Nos Estados Unidos, o mercado aguarda a inflação de agosto, dado crucial para clarear as opiniões divididas se o Fed sobe juros já em setembro. O CPI sai na sexta-feira.
60,4% aposta na alta de juros na próxima reunião do Fed
Aidna sobre os EUA, o payroll de agosto, divulgado semana passada, mostrou 162 mil vagas criadas e revisões para cima nos meses anteriores. A taxa de desemprego ficou estável em 4,1%.
Com dados fortes, o mercado voltou a precificar mais de 60% de chance de o Fed subir os juros no próximo encontro.
Um dos membros do Fed, Christopher Waller vem tentando vender a ideia de que a inflação perde força, citando o núcleo do PCE rodando a 3,0% em três meses, abaixo dos 4,8% de fevereiro.
Já o presidente do Fed, Kevin Warsh (que assumiu comunicação discreta), argumenta que essa melhora não é estrutural. É uma discordância que ficou pública em Jackson Hole e que deve se resolver, ou se aprofundar, com o CPI de agosto, que sai na sexta feira dia 11.
A projeção do mercado é de alta de 0,21% no núcleo, o suficiente, na nossa leitura, para manter o Fed parado por enquanto.
Mas as chances de vir um número mais quente é alta, e é o que definirá se setembro termina com Fed em mantendo juros ou com o primeiro sinal de um ciclo de aperto liderado por uma ala mais hawkish, com Warsh à frente defendendo que agir logo constrói credibilidade (quem diria).
Antes disso, na quinta, sai o PPI de agosto, mais um termômetro importante, e as vendas de imóveis usados.
Brasil
As pesquisas da semana mostraram Lula e o senador Flávio Bolsonaro praticamente empatados no segundo turno. A novidade foi a ascensão do escritor Augusto Cury, que saltou para perto de dois dígitos nas intenções de voto e se tornou o primeiro nome a chegar tão perto dos líderes neste ciclo. Ainda é cedo para saber o que isso significa na prática, até porque pouco se sabe sobre a agenda econômica que Cury defenderia, mas quanto mais embaralhado o primeiro turno, maior a incerteza sobre o regime fiscal do próximo governo, especialmente porque a votação do orçamento de 2027 no Congresso só deve ocorrer depois da eleição.
Enquanto isso, a economia desaquece. O PIB do segundo trimestre confirmou a desaceleração, de 4,5% para 1,9% em ritmo anualizado, puxado quase inteiramente por estoques, com o consumo das famílias caindo pela primeira vez em um ano e meio. A produção industrial também decepcionou em julho, e o câmbio mais valorizado reforça o argumento de um ciclo de corte de juros mais longo do que os 25 pontos base esperados para a reunião de setembro do Banco Central.
A semana trará mais dados que devem reforçar essa leitura de atividade fraca com inflação baixa. O setor de serviços de julho deve mostrar leve alta depois de dois meses ruins, e o IPCA de agosto, na sexta, deve vir negativo, puxado pela tarifa de energia mais barata (o “bônus de Itaipu”), o que deve dar ao Banco Central mais espaço para seguir cortando juros além do que o mercado já espera.
Na atualização de setembro, o Inter manteve Sabesp [#SBSP3], Direcional [#DIRR3], B3 [#B3SA3], Itaúsa [#ITSA4], BrasilAgro [#AGRO3] e Minerva [#BEEF3] na Carteira Mensal Capita, com recomendação de aumento de exposição em diferentes nomes. A casa também destaca a perspectiva de continuidade do ciclo de queda da Selic, que pode favorecer setores como construção civil, varejo e consumo doméstico.
Entre as movimentações, Localiza [#RENT3], Axia Energia [#AXIA3] e Microsoft [#MSFT34] entram na carteira, enquanto o ETF MILL11 é mantido com novo aporte inicial. A Localiza foi incluída após uma correção próxima de 40%, com suporte técnico relevante e sinais de reação; a Axia chega após defesa de uma retração de 38,2% e formação de uma possível bandeira de alta; e a Microsoft retorna ao portfólio após forte valorização a partir de uma região de suporte. Já a B3 permanece, mas sem novo aporte imediato, diante da alta recente.
A Carteira do Itaú BBA teve queda de 0,81% em agosto, ante -1,46% do IFIX. Para setembro, a estratégia mantém preferência por fundos de ativos financeiros, favorecidos pela expectativa de Selic ainda elevada e pela inflação projetada em 5,1% para 2026.
A carteira passa a ter 52% de exposição a fundos de tijolo, 32% a ativos financeiros e 17% a fundos multiestratégia. Houve aumento de 0,5 p.p. em BTLG11, BRCO11 e KNRI11, com redução de 1,5 p.p. em HGRU11. O dividend yield corrente da carteira é de 10,62% ao ano.
O Itaú BBA avalia que os níveis atuais de preços ainda oferecem oportunidades seletivas no médio e longo prazo, apesar da volatilidade no curto prazo causada por fatores macroeconômicos, geopolíticos e fiscais.
A Carteira Benndorf Dividendos vendeu RECV3 e CXSE3, ambas com redução de 5%, e adicionou KLBN11 com peso de 5%. A troca de RECV3 busca melhorar a diversificação e manter uma postura de hedge, enquanto CXSE3 perdeu espaço após uma forte reversão de tendência.
Para a nova posição, a Benndorf destaca a qualidade da Klabin, sua boa geração de caixa, capacidade de distribuir dividendos atrativos e a margem de segurança considerada interessante aos preços atuais. Além disso, a exposição relevante da companhia ao dólar contribui para a estratégia de diversificação da carteira.
A XP adicionou AXIA3 (7,5%) e CURY3 (5%) à Carteira Top Ações, além de aumentar RDOR3 de 7,5% para 10%. Em contrapartida, reduziu ITUB4 de 10% para 7,5% e ROXO34 de 7,5% para 5%, diante de um cenário macroeconômico e de crédito mais desafiador.
A carteira também retirou ORVR3 e zerou a posição em LREN3, diante de riscos de curto prazo. Em agosto, a carteira teve retorno de -0,4%, ante -0,3% do Ibovespa.
A XP aumentou o peso de PETR4 de 10% para 12,5%, elevando a exposição a Óleo & Gás, e de ALOS3 de 7,5% para 10%, apoiada pelo múltiplo atrativo e pela maior visibilidade de retorno ao acionista. A Petrobras segue entre as principais preferências da casa, enquanto a Allos oferece dividend yield estimado de 13,1% em 2026 e negocia a 7,2x EV/EBITDA em 2027.
Por outro lado, a XP reduziu ITUB4 de 15% para 10%, diante de um cenário macroeconômico e de crédito mais desafiador, apesar de manter visão positiva sobre o banco. Em agosto, a carteira teve retorno de -0,9%, ante -0,3% do Ibovespa. Desde o início, acumula alta de 332,8%, contra 143,8% do índice.
A XP está substituindo LREN3 por RADL3 na Carteira ESG para setembro. A Lojas Renner sai diante do ambiente macroeconômico desafiador e da maior concorrência no segmento de vestuário, enquanto a Raia Drogasil entra por seu perfil mais defensivo, combinando resiliência da demanda por farmácias, sinais positivos dos lançamentos de GLP-1 e forte posicionamento na agenda ESG.
Em agosto, a Carteira ESG XP caiu 4,3%, ante -0,3% do Ibovespa e -1,7% do ISE, pressionada principalmente por LREN3 (-19,9%) e Sabesp (-8,7%). No exterior, o ACWI avançou 2,9%, impulsionado pelos resultados do 2T26 nos EUA e pelo desempenho do setor de inteligência artificial.
A XP adicionou DIRR3 com peso de 5%, apoiada pelo valuation atrativo e pela exposição à melhora das perspectivas do Minha Casa, Minha Vida. A companhia negocia a 4,8x P/L em 2027E, mantendo execução sólida e elevada rentabilidade. A casa também aumentou SLCE3 de 5% para 7,5%, refletindo uma visão mais construtiva para as commodities agrícolas, especialmente algodão, soja e milho.
Por outro lado, a XP reduziu CEAB3 de 10% para 5%, diante de um cenário macroeconômico desafiador e de um 3T pressionado no setor de vestuário, e CURY3 de 12,5% para 10%, apenas para abrir espaço para DIRR3. Em agosto, a carteira teve alta de 1,2%, ante queda de 0,3% do Ibovespa. Desde o início, em maio de 2021, acumula alta de 69,5%, contra 49,2% do índice.
A Carteira Top Dividendos Plus, voltada a investidores que buscam ações com perspectiva de distribuição contínua de dividendos, adicionou IGTI11 e RENT3 devido ao dividend yield atrativo e à melhora nas expectativas dos analistas, segundo dados da LSEG. Em contrapartida, VALE3 e ITUB4 saíram da carteira diante da redução do dividend yield esperado, da piora nas expectativas dos analistas e para equilíbrio da estratégia.
Desde a primeira publicação, em 31/03/22, a carteira acumula retorno de 160,3%, contra 47,8% do Ibovespa.
A XP adicionou ABBV com peso de 5% e aumentou TSM, GOOG e UBER de 2,5% para 5% cada. Em contrapartida, retirou ETN e PG e reduziu C e AZN de 10% para 7,5%. Em agosto, a carteira teve alta de 1,6%, 108 bps abaixo do ACWI, que avançou 2,7%.
A estratégia mantém overweight em América do Norte e Grande China e em Tecnologia, Comunicações e Saúde, enquanto permanece underweight em Ásia-Pacífico, Bens de Consumo, Industriais e Materiais Básicos. O objetivo é superar o iShares MSCI ACWI ETF no longo prazo.
A Carteira Top Dividendos Globais XP teve alta de 1,7% em agosto, 95 bps acima do iShares Select Dividend ETF (DVY), que avançou 0,8%. A estratégia mantém exposição a Europa de 22,5% e Ásia-Pacífico de 5%, enquanto o benchmark possui exposição de 100% aos EUA.
A carteira segue overweight em Saúde e Financeiro e underweight em Bens de Consumo e Comunicações. Não houve alterações na composição em setembro. O objetivo é superar o iShares Select Dividend ETF no longo prazo, selecionando ações globais que ofereçam perspectivas de distribuição contínua de dividendos.
A Carteira Fundamentalista de Fundos Imobiliários XP caiu 0,79% em agosto, ante -1,46% do IFIX, e entregou dividend yield mensal de 1,03%, equivalente a 12,4% anualizado. Nos últimos 12 meses, a carteira acumula alta de 9,3%, correspondente a 112% do desempenho do IFIX.
Para setembro, a XP reduziu a alocação em CPTS11 (-1,0 p.p.), PVBI11 (-0,75 p.p.) e LVBI11 (-0,75 p.p.), enquanto ampliou XPLG11 (+1,25 p.p.), HGBS11 (+1,0 p.p.) e XPCI11 (+0,25 p.p.). As mudanças buscam reduzir a exposição a fundos de tijolo com menor carrego e menos gatilhos de valorização no curto prazo, além de aumentar a participação em ativos de maior qualidade, menor volatilidade e maior potencial de retorno.
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Às 9h o IPCA-15 de agosto veio em deflação de 0,40%. Deflação maior do que os 0,32% negativo que o mercado esperava, e o acumulado em doze meses caiu de 4,52% para 4,24%. O mercado gostou na hora, índice futuro chegou a quase 1% de alta. Às 9h30 saiu o PCE de julho, que não desacelerou como se esperava e ficou em 3,7% em doze meses, com o núcleo em 3,3%, esse em linha. Os futuros americanos viraram na sequência, e o Brasil devolveu tudo. Perto das 9h30 o índice futuro estava de volta ao zero a zero na sessão. Isso tudo é reação inicial e nenhuma movimentação muito relevante. Mas sempre fica a sensação: quando lá fora azeda pro risco, dado “bom” nosso não costuma sustentar sozinho.
E embora o IPCA-15 tenha tido uma boa recepção do mercado, uma vale olhar a composição. A surpresa boa veio de passagem aérea, caindo 13,3%, e de energia elétrica, caindo 6,25%. Os serviços subjacentes subiram 0,50%, acima do que a XP projetava, e a difusão subiu de 48% para 52%. O núcleo médio veio em linha e o núcleo anualizado de três meses desacelerou para 3,87%, o que é bom. Mas é um dado de alívio nos preços voláteis, não de inflação vencida. E os dois eventos que realmente decidem a semana ainda não aconteceram: a Nvidia reporta depois do fechamento, e o Warsh fala em Jackson Hole na sexta. Com o PCE recusando desacelerar, a pergunta chega nele mais pesada do que chegaria uma hora atrás, né?
RECAP:
ONTEM (25 de agosto)
Brent caiu 5,4%, a US$ 87,2, depois que Irã e Omã sinalizaram um arcabouço interino para Ormuz.
Treasuries fecharam de 5 a 7 bps, com o 10 anos a 4,638%. S&P 500 subiu 0,3% e Nasdaq, 0,7%.
Nvidia subiu e cortou sete pregões seguidos de queda, a pior sequência desde 2022.
Ibovespa subiu 1,5%, acima dos 174 mil pontos, na quinta alta seguida. Curva DI fechou de 10 a 15 bps e o dólar caiu 0,25%, a R$ 5,1399.
Canadá anunciou retaliação de 15% a 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos americanos, com vigência em 8 de setembro.
HOJE / MADRUGADA (26 de agosto)
IPCA-15 de agosto veio em deflação de 0,40%, abaixo do consenso de 0,32% negativo. O acumulado em doze meses caiu de 4,52% para 4,24%.
PCE de julho ficou em 3,7% em doze meses, estável ante junho e acima dos 3,6% esperados. O núcleo veio em 3,3%, em linha.
Brent recua para perto de US$ 85,3 e acumula queda de 10% em três sessões.
Irã e Omã confirmaram proposta de corredor temporário de navegação e desminagem em Ormuz. A rota permanente só seria negociada em 30 a 60 dias. Cinco navios cruzaram o estreito ontem, cerca de um terço da média dos últimos dez dias.
Ásia fechou em alta antes da Nvidia: Kospi +0,97%, Nikkei +0,62%, Xangai +0,59%. Os futuros americanos viraram para baixo depois do PCE.
Brasil e EUA marcaram nova rodada de negociação sobre o tarifaço para segunda-feira, e o governo prorrogou a subvenção da gasolina até 9 de setembro.
