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Tinder terá polêmica verificação por íris para combater perfis de IA

26 de Abril de 2026, 00:06
Imagem mostra uma mão segurando um iPhone, com a tela exibindo o logo do Tinder
Tinder ganha nova camada de segurança, mas serviço é proibido no Brasil (imagem: Unsplash/Good Faces Agency)
Resumo
  • Tinder anuncia reconhecimento de íris para combater perfis falsos com IA.
  • O reconhecimento de íris ocorre via World ID, parceria com a Tools for Humanity, empresa cofundada por Sam Altman, CEO da Open AI.
  • A novidade foi testada no Japão e chega em outras partes do mundo em breve, com bônus e selo de verificação para usuários que fizerem a checagem.
  • No Brasil, o World ID foi proibido em janeiro de 2025 pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados.

O Tinder anunciou uma nova ferramenta para combater casos de catfish utilizando inteligência artificial na plataforma: o reconhecimento de íris via World ID. A novidade fica disponível a partir do serviço World graças a uma parceria com a Tools for Humanity, empresa cofundada por Sam Altman, CEO da Open AI.

Nos países em que estará disponível, o reconhecimento de íris do Tinder será no próprio app, com direito a bônus para usados os usuários que fizerem a checagem. Eles ganharão selo de verificado. Não há informações sobre banimento de contas sem essa confirmação.

O recurso foi testado no Japão e chega em outras partes do mundo “em breve”. Essa tecnologia, vale lembrar, está proibida no Brasil, após decisão da ANPD. Ou seja: nada de World ID no Tinder BR, pelo menos por enquanto.

Dispositivo da World faz a captura e converte tosto da pessoa num hash único (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)
Dispositivo da World é uma das opções para criar World ID, disponível também via app (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

IA em golpes de namoro

O reconhecimento de íris é um “passo natural” da plataforma, de acordo com o Match Group, dono do Tinder. Vale lembrar que o app de namoro já exige um vídeo de verificação de humanidade para seus usuários, e o World ID vem como uma camada extra de combate a golpes.

Segundo a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, usuários de apps de namoro perderam US$ 1 bilhões em fraudes somente em 2025, o que dá cerca de R$ 5 bilhões. Além disso, trazendo para a realidade brasileira, a Meta processou duas empresas e duas pessoas por produzirem deepfakes do médico Drauzio Varella para vender medicamentos falsos na internet.

Ilustração de deepfake
Deepfakes com IA levam empresas a buscarem novas soluções de segurança (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Segundo a BBC, uma usuária do Tinder no Reino Unido afirmou que 30% das contas visualizadas ao navegar pelo app são de bots, com descrições, melhorias e até mesmo chat com IA. Um levantamento da Norton divulgado em janeiro também reforça esse relato, apontando que mais da metade dos usuários de aplicativos de namoro nos EUA já se encontraram em situações do tipo.

Por que o World ID foi proibido no Brasil?

No Brasil, o serviço que oferece a criação da World ID não está disponível desde o início de 2025, por decisão da ANPD. Isso porque a proposta do então Worldcoin era oferecer dinheiro aos participantes do projeto que fizessem a leitura de íris. A Coordenação-Geral de Fiscalização CGF) da autarquia federal entendeu que essa oferta “interfere na livre manifestação da vontade do indivíduo” e pode influenciar pessoas em posição de vulnerabilidade.

Por aqui, continua valendo o Face Check, verificação facial anunciada em dezembro de 2025. A ferramenta funciona de forma semelhante ao reconhecimento feito em apps de banco, e promete reforçar a segurança contra perfis falsos, deepfakes e entrada de menores de idade.

