GFiber e operadora Astound anunciaram fusão (imagem: Paul Sableman/Wikimedia Commons)Resumo
GFiber foi separada do Google e tornou-se uma empresa independente, fundindo as operações à rede da Astound Broadband.
Fusão visa combinar redes metropolitanas e acelerar a expansão, atendendo à crescente demanda por redes de alta capacidade.
A Alphabet manterá uma participação minoritária significativa na empresa, mas os valores da negociação não foram divulgados.
A GFiber, até então uma divisão de internet via fibra óptica do Google, formará uma provedora de banda larga independente. Em acordo anunciado nesta semana, a gigante da tecnologia confirmou a fusão das operações da GFiber com a rede da Astound Broadband, sediada em Nova Jersey e com operações em mais dez estados nos EUA.
A nova empresa terá a Stonepeak, firma especializada em infraestrutura, como acionista majoritária, enquanto a Alphabet (controladora do Google) manterá uma fatia minoritária significativa no negócio. As empresas não detalharam os valores da negociação.
O que é a GFiber?
Google estreou GFiber em 2012, com velocidades superiores à média do mercado (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Lançada originalmente em 2010, a Google Fiber surgiu como uma tentativa do Google de construir redes de banda larga de fibra óptica ultrarrápidas. Mas, na prática, o projeto estreou em 2012, em Kansas City (EUA), propondo conexões de um gigabit para residências — uma velocidade muito superior à média da internet norte-americana da época.
Nos anos seguintes, os altos custos e o longo tempo necessário para a implementação forçaram a empresa a cancelar os planos de uma expansão em escala nacional, segundo a CNBC.
Até a atual transação, a operação de fibra era considerada um ativo não essencial na corporação, sob abrigo da divisão “Outras Apostas” do Google. A divisão, entretanto, apresentou déficit em 2025, com prejuízo operacional de US$ 16,8 bilhões (cerca de R$ 88 bilhões) contra uma receita de US$ 1,5 bilhão (R$ 8 bilhões), de acordo com o jornal.
A separação busca justamente aliviar essa carga. No anúncio oficial da fusão, a GFiber declarou que o acordo “representa um passo importante em direção ao seu objetivo de independência operacional e financeira”.
O que muda com a nova empresa?
Em comunicado, a empresa detalha que a transação combinará as redes metropolitanas da GFiber com a rede já consolidada da Astound. Com a Stonepeak assumindo o controle majoritário, a GFiber deve receber recursos externos para acelerar a próxima fase de expansão.
O movimento visa capturar a crescente demanda por redes de alta capacidade, alavancada pela popularidade da inteligência artificial, computação em nuvem e plataformas de streaming.
A nova configuração corporativa continuará sendo administrada pela atual equipe executiva da provedora. O CEO da GFiber, Dinni Jain, afirma que a parceria “é uma oportunidade estratégica de escalar a abordagem focada no cliente para conectar mais residências a um tipo de serviço de internet verdadeiramente diferente”.
Conheça as subsidiárias da Alphabet e qual é a influência do conglomerado nos negócios de tecnologia e inovação (imagem: Reprodução/Alphabet)
A Alphabet Inc. é uma holding global que atua como a empresa-mãe de diversos negócios de tecnologia e inovação. Ela foi criada em 2015 pelos fundadores Larry Page e Sergey Brin para trazer mais foco e autonomia ao grupo.
A dona do Google surgiu para separar os serviços de internet de projetos ambiciosos de ciência e robótica, as chamadas “moonshots”. A reestruturação permitiu que cada unidade operasse de forma independente, acelerando o desenvolvimento de novas tecnologias.
Além do Google, a Alphabet supervisiona subsidiárias como a Waymo, de veículos autônomos, e a Verily, da área da saúde. O grupo também inclui a DeepMind, focada em inteligência artificial, e a Wing, de Drones.
A seguir, saiba mais sobre a Alphabet, sua criação e suas principais subsidiárias. Também conheça quem são os donos e a estrutura acionária da companhia.
A Alphabet Inc. é uma holding multinacional criada em 2015 para reestruturar o Google, separando os serviços de internet de outras frentes de inovação. Essa estrutura permite que o conglomerado gerencie de forma independente subsidiárias em setores diversos, como biotecnologia, inteligência artificial e direção autônoma.
O que significa Alphabet?
