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PGR rejeita segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro; defesa sofre novo revés no STF

16 de Junho de 2026, 13:06

A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou a segunda proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e apontado pela Polícia Federal como líder de um esquema bilionário de fraudes financeiras. Leia em TVT News.

A decisão foi comunicada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (15) e segue o mesmo entendimento adotado anteriormente pela Polícia Federal, que já havia recusado a nova tentativa de delação.

Segundo a PGR, o material apresentado pelos advogados de Vorcaro não trouxe informações inéditas capazes de justificar a abertura de um acordo de colaboração. Na avaliação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e dos integrantes da equipe responsável pelo caso, os elementos apresentados reproduzem ou até mesmo contradizem dados que já constam nas investigações em andamento.

A rejeição representa mais um obstáculo para a estratégia da defesa do ex-banqueiro, preso preventivamente desde março deste ano no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras estimado em até R$ 12 bilhões.

Falta de informações novas e ressarcimento pesaram na decisão

De acordo com as informações encaminhadas ao STF, um dos fatores considerados pela PGR para rejeitar a proposta foi a ausência de compromisso efetivo com a devolução de recursos aos cofres públicos e às instituições prejudicadas pelo esquema investigado.

A Procuradoria entendia que qualquer avanço nas negociações deveria estar acompanhado de uma sinalização concreta de ressarcimento. Nos bastidores, a avaliação era de que Vorcaro deveria indicar mecanismos para devolver ao menos R$ 60 bilhões, valor considerado relevante diante da dimensão dos prejuízos atribuídos ao esquema.

A proposta analisada pela PGR havia sido reformulada após uma primeira negativa da Polícia Federal. Mesmo com a ampliação do conteúdo, os procuradores concluíram que não houve avanço suficiente para justificar a homologação de um acordo.

Essa foi a primeira manifestação formal da Procuradoria sobre a colaboração proposta pelo ex-banqueiro. Após a primeira recusa da PF, os procuradores mantiveram diálogo com a defesa, mas o complemento apresentado não alterou a avaliação inicial.

Operação Compliance Zero investiga esquema criminoso bilionário envolvendo Banco Master

Daniel Vorcaro está preso em Brasília desde 4 de março, quando foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, ele comandava uma organização envolvida em fraudes financeiras de grande porte e em uma estrutura paralela de inteligência e intimidação.

Os investigadores afirmam que o grupo utilizava mecanismos de espionagem, invasão de dispositivos eletrônicos e monitoramento de desafetos. A estrutura teria sido operada por uma organização conhecida como “A Turma”.

Também foram presos durante as investigações o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, apontado como administrador de empresas ligadas ao grupo, e Luiz Philip Mourão, conhecido como “Sicário”, descrito pelos investigadores como responsável por ações operacionais da organização.

As apurações apontam que o esquema extrapolava o ambiente financeiro e alcançava setores políticos, empresariais e órgãos públicos.

PF pede retorno de Vorcaro à Papuda

Além da rejeição da delação, a Polícia Federal solicitou que Daniel Vorcaro seja transferido da Superintendência da PF, em Brasília, para o Complexo Penitenciário da Papuda.

Segundo fontes ligadas às investigações, a permanência do ex-banqueiro em uma sala de Estado-Maior da corporação poderia gerar dificuldades para o andamento de diligências relacionadas ao caso.

A decisão caberá ao ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal. Antes de qualquer definição, a Procuradoria-Geral da República também deverá apresentar manifestação sobre o pedido.

Relembre histórico da prisão de Vorcaro

Vorcaro foi preso em novembro de 2025 flagrante pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Na ocasião, o empresário tentava embarcar em um jatinho particular com destino a Dubai. No mesmo período, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio, alegando suspeitas de irregularidades relacionadas à emissão de títulos de crédito.

Após 11 dias de detenção, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou sua soltura mediante medidas cautelares e monitoramento eletrônico.

A situação mudou em março de 2026, quando a terceira fase da Operação Compliance Zero levou à decretação de uma nova prisão preventiva.

Investigação prendeu presidente do BRB

Desde então, as investigações se expandiram para diferentes frentes.

Em abril, a Polícia Federal prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, sob suspeita de participação em operações financeiras investigadas.

Ciro Nogueira, ex-ministro de Bolsonaro, foi apontado como um dos envolvidos no escândalo do Master

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Relações com banqueiro preso por fraude bilionária complicam Flávio e Ciro. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Em maio, a operação alcançou endereços ligados ao senador Ciro Nogueira. Segundo a PF, o parlamentar teria atuado para favorecer interesses relacionados ao ex-banqueiro.

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BolsoMaster: Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro envolvidos com o banqueiro

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Mario Frias, Flávio e Carlos Bolsonaro, com o ator Jim Caviezel do filme “Dark horse” sobre Jair Bolsonaro – Foto: Divulgação

Ainda no mesmo mês, vieram à tona informações sobre contatos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e pedidos de apoio financeiro para o filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Pai de Vorcaro é preso

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Pai de Vorcaro, que foi preso nesta quinta (14) – Reprodução/Linkedin

Também foi preso Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, suspeito de integrar a estrutura de intimidação investigada pela Polícia Federal.