Tinder terá polêmica verificação por íris para combater perfis de IA

(imagem: Unsplash/Good Faces Agency)

Dispositivo da World faz a captura e converte tosto da pessoa num hash único (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Idosos se sentem excluídos dos serviços digitais, aponta pesquisa

3 de Outubro de 2025, 11:44
Foto de uma mão de uma pessoa idosa segurando um celular
Idosos têm problemas com a digitalização dos serviços (imagem: congerdesign/Pixabay)
Resumo
  • Pesquisa do Procon-SP mostra que 51% dos idosos em São Paulo enfrentam barreiras em compras e serviços devido ao atendimento exclusivo por apps.
  • 67% dos idosos que compram online também relatam problemas, incluindo golpes e dificuldades com ofertas digitais.
  • Principais dificuldades incluem a complexidade de aplicativos e falta de conhecimento tecnológico.

Uma nova pesquisa do Procon-SP divulgada nesta semana reforça que a digitalização do comércio e dos serviços pode ser uma barreira para a população com mais de 60 anos. Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados na faixa etária já se sentiram impedidos de entrar em contato com uma empresa, comprar um produto ou contratar um serviço devido ao atendimento exclusivo por app.

Além da exclusão por plataformas de app, a pesquisa também revela que, mesmo entre os idosos que fazem compras online, os problemas são frequentes. Quase 67% dos que contrataram serviços ou adquiriram produtos por meio de ofertas em redes sociais e telefone relataram ter enfrentado alguma dificuldade, incluindo golpes.

O órgão realizou o estudo em agosto e ouviu 723 pessoas em todo o estado de São Paulo. O objetivo foi mapear as principais dificuldades enfrentadas pelo público idoso nas relações de consumo, especialmente no ambiente digital.

Dificuldade com apps

Imagem mostra close na tela do celular Samsung Galaxy A56, exibindo ícones de aplicativos
Maioria acha apps complexos e depende de ajuda (foto: Ana Marques / Tecnoblog)

A pesquisa mostra que a imensa maioria dos respondentes já possui acesso à internet e aplicativos (92%). Dos entrevistados que não conseguiram realizar uma compra ou contratação, 54% admitem ter dificuldades em manusear os aplicativos.

Os idosos apontam como principal causa a falta de conhecimento de tecnologia (54%) e a complexidade das ferramentas, que muitas vezes exigem a ajuda de terceiros (46%). O Procon-SP destaca que essa dificuldade é maior quanto mais avançada a faixa etária e menor a escolaridade do consumidor.

Entre os setores que mais impõem barreiras com aplicativos, os mais citados pelos idosos foram:

  • Concessionárias de serviço público (água, luz, gás e telefonia);
  • Instituições financeiras (bancos, financeiras e seguradoras);
  • Estabelecimentos de saúde (hospitais, consultórios e farmácias).

Mercados, lojas e outros tipos de comércio, além de imobiliárias, veículos de transporte e estabelecimentos de ensino também foram citados pelos respondentes.

Ofertas online trazem riscos

Outro dado relevante da pesquisa é a desconfiança do consumidor idoso com as ofertas que chegam por canais digitais. Embora a maioria (74%) receba promoções em suas redes sociais ou por telefone, apenas 27% afirma que costuma fechar negócio.

O receio se justifica: dos que realizam a compra, dois em cada três (67%) relatam problemas. Os principais são:

  • A empresa que veiculava a oferta era “fantasma” (34%);
  • Atraso ou não entrega do produto/serviço (33%);
  • A empresa não cumpriu o valor anunciado (23%).

Outros problemas citados envolvem a empresa não reconhecer o pagamento feito segundo suas próprias instruções (3%) e a indisponibilidade de produto ou serviço (6%). Quando há algum desses problemas, a maioria prefere reclamar com a própria empresa — pela gerência, ouvidoria ou SAC — ou denunciar à Justiça ou órgãos de defesa ao consumidor.

De acordo com o relatório, apesar de o público 60+ ser cada vez mais relevante para o consumo, ainda há uma grande necessidade de as empresas investirem em segurança e em ferramentas que facilitem o uso por todos, especialmente por essa população.

Idosos se sentem excluídos dos serviços digitais, aponta pesquisa

Apps no Samsung Galaxy A56 (foto: Ana Marques / Tecnoblog)
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