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Seminário debate eixos para a política cultural da UFRGS

Por:Ania
12 de Agosto de 2026, 13:01

Nos dias 25 e 26 de agosto, a UFRGS realiza o seminário “O que pode a cultura na Universidade?”, evento que integra a campanha homônima e que se propõe a produzir e encaminhar coletivamente um documento estabelecendo princípios, diretrizes e objetivos comuns para a criação de uma política de cultura institucional da Universidade. A atividade ocorre no Centro Cultural (Rua Eng. Luiz Englert, 333), no Campus Centro, e é aberta ao público, sem necessidade de inscrição prévia.

A diretora do Centro Cultural da UFRGS Lígia Petrucci reforça que a campanha envolve também a mobilização dos gestores de unidades acadêmicas e administrativas, convidados a colaborar na coleta de informações e no mapeamento das práticas e equipamentos culturais da Universidade. “Estendemos o prazo para o envio desses dados até o próximo dia 15 de agosto”, ressalta.

Conforme Lígia, o seminário sinaliza uma etapa importante no processo de criação de uma política cultural para a Universidade, que teve início ainda em 2019, quando se propôs o desenvolvimento de um plano institucional para a área. Ela esclarece que, “por conta de toda a história da UFRGS, é fundamental ter uma espécie de Carta Magna, a partir da qual as diferentes unidades acadêmicas e administrativas poderão elaborar seus planos setoriais”.

O encontro contará com a participação de dois convidados especiais para o painel de abertura: Rosane Borges e Daniel Iberê. A dirigente conta que a proposta é trazer perspectivas externas provocadoras: “A Rosane, que é professora de Comunicação da PUC-SP, jornalista e escritora, vai falar sobre cultura como reinvenção, destacando o que pode a cultura diante do cenário distópico que temos pela frente. Já o Daniel, antropólogo guarani e docente da Universidade Federal do Acre (UFAC), que trabalha com antropologia ambiental e integra o Comitê de Políticas Culturais para Povos Originários do MinC, irá abordar a cultura como natureza. Isso porque queremos mexer com a ideia de cultura restrita a determinadas áreas”.

Num segundo momento, na tarde do dia 25, haverá um painel com a participação de pró-reitores de Extensão e Cultura de diferentes universidades que já possuem políticas ou planos de cultura estabelecidos. “Teremos o pró-reitor de Extensão e Cultura da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) Danillo Barata, instituição com pouco mais de 21 anos, mas que já possui um plano cultural bastante consistente. Outro painelista é o pró-reitor de Cultura da UFMG Fernando Mencarelli, universidade cuja política na área é bem consolidada. Por fim, chamamos a professora Ângela Righi, pró-reitora adjunta de Extensão da UFSM, que falará sobre a experiência de elaboração da política cultural daquela universidade”, detalha.

Na manhã do dia 26, haverá um encontro para a discussão dos eixos temáticos da política com os representantes das comissões, enquanto o turno da tarde será dedicado à redação das ideias centrais em cada eixo. “Nessa etapa, os coordenadores encaminharão as discussões, e as questões levantadas serão incorporadas a uma minuta. Esse documento irá embasar o texto a ser enviado para apreciação do Conselho Universitário”. Lígia diz que, até o final do ano, será promovido um evento para a devolução pública desse material à comunidade da UFRGS.

A expectativa da dirigente é que a Universidade possa oferecer uma percepção abrangente do que é a cultura, incorporando questões contemporâneas urgentes como a mudança climática. “Muito legitimamente vários documentos se concentram nos direitos humanos, na cidadania cultural. Mas penso que a UFRGS pode ir além e começar a falar nos direitos de todos os seres viventes, por exemplo. Em outras palavras, deslocar um pouco a relação entre cultura e ciência a fim de considerar outros saberes e outros modos de agir nesse mundo. A gente precisa considerar de forma mais central a questão ambiental na sua intersecção com as produções artísticas e culturais”, conclui.

Exposição “O Mundo Sensível dos Mitos: a ciência e a arte de Claude Lévi-Strauss”, no Museu da UFRGS – Foto: Laís Escher Esporos | Arquivo- UFRGS

Mobilização

Lançado em maio, o processo de mobilização para a construção da política cultural segue aberto à participação de estudantes, técnicos administrativos, docentes e profissionais terceirizados, que são convidados a responder à pergunta “O que pode a cultura na Universidade?“. As respostas a esta questão, que ainda podem ser enviadas, servirão de base para a elaboração de um documento estruturante que possibilite a institucionalização dos campos artístico e cultural no âmbito da UFRGS.

O debate e a sistematização dos tópicos que irão balizar a política cultural vêm sendo desenvolvidos por seis comissões temáticas: Cultura, democracia e sociedade; Cultura, memória e patrimônio; Cultura e emergência climática; Cultura e popularização da ciência; Cultura, acessibilidade e comunicação; e Cultura – financiamento, apoio e fomento.

O conjunto de informações e contribuições será analisado pelo Grupo de Trabalho constituído em 2025 e, posteriormente, encaminhado à apreciação do Conselho Universitário (Consun).