Na sexta fase da operação, agentes da própria Polícia Federal e peritos passaram a ser investigados por suposto vazamento de informações sigilosas e acesso irregular a sistemas restritos.

Fundo Garantidor de Créditos (FGC) busca ressarcimento

Entre os principais interessados em eventual ressarcimento financeiro está o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A entidade privada, mantida pelo sistema bancário, foi responsável por desembolsar bilhões de reais para indenizar investidores após a liquidação do Banco Master.

Caso algum acordo de colaboração venha a ser firmado futuramente, parte dos recursos recuperados poderá ser destinada ao ressarcimento dos prejuízos causados pelo esquema investigado.

Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado em 2024, deve ser garantida a devolução de valores à União, preservando-se também os direitos das vítimas.

Defesa de Vorcaro tenta reorganizar estratégia

A segunda negativa da delação ocorre após mudanças significativas na equipe jurídica de Vorcaro.

Após a rejeição da primeira proposta de colaboração, a defesa promoveu uma reformulação interna. O advogado José de Oliveira Lima deixou a condução principal do caso, e o criminalista Sérgio Leonardo assumiu a coordenação da estratégia jurídica.

A nova proposta protocolada no início de junho ampliava o escopo das informações apresentadas. Segundo apurações divulgadas pela imprensa, o documento abordava relações com integrantes dos Três Poderes e incluía referências a supostos pagamentos periódicos destinados a agentes políticos.

Mesmo assim, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República concluíram que o material não atendia aos requisitos necessários para a formalização de um acordo de colaboração premiada.

Com a nova rejeição, o futuro da estratégia de defesa de Daniel Vorcaro permanece indefinido. Enquanto isso, as investigações da Operação Compliance Zero continuam avançando sob supervisão do STF e da Polícia Federal.

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Advogado de Eduardo Bolsonaro recebeu milhões de dólares do Banco Master

9 de Junho de 2026, 17:23

Uma nova investigação jornalística do site The Intercept Brasil trouxe a público provas materiais que expõem as engrenagens financeiras por trás de Dark Horse (Azarão), o longa-metragem biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O veículo de imprensa obteve acesso exclusivo a planilhas de desembolso, minutas de contratos, registros financeiros e comprovantes bancários internacionais que permitem reconstituir a trilha do dinheiro utilizado para financiar a produção audiovisual em território norte-americano. Leia em TVT News.

Os arquivos revelam uma operação projetada no valor total de quase 24 milhões de dólares, o que correspondia a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação cambial do período.

Os documentos contábeis detalham tanto o fluxo de aportes previstos pelo Banco Master quanto as quantias que entraram efetivamente nas contas de um fundo de investimentos sediado no exterior e diretamente vinculado à gestão da obra cinematográfica.

O cronograma do financiamento: planilha “Funding Schedule”

O primeiro documento de destaque obtido pela equipe de reportagem é uma planilha gerencial intitulada “Funding Schedule” (Cronograma de Financiamento). O arquivo funcionava como o mapa de controle das transferências e dividia o montante total da operação em 14 desembolsos sucessivos, planejados para ocorrer entre os meses de janeiro de 2025 e janeiro de 2026.

Cronograma compartilhado em troca de mensagens detalha pagamentos previstos e concretizados pelo Banco Master (Foto: Reprodução)

A planilha mostra as datas dos pagamentos e os valores a serem pagos

As linhas da tabela mostram que as duas parcelas iniciais foram fixadas em 2 milhões de dólares cada. Embora o planejamento original previsse os pagamentos para os dias 20 e 25 de janeiro de 2025, os registros internos da planilha provam que a liquidação efetiva aconteceu em 13 de fevereiro e em 24 de março daquele ano.

As 12 parcelas subsequentes foram estabelecidas no patamar fixo de 1,66 milhão de dólares cada.

Desse bloco secundário, a primeira cota foi remetida em 24 de março, duas outras parcelas foram compensadas em 25 de abril e uma quarta foi efetuada no dia 29 de maio.

Ao término das anotações contidas no documento, a soma de valores recebidos pelo Master atingia a marca de 10,6 milhões de dólares.

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Reprodução da matéria do The Intercept Brasil que traz planilha e comprovante bancário mostram como Vorcaro enviou dinheiro aos EUA para financiar Dark Horse

Cruzamento de informações: planilha e mensagens trocadas entre Vorcaro e empresário do filme

A planilha é complementada por mensagens trocadas em dispositivos eletrônicos.

No dia 7 de agosto de 2025, o empresário Thiago Miranda encaminhou o arquivo a Daniel Vorcaro, acionista controlador do Banco Master, anexando um alerta sobre a inadimplência dos repasses:

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Mensagens obtidas pelo jornal The Intercept – Reprodução

“Duas em atraso e está para vencer a terceira agora em agosto”.

A resposta enviada por Vorcaro foi direta e indicou a continuidade dos fluxos:

“Segunda fazemos duas”.