A palavra Alphabet (alfabeto, em português) significa o conjunto de letras essencial à comunicação humana. Para a empresa, o termo representa a vasta coleção de serviços, refletindo a essência do seu índice de busca e organização de informações do Google.
O nome também traz o trocadilho “Alpha-bet” (aposta no Alfa), indicando o objetivo de gerar retornos financeiros acima da média do mercado. Segundo o fundador Larry Page, a escolha reforça o compromisso da holding com investimentos ambiciosos e o desenvolvimento de novas tecnologias independentes.
A Alphabet surgiu a partir de uma reestruturação do Google em 2015 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Quem criou a Alphabet?
A Alphabet Inc. foi criada por Larry Page e Sergey Brin, os fundadores do Google, em 2015. Ambos os executivos lideraram a transição estrutural até 2019, quando entregaram a gestão de ambas as companhias ao atual CEO Sundar Pichai.
Por que a Alphabet foi criada?
A Alphabet foi criada para segmentar o ecossistema do Google, separando os serviços de internet de iniciativas experimentais e de longo prazo. Essa reestruturação estratégica visava aumentar a transparência financeira e o foco operacional em cada unidade de negócio.
A holding permitiu que projetos como Waymo (veículos autônomos) e Verily (biotecnologia) ganhassem autonomia administrativa e orçamentária sob CEOs próprios. Isso isolou os riscos regulatórios das “moonshots” e simplificou a gestão de um portfólio vasto e tecnicamente diverso.
O modelo de conglomerado da Alphabet otimizou a alocação de capital, protegendo os lucros estáveis da publicidade enquanto financia inovações. Com isso, os fundadores preservaram o controle estratégico e a agilidade necessárias para escalar futuras frentes de receita.
Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google, foram responsáveis pela criação da Alphabet (imagem: AP Photo/Paul Sakuma)
O que a Alphabet Inc. faz?
A Alphabet funciona como uma holding que separa os serviços digitais consolidados do Google de seus projetos experimentais. Sua estrutura centraliza a gestão de dados, publicidade e inovação tecnológica em três divisões fundamentais:
Google Services: concentra plataformas líderes, como Busca, YouTube, Android e Maps, gerando receita principalmente por meio de anúncios e venda de hardware;
Google Cloud: provê infraestrutura de computação e armazenamento em nuvem, além de ferramentas avançadas de inteligência artificial para transformação digital de empresas e governos;
Other bets (Outras apostas): reúne projetos experimentais e futuristas, como os veículos autônomos Waymo e serviço de entrega por drones Wing, que recebem altos investimentos em pesquisa para criar mercados disruptivos.
A busca do Google ainda é uma importante plataforma para os negócios da Alphabet (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Quais são as subsidiárias da Alphabet?
A Alphabet Inc. supervisiona centenas de subsidiárias, organizadas entre Google Company e o segmento conhecido como “Other Bets” (Outras apostas). Estas são as principais empresas da Alphabet:
Google LLC e serviços relacionados:
Google: concentra os produtos principais como Busca, YouTube, Android e Maps, gerando a maioria da receita publicitária global;
Google Cloud: oferece infraestrutura de computação em nuvem, ferramentas de produtividade empresarial e plataformas avançadas de inteligência artificial;
Other Bets (Inovações e pesquisas):
Waymo: lidera o desenvolvimento de tecnologia para direção autônoma e opera serviços comerciais de robotáxis;
Verily: foca em ciências da vida e saúde de precisão, desenvolvendo tecnologias para coleta e análise de dados clínicos complexos;
Calico: dedica-se à biotecnologia e pesquisa básica sobre mecanismos do envelhecimento para promover o aumento da longevidade humana;
Wing: desenvolve a infraestrutura logística e opera serviços de entrega por drones para o transporte rápido de mercadorias leves;
X (The Moonshot Factory): funciona como um laboratório de inovação radical, incubando tecnologias disruptivas que buscam resolver grandes problemas globais;
DeepMind: atua na vanguarda da pesquisa em inteligência artificial generativa e modelos científicos voltados para a biologia e física.
Empresas de holding e investimento:
XXVI Holdings Inc: atua como a entidade legal que detém a propriedade das “Other Bets” e isola as responsabilidades financeiras entre divisões;
Alphabet Holdings LLC: operam como os braços de investimento em capital de risco e equidade de crescimento para empresas em diversos estágios.
