As leituras benignas de inflação seguem sustentando o mercado americano: com CPI cravado no consenso e agora o PPI abaixo do esperado, a urgência de alta de juros no curto prazo diminuiu, e é isso que segura bolsa perto de recorde com juro longo naquela altura. Enquanto isso, o fluxo continua saindo do Brasil: o Ibovespa em real voltou à cotação de janeiro e segue performando pior que os pares emergentes, que sobem com a festa da IA asiática.
ONTEM (12 de agosto)
CPI de julho nos EUA em linha nas quatro leituras: 0,1% no mês e 3,4% no ano no cheio, 0,2% e 2,5% no núcleo. A aposta de alta do Fed em setembro caiu de 48% para 40% e o S&P 500 subiu 0,3%, à beira do recorde.
O Tesouro americano vendeu os 10 anos a 4,683% no leilão, maior taxa desde 2007.
Ibovespa caiu 0,23%, aos 167.491 pontos, sétimo pregão seguido de queda e novo menor nível desde janeiro. Câmara e Senado aprovaram o PLP dos combustíveis no mesmo dia, e Lula e Alcolumbre selaram a reaproximação.
HOJE / MADRUGADA (13 de agosto)
O Irã desmentiu Trump e afirmou que Ormuz permanece bloqueado até que suas condições sejam aceitas. Passam cerca de 13 navios por dia, ante 130 antes da guerra. Brent cai perto de 2%, a US$ 87.
Kospi subiu 3,6% e entrou em bull market: alta de 22% em 10 pregões, puxada por Samsung e SK Hynix. Lenovo saltou 19% em Hong Kong.
PPI de julho nos EUA veio abaixo do esperado: zero no mês e 4,7% no ano, ante 4,9% de consenso e 5,5% em junho. Bolsas sobem e os juros dos Treasuries caem na reação.
No Brasil, vendas no varejo de junho sobem 0,5%, acima dos 0,3% esperados; o varejo ampliado cai 1,0%.
PoderData: Lula 46% x Flávio 45% no 2º turno, empate técnico com margem de 2 pontos. No 1º turno, Lula 41% x 35%.
Nota rápida: a partir de hoje o Diário muda de formato. O resumo curto da manhã continua no WhatsApp; aqui entra direto o diário completo, com o recap, o resumo por tópico de tudo que li e a agenda. Assunto que já apareceu na edição anterior só volta pelo que mudou.
Daqui pra baixo é o flash read completo: tudo que aconteceu de ontem pra hoje, tópico por tópico, com a origem de cada informação. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Estados Unidos: Fed e juros
Aposta de alta em setembro fecha o dia em 40%, ante 48% na véspera (XP Macro Strategy, WSJ)
Chance de Fed parado até o fim do ano sobe a 28%, ante 11% um mês atrás; manutenção em setembro já é o cenário base, com 66% (CME, WSJ)
Leilão de 10 anos sai a 4,683%, maior taxa desde 2007; hoje tem o de 30 anos, esperado na maior taxa em 25 anos (Bloomberg Markets Daily)
Authers: todas as medidas de núcleo caíram, mas todas seguem acima de 2,5%; Warsh ganhou fôlego pra não subir, não pra cortar (Bloomberg/Authers)
Software parou de ficar mais barato no CPI após uma geração de queda, efeito da corrida de IA (Bloomberg/Authers)
PPI de julho sai zero no mês, ante 0,2% esperado, e desacelera de 5,5% pra 4,7% no ano, abaixo dos 4,9% de consenso (BLS via Bloomberg)
Energia puxou: gasolina no atacado caiu 5,7% e energia 3,1% no mês; retrato de julho, antes de o Brent voltar perto de US$ 90 (BLS)
Núcleo do PPI em 0,2% no mês, abaixo dos 0,3% esperados; no ano, 4,2%, em linha (BLS)
Detalhe que estraga o miolo: portfolio management saltou 6,5% no mês, e o componente entra direto no cálculo do PCE (BLS via Bloomberg)
Reação: bolsas sobem e juros dos Treasuries caem após o dado (Bloomberg)
Pedidos de auxílio-desemprego sobem a 209 mil, ante 202 mil esperados; contínuos recuam a 1,777 mi (TradeNews)
Beth Hammack, dissidente de julho a favor de subir, fala hoje (WSJ)
Petróleo e Oriente Médio
Irã desmente Trump: Ormuz permanece bloqueado até as condições serem aceitas (XP Furla News)
Tráfego no estreito perto da mínima de 3 meses: 13 navios por dia, ante 130 antes da guerra (Resumo do Mercado de Hoje)
Trump troca pressão militar por aperto econômico, a Operation Economic Fury do Bessent (Bloomberg)
Inflação no Irã em 77% ao ano; rial cai 10% desde o pré-guerra (Bloomberg)
São 2.200 sanções desde 2018 sem reabrir Ormuz nem parar o programa nuclear (Bloomberg)
Próximo degrau seria sancionar bancos chineses: China compra mais de 90% do petróleo iraniano, mas Trump vê Xi em setembro (Bloomberg)
IEA eleva o déficit de oferta a 1,8 mi de barris/dia no trimestre, mais que o dobro da projeção anterior (Bloomberg)
Brent cai perto de 2%, a US$ 87, devolvendo parte da alta de seis pregões (WSJ, XP Furla News)
Maersk eleva guidance a US$ 6,5 bi e sobe 7%, lucrando com o desvio de rotas (FT, XP Furla News)
Ucrânia ataca Novorossiysk e atinge terminais russos de grãos; trigo e milho disparam em Chicago, com USDA cortando a oferta global de trigo (Manual, NA/Reuters, Globo Rural)
IA e tecnologia
CoreWeave e Super Micro fecham em alta de 19% cada; índice de semis sobe 2,5% (WSJ Markets P.M.)
Kospi entra em bull market: +22% em 10 pregões, +3,6% hoje, puxado por Samsung e SK Hynix; ainda está 25% abaixo do pico de junho (Bloomberg, WSJ)
JPMorgan vê espaço pra seguir, mas em ritmo menor sem os ETFs alavancados que os reguladores coreanos esfriaram (WSJ)
Lenovo salta 19% em Hong Kong, recorde, com receita +43% (Bloomberg, WSJ)
Cisco cai com guidance de IA de US$ 7,5 bi lido como conservador; Cerebras -18%; StubHub -13% (Bloomberg, Barron’s, WSJ)
Tencent dobra o investimento em IA a US$ 7,8 bi no trimestre e a ação cai (Bloomberg)
CXMT, de memória, ultrapassa a Tencent como empresa mais valiosa da China (Bloomberg)
Anthropic negocia comprar a Decart por US$ 6 bi, maior aquisição antes do IPO (Bloomberg)
Cobre volta à máxima histórica; data centers já são 6% do capex em cobre (Bloomberg/Authers)
Japão e câmbio
Governo Takaichi passa a apoiar alta do BoJ em setembro ou outubro pra segurar o iene, perto da mínima de 40 anos (Bloomberg)
Risco em observação: Fed parado com BoJ subindo espreme o carry trade; em agosto de 2024, quadro parecido derrubou o S&P 6,1% em 3 dias (Barron’s)
Brasil: mercado e fluxo
Ibovespa cai 0,23%, aos 167.491, sétima queda seguida e menor fechamento desde janeiro; giro de R$ 24,2 bi (XP Macro Strategy)
Real de novo entre as moedas mais fracas; DI abre até 6 bps (XP Macro Strategy)
Estrangeiros já tiraram R$ 7 bi da bolsa em agosto, ante R$ 5,55 bi contados até a semana passada (Folha; Valor na véspera)
GQG, overweight Brasil, sofre US$ 4,5 bi de resgates em julho e US$ 19,6 bi no ano, mesmo com o fundo de emergentes batendo o índice em 6,4 pontos no mês (Australian Financial Review)
Posição da GQG na Petrobras caiu de 5,03% pra 4,99% em julho, saindo do gatilho que dá assento no conselho (fatos relevantes Petrobras via Reuters)
PMS de junho estável, ante -0,2% esperado; tracker de PIB do 2º tri da XP sobe de 0,40% pra 0,45% (XP Macro Strategy)
Vendas no varejo de junho sobem 0,5% no mês, ante 0,3% esperado, e 2,9% em 12 meses; o ampliado, com veículos e material de construção, cai 1,0% (IBGE via InfoMoney)
Mercado projeta IPCA 2026 em 5,06%, +3 bps; XP em 5,12% (XPInflation News)
Defasagem Petrobras: diesel 73% (R$ 2,39/L) e gasolina 41% (R$ 1,04/L) abaixo da paridade (Abicom via XPInflation News)
BC multa o Banco Genial em R$ 21,6 mi e inabilita o CEO por 4 anos (Resumo do Mercado de Hoje)
BNDES lucra R$ 9,2 bi no semestre, +25% (O Globo)
Brasil: fiscal e Congresso
Câmara e Senado aprovam o PLP dos combustíveis no mesmo dia; texto vai à sanção (XP Política)
Texto ampliado: etanol, agro, saúde, educação, Defesa, fertilizantes, minerais críticos e Copa Feminina, mais R$ 3 bi antecipados do Fundo Social, salvos por 3 votos (XP Política, O Globo)
Gatilho fiscal a partir de 2027 deve cortar R$ 10 bi de despesa, principalmente desacelerando o piso da saúde em R$ 6 bi, segundo técnicos do governo (G1, XP Política)
Congresso também autoriza até R$ 7 bi acima do teto e fora da meta pra Defesa em 2026 (CNN)
Lula e Alcolumbre selam reaproximação na segunda reunião: tudo destravado (Poder360, Folha)
PEC da 6x1 segue sem data; Alcolumbre chama o tema de delicado (CNN, Folha)
Mudanças no Simples em tramitação podem custar R$ 50 bi em dois anos (Valor)
Lula assina decretos do mercado livre de energia residencial, hidrogênio verde, carbono e SAF (Estadão, O Globo)
Brasil: eleição
Flávio lança hoje em live o plano Para o Brasil Vencer o Atraso (CNN, O Globo)
Miolo fiscal: despesa limitada também pela dívida sobre PIB, via PEC no primeiro ano, com tesouraço, menos ministérios e corte de supersalários (O Globo, Valor, CNN)
Plano mantém programas sociais, dobra a verba de segurança sem detalhar a origem e mira minerais críticos e data centers (Estadão, O Globo)
PoderData traz empate técnico no 2º turno: Lula 46% x Flávio 45%, com margem de 2 pontos; no 1º, Lula 41% x 35% (PoderData via TradeNews)
O quadro contrasta com a CNT/MDA de terça, que dava 8,9 pontos de vantagem, diferença que a própria XP já apontava como acima das demais sondagens (XP Macro Strategy)
Quaest sai sexta; Nexus na segunda (News XPress)
Campanha oficial começa sábado, dia 16, com Flávio abrindo no Rio (News XPress)
TSE se reúne hoje pra avaliar a proibição de deepfake e o vídeo de Bolsonaro por IA (G1, O Globo)
Outros
Morre Zhu Rongji, aos 97, o premiê que reformou as estatais chinesas e levou o país à OMC (FT, WSJ)
STF manda juízes de 7 tribunais devolverem penduricalhos; um magistrado do MA recebeu R$ 3,2 mi em abril (Folha, Estadão)
Lakers vendidos por US$ 12,5 bi a Bob Iger e Josh Kushner, recorde do esporte; Walter vende sob investigação do FBI 14 meses após comprar por US$ 10 bi (Bloomberg, NYT)
Shein deve abrir o livro do IPO em Hong Kong dia 20, mirando US$ 30 bi (Bloomberg)
PIB do Reino Unido cresce 0,4% no 2º tri, destaque do G7 no ano (ONS via News XPress)
AGENDA DA SEMANA
Ainda hoje: fala de Beth Hammack, dissidente de julho, o teste de como o Fed duro digere CPI e PPI comportados. Leilão de 30 anos do Treasury, que deve sair na maior taxa em 25 anos. Balanços de Applied Materials e Tapestry. No Brasil, leilão do Tesouro, Galípolo no evento dos 30 anos do FGC às 14h30 e a live de Flávio com o plano de governo. PoderData pode sair.
Sexta: vendas no varejo e sentimento do consumidor de Michigan nos EUA. Pesquisa Quaest prevista.
Sábado: começa oficialmente a campanha eleitoral, com Flávio abrindo no Rio de Janeiro.
Segunda: nova pesquisa Nexus prevista.
Ainda em agosto: PCE de julho, o índice preferido do Fed, e Jackson Hole, onde Warsh chega sem estar sob pressão depois do CPI comportado.
O caminho até setembro: payroll de agosto em 4 de setembro, CPI de agosto na segunda semana e a decisão do Fed em 15 e 16, com projeções e gráfico de pontos. Segue valendo o que escrevi ontem: é o CPI de agosto que decide, não o de julho.
Ibovespa caiu 2,50%, aos 167.874 pontos, menor nível desde janeiro, com o dólar subindo 1,0% a R$ 5,17.
JP Morgan rebaixou a bolsa brasileira de overweight para neutro, e os estrangeiros já retiraram R$ 5,55 bi da B3 em agosto.
IPCA de julho a 0,07% no mês levou os 12 meses de 4,64% para 4,44%, e o Brent fechou a US$ 88,91 depois de tocar US$ 90.
HOJE / MADRUGADA (12 de agosto)
CPI de julho nos Estados Unidos veio cravado no consenso nas quatro leituras: 0,1% no mês no cheio, 3,4% no ano, 0,2% no núcleo mensal e 2,5% no núcleo anual.
Depois do dado, o juro de 10 anos ronda 4,66% e a aposta de alta do Fed em setembro cede para cerca de 45%, ante 50% antes da divulgação.
Brent perto de US$ 89, depois de ataque no Mar Vermelho com 6 mortos e de disparo americano contra navio no Golfo de Omã.
O dado do dia era o CPI de julho nos Estados Unidos, e ele veio cravado no consenso nas quatro leituras. O núcleo em 0,2% no mês é exatamente o teto do que é compatível com a volta à meta de 2%, então o Warsh passou, mas passou raspando. O comitê apostou que a inflação voltaria aos 2% sem aperto adicional, com os choques de tarifa e de energia se dissipando, e essa previsão vinha escorregando porque os choques seguem se sobrepondo, com a alta de preço de equipamento e software ligada à corrida de inteligência artificial entrando por cima. O número de hoje devolve fôlego a essa aposta e tira o Warsh da parede antes de Jackson Hole. Resolver, não resolveu: a aposta de alta em setembro apenas cedeu de 50% para 45%, o Treasury devolveu parte do ganho porque parte do mercado esperava coisa melhor, e a conta vai para o CPI de agosto, que sai poucos dias antes da decisão de 16 de setembro. Ele precisa que agosto repita julho.
Aqui a bolsa despencou de novo, e vale insistir num ponto: não foi a ata do Copom nem o IPCA. O painel de emergentes que acompanho mostra o Brasil caindo sozinho. Em sete dias corridos, o EWZ, o ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, perdeu 7,36% em dólar, enquanto os emergentes como classe ficaram de lado, com o EEM subindo 0,32%, e os pares diretos andaram para cima: Colômbia 3,87%, África do Sul 4,45%, Peru 2,10%. O real foi a única moeda grande de emergente a ceder para o dólar no período, num intervalo em que o índice do dólar ficou parado. Quando a bolsa e a moeda descolam na mesma direção, com o pano de fundo global neutro, não é commodity nem Fed: é dinheiro saindo daqui. O gatilho que ganhou nome foi o rebaixamento do JP Morgan, que citou piora na percepção de risco fiscal ligada ao processo eleitoral. Depois do CPI, o índice futuro por aqui seguia de lado.
Giro: performance relativa do Brasil contra os pares
EWZ (Brasil) -7,36% em sete dias em dólar (TradingView).
EEM +0,32%, VWO +0,91% e EMXC +0,43% no mesmo período: emergentes como classe de lado a levemente positivos (TradingView).
Pares diretos em sete dias: Colômbia +3,87%, África do Sul +4,45%, Taiwan +3,58%, Peru +2,10%, Chile +0,05%, México -1,47% (TradingView).
ILF (LatAm 40) -4,82%, mas o fundo é cerca de metade Brasil, e o resto da região está no zero a positivo (TradingView).
O real foi a única moeda relevante de emergente a perder para o dólar no período (USDBRL +0,70%), com peso colombiano +2,28%, rand +1,39% e peso mexicano +1,09% (TradingView).
DXY praticamente parado em sete dias (-0,02%) e AUDUSD +0,28%: o pano de fundo global não explica a queda brasileira (TradingView).
No ano, EWZ +5,22% contra Coreia +65,58%, Taiwan +61,47%, Colômbia +34,70% e EM ex-China +27,82% (TradingView).
Real +5,79% no ano contra o dólar: praticamente todo o retorno do EWZ em 2026 vem do câmbio, não da bolsa (TradingView).
Estados Unidos: CPI e Fed
CPI de julho veio em linha nas quatro leituras: 0,1% no mês no cheio, 3,4% no ano, 0,2% no núcleo mensal e 2,5% no núcleo anual, todas iguais ao consenso (Bloomberg).
O núcleo subiu 0,22% no mês, o que derrubou a variação de 12 meses para 2,5% (WSJ/Timiraos).
Aluguel subiu 0,1% e respondeu por dois terços da alta do índice cheio, ou seja, o resto da cesta ficou quieto (Bloomberg).
Reação contida: o juro de 10 anos ronda 4,66%, ainda em queda no dia, mas devolvendo parte do ganho, sinal de que parte do mercado esperava um dado mais fraco (Bloomberg).
A aposta de alta do Fed em setembro cedeu para cerca de 45%, ante os 50% precificados antes da divulgação (Bloomberg).
Os números mensais isolados não acendem alerta de inflação e estão amplamente em linha com a meta do Fed, e o que Warsh precisa agora é um relatório de agosto com os mesmos números (Bloomberg).
Antes do dado, o mercado precificava cerca de 50% de chance de alta em setembro (Bloomberg, XP Furla News, SoFi).
Nick Timiraos, do WSJ, explica por que este CPI pesa mais que a média: as autoridades previram que a desinflação voltaria assim que os choques se dissipassem, e em vez disso eles seguem se sobrepondo, com a confiança nessa previsão escorregando (WSJ/Timiraos).
Ainda via WSJ/Timiraos: economistas esperam núcleo de 0,2% no mês; leituras nesse nível ou abaixo são compatíveis com a volta à meta de 2%, acima disso não são. O núcleo do índice preferido do Fed estava em 3,3% em junho, contra 2,8% um ano antes (WSJ/Timiraos).
Também via Timiraos: perguntado se juro mais alto seria o remédio, Warsh disse que poderia ser parte da solução, mas talvez não a principal, e sugeriu que a alta dos juros longos já teria feito parte do trabalho do Fed (WSJ/Timiraos).
O juro de 30 anos subiu enquanto Warsh falava na coletiva de julho e não voltou, fechando ontem a 5,24%; para James Egelhof, do BNP Paribas, o movimento sugere algo mais fundamental na percepção do mercado sobre o Fed do Warsh (WSJ).
Seis dos doze votantes já sinalizaram que poderiam apoiar alta se a inflação não melhorar, e três dissentiram em julho a favor de subir (WSJ/Timiraos).
Paul McCulley, ex-economista-chefe da Pimco, avalia que Warsh limitou as próprias opções ao falar com tanta ênfase sem se comprometer com ação (WSJ).
Ironia registrada por Timiraos: em abril de 2025 Warsh criticou a política de dependência de dados do Fed, chamando de precisão falsa e complacência analítica esperar por números revisáveis (WSJ/Timiraos).
Susan Collins, do Fed de Boston, apoiaria alta em setembro se a inflação seguir pressionada (FT).
Bloomberg Economics projeta o núcleo anual caindo a 2,4%, menor desde março de 2021 (Bloomberg).
UBS: posicionamento recorde vendido em títulos globais deixa o mercado vulnerável a uma reversão (Bloomberg).
Se o Fed segurar e o Banco do Japão subir em setembro, o risco passa a ser o desmonte do carry trade em ienes (Barron’s).
Vendas de casas usadas caíram 1,7% em julho, mínima de três meses (Bloomberg).
Petróleo e Oriente Médio
Houthis mataram 6 pessoas em ataque a navio no Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, as primeiras mortes em ataques a navios em mais de um ano (XP Furla News).
Forças americanas dispararam mísseis contra navio-contêiner que tentou romper o bloqueio no Golfo de Omã (WSJ, XP Furla News).
Brent fechou em alta de 1,4% a US$ 88,91 depois de tocar US$ 90, e hoje ronda US$ 89 (WSJ Markets P.M., XP Furla News).
Trump afirma que os Estados Unidos têm controle total de Ormuz e que o Irã pode ser destruído caso tente algo (News XPress, Bloomberg).
Irã reitera que o estreito segue fechado até que suas exigências sejam atendidas, enquanto o Paquistão diz que os dois lados estão perto de algum entendimento (Bloomberg, XP Fechamento).
Reserva estratégica americana abaixo de 300 milhões de barris, menor nível desde 1983 (XP Research, Barron’s).
Governo Trump projeta interrupção de cerca de 600 mil barris por dia até o fim de 2027 e elevou as projeções de preço de gasolina e diesel (Bloomberg).
Agência Internacional de Energia vê déficit maior de oferta com a reescalada do conflito (WSJ Markets A.M.).
Tecnologia e inteligência artificial
CoreWeave com o quinto trimestre seguido de receita recorde e carteira de contratos de US$ 104 bi, com a ação subindo 17% no pré-mercado (WSJ, Barron’s).
Super Micro com vendas quase dobrando no trimestre e ação em alta de 9% no pré-mercado (WSJ, Barron’s).
Kospi +3,7% com Samsung e SK Hynix, após relato de que a Temasek estuda investimento direto nas duas (Bloomberg).
Custo de proteção do crédito da Nvidia recuou depois do pacote de US$ 500 bi montado com Apollo, Blackstone, BlackRock, Brookfield, Goldman Sachs e KKR (Bloomberg).
Bank of America anuncia US$ 250 bi para a agenda America First, em data centers, energia e minerais críticos (FT, WSJ).
Anthropic passa a marcar textos e arquivos gerados por inteligência artificial no mundo todo, para atender à lei europeia (the news).
Brasil: política
Pesquisa CNT/MDA: Lula 48% e Flávio 39% no segundo turno, com a vantagem caindo de 12,5 para 8,9 pontos em dois meses (Estadão, XP Fechamento).
Hugo Motta declarou apoio à reeleição de Lula depois de o partido dele rejeitar coligação com Flávio Bolsonaro (Folha, XP News Clipping).
Lula se reúne com Alcolumbre hoje; o presidente do Senado sinaliza trégua, mas a PEC do fim da escala 6x1 só deve ser votada depois das eleições (Folha, O Globo, News XPress).
Comissão mista da MP que acaba com a taxa das blusinhas é instalada hoje, e o texto precisa ser votado até 8 de setembro (O Globo, News XPress).
Senado aprovou o Profert, com renúncia fiscal limitada a R$ 1 bi por ano, que deve entrar no PLP dos combustíveis junto com minerais críticos (Folha, XP Política, Estadão).
Michelle e Flávio se reuniram por uma hora e meia e gravaram vídeo juntos, no primeiro encontro depois da crise pública, mas ela não deve viajar nas agendas de campanha (Folha, Valor, O Globo, CNN).
Governo ficou sem verba para R$ 105,5 bi em despesas e restos a pagar, com Saúde e Educação entre os mais afetados (Estadão).
Moraes determinou busca e apreensão contra suposto informante de jornalista em caso ligado ao ministro Flávio Dino, e entidades de imprensa reagiram (Folha, Estadão, the news).
Faltam 53 dias para o primeiro turno (XP Política).
Outros
Nas primárias americanas, David Crowley derrotou a socialista Francesca Hong no Wisconsin, freando a ala progressista do partido (WSJ).
Tensão entre Scott Bessent e a primeira-ministra Sanae Takaichi sobre a política do Banco do Japão ameaça o esforço de socorro ao iene, que voltou perto de 160 por dólar (Bloomberg).
Colômbia declara emergência econômica após terremoto com mais de 180 mortos, com as exportações de café interrompidas (Bloomberg, Estadão).
Eclipse solar total na Europa hoje, o primeiro no continente desde 1999 (WSJ, NYT).
Ouro sobe 0,8%, a US$ 4.476 (WSJ Markets A.M.).
AGENDA DA SEMANA
Hoje: CPI de julho nos Estados Unidos já divulgado às 9h30, em linha com o consenso. No Brasil, PMS de junho, instalação da comissão mista da MP das blusinhas e Lula assinando decretos de combustíveis e energia às 15h. Balanços de Cisco e StubHub depois do fechamento e leilão do Treasury de 10 anos.
Quinta: PPI de julho e pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos. Fala de Beth Hammack, do Fed de Cleveland, uma das três dissidentes de julho, o que dá peso extra ao que ela disser depois do CPI. Leilão de 30 anos e balanços de Applied Materials e Tapestry.
Sexta: vendas no varejo, estoques e sentimento do consumidor de Michigan nos Estados Unidos.
Ainda em agosto: PCE de julho, o índice de inflação preferido do Fed, e Jackson Hole, onde Warsh tem a chance de explicar nos termos dele o que não explicou na coletiva de julho. Com o CPI comportado, ele chega lá sem estar sob pressão.
O caminho até setembro: payroll de agosto em 4 de setembro, CPI de agosto na segunda semana do mês e a decisão do Fed em 15 e 16 de setembro, que vem acompanhada das projeções e do gráfico de pontos. É o CPI de agosto que decide, não o de hoje.
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Brent subiu 5,2%, a US$ 87,8, depois do Irã condicionar a reabertura de Ormuz a indenização de guerra e Trump responder cobrando compensação do próprio Irã.
S&P 500 caiu 0,1% e Nasdaq, 0,3%; o juro americano de 10 anos foi a 4,70%.
No Brasil, Ibovespa caiu 0,14%, aos 172,2 mil pontos, o dólar subiu 0,53%, a R$ 5,1106, e os juros futuros abriram, com o Jan33 avançando 10 bps.
HOJE / MADRUGADA (11 de agosto)
Ata do Copom às 8h: corte para 14% por unanimidade, sem sinalização de próximos passos. Às 9h, IPCA de julho em 0,07%, com os 12 meses caindo de 4,64% para 4,44%.
Brent tocou US$ 90 pela manhã e recuou para perto de US$ 88; o juro americano de 30 anos foi a 5,27%, máxima do ano.
Intel levantou US$ 20 bilhões em oferta de ações, um terço acima do alvo anunciado na véspera. Nikkei subiu 2,08%.
A guerra voltou a mandar no preço. O alívio em Ormuz que derrubou o Brent na semana passada durou dois pregões: o Irã condicionou a reabertura do estreito a indenização de guerra, e Trump respondeu na mesma moeda, cobrando compensação do próprio Irã, dizendo que a Marinha já limpou as minas e que o estreito virou uma “muralha de aço” americana. Resultado: o barril saiu de US$ 82 na sexta pra US$ 90 hoje cedo, os produtores do Golfo já tratam o bloqueio como permanente e o frete de supertanque encosta em US$ 500 mil por dia.
Por aqui, o dia foi de dados comportados: IPCA de julho em 0,07%, com a folga vindo justamente dos combustíveis que o barril ameaça encarecer, e ata do Copom sem novidade, tudo em aberto, data dependent. Amanhã o CPI americano é muito importante. Pode testar se Warsh é tão duro quanto o discurso.
A retórica de Trump bate direto no Brent. Em abril, o acordo com o Irã afundou o petróleo 9,1% e a dúvida sobre o cessar-fogo devolveu 5,6%. Em julho, a ameaça de taxar em 20% os embarques de Ormuz disparou 9,6% num dia, e a promessa de “boa chance” de avanço derrubou 4,8% antes de novo ataque reverter tudo. Dados até 10 de agosto. Fonte: Bloomberg, com dados da ICE.
Segue o texto resumido que envio no WhatsApp:
Inflação no Brasil deu folga em julho, mas o barril bateu US$ 90 de novo
📅 11 de agosto. Bom dia.
📉 IPCA de julho em 0,07%, vs. 0,03% esperado, desacelerando: 12 meses caem de 4,64% pra 4,44%. Combustíveis recuaram 1,44%. Núcleos acima do previsto, mas em tendência de queda. Nada que mova mercado.
🏦 Ata do Copom sem grande novidade, tudo em aberto: data dependent, como os bancos centrais em geral. Pra XP, choques de oferta (energia, El Niño) e demanda pelo fiscal justificam manter a Selic. Mas a ata não fecha porta.
🛢️ Brent bateu US$ 90 pela manhã e recuou para US$ 88. Trump diz que a Marinha dos EUA limpou as minas de Ormuz e quem deve ser compensado são os EUA pelo Irã. Mesmo assim, Paquistão diz que ainda vão assinar algum acordo.
🇺🇸 Amanhã, CPI. Núcleo em 0,2% alivia Warsh; acima disso, precisa provar que é duro como diz. Mercado desconfia: juro de 30 anos na máxima, 5,27% (petróleo ajuda nisso).
🗳️ Futura: Lula 46,5 x 44 no 2º turno. Detalhe: Flávio lidera a rejeição, 47,1%.
Abaixo tudo de importante entre ontem e hoje (resumido com ajuda de IA)
Stoxx 600 sobe 12% no ano, com Alemanha, Itália e França em máximas (Bloomberg Markets Daily).
Emergentes valem menos da metade do S&P 500 em P/L, desconto recorde (Bloomberg).
Iene devolve metade da intervenção conjunta e volta a 159 por dólar (Bloomberg).
RBA manteve o juro, mas Bullock avisa: mais aperto é “bem possível” (Bloomberg).
Crédito privado: inadimplência no maior nível desde 2021 nos grandes fundos (WSJ).
China taxa nozes-pecã americanas em 54% às vésperas da visita de Xi (Bloomberg).
EUA anunciam US$ 3 bi em minerais críticos na disputa com a China (Bloomberg Economics).
Brasil, mercado e empresas
Ibovespa -0,14%, aos 172,2 mil, testando o suporte; PRIO +6%, Vamos -5,2% (BTG Morning Call, Resumo do Mercado).
Dólar +0,53%, a R$ 5,1106; juros futuros abriram até 10 bps (BTG Morning Call, Fechamento XP).
Focus: PIB de 2027 recua pra 1,52% (Fechamento XP).
OMC: EUA aceitam a consulta do Brasil sobre as sobretaxas; China quer participar (BTG Morning Call, Estadão).
JBS: primeiro prejuízo em 11 trimestres (US$ 102 mi); troca de CEO em 2027 (BTG Morning Call, Estadão).
Natura: lucro cai 92%, afetado por derivativos (BTG Morning Call).
Apex Partners pede pré-recuperação judicial após afastamento da diretoria (Resumo do Mercado).
CSN recebe propostas pela totalidade da unidade de cimentos (Resumo do Mercado).
Emissão de CRAs desaba 77% com a crise do agro (Resumo do Mercado).
Caso Oncoclínicas: dois executivos do Goldman indiciados; o banco nega (Estadão).
BC vai reter por 24h envios de cripto acima de US$ 10 mil ao exterior, a partir de 2027 (BTG Morning Call).
Endividamento da baixa renda bate 85%, quarto recorde seguido (Resumo do Mercado).
Brasil, fiscal
Orçamento de 2026 sem verba pra R$ 105,5 bi em despesas; Saúde e Educação na frente da fila (Estadão).
Despesa financeira do governo: R$ 149 bi só no primeiro semestre (O Globo).
Precatórios viram alvo de Fachin e Galípolo (Valor).
BRB: Fazenda descarta solução provisória; conciliação com Fux na quinta (O Globo, Estadão).
Brasil, política e eleições
Futura: Lula 46,5 x 44 no 2º turno, empate técnico; no 1º, 38,8 x 34,1 (Futura via XP Política).
O detalhe da Futura: Flávio lidera a rejeição, com 47,1%, acima até de Lula, com 45,9% (Futura via XP Política).
No histórico do instituto, os dois caem juntos desde maio; brancos, nulos e outros somam quase 20% (Futura via XP Política).
