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BBAS3 cai após balanço: alta da inadimplência no cartão e críticas à qualidade do resultado pesam sobre a ação

13 de Agosto de 2026, 20:17

O Banco do Brasil (BBAS3) registrou alta no lucro líquido ajustado no segundo trimestre de 2026, mas o resultado divulgado nesta quarta-feira (12) não foi suficiente para sustentar as ações. No pregão desta quinta-feira (13), os papéis encerraram em queda de 3,68%, cotados a R$ 18,30 na B3. A reação negativa refletiu a deterioração da qualidade do crédito, com forte aumento da inadimplência no cartão, e a avaliação de analistas de que a expansão dos lucros não se traduziu em uma melhora equivalente na qualidade dos resultados.

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O principal ponto de preocupação do balanço do 2T26 foi a inadimplência acima de 90 dias no cartão de crédito, que saltou de 7,12% no ano anterior para 14,58%. A formação de novos créditos inadimplentes (NPL creation) no segmento avançou de R$ 5,66 bilhões para R$ 11,84 bilhões, enquanto o indicador de atrasos na carteira geral de pessoa física atingiu 8,41%.

Para João Tonello, analista CNPI da Nomos, o movimento tem características mais idiossincráticas do que sistêmicas e sugere falhas específicas no processo de concessão de crédito do próprio banco.

O comportamento do BB chama atenção justamente por não encontrar paralelo no restante do sistema financeiro: excluindo a carteira do Banco do Brasil, a inadimplência média dos cartões dos demais bancos recuou de 9,3% no primeiro trimestre para 9,1% no segundo. A divergência reforça a hipótese de um problema concentrado na gestão de risco do estatal, e não de um colapso generalizado na capacidade de pagamento do consumidor brasileiro.

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Lucro cresce, mas qualidade do resultado entra no radar

O lucro líquido ajustado avançou 3,3% em relação ao mesmo período de 2025 e 13,9% na comparação trimestral, somando R$ 3,9 bilhões no trimestre, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) em 8,3%.

Apesar da expansão, relatórios divulgados após a teleconferência por Itaú BBA, Safra, BTG Pactual e JPMorgan chamaram atenção para o aumento do custo de crédito, a compressão do patrimônio tangível e a fragilidade na composição do resultado. O ponto central para o mercado passa a ser quanto do lucro atual é sustentável e até que ponto o ritmo de provisionamento continuará limitando a rentabilidade nos próximos trimestres.

Gestão aposta em desaceleração das provisões

A administração do banco, por sua vez, adotou um tom mais construtivo. Em interação com analistas na tarde desta quinta-feira, o vice-presidente de Gestão Financeira e Relações com Investidores, Geovanne Tobias, afirmou que o pico do custo de crédito da safra recente de cartões já foi atingido e projetou uma desaceleração no volume de provisões ao longo do segundo semestre de 2026.

A expectativa da gestão também considera a repactuação e renegociação de dívidas no agronegócio, segmento cuja inadimplência alcançou 6,27%. O mercado, contudo, aguarda os próximos trimestres para checar se a melhora projetada pela diretoria compensará a pressão observada na pessoa física.

Valuation e Dividendos: Onde fica o investidor?

Apesar da queda, o movimento recente reacende o debate sobre o desconto das ações. Negociado a cerca de 0,6x Preço/Valor Patrimonial (P/VP) e com um P/L projetado na casa de 4,2x para 2026, ambos segundo estimativas compiladas em relatório do BTG Pactual, o Banco do Brasil segue negociado com um desconto relevante em relação aos seus pares privados, como o Itaú (ITUB4), que roda próximo de 1,4x P/VP.

Por outro lado, o avanço da inadimplência e o ROE comprimido a 8,3% colocam em xeque a capacidade de distribuição de proventos. Embora o banco mantenha um payout histórico atrativo — com o consenso de mercado apontando para um dividend yield acima de 9% ao ano, a necessidade de reter capital para reforçar o balanço contra perdas no crédito pode limitar anúncios extraordinários de proventos nos próximos trimestres.

O que observar a seguir

Diante do diagnóstico, Tonello avalia que a tese de investimento no Banco do Brasil exige maior cautela e disciplina de alocação, reduzindo o peso tático na carteira até que haja sinais claros de estabilização da carteira de cartões.