Daqui pra baixo é o flash read completo: tudo que aconteceu de ontem pra hoje, tópico por tópico, com a origem de cada informação. Assunto que já apareceu na edição anterior volta só pelo que mudou. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Petróleo e Oriente Médio
Brent fechou ontem em queda de 5,4%, a US$ 87,2, e opera nesta manhã perto de US$ 85,3. São 10% de queda em três sessões (XP Macro Strategy, WSJ)
Irã e Omã publicaram um comunicado conjunto com uma proposta de arcabouço para um corredor temporário de navegação em Ormuz e um projeto de desminagem da hidrovia (News XPress/XP Política, Bloomberg)
Mas cravar a diplomacia como causa única seria errado. Arne Lohmann Rasmussen, da Global Risk Management, lista outros três motivos: o Dia D econômico veio mais fraco do que se esperava e passou a ser lido como ameaça, os estoques americanos de petróleo subiram 4,2 milhões de barris na semana contra 1,8 milhão esperado, e há relatos de mais óleo saindo do Golfo (WSJ)
A rota permanente só seria negociada em 30 a 60 dias, segundo a agência iraniana Tasnim (Bloomberg)
No mundo físico o estreito segue travado. Apenas cinco navios cruzaram Ormuz ontem, queda de cerca de dois terços ante a média dos últimos dez dias, em estimativa preliminar da Kpler (BTG Morning Call)
Bessent baixou o tom. Depois de prometer um Dia D econômico no domingo, passou a defender diplomacia silenciosa para convencer países a cortar laços com Teerã (DealBook/NYT)
As sanções anunciadas atingem cinco setores e mais de 60 entidades, indivíduos e navios. Nenhum banco grande entrou na lista (Barron’s)
A China, que compra cerca de 90% do petróleo iraniano, ameaçou tomar todas as medidas necessárias se for alvo. O FT escreveu em editorial que a guerra econômica dos EUA contra o Irã tem um problema chamado China (Bloomberg, FT)
Contexto de quem vai pagar a conta junto: a Turquia é o terceiro maior parceiro comercial do Irã e corre risco de perder um dos seus maiores fornecedores de gás (Bloomberg)
Um novo ataque a navio-tanque foi registrado em Ormuz, com o Irã prometendo retaliar a ofensiva econômica (WSJ)
Tesouro, Fed e juros nos EUA
O PCE de julho, o dado que o Fed olha, ficou em 3,7% no acumulado em doze meses, igual a junho. Esperava-se uma leve desaceleração para 3,6%. O núcleo veio em 3,3%, exatamente em linha (WSJ)
Vale a proporção: o desvio é de 0,1 ponto e está todo no cabeçalho. O próprio WSJ lembra que o PCE raramente surpreende, porque é construído em cima de dados de inflação já publicados (WSJ)
O detalhe que incomoda: o núcleo do CPI de julho tinha desacelerado para 2,5%, um número moderado. O PCE, que pesa as categorias de forma diferente, segue bem mais quente (WSJ)
A recompra de títulos de Bessent começou a aparecer nos números. O 10 anos está em 4,64%, contra 4,75% na semana passada, e o spread do 30 anos contra swaps de mesmo prazo é o menor desde fevereiro (Bloomberg)
A ressalva vem da própria matéria: com o petróleo caindo cerca de 5% na semana, o rali de bonds parece um movimento assistido pelo óleo, e não a mudança estrutural que o Tesouro queria (Bloomberg/MLIV)
A Citadel Securities virou a mão. O estrategista Frank Flight, que no mês passado falava em verão cruel, agora vê condições para um rali de bonds (Bloomberg)
O FT publicou que a intervenção do Tesouro coloca Bessent em rota de colisão com o Fed, porque atrapalha o esforço de Warsh de segurar a inflação (FT)
Druckenmiller, que anteontem chamou a recompra de erro, contou que usou IA para ajudar a redigir o artigo, mas que as ideias são dele (WSJ)
Warsh chega a Jackson Hole sem posição pública sobre inflação. Ele não entregou projeções ao dot plot e não disse se apoia alta de juros nas próximas reuniões (WSJ)
Fora dos EUA o vento é de aperto. Schnabel disse que o BCE precisa subir mais, a inflação australiana veio acima do esperado e elevou a aposta em uma quarta alta no ano, e o mercado já precifica alta do BoJ em setembro (Bloomberg)
Rússia, Ucrânia e a conta dos grãos
O diretor da CIA, John Ratcliffe, fez uma viagem-surpresa a Moscou na terça. Ficou cerca de quatro horas e a agência não quis comentar. A Tass registrou o pouso de um avião de transporte militar americano, e a CBS noticiou primeiro (WSJ, Bloomberg)
O assunto da visita não foi confirmado. Uma leitura que circulou aqui é a do professor Heni Ozi Cukier, que, citando o WSJ, levanta duas hipóteses: um aviso sobre sinais de mobilização militar russa, ou uma provocação russa em preparação contra a OTAN. É hipótese, não apuração (Heni Ozi Cukier, WSJ)
O pano de fundo, esse é fato. A Rússia ampliou a campanha de ataques híbridos contra países que armam e financiam Kiev, de ciberataques a drones armados e incêndios. O chanceler Merz disse que os responsáveis vão pagar o preço, mas a Europa ainda não mudou a postura defensiva (Bloomberg)
No mês passado a Polônia disse ter frustrado uma tentativa de assassinato encomendada por Moscou, e a Estônia acusou a Rússia de um incêndio em uma fabricante de drones (Bloomberg)
Onde isso vira preço: os ataques ucranianos a portos e refinarias russas derrubaram as exportações de grãos dos dois países, e trigo e milho subiram para máximas de vários anos. Juntos, eles respondem por mais de um quarto das exportações mundiais de trigo (Bloomberg)
A Rússia estuda estender até 1º de outubro a proibição de exportar diesel (Bloomberg)
Contexto de por que preocupa mais do que em 2022: naquele ano a safra russa recorde e o corredor de exportação do Mar Negro aliviaram a conta. Agora a produção russa está desorganizada pelos drones, a guerra no Irã encareceu fertilizante e combustível, e as ondas de calor derrubaram colheitas na Europa e nos EUA (Bloomberg)
Tarifas: Canadá e Brasil
O Canadá retaliou dólar por dólar. São tarifas de 15% a 50% sobre mais de 700 produtos americanos, cerca de US$ 20 bilhões, a partir de 8 de setembro. Aço e alumínio dobram para 50% (WSJ, FT, BTG Morning Call)
A lista foi desenhada para doer em eleição. Entram lagosta do Maine, laticínios de Wisconsin, motos da Harley-Davidson, máquinas agrícolas do Meio-Oeste e eletrodomésticos de Ohio e Kentucky (WSJ)
A ministra da Indústria, Mélanie Joly, admitiu que o alvo é a pressão política nas midterms de novembro (WSJ)
A Casa Branca já discute penalidades adicionais contra o Canadá (Bloomberg)
O UBS cortou a projeção de PIB canadense de 1,0% para 0,9%, e avisa que o efeito indireto sobre confiança e investimento pode ser maior que o das exportações (WSJ)
Brasil e EUA voltam à mesa na segunda-feira. A prioridade brasileira é ampliar a lista de produtos isentos, depois de mais de 30 contatos sem acordo definitivo (Folha, Valor, the news)
Mercados e IA
A Nvidia reporta hoje após o fechamento. O consenso é de receita perto de US$ 92 bilhões, quase o dobro de um ano atrás (Bloomberg)
A ação subiu ontem e interrompeu sete pregões seguidos de queda, a pior sequência desde 2022 (BTG Morning Call, Barron’s)
A Barron’s argumenta que a Marvell, que reporta quinta, virou mais importante para o trade de IA do que a própria Nvidia, por causa das redes ópticas dos data centers (Barron’s)
A conta que ninguém responde: pelo cálculo de David Cahn, da Sequoia, a IA precisaria gerar cerca de US$ 1,5 trilhão de receita para justificar o investimento deste ano. Em 2024 essa conta era de US$ 600 bilhões (WSJ)
O SoftBank estuda emitir de US$ 10 a US$ 20 bilhões em bonds para refinanciar o empréstimo ponte da sua fatia na OpenAI (Bloomberg)
A IA já disputa capital com governos. O banco de comércio exterior da Coreia foi captar na Nova Zelândia para fugir da concorrência dos hyperscalers, na primeira emissão desse tipo em nove anos (Bloomberg)
Bitcoin furou US$ 80 mil pela primeira vez desde meados de maio e devolveu parte, operando perto de US$ 78,8 mil (Bloomberg, BTG Morning Call)
A SEC investiga o quase colapso do fundo Situational Awareness e intimou bancos que operaram com ele (DealBook/NYT, WSJ)
Brasil: mercado e fluxo
O IPCA-15 de agosto veio em deflação de 0,40%, contra 0,31% negativo projetado pela XP e 0,32% negativo do consenso. O acumulado em doze meses desacelerou de 4,52% para 4,24% (IBGE, XP Macro Strategy)
A composição pede cautela. As maiores surpresas para baixo vieram de passagem aérea, com queda de 13,3%, e de energia elétrica, com queda de 6,25%. Já os serviços subjacentes subiram 0,50%, acima dos 0,43% projetados, e a difusão subiu de 48% para 52% (XP Macro Strategy)
Do lado bom, o núcleo médio avançou 0,23%, em linha, e o núcleo anualizado de três meses desacelerou de 4,4% para 3,87% (XP Macro Strategy)
Reação inicial nas telas: o índice futuro tocou 179 mil pontos depois do IPCA-15 e voltou para perto de 177,7 mil depois do PCE. O dólar futuro caiu a R$ 5,144 e devolveu para acima de R$ 5,155 (leitura própria)
O Ibovespa subiu 1,5% ontem, acima dos 174 mil pontos, na quinta alta seguida. O dólar caiu 0,25%, a R$ 5,1399, e a curva DI fechou de 10 a 15 bps (BTG Morning Call, XP Macro Strategy)
Difícil cravar um culpado só pela alta. O BTG credita ao recuo dos juros futuros, às ações domésticas e a primeiros sinais de volta do estrangeiro. A Bloomberg associa parte do movimento a uma compra expressiva de calls do índice com vencimento em novembro (BTG Morning Call, Bloomberg via XP Macro Strategy)
Vale a ressalva de sempre: preço de índice é termômetro, não fluxo. O fluxo estrangeiro só se confirma no dado da B3 (leitura própria)
Na mesma direção, o Valor reporta que grandes fundos estão montando aposta em rali pós-eleição via opções de EWZ, o ETF de Brasil negociado em Nova York (Valor via XP News Clipping)
A onda de reestruturações continua. Com a Braskem, o país bate recorde de R$ 180 bilhões em dívidas em recuperação judicial e extrajudicial. A Casas Bahia pediu à Justiça a devolução de R$ 422 milhões pelo Banco do Brasil (Estadão, Folha)
Brasil: política e eleição
Os coordenadores econômicos das três campanhas falaram, e nenhum apresentou número. Durigan prometeu a milha final do ajuste via justiça tributária, Daniella Marques quer uma PEC fiscal e mudanças no arcabouço, e Caiado propõe teto corrigido por inflação mais metade do crescimento do PIB (O Globo, Valor, Estadão)
O debate Bessent contra Druckenmiller chegou aqui. Adolfo Sachsida, da campanha de Flávio, criticou a proposta de o Tesouro brasileiro intervir no mercado de títulos para derrubar o juro longo, e disse que o jeito certo de baixar juro é cortar gasto (Poder360)
O governo prorrogou a subvenção da gasolina até 9 de setembro, como o time de política da XP havia antecipado (XP Política)
O Orçamento de 2027 deve ser enviado sem depender de aprovações futuras do Congresso, e o governo já cortou R$ 5 bilhões da estimativa de despesa com benefícios previdenciários (Estadão, Valor)
Na direção oposta, o Valor mostra que o governo dobrou a despesa financeira para driblar o arcabouço (Valor via XP News Clipping)
O relator da PEC do fim da 6x1 decidiu não mexer no texto da Câmara e quer entregar o parecer amanhã. Lula recebe hoje Motta e Alcolumbre para tratar disso e da taxa das blusinhas (CNN, Folha, Metrópoles)
Quaest nos estados: Tarcísio 40% contra 27% de Haddad em SP, Paes com 37% no Rio, Cleitinho com 29% em MG e Raquel Lyra 44% contra 36% de João Campos em PE (Quaest via G1, O Globo, Folha)
A cúpula do PT pediu que Lula endureça o tom sobre Lulinha e diga que pai não responde por filho maior de idade. A estratégia deve estrear na sabatina do Jornal Nacional, amanhã (Estadão)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: IPCA-15 de agosto às 9h e PCE de julho às 9h30, com segunda leitura do PIB do 2º trimestre americano. Nvidia reporta após o fechamento, junto de Salesforce e CrowdStrike
Quinta: começa Jackson Hole. Marvell reporta, e é o balanço que a Barron’s considera mais decisivo para o trade de IA do que o da Nvidia. Aqui, parecer da PEC do fim da 6x1 e Lula no Jornal Nacional
Sexta: Warsh discursa em Jackson Hole às 11h, primeira fala grande dele como presidente do Fed. No mesmo dia sai a revisão anual do payroll, que no ano passado derrubou a contagem e terminou com o chefe do BLS demitido
Semana que vem: Brasil e EUA retomam a negociação do tarifaço na segunda. Atlas e Nexus também são esperadas na segunda, e o G20 de finanças começa no sábado
8 de setembro: entram as tarifas retaliatórias do Canadá
Juros de 30 anos americano a 5,33%, maior nível desde 2007. E o Barclays diz que não é medo de inflação, porque as projeções embutidas no mercado de bonds seguem baixas e estáveis. São três outras forças: a perspectiva de déficit, a mudança na base de compradores de Treasuries e, a que mudou este ano, a escala e o prazo da dívida emitida para bancar inteligência artificial. Ciclo é uma coisa. Quem vai disputar poupança pelos próximos trinta anos é outra.
Juro de 30 anos nos EUA desde 1988. Voltou ao nível de 2007 e desfez boa parte da queda de quatro décadas.
RECAP:
ONTEM (17 de agosto)
Trump disse à Fox News que não tem pressa e não vai prorrogar o memorando com o Irã, que expirou ontem, e ameaçou bombardear Omã se o país atrapalhar as negociações.
Brent subiu 2,7%, a US$ 90,9 o barril.
Treasury de 30 anos fechou a 5,31%, maior nível desde 2007. S&P 500 caiu 0,5% e Nasdaq, 0,3%.
Ibovespa fechou a 166.784 pontos, queda de 0,09% e décima sessão seguida de perdas. Dólar caiu 0,36%, a R$ 5,2006, e o DI fechou de 3 a 6 bps em toda a curva.
IBC-Br de junho recuou 0,64% na margem, abaixo do consenso de queda de 0,5%. IGP-10 de agosto veio a -0,51%, contra +0,18% esperado.
Casas Bahia pediu recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas.
HOJE / MADRUGADA (18 de agosto)
Um cargueiro foi atingido por um projétil ao deixar o Estreito de Ormuz, a cerca de cinco milhas náuticas da costa de Omã, com uma vítima na tripulação.
Brent perto de US$ 91, terceiro dia de alta.
Futuros do Nasdaq 100 caem 1,2% e os do S&P 500, 0,5%. Nikkei fechou em queda de 2,54% e o Kospi, 1,55%.
No Reino Unido, desemprego estável em 4,9% e salários privados em 2,8%, o avanço mais fraco desde outubro de 2020.
Home Depot abriu a temporada do varejo americano com vendas acima do esperado no segundo trimestre.