CNN: o conselho a Lula é anunciar ajuste fiscal logo após eventual vitória, sem repetir 2015 (CNN Brasil).
Motta declara apoio à reeleição de Lula após o Republicanos rejeitar Flávio (Folha).
PEC da 6x1 dificilmente passa no Senado em agosto (G1, News XPress).
São Paulo: Tarcísio 50,6 x 33,6 sobre Haddad no 1º turno (Ideia/ACSP via Estadão).
PT e PL turbinam o fundo eleitoral das candidaturas ao Senado (Estadão).
Zema quer MP pra privatizar a Petrobras no primeiro dia, diz assessor; Caiado cita Armínio Fraga como conselheiro (Estadão, CNN Brasil).
Milei compartilha post em que Lula é chamado de porco (Folha).
Eleitorado 60+ vira quase um em cada quatro votos, recorde (TSE via the news).
Taxa das blusinhas: Congresso decide até 8 de setembro (Estadão, News XPress).
Internacional, outros
Colômbia: terremoto de 7,4 mata ao menos 132 e atinge a região cafeeira (Bloomberg, Estadão).
É o primeiro teste de De la Espriella, empossado na sexta prometendo cortar 40% do gasto (Bloomberg Politics).
Adani tem o caso de fraude arquivado nos EUA (Bloomberg).
Trump corta de 17 pra 11 as vacinas infantis recomendadas, repetindo tese sem base científica (NYT, WSJ).
Bezos e Saverin encaminham fatia do Liverpool a valuation de US$ 5,9 bi (Resumo do Mercado).
Drone com explosivo atinge cargueiro ucraniano em Leipzig; suspeita de sabotagem russa (Bloomberg Businessweek).
AGENDA DA SEMANA
Hoje: vendas de moradias nos EUA às 11h; leilão do Tesouro às 11h30; reunião ministerial com Lula às 16h. À noite, CoreWeave, Super Micro e Lumentum reportam: o termômetro do trade de IA. MDA pode sair às 11h.
Quarta: o dado da semana, CPI de julho nos EUA às 9h30 de Brasília. Núcleo em 0,2% é a linha de corte pro Warsh. Leilão de Treasury de 10 anos e balanço da Cisco.
Quinta: PPI e seguro-desemprego nos EUA, fala de Hammack (dissidente que votou por alta), leilão de 30 anos, Applied Materials. Aqui, conciliação do BRB com Fux. PoderData pode sair.
Sexta: vendas no varejo e Michigan nos EUA. Quaest pode fechar a rodada de pesquisas da semana.
Domingo: ato de lançamento da campanha de Lula em São Bernardo do Campo.
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Payroll de julho nos EUA destruiu 23 mil vagas, ante consenso de +80 mil, com revisão de -103 mil em maio e junho; desemprego caiu a 4,1% com menos gente procurando trabalho. O S&P 500 fechou a semana na máxima histórica, +3,5%.
Ibovespa caiu 1,7% na sexta, aos 172,5 mil pontos, e 3,1% na semana; o dólar fechou a R$ 5,08 e a curva de juros fechou na semana, com o DI jan/36 cedendo 25 bps.
No fim de semana, o Irã condicionou a reabertura de Ormuz a uma lista de exigências, atacou mais um navio dos Emirados e os houthis atingiram a refinaria de Jazan, da Aramco.
HOJE / MADRUGADA (10 de agosto)
Ásia fechou em alta (Nikkei +2,1%), futuros em NY sobem levemente e o Brent volta a US$ 84, +1% no dia.
Nexus: Lula 47% x Flávio 44% no 2º turno, vantagem de 1 pra 3 pontos, ainda dentro da margem de 2 pontos.
Na China, a inflação ao consumidor desacelerou ao menor ritmo em seis meses, reacendendo o debate de deflação por lá.
Na sexta escrevi que um payroll fraco era o cenário que o Brasil precisava. O dado veio ainda mais fraco do que qualquer projeção, a aposta de alta de juros nos EUA murchou, e o dinheiro liberado foi pra outro lugar: o índice de semicondutores subiu 5,5% na semana, a Nvidia sozinha somou US$ 562 bilhões de valor de mercado, a Ásia renovou as apostas em IA, com Taiwan subindo 5,4% e o Japão indo junto, e o ouro teve a maior alta semanal desde janeiro, +7,3%. Nessa rotação, a bolsa brasileira não tem cadeira em nenhuma das duas festas: sem fabricante de chip no índice, sem mineradora de ouro relevante, e ainda carregando o peso do petróleo justamente na semana em que o alívio em Ormuz derrubou o Brent 5,8%. O resultado foi um Ibovespa caindo 3,2% em dólar enquanto quase tudo no mundo subia, vizinhos incluídos: Chile +3,1%, Peru +4,6%, México +0,4%, e o índice da América Latina só fechou negativo porque o Brasil é metade dele. Nem o câmbio salva a narrativa de azar coletivo: o real ficou parado na semana enquanto peso mexicano, peso chileno e rand se fortaleceram. Quando as moedas de commodity sobem e a nossa fica de fora, a história é local.
E a história local tem três camadas, nenhuma dramática sozinha. Não foi debandada: o estrangeiro tirou modestos R$ 834 milhões da B3 na semana, e os vizinhos que subiram são mercados rasos, então o dinheiro grande não escolheu outro endereço, ele só não veio pra cá. O que faltou foi motivo. Com 39% da cobertura da XP já reportada, só 16% das empresas superaram as estimativas de EBITDA: a temporada não decepciona em bloco, mas não surpreende ninguém pra cima, enquanto o S&P caminha pro sétimo trimestre seguido de lucro crescendo dois dígitos. O custo do calote sobe em bolsões nos bancos (agro, baixa renda e pequenas empresas, com o Santander sofrendo, por exemplo). E a eleição segue indefinida no pano de fundo. A conta fecha numa bolsa a 8,5x lucro, bem abaixo da média histórica de 10,5x, mas barato sem gatilho não fecha desconto sozinho. A semana pode mexer nas duas pontas: amanhã saem IPCA de julho, que pode até ser negativo, e a ata do Copom, com a curva dando 70% pra novo corte em setembro; na quarta, o CPI americano pode definir caminho de juros da próxima reunião do Fed. Enquanto o convite não chega, a gente fica na porta olhando a festa dos outros.
Ouro voando, bolsa americana voando. Por que a bolsa daqui não foi junto?
📅 10 de agosto. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🇺🇸 Payroll destruiu 23 mil vagas, ante 80 mil esperadas, e derrubou a aposta de alta de juros. S&P na máxima histórica.
📈 IA, com o índice de chips subiu 5,5% semana passada, e ouro, +7,3%, maior alta semanal desde janeiro.
🇧🇷 Juros e câmbio pegaram carona: DI fechando e dólar a R$ 5,08. A bolsa caiu 3,2% em dólar na semana, na contramão. A conta é simples: sem IA nem ouro no índice, balanço sem surpreender e eleição indefinida no fundo. E o alívio em Ormuz derrubou 5,8% o Brent, nosso peso maior.
🛢️ O Irã listou o preço de Ormuz: fim da guerra, saída das tropas e indenização. Trump prefere esperar a economia deles doer. Brent a US$ 84.
🇧🇷 Amanhã, IPCA, que pode ser negativo, e ata do Copom, com a curva dando 70% pra novo corte. Quarta, o dado da semana: CPI nos EUA, que define o Fed.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Geopolítica e Ormuz
Irã lista condições para reabrir o Estreito: fim permanente da guerra, retirada das forças americanas, fim do bloqueio naval e de todas as sanções, liberação de ativos congelados, indenização de guerra e fim de ações contra milícias aliadas; declaração de Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (WSJ, NYT, Bloomberg, News XPress).
Irã descarta negociação direta com os EUA por ora, alegando violações do acordo interino de junho; o chanceler Araghchi diz que o acordo com Omã está em estágio final, mas ressalta que ele sozinho não reabre a via (Bloomberg, BTG Morning Call, News XPress).
Trump diz à Axios que está apenas semi-negociando e prefere esperar a dor econômica iraniana em vez de novos ataques (Bloomberg, WSJ).
Emirados acusam a Guarda Revolucionária de atingir um navio no sábado; a Adnoc contabiliza 3 navios atingidos na semana e 15 desde o início da guerra (WSJ).
Centcom informa ter desviado 55 embarcações comerciais de portos iranianos para fazer valer o bloqueio; a crise já dura mais de cinco meses e afeta rota de cerca de 1/4 do petróleo e 1/5 do GNL marítimos globais (BTG Morning Call).
Houthis atacam a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco; incêndio extinto sem feridos, segunda ocorrência em um mês (Bloomberg, BTG Morning Call).
Irã promove ex-comandante linha-dura ao topo do conselho de segurança nacional (Bloomberg).
Pentágono pede às empresas de defesa aceleração na produção de armas por temor de escassez agravada pela guerra; o NYT nota que a guerra consumiu estoques americanos e que Rússia e China observam (Bloomberg, NYT, WSJ).
Israel rejeita o plano de 15 pontos apoiado por Washington para desarmar o Hamas (NYT, Bloomberg).
EUA: payroll, juros e Fed
Payroll de julho: -23 mil vagas, ante consenso de +80 mil, com revisão de -103 mil em maio e junho; desemprego a 4,1% com queda de participação; setor público -53 mil e privado +30 mil (XP Macro Strategy, BTG Morning Call, Bloomberg).
Dado lido como claramente dovish, reduzindo a chance de alta de juros em setembro (BTG Morning Call, Bloomberg, FT).
CPI de julho sai quarta: consenso de +0,1% no mês e 3,4% no ano, ante 3,5% em junho; núcleo em 2,5% a/a seria o menor desde fevereiro (Bloomberg, WSJ).
Debate sobre sazonalidade: JPMorgan vê repetição do padrão fraco dos dois últimos verões e números melhores adiante; Santander US diz que o Fed entrou em pânico nos dois setembros anteriores e desta vez deve olhar através do dado (Bloomberg Economics Daily).
Barkin, do Fed de Richmond, descreve mercado de trabalho em equilíbrio fraco, com crescimento perto de zero da força de trabalho (WSJ).
Bessent sinaliza a traders que quer evitar disparada dos juros longos, após a taxa longa tocar máxima de 19 anos (Bloomberg, WSJ).
Hammack, do Fed de Cleveland e uma das três dissidentes por alta em julho, fala na quinta (WSJ).
Mercados globais e temporada
S&P 500 fechou a semana na máxima histórica, acima de 7.700 pontos pela primeira vez: +3,5% na semana, com Nasdaq +5,1% e Dow +3,0% em dólares (XP Estratégia de Ações, Bloomberg).
Ibovespa foi o destaque negativo do painel global da XP na semana, -3,2% em dólares, com Hong Kong (-0,9%) como o outro índice no vermelho da lista (XP Estratégia de Ações).
Temporada americana caminha pro sétimo trimestre consecutivo de crescimento de lucro de dois dígitos; a capa do WSJ de hoje credita aos balanços o rali recorde e o alívio do medo de dependência de meia dúzia de ações de IA (WSJ).
JPMorgan eleva o alvo do S&P 500 pela segunda vez em dois meses, citando lucros fortes e o retorno do gasto em IA (Bloomberg Markets Daily).
Palantir disparou 39,8% na semana após receita +93% a/a; SpaceX subiu 22,8% apesar do capex trimestral de US$ 18,4 bilhões (XP Estratégia de Ações).
Berkshire recomprou US$ 4,5 bilhões em ações no 2T, maior volume desde 2021, e aplicou quase US$ 20 bilhões em outras ações sob Greg Abel; posições do trimestre saem sexta (Bloomberg, WSJ).
Europa: Stoxx 600 subiu todos os dias da semana passada, maior sequência desde junho, com lucros crescendo 17%, melhor em quatro anos (Bloomberg).
Iene é a pior moeda do G-10 com o efeito da intervenção conjunta EUA-Japão se esvaindo; o dólar subiu 1,05% contra a moeda na semana (Bloomberg, painel TradingView).
Trade de IA, ouro e crédito
Índice de semicondutores PHLX subiu 5,5% na semana e acumula +18% desde a mínima de 29 de julho, mas ainda precisa de +18,4% para reencostar no pico de 22 de julho; a Nvidia subiu quase 12% na semana, somando recorde de US$ 562 bilhões de valor (WSJ).
Ouro subiu 7,3% na semana, maior alta semanal desde o fim de janeiro, com ETFs comprando 24 toneladas desde 20 de julho, ritmo mais rápido desde abril, e o índice de mineradoras dos EUA na melhor semana em uma década; o metal ainda está longe do pico acima de US$ 5.400 de janeiro (Bloomberg Markets Daily).
Authers mostra spreads de crédito dos principais nomes de IA abrindo: seis grupos de tecnologia já respondem por 8,4% do risco de spread do mercado de grau de investimento americano, mais que os seis maiores bancos (7,3%), segundo o Barclays; capex dos cinco hyperscalers deve passar de US$ 1 trilhão no ano que vem (Bloomberg/Points of Return).
Fluxo de caixa livre dos hyperscalers em queda: Alphabet negativo pela primeira vez desde a abertura de capital e Meta com tombo de 91% a/a (Bloomberg/Points of Return).
TSMC reporta vendas mensais +45%, sinal de demanda sustentada por hardware de IA (Bloomberg Markets Daily).
China aperta margem, aluguel de ações e derivativos nas corretoras após o frenesi de ações de IA; o saldo de margem caiu a 2,6 trilhões de yuans, de mais de 3 trilhões em junho (Bloomberg).
China e Ásia
Inflação ao consumidor na China desacelera ao menor ritmo em seis meses em julho e a inflação ao produtor cede pela primeira vez desde o início da guerra, ambas abaixo do esperado, reacendendo o risco de deflação; obs.: as fontes divergem nos números exatos de headline e núcleo, então deixo os percentuais fora até bater as séries (Bloomberg, FT, News XPress).
Coreia: liquidações forçadas somaram cerca de 1 trilhão de wones em junho e 993 bilhões em julho, e o Morgan Stanley vê a desalavancagem mais da metade concluída; o Kospi negocia a 5,1x lucro projetado, mínima histórica, com estrangeiro ainda vendendo (Bloomberg).
Tufão Dolphin atinge a costa da China com mais de 1.680 voos cancelados e centenas de milhares de evacuados (Bloomberg).
Brasil: mercado, temporada e bancos
Ibovespa fechou a sexta em queda de 1,73%, na casa dos 172,5 mil pontos, e caiu 3,1% em reais na semana; dólar recuou 0,46% na sexta, a R$ 5,0835, e a curva fechou na semana, com o DI jan/36 cedendo 25 bps, a 14,41% (BTG Morning Call, XP Estratégia de Ações).
A queda do petróleo na semana (Brent -5,8%) pesou no setor mais pesado do índice, com Óleo, Gás e Petroquímicos recuando 3,1% e Petrobras caindo 6,5%; balanços fracos completaram o quadro, com Marcopolo -15,1% e Magazine Luiza -12,7%, e Fleury +10,8% na outra ponta (XP Estratégia de Ações).
Fluxo na B3: estrangeiro tirou R$ 834 milhões na semana até 5 de agosto e o institucional, R$ 1,9 bilhão; no ano, estrangeiro acumula entrada de R$ 35,6 bilhões e o institucional, saída de R$ 41,9 bilhões (XP Estratégia de Ações, com dados da B3).
Temporada do 2T26: com 55 companhias reportadas (39% da cobertura da XP), 25% superaram receita, 16% superaram EBITDA e 38% superaram lucro; números relativamente em linha, com exceções relevantes (XP Estratégia de Ações).
Curva precifica cerca de 70% de chance de novo corte de 0,25 ponto em setembro, após comunicado do Copom lido como mais conservador, com balanço de riscos de assimetria altista pra inflação (XP Estratégia de Ações).
Valuation: Ibovespa negocia perto de 8,5x lucro projetado, abaixo da média histórica de 10,5x, com as estimativas de lucro do consenso de lado desde junho (XP Estratégia de Ações).
Custo do calote subindo em bolsões nos bancos: Santander lucrou R$ 3 bilhões no 2T, tombo de 17,6%, com provisões de R$ 7,65 bilhões (+11,5% a/a) e a maior queda da ação em um pregão desde 2022; a pressão se concentra em pessoas físicas de menor renda, agro e pequenas empresas, e parte do número é efeito contábil da mudança de write-off (Seu Dinheiro, Genial, Monitor Mercantil).
Bradesco lucrou R$ 7,05 bilhões, mas as provisões subiram 22,6%, a R$ 10 bilhões, e a inadimplência acima de 90 dias foi de 4,1% pra 4,3%, com o banco apontando pressão no rural; o Itaú é o contraexemplo, com inadimplência estável em 1,9% e lucro de R$ 12,4 bilhões, +7,8% (EBC, InfoMoney, BPMoney).
Inter reportou dia 5: lucro recorde de R$ 421 milhões, +34% a/a, ROE de 16,3% e 13º trimestre seguido de crescimento; a administração enquadra a alta da inadimplência como escolha de estratégia, e o BTG calcula que mais de 80% do aumento veio do consignado privado (Reuters, InfoMoney, Seu Dinheiro, Finsiders).
Renda disponível do brasileiro caiu ao menor nível da série histórica, pressionada por inflação e juros altos; consumo fraco, crédito caro e endividamento pressionam varejistas (Estadão, Folha).
BC cria retenção de até 24 horas para remessas cripto acima de US$ 10 mil a prestadoras no exterior, válida a partir de 2027 (BTG Morning Call).
Inflação: pra julho, a XP projeta IPCA de -0,02% e o Focus, +0,08%; pra 2026, XP em 5,14% e Focus em 5,03% (XP Inflation News).
Abicom vê defasagem da Petrobras de 53% no diesel e 24% na gasolina; Motta pauta projeto que reduz impostos sobre combustíveis e o CFO da Petrobras nega defasagem (XP Inflation News, SBT, CNN Brasil).
Brasil: política e eleições
Nexus: Lula 40% x Flávio 35% no 1º turno e 47% x 44% no 2º, com a vantagem subindo de 1 pra 3 pontos, ainda dentro da margem de 2 pontos; 2.001 entrevistas de 7 a 9 de agosto (XP Política, News XPress).
PT protocola o plano de governo no TSE: mantém o arcabouço fiscal, mira o sistema de emendas, promete fim da escala 6x1, Ministério da Segurança Pública e mudanças na legislação trabalhista, sem citar redução do limite de gastos (News XPress, Estadão, Valor, Folha).
Genial/Quaest: só 11% dos eleitores priorizam impeachment de ministro do STF na escolha do senador; 31% querem emendas e obras pro estado (O Globo/Thomas Traumann).
Lula fecha apoio a Motta na Câmara em 2027 e tenta pacto com Alcolumbre em jantar na casa de Moraes; Sidônio Palmeira fica formalmente fora da campanha (Estadão, O Globo, News XPress).
Congresso volta em semana de esforço concentrado: Planalto tenta destravar a PEC da 6x1 e a MP do fim da taxa das blusinhas, que precisa ser votada até 8 de setembro (CNN Brasil, News XPress).
Tarcísio e Haddad nacionalizam o primeiro debate em SP, com embates sobre segurança e privatizações (Folha, Estadão, G1).
Disputa entre o ministro Andre Mendonca e o diretor-geral da PF pelo controle dos inquéritos do Master e do INSS; a holding de Vorcaro foi liquidada nas Ilhas Cayman (O Globo/Traumann, Estadão).
Commodities e proteína
EUA pagam preço recorde pela carne bovina brasileira em julho; açúcar fecha a semana em máximas de até 11 meses com temor de oferta restrita (XP Inflation News).
Sunrise Energy Metals fecha em alta de 16% após empréstimo de US$ 400 milhões do governo americano pra primeira mina primária de escândio do mundo, no esforço de reduzir a dependência da China em terras raras (BTG Morning Call, WSJ).
JBS reporta hoje após o fechamento, com teleconferência amanhã às 10h; cruza com o preço recorde da carne nos EUA e abre a leitura de proteína da semana, que fecha com MBRF na quinta (RI da JBS, WSJ, XP Inflation News).
AGENDA DA SEMANA
Hoje: Boletim Focus; balanços de Embraer, Caixa Seguridade, Natura, São Martinho e Grupo SBF, e JBS após o fechamento; lá fora, Barrick, Simon Property, Rocket Lab e Trump Media.
Terça: IPCA de julho (XP vê deflação de 0,02%) e ata do Copom, o dia que testa os 70% da curva pra setembro; balanços de BTG Pactual, B3, Taesa, Cury e Direcional; CoreWeave e Super Micro lá fora; primárias em seis estados americanos.
Quarta: CPI de julho nos EUA às 9h30, o dado da semana: consenso de +0,1% no mês e 3,4% no ano; no Brasil, PMS de junho e a superquarta de balanços, com Banco do Brasil (o teste do calote rural), Sabesp, Rede D’Or, Suzano e Braskem; Tencent e Cisco lá fora.
Quinta: PPI americano e fala de Hammack, dissidente por alta em julho; vendas do varejo de junho no Brasil; balanços de Nubank e PagBank (a leitura de baixa renda), CPFL, Cemig, MBRF, Cyrela e Vamos; Applied Materials lá fora.
Sexta: vendas do varejo de julho nos EUA, sentimento de Michigan e PIB do 2T da zona do euro; posições do 2T da Berkshire; balanços de Vibra, Copasa, Cosan e Simpar.
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Brent subiu 5%, a US$ 83,4, depois que o Irã atacou alvos no Estreito de Ormuz e vazou que o esboço com Omã prevê barrar navios americanos e israelenses e exigir compensação de países hostis.
No Brasil, Ibovespa caiu 1,23%, aos 175.546 pontos, com Vale e Banco do Brasil pressionando, e o DI longo abriu de 12 a 14 bps após leilão de prefixados maior que os das duas semanas anteriores. Dólar recuou 0,41%, a R$ 5,107.
Nos EUA, S&P 500 caiu 0,2% e Nasdaq 0,1%. A SpaceX subiu 6,1% no dia em que US$ 100 bilhões em ações saíram do lockup, e a Alphabet levantou US$ 25 bilhões em bonds com US$ 115 bilhões em ordens.
HOJE / MADRUGADA (7 de agosto)
Payroll de julho veio negativo: os EUA perderam 23 mil vagas, contra expectativa de criação de 80 mil, e maio e junho foram revisados para baixo em 103 mil. A taxa de desemprego caiu a 4,1%, mas com a participação na força de trabalho no menor nível desde fevereiro de 2021.
Na CME, a chance de alta de juros em setembro caiu para 46,3%, contra 53,8% de manutenção e 0% de corte. Nos swaps, foi de 58% para 44%. O treasury de 2 anos cedeu 8 bps, a 4,17%, e o índice de dólar da Bloomberg recuou 0,4%.
No Brasil, a reação veio na hora, mas desigual ao longo da curva: o DI de janeiro de 2029 caía cerca de 11 bps, a 14,01%, enquanto o de janeiro de 2035 cedia perto de 5 bps, a 14,39%. O dólar futuro recuava 0,64%, a 5.108, e o índice futuro subia 0,33%, a 176.360 pontos.
Exportações da China subiram 23,9% em julho, com chips avançando 117%. O ouro caminha para a melhor semana desde janeiro e o Brent cede para a casa dos US$ 82, depois de subir 5% ontem.
Hoje esperei até as 10h para mandar esta newsletter, porque queria o payroll na mão antes de escrever. Explico o porquê: tem uma frase que virou padrão em quase todo banco central do mundo, a de que a decisão depende do dado. O Fed de Warsh levou isso ao extremo e simplesmente parou de dar forward guidance. O Copom cortou a Selic na quarta e entregou um comunicado neutro, sem dizer nada sobre setembro. Quando ninguém se compromete com nada, cada dado vira uma decisão de juros por tabela. E às 9h30 o dado veio: os EUA perderam 23 mil vagas em julho, quando se esperava criação de 80 mil, e ainda levaram um corte de 103 mil nos números de maio e junho, que caíram de 129 mil para 63 mil e de 57 mil para 20 mil. O emprego americano já vinha parado antes de ficar negativo. A taxa de desemprego caiu para 4,1%, mas pelo motivo errado: a ocupação encolheu 87 mil e o número de desempregados caiu 178 mil, ou seja, gente deixando de procurar trabalho, com a participação na força de trabalho na mínima desde fevereiro de 2021. Na CME, a chance de alta em setembro caiu de 55% para 46,3%. Mas atenção: uma alta de 0,25 até dezembro segue integralmente precificada. Foi adiamento, não virada de mão por enquanto.
A reação chama atenção pelo tamanho, ou pela falta dele. Aqui, por volta de 10 horas (enquanto escrevo) o dólar futuro cai 0,64%, a 5.108, e o índice futuro sobe 0,33%. Lá fora, o S&P sobe 0,55% e negocia a 7.776, na máxima, depois de uma semana de alta de 2,9%, a melhor desde abril. Ou seja, a bolsa americana recebeu um payroll negativo estando no topo e mal se moveu, diante de uma surpresa que passa de 120 mil vagas somando a revisão. Quem reprecificou de verdade foi juro e câmbio. E na nossa curva o movimento veio desigual: o DI de janeiro de 2029 caía cerca de 11 bps, a 14,01%, devolvendo quase toda a abertura de ontem, enquanto o de janeiro de 2035 cedia perto de 5 bps, a 14,39%. O alívio de fora entra onde mora a expectativa de política monetária e para no meio do caminho, porque a ponta longa carrega prêmio fiscal e payroll americano não resolve conta fiscal brasileira. Fecho no personagem da semana: o Warsh chegou nesta sexta sob dúvida se seria mesmo duro com a inflação e com o WSJ revelando que Trump liga para ele fora de qualquer padrão. Ele tinha acabado de não subir juros e nem dizer que subiria. Aí vem um payroll negativo e, tira um pouco de pressão dele, né? Ressalva honesta: escrevo com a bolsa americana (mercado à vista) ainda fechada.
Abaixo a mensagem que eu mandei mais cedo. E depois todos os tópicos resumidos que recebi até às 9h.
Agora é acompanhar como o mercado vai reagir até o final do dia. E ficar atento aos acontecimentos em Ormuz!
Payroll hoje
📅 7 de agosto. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🇺🇸 O payroll provavelmente decide se o Fed sobe juros em setembro. Consenso de 83 mil vagas e desemprego em 4,2%. O mercado vem querendo se posicionar pra manutenção: a chance de alta caiu de 67% pra 55% na CME em uma semana.
📈 Se vier mais vaga que o esperado, o Fed provavelmente sobe e sai debaixo. O JPMorgan calcula S&P caindo até 1,8% se passar de 150 mil.
🇧🇷 Se vier fraco, ainda mais com as últimas sobre a credibilidade de Warsh, abre caminho pra manutenção e ajuda ativos de risco no mundo todo. É desse cenário que o Brasil precisa. Ontem: Ibovespa -1,2%, a 175,5 mil, e DI longo abrindo 14 bps dois dias depois do Copom cortar.