Programação

25/08 – Terça-feira

9h às 12h
Painel de abertura – O que pode a cultura?
Painelistas: Daniel Iberê (UFAC) e Rosane Borges (PUC-SP)

14h às 17h
Painel – Políticas culturais nas universidades públicas brasileiras
Participantes: Ângela Righi, pró-reitora adjunta de Extensão da UFSM; Danillo Barata, pró-reitor de Extensão e Cultura da UFRB; Fernando Mencarelli, pró-reitor de Cultura da UFMG; e Daniela Pavani, pró-reitora de Extensão da UFRGS

Rosane Borges | PUC-SP
Daniel Iberê | UFAC

26/08 – Quarta-feira

9h às 12h
Encontro das comissões temáticas formadas a partir de chamada pública para discussão dos diferentes eixos que integrarão a política cultural da UFRGS

14h às 18h
Consolidação dos eixos centrais apontados pelas comissões temáticas para posterior preparação da minuta da política cultural da UFRGS

19h às 21h
Sessão de lançamento do livro “Imaginários emergentes e mulheres negras” (São Paulo, Editora Instante, 2025, 224p.), de Rosane Borges

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UFRGS inaugura microscópios de alta resolução no Centro de Microscopia e Microanálise

28 de Maio de 2026, 12:10

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI) inauguraram, nesta quarta-feira, 27 de maio, dois novos microscópios eletrônicos no Centro de Microscopia e Microanálise Brasil-Sul (CMM BR-Sul/UFRGS), localizado no Campus do Vale. Os equipamentos ampliam as capacidades de análise e fortalecem a infraestrutura de pesquisa ofertada para a comunidade acadêmica e para instituições e empresas externas. Segundo informa a Fundação de Amparo à Pesquisa da UFRGS (Faurgs), os valores apenas dos equipamentos somam mais de R$ 11 milhões, ainda sem incluir os demais gastos de adaptação de infraestrutura (as informações detalhadas sobre os equipamentos estão no final do texto).

A cerimônia de inauguração contou com a presença do vice-reitor Pedro Costa, do ex-reitor da UFRGS, Carlos Alexandre Netto, do diretor de Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Finep, Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho, do diretor técnico-científico da Fapergs, Rafael Roesler, do diretor do CMM BR-Sul, Paulo Fichtner, além de diretores de unidades, docentes e servidores. Na sua fala na solenidade, o diretor Paulo Fichtner destacou que, com a atualização, o CMM BR-Sul se coloca na vanguarda nacional e internacional. Ele enfatizou o grande número de áreas de pesquisa beneficiadas: Ciências da Vida, Medicina Humana e Veterinária, Fármacos, Zootecnia, Botânica, Agropecuária, Engenharia, Geologia, Metalurgia, entre outras. E concluiu agradecendo à Finep pela confiança no Centro e desejando que a atualização de equipamentos colabore para o desenvolvimento científico do Brasil.

Futuro da Pesquisa

O vice-reitor Pedro Costa expôs na fala inicial alguns dados sobre a luta por recursos para a pesquisa científica nos últimos anos e destacou que a ciência é feita em colaboração, referindo-se à proposta, desde a fundação, do Centro de Microscopia: “Parceria e cooperação são necessárias para produzir soluções para o Brasil. A UFRGS é uma instituição que, ao longo de gerações, tem repassado conhecimento e modos de trabalho”. E concluiu convocando os presentes a construir formas mais sólidas de garantir que recursos para a pesquisa “não sofram as oscilações políticas e orçamentárias do Brasil”.

Pela agência financiadora, Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho demonstrou-se satisfeito em acompanhar presencialmente o fruto do trabalho burocrático sendo executado na prática. Ele enfatizou a luta da Finep em garantir os recursos necessários para a continuidade da pesquisa e da inovação no Brasil e concluiu: “Tenho certeza de que esse investimento é pequeno comparado ao retorno que dará, uma ciência da melhor qualidade”.

Em nome da Fapergs, o professor Rafael Roesler destacou o aspecto multicêntrico do órgão, o que possibilita, segundo ele, o atendimento de um número muito grande de pesquisadores. Carlos Alexandre Netto lembrou que o convênio para a atualização de infraestrutura foi assinado em 2016, quando ainda era reitor, e dependeu do trabalho de direção, conselho e comitê gestor do CMM, incluindo as dificuldades no orçamento para pesquisa nacionalmente, como contingenciamentos. Após o ato inaugural, os convidados participaram de uma visita técnica às instalações do centro.

Os equipamentos

  • Microscópio Eletrônico Analítico de resolução atômica Jeol New ARM (NeoARM) (custo de R$ 10.210.609,00): usado para caracterização de materiais orgânicos e inorgânicos. O microscópio opera com as tecnologias TEM convencional e STEM (scanning TEM). Possibilita a caracterização de materiais numa ampla gama de aplicações, incluindo caracterização tomográfica e estrutural com aumentos de 50 a 2 milhões de vezes, o que permite a caracterização de átomos individuais, com discriminação analítica, via espectroscopia de energia dispersiva de raios X (EDS), com um sistema de dois detectores.
  • Microscópio Eletrônico de Transmissão JEM1400Flash (custo de R$ 799,578.70) – Esse equipamento é indispensável para o trabalho com materiais biológicos, com capacidade tomográfica e de identificação de elementos químicos por espectroscopia de energia dispersiva de raios X (EDS), equipado com câmara JEOL high-sensitivity sCMOS com função Limitless Panorama. Trata-se de um equipamento de última geração da Microscopia Eletrônica de Transmissão (tecnologia TEM) convencional. Esse equipamento já está em funcionamento há cerca de um ano.