A planilha mostra que pagamentos do Master ocorrem até o mês de maio, mas mensagens mostram que eles continuaram em agosto

O diálogo sugere às autoridades que novos pagamentos foram autorizados no período, o que aponta que o montante final destinado ao projeto pode ter superado os 10,6 milhões de dólares computados na tabela.

A fiscalização interna dos repasses já vinha sendo monitorada de perto por Vorcaro meses antes.

Em 12 de março de 2025, o banqueiro do Master remeteu uma cópia do cronograma ao pastor Fabiano Zettel, seu cunhado e apontado nas investigações como operador financeiro do grupo.

Nas mensagens anexas, Vorcaro determinou textualmente: “precisa me ajudar controlar isso” e “tem que pagar a segunda e a terceira”.

Em resposta imediata, Zettel assegurou o andamento das cobranças junto aos parceiros comerciais:

“Vou pra cima do Mineiro. Passei o fluxo pra ele. Achei que ele tava fazendo”.

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Mensagens obtidas pelo jornal The Intercept – Reprodução

As investigações policiais e os cruzamentos de dados do jornal indicam que o codinome “Mineiro” refere-se a Antônio Carlos Freixo Júnior, executivo com trânsito operacional na empresa Entre Investimentos e Participações Ltda, responsável por executar as remessas internacionais.

A quebra dos dados telefônicos confirmou que o contato de Freixo estava registrado diretamente no telefone celular de Vorcaro sob o apelido citado.

Extrato oficial mostra que Master enviou dinheiro a advogado de Eduardo Bolsonaro

A prova documental que revela, de fato, que houve transação financeira internacional para o financiamento do filme “Dark Horse” é o comprovante de liquidação emitido pela rede SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication), a plataforma bancária global que processa transferências entre instituições de diferentes países.

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Comprovante de transferência mostra que 2 milhões de dólares foram transferidos pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate. As marcações em preto foram inseridas pelo Intercept para não expor códigos e informações técnicas da operação bancária (Foto: Reprodução)

Comprovante atesta envio de 2 milhões de dólares

Datado de 13 de fevereiro de 2025, o extrato oficial atesta a remessa de 2 milhões de dólares para a conta do Havengate Development Fund LP, um fundo de investimentos gerido por Paulo Calixto, advogado do deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Conforme a descrição do documento oficial de câmbio, o polo remetente da dinheirama foi a empresa Entre Investimentos e Participações Ltda.

A liquidação física dos valores foi processada no Brasil por intermédio das estruturas do Banco BS2 e teve como destino final uma conta bancária do fundo Havengate mantida junto à instituição norte-americana JPMorgan Chase Bank.

O papel timbrado do SWIFT contém todos os dados regulamentares de controle, incluindo os códigos internacionais de identificação bancária, dados das agências, números de referência de compensação e as chaves de liquidação exigidas pelo sistema financeiro global.

O surgimento da Entre Investimentos e Participações Ltda no topo do comprovante bancário desvelou a engenharia financeira montada para contornar entraves burocráticos internos.

O histórico de mensagens de 5 de fevereiro de 2025 aponta que Fabiano Zettel avisou Daniel Vorcaro que o departamento de câmbio do próprio Banco Master estava gerando óbices técnicos e impondo restrições para chancelar a remessa financeira direcionada ao filme de Jair Bolsonaro.

Diante do travamento burocrático, o banqueiro do Master e o operador discutiram alternativas viáveis e optaram por canalizar a operação por meio da estrutura corporativa da Entre Investimentos.

“Filme!”, escreveu cunhado de Vorcaro após sucesso das transações

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As marcações em preto no comprovante de transferência foram inseridas pelo Intercept para não expor códigos e informações técnicas da operação bancária (Foto: Reprodução)

A consumação do plano foi festejada dias depois. Em 14 de fevereiro, exatamente 24 horas após o processamento bancário da primeira parcela de US$ 2 milhões no JPMorgan Chase Bank, Zettel enviou a cópia digital do comprovante SWIFT a Vorcaro com uma breve celebração escrita: “Filme!”.

Apesar de as defesas da Entre Investimentos e de Daniel Vorcaro negarem formalmente a existência de vínculos de controle, participações societárias mútuas ou acordos de governança corporativa, os documentos vazados e as apurações judiciais em andamento reveladas pelos jornais O Estado de S. Paulo e Metrópoles apontam para uma íntima coordenação operacional entre as empresas e o banqueiro.

O outro lado

O jornal The Intercept Brasil buscou colher os esclarecimentos de Paulo Calixto, Thiago Miranda e Antônio Carlos Freixo Júnior, bem como das equipes de defesa jurídica de Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro, que cumprem ordens de prisão preventiva emitidas pela Justiça. Nenhuma das defesas enviou manifestações formais até o fechamento da reportagem.

Em nota oficial encaminhada à imprensa, o Grupo Entre limitou-se a declarar que “realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro”.

A companhia acrescentou em seu texto institucional que possui um firme “compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento” da legislação nacional, colocando-se “à disposição das autoridades competentes sempre que necessário” para prestar esclarecimentos sobre suas movimentações financeiras.