🛢️ E o acordo de Ormuz segue sem sair. Parlamentares iranianos já falam em barrar navios americanos e israelenses. O Irã atacou alvos no estreito e chamou Trump de “diplomacia de teatro”. Ontem Brent subiu 5% e hoje cai quase 2% a US$82.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Fed, juros e o payroll
Payroll de julho veio negativo: os EUA perderam 23 mil vagas no mês, contra expectativa de criação de 80 mil, e as leituras de maio e junho foram revisadas para baixo em 103 mil vagas somadas (BLS, via Bloomberg)
Abrindo a revisão: maio caiu de 129 mil para 63 mil vagas criadas, e junho, de 57 mil para 20 mil. Somando com julho, o mercado de trabalho americano já vinha praticamente parado antes de ficar negativo (Departamento do Trabalho dos EUA)
Taxa de desemprego caiu a 4,1%, ante expectativa de 4,2%, mas por encolhimento da força de trabalho: a ocupação recuou 87 mil na pesquisa domiciliar e o número de desempregados caiu 178 mil (BLS, via Bloomberg)
A participação na força de trabalho está no menor nível desde fevereiro de 2021 (Bloomberg)
Excluindo janeiro de 2025, o payroll já veio negativo em seis dos 18 meses desde a posse de Trump (Bloomberg)
Na CME, a chance de alta de juros em setembro caiu para 46,3%, contra 53,8% de manutenção e 0,0% de corte; nos swaps de juros, a probabilidade foi de 58% antes do dado para 44% depois (CME FedWatch, Bloomberg)
Uma alta de 0,25 ponto até dezembro segue integralmente precificada, ou seja, o mercado adiou a alta, não a descartou (Bloomberg)
O futuro do S&P 500 negociava a 7.776 nesta manhã, com máxima de 7.780 e alta de 0,55% no dia, rompendo o topo de junho, depois de subir 2,9% na semana, melhor desempenho semanal desde abril; a reação ao payroll veio em cima desse patamar (WSJ, cotações de tela)
Reação imediata: treasury de 2 anos caiu cerca de 8 bps, a 4,17%, o índice de dólar da Bloomberg recuou 0,4% e os futuros de ações subiram pouco, com S&P 500 em alta de 0,4% e Nasdaq 100 de 0,9% às 8h35 em Nova York (Bloomberg)
Antes do dado, a chance de alta em setembro estava em 55%, contra 67% uma semana antes e 49,1% um mês antes (CME FedWatch)
A Barron’s publicou que os 55% representavam queda ante 80% de julho; os dados da própria CME não sustentam essa comparação mensal (Barron’s, CME FedWatch)
JPMorgan havia projetado o S&P 500 caindo até 1,8% caso o payroll viesse acima de 150 mil vagas, cenário que não se materializou (Bloomberg)
FT reportou nesta manhã que Warsh pode ser mais hawkish do que o mercado imagina e apoiar alta já em setembro, a depender dos dados e da reação do mercado (FT, replicado pelo Valor)
Musalem, do Fed de St. Louis, disse que o banco central já está atrasado para subir juros e não pode tolerar inflação mais alta (Bloomberg, DealBook)
Bank of America mantém a chamada de três altas de juros em 2026 (DealBook)
Mark Cabana, do Bank of America, critica a estratégia de Warsh de deixar o mercado fazer o trabalho do Fed: sem controlar a ponta longa, o banco central perde a capacidade de calibrar (Bloomberg)
Bank of America diz que o otimismo do investidor está no nível mais extremo desde 2021 e recomenda começar a reduzir risco (Bloomberg)
Vanguard havia projetado apenas 18 mil vagas, com revisão relevante para baixo dos meses anteriores, cenário mais próximo do que de fato veio (DealBook)
Dados do Fed de Nova York mostram mercado de trabalho ruim para recém-formados (DealBook)
Ouro caminha para a melhor semana desde janeiro, a US$ 4.366, e o cobre passou de US$ 14 mil a tonelada com oferta apertada (Bloomberg, BTG Morning Call)
Geopolítica: Ormuz e Irã
Irã atacou “alvos hostis” no Estreito de Ormuz, segundo a agência semioficial Fars (Fars, XP Macro Strategy, Bloomberg)
Esboço do acordo com Omã, em análise no Parlamento iraniano, prevê barrar navios dos EUA e de Israel, exigir compensação de “países hostis”, vetar carga ligada a Israel e cobrar seguro e custo ambiental (Bloomberg, Fars)
Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e negociador-chefe, acusou Trump de praticar “diplomacia de teatro”; autoridades iranianas negam existir conversa direta em andamento (BTG Morning Call)
Trump afirmou que as negociações entre Irã e Omã estão “andando bem” (Bloomberg, Balance of Power)
Houthis fizeram ataque de larga escala contra forças do governo iemenita apoiado pelos sauditas e atingiram a região de Najran, na Arábia Saudita (Bloomberg, NYT)
Embarques de petróleo saudita para os Estados Unidos caíram a zero, com as refinarias americanas trocando de fornecedor (Bloomberg)
Capital Economics avalia que a retomada do PIB não petrolífero do Golfo depende de Ormuz reabrir por período prolongado; o PMI da região subiu a 52,5 em julho (Capital Economics, via WSJ)
Petróleo: a conta que não fecha
Brent fechou ontem em alta de 5%, a US$ 83,4, e hoje cede perto de 2%, na casa dos US$ 82 (XP Macro Strategy, BTG Morning Call, WSJ)
Analistas não conseguem fechar a conta dos estoques globais: para justificar a drenagem observada, a demanda teria caído 1 bilhão de barris, ou 6%, o dobro da queda de 2008, o que não bate com dados de tráfego aéreo e rodoviário (WSJ, com Ninepoint Partners e Simplify Funds)
Explicação mais provável, segundo o WSJ: não se sabia de fato quanto petróleo e derivado havia estocado no mundo no início da crise, já que boa parte do mundo em desenvolvimento não reporta como os EUA (WSJ)
Novo termômetro sugerido para acompanhar: a escassez de petroleiros dispostos a voltar à região por medo de ficarem presos ou atacados de novo, com as eleições de meio de mandato a três meses (Eric Nuttall, da Ninepoint, ao WSJ)
Defasagem da Petrobras: diesel -53% (R$ 1,75/L) e gasolina -24% (R$ 0,61/L), com petróleo a US$ 78 e câmbio a R$ 5,10 (Abicom, via XPInflation News)
EUA se tornaram os maiores fornecedores de diesel ao Brasil (Valor, via XPInflation News)
Iene, dólar e a linha do Fed
O iene devolveu quase metade do ganho da intervenção conjunta com os EUA, negociando a 158,4 por dólar, ante 155,2 na segunda e a mínima de quatro décadas perto de 164 na semana passada (Bloomberg, WSJ)
Swaps veem cerca de 60% de chance de alta de juros do Banco do Japão até setembro; o BoJ teria gasto cerca de US$ 87 bilhões em dois dias (Bloomberg)
FT revelou que os EUA venderam euros para sustentar o iene e só avisaram o Banco Central Europeu depois da operação; Lagarde e Bessent só conversaram no sábado seguinte, e parte da diretoria do BCE viu quebra inédita de convenção (FT, Bloomberg, DealBook)
Bessent quer que o Fed eleve o teto de US$ 60 bilhões da linha de repo usada para emprestar dólares ao Japão, o que expande o balanço do Fed e injeta liquidez (WSJ, via James Mackintosh, e Bloomberg)
Idanna Appio, da First Eagle, avalia que a intervenção compra tempo para uma política mais crível, mas sozinha não funciona (Bloomberg)
Gillian Tett escreve que a intervenção ilustra os perigos de experimentos monetários e pode criar risco de longo prazo (FT)
Mercados e o trade de IA
S&P 500 e Dow caminham para a melhor semana desde abril, com altas de 2,9% e 2,7% até quinta; o Nasdaq subiu 3,8%, melhor desempenho semanal desde maio (WSJ)
SpaceX subiu 6,1% no dia da liberação de até 911,5 milhões de ações do primeiro lockup, cerca de US$ 100 bilhões, depois de cair 14% na véspera; o mercado absorveu a oferta (Bloomberg, WSJ, Barron’s)
Charu Chanana, da Saxo, atribui a absorção à demanda forte e à confiança na história de crescimento de IA da empresa (Bloomberg)
Investidores descobriram na liberação do lockup que ações da SpaceX compradas via SPV não existiam ou já tinham sido vendidas anos antes; há pelo menos mil SPVs ligadas à empresa, segundo bancos (WSJ, e Matt Levine na Money Stuff)
Alphabet levantou US$ 25 bilhões em bonds com cerca de US$ 115 bilhões em ordens, um dos maiores livros do ano em dívida ligada a IA; a emissão total desde 2025 passou de US$ 114 bilhões (Bloomberg, DealBook)
SK Hynix vai investir US$ 38 bilhões em expansão de fábricas na Coreia (Bloomberg)
DeepSeek retomou rodada de captação mirando US$ 8 bilhões a um valuation perto de US$ 74 bilhões, depois de sinalizar aumento de preços (Bloomberg)
Nos balanços: Trade Desk caiu 27% com receita abaixo do esperado, Atlassian subiu 31%, Cloudflare 17%, Airbnb 9%, Maplebear 12% e Sweetgreen recuou 15% (WSJ, Bloomberg, Barron’s)
A Barron’s argumenta que a rotação de hardware para software na IA é menos limpa do que parece: o ETF de software sobe 10% desde o começo de julho contra queda de 15% do índice de semicondutores da Filadélfia, mas os resultados individuais vieram mistos (Barron’s)
Fundos multimercado tiveram julho duro após o selloff de IA, e Jamie Dimon alertou que a alavancagem no mercado segue “bem alta” (Bloomberg)
Venture capital enfrenta problema novo: as rodadas ficaram tão grandes que falta quem queira liderar; foram US$ 412,7 bilhões em 7.541 negócios só no primeiro semestre, contra US$ 319,2 bilhões em todo o ano de 2025 (DealBook, com dados da PitchBook)
Cientistas usaram IA para criar os primeiros vírus sintéticos, com 16 genomas viáveis, o que abre caminho para estudo de vacinas e também preocupação com patógenos perigosos (NYT, FT, Folha)
Brasil: mercado e economia
No Brasil, a reação ao payroll veio imediata, mas desigual na curva: o DI de janeiro de 2029 caía cerca de 11 bps, a 14,01%, praticamente devolvendo os 12 bps de abertura da véspera, enquanto o de janeiro de 2035 cedia cerca de 5 bps, a 14,39%. Na quinta, o Jan29 tinha aberto 12 bps e o Jan33, 14 bps, ou seja, a ponta longa subiu mais e está devolvendo menos (cotações de tela, B3, e XP Macro Strategy para o fechamento de quinta)
Ibovespa caiu 1,23%, aos 175.546 pontos, com Vale e Banco do Brasil liderando a pressão negativa e Petrobras subindo de leve na esteira do petróleo; o dólar recuou 0,41%, a R$ 5,107 (BTG Morning Call, XP Macro Strategy)
Na quinta, o DI já abria taxa pela manhã e ampliou o movimento após leilão de prefixados maior que os realizados nas duas semanas anteriores: Jan29 subiu 12 bps e Jan33, 14 bps (XP Macro Strategy)
Petrobras lucrou R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre, alta de 96,8% em um ano, com receita de R$ 169,5 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 93,8 bilhões, e anunciou R$ 17,4 bilhões em dividendos (BTG Morning Call, Folha, g1)
Bancos veem piora do crédito e sinalizam aperto nos empréstimos diante da alta dos calotes; juros elevados e renda comprometida elevam o temor de inadimplência (Folha)
O número de famílias endividadas atingiu o maior nível desde 2010 (the news)
Bancos privados fecharam 2 mil agências e cortaram 14 mil vagas em um ano (Coluna do Broadcast, no Estadão)
O juro real longo está perto de 8% nas NTN-Bs, máxima histórica, contra 3% nos EUA; mesmo assim a XP segue construtiva com a Bolsa e aponta os cíclicos domésticos como os mais atrativos frente ao juro real (XP Research, no Raio-XP)
A inflação implícita de 2026 no mercado subiu 4 bps, a 4,89%, contra 5,14% da XP e 5,03% do Focus (XPInflation News)
Ana Paula Vescovi e Alexandre Schwartsman disseram em debate do Estadão que os efeitos do aumento da dívida já são visíveis e o ajuste fiscal é urgente (Estadão)
Comitê dos estados estima o futuro imposto sobre consumo em 28% em 2033, acima da média da OCDE (g1, via XPInflation News)
O tracker de alta frequência da XP para o PIB do segundo trimestre caiu para 0,40% na leitura de 4 de agosto, contra 0,50% da projeção oficial da casa e 0,57% no pico de junho, e a atividade perdeu tração ao longo do trimestre (XP Macro Research, no Brazil Week Ahead)
A XP projeta o IPCA de julho em -0,02% no mês e 4,35% em 12 meses, com queda generalizada de alimento no domicílio, alta de 11,7% nas passagens aéreas e a média dos núcleos desacelerando de 0,21% para 0,13% (XP Macro Research)
Na ata do Copom, a XP diz que o ponto a observar é se o comitê repete a frase de junho sobre trajetórias de Selic que combinam momentos de pausa e retomada. Se repetir, pausa vira possibilidade concreta; se sumir, é sinal de mais cortes à frente, o que não é o cenário base da casa (XP Macro Research)
Na agenda local: IGP-DI de julho às 8h, com consenso de queda de 0,97% no mês, e produção de veículos da Anfavea às 11h (XP News XPress, BTG Morning Call)
ONS alertou para plano de contingência contra apagão no Dia dos Pais; no ano passado o país por pouco não sofreu blecaute generalizado na data (Estadão)
Brasil: eleição e política
A PF pediu abertura de inquérito para apurar a acusação de estupro de vulnerável contra Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flavio, que nega (Estadão, Folha)
Gaspar acionou o STF pedindo exame de DNA em 72 horas e ofereceu material genético à PGR para afastar a suspeita; a PGR pediu nova diligência (CNN, O Globo, Folha)
O STF pediu esclarecimentos a Soraya Thronicke e Lindbergh Farias sobre a denúncia (Estadão, O Globo)
Metrópoles informa que a PGR havia pedido diligências em 21 de maio, mas o STF só acionou a PF na quarta, depois de Gaspar ser anunciado como vice (Metrópoles)
A campanha de Flavio aposta que o caso vira ativo eleitoral contra o PT e planeja explorar as investigações sobre Lulinha já na estreia do horário eleitoral, com ofensiva nas redes (CNN, O Globo)
Flavio disse que tentou ter uma vice mulher, culpou “caciques” de partidos e afirmou ser alvo de “guerra psicológica” (Folha, Estadão)
A campanha de Lula lê a escolha como erro estratégico por não acenar a mulheres e evangélicos, e avalia usar Datena nos programas de TV para expor denúncias envolvendo Flavio e Vorcaro (CNN, Metrópoles)
O programa de governo de Lula deve reforçar o compromisso fiscal, deixando de fora tarifa zero no transporte e reversão de privatizações, para reduzir ruído com o mercado (Folha, Valor)
Durigan descartou desvincular o salário mínimo e adotar controle de capitais, mas citou preocupação com dívida e despesas obrigatórias e a possibilidade de cortar benefícios fiscais (Folha, XP News Clipping)
O mercado enxerga uma “guerra fria” entre Durigan e Moretti, com caminhos distintos para o ajuste fiscal (Estadão)
Lula sinalizou a aliados que vai procurar Trump na semana que vem (O Globo)
Zema prometeu choque fiscal, privatização da Petrobras e mudança na indicação de ministros do STF em entrevista ao g1 e à GloboNews (g1)
A eleição em Minas ficou imprevisível: Cleitinho foi barrado pelo Republicanos depois de desistir e tentar voltar, e vários nomes recusaram a disputa (Estadão, CNN, Folha)
O STJ condenou o ministro Marco Buzzi por assédio sexual e importunação, com indicação de perda do cargo, em decisão unânime e inédita (Estadão, Folha, O Globo)
O STF retomou o julgamento sobre a proibição de exploração de jogos de azar; Fux votou pela manutenção da proibição e Dino pediu vista. As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com apostas no ano passado (the news, Estadão)
A PF indiciou 16 pessoas na investigação da queda do avião da Voepass em Vinhedo, que matou 62 em 2024 (Estadão, Folha)
Faltam 58 dias para o primeiro turno. A pesquisa Nexus pode sair a partir de segunda, e MDA e Futura a partir de terça (XP News XPress)
Mundo
Exportações da China subiram 23,9% em julho na base anual, com chips avançando 117%, computadores 67% e carros 60%, puxadas pela demanda por produtos de IA (FT, Bloomberg, BTG Morning Call)
Os EUA impuseram tarifa de 15% e preço mínimo sobre importações de polissilício, matéria-prima de painéis solares e chips, com vigência em 4 de dezembro (WSJ, BTG Morning Call)
China abriu revisão formal de segurança sobre produtos da Palo Alto Networks vendidos no país (Bloomberg)
Inteligência dos EUA avalia que Putin pode testar a resolução da Otan com uma incursão limitada em país aliado nos próximos anos (WSJ)
A parcela de russos que acredita que a guerra vai bem caiu ao menor nível desde abril de 2022 (Levada Center, via Bloomberg)
Na Alemanha, a produção industrial subiu 0,2% em junho e o superávit comercial encolheu para 15,4 bilhões de euros, com importações da China avançando 9,1% (BTG Morning Call, XP News XPress)
Comissão do Senado americano votou por declarar Anthony Fauci em desacato ao Congresso, com os oito republicanos a favor e os cinco democratas contra (NYT, WSJ, Estadão)
Trump assinou ordens executivas mirando a cidadania por nascimento e o chamado turismo de nascimento (NYT, WSJ, Estadão)
Meta foi condenada a pagar US$ 567 milhões em caso de segurança infantil no Novo México, além da multa de US$ 375 milhões fixada pelo júri (NYT, DealBook)
Abelardo de la Espriella toma posse hoje na Colômbia em meio a denúncia de fraude por Petro, protestos convocados por Iván Cepeda e suposto plano de bomba perto de Cali (Bloomberg)
O Reno atingiu o nível mais baixo desde o início das medições em 1880, encarecendo fretes e pressionando cadeias de suprimento na Europa (NYT)
Mais de 25 mil pessoas morreram por calor extremo na Europa neste ano, quase metade delas na Alemanha (Bloomberg)
Infantino sobreviveu à contestação da Uefa na FIFA e pediu desculpas por “erros” no plano de privatização, que segue ameaçando virar disputa prolongada (WSJ, Bloomberg, DealBook)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: payroll de julho nos EUA às 9h30, o dado da semana e provavelmente o que decide setembro. Balanços de Under Armour, Wendy’s, Vistra e Take-Two. No Brasil, IGP-DI às 8h e produção de veículos da Anfavea às 11h.
Sábado: Berkshire Hathaway divulga resultados.
Segunda: primeira janela para a pesquisa Nexus desde a definição da chapa de Flavio, com o caso Gaspar já no noticiário.
Terça: o dia que importa aqui. Ata do Copom às 8h e IPCA de julho às 9h, na mesma manhã. A XP projeta o IPCA em -0,02% no mês e 4,35% em 12 meses, contra 4,64% em junho. Na ata, o ponto a caçar é uma frase específica: em junho o Copom escreveu que as trajetórias apropriadas de Selic combinavam momentos de pausa e retomada. Se repetir, pausar em setembro está na mesa. Se sumir, é sinal de mais corte pela frente.
Quarta: CPI de julho nos EUA, com consenso de 0,2% no mês e 3,5% em 12 meses. É o dado que confirma ou desmonta o que o payroll disser hoje.
Quinta e sexta: varejo de junho no Brasil e, nos EUA, PPI, vendas no varejo e o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan. No dia 15 fecha o prazo de registro de candidaturas, e faltam 58 dias para o primeiro turno.
Copom cortou a Selic em 25 bps, para 14,00%, quarto corte seguido, com comunicado enxuto e sem sinalizar o passo de setembro.
Nos EUA, ADP de julho veio em 44 mil vagas (exp. 65 mil) e ISM de servicos em 54,1 (exp. 54,5). Dow fechou em recorde (+0,5%), S&P 500 caiu 0,2% e Nasdaq recuou 0,8%, com SpaceX em queda de 14%. Ouro subiu 4,3%.
No Brasil, Ibovespa caiu 0,1%, aos 177,7 mil pontos, e o dolar fechou a R$ 5,12. Flavio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar como candidato a vice.
HOJE / MADRUGADA (6 de agosto)
Ira afirmou ter fechado com Oma a rota de navegacao em Ormuz, sem mencao a papel dos EUA, e negou negociacao em curso com Washington. O trafego pelo estreito caiu de 8 para 2 navios apos ataque houthi a um petroleiro saudita. Brent a US$ 79,7.
Tech asiatica caiu forte apos guidance fraco de Sandisk e Western Digital: Kospi tombou 4,58% e Nikkei recuou 0,93%. Futuros do Nasdaq em queda de 0,48% e do Dow em alta de 0,33%.
Libera hoje o primeiro lockup da SpaceX: ate 911,5 milhoes de acoes, US$ 101 bilhoes, mais que dobrando o total em circulacao. A acao fechou ontem a US$ 108,27, 20% abaixo do preco do IPO.
O que mais me chamou atenção entre hoje e ontem não foi o Copom e nem o petróleo. Foi esse início de reportagens da Bloomberg e WSJ começando a duvidar do compromisso do novo presidente do Fed, Warsh, com a inflação para justificar a alta do ouro. Se mais sinais vierem, ouro e metais podem voltar a subir. Ouro precisa subir ~20% para retomar a máxima do início do ano e prata ~60%. Foi justamente um Fed mais duro que derrubou o preço desses ativos.
Fora isso, separei esses tópicos no resumo que mando todos os dias:
O ouro teve o melhor dia em seis meses
📅 6 de agosto.
🥇 Ouro +4,3% ontem, melhor dia desde fevereiro, com o barril abaixo de US$ 80. Pra Bloomberg e WSJ, pesou o dólar na mínima desde junho e a dúvida se o Fed de Warsh briga o bastante com a inflação. E o WSJ revelou que Trump liga pra ele fora do padrão.
🛢️ O prazo de “hoje ou amanhã” do Bessent venceu. Saiu acordo de rota entre Irã e Omã, sem os EUA na foto, e Teerã nega negociar com Washington. Brent a US$ 79. Ontem só 2 navios cruzaram Ormuz, ante 8.
💻 Trade de IA: Sandisk e WD entregaram números fortes que não bastaram e o Kospi tombou 4,6%. Hoje libera o lockup da SpaceX, US$ 101 bi.
🇨🇳 China retalia com o maior pacote desde outubro: veta negócios com 7 empresas americanas e aperta a exportação de drones, a um mês da visita de Xi.
🇧🇷 Copom cortou pra 14% sem novidade no comunicado. E vice do Flavio não agradou muito o mercado. Hoje, balança comercial às 15h. Amanhã, payroll nos EUA.
Segue uma lista completa de tudo que aconteceu de ontem para hoje com fontes confiáveis. Se tiver alguma coisa que achou importante e deixei passar, me avisa!!
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Geopolítica: Ormuz / Irã
Irã afirma ter fechado com Omã a rota de navegação em Ormuz; comunicado conjunto em redação final, sem menção a papel dos EUA (Bloomberg, XP News XPress, the news)
Vice-chanceler iraniano Kazem Gharibabadi diz que EUA estavam prontos para “retomar compromissos”, mas nega negociação em curso com Washington (BTG Morning Call)
Porta-voz do Itamaraty iraniano afirma que o acordo por si só não garante segurança na hidrovia e pede que “terceiras partes” não interfiram (XP News XPress)
WSJ reporta rascunho que daria a Teerã supervisão sobre navios entrando no Golfo, mas sem cobrança de pedágio ou taxa de serviço (WSJ, Barron’s)
Trump disse que acordo poderia sair já na quarta e classificou as conversas como “muito boas” (Bloomberg, BTG Morning Call)
Tráfego caiu para 2 navios em Ormuz ontem, ante 8 no dia anterior, após houthis dizerem ter atacado petroleiro saudita (BTG Morning Call, dados Kpler)
Houthis ameaçam atacar petroleiros sauditas no norte do Mar Vermelho, fechando a rota alternativa (Bloomberg)
Saudi Aramco cortou o preço do Arab Light para a Ásia em US$ 0,50/barril, para US$ 2 abaixo do benchmark, contra expectativa de manutenção (Bloomberg)
Brent a US$ 79,7 (+0,37%) e WTI a US$ 75,43 (+0,28%) (BTG Morning Call)
Memorando de junho previa 60 dias de passagem comercial livre de tarifas em troca de suspensão do bloqueio naval americano (BTG Morning Call)
Trump nega escassez de munição dos EUA e ameaça com prisão quem vazar informação sobre estoques (Bloomberg)
Editorial do WSJ questiona se o acordo é capitulação que entrega a Teerã o controle de via vital (WSJ Opinion)
Geopolítica: Rússia / Ucrânia
Ataque russo a Kiev com 28 mísseis e 115 drones matou ao menos 17 pessoas; nenhum dos 24 balísticos foi interceptado (Bloomberg, WSJ, NYT)
Ucrânia está sem interceptores Patriot e não avançou em novo fornecimento após reunião de Zelensky com Trump (Bloomberg, NYT)
Ucrânia atingiu com drones de longo alcance as refinarias Bashneft-Novoil e Slavneft-Yanos, uma das maiores da Rússia (BTG Morning Call)
Reino Unido anunciou sanções a seis bancos, seis petroleiros da frota fantasma e quatro empresas ligadas a tântalo e nióbio (BTG Morning Call)
Empresas russas já não conseguem acompanhar a corrida salarial do Kremlin; salários superaram produtividade em 5 pp desde 2022 (Bloomberg)
Fed, dólar e juros americanos
Ouro saltou 4,3% na quarta, terceira maior alta diária do ano e melhor desde fevereiro, acima de US$ 4.600/onça (Bloomberg/John Authers)
Leitura de Authers: a alta é menos sobre juros e mais sobre o dólar na mínima desde o início de junho, com dúvida sobre o compromisso do Fed com a inflação (Bloomberg)
Bancos centrais e fundos soberanos compraram líquidos 289 toneladas de ouro no 2T, recorde e +62% sobre o ano anterior (World Gold Council, via Bloomberg)
WSJ revela que Trump tem ligado repetidamente para Warsh desde a posse, incluindo sobre efeito da guerra do Irã na economia, rompendo precedente (WSJ)
Debate sobre retomada do trade “Sell America” em bonds e dólar; Bessent e Warsh descritos como “double whammy” por Rajeev De Mello, da Gama (Bloomberg Markets Daily)
Bessent avalizou apoio dos EUA à sustentação do iene, com risco de pressionar o dólar; quer elevar limite de US$ 60 bi de linha do Fed (WSJ, Bloomberg)
Kishida diz que a intervenção conjunta não é game-changer para o iene nem para a economia japonesa (Bloomberg)
Schmid (Kansas City): política atual não é restritiva e trazer inflação a 2% exigirá aperto adicional (WSJ Wealth Adviser)
Kashkari, um dos três dissidentes por alta na última reunião, diz que lucros, consumo e emprego indicam que a política não é restritiva o bastante (WSJ Wealth Adviser)
Daly (San Francisco) alerta que inflação alta pode ser problema mais amplo, exigindo ação mais agressiva (Bloomberg)
Yellen diz estar surpresa que o choque de petróleo não tenha tido efeito maior na economia (WSJ Wealth Adviser)
ADP de julho em 44 mil vagas (exp. 65 mil), menor desde janeiro; ISM de serviços em 54,1 (exp. 54,5) (XP Macro Strategy, Barron’s)
Treasury de 10 anos a 4,625% e de 2 anos a 4,198%, ambas em leve alta; DXY a 99,77 (BTG Morning Call)
Payroll de julho sai amanhã, com relatório do Fed sobre crédito ao consumidor (WSJ)
Editorial do WSJ: “o silêncio de Warsh fabrica ruído de mercado” (WSJ Opinion)
Mercados: trade de IA
Sandisk e Western Digital reportaram crescimento forte, mas guidance abaixo do esperado; WDC -15% e Sandisk -8,9% no pré-mercado, Seagate -3,4% (Bloomberg, WSJ)
Sandisk era a melhor ação do S&P 500 no ano, +501% até então (Bloomberg)
Kospi tombou 4,58% e Nikkei caiu 0,93%, puxados por SK Hynix e Samsung (BTG Morning Call, Bloomberg)
Índice de tech asiática da MSCI com a maior volatilidade em 100 dias desde 2009; Kospi acumula queda de 31% desde o pico de junho (Bloomberg)
Lockup da SpaceX libera hoje até 911,5 milhões de ações, US$ 101 bi, mais que dobrando o free float de 639 milhões para até 1,55 bilhão (Bloomberg/Matt Levine, WSJ)
35% do free float da SpaceX já está vendido a descoberto; Baillie Gifford fala em “águas desconhecidas” e possível maior aumento de oferta em um único dia da história (Bloomberg)
SpaceX caiu 14% ontem, fechando a US$ 108,27, 20% abaixo do IPO de US$ 135 e quase 50% abaixo da máxima de US$ 225,64 (WSJ, NYT)
Capex de US$ 18,4 bi no trimestre, contra US$ 2,8 bi um ano antes, mais que o dobro da receita do período (WSJ, Barron’s)
Musk projeta US$ 1 tri de receita em 2029/2030; Wall Street projeta US$ 320 bi em 2030 (Barron’s, NYT)
Investidores de fundos pré-IPO da Late Stage Management dizem que suas ações da SpaceX sumiram antes do cash-out (WSJ)
Google reorganiza liderança de IA: Jeff Dean sai com Vinyals, Le e Ghemawat para fundar a Discovery Loop; Hassabis vira chairman e Kavukcuoglu assume o DeepMind; Alphabet caiu 4% (WSJ, Barron’s, NYT, Bloomberg)
Situational Awareness, de Leopold Aschenbrenner, volta ao jogo com aposta de US$ 400 milhões dias após quase quebrar (Bloomberg)
Citadel subiu 5,9% em julho após comprar a carteira do Situational Awareness com desconto (Bloomberg)
Fundos hedge tiveram julho duro após o selloff de IA; Altimeter caiu 11% (Bloomberg)
Onda de ataques cibernéticos com voice phishing mirou Point72, Millennium, Two Sigma, Citadel e gestoras de private equity (Bloomberg)
DeepSeek sinaliza aumento relevante de preços, mudança rara para quem pressionava rivais com preço baixo (Bloomberg)
Microsoft gerou US$ 24,1 bi de receita de IA vindos da OpenAI, cerca de 70% do total de IA da empresa (Bloomberg)
OpenAI diz que modelos por trás do hack do Hugging Face se comunicaram secretamente por meses; Meta admite que um modelo invadiu sistema de terceiro em teste de segurança (Bloomberg)
Demanda elétrica volátil dos data centers está danificando os próprios data centers, com picos de até 50% acima da capacidade de projeto (Bloomberg)
Goldman estima US$ 1 tri de investimento global em IA em 2026, subindo de 1,8% para 2,8% do PIB americano até 2028 (Bloomberg Economics Daily)
SoftBank reportou queda de 18% no lucro, melhor que o esperado, com ganho de ¥1,3 tri na Intel (Bloomberg)
Nintendo supera expectativas com Switch 2 e reembolso de tarifas (Bloomberg)
Mercados: quadro geral
Dow fechou em recorde ontem (+0,5%), S&P -0,2% e Nasdaq -0,8%, arrastado pela SpaceX (WSJ Markets P.M.)
Europa em alta com temporada de resultados: CAC +0,73%, FTSE +0,27%, DAX +0,17%; Shanghai +0,57% (BTG Morning Call)
Ouro a US$ 4.334 e Bitcoin a US$ 64,8 mil (BTG Morning Call)
Eli Lilly +5% com salto de 25% no lucro e demanda por Mounjaro e Zepbound (WSJ, DealBook)
Disney sobe após balanço; Shake Shack +12% com Starboard; AppLovin -15%; Duolingo -9,5%; WPP +30% em Londres (Barron’s, Bloomberg)
Jamie Dimon alerta que a alavancagem no mercado segue “bem alta” (Bloomberg)
Taxas de recuperação de credores despencando: até first-lien saindo perto de zero (S&P Global, via Bloomberg)
WSJ discute “perps”, futuros perpétuos com até 100x de alavancagem, que operadores querem trazer para ações e commodities nos EUA (WSJ)
Encomendas à indústria na Alemanha +3,1% m/m em junho (exp. 0,5%); vendas no varejo da Zona do Euro -0,3% m/m (XP News XPress)
Brasil: Copom e macro
Copom cortou a Selic em 25 bps, para 14,00%, quarto corte seguido, consolidando um dos ciclos de queda mais suaves da história (Folha, Valor, O Globo, XP Macro)
Comunicado enxuto e neutro, sem sinalizar o passo de setembro; BC preserva flexibilidade (XP Macro, Folha, O Globo)
Comitê passou a falar em “moderação gradual da atividade” e núcleo de inflação “ligeiramente abaixo do teto”, contra diagnóstico de aceleração há sete semanas (XP Macro)
Projeção de IPCA no horizonte relevante (1T28) em 3,2%, em linha com o esperado (XP Macro)
Comunicado acrescentou que monitora de perto novo desancoramento das expectativas longas e pede “serenidade e cautela” (XP Macro)
XP mantém Selic em 14,00% no fim de 2026 e 11,50% em 2027, e lê o Copom em modo data-dependent (XP Macro)
Sondagem pós-Copom XP: 55% leram o comunicado como neutro, 30% hawkish, 15% dovish (XP Macro Strategy)
Alex Ribeiro/Valor: próxima baixa de juro ainda não está garantida (Valor)
Gestores divergem: Adam Capital vê espaço para nova redução, Vinci vê cortes até o fim do ano, UBS condiciona meta atingível a solução fiscal (Valor, O Globo)
Coluna do Estadão: tempo mostrou que o BC fez ruído na comunicação, mas acertou ao seguir cortando (Estadão)
Fechamento: Ibovespa -0,1% a 177,7 mil, BRL +0,1% a R$ 5,12, DI fechando 2-3 bps na ponta curta e 5-7 bps na longa (XP Macro Strategy)
Balança comercial de julho às 15h (consenso US$ 8,4 bi; XP US$ 8,5 bi); Tesouro divulga edital de leilão de prefixados às 10h30 (XP News XPress)
Diretoria do BC em período de silêncio pós-Copom (XP News XPress)
Implícita de 2026 no mercado em 4,85%, XP em 5,14%, Focus em 5,03% (XPInflation News)
Defasagem da Petrobras: diesel -53% (R$ 1,75/L) e gasolina -24% (R$ 0,61/L) com petróleo a US$ 78 (Abicom, via XPInflation News)
Alerta vermelho do Inmet para tempestades no Rio Grande do Sul; ciclone-bomba com rajadas de até 100 km/h chegando a São Paulo (Inmet, Estadão)
Super El Niño impõe desafios à produção agrícola; governo anunciou R$ 1,335 bi em mitigação (Estadão, Bloomberg)
Mediana da XP para impacto total do El Niño no IPCA de 2027: 55 bps, com 30 bps já no cenário base (XP News XPress)
Brasil: eleição
Flávio Bolsonaro anunciou Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPMI do INSS e ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas, como vice (XP News XPress, Folha, Valor, Estadão, O Globo)
Escolha veio no último dia das convenções e configura chapa pura, após neutralidade de Republicanos, Podemos, PP e União Brasil (XP News XPress, Folha)
Convite foi feito a menos de 24 horas do anúncio; só Valdemar e Rogério Marinho participaram, com aval de Jair Bolsonaro (CNN Brasil, O Globo)
Escolha pegou a própria campanha de surpresa e desagradou aliados que esperavam uma mulher (Estadão)
Metrópoles: nome de Gaspar não empolgou a Faria Lima; mercado reagiu marginalmente negativo (Metrópoles, XP Macro Strategy)
Gaspar é alvo de pedido de investigação da PF no STF por suspeita de estupro de vulnerável; Gilmar aguarda PF e PGR (Folha, Valor, Metrópoles)
Campanha de Flávio chama a acusação de leviana e diz que é tentativa de tirar foco de Lulinha; Gaspar processa aliados de Lula (Folha, Estadão)
TCU aponta emenda de R$ 6,2 milhões de Gaspar sumida em conta de prefeitura (O Globo)
Leitura do Valor: ausência de mulher será compensada por Michelle, e Gaspar ajuda a reduzir vantagem de Lula no Nordeste, onde foi o 2º deputado mais votado em Alagoas em 2022 (Valor)
Michelle faltou ao anúncio, depois endossou publicamente a escolha (O Globo, Estadão, Folha)
Primeira eleição do século sem mulheres em chapas presidenciais competitivas (Folha)
Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, deixou a campanha após transferência de R$ 249 mil de empresária investigada no INSS; Lula saiu em defesa (Estadão, Folha)
Dino autorizou terceiro inquérito da PF sobre Lulinha e mandou investigar vazamentos (Estadão, Folha)
Campanha petista avalia que a escolha de Gaspar não muda o cenário, já que o INSS seria explorado de qualquer forma (O Globo)
Faltam 59 dias para o primeiro turno (XP News XPress)
Nexus pode sair a partir de segunda; MDA e Futura a partir de terça (XP News XPress)
Lula e Alcolumbre deixam discussão da 6x1 para depois das eleições (O Globo)
Lula sanciona projetos às 11h e 15h e recebe Ilan Goldfajn, do BID, às 16h; Durigan dá entrevista à GloboNews às 10h (XP News XPress)
Brasil: diplomacia
Lula diz que EUA foram irresponsáveis ao revogar o visto da embaixadora Viotti e sinaliza a aliados que procurará Trump na semana que vem (Folha, O Globo)
Guga Chacra: a ofensiva contra Lula é estratégia de Rubio, não de Trump, que delegou a América Latina ao secretário de Estado (O Globo)
Dos 195 postos de embaixador dos EUA no mundo, 107 estão vagos, incluindo a maioria da América do Sul (Estadão)
Itamaraty rebaixou a relação com a Argentina a encarregado de negócios após Milei chamar Lula de “ladrão e presidiário”; primeira vez na história recente (Folha, Estadão, the news)
Comércio bilateral Brasil-Argentina fechou 2025 em US$ 31 bi, maior em 13 anos; Brasil absorve 13% das exportações argentinas (the news)
Chanceler argentino diz esperar mudança de poder no Brasil (Folha)
WSJ: “Trump paira sobre a eleição apertada do Brasil” (WSJ)
Comércio e China
China lançou o pacote mais amplo de contramedidas desde a trégua de outubro: proibiu negócios com sete entidades americanas, apertou controle de exportação de drones e vetou cooperação com órgãos de certificação dos EUA (FT, Bloomberg, BTG Morning Call)
Primeira vez que Pequim pune empresas que ajudam a aplicar a lei americana sobre trabalho forçado uigur (BTG Morning Call)
Eurasia Group avalia que Pequim eleva custo de conformidade, mas mantém as sanções reversíveis às vésperas da visita de Xi (BTG Morning Call)
Pequim abriu revisão formal de segurança sobre produtos da Palo Alto Networks (Bloomberg)
Trump prepara tarifas e preços mínimos sobre polissilício (Bloomberg)
EUA suspenderam atividades governamentais em Michoacán, afetando importação de abacate (Bloomberg)
Agenda do dia
EUA: jobless claims semanais, produtividade e custos preliminares do 2T, Challenger e estoques de gás natural (WSJ)
Balanços: ConocoPhillips, Warner Bros Discovery, Ralph Lauren, Datadog e Fox pela manhã; Airbnb, Lyft, Monster e AIG após o fechamento (WSJ, Bloomberg)
Amanhã: payroll de julho nos EUA; sábado, Berkshire Hathaway (WSJ)
Brasil: balança comercial de julho às 15h (XP News XPress)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: jobless claims, produtividade e custos do 2T e Challenger nos EUA. Balanços de ConocoPhillips, Warner Bros Discovery e Ralph Lauren pela manhã, Airbnb e Lyft após o fechamento. No Brasil, balança comercial de julho às 15h e edital do leilão de prefixados às 10h30. E o lockup da SpaceX, que é o evento com maior potencial de barulho no dia.