O Centro

Fundado em 1996 ainda como Centro de Microscopia Eletrônica, o órgão suplementar da UFRGS passou a se chamar Centro de Microscopia e Micronálise e, com a atualização de equipamentos e ampliação de atendimento, muda em 2026 para Centro de Microscopia e Micronálise Brasil-Sul. O novo nome marca o significativo avanço do centro na infraestrutura de pesquisa do País.

Como centro multiusuário, o CMM BR-Sul oferece serviços de microscopia eletrônica de varredura, transmissão e microscopia confocal a laser para pesquisadores, estudantes e empresas. O espaço atende tanto a comunidade da UFRGS quanto usuários de outras instituições de ensino e pesquisa. Mais informações podem ser consultadas em ufrgs.br/cmmbrsul.

Confira a galeria de imagens:

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CLN ganha sistema de tratamento de efluentes baseado em soluções sustentáveis

23 de Abril de 2026, 08:57

O Campus Litoral Norte (CLN) da UFRGS conta desde o início do mês com um sistema descentralizado de tratamento de esgoto baseado em soluções sustentáveis. O lançamento ocorreu no dia 9 de abril com o plantio das primeiras espécies vegetais que compõem o sistema de wetlands construídos e marcou o começo das ações do projeto de extensão desenvolvido em parceria entre o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Soluções baseadas na Natureza (INCT SbN), a subprefeitura do Campus Litoral Norte e o Departamento de Meio Ambiente e Licenciamento (DMALIC) da Superintendência de Infraestrutura (Suinfra) da Universidade.

A nova estrutura é o primeiro sistema em escala real que recebe e trata todo o esgoto de um campus da UFRGS. Ele utiliza uma combinação de tecnologias eficientes de baixo custo, contando com fossa séptica, filtro anaeróbio e wetlands construídos, alinhadas ao conceito de soluções baseadas na natureza (SBN) e aos objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS).

A etapa inicial consistiu no plantio de macrófitas aquáticas, fundamentais para o funcionamento do sistema de tratamento. Essas plantas atuam diretamente na remoção de matéria orgânica e nutrientes presentes nos efluentes, contribuindo para a melhoria da qualidade do efluente tratado. A configuração do plantio foi definida a partir do projeto técnico, prevendo a utilização de espécies como Typha (taboa) e Scleria (Cyperaceae), plantas adaptadas ao ambiente saturado, distribuídas de forma a otimizar a eficiência do processo de tratamento de efluentes. O professor Louidi Lauer Albornoz, do IPH, explica que se pode considerar que o sistema já se encontra totalmente implementado. “No caso de Wetlands Construídos, considera-se que com dois anos de operação o sistema encontra-se “maduro”, ou seja, com plantas e microorganismos desenvolvidos”, afirma.

Além de sua função operacional, o sistema será utilizado como um laboratório vivo (living lab), integrando atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação no saneamento ambiental, com a participação de alunos de graduação e de pós-graduação, e contribuindo para o desenvolvimento de soluções replicáveis em outros contextos, especialmente em regiões com limitações de infraestrutura convencional de saneamento.

Conforme o professor Albornoz, já foi iniciado também o monitoramento analítico do efluente antes e após o tratamento para avaliar sua eficiência ao longo do tempo. Ele adianta que a iniciativa deve gerar diversos trabalhos científicos e contribuir na formação de recursos humanos qualificados. “Além do esgoto, busca-se monitorar também o desempenho das plantas aquáticas empregadas no tratamento”, acrescenta o professor.

Albornoz salienta ainda que “o projeto avança na direção de uma gestão mais sustentável dos efluentes gerados na Universidade, reforçando o compromisso da UFRGS com a inovação, a responsabilidade ambiental e a integração entre conhecimento científico e aplicação prática”.

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UFRGS realiza edição do ‘Gestão Aberta’ sobre combate ao assédio

23 de Abril de 2026, 03:06

Em continuidade às ações de transparência e diálogo com a comunidade universitária, a UFRGS promove, no dia 5 de maio, terça-feira, nova edição do ciclo Gestão Aberta, desta vez com foco no enfrentamento ao assédio e à discriminação no ambiente universitário. O encontro, que será realizado das 10h às 12h, na Sala II do Salão de Atos, no Campus Centro (Av. Paulo Gama, 110), é aberto à comunidade universitária, não requer inscrição prévia, mas possui vagas limitadas à capacidade do espaço. Haverá interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Servidores interessados em obter certificação de horas de capacitação podem se inscrever por meio do site da Edufrgs.

Com o tema “Combate ao Assédio na UFRGS: lançamento do Protocolo de Acolhimento em Situações de Assédio, Discriminação e Outras Violências”, a atividade marca a apresentação institucional de um novo instrumento voltado à prevenção, ao acolhimento e ao encaminhamento de denúncias na Universidade. O evento contará com a participação da reitora Marcia Barbosa, da coordenadora do Fórum SEAPaz, Carolina Marques, e da coordenadora da Unidade de Integridade, Transparência e Acesso à Informação, Elisiane Szubert.

