 de Março de 2026, 15:00

Nesta quarta-feira (4), a Keeta, app de delivery do grupo chinês Meituan e que desembarcou há pouco no Brasil, realizou cortes de funcionários no Rio de Janeiro (RJ) pouco depois de anunciar o adiamento de sua estreia na cidade carioca.

As demissões foram confirmadas pela empresa. Contudo, alega que são poucas em relação ao total. Ainda diz que os postos de trabalho serão mantidos, mas passarão a integrar a equipe do Estado de São Paulo. Na região paulista, a Keeta atua desde o fim de 2025.

Keeta culpa contratos de exclusividade

  • Na semana passada, ao anunciar o adiamento do lançamento no Rio, a companhia colocou a culpa em contratos de exclusividade existentes entre restaurantes e seus concorrentes, o iFood e o 99Food;
  • Isso, segundo a Keeta, inviabilizou a operação em solo carioca;
  • O CEO da empresa, Tony Qiu, disse, à Folha de S.Paulo, que reportaria a situação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Em nota publicada nesta quarta-feira (4), ao confirmar as demissões, a Keeta voltou a bater na mesma tecla. “Cláusulas de exclusividade colocam em risco a livre concorrência no Brasil, não apenas no setor de delivery, mas também em diferentes indústrias, retirando a liberdade de escolha e restringindo oportunidades de geração de renda para os participantes do mercado, incluindo consumidores e parceiros comerciais”, apontou.

Por sua vez, o iFood questiona o posicionamento da concorrente. “Nos causa estranheza que os contratos de exclusividade estejam impactando uma determinada plataforma, sem atingir outros concorrentes que seguem investindo na cidade e expandindo suas operações”, pontuou, também em nota.

À esquerda, um motoboy com uma bolsa da 99Food; à direita, Logo da Keeta em um smartphone
Keeta culpa concorrentes 99Food e iFood e seus contratos de exclusividade (Imagem: Divulgação/99Food/Keeta)

Leia mais:

Outras cidades foram afetadas

Contudo, a Keeta não adiou suas operações somente no Rio de Janeiro. A empresa optou por se manter em São Paulo antes de seguir para outras regiões para ajustar as questões regulatórias, incluindo “resolver questões estruturais que inibem a concorrência saudável no segmento de delivery brasileiro”.

Apesar das mudanças, a chinesa manteve o plano anunciado no ano passado, que envolve investir R$ 5,6 bilhões no Brasil ao longo de cinco anos.

Meituan em baixa

Na terça-feira (3), a Meituan, empresa que controla a Keeta, viu sua nota de crédito ser rebaixada de A- para BBB+ pela agência de classificação de risco S&P Global.

Uma das razões principais é a concorrência com o Alibaba na China, mas, também, o “pé no freio” no Brasil. “Acreditamos que ela limitará a escala e o ritmo de entrada no Brasil até que seu negócio de entrega de alimentos na China se estabilize”, explica.

O post Após adiar estreia no RJ, Keeta demite funcionários apareceu primeiro em Olhar Digital.

OpenAI negocia com a Otan após fechar contrato milionário com o Pentágono

4 de Março de 2026, 07:52

A OpenAI está negociando um contrato para fornecer sua tecnologia de inteligência artificial (IA) às redes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). É o que fontes disseram ao Wall Street Journal (WSJ).

A informação veio a público poucos dias após a empresa de Sam Altman fechar um acordo de US$ 200 milhões (pouco mais de R$ 1 milhão) com o Pentágono para integrar seus grandes modelos de linguagem às operações de inteligência dos Estados Unidos.

Embora o CEO tenha afirmado inicialmente que o projeto envolveria redes confidenciais da aliança militar, uma porta-voz da empresa esclareceu depois ao WSJ que o foco são as redes não confidenciais da Otan.

Para explicar a diferença entre esses dois tipos de redes no contexto militar e de inteligência, imagine uma escala de “segredo”:

  • Redes confidenciais (classified networks): São redes altamente restritas e protegidas. Elas são usadas para processar e armazenar informações que o governo considera sensíveis ou secretas para a segurança nacional. No caso da OpenAI, o acordo com o Pentágono envolve esse tipo de trabalho sigiloso;
  • Redes não confidenciais (unclassified networks): São redes usadas para informações que não exigem o mesmo nível de proteção de segurança nacional. Elas lidam com dados do dia a dia, comunicações administrativas e informações que, embora não sejam públicas, não são consideradas “segredos de Estado” que colocariam o país em risco se vazassem.