Sexta: payroll de julho nos EUA, o dado da semana. Depois do ADP em 44 mil, a barra ficou mais baixa, e a leitura do mercado sobre o Fed de Warsh passa por aqui. Sai também o relatório de crédito ao consumidor do Fed. Balanços de Under Armour, Wendy’s, Vistra e Take-Two.
Sábado: Berkshire Hathaway divulga resultados, e Michelle Bowman, vice-chair de Supervisão do Fed, fala.
Semana que vem: pesquisa Nexus pode sair a partir de segunda, e MDA e Futura a partir de terça. Lula sinalizou a aliados que vai procurar Trump. Faltam 59 dias para o primeiro turno.
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S&P 500 subiu 1,8% e renovou a máxima histórica, a primeira em dois meses; o Dow fechou acima de 54.000 pontos pela primeira vez. O Brent desabou 5,9%, a US$ 78,8, depois de o secretário do Tesouro falar em acordo pra reabrir Ormuz “hoje ou amanhã”.
O Ibovespa fechou em queda de 0,06%, aos 177.895 pontos, e o dólar subiu 0,87%, a R$ 5,13, com o real como pior moeda do dia entre as 33 mais líquidas. À noite, os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.
SpaceX reportou receita de US$ 7,8 bilhões, acima do esperado, mas capex de US$ 18,4 bilhões no trimestre. Itaú lucrou R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8%, em linha com o consenso.
HOJE / MADRUGADA (5 de agosto)
SpaceX cai 11% no pré-mercado e AMD recua 9% depois de Musk dizer que só comprará chips da Nvidia. Ásia forte: Nikkei +3,7% e Kospi +3,8%; futuros de NY em leve alta.
Axios reporta que EUA, Irã e Omã preparam anúncio de trégua de 60 dias em Ormuz, possivelmente ainda hoje; Brent devolve parte da queda, a US$ 80,7.
Quaest mostra Lula 44 x 39 no segundo turno, vantagem caindo de 8 pra 5 pontos; Meio Ideia traz 48,5 x 43. Copom anuncia a Selic a partir das 18h30.
Mercado reagiu bem à fala do Bessent, conforme eu trouxe ontem. O Brent desabou quase 6% e o S&P renovou a máxima histórica depois de dois meses. Hoje a Axios reporta uma trégua de 60 dias que pode ser anunciada ainda hoje, sem pedágio iraniano. Trump diz que conversas com o Irã estão “indo muito bem” e que reabertura é iminente, mas reitera resposta militar se fracassarem. Irã considera permitir que europeus removam minas do estreito, mas insiste em controlar o tráfego e cobrar taxas: ponto de atrito com os EUA. Ou seja, ainda não resolveu 100%, mas espero que resolva logo, assim como o mercado.
O Brasil até tentou. Com o alívio em Ormuz, o Ibovespa chegou a 180,6 mil pontos na máxima do dia, mas devolveu tudo à tarde e fechou aos 177.895, em queda de 0,06%, enquanto o Dow cravava os 54 mil pela primeira vez. O dólar subiu 0,9%, a R$ 5,13, e o real foi a pior moeda do dia entre as mais líquidas, movimento que o fechamento da XP atribui à saída de estrangeiros e ao rumor, confirmado depois do fechamento, de sanção diplomática: os EUA revogaram o visto da embaixadora Viotti.
Sobre o Copom, um ajuste de expectativa: a decisão só sai depois do pregão, a partir das 18h30, e o corte pra 14% já está no preço. Como sempre, o que importa é o comunicado, em especial o que ele diz ou deixa de dizer sobre setembro, mas o mercado só reage a isso amanhã. O pregão de hoje fica com o vice do Flávio no último dia das convenções, o ADP americano esquentando pro payroll de sexta e o Bradesco reportando após o fechamento. E amanhã vence o lockup da SpaceX, liberando cerca de US$ 100 bilhões em ações um dia depois de o capex assustar o mercado. Lá fora se negocia o fim de uma guerra; aqui, a gente ainda negocia visto.
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Brasil não aproveitou o pregão de ontem
📅 5 de agosto. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🛢️ Acordo de Ormuz na reta final: Bessent falou em “hoje ou amanhã” e a Axios reporta trégua de 60 dias podendo sair hoje. Brent caiu 5,9% ontem, a US$ 78,8, e devolve parte agora, a US$ 80,7.
📈 S&P +1,8% na máxima histórica e Dow acima de 54 mil pela 1ª vez. No after, SpaceX e AMD reportaram: receita forte nas duas, mas capex de US$ 18,4 bi derruba SpaceX 11% no pré, e AMD cai 9% após Musk dizer que só compra chip da Nvidia.
🇧🇷 Dólar +0,9% a R$ 5,13, real pior moeda do dia, Ibovespa parado. À noite, EUA revogaram o visto da embaixadora Viotti; governo fala em interferência eleitoral.
🏦 Copom deve cortar pra 14% hoje, dúvida é o tom sobre setembro. Nos EUA, ADP esquenta pro payroll de sexta.
🗳️ Quaest: Lula 44 x 39, vantagem cai de 8 pra 5. Meio Ideia: 48,5 x 43. Flávio deve anunciar o vice hoje.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Geopolítica / Irã e Ormuz
Acordo interino de 60 dias pra reabrir Ormuz pode ser anunciado hoje; EUA, Irã e Omã preparam anúncio (Bloomberg, Axios via Bloomberg, BTG, XP)
Bessent disse que acordo poderia sair “hoje ou amanhã”; Catar afirma que rascunho circula entre as partes (Bloomberg, WSJ, XP Fechamento, Valor via XP)
Trump diz que conversas com o Irã estão “indo muito bem” e que reabertura é iminente, mas reitera resposta militar se fracassarem (Bloomberg, BTG, AP via BTG)
Irã considera permitir que europeus removam minas do estreito, mas insiste em controlar o tráfego e cobrar taxas: ponto de atrito com os EUA (Bloomberg, WSJ, John Authers)
Navio atacado no estreito durante as negociações; Houthis fazem nova ameaça a embarcações (WSJ, Bloomberg)
Arábia Saudita tenta conter conflito com os Houthis via diplomacia com mediação de Omã (Bloomberg)
Tese de “Munique 1938 / oil in our time”: mercado compra a redução de incerteza mesmo com Irã monetizando o estreito (John Authers/Bloomberg)
Análise WSJ: Irã fez do controle de Ormuz sua linha vermelha inegociável (WSJ)
Guerra Rússia-Ucrânia
Ataque russo pesado com mísseis e drones mata ao menos 17 em Kiev; nenhum dos 28 mísseis foi interceptado, sinal de exaustão da defesa aérea ucraniana (Bloomberg, WSJ, BTG)
Ex-autoridades de Reino Unido, França, Alemanha e Rússia se reuniram em Viena pra explorar condições de negociação de paz (Bloomberg)
Rússia intensifica recrutamento forçado nas ruas; segunda mobilização pode vir após eleições de setembro (the news, WSJ)
Brasil × EUA / diplomacia
EUA revogam visto da embaixadora Maria Luiza Viotti; medida retaliatória pela demora do Brasil em aprovar o indicado Danny Perez (FT, Folha, Estadão, O Globo, Bloomberg, Reuters via BTG)
Governo Lula acusa gestão Trump de interferência eleitoral e fala em “escalada deliberada de hostilidades” e “chantagem” (Estadão, Folha)
Itamaraty rebaixa relação com a Argentina após Milei renovar ataques a Lula (Folha, Bloomberg)
Ministro da Defesa Múcio: solução pra hipotética invasão americana seria “abrir o portão” (Estadão)
Brasil: mercados
Ibovespa fechou estável (-0,06%) a 177.895 pontos, na contramão do rali global; chegou a 180,6 mil na máxima e devolveu tudo à tarde (BTG, XP Fechamento)
Dólar subiu 0,87% a R$ 5,13; real foi a pior entre as 33 moedas mais líquidas, pressionado por saída de estrangeiros e rumor (depois confirmado) de sanção diplomática dos EUA (BTG, XP Fechamento)
Juros operaram em leve alta mesmo com atividade fraca (XP Fechamento)
PIM de junho caiu mais que o esperado, segunda queda consecutiva (XP, Bruno Paolinelli, BTG)
Produção de petróleo no Brasil atinge recorde puxada pela Petrobras (Bruno Paolinelli)
IFI aponta risco de estouro de R$ 288 bi na Regra de Ouro em 2026 (Empiricus, Bruno Paolinelli)
Recuperações judiciais crescem entre pequenas empresas com juros altos; no agro, +66% em um ano (Bruno Paolinelli, Globo Rural via XP)
Gávea, de Armínio Fraga, encerra gestão de multimercados (Bruno Paolinelli)
Itaú, Gerdau, PRIO e outras reportaram ontem; resultados seguem na semana (BTG, XP)
Copom
Decisão hoje a partir das 18h30; corte de 0,25 pp pra 14,00% é consenso: 100% dos 68 institucionais da sondagem XP esperam o corte (XP, BTG, Estadão, Folha, O Globo)
Dúvida está na comunicação sobre setembro: 75% esperam mais um corte de 25 bps na próxima reunião (XP)
Fiscal é visto como obstáculo pra continuidade do ciclo; expectativas de inflação seguem acima da meta (Folha, Empiricus, Fábio Alves/Estadão)
Sondagem XP: impacto potencial do El Niño no IPCA 2027 estimado em 55 bps; fim da escala 6x1, 30 bps (XP)
Eleições 2026
Quaest: Lula 44 x 39 no 2º turno, vantagem cai de 8 pra 5 pp; aprovação estável (48% x 47%); 1º turno Lula 39 x 30 (Quaest via XP)
Meio Ideia: Lula 48,5 x 43 no 2º turno; 43 x 35 no 1º; rejeições tecnicamente empatadas (48% Flávio x 47,4% Lula) (Meio Ideia/Folha)
Flávio anuncia vice hoje, último dia das convenções; nomes cotados: Rogério Marinho, Michelle, Priscila Costa, Marcos Pontes (XP Política, Metrópoles via XP, O Globo)
Republicanos, Podemos e União Brasil oficializam neutralidade; Flávio caminha pra chapa pura, primeiro candidato acima de 30% sem partido aliado desde 1989, com mais de 1 minuto a menos de TV que Lula (the news, Estadão, Folha, O Globo, XP)
Daniella Marques inviabilizada como vice, segue como conselheira da campanha (O Globo via XP)
Lula quer Haddad e Alckmin nas propostas econômicas; cresce no PT a pressão por sinalização de ajuste fiscal na campanha após dados da dívida (CNN via XP, Folha)
Dino autoriza 3º inquérito da PF sobre Lulinha; Lula mantém Marcola na campanha após empréstimo de R$ 249 mil com Roberta Luchsinger (Estadão, Folha)
PF mira senador Weverton Rocha e advogado Willer Tomaz em nova fase do caso INSS (Estadão, Folha)
Zema anuncia Eduardo Girão (Novo) como vice; Cleitinho recua e volta a pedir candidatura em MG (Folha, G1 via XP)
Mercados globais / earnings
S&P 500 +1,8% na máxima histórica, primeira em dois meses; Dow +1,7%, acima de 54 mil pela 1ª vez; Nasdaq +2,6% (Bloomberg, WSJ, NYT, John Authers)
Rali de US$ 3,5 tri no Nasdaq 100 em quatro dias, maior desde abril de 2025 (Bloomberg)
SpaceX: receita de US$ 7,8 bi bateu consenso (US$ 6,81 bi), mas capex de US$ 18,4 bi no trimestre (vs US$ 2,8 bi um ano antes) assustou; ação -11% no pré; Musk prometeu US$ 1 tri de receita até 2029 (WSJ, Bloomberg, Barron’s)
Musk anuncia que SpaceX usará exclusivamente chips da Nvidia; AMD cai ~9% mesmo com receita recorde de US$ 11,5 bi (+50%) (Barron’s, WSJ, Bloomberg)
Palantir +29% ontem com demanda “otherworldly”; Caterpillar +6% com boom de data centers; Arista +13% (WSJ, Barron’s, Bloomberg)
Citadel: flagship subiu 5,9% em julho após comprar a carteira descontada do Situational Awareness (Bloomberg); WSJ detalha quem se queimou no fundo (WSJ)
Ásia forte nesta manhã: Nikkei +3,7%, Kospi +3,8% (BTG)
Hoje reportam Disney, Eli Lilly, Uber, CVS; ADP e ISM de serviços nos EUA; payroll sexta (WSJ, XP, BTG)
Câmbio / iene
Bessent adota “playbook de hedge fund” na defesa do iene: mostrou de propósito bloco de notas com compra de US$ 10 bi (Bloomberg, WSJ)
Análise FT/Eichengreen: intervenção revela que o status do dólar como reserva não é mais o que era (FT)
Japão aprova corte temporário do imposto sobre alimentos por dois anos (Bloomberg)
IA / tech
Modelos de OpenAI e Anthropic executaram ações “não sancionadas” em testes de segurança no Reino Unido: hackearam site e tentaram injetar código malicioso (Bloomberg, WSJ, NYT)
Casa Branca isenta modelos abertos chineses dos testes do novo framework de segurança (Bloomberg, WSJ)
FCC prepara banimento de componentes chineses de data centers; China retalia com controle de exportação de drones (Bloomberg, Reuters via Bloomberg)
Alibaba lança Qwen3.8-Max e amplia ofensiva contra os labs americanos (Bloomberg, Bruno Paolinelli)
Anthropic fecha acordo de US$ 10 bi em computação com a Volta Infra (Bloomberg)
Goldman: investimento em IA de ~US$ 1 tri global em 2026, chegando a 2,8% do PIB americano em 2028 (Bloomberg Economics)
Clima / commodities
El Niño a caminho de ser o mais forte em 76 anos; risco pra alimentos e energia em emergentes, e nas estimativas do próprio Copom (Bloomberg, XP, Estadão)
Reno no nível mais baixo em quase 150 anos; Danúbio em mínima histórica ameaça nucleares na Romênia e Hungria (Bloomberg)
Inmet monitora possível “ciclone-bomba” no Sul do Brasil (Estadão, XP)
Primárias nos EUA
Abdul El-Sayed, progressista, projetado vencedor da primária democrata ao Senado em Michigan, derrotando o establishment (Bloomberg, NYT, WSJ)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: Copom anuncia a Selic a partir das 18h30, com corte pra 14% amplamente esperado; o jogo está no comunicado sobre setembro. Flávio anuncia o vice no último dia das convenções. Bradesco reporta depois do fechamento. Nos EUA, ADP e ISM de serviços esquentam pro payroll; Disney, Eli Lilly e Uber divulgam resultados.
Quinta: vence o primeiro lockup da SpaceX, liberando 911,5 milhões de ações, cerca de US$ 100 bilhões, no pior momento possível pro papel. Petrobras reporta o 2T26. Jobless claims nos EUA.
Sexta: payroll de julho, o dado da semana: consenso de 87,5 mil vagas e desemprego subindo pra 4,3%. É o número que calibra a próxima do Fed.
Trump cancelou o ataque planejado ao Irã e o mercado comprou o alívio: Brent caiu cerca de 5%, a US$ 83,5, o S&P 500 subiu 1,5%, o Nasdaq 2,1% e o Dow fechou em recorde, com a Amazon superando US$ 3 trilhões em valor de mercado.
O Ibovespa fechou estável aos 178.000 pontos, na contramão, pressionado por Petrobras (-0,85%) e Vale (-2,15%); o dólar subiu 0,34%, a R$ 5,087. Os DIs fecharam forte (Jan29 -13 bps, Jan33 -23 bps) com a queda do petróleo e a pesquisa Nexus, que mostrou a vantagem de Lula no 2º turno caindo de 4 pra 1 ponto (46 x 45).
Palantir reportou após o fechamento com vendas comerciais acima do esperado e guidance elevado; 25 estados americanos processaram o governo Trump contra o novo tarifaço.
HOJE / MADRUGADA (4 de agosto)
Trump chamou a nova rodada de “última chance” pro Irã e Teerã negou conversa direta com os EUA. Pela manhã, o Catar disse que já existe texto rascunhado pra um possível acordo, e o Brent, que tinha ido a US$ 86 de madrugada, virou pra queda. Na sequência, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, falou em acordo “hoje ou amanhã” pra reabrir Ormuz com livre circulação de navios, e o barril desabou: Brent perto de US$ 82, queda de mais de 2% no dia, e WTI abaixo de US$ 77.
O Copom inicia hoje a reunião de dois dias; corte de 0,25 ponto, pra 14,00%, amanhã é amplamente esperado. A produção industrial de junho sai às 9h.
Após o fechamento, a SpaceX divulga o primeiro balanço como empresa listada, com a ação valendo cerca de metade do preço do IPO; AMD reporta no mesmo dia.
Mais um rascunho que segura o preço do petróleo. Vamos ver se dessa vez vai. De madrugada, o ultimato da “última chance” e o desmentido do Irã devolveram prêmio ao barril, que foi a US$ 86; pela manhã, o Catar disse que já existe texto rascunhado e o Brent devolveu a alta. A mensagem abaixo saiu nesse cenário. Na sequência, veio a fala mais forte do dia: Scott Bessent, secretário do Tesouro, disse à CNBC que pode haver acordo “hoje ou amanhã” pra reabrir Ormuz com livre circulação de navios, e o barril desabou de vez: Brent perto de US$ 82, WTI abaixo de US$ 77. O mercado usou a fala pra confirmar o movimento da manhã. Rascunho não é mais do que o acordo preliminar que EUA e Irã chegaram a fechar no fim de maio, e nem aquele segurou a guerra. A diferença é que agora existe prazo pra cobrar: hoje ou amanhã. O padrão segue valendo: o prêmio de guerra sai na promessa, mas só some com assinatura.
8h15: a manchete do Catar zera a alta da madrugada. Brent de US$ 86 pra US$ 84 (TradingView)
Bessent na CNBC: “pode haver acordo hoje ou amanhã pra abrir o estreito” (CNBC)
9h09: depois da fala de Bessent, o tombo. Brent a US$ 81,7, queda de mais de 2% no dia (TradingView)
Ontem em Wall Street: S&P +1,5%, Dow no recorde e Amazon entrando no clube dos US$ 3 trilhões. A Palantir (empresa de software) engordou o movimento depois do sino, com demanda comercial que o próprio CEO chamou de “de outro mundo”. Alex Karp (CEO) usou a carta a acionistas pra atacar OpenAI e Anthropic, sinal de que nem ele descarta os laboratórios invadindo o terreno dela. Hoje a SpaceX solta o primeiro balanço como empresa listada valendo metade do IPO, com um lockup de mais de US$ 100 bilhões em ações vencendo na quinta.
E o Brasil assistiu à festa de camarote. O mesmo barril que segurou o Ibovespa no zero a zero, derrubando Petrobras, fechou os juros na ponta longa, junto com a Nexus apertando a corrida. É o dilema local em uma linha: petróleo barato é ruim pro índice e ótimo pra curva. A semana decide muita coisa: o Copom começa a reunião hoje com corte pra 14% dado como certo, Itaú, Bradesco e Petrobras reportam até quinta, Flávio faz sabatina às 11h e Lula abre às 14h, no g1 e na GloboNews, a série de entrevistas com os cinco primeiros das pesquisas, que fecha justamente com Flávio no dia 10, talvez ainda sem vice.
Segue a versão resumida disso tudo que falei (antes da fala do Bessent):
O Catar diz que o acordo EUA-Irã já tem rascunho. Petróleo devolve alta da madrugada
📅 4 de agosto. Bom dia.
🛢️ Trump falou em “última chance”, o Irã negou conversa direta e, nesta manhã, notícia que o Catar tem um rascunho de acordo. Por enquanto o mercado tá comprando o rascunho. O Brent, que foi a US$ 86 na madrugada, zerou a alta, a US$ 84. Rascunho ainda não é assinatura.
📈 Ontem S&P +1,5%, Dow no recorde e Amazon acima de US$ 3 tri. Hoje o teste é a SpaceX, 1º balanço como listada, valendo metade do IPO. Futuros sobem agora pela manhã e tem dado de emprego nos EUA (JOLTS).
🇧🇷 Ibovespa no zero a zero ontem, na contramão: petróleo e minério derrubaram Petrobras e Vale. Juros fecharam forte com a Nexus e o barril desabando.
🏦 Copom começa hoje, corte pra 14% amanhã dado como certo. Na temporada, Itaú, Bradesco e Petrobras até quinta.
🗳️ Flávio segue sem vice e noticiário vem se mostrando mais negativo ao governo na esteira das investigações sobre o INSS. Lula fala com o G1 hoje.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Geopolítica / Petróleo
Trump cancela ataque ao Irã, fala em “última chance”; Irã nega negociação direta, conversa com Omã sobre Ormuz (Bloomberg, WSJ, NYT, XP News Press, BTG Morning Call)
Brent -5% ontem a US$ 83,5; hoje foi a US$ 86 de madrugada e despencou pra perto de US$ 82 com Catar e Bessent (WSJ, BTG Morning Call, XP Furla News, TradingView)
Bessent, secretário do Tesouro, diz à CNBC que acordo pra reabrir Ormuz com livre circulação pode sair “hoje ou amanhã”; WTI cai cerca de 4%, abaixo de US$ 77, após a fala (CNBC)
OPEP+ eleva produção em 188 mil barris/dia, mas vários membros não atingem meta (XP Furla News, AFP)
Tráfego em Ormuz segue no mínimo; NYT vê acordo emergente cimentando controle iraniano do estreito (Bloomberg, NYT)
Trump ataca Chevron e Exxon por “lucrar demais”: lucros recordes no 2T (US$ 12 bi e US$ 14,5 bi) (BTG Morning Call, WSJ)
Balanços / Empresas Brasil
Semana concentra os pesos-pesados: Itaú, Bradesco e Petrobras reportam entre terça e quinta (Empiricus)
Temporada até aqui: Embraer surpreendeu positivamente com carteira recorde de US$ 34,5 bi (The Economist: “esqueçam Airbus e Boeing”); Vivo, TIM, Santander e Usiminas vieram abaixo do esperado (XP Resumo Semanal, Estadão)
Multiplan: trimestre sólido, NOI acima das expectativas; Irani em linha; prévias de produção de PRIO e Brava (XP Morning Call)
Destaques da semana passada: MBRF3 +18,2% com abertura da fronteira de gado México-EUA; USIM5 -13,7% com perspectiva de 3T fraco (XP Resumo Semanal)
Itaú vende operação de varejo na Colômbia e Panamá por R$ 2,5 bi (Resumo do Mercado)
Cogna incorpora a Vasta e vira controladora direta da Somos (BTG Morning Call)
BMG Foods pede recuperação judicial com R$ 3,5 bi em dívidas; RJs no agro crescem 66% em um ano (Resumo do Mercado, Globo Rural via XP)
Ambev sente ressaca da Copa nas vendas de bebidas (Resumo do Mercado/Pipeline)
Vinci vende participação em 9 shoppings do VISC11 pra Tivio/Bradesco por R$ 573 mi (Resumo do Mercado)
Mercados / Tech
S&P +1,5%, Nasdaq +2,1%, Dow em recorde; S&P na porta da máxima histórica (Bloomberg, WSJ, Barron’s)
Amazon supera US$ 3 tri; Bezos protocola venda de US$ 4 bi em ações (WSJ, Bloomberg)
SpaceX reporta hoje: 1º balanço como listada, ação -49% do pico, lockup libera 911,5 mi de ações (~US$ 100 bi) quinta (WSJ, Barron’s, Bloomberg)
Agenda cheia: AMD, McDonald’s, Merck, Pfizer, Caterpillar hoje; payroll sexta (est. 87,5 mil vagas, desemprego 4,3%) (WSJ, XP Furla News)
Hedge funds pagaram a conta do selloff de IA em julho: Millennium -2,1%, Coatue -8% (Bloomberg)
Alibaba lança Qwen3.8-Max; China estreita gap em IA; Pequim preocupada com capacidades cyber do Mythos da Anthropic (Bloomberg)
AstraZeneca e Bristol Myers em conversas de fusão de ~US$ 400 bi (FT via Bloomberg, WSJ)
25 estados processam o tarifaço de Trump baseado na Section 301 (FT, Bloomberg, Estadão, BTG Morning Call)
Treasury eleva estimativa de captação do trimestre pra US$ 739 bi (Barron’s)
Câmbio / Fed
Intervenção conjunta EUA-Japão no iene (1ª em 15 anos, ~US$ 34 bi na sexta); rally já perde força, teste é o 155 (Bloomberg, WSJ, NYT)
Warsh estuda reduzir reuniões do Fed de 8 pra 6 por ano (NYT via XP Fechamento, Bloomberg)
CME: ~67% de chance de alta em setembro (WSJ Wealth Adviser)
Barkin: manter ou subir é “close call” (WSJ)
Brasil: macro e agenda
Ibovespa estável aos 178.000 na contramão do mundo, pressionado por Petrobras e Vale; DIs fecham forte (Jan29 -13 bps, Jan33 -23 bps) com Nexus + petróleo; dólar a R$ 5,087 (BTG Morning Call, XP Fechamento)
Copom inicia reunião hoje; corte de 25 bps a 14,00% amplamente esperado, comunicação neutra (XP Macro, Estadão, Broadcast)
PIM de junho hoje às 9h (est. -0,9% m/m; XP -0,7%) (XP News Press)
IBS e CBS passaram a aparecer nas notas fiscais ontem: 1ª fase visível da reforma tributária (XP Furla News, O Globo)
Dívida bruta a 81,9% do PIB, maior desde abril/2021; déficit nominal em 10% do PIB (XP Macro, Valor)
Subvenção ao diesel pós-guerra já custa R$ 7 bi (Folha via XP)
Desenrola 2.0 prorrogado até 31/8 (Poder360 via XP Furla)
Semana ainda tem balança comercial (XP: superávit de US$ 8,5 bi) e IGP-DI (XP Week Ahead)
Inmet: El Niño pode ser “muito forte” no 2º semestre, risco de eventos extremos (Estadão)
Governo reduz previsão de leilões de rodovias de 14 pra 10 (Folha)
Eleições
Nexus: 2º turno Lula 46 x 45 (vantagem cai de 4 pra 1 pp); 1º turno 41 x 37; aliados de Lula contestam recorte do Nordeste (Nexus/BTG, XP News Press, Metrópoles)
Flávio sem vice: Republicanos sinaliza neutralidade (17 diretórios contra), Podemos deve seguir, PP mantém veto a Tereza Cristina; definição pode ir até 15/8 (XP News Press, Folha, O Globo, Estadão)
Risco de chapa “puro-sangue” PL com vice radical (Estadão/Roseann Kennedy)
Lula teme abstenção e teto eleitoral; escala Durigan como porta-voz pro mercado (Estadão, Folha)
Lulinha: amiga lobista fez 41 visitas fora da agenda; PF ganha 3º inquérito, Dino relator (Estadão, O Globo/Traumann)
Convenções terminam amanhã (5/8); Quaest e Boas Ideias podem sair a partir de amanhã (XP News Press)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: primeiro dia da reunião do Copom e produção industrial de junho às 9h. Nos EUA, JOLTS e balança comercial. Na eleição, Flávio em sabatina às 11h e Lula abre às 14h a série de entrevistas do g1 e da GloboNews com os cinco primeiros das pesquisas (1h30 ao vivo, com Andréia Sadi e Natuza Nery): sinal fiscal dele hoje chega ao mercado na véspera da decisão do Copom. Nos balanços, McDonald’s, Merck, Pfizer e Caterpillar antes da abertura; SpaceX e AMD após o fechamento, com o balanço da SpaceX como o evento do dia.
Quarta: Copom decide a Selic, com corte de 25 bps pra 14,00% amplamente esperado e comunicação neutra. Último dia do período de convenções partidárias. ADP nos EUA. Disney, Uber e Eli Lilly reportam. Quaest e Boas Ideias podem sair a partir de amanhã. Renan Santos é o entrevistado do dia na série do g1/GloboNews.
Quinta: vence o primeiro lockup da SpaceX, liberando 911,5 milhões de ações (cerca de US$ 100 bi). Balança comercial de julho no Brasil, com a XP projetando US$ 8,5 bi de saldo. Jobless claims nos EUA. Zema na série de entrevistas.
Sexta: payroll de julho, o dado da semana: consenso de 87,5 mil vagas e desemprego subindo pra 4,3%. Com a aposta de alta do Fed em setembro rondando 67% na CME, é o número que pode mexer no juro do mundo. Por aqui, IGP-DI. Caiado na série de entrevistas.
Sábado: balanço da Berkshire Hathaway.
Segunda (10/8): Flávio fecha a série de entrevistas do g1/GloboNews, já fora do período de convenções e possivelmente ainda sem vice definido, que pode sair até 15/8.
ONTEM (sexta a domingo, 31 de julho a 2 de agosto)
Ibovespa fechou sexta a 178.345 pontos (+0,5% no dia, +2,3% na semana), dólar a R$ 5,07 e DI fechando de 4 a 8 bps, em pregão prejudicado por falha operacional da B3 pela manhã. Lá fora, S&P +0,7% e Nasdaq +1,0%, com Brent a US$ 90,1 e Treasury de 30 anos a 5,25%.