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BRB precisa de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a perdas com o Master

9 de Junho de 2026, 16:20

O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, confirmou nesta terça-feira (9) que o banco estatal do Distrito Federal BRB precisa de R$ 8,8 bilhões para fazer frente a “possíveis perdas” decorrentes de negócios feitos com o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Souza, o “provisionamento” ou “capitalização” funcionará como uma reserva necessária para preservar o fôlego financeiro da instituição, evitando a quebra do banco. Leia em TVT News.

O valor foi calculado após uma auditoria interna descobrir que, dos R$ 30 bi em títulos comprados do Master, ao menos R$ 8,8 bi podem estar perdidos. Destes, pelo menos R$ 2,6 bi não têm lastro, ou seja, não há nenhuma garantia real do BRB ser reembolsado.

Para cobrir o rombo e acalmar os correntistas e o mercado, o Governo do Distrito Federal (GDF), principal acionista do banco, com 53,7% das ações, estruturou um projeto de lei que, se aprovado pela Câmara Legislativa do DF, o autorizará a fazer um empréstimo de R$ 6,6 bi ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – uma entidade privada mantida com as contribuições obrigatórias de bancos públicos e privados. A operação foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de maio.

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“Como vamos completar os R$ 8,8 bi [de provisionamento]? Com a securitização da dívida do GDF”, explicou Souza ao participar, nesta terça-feira (9), de uma audiência pública realizada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

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Presidente do banco, Nelson Souza, esteve hoje na CAE do Senado – Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

O BRB já recebeu R$ 1,17 bi

A securitização permite ao GDF receber, antecipadamente, créditos a vencer. Na primeira etapa, em 25 de maio, o BRB recebeu R$ 1,17 bi, já integralizados. A expectativa de Souza é que o banco arrecade, com o mecanismo, no mínimo mais R$ 3 bi por meio da operação financeira estruturada com a participação do banco BTG Pactual.

“Precisaremos de apenas R$ 2,2 bi para termos o aporte de R$ 8,8 bi”, disse Souza, destacando que, para levar o plano adiante integralmente, é necessário que a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprove o projeto de lei já homologado pelo STF.

“É um projeto de lei importantíssimo para a sobrevivência do BRB. Fundamental”, comentou Souza ao reconhecer que, hoje, o BRB é “o maior problema” do sistema financeiro nacional e que a recuperação do banco estatal não está sendo fácil.

“Este problema [envolvendo o Master] é muito maior e o BRB é a maior vítima”, o presidente do BRB, referindo-se ao fato do banco administrar cerca de R$ 30 bilhões em depósitos judiciais recolhidos por determinação de tribunais de justiça de quatro estados (AL; BA; MA e PB) e do Distrito Federal. Além disso, o BRB responde, hoje, por cerca de 64% dos financiamentos imobiliários do Distrito Federal, controlando uma carteira de quase R$ 15 bilhões.

 “Se o BRB desaparecer, for liquidado ou mesmo for sancionado pelo Banco Central com um regime de administração extraordinária temporária [Raet, uma intervenção], será um problema não só para Brasília, mas para todos os locais onde o banco está presente”, comentou Souza.

O presidente do BRB garantiu que, com o provisionamento, o banco tem condições estruturais para seguir operando. “Hoje, ele já é mais saudável do que era em novembro, quando cheguei. Nunca deixou de cumprir uma obrigação e segue operando regularmente.”

Fonte: Alex Rodrigues Repórter da Agência Brasil

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Ancine pode multar produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, em até R$ 100 mil

21 de Maio de 2026, 17:28

A produtora Go Up Enterteniment, responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro, “Dark Horse”, pode pagar até R$ 100 mil em multa após Ancine abrir investigação sobre os meios de financiamento do filme. O caso ganhou destaque após o jornal The Intercept divulgar áudio de Flávio Bolsonaro pedindo R$ 134 milhões de reais para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sob a justificativa de pagar as depesas do filme sobre o pai. Leia em TVT News.

Bolsomaster

Após o vazamento do áudio de Flávio e de mensagens revelando que Vorcaro transferiu ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões conforme a cotação do período, entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações destinadas ao projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro. 

Em um primeiro momento, tanto a produtora Karina Ferreira da Gama como Mário Frias, que está envolvido no projeto, negaram haver recebido dinheiro de Vorcaro para a produção, mesmo após Flávio admitir que as mensagens eram verdadeiras.

Posteriormente, no entanto, Karina assumiu que 90% do filme havia sido financiado com dinheiro do Banco Master e que o orçamento já realizado do filme está em cerca de 13 milhões de dólares.

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) investiga a conduta da empresa Go Up Entertainment, produtora nacional responsável pelo filme sobre Bolsonaro.

A Go Up Enterteniment está sujeita à aplicação de uma sanção financeira que varia de R$ 2.000,00 a R$ 100.000,00 devido à ausência de prestação de informações obrigatórias sobre a realização das filmagens em território brasileiro.

A fiscalização da Ancine busca esclarecer o nível de participação da Go Up Entertainment na execução do projeto cinematográfico, cuja estreia nas salas de cinema comerciais está programada para o mês de setembro deste ano.