Para o investidor, os pontos centrais de monitoramento para o 3T26 (com divulgação prevista para novembro) serão:

  1. O ritmo do NPL creation no cartão de crédito, confirmando se o pico de atrasos projetado pela gestão de fato ocorreu no 2T26;

  2. A evolução da inadimplência rural, após os efeitos das renegociações safra 2025/2026;

  3. Eventuais revisões formais de guidance para o custo de crédito total do ano.

Até lá, a ação deve seguir pressionada pela volatilidade e pelo dilema entre um valuation convidativo e uma visibilidade ainda turva para a rentabilidade de curto prazo.

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VALE (VALE3) tem produção forte, mas surpreende com crise no conselho de administração

23 de Julho de 2026, 09:47

Em um intervalo de 24 horas, a mineradora divulgou um relatório de produção acima das expectativas do mercado, viu a Assembleia Geral Extraordinária eleger um novo presidente do Conselho de Administração em uma disputa acirrada e, no dia seguinte, anunciou a destituição do conselheiro derrotado por vazamento de informações confidenciais.

Produção do 2T26 supera expectativas

O gatilho inicial foi o relatório de produção e vendas do segundo trimestre, divulgado na noite de terça-feira (21/07). A Vale produziu 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 0,8% frente ao mesmo período de 2025 e de 20,9% na comparação com o primeiro trimestre, o melhor volume para um segundo trimestre desde 2018, puxado por recorde no projeto S11D (Sistema Norte) e por contribuições adicionais de Capanema e VGR1 (Sistema Sudeste). Os embarques somaram 79,7 milhões de toneladas, 3,1% acima do mesmo período do ano passado.

Do lado dos preços, os finos foram vendidos a US$ 95 por tonelada em média, e as pelotas a US$ 137 por tonelada — cerca de 4% a 4,5% acima do que bancos como BTG Pactual e BofA projetavam, em meio a prêmios trimestrais mais fortes. O prêmio de qualidade “all-in” recuou para US$ 4,4 por tonelada, refletindo maior participação de minério de teor médio no mix do Sistema Norte.

O ponto fraco ficou por conta das pelotas: a produção caiu 7% na comparação anual, efeito da paralisação das operações de pelotização em Omã, provocada por restrições logísticas ligadas a conflitos no Oriente Médio. As operações foram retomadas apenas parcialmente no fim de junho.

Já os metais básicos foram o destaque positivo do trimestre. O cobre teve preço realizado de US$ 14.062 por tonelada, salto de 56,5% em um ano, beneficiado por preços melhores na London Metal Exchange, menores descontos em taxas de tratamento e refino e liquidações favoráveis de faturas com precificação provisória.

Repercussão entre as casas de análise:

  • BTG Pactual classificou o trimestre como de “execução sólida” após um primeiro trimestre sazonalmente mais fraco, com destaque para cobre e para surpresas positivas de preço — mas alertou que, diante do impacto da guerra do Irã sobre os resultados, o mercado deve manter o foco em custos e em eventuais atualizações de guidance, temas não endereçados nesta divulgação.

  • XP viu os números como “ligeiramente positivos” e revisou a projeção de Ebitda ajustado do trimestre para cerca de US$ 3,9 bilhões, ante US$ 3,7 bilhões antes — alta de até 5%, puxada por volumes de minério, pelotas e níquel acima do esperado e preços realizados mais altos de cobre e níquel.

  • Itaú BBA elevou sua estimativa de Ebitda pro forma para cerca de US$ 3,83 bilhões, alta de 5,5% ante a projeção anterior de US$ 3,63 bilhões.

  • BofA reiterou recomendação de compra e manteve preço-alvo de US$ 18 para o ADR — potencial de alta de 26,3% ante o último fechamento — chamando o relatório de “muito robusto”. Com base em análise de sensibilidade sobre volumes e preços, o banco estima que o Ebitda do trimestre pode chegar a US$ 4,1 bilhões, acima da própria projeção anterior de US$ 3,9 bilhões, embora ressalte que o desempenho de custos ainda será uma variável determinante.

  • BB Investimentos também avaliou o desempenho operacional como consistente, com avanços em produção e vendas em todos os segmentos na comparação anual, apesar da queda nas pelotas.

Disputa pelo conselho termina com vitória de Ollie

Enquanto o mercado ainda digeria os números operacionais, a Vale confirmou em comunicado à CVM o resultado da Assembleia Geral Extraordinária: Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o “Ollie”, conselheiro independente apoiado pela Previ, foi eleito o novo presidente do Conselho de Administração, com 1.977.262.848 votos. Marcelo Gasparino da Silva, até então vice-presidente do colegiado, disputou o cargo e obteve 1.065.493.489 votos.

