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SP repassa mais de R$ 585 milhões em ICMS aos municípios paulistas

23 de Junho de 2026, 10:24

SP repassa mais de R$ 585 milhões em ICMS aos municípios paulistas

A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) depositou nesta terça-feira (23) R$ 585,92 milhões na conta dos 645 municípios paulistas. Esse é o terceiro repasse referente ao mês de junho, do ICMS arrecadado no período de 15 a 19 de junho, já com o desconto do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

A Sefaz-SP já havia repassado R$ 1,49 bilhão aos municípios em 9/6 e 16/6, relativos ao ICMS apurado de 1° a 5/6 e de 8 a 12/6, respectivamente. Com o depósito desta terça-feira (23), o valor acumulado em junho sobe para R$ 2,08 bilhões. 

Os valores correspondem a 25% da arrecadação do imposto, que são distribuídos às administrações municipais com base na aplicação do Índice de Participação dos Municípios (IPM) definido para cada cidade.

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Nos primeiros cinco meses de 2026, o Governo Estadual realizou 22 repasses às cidades paulistas totalizando R$ 19,7 bilhões do ICMS.

Mês referênciaNº de RepassesValor Depositado
Janeiro5R$ 3,90 bilhões
Fevereiro4R$ 3,83 bilhões
Março4R$ 3,82 bilhões
Abril5R$ 4,20 bilhões
Maio4R$ 4,01 bilhões

Repasses de ICMS

Os repasses semanais são feitos sempre até o segundo dia útil de cada semana, conforme prevê a Lei Complementar nº 63, de 11/01/1990. As consultas dos valores podem ser feitas no site da Fazenda, no link Acesso à Informação > Transferências de Recursos > Transferências Constitucionais a Municípios

Agenda Tributária

Os valores semanais transferidos aos municípios paulistas variam em função dos prazos de pagamento do imposto fixados no regulamento do ICMS. Dependendo do mês, pode haver até cinco datas de repasses. As variações destes depósitos oscilam conforme o calendário mensal, os prazos de recolhimento e o volume dos recursos arrecadados.

A agenda de pagamentos está concentrada em até cinco períodos diferentes no mês, além de outros recolhimentos diários, como por exemplo, os relativos à liberação das operações com importações.

Índice de Participação dos Municípios

Os repasses aos municípios são liberados de acordo com os respectivos Índices de Participação dos Municípios, conforme determina a Constituição Federal, de 5 de outubro de 1988. Em seu artigo 158, inciso IV está estabelecido que 25% do produto da arrecadação de ICMS pertence aos municípios, e 25% do montante transferido pela União ao Estado, referente ao Fundo de Exportação (artigo 159, inciso II e § 3º).

Os índices de participação dos municípios são apurados anualmente (artigo 3°, da LC 63/1990), para aplicação no exercício seguinte, observando os critérios estabelecidos pela Lei Estadual nº 3.201, de 23/12/81, com alterações introduzidas pela Lei Estadual nº 8.510, de 29/12/93. 

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Festival de Inverno de Campos do Jordão chega à 56ª edição com mais de 80 concertos gratuitos

23 de Junho de 2026, 08:39

Festival de Inverno de Campos do Jordão chega à 56ª edição com mais de 80 concertos gratuitos

Criado em 1970 e reconhecido como o mais tradicional evento de música clássica da América Latina, o Festival de Inverno de Campos do Jordão chega à sua 56ª edição em 2026. A programação artística acontece de 4 de julho a 2 de agosto, em seis palcos em Campos do Jordão e em três na capital paulista. O Festival de Inverno Campos do Jordão é uma realização do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, da Fundação Osesp, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, via Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet.

Serão mais de 80 apresentações, todas elas com entrada gratuita. Na cidade da Serra da Mantiqueira, o Festival acontece no Auditório Claudio Santoro, no Parque Capivari, na Capela São Pedro Apóstolo — localizada no Palácio Boa Vista —, no Espaço Cultural Dr. Além, e em dois novos palcos, a Concha Acústica do Museu Felícia Leirner — vizinha do Auditório —, e o CARDE Museu, aberto ao público em 2024. Esse acréscimo amplia o acesso dos eventos à população local e também aos milhares de turistas que visitam a cidade durante o inverno.

A capital paulista também terá um calendário de performances diverso na Sala São Paulo. Elas acontecem na Sala de Concertos, na Estação Motiva Cultural — espaço inaugurado em 2025 — e na Sala Eleazar de Carvalho, situada no primeiro andar da Sala São Paulo e aberta ao público a partir desta edição do Festival.

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“O Festival de Inverno de Campos do Jordão é um símbolo da vitalidade cultural do nosso Estado. Ao reunir grandes artistas, promover novas gerações por meio de bolsas de estudo e formar plateias com acesso gratuito, o evento reafirma nosso compromisso com uma cultura viva, plural e acessível. É uma celebração da excelência artística aliada à política pública que transforma”, destaca Marilia Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

“Quando assumi a direção artística, a pergunta era: o que poderia trazer mais conteúdo e mais brilho a um festival que já é o maior da América Latina? A resposta foi trabalhar com profundidade. Nesta edição, o público poderá mergulhar no universo de Brahms, com as quatro sinfonias, obras orquestrais e mais de 30 peças de música de câmara, além de acompanhar uma produção completa de A Flauta Mágica, de Mozart, no Auditório Claudio Santoro”, afirma Roberto Minczuk, diretor artístico do Festival de Inverno de Campos do Jordão.

Enquanto a programação artística reúne alguns dos principais intérpretes e conjuntos do estado de São Paulo e do país, a formação de novos talentos continua sendo o coração do Festival. Considerado a espinha dorsal do evento, o Módulo Pedagógico oferece nesta edição 140 bolsas de estudo a jovens músicos brasileiros, especialmente, e estrangeiros.

Ao longo de todo o mês, os bolsistas participarão de uma intensa programação de aulas, ensaios, masterclasses e apresentações, em contato direto com professores convidados do Brasil e do exterior. Além da formação artística, o Festival proporciona uma experiência profissional completa, permitindo que os alunos integrem grupos artísticos e participem de concertos em Campos do Jordão e São Paulo.

Uma das novidades desta edição é a Academia de Ópera, iniciativa voltada à formação de cantores e instrumentistas em repertório lírico. A atividade dialoga diretamente com a montagem de A Flauta Mágica, de Mozart, apresentada pela Orquestra do Festival, o Coro Acadêmico da Osesp e solistas sob direção musical de Roberto Minczuk e direção cênica de Pablo Maritano. Ela acontecerá nos dias 4, 5, 8, 9, 11 e 12 de julho no Auditório Claudio Santoro, em Campos do Jordão.

“O Brasil possui muitos talentos no canto lírico, mas ainda oferece poucas oportunidades para que esses artistas desenvolvam plenamente seu potencial. A ópera exige experiência de palco, atuação, domínio musical e convivência com profissionais experientes. A criação da Academia de Ópera nasce justamente desse desejo de oferecer aos jovens cantores uma formação prática e intensiva dentro de um ambiente artístico de excelência”, comenta o diretor do Festival.

Destaques da programação

Entre os destaques da Programação Artística em Campos do Jordão está o concerto de abertura ao ar livre da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), sob regência de seu diretor musical e regente titular, Thierry Fischer, no Parque Capivari (04/jul). Ainda na noite de abertura, o Núcleo de Ópera do Festival apresenta A Flauta Mágica, de Mozart, com direção musical de Roberto Minczuk, no Auditório Claudio Santoro.

A agenda sinfônica reúne algumas das principais orquestras e corpos artísticos do país, entre elas a Sinfônica de Guarulhos, Orquestra Jovem do Estado de São Paulo (Ojesp); a Orquestra Experimental de Repertório (OER); a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas; a Orquestra Filarmônica Catarinense; a Orquestra do Theatro São Pedro; a Camerata Antiqua de Curitiba; e a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp). A Orquestra do Festival, formada pelos bolsistas selecionados desta edição, fará um ciclo completo das Sinfonias de Brahms, um dos mais amados compositores da música de concerto.

A programação também amplia o diálogo da música de concerto com outros gêneros musicais. No Parque Capivari, a Brasil Jazz Sinfônica, residente desta edição, se apresenta acompanhada de Fabiana Cozza, Mariana Aydar e Mônica Salmaso. O palco do Parque recebe também shows de Demônios da Garoa e do Roberta Sá Trio.