O órgão regulador visa determinar se a empresa nacional atuou na condição de produtora principal do longa-metragem ou se figurou apenas como prestadora de serviços contratada por uma corporação sediada no exterior.

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Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. Reprodução / Intercept

Diretrizes da Ancine

As diretrizes regulamentares da agência determinam de forma expressa que toda atividade de filmagem de produções de caráter internacional executada no perímetro geográfico brasileiro deve ocorrer sob a estrita tutela e responsabilidade de uma empresa comercial devidamente registrada nos quadros da Ancine.

A legislação estipula que a firma parceira local possui a obrigação legal de notificar formalmente a agência sobre o cronograma de atividades, além de submeter um conjunto de documentos administrativos obrigatórios, incluindo cópias dos contratos de prestação de serviços, o planejamento logístico detalhado das filmagens e a documentação migratória e passaportes dos profissionais estrangeiros alocados na produção.

“Dark horse”, biografia de Bolsonaro, descumpriu regras da Ancine

A despeito do fato de que as gravações de “Dark Horse” ocorreram na cidade de São Paulo no decorrer do ano passado e alcançaram ampla repercussão nos meios de comunicação, a Go Up Entertainment não remeteu nenhum dos documentos exigidos até o momento.

A Superintendência de Fiscalização da Ancine emitiu notificações e ofícios formais direcionados à sede da produtora nos meses de fevereiro e março deste ano, exigindo a comprovação imediata da regularidade do projeto.

Os documentos oficiais expedidos pelo órgão de fiscalização estipularam que a comprovação da comunicação prévia acerca de obras estrangeiras constitui uma obrigação administrativa compulsória.

A norma em questão encontra-se respaldada por uma instrução normativa editada pela própria Ancine que vigora desde o ano de 2008, instituindo os parâmetros legais para o desenvolvimento de produções audiovisuais estrangeiras no espaço geográfico brasileiro.

Omissão da produtora

A Go Up Entertainment manteve-se em silêncio e deixou de responder aos questionamentos enviados pelas autoridades governamentais nos prazos assinalados.

As notificações emitidas pela Ancine alertavam explicitamente a direção da empresa de que a persistência da omissão documental resultaria na lavratura de um auto de infração, culminando nas penalidades financeiras previstas na regulamentação do setor de radiodifusão e cinema.

O silêncio institucional da produtora antecedeu a divulgação midiática de arquivos de áudio nos quais o senador Flávio Bolsonaro realiza cobranças financeiras expressivas destinadas ao financiamento do filme para o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Emendas parlamentares na mira da justiça

Produtora de filme de Bolsonaro, “Dark Horse”, nunca produziu um filme

Os registros documentais da agência de cinema revelam que a Go Up Entertainment apresenta uma trajetória atípica no segmento de mercado em que atua, uma vez que a empresa privada nunca assinou a realização de nenhuma outra produção cinematográfica anterior ao projeto sobre o ex-presidente.

A entrada da responsável pela firma, Karina Gama, na coordenação de “Dark Horse” ocorreu por intermédio do deputado federal Mário Frias (PL-SP), político que desempenhou as funções de secretário especial de Cultura no governo anterior e que assina formalmente o roteiro técnico do longa-metragem.

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Foco principal está em cerca de R$ 61 milhões que teriam sido transferidos para o fundo offshore Havengate, que financiou o filme “Dark Horse”. Foto: Divulgação

Karina Gama também exerce o cargo de presidente do Instituto Conhecer Brasil, entidade que passou a ser investigada no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).

A linha de apuração foca na destinação de R$ 2 milhões em verbas de emendas parlamentares federais enviadas pelo deputado Mário Frias com a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”.

Os dados cadastrais demonstram que o Instituto Conhecer Brasil detém registro ativo na Ancine desde o ano de 2020, contudo, a organização não governamental jamais efetuou o lançamento de nenhuma produção audiovisual no mercado nacional ou no exterior sem ser o filme “Dark Horse”.

Financiamento internacional

O circuito de financiamento econômico por trás de “Dark Horse” exibe ramificações que operam fora das fronteiras nacionais.

Investigações jornalísticas publicadas pelo veículo Intercept Brasil indicaram que o senador Flávio Bolsonaro admitiu ter captado o montante de R$ 61 milhões junto ao empresário Daniel Vorcaro.

Daria para fazer dois “O Agente Secreto” com R$ 61 milhões

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Meme sobre financiamento de “Dark Horse” Foto: Reprodução

O valor de R$ 134 milhões solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a obra sobre seu pai é quase o dobro de orçamentos de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” juntos. Já o valor que, de fato, teria sido recebido, os R$ 61 milhões, daria para fazer dois Agentes Secretos

O fluxo do capital financeiro de “Dark Horse” deu-se por meio de uma pessoa jurídica vinculada ao ex-banqueiro, com destino final direcionado a um fundo de investimentos privado com sede em território estrangeiro.

O fundo de investimentos em questão possui a gestão sob a responsabilidade direta do advogado de imigração que atende Eduardo Bolsonaro em solo norte-americano.