Também foi eleita para o conselho a executiva Ieda Gomes Yell, com 2.400.170.665 votos, superando José Maurício Pereira Coelho, que teve 628.533.132 votos.

A combinação de trimestre operacional forte com a definição da disputa pelo comando do conselho acelerou os ganhos das ações ao longo do pregão de quarta-feira (22/07). No after market da B3, Vale ON foi o papel mais negociado do dia, com volume financeiro de R$ 22,140 milhões, à frente de ativos como o ETF BOVA11 (R$ 10,224 milhões) e Petrobras PN (R$ 4,661 milhões), em um pregão noturno que somou R$ 83,376 milhões em giro total.

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Gasparino é destituído por vazamento de informações

O desfecho da novela de governança veio na própria noite da quarta-feira (22), quando a Vale informou que seu Conselho de Administração decidiu destituir Marcelo Gasparino da Silva após uma investigação independente concluir que houve vazamento de informações confidenciais relativas à reunião do colegiado realizada em 19 de junho. A apuração foi conduzida por um escritório externo contratado por decisão do próprio conselho e confirmou o vazamento, enquadrado como violação à Política de Gestão de Desvios de Conduta da companhia. A decisão seguiu recomendações do Comitê de Auditoria e Riscos e da Diretoria de Auditoria e Conformidade. A companhia afirmou que manterá o mercado informado sobre novos desdobramentos.

O episódio fecha, em menos de 48 horas, um ciclo que junta resultado operacional acima do esperado, definição de uma disputa de poder no conselho e a saída do conselheiro derrotado por quebra de conduta, um conjunto de notícias que ajuda a explicar tanto o salto do papel quanto o volume elevado de negociação no período.

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O que diz a análise técnica e fundamentalista

Antes desse conjunto de notícias,João Tonello, analista CNPI da NMS Research, já classificava VALE3 como um ativo misto: bons fundamentos operacionais, mas sem sinal de aceleração de preço no curto prazo.

No gráfico, o papel carregava uma estrutura de duplo topo (picos em R$ 87,85 e um pouco abaixo disso), com a região entre R$ 71,42 e R$ 74,62 apontada como a zona de decisão mais importante do curto e médio prazo. Um fechamento sustentado acima de R$ 74,62 com volume crescente abriria caminho para R$ 79,15; já a perda de R$ 71,42 projetaria o papel para R$ 67,66 e R$ 65,32.

Nos fundamentos, o especialista já destacava o lucro líquido em alta de 36% no 1T26, volume recorde de minério vendido e crescimento nas vendas de cobre (+11,4%) e níquel (+15,2%), mas ponderava que o valuation já embutia um minério a cerca de US$ 114 a tonelada, prêmio de 16% sobre o spot, o que limitava o upside adicional.

O principal catalisador apontado era justamente um dividendo extraordinário no segundo semestre, com FCF yield estimado em 11% - tese reforçada, à época, por Itaú BBA e Bradesco BBI. Do lado negativo, pesavam a fraqueza do minério de ferro na China, a desaceleração estrutural chinesa e um câmbio desfavorável no curto prazo.

A recomendação final de manutenção para quem já tem posição, com foco no carrego do dividendo extraordinário esperado para o 2S26, e de cautela para novas entradas, aguardando confirmação técnica de sustentação acima de R$ 74,62 com volume, ou uma deterioração adicional que abrisse um ponto de entrada mais assimétrico na faixa entre R$ 67 e R$ 70.

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Fed endurece tom sobre juros e pressiona mercados emergentes

8 de Julho de 2026, 17:02

A ata da última reunião do Federal Reserve (Fed) elevou a cautela dos mercados ao retirar a sinalização de cortes futuros nos juros americanos e revelar que parte dos dirigentes já considera uma nova alta da taxa ainda em 2026. No Brasil, o impacto foi parcialmente limitado pelo payroll mais fraco que o esperado, reduzindo a pressão sobre dólar e juros domésticos.

Ata muda percepção sobre o ciclo de juros nos EUA

O documento detalhou a decisão unânime do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de manter a taxa de juros no intervalo de 3,50% a 3,75%, mas a principal novidade regulatória foi a remoção formal do viés de afrouxamento (easing bias). Sob a liderança do recém-chegado presidente Kevin Warsh, o Fed sinalizou que os próximos passos dependerão estritamente da evolução dos indicadores econômicos, colocando novas altas e cortes no mesmo patamar de probabilidade e retirando a previsibilidade que guiava o mercado.