EUA e Japão fizeram na sexta a primeira intervenção conjunta no iene em 15 anos, com US$ 52,8 bilhões em um único dia, a maior da história; o iene vinha da mínima em 40 anos.
No fim de semana, Trump cancelou o ataque planejado ao Irã e disse que as conversas começam nesta segunda; o PT oficializou a chapa Lula-Alckmin, o PL anunciou Michelle candidata ao Senado pelo DF e o PP vetou Tereza Cristina como vice de Flávio.
HOJE / MADRUGADA (3 de agosto)
Brent cai cerca de 5%, a US$ 83,5, e WTI recua 6%, a US$ 79,4; futuros americanos sobem (S&P +0,6%, Dow +0,8%) e o Treasury de 10 anos cede 5 bps, a 4,68%. A OPEP+ elevou a cota em 188 mil barris/dia.
Nexus: Lula 41% x Flávio 37% no 1º turno (era 42 x 33) e 46% x 45% no 2º turno, com a vantagem caindo de 4 pp para 1 pp.
PMIs finais de manufatura: Alemanha 52,2, Zona do Euro 51,9, Reino Unido 51,9. Nos EUA saem PMI final e ISM às 11h. IBS e CBS passam a aparecer nas notas fiscais brasileiras hoje.
Terceira vez em duas semanas que o mesmo filme passa. Em 24 de julho o Brent furou os US$ 100 com os petroleiros atingidos no Mar Vermelho, no dia 27 escrevi que o barril desabava 8% com a diplomacia respirando, e no dia 29 a trégua quebrou bem no dia do Fed. Agora Trump cancela o ataque, marca conversa pra hoje e o barril devolve 5% de uma vez, com a OPEP+ ainda somando 188 mil barris/dia de cota do lado da oferta.
Trump no Air Force One, domingo: ataque cancelado e negociação marcada pra segunda (Bloomberg)
EUA e Japão compraram iene juntos pela primeira vez em 15 anos, US$ 52,8 bilhões num único dia, a maior operação da história. O Japão é o maior detentor estrangeiro de títulos americanos, e com o juro de 30 anos dos EUA a 5,25%, perto da máxima em 19 anos, segurar o iene virou interesse dos dois lados. E esse juro longo conversa com o que vimos por aqui: o estrangeiro voltou pra bolsa brasileira em julho, R$ 3,3 bilhões, mas o raio-x da XP mostra que o dinheiro parou em banco e defensiva. A cíclica doméstica segue como o único segmento com saída no ano, pressionada por um juro real perto de 8%, máxima histórica.
A semana ajuda a decidir se esse alívio tem perna: Copom quarta, com a XP vendo corte de 25 bps a 14%, o primeiro balanço da SpaceX como empresa listada amanhã e o payroll americano na sexta. Sobre eleição: a Nexus viu a vantagem de Lula no segundo turno encolher de 4 pra 1 ponto, dentro da margem de erro, enquanto no Polymarket a chance de vitória dele segue em 66%, perto da máxima, com Flávio chegando à reta final sem vice.
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Trump cancela o ataque e o barril desaba 5%. Dessa vez o alívio dura?
📅 3 de agosto. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🛢️ Trump cancelou o ataque ao Irã e marcou conversa pra hoje. Brent cai 5%, a US$ 83, devolvendo tudo que a escalada colocou, e a OPEP+ elevou a produção. Terceira vez em duas semanas que o alívio vem de promessa, não de acordo assinado. Futuros em NY sobem 0,6%.
💴 EUA e Japão compraram iene juntos pela 1ª vez em 15 anos. O Japão é o maior detentor estrangeiro de título americano, então segurar o iene é interesse dos dois.
🇧🇷 Ibovespa fechou julho a 178 mil, +3,5%, com estrangeiro voltando com R$ 3,3 bi. Mas, pela XP, o dinheiro parou em banco e defensiva: cíclica doméstica segue como o único setor com saída no ano. Juro real na máxima histórica, perto de 8%. Copom quarta.
🗳️ Nexus: Lula 46 x Flávio 45 no 2º turno, vantagem cai de 4 pra 1 ponto. Já no Polymarket ele está em 66%, perto da máxima. Voto não é chance de vitória.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Geopolítica e petróleo
Trump cancelou ataque ao Irã e marcou negociações para hoje, citando pedidos da Arábia Saudita e outros aliados; sugere acordo próximo para reabrir Ormuz (Bloomberg, WSJ, NYT, News XPress, XP Furla)
Chanceler iraniano Araghchi diz que negociação Irã-Omã sobre nova rota em Ormuz está em fase final, mas sem tratar da abertura do estreito (Bloomberg)
Brent cai ~5% a US$ 83,5 e WTI ~6% a US$ 79,4, depois de os futuros subirem mais de 20% em julho (Bloomberg, WSJ, XP Furla)
OPEP+ eleva cota em 188 mil barris/dia, completando a retirada do segundo dos três pacotes de corte; vários membros não conseguem cumprir metas por falta de capacidade (AFP via XP Furla)
Editorial do WSJ questiona o “DEAL” de Trump com o Irã pela falta de detalhes (WSJ Opinion)
NYT: durante a trégua, o Irã articulou com proxies plano para elevar o custo de um novo ataque americano (NYT)
Câmbio e juros globais
Primeira intervenção conjunta EUA-Japão no iene em 15 anos; US$ 52,8 bi em 31 de julho, maior operação de um dia da história (Bloomberg, NYT, John Authers/Bloomberg)
Bessent usou venda de euros para comprar iene, algo classificado como inédito, provavelmente para não pressionar o dólar e, por tabela, os juros americanos (Bloomberg Economics, HSBC via Bloomberg, FT via Bloomberg)
Bessent defende ampliar a FIMA repo do Fed para o Japão obter dólares sem vender Treasuries (Bloomberg Economics)
Japão é o maior detentor estrangeiro de Treasuries; risco central é venda de títulos pressionar as taxas (Bloomberg Markets Daily)
Treasury de 30 anos fechou sexta a 5,25%, perto da máxima em 19 anos; 10 anos em 4,68% hoje (XP Furla, Barron’s, Bloomberg)
Juro real americano de 10 anos subiu 26 bps em um mês, a 2,44%, com a inflação implícita parada em 2,20% (Empiricus Crypto Pulse)
Yen carry trade sofreu abalo com a intervenção; BoJ manteve juro em 1% e é cobrado a subir em setembro (John Authers/Bloomberg, Bloomberg Politics)
Fed
Warsh estuda reduzir as reuniões de política monetária de 8 para 6 por ano, mais dois encontros temáticos, e cortar coletivas (NYT via XP Macro Strategy, Bloomberg)
Fed manteve juros em 3,50%-3,75% por 9 a 3, com Hammack, Kashkari e Logan votando por ALTA (Empiricus Crypto Pulse, WSJ)
Barkin (Richmond): é “close call” se a política está restritiva o bastante; vê “caso forte” para mais aperto (WSJ Wealth Adviser)
Aposta de alta em setembro na CME: 67% (Dow Jones Newswires/WSJ) e 81% (Empiricus), contra menos de 53% uma semana antes
Gestores dizem que o estilo de Warsh gera volatilidade, mas abre alfa (Angel Oak via WSJ Wealth Adviser)
Mercados e tecnologia
Futuros americanos em alta com petróleo e juros cedendo (WSJ, Bloomberg, XP Furla)
Barron’s: mercado não pode mais contar com a big tech como motor; capex de IA fica difícil de digerir com juros longos subindo (Barron’s)
Balanços da semana: SpaceX (1º como listada, terça), AMD, Palantir hoje, Disney, McDonald’s, Uber, Eli Lilly (WSJ, Barron’s)
SpaceX vale US$ 1,4 tri, ação 20% abaixo do IPO; braço de IA teve receita de US$ 818 mi e prejuízo operacional de US$ 2,5 bi no 1T (Barron’s)
Alibaba lançou o Qwen3.8-Max, com 2,4 tri de parâmetros, dias depois do Kimi K3 (Bloomberg)
AstraZeneca e Bristol Myers discutiram fusão de cerca de US$ 400 bi; AZN cai 6% (Bloomberg, WSJ, FT)
Quatro maiores do setor de data centers já comprometeram US$ 2,4 tri em gastos futuros (Bloomberg)
Onda de dívida ligada a IA ameaça inundar o mercado de bonds (WSJ)
Buffett Indicator em 230%, recorde; ajustado por receita doméstica, 144%, ainda historicamente caro (WSJ Markets A.M.)
Brasil: fiscal e macro
Dívida bruta a 81,9% do PIB, maior desde abril de 2021; déficit nominal em 10,0% do PIB; XP projeta 83,2% no fim de 2026 (XP Macro)
IFI projeta dívida bruta em 95,7% do PIB no último ano do próximo governo (Folha via XP Furla)
Ceron (Fazenda): ajuste do próximo governo tem “vários caminhos”, possível desacelerar despesas sem grandes reformas (Valor)
Durigan tenta se colocar como porta-voz econômico da campanha e acena com aperto no arcabouço, o que desagradou a ala mais radical do PT (Estadão, Folha, XP Política)
Copom decide quarta; XP espera corte de 25 bps, a 14,00%, com comunicação neutra (XP Macro Research)
IPC-S da 4ª semana de julho hoje, com projeção XP de -0,09% (XP Macro Research)
Ibovespa fechou julho em 178.345 pontos, +3,5% no mês em reais e +5,3% em dólares; estrangeiro entrou R$ 3,3 bi em julho e R$ 37,1 bi no ano (XP Furla, XP Research)
IBS e CBS passam a constar nas notas fiscais hoje, primeira fase da reforma tributária (O Globo via XP Furla)
Estadão: empresas calculam perdas e estocam com o tarifaço, que poupa a maior parte da pauta exportadora mas atinge nichos regionais (Estadão)
Raio-XP de julho: fluxo estrangeiro voltou concentrado em Financeiro e Defensivas; cíclicas domésticas seguem como o único segmento com saída líquida de estrangeiro em 2026 (XP Research/Raio-XP)
Juro real longo das NTN-Bs perto de 8%, máxima histórica, contra cerca de 3% nos EUA; construção civil caiu 11,7% e saneamento 4,8% em julho, num mês de índice +3,5% (XP Research/Raio-XP)
XP mantém valor justo do Ibovespa em 200 mil pontos para o fim de 2026, com P/L a 8,4x e índice de sentimento perto de “extremo pessimismo” (XP Research/Raio-XP)
Brasil: eleição
Nexus de hoje: Lula 41 x Flávio 37 no 1º turno, 46 x 45 no 2º turno, vantagem caindo de 4 pp para 1 pp (XP Macro Strategy, XP Política)
Convenção do PT oficializou Lula-Alckmin; Lula prometeu disputar emendas com o Congresso, investir em defesa e proteger terras raras, mas evitou falar de ajuste fiscal (XP Política, Folha, Estadão, O Globo)
PP vetou Tereza Cristina como vice de Flávio e declarou neutralidade; federação PP-União também disse não ao PL (Folha, O Globo, Estadão, XP Macro Strategy)
Flávio chega à reta final sem vice; convenções terminam quarta e registro vai até 15 de agosto (O Globo, G1, News XPress)
Michelle Bolsonaro anunciada candidata ao Senado pelo DF, sem comparecer ao evento, alegando crise de enxaqueca; disse que “caminhará com Flávio” (Estadão, Folha, CNN via XP Furla)
Flávio defende regra fiscal com gatilho de corte de gastos quando a dívida atingir certo patamar (Estadão)
Renan Santos (MBL) lançado candidato pelo partido Missão, atacando Lula e Flávio (the news, Estadão)
PF abriu dois inquéritos sobre Lulinha; Lula pediu que o filho volte da Espanha para depor ainda em agosto (Thomas Traumann/O Globo, Estadão)
Deepfake de Bolsonaro usado em convenção do PL leva TSE a discutir regras sobre IA (O Globo, Valor)
Polymarket precifica 66% de chance de vitória de Lula, perto da máxima e vindo de 44% em maio; Flávio em 24,7%, com volume total de US$ 118 milhões no mercado (Polymarket)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: Focus, IPC-S, PMI e ISM de manufatura nos EUA às 11h; Palantir reporta após o fechamento. BC entra em silêncio pré-Copom.
Terça: o dia mais aguardado da semana nos balanços: SpaceX estreia como empresa listada, com AMD e McDonald’s no mesmo dia. Nos dados, balança comercial dos EUA e JOLTS.
Quarta: Copom decide a Selic, com a XP vendo corte de 25 bps a 14% e comunicação neutra. Sai a produção industrial de junho por aqui e o ADP nos EUA. Disney, Uber e Eli Lilly reportam.
Quinta: jobless claims nos EUA e balança comercial de julho no Brasil, com a XP projetando US$ 8,5 bi de saldo.
Sexta: payroll de julho, o dado da semana: consenso de 87,5 mil vagas e desemprego subindo a 4,3%. Com Warsh sem dar pistas, é o número que pode reacender a aposta de alta de juros nos EUA.
Wall Street se recuperou: S&P 500 +1,66%, Nasdaq +2,78% e o índice de semicondutores +8%, maior alta diária desde abril de 2025. Microsoft subiu 16% e ganhou US$ 450 bi de valor num pregão, recorde histórico para uma ação; Meta caiu 8% na 11ª queda seguida.
Nos dados, PIB do 2T dos EUA em 1,5% anualizado (esperado 2,0%) e núcleo do PCE de junho em 0,1% no mês, abaixo do consenso; ainda assim, o juro de 30 anos seguiu em 5,2%, máxima desde 2007.
Brasil: Ibovespa +1,88%, a 177 mil, na máxima do dia; dólar caiu 0,92%, a R$ 5,06; desemprego de 5,4% no trimestre até junho, menor da série do IBGE.
HOJE / MADRUGADA (31 de julho)
Kospi disparou 17,9%, maior alta diária da história do índice, com SK Hynix +30% e Samsung +27%; futuros de NY sobem, Amazon avança 10% no pré e Apple cai 7% com guidance fraco por falta de chips.
BoJ manteve juros em 1,0% com tom hawkish; PMI industrial da China caiu a 49,2, primeira contração em 5 meses; inflação da zona do euro acelerou a 2,9%.
Irã atacou bases dos EUA no Kuwait e no Barein de madrugada; Brent perto de US$ 89, a caminho de fechar julho com alta de cerca de 20%.
Ontem escrevi que o silêncio do Warsh só vira problema quando tem barulho lá fora, e que o mercado tinha respondido apertando sozinho. O alívio que veio depois teve mais de uma mão: PIB do 2T em 1,5% e núcleo do PCE abaixo do esperado poderiam dar munição contra a alta de juros (embora o mercado de juros não tenha reagido muito a isso). Mas a história do dia eu não sabia que existia até virar manchete: o Situational Awareness, fundo de um gestor de 24 anos que chegou a US$ 45 bi apostando alavancado em IA, perdeu 67% em julho e vendeu a carteira à Citadel pra cobrir margem. O mercado leu como sinal duplo: sai o medo de liquidação forçada despejando ações, entra um comprador do tamanho da Citadel.
Vale separar os três termômetros de IA que aparecem na mensagem, porque eles medem coisas diferentes. O Nasdaq é o mais amplo: tecnologia em geral, dominado pelas big techs, e por isso o mais comportado, com alta de 7% no ano e queda de 2,7% em um mês. O índice de semicondutores da Filadélfia reúne 30 fabricantes de chips listados nos EUA, de Nvidia e Micron a TSMC via recibos; Samsung e SK Hynix ficam de fora. E o Kospi, a bolsa da Coreia, virou na prática uma aposta nessas duas. Quanto mais concentrado em chip, maior a montanha-russa: semicondutores e Kospi sobem 55% e 56% no ano e caem 18% e 23% em um mês, contra os 2,7% do Nasdaq. O tombo foi cirúrgico, e é cedo pra cravar que a faxina acabou: na Coreia, o rali de hoje veio com o regulador restringindo ETF alavancado, não estimulando.
Escrevi ontem que o mercado só paga o capex de quem mostra receita junto, e a Amazon confirmou horas depois: nuvem acelerando pelo quinto trimestre seguido e ação subindo 10% no pré, e a Apple caiu 7% pela outra face da escassez, o custo da memória. O mês fecha hoje com o primário de junho e a bandeira tarifária de agosto por aqui; nos EUA, Exxon e Chevron reportam e as tarifas temporárias de 10% de Trump expiram. No domingo, Lula oficializa a candidatura, e a chapa de Flávio se define com as convenções até quarta, mesma semana em que o Copom decide com o IPCA-15 de 0,06% no bolso. O Brasil aproveitou a janela (Ibovespa a 177 mil, dólar a R$ 5,06).
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Retomada de risco pra fechar o mês?
📅 31 de julho. Bom dia.
🏦 Warsh pouco disse e o juro de 30 anos foi à máxima desde 2007. Mas ontem PIB (1,5%) e PCE vieram abaixo do esperado.
🤝 A Citadel comprou a carteira do Situational Awareness, fundo de IA de um gestor de 24 anos que chegou a US$ 45 bi e caiu 67% no mês, alavancado. Sinal duplo: sai o medo de liquidação forçada, entra comprador de peso.
💻 Nos balanços, triagem: Microsoft (nuvem +43%) ganhou US$ 450 bi num pregão, recorde da história para uma ação no mercado americano. Amazon +10% no pré. Meta caiu 8%, Apple cai 7% com chips caros. Nasdaq +2% ontem e hoje +1% no pré.
📈 Ainda longe das máximas, índice da Coreia sobe 17% e tem maior alta para um dia na história. Índice de semicondutores subiu 8% ontem (ainda caindo ~20% no mês).
🇧🇷 Brasil: Ibovespa +1,9% ontem, a 177 mil, dólar a R$ 5,06. Desemprego a 5,4%, menor da série.
🗳️ PF vai investigar Lulinha, e Tereza Cristina se aproxima de ser vice de Flávio.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Mercados / Tech
Microsoft +16%, maior ganho de valor de mercado em um dia da história para qualquer ação americana (US$ 450 bi); Azure +43%, maior crescimento desde 2022; capex de 2026 em ~US$ 175 bi, abaixo do previsto, lido como “disciplina” (WSJ, Bloomberg, Barron’s, XP Furla)
Meta -8% na 11ª queda seguida, pior sequência da história do papel; guidance de receita fraco, fluxo de caixa livre de US$ 784 mi (menor desde 2022), capex de US$ 130-145 bi; Zuckerberg acena com negócio de nuvem e diz ter “muitas ofertas” pelo seu poder computacional; já comprometeu ~US$ 700 bi em gastos futuros de IA (Bloomberg, WSJ, NYT, Barron’s)
Situational Awareness: fundo de Leopold Aschenbrenner caiu 67% em julho (ainda +80% no ano), vendeu o grosso da carteira de ações à Citadel pra cobrir margem; chegou a acertar venda de US$ 3,5 bi em Anthropic pra Greenoaks/Sequoia e desistiu; carta compara o episódio a corrida bancária e diz que zerou a alavancagem; no pico, o fundo tinha US$ 45 bi e tamanho comparável a Pershing Square e Third Point (WSJ, Bloomberg, NYT, FT via DealBook)
Kospi +17,9% hoje, maior alta diária da história do índice; SK Hynix +30% (maior alta desde o IPO) e Samsung +27%; JPMorgan vê desalavancagem do varejo coreano completa; na semana o índice ainda cai 1,4% (WSJ, BTG Morning Call, Bloomberg, News XPress)
Índice de semicondutores da Filadélfia subiu 8% ontem, maior alta diária desde abril de 2025; ainda assim acumula queda na casa de 20% em julho (Macro Strategy XP, TradingView)
Nasdaq acumula queda de cerca de 2,7% no mês até ontem, contraste que mostra o tombo concentrado nos chips; ontem subiu 2,78% e hoje os futuros avançam ~1% (WSJ, TradingView)
Réguas dos três termômetros de IA: no ano, índice de semicondutores da Filadélfia +55% e Kospi +56%, contra Nasdaq +7%; na janela de um mês, -18%, -23% e -2,7%, respectivamente; Ibovespa +2,3% no mês e +10% no ano (TradingView)
Coreia do Sul anunciou restrições a ETFs alavancados de ação única após o tombo: teto de exposição por investidor, custos de negociação maiores e base legal pra medidas de emergência; o ministro da Fazenda, Koo, pediu desculpas no parlamento (”o país virou um cassino”, disse um deputado); uma das regras, depósito mínimo maior, entrou em vigor hoje (Bloomberg)
Amazon: nuvem acelera pelo 5º trimestre seguido, capex +69%, ação +10% no pré (Bloomberg, WSJ, Barron’s)
Apple: lucro +27% (US$ 29,8 bi), mas guidance fraco por escassez de chips de memória; Cook chamou o custo de memória de “enchente de 100 anos”; ação -7% no pré; último trimestre completo dele como CEO (Bloomberg, WSJ, NYT)
Fundo quant ligado a um dos maiores quants da China perdeu mais de 40% em três semanas; fundo da Jupiter também despencou; a dor do trade de IA se espalhando (Bloomberg)
Anthropic diz que seus modelos invadiram 3 empresas em testes de segurança; bancos negociam US$ 15 bi pra data center da Anthropic com apoio do Google (WSJ, NYT, Bloomberg, Resumo do Mercado)
DeepSeek planeja data center de 1 GW na Mongólia Interior (Bloomberg)
Tesla avalia vender a operação na China pra viabilizar fusão com a SpaceX (WSJ)
ICE, dona da NYSE, compra a MarketAxess por cerca de US$ 6 bi (Bloomberg, Resumo do Mercado)
Jersey Mike’s estreia abaixo do preço do IPO (valuation de US$ 7,3 bi) (Bloomberg, Barron’s)
Couche-Tard compra fatia na polonesa Żabka por US$ 8,7 bi (Bloomberg)
Cripto: BitMEX vai fechar em setembro; Coinbase tem prejuízo com 3ª queda seguida de receita; Bitcoin perto de US$ 64 mil (Bloomberg Crypto, Barron’s)
Bancos centrais / Macro global
Ressaca do Fed: juro de 30 anos em 5,2%, máxima desde 2007, e a maior inclinação da curva pós-reunião desde os anos 90; Wall Street questiona a credibilidade do Warsh (”classic central-bank credibility shock”, segundo o BofA); JPMorgan antecipou a projeção de alta pra dezembro e o BofA vê três altas começando em setembro; Trump elogiou Warsh e culpou o “board político” (WSJ via Timiraos, John Authers/Bloomberg, DealBook, Bloomberg Markets Daily)
Dissensos: Hammack, Kashkari e Logan votaram por alta; três dissensos na mesma direção só pela 6ª vez em 30 anos (WSJ via Timiraos, Bloomberg, XP)
PIB dos EUA no 2T: 1,5% anualizado (esperado 2,0%), com consumo forte (+3,2%) e exportações líquidas/estoques subtraindo; núcleo do PCE de junho em 0,1% no mês, abaixo do esperado; jobless claims voltaram a subir (Bloomberg Businessweek, Macro Strategy XP, WSJ)
Juros de hipoteca nos EUA na máxima em um ano (MarketWatch)
BoE mantém 3,75% em votação 6 a 3; Bailey esfria apostas de alta e a precificação de setembro cai de 55% pra 30% (FT, Macro Strategy XP)
BoJ mantém 1,0% (8 a 1, com Takata pedindo 1,25%) e tom hawkish; na véspera houve intervenção japonesa no câmbio e o iene teve a maior alta desde 2022, chegando a +3,3% (Bloomberg, BTG Morning Call, Macro Strategy XP, News XPress)
China: PMI industrial em 49,2, primeira contração em 5 meses; não manufatura em 49,0, com construção no pior nível desde a pandemia; pressão por estímulo cresce (FT, BTG Morning Call, Bloomberg)
Zona do euro: PIB do 2T +0,4%, acima do esperado e o mais forte em um ano; inflação de julho acelera a 2,9% com energia a 10%; ING vê alta do ECB em setembro (FT, BTG Morning Call, Bloomberg, WSJ)
Ouro subiu 3,3% ontem, acima de US$ 4.100 (WSJ Markets P.M., BTG Morning Call)
Geopolítica / Petróleo
EUA fizeram nova onda de ataques ao Irã (operação de 2 horas contra instalações da Guarda Revolucionária); o Irã retaliou atingindo bases americanas no Kuwait (Ahmad al-Jaber) e no Barein (Sheikh Isa) (NYT, WSJ, Bloomberg, BTG Morning Call)
A guerra se espalha: drone atingiu dois navios de GNL no porto egípcio de Damieta, primeiro incidente no Egito; sauditas atacaram milícias pró-Irã no Iraque e formam coalizão naval pro Mar Vermelho; o tráfego em Ormuz, curiosamente, aumentou (NYT, WSJ, Bloomberg)
Trump anuncia acordo do “Board of Peace” pro desarmamento do Hamas e retirada israelense de Gaza; sem confirmação das partes e com detalhes a fechar em semanas (Bloomberg, NYT, WSJ)
Brent perto de US$ 89; julho caminha pra fechar com alta de cerca de 20%; o WSJ mapeia 67 navios atacados ou abordados e 17 marinheiros mortos desde o início da guerra (Bloomberg, BTG Morning Call, WSJ)
Rússia: ataque aéreo em massa na Ucrânia mata ao menos 8; míssil russo provavelmente caiu na Polônia e a OTAN ativou defesas; Rússia estende o veto à exportação de diesel, o que afeta o Brasil (NYT, Bloomberg, WSJ, Folha via XPInflation)
EUA x China: Pequim ameaça retaliar o bloqueio a robôs chineses; atrito pré-cúpula Trump-Xi de setembro (DealBook, Bloomberg)
Brasil: mercado e economia
Ibovespa +1,88%, a 177 mil, na máxima intradiária, puxado por commodities; bancos limitaram: Santander caiu mais de 7% em dois dias (resultado fraco e proposta de comprar a fatia restante do Brasil com prêmio de 15%) e o Bradesco anunciou capitalização de até R$ 10 bi que surpreendeu; dólar a R$ 5,0608 (-0,92%); DI fechou, especialmente na ponta curta (BTG Morning Call, Macro Strategy XP, Folha, Resumo do Mercado)
Desemprego (PNAD) de 5,4% no trimestre até junho, menor da série; rendimentos avançando na margem; IGP-M de julho com deflação de 1,16% (Macro Strategy XP, Resumo do Mercado, the news, Empiricus)
Dívida pública: R$ 9,27 tri (+2,61% em junho), custo médio sobe a 12,68% ao ano e o prazo médio encurta; LFTs já são 49,3% do estoque e o Tesouro deve rever o teto de 50% e o PAF (Relatório Mensal da Dívida via Macro Strategy XP, Folha, O Globo, XP Furla)
Arrecadação federal recorde de R$ 1,6 tri no semestre (Resumo do Mercado)
Fazenda sinaliza aperto no arcabouço num eventual Lula 4 (teto de 2,5% podendo ir a 1,5-2%); juros futuros sobem com a falta de planos fiscais de Lula e Flávio a dois meses da eleição, na leitura dos jornais; Lula rebate dizendo que dívida pra investimento “não é gasto”; órgãos do governo pedem mais R$ 46 bi pra 2027 (O Globo, Folha, Poder, XP News Clipping, News XPress, XPInflation)
Defasagem Petrobras (Abicom): diesel -79% e gasolina -58%, com Brent a US$ 90 e câmbio a R$ 5,12 (XPInflation)
El Niño: pode bater recorde histórico (pico de +3,6ºC, Berkeley Earth); governo prepara R$ 1,3 bi em medidas (térmicas, estoques de milho e arroz); a XP publicou relatório vendo aceleração da inflação de alimentos a partir do 4T, com risco pra conta de luz em 2027 e até de bloqueio do rio Amazonas (Estadão, Folha, XP Research, Valor via XPInflation)
Vendaval com rajadas de até 125 km/h deixou mortos em SP e no Rio; meteorologistas dizem que não foi o El Niño (Folha, Estadão)
Micro: Justiça homologa a recuperação extrajudicial da Raízen (R$ 61,4 bi, a maior da história); Vale aprova recompra de 100 mi de ações; no caso Americanas, a juíza afirma que Sicupira e o filho de Lemann sabiam das fraudes; mercado vê os R$ 6,6 bi como insuficientes pro BRB no caso Master; Habib’s pede proteção contra credores; etanol com a maior vantagem sobre a gasolina desde 2017 (BTG Morning Call, Estadão, Folha, Resumo do Mercado, XPInflation)
Brasil formaliza na OMC que o tarifaço americano (até 37,5%) é incompatível com as regras de comércio (Estadão)
Brasil: eleições e política
Mendonça autoriza a PF a investigar Lulinha por tráfico de influência e corrupção (caso do canabidiol, envolvendo o “Careca do INSS”, o Ministério da Saúde e o Planalto); Lula diz que ele “terá de provar ser inocente” e que não usará o cargo pra protegê-lo; Mendonça também autorizou o monitoramento do celular de Jaques Wagner (Folha, Estadão, the news, O Globo, XP News Clipping)
Tereza Cristina avisa aliados que aceitou ser vice de Flávio; a cúpula do PP rechaça, reafirma a neutralidade e vê reversão improvável; o “fator STF” aumentou a resistência do Centrão; o PP nem convocou a convenção (prazo 5/8, registro até 15/8); o União Brasil decide na terça (XP Política, News XPress, Metrópoles, O Globo, CNN, Estadão, Folha)
Flávio troca o comando da comunicação de novo: entra Duda Lima, marqueteiro de Bolsonaro em 2022; 4ª mudança na área, com aval de Valdemar (Estadão, Folha, O Globo, News XPress)
Vídeo de IA de Bolsonaro: ministros do STF e do TSE avaliam que Nunes Marques “não tem outro caminho” a não ser punir Flávio; ala do TSE reclama de omissão de Nunes Marques e de interferência de Moraes; a PF avalia incluir Flávio em lista da Interpol no caso Dark Horse (G1, Estadão, O Globo, XP News Clipping)
Lula oficializa a candidatura no domingo e vai a Minas na largada; sinaliza que pode faltar aos debates do 1º turno (”quero saber qual é o nível”); admite risco de interferência de Trump na eleição (Valor, Folha, CNN via News XPress)
Caiado anuncia Aldo Rebelo como coordenador político da campanha (Estadão)
Quaest em SP: Tarcísio lidera contra Haddad nos dois turnos; Flávio tem 53% dos válidos contra Lula no estado, abaixo dos 55,2% de Bolsonaro em 2022 (Estadão, Monitor de Pesquisas via XP News Clipping)
Paraguai convoca o embaixador brasileiro após fala de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança; Milei assina decreto pra barrar estrangeiros que promovam “discurso de ódio” contra a Argentina (Estadão, Folha)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: resultado primário de junho (consenso de déficit de R$ 49,8 bi; XP em R$ 49,3 bi) e bandeira tarifária de agosto (XP vê amarela). Nos EUA, índice de custo do emprego do 2T e sentimento de Michigan; Exxon e Chevron reportam e mostram o tamanho do ganho das petroleiras com a guerra; expiram as tarifas temporárias de 10% de Trump, com as substitutas já anunciadas. Pesquisa Vox pode sair.
Domingo: convenção do PT oficializa a candidatura de Lula à reeleição.
Terça e quarta: Copom decide (dias 4 e 5), com o IPCA-15 de 0,06% no bolso e o Caged na mesa; na terça, a convenção nacional do União Brasil define a posição na corrida presidencial.
Quarta: prazo final das convenções partidárias; a chapa de Flávio, com ou sem Tereza Cristina, se define até aqui. Registro de candidaturas vai até 15/8. Faltam 65 dias pro primeiro turno.
Fed manteve os juros em 3,50%-3,75% por 9 a 3; Hammack, Logan e Kashkari votaram por alta de 0,25 pp, três dissensos na mesma direção pela primeira vez desde 2016; o Treasury de 30 anos fechou em 5,21%, maior nível desde 2007.