A agenda inclui, dentre outros, concertos do Coral Paulistano, da Orquestra Filarmônica de Violas, da Orquestra Municipal de Jundiaí, da Orquestra Joseense e da Orquestra da Fundação Lia Maria Aguiar, da Camerata de Cordas de Campos do Jordão e do Coro Jovem de Campos do Jordão – AME Campos, os três últimos formados por músicos da região.

Na música de câmara, o Festival recebe o Quarteto Camargo Guarnieri, o Heloísa Fernandes Quarteto, a soprano Camila Provenzale, os violinistas Rosnei Tuon e Cláudio Cruz, os violonistas Eduardo Isaac e Fabio Zanon, dentre muitos outros, com alguns deles integrando também o grupo de professores do Festival.

Uma das novidades desta edição são os concertos realizados à meia-noite no Espaço Cultural Dr. Além, em Abernéssia. A programação reúne o Hot Club Piracicaba Solistas e o violinista Ricardo Herz, ampliando o diálogo do Festival com o jazz, a música instrumental brasileira e outras sonoridades.

A agenda artística completa pode ser acessada no site oficial do Festival.

Módulo pedagógico

O Festival receberá, ao todo, 140 bolsistas e mais de 50 professores convidados. Ao longo de quatro semanas de atividades, os alunos participarão de uma intensa programação de aulas, ensaios, masterclasses e apresentações, totalizando aproximadamente 1.200 horas de formação artística.

As atividades estão organizadas em cinco frentes: Academia de Ópera, voltada a solistas vocais e instrumentistas; Música de Câmara; Regência; Violão; e Orquestra do Festival. Os bolsistas terão contato direto com músicos e professores brasileiros e estrangeiros, em uma proposta pedagógica que alia excelência artística, prática de palco e intercâmbio de experiências.

Uma das novidades desta edição é a Academia de Ópera, iniciativa dedicada à formação de cantores e instrumentistas em repertório lírico. A atividade dialoga diretamente com a montagem de A Flauta Mágica, de Mozart, apresentada pelo Núcleo de Ópera do Festival sob direção musical de Roberto Minczuk.

“O Festival proporciona uma verdadeira imersão musical. Durante um mês, os jovens músicos têm a oportunidade de estudar intensamente, tocar música de câmara, participar de ensaios e concertos e conviver diariamente com artistas e professores de excelência. Sou testemunha ocular e auditiva de várias gerações de músicos. Quando entrei no Festival como bolsista, em 1977, eu era o único aluno de oboé. Hoje, o nível da Orquestra do Festival é impressionante e mostra o quanto a formação musical evoluiu no Brasil. É muito encorajador ver jovens músicos preparados para integrar as principais orquestras do país e construir carreiras de destaque dentro e fora do Brasil”, afirma Arcadio Minczuk, coordenador pedagógico do Festival.

Os bolsistas participarão de apresentações em Campos do Jordão e São Paulo, integrando diferentes formações criadas especialmente para esta edição do Festival. A programação inclui concertos da Orquestra do Festival, além de apresentações ligadas às diversas frentes pedagógicas desenvolvidas ao longo do evento.

“Na música de câmara, todos são protagonistas. Você está exposto, sem um regente intermediário, e depende do gesto e da escuta do outro. Esse treino é fundamental: músicos que passam pela música de câmara se tornam melhores músicos de orquestra. Por isso dedicamos uma parte tão importante da programação a essa prática. Ela está no coração da formação que oferecemos no Festival”, completa Arcadio.

Os concertos da Orquestra do Festival na Sala São Paulo serão transmitidos ao vivo pelo canal oficial do Festival no YouTube (link), nos dias 24 de julho e 2 de agosto.

“A Fundação Osesp realiza este grande Festival desde 2012, mas a ligação da Osesp com Campos do Jordão é muito anterior. Ao longo de décadas, milhares de músicos passaram por esse programa de formação, que segue sendo uma das iniciativas mais importantes para o desenvolvimento da música de concerto no Brasil”, afirma Marcelo Lopes, presidente e CEO da Fundação Osesp.

“Além da excelência artística e pedagógica, o Festival também desempenha um papel importante na difusão cultural e na economia criativa, levando ao público uma programação gratuita e de alta qualidade em Campos do Jordão e São Paulo. Ao longo de mais de cinco décadas, o evento vem contribuindo para enriquecer o cenário musical brasileiro e promover oportunidades de intercâmbio entre alunos, professores e artistas convidados”, conclui.

Prêmios e bolsas 

O Prêmio Eleazar de Carvalho contemplará o/a bolsista que mais se destacar nessa edição, concedendo a ele/a uma bolsa de US$ 1.400 mil (um mil e quatrocentos dólares) mensais para estudar por um período de até nove meses em uma instituição estrangeira de sua escolha, além de ter cobertas as despesas de traslado entre o Brasil e o exterior. Mais bolsistas que se destacarem durante as atividades do Festival poderão ser contemplados com outros prêmios.

Acessibilidade

A programação do 56º Festival de Inverno de Campos do Jordão oferecerá 18 concertos em sua programação com recursos de acessibilidade: audiodescrição e interpretação em Libras. Nestas apresentações, é necessário confirmar presença até três dias antes do evento, pelo e-mail da Ver com Palavras: contato@vercompalavras.com.br. A programação com acessibilidade será divulgada em breve no site do Festival.

Sobre o festival

Criado em 1970 pelos maestros Eleazar de Carvalho, Camargo Guarnieri e Souza Lima, o Festival de Campos do Jordão combina, com excelência, uma programação de música de concerto a um trabalho pedagógico amplo e qualificado. Ao longo de suas 55 edições, o evento se consolidou como o maior e mais importante festival de música clássica da América Latina, oferecendo aos bolsistas a vivência com importantes nomes da música nacional e internacional e, paralelamente, uma programação cultural de qualidade, que beneficia não somente a cidade de Campos do Jordão (SP) como todo o seu entorno, ampliando as oportunidades de acesso à música erudita.

Realização

A 56ª edição do Festival de Inverno de Campos do Jordão conta com o patrocínio da Desenvolve SP e Yelum Seguradora e apoio de Minalba, Nacional Gás e AlmavivA, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Parceiro de Mídia: Folha de São Paulo. Apoio Institucional: Parque Capivari, CARDE Museu, Auditório Claudio Santoro, Museu Felícia Leirner, EMESP Tom Jobim e Prefeitura de Campos do Jordão. Realização: Fundação Osesp, Estado de São Paulo, Ministério da Cultura e Governo do Brasil.

Serviço

56º Festival de Inverno de Campos do Jordão

DATA: 04 de julho a 02 de agosto de 2026

Ingressos: Entrada gratuita

Auditório Claudio Santoro, CARDE Museu, Sala São Paulo, Sala do Coro e Estação Motiva Cultural: ingressos neste link três dias antes de cada apresentação, ao meio-dia (limitado a quatro por pessoa). Observação: há uma cota de 100 ingressos para serem retirados no dia de cada apresentação na Sala São Paulo e no Auditório Claudio Santoro, e de 50 ingressos na Estação Motiva Cultural. Eles estarão disponíveis 1h antes dos concertos.

Capela São Pedro Apóstolo e Espaço Cultural Dr. Além: distribuição de ingressos presencial, 1h antes, na entrada dos locais (limitada a dois por pessoa).

Parque Capivari: entrada livre.

Locais (Campos do Jordão e São Paulo):

Auditório Claudio Santoro – Av. Dr. Luís Arrobas Martins, 1.880, Alto da Boa Vista, Campos do Jordão, SP. Tel. (12) 3662-2334. 820 lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: somente em dias de concerto, a partir de 2h30 antes do início das apresentações.

Parque Capivari – R. Eng. Diogo José de Carvalho, 1.291, Capivari, Campos do Jordão, SP. Gratuito (entrada livre, sem necessidade de retirada de ingressos). Horário de funcionamento: diariamente, das 9h às 20h.

Espaço Cultural Dr. Além – Avenida Dr. Januário Miraglia, 1.582, Abernéssia, Campos do Jordão, SP. Tel. (12) 3664-2300. 186 lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 8h às 17h30.

Palácio Boa Vista – Capela São Pedro Apóstolo – Av. Adhemar Pereira de Barros, 3.001, Jardim Dirce, Campos do Jordão, SP. 90 lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: de quarta a domingo, das 10h às 12h e das 14h às 17h.

CARDE Museu  – Rua Benedito Olímpio Miranda, Av. Alto da Boa Vista, 280, Campos do Jordão, SP.  XX lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: de quinta a segunda, das 10h às 18h.