O documento destacou preocupações com a trajetória da inflação, especialmente diante dos impactos dos preços de energia, tarifas e novos vetores de demanda associados à tecnologia. Na avaliação de João Tonello, analista CNPI da NMS Research, o racha entre os dirigentes altera a leitura tradicional do ciclo monetário, uma vez que o consenso das mesas de operação até então precificava o início da flexibilização apenas para o próximo ano, enquanto a ata revelou discussões ativas sobre aperto ainda em 2026.

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IA entra como novo vetor de pressão inflacionária

Além das pressões geopolíticas e tarifárias convencionais, o Fed chamou a atenção para o impacto indireto da expansão da inteligência artificial sobre a demanda por energia, infraestrutura e investimentos, criando novos pontos de pressão sobre custos em setores intensivos em capital.

Na prática, o mercado passou a trabalhar com dois caminhos possíveis para a política monetária americana com base nos desdobramentos desses custos:

  • Cenário de convergência: Caso as pressões de energia e insumos tecnológicos se dissipem, a taxa básica deve encerrar o ano no nível atual ou levemente abaixo.

  • Cenário de importância: Se a demanda aquecida e os conflitos geopolíticos mantiverem a inflação elevada, o Fed precisará retomar o aperto monetário, empurrando os juros para cima no final de 2026.

O contrapeso do payroll e o reflexo nos ativos brasileiros

Se os termos da ata de junho desenhavam um cenário adverso para mercados emergentes, o indicador de emprego divulgado no início deste mês altera a dinâmica de curto prazo. O payroll apontou a criação de apenas 57 mil vagas de trabalho, vindo significativamente abaixo das 110 mil vagas projetadas pelo consenso.

Como a ata mostrou que o Fed tomou sua decisão com base em um mercado de trabalho que a liderança ainda considerava sólido e estável, a desaceleração acentuada do emprego observada dias depois enfraquece a ala mais dura do banco central antes da reunião de 28 e 29 de julho, devolvendo o cenário de cortes ao radar das mesas de operação.

Para o investidor brasileiro, o encadeamento desse choque de informações dita o ritmo dos negócios no início do trimestre. De acordo com Tonello, o mercado doméstico deve entrar nas próximas semanas em uma disputa direta entre dois vetores. O primeiro deles é a possibilidade de cortes nos juros americanos, o que enfraqueceria o dólar e abriria espaço para a valorização dos ativos no Ibovespa. O segundo, contudo, é o risco residual de uma inflação global mais persistente trazida pelos novos custos tecnológicos, o que, na visão do analista, pode limitar o espaço para o Fed flexibilizar sua política monetária de forma linear.

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Com bolsa barata e espaço para fluxo estrangeiro, segundo semestre inicia sob a ótica do "Trade Eleitoral"

1 de Julho de 2026, 17:26

Após um primeiro semestre marcado pelo alívio da inflação global e pela expectativa de queda dos juros, o mercado brasileiro inicia a segunda metade de 2026 voltando sua atenção para um novo vetor de risco: a eleição presidencial. Com a Bolsa negociando perto de mínimas históricas em termos de valuation, investidores enxergam espaço para valorização, mas esperam um aumento da volatilidade à medida que as pesquisas eleitorais ganhem peso na formação dos preços dos ativos.

O peso do “Trade Eleitoral” nas estratégias dos gestores

Com a divulgação das primeiras pesquisas eleitorais do segundo semestre, gestores começam a incorporar o chamado “Trade Eleitoral” às estratégias de investimento, travando grandes apostas direcionais. No levantamento mais recente realizado pela AtlasIntel, o presidente Lula aparece com 46,3% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 36,6%. Renan Santos soma 7,8%, enquanto Ronaldo Caiado (2,9%) e Romeu Zema (2,0%) aparecem abaixo de 3%. Nos cenários simulados de segundo turno, Lula mantém vantagem numérica em todos os cruzamentos, pontuando 48,8% contra 42,3% de Flávio Bolsonaro, e 48,0% contra 39,0% de Ronaldo Caiado.