Daqui pra baixo é o flash read completo: tudo que aconteceu de ontem pra hoje, tópico por tópico, com a origem de cada informação. Assunto que já apareceu na edição anterior volta só pelo que mudou. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Juros longos no mundo
O Treasury de 30 anos fechou ontem a 5,31%, maior nível desde 2007, e opera hoje perto de 5,33% (WSJ, XP Macro Strategy)
O de 10 anos está em 4,74% e o de 2 anos em 4,19%. O estresse está concentrado na ponta longa (BTG Morning Call)
Juro longo francês na máxima desde 2008 e o alemão em nível de 2011. No Reino Unido, o de 30 anos se aproxima de 6% (Bloomberg)
No Japão, o título de 10 anos tocou 2,945%, maior nível em mais de três décadas, e o de 2 anos foi a 1,70%, máxima desde 1995 (BTG Morning Call)
O Barclays lista três causas: perspectiva de déficit, emissão corporativa ligada a IA e mudança na base de compradores de Treasuries. Diz que o que mudou este ano foi a escala e o prazo da dívida de IA (Bloomberg/John Authers, WSJ)
Empresas com grau de investimento já venderam quase US$ 1,5 trilhão em bonds no ano, 36% a mais que em 2025 (Bloomberg)
Estrangeiros reduziram em US$ 72,1 bilhões as posições em Treasuries em junho, puxados por Japão e China. O estoque total está em US$ 9,3 trilhões (Bloomberg)
Ed Yardeni diz que não está apertando o botão de pânico, mas que monitora se os bond vigilantes vão apertar (Bloomberg)
Petróleo e Oriente Médio
Trump disse à Fox News que não tem interesse em prorrogar o memorando assinado com o Irã em junho, que expirou ontem, e que não tem prazo para resolver o conflito (Bloomberg)
Ele também ameaçou bombardear Omã se o país ficar no caminho. Omã negocia com o Irã um novo modelo de circulação em Ormuz, e os EUA não estão nessa mesa (Bloomberg, NYT)
Contexto: Omã é aliado histórico de Washington e mediou negociações com o Irã no passado, inclusive no acordo nuclear da era Obama. Guga Chacra avalia que o ataque é improvável, mas que a ameaça passa péssima mensagem aos aliados do Golfo (O Globo)
Um cargueiro de bandeira liberiana foi atingido por projétil a cerca de cinco milhas da costa de Omã, com uma vítima na tripulação (UKMTO via WSJ)
No sábado, apenas cinco navios de commodities cruzaram o estreito, contra 31 no fim de semana anterior. O fluxo acumula queda de cerca de 90% desde o início do conflito (XP Research)
Uma autoridade sênior iraniana disse que o país adotará postura totalmente ofensiva caso o acordo provisório não seja implementado (BTG Morning Call)
A mídia estatal iraniana publicou hoje que Ormuz seguirá fechado até que os EUA cumpram as condições do acordo provisório de junho (XP Política)
Brent avançou 2,7% ontem, a US$ 90,9, e segue perto de US$ 91 hoje (XP Macro Strategy, BTG Morning Call)
Fed e dados nos EUA
A ata da reunião de julho, decidida por 9 a 3 pela manutenção, sai amanhã (Bloomberg)
O Goldman considera muito improvável uma alta em setembro, depois de varejo fraco, emprego decepcionante e inflação mais branda (Bloomberg)
As vendas no varejo caíram 0,6% em julho, primeiro recuo em nove meses, e derrubaram a probabilidade implícita de alta em setembro para cerca de um terço (XP Research)
Home Depot reportou vendas maiores no segundo trimestre e a ação subiu de leve no pré-mercado. Target e Lowe’s reportam amanhã e Walmart na quinta (WSJ)
Mercados e IA
S&P 500 caiu 0,5% ontem e o Nasdaq, 0,3%. Hoje os futuros do Nasdaq 100 recuam 1,2% (XP Macro Strategy, BTG Morning Call)
A Nvidia vai bancar até US$ 105 bilhões em um complexo de data centers em Ohio que será alugado pela OpenAI, com até 8 gigawatts de capacidade (Bloomberg)
A Anthropic disse a investidores que está a caminho de uma receita anualizada acima de US$ 65 bilhões, mais de sete vezes o ritmo do fim do ano passado (Bloomberg)
Levantamento do WSJ em nove grandes empresas de tecnologia encontrou cerca de US$ 3 trilhões em compromissos ligados a IA fora do balanço (WSJ)
Economistas do BCE escreveram que uma correção nas bolsas é provável, com os múltiplos de tecnologia em níveis vistos na bolha pontocom (Dow Jones Newswires)
Pesquisa do BofA mostra alocação global em ações no maior nível em quase cinco anos (Bloomberg)
A Apple caiu 10% desde o recorde de 28 de julho e está entre as 25 piores do S&P 500 em três semanas, enquanto o Nasdaq 100 subiu 8% no período (Bloomberg)
Brasil: mercado e fluxo
Ibovespa fechou a 166.784 pontos, queda de 0,09% e décima sessão seguida de perdas (BTG Morning Call)
Na contramão, o dólar caiu 0,36%, a R$ 5,2006, e o DI fechou de 3 a 6 bps em toda a curva. O real andou melhor que os pares (XP Macro Strategy, BTG Morning Call)
Na semana passada o Ibovespa caiu 3,2% em reais e 6,2% em dólares. A saída líquida de estrangeiro foi de R$ 8 bilhões na semana, acumulando R$ 45,2 bilhões desde 15 de abril na série da B3 usada pela XP (XP Research)
IBC-Br de junho recuou 0,64% na margem, abaixo do consenso de queda de 0,5%, puxado por indústria e serviços (BTG Morning Call)
IGP-10 de agosto veio a -0,51%, contra +0,18% esperado, terceira deflação seguida. A surpresa se concentrou em derivados de petróleo e biocombustíveis (XP Macro Strategy)
A inflação de 2026 embutida nos ativos subiu para 5,26%, ante 5,10% ontem. A XP projeta 5,12% e o Focus está em 5,02% (XP Macro)
Abicom: a defasagem da gasolina está em R$ 1,17 por litro e a do diesel em R$ 2,55, com Brent acima de US$ 89 e câmbio a R$ 5,22 (XP Macro)
Casas Bahia pediu recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em dívidas e negocia um financiamento DIP de R$ 1 bilhão. A Marabraz também pediu, com R$ 140 milhões (Folha, Resumo do Mercado)
O varejo brasileiro já reestruturou R$ 68 bilhões em dívidas, com Selic alta e endividamento como fator comum entre os casos (Folha)
A inadimplência empresarial bateu recorde em junho: 9,1 milhões de CNPJs e R$ 232,9 bilhões em atraso (Empiricus)
A Petrobras confirmou petróleo no poço Morpho, na Foz do Amazonas. Magda Chambriard disse que o poço custa US$ 1 milhão por dia e já consumiu cerca de US$ 300 milhões (Estadão)
A equipe econômica ainda avalia três hipóteses para incorporar as receitas da CBS e do Imposto Seletivo no Orçamento de 2027, a quinze dias do envio do PLOA ao Congresso (XP Política)
Durigan disse que o receio do mercado com a trajetória de gastos é legítimo e que as travas para despesas obrigatórias têm impacto de R$ 10 bilhões em 2027 (Bloomberg, Folha)
Brasil: política e eleição
Faltam 47 dias para o primeiro turno (XP Política)
A Quaest de sexta mostrou a vantagem de Lula caindo de 5 pp para 3 pp no segundo turno, 43% a 40%, empate técnico pela margem de 2 pp. A aprovação do governo passou de 48% para 46% (XP Macro Strategy)
A Nexus divulgada ontem manteve Lula 3 pp à frente, também dentro da margem (XP Política)
O Datafolha divulga na sexta a primeira pesquisa depois do início oficial da campanha (G1)
Lula visitou o navio-sonda da Petrobras na Margem Equatorial ao lado de Alcolumbre e disse que, se Trump quiser fechar Ormuz, o Brasil tem petróleo aqui (Estadão)
Mendonça mandou Lula remover das redes trechos de vídeos de convenção com pedido explícito de voto (Estadão)
O TSE avalia endurecer as regras sobre deepfakes depois do vídeo de Bolsonaro gerado por IA usado no ato de Flávio (Valor, O Globo)
O ato de Flávio em Copacabana reuniu 8,9 mil pessoas no pico, segundo o Monitor do Debate Político da USP, e a ausência de Michelle, Tarcísio e Nikolas virou crítica interna no PL. Do outro lado da conta, a transmissão bateu 35 mil espectadores simultâneos (Estadão, O Globo)
O pedido de voto de Michelle a Flávio foi recebido com alívio na campanha, que busca um novo ato ao lado dela. Flávio tem agenda conjunta com Nikolas hoje em Belo Horizonte (O Globo, XP Política)
Flávio cancelou ontem a motociata em Juiz de Fora, cidade da facada em 2018, alegando que o mau tempo impediu a decolagem (Folha)
O entorno de Lula quer fechar apoios no centro, mesmo com as principais legendas tendo declarado neutralidade. Alcolumbre ainda considera adesão oficial, como já fez Motta (Valor)
Lula agradeceu publicamente a Alcolumbre por destravar as PECs da 6x1 e da Segurança Pública e o projeto de minerais críticos, e usou os três temas no evento de ontem (XP Política)
A Casa Civil estabeleceu meta de três viagens semanais para cada ministro do primeiro escalão, com foco em inaugurações e visitas a obras (O Globo)
Thomas Traumann escreveu que o câmbio vira fator decisivo da eleição e comparou o movimento ao Lulômetro de 2002, o modelo do Goldman que tentava prever o dólar a cada ponto de Lula nas pesquisas (O Globo)
A BCA Research vê risco de uma vitória de Lula frustrar a expectativa de aperto fiscal, com real mais fraco, política monetária revertida e desaceleração em 2027 (Bloomberg/John Authers)
Global
China: produção industrial cresceu 4,5% em julho, o varejo apenas 0,6% contra 1,5% esperado, e o investimento caiu 6,7% no acumulado do ano. Desaceleração generalizada fora da tecnologia (Bloomberg)
Philip Lane, do BCE, disse que a inflação da zona do euro deve rondar 3% no resto do ano por causa da guerra (Bloomberg)
Reino Unido: desemprego estável em 4,9%, salários privados em 2,8%, o mais fraco desde outubro de 2020, e vagas em 707 mil, mínima desde 2021 (BTG Morning Call)
O prazo das tarifas americanas sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses vence amanhã. Carney telefonou para Trump na tentativa de fechar acordo (FT, Bloomberg)
Washington trocou o chefe do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, o órgão do Departamento de Estado que cuida da relação com o Brasil. O novo secretário prometeu deixar as Américas a salvo dos cartéis e do narcoterrorismo (XP Política)
Relatório do JPMorgan alerta para risco de crise de alimentos a partir de 2027, combinando escassez de fertilizantes ligada a Ormuz e El Niño forte. Projeta inflação global de alimentos saindo de 2,8% para 5% e cita o Brasil entre os mais expostos (JPMorgan)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: produção industrial de julho nos EUA às 10h15. Balanço do Home Depot, que abre a temporada do varejo americano. Aqui, o Tesouro divulga às 10h30 o edital do leilão de NTN-B e LFT, com a ponta longa global sob pressão.
Quarta: ata do FOMC de julho, a reunião decidida por 9 a 3. É a primeira chance de ver o tamanho da dissidência sob Warsh, que não dá guidance. Balanços de Target e Lowe’s. Vence também o prazo das tarifas americanas sobre o Canadá.
Quinta: balanço do Walmart, a melhor leitura de consumidor americano da semana, depois do varejo de julho ter caído 0,6%.
Sexta: PMIs preliminares nos EUA. E o Datafolha, primeira pesquisa depois do início da campanha, para checar se a virada da Quaest é tendência ou ruído de um instituto.
Brent subiu 5,2%, a US$ 87,8, depois do Irã condicionar a reabertura de Ormuz a indenização de guerra e Trump responder cobrando compensação do próprio Irã.
S&P 500 caiu 0,1% e Nasdaq, 0,3%; o juro americano de 10 anos foi a 4,70%.
No Brasil, Ibovespa caiu 0,14%, aos 172,2 mil pontos, o dólar subiu 0,53%, a R$ 5,1106, e os juros futuros abriram, com o Jan33 avançando 10 bps.
HOJE / MADRUGADA (11 de agosto)
Ata do Copom às 8h: corte para 14% por unanimidade, sem sinalização de próximos passos. Às 9h, IPCA de julho em 0,07%, com os 12 meses caindo de 4,64% para 4,44%.
Brent tocou US$ 90 pela manhã e recuou para perto de US$ 88; o juro americano de 30 anos foi a 5,27%, máxima do ano.
Intel levantou US$ 20 bilhões em oferta de ações, um terço acima do alvo anunciado na véspera. Nikkei subiu 2,08%.
A guerra voltou a mandar no preço. O alívio em Ormuz que derrubou o Brent na semana passada durou dois pregões: o Irã condicionou a reabertura do estreito a indenização de guerra, e Trump respondeu na mesma moeda, cobrando compensação do próprio Irã, dizendo que a Marinha já limpou as minas e que o estreito virou uma “muralha de aço” americana. Resultado: o barril saiu de US$ 82 na sexta pra US$ 90 hoje cedo, os produtores do Golfo já tratam o bloqueio como permanente e o frete de supertanque encosta em US$ 500 mil por dia.
Por aqui, o dia foi de dados comportados: IPCA de julho em 0,07%, com a folga vindo justamente dos combustíveis que o barril ameaça encarecer, e ata do Copom sem novidade, tudo em aberto, data dependent. Amanhã o CPI americano é muito importante. Pode testar se Warsh é tão duro quanto o discurso.
A retórica de Trump bate direto no Brent. Em abril, o acordo com o Irã afundou o petróleo 9,1% e a dúvida sobre o cessar-fogo devolveu 5,6%. Em julho, a ameaça de taxar em 20% os embarques de Ormuz disparou 9,6% num dia, e a promessa de “boa chance” de avanço derrubou 4,8% antes de novo ataque reverter tudo. Dados até 10 de agosto. Fonte: Bloomberg, com dados da ICE.
Segue o texto resumido que envio no WhatsApp:
Inflação no Brasil deu folga em julho, mas o barril bateu US$ 90 de novo
📅 11 de agosto. Bom dia.
📉 IPCA de julho em 0,07%, vs. 0,03% esperado, desacelerando: 12 meses caem de 4,64% pra 4,44%. Combustíveis recuaram 1,44%. Núcleos acima do previsto, mas em tendência de queda. Nada que mova mercado.
🏦 Ata do Copom sem grande novidade, tudo em aberto: data dependent, como os bancos centrais em geral. Pra XP, choques de oferta (energia, El Niño) e demanda pelo fiscal justificam manter a Selic. Mas a ata não fecha porta.
🛢️ Brent bateu US$ 90 pela manhã e recuou para US$ 88. Trump diz que a Marinha dos EUA limpou as minas de Ormuz e quem deve ser compensado são os EUA pelo Irã. Mesmo assim, Paquistão diz que ainda vão assinar algum acordo.
🇺🇸 Amanhã, CPI. Núcleo em 0,2% alivia Warsh; acima disso, precisa provar que é duro como diz. Mercado desconfia: juro de 30 anos na máxima, 5,27% (petróleo ajuda nisso).
🗳️ Futura: Lula 46,5 x 44 no 2º turno. Detalhe: Flávio lidera a rejeição, 47,1%.
Abaixo tudo de importante entre ontem e hoje (resumido com ajuda de IA)
Stoxx 600 sobe 12% no ano, com Alemanha, Itália e França em máximas (Bloomberg Markets Daily).
Emergentes valem menos da metade do S&P 500 em P/L, desconto recorde (Bloomberg).
Iene devolve metade da intervenção conjunta e volta a 159 por dólar (Bloomberg).
RBA manteve o juro, mas Bullock avisa: mais aperto é “bem possível” (Bloomberg).
Crédito privado: inadimplência no maior nível desde 2021 nos grandes fundos (WSJ).
China taxa nozes-pecã americanas em 54% às vésperas da visita de Xi (Bloomberg).
EUA anunciam US$ 3 bi em minerais críticos na disputa com a China (Bloomberg Economics).
Brasil, mercado e empresas
Ibovespa -0,14%, aos 172,2 mil, testando o suporte; PRIO +6%, Vamos -5,2% (BTG Morning Call, Resumo do Mercado).
Dólar +0,53%, a R$ 5,1106; juros futuros abriram até 10 bps (BTG Morning Call, Fechamento XP).
Focus: PIB de 2027 recua pra 1,52% (Fechamento XP).
OMC: EUA aceitam a consulta do Brasil sobre as sobretaxas; China quer participar (BTG Morning Call, Estadão).
JBS: primeiro prejuízo em 11 trimestres (US$ 102 mi); troca de CEO em 2027 (BTG Morning Call, Estadão).
Natura: lucro cai 92%, afetado por derivativos (BTG Morning Call).
Apex Partners pede pré-recuperação judicial após afastamento da diretoria (Resumo do Mercado).
CSN recebe propostas pela totalidade da unidade de cimentos (Resumo do Mercado).
Emissão de CRAs desaba 77% com a crise do agro (Resumo do Mercado).
Caso Oncoclínicas: dois executivos do Goldman indiciados; o banco nega (Estadão).
BC vai reter por 24h envios de cripto acima de US$ 10 mil ao exterior, a partir de 2027 (BTG Morning Call).
Endividamento da baixa renda bate 85%, quarto recorde seguido (Resumo do Mercado).
Brasil, fiscal
Orçamento de 2026 sem verba pra R$ 105,5 bi em despesas; Saúde e Educação na frente da fila (Estadão).
Despesa financeira do governo: R$ 149 bi só no primeiro semestre (O Globo).
Precatórios viram alvo de Fachin e Galípolo (Valor).
BRB: Fazenda descarta solução provisória; conciliação com Fux na quinta (O Globo, Estadão).
Brasil, política e eleições
Futura: Lula 46,5 x 44 no 2º turno, empate técnico; no 1º, 38,8 x 34,1 (Futura via XP Política).
O detalhe da Futura: Flávio lidera a rejeição, com 47,1%, acima até de Lula, com 45,9% (Futura via XP Política).
No histórico do instituto, os dois caem juntos desde maio; brancos, nulos e outros somam quase 20% (Futura via XP Política).
CNN: o conselho a Lula é anunciar ajuste fiscal logo após eventual vitória, sem repetir 2015 (CNN Brasil).
Motta declara apoio à reeleição de Lula após o Republicanos rejeitar Flávio (Folha).
PEC da 6x1 dificilmente passa no Senado em agosto (G1, News XPress).
São Paulo: Tarcísio 50,6 x 33,6 sobre Haddad no 1º turno (Ideia/ACSP via Estadão).
PT e PL turbinam o fundo eleitoral das candidaturas ao Senado (Estadão).
Zema quer MP pra privatizar a Petrobras no primeiro dia, diz assessor; Caiado cita Armínio Fraga como conselheiro (Estadão, CNN Brasil).
Milei compartilha post em que Lula é chamado de porco (Folha).
Eleitorado 60+ vira quase um em cada quatro votos, recorde (TSE via the news).
Taxa das blusinhas: Congresso decide até 8 de setembro (Estadão, News XPress).
Internacional, outros
Colômbia: terremoto de 7,4 mata ao menos 132 e atinge a região cafeeira (Bloomberg, Estadão).
É o primeiro teste de De la Espriella, empossado na sexta prometendo cortar 40% do gasto (Bloomberg Politics).
Adani tem o caso de fraude arquivado nos EUA (Bloomberg).
Trump corta de 17 pra 11 as vacinas infantis recomendadas, repetindo tese sem base científica (NYT, WSJ).
Bezos e Saverin encaminham fatia do Liverpool a valuation de US$ 5,9 bi (Resumo do Mercado).
Drone com explosivo atinge cargueiro ucraniano em Leipzig; suspeita de sabotagem russa (Bloomberg Businessweek).
AGENDA DA SEMANA
Hoje: vendas de moradias nos EUA às 11h; leilão do Tesouro às 11h30; reunião ministerial com Lula às 16h. À noite, CoreWeave, Super Micro e Lumentum reportam: o termômetro do trade de IA. MDA pode sair às 11h.
Quarta: o dado da semana, CPI de julho nos EUA às 9h30 de Brasília. Núcleo em 0,2% é a linha de corte pro Warsh. Leilão de Treasury de 10 anos e balanço da Cisco.
Quinta: PPI e seguro-desemprego nos EUA, fala de Hammack (dissidente que votou por alta), leilão de 30 anos, Applied Materials. Aqui, conciliação do BRB com Fux. PoderData pode sair.
Sexta: vendas no varejo e Michigan nos EUA. Quaest pode fechar a rodada de pesquisas da semana.
Domingo: ato de lançamento da campanha de Lula em São Bernardo do Campo.
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O BTG Pactual manteve a estratégia da carteira ETF Strategy inalterada para agosto. Apesar da melhora dos indicadores de atividade e inflação no Brasil, o banco avalia que os riscos relacionados à possível retomada do aperto monetário pelo Fed, aos impactos do El Niño e às incertezas fiscais ainda justificam uma postura defensiva. Assim, a alocação segue privilegiando títulos indexados à inflação de longo prazo, com posições neutras em renda variável, prefixados e pós-fixados.
BTG mantém alocação tática e reforça posição em inflação de longo prazo
A estratégia continua com sobrealocação em títulos públicos indexados ao IPCA de duration longa, diante dos prêmios ainda elevados, enquanto mantém exposição neutra em ações, renda fixa pós-fixada, prefixados e duration curta de inflação. Segundo o banco, o custo de aguardar novos dados econômicos antes de promover mudanças na carteira permanece baixo.