Sala São Paulo – Sala de Concertos – Praça Júlio Prestes, 16, Térreo, Campos Elíseos, São Paulo, SP. Tel. (11) 3367-9500. 1.388 lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 18h.

Sala São Paulo – Sala Eleazar de Carvalho – Praça Júlio Prestes, 16, 1º andar, Campos Elíseos, São Paulo, SP. Tel. (11) 3367-9500. Gratuito. Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 18h.

Estação Motiva Cultural – Praça Júlio Prestes, 16, Térreo, Campos Elíseos, São Paulo, SP. Tel. (11) 3367-9500. 543 lugares. Gratuito. Horário de funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 18h.

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Criados pela USP, sensores biodegradáveis acoplados em plantas detectam pesticidas em três minutos

13 de Junho de 2026, 16:11

Criados pela USP, sensores biodegradáveis acoplados em plantas detectam pesticidas em três minutos

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) criaram sensores biodegradáveis para monitorar a saúde de plantas em tempo real. Feitos de uma tinta de carbono, os dispositivos miniaturizados são impressos por meio de serigrafia em bioplásticos transparentes e flexíveis. Dessa forma, podem ser fixados diretamente em diversos órgãos vegetais – incluindo caules, cascas e folhas –, possibilitando medir temperatura, umidade, desidratação, biomarcadores, doenças, níveis de nutrientes e até a presença de pesticidas nas plantas.

“Eles permitem detecção não destrutiva, rápida, in loco e descentralizada, fornecendo bioinformação em tempo real sobre o estado de saúde da planta e fatores ambientais”, conta à Agência FAPESP Paulo Augusto Raymundo-Pereira, professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP).

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O trabalho foi publicado em fevereiro na revista Biosensors and Bioelectronics: X. Como destacam os autores no artigo, a engenharia de sensores vestíveis foi eleita pelo Fórum Econômico Mundial entre as dez principais tecnologias emergentes de 2023, em função do seu potencial para melhorar a saúde das plantas e aumentar a produtividade agrícola. Entretanto, a maioria dos dispositivos hoje é fabricada com polímeros plásticos de origem não renovável (derivados do petróleo) e apresenta baixa aderência em superfícies irregulares, onduladas e curvas.

O sensor “vestível” tem a vantagem de ser aplicado diretamente na amostra, pois o acetato consegue adquirir o formato da superfície em que é posicionado (imagem: Nathalia Oeazu Gomes)

“Já o nosso sensor é feito de acetato de celulose, material flexível de origem vegetal que pode ser produzido a partir de diversos resíduos agrícolas. A celulose é o polissacarídeo natural mais abundante na Terra. Apresenta biocompatibilidade excepcional, alta estabilidade térmica e flexibilidade. É atóxico, econômico, acessível, biodegradável, leve e fácil de manusear”, resume Raymundo-Pereira.

Cada dispositivo de acetato de celulose tem duas unidades sensoriais que empregam técnicas de análise diferentes para detectar três classes de pesticidas numa mesma análise (diquat, carbendazim e difenilamina).

Segundo Raymundo-Pereira, cada dispositivo custa US$ 0,077. “Os sensores são de uso único. Por isso, têm de ser baratos e biodegradáveis. Considerando o funcionamento dos dois sensores em sequência, na mesma amostra, o dispositivo leva três minutos e vinte e oito segundos para fazer todas as aferições.”

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A identificação é feita na superfície da planta, mas em meio aquoso (uma gota d’água), pois as medidas são realizadas na interface do eletrodo com esse meio. “Precisamos dessa solução aquosa para haver condutividade. No caso dos sensores vestíveis, a gotinha de água é colocada nos lugares mais fáceis de realizar a medida. No meio das folhas, no pocinho que se forma no pedúnculo do tomate ou da maçã, nos sulcos laterais do pimentão, onde também se consegue acumular água. Depois, é só colocar os sensores, posicionar em cima da gota e medir.”

A plataforma que contém o sensor duplo vestível é integrada a um potenciostato portátil sem fio (aparelho que controla a voltagem e mede a corrente elétrica para detectar e quantificar as substâncias químicas), possibilitando uma avaliação rápida dos pesticidas e exibindo a análise em tempo real em um celular por meio de comunicação sem fio (bluetooth). A equipe já havia criado, em 2022, uma luva com sensores nas pontas dos dedos, para os mesmos fins.

“O sensor vestível tem a vantagem de ser aplicado diretamente na amostra, pois o acetato consegue adquirir o formato da superfície em que é posicionado, ao passo que a luva tem de ser manipulada. Além do mais, a luva é feita de um material que não é biodegradável, enquanto o sensor vestível é totalmente biodegradável e reaproveitável para a confecção de novos sensores”, compara o cientista. Segundo ele, é possível queimar em condições específicas os sensores já utilizados e, assim, obter a tinta de carbono para produzir novos dispositivos.

A Fapesp apoiou o trabalho por meio de Bolsa de Pós-Doutorado concedida a Nathalia Oeazu Gomes, Auxílio à Pesquisa Regular concedido a Sergio Antônio Spínola Machado e Fixação de Novos Doutores a Raymundo-Pereira.

A plataforma é integrada a um potenciostato portátil sem fio (comercial), possibilitando uma avaliação rápida dos pesticidas e exibindo a análise em tempo real em um celular por meio de bluetooth (gráfico: Nathalia Oeazu Gomes)

Outros usos

Nas plantas, o teste dos sensores vestíveis simulou uma situação real de uso. Primeiro, uma solução do pesticida foi borrifada na casca de maçãs e pimentões em uma concentração de 1.000 micrômetros, e os alimentos foram deixados para secar por cinco horas. Em seguida, as análises foram feitas diretamente na superfície dos produtos (in loco): o sensor foi fixado na casca e, para permitir a leitura elétrica e química, adicionou-se uma gota de 500 microlitros (a milionésima parte de um litro) de uma solução de tampão fosfato – um líquido que estabiliza o ambiente para o sensor funcionar.

A tecnologia dos sensores vestíveis se presta a uma infinidade de aplicações, como ressalta Raymundo-Pereira. “É possível detectar a presença de pesticidas na saliva das pessoas, ou mesmo na água da torneira. Fizemos os testes. Amostras de saliva humana e água da torneira foram adicionadas de pesticidas e analisadas com o sensor para prever os níveis de resíduos. Também é possível usar para mensurar componentes presentes na urina e no suor”, diz o pesquisador.

A adaptação da tecnologia para uso agrícola foi uma ideia de Raymundo-Pereira após um estágio no Centro de Sensores Vestíveis da Universidade da Califórnia, em San Diego (Estados Unidos), com o professor Joseph Wang. “Já que boa parte do PIB [Produto Interno Bruto] brasileiro se concentra no setor agrícola, eu pensei: por que não adaptar a tecnologia? Lá fora, o uso é direcionado para humanos. Aplica-se na pele para saber, por exemplo, o que há no suor das pessoas. É possível detectar ácido lático, ácido úrico, glicose, cortisol, íons sódio, íons potássio, íons cloreto, hormônios e medicamentos. Mas esses sensores usados em humanos são feitos de plástico de origem petroquímica. Os primeiros biodegradáveis, de origem natural, são os nossos, que também podem ser adaptados para uso em humanos.”

Os pedidos de patente, tanto da luva quanto do sensor vestível, já estão no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A equipe multidisciplinar que desenvolveu o dispositivo é composta também pelas pesquisadoras Samiris Teixeira, Nilda de F.F. Soares e Taíla de Oliveira, da Universidade Federal de Viçosa.

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USP oferece bolsas de residência profissional na área da saúde

13 de Junho de 2026, 14:54

USP oferece bolsas de residência profissional na área da saúde

A USP tem inscrições abertas para o Programa de Residência em Área Profissional da Saúde nas modalidades uniprofissional e multiprofissional, por meio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) e da Comissão de Residência Multiprofissional (Coremu). As inscrições, assim como a seleção, serão realizadas pela Fuvest e podem ser efetuadas a partir das 12h do dia 20 de julho até as 12h de 4 de setembro. Os candidatos podem solicitar até o dia 19 de junho o pedido de redução do valor para casos previstos na Lei Estadual 12.782/2007. A taxa de inscrição é de R$ 330.

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Poderão participar do programa aqueles que concluíram ou venham a concluir até 28 de fevereiro de 2027 o bacharelado nos seguintes cursos de graduação: Biomedicina, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Física/Física Médica, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Saúde Pública/Saúde Coletiva, Serviço Social e Terapia Ocupacional.