O Gestão Aberta é um espaço de diálogo entre a administração central e a comunidade acadêmica, voltado à transparência e à construção coletiva de políticas institucionais. A iniciativa se insere em um conjunto de ações da UFRGS que buscam qualificar a gestão e fortalecer ambientes seguros e inclusivos, alinhando diretrizes e práticas institucionais com base em processos estruturados e participativos.

A atividade, que terá um espaço para perguntas do público, é aberta a qualquer pessoa interessada e integra os esforços institucionais de enfrentamento às diversas formas de violência, reforçando o compromisso da Universidade com a promoção de um ambiente acadêmico pautado pelo respeito, pela equidade e pelos direitos humanos.

Dados sobre assédio na UFRGS

Um primeiro levantamento sobre a percepção de assédio moral e sexual relativo a gênero na UFRGS foi realizado por meio de uma parceria com o projeto de extensão Meninas na Ciência e o He for She. Os dados foram coletados entre maio e julho de 2019, por meio de questionário virtual no sistema da Universidade, disponível para docentes, técnicos administrativos e discentes. “Na época, os resultados foram amplamente divulgados nos canais da instituição e deram subsídios para a construção da política de prevenção e combate ao assédio na UFRGS”, reforça.

Também no 1º Censo da Saúde dos Servidores da UFRGS, havia uma questão que avaliava os tipos de violências sofridas pelos respondentes nos últimos 12 meses dentro ou fora da Universidade. Entre as opções, havia assédio moral. Os dados foram coletados em setembro de 2021, quando a Universidade estava em trabalho remoto compulsório devido à pandemia.

Além disso, a 1ª Pesquisa de Clima Organizacional da UFRGS, realizada entre 16 de novembro e 22 de dezembro de 2023, apresentou três itens sobre a temática do assédio a serem avaliados pelos respondentes: “Minha chefia imediata age de forma a prevenir e enfrentar situações de assédio e violência no ambiente de trabalho”, “Os canais institucionais disponíveis para relatar e abordar situações de assédio, preconceito ou discriminação no ambiente de trabalho são de fácil acesso” e “Discriminações, assédios e outras violências contra a mulher não são tolerados no meu setor/departamento”. Os resultados dessa pesquisa serão apresentados no início do próximo ano.

Sobre o SEAPaz

Criado em 2023, o Fórum SEAPaz tem o propósito de integração e aperfeiçoamento contínuo dos serviços, com ênfase no trabalho em rede no âmbito do atendimento e do acolhimento para atuar no combate ao assédio e a outras violências na UFRGS.

Atualmente, o Fórum é composto por: Comissão de Ética; Corregedoria; Ouvidoria; Divisão de Promoção da Saúde (DPS) e Divisão de Segurança e Medicina do Trabalho (DSMT), ambas do Departamento de Atenção à Saúde do Servidor; Divisão de Ingresso, Mobilidade e Acompanhamento (Dima); Escola de Desenvolvimento dos Servidores (Edufrgs); Departamento de Gestão de Serviços Terceirizados (DPGerte); e Núcleo de Extensão Ampare – Assédio Moral: Projeto de Acompanhamento e Reparação.

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UFRGS inicia construção do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2027-2036

22 de Abril de 2026, 13:48

Nesta quarta-feira, dia 22 de abril, começou oficialmente o processo de construção do Plano de Desenvolvimento Institucional da UFRGS para os anos de 2027 a 2036. Como forma de compartilhar o processo com a comunidade acadêmica e com a sociedade, a abertura dos trabalhos aconteceu por meio de uma live de lançamento com a participação da reitora Marcia Barbosa, do pró-reitor de Planejamento e Administração, Diogo Joel Demarco, e da diretora do Departamento de Gestão Integrada (DGI/Proplan), Gabriela Musse Branco. O vídeo segue disponível para consulta no Youtube, com acessibilidade na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A reitora Marcia Barbosa se disse empolgada com o processo: “Vamos identificar onde a UFRGS está, para onde quer ir e como fará para chegar lá”, resumiu, apontando que o instrumento deve contemplar os grandes temas da instituição e também os desafios do mundo atual para “construirmos a Universidade do amanhã”. A reitora também destacou importância de escutar as pessoas no processo de elaboração, indicando que haverá momentos de consulta interna, mas também outros momentos em que qualquer cidadão poderá participar com indicações e propostas, por meio de um canal aberto para “a construção coletiva com base em evidências”, apontou.

Para Diogo Demarco, o plano será o orientador das tomadas de decisão da Universidade: “relacionamos cada uma das ações da instituição com as definições do PDI. Será um instrumento para construir a visão de futuro”, ressaltou. Para ele, será preciso identificar quais são os desafios acadêmicos, administrativos e de gestão, tendo em vista a elaboração de diretrizes para o enfrentamento das questões: “O desafio é pensar a Universidade para os próximos 10 anos. Pensar o ‘amanhã’ não como data, mas como um futuro próximo em que a UFRGS vai construir seus caminhos”.

Gabriela Branco enfatizou que o Plano é uma elaboração tendo como perspectiva a UFRGS que se espera em 10 anos: “Não é planejamento de uma Unidade, da reitoria ou de grupos, mas são grandes direcionamentos e decisões que vão impactar no futuro”. Sobre o trabalho prático, a diretora do DGI indicou que estão previstas consultas presenciais e virtuais, conforme calendário que já está disponível no site do PDI . Segundo ela, a previsão de conclusão é 30 de dezembro deste ano, quando o plano elaborado será encaminhado para aprovação no Conselho Universitário.