Carteira permanece sem alterações e mantém foco em diversificação
A carteira recomendada segue distribuída entre ETFs de renda fixa local, ações brasileiras e internacionais e crédito global. Entre as principais posições estão PACG11 (20%), SPXB11 (20%), DEBB11 (15%), LLFT11 (10%), PACC11 (10%), IBOB11 (10%) e HGBR11 (7,5%). O BTG destaca que a combinação busca equilibrar proteção e potencial de retorno em um ambiente ainda marcado por elevada incerteza macroeconômica.
O BTG Pactual manteve uma visão construtiva para a bolsa brasileira em agosto, mas ajustou a carteira 10SIM para um cenário eleitoral ainda incerto. Segundo o banco, boa parte do risco fiscal já está refletida nos preços dos ativos, enquanto o real segue menos sensível ao cenário. Diante disso, a estratégia foi aumentar a exposição a ativos que podem se beneficiar tanto de uma melhora quanto de uma deterioração do ambiente macro, reforçando posições ligadas ao câmbio, petróleo e serviços básicos.
Gerdau [#GGBR4] e Copasa [#CSMG3] entram; Ambev [#ABEV3] e Allos [#ALOS3] deixam a carteira
O BTG incluiu Gerdau [#GGBR4], elevando a exposição ao dólar e ao mercado norte-americano, onde espera manutenção de margens elevadas e demanda resiliente por aço. A Copasa [#CSMG3] também passa a integrar o portfólio após a privatização, com expectativa de ganhos operacionais sob a gestão da Equatorial e potencial para dividendos mais robustos. Para abrir espaço, Ambev [#ABEV3] e Allos [#ALOS3] foram retiradas da carteira.
Petrobras [#PETR4] ganha mais espaço; carteira reforça exposição a petróleo, câmbio e infraestrutura
O BTG elevou o peso de Petrobras [#PETR4] de 10% para 15%, destacando o forte momento operacional, a capacidade de capturar margens maiores no refino e um dividend yield estimado em cerca de 10% com o petróleo a US$ 70. A carteira passa a ter 35% de exposição a serviços básicos e infraestrutura (Axia, Eneva, Copasa e Motiva), 20% a empresas dolarizadas (Embraer e Gerdau), além de manter posições em Itaú [#ITUB4], Cury [#CURY3] e Totvs [#TOTS3], buscando um portfólio mais equilibrado para diferentes cenários macroeconômicos.
O BTG Pactual promoveu um ajuste pontual em sua carteira recomendada de fundos imobiliários para agosto, reduzindo a exposição ao segmento de recebíveis e ampliando a participação em galpões logísticos. O banco destaca que a expectativa de cortes na Selic pode beneficiar os FIIs, mas avalia que a pressão sobre os juros longos e os riscos fiscais ainda exigem seletividade na alocação.
HGLG11 entra; KNIP11 tem posição reduzida
A principal mudança da carteira foi a redução da participação de KNIP11 em 3 pontos percentuais e a inclusão de HGLG11 com peso equivalente. Segundo o BTG, o ajuste busca otimizar a relação entre risco e retorno do portfólio, preservando uma visão positiva para o KNIP11, que segue entre as principais posições da carteira, ao mesmo tempo em que aproveita o desconto superior a 10% de HGLG11 em relação ao valor patrimonial e o potencial de distribuição extraordinária de rendimentos após a venda recente de um ativo.
Carteira amplia exposição a galpões e mantém foco em renda
Com a mudança, a carteira passa a contar com 17 fundos, dividend yield anualizado estimado em 12,4% e desconto médio próximo de 9% sobre o valor patrimonial. A exposição ao segmento de galpões logísticos aumentou de 22% para 25%, enquanto a participação em fundos de recebíveis foi reduzida de 50% para 47%, mantendo a estratégia voltada para geração de renda e diversificação entre diferentes segmentos do mercado imobiliário.
O BTG Pactual promoveu duas alterações em sua Carteira Recomendada de Dividendos para agosto, reforçando o perfil defensivo do portfólio. O banco incluiu Compass (PASS3) e Engie (EGIE3), substituindo Caixa Seguridade (CXSE3) e Ambev (ABEV3). Segundo a casa, a estratégia continua focada em empresas com geração consistente de caixa, previsibilidade de resultados e potencial de distribuição de dividendos.
Compass [#PASS3] e Engie [#EGIE3] entram; Caixa Seguridade [#CXSE3] e Ambev [#ABEV3] deixam a carteira
A Compass passa a integrar a carteira por reunir ativos regulados de distribuição de gás, receitas indexadas à inflação e potencial de crescimento por meio da plataforma de infraestrutura da Edge. Já a Engie foi adicionada após a correção recente das ações, com o BTG destacando sua qualidade operacional, previsibilidade de fluxo de caixa e valuation atrativo. Para abrir espaço, saem Caixa Seguridade e Ambev.
Itaú, Petrobras e Vale seguem entre as principais apostas para dividendos
O BTG manteve posições em Itaú [#ITUB4], Petrobras [#PETR4], Vale [#VALE3], Bradesco [#BBDC4], Allos [#ALOS3], Copel [#CPLE6], TIM [#TIMS3], Cury [#CURY3], Copasa [#CSMG3] e Axia Energia [#AXIA3]. O banco continua destacando a combinação de geração robusta de caixa, valuations atrativos e potencial de dividendos elevados como os principais pilares da carteira.
A Safra realizou três mudanças em sua carteira de dividendos para agosto. Saíram Caixa Seguridade (CXSE3), Telefônica Brasil (VIVT3) e Bradesco (BBDC4), enquanto entraram Aura Minerals (AURA33), Taesa (TAEE11) e Porto Seguro (PSSA3).
As alterações refletem a busca por empresas com maior potencial de geração de caixa e distribuição de dividendos. A Aura foi incluída pelo potencial de crescimento da produção e geração de caixa, a Taesa pela expectativa de retomada dos dividendos após o ciclo de investimentos e a Porto Seguro pela consistência operacional, rentabilidade elevada e valuation atrativo.
A carteira manteve 10 ações com peso igual de 10% cada e dividend yield estimado de 8,4%. Em julho, o portfólio avançou 0,45%, abaixo do IDIV (+3,00%) e do Ibovespa (+3,47%). Desde janeiro de 2020, a carteira acumula 89,6% de retorno, ligeiramente acima dos 88,3% do IDIV.
A Safra realizou apenas uma alteração em sua Carteira Top 10 para agosto: retirou Bradesco (BBDC4) e incluiu Weg (WEGE3). A mudança reduz a exposição ao setor bancário, diante de um cenário mais desafiador para o crédito, e aumenta a participação em uma empresa que apresentou resultados acima das expectativas no 2T26.
A entrada da Weg reflete a expectativa de revisões positivas nas projeções, impulsionadas pela expansão da capacidade produtiva, novas fábricas e crescimento da demanda, especialmente em transmissão, distribuição de energia e data centers.
Em julho, a carteira avançou 0,47%, abaixo do Ibovespa (+3,47%). Desde sua criação, em janeiro de 2012, acumula 371,2% de retorno, ante 204,9% do Ibovespa, mantendo histórico consistente de superação do índice de referência.
A Safra promoveu duas alterações em sua Carteira Top 10 BDRs para agosto: retirou Microsoft (MSFT34) e Charles Schwab (SCHW34), realizando lucros após a forte valorização das ações, e incluiu Alphabet (GOGL34) e Goldman Sachs (GSGI34). Além disso, elevou a participação em TSMC (TSMC34) e NextEra (NEXT34) e reduziu o peso de JP Morgan (JPMC34).
A entrada da Alphabet reflete a avaliação de que a recente correção abriu um ponto de entrada mais atrativo, sustentado pelo potencial de crescimento em inteligência artificial e computação em nuvem. Já o retorno do Goldman Sachs ocorre após uma queda das ações, mesmo com resultados sólidos, em meio à expectativa de retomada das atividades de investment banking, mercado de capitais e gestão de recursos.
Em julho, a carteira avançou 2,55%, superando o S&P 500 (-1,25%). Desde sua criação, em junho de 2015, acumula 764,7% de retorno, ante 524,8% do S&P 500, mantendo um histórico consistente de desempenho superior ao índice de referência.
O Itaú realizou duas alterações em sua Carteira BDR para agosto: retirou Goldman Sachs e Micron e incluiu Visa (VISA34) e Exxon Mobil (EXXO34). A estratégia busca ampliar a exposição a empresas com bom momento gráfico e potencial de valorização, mantendo ainda Coca-Cola, Eli Lilly e TSMC na composição.
A entrada da Visa reflete a expectativa de continuidade da tendência de alta e potencial de valorização de 12,9%, enquanto a Exxon Mobil foi incluída diante do cenário favorável para o setor de energia e de sua configuração técnica positiva.
Em 2026, a Carteira BDR acumula alta de 5,72%, acima do BDRX (+1,43%). Desde seu lançamento, em maio de 2021, registra valorização de 102,08%, praticamente em linha com o BDRX (+103,16%).
Na atualização do mês, a XP promoveu uma ampla revisão na Carteira Top Ações. A casa aumentou a exposição a [#ROXO34], de 5,0% para 7,5%, projetando uma recuperação nos resultados do 2T26, e elevou [#GGBR4] de 5,0% para 10%, diante da expectativa de continuidade do forte momento operacional na América do Norte.
Além disso, a participação de [#EMBJ3] foi ampliada de 5,0% para 10%, sustentada por uma carteira de pedidos robusta. A exposição a [#PETR4] também dobrou, de 5,0% para 10%, para reforçar o peso do setor de óleo e gás, enquanto [#SBSP3] passou de 5,0% para 7,5%, com a expectativa de que a Sabesp seja uma das principais beneficiadas por uma retomada do fluxo de investidores estrangeiros.
Por outro lado, a [#B3SA3] foi retirada da carteira diante de um cenário mais desafiador para o mercado de capitais, pressionado pela perspectiva de juros elevados por mais tempo. A [#RENT3] também deixou o portfólio em um movimento tático, embora a XP mantenha visão positiva para a companhia. Já [#IGTI11] teve sua participação reduzida de 10% para 7,5%, como parte da estratégia de diminuir a exposição da carteira a empresas ligadas à economia doméstica.
Na atualização do mês, a XP incluiu [#TEND3] e [#ENGI11] na Carteira Top Dividendos Plus. A casa destaca o dividend yield atrativo e a melhora nas expectativas dos analistas para ambas as companhias, com base nos dados da LSEG.
Por outro lado, [#PLPL3] e [#POMO4] foram retiradas do portfólio em função da redução do dividend yield esperado e da piora nas expectativas dos analistas, também segundo dados da LSEG.
Além disso, a XP reduziu a participação de [#ITSA4] e [#PETR4] de 15% para 10%, em um movimento voltado ao reequilíbrio da estratégia da carteira.
Na atualização do mês, a XP aumentou a exposição às ações da [#MU] e [#UBER], ambas de 0% para 2,5%, reforçando o posicionamento da Carteira Top Ações Globais.
Para acomodar as novas posições, a gestora reduziu a participação de [#AMZN], de 5,0% para 2,5%, e de [#XOM], de 7,5% para 2,5%.
Em julho, a carteira teve retorno de 1,9%, superando o iShares MSCI ACWI ETF (ACWI), que recuou 0,3% no período.
Na atualização do mês, a XP incluiu [#WFC], [#AVGO], [#PEP] e [#VZ] na Carteira Top Dividendos Globais. A participação de WFC passou de 0% para 5,0%, enquanto AVGO, PEP e VZ entraram com peso de 2,5% cada.
Para acomodar as mudanças, a gestora reduziu a exposição a [#MS], de 7,5% para 5,0%, [#GS], de 10,0% para 7,5%, e [#CEG], de 5,0% para 2,5%. Além disso, [#VOD] foi removida da carteira.
Em julho, a carteira avançou 4,6%, superando o iShares Select Dividend ETF (DVY), que registrou alta de 3,1% no período.
Na atualização do mês, a XP reduziu a exposição aos fundos [#LVBI11] e [#PVBI11], ambos em 0,75 ponto percentual, como parte de um ajuste para diminuir a participação em fundos de tijolo com menor carrego e menos gatilhos de valorização no curto prazo.
Em contrapartida, a gestora ampliou a alocação em [#XPLG11] em 1,5 ponto percentual, destacando a qualidade do portfólio, a menor volatilidade e o maior potencial de geração de retorno do fundo.
Em julho, a Carteira Fundamentalista de Fundos Imobiliários recuou 0,42%, ante queda de 0,32% do IFIX. No período, o portfólio entregou dividend yield mensal de 1,01%, equivalente a 12,2% anualizados, e acumula valorização de 12,2% nos últimos 12 meses, desempenho equivalente a 110% do IFIX.
Na atualização do mês, a XP reduziu a participação de [#CXSE3], de 7,5% para 5,0%, após a forte valorização recente das ações. A gestora segue positiva com a companhia, destacando a forte atividade comercial, a sinistralidade controlada e o benefício do ambiente de juros elevados, mas avalia que o valuation passou a oferecer menor margem de segurança.
Além disso, a exposição à [#CPLE3] foi reduzida de 15,0% para 10,0%, em um movimento de realização parcial de lucros após o bom desempenho do papel desde sua inclusão na carteira. A XP também vê um cenário de preços de energia mais pressionados no segundo semestre de 2026, diante dos possíveis impactos do El Niño sobre o regime de chuvas.
Por outro lado, a [#CSMG3] foi adicionada ao portfólio com peso de 7,5%. A casa destaca a visão construtiva para a execução da companhia sob a gestão da Equatorial, além do balanço enxuto e da ausência de restrições relevantes para distribuição de dividendos, fatores que devem sustentar dividend yields atrativos nos próximos anos.
Na atualização do mês, a XP incluiu [#SLCE3] e [#TUPY3] na Carteira Top Small Caps, ambas com peso de 5%. A casa vê um cenário mais favorável para os preços de soja e algodão, impulsionando a tese da SLC Agrícola, enquanto destaca uma perspectiva mais positiva para a recuperação do mercado de veículos pesados nos Estados Unidos e avanços em governança como fatores favoráveis para a Tupy.
Além disso, a exposição à [#ALUP11] foi ampliada de 5,0% para 12,5%, refletindo uma visão mais construtiva para ativos defensivos e resilientes.
Por outro lado, a [#POMO4] foi retirada da carteira devido à maior preocupação com a dinâmica de resultados da companhia. A XP também reduziu a participação de [#TTEN3] de 10% para 5%, diante de um cenário mais desafiador no curto prazo, embora mantenha uma visão positiva para a tese de longo prazo. Já [#VIVA3] teve seu peso reduzido de 10% para 5%, como parte da estratégia de diminuir a exposição a ativos domésticos e cíclicos.
Na atualização de agosto, a Carteira Dividendos Gráfica realizou uma troca: [#AXIA3] foi retirada do portfólio e [#PRIO3] foi incluída.
A carteira é composta por 5 ativos, com peso de 20% cada, selecionados a partir das carteiras Top Dividendos e Top Dividendos Plus da XP. A estratégia busca retorno no médio prazo, utilizando exclusivamente análise técnica sobre os ativos selecionados.
Na atualização da Carteira Benndorf Dividendos, [#AXIA3] foi incluída na carteira, enquanto [#FIQE3] também aparece entre as movimentações de compra. A estratégia mantém um perfil mais conservador, com foco principalmente em empresas de alta capitalização e objetivo de superar o IDIV no longo prazo.
Entre os ajustes de posição, a casa realizou aumentos em [#DIVO11] e [#SEER3], enquanto [#CXSE3] teve sua exposição reduzida. Os ajustes são justificados pela realização de lucros, adequação ao valuation e, principalmente, pelo alinhamento ao cenário técnico.
Na atualização da Carteira Benndorf Small Caps Valorização, [#DIRR3] foi incluída entre as compras, enquanto [#PLPL3] também aparece entre os ativos classificados para compra.
Entre os ajustes de posição, a casa realizou aumento em [#SEER3] e redução em [#FIQE3]. A estratégia tem perfil mais arrojado, com foco principalmente em small caps e busca por assimetrias de mercado, visando superar o índice SMLL no longo prazo.
Na atualização de agosto da Carteira Benndorf FIIs – Renda, a casa aumentou a exposição a [#CDII11] em 2,0% e a [#BTCI11] em 2,5%, utilizando os recursos provenientes das reduções realizadas em outros fundos.
Por outro lado, as posições em [#RZAT11] e [#RZAK11] foram reduzidas em 2,5% e 2,0%, respectivamente. A decisão considera a precificação favorável desses fundos em relação aos pares e a expectativa de redução dos rendimentos nos próximos meses, o que pode elevar a volatilidade das cotas.
Segundo a casa, o aumento em [#BTCI11] reflete o perfil indexado ao IPCA, o risco moderado e a relevante reserva de resultados acumulados, características que favorecem a geração de renda e a estabilidade do portfólio.
Na atualização de agosto, a Carteira Benndorf FIIs – Valorização zerou a exposição ao MANA11 e reduziu as posições em RECR11 e XPML11, após a boa precificação desses fundos em relação aos pares e a consequente redução do potencial de valorização no curto prazo. No caso do XPML11, a expectativa de queda nos rendimentos distribuídos também pode pressionar a cotação nos próximos meses.
