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Meta e TikTok são acusados em caso envolvendo morte de adolescente

17 de Junho de 2026, 07:39

Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure ajuda especializada. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24h por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.

O que começou dentro de uma casa virou um processo judicial contra duas das maiores redes sociais do mundo. Uma mãe italiana acusa a Meta e o TikTok de falhas na proteção de menores após a morte da filha de 12 anos.

Segundo a família, a adolescente foi exposta a conteúdos de automutilação e depressão nas plataformas antes de tirar a própria vida.

adolescente tocando na tela de um smartphone
Segundo a família, conteúdos depressivos passaram a dominar o que a adolescente via online em poucos meses. Imagem: Marina Demidiuk/iStock – Imagem: Marina Demidiuk/iStock

Um caso que expôs o lado mais sensível das redes sociais

A história de Rossella Ugues ganhou repercussão depois que os pais perceberam, tarde demais, como o comportamento da filha mudou em poucos meses. Aos poucos, ela passou a consumir conteúdos cada vez mais ligados à tristeza e à automutilação, impulsionados por algoritmos de recomendação.

Na avaliação da mãe, Irene Roggero Ugues, o processo foi silencioso e difícil de enxergar no dia a dia. Em entrevista, ela descreveu a sensação com uma frase forte: “Em algum momento, pareceu ganhar vida própria, crescendo até sufocar o lado alegre e sociável dela — a parte mais brilhante”, disse.

A ação aberta na Itália sustenta que as plataformas não teriam oferecido proteção suficiente a usuários menores, permitindo a exposição a conteúdos considerados de risco.

ícones em um celular das redes sociais tiktok, instagram, youtube e snapchat
Meta e TikTok negam responsabilidade direta e destacam medidas de segurança voltadas a adolescentes. Crédito: Tada Images / Shutterstock – Crédito: Tada Images / Shutterstock

Algoritmos, ciclos e o ponto mais delicado da discussão

A acusação central envolve o funcionamento dos sistemas de recomendação. Segundo o processo, esses mecanismos identificam interesses e passam a reforçar conteúdos semelhantes, inclusive sensíveis. O problema, apontam as famílias, é que isso pode criar um ciclo contínuo de exposição.

No meio desse debate, surgem pontos levantados pelos autores da ação:

  • Reforço constante de conteúdos sensíveis
  • Proteção considerada insuficiente para menores
  • Dificuldade prática de supervisão parental
  • Possível padrão de uso semelhante à dependência
  • Exposição prolongada sem interrupção eficaz

As empresas envolvidas, Meta e TikTok, negam responsabilidade direta e afirmam que mantêm sistemas de segurança, filtros de conteúdo e ferramentas específicas para adolescentes.

Quando a rotina familiar não acompanha o ritmo das redes sociais

Um dos trechos mais repetidos por famílias envolvidas no debate é simples: o controle não dá conta. Mesmo com regras em casa, muitos pais relatam que os adolescentes conseguem contornar restrições com facilidade.

“Monitorar o uso das redes sociais é um trabalho em tempo integral”, afirmou uma representante de famílias numerosas na Itália. Segundo ela, na prática, a supervisão constante é quase impossível.

E há um ponto que aparece com frequência nesses relatos: a mudança de comportamento costuma ser gradual, quase imperceptível no começo, o que dificulta ainda mais a intervenção.

regulamentação redes sociais
A história ganhou repercussão internacional e ampliou a pressão por regras mais rígidas para menores online. Imagem: Garun.Prdt/Shutterstock – (Imagem: Garun.Prdt/Shutterstock)

Entre ciência, cautela e interpretações diferentes

Pesquisas citadas no processo apontam que mecanismos como curtidas, notificações e recomendações podem ativar sistemas de recompensa no cérebro, especialmente em adolescentes. Por isso, parte dos especialistas fala em padrões semelhantes aos de dependência.