As autoridades que acompanham o caso apontam suspeitas de que os aportes financeiros intermediados pelo fundo tenham servido para a manutenção financeira do deputado federal e filho do ex-presidente em sua estadia nos Estados Unidos.

Nenhuma justificativa técnica foi apresentada pelos envolvidos para fundamentar a necessidade de triangulação financeira internacional em uma produção “Dark Horse” filmada no Brasil.

Havengate: qual é o fundo que liga Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro

O fundo offshore Havengate Development Fund LP, registrado no estado do Texas, nos Estados Unidos, tornou-se um dos principais focos das investigações que apuram a relação entre o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a família Bolsonaro.

O veículo financeiro aparece no centro das suspeitas sobre a transferência de recursos destinados oficialmente ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que agora também levantam questionamentos sobre eventual financiamento indireto da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A nova linha investigativa da Polícia Federal ganhou força após reportagens do site The Intercept Brasil revelarem documentos, contratos, comprovantes de pagamento e trocas de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, Vorcaro, empresas ligadas ao grupo Entre Investimentos e o fundo americano Havengate.

Flávio Bolsonaro nega qualquer desvio de finalidade dos R$ 60 milhões obtidos com Daniel Vorcaro. Em entrevista à GloboNews, o senador afirmou que todo o dinheiro recebido foi destinado exclusivamente à produção cinematográfica.

“Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, declarou o parlamentar.

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Reprodução da conversa com o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, obtida pelo Intercet. O dinheiro seria para a produção do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, “Dark Horse” Reprodução / Intercept

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A declaração, porém, passou a ser confrontada por novos documentos revelados posteriormente pelo Intercept. Segundo a reportagem, Eduardo Bolsonaro assinou contratos ligados diretamente à produção de “Dark Horse” e exerceu funções executivas na estrutura do projeto, contrariando declarações públicas anteriores em que afirmava ter apenas cedido seus direitos de imagem.

O contrato citado pela reportagem, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente em janeiro de 2024, aponta a empresa GoUp Entertainment como produtora da obra e coloca Eduardo Bolsonaro e o deputado Mario Frias como produtores-executivos do filme.

Os documentos ampliaram as suspeitas sobre a verdadeira função do Havengate dentro da engrenagem financeira que sustentou a produção de “Dark Horse”. Segundo os documentos obtidos pelo Intercept Brasil, os recursos ligados a Vorcaro teriam sido enviados inicialmente pela empresa Entre Investimentos e Participações, comandada pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.

A empresa aparece no radar da Polícia Federal em investigações sobre lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e operações consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Relatórios do Coaf classificaram movimentações da Entre como indicativas de “conta de passagem”, expressão utilizada para descrever estruturas usadas para circular dinheiro sem relação clara com a atividade econômica declarada.

A PF investiga se a Entre foi utilizada como intermediária para remeter valores ao exterior após dificuldades operacionais enfrentadas pelo próprio Banco Master para executar transferências internacionais.

Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que Vorcaro teria orientado operadores financeiros a realizar os pagamentos “via Entre”, o que acabou direcionando os recursos para o fundo Havengate nos Estados Unidos.

A partir daí, investigadores passaram a questionar quem seriam os verdadeiros beneficiários finais da estrutura financeira.

Eduardo no centro das suspeitas

Eduardo Bolsonaro nega ter recebido recursos do fundo ou ter exercido controle sobre a estrutura financeira utilizada no projeto do filme “Dark Horse”. Em manifestações públicas, afirmou que apenas participou do início da produção do filme e posteriormente deixou a gestão da obra.

“Passei então a ser somente uma pessoa que assinou sua cessão de direitos autorais”, afirmou.

As investigações sobre o filme “Dark Horse”, no entanto, ocorrem paralelamente ao acompanhamento da permanência de Eduardo nos Estados Unidos.

O ex-deputado vive no país desde fevereiro de 2025. Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República pediu sua condenação por coação no curso do processo, acusando-o de articular, do exterior, ações para pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento envolvendo Jair Bolsonaro.

Em 2025, o próprio Jair Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões ao filho nos Estados Unidos, movimentação que o Supremo Tribunal Federal considerou indício relevante da articulação política e financeira entre pai e filho.

Agora, investigadores tentam esclarecer se parte dos recursos ligados ao Havengate também pode ter servido para sustentar despesas pessoais ou políticas de Eduardo Bolsonaro em território americano.

Cooperação internacional e dificuldades de rastreamento

Especialistas ouvidos por veículos de imprensa destacam que fundos offshore como o Havengate são estruturas complexas justamente porque dificultam a identificação dos beneficiários reais dos recursos.

Os Estados Unidos não aderiram ao sistema internacional CRS, mecanismo da OCDE que prevê troca automática de informações financeiras entre países. Isso torna mais difícil para autoridades brasileiras acessarem dados bancários de estrangeiros que movimentam recursos em solo americano.

Para avançar nas investigações, o Supremo Tribunal Federal poderá depender de pedidos formais de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos, via Departamento de Justiça americano (DOJ), utilizando os mecanismos previstos no tratado MLAT.

A eventual quebra de sigilo bancário do Havengate dependeria de autorização judicial nos dois países.