Os selecionados receberão bolsas de estudo de R$ 4.106 mensais, financiadas pelo Ministério da Saúde. As residências, em ambas as modalidades do edital, constituem categoria de ensino de pós-graduação lato sensu, com carga horária de 60 horas semanais, incluindo plantões, e duração de dois a três anos.

O processo seletivo ocorre em duas etapas. A primeira fase prevê provas objetiva e dissertativa, no dia 27 de setembro, nos municípios de Bauru, Pirassununga, Ribeirão Preto e São Paulo. A segunda fase terá uma análise curricular realizada pela comissão do processo seletivo, com base nos documentos a serem anexados no site da Fuvest. 

Mais informações e o edital do processo estão disponíveis neste link.

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‘Polipílula’ reduz pressão arterial e previne novos derrames em pacientes com histórico de AVC hemorrágico

13 de Junho de 2026, 13:31

‘Polipílula’ reduz pressão arterial e previne novos derrames em pacientes com histórico de AVC hemorrágico

O acidente vascular cerebral, popularmente conhecido como AVC, é a segunda causa de morte entre os brasileiros. Em 2024, foram registrados mais de 106 mil óbitos, segundo a plataforma Tabnet, do DataSUS, que reúne informações dos sistemas de saúde nacionais. É também a principal causa de incapacidade: 70% das pessoas que sofrem um AVC não retornam ao trabalho, e 50% ficam dependentes de cuidados, de acordo com a Sociedade Brasileira de AVC.

O acidente vascular cerebral pode ser de dois tipos: isquêmico, quando ocorre obstrução ou redução do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral, causando falta de circulação; ou hemorrágico, causado pela ruptura espontânea de um vaso, com extravasamento de sangue no interior do cérebro. O primeiro tipo é o mais comum, identificado em 60% a 70% dos casos. Já o hemorrágico é o mais letal.

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Entre as causas do AVC estão a pressão arterial elevada, o sedentarismo, a obesidade, o tabagismo e a dieta desequilibrada. Por esse motivo, uma das principais características da doença é a recorrência. Uma vez que o indivíduo sofre um AVC, a probabilidade de apresentar novos episódios ou outros eventos cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio, aumenta. Cerca de 20% dos pacientes que tiveram um AVC podem experimentar posteriormente um infarto num período entre dois e cinco anos.

Devido a esse quadro, é fundamental que se exerça um controle sobre os fatores de risco, em especial dos níveis de pressão arterial. O problema está justamente na adesão dos pacientes aos tratamentos no longo prazo. Para enfrentar tais dificuldades, um time internacional de pesquisadores se propôs a investigar o potencial de uma nova medicação para melhorar o controle da pressão arterial em pacientes que tiveram AVC hemorrágico.

Denominado TRIDENT (Triple Therapy Prevention of Recurrent Intracerebral Disease Events Trial, ou Ensaio Clínico de Terapia Tripla para a Prevenção de Eventos Recorrentes de Doença Intracerebral), o ensaio clínico multinacional, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo envolveu 61 centros de pesquisa de 12 países. Dentre eles, a Faculdade de Medicina da Unesp (FMB), em Botucatu. O objetivo era avaliar a eficácia e a segurança de um único comprimido contendo três medicamentos, a chamada polipílula. A polipílula é composta por medicamentos já conhecidos no mercado: os anti-hipertensivos em baixas doses: telmisartana 20 mg, anlodipino 2,5 mg e indapamida 1,25 mg. Estes medicamentos são comercializados separadamente. No teste, a polipílula foi administrada de forma complementar ao tratamento padrão já estabelecido para o paciente após a alta hospitalar.

Para participar do estudo, os pacientes precisavam estar clinicamente estáveis, apresentar pressão arterial sistólica entre 130 e 160 mmHg em repouso, mesmo com o uso de terapia anti-hipertensiva, e não apresentar contraindicação a nenhum dos componentes do comprimido triplo utilizado. Ao todo, foram recrutados 1.670 sujeitos com tais características.

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“Foi um estudo longo” , explica o médico neurologista, chefe do Departamento de Neurociências e Saúde Mental da Faculdade de Medicina de Botucatu e um dos investigadores principais do estudo no Brasil, Rodrigo Bazan. Durante cinco anos, os 1.670 pacientes selecionados — 833 designados para receber o comprimido triplo e 837 para receber placebo — foram acompanhados em consultas presenciais periódicas. “E também de forma remota, por meio de ligações telefônicas feitas aos pacientes ou aos seus cuidadores”, diz.

Decorrido o período de acompanhamento, os investigadores puderam constatar que, entre o grupo que recebeu o comprimido triplo, a pressão arterial média foi de 127 mmHg, enquanto, no grupo placebo, foi de 138 mmHg. Transcorridos dois anos e meio, 38 pacientes do grupo que recebia a medicação tiveram um novo acidente vascular cerebral, o equivalente a 4,6% do total. No grupo placebo, foram registrados 62 casos, correspondentes a 7,4% do total. Já a incidência de outros eventos cardiovasculares importantes foi menor no grupo da polipílula do que entre os pacientes que recebiam placebo: 6,6% e 9,8%, respectivamente.

“Foi um estudo seguro, porque o comprimido triplo era usado em complemento ao tratamento convencional. E o simples fato de a pessoa controlar a pressão para níveis inferiores a 130 mmHg por 90 mmHg, ou 13 por 9, reduziu em 39% o risco de qualquer tipo de acidente vascular cerebral recorrente”, afirma Bazan.

O diferencial da polipílula

Para o docente da Unesp, um dos grandes diferenciais do tratamento testado está na combinação dos medicamentos em baixa dosagem em um só comprimido, o que se reflete na adesão dos pacientes.

“Ao longo do estudo, a adesão foi de 86%. Isso é muito difícil de se conseguir, principalmente se considerarmos um estudo de tantos anos. E isso se deve ao fato de se reunirem três fármacos em baixa dosagem em uma mesma pílula, tomada uma única vez ao dia. Imagine se o paciente tivesse que tomar os três fármacos diferentes em horários variados ao longo do dia? Ele acabaria esquecendo de tomar a medicação ou interromperia o tratamento. Então, a eficácia tem relação com essa tecnologia proposta”, completa o pesquisador.

O estudo clínico internacional TRIDENT contou com o financiamento do Conselho Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da Austrália e do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, do Ministério da Saúde do Brasil. A George Medicines, pertencente ao Instituto George para a Saúde Global, foi a responsável por fornecer o comprimido triplo e o placebo correspondente. Os resultados foram publicados no The New England Journal of Medicine.

A participação da Unesp

A Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, foi um dos 61 centros participantes do estudo TRIDENT e contribuiu para o recrutamento de 18 pacientes. Após o atendimento inicial na Unidade de AVC do Hospital das Clínicas, os pacientes eram encaminhados para avaliação dos critérios de inclusão no estudo e para a aplicação do protocolo do ensaio clínico na UPECLIN, Unidade de Pesquisa Clínica vinculada à faculdade.

“Desde a inclusão do paciente, o fornecimento de informações, até a administração do medicamento, que ficava guardado na farmácia da unidade, e o monitoramento dos pacientes e a coleta de informações por meio de atendimentos presenciais e ligações telefônicas periódicas ao longo dos cinco anos de pesquisa, tudo teve o apoio logístico da UPECLIN, que tem expertise nesse tipo de ensaio clínico”, explica Bazan.

O pesquisador reforça a importância de que a universidade se engaje em ensaios clínicos com esse perfil, que contribuem para a melhora da qualidade de vida de grande parte da população. “Estamos falando de fármacos conhecidos, que já não têm mais patente, mas que, ao serem associados em uma só pílula, resultam em inovação”, diz. “E ter a possibilidade de oferecer esse medicamento a um paciente no Brasil, no interior de São Paulo, que enfrenta inúmeras dificuldades em razão da doença e necessita de toda uma rede de apoio, além de acompanhá-lo periodicamente junto a um time internacional, é uma oportunidade única que a universidade oferece.”

Alerta para o frio

O inverno se aproxima e, com as baixas temperaturas, a incidência de acidente vascular cerebral pode aumentar em até 20%, segundo dados do Ministério da Saúde. Principalmente em regiões com as estações do ano bem demarcadas, a variação da temperatura pode favorecer a ocorrência da doença. “No inverno, a pressão arterial costuma ficar descontrolada, porque o corpo trabalha de forma diferente para se manter aquecido, e as pessoas também tomam menos água e ficam mais sedentárias. Esses são fatores que favorecem a ocorrência de AVCs”, diz Bazan.