Por outro lado, a exposição ao CDII11 foi elevada de 11,5% para 15,5%, buscando reduzir a volatilidade da carteira e aumentar a indexação ao CDI no curto prazo. A posição em HGLG11 também foi ampliada após a venda de um ativo logístico elevar a geração de caixa e os rendimentos do fundo. Além disso, o JSAF11 teve sua participação aumentada devido ao elevado desconto sobre o valor patrimonial, à qualidade da carteira e ao nível de caixa de aproximadamente 26% do patrimônio.
Na atualização de agosto, a Carteira Benndorf FI-Infra reduziu as posições em IFRI11, BINC11 e BIDB11. No caso de IFRI11 e BINC11, a casa espera uma normalização dos rendimentos após o encerramento das ofertas, enquanto os dois fundos negociam com ágio sobre o valor patrimonial. Já no BIDB11, a redução reflete a avaliação de que o fundo está adequadamente precificado e possui baixa liquidez.
Por outro lado, a exposição ao CDII11 foi elevada, aproveitando o desconto sobre o valor patrimonial após a forte desvalorização no semestre e a expectativa de distribuição mensal próxima a R$ 1,00 por cota. Além disso, JURO11 e DIVS11 também tiveram suas posições ampliadas, diante dos descontos em relação ao valor patrimonial, que oferecem maior margem de segurança.
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Brent despencou 9,2% a US$ 87,8, no 3º dia sem ataques EUA-Irã e com Trump falando em “boa chance” de acordo.
Sell-off de chips em NY: Nvidia caiu 5%, ASML caiu 8,4% e a chinesa CXMT estreou subindo 466% em Xangai, virando a empresa mais valiosa listada na China continental.
Ibovespa subiu 0,74% aos 175.334 pontos; dólar subiu 0,60% a R$ 5,1116. O governo apresentou pedido de consulta à OMC contra o tarifaço.
HOJE / MADRUGADA (28 de julho)
Pânico na Ásia: Kospi desabou 10,84% com o pregão suspenso 2 vezes, Samsung e SK Hynix caíram mais de 13%, Nikkei recuou 3,95%.
Brent amplia a queda a cerca de US$ 85; sauditas interceptaram drones de milícias pró-Irã de madrugada.
IPCA-15 sai às 9h (consenso 0,22%, XP 0,26%); o Fed decide amanhã com o mercado precificando cerca de 1/3 de chance de alta.
No dia 17 escrevi que o trade de chips tava desinflando. Na quinta passada, quando o Kospi caiu 5,7%, chamei de pancada. Hoje a palavra ficou pequena: a bolsa da Coreia derreteu 10,8% num dia só, teve o pregão suspenso duas vezes, e o índice global de semicondutores da MSCI caminha pro pior mês desde 2022, como mostra o gráfico aí embaixo. Repare no desenho das barras: desde 2023 esse índice praticamente só conheceu mês de alta forte. É a primeira vez em três anos que a tese leva um teste de verdade, e não foi balanço ruim que provocou: a TSMC entregou lucro recorde há duas semanas e caiu assim mesmo. Quando resultado bom já não segura o preço, o problema não é o lucro de hoje, é o preço que se pagou pelo lucro de amanhã.
Chips globais caminham pro pior mês desde 2022 (MSCI World Semiconductors, performance mensal). Fonte: Bloomberg.
E o que provocou? Difícil cravar um culpado só, então listo os três da semana: a estreia da CXMT subindo 466% e o relato de que a China já produz máquina de litografia, que juntos atacam a premissa de que o Ocidente controla o gargalo da cadeia; e a Nvidia negociando garantir US$ 250 bi pra OpenAI, nada assinado ainda, que alimenta o medo do financiamento circular, o vendedor bancando o comprador. Pra tese das duas forças que venho acompanhando, a que suga capital pro trade de IA americano perdeu tração.
Agora o calendário vira protagonista: amanhã Microsoft e Meta reportam no mesmo dia da decisão do Fed, e quinta vêm Apple e Amazon com PCE e PIB. A Citadel prevê que Warsh sobe o juro justamente pra firmar credibilidade, enquanto Trump, ontem, chamou o chair de “fantástico”, pediu juro mais baixo e jogou a culpa do aperto nos diretores “com más intenções”. Ou seja: se Warsh subir, contradiz em público o presidente que acabou de abençoá-lo. Por aqui, o IPCA-15 de hoje calibra o Copom da semana que vem. É por isso que o título de hoje não tem pergunta: os próximos três dias respondem sozinhos.
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Próximos dias importantíssimos pro fluxo internacional
📅 28 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
💻 O trade de IA levou mais uma pancada: o índice de semicondutores caiu 2,2% ontem em NY e hoje o Kospi derreteu 10,8%. Três motivos: 1) estreia da chinesa CXMT subindo 466%; 2) relato de que a China já produz máquina de litografia (ASML -8%); 3) Nvidia negociando garantia de US$ 250 bi pra OpenAI, nada assinado ainda.
📊 A prova de fogo vem em sequência: amanhã Microsoft e Meta reportam no dia do Fed; quinta, Apple e Amazon, com PCE e PIB. A aposta de alta segue em 1/3, e a Citadel prevê que Warsh sobe pra passar a mensagem. Só que ontem Trump chamou Warsh de “fantástico” e pediu juro mais baixo. Será que sobe mesmo?
🛢️ Brent devolve prêmio: US$ 85, 4º dia de trégua EUA-Irã. Irã e Omã negociam reabrir Ormuz.
🇧🇷 IPCA-15 sai às 9h (consenso 0,22%, XP 0,26%), dado-chave pro Copom. Ontem o Ibovespa subiu 0,74%, mas o dólar foi a R$ 5,11. E o governo acionou a OMC contra o tarifaço.
TUDO DESTA MANHÃ EM TÓPICOS (com as fontes)
Mercados / Tech / IA
Kospi -10,84% com pregão suspenso 2 vezes, Samsung e SK Hynix -13%+, Nikkei -3,95%, Taiex -4%; sell-off global de chips se aprofunda (Bloomberg, FT, WSJ, BTG Morning Call, News XPress)
SK Hynix já perdeu ~US$ 600 bi de valor, -47% desde a máxima de junho, mesmo com lucro recorde esperado pra amanhã (Bloomberg)
CXMT estreia +466% em Xangai, vira a empresa mais valiosa listada na China continental; Apple faz lobby pra ela não entrar em blacklist; fundos do fundador da DeepSeek entre os maiores ganhadores do IPO (Bloomberg, WSJ, Barron’s)
Relato de que empresa estatal chinesa produz máquinas de litografia DUV; ASML -8,4% ontem e cai mais hoje; Musk: China “mais perto de resolver a litografia do que se imagina” (The Information via WSJ, Bloomberg)
Nvidia: US$ 750 bi em deals de infraestrutura de IA, incluindo garantia de US$ 250 bi pra OpenAI (data center de US$ 500 bi da SoftBank em Ohio); medo de financiamento circular; CDS da Nvidia com maior salto da história (WSJ, Bloomberg, NYT, DealBook)
Taiwan detém funcionário da Nvidia em investigação de contrabando de chips pra China (Bloomberg)
Apple retoma posto de empresa mais valiosa do mundo, ultrapassando a Nvidia (NYT)
Debate open vs closed models: Huang, Meta e Microsoft pró-abertos; Anthropic e OpenAI contra; China ameaça retaliar se EUA sancionarem suas empresas de IA por distillation (DealBook, Bloomberg)
YMTC (memória chinesa) também deve fazer IPO este ano (Barron’s)
Singapura alerta pra riscos econômicos se o boom de IA desandar (FT)
CME lança futuros de ação única sobre 50+ empresas (Bloomberg, WSJ)
Corrida de ETFs especulativos: 728 lançamentos no 1º semestre, recorde (WSJ Markets A.M.)
Fed / Macro global
Fed decide amanhã; aposta de alta ~1/3; decisão mais imprevisível em anos; Warsh falando menos de propósito (Bloomberg, WSJ, Barron’s)
Citadel Securities prevê alta surpresa pra firmar credibilidade de Warsh (Bloomberg)
Trump chamou Warsh de “fantástico”, disse que “rates should be lowered” e acusou diretores do Fed de “más intenções”; Logan (Dallas Fed) vinha pedindo juro “modestamente mais alto” (CNBC)
Semana de bancos centrais: BoE e BoJ na quinta; BoE deve manter mesmo com petróleo, após 3 meses de inflação abaixo do esperado; ECB já sinalizou disposição de subir (FT, Bloomberg)
Treasuries fecham 1-3 bps com queda do petróleo; 10 anos a 4,61-4,64% (Macro Strategy, BTG)
Lucro industrial chinês desacelera a +15,1% em junho, pior do ano; chips chineses com lucro +2.580% no semestre: recuperação desigual (FT, Bloomberg)
China diz que EUA aceitaram teto de 20% nas tarifas substitutas (Bloomberg)
Renúncia surpresa do presidente do BC da Indonésia derruba rúpia, bolsa e títulos; temor de perda de independência (Bloomberg, FT)
Japão: pressão do governo Takaichi por investimento doméstico dos fundos de pensão; GPIF resiste; aprovação de Takaichi despenca (Bloomberg, FT)
Qualcomm prepara reajuste de dois dígitos em chips: preço de celular vai subir (Canal Tech via XP Inflation)
Geopolítica / Petróleo
Brent ~US$ 85 (-2,9%), 4º dia de trégua EUA-Irã; Trump vê “boa chance” de acordo mas ameaça voltar “com força”; Irã nega estar implorando (Bloomberg, WSJ, the news, News XPress)
Irã e Omã negociam reabrir Ormuz, inclusive a “passagem do meio”; chanceler iraniano ligou pra sauditas e Omã (Bloomberg, BTG)
Sauditas interceptam drones de milícias pró-Irã do Iraque contra instalações de petróleo; Houthis seguem ativos no Mar Vermelho (BTG, NYT)
Motivo da pausa: Centcom avaliou que a campanha esgotou os alvos; estoque de interceptores em queda (WSJ, BTG)
Netanyahu vê Trump hoje; quer “vigilância constante” sobre o nuclear iraniano; reunião sem imprensa (Bloomberg Politics)
Ucrânia atacou embarcação iraniana no Mar Cáspio: as duas guerras se conectam (WSJ, BTG)
Zelensky em Washington após visita ao Reino Unido; Burnham compartilha tecnologia “Stone Cloak” anti-defesa aérea russa (Bloomberg)
Trump: rodovia de 1.055 km no Saara Ocidental vai levar seu nome (Bloomberg)
Brasil: macro e mercado
IPCA-15 às 9h: consenso 0,22%, XP 0,26% (News XPress, XP Macro, BTG)
BoP às 8h30: mercado vê déficit de US$ 2,3 bi em conta corrente, XP US$ 2,0 bi; IDP ~US$ 5,5 bi (News XPress)
Ibovespa +0,74% aos 175.334, mesmo com PETR4 -2,8%; dólar +0,60% a R$ 5,1116, destaque negativo sem apoio do petróleo; curva ganhou inclinação (Jan28 -15 bps) (BTG, Macro Strategy)
Governo aciona OMC contra o tarifaço (25% + 12,5%), em órgão paralisado pela falta de indicações dos próprios EUA (News XPress, Estadão, BTG)
Focus: IPCA 2026 recua pela 4ª semana seguida; PIB 2027 de 1,65% pra 1,60% (Macro Strategy, Estadão)
Confiança do consumidor FGV cai a 88,3, menor desde fevereiro, 3ª queda seguida (BTG)
“Jabutis” na conta de luz: comissão do Senado aprova custos de até R$ 1 tri a R$ 1,5 tri em 30 anos em votação relâmpago (Folha, Estadão via XP Inflation)
Tesouro pede ao Senado teto anual de US$ 35 bi pra emissões externas, substituindo limite acumulado de US$ 100 bi (Resumo do Mercado, the news)
Governo manterá subvenção a combustíveis “até o mercado melhorar”; defasagem Petrobras: diesel -69%, gasolina -54% (Poder360, Abicom via XP Inflation)
Lula-Xi por telefone: acelerar acordo Mercosul-China; Lula também recebeu presidente da Coreia do Sul (Folha, Estadão, the news)
Deflação de alimentos se acentua; Aneel decide reajustes hoje, efeito líquido neutro pra XP (Folha, XP Inflation)
FGTS decide hoje distribuição de R$ 13 bi de lucro (Estadão)
INCC e sondagem da construção às 8h; leilão de LTN/NTN-F (BTG)
Eleições (68 dias pro 1º turno)
Zema oficializado pelo Novo, sem vice, forte anti-PT mas evita atacar Flávio de olho em aliança no 2º turno; Joaquim Barbosa como vice é improvável (News XPress, Estadão, O Globo, Metrópoles)
MDB libera diretórios e não apoia ninguém (News XPress, Folha)
Vice de Flávio: Priscila Costa (aliada de Michelle) ganha força com chance de chapa pura; Marcos Pontes se oferece; Centrão se afasta (News XPress, Folha, O Globo, Estadão)
Governo lê ofensiva Trump-Milei como interferência estrangeira coordenada; teme escalada nas redes perto da votação; abalo “sem precedentes” com a Argentina, mas Itamaraty pede cautela aos ministros (News XPress, CNN, Folha, Estadão)
PT aciona TSE, STF e PGR contra vídeo de Bolsonaro em IA e presença de Milei (Estadão, O Globo)
Datafolha: 52% acham que Trump usa tarifaço pra ajudar Flávio; 74% preferem negociar a retaliar; dificuldade persistente de Flávio com eleitorado feminino (Folha)
Lavareda: eleitor pode “pular pra outro” se más notícias de Flávio continuarem; Faria Lima torce por desembarque em favor de Caiado (Estadão, Folha)
Daniella Marques vende Orçamento Base Zero na Faria Lima: corte de R$ 160-220 bi/ano; Traumann vê otimismo exagerado (O Globo/Traumann)
Lula: campanha vai recontar sua trajetória, não o governo; recorde de gastos com publicidade (R$ 255 mi no semestre); TSE dá 48h pra explicar uso de canais oficiais (O Globo, Estadão)
Primeiro debate adiado de 16 pra 23/08; Lula deve ir, mas sem martelo batido (News XPress, Valor)
Governo negou visto a 2 funcionários do Departamento de Estado que viriam “observar” as urnas; STF chamou missão de “escandalosa” (the news, BBC)
Tarcísio terá 71% do tempo de TV em SP; PSD quer colar Caiado em Tarcísio (”Carcísio”); SP vira desafio pra Flávio (Estadão)
Pesquisas no radar: Atlas pode sair hoje; PoderData e Vox quinta/sexta (News XPress)
Radar internacional secundário
Incêndios recordes na França e Espanha: 300 mil+ evacuados, emergência nacional, fogo avança sobre Bordeaux; custo fiscal já preocupa (Bloomberg, NYT, the news)
Índia: Modi cede aos protestos “cockroach”, ministro da Educação renuncia (Bloomberg, NYT)
Keiko Fujimori toma posse no Peru hoje (Bloomberg Politics)
Atentado em parada LGBT+ em Berlim; suspeito morto pela polícia (Bloomberg, NYT, Folha)
Trump propõe novas tarifas substituindo as de 10% que expiram sexta; FT: “Trump remonta seu muro tarifário... e ninguém reagiu” (Barron’s, FT, John Authers)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: IPCA-15 às 9h (consenso 0,22%, XP 0,26%) e balanço de pagamentos às 8h30 no Brasil; confiança do consumidor às 11h nos EUA. Balanços de Coca-Cola, Boeing, Visa, Ford e PayPal. Pesquisa Atlas pode sair.
Quarta: o dia do ano até agora: decisão do Fed às 15h, coletiva de Warsh às 15h30, e Microsoft e Meta reportam após o fechamento. O capex de IA é o número que o mercado vai caçar. SK Hynix também reporta, com lucro recorde esperado e a ação 47% abaixo da máxima.
Quinta: Apple e Amazon após o fechamento; PCE e PIB do 2T nos EUA; decisões do BoE e do BoJ. PoderData pode sair.
Sexta: Chevron e Exxon reportam; índice de custo do emprego nos EUA; expiram as tarifas temporárias de 10% de Trump, com as substitutas já anunciadas. Pesquisa Vox pode sair.
Semana que vem: Copom decide dia 4 e 5, com o IPCA-15 de hoje como último grande insumo.
Ibovespa caiu 1,52% na sexta, aos 174.042 pontos, na contramão do dólar (R$ 5,08) e dos juros futuros, que cederam. Na semana, alta de 0,19%.
EUA pausaram os ataques ao Irã na sexta à noite, após 13 noites seguidas, sem anúncio oficial. O Irã manteve a pausa e negociou com Omã sobre o Estreito de Ormuz durante o fim de semana.
Nvidia negocia garantir US$ 250 bi de financiamento para a OpenAI arrendar o data center de 10 GW da SoftBank em Ohio, dentro de uma rodada de acordos que pode passar de US$ 750 bi.
Convenção do PL oficializou Flávio no sábado. Milei chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”; o Itamaraty convocou o embaixador argentino. Datafolha de sexta: Lula 48% x Flávio 43% no 2º turno.