OpenAI ocupa ‘vácuo’ deixado pela Anthropic e acelera integração militar

O interesse da Otan na tecnologia da OpenAI surge no momento em que a startup assume um papel central na estratégia de defesa do governo Donald Trump. A aliança, composta por 32 países, representa um novo mercado para a implementação de sistemas que podem acelerar o processamento de informações de inteligência. O acordo é visto como uma forma de garantir que a tecnologia americana tenha “um lugar na mesa” nas decisões sobre o futuro das operações militares.

amodei
A Anthropic recusou termos do Pentágono que exigiam flexibilidade para o uso de IA em vigilância doméstica e monitoramento de cidadãos (Imagem: Ahyan Stock Studios/Shutterstock)

A ascensão da OpenAI no setor militar veio após o colapso das negociações entre o Departamento de Defesa dos EUA e a Anthropic. A empresa de Dario Amodei recusou termos que exigiam flexibilidade para o uso de IA em vigilância doméstica e monitoramento de cidadãos. Como consequência da resistência ética em pontos de segurança e dados pessoais, a empresa companhia foi designada como um risco à cadeia de suprimentos pelo governo federal.

Para viabilizar juridicamente esses contratos, a OpenAI removeu de sua política de uso a proibição explícita para fins militares e bélicos. Essa mudança facilitou a integração do modelo GPT-4 em infraestruturas de segurança nacional e análise de dados de vigilância. O Pentágono planeja utilizar essas ferramentas para o processamento massivo de informações e o desenvolvimento de sistemas autônomos.

Inclusive, este foi o tema da coluna Fala AI, do programa Olhar Digital News de terça-feira (03). Assista abaixo:

A decisão de colaborar com o setor de defesa gerou reações negativas entre funcionários e pesquisadores da OpenAI (entre usuários também, diga-se). Críticos questionam a conformidade do pacto com os princípios originais da empresa, temendo o uso da tecnologia para vigilância em massa ou armas sem supervisão humana. Altman defendeu a posição afirmando que a eficiência de uma força militar traz benefícios à humanidade, apesar de discordar de ações específicas.

Após o fechamento do contrato com o Pentágono, a OpenAI atualizou seus termos para declarar que seus sistemas não serão usados para vigilância doméstica de cidadãos americanos.

O post OpenAI negocia com a Otan após fechar contrato milionário com o Pentágono apareceu primeiro em Olhar Digital.

Brasileiros repatriados: voo da Emirates está a caminho de Dubai para SP

4 de Março de 2026, 07:25

O primeiro voo partindo de Dubai para São Paulo está a caminho do Aeroporto de Guarulhos. O espaço aéreo por aqui não foi 100% aberto, são voos controlados para repatriação. Ou seja, não dá para ir ao aeroporto e comprar uma passagem. As companhias aéreas são responsáveis por avisar os viajantes “presos” aqui o dia e horário do novo voo. Apenas quem tem essa confirmação deve se deslocar aos aeroportos.

Imagem: Flight Aware

Eu conversei com uma brasileira que estava apenas de passagem por Dubai e precisou ficar na cidade. Colegas de trabalho dela embarcaram nesse primeiro voo e relataram uma situação tranquila no aeroporto.

O voo decolou às 9h37 no horário local, 2h37 no horário de Brasília. A previsão de chegada é por volta das 17h30, no horário de Brasília.

Ataques do Irã aos Emirados Árabes Unidos

Desde sábado, quando os ataques começaram, o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos contabiliza os seguintes números:

  • 186 mísseis balísticos lançados em direção aos Emirados Árabes Unidos. Destes, 172 mísseis foram destruídos, 13 caíram no mar e um atingiu o território do país.
  • Oito mísseis de cruzeiro foram detectados e destruídos.
  • 812 drones iranianos foram detectados, dos quais 755 foram interceptados e 57 caíram em território nacional.
  • Três pessoas morreram e 68 ficaram feridas

Nesta outra reportagem, explicamos como funciona o sistema de proteção antimísseis dos Emirados Árabes.

De Dubai, Bruno Capozzi

O post Brasileiros repatriados: voo da Emirates está a caminho de Dubai para SP apareceu primeiro em Olhar Digital.

Trump pressiona Netflix e exige demissão de ex-assessora de Obama

22 de Fevereiro de 2026, 10:11

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu publicamente que a Netflix retire Susan Rice de seu conselho de administração. A declaração foi feita no sábado, por meio da rede social Truth Social, em meio às negociações da empresa para adquirir ativos da Warner Bros. Discovery, operação que depende de análise antitruste do Departamento de Justiça.

No centro do embate estão declarações recentes de Rice em um podcast, nas quais ela mencionou a possibilidade de uma futura agenda de responsabilização contra empresas que, segundo ela, tenham se alinhado ao presidente. A movimentação ocorre em um momento considerado delicado para a plataforma de streaming, que busca aprovação regulatória para um acordo bilionário.