A orientação dos especialistas é redobrar a atenção com a pressão arterial nesse período, manter a hidratação e praticar atividades físicas regularmente.

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Fapesp apoia relógio inteligente que detecta ansiedade e estresse em tempo real

13 de Junho de 2026, 11:48

Fapesp apoia relógio inteligente que detecta ansiedade e estresse em tempo real

Um relógio de pulso capaz de perceber que o usuário está ansioso antes mesmo que ele se dê conta disso. O que parece ficção científica está se tornando realidade nos laboratórios do Viva Bem: inteligência artificial para saúde e bem-estar– um Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) financiado pela Fapesp e pela Samsung na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Pesquisadores vinculados ao Viva Bem desenvolveram um software de inteligência artificial que identifica estados de ansiedade com mais de 80% de precisão a partir de sinais corporais captados por smartwatches.

Os resultados do trabalho foram apresentados por Anderson Rocha, professor da Unicamp e coordenador do CPA, durante a FAPESP Week Londres, realizada de 2 a 4 de junho na capital britânica.

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“Desenvolvemos uma técnica inicial, que já foi publicada, e agora estamos aprimorando uma nova, que está em avaliação pela Samsung [responsável pelo hardware]”, contou Rocha à Agência FAPESP.

A tecnologia integra, entre outros indicadores, dois tipos de dados coletados continuamente pelo relógio: o eletrocardiograma – que registra a atividade elétrica do coração – e a acelerometria, que mapeia os movimentos do braço ao longo do dia. Esses sinais formam o que os pesquisadores chamam de “assinatura de dados” do usuário, um padrão individual que a IA aprende a reconhecer e monitorar.

Para ensinar os algoritmos a distinguir o estado de repouso do estado ansioso, a equipe desenvolveu protocolos clínicos que induzem o estresse de forma controlada. Em um dos testes, os participantes recebem a tarefa de calcular mentalmente, em 30 segundos, o resultado de multiplicações como 309 por 17 enquanto assistem a uma contagem regressiva no próprio relógio.

“Inevitavelmente as pessoas ficam ansiosas nessa situação”, explica Rocha. “Medimos como o corpo delas está respondendo a esse exercício e treinamos os algoritmos para identificar isso.”

A aplicação não pretende substituir médicos ou psicólogos, ressalta o pesquisador. A proposta do projeto é oferecer uma camada de monitoramento proativo: se o relógio detectar episódios ansiosos recorrentes, enviará um alerta recomendando que o usuário consulte um especialista.

“A ideia não é fazer o diagnóstico, mas ser uma ferramenta de alerta”, ressalta Rocha. A mesma lógica vale para outras condições monitoradas pelo projeto, como hipertensão, diabetes, Parkinson e risco de quedas em idosos. A IA agiria como uma sentinela silenciosa, cabendo ao usuário decidir o que fazer com a informação.

“O objetivo final é que, com os sinais captados pelos smartwatches, consigamos identificar os primeiros sintomas de diferentes condições de saúde, de modo que possamos ajudar as pessoas a terem uma melhor qualidade de vida”, afirmou Rocha.

Os resultados do projeto ainda estão em avaliação e melhoria contínua. Quando forem considerados maduros o suficiente, será solicitada autorização às autoridades competentes, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para testes com usuários reais, informou Rocha.

Realidades sintéticas

Na mesma palestra, Rocha apresentou o projeto Horus, voltado para o que a equipe chama de “realidades sintéticas” – o universo de imagens, vídeos e textos gerados por inteligência artificial. O laboratório já desenvolveu ferramentas para detectar deepfakes, ataques via mensagens de SMS e Whatsapp e falsificações em publicações científicas biomédicas, além de rastrear conteúdos ligados ao tráfico de crianças e à pornografia infantil.

Uma das soluções para identificação de falsificações em publicações científicas na área biomédica está em uso pelo Escritório de Integridade Científica do governo dos Estados Unidos e é disponibilizada como software de código aberto. Outra ferramenta, voltada à verificação de imagens, já é usada por agências de checagem de fatos, como Lupa, Aos Fatos e G1, e foi acionada para analisar registros visuais de conflitos recentes no Oriente Médio – casos que chegaram a ser reportados pela Reuters e pela Agence France-Presse.

Para Rocha, saúde e combate à desinformação convergem em torno de um mesmo valor: a confiança. “A IA centrada no ser humano é fundamental para fortalecer a resiliência e o bem-estar”, afirmou.

Mais informações sobre a FAPESP Week Londres em: fapesp.br/week/2026/london.

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Governo de SP amplia programa de educação ambiental

10 de Junho de 2026, 15:34

Governo de SP amplia programa de educação ambiental

O Governo de São Paulo e a Prefeitura da capital ampliam a partir desta quarta (10) o programa “Escolas nos Parques”, que promove atividades educativas para estudantes da rede pública em áreas verdes da cidade, levando mais alunos da rede pública a atividades de educação ambiental em parques urbanos da cidade.

O acordo de cooperação técnica foi assinado durante evento a Semana do Meio Ambiente, no Parque Ecológico do Tietê, e prevê a inclusão de novos roteiros pedagógicos e aumento do número de estudantes atendidos.

O objetivo é aumentar o número de parques participantes e diversificar as atividades pedagógicas oferecidas aos alunos, utilizando esses espaços como ambientes de aprendizagem e sensibilização ambiental. A proposta inclui novos roteiros educativos e ações voltadas a temas como biodiversidade, preservação ambiental, sustentabilidade, recursos hídricos e cidadania.

Atualmente, o programa realiza visitas monitoradas e atividades educativas em parques municipais, abordando aspectos relacionados à fauna, flora e conservação ambiental. Com a ampliação, a expectativa é alcançar um número maior de estudantes e fortalecer o uso dos parques como complemento às atividades desenvolvidas em sala de aula.

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“A educação ambiental ganha força quando sai do campo teórico e passa a fazer parte da experiência cotidiana dos estudantes. Os parques urbanos oferecem essa possibilidade ao conectar aprendizado, convivência e percepção sobre os impactos das escolhas humanas no território”, afirma Lara Carolina Chacon, diretora de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado (Semil).

A iniciativa também busca integrar políticas públicas ambientais e educacionais entre Estado e município, ampliando o debate sobre mudanças climáticas, conservação dos recursos naturais e uso sustentável dos espaços urbanos.

Para Gabriela Chabbouh, coordenadora de Educação Ambiental da Prefeitura de São Paulo, a parceria é fundamental para ampliar o alcance das ações voltadas à formação ambiental. “Não fazemos educação ambiental sozinhos. Parcerias são fundamentais para ampliar nosso alcance, e a Semil é uma parceira estratégica para aproximar cada vez mais estudantes da natureza”, afirma.

A ampliação do programa ocorre em um momento de crescente discussão sobre adaptação climática nas cidades e sobre o papel das áreas verdes na melhoria da qualidade de vida urbana. Além de sua função ambiental, os parques públicos vêm sendo reconhecidos como espaços de convivência, lazer e aprendizado, especialmente para crianças e jovens.

Com o novo acordo, governo estadual e prefeitura pretendem consolidar os parques urbanos como ambientes permanentes de educação ambiental e de conscientização sobre os desafios da sustentabilidade nas grandes cidades.

Sobre a Semana do Meio Ambiente

Realizada pelo Governo de São Paulo em celebração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a Semana do Meio Ambiente terá como ponto alto um evento no Parque Ecológico do Tietê (PET), na zona leste da capital paulista, no dia 10 de junho. A edição deste ano incorpora o legado do Summit Agenda SP+Verde, ampliando a integração entre governo, setor produtivo, investidores e sociedade civil em torno da agenda climática, da economia verde e do desenvolvimento sustentável.

A programação inclui uma série de anúncios e entregas, ativações e atrações com a participação de empresas e entidades selecionadas por edital público. Também está previsto na programação o Fórum SP Conecta, iniciativa da Semil e da InvestSP a ser realizada no próximo dia 16 de junho, voltada à atração de investimentos e ao fortalecimento da competitividade ambiental no Estado de São Paulo. A Semana do Meio Ambiente também faz alusão às comemorações dos 40 anos da Semil.

