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LibreOffice critica União Europeia por usar Excel em consulta pública

6 de Março de 2026, 09:04
Papel de parede exibindo os ícones das ferramentas do LibreOffice
Organização cobra o fim da dependência de formatos proprietários (imagem: reprodução/The Document Foundation)
Resumo
  • Document Foundation criticou a Comissão Europeia por usar Excel em uma consulta pública, contrariando diretrizes de padrões abertos.
  • Segundo a carta aberta da instituição, a exigência de formato .xlsx dificulta a compatibilidade com software livre, como o LibreOffice.
  • A fundação sugere oferecer formulários em formato .ods e adotar soluções mais acessíveis, como formulários web.

A Document Foundation, organização responsável pelo pacote de produtividade de código aberto LibreOffice, enviou um recado à Comissão Europeia nessa quinta-feira (05/03). Por meio de uma carta aberta, a entidade criticou o órgão governamental por disponibilizar um formulário de consulta pública exclusivamente no formato Microsoft Excel (.xlsx).

Para a fundação, a exigência de um arquivo proprietário para receber respostas da sociedade vai contra as próprias diretrizes de soberania digital e adoção de padrões abertos que a União Europeia tem defendido nos últimos tempos.

Por que a exigência gerou controvérsia?

A Comissão Europeia vem construindo um histórico de defesa da neutralidade tecnológica, ressaltando a necessidade de reduzir a dependência das grandes empresas de tecnologia estrangeiras. Documentos oficiais do bloco, inclusive, recomendam utilizar formatos abertos na prestação de serviços digitais pelo setor público.

No entanto, a Document Foundation argumenta que, ao exigir que cidadãos e organizações enviem feedback preenchendo obrigatoriamente uma planilha vinculada com a extensão .xlsx, a instituição força a adoção de um padrão controlado pela Microsoft. Segundo a nota oficial, o cenário é agravado por questões técnicas.

Embora o formato base do Excel, conhecido como OOXML (ISO/IEC 29500), tenha sido aprovado como um padrão no passado, a implementação real realizada pela Microsoft quase nunca segue as especificações à risca.

Na prática, isso pode destruir a compatibilidade do arquivo. Tentar abrir, preencher e salvar o documento oficial europeu utilizando o LibreOffice Calc, por exemplo, pode resultar em falhas de formatação e perda de dados.

Calc no LibreOffice 26.2 para Windows
Calc no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Document Foundation cobra neutralidade

Para a fundação que mantém o LibreOffice, o caso ultrapassa a classificação de uma simples falha processual ou administrativa e prejudica indivíduos, organizações não governamentais e administrações públicas que já fizeram a transição para fluxos de trabalho baseados em código aberto.

A ironia é que a consulta pública tratava justamente da Lei de Ciber‑Resiliência da União Europeia, proposta criada para reduzir riscos ligados à dependência tecnológica.

A solução técnica cobrada pela criadora do LibreOffice é que todos os formulários e modelos de feedback das consultas públicas passem a ser distribuídos sob neutralidade de formato. Se o órgão governamental deseja manter o modelo .xlsx, deve obrigatoriamente fornecer, em paralelo, uma versão em .ods (planilha ODF), um padrão internacional padronizado pela ISO, livre de royalties e sem um proprietário corporativo, garantindo acesso universal e sem custos.

A longo prazo, a fundação sugere que a União Europeia abandone a dependência de arquivos de planilhas para esse tipo de tarefa. Um formulário direto na web ou documentos em texto simples seriam soluções mais eficientes, eliminando a barreira de instalação de um software local. Para pressionar o órgão, a Document Foundation convocou a comunidade de software livre a enviar e-mails de protesto e mensagens de apoio pelos canais oficiais de contato da UE.

LibreOffice critica União Europeia por usar Excel em consulta pública

Desenvolvedor do LibreOffice tem conta bloqueada pela Microsoft (imagem ilustrativa: reprodução/The Document Foundation)

Calc no LibreOffice 26.2 para Windows (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

França troca Teams e Meet por app estatal de videochamada

27 de Janeiro de 2026, 11:11
Captura de tela mostra uma videochamada com quatro pessoas no app Visio
Visio roda no navegador e dispensa instalações externas (imagem: reprodução/Governo da França)
Resumo
  • França substituirá Teams, Meet e Zoom pelo Visio, um app de videochamada estatal, que será a solução obrigatória até julho de 2027.
  • O Visio, baseado no Jitsi Meet, roda no navegador e usa código aberto, facilitando auditorias de segurança.
  • O app faz parte do La Suite Numérique e deve economizar cerca de 1 milhão de euros por ano para cada 100 mil funcionários.

O governo da França anunciou ontem (26/01) mais um passo importante para a independência tecnológica: todos os serviços estatais usarão o Visio, aplicativo de videoconferência desenvolvido para os servidores públicos do país.

Segundo o portal Developpez.com, a iniciativa chega para substituir definitivamente soluções de fora da União Europeia até julho de 2027, descontinuando o uso de plataformas populares como Microsoft Teams, Google Meet e Zoom.

O comunicado oficial do Ministério da Economia da França destaca a mudança para proteger dados sensíveis de legislações estrangeiras e combater a fragmentação de ferramentas, que gera custos elevados de licenciamento. O cronograma de implementação prevê que grandes órgãos, incluindo o Ministério das Forças Armadas, concluam a transição já no primeiro trimestre de 2026.

Como funciona o Visio?

Imagem mostra o logotipo do Visio, app de videochamadas, em um fundo de cor branca
Visio é uma solução baseada em código aberto (imagem: reprodução/Governo da França)

O Visio utiliza como base o Jitsi Meet, um software de código aberto (open source). Segundo o Le Big Data, essa escolha técnica permite auditorias constantes de segurança por órgãos governamentais.

Outro diferencial é que, ao contrário de soluções que exigem a instalação de arquivos executáveis, a ferramenta roda apenas no navegador. Isso simplifica a gestão de TI e reduz drasticamente a chance de ataques cibernéticos em computadores estatais.

A plataforma integra tecnologias de inteligência artificial desenvolvidas localmente, como o sistema de separação de fala da startup Pyannote e legendagem automática em tempo real da Kyutai, mantendo o processamento de dados em fronteiras nacionais.

Vale mencionar que o Visio é uma peça de um ecossistema maior chamado La Suite Numérique, desenhado para ser uma alternativa ao Microsoft 365. Esse pacote inclui o Tchap (mensagens instantâneas), o Grist (gestão de bases de dados) e o Nuage (armazenamento de arquivos em nuvem).

Soberania digital e economia de recursos

A estratégia francesa é se desvincular de fornecedores sujeitos ao U.S. Cloud Act — legislação dos Estados Unidos que permite ao governo americano solicitar acesso a dados armazenados por suas empresas, mesmo em servidores localizados no exterior.

De acordo com a revista Alliancy, para neutralizar esse risco jurídico, o Visio é hospedado na Outscale, subsidiária da Dassault Systèmes, garantindo que a infraestrutura seja operada sob leis estritamente europeias.

Do ponto de vista financeiro, a economia é grande. Estimativas oficiais projetam que a substituição de licenças proprietárias por uma solução interna poupará cerca de 1 milhão de euros por ano para cada 100 mil funcionários (aproximadamente R$ 6,3 milhões).

A movimentação da França reforça uma tendência na Europa. O caso assemelha-se ao do estado alemão de Schleswig-Holstein, que no ano passado iniciou a migração de 30 mil computadores para sistemas Linux e LibreOffice.

França troca Teams e Meet por app estatal de videochamada

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