Leia mais:

Mas o tema não é fechado. Outros especialistas alertam que é preciso cautela ao tirar conclusões diretas. Para eles, reduzir o problema apenas às plataformas pode simplificar demais uma questão mais ampla, que envolve também convivência, diálogo e acompanhamento familiar.

Um debate que ainda está longe do fim

O processo na Itália segue em andamento e pode influenciar discussões mais amplas sobre a responsabilidade de plataformas digitais no uso por menores. Meta e TikTok negam as acusações e dizem investir continuamente em segurança e proteção de jovens usuários.

No fim, o caso vai além de um tribunal. Ele pressiona uma pergunta que ainda não tem resposta definitiva: até onde vai o impacto das redes sociais na vida de crianças e adolescentes — e quem deve responder por isso?

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Reviravolta: liminar barra multa diária do Cade ao WhatsApp

30 de Abril de 2026, 21:27

A Justiça Federal de São Paulo decidiu suspender a multa diária de R$ 250 mil aplicada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ao WhatsApp. A decisão favorável à empresa foi proferida na quarta-feira (29), e os advogados da companhia comunicaram a autarquia sobre a sentença no dia seguinte, quinta-feira (30).

Whatsapp vence (temporariamente) Cade na Justiça

  • A penalidade havia sido imposta no âmbito de um inquérito conduzido pelo Cade, que investiga suposto descumprimento de medida preventiva relacionada ao funcionamento da plataforma;
  • A determinação do órgão exigia que a Meta, controladora do WhatsApp, mantivesse o acesso gratuito de inteligências artificiais (IA) de terceiros ao serviço de mensagens — algo que, atualmente, é cobrado;
  • Além disso, o Cade também questiona a política de preços adotada pela empresa para a utilização da API do WhatsApp Business, ferramenta voltada a empresas que utilizam o aplicativo para comunicação com clientes.

Em nota, um porta-voz da Meta afirmou que considera que o Cade extrapolou suas atribuições ao exigir a gratuidade do acesso à plataforma. “Pequenas e médias empresas que usam legitimamente a API do WhatsApp não deveriam estar subsidiando o uso gratuito do serviço pela OpenAI e por outros grandes chatbots de IA”, declarou a companhia (leia a nota completa abaixo).

Logo da Meta em um smartphone
Meta, dona do WhatsApp, se mostrou satisfeita com a decisão – Imagem: jackpress/Shutterstock

A empresa sustenta que sua estrutura de custos possui justificativa comercial e afirma que a cobrança de US$ 0,0625 (R$ 0,31) por mensagem está respaldada pela legislação vigente, além de ser equivalente a tarifas praticadas por outras empresas tanto no Brasil quanto no exterior.

A origem do caso remonta a setembro de 2025, quando as startups Luzia e Zapia apresentaram denúncias ao Cade sobre mudanças nos termos de uso do WhatsApp Business. Em março deste ano, o tribunal do órgão antitruste rejeitou um recurso da Meta e determinou o retorno às condições anteriores à alteração desses termos.

Com a decisão da Justiça Federal, a multa diária fica suspensa enquanto o caso segue em discussão, em segredo de Justiça. Contudo, o Olhar Digital obteve acesso à solicitação dos advogados da Meta. Leia aqui.

Leia mais:

Nota da Meta

A seguir, leia a nota completa enviada por um porta-voz da Meta:

“Estamos satisfeitos que a Justiça brasileira tenha reconhecido nossas preocupações em relação à decisão do CADE. Ao exigir acesso gratuito a um serviço pago, acreditamos que a autoridade antitruste vai além de suas atribuições. Pequenas e médias empresas que usam legitimamente a API do WhatsApp não deveriam estar subsidiando o uso gratuito do serviço pela OpenAI e por outros grandes chatbots de IA.”

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Seu Direito Digital: Europa esbarra em dificuldades para regular IA

26 de Março de 2026, 22:11

Quinta-feira é dia da coluna Seu Direito Digital no Olhar Digital News. O consultor de privacidade e segurança Leandro Alvarenga repercute os principais assuntos jurídicos no setor de tecnologia e tira as dúvidas dos nossos leitores.