HOJE / MADRUGADA (27 de julho)
Brent cai cerca de 8% e perde os US$ 90 na 3ª noite sem ataques. Futuros de NY sobem cerca de 1% e o juro de 10 anos recua a 4,64%.
A aposta de alta do Fed na quarta recua de cerca de 40% para 1/3.
CXMT estreia em Xangai subindo 466% e vira a maior empresa listada onshore da China. Nexus: Lula 47% x Flávio 43%.
Até onde o Trump aguentava a guerra? Na sexta ele voltou a responder: “apesar do que dizem sobre a eleição, não estou com pressa”. E mesmo assim o barril desabou 8%. O mercado escolheu ignorar o que o presidente disse e comprar o que os fatos sugerem: três noites sem bombardeio, os veículos apontando munição no fim, alvos esgotados ou espaço pra diplomacia, e o Irã sentado com Omã pra desenhar a reabertura de Ormuz. É uma pausa que ninguém assinou. O preço está apostando que ela vira acordo.
Pro Brasil, o que importa é o efeito colateral: a força que sugava capital via juro americano afrouxou junto com o petróleo, e a aposta de alta do Fed na quarta voltou de 40% pra um terço. Mas a sexta já mostrou que alívio externo não vira fluxo automático por aqui: o Ibovespa caiu 1,52% num dia em que dólar e juros caíam, puxado por bancos e Petrobras, e a saída de estrangeiro desde o pico de abril já soma R$ 29,6 bilhões (XP).
A 69 dias do 1º turno, a eleição já se mistura com a política externa: Lula foi ao Washington Post rebater o tarifaço, o Itamaraty convocou o embaixador argentino depois dos ataques de Milei e negou visto a dois americanos que viriam falar de urnas. Nas pesquisas, sem novidade: Datafolha e Nexus mantêm Lula na casa dos 4 a 5 pontos à frente de Flávio.
Essa semana é uma da mais pesadas do ano: Fed na quarta, com Microsoft e Meta reportando no mesmo dia, Apple e Amazon na quinta junto com PCE e PIB. O trade de IA chega dividido: o mercado castigou a Alphabet por gastar demais e, dias depois, a Nvidia aparece negociando garantir US$ 250 bilhões de financiamento pra OpenAI e CXMT, a fabricante chinesa de chips de memória, estreou em Xangai subindo 466% e virou a maior listada onshore da China, com valor perto de US$ 484 bilhões (ainda menos da metade de Samsung e Micron).
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Petróleo desaba mais 8%
📅 27 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🛢️ O Brent perde os US$ 90. Um dos motivos é a 3ª noite sem ataques EUA-Irã, após 13 seguidas. Os veículos apontam munição acabando, alvos esgotados ou espaço pra diplomacia. Irã e Omã negociaram o fim de semana pra liberar Ormuz.
🇺🇸 Trump voltou a dizer na sexta que não está com pressa (mesmo com eleições de meio de mandato final do ano).
🏦 Com o barril cedendo, a aposta de alta do Fed na quarta recua de 40% pra 1/3.
🇧🇷 Sexta o Ibovespa caiu 1,52%, aos 174 mil, contra dólar e juros em queda. O governo desbloqueou R$ 5,7 bi no bimestral.
🏛️ Milei chamou Lula de “presidiário” na convenção de Flávio e o Itamaraty convocou o embaixador. Datafolha e Nexus saíram sem muita novidade.
📅 Hoje é vazio: só Focus e bens duráveis nos EUA, com Netanyahu vendo Trump. A semana é que pesa: Fed na quarta com Microsoft e Meta, Apple e Amazon na quinta com PCE e PIB, e o IPCA-15 por aqui.
Daqui pra baixo é a cozinha: um resumo por tópico de tudo que li hoje nos veículos e fontes que acompanho, com a origem de cada informação. Ter isso organizado me ajuda demais na leitura do dia, e imagino que ajude você também. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.
O RADAR COMPLETO (com as fontes)
Geopolítica / Petróleo
EUA pausaram os ataques ao Irã pela 3ª noite, sem anúncio formal. Os motivos reportados: estoque de munição de defesa aérea minguando (WSJ, NYT, Bloomberg) e recomendação do Centcom de que os alvos se esgotaram (BTG). A AP acrescenta a leitura de pausa pra diplomacia.
Trump disse na sexta que não está com pressa apesar das eleições de meio de mandato: “eleições se resolvem sozinhas” (AP/NPR). No mesmo dia, a Câmara aprovou pela 2ª vez resolução pra encerrar a guerra (AP/NPR).
Irã e Omã fizeram várias rodadas técnicas sobre Ormuz no fim de semana; o desenho em negociação é o Irã administrar o trânsito com menos restrição a navios (AP/NPR, Bloomberg, BTG). A China lidera o esforço pra retomar as conversas (BTG).
Brent perde os US$ 90 (queda perto de 8%), depois de passar de US$ 100 na quinta; WTI a US$ 83 (BTG, Bloomberg, FT). Ormuz segue praticamente vazio apesar da pausa, segundo dados de rastreamento de navios (Bloomberg).
Arábia Saudita atacou alvos houthis no Iêmen após o grupo anunciar bloqueio a portos sauditas e atingir ativos ligados à Aramco (BTG, Bloomberg). Os houthis dizem ter fechado o Bab el-Mandeb, e a saída saudita depende cada vez mais do Canal de Suez (WSJ, AP/NPR).
A Ucrânia atacou embarcação comercial iraniana no Mar Cáspio; o Irã promete resposta (BTG).
Netanyahu chega hoje a Washington pra ver Trump e diz que vai pressionar por vigilância constante do programa nuclear iraniano (WSJ, Bloomberg).
Bancos centrais / Macro EUA
Fed decide na quarta, 2ª reunião de Warsh: a aposta de alta chegou perto de 40% na semana passada e recuou pra cerca de 1/3 com a queda do petróleo (Bloomberg/John Authers, FT, Barron’s).
Jobless claims na mínima desde 1969 mantêm a barra baixa pra uma alta, na leitura de Marc Chandler, da Bannockburn (Bloomberg/Authers).
Treasury de 10 anos a 4,64%, recuando da máxima desde janeiro de 2025 (Bloomberg, BTG).
BoE deve manter o juro na quinta apesar do salto do petróleo, com a inflação britânica surpreendendo pra baixo há três meses (FT). BoJ também decide quinta, e o ECB já sinalizou disposição de subir de novo (Bloomberg).
Trump prepara nova leva de tarifas pra substituir as temporárias de 10%, com proposta de 10% sobre economias acusadas de subfiscalizar trabalho forçado (Barron’s).
Mercados / Tech
Semana com cerca de 175 balanços, 35% do S&P 500: Microsoft e Meta na quarta, Apple e Amazon na quinta (Barron’s, WSJ).
Nvidia negocia garantir cerca de US$ 250 bilhões de financiamento pra OpenAI arrendar o data center de 10 GW da SoftBank em Ohio, dentro de uma rodada de acordos de infraestrutura que pode passar de US$ 750 bilhões (WSJ, Bloomberg).
CXMT, a fabricante chinesa de chips de memória, estreou em Xangai subindo 466% e virou a maior listada onshore da China, com valor perto de US$ 484 bilhões: ainda menos da metade de Samsung e Micron (Bloomberg, WSJ).
Alphabet segue como a perdedora da temporada depois de elevar o capex de 2026 pra US$ 195 a 205 bilhões, mesmo com o Google Cloud crescendo 82% (Barron’s, XP Research).
SK Hynix negocia com prêmio de até 51% em NY versus Seul, o que o colunista James Mackintosh trata como sinal de espuma no trade de IA (WSJ).
Nvidia investe US$ 1 bilhão na Naver e monta com o grupo SK mais de 2 GW de data centers na Coreia do Sul (Bloomberg).
Lucro industrial chinês subiu 15,1% em junho, desacelerando de 21,1%, mas o recorte de circuitos integrados saltou quase 2.580% no semestre (FT, Bloomberg, BTG).
O presidente do BC da Indonésia, Perry Warjiyo, renunciou de surpresa por “razões pessoais” e derrubou moeda, bolsa e títulos locais, reacendendo o temor de perda de independência da autoridade monetária (FT, Bloomberg).
Brasil: mercado
Ibovespa caiu 1,52% na sexta, aos 174.042 pontos, puxado por bancos em bloco e Petrobras, na contramão de dólar (R$ 5,0809) e DI, que fechou entre 20 e 25 bps (BTG, XP Macro Strategy). Na semana, +0,19%.
Saída de capital estrangeiro da B3 soma R$ 29,6 bilhões desde o pico do Ibovespa, em 15 de abril (XP Research).
Governo desbloqueou R$ 5,7 bilhões de despesas discricionárias no relatório bimestral, por projeção menor de gastos com Previdência, BPC e pessoal (XP Macro Strategy).
Galípolo falou na Expert XP sem novidade sobre os próximos passos do BC (XP Macro Strategy).
IPCA de julho: XP projeta 0,13%, contra 0,26% do Focus; a inflação de 2026 no mercado ronda 5,13% (XP Macro).
Defasagem da Petrobras segue aberta com o barril perto de US$ 90, e o governo diz que mantém a subvenção aos combustíveis até o mercado melhorar (Abicom via XP, Poder360).
Brasil: política
A convenção do PL oficializou Flávio no sábado, com Tarcísio em discurso enfático, vídeo de Michelle, vídeo de Bolsonaro feito por IA e vídeo de apoio de Netanyahu (XP Política, Estadão, G1).
Milei discursou ao vivo, chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”; o Itamaraty convocou o embaixador argentino e chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires a consultas (Estadão, Folha, Bloomberg).
O Brasil negou visto a dois funcionários do Departamento de Estado americano que se reuniriam com autoridades eleitorais, citando risco de interferência no pleito (WSJ, Folha, the news).
Lula publicou artigo no Washington Post criticando as tarifas de Trump e rechaçando interferência externa (Estadão, the news).
Datafolha: Lula 48% x Flávio 43% no 2º turno; 52% acham que Trump usa o tarifaço pra ajudar Flávio e 74% preferem negociar a retaliar (Folha). A Nexus de hoje trouxe quadro parecido: 47% x 43% (XP Macro Strategy).
O PSD oficializou Caiado com Kassab de vice, e Caiado promete indulto a Bolsonaro se eleito; o Novo oficializou Zema (Estadão, XP Política). A Folha reporta que parte da Faria Lima torce por desembarque de Flávio em favor de Caiado.
A PF abriu inquérito pra rastrear o destino dos mais de R$ 60 milhões doados por Vorcaro, mantendo Flávio na berlinda (O Globo/Thomas Traumann).
Daniella Marques, porta-voz econômica de Flávio, vende na Faria Lima um Orçamento Base Zero com promessa de corte de R$ 160 a 220 bilhões por ano, sem detalhar as medidas mais duras (O Globo/Traumann).
O governo Lula bateu recorde de gasto com publicidade da Presidência em ano eleitoral: R$ 255,3 milhões no 1º semestre (Estadão).
AGENDA DA SEMANA
Hoje: agenda fraca: Focus, sondagem do consumidor da FGV e bens duráveis nos EUA. O evento é político: Netanyahu vê Trump em Washington, e essa conversa pode mexer com a pausa no Irã.
Terça: confiança do consumidor nos EUA e leva pesada de balanços tradicionais: Coca-Cola, Visa, Boeing, UPS.
Quarta: o dia do ano: Fed decide às 15h e Warsh fala às 15h30, com o mercado dividido entre manter e subir. Microsoft e Meta reportam após o fechamento, e o capex de IA é o número que o mercado vai caçar.
Quinta: Apple e Amazon reportam, e saem PCE (a inflação preferida do Fed) e a 1ª leitura do PIB do 2T. BoE e BoJ também decidem juros.
Sexta: Chevron e Exxon reportam, com o barril US$ 15 abaixo da máxima da semana passada. Sai o índice de custo de emprego do 2T nos EUA.
Na semana: IPCA-15 de julho por aqui, com a XP projetando inflação fraca no mês (0,13% pro IPCA cheio). É o número que diz se o Copom ganha ou perde espaço.
Na semana que passou, o Estreito de Hormuz voltou a ditar o ritmo dos mercados globais. Rumores de um possível cessar-fogo de dois meses derrubaram o barril de petróleo para US$ 87, menor nível desde abril, mas a inflação nos países desenvolvidos não acompanhou o alívio, e os bancos centrais chegam à semana mais importante do calendário sem margem para relaxar.
Estados Unidos
A narrativa do Fed entrou num capítulo novo. Kevin Warsh assume o comando do FOMC na reunião de quarta com a mudança que o mercado ainda não sabe decifrar. O que se sabe é o que ele vai manter os juros e remover o viés de queda do comunicado.
O CPI de maio trouxe algum conforto, mas o core PCE segue subindo, com estimativa de 3,4% anualizado. O dot plot deve migrar da mediana de um corte em 2026 para manutenção, com dois ou três membros sinalizando alta. Warsh herdou um Fed que prometeu mais do que entregou no ciclo desinflacionário, e a coletiva de imprensa será o primeiro teste real de como ele pretende contar essa história.
Brasil
O Copom chega à reunião de quarta em posição desconfortável. O IPCA de maio acelerou para 4,72% em doze meses, acima do teto da meta, puxado por alimentos e bens industriais. O núcleo deu um respiro, desacelerando para cerca de 5,0% em 3m/saar, mas serviços intensivos em trabalho ainda rodam perto de 7,5% na mesma métrica.
O mercado aposta que o comitê deve cortar 25 bps e levar a Selic a 14,25%, mas o comunicado deve ser duro como contrapeso ao corte.
Com fiscal expansionista, câmbio menos favorável e Oriente Médio sem resolução, Galípolo e equipe precisarão explicar por que ainda cortam sem soar como se ignorassem a realidade.
Calendário da Semana
Gostando da leitura? Increva-se
Rentabilidade das principais classes
Fluxo de capital estrangeiro B3
De olho nos gráficos
Ibovespa [IBOV]
O Ibovespa dá sinais de que pode estar tentando encontrar fundo na região dos 168.200 pontos, ensaiando movimentos de alta nos últimos pregões. Para Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o nível a observar agora é o dos 175.000 pontos. "Acima dessa região, vejo grande probabilidade do mercado voltar a subir até pelo menos os 183.000 pontos", afirmou. Caso o suporte dos 168.000 pontos seja perdido, Borges aponta a zona entre 166.000 e 156.000 pontos como a janela de compra a ser monitorada — faixa já comentada nas semanas anteriores. O analista, porém, mantém viés construtivo no curto prazo, uma vez que algumas ações já apresentam boas regiões de entrada para os próximos dias.
Aura Minerals [AURA33]
A Aura Minerals é um dos destaques da semana na avaliação de Borges, que vê oportunidade de compra no ativo. O papel saiu de uma máxima próxima aos R$ 181,00 e recuou até os R$ 90,00, movimento que o analista interpreta como a captura de liquidez de fundos anteriores e a formação de um suporte relevante. "Vejo grande probabilidade de que o ativo tenha encontrado fundo e agora tem uma bela oportunidade de compra nas próximas semanas", disse. O alvo projetado por Borges é a região dos R$ 117,00.
Bitcoin
O Bitcoin segue o roteiro baixista sinalizado nas últimas semanas e testa a região dos US$ 60 mil. Borges admite que o ativo pode apresentar alguma recuperação ou lateralização no curtíssimo prazo, mas mantém o viés de queda. "Ainda vejo grande probabilidade da perda dos US$ 60 mil nas próximas semanas, com o Bitcoin buscando entre US$ 50 mil e US$ 38 mil — região que entendo como um excelente ponto de entrada para uma carteira", projetou o analista.
Cyrela [CYRE3]
A Cyrela também entrou no radar de Borges. O papel acumulou quedas expressivas recentes e, na leitura do analista, capturou a liquidez das mínimas, posicionando-se agora em uma região de suporte relevante. O gatilho para uma entrada mais assertiva, segundo Borges, passa pelo rompimento da resistência nos R$ 22,95. "Após esse rompimento, a ideia é aguardar uma correção para então trabalhar compras com alvo entre R$ 28,00 e R$ 29,00", explicou.
Relatórios da semana
O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:
Brasil: Cenário Macro - BTG Pactual
O ambiente global desafiador, marcado por conflitos no Oriente Médio e inflação persistente nos Estados Unidos, continua adicionando pressões sobre o cenário doméstico. A equipe macroeconômica do BTG Pactual aponta que o forte superávit comercial brasileiro, impulsionado pelas exportações de petróleo, atua como um colchão de liquidez para o país, embora as incertezas externas e a resiliência da demanda interna exijam um monitoramento rigoroso das trajetórias de inflação e da condução da política monetária por aqui.
A perspectiva de melhora no momento de lucros e novos lançamentos operacionais motivaram a elevação da recomendação da Hypera (HYPE3) para Outperform (equivalente à compra). O Banco Safra estabeleceu um novo preço-alvo de R$ 29,50 por ação, incorporando em seus modelos o resultado do primeiro trimestre e premissas macroeconômicas atualizadas, com projeção de crescimento do PIB de 1,8% e taxa Selic média de 13,5% para o ano de 2026.