Os números mostram que o cenário político está longe de uma definição, o que joga um balde de água fria em quem esperava uma recuperação linear da Bolsa. Conforme projeta Reydson Matos, estrategista de ações da NMS, a aproximação do pleito aumentará a volatilidade nas mesas de operação à medida que as agendas fiscais e econômicas de cada bloco político forem precificadas pelos comitês de risco.

Para Max Bohm, os desdobramentos partidários serão o principal fator de mudança de cenário (game changer) para definir a trajetória real das ações. Os múltiplos baratos oferecem uma proteção importante contra quedas livres, mas o teto para o Ibovespa agora depende de Brasília.

Depois de um primeiro semestre em que inflação e juros dominaram as mesas de operação, o mercado inicia a segunda metade do ano com um novo catalisador para os ativos brasileiros: a velocidade com que a corrida presidencial passará a influenciar as expectativas para a política fiscal, juros e crescimento econômico.

Alívio macroeconômico e o gatilho dos juros

O ambiente de negócios se beneficia da perda de tração nos principais fatores de estresse da primeira metade do ano. A queda do petróleo Brent para a casa dos US$ 70 o barril reduziu parte da pressão inflacionária global e fortaleceu a expectativa de cortes de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Sob essa ótica, Max Bohm, estrategista de ações da NMS Research, aponta que o mercado acionário local inicia o período com assimetria favorável. “A nossa Bolsa está negociando em níveis de 8 vezes preço-lucro, figurando entre as mais baratas do mundo. Isso abre espaço para a retomada do fluxo de capital para mercados emergentes, com o Brasil se beneficiando do movimento”, avalia Bohm, que mantém a meta para o Ibovespa em 190 mil pontos até o final do ano.

No cenário doméstico, os dados mais recentes do Caged vieram abaixo das expectativas do mercado, sinalizando o arrefecimento do mercado de trabalho e reduzindo a pressão sobre a autoridade monetária. O indicador elevou para 70% as probabilidades precificadas na curva para um corte da taxa Selic na próxima reunião do Copom. Refletindo esse alívio, a curva de juros futura registrou sua sétima queda consecutiva, situando-se na casa dos 14% na ponta curta.

Janela nas Small Caps e o desafio do fluxo estrangeiro

A melhora marginal nos juros futuros injeta atratividade nos ativos de maior sensibilidade macroeconômica, em especial no índice de Small Caps (SMLL), que encerrou o primeiro semestre em queda de 4,6%. Empresas de alta qualidade técnica - como Unipar, Intelbras e Armac, sofreram desvalorizações superiores a 20% no período, abrindo o que analistas consideram uma janela tática de entrada devido aos múltiplos descontados. O desconto também atrai atenção para papéis de grande liquidez, como Itaú, Vale e Sabesp.

A sustentação dessa retomada, contudo, dependerá da reversão no comportamento do capital externo. Mesmo com uma retirada líquida de R$ 9 bilhões por investidores estrangeiros em junho, o Ibovespa encerrou o semestre acumulando alta de 6,8%, sustentando-se acima dos 170 mil pontos, embora permaneça distante da máxima histórica de 199 mil pontos registrada em abril. E o motivo dessa hesitação atende pelo nome de risco político.

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Braskem [#BRKM5]: O que a proteção judicial e o rebaixamento do rating relevam

30 de Junho de 2026, 17:01

As ações da Braskem já acumulam queda de 16,34% em apenas três dias de negociação, após a notícia de que a companhia obteve na Justiça de São Paulo o deferimento de um pedido de Tutela de Urgência Cautelar, garantindo uma blindagem jurídica de 60 dias contra execuções e cobranças de seus credores financeiros. A medida protetiva visa assegurar um ambiente de imunidade para que a petroquímica conduza um processo de mediação e reestruture sua estrutura de capital.

O movimento preventivo, contudo, disparou uma reação imediata das agências de classificação de risco Fitch e S&P Global Ratings, que revisaram as notas de crédito globais da companhia para as categorias C e D, respectivamente, reforçando a percepção de elevado risco de inadimplência e a necessidade de reestruturação da dívida.

A mecânica da Recuperação Judicial

O mecanismo acionado pela Braskem está amparado na Lei de Recuperação Judicial e suspende temporariamente a antecipação de vencimentos de dívidas enquanto durarem as negociações coletivas perante a Câmara Wind de Mediação. Segundo comunicados emitidos pela companhia, o escopo da ação é estritamente financeiro. Na prática, as obrigações operacionais correntes com fornecedores, clientes e prestadores de serviço permanecem fora do guarda-chuva jurídico e continuam sendo honradas normalmente.