Placa com o logo da Netflix
Netflix vive conflito com o presidente dos Estados Unidos no momento em que tenta finalizar uma grande aquisição (Imagem: Mijansk786 / Shutterstock.com)

Pressão pública em meio a análise antitruste

Em sua publicação, Trump afirmou que a Netflix deveria “imediatamente demitir” Susan Rice do conselho “ou pagar as consequências”. Ele também compartilhou críticas feitas pela ativista conservadora Laura Loomer, que pediu que o presidente bloqueasse o acordo entre a Netflix e a Warner.

A Netflix deveria demitir a racista e obcecada por Trump Susan Rice, IMEDIATAMENTE, ou pagar as consequências. Ela não tem talento nem habilidades – Puramente uma oportunista política! SEU PODER ACABOU, E NUNCA MAIS VOLTARÁ. Quanto ela está sendo paga, e por quê??? Obrigado pela sua atenção a este assunto. Presidente DJT

Donald Trump em post na Truth Social

Rice atuou como embaixadora dos Estados Unidos na ONU e como assessora de segurança nacional nas administrações de Barack Obama e Joe Biden. Ela integrou o conselho da Netflix entre 2018 e 2021 e retornou ao cargo em 2023.

susan rice
Susan Rice, hoje parte do conselho administrativo da Netflix, foi embaixadora dos Estados Unidos na ONU e assessora de segurança nacional de Obama e Biden (Imagem: lev radin / Shutterstock.com)

As declarações que motivaram a reação de Trump foram feitas no podcast “Stay Tuned with Preet Bharara”, apresentado pelo ex-procurador federal Preet Bharara. Na entrevista, Rice afirmou que, caso os democratas voltem ao poder, empresas que “dobraram os joelhos” ao presidente e tenham violado leis não deveriam esperar perdão, prevendo uma possível “agenda de responsabilização”.

Representantes da Netflix e Susan Rice não responderam aos pedidos de comentário da imprensa internacional.

Leia mais:

Negociação bilionária e disputa com a Paramount

A ofensiva política ocorre enquanto a Netflix tenta concluir a aquisição dos estúdios de cinema e televisão da Warner e da plataforma de streaming HBO Max. O acordo é avaliado em US$ 83 bilhões e depende de aprovação da divisão antitruste do Departamento de Justiça.

O órgão analisa se a transação pode reforçar excessivamente o poder de mercado da Netflix ou resultar em monopólio. Em dezembro, Trump declarou que a empresa já detinha uma “participação de mercado muito grande” e que a aquisição poderia representar um problema.

Pessoa segurando celular com logomarca da Netflix na tela; ao fundo, um monitor exibe logomarca da Warner Bros.
Departamento de Justiça dos Estados Unidos deve definir se a aquisição pode representar um monopólio (Imagem: Blossom Stock Studio / Shutterstock.com)

Em fevereiro, no entanto, o presidente afirmou que não deveria se envolver diretamente no caso e que a investigação caberia ao Departamento de Justiça. Ainda assim, voltou a comentar o tema publicamente.

Paralelamente, a Paramount apresentou uma oferta hostil avaliada em US$ 77,9 bilhões para adquirir toda a Warner, incluindo sua unidade de canais a cabo, como CNN e TNT. A Warner concedeu um prazo de sete dias para que a Paramount apresente uma proposta final. Esse período se encerra na segunda-feira (23), e a Netflix terá o direito de igualar qualquer oferta.

O post Trump pressiona Netflix e exige demissão de ex-assessora de Obama apareceu primeiro em Olhar Digital.

O que está em jogo nos julgamentos contra redes sociais nos EUA?

10 de Fevereiro de 2026, 17:57

As principais redes sociais enfrentam, ao mesmo tempo, diferentes frentes de pressão na Justiça dos Estados Unidos. Julgamentos contra estas empresas no país discutem desde o impacto do design das plataformas sobre crianças até a responsabilidade das empresas por falhas na proteção de menores. Embora os casos tenham origens e estratégias distintas, a maioria gira em torno da responsabilidade das plataformas por danos causados a crianças e adolescentes.

De um lado, ações individuais e coletivas discutem se o design dos aplicativos pode ser considerado viciante. De outro, procuradores estaduais tentam responsabilizar empresas por falhas na proteção de menores contra exploração sexual. Paralelamente, o setor passou a aceitar avaliações voluntárias de segurança para adolescentes, em meio ao avanço dos processos judiciais.

Julgamento na Califórnia discute vício em redes sociais

Em Los Angeles, corre um julgamento considerado de referência sobre supostos danos causados pelo uso de redes sociais na infância. O caso envolve uma jovem de 20 anos que acusa a Meta e o YouTube de terem desenvolvido produtos deliberadamente viciantes, comparados por seus advogados a “cassinos digitais”.