Europa esbarra em dificuldades para regular IA 

O adiamento de prazos da Lei de Inteligência Artificial da União Europeia evidencia os desafios práticos de implementar regras para uma tecnologia em rápida evolução. O adiamento sinaliza dificuldades para regular a tecnologia? 

Meta firma acordo para combater exploração de menores na internet 

Um acordo firmado entre o Ministério Público e a Meta estabelece novas obrigações para combater a exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais. A medida prevê monitoramento ativo de perfis, criação de mecanismos de denúncia e restrições ao uso de ferramentas de monetização, além de sanções em caso de descumprimento, reforçando a responsabilização das plataformas na proteção de usuários mais vulneráveis. O que muda na prática com esse acordo? 

Homem é preso quatro vezes por engano após falhas no reconhecimento facial 

O caso de um morador de São Paulo detido repetidamente por erro do Smart Sampa, sistema de reconhecimento facial, levanta questionamentos sobre a confiabilidade e os riscos dessa tecnologia. Após ser identificado de forma equivocada como foragido, ele foi conduzido à delegacia em diferentes ocasiões. Esse caso revela problemas estruturais do sistema de reconhecimento facial? 

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Tchau, Nvidia? Meta planeja ter seu próprios chips de IA

5 de Março de 2026, 10:00

Mesmo após firmar acordos com fabricantes de semicondutores, a Meta não desistiu de ter seus próprios chips de inteligência artificial. Susan Li, diretora financeira da big tech, afirmou que a empresa tem planos para desenvolver processadores próprios, capazes de treinar as tecnologias da companhia.

A fala aconteceu durante uma conferência promovida pelo banco Morgan Stanley, repercutida pela Bloomberg. Nela, Li defendeu que algumas tarefas executadas pela Meta são altamente especializadas, o que torna o desenvolvimento de silício próprio uma alternativa estratégica.

Algumas de nossas cargas de trabalho são realmente muito personalizadas para nós. As cargas de trabalho de classificação e recomendação foram por onde começamos, e é aí que implementamos silício personalizado em maior escala. Mas esperamos e temos esperança de que expandiremos isso com o tempo, inclusive, eventualmente, para o treinamento de modelos de IA.

Susan Li, diretora financeira da Meta
Logo da Meta exibido em um smartphone na horizontal
Meta planeja equilibrar compra de chips terceirizados com desenvolvimento de chips próprios (Imagem: PJ McDonnell/Shutterstock)

Chips próprios da Meta x chips terceirizados

Segundo Susan Li, a estratégia da big tech inclui tanto a aquisição de hardware de terceiros quanto a criação dos chips personalizados. Eles serão utilizados em tarefas diferentes. O chip próprio será destinado justamente às demandas mais específicas da Meta.

Em paralelo, a companhia segue fechando parcerias para compra de processadores e infraestrutura de empresas terceirizadas:

  • Meta + Nvidia: o contrato envolve a compra de milhões de chips de IA e a expansão da infraestrutura de data centers. O acordo, de longo prazo e com várias gerações de hardware, prevê a adoção de novos processadores e GPUs para sustentar a estratégia de IA da companhia, incluindo operações de treinamento e inferência em larga escala. Leia mais aqui;
  • Meta + AMD: o acordo é voltado para a expansão de infraestrutura de inteligência artificial. Pelo contrato, a empresa de Mark Zuckerberg comprará até 6 gigawatts em chips da fabricante ao longo dos próximos cinco anos – um volume que pode superar US$ 100 bilhões em receita para a AMD. Leia mais aqui.

A Meta não é a única. A abordagem – de mesclar a compra de chips terceirizados e fabricação própria – virou tendência entre as grandes empresas de tecnologia como forma de atender a demandas personalizadas e diminuir a dependência de fabricantes. Amazon e Microsoft têm planos parecidos.

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