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Governo de SP amplia uso de energia solar nos municípios com novo edital e projeto pioneiro em Águas de São Pedro 

10 de Junho de 2026, 14:42

Governo de SP amplia uso de energia solar nos municípios com novo edital e projeto pioneiro em Águas de São Pedro 

O Governo de São Paulo vai apoiar municípios paulistas na implantação de projetos de energia solar. O edital de chamamento público será aberto nesta quarta-feira (10), com o objetivo de regulamentar o processo de inscrição, avaliação e seleção para apoio técnico e financeiro a prefeituras na implantação de usinas solares fotovoltaicas, com recursos de até R$5 milhões. O anúncio ocorre durante as comemorações da Semana do Meio Ambiente, no Parque Ecológico do Tietê, na zona leste de São Paulo.  

A iniciativa contará com recursos provenientes do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição (Fecop). O fundo tem como finalidade apoiar projetos focados na preservação e melhoria das condições do meio ambiente em São Paulo e enfrentamento dos efeitos das alterações do clima, podendo destinar recursos não reembolsáveis a municípios. O chamamento público ficará aberto para manifestação de interesse e envio das informações necessárias por vinte dias, até o dia 29 de junho, por meio do site https://semil.sp.gov.br/editais/2026/06/solar-nos-municipios/    

O apoio da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) aos projetos tem como objetivos principais promover, de forma integrada, a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), a economia aos cofres públicos e o desenvolvimento sustentável dos municípios, em linha com o Plano de Ação Climática (PAC 2050) e o Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050), instrumentos da estratégia climática paulista que visam à meta de atingir emissões líquidas zero de carbono até 2050.   

Para a secretária da Semil, Natália Resende, a medida contribui na ampliação do acesso à energia renovável e na redução dos gastos com energia elétrica dos municípios que mais necessitam de apoio técnico e recursos financeiros para realizar investimentos em infraestrutura. “A energia solar é uma das forças de São Paulo. A conta de energia pesa no orçamento de muitos municípios. Com esse apoio, estamos transformando o gasto recorrente em oportunidade de investimento. A economia gerada pela energia solar poderá ser revertida em benefícios diretos para a população, ao mesmo tempo em que avançamos na agenda climática paulista”, explicou Natália Resende.  

Critérios  

De acordo com o edital, os municípios serão classificados de acordo com critérios estabelecidos com foco em pequenos e médios municípios com menor grau de desenvolvimento econômico, privilegiando o desenvolvimento distribuído do estado. De acordo com a subsecretaria de Energia e Mineração da Semil, área responsável pela elaboração da proposta do edital, partiu-se da premissa de que esses municípios tendem a enfrentar desafios organizacionais e orçamentários que inviabilizam projetos dessa natureza sem apoio externo. Ao mesmo tempo, são os que mais se beneficiariam da redução permanente dos custos de energia elétrica, liberando recursos para aplicação direta na melhoria de serviços à população.    

Além de critérios socioeconômicos, a medida também busca engajamento das prefeituras em boas práticas ambientais. Entre os seis critérios do edital, foi considerada para avaliação a pontuação do município no Programa Município VerdeAzul (PMVA), iniciativa coordenada pela Semil, que observa práticas de governança ambiental, do saneamento básico até a biodiversidade.   

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Outros critérios passam pelo compromisso das prefeituras com ações dedicadas ao setor de energia. Está prevista maior pontuação para aquelas que tenham executado ou se comprometam a realizar projetos de eficiência energética no âmbito de programas federais, estimulando o engajamento dos municípios no aproveitamento de recursos setoriais disponíveis para a modernização e racionalização do consumo de energia elétrica nos prédios públicos. O edital também promove a prestação adequada dos serviços de iluminação pública para a população, observando as oportunidades de economia a partir da adoção de boas práticas.   

Após o encerramento do prazo para manifestação dos municípios, nos termos do edital, a pontuação será avaliada pela Semil, que divulgará a classificação final até o dia 03 de julho.   

Projeto pioneiro em Águas de São Pedro  

O Governo de São Paulo anunciou ainda nesta quarta-feira (10) um acordo com a Prefeitura de Águas de São Pedro para a implementação de usina solar fotovoltaica para atender o consumo das instalações elétricas públicas municipais. A partir da geração de energia da usina, torna-se viável a substituição do sistema de aquecimento de água do balneário municipal, abastecido por gás liquefeito de petróleo (GLP), por sistema de aquecimento elétrico, bem como a instalação de carregadores para veículos elétricos que serão utilizados também para a futura frota pública municipal eletrificada.   

O projeto, que integra a iniciativa municipal “Águas Sustentável – Energia Limpa e Eficiência Pública”, prevê a instalação de usina solar fotovoltaica em terreno da prefeitura, com capacidade instalada de 1 megawatt-pico (MW-p), e conexão à rede da distribuidora de energia elétrica local, a CPFL Paulista. A iniciativa tem o objetivo de aumentar a sustentabilidade, reduzir custos com eletricidade e integrar a cidade às políticas estaduais de energia renovável.   

O valor do projeto é estimado em R$ 4,3 milhões, que será financiado com recursos não reembolsáveis provenientes do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição (Fecop). O fundo tem como finalidade apoiar projetos municipais em São Paulo focados na preservação do meio ambiente e enfrentamento dos efeitos das alterações do clima, estando em consonância com o Plano de Estadual de Energia 2050 (PEE 2050).  

O PEE 2050 foi elaborado em conformidade com o Plano de Ações Climáticas de São Paulo (PAC 2050), instrumentos da estratégia climática paulista, com o objetivo de estabelecer diretrizes e apontar caminhos para a descarbonização dos setores de energia e de transportes, tanto do ponto de vista da oferta, quanto da demanda, buscando a neutralidade de carbono até 2050.   

Redução de custos municipais  

De acordo com a Prefeitura de Águas de São Pedro, estima-se a existência de gastos anuais da ordem de R$3 milhões relacionados ao consumo energético, combustíveis, manutenção de frota, sistemas térmicos convencionais e demais estruturas públicas passíveis de racionalização ou redução progressiva. Parte dessas despesas, ainda de acordo com a análise municipal, está associada ao consumo de energia elétrica dos prédios públicos, equipamentos urbanos, iluminação pública, mobilidade operacional e estruturas de apoio aos serviços municipais.  

Os estudos realizados pela prefeitura de Águas de São Pedro, com apoio técnico da Semil, indicam economia com despesas de energia elétrica de cerca de R$ 1 milhão por ano. A energia solar gerada pela usina compensará o consumo atual, viabilizando investimentos nos projetos de eletrificação de usos de energia da prefeitura. Assim, a transição energética será impulsionada com a substituição do uso de combustíveis fósseis.   

Os benefícios ambientais do projeto foram quantificados, levando-se em consideração os empreendimentos associados. O sistema de aquecimento de água do Balneário Municipal, abastecido por GLP, com consumo anual de 46 mil quilos, é responsável pela emissão de cerca de 128 toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano (tCO2eq/ano). Na frota municipal, o consumo de gasolina foi de mais de 52 mil litros em 2025, o que resultou em emissões de cerca de 115 tCO2eq/ano. As estimativas sugerem, portanto, que as ações de substituição do sistema de aquecimento de água e da frota pública podem evitar emissões de quase 250 tCO2eq/ano.   

“A usina solar fotovoltaica, além de gerar energia elétrica renovável e reduzir as despesas com eletricidade da prefeitura, representa um meio para a adoção de soluções energéticas que substituem o uso de combustíveis fósseis, sem a qual não se viabilizariam. A energia solar é uma fonte limpa, de baixa emissão, e que pode ser implantada de modo descentralizado, contribuindo para o avanço do estado em direção a uma economia de baixo carbono”, explicou a secretária da Semil, Natália Resende.   

Para a secretária da Semil, o modelo do projeto de usina solar fotovoltaica, incluindo a promoção da descarbonização de diferentes usos da energia no setor público, pode ser replicado para outros municípios, guardadas as particularidades de cada local e desde que sejam atendidos os requisitos de atratividade econômico-financeira, viabilidade de conexão à rede e cumprimento da legislação ambiental vigente. “Entendemos que projetos com méritos similares, tanto pela redução de gases efeito estufa como pela diminuição das despesas com energia elétrica, possam ser promovidos em parceria com prefeituras paulistas, identificando-se os instrumentos de financiamento mais adequados para cada caso”, destacou.  

João Victor Barboza, prefeito de Águas de São Pedro, explica que a implantação da usina fotovoltaica representa um marco histórico para o município e será a base para a transformação energética municipal. “A usina permitirá a geração de energia limpa para abastecer prédios públicos, reduzindo custos e preparando a cidade para um futuro mais sustentável. Esse projeto sairá do papel graças a parceria com o governo estadual, por meio da Semil, com recursos oriundos do Fundo Estadual de Prevenção e Controle da Poluição (Fecop). Mais do que uma obra de infraestrutura, esse projeto simboliza uma nova visão de cidade”, disse Barboza.  