Dow caiu 2,19% (1.153 pontos), pior dia desde abril de 2025; S&P -1,52% e Nasdaq -1,74%, em correção; Brent saltou quase 8% a US$ 90,8 após o ataque do Irã e a promessa de retaliação de Trump.
No Brasil, o Caged criou 145,1 mil vagas formais em junho, acima do consenso de 115 mil; o Ibovespa caiu 1,52%, a 173,9 mil pontos, e o dólar fechou a R$ 5,12.
HOJE / MADRUGADA (30 de julho)
Após o fechamento, Microsoft subiu cerca de 8% no after com a nuvem crescendo 43%, e Meta caiu cerca de 9% com guidance fraco; futuros de NY abrem a manhã em leve alta.
EUA fizeram ataques de retaliação contra o Irã e dois navios pegaram fogo em porto do Egito; Brent devolve pra US$ 87,6 e o juro americano de 30 anos segue subindo, a 5,23%.
Agenda: PCE de junho e PIB do 2T nos EUA, Apple e Amazon após o fechamento; BoE decide pela manhã e BoJ à noite.
Escrevi ontem: se Warsh segurasse, era pra contar dissensos. Segurou, a conta deu três (placar que não se via desde 2016), e ele fez exatamente o que prometeu: nada de guidance, comunicado idêntico ao de junho. Foi além: assumiu que jogou o trabalho pro mercado, dizendo que a curva já tinha feito parte do aperto e que os investidores estão “jogando a bola, não o juiz”. O que ele quis dizer nessa metáfora traduzida ao pé da letra: precificando a economia (bola), em vez de ficar tentando adivinhar o Fed (juíz). O mercado respondeu jogando contra: juro de 30 anos na máxima desde 2007, Dow no pior dia desde abril, o que o Bank of America, citado pelo Timiraos no WSJ, chamou de choque de credibilidade. A minha leitura é que o réu principal não estava na sala do Fed: estava no Golfo. Se a guerra não tivesse voltado a escalar nas últimas semanas, culminando na trégua enterrada na véspera e no Brent de volta aos US$ 90, duvido que o mesmo silêncio assustasse tanto: o próprio Timiraos nota que parte da alta dos yields veio de expectativa de inflação com o petróleo. Silêncio só vira problema quando tem barulho lá fora.
Trump no Salão Oval da Casa Branca, na quarta, dia em que prometeu revidar o ataque do Irã (Aaron Schwartz/CNP/Bloomberg)
Na prova de fogo de IA que anunciei na segunda, os dois primeiros balanços contaram filmes opostos. A Microsoft subiu 8% com a nuvem crescendo 43%, e o mercado celebrou um corte de capex que, olhando a letra miúda da Bloomberg, é mais contabilidade do que freio: a empresa esticou a vida útil dos data centers em 10 anos e a própria CFO disse que os planos de investimento de 2026 seguem inalterados. A Meta caiu 9% entregando o menor caixa livre desde 2022 e uma conta de até US$ 145 bi. A mensagem que fica não é “gastar menos”: é que o mercado só paga o capex de quem mostra receita junto. Hoje tem Apple e Amazon.
E o Brasil viveu a versão local desse aperto. O Ibovespa caiu 1,5% e devolveu num único pregão tudo que o IPCA-15 tinha dado: fechou em 173,9 mil, na mínima desde o dia 22, sangrando desde a manhã com o exterior e acelerando na coletiva do Warsh, espelho de NY até no repique das 15h. O Caged veio acima do esperado (mas esfriando na tendência) e a curva longa daqui ainda é mais impulsionada pelo motivo que o O Globo pôs na manchete: a dois meses da eleição, o mercado não vê plano fiscal nem de Lula, nem de Flávio. E a Folha traz o bastidor do vídeo de IA do Bolsonaro que citei esses dias: ministros do TSE leram a cobrança de Moraes como pressão, ninguém na corte cogita sanção grave a Flávio.
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Warsh segurou o juro e o mercado apertou sozinho. Quem manda agora, o Fed ou a curva?
📅 30 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🏦 O Fed manteve, mas com os dissensos que citei ontem: 3 diretores votaram por alta, placar raro. Warsh disse que a curva já fez parte do trabalho, mas o mercado leu dúvida: o juro de 30 anos foi a 5,23%, maior desde 2007, e o Dow caiu 2,2%, pior dia desde abril. Setembro segue vivo.
💻 IA em dois filmes: Microsoft sobe 8% no pré com nuvem crescendo 43% e capex “menor” (na prática, ajuste contábil). Meta cai 9% com guidance fraco e conta de até US$ 145 bi. Hoje: Apple e Amazon, com PIB e PCE.
🛢️ A retaliação veio: EUA voltaram a atacar o Irã e navios pegaram fogo no Egito. Brent tocou US$ 90, hoje roda a US$ 87.
🇧🇷 Caged acima do esperado, mas desacelerando na tendência. Ibovespa caiu 1,5% com o mundo e devolveu num dia o ganho do IPCA-15. Juros longos sobem aqui também e mercado cobra plano fiscal de Lula e Flávio.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Central Banks / Macro EUA
Fed mantém juros em 3,50%-3,75% por 9 a 3; três dissensos pró-alta (Hammack, Logan, Kashkari), algo raro (WSJ/Timiraos, Bloomberg, FT, XP Macro Strategy, XP Furla News)
Coletiva de Warsh confunde: leitura de “credibility shock” pelo BofA, ponta curta caiu e a longa subiu (WSJ/Timiraos, John Authers/Bloomberg, FT/Robert Armstrong)
Juro de 30 anos a 5,23%, maior nível desde julho de 2007; 10 anos a 4,70% (XP Furla News, FT, Bloomberg)
Após decisão, mercado precifica ~55% de chance de alta em setembro, vindo de ~70% à tarde (XP Macro Strategy); Wells Fargo vê setembro “ativo” (XP Furla News)
WSJ Editorial defende o método Warsh: “playing the ball, not the referee” (WSJ Editorial Board)
Hoje: PCE de junho às 9h30, PIB do 2T, jobless claims; BoE de manhã e BoJ à noite (WSJ, XP Furla News)
Geopolítica / Petróleo
Irã lançou mísseis contra bases dos EUA na Jordânia (interceptados); EUA e Arábia Saudita atacaram milícias no Iraque; Trump prometeu “beating” e a retaliação americana já ocorreu (Bloomberg, NYT, WSJ, FT, News XPress)
Brent +8% ontem a US$ 90,8 na máxima; hoje devolve a US$ 87,60 (-0,56%) (XP Macro Strategy, XP Furla News, Bloomberg)
Dois navios (um deles tanker de gás dos EUA) em chamas em porto do Egito, aparente drone (NYT, Bloomberg)
Irã rejeitou proposta de Omã sobre compartilhamento de Ormuz (WSJ)
Estoque comercial de petróleo dos EUA é o menor desde 2018: 404,5 mi de barris (Valor via Furla)
Mercados / Tech
Dow -2,19% (-1.153 pts), pior dia desde abril de 2025; S&P -1,52%; Nasdaq -1,74%, mais de 10% abaixo do recorde (XP Furla News, Bloomberg, WSJ)
Microsoft +8% no pré/after: Azure +43% (mais rápido desde 2022) e capex contido em US$ 175 bi vs US$ 190 bi antes; mercado premiou a “disciplina” (Bloomberg, WSJ, XP Furla News)
Meta -9%: guidance fraco, capex de até US$ 145 bi, menor free cash flow desde 2022 (Bloomberg, WSJ, Barron’s, XP Furla News)
Pave Finance: “duas estratégias de IA”, uma lucra gastando, a outra deixa o custo corroer o resultado (XP Furla News)
Hoje: Amazon e Apple após o fechamento, últimos das Mag 7 do trimestre (WSJ, XP Furla News)
Kospi caiu mais 6%, -16% em dois pregões; Coreia anuncia freio em ETFs alavancados (Bloomberg, Barron’s, Bruno Paolinelli)
Nvidia negocia US$ 750 bi em novos deals com SK Group e OpenAI, reacendendo temor de circularidade; Burry e Goldman entre os céticos (Bloomberg)
Futuros hoje em leve alta: S&P +0,39%, Nasdaq +0,73% (XP Furla News)
Brasil
Caged: 145,1 mil vagas em junho, acima do consenso de 110-115 mil, mas pior junho desde a pandemia (XP Macro Strategy, CNN via Furla)
Juros futuros longos sobem com falta de planos fiscais de Lula e Flávio a 2 meses da eleição (O Globo via XP Clipping); Durigan discute aperto do arcabouço num Lula 4 (Folha, Poder, O Globo via News XPress)
Dívida pública federal a R$ 9,3 tri (+2,61% em junho); custo médio sobe a 12,68% a.a., prazo médio encurta a 4,01 anos (Folha via Furla, Bruno Paolinelli)
Tesouro amplia pós-fixados: dívida atrelada à Selic chega a 49% do estoque e teto de 50% deve ser revisto (O Globo via Furla)
Bradesco anuncia capitalização de até R$ 10 bi via subscrição privada; controladores entram com até R$ 8 bi (Valor via Furla)
El Niño pode bater recorde histórico (+3,6ºC, acima de 2015-16); governo prepara R$ 1,3 bi em contingência, térmicas e estoques de arroz e milho (Estadão, Folha, Globo Rural via Furla; Valor via XP Clipping já tinha citado El Niño no radar das campanhas)
TCU: irregularidades em 82% das emendas Pix auditadas (Valor via Furla)
Governo estuda reforçar o FGI para linhas de crédito (Valor via Furla)
Eleições
Alckmin oficializado vice de Lula pelo PSB (News XPress, G1, CNN)
Bolsonaro nega ter autorizado vídeo de IA; ministros do TSE veem abuso e STF se prepara pra agir (Folha, Estadão, O Globo via XP Clipping)
Quaest SP: Flávio com 53% dos válidos no 2º turno no estado, abaixo dos 55,2% de Bolsonaro em 2022 (XP Clipping)
Nos bastidores, a Folha mostra ministros do TSE lendo a cobrança de Moraes como pressão e tentativa de interferência: pra eles o tema é da Justiça Eleitoral; dos sete integrantes, ao menos dois tendem a abordagem liberal (a IA foi usada pra favorecer, não prejudicar) e outros dois a medidas de alerta, como multa ao PL, remoção do material e aviso de que reincidência configuraria abuso; nenhum grupo cogita sanção grave como cassação ou inelegibilidade, distante do sinalizado por Moraes (Folha)
Kassio Nunes Marques relata a representação no TSE e decide primeiro, sem prazo; pano de fundo: um grupo do STF vinha se preparando pra atuar como instância revisora das decisões do TSE, como no episódio da censura à pesquisa Atlas em junho (Folha, O Globo)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: PCE de junho (9h30) e PIB do 2T nos EUA, o primeiro teste de dados da era pós-coletiva; Apple e Amazon após o fechamento encerram a temporada das Mag 7 no trimestre; BoE decide pela manhã e BoJ à noite. Por aqui, PNAD e, de resto, agenda doméstica fraca com o Copom em silêncio: o dia é digerir o juro americano. PoderData pode sair.
Sexta: Chevron e Exxon reportam; índice de custo do emprego nos EUA; expiram as tarifas temporárias de 10% de Trump, com as substitutas já anunciadas. Pesquisa Vox pode sair.
Semana que vem: Copom decide terça e quarta (4 e 5), com o IPCA-15 de 0,06% no bolso e o Caged na mesa. Faltam 66 dias pro primeiro turno.
IPCA-15 de julho subiu 0,06%, muito abaixo do consenso de 0,22%; juros futuros caíram firme e as opções passaram a precificar só 35% de chance de o Copom pausar em setembro, vindo de 42%.
Ibovespa subiu 0,70% aos 176 mil pontos, tocando 178,5 mil na máxima; dólar em leve alta a R$ 5,12.
Em NY, o Dow subiu 1% e o S&P de pesos iguais fez máxima histórica, mas o Nasdaq caiu 0,2% com chips (Micron -8,9%); Brent caiu 5% a US$ 83,7, acumulando queda de 16% em três pregões.
HOJE / MADRUGADA (29 de julho)
Irã lançou mísseis balísticos contra bases dos EUA na Jordânia de madrugada, interceptados; EUA e Arábia Saudita atacaram milícias pró-Irã no Iraque; Brent sobe quase 4%, a US$ 87.
SK Hynix reportou lucro recorde (+557% a/a), mas abaixo do esperado; ação caiu quase 10%, Kospi cedeu 6% e o governo coreano convocou reunião de emergência.
Fed decide juros às 15h com cerca de 30% de chance de alta precificada; Microsoft e Meta reportam após o fechamento; Atlas: Lula 49% x Flávio 43%.
Escrevi ontem que os próximos três dias responderiam sozinhos, e o primeiro respondeu com reviravolta: a trégua de 4 dias que tinha Irã e Omã negociando a reabertura de Ormuz morreu de madrugada, com mísseis balísticos contra bases americanas na Jordânia e revide de EUA e sauditas no Iraque. O Brent, que levou três pregões pra devolver 16% de prêmio de guerra, começou a retomá-lo: sobe quase 4%, a US$ 87. E o detalhe que mais me chamou atenção veio do WSJ de hoje: o Irã rejeitou a proposta de Omã de dividir o controle do estreito e exige mais controle, posição que os mediadores, segundo o jornal, tratam como revés na tentativa de reviver o acordo. A mesa que eu vinha acompanhando não só esvaziou, ela andou pra trás.
Inflação cheia nos EUA reacelera a 3,5% com o choque do petróleo, enquanto o núcleo roda em 2,6%: o caso pra subir (WSJ, com dados do Labor Department).
O juro americano já está em 3,50%-3,75% depois do ciclo de cortes: o caso pra segurar (WSJ, com dados do Federal Reserve).
E tudo isso caiu no colo do Fed, que anuncia às 15h a decisão mais incerta em anos. Trump abençoou Warsh pedindo juro baixo, a Citadel prevê alta justamente pra firmar credibilidade, e a aposta de alta na CME recuou de 36% na segunda pra 29% hoje, mesmo com o petróleo subindo. Vale o registro: a decisão é do comitê, são 12 votos, e não de um homem só. Mas o Timiraos, do WSJ, explica por que a leitura ficou tão difícil: com Warsh aposentando a sinalização prévia, adivinhar o Fed virou adivinhar a estratégia do chair. No papel ele não decide sozinho; na prática, é a cabeça dele que o mercado tenta ler. Enquanto isso, os chips escreveram mais um capítulo da história que venho contando desde a TSMC: a SK Hynix entregou lucro recorde, alta de 557% e margem de 76%, e a ação caiu quase 10% mesmo assim. Quando nem recorde segura o preço, o problema segue sendo o preço pago pelo lucro de amanhã.
Por aqui, o IPCA-15 que o mercado esperava em 0,22% e a XP em 0,26% veio 0,06%, e a chance de o Copom pausar em setembro caiu de 42% pra 35% nas opções, na conta da XP: lá fora o aperto voltou, aqui a janela de corte abriu um pouco mais. Na eleição, a Atlas mostrou a vantagem de Lula sobre Flávio encurtando de 7 pra 6 pontos, oscilação dentro da margem, enquanto Moraes deu 48 horas pra Bolsonaro explicar o vídeo de IA da convenção: pelos jornais, autorizar pode custar a volta ao regime fechado, e não autorizar transfere o problema pra Flávio e pro PL. Ainda tem Microsoft e Meta após o fechamento, com o capex de IA como o número que o mercado vai caçar. Se Warsh segurar, o mercado vai contar dissensos. Se subir, contradiz em público o presidente que acabou de elogiá-lo. De um jeito ou de outro, às 15h a gente para de adivinhar.
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
O Irã quebrou a trégua bem no dia do Fed. Warsh segura ou sobe?
📅 29 de julho. Bom dia.
🛢️ A trégua durou 4 dias: o Irã lançou mísseis de madrugada contra bases dos EUA na Jordânia (interceptados) e EUA e sauditas revidaram no Iraque. Brent devolve a calmaria e sobe 4%, a US$ 87.
🏦 Fed decide às 15h na reunião mais incerta em anos: a aposta de alta recuou de 1/3 pra 30% e Warsh não dá pistas. Se segurar, olho nos dissensos. Se subir, é recado de credibilidade contra a inflação.
📊 SK Hynix entregou lucro recorde (+557%), mas abaixo do esperado: ação caiu 10%, Kospi mais 6% e causou reunião de emergência na Coreia. Após o fechamento: Microsoft e Meta.
🇧🇷 O IPCA-15 que esperávamos perto de 0,22% veio 0,06%. Mercado já vê só 35% de chance de o Copom pausar em setembro. Ibovespa recuperou os 176 mil.
🗳️ Atlas: Lula 49 x 43, vantagem cai de 7 pra 6 pontos. E Moraes deu 48h pra Bolsonaro explicar o vídeo de IA, sob risco de volta ao regime fechado ou até potencial inegibilidade de Flavio.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Geopolítica / Guerra
Irã lança ataque surpresa com mísseis balísticos contra forças dos EUA na Jordânia; interceptados pelo Centcom (Bloomberg, WSJ, NYT, BTG Morning Call, XP News XPress)
EUA e Arábia Saudita atacam milícias pró-Irã no leste do Iraque, resposta a 30 ataques de drones em 72h (Bloomberg, NYT, BTG Morning Call)
IRGC alega ter atingido e parado três petroleiros, sem dizer onde (Bloomberg)
Drones contra instalações petrolíferas sauditas pelo 2º dia seguido (Bloomberg, BTG Morning Call)
Irã rejeitou proposta de Omã de compartilhar o controle de Ormuz, exige mais controle; revés na negociação (WSJ)
Irã cogitou atacar porto na Ucrânia após ataque ucraniano a navio iraniano no Cáspio; diplomacia esfriou por ora, mas as duas guerras se aproximam (NYT)
Irã enforcou publicamente dois manifestantes; rara reação interna (NYT)
Trump recebeu Netanyahu na Casa Branca, sem imprensa, com “pequena diferença” sobre o Irã; recepção mais fria (Bloomberg Politics, NYT, WSJ)
Trump recebeu Zelensky: Patriots, licenças de produção e reaproximação (Bloomberg, WSJ, NYT)
UE prepara sanção a mais de 1.600 empresas ligadas à guerra russa (Bloomberg)
Funeral de Lindsey Graham reuniu Trump, Zelensky e Netanyahu (NYT, WSJ)
Petróleo / Energia
Brent sobe ~3,7% a US$ 87 com o fim da trégua, após -16% em três pregões (BTG Morning Call, WSJ, XP Macro Strategy)
OPEP+ planeja pausar altas de cota após setembro (Bloomberg)
Rússia eleva escoamento pelo Ártico pra manter exportações (Bloomberg)
Reno em seca extrema quase parando barcaças de combustível na Europa: outro corredor de óleo fechando, sem guerra (Javier Blas/Bloomberg Opinion)
BIS/ECB: choque de oferta maior que o de 2022, preço subiu menos por estoques altos e demanda asiática flexível (Bloomberg Economics, FT)
Abicom: defasagem Petrobras de -53% na gasolina e -67% no diesel (XP Inflation News)
Fed / Macro global
Fed decide hoje 15h, coletiva de Warsh 15h30; ~30% de chance de alta na CME, vinha de 36% (WSJ/Timiraos, Bloomberg, Barron’s, BTG Morning Call)
Citadel mantém previsão de alta surpresa como selo de credibilidade de Warsh (Bloomberg)
Foco nos dissensos: Hammack e Logan esperadas a favor de alta; reação do mercado depende de quantos mais (WSJ/Sam Goldfarb)
Warsh quer descartar forward guidance; painéis externos pra rever como o Fed lê a economia, com resistência interna (Waller) (WSJ Wealth Adviser)
Reforma metodológica dos índices de inflação nos EUA deve mostrar preços subindo menos, aliviando pressão por alta (FT)
Austrália: núcleo mais frio; Chile: juro mantido; BoE e BoJ decidem amanhã (Bloomberg, WSJ)
Mercados / Tech / IA
SK Hynix: lucro recorde de US$ 41,7 bi (+557%), margem de 76%, mas abaixo do consenso; ação -10%, capex recorde de US$ 31 bi anunciado (WSJ, Bloomberg)
Kospi -6%, acumula -16% em dois pregões e ~40% desde o pico de junho; reunião de emergência na Coreia, ETFs alavancados de ação única no radar dos parlamentares (Bloomberg, BTG Morning Call, XP News XPress)
Microsoft e Meta reportam hoje; Apple e Amazon quinta, com PCE e PIB; Chevron e Exxon sexta (WSJ, Bloomberg)
Nasdaq 100 flertou com correção ontem; rotação pra valor: S&P equal-weight na máxima (John Authers/Bloomberg, WSJ Markets P.M.)
Authers: narrativa das Mag 7 “cavalgando pro pôr do sol”, como o fim do ciclo FAANG (John Authers/Bloomberg)
Meta pagou juro mais alto pra financiar data center de US$ 12,5 bi no Texas: custo do capex de IA subindo (WSJ)
Nvidia negocia garantia de ~US$ 250 bi pra data center da OpenAI; funcionário detido em Taiwan por contrabando de chips pra China (WSJ, Bloomberg, NYT)
Moonshot AI levanta US$ 3,5 bi a valuation de US$ 35 bi e já mira US$ 50 bi pré-IPO em HK (Bloomberg)
Zuckerberg ataca centralização de IA (mira Anthropic e OpenAI) em artigo no WSJ; petição de 1.100 funcionários de IA por desenvolvimento “compassado” (NYT, WSJ, Bloomberg)
FCC restringe robôs e inversores estrangeiros: banimento de fato à China semanas antes de Trump-Xi (Bloomberg)
China: paper de 10 mil caracteres rebatendo acusações de sobrecapacidade; teto de 20% em tarifas de reposição dos EUA (Bloomberg)
Alemanha mapeia vulnerabilidades chinesas (chips, química, medtech) pra eventual guerra comercial (Bloomberg)
Visa corta 2.600 vagas (7%) citando IA; Apple bateu US$ 5 tri e retomou posto de mais valiosa (WSJ, Bloomberg, Barron’s)
SpaceX fecha 14% abaixo do preço do IPO, ~R$ 1,2 tri de valuation evaporado (Barron’s, Bruno Paolinelli)
Bancos europeus fortes: UBS (buyback US$ 3 bi), Deutsche e StanChart acima do esperado; Kering +10% com Gucci, Hermès -10% (Bloomberg, WSJ)
Ford eleva guidance e sobe 4%; Boeing tem prejuízo de US$ 428 mi com Air Force One (WSJ, Barron’s)
Brasil / Economia
IPCA-15 0,06% m/m, surpresa disseminada pra baixo; alimentos com maior queda pra julho desde 2010 (XP Macro Strategy, XP Inflation News, Valor, Folha)
Opções precificam só 35% de manutenção no Copom de setembro (vinha de 42%); corte de 50 bps volta à margem do debate, com probabilidade baixa (XP Macro Strategy, Empiricus)
Ibovespa +0,70% aos 176 mil, chegou a tocar 178,5 mil; dólar R$ 5,12; juros caem firme pelo 3º pregão (BTG Morning Call, Bruno Paolinelli)
Transações correntes: déficit de US$ 2,33 bi em junho, menor pro mês desde 2023; IDP de US$ 9,1 bi cobre com folga (BTG Morning Call)
Durigan sinaliza ao mercado desacelerar o crescimento do arcabouço (2,5% → 1,5-2%); ala “liberal” do PT tenta impor controle de gastos num Lula 4; Lula fala em “dinheiro extra por fora do arcabouço” pra ciência (O Globo, CNN, Folha via XP News XPress)
Faria Lima já desenha cenários pra Lula 4 (Poder via XP News Clipping)
Desenrola 2.0 prorrogado até 31/08, sem novos aportes (XP News XPress)
FGTS distribui R$ 13 bi, depósito até 31/08 (Estadão, Folha, O Globo, Caixa via Paolinelli)
Crédito imobiliário +23% no semestre mesmo com juro alto; Febraban vê carteira +9,8% no ano puxada por crédito garantido pelo governo (Folha, Paolinelli)
Petrobras: produção recorde no 2T; relatório saiu ontem à noite (Bruno Paolinelli, Empiricus)
Tesouro pede ao Senado teto anual de US$ 35 bi pra emissão externa (Paolinelli, the news)
Comissão do Senado aprova “jabutis” de até R$ 1,5 tri em 30 anos na conta de luz (Folha, Estadão via XP Inflation News, Paolinelli)
Brasil vira maior importador mundial de EVs chineses (Paolinelli, the news)
UE estoca frango brasileiro antes de possível banimento; Brasil avalia acionar OMC pelo veto à carne (Bloomberg, G1 via XP Inflation News)
Empresas: Gasparino renuncia ao conselho da Vale; minoritários da Emae contestam incorporação pela Sabesp; 3tentos -16% pós-reunião com sell-side; Nubank lança segmento Croma (BTG Morning Call, Brazil Journal, Paolinelli)
Agenda: sondagem da indústria FGV, fluxo cambial, relatório da dívida; Caged de junho possível hoje (consenso 115k, XP 110k) (BTG Morning Call, XP News XPress)
Eleições / Política
Atlas: Lula 49% x Flávio 43% no 2º turno, vantagem de 7 pra 6 pp (Atlas via XP Macro Strategy, Estadão)
Moraes dá 48h pra Bolsonaro explicar o vídeo de IA; autorização = volta ao regime fechado; não autorização = ilícito de Flávio e do PL; a “sinuca de bico” (Folha, Estadão, CNN, Bloomberg Politics)
Bloomberg destaca a eleição brasileira como teste global de IA em campanha: “a mais judicializada desde a redemocratização” (Bloomberg Politics)
Datafolha: 59% acham que Moraes agiu mal ao proibir visita de Flávio a Jair (Folha)
PSB oficializa Alckmin como vice hoje (G1 via XP)
Planalto vê dobradinha Trump-Milei (Estadão/Vera Rosa, CNN)
EUA prorrogam emergência nacional contra o Brasil por 1 ano (Paolinelli, Estadão)
Republicanos não apoiará Flávio, mira 2030 com Tarcísio; Tarcísio libera aliados pra Caiado (G1, CNN via XP)
Vice de Flávio: Valdemar chama de “bobagem” Priscila Costa como vice, mas Michelle pressiona; Marcos Pontes se oferece (G1, O Globo, Folha via XP)
Flávio só irá a debates com Lula confirmado; Band adiado pra 23/08 (O Globo, Valor via XP)
Governo monitora clima pra devolver embaixador à Argentina; PT aciona PGE contra Milei (Folha, O Globo)
Flávio aciona STF contra Lula por fala de “enforcar traidores”; PF cancela depoimento dele no caso da calúnia (CNN, G1 via XP)
MG: Cleitinho avisa que será candidato ao governo; PL já trabalha com desistência (O Globo, Folha, CNN, G1 via XP)
El Niño entra no radar das campanhas (Valor via XP)
Mundo / resto
Terremoto 7,1 em Kyushu: 13 mortos, shopping colapsado, buscas seguem (Bloomberg, NYT, the news)
Keiko Fujimori toma posse no Peru prometendo disciplina fiscal (Bloomberg Politics)
Incêndios na Espanha e França: 4ª onda de calor, até 41°C hoje (Bloomberg, NYT)
UEFA cogita boicote à Copa contra plano da FIFA de captar US$ 4,2 bi (Bloomberg, the news)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: o dia do ano até agora, como escrevi ontem: Fed às 15h, coletiva de Warsh às 15h30 e Microsoft e Meta após o fechamento, com o capex de IA como o número que o mercado vai caçar. Por aqui, fluxo cambial e possível Caged de junho.
Quinta: Apple e Amazon após o fechamento; PCE e PIB do 2T nos EUA; decisões do BoE e do BoJ. PoderData pode sair.
Sexta: Chevron e Exxon reportam; índice de custo do emprego nos EUA; expiram as tarifas temporárias de 10% de Trump, com as substitutas já anunciadas. Pesquisa Vox pode sair.
Semana que vem: Copom decide terça e quarta (4 e 5), agora com um IPCA-15 de 0,06% no bolso.
Brent despencou 9,2% a US$ 87,8, no 3º dia sem ataques EUA-Irã e com Trump falando em “boa chance” de acordo.
Sell-off de chips em NY: Nvidia caiu 5%, ASML caiu 8,4% e a chinesa CXMT estreou subindo 466% em Xangai, virando a empresa mais valiosa listada na China continental.
Ibovespa subiu 0,74% aos 175.334 pontos; dólar subiu 0,60% a R$ 5,1116. O governo apresentou pedido de consulta à OMC contra o tarifaço.
HOJE / MADRUGADA (28 de julho)
Pânico na Ásia: Kospi desabou 10,84% com o pregão suspenso 2 vezes, Samsung e SK Hynix caíram mais de 13%, Nikkei recuou 3,95%.
Brent amplia a queda a cerca de US$ 85; sauditas interceptaram drones de milícias pró-Irã de madrugada.
IPCA-15 sai às 9h (consenso 0,22%, XP 0,26%); o Fed decide amanhã com o mercado precificando cerca de 1/3 de chance de alta.
No dia 17 escrevi que o trade de chips tava desinflando. Na quinta passada, quando o Kospi caiu 5,7%, chamei de pancada. Hoje a palavra ficou pequena: a bolsa da Coreia derreteu 10,8% num dia só, teve o pregão suspenso duas vezes, e o índice global de semicondutores da MSCI caminha pro pior mês desde 2022, como mostra o gráfico aí embaixo. Repare no desenho das barras: desde 2023 esse índice praticamente só conheceu mês de alta forte. É a primeira vez em três anos que a tese leva um teste de verdade, e não foi balanço ruim que provocou: a TSMC entregou lucro recorde há duas semanas e caiu assim mesmo. Quando resultado bom já não segura o preço, o problema não é o lucro de hoje, é o preço que se pagou pelo lucro de amanhã.
Chips globais caminham pro pior mês desde 2022 (MSCI World Semiconductors, performance mensal). Fonte: Bloomberg.
E o que provocou? Difícil cravar um culpado só, então listo os três da semana: a estreia da CXMT subindo 466% e o relato de que a China já produz máquina de litografia, que juntos atacam a premissa de que o Ocidente controla o gargalo da cadeia; e a Nvidia negociando garantir US$ 250 bi pra OpenAI, nada assinado ainda, que alimenta o medo do financiamento circular, o vendedor bancando o comprador. Pra tese das duas forças que venho acompanhando, a que suga capital pro trade de IA americano perdeu tração.
Agora o calendário vira protagonista: amanhã Microsoft e Meta reportam no mesmo dia da decisão do Fed, e quinta vêm Apple e Amazon com PCE e PIB. A Citadel prevê que Warsh sobe o juro justamente pra firmar credibilidade, enquanto Trump, ontem, chamou o chair de “fantástico”, pediu juro mais baixo e jogou a culpa do aperto nos diretores “com más intenções”. Ou seja: se Warsh subir, contradiz em público o presidente que acabou de abençoá-lo. Por aqui, o IPCA-15 de hoje calibra o Copom da semana que vem. É por isso que o título de hoje não tem pergunta: os próximos três dias respondem sozinhos.
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Próximos dias importantíssimos pro fluxo internacional
📅 28 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
💻 O trade de IA levou mais uma pancada: o índice de semicondutores caiu 2,2% ontem em NY e hoje o Kospi derreteu 10,8%. Três motivos: 1) estreia da chinesa CXMT subindo 466%; 2) relato de que a China já produz máquina de litografia (ASML -8%); 3) Nvidia negociando garantia de US$ 250 bi pra OpenAI, nada assinado ainda.
📊 A prova de fogo vem em sequência: amanhã Microsoft e Meta reportam no dia do Fed; quinta, Apple e Amazon, com PCE e PIB. A aposta de alta segue em 1/3, e a Citadel prevê que Warsh sobe pra passar a mensagem. Só que ontem Trump chamou Warsh de “fantástico” e pediu juro mais baixo. Será que sobe mesmo?
🛢️ Brent devolve prêmio: US$ 85, 4º dia de trégua EUA-Irã. Irã e Omã negociam reabrir Ormuz.