Telecom: Telefônica, TIM e América Móvil - Banco Safra
O setor de telecomunicações no Brasil mantém uma dinâmica competitiva racional e saudável após o processo de consolidação de mercado, com reajustes tarifários consistentes e expansão das margens de fluxo de caixa livre. Na atualização do setor, o Banco Safra reiterou a Telefônica Brasil (Vivo) como sua Top Pick, com preço-alvo de R$ 42,00, ao mesmo tempo em que elevou a América Móvil (AMX) para Outperform e rebaixou a TIM Brasil para Neutra devido ao enfraquecimento de seu momento operacional de curto prazo.
Mercado Livre: Além dos Serviços Bancários - BTG Pactual
A consolidação do Mercado Pago na América Latina transformou a plataforma de um simples processador de pagamentos em um pilar fundamental de inclusão financeira e retenção de usuários. O relatório do BTG Pactual destaca que o produto de investimento em contas digitais na Argentina converteu saldos inativos em ativos geradores de rendimento, expandindo a base de 500 mil contas em 2018 para mais de 20 milhões em 2024, o que fortalece as vantagens competitivas do ecossistema como um todo.
Num setor que acumula queda de cerca de 15% no ano, o JP Morgan decidiu separar vencedores e perdedores. O banco elevou Cury e Direcional para compra, manteve Cyrela e Eztec em neutro e cortou a MRV, numa revisão que reflete juros altos por mais tempo, incertezas macroeconômicas e riscos crescentes para empresas mais alavancadas.
O cenário macro que mudou o jogo
O pano de fundo é difícil. A Selic segue em território restritivo, o real continua pressionado e a incerteza eleitoral de 2026 paira sobre o humor dos investidores. O setor de construção civil acumula queda de cerca de 15% no ano, contra alta de 5% do Ibovespa no mesmo período. O múltiplo de preço/lucro forward de 12 meses do setor recuou para 5,6 vezes — um desconto de aproximadamente 30% em relação ao pico de 8,0 vezes registrado no início de dezembro de 2025. É nesse contexto que o JP Morgan revisou suas estimativas e promoveu mudanças de rating em três das seis construtoras que cobre.
A lógica do banco é direta: em um ambiente de juros altos por mais tempo, as empresas voltadas ao segmento de baixa renda — protegidas pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) e suas taxas subsidiadas — tendem a sofrer menos do que as expostas ao crédito imobiliário de mercado. “Nossa preferência pelo segmento de baixa renda reflete o atual ambiente macroeconômico no Brasil”, escreveram os analistas.
"Apesar de nossa visão relativamente positiva sobre a baixa renda, vale mencionar que as construtoras são nomes domésticos, e a deterioração contínua no macro prejudicaria a valoração do setor."
As mudanças de rating: quem sobe, quem desce
O banco promoveu o upgrade de Cury [CURY3] e Direcional [DIRR3] para Overweight (equivalente a “compra”) e rebaixou MRV [MRVE3] para Neutro. Cyrela [CYRE3] e Eztec [EZTC3] seguem com recomendação Neutra. Os preços-alvo foram cortados em média 11%, refletindo um aumento de 50 pontos-base no custo de capital e revisões para baixo nos lucros estimados.
A grande favorita do banco segue sendo a Tenda (TEND3), com upside de 62% e estimativas de lucro líquido para 2026 acima do consenso de mercado. A Direcional ganhou um upgrade por conta de catalisadores específicos: o potencial impacto do novo zoneamento urbano de Belo Horizonte sobre seu banco de terrenos e a parceria com a MDNE para lançamentos no Nordeste — iniciativas que, juntas, poderiam adicionar R$ 1,0 bilhão por ano em valor de vendas (PSV) no curto e médio prazo.
A bomba-relógio do 6x1
Um risco que ainda não está precificado pelo mercado ganhou destaque no relatório: a proposta de emenda constitucional que extingue a escala 6x1, aprovada pela Câmara em maio, agora aguarda votação no Senado. A mudança reduziria a semana de trabalho de 44 para 40 horas de forma gradual — e sem corte de salários.
Para as construtoras, o efeito seria direto sobre os custos de obra. O JP Morgan estima que a reforma pode reduzir a margem bruta ajustada das empresas em 1,0 a 1,5 ponto percentual, assumindo que o novo regime eleve em 5% os custos com mão de obra e que não haja repasse imediato nos preços das unidades. Para neutralizar o impacto, as construtoras precisariam aumentar o preço de venda em cerca de 2,0% a 2,5%.
A Cury seria a mais impactada entre as cobertas pelo banco, com a mão de obra representando 50% do seu custo de mercadoria vendida (CMV). A Eztec seria a menos afetada, com 35%. Ainda assim, os analistas pontuam que empresas do MCMV têm alguma proteção por meio dos reajustes nos tetos de preço do programa — o que ajuda a viabilizar eventuais repasses.
MRV: o caso à parte
O downgrade da MRV merece atenção especial. O problema não está no Brasil — o segmento core da empresa, ligado ao MCMV, segue evoluindo bem. O calcanhar de Aquiles é a Resia, subsidiária americana de apartamentos para aluguel (multifamily). O JP Morgan cortou a estimativa de lucro por ação de 2026 da MRV em 70% e a de 2027 em 35%, incorporando perdas adicionais decorrentes de desinvestimentos da Resia abaixo do preço esperado. A projeção é de prejuízo líquido de cerca de R$ 330 milhões na subsidiária americana apenas em 2026. Com a maior alavancagem do setor — relação dívida líquida/patrimônio de 102% no primeiro trimestre — a MRV é também a mais vulnerável a um ambiente de Selic elevada por mais tempo.
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O Nubank (ROXO34) assumiu o topo do ranking de preferência entre investidores institucionais no setor financeiro brasileiro, segundo pesquisa de sentimento divulgada pelo Bank of America (BofA) em 28 de abril. A fintech registrou um dos maiores saltos de posicionamento no primeiro trimestre de 2026 e agora figura como a ação mais comprada no setor — título que coloca ainda mais expectativa sobre o balanço do 1T26, previsto para 14 de maio, após o fechamento do mercado americano.
O levantamento, que ouviu 30 investidores locais e globais entre 16 e 26 de abril, traça um panorama em que o otimismo com a bolsa brasileira como um todo convive com cautela crescente em relação ao setor bancário. A preocupação central é a qualidade dos ativos — e o resultado do Banco Inter (INBR32) divulgado nesta quarta-feira (7) serviu de alerta vivo para o mercado.
BofA aponta Nubank como novo favorito; BTG e Itaú completam o pódio
No levantamento do BofA, o Nubank substituiu o BTG Pactual (BPAC11) no posto de ação mais detida pelos gestores no setor financeiro. O BTG e o Itaú Unibanco (ITUB4) se mantêm como segundo e terceiro colocados, respectivamente. Bradesco (BBDC4) e B3 (B3SA3) avançaram e ocupam agora a quarta e quinta posições.
Na ponta oposta, Banco do Brasil (BBAS3) e BB Seguridade (BBSE3) continuam sendo os nomes com maior posicionamento vendido. Santander Brasil (SANB11) e Caixa Seguridade (CXSE3) também tiveram aumento relevante de posições “short”.
A pesquisa também revela que as preferências mudam conforme o cenário macroeconômico. Em um ciclo de afrouxamento monetário, os investidores privilegiam XP, BTG e B3. Em um ambiente de juros altos por mais tempo (”higher for longer”), o Itaú desponta como o nome mais seguro. O Nubank e o BBDC aparecem como opções em ambos os cenários de corte de juros.
Ordem de posicionamento nas financeiras brasileiras pelos investidores pesquisados [Fonte: Bank of America Research]
Quase 90% dos investidores preocupados com inadimplência
O ponto de maior atenção no relatório do BofA é a qualidade dos ativos. Quase 90% dos entrevistados disseram estar preocupados com a trajetória da inadimplência ao longo de 2026. A divisão, porém, é quase exata: metade acredita que a deterioração já está precificada nas estimativas de consenso; a outra metade entende que o mercado ainda não incorporou o risco plenamente.
Para o Nubank especificamente, os investidores apontam o crescimento das operações no México como o principal catalisador positivo. Outros fatores monitorados de perto incluem a expansão nos EUA, a evolução da inadimplência no Brasil e o sucesso no lançamento de novos produtos financeiros.
Inter cai mais de 10% após balanço do 1T26: um termômetro para o setor
O cenário de preocupação com inadimplência ganhou concretude nesta quarta-feira com o resultado do Banco Inter. O banco reportou lucro líquido de R$ 394,8 milhões no 1T26 — alta de 5,4% em relação ao trimestre anterior e de 37,8% na comparação anual, praticamente em linha com as estimativas do BTG Pactual (R$ 393 milhões), o que implica um ROE de 15,5%.
No entanto, o aumento da inadimplência assustou os investidores. O índice de NPL acima de 90 dias subiu 40 pontos-base no trimestre, chegando a 5,1%. O NPL antecipado (acima de 15 dias) avançou 60 pontos-base, para 4,6%. A gestão do banco atribuiu o movimento a fatores sazonais, ao crescimento do portfólio de crédito consignado privado e a efeitos do ciclo de crédito.
As ações chegaram a recuar 10,12%, a R$ 34,80, na primeira metade do pregão — um sinal claro de que o mercado está com pouquíssima tolerância a surpresas negativas em qualidade de crédito.
Para o BTG Pactual, o resultado do Inter é “amplamente em linha” e confirma a melhora consistente de rentabilidade, mas reconhece que o banco vive um “limbo narrativo temporário”. A casa mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 60,00, destacando que o Investor Day do Inter, marcado para 11 de maio em Nova York, será uma oportunidade importante para a companhia realinhar as expectativas do mercado.
O que esperar do Nubank no 1T26
Com o balanço do Nubank marcado para a noite de 14 de maio, os analistas do JP Morgan — que têm recomendação de overweight para o papel — projetam lucro recorrente de US$ 879 milhões no trimestre, o que representaria crescimento de 70% na comparação anual e um ROE próximo de 30%.
Os principais pontos a serem monitorados no balanço são:
Crescimento da carteira de crédito: o JP Morgan estima expansão de 46% na base anual, com ganho de participação do crédito sem garantia (unsecured)
Inadimplência: o primeiro trimestre historicamente é mais fraco para NPLs antecipados — o mesmo padrão sazonal que afetou o Inter nesta semana. O debate em torno da qualidade de crédito no Brasil tende a tornar esse indicador o mais escrutinado do balanço
México: dados regulatórios mostram carteira crescendo 6% no trimestre, com inadimplência comportada — o principal vetor de crescimento da fintech no médio prazo
Eficiência: 2026 é considerado um ano de investimentos pelo Nubank. O JP Morgan projeta leve melhora de cerca de 200 pontos-base no índice de eficiência no 1T26, parcialmente influenciada pela sazonalidade
Imposto de renda efetivo: o JP Morgan projeta alíquota efetiva de 22%, ligeiramente acima do que parte do mercado precifica (abaixo de 20%), o que pode fazer com que o lucro antes de impostos do banco fique mais alinhado ao consenso do que o lucro líquido
O JP Morgan aponta que suas estimativas ficam 5% abaixo do consenso para o trimestre — o que sinaliza que qualquer surpresa positiva tem potencial para impulsionar o papel.
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A JHSF Participações registrou em 2025 o melhor resultado de sua história. O lucro líquido consolidado chegou a R$ 1,86 bilhão, alta de 116,9% frente a 2024, com receita bruta de R$ 3,7 bilhões, crescimento de 112% na mesma base de comparação. O EBITDA Ajustado saltou 145%, para R$ 1,8 bilhão. Os números foram divulgados na segunda-feira (30), e as ações JHSF3 reagiram com forte alta no pregão desta terça-feira (31).
O evento que transformou o balanço da JHSF
O principal vetor dos resultados consolidados foi a venda, em dezembro de 2025, de estoques do segmento de Incorporação para um fundo de investimento imobiliário (FII) estruturado pela própria JHSF Capital. A transação totalizou R$ 5,2 bilhões, superando a estimativa inicial de R$ 4,6 bilhões, e representou o maior IPO da história do mercado imobiliário brasileiro.
Os projetos vendidos incluem empreendimentos como Boa Vista Village, Reserva Cidade Jardim, São Paulo Surf Club Residences, Boa Vista Estates e Fazenda Santa Helena. O recebimento ocorre em duas tranches: R$ 3,491 bilhões já liquidados em dezembro de 2025, e R$ 1,744 bilhão previsto para dezembro de 2026.
A operação reconfigurou completamente a estrutura de capital da companhia. A JHSF saiu de uma dívida líquida de R$ 2,2 bilhões no terceiro trimestre para um caixa líquido de R$ 2,3 bilhões ao final do ano, com caixa bruto de R$ 5,4 bilhões e cobertura de amortização de dívida ampliada de 2,2 para 7,2 anos.
Para os analistas Bruno Mendonça, Pedro Lobato e Herman Lee, do Bradesco BBI, os resultados foram sólidos, com destaque para o fato de que o valor patrimonial líquido (NAV) estimado para a companhia é de R$ 11,9 bilhões, mais do que o dobro do valor de mercado registrado até o fechamento do pregão anterior, de R$ 5,9 bilhões. O banco mantém classificação “outperform” e preço-alvo de R$ 10 para JHSF3.
Renda recorrente cresce dois dígitos mesmo sem o efeito extraordinário
Ainda que a venda dos estoques tenha dominado os números consolidados, os negócios de renda recorrente da JHSF entregaram resultados igualmente relevantes por conta própria. A receita bruta do segmento somou R$ 1,4 bilhão em 2025, alta de 28% frente ao ano anterior, com EBITDA Ajustado de R$ 658 milhões e margem de 51%, a maior desde o início da série histórica da companhia.
O BB Investimentos destacou esse ponto em relatório: mesmo ao considerar apenas os negócios de renda recorrente, a receita somou R$ 1,3 bilhão no ano, crescimento de 26,6% frente a 2024.
Nos shoppings, as vendas consolidadas dos lojistas atingiram R$ 4,7 bilhões, crescimento de 12,5% na comparação anual, com taxa de ocupação de 99,2% ao final do ano. O Shopping Cidade Jardim se destacou com alta de 18,8% nas vendas e ocupação plena de 100%. O aluguel nas mesmas lojas (SSR) cresceu 11,5%, resultado que se mantém em trajetória de dois dígitos há nove trimestres consecutivos.
Em hospitalidade e gastronomia, a receita líquida consolidada foi de R$ 459,1 milhões, avanço de 13,1%. A diária média dos hotéis cresceu 10,9% no ano e o couvert médio dos restaurantes avançou 8,1%. O segmento opera atualmente com 11 hotéis e 34 restaurantes em funcionamento, além de oito novos hotéis em desenvolvimento, incluindo unidades em Milão, Londres, Miami e Sardenha.
O aeroporto executivo São Paulo Catarina foi o segmento de maior crescimento operacional da companhia: os movimentos de aeronaves subiram 55,9% no ano e os litros abastecidos avançaram 37,6%. Em dezembro de 2025, a operação conquistou também a liderança em movimentos nacionais, consolidando-se como a principal infraestrutura de aviação executiva do estado de São Paulo. A sexta expansão do aeroporto já foi iniciada, com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2026.
No segmento de residências e clubs, a receita bruta mais que dobrou, chegando a R$ 228,3 milhões, crescimento de 117,3%. A taxa de ocupação das unidades residenciais se manteve próxima a 100%, e dois novos clubs foram inaugurados em 2025: o Fasano Tennis Club e o São Paulo Surf Club.
Visão dos analistas: resultado misto na incorporação, força na renda recorrente
Para João Tonello, analista pleno da NMS Research, o resultado do 4T25 pode ser classificado como misto. Segundo ele, os ativos de renda recorrente mantiveram taxas de ocupação próximas a 98% e crescimento de vendas nas mesmas lojas acima da inflação, com margens EBITDA superiores a 40% no segmento de luxo. No entanto, o analista aponta que o segmento de incorporação ainda reflete o ciclo de juros elevados e a seletividade nos lançamentos, impactando o ritmo de reconhecimento de receita frente ao ano anterior.
Tonello também destaca que o custo financeiro atrelado ao CDI continuou pressionando o lucro líquido final ao longo do trimestre, e que os investimentos em projetos internacionais e expansões do aeroporto elevaram o consumo de capital no curto prazo. A recomendação da NMS Research é de compra do ativo acima de R$ 9,00, com stop sugerido em R$ 8,40 para quem já tem posição.
O Bradesco BBI reforça o argumento de valuation atrativo: a JHSF é negociada a 0,5 vezes o NAV e 6,0 vezes o EV/EBITDA da renda recorrente, contra 9,4 vezes das companhias de shoppings listadas em bolsa, sem que o mercado atribua qualquer valor à unidade de incorporação. Para os analistas do banco, isso parece excessivamente conservador.
JHSF Capital quadruplica AUM e entra no ranking das maiores gestoras de alternativos
Um dos destaques menos comentados do resultado foi o avanço da JHSF Capital, gestora de ativos da companhia. Em apenas três anos de operação, a gestora terminou 2025 com R$ 10,3 bilhões em ativos sob gestão, crescimento de mais de quatro vezes frente ao final de 2024, quando o AUM era de R$ 2,5 bilhões. Com isso, a JHSF Capital entrou para o ranking das dez maiores gestoras de ativos alternativos do Brasil.