Modelo da usina  

A usina solar fotovoltaica com potência instalada de 1 MWp se enquadra como minigeração distribuída na modalidade de autoconsumo remoto. Nessa modalidade, a energia elétrica ativa gerada pela usina é injetada na rede da distribuidora local e o consumo dos prédios públicos municipais será compensado de forma contábil. Eventual excedente do balanço entre geração e consumo é acumulado como crédito em favor da prefeitura, com validade de 60 meses, podendo ser utilizado no consumo de múltiplas unidades consumidoras públicas municipais, como prédios administrativos, equipamentos de saúde, educação e iluminação pública.   

Crescimento da energia solar em SP  

A geração de energia solar fotovoltaica em São Paulo atingiu 10,4 TWh (terawatts-hora) em 2024, um avanço de 16% na comparação com o ano anterior, segundo a edição mais recente do Balanço Energético do Estado de São Paulo (BEESP). A energia solar passou a representar 12% da eletricidade gerada no estado, consolidando-se como a terceira principal fonte, atrás apenas das hidrelétricas e das termelétricas a biomassa.   

“O aumento na geração de energia solar fotovoltaica no estado, puxado sobretudo pela geração distribuída, reflete a combinação entre o crescente interesse da sociedade em soluções sustentáveis e a busca de consumidores residenciais e empresas por economia nas contas de energia elétrica. Soma-se a isso a competitividade econômica da fonte, favorecida pela queda dos preços dos equipamentos e pelos incentivos vigentes”, explicou a subsecretária de Energia e Mineração, Marisa Barros. 

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USP desenvolve nanotecnologia que permite tratar doenças de pele com precisão

6 de Junho de 2026, 15:15

USP desenvolve nanotecnologia que permite tratar doenças de pele com precisão

Uma plataforma tecnológica desenvolvida por pesquisadores brasileiros pode revolucionar o tratamento de doenças de pele como psoríase e vitiligo. O grupo, vinculado ao laboratório NanoGeneSkin, da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, está desenvolvendo nanopartículas capazes de levar moléculas de RNA terapêutico diretamente até as células cutâneas, silenciando com precisão molecular os genes responsáveis pela inflamação crônica.

Os avanços mais recentes na pesquisa foram apresentados durante a FAPESP Week Londres, que acontece até amanhã (04/06) no Museu de Ciências (Science Museum), na capital britânica.

A investigação ocorre no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Nanotecnologia Farmacêutica, financiado pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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“Iniciamos há 20 anos esse trabalho de pesquisa e adquirimos ao longo desse tempo experiência na obtenção e caracterização de nanopartículas lipídicas para liberar não só fármacos, mas também os RNAs de interferência [moléculas que interagem com os genes-alvo], com o objetivo de tratar doenças cutâneas crônicas, como a psoríase, o câncer de pele e o vitiligo”, disse à Agência FAPESP Maria Vitória Bentley, coordenadora do NanoGeneSkin e do INCT em Nanotecnologia Farmacêutica.

A psoríase afeta entre 2% e 3% da população mundial – cerca de 190 milhões de pessoas, das quais aproximadamente 5 milhões no Brasil. Trata-se de uma doença crônica, de base imunomediada e genética, ou seja, provocada por uma resposta exagerada do próprio sistema imunológico, com componentes hereditários. Ela se manifesta por lesões inflamatórias severas na pele, causadas pela produção exacerbada de citocinas pró-inflamatórias – proteínas que funcionam como sinais de alarme do sistema imunológico e que, em excesso, causam danos ao próprio organismo. Uma das principais é o TNF-alfa. O vitiligo, por sua vez, leva à destruição dos melanócitos, as células responsáveis pela produção do pigmento (melanina) que dá cor à pele, resultando no branqueamento progressivo de áreas do corpo.

Ambas as condições compartilham uma característica que as torna alvos promissores para a terapia com RNA: há genes específicos superexpressos, isto é, anormalmente ativos, que dirigem o processo patológico. “A gente entende quais são os alvos e usa um RNA complementar específico para silenciar a produção dessa citocina”, explicou Bentley.

Silenciamento de gene

O RNA (ácido ribonucleico) é uma molécula presente em todas as células vivas e desempenha papel central na produção de proteínas. Em linhas gerais, o DNA funciona como o manual de instruções do organismo, e o RNA mensageiro é a cópia desse manual que chega até as fábricas de proteínas da célula.

A abordagem central do grupo de pesquisa baseia-se no uso de RNA de interferência (siRNA) – moléculas sintéticas que atuam diretamente sobre o RNA mensageiro responsável pela produção das citocinas inflamatórias, degradando-o antes que a proteína nociva seja sintetizada. É como interceptar e destruir a ordem de fabricação antes que ela chegue à linha de montagem. O resultado é a redução de mediadores da inflamação a níveis basais de células sadias, sem a necessidade de medicamentos que atuem em todo o organismo e que, por isso, tendem a causar mais efeitos colaterais.

“É a nanomedicina de precisão”, resume Bentley. “Eu tenho um alvo específico e um RNA complementar para silenciar aquele gene que está superexpresso naquela doença.”

Mas carrear essas moléculas até as células-alvo da pele não é trivial. O RNA é quimicamente frágil, sendo degradado rapidamente pelas enzimas do organismo. Além disso, a pele é uma barreira biológica eficiente, projetada para impedir exatamente o tipo de penetração que os pesquisadores precisam provocar.

A solução desenvolvida pelo grupo foram nanopartículas de cristais líquidos – estruturas feitas de gorduras (lipídios) com organização interna altamente ordenada, semelhante à dos cristais, mas com a fluidez característica dos líquidos. Essa arquitetura singular permite encapsular o material genético, protegê-lo da degradação e facilitar tanto sua penetração pela pele quanto sua captação pelas células-alvo.

Ao longo de três linhas de pesquisa apresentadas por Bentley, o grupo demonstrou que essas nanopartículas são funcionais para o silenciamento gênico; que métodos físicos como a luz, num processo chamado fotoativação, podem potencializar a liberação do RNA dentro das células; e que é possível carrear simultaneamente múltiplos RNAs e até fármacos anti-inflamatórios convencionais numa mesma nanopartícula.

Essa última estratégia é particularmente relevante para a psoríase, uma doença com cascata inflamatória complexa, ou seja, uma reação em cadeia que envolve múltiplas proteínas e sinais celulares e, portanto, com vários alvos terapêuticos possíveis. “Temos uma nanopartícula funcional. Como a psoríase é muito complexa e tem vários alvos, o nosso objetivo é carrear RNAs para diferentes alvos e, às vezes, também um fármaco anti-inflamatório”, disse a pesquisadora.

Os resultados foram validados em modelos celulares – experimentos realizados com células cultivadas em laboratório – e em animais com lesões similares à da doença, induzidas experimentalmente.

Outras aplicações

O escopo do grupo vai além da psoríase. Pesquisas em andamento aplicam a mesma plataforma ao vitiligo – área para a qual o grupo já possui uma patente envolvendo RNA e nanopartículas – e à cicatrização de feridas crônicas, outro problema de saúde sem solução terapêutica totalmente satisfatória.

Há ainda uma frente que ultrapassa as doenças de pele: o desenvolvimento de uma nanoestrutura para entrega de mRNA – o tipo de RNA mensageiro que instrui as células a produzirem uma proteína específica – com potencial de uso em vacinas, incluindo uma vacina experimental contra o câncer. É o mesmo princípio que tornou as vacinas contra a COVID-19 da Pfizer e da Moderna possíveis: em vez de introduzir o vírus no organismo, introduz-se apenas a instrução genética para que o próprio corpo produza uma proteína característica do agente infeccioso ou do tumor, treinando assim o sistema imunológico a reconhecê-lo e combatê-lo.

Nos modelos animais testados pelo grupo, animais imunizados com a formulação e posteriormente expostos a células cancerosas apresentaram regressão ou não crescimento dos tumores. A tecnologia já despertou o interesse de empresas farmacêuticas.

“Em 2006 a descoberta da interferência do RNA recebeu o Prêmio Nobel. Em 2007 a gente já começou a desenvolver essas nanopartículas”, lembra Bentley, situando o pioneirismo do grupo no cenário nacional.