🇧🇷 IPCA-15 sai às 9h (consenso 0,22%, XP 0,26%), dado-chave pro Copom. Ontem o Ibovespa subiu 0,74%, mas o dólar foi a R$ 5,11. E o governo acionou a OMC contra o tarifaço.
TUDO DESTA MANHÃ EM TÓPICOS (com as fontes)
Mercados / Tech / IA
Kospi -10,84% com pregão suspenso 2 vezes, Samsung e SK Hynix -13%+, Nikkei -3,95%, Taiex -4%; sell-off global de chips se aprofunda (Bloomberg, FT, WSJ, BTG Morning Call, News XPress)
SK Hynix já perdeu ~US$ 600 bi de valor, -47% desde a máxima de junho, mesmo com lucro recorde esperado pra amanhã (Bloomberg)
CXMT estreia +466% em Xangai, vira a empresa mais valiosa listada na China continental; Apple faz lobby pra ela não entrar em blacklist; fundos do fundador da DeepSeek entre os maiores ganhadores do IPO (Bloomberg, WSJ, Barron’s)
Relato de que empresa estatal chinesa produz máquinas de litografia DUV; ASML -8,4% ontem e cai mais hoje; Musk: China “mais perto de resolver a litografia do que se imagina” (The Information via WSJ, Bloomberg)
Nvidia: US$ 750 bi em deals de infraestrutura de IA, incluindo garantia de US$ 250 bi pra OpenAI (data center de US$ 500 bi da SoftBank em Ohio); medo de financiamento circular; CDS da Nvidia com maior salto da história (WSJ, Bloomberg, NYT, DealBook)
Taiwan detém funcionário da Nvidia em investigação de contrabando de chips pra China (Bloomberg)
Apple retoma posto de empresa mais valiosa do mundo, ultrapassando a Nvidia (NYT)
Debate open vs closed models: Huang, Meta e Microsoft pró-abertos; Anthropic e OpenAI contra; China ameaça retaliar se EUA sancionarem suas empresas de IA por distillation (DealBook, Bloomberg)
YMTC (memória chinesa) também deve fazer IPO este ano (Barron’s)
Singapura alerta pra riscos econômicos se o boom de IA desandar (FT)
CME lança futuros de ação única sobre 50+ empresas (Bloomberg, WSJ)
Corrida de ETFs especulativos: 728 lançamentos no 1º semestre, recorde (WSJ Markets A.M.)
Fed / Macro global
Fed decide amanhã; aposta de alta ~1/3; decisão mais imprevisível em anos; Warsh falando menos de propósito (Bloomberg, WSJ, Barron’s)
Citadel Securities prevê alta surpresa pra firmar credibilidade de Warsh (Bloomberg)
Trump chamou Warsh de “fantástico”, disse que “rates should be lowered” e acusou diretores do Fed de “más intenções”; Logan (Dallas Fed) vinha pedindo juro “modestamente mais alto” (CNBC)
Semana de bancos centrais: BoE e BoJ na quinta; BoE deve manter mesmo com petróleo, após 3 meses de inflação abaixo do esperado; ECB já sinalizou disposição de subir (FT, Bloomberg)
Treasuries fecham 1-3 bps com queda do petróleo; 10 anos a 4,61-4,64% (Macro Strategy, BTG)
Lucro industrial chinês desacelera a +15,1% em junho, pior do ano; chips chineses com lucro +2.580% no semestre: recuperação desigual (FT, Bloomberg)
China diz que EUA aceitaram teto de 20% nas tarifas substitutas (Bloomberg)
Renúncia surpresa do presidente do BC da Indonésia derruba rúpia, bolsa e títulos; temor de perda de independência (Bloomberg, FT)
Japão: pressão do governo Takaichi por investimento doméstico dos fundos de pensão; GPIF resiste; aprovação de Takaichi despenca (Bloomberg, FT)
Qualcomm prepara reajuste de dois dígitos em chips: preço de celular vai subir (Canal Tech via XP Inflation)
Geopolítica / Petróleo
Brent ~US$ 85 (-2,9%), 4º dia de trégua EUA-Irã; Trump vê “boa chance” de acordo mas ameaça voltar “com força”; Irã nega estar implorando (Bloomberg, WSJ, the news, News XPress)
Irã e Omã negociam reabrir Ormuz, inclusive a “passagem do meio”; chanceler iraniano ligou pra sauditas e Omã (Bloomberg, BTG)
Sauditas interceptam drones de milícias pró-Irã do Iraque contra instalações de petróleo; Houthis seguem ativos no Mar Vermelho (BTG, NYT)
Motivo da pausa: Centcom avaliou que a campanha esgotou os alvos; estoque de interceptores em queda (WSJ, BTG)
Netanyahu vê Trump hoje; quer “vigilância constante” sobre o nuclear iraniano; reunião sem imprensa (Bloomberg Politics)
Ucrânia atacou embarcação iraniana no Mar Cáspio: as duas guerras se conectam (WSJ, BTG)
Zelensky em Washington após visita ao Reino Unido; Burnham compartilha tecnologia “Stone Cloak” anti-defesa aérea russa (Bloomberg)
Trump: rodovia de 1.055 km no Saara Ocidental vai levar seu nome (Bloomberg)
Brasil: macro e mercado
IPCA-15 às 9h: consenso 0,22%, XP 0,26% (News XPress, XP Macro, BTG)
BoP às 8h30: mercado vê déficit de US$ 2,3 bi em conta corrente, XP US$ 2,0 bi; IDP ~US$ 5,5 bi (News XPress)
Ibovespa +0,74% aos 175.334, mesmo com PETR4 -2,8%; dólar +0,60% a R$ 5,1116, destaque negativo sem apoio do petróleo; curva ganhou inclinação (Jan28 -15 bps) (BTG, Macro Strategy)
Governo aciona OMC contra o tarifaço (25% + 12,5%), em órgão paralisado pela falta de indicações dos próprios EUA (News XPress, Estadão, BTG)
Focus: IPCA 2026 recua pela 4ª semana seguida; PIB 2027 de 1,65% pra 1,60% (Macro Strategy, Estadão)
Confiança do consumidor FGV cai a 88,3, menor desde fevereiro, 3ª queda seguida (BTG)
“Jabutis” na conta de luz: comissão do Senado aprova custos de até R$ 1 tri a R$ 1,5 tri em 30 anos em votação relâmpago (Folha, Estadão via XP Inflation)
Tesouro pede ao Senado teto anual de US$ 35 bi pra emissões externas, substituindo limite acumulado de US$ 100 bi (Resumo do Mercado, the news)
Governo manterá subvenção a combustíveis “até o mercado melhorar”; defasagem Petrobras: diesel -69%, gasolina -54% (Poder360, Abicom via XP Inflation)
Lula-Xi por telefone: acelerar acordo Mercosul-China; Lula também recebeu presidente da Coreia do Sul (Folha, Estadão, the news)
Deflação de alimentos se acentua; Aneel decide reajustes hoje, efeito líquido neutro pra XP (Folha, XP Inflation)
FGTS decide hoje distribuição de R$ 13 bi de lucro (Estadão)
INCC e sondagem da construção às 8h; leilão de LTN/NTN-F (BTG)
Eleições (68 dias pro 1º turno)
Zema oficializado pelo Novo, sem vice, forte anti-PT mas evita atacar Flávio de olho em aliança no 2º turno; Joaquim Barbosa como vice é improvável (News XPress, Estadão, O Globo, Metrópoles)
MDB libera diretórios e não apoia ninguém (News XPress, Folha)
Vice de Flávio: Priscila Costa (aliada de Michelle) ganha força com chance de chapa pura; Marcos Pontes se oferece; Centrão se afasta (News XPress, Folha, O Globo, Estadão)
Governo lê ofensiva Trump-Milei como interferência estrangeira coordenada; teme escalada nas redes perto da votação; abalo “sem precedentes” com a Argentina, mas Itamaraty pede cautela aos ministros (News XPress, CNN, Folha, Estadão)
PT aciona TSE, STF e PGR contra vídeo de Bolsonaro em IA e presença de Milei (Estadão, O Globo)
Datafolha: 52% acham que Trump usa tarifaço pra ajudar Flávio; 74% preferem negociar a retaliar; dificuldade persistente de Flávio com eleitorado feminino (Folha)
Lavareda: eleitor pode “pular pra outro” se más notícias de Flávio continuarem; Faria Lima torce por desembarque em favor de Caiado (Estadão, Folha)
Daniella Marques vende Orçamento Base Zero na Faria Lima: corte de R$ 160-220 bi/ano; Traumann vê otimismo exagerado (O Globo/Traumann)
Lula: campanha vai recontar sua trajetória, não o governo; recorde de gastos com publicidade (R$ 255 mi no semestre); TSE dá 48h pra explicar uso de canais oficiais (O Globo, Estadão)
Primeiro debate adiado de 16 pra 23/08; Lula deve ir, mas sem martelo batido (News XPress, Valor)
Governo negou visto a 2 funcionários do Departamento de Estado que viriam “observar” as urnas; STF chamou missão de “escandalosa” (the news, BBC)
Tarcísio terá 71% do tempo de TV em SP; PSD quer colar Caiado em Tarcísio (”Carcísio”); SP vira desafio pra Flávio (Estadão)
Pesquisas no radar: Atlas pode sair hoje; PoderData e Vox quinta/sexta (News XPress)
Radar internacional secundário
Incêndios recordes na França e Espanha: 300 mil+ evacuados, emergência nacional, fogo avança sobre Bordeaux; custo fiscal já preocupa (Bloomberg, NYT, the news)
Índia: Modi cede aos protestos “cockroach”, ministro da Educação renuncia (Bloomberg, NYT)
Keiko Fujimori toma posse no Peru hoje (Bloomberg Politics)
Atentado em parada LGBT+ em Berlim; suspeito morto pela polícia (Bloomberg, NYT, Folha)
Trump propõe novas tarifas substituindo as de 10% que expiram sexta; FT: “Trump remonta seu muro tarifário... e ninguém reagiu” (Barron’s, FT, John Authers)
AGENDA DA SEMANA
Hoje: IPCA-15 às 9h (consenso 0,22%, XP 0,26%) e balanço de pagamentos às 8h30 no Brasil; confiança do consumidor às 11h nos EUA. Balanços de Coca-Cola, Boeing, Visa, Ford e PayPal. Pesquisa Atlas pode sair.
Quarta: o dia do ano até agora: decisão do Fed às 15h, coletiva de Warsh às 15h30, e Microsoft e Meta reportam após o fechamento. O capex de IA é o número que o mercado vai caçar. SK Hynix também reporta, com lucro recorde esperado e a ação 47% abaixo da máxima.
Quinta: Apple e Amazon após o fechamento; PCE e PIB do 2T nos EUA; decisões do BoE e do BoJ. PoderData pode sair.
Sexta: Chevron e Exxon reportam; índice de custo do emprego nos EUA; expiram as tarifas temporárias de 10% de Trump, com as substitutas já anunciadas. Pesquisa Vox pode sair.
Semana que vem: Copom decide dia 4 e 5, com o IPCA-15 de hoje como último grande insumo.
Ibovespa caiu 1,52% na sexta, aos 174.042 pontos, na contramão do dólar (R$ 5,08) e dos juros futuros, que cederam. Na semana, alta de 0,19%.
EUA pausaram os ataques ao Irã na sexta à noite, após 13 noites seguidas, sem anúncio oficial. O Irã manteve a pausa e negociou com Omã sobre o Estreito de Ormuz durante o fim de semana.
Nvidia negocia garantir US$ 250 bi de financiamento para a OpenAI arrendar o data center de 10 GW da SoftBank em Ohio, dentro de uma rodada de acordos que pode passar de US$ 750 bi.
Convenção do PL oficializou Flávio no sábado. Milei chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”; o Itamaraty convocou o embaixador argentino. Datafolha de sexta: Lula 48% x Flávio 43% no 2º turno.
HOJE / MADRUGADA (27 de julho)
Brent cai cerca de 8% e perde os US$ 90 na 3ª noite sem ataques. Futuros de NY sobem cerca de 1% e o juro de 10 anos recua a 4,64%.
A aposta de alta do Fed na quarta recua de cerca de 40% para 1/3.
CXMT estreia em Xangai subindo 466% e vira a maior empresa listada onshore da China. Nexus: Lula 47% x Flávio 43%.
Até onde o Trump aguentava a guerra? Na sexta ele voltou a responder: “apesar do que dizem sobre a eleição, não estou com pressa”. E mesmo assim o barril desabou 8%. O mercado escolheu ignorar o que o presidente disse e comprar o que os fatos sugerem: três noites sem bombardeio, os veículos apontando munição no fim, alvos esgotados ou espaço pra diplomacia, e o Irã sentado com Omã pra desenhar a reabertura de Ormuz. É uma pausa que ninguém assinou. O preço está apostando que ela vira acordo.
Pro Brasil, o que importa é o efeito colateral: a força que sugava capital via juro americano afrouxou junto com o petróleo, e a aposta de alta do Fed na quarta voltou de 40% pra um terço. Mas a sexta já mostrou que alívio externo não vira fluxo automático por aqui: o Ibovespa caiu 1,52% num dia em que dólar e juros caíam, puxado por bancos e Petrobras, e a saída de estrangeiro desde o pico de abril já soma R$ 29,6 bilhões (XP).
A 69 dias do 1º turno, a eleição já se mistura com a política externa: Lula foi ao Washington Post rebater o tarifaço, o Itamaraty convocou o embaixador argentino depois dos ataques de Milei e negou visto a dois americanos que viriam falar de urnas. Nas pesquisas, sem novidade: Datafolha e Nexus mantêm Lula na casa dos 4 a 5 pontos à frente de Flávio.
Essa semana é uma da mais pesadas do ano: Fed na quarta, com Microsoft e Meta reportando no mesmo dia, Apple e Amazon na quinta junto com PCE e PIB. O trade de IA chega dividido: o mercado castigou a Alphabet por gastar demais e, dias depois, a Nvidia aparece negociando garantir US$ 250 bilhões de financiamento pra OpenAI e CXMT, a fabricante chinesa de chips de memória, estreou em Xangai subindo 466% e virou a maior listada onshore da China, com valor perto de US$ 484 bilhões (ainda menos da metade de Samsung e Micron).
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Petróleo desaba mais 8%
📅 27 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🛢️ O Brent perde os US$ 90. Um dos motivos é a 3ª noite sem ataques EUA-Irã, após 13 seguidas. Os veículos apontam munição acabando, alvos esgotados ou espaço pra diplomacia. Irã e Omã negociaram o fim de semana pra liberar Ormuz.
🇺🇸 Trump voltou a dizer na sexta que não está com pressa (mesmo com eleições de meio de mandato final do ano).
🏦 Com o barril cedendo, a aposta de alta do Fed na quarta recua de 40% pra 1/3.
🇧🇷 Sexta o Ibovespa caiu 1,52%, aos 174 mil, contra dólar e juros em queda. O governo desbloqueou R$ 5,7 bi no bimestral.
🏛️ Milei chamou Lula de “presidiário” na convenção de Flávio e o Itamaraty convocou o embaixador. Datafolha e Nexus saíram sem muita novidade.
📅 Hoje é vazio: só Focus e bens duráveis nos EUA, com Netanyahu vendo Trump. A semana é que pesa: Fed na quarta com Microsoft e Meta, Apple e Amazon na quinta com PCE e PIB, e o IPCA-15 por aqui.
Daqui pra baixo é a cozinha: um resumo por tópico de tudo que li hoje nos veículos e fontes que acompanho, com a origem de cada informação. Ter isso organizado me ajuda demais na leitura do dia, e imagino que ajude você também. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.
O RADAR COMPLETO (com as fontes)
Geopolítica / Petróleo
EUA pausaram os ataques ao Irã pela 3ª noite, sem anúncio formal. Os motivos reportados: estoque de munição de defesa aérea minguando (WSJ, NYT, Bloomberg) e recomendação do Centcom de que os alvos se esgotaram (BTG). A AP acrescenta a leitura de pausa pra diplomacia.
Trump disse na sexta que não está com pressa apesar das eleições de meio de mandato: “eleições se resolvem sozinhas” (AP/NPR). No mesmo dia, a Câmara aprovou pela 2ª vez resolução pra encerrar a guerra (AP/NPR).
Irã e Omã fizeram várias rodadas técnicas sobre Ormuz no fim de semana; o desenho em negociação é o Irã administrar o trânsito com menos restrição a navios (AP/NPR, Bloomberg, BTG). A China lidera o esforço pra retomar as conversas (BTG).
Brent perde os US$ 90 (queda perto de 8%), depois de passar de US$ 100 na quinta; WTI a US$ 83 (BTG, Bloomberg, FT). Ormuz segue praticamente vazio apesar da pausa, segundo dados de rastreamento de navios (Bloomberg).
Arábia Saudita atacou alvos houthis no Iêmen após o grupo anunciar bloqueio a portos sauditas e atingir ativos ligados à Aramco (BTG, Bloomberg). Os houthis dizem ter fechado o Bab el-Mandeb, e a saída saudita depende cada vez mais do Canal de Suez (WSJ, AP/NPR).
A Ucrânia atacou embarcação comercial iraniana no Mar Cáspio; o Irã promete resposta (BTG).
Netanyahu chega hoje a Washington pra ver Trump e diz que vai pressionar por vigilância constante do programa nuclear iraniano (WSJ, Bloomberg).
Bancos centrais / Macro EUA
Fed decide na quarta, 2ª reunião de Warsh: a aposta de alta chegou perto de 40% na semana passada e recuou pra cerca de 1/3 com a queda do petróleo (Bloomberg/John Authers, FT, Barron’s).
Jobless claims na mínima desde 1969 mantêm a barra baixa pra uma alta, na leitura de Marc Chandler, da Bannockburn (Bloomberg/Authers).
Treasury de 10 anos a 4,64%, recuando da máxima desde janeiro de 2025 (Bloomberg, BTG).
BoE deve manter o juro na quinta apesar do salto do petróleo, com a inflação britânica surpreendendo pra baixo há três meses (FT). BoJ também decide quinta, e o ECB já sinalizou disposição de subir de novo (Bloomberg).
Trump prepara nova leva de tarifas pra substituir as temporárias de 10%, com proposta de 10% sobre economias acusadas de subfiscalizar trabalho forçado (Barron’s).
Mercados / Tech
Semana com cerca de 175 balanços, 35% do S&P 500: Microsoft e Meta na quarta, Apple e Amazon na quinta (Barron’s, WSJ).
Nvidia negocia garantir cerca de US$ 250 bilhões de financiamento pra OpenAI arrendar o data center de 10 GW da SoftBank em Ohio, dentro de uma rodada de acordos de infraestrutura que pode passar de US$ 750 bilhões (WSJ, Bloomberg).
CXMT, a fabricante chinesa de chips de memória, estreou em Xangai subindo 466% e virou a maior listada onshore da China, com valor perto de US$ 484 bilhões: ainda menos da metade de Samsung e Micron (Bloomberg, WSJ).
Alphabet segue como a perdedora da temporada depois de elevar o capex de 2026 pra US$ 195 a 205 bilhões, mesmo com o Google Cloud crescendo 82% (Barron’s, XP Research).
SK Hynix negocia com prêmio de até 51% em NY versus Seul, o que o colunista James Mackintosh trata como sinal de espuma no trade de IA (WSJ).
Nvidia investe US$ 1 bilhão na Naver e monta com o grupo SK mais de 2 GW de data centers na Coreia do Sul (Bloomberg).
Lucro industrial chinês subiu 15,1% em junho, desacelerando de 21,1%, mas o recorte de circuitos integrados saltou quase 2.580% no semestre (FT, Bloomberg, BTG).
O presidente do BC da Indonésia, Perry Warjiyo, renunciou de surpresa por “razões pessoais” e derrubou moeda, bolsa e títulos locais, reacendendo o temor de perda de independência da autoridade monetária (FT, Bloomberg).
Brasil: mercado
Ibovespa caiu 1,52% na sexta, aos 174.042 pontos, puxado por bancos em bloco e Petrobras, na contramão de dólar (R$ 5,0809) e DI, que fechou entre 20 e 25 bps (BTG, XP Macro Strategy). Na semana, +0,19%.
Saída de capital estrangeiro da B3 soma R$ 29,6 bilhões desde o pico do Ibovespa, em 15 de abril (XP Research).
Governo desbloqueou R$ 5,7 bilhões de despesas discricionárias no relatório bimestral, por projeção menor de gastos com Previdência, BPC e pessoal (XP Macro Strategy).
Galípolo falou na Expert XP sem novidade sobre os próximos passos do BC (XP Macro Strategy).
IPCA de julho: XP projeta 0,13%, contra 0,26% do Focus; a inflação de 2026 no mercado ronda 5,13% (XP Macro).
Defasagem da Petrobras segue aberta com o barril perto de US$ 90, e o governo diz que mantém a subvenção aos combustíveis até o mercado melhorar (Abicom via XP, Poder360).
Brasil: política
A convenção do PL oficializou Flávio no sábado, com Tarcísio em discurso enfático, vídeo de Michelle, vídeo de Bolsonaro feito por IA e vídeo de apoio de Netanyahu (XP Política, Estadão, G1).
Milei discursou ao vivo, chamou Lula de “presidiário” e Moraes de “lixo careca”; o Itamaraty convocou o embaixador argentino e chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires a consultas (Estadão, Folha, Bloomberg).
O Brasil negou visto a dois funcionários do Departamento de Estado americano que se reuniriam com autoridades eleitorais, citando risco de interferência no pleito (WSJ, Folha, the news).
Lula publicou artigo no Washington Post criticando as tarifas de Trump e rechaçando interferência externa (Estadão, the news).
Datafolha: Lula 48% x Flávio 43% no 2º turno; 52% acham que Trump usa o tarifaço pra ajudar Flávio e 74% preferem negociar a retaliar (Folha). A Nexus de hoje trouxe quadro parecido: 47% x 43% (XP Macro Strategy).
O PSD oficializou Caiado com Kassab de vice, e Caiado promete indulto a Bolsonaro se eleito; o Novo oficializou Zema (Estadão, XP Política). A Folha reporta que parte da Faria Lima torce por desembarque de Flávio em favor de Caiado.
A PF abriu inquérito pra rastrear o destino dos mais de R$ 60 milhões doados por Vorcaro, mantendo Flávio na berlinda (O Globo/Thomas Traumann).
Daniella Marques, porta-voz econômica de Flávio, vende na Faria Lima um Orçamento Base Zero com promessa de corte de R$ 160 a 220 bilhões por ano, sem detalhar as medidas mais duras (O Globo/Traumann).
O governo Lula bateu recorde de gasto com publicidade da Presidência em ano eleitoral: R$ 255,3 milhões no 1º semestre (Estadão).
AGENDA DA SEMANA
Hoje: agenda fraca: Focus, sondagem do consumidor da FGV e bens duráveis nos EUA. O evento é político: Netanyahu vê Trump em Washington, e essa conversa pode mexer com a pausa no Irã.
Terça: confiança do consumidor nos EUA e leva pesada de balanços tradicionais: Coca-Cola, Visa, Boeing, UPS.
Quarta: o dia do ano: Fed decide às 15h e Warsh fala às 15h30, com o mercado dividido entre manter e subir. Microsoft e Meta reportam após o fechamento, e o capex de IA é o número que o mercado vai caçar.
Quinta: Apple e Amazon reportam, e saem PCE (a inflação preferida do Fed) e a 1ª leitura do PIB do 2T. BoE e BoJ também decidem juros.
Sexta: Chevron e Exxon reportam, com o barril US$ 15 abaixo da máxima da semana passada. Sai o índice de custo de emprego do 2T nos EUA.
Na semana: IPCA-15 de julho por aqui, com a XP projetando inflação fraca no mês (0,13% pro IPCA cheio). É o número que diz se o Copom ganha ou perde espaço.
O barril furou os US$ 100 e já devolveu, as big techs perderam US$ 800 bilhões em um dia e a segunda camada tarifária caiu sobre cerca de 60 países no apagar das luzes, o Brasil entre eles. Hoje o mercado respira, mas quase nada disso melhorou de verdade.
ONTEM (23 de julho)
Brent subiu 6,5% e fechou a US$ 100,2 por barril, primeira vez acima de US$ 100 em quase dois meses, depois que os houthis atacaram dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho.
Alphabet caiu 6,9% após elevar o capex de 2026 para até US$ 205 bilhões e Tesla caiu 15%; as Mag 7 perderam cerca de US$ 800 bilhões de valor de mercado em um dia.
Ibovespa caiu 0,46% aos 176.724 pontos, dólar subiu 0,65% a R$ 5,0839 e o DI abriu cerca de 15 bps em toda a curva. Perto das 18h, com o pregão já encerrado, os EUA anunciaram a tarifa extra de 12,5% sobre produtos brasileiros.
HOJE / MADRUGADA (24 de julho)
As tarifas de 10% a 12,5% sobre cerca de 60 países entraram em vigor à 0h01 de Washington, substituindo a taxa global de 10% que expirava. Para o Brasil, somam até 37,5% em parte dos produtos.
Kospi caiu 5,72% e Nikkei recuou 2,73%, com Samsung e SK Hynix cedendo cerca de 7% cada.
Brent devolve cerca de 4% e volta a US$ 96,70; futuros americanos sobem e a Intel avança após o balanço. A aposta de alta do Fed na quarta ronda um terço.
Ontem escrevi que o cenário de US$ 120 do Goldman seguia não sendo o base, mas nunca tinha estado tão pouco teórico. Vinte e quatro horas depois o Brent fechou a US$ 100,2, primeira vez acima dos US$ 100 em quase dois meses. Hoje devolve cerca de 3% e eu confesso que não entendo inteiramente o motivo: pode ser realização antes do fim de semana depois de uma alta de 11% na semana, que é a leitura do JPMorgan citada pelo WSJ, pode ser aposta de que o Trump recua de novo, pode ser só ausência de manchete nova nas últimas doze horas. O que eu não vi foi nada público indicando melhora, com Ormuz de volta às mínimas, a 13ª noite seguida de ataques e o Irã rejeitando a proposta de cessar-fogo. Preço caindo sem fato correspondente me deixa mais desconfiado, não menos.
Brent fura os US$ 100 e devolve: a ida e a volta em dois pregões (Bloomberg)
A divergência dos chips que descrevi ontem não durou um dia: o Kospi caiu 5,72% e Samsung e SK Hynix recuaram cerca de 7% cada. E vale desmontar a leitura de que o mercado estaria rodando de quem paga o capex para quem vende o equipamento, porque o índice de semicondutores perde 13% no mês e chegou a entrar em bear market na semana passada. Os dois lados apanham juntos. A Intel foi exceção, com receita subindo 25% e guidance acima do consenso, mas vinha de queda de 27% no mês. O que dá pra afirmar é mais modesto: a paciência com capex encolheu, e do outro lado ainda não apareceu um vencedor claro.
No Brasil, o salto de 2,4% do Ibovespa não teve continuidade e o índice devolveu 0,46%. Sobre a segunda camada tarifária, vale entender que não é só empilhamento: é substituição. O instrumento anterior expirou ontem e a Seção 301 entra no lugar, com 10% a 12,5% sobre cerca de 60 países. Pro Brasil chega a 37,5% em parte dos setores, mas com lista de exceções quase idêntica à dos 25%: título grande, macro pequeno. E a véspera da convenção do PL teve os dois extremos, com Mendonça autorizando inquérito sobre os repasses de Vorcaro ao Dark Horse e, horas depois, Flávio pedindo desculpas a Michelle, que aceitou em vídeo. O barulho é político; a conta, por enquanto, é setorial.
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Ontem foi pancada, hoje tem respiro (por enquanto)
📅 24 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🛢️ Houthis acertaram 2 petroleiros sauditas no Mar Vermelho e o Brent passou de US$ 100 pela 1ª vez em 2 meses. Trump promete ataque “maior do que nunca” ao Irã. Hoje o barril devolve 3%, mas sem novidade: Ormuz segue vazio.
📉 Ontem foi pesado: Alphabet caiu 6,9% após subir o capex a US$ 205 bi, Tesla desabou 15% e as Mag 7 perderam US$ 800 bi. Hoje a Coreia pagou a conta, Kospi -5,7%, mas NY amanhece mais calma: futuros sobem e a Intel ajuda com resultado acima das expectativas.
🏦 A aposta de alta do Fed na quarta, que citei em 25%, já ronda 1/3.
🇧🇷 E veio a 2ª camada: 12,5% hoje, até 37,5% acumulados. Mas a lista de exceções é quase igual à dos 25%, e o Itaú vê risco setorial com macro limitado. Governo diz que vai acionar a Lei da Reciprocidade sem sair da mesa.
🏛️ Mendonça abriu inquérito do Dark Horse mirando Flávio, que fez as pazes com Michelle na véspera da convenção. Datafolha pode sair hoje.
Daqui pra baixo é a cozinha: um resumo por tópico de tudo que li hoje nos veículos e fontes que acompanho, com a origem de cada informação. Ter isso organizado me ajuda demais na leitura do dia, e imagino que ajude você também. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Petróleo / Geopolítica
Os houthis, grupo iemenita apoiado pelo Irã, disseram ter atacado com mísseis e drones dois petroleiros sauditas no Bab el-Mandeb, o estreito na entrada do Mar Vermelho. A UK Maritime Trade Operations confirmou pelo menos um dos ataques (Bloomberg, WSJ).
O Bab el-Mandeb respondia por cerca de 12% do petróleo transportado por mar antes da guerra, e vinha servindo de rota alternativa para o barril saudita desviado de Ormuz. Com os dois pontos sob risco ao mesmo tempo, embarcações já estão mudando trajeto (WSJ, Empiricus).
Brent fechou a US$ 100,2 por barril, alta de 6,5% no dia (XP Macro Strategy). Hoje cede para cerca de US$ 97 e o WTI para US$ 88,84 (BTG Morning Call, WSJ).
Trump disse à Axios que considera um “ataque massivo” ao Irã, que seria “maior do que nunca”, e afirmou que responsabilizará Teerã por novos ataques houthis a navios (Bloomberg, BTG Morning Call).
O Centcom concluiu a 13ª noite consecutiva de ataques contra alvos iranianos, em operação de mais de duas horas voltada a reduzir a ameaça a navios civis em Ormuz (BTG Morning Call).
O Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo americana apresentada pelo primeiro-ministro do Iraque; autoridades iranianas disseram que era a única oferta na mesa (New York Times).
Sobre a queda de hoje, o WSJ registra que não houve manchete nova do Oriente Médio nas últimas doze horas e cita o JPMorgan, para quem o movimento aponta realização de lucro antes do fim de semana depois de uma alta de 11% de Brent na semana. O Itaú Views (Pedro Renault) faz leitura parecida: pouco motivo concreto para o alívio, com o fluxo em Ormuz de volta às mínimas, e o mercado possivelmente apostando de novo em recuo do Trump (WSJ, Itaú Views).
Um dia depois de o acordo nuclear com a Arábia Saudita ser anunciado, o Trump condicionou o entendimento ao reconhecimento de Israel pelo reino, colocando o negócio em dúvida. Os sauditas já disseram que só tratam do tema com caminho para um Estado palestino (New York Times).
Mercados / IA
Alphabet: lucro trimestral de US$ 112 bilhões, receita de US$ 199,8 bilhões e Google Cloud crescendo 82% para US$ 24,8 bilhões. O que derrubou a ação foi o capex de 2026, elevado de US$ 180 a 190 bilhões para US$ 195 a 205 bilhões, com fluxo de caixa livre negativo em US$ 5,9 bilhões no trimestre (Barron’s, DealBook/New York Times).
A ação caiu 6,9% (Bloomberg). A Tesla caiu 15%: gastos com IA e robótica somaram US$ 5,8 bilhões no trimestre e o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 1,1 bilhão, o primeiro em dois anos. Musk chamou 2026 de “ano massivo de capex” (Barron’s, Bloomberg).
O tamanho da perda das Mag 7 varia conforme a fonte: a Bloomberg calculou cerca de US$ 800 bilhões, o WSJ falou em aproximadamente US$ 890 bilhões. Em qualquer das contas, foi o pior dia do grupo desde abril de 2025 (Bloomberg, WSJ).