Enquanto isso, a crise política provocada pelas revelações continua ampliando o desgaste da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Pesquisas recentes já apontam queda nas intenções de voto do senador após a divulgação dos áudios e documentos envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e o financiamento do filme “Dark Horse”.

O trailer do filme “Dark Horse”

O material de divulgação de “Dark Horse” exibe cenas captadas em locações em território nacional, porém estruturadas com diálogos falados na língua inglesa e sustentadas por um corpo de profissionais e atores predominantemente estrangeiros.

O papel principal de Jair Bolsonaro é interpretado pelo ator de nacionalidade norte-americana Jim Caviezel, conhecido no mercado de cinema por sua atuação no filme “A Paixão de Cristo”.

A análise preliminar efetuada pelas áreas técnicas de fiscalização identificou a inserção da logomarca institucional da Go Up Entertainment nos créditos iniciais do trailer de divulgação de “Dark Horse”. Essa configuração visual serve como indício técnico de que a operação se enquadra na modalidade de filmagem de produção estrangeira executada com o suporte de uma produtora local cadastrada, atraindo a obrigatoriedade de sujeição total às regras de controle editadas pela Ancine.

A agência governamental pontuou que os resultados das apurações administrativas em curso serão levados ao conhecimento público e que as punições cabíveis serão adotadas em caso de confirmação das irregularidades.

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PF aponta que Refit pagou R$ 14 milhões para família de Ciro Nogueira

21 de Maio de 2026, 14:54

Uma nova investigação conduzida pela Polícia Federal detectou transações financeiras sob suspeita envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Os investigadores mapearam um fluxo de R$ 14,2 milhões oriundos de estruturas financeiras ligadas à Refit, um conglomerado atuante no setor de refino e distribuição de combustíveis, direcionados a uma firma controlada por familiares do parlamentar piauiense. Leia em TVT News.

A revelação dos dados bancários e das conexões societárias foi publicada em reportagem exclusiva do jornal O Estado de S. Paulo. O rastreamento dos valores ocorreu no escopo das apurações que fundamentaram a instauração da Operação Sem Refino, autorizada formalmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A ação policial visa desarticular um esquema complexo voltado para crimes de sonegação tributária massiva, fraudes fiscais no recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), corrupção de agentes públicos e lavagem de capitais. O principal executivo e controlador do grupo Refit é o empresário Ricardo Magro.

Refit deve mais de R$ 26 bilhões em impostos

De acordo com informações oficiais enviadas pela Receita Federal às autoridades do Poder Judiciário, o conglomerado de Magro figura atualmente como o maior devedor contumaz de impostos do território nacional, acumulando um passivo de débitos fiscais que ultrapassa a marca de R$ 26 bilhões.

Contra o empresário, que se encontra fora do país, foi emitido um mandado de prisão preventiva e seu nome passou a integrar a lista vermelha de foragidos internacionais gerida pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).

Empresas de fachada

Os relatórios técnicos elaborados pelos peritos da Polícia Federal descrevem que a fiscalização contábil se debruçou sobre as movimentações bancárias de uma série de fundos de investimento e pessoas jurídicas vinculadas à holding de Ricardo Magro.

Nesse processo, os agentes identificaram a atuação da empresa Athena Real Estate LTDA, classificada pelos investigadores como uma entidade imobiliária operada de forma oculta pela própria teia diretiva da Refit para fins de aquisição de patrimônio e transações de ativos.

Os documentos apontam que a Athena atuava como a beneficiária principal dos recursos financeiros mobilizados pelo fundo de investimentos EUV Gladiator.

Esse fundo, por sua vez, possui ligações societárias que remetem a estruturas de holdings sediadas em território estrangeiro, compondo a engenharia financeira do conglomerado de combustíveis sob fiscalização. A quebra do sigilo bancário evidenciou que a Athena realizou a transferência direta de R$ 14,2 milhões em favor da firma Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis.

Na contabilidade oficial da empresa emissora dos valores, a auditoria preliminar da Polícia Federal constatou a ausência de detalhamentos técnicos, justificativas comerciais imediatas ou descrições específicas acerca da natureza jurídica do negócio que motivou o repasse milionário.

Embora o senador Ciro Nogueira dê nome à pessoa jurídica que recebeu as somas financeiras, o seu nome civil não consta atualmente no quadro formal de sócios administradores da firma, o qual é composto integralmente por seus parentes diretos.

O político declarou que, no período em que as negociações contratuais foram pactuadas, sua participação societária correspondia a apenas 1% do capital social da empresa familiar.

Outra transferência irregular de R$ 1,3 milhões envolvendo Ciro Nogueira

A teia de fluxos financeiros mapeada pelos investigadores federais na Operação Sem Refino localizou ainda outra frente de transferências monetárias direcionada ao círculo de atuação política do ex ministro Ciro Nogueira.

A Polícia Federal encontrou depósitos bancários que perfazem o montante de R$ 1,325 milhão pagos por uma das firmas que integram o guarda-chuva corporativo da Refit para Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro.