Com duas patentes depositadas e processos de escalonamento industrial em desenvolvimento – incluindo a liofilização, técnica que remove a água das formulações por congelamento a vácuo para prolongar seu prazo de validade e facilitar a comercialização –, o grupo já pensa além da prova de conceito científica.

“Se deu certo, como a gente vai viabilizar isso em forma de produto?”, resume Bentley. Essa é a pergunta que orienta os próximos passos dos pesquisadores. Empresas já demonstraram interesse em licenciar a tecnologia, e o grupo está em conversas para avaliar os caminhos de translação clínica – o processo de levar uma descoberta do laboratório até o paciente.

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Com apoio do SP Produz, Santa Rita do Passa Quatro une fé e desenvolvimento econômico

6 de Junho de 2026, 09:18

Com apoio do SP Produz, Santa Rita do Passa Quatro une fé e desenvolvimento econômico

Durante o feriado de Corpus Christi, celebrado nesta semana, cidades com tradição religiosa, como Santa Rita do Passa Quatro, se preparam para receber turistas e contam com apoio do SP Produz, programa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo (SDE), para melhorar o atendimento aos visitantes.

“Nos períodos de celebrações religiosas, a cidade se movimenta de forma diferente. O turismo organizado beneficia do hotel até a farmácia”, destaca o empresário Clóvis Camargo, organizador das festividades religiosas do município.

Em 2024, o programa SP Produz reconheceu a Cadeia Produtiva Local (CPL) de Turismo do município como cadeia em desenvolvimento. Tal reconhecimento trouxe investimentos estaduais voltados à qualificação do setor, fortalecimento do empreendedorismo e promoção do turismo regional.

Em Santa Rita do Passa Quatro, a tradição católica e as celebrações ligadas à fé transformam o período em uma importante oportunidade de desenvolvimento econômico e valorização cultural.

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“O turismo é um dos setores que mais cresce em São Paulo e o potencial do interior paulista é enorme. A gente tem trabalhado para integrar diferentes cidades e criar rotas que fortaleçam a permanência dos visitantes e movimentem a economia regional. O Estado tem igrejas, santuários e celebrações muito fortes, inclusive em cidades como Santa Rita do Passa Quatro, que possuem grande tradição religiosa e cultural. O turismo movimenta comércio, serviços, hotelaria e gera desenvolvimento para municípios de todas as regiões”, explica o secretário de Desenvolvimento Econômico Jorge Lima.

O Santuário Santa Rita de Cássia, elevado à categoria de Santuário em 2016, é um dos principais cartões-postais da cidade e tem mais de 100 anos de história. Fotos: Divulgação

A movimentação econômica gerada pelo turismo religioso também é percebida pelo setor empresarial local. Para o empresário Adriano Penha Júnior, o aumento no número de visitantes durante os períodos religiosos beneficia diferentes atividades econômicas da cidade. Ele afirma ainda que o crescimento do turismo após a pandemia trouxe novos investimentos, revitalização de imóveis e fortalecimento do comércio local.

“A festa deixou de ser apenas um evento da igreja e passou a ser uma celebração da cidade inteira. Quando Santa Rita está em festa, hotéis, restaurantes, comércio e serviços também sentem esse movimento”, afirma Camargo.

A diretora do Departamento de Turismo, Desenvolvimento Econômico, Cultura e Esportes, Valéria Maria Zerbato, explica que o município vem estruturando, junto ao SP Produz, ações para transformar o turismo em uma cadeia produtiva integrada, conectando gastronomia, hospedagem, cultura, comércio e serviços.

“O turismo fortalece a economia da cidade e desperta nas pessoas o sentimento de pertencimento e cooperação. Hoje existe uma mobilização integrada entre poder público, empresários e sociedade civil para desenvolver Santa Rita do Passa Quatro”, afirma.

Sobre o SP Produz

O SP Produz visa o fortalecimento da economia local ao conectar empresas de um mesmo setor ou segmento para atuar de forma colaborativa sob uma governança comum.

Entre os benefícios promovidos pela iniciativa estão o compartilhamento de recursos, aquisição coletiva de insumos, troca de experiências, incentivo à inovação e redução de custos operacionais. O programa é dividido em quatro níveis de maturidade: Aglomerado Produtivo, CPL em Desenvolvimento, CPL Consolidada e CPL Madura.

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Veja como a vacinação de adultos protege bebês e freia o avanço de doenças consideradas erradicadas

6 de Junho de 2026, 07:37

Veja como a vacinação de adultos protege bebês e freia o avanço de doenças consideradas erradicadas

A não imunização de adultos ou pais de bebês recém-nascidos pode estar contribuindo para o cenário preocupante na América Latina, especialmente no Brasil. Somente no ano de 2024, foram registrados quase 7,8 mil casos confirmados de coqueluche, de acordo com os dados do Ministério da Saúde, um salto de mais de 7,5 mil em comparação com o ano de 2023, quando houve um surto da doença. Um dos principais fatores para esse aumento é a não vacinação de pais ou adultos que convivem com bebês de até 6 meses de idade. 

A pediatra Jorgete Maria e Silva, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, explica que a doença se propaga com mais facilidade em crianças devido à fragilidade do sistema imunológico. “Quanto menor a criança, mais dificuldades ela tem para reagir positivamente à doença, seja pela falta de imunidade prévia, mas principalmente pelas condições anatômicas e fisiológicas do trato respiratório”, diz.

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Ela enfatiza que, para sobressair nessa situação, é necessário imunizar adultos ou pessoas próximas do círculo de convivência dos bebês recém-nascidos. “A estratégia de cocoon ou casulo propõe a vacinação de todos que convivem próximos de bebês de até 6 meses de idade. Essa proposta surgiu pautada principalmente na preocupação da transmissão da coqueluche”, explica.

Jorgete ainda ressalta que a estratégia deve ser aplicada não só para a coqueluche. “Na verdade, seria importante não só a vacinação para coqueluche, mas também para outras vacinas disponibilizadas pelo SUS, como influenza, sarampo e difteria”, diz.  

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Desafios a serem superados

Entre as mais diversas dificuldades enfrentadas pelo sistema público de saúde, a baixa adesão à cobertura vacinal ainda persiste, sendo um dos maiores obstáculos. “Nos últimos dois anos, houve um recrudescimento da coqueluche, e essa alta está relacionada à baixa cobertura vacinal desde a pandemia do Covid-19”, menciona 

Para lidar com essa realidade, Jorgete salienta a urgência de mais vacinação. “O cuidado preventivo, como a imunização das pessoas que convivem muito próximas aos bebês, ainda é um dos maiores alicerces para lidar com esse problema de baixa cobertura vacinal que a saúde vem enfrentando. Por exemplo, a coqueluche tem uma incidência sazonal, com surtos a cada 3 e 5 anos. Se houvesse uma boa adesão à vacina entre 2021 e 2022, não teríamos um surto no final de 2023”, lembra.

Medidas preventivas

Para o epidemiologista Fernando Rodrigues Bellissimo, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, o aleitamento materno é uma medida eficiente que ajuda na proteção imunológica da criança. “Além das vacinas, outro fator que contribui para a proteção do recém-nascido nesses primeiros 6 meses de vida é o aleitamento materno, uma vez que o leite transfere anticorpos diretamente para a criança, especialmente para aquelas doenças contra as quais a mãe foi imunizada”, alega.

Contudo, Bellissimo destaca que a vacinação dos pais e bebês continua sendo uma ferramenta de extrema importância. “Vale salientar que essa estratégia do aleitamento materno é muito importante, mas não dispensa a imunização dos adultos e crianças.”

Cuidado preventivo como alternativa

A enfermeira Karina Bordonal Gomiero Biagiotti, funcionária da clínica Itatiaia Vacinas, diz que em sua rotina diária na saúde, em uma clínica privada de vacinação, muitos pais não se vacinam, pensando exclusivamente só na saúde do bebê. “Quando os pais vão no consultório, eu pergunto: ‘Como está a vacina?’ E eles respondem assim: ‘A minha vacina está em dia’. Nunca se preocupam com eles mesmos, apenas com o bebê”, relata.

Karina ressalta que muitos adultos e pais não se vacinam devido ao custo da imunização. “As vacinas custam geralmente R$ 200, mas muitos pais acham caro e optam por não se imunizar. Não pensando a longo prazo na sua própria saúde e na do bebê.” Ela faz um alerta importante: “A vacina pode custar caro, mas é algo que a pessoa pode tomar outra dose daqui 10 anos. Vale a pena pagar um pouco mais caro e proteger a saúde do seu bebê e também a sua”, finaliza.

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