O tamanho do desequilíbrio patrimonial da petroquímica justifica as medidas jurídicas adotadas. Na prática, o mercado atribui hoje à companhia um valor de mercado significativamente inferior ao seu passivo financeiro, evidenciando o desafio da reestruturação. De acordo com Reydson Matos, estrategista de ações da NMS Research, a Braskem está avaliada pelo mercado em cerca de R$ 4,90 bilhões, mas carrega um passivo total acumulado na casa dos R$ 54 bilhões.

“Quem analisa as ações da Braskem hoje observa um Enterprise Value (valor de firma) em que a dívida supera em mais de dez vezes o seu valor de mercado líquido (Market Cap)”, pontua o estrategista.

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Os fatores por trás da deterioração financeira

O ingresso com a tutela de urgência ocorreu após o esgotamento das métricas de liquidez da empresa, afetada por um ciclo severamente deprimido nas margens petroquímicas globais e pelas provisões bilionárias remanescentes vinculadas ao desastre geológico de Alagoas. Em relatório distribuído ao mercado, a Benndorf Research pondera que, embora a companhia tenha optado por uma abordagem preventiva e negociada em vez de uma recuperação judicial tradicional, o anúncio foi recebido de forma negativa pelos analistas por confirmar que a pressão financeira atingiu um ponto crítico. A Benndorf reiterou a necessidade de cautela, reforçando que não recomenda exposição aos ativos e emissões de dívida da companhia.

Para as mesas de operação, analistas avaliam que uma das alternativas consideradas pelo mercado seria uma reestruturação semelhante à observada em empresas como Light, Gol e Azul, envolvendo uma conversão parcial de dívida em capital. O equacionamento de um passivo dessa magnitude poderia ampliar significativamente o número de ações em circulação. Na avaliação de Matos, o investidor focado no longo prazo precisa estar ciente de que o patrimônio líquido atual é substancialmente menor que as obrigações, e o processo de equalização pode resultar em uma diluição agressiva dos acionistas minoritários. Embora os dados de tela não identifiquem os participantes diários, gestores consultados indicam que o fluxo vendedor recente tem sido dominado por estratégias long & short e fundos multimercados com viés tático de curto prazo.

O que monitorar a partir de agora?

No horizonte de curto prazo, o mercado acompanha o andamento das reuniões com os comitês de bancos e detentores de títulos, além da possibilidade de a Braskem estender pedidos de proteção semelhantes a jurisdições estrangeiras para blindar ativos no exterior.

Os próximos 60 dias tendem a ser decisivos para definir se a companhia conseguirá construir um acordo consensual com os credores ou se precisará recorrer a instrumentos mais amplos de reestruturação previstos na Lei de Recuperação Judicial. Até lá, Reydson Matos projeta que o papel deve continuar operando sob forte volatilidade nas cotações, refletindo as incertezas sobre o plano de capitalização final.

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Casas Bahia [BHIA3] reúne ingredientes para um short squeeze, mas mercado segue vendido

25 de Junho de 2026, 15:32

O Grupo Casas Bahia [BHIA3] tornou-se o principal alvo das posições vendidas na Bolsa brasileira. Com 38,36% do free float alugado e 30,5% das ações efetivamente vendidas a descoberto, a varejista reúne algumas das condições normalmente associadas a episódios de short squeeze. Analistas, contudo, avaliam que a lentidão do processo de reestruturação financeira ainda limita a entrada de compradores institucionais.

O cenário das posições vendidas

Os dados públicos consolidados pela Economatica mostram a Casas Bahia na liderança isolada do ranking de ativos alugados no mercado local, à frente de empresas como Raízen [RAIZ4] e Petzcobasi [AUAU3]. Embora o volume sob contrato de aluguel atinja 38,36% das ações em circulação, o percentual efetivamente vendido a descoberto (short interest) está em 30,5%.

Essa pressão vendedora é acompanhada por um encarecimento no custo das operações. Relatório recente publicado pela XP apontou que a taxa de aluguel do ativo avançou 6,9 pontos percentuais em duas semanas, atingindo o patamar de 24,8% ao ano. Ao mesmo tempo, o indicador de days to cover situou-se em 7,2 dias de volume médio diário de negociação (ADTV), o que significa que os investidores vendidos levariam mais de uma semana para recomprar e encerrar suas posições caso o volume financeiro diário se mantivesse na média.