Durante a apresentação, os participantes responderam a dúvidas encaminhadas. A reitora respondeu a uma das perguntas que a indagava sobre o que enxerga, desde já, como temas que merecem direcionar os debates do PDI. Segundo Marcia Barbosa, merecem destaque: combater a disseminada queda de interesse pelo Ensino Superior e priorizar medidas de permanência de estudantes, temas do mundo acadêmico. Mas também ressaltou que a Universidade deve se preocupar com a ampliação da participação nos grandes temas, como sustentabilidade e desenvolvimento e na luta contra os ataques ao conhecimento.

Futuro da Universidade

O processo de construção do PDI conta um comitê técnico e uma comissão de elaboração, com a adesão de estudantes, docentes e técnicos. Informações complementares podem ser consultadas no site do PDI; eventuais dúvidas devem ser encaminhadas para o e-mail pdi@ufrgs.br.

Principal instrumento de planejamento institucional das universidades federais, o PDI está previsto no Decreto nº 9.235/2017. Com horizonte de dez anos, o documento estabelece diretrizes, objetivos estratégicos e prioridades que orientam a gestão acadêmica e administrativa. A construção do futuro exige planejamento, diálogo e participação. Nessa perspectiva, mais do que um documento técnico, o PDI impacta diretamente a vida da comunidade universitária, influenciando decisões relacionadas ao ensino, à pesquisa, à extensão, à infraestrutura e às políticas institucionais.

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Faculdade de Odontologia realiza seminário sobre equidade, diversidade e saúde bucal  

6 de Abril de 2026, 15:01

A Faculdade de Odontologia da UFRGS recebeu, recentemente, o Seminário Programa de Pesquisa CORE – Diálogos Inclusivos, que contou com a participação do Coordenador-Geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Edson Lucena. A iniciativa integra o Programa CORE (Community Focused Oral Health Research for Equity), ao qual pertence o projeto Diálogos Inclusivos, voltado a cartografar, acolher e dialogar com pessoas LGBTQIAPN+ sobre saúde de forma geral e, de maneira específica, sobre saúde bucal.

A professora do Departamento de Odontologia e uma das coordenadoras do projeto, Cristine Warmling, explica que ele integra uma pesquisa em desenvolvimento: “O objetivo principal é analisar o acolhimento e os itinerários de cuidado, de saúde e de saúde bucal da população LGBTQIAPN+ e suas relações com as questões das desigualdades sociais”.

O evento, realizado em 27 de março, representa um marco para o desenvolvimento de pesquisas e debates capazes de ampliar e qualificar o acesso à saúde, especialmente à bucal, para populações em situação de vulnerabilidade, como a comunidade LGBTQIAPN+ e pessoas em situação de rua. Além da conferência do professor Edson Lucena, o evento teve uma mesa temática com o professor do Departamento de Clínica e Odontologia Preventiva da Universidade Federal de Pernambuco, Paulo Goes, coordenador nacional do CORE, e a pesquisadora e membro da ONG Somos, Karla Freitas.

Professora Fabiana Schneider dá as boas-vindas aos membros da mesa e demais participantes –
Foto: Rayane Lacerda

Fabiana Schneider, também coordenadora e professora do Departamento de Odontologia da UFRGS, complementa: “Temos visto o quanto tem sido importante revisitar as práticas de pesquisa e o quanto o estudo pode também aproximar o cuidado e articular institucionalmente”.

De acordo com a professora Cristine Warmling, o próximo passo é finalizar e publicizar os dados principais produzidos. “Na perspectiva de uma pesquisa-intervenção, seria continuar fortalecendo a rede de cuidados das pessoas LGBTQAPN+ ampliando parcerias, especialmente com o Ministério da Saúde, o Estado e municípios, mas também com o terceiro setor nossas ONGs parceiras.”

A programação deu continuidade ao Seminário de lançamento realizado também em março, em Recife/PE. Na ocasião, que marcou o início das atividades do Programa CORE no Brasil, foi debatido o tema da justiça social e da saúde bucal.

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Egressa da UFRGS traduz obra do antropólogo Darcy Ribeiro para o mandarim

6 de Abril de 2026, 11:45

Um dos mais importantes livros sobre a formação do Brasil ganhará novos leitores do outro lado do mundo pelas mãos de uma egressa da UFRGS. Formada pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e hoje docente da Universidade de Comunicação da China, Yan Qiaorong é a tradutora da edição em mandarim de “O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil,” obra clássica do antropólogo Darcy Ribeiro.

Ao longo da carreira, Yan, ou Silva, como era chamada no Brasil, tem se dedicado ao ensino de língua portuguesa, à tradução sino-portuguesa e aos estudos de comunicação voltados ao Brasil. Ela conta que a tradução de O Povo Brasileiro oferece ao público chinês uma compreensão profunda e multidimensional do Brasil, indo muito além dos estereótipos do futebol e do samba. A obra, escrita por um dos mais importantes pensadores brasileiros do século XX, permite ao leitor chinês entender a formação social, os conflitos internos e o espírito da nação brasileira. “Do ponto de vista acadêmico, preenche uma lacuna nos estudos latino-americanos na China, com a oferta de um quadro teórico fundamental para a antropologia, a sociologia e a história. Para o diálogo entre civilizações, a análise de Darcy Ribeiro sobre a miscigenação e a inclusão cultural serve como um modelo valioso para a China refletir sobre sua própria diversidade étnica e caminhos de modernização”, argumenta.