A acusação sustenta que recursos como rolagem infinita, reprodução automática de vídeos e recomendações algorítmicas foram pensados para prolongar o tempo de uso, mesmo com conhecimento interno sobre riscos à saúde mental de crianças e adolescentes. Documentos internos apresentados ao júri indicariam que executivos discutiam efeitos negativos dessas ferramentas desde a década passada.

Um grande julgamento avalia supostos danos causados por redes sociais à saúde mental de crianças e adolescentes (Imagem: Kaspars Grinvalds / Shutterstock.com)

As empresas negam as acusações. A defesa afirma que não há consenso científico de que redes sociais causem dependência e argumenta que os problemas de saúde mental da autora do processo teriam origem em fatores familiares anteriores ao uso das plataformas. TikTok e Snap também estavam no caso anteriormente, mas chegaram em acordos com os autores da ação.

O julgamento deve durar de seis a oito semanas e é o primeiro de uma série de ações semelhantes contra Meta, Google, TikTok e Snap. O resultado pode influenciar centenas de outros processos individuais em andamento.

Caso no Novo México foca exploração sexual de crianças

No Novo México, um processo movido pelo procurador-geral do estado segue uma linha diferente. A acusação afirma que a Meta violou leis de proteção ao consumidor ao não divulgar adequadamente o que sabia sobre riscos de exploração sexual de menores em suas plataformas.

Segundo o estado, investigações conduzidas com perfis controlados por autoridades identificaram um volume elevado de interações inadequadas envolvendo crianças, além de falhas no monitoramento e na resposta da empresa. Promotores alegam que executivos priorizaram crescimento e engajamento em detrimento da segurança infantil.

meta
Processo movido pelo procurador-geral do estado do Novo México acusa a Meta de não divulgar que sabia dos riscos de exploração sexual de menores em suas plataformas (Imagem: PJ McDonnell / Shutterstock.com)

A Meta contesta o processo e afirma que sempre divulgou riscos associados ao uso de seus serviços, além de investir em ferramentas de moderação e segurança. A empresa também acusa os investigadores de conduzirem uma apuração “eticamente comprometida”.

Esse é o primeiro julgamento individual movido por um estado a chegar à fase de tribunal, entre dezenas de ações semelhantes apresentadas por procuradores-gerais em todo o país.

Distritos escolares buscam indenizações bilionárias de plataformas de redes sociais

Além dos casos individuais, mais de 1,2 mil distritos escolares processam empresas como Meta, Google, TikTok e Snap na Califórnia. As ações alegam que as redes sociais contribuíram para uma crise de saúde mental entre estudantes, o que teria aumentado gastos das escolas com apoio psicológico e educacional.

Uma juíza federal decidiu recentemente que essas ações podem seguir adiante, rejeitando o argumento das empresas de que estariam protegidas por leis que limitam a responsabilidade sobre conteúdos publicados por usuários. As indenizações pedidas somam centenas de bilhões de dólares.

O primeiro julgamento com júri nesse conjunto de ações está previsto para 2026.

Avaliações voluntárias de segurança para adolescentes

Enquanto os processos avançam, Meta, TikTok e Snap aceitaram participar de um sistema voluntário de avaliação independente sobre segurança para adolescentes. O modelo prevê cerca de duas dezenas de critérios, elaborados por especialistas em saúde mental, para analisar políticas internas, design dos aplicativos e resposta a conteúdos sensíveis.

Entre os pontos avaliados estão a existência de pausas obrigatórias, a possibilidade de desligar a rolagem infinita e o tratamento de conteúdos relacionados a automutilação e suicídio. Aplicativos que obtiverem boas notas receberão um selo azul de aprovação.

(Imagem: mooremedia / Shutterstock.com)

As organizações responsáveis pelo sistema afirmam que a iniciativa não substitui leis ou decisões judiciais, mas funciona como um instrumento de orientação para pais e jovens, em um cenário de pressão crescente sobre o setor.

Leia mais:

Caso antitruste contra a Meta segue em fase de apelação

Além dos processos ligados a danos a menores, a Meta ainda enfrenta um caso antitruste de grande repercussão nos Estados Unidos. A ação foi movida pela Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) e por estados do país, com o argumento de que a empresa eliminou concorrentes ao adquirir o Instagram e o WhatsApp.

meta ftc
(Imagem: mundissima / Shutterstock.com)

Em novembro de 2025, um juiz federal decidiu a favor da Meta, ao entender que a empresa não detém poder monopolístico suficiente no mercado atual de redes sociais. Em janeiro de 2026, no entanto, a FTC anunciou que vai recorrer da decisão, mantendo o processo vivo em instâncias superiores. O caso é visto como um teste importante para os limites da atuação das big techs e da política antitruste nos EUA.

O post O que está em jogo nos julgamentos contra redes sociais nos EUA? apareceu primeiro em Olhar Digital.

❌