É possível um Short Squeeze?

A elevada proporção do free float comprometida com aluguel aumenta a volatilidade do papel e amplia a sensibilidade das ações a movimentos bruscos de compra e venda. Essa configuração técnica é o que costuma gerar questionamentos sobre o risco de um short squeeze — o movimento de alta rápida que força os vendidos a recomprarem as ações para estancar prejuízos, acelerando a valorização.

  • Os fatores pró-squeeze: O patamar de 30,5% de short interest, a taxa de aluguel elevada e os 7,2 dias necessários para zerar as posições criam um ambiente tecnicamente propenso a repiques violentos em caso de fluxo comprador inesperado.

  • Os fatores contra o squeeze: O contraponto reside na fragilidade dos fundamentos. Diferente de outros processos de virada de mercado, a Casas Bahia enfrenta um ritmo de recuperação considerado lento, o que limita o interesse de investidores de longo prazo em montar posições compradas robustas que pudessem disparar o gatilho técnico.

Por que o pessimismo aumentou?

O aumento das posições vendidas ganhou força após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre, em meio à percepção de que a recuperação operacional pode levar mais tempo do que o inicialmente esperado pelo mercado. O desempenho recente das ações reflete esse ceticismo: após flertar com a casa dos R$ 3,00 entre fevereiro e março, o papel iniciou uma trajetória de queda, passando a negociar próximo ao patamar de R$ 1,11.

A forte desvalorização das ações ocorreu em paralelo à manutenção de resultados financeiros pressionados e à ausência de sinais mais consistentes de reversão do prejuízo líquido. No balanço do 1T26, o grupo reportou um prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão — uma ampliação de 160% nas perdas em termos anuais —, embora o Ebitda ajustado tenha crescido 4,7%, para R$ 597 milhões. Conforme avalia João Tonello, analista da NMS Research, a permanência de um cenário de juros elevados penaliza o valuation do grupo, dado o peso do custo financeiro sobre uma estrutura de capital ainda fragilizada. Embora os dados públicos não identifiquem os participantes, gestores consultados indicam que o fluxo vendedor recente tem sido dominado por estratégias long & short e fundos multimercados com viés tático de curto prazo.

O que pode mudar o horizonte do papel?

Para o médio e longo prazo, o principal fator de atenção dos investidores está concentrado no cronograma regulatório da B3, que exige a recomposição do free float da varejista até abril de 2027. Para se enquadrar novamente às regras de listagem, o processo poderá demandar movimentações por parte do bloco de controle ou a estruturação de uma oferta subsequente de ações (follow-on) potencialmente dilutiva para a base atual de acionistas.

Até que haja maior clareza sobre a recomposição do free float, sobre a entrega de resultados operacionais melhores ou sobre o ritmo da Selic, os investidores tendem a continuar tratando BHIA3 como um ativo de elevada volatilidade e baixa previsibilidade.

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Super El Niño vai secar seus lucros

22 de Junho de 2026, 16:23

A possibilidade de ocorrência de um episódio de El Niño de forte intensidade a partir do segundo semestre de 2026 deixou de ser apenas uma preocupação meteorológica e passou a integrar oficialmente o conjunto de riscos monitorados por analistas de mercado e pelo Banco Central.

O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, possui potencial para alterar severamente o regime de chuvas no país. O tema é tão relevante para a economia que a autoridade monetária incluiu perguntas preventivas sobre seus reflexos no Questionário Pré-Copom de junho. O objetivo do BC é mapear os canais de transmissão de eventuais choques climáticos sobre o IPCA e, consequentemente, sobre a trajetória da taxa Selic, atualmente mantida em 14,50% ao ano.

Embora a magnitude do evento ainda dependa da evolução das temperaturas oceânicas nos próximos meses, relatórios temáticos divulgados por grandes casas como a XP e o Citi começam a projetar cenários para o bolso do investidor. Caso modelos climáticos globais confirmem um evento severo nos moldes de anos históricos como 1982-83, 1997-98 e 2015-16, o impacto pode pesar no PIB, já que o agronegócio e suas cadeias representam entre 22% a 24% da atividade econômica nacional.

Entenda o impacto no crédito e nas produtoras

O principal canal de atenção imediata dos investidores reside na carteira agropecuária dos grandes bancos. Analistas apontam o Banco do Brasil (BBAS3) como uma das instituições financeiras com maior sensibilidade ao tema por possuir a maior carteira de crédito ao agronegócio do país e já registrar avanço recente na inadimplência rural.