O sistema de veículo autônomo da Waymo é uma das “Other Bets” da Alphabet (imagem: Reprodução/Waymo)
Quem são os donos da Alphabet?
A Alphabet é controlada por uma estrutura de três classes de ações que distribui o capital entre investidores e gestores. Grandes instituições financeiras, como Vanguard e BlackRock, detêm a maioria das ações públicas voltadas ao mercado (Classe A e C).
Contudo, Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google, retêm o controle majoritário através das ações de Classe B. Essas cotas exclusivas possuem superpoder de voto, garantindo a eles 51,7% do poder de decisão na empresa.
Em resumo, enquanto o mercado provê o capital, os criadores ditam a visão estratégica global. Essa governança protege a autonomia da diretoria contra pressões externas, assegurando a continuidade do modelo de gestão.
Quais são as ações da Alphabet na bolsa?
As ações da Alphabet Inc. são negociadas na Nasdaq e dividem-se em duas categorias acessíveis ao público. Elas são diferenciadas essencialmente pelo poder de decisão dos investidores:
GOOGL (Classe A): representa as ações ordinárias, que garante ao acionista o direito a voto em assembleias da empresa;
GOOG (Classe C): refere-se a ações preferenciais que, embora deem direito à participação nos lucros, não oferecem direito a voto.
Além dessas, existem as ações de Classe B detidas exclusivamente pelos fundadores Larry Page e Sergey Brin para assegurar o controle majoritário. Essa estrutura permite que a gestão mantenha o direcionamento estratégico da companhia, mesmo com a diluição do capital no mercado financeiro.
A Alphabet possui três categorias de ações, determinando o poder de voto dos investidores no conglomerado (imagem: Mark Lennihan/AP)
Qual é o valor de mercado da Alphabet?
O valor de mercado da Alphabet é de aproximadamente US$ 3,80 trilhões, segundo dados da Companies Market Cap em janeiro de 2026. A companhia superou a marca de US$ 3 trilhões de capitalização de mercado pela primeira vez em setembro de 2025.
Qual é a diferença entre Alphabet e Google?
A Alphabet Inc. é a holding criada em 2015 para separar os serviços de internet do Google de projetos experimentais e de longo prazo. Ela gerencia o portfólio de empresas do grupo, garantindo autonomia operacional e transparência financeira entre as diferentes subsidiárias.
O Google LLC é a maior subsidiária da Alphabet, concentrando as operações de tecnologia de consumo, publicidade digital e infraestrutura. Sob seu guarda-chuva estão produtos como Busca, YouTube, Android, Cloud e o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial.
Meta segue como uma das maiores investidoras de IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)Resumo
Meta estuda adotar TPUs do Google em seus data centers a partir de 2027, reduzindo a dependência da Nvidia, segundo o The Information.
As ações da Nvidia caíram 4% após a notícia, enquanto a Alphabet registrou alta.
Se o acordo avançar, a gigante das redes sociais pode se tornar uma das principais clientes externas das TPUs do Google.
A Meta estuda adotar chips desenvolvidos pelo Google em seus data centers de inteligência artificial, reduzindo sua dependência da Nvidia, segundo o The Information. A possibilidade de mudança fez as ações da empresa de chips recuarem 4% hoje (25/11).
De acordo com o site, as negociações entre Meta e Google incluem dois movimentos distintos: a adoção dos chips Tensor Processing Units (TPUs) diretamente nos data centers da Meta a partir de 2027 e o aluguel dessas unidades por meio do Google Cloud já no próximo ano. Caso o acordo avance, a Meta se tornaria uma das principais clientes externas das TPUs.
Queda nas ações da Nvidia
A sinalização gerou impacto no mercado financeiro. As ações da Nvidia caíram 4% somente hoje, mas chegaram a registrar queda de mais de 7% ontem (24/11). A Alphabet registrou alta depois dos novos avanços se tornarem públicos.
Desde 2018, quando lançou a primeira geração das TPUs, o Google tem reforçado sua estratégia de oferecer chips próprios para cargas de trabalho de IA. Ao longo dos anos, a empresa apresentou versões mais eficientes e dedicadas a processamento de modelos avançados, destacando-se justamente por serem unidades altamente customizadas.
Segundo a CNBC, essa personalização é um diferencial que pode atrair clientes interessados em diminuir sua dependência da Nvidia e ampliar a oferta de hardware disponível.