Conforme a ex-aluna da UFRGS, a edição chinesa, com 472 páginas, preserva o vigor crítico do original, com notas explicativas e um estudo introdutório detalhado, permitindo ao leitor chinês compreender a lógica histórica e os desafios contemporâneos do Brasil. O lançamento do livro, neste mês de abril, é fruto, segundo ela, de mais de um ano de dedicação. “Num contexto de aprofundamento da parceria estratégica entre China e Brasil, a obra fortalece o entendimento mútuo, reduz mal-entendidos e enriquece a base humana e cultural da cooperação bilateral”, resume.

Silva (terceira da esquerda para a direita) na defesa do mestrado na UFRGS, em 2008. Foto: Divulgação

Recordações da UFRGS

Silva defendeu a dissertação “De práticas sociais a gêneros do discurso: uma proposta para o ensino de português para falantes de outras línguas” em 2008. “Na época, havia apenas três universidades na China que ensinavam português, e havia grande carência de professores e materiais didáticos”, relembra. Ela também confessa que sente saudades do período em que cursou o mestrado no Campus do Vale. “Lembro-me com carinho do Xerox, da Lanchonete Antônio, das salas de aula, da pequena sala de professora que tive na Faculdade, onde ensinava mandarim no curso de extensão, da cantina sempre com fila grande e dos cachorros que tomavam conta das sobras de comida”, recorda, ao exaltar a amizade com a orientadora Margarete Schlatter, o professor Pedro Garcez, bem como os colegas da época.

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Prioridade à assistência estudantil

24 de Março de 2026, 09:57

Em 2025, a UFRGS serviu 1,7 milhão de refeições nos seus restaurantes universitários. Do total de usuários dos RUs, 18 mil eram estudantes. O custo total desse benefício de amplo acesso somou R$ 27 milhões no ano passado. Em 2026, somente para a alimentação nos RUs, devem ser destinados R$ 32 milhões, prevendo o reajuste pela empresa fornecedora das refeições. Em transporte, foram gastos em 2025 cerca de R$ 4,7 milhões. Com o reajuste das tarifas de ônibus, a UFRGS deve destinar R$ 5 milhões para este benefício em 2026. Os números relacionados à Assistência Estudantil em uma universidade do tamanho da UFRGS não deixam dúvidas de que a demanda pelos benefícios é grande e que gerenciar um orçamento limitado frente às necessidades dos estudantes tem sido um desafio. O orçamento da assistência estudantil na UFRGS para este ano é estimado em R$ 42 milhões, sendo que o valor que vem da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) é de R$ 29,8 milhões, o que exige da UFRGS fazer uma complementação de mais de R$ 12 milhões com recursos próprios da Universidade.

A situação, relata a pró-reitora de Assuntos Estudantis Natália Pietra, não é confortável, mas ela ressalta que na UFRGS a totalidade dos estudantes em vulnerabilidade social está atendida. “É importante ressaltar que a UFRGS não tem fila de espera, por conta, inclusive, da escolha institucional de aportar e complementar recursos”, afirma. Segundo ela, há universidades que têm estudantes elegíveis à assistência, mas não conseguem incluí-los.

A UFRGS também manteve atendidos os alunos que após a mudança na legislação já não se enquadravam mais no público da PNAES (Lei nº 14.914/2024), que contempla prioritariamente estudantes com renda familiar per capita de até um salário mínimo, e não mais 1,5 salário mínimo, como era anteriormente. “Cerca de 30% ou 40% dos beneficiários ingressaram na UFRGS antes dessa mudança, e retirá-los poderia inviabilizar a permanência deles na Universidade”, afirma Natália.

Conforme a pró-reitora, há um compromisso da gestão da Universidade de dar prioridade à assistência estudantil e isso envolve fazer escolhas, como deixar de executar obras importantes de infraestrutura que acabam afetando a própria assistência estudantil, como, por exemplo, melhorias e reformas nas casas de estudantes ou investimento em acessibilidade.

Natalia acrescenta que, mesmo diante das dificuldades, a Prae conseguiu retomar o Auxílio Evento em 2025 e mantê-lo em 2026. Para isso, houve um remanejo do valor destinado à inclusão digital, que foi reduzido em prol da volta do Auxílio Evento. A decisão contou com a participação do Conselho Consultivo de Assistência Estudantil da Prae, instituído no ano passado pela Portaria 2843/2025. O Conselho reúne representantes dos servidores e dos estudantes da UFRGS e tem por finalidade analisar programas relacionados à assistência estudantil e sugerir diretrizes para a gestão orçamentária da Pnaes.

Perspectivas para 2026

A recomposição do orçamento das universidades federais em janeiro deste ano deu um alívio aos gestores, mas não tornou o cenário mais fácil. Como explica o vice-pró-reitor de Assuntos Estudantis Igor Correa Pereira, foi uma recomposição modesta totalizando valores que já não eram suficientes e que permite apenas que não sejam cortados benefícios vigentes. Natália e Igor esperam que algumas definições que devem acontecer ao longo deste ano possam impactar positivamente esse cenário. Uma delas é a regulamentação da Lei nº 14.914/2024, que instituiu a Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES).