Um agravamento do clima poderia exigir um aumento preventivo nas provisões contra devedores duvidosos, postergando a recuperação do papel na Bolsa. Bancos como ABC Brasil (ABCB4) e Banrisul (BRSR6) também são citados entre os mais expostos a essa dinâmica de crédito.

Nas companhias abertas do agro, o impacto promete ser misto:

  • SLC Agrícola (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3): Enfrentam maior exposição negativa devido à volatilidade de produtividade gerada pelo risco de temperaturas elevadas e estiagem no Norte e Nordeste.

  • 3Tentos (TTEN3): Fortemente exposta ao Rio Grande do Sul, a companhia exige cautela. Embora o aumento de precipitação no Sul possa inicialmente sustentar a produtividade de soja e milho, o risco de excesso severo de chuvas e enchentes costuma trazer sérios desafios operacionais e logísticos.

  • Proteínas Animais (JBS, BRF e Marfrig): A quebra de grãos impacta diretamente o custo de ração de aves e suínos. Nesse cenário, analistas apontam a JBS (JBSS3) como uma opção mais defensiva, visto que sua forte presença internacional ajuda a mitigar as pressões de custos operacionais no mercado brasileiro.

A conta de luz vai subir com o El Niño?

No setor elétrico, o impacto não é homogêneo. Como a maior parte dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) está concentrada no Sudeste e Centro-Oeste, onde os efeitos do El Niño tendem a ser mistos, o comportamento do preço da energia dependerá da distribuição espacial das chuvas.

Se a recuperação das principais bacias for prejudicada pela estiagem nas regiões vizinhas, haverá necessidade de acionamento preventivo de usinas termelétricas. Esse movimento tende a acionar bandeiras tarifárias mais altas a partir de 2027, impactando diretamente o IPCA via conta de luz.

Para o comércio, o relatório temático da XP destaca que o varejo sentirá os reflexos por meio de três vetores: a inflação alimentar de curto prazo (itens como arroz, feijão, milho e hortaliças), variações atípicas de temperatura e o potencial aumento de doenças arbovirais (doenças infecciosas causadas por mosquitos e alguns carrapatos).

Fonte: NASA, NOAA CPC, Czarnikow, Bloomberg, UNICA, Conab e XP Research. Notas: (1) Definições de fraco a muito forte, de acordo com a classificação do NOAA

Como proteger sua carteira?

Analistas apontam que empresas de infraestrutura e serviços logísticos integrados podem atuar de forma blindada e independente do desempenho das commodities agrícolas.

É o caso da JSL (JSLG3), que se beneficia diretamente da necessidade de flexibilização e diversificação de rotas de transporte de carga em períodos de intempéries. Outro destaque defensivo é a Mills (MILS3): as frotas de locação de equipamentos pesados da companhia costumam registrar demanda muito resiliente para obras de manutenção viária e reconstrução de infraestrutura em regiões afetadas por excessos climáticos.

Além disso, a equipe de análise da XP pondera que o Assaí (ASAI3) pode apresentar tendências marginalmente positivas em suas vendas sob o conceito de “mesmas lojas” (Same Store Sales - SSS) devido ao repasse dessa inflação alimentar. No vestuário, a Lojas Renner (LREN3) é citada como a principal escolha pela capacidade técnica de adequar seus estoques à dinâmica do clima.

De olho nos gráficos

Jalles Machado (JALL3)

De acordo com o analista técnico da NMS Research, Filipe Borges, a ação trabalha em forte tendência de baixa nos tempos gráficos diário, semanal e mensal. Negociada em suas mínimas históricas na faixa dos R$ 2,22, a movimentação gráfica projeta espaço para mais quedas, com próximo alvo estipulado na região dos R$ 0,70 — o que representa um tombo esperado de cerca de 72% para os próximos meses.

MILLS (MILS3)

Já para Mills, o papel confirmou um belo rompimento técnico na faixa dos R$ 15,30, abrindo espaço livre para buscar a região dos R$ 19,70. Trata-se de um upside projetado de aproximadamente 30% para os próximos meses.

Para entender como montar uma carteira defensiva e proteger seu patrimônio contra os riscos fiscais e climáticos de 2026, você pode contar com a assessoria exclusiva da Nomos. Clique aqui para falar com um especialista.

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