O crescimento foi impulsionado pelo FII JHSF Capital Malls (JCCJ11), que captou R$ 780 milhões no quarto trimestre, e pelo FII de Desenvolvimento Imobiliário responsável pela aquisição dos estoques de incorporação. A gestora administra atualmente 17 fundos nacionais e internacionais.
Próximos passos e expansão do portfólio
Com landbank de aproximadamente R$ 30 bilhões em VGV potencial e diversas obras em andamento, a JHSF sinaliza continuidade do crescimento para 2026. Entre os destaques do pipeline estão a abertura do Boa Vista Village Town Center, prevista para meados do ano, as obras do Shops Faria Lima, a expansão do Shopping Cidade Jardim com novas flagships de Hermès, Chanel, Dior e Tiffany, além de novos hotéis Fasano em Milão, Londres e Miami.
No segmento residencial, 56 novas unidades de locação estão em desenvolvimento com entrega prevista para 2026, além da expansão da Usina SP e da continuidade do programa de memberships dos clubs.
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As ações da Cyrela (CYRE3 e CYRE4) apareceram entre as maiores quedas do Ibovespa no pregão desta sexta-feira (20), após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. Às 14h02, os papéis recuavam 5,90% e 6,11%, respectivamente, para R$ 25,51 e R$ 23,97 — a despeito de um resultado que, na superfície, veio sólido.
O lucro líquido do 4T25 totalizou R$ 682,2 milhões, com EPS de R$ 1,55 (+41% na comparação anual) e ROE anualizado de 27%. A receita líquida avançou 29% em relação ao mesmo período de 2024, chegando a R$ 3,23 bilhões — exatamente em linha com as estimativas do BTG Pactual, que manteve recomendação de compra com preço-alvo de R$ 40,00.
A virada contábil que mudou o jogo
O salto de receita, porém, tem uma explicação que o mercado rapidamente identificou: uma mudança no critério de reconhecimento de receitas. Antes do 4T25, a Cyrela só contabilizava receitas após seis meses do lançamento ou quando o empreendimento atingia 50% das vendas. Com a nova política, o reconhecimento ocorre assim que a empresa decide prosseguir com o projeto.
O efeito prático foi imediato. Projetos como o Epic e o Vista Milano contribuíram com R$ 328 milhões e R$ 131 milhões de receita no trimestre, respectivamente, além de R$ 302 milhões oriundos de empreendimentos lançados no próprio 4T25 — segundo relatório do BTG Pactual publicado nesta data.
“O desempenho mais forte da receita foi impulsionado por uma mudança na forma de reconhecimento contábil [...] Isso inflou a receita e o lucro no papel. Mas quando o investidor vai ver o caixa, a história é outra”, informou João Tonello, analista pleno, NMS Research
Enquanto o lucro contábil subia, a geração de caixa seguiu trajetória oposta. No 4T25 isolado, a construtora registrou queima de caixa de R$ 38 milhões — uma reversão em relação à geração positiva de R$ 61 milhões no mesmo trimestre de 2024. No acumulado do ano, a geração de caixa recuou de R$ 259 milhões em 2024 para apenas R$ 65 milhões em 2025.
A dívida líquida ajustada encerrou dezembro em R$ 2,3 bilhões — ante R$ 985 milhões um ano antes e R$ 886 milhões ao fim do terceiro trimestre de 2025. Em doze meses, a dívida mais do que dobrou.
“Lucro subindo, caixa caindo — esse descasamento é o que gera a queda. O mercado está separando o que é lucro contábil do que é geração de caixa real”, acrescentou o analista.
Velocidade de vendas dá sinal de alerta
Outro ponto de atenção levantado por analistas é o índice de Velocidade de Vendas sobre Oferta (VSO). Nos últimos doze meses, o indicador caiu para 45,2%, ante 55% no mesmo trimestre do ano anterior. Considerando apenas os lançamentos do 4T25, a VSO foi de apenas 38% — o que, num ambiente de juros elevados, sinaliza cautela crescente por parte do comprador de imóvel.
Para Tonello, há ainda um componente de “venda no fato”: o papel acumula alta de 22% em doze meses, e parte do movimento de queda desta sexta reflete a realização de lucros por quem antecipou o resultado positivo.
BTG mantém Buy, mas reconhece o ruído
O BTG Pactual, em relatório assinado pelos analistas Gustavo Cambauva, Gustavo Fabris e Antonio Pascale, manteve a Cyrela como sua principal escolha no segmento de médio e alto padrão, com recomendação de compra e múltiplo de 6x P/L para 2026E. O banco destacou que a maior parte da expansão de margens foi impulsionada pelo ajuste contábil — não por crescimento orgânico puro — e que o ambiente operacional para o segmento de renda média ficou mais desafiador recentemente.
“O resultado bonito na superfície, mas o mercado está lendo as entrelinhas — caixa fraco, dívida subindo e mudança contábil inflando os números. A queda faz sentido dentro dessa leitura”, finalizou Tonello.
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A semana entre 12 e 16 de janeiro será marcada por dados de inflação, indicadores de atividade e decisões judiciais relevantes nos Estados Unidos. A inflação ao consumidor (CPI) de dezembro, prevista para terça-feira, será o principal dado econômico do período, em meio ao debate sobre o ritmo da retomada dos cortes de juros pelo Federal Reserve. O mercado revisou as apostas para o início da flexibilização monetária de abril para junho, após dados mais fortes do mercado de trabalho.
No Brasil, o foco estará nos indicadores de atividade de novembro e no comportamento da inflação após o último IPCA, que afastou a possibilidade de corte da Selic na reunião de janeiro. A expectativa do mercado financeiro é que o ciclo de flexibilização comece apenas em março. A agenda doméstica inclui ainda a divulgação do volume de serviços na terça-feira, vendas no varejo na quinta e IBC-Br na sexta, considerado uma prévia do PIB.
O cenário político e geopolítico também terá influência sobre os mercados. Investidores acompanham a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas de importação, prevista para quarta-feira, e o avanço das negociações para a assinatura do acordo Mercosul–União Europeia, marcada para 17 de janeiro.
De olho nos gráficos
Ibovespa [IBOV]
O Ibovespa teve uma semana de forte valorização, encerrando perto das máximas e voltando a testar níveis históricos. Segundo Filipe Borges, analista técnico da NMS Research, o aumento de fluxo comprador sustentou o movimento. “Vimos retorno de volume e isso elevou a probabilidade de continuidade da alta”, afirmou.
Para ele, o índice pode romper os 165 mil pontos e buscar a faixa de 169 mil a 170 mil pontos no curto prazo. Borges acrescentou que o ponto de atenção está no suporte: “Enquanto o mercado respeitar a região dos 160 mil pontos, o cenário segue construtivo”.
Fleury [FLRY3]
A ação da Fleury está entre as operações de swing trade acompanhadas pelo analista e encerrou a semana com rompimento de máximas no gráfico semanal. Borges vê continuidade do movimento caso o papel confirme o rompimento do topo de 2023. A projeção é de alta até R$ 18,55, o que representaria avanço entre 18% e 19%. O stop técnico está localizado abaixo do último fundo do gráfico diário, na região de R$ 14,38. Para Borges, o cenário atual “segue favorável para compras”.
Banco do Brasil [BBAS3]
Já o Banco do Brasil permanece consolidado no curto prazo, mas com sinais técnicos relevantes. Borges destacou o rompimento de uma linha de tendência de baixa com aumento de volume, o que, segundo ele, indica chance de retomada da movimentação de alta. “Não significa entrar comprado a mercado, é observar os gatilhos”, disse o analista. Se o papel perder a região de suporte entre R$ 21,00 e R$ 21,08, Borges projeta correção até pelo menos R$ 18,00. Para quem opera médio e longo prazo, ele considera o rompimento consistente dessa linha como ponto de entrada.
Hashdex Nasdaq Crypto Index Fundo de Índice [HASH11]
O Hashdex Nasdaq Crypto Index segue em movimento lateral desde novembro do ano passado, refletindo a falta de tendência mais forte no Bitcoin, que tem grande peso dentro do ETF. Borges chamou atenção para a perda recente de uma linha de tendência de alta, o que expõe o ativo a nova correção. Em sua leitura, o ETF tem espaço para cair até a faixa de R$ 59,00 a R$ 58,00, zona que pode funcionar como suporte relevante. Segundo o analista, esse patamar pode ser “um bom ponto de compra para médio prazo” diante da atual ausência de fluxo comprador.
Relatórios da semana
O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:
Carta Global Asset Strategy - BTG Pactual
O cenário político americano ganha atenção com as eleições de meio de mandato, mas o banco avalia menor espaço para políticas extremas. Decisões da Suprema Corte sobre tarifas podem atuar como fator desinflacionário.
A gestora vê pressões inflacionárias internas em serviços, salários e demanda. Além disso, a Adam avalia que a desinflação será limitada sem aperto financeiro adicional ou desaceleração da atividade.
Para 2026, o banco aponta que o desafio é manter o ritmo. No comercial, a expectativa é de novas campanhas apoiadas por restrições globais de oferta no narrowbody. Na Defesa, o cenário segue favorável com orçamentos militares maiores. Na aviação executiva, o foco recai sobre ampliar capacidade de produção para atender à demanda. O mercado também observa a evolução da EVE, a aposta em eVTOL.
O ano fiscal de 2026 deve ser não linear, especialmente na percepção de crescimento. No início do ano, a empresa tende a enfrentar bases de comparação mais difíceis, menor crescimento doméstico e impactos tarifários, pressionando o crescimento anual.
Em 2026, investidores voltam a olhar com otimismo para os segmentos de aluguel e Seminovos. No aluguel, com o spread de ROIC normalizado, a expectativa é de retomada de crescimento com foco em volume e utilização, aproveitando queda no custo de capital. Em Seminovos, o desafio é aumentar o volume de vendas, apoiado por um mercado automotivo mais aquecido com juros menores. A tese é positiva.
Após um desempenho excepcional em 2025, o setor de serviços básicos (utilities) continua sendo uma das principais apostas do BTG Pactual para o mercado de ações brasileiro em 2026.
As ações tiveram forte desempenho em 2025, apesar da volatilidade no período. Após um começo fraco e uma correção relevante entre fevereiro e abril, os índices S&P 500 e Nasdaq se recuperaram com alta próxima de 45%, apoiados por indicadores econômicos melhores, revisão positiva das expectativas de crescimento e resultados sólidos das empresas de tecnologia nos EUA.
A última semana completa de 2025 reúne uma agenda intensa no Brasil e no exterior, antes do recesso de Natal e Ano Novo. Investidores acompanham indicadores relevantes de atividade e inflação, decisões de política monetária e temas políticos, além da expectativa pela possível assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
O calendário começa no domingo (14) com dados da China referentes a novembro, como produção industrial, vendas no varejo, investimentos em ativos fixos e preços de imóveis. A projeção aponta leve aceleração da indústria e manutenção do crescimento do varejo, enquanto investimentos e setor imobiliário seguem pressionados.
No Brasil, a segunda-feira (15) traz o Boletim Focus e o IBC-Br de outubro, prévia do PIB, com atenção às projeções do IPCA para 2027, horizonte relevante para a Selic, hoje em 3,8%. Na terça-feira (16), o Banco Central divulga a ata do Copom. Nos Estados Unidos, dados do mercado de trabalho de novembro podem influenciar apostas sobre cortes de juros pelo Fed em 2026.
A nova pesquisa Quaest de avaliação de Lula, a 1ª após o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro
A última pesquisa Genial/Quaest de 2025 com os cenários eleitorais do ano que vem será divulgada na quinta-feira com uma novidade: será a primeira rodada sem Jair Bolsonaro – e também sem Michelle e Eduardo.
A semana segue com inflação na zona do euro e nos EUA, decisões de juros no Reino Unido, Europa e Japão, além de dados do setor externo brasileiro. No campo político, o mercado acompanha a votação do Orçamento de 2026 e medidas fiscais.
*Nesta edição, excepcionalmente, não teremos a sessão “De olho nos gráficos”
Rentabilidada das principais classes de ativos
Relatórios da semana
O TradeNews separa pra você os relatórios mais interessantes que nossa equipe viu nesta semana:
As tendências que os investidores não podem ignorar - XP
A XP avalia que, apesar da volatilidade macroeconômica e geopolítica no curto prazo, a transição energética e os investimentos ESG devem abrir oportunidades relevantes para os investidores. Segundo a casa, temas como a corrida por data centers, a demanda por minerais críticos, o papel das baterias, o fortalecimento dos mercados de carbono e o avanço da transparência ESG devem orientar a alocação de capital ao longo do próximo ano.
A Verde informa que registrou ganhos em outubro em diferentes estratégias, com destaque para a exposição à bolsa brasileira, ao crédito local, ao ouro e à posição aplicada em juro real no Brasil. As perdas, segundo o fundo, ficaram concentradas em posições em moedas e criptoativos.
Lucros devem crescer 17% a/a em 2026, acima de 2025. A equipe de research do BTG Pactual projeta que os lucros das empresas brasileiras listadas, excluindo Petrobras e Vale, avancem 17% na comparação anual em 2026, acelerando em relação ao crescimento de 14% esperado para 2025.
A política monetária vai influenciar o desempenho do setor de bens de capital no próximo ano? - XP
A XP avalia que o sentimento dos investidores segue dividido às vésperas de 2026. Estrangeiros mostram preferência por empresas exportadoras e resilientes, enquanto investidores locais buscam papéis ligados a cortes de juros. A casa destaca a liderança da Embraer no desempenho do setor, o bom momento da WEG e vê companhias exportadoras de alta qualidade bem posicionadas em meio à incerteza política no Brasil.
O mercado chinês está prestes a sair da UTI e correr uma maratona, segundo o JP Morgan. Em um movimento que sacode os portfólios de mercados emergentes, o banco de investimento elevou a recomendação para as ações da China de forma enfática para “Overweight” (equivalente a compra), projetando que o risco de “grandes ganhos é substancialmente maior” do que o de perdas significativas nos próximos anos.
A aposta do JP Morgan não é apenas em uma recuperação cíclica, mas em uma transformação estrutural impulsionada por três pilares: a liderança global na Inteligência Artificial (IA), um volume significativo de estímulo fiscal antecipado e uma inédita agenda de retorno ao acionista.
A China, que viu suas ações caírem 33% em relação ao pico de 2020, está agora nos estágios iniciais de saída de um ciclo de baixa de quatro anos. Para o banco, as avaliações atuais são “aceitáveis” e o posicionamento dos investidores ainda está “leve”, indicando espaço de sobra para o rally.
A nova corrida da IA: China com vantagem de “power play”
O ponto de inflexão mais quente, segundo o relatório, é a IA Generativa. A China não está apenas na corrida, mas tem uma vantagem competitiva crucial que a diferencia dos EUA: o custo-benefício e o fornecimento de energia.
O lançamento dos Large Language Models (LLMs) DeepSeek V3 e R3, em 2025, foi o gatilho. O JP Morgan argumenta que a China tem uma abordagem holística que inclui open-source, aplicações nativas e, fundamentalmente, uma vantagem na geração de energia – um insumo caríssimo para rodar a IA em escala.
Gigantes da tecnologia como Alibaba, Baidu e Tencent estão integrando a IA profundamente. O Alibaba, por exemplo, tem um plano de capex de US$ 53 bilhões em nuvem e IA e está posicionado para capturar uma fatia desproporcional do valor gerado, com a tecnologia sendo aplicada da robótica à direção autônoma.
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O empurrão de Pequim: estímulo e o fim da competição destrutiva
Pequim está abrindo o caixa e reformando as regras do jogo corporativo.
A expectativa é de um impulso fiscal substancial, com a maior parte do aumento de 1 trilhão de yuans na emissão de títulos governamentais sendo front-loaded (antecipada). Economistas do JP Morgan elevaram a projeção de crescimento do PIB para 2026 para 4,4%, com o governo disposto a injetar um thrust fiscal de 0,4% do PIB.
Além disso, o 15º Plano Quinquenal traz uma política estrutural chamada “anti-involution” – um esforço para frear a competição destrutiva por preços, reduzir o excesso de capacidade e restaurar a lucratividade das empresas em setores que vão do aço e carvão a carros elétricos e e-commerce. Embora seja um freio no crescimento top-line, o JP Morgan afirma que esta é uma política “muito positiva para as margens e lucros corporativos” dos líderes de mercado.
O foco no acionista e a busca por autossuficiência
O movimento mais pragmático para o investidor é a nova atenção ao retorno dos acionistas.
Como parte de uma reforma do mercado de capitais iniciada em 2024, as empresas, sobretudo as estatais (SOEs), estão alinhando seus KPIs com o mercado. Isso se traduz em um aumento notável nas recompras de ações e nos pagamentos de dividendos, melhorando a governança e a saúde fiscal percebida.
Em paralelo, a busca por autossuficiência tecnológica impulsiona inovação em áreas estratégicas: robótica humanoide, biotecnologia (com empresas quebrando monopólios globais) e semicondutores, visando desenvolver chips de IA domésticos.
Em suma, o JP Morgan vê potencial para que o lucro por ação (EPS) chinês acelere para dois dígitos em 2026, com o risco-país diminuindo graças a tréguas comerciais e medidas para mitigar crises estruturais. O banco recomenda “Overweight” em Serviços de Comunicação, Bens de Consumo Essenciais, Tecnologia da Informação e Materiais.