Jonathas Assunção exerceu o cargo de secretário-executivo da Casa Civil da Presidência da República no período em que a pasta ministerial era chefiada diretamente por Ciro Nogueira, figurando como o principal assessor e funcionário diretamente subordinado ao gabinete do senador do Progressistas.

Em decorrência dessas constatações financeiras, o ex-secretário-executivo tornou-se alvo de mandados judiciais de busca e apreensão cumpridos pela corporação policial durante a deflagração da ação de campo.

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“Um dos meus grandes amigos de vida”, disse Vorcaro sobre Ciro, ex-ministro de Bolsonaro. Foto: Divulgação/PP

Os analistas de crimes financeiros da Polícia Federal destacaram, nos relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal, o comportamento atípico verificado nas contas bancárias vinculadas a Ciro Nogueira.

De acordo com o texto produzido pela equipe técnica da PF, os valores em dinheiro creditados pela firma da Refit eram rapidamente sacados ou transferidos em sua totalidade para o próprio beneficiário final, Jonathas Castro.

A corporação apontou que esse padrão de movimentação bancária célere evidencia a baixa permanência do capital em conta corrente, uma característica que a doutrina de combate à lavagem de dinheiro classifica como típica de empresas de fachada ou “contas de passagem”.

Os investigadores ressaltaram, ademais, que a estrutura jurídica que recebeu os valores não registrava o pagamento de despesas operacionais básicas e compatíveis com a atividade declarada de consultoria técnica, tais como folhas de pagamento de funcionários, despesas com estrutura administrativa relevante ou custos técnicos proporcionais aos volumosos repasses recebidos.

Contrato de R$ 14 milhões ligado à Refit é assinado por irmão de Ciro Nogueira alvo da PF no caso do Banco Master

O instrumento contratual que formalizou o negócio jurídico de R$ 14,2 milhões entre a firma Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis e a Athena Real Estate LTDA traz a assinatura de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador da República.

O documento estabelece os parâmetros comerciais para a alienação de uma extensão de terras correspondente a 40 hectares localizada no estado do Piauí. Conforme os registros que constam na apuração, os pagamentos foram estruturados por meio de depósitos mensais sucessivos, liquidados entre os meses de novembro de 2024 e fevereiro de 2025.

Raimundo Nogueira, que atua na gerência dos negócios imobiliários da família, já havia sido inserido no radar das autoridades policiais em data anterior à deflagração da operação relacionada ao setor de combustíveis. Ele foi um dos alvos principais de mandados de busca e apreensão expedidos no âmbito da quinta fase da Operação Compliance Zero, executada no dia 7 de maio.

Naquela ocasião, a Polícia Federal mirava a existência de um esquema de fraudes e pagamentos ilícitos correlacionados à gestão do Banco Master, instituição financeira sob o comando do empresário Daniel Vorcaro.

Na apuração referente à Operação Compliance Zero, a tese levantada pelos investigadores federais aponta que Raimundo Nogueira atuaria como uma espécie de operador financeiro no núcleo familiar, utilizando o anteparo de empresas imobiliárias e agropecuárias de parentes para intermediar o trânsito de vantagens financeiras indevidas. Na mesma linha de investigação sobre o Banco Master, o próprio senador Ciro Nogueira sofreu buscas e apreensões em suas propriedades.

A Polícia Federal reuniu indícios que sugerem que o parlamentar teria recebido repasses mensais sistemáticos, cujos valores oscilavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, em contrapartida ao exercício de influência e facilitação de projetos de interesse do grupo bancário nas comissões e plenários do Congresso Nacional. No âmbito da Operação Sem Refino, voltada para a Refit, Raimundo Nogueira não figurou como alvo de mandados restritivos adicionais, e sua representação jurídica informou ao jornal O Estado de S. Paulo que não emitiria declarações ou comentários sobre as linhas de investigação em andamento.

Tanto os procedimentos da Operação Sem Refino quanto os desdobramentos da Operação Compliance Zero tramitam sob controle do Poder Judiciário. O aprofundamento das análises dos materiais eletrônicos e dos documentos apreendidos nas sedes das firmas familiares de Ciro Nogueira buscará determinar o nexo causal entre os negócios imobiliários e os interesses das corporações privadas junto ao aparato estatal.

Nota de Ciro Nogueira

Segue a nota oficial de esclarecimento emitida pela assessoria do senador sobre os fatos apurados:

“Nota do senador Ciro Nogueira O senador Ciro Nogueira lamenta as recurrentes tentativas de associá-lo a escândalos, as quais serão inevitavelmente frustradas, uma vez que não praticou nenhum ato irregular ou ilegal. Em relação ao caso em questão, esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis.

O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado.

Ressalte-se que a empresa da família do senador atua justamente no segmento imobiliário, na compra, venda e aluguel de imóveis. Informamos, ainda, que o senador atualmente sequer detém participação na empresa e que, na época do negócio, sua participação era inferior a 1%.

O senador Ciro Nogueira manifesta sua total tranquilidade no que se refere a essas e outras insinuações. Ele destaca ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos mencionados, acusações que surgem, estranhamente, em ano eleitoral com a clara intenção de desgastar sua imagem junto ao povo do Piauí.”

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