Também há a expectativa do aporte de recursos do Fundo Social (formado pelos valores dos royalties do petróleo e do gás natural) para a PNAES, conforme previsto pela Lei nº 15.169/2025, sancionada pelo presidentre Lula em julho do ano passado, durante o 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Goiânia.

No âmbito do Fórum de Pró-reitores de Assistência Estudantil (Fonaprace/ Andifes), discute-se também a destinação de recursos de outros ministérios, além do MEC, para cobrir os custos dos restaurantes universitários. Conforme Igor, a proposta que o Fonaprace tem construído é de um programa de alimentação universitária em que os recursos estejam fora da matriz do PNAES e que seja financiado por recursos federais diversos. A ideia é de um programa de alimentação universitária com o caráter de garantia da segurança alimentar, envolvendo as áreas da saúde e da agricultura familiar.

A pró-reitora Natália afirma que o grande desafio para a assistência estudantil em todo o Brasil é como equilibrar seu alto custo, principalmente no que se refere à alimentação, e manter os demais auxílios. “Não é um problema só da UFRGS, é um problema geral de todas as universidades. Então a gente espera ansiosamente também por essa regulamentação para que ela traga novidades positivas, tanto na questão do royalties do petróleo do pré-sal, quanto na questão das linhas de financiamento de alguns desses programas. Quem sabe com isso a gente possa evoluir para um cenário um pouco mais positivo no futuro?”, questiona Natália.

Na página da Prae, é possível acompanhar as destinações de recursos nos últimos anos para cada um dos benefícios da assistência estudantil. Veja neste link.

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UFRGS promove debate sobre Jornalismo e violência contra a mulher

18 de Março de 2026, 13:21

A UFRGS abriu espaço, nesta quarta-feira, 18, para um debate necessário e urgente: o papel do jornalismo diante da violência contra as mulheres. Na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), mais de cem estudantes participaram do primeiro encontro do ciclo Comunicação + Diversa, que ao longo do ano propõe ampliar vozes e perspectivas. Com o tema “Jornalismo e Violência Contra Mulheres”, a atividade reuniu diferentes olhares sobre como a mídia pode – e deve – atuar no enfrentamento às violências de gênero. O encontro foi realizado em parceria com a Secretaria de Comunicação da UFRGS e o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS).

O evento teve início com uma fala da coordenadora substituta do curso de Jornalismo Gisele Dotto Reginato, ressaltando a relevância no Jornalismo pensar e discutir o tema. “É muito importante entender que essa pauta atravessa todas as disciplinas“. Ainda durante a abertura, a representante da Secretaria de Comunicação Social (Secom) , diretora do Centro de Teledifusão Educativa (CTE), Liz de Bortoli, comentou que entende como a cobertura jornalística é essencial, mas almeja pelo momento utópico em que não seja mais necessário relatar casos de violência contra a mulher.

Foto: Ana Volkman, acadêmica de Jornalismo

Com mediação da professora do Departamento de Comunicação Débora Gadret, estavam presentes para discussão Márcia Veiga, docente no Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM/PUCRS) e na Escola de Comunicação, Artes e Design (Fameco/PUCRS), e Marcela Donini, jornalista e coordenadora de conteúdo.

As falas das convidadas foram concentradas em debater a responsabilidade do Jornalismo ao comunicar casos de feminicídio, e apresentaram aos estudantes um manual de condutas que devem e não devem ser praticadas por jornalistas enquanto decidem a forma de relatar o acontecimento. Ainda assim, Marcela Donini destaca: “Quando falamos da violência contra mulher, estamos falando muito além do feminicídio“ e lembra, o feminicídio é a última etapa da agressão.

Em sua fala, a presidenta do SindJoRS Laura Lagranha destacou que o Sindicato de Jornalista está, atualmente, promovendo uma iniciativa para alterar a linguagem utilizada em reportagens sobre o feminicídio. O objetivo é conscientizar que a vítima não deve ser colocada como manchete ou como culpada, mas sim o agressor. No evento,  ocorreu também o lançamento da edição especial Universo das Mulheres do Versão de Jornalistas. O conteúdo pode ser conferido neste link

Comunicação+Diversa

O ciclo de encontros faz parte do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, um compromisso conjunto dos três poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo) para integrar ações de prevenção, proteção e responsabilização no combate à violência letal contra mulheres e meninas.

Além de promover o debate público sobre um tema urgente, o encontrobuscou refletir sobre o papel do Jornalismo na construção de narrativas responsáveis e comprometidas com os direitos das mulheres. Ao reunir pesquisadoras e profissionais da área, a iniciativa contribuiu para fortalecer o diálogo entre universidade, profissionais da comunicação e sociedade, estimulando práticas jornalísticas mais éticas, críticas e sensíveis às desigualdades de gênero.

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Magnífica emérita

12 de Março de 2026, 15:01

A Sala dos Conselhos ficou lotada na manhã desta quinta-feira, 12 de março, para a sessão solene do Conselho Universitário (Consun) de outorga do título de professora emérita a Wrana Panizzi. No espaço em que por dois mandatos como reitora da UFRGS (1996-2004) presidiu as sessões do Consun, Wrana foi muito aplaudida por colegas, amigos, familiares e comunidade acadêmica, que a reconhecem como pesquisadora, professora, articuladora de lutas importantes e gestora que deixou grande legado para a UFRGS, para a pesquisa e o ensino superior brasileiros, para o debate de políticas públicas e para a construção de cidades mais justas.

A diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Eliane Constantinou conduziu a homenageada à Sala, e a secretária do Consun, Rosemeri Antunes, fez a leitura da Resolução 286 do Consun, de 26 de setembro de 2025, que aprovou o Parecer nº 185/2025, recomendando a outorga do título. O parecer enumera as realizações e constribuições de Wrana ao longo de uma trajetória de mais de cinco décadas marcada pela excelência acadêmica, pelo compromisso social e pela liderança institucional. O longo documento resgata o início dessa caminhada, na Universidade de Passo Fundo, onde Wrana graduou-se em Filosofia (1970) e em Direito (1972). Em 1977 obteve o título de mestre em Planejamento Urbano e Regional na UFRGS, e, em 1979, concluiu uma pós-graduação na França obtendo a Especialização em Urbanisme et Aménagement. Também na França, em 1984, obteve o título de Docteur de III Cycle en Urbanisme et Aménagement pela Universidade de Paris XII. Posteriormente, obteve um segundo doutorado, em Science Sociale, pela Universidade de Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), em 1988. O parecer destaca ainda as muitas homenagens e premiações que Wrana recebeu no Brasil e no exterior em reconhecimento a sua atuação no meio acadêmico e na sociedade. Suas relexões críticas e sua produção intelectual socialmente engajada estão documentadas em diversos livros e em artigos em periódicos nacionais e internacionais. As obras escritas por Wrana Panizzi e lançadas pela Editora da UFRGS estão disponíveis em acesso aberto. A iniciativa da Editora, em parceria com a autora, reafirma o compromisso institucional da Universidade com a circulação pública do conhecimento e amplia o acesso à reflexão intelectual de uma das figuras mais relevantes da história recente da UFRGS. (Link para acesso às obras)

Eterna e magnífica professora Wrana

O discurso da oradora da cerimônia, a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Lívia Teresinha Piccinini, exalta não só a excelência da vida acadêmica de Wrana Panizzi, mas também seu engajamento desde muito jovem em lutas e debates relevantes do campo das políticas públicas e dos direitos humanos. Lívia Piccini lembrou importantes realizações de Wrana à frente da Reitoria, como a campanha pela recuperação dos prédios históricos da Universidade, que permenece ativa captando recursos que viabilizam a manutenção do patrimônio histórico da UFRGS. Sua fala destaca também a marca de um compromisso pessoal de Wrana com os estudantes e suas famílias: nas suas duas gestões como reitora compareceu em 522 formaturas de graduação. Por fim, Lívia parabenizou Wrana e disse que o reconhecimento à “eterna e magnífica professora Wrana” é justo e merecido por sua “carreira integralmente dedicada à educação, à pesquisa e ao serviço público, sempre em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade”.

Wrana Panizzi abriu sua fala saudando nominalmente muitos parceiros e parceiras dessa longa caminhada na UFRGS, agradecendo e dividindo com toda a comunidade acadêmica a homenagem. Em seu discurso usou referências literárias e imensa sensibilidade para fazer um percurso afetivo da trajetória de uma professora: “quem aqui está é uma professora. Professora que fui e professora que sou”, afirmou. Ao refletir sobre o passado lembrou o quanto foi feliz na UFRGS, “casa que a acolheu por mais de 50 anos” e que agora lhe presta “a “maior homenagem que pode ser dada a um professor em sua instituição”. Falou sobre como nasceu a convicção pedagógica que a acompanha pela vida, que é da educação libertadora, “expressão maior da cidadania”. Mas Wrana fez questão de ir além das recordações do seu percurso profissional e acadêmico e manifestou-se com veemência contra as pressões neoliberais que atingem “nossas vidas no particular e nossas instituições no coletivo social”. A universidade, destacou, é brutalmente atingida: “A vida universitária sofre com as agruras do corte de recursos… e o seu orçamento se apequena no contexto em que prolifera o uso de emendas parlamentares.” Mas a universidade não se cala, disse ela, e “continua o seu fazer cotidiano de origem, produzindo conhecimento, formando profissionais qualificados, pesquisando e mantendo a sua relação extensiva ao território em que está inserida”. Wrana lembrou fatos recentes que mostram a dimensão da universidade como bem público, quando esteve mobilizada enfrentando a pandemia de covid-19, a enchente no Rio Grande do Sul em 2024 e agora em Minas Gerais, ou quando sinaliza a possível reversão de lesões de medula a partir das pesquisas da brasileira Tatiana Coelho de Sampaio na UFRJ com a polilaminina. No encerramento do discurso Wrana repetiu a mensagem que marcou sua gestão como reitora e que ainda ecoa por toda a UFRGS: “Viva a Universidade pública, gratuita e de qualidade!” (Link para o discurso de Wrana Panizzi)

“Magnífica emérita” – foi dessa forma a reitora Marcia Barbosa saudou a professora Wrana e disse compartilhar com a homenageada a visão sobre o problema das emendas parlamentares no orçamento público. Marcia convidou Wrana para seguirem juntas na luta por um sonho, que é o de “constituir um novo orçamento digno para as nossas universidades federais”.

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