Chips da Nvidia ainda são amplamente utilizados em IA (imagem: divulgação/Nvidia)
Disputa pela infraestrutura de IA
A Meta segue como uma das maiores investidoras globais em infraestrutura de IA, com projeção de gastos entre US$ 70 bilhões e US$ 72 bilhões neste ano. Por isso, qualquer movimento de diversificação tem peso significativo no setor.
A adoção das TPUs seria uma vitória simbólica e comercial para o Google, que disputa um espaço dominado pela Nvidia há quase duas décadas, especialmente graças ao ecossistema CUDA — base de mais de 4 milhões de desenvolvedores.
A Nvidia continua na liderança absoluta do segmento, com GPUs amplamente utilizadas para treinar e operar modelos de IA em larga escala. Outras fabricantes, como a AMD, perderam terreno com a entrada mais agressiva do Google nesse mercado.
Declaração ocorre em meio a temores de superavaliação de ativos no Vale do Silício (foto: divulgação/Google)Resumo
O Sundar Pichai alerta sobre riscos de colapso na IA, comparando a situação atual à bolha da internet dos anos 90.
O Google e a Alphabet têm um modelo de negócios diversificado para enfrentar crises, mas nenhuma empresa estaria imune ao impacto global.
A expansão da IA traz desafios energéticos e ambientais, afetando cronogramas de sustentabilidade e exigindo ampliação das matrizes energéticas.
Nenhuma corporação global sairia ilesa caso a atual bolha de investimentos em inteligência artificial estourasse. Essa é a visão de Sundar Pichai, CEO do Google e da Alphabet, em um momento em que gigantes da tecnologia registram valorizações recordes impulsionadas pela expectativa de revolução por meio da IA.
O cenário, descrito por Pichai em entrevista publicada nesta terça-feira (18/11) pela BBC, sugere que o volume de capital injetado no setor possui “elementos de irracionalidade”, lembrando a “bolha da internet” do final dos anos 90. Esse período de intensa especulação financeira inflacionou artificialmente as ações de empresas de tecnologia e internet, e culminou no colapso do mercado em 2000, com grandes perdas para investidores.
Analistas e instituições bancárias, como o JP Morgan, também alertam que parte dos investimentos atuais em IA pode não gerar o retorno esperado, resultando em perdas de capital.
O Google resistiria à crise?
Questionado sobre o possível colapso, Pichai sustentou que a Alphabet e o Google teriam capacidade de superar a crise, mas evitou projetar um cenário de blindagem total. A resposta do executivo reforçou que, dada a interligação dos mercados globais e a dependência da cadeia de suprimentos tecnológicos, o impacto seria generalizado.
“Acredito que nenhuma empresa estaria imune, inclusive nós”, pontuou Pichai. A vantagem estratégica da Alphabet estaria em seu modelo de negócios diversificado, que abrange desde a fabricação de chips personalizados até o desenvolvimento de ciência de base através do laboratório DeepMind.
Executivo da Alphabet garante capacidade de superar eventual crise (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
A estratégia da empresa para diminuir os riscos envolveria ainda investimentos. No Reino Unido, a Alphabet já se comprometeu a investir cerca de 5 bilhões de libras (R$ 35 bilhões na cotação atual) em infraestrutura e pesquisa. O plano inclui a expansão de centros de dados e a inédita decisão de treinar modelos de IA em território britânico, atendendo a uma demanda do governo local para posicionar a nação como uma superpotência tecnológica.
Desafios e adiamento de metas ambientais
Além dos riscos financeiros, a expansão da infraestrutura de inteligência artificial trará grandes desafios energéticos e ambientais. O consumo de energia da IA, que já representaria cerca de 1,5% da demanda elétrica global, exigiria que nações desenvolvidas ampliassem suas matrizes energéticas para evitar gargalos econômicos. Pichai reconheceu que isso traria consequências imediatas, como a mudança dos cronogramas de sustentabilidade da Alphabet.
Por fim, o executivo abordou o impacto da tecnologia no mercado de trabalho. A IA seria, na visão de Pichai, a tecnologia mais profunda já desenvolvida pela humanidade, com potencial para transformar ou extinguir funções em diversos setores, onde ferramentas automatizadas devem passar a integrar a rotina produtiva global.