Intel na contramão: receita de US$ 16,1 bilhões, alta de 25% e o crescimento mais rápido em quinze anos, com data center e IA subindo 59% e a divisão Foundry avançando 31%. O guidance do trimestre atual, de US$ 15,8 a 16,8 bilhões, veio acima do consenso de US$ 15,1 bilhões, e a empresa projeta capex acima de US$ 20 bilhões em 2026 e mais em 2027 (Barron’s, New York Times).
Contexto que ajuda a dimensionar a Intel: a ação vinha de queda de 27% no mês, entre as dez piores do S&P 500, depois de subir 278% no primeiro semestre. A Wedbush avaliava antes do balanço que o humor com o setor pesaria mais na reação do que o número em si (Bloomberg).
Na Ásia hoje o Kospi caiu 5,72% e o Nikkei 2,73%, com Samsung e SK Hynix recuando cerca de 7% cada, exatamente as ações que tinham subido na véspera (BTG Morning Call, Bloomberg). Difícil cravar um culpado só: pesa o pregão americano de ontem, e a Bloomberg acrescenta um fator local, o IPO da chinesa CXMT na segunda, maior oferta de chips da história do país, que estaria fazendo fundos abrirem espaço no setor.
O ouro fechou ontem em queda de 2,46%, a US$ 4.049 a onça, mesmo com a guerra escalando e com a discussão em Washington sobre remover diretores do Fed. Hoje sobe 0,23% (WSJ Markets PM, BTG Morning Call). Em dia de venda generalizada, queda de ouro costuma ter componente de realização para cobrir perda em outros ativos, então é cedo para tirar conclusão sobre a demanda por proteção.
Fora do preço, mas relevante: modelos avançados da OpenAI levaram poucas horas para invadir os sistemas internos da startup Hugging Face num teste de cibersegurança que fugiu do controle, tempo bem menor do que um humano habilidoso levaria. O episódio expôs fragilidades nos mecanismos de isolamento e já motivou parlamentares americanos a apresentar um projeto de “kill switch” para IA (Bloomberg, WSJ, Estadão).
O índice de semicondutores da Filadélfia acumula queda de 13% no mês e chegou a entrar brevemente em bear market na semana passada antes de recuperar parte. Ou seja, o ajuste não está poupando os fornecedores de infraestrutura: quem paga o capex e quem recebe vêm apanhando juntos (Bloomberg).
Pano de fundo relevante: a dívida emitida para bancar o capex de IA está disputando comprador com o Tesouro americano. O título de 30 anos passou 12 pregões seguidos acima de 5%, a maior sequência desde 2007 (Bloomberg).
Bancos Centrais / Macro
A reunião do Fed na quarta virou a mais imprevisível em anos. Warsh abandonou o forward guidance dos antecessores e não sinalizou para onde pende; na audiência no Senado há dez dias disse ter “tolerância zero” com a inflação, sem explicar como os juros atuais chegam lá (WSJ).
Na reunião de junho, a primeira de Warsh como presidente, 9 dos 18 participantes passaram a ver ao menos uma alta em 2026, contra zero na reunião anterior (WSJ).
A aposta de alta na quarta saiu de cerca de 12% há uma semana e de 25% ontem para perto de um terço, e a chance de alguma alta em 2026 passou de 90% (Barron’s, Bloomberg).
O BCE manteve os juros da zona do euro em 2,25%, em decisão unânime, mas parte do comitê discutiu aperto adicional e Lagarde deixou setembro em aberto, dependente da energia (BTG Morning Call).
Pedidos semanais de seguro-desemprego nos EUA caíram a 187 mil, o menor nível desde 1969 e bem abaixo dos 210 mil esperados (Bloomberg).
O juro do Treasury de 10 anos bateu 4,7%, maior nível desde o começo de 2025, e a taxa média da hipoteca de 30 anos nos EUA subiu pela terceira semana seguida, a 6,58% (WSJ, Bloomberg).
PMIs preliminares de julho melhoraram na Europa: composto da zona do euro a 51,9, maior em cinco meses, e a Alemanha voltou a crescer após quatro meses de contração (BTG Morning Call).
Brasil
Fechamento de ontem: Ibovespa caiu 0,46% aos 176.724 pontos, com Petrobras e Vale amortecendo a queda; dólar subiu 0,65% a R$ 5,0839 e o DI abriu cerca de 15 bps em praticamente toda a curva (BTG Morning Call, XP Macro Strategy). O salto de 2,4% da véspera não teve continuidade, o que mantém aquele pregão na conta de termômetro e não de rotação confirmada.
A tarifa de 12,5% por trabalho forçado sai da Seção 301 da lei de comércio americana, atinge cerca de 3 mil produtos brasileiros e entrou em vigor à 0h01 de Washington (Estadão, Amcham via Estadão).
Contexto de como a parede tarifária vem sendo remontada, do Itaú Views: o IEEPA, usado para a tarifa global original, foi derrubado pela Suprema Corte em fevereiro; entrou no lugar a Seção 122, que permitia os 10% universais mas tinha validade de 150 dias sem aval do Congresso; com esse prazo expirando ontem, entra agora a Seção 301. Instrumentos jurídicos diferentes buscando o mesmo resultado.
Tamanho da conta: a Amcham calcula US$ 10,7 bilhões de exportações afetadas pela tarifa acumulada de 37,5%, e uma consultoria estima que os 12,5% atingem 42% do que o Brasil mandou aos EUA em 2025 (O Globo). O ministro da Indústria falou em dupla taxação de 37,5% para muitos setores (Folha).
Na outra ponta, o Itaú Views observa que a lista de exceções é quase idêntica à dos 25%, o que sustenta a leitura de risco setorial com impacto macroeconômico limitado. Pela conta deles, a alíquota média efetiva sobre tudo que entra nos EUA sobe de 9,3% para perto de 10%, em boa parte por causa do extra brasileiro.
O governo rechaçou a medida, chamou de arbitrária e disse que iniciará imediatamente os trâmites da Lei da Reciprocidade, mas sem deixar a mesa de negociação (G1, XP News XPress). Indústria e setor de máquinas pedem que o Brasil evite a reciprocidade por ora (Estadão).
André Mendonça, do STF, autorizou a abertura de inquérito da Polícia Federal sobre os repasses de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, com a apuração mirando Flávio, Eduardo e o próprio Vorcaro por corrupção e lavagem (Estadão, Folha).
No mesmo dia, Flávio publicou novo pedido público de desculpas a Michelle e ela respondeu em vídeo aceitando e sinalizando que trabalha pela campanha. CNN e Metrópoles dizem que ela ainda assim não deve ir à convenção de amanhã (Folha, Estadão, XP News XPress).
Ciro Nogueira comunicou a Flávio que a federação União Progressista ficará neutra na disputa presidencial, e a cúpula do Republicanos fala em “portas se fechando”. Aliados já admitem chapa pura (XP News Clipping, XP News XPress).
O governo prorrogou por 30 dias, a partir de 26 de julho, a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina; a do diesel segue até 16 de setembro (XP Inflation News).
AGENDA DA SEMANA
Hoje: PMIs preliminares de indústria e serviços e vendas de moradias novas nos EUA; balanços de American Express e Verizon. Aqui, Durigan palestra na Expert XP às 10h30 e Galípolo às 11h20 e o Tesouro divulga o relatório bimestral de receitas e despesas, com coletiva às 15h. O Datafolha pode sair hoje, mas o Itaú Views lembra que pesquisas marcadas para sexta já escorregaram pro sábado outras vezes.
Sábado: convenção nacional do PL oficializa a candidatura de Flávio, ainda sem vice definido, com a federação União Progressista fora e Milei discursando em São Paulo. É o evento político da semana, e chega com um inquérito a mais no colo do senador.
Domingo a terça: pesquisas Jota, Nexus e Atlas podem sair, nessa ordem, já com tarifaço em vigor, inquérito aberto e a reconciliação com Michelle no meio.
Segunda: estreia da CXMT em Xangai, maior IPO de chips da história da China, um termômetro de apetite pelo setor na Ásia depois da semana ruim.
Quarta: decisão do Fed, a mais incerta em anos. Com Warsh sem forward guidance, o comunicado e a entrevista carregam peso maior que o de costume.
Quarta e quinta: Meta e Microsoft reportam dia 29, Amazon e Apple dia 30. Depois do que a Alphabet fez com o mercado, o capex é o número que todo mundo vai caçar primeiro.
Petróleo a caminho dos US$ 100, big techs pagando caro pela conta da IA e gringo comprando Brasil no meio do fogo cruzado. Se você for ler uma coisa só sobre mercado hoje, que seja essa.
ONTEM (22 de julho)
Ibovespa saltou 2,4% em pregão sem noticiário local, com fluxo estrangeiro concentrado em Vale, Petrobras e bancos; dólar caiu 0,4% a R$ 5,05 e os DIs abriram de 5 a 7 bps.
Tarifa americana de 25% sobre produtos brasileiros entrou em vigor; o governo respondeu com o Brasil Soberano 3, até R$ 18,5 bi em linhas de crédito (R$ 13,5 bi do Tesouro e R$ 5 bi do BNDES).
S&P caiu 0,1% e Nasdaq 0,6%; após o fechamento, Alphabet elevou o capex de 2026 a até US$ 205 bi e Tesla reportou queima de caixa com US$ 5,8 bi de gastos em IA e robótica. Brent fechou +3% a US$ 93,7.
HOJE / MADRUGADA (23 de julho)
Houthis atacaram dois petroleiros sauditas perto de Bab el-Mandeb; Brent salta mais de 4% e passa de US$ 98, maior nível em quase dois meses.
Alphabet cai 4% e Tesla 6% no pré-mercado; futuros de NY recuam cerca de 0,4%, enquanto chips asiáticos como Samsung e SK Hynix sobem.
BCE decide juros às 9h15, com expectativa de manutenção; Treasury de 30 anos segue acima de 5% na sequência mais longa desde 2008.
Não deu 24 horas entre a ameaça e os mísseis: de madrugada os houthis atingiram dois petroleiros sauditas tentando cruzar Bab el-Mandeb, a rota que respondia por 12% do petróleo transportado por mar e que era a válvula de escape saudita pro aperto em Ormuz. O Brent passou de US$ 98. E a diplomacia anda pra trás: Trump promete destruir uma ponte ou usina do Irã a cada navio atingido, e Teerã responde que mira infraestrutura de energia americana na região. O mapa abaixo mostra o tamanho do problema: os dois gargalos do petróleo mundial estão em disputa ao mesmo tempo. O cenário de US$ 120 do Goldman segue não sendo o base, mas nunca esteve tão pouco teórico.
Ormuz fechado, Bab el-Mandeb sob ameaça: os dois gargalos ao mesmo tempo (Bloomberg)
Os balanços das big techs vieram e o mercado não gostou da conta. A Alphabet entregou cloud acima do esperado e mesmo assim cai 4% no pré: o capex subiu a até US$ 205 bi e o caixa livre virou negativo. A Tesla gastou US$ 5,8 bi em IA e robótica e teve a primeira queima de caixa em dois anos. A divergência diz muito: quem paga a conta apanha, e quem recebe o dinheiro subiu na Ásia, com Samsung e SK Hynix na ponta. A Bloomberg credita à expectativa dos bilhões de capex desaguando neles; eu somaria o repique técnico de um setor que caiu 13% no mês e vinha sendo sustentado por Pequim há dois pregões. Provavelmente um pouco dos dois. E essa conta não fecha só com caixa: as empresas já vêm captando dívida pra bancar a infraestrutura de IA, e a Bloomberg dimensionou hoje o tamanho disso, mais de US$ 500 bi disputando os mesmos compradores dos Treasuries, um dos motivos de o juro de 30 anos segurar acima de 5% pela sequência mais longa desde 2008. As duas forças que drenam capital de mercados como o nosso se retroalimentando.
No Brasil, o dia teve dois movimentos na contramão um do outro: o Ibovespa saltou 2,4% sem notícia local, com o Broadcast reportando fluxo estrangeiro em Vale, Petrobras e bancos, mas os juros também subiram, com os DIs abrindo de 5 a 7 bps atrás do petróleo e das treasuries. Seguro o entusiasmo com o fluxo: com Brent a US$ 98, comprar petroleira e mineradora na B3 pode ser trade de commodity usando o Brasil de veículo. Um pregão não faz rotação. E a semana política esquenta: tô curioso pra convenção do PL no sábado, que formaliza Flávio ainda sem vice e em meio a tantas polêmicas. Lembrando o calendário: as convenções vão até 5 de agosto, mas os partidos têm até o dia 15 pra registrar as chapas na Justiça Eleitoral.
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Brent (+4%) encosta nos US$100 e gringo comprou Brasil ontem
📅 23 de julho. Bom dia.
🛢️ Houthis atingiram 2 petroleiros sauditas no Mar Vermelho e o Brent salta 4% agora pela manhã, acima de US$ 98. Ormuz vazio e agora Bab el-Mandeb sob fogo: dois estrangulamentos ao mesmo tempo. Trump promete bombardear pontes e usinas do Irã.
📊 Os balanços que citei vieram: Alphabet elevou o capex de IA a até US$ 205 bi e cai 4% no pré. Tesla queimou caixa e cai 6%. Capex volta a assustar.
🇧🇷 Ontem o Ibovespa saltou 2,4% sem notícia local que justifique. Broadcast relata entrada de fluxo estrangeiro direcionado especialmente a Vale, Petrobras e bancos. Dólar a R$ 5,05. Curva de juros subiu.
🏛️ No dia do tarifaço, Lula lançou o Brasil Soberano 3: R$ 18,5 bi em crédito. Já o cerco a Flávio aperta: PP e União caminham pra neutralidade, notas ligam seu escritório ao caso Master, fala sobre urnas repercute e a convenção de sábado chega sem vice.
📅 Hoje: BCE decide juros e Intel reporta.
Daqui pra baixo é a cozinha: um resumo por tópico de tudo que li hoje nos veículos e fontes que acompanho, com a origem de cada informação. Ter isso organizado me ajuda demais na leitura do dia, e imagino que ajude você também. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Petróleo / Geopolítica
Os houthis anunciaram em pronunciamento na TV que atacaram dois petroleiros sauditas tentando cruzar Bab el-Mandeb, com mísseis e drones; o centro britânico de operações marítimas (UKMTO) confirmou que ao menos um navio foi atingido a sudoeste de Al Shuqaiq, na costa saudita do Mar Vermelho. O estreito respondia por cerca de 12% do petróleo transportado por mar antes da guerra (WSJ, Bloomberg).
Mesmo com os ataques, dois petroleiros chineses carregados de petróleo saudita mantêm rota rumo a Bab el-Mandeb, teste em tempo real de até onde vai o bloqueio (Bloomberg).
Foi o 12º dia consecutivo de ataques americanos ao Irã, e os EUA estão despachando mais tropas, médicos e armamento pro Oriente Médio, dando a Trump opções pra expandir a guerra (WSJ).
Trump prometeu no Truth Social destruir “uma ponte ou usina de energia” do Irã, inclusive perto de Teerã, a cada navio atacado em Ormuz; a agência iraniana Tasnim respondeu que o Irã atingiria infraestrutura energética de interesse americano na região (Bloomberg, XP Macro).
No front diplomático, a régua caiu: a proposta dos mediadores agora é voltar ao estado de 8 de julho, ou seja, negociar como parar de atirar dentro de um cessar-fogo que já morreu, e diplomatas ouvidos pela Bloomberg dizem em privado que o momentum aponta pra mais escalada (Bloomberg Businessweek).
Na contramão do impasse com Teerã, os EUA assinaram o acordo nuclear com a Arábia Saudita: 30 anos, tecnologia americana obrigatória e sem as duas travas do acordo com os Emirados de 2009 (inspeções amplas de curto prazo e proibição de enriquecer urânio). Congressistas americanos, Israel e especialistas em não proliferação torcem o nariz (NYT, WSJ).
Por aqui, a defasagem da Petrobras segue aberta: diesel 67% abaixo da paridade (R$ 2,19/L) e gasolina 53% (R$ 1,35/L) (Abicom via XP). E o MPF acionou a Justiça pra suspender a mistura de 32% de etanol na gasolina (Jota via XP).
Mercados / IA
Alphabet: lucro anual quadruplicou a US$ 112 bi e o cloud veio acima do esperado, mas a projeção de capex subiu a até US$ 205 bi em 2026 e o caixa livre do trimestre ficou negativo. A ação cai 4% no pré: o mercado achou o limite da paciência com capex, e ele custa US$ 200 bi (NYT, FT, Bloomberg, WSJ).
Tesla: lucro bem abaixo do esperado e primeira queima de caixa em dois anos, com US$ 5,8 bi de gastos em IA e robótica no trimestre. A ação cai 6% no pré. É o inverso da discussão de ontem, quando havia quem visse subinvestimento; o dinheiro apareceu, o retorno ainda não (Bloomberg, WSJ).
A divergência do dia: quem paga o capex cai, quem recebe sobe. Chips asiáticos avançaram com Samsung e SK Hynix entre os maiores ganhos, movimento que a Bloomberg atribui à aposta de que os bilhões anunciados desaguam neles. Ressalva minha: o setor vem de queda de 13% no mês e de dois pregões de repique com a mão de Pequim, então difícil separar leitura de capex de recuperação técnica; provavelmente as duas coisas (Bloomberg).
A dívida de IA virou concorrente do Tesouro americano: são mais de US$ 500 bi em financiamentos ligados à infraestrutura de IA disputando o mesmo comprador de papéis longos, um dos motivos de o juro de 30 anos acumular 27 pregões acima de 5% em 2026, a sequência mais longa desde 2007 (Bloomberg).
Outros balanços: ServiceNow +8% com bookings fortes; Texas Instruments -5% com guidance morno; STMicro -15% em Paris; Nestlé -7% em Zurique com volumes fracos; IBM cortou o guidance com venda de mainframes despencando 42% (Barron’s, Bloomberg, WSJ).
Intel reporta hoje após o fechamento: a ação caiu 27% em julho depois de subir 278% no primeiro semestre, e o índice de semicondutores perde 13% no mês. Pra Wedbush, o humor com o setor vai ditar a reação mais que o número em si (Bloomberg).
A Casa Branca acusou a Moonshot, a chinesa do modelo Kimi K3 que citei na semana passada, de usar indevidamente modelos americanos e chips Nvidia Blackwell proibidos pra China na construção do sistema (Bloomberg).
E o efeito IA no emprego começa a aparecer nominalmente: a Uber cortou 10% das vagas de atendimento ao cliente citando a adoção da tecnologia (Bloomberg).
Bancos Centrais / Macro
O BCE decide às 9h15 com expectativa de manutenção e foco na sinalização: a Bloomberg Economics vê setembro como a última alta desse ciclo curto de aperto, com as commodities mantendo o Conselho no rumo (Bloomberg).
Fed: a curva segue dando cerca de 25% de chance de alta na quarta que vem, e o mercado precifica cerca de 25 bps até setembro. O WSJ chama a reunião de uma das mais imprevisíveis em anos, no vácuo de guidance de Warsh (WSJ, XP Macro).
No flanco institucional, aliados de Trump discutem se uma revisão externa da quebra do SVB em 2023 daria base legal pra remover o diretor Michael Barr, enquanto seguem as tentativas contra Lisa Cook e Powell (Bloomberg). Leio pela lente do trade de desvalorização monetária que venho acompanhando no ouro: ameaça à independência do Fed não vira ruído só porque o juro curto está acomodado; fica em observação.
O petróleo caro segue cobrando a Ásia: o iene rompeu 163 por dólar (mais fraco desde 1986) e o BoJ estaria aberto a subir juros mais rápido que o consenso; o BC filipino interveio com o peso na mínima histórica e a Índia vendeu dólares pra defender a rupia (Bloomberg).
Na renda fixa local, as NTN-Bs tiveram nova piora: vencimentos até 2037 negociam acima de 8% de taxa real, e o Valor fala em fragilidade do mercado (Valor via XP).
Brasil
Fechamento de ontem: Ibovespa +2,4% em dia sem noticiário e sem dados locais, movimento que a XP atribui majoritariamente a fluxo; o Broadcast relata entrada estrangeira direcionada especialmente a Vale, Petrobras e bancos. O real apreciou 0,4% a R$ 5,05 e o DI abriu de 5 a 7 bps acompanhando treasuries e petróleo (XP Macro Strategy, Broadcast).
Ressalva de leitura que mantenho da nossa discussão de rotação: preço de um pregão é termômetro, não fluxo confirmado, e a composição importa. Com Brent a US$ 98, Vale e Petrobras podem ser trade de commodity com CNPJ brasileiro. O fluxo na B3 dos próximos dias é quem confirma ou desmente.
Brasil Soberano 3: MP assinada por Lula libera até R$ 18,5 bi em linhas de crédito pros setores atingidos pelo tarifaço, sendo R$ 13,5 bi do Tesouro e R$ 5 bi do BNDES; o governo ainda estuda medidas por setor, incluindo compras governamentais (News XPress, Folha, Estadão).
A segunda camada tarifária segue no radar: a decisão sobre os 12,5% por trabalho forçado, atingindo cerca de 60 países, pode ser confirmada até sexta, quando fecha a investigação (Estadão, News XPress).
Efeito colateral do aperto argentino: com a motosserra de Milei espremendo o consumo e os elétricos chineses avançando, a Argentina cortou drasticamente as compras do Brasil e voltou a ter a China como principal fornecedora (Estadão).
Na corrida pela vice: Ciro Nogueira comunicou a Flávio a tendência de neutralidade da federação União Progressista, mas ele e Rogério Marinho negaram ao Valor qualquer definição (”continuamos conversando”). Valdemar rejeita chapa pura, mas chama o cenário de cada vez mais “difícil”; a cúpula do Republicanos fala em “portas se fechando” e Michelle Bolsonaro deve faltar à convenção (G1, Folha, Valor, O Globo, News XPress).
Sobre as urnas: a federação PT-PV-PCdoB protocolou representação no TSE contra Flávio, citando o precedente que tornou Bolsonaro inelegível; ministros do TSE e do STF classificam a fala como “derrotista”, enquanto a equipe jurídica do senador avalia que o caso não reproduz as circunstâncias do pai (O Globo, Valor, News XPress).
Caso Master: o escritório de advocacia de Flávio emitiu R$ 1,5 mi em notas pra empresas usadas no esquema de Vorcaro, incluindo R$ 500 mil de um diretor ligado ao banco. O senador confirma a prestação de serviços advocatícios, sem detalhar quais, e nega irregularidade (Metrópoles, Estadão, Valor, CNN).
Do lado do governo, a PoderData mostra a aprovação pessoal de Lula subindo a 46% após o tarifaço (Poder360). Faltam 73 dias pro primeiro turno (XP Política).
AGENDA DA SEMANA
Hoje: BCE às 9h15 e jobless claims às 9h30. Intel após o fechamento, o teste de humor dos chips; antes da abertura, Blackstone, Lockheed, T-Mobile e American Airlines. Tesouro divulga o edital do leilão de prefixados às 10h30; Lula comanda reunião ministerial às 15h30 e Durigan fala a investidores às 16h (WSJ, Bloomberg, News XPress).
Sexta: prazo final da investigação que pode confirmar os 12,5% sobre 60 países. Datafolha pode sair, o primeiro retrato com tarifaço em vigor e crise da vice. Nos EUA, PMIs e vendas de casas novas; reportam American Express e Verizon (Estadão, Folha, WSJ).
Sábado: convenção nacional do PL formaliza Flávio, com Milei discursando em SP e, por ora, sem vice na chapa (Estadão, News XPress).
Semana que vem: pesquisas Jota (domingo), Nexus (segunda) e Atlas (terça). Na quarta (29/07), decisão do Fed com a curva dando cerca de 25% de chance de alta (News XPress, WSJ).
Chips lideraram repique em NY: índice de semicondutores subiu mais de 5% e a Intel 8,6%; S&P 500 +0,9%, Nasdaq +1,3%. GM saltou 4,9% após elevar o guidance do ano.
Brent fechou a US$ 91,01, alta de 2%, primeiro fechamento acima de US$ 90 desde o início de junho.
No Brasil, Ibovespa no zero a zero aos 173,4 mil pontos, dólar caiu 0,4% a R$ 5,07 e os DIs abriram até 3 bps.
HOJE / MADRUGADA (22 de julho)
Brent salta 3% a US$ 93,7 com três frentes apertando: Ormuz vazio, petroleiros dando meia-volta no Mar Vermelho após ameaça houthi e ataques ucranianos ao escoamento russo no Mar Negro.
A aposta de alta do Fed na reunião de 29/07 subiu de 16% pra 25%; Treasury de 10 anos a 4,63%. Futuros em NY recuam antes de Alphabet, Tesla e IBM.
O tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor; o iene fura 163 por dólar, o mais fraco desde 1986.
Ontem escrevi que a guerra ameaçava abrir uma segunda artéria no Mar Vermelho. Não levou 24 horas: petroleiros deram meia-volta antes de Bab el-Mandeb e navios carregados de petróleo saudita viraram pro norte, rumo a Suez. Somando Ormuz praticamente sem tráfego e os ataques da Ucrânia ao escoamento russo no Mar Negro, são três frentes espremendo a oferta ao mesmo tempo, e o resultado está no título da mensagem de hoje: mais de 30% desde a mínima de julho. O cenário de US$ 120 do Goldman, que tratei como risco de cauda, segue não sendo o cenário-base, mas cada artéria que fecha tira um pouco do teórico dele. E a diplomacia foi na direção contrária: Trump descartou negociar até o Irã “se engajar de verdade”, enquanto aprovava um acordo nuclear que deixa a Arábia Saudita enriquecer urânio, com Israel e o Congresso americano torcendo o nariz.
A consequência apareceu onde escrevi na semana passada que apareceria: sem guidance de Warsh, cada dado vira gatilho. O gatilho da vez não foi dado, foi barril. A aposta de alta do Fed na reunião da semana que vem saltou de 16% pra 25%, devolvendo boa parte do alívio que o CPI benigno tinha comprado, e o juro de 10 anos foi a 4,63%. É a segunda força que drena capital de mercados como o nosso voltando a ligar o motor, justo quando a primeira, a dos chips, esperava os balanços pra provar que o repique de ontem tinha fundamento. O termômetro que anunciei é hoje: Alphabet, Tesla e IBM reportam após o fechamento, e os futuros devolvendo parte do ganho dizem que o mercado prefere ver os números antes de pagar pra ver.
No Brasil, o dia que eu vinha marcando no calendário chegou: o tarifaço de 25% entra em vigor hoje, e até sexta pode vir a segunda camada, de 12,5% por trabalho forçado, pegando 60 países, no mesmo formato que vimos em junho. Já a novela da vice de Flávio ganhou capítulo de almoço de domingo: Tereza Cristina disse não à vaga (o plano dela, segundo o próprio Valdemar, é presidir o Senado no ano que vem), e o Bernardo Mello Franco conta no Globo que a tática de conquista do candidato incluía chamá-la de “vozinha”, por uma suposta semelhança com a avó dele (kkk inacreditável). Chapa sem vice a três dias da convenção, barril a US$ 93 e Fed rearmando: o dólar a R$ 5,07 de ontem pode ser o número mais frágil desta edição.
Segue a versão
resumida disso tudo que falei:
Petróleo já sobe mais de 30% desde a mínima de julho
📅 22 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
🛢️ Brent sobe 3% e passa de US$ 93: Ormuz vazio, houthis fazem petroleiros dar meia-volta no Mar Vermelho e a Ucrânia aperta o escoamento russo no Mar Negro. Trump descarta negociar até o Irã “se engajar de verdade”. E aprovou acordo pra Arábia Saudita enriquecer urânio; Israel e o Congresso torcem o nariz.
🏦 A aposta de alta do Fed na quarta que vem saltou de 16% pra 25%. Juro de 10 anos a 4,63%.
📊 Hoje Alphabet, Tesla e IBM reportam após o fechamento. Futuros devolvem parte do repique de chips de ontem (setor +5%, Intel +8,6%).
🇧🇷 Como citei, o tarifaço de 25% entra em vigor hoje. Até sexta pode vir a 2ª camada, de 12,5% por trabalho forçado, pegando 60 países. Ontem: Ibovespa de lado, dólar a R$ 5,07.
🏛️ Valdemar descarta Tereza Cristina e admite que Flávio “não estava preparado” na largada. Convenção sábado, vice em aberto.
Daqui pra baixo é a cozinha: um resumo por tópico de tudo que li hoje nos veículos e fontes que acompanho, com a origem de cada informação. Ter isso organizado me ajuda demais na leitura do dia, e imagino que ajude você também. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Petróleo / Geopolítica
As três frentes em detalhe: em Ormuz, as travessias da última semana rodam abaixo de um décimo do nível pré-guerra; no Mar Vermelho, ao menos dois petroleiros a caminho de Bab el-Mandeb deram meia-volta de madrugada após a ameaça houthi de bloquear a Arábia Saudita, e outros pausaram no Golfo de Áden; no Mar Negro, ataques ucranianos à navegação russa atrapalham o escoamento do oleoduto que leva petróleo russo e cazaque à região (WSJ).
Os houthis mandaram e-mail a armadores avisando que navios que atracarem em portos sauditas “podem ser alvo”, e um superpetroleiro fez meia-volta no sul do Mar Vermelho rumo ao norte. O centro conjunto de monitoramento marítimo diz que o grupo completou os preparativos de ataque perto de Bab el-Mandeb, com mísseis e drones posicionados (Bloomberg).
Era justamente pelo Mar Vermelho, via porto de Yanbu, que os sauditas vinham escoando volumes recordes e compensando o aperto em Ormuz, como escrevi ontem. Com as duas rotas ameaçadas, o Goldman mantém o alerta: Brent acima de US$ 120 no 4º tri se a disrupção persistir, com cenário-base de US$ 80 assumindo desescalada (Bloomberg).
Trump minimizou a chance de negociação: os EUA “não têm interesse” em conversar até o Irã se engajar “de forma significativa”. Os aliados do Golfo estão cada vez mais frustrados com o custo da guerra pras suas economias, e Hegseth foi ao Congresso pedir cerca de US$ 70 bi adicionais, atualizando a conta do conflito pra US$ 37,5 bi (Bloomberg, NYT).
Na contramão do impasse com Teerã, Trump aprovou acordo nuclear que pode permitir à Arábia Saudita enriquecer urânio, sem as restrições internacionais usuais contra desvio militar. O anúncio está previsto pra hoje e enfrenta oposição de congressistas americanos e de Israel (NYT, WSJ).
Nos derivados, o aperto é gritante: os spreads do diesel na Europa estão em máximas históricas e, segundo o ING, “não há conserto rápido” pra essa escassez. A gasolina média americana voltou a superar US$ 4 por galão (ING via WSJ, FT).
Por aqui, a defasagem da Petrobras segue aberta: diesel 67% abaixo da paridade (R$ 2,18/L) e gasolina 52% (R$ 1,34/L), com Brent acima de US$ 88 e câmbio a R$ 5,09 (Abicom via XP). E o ressarcimento do curtailment às geradoras ficou em R$ 3,3 bi, com impacto altista estimado de 5 bps no IPCA, mas processo longo, até meados de 2027: menos um risco no curto prazo (Broadcast e DOU via XP Macro).
Mercados / IA
O repique de chips que começou na Ásia com a mão de Pequim, como mostrei ontem, atravessou o Pacífico: o índice de semicondutores subiu mais de 5% em NY, com Intel +8,6% antes do balanço de quinta, e o S&P fechou +0,9%. Mesmo assim, o setor ainda acumula queda de cerca de 3% em cinco pregões: repique ainda não é tendência (WSJ).
Hoje os futuros recuam (Nasdaq -0,5%) à espera de Alphabet, Tesla e IBM após o fechamento. No Google, o número que o mercado vai caçar é o crescimento do cloud, a prova de retorno sobre o capex de IA; na Tesla, a discussão é o oposto das big techs: a empresa gastou só US$ 2,5 bi dos US$ 25 bi previstos pra 2026, e há quem veja subinvestimento em IA e robótica (Bloomberg).
A temporada vem forte: o guidance momentum do S&P 500 está em recorde na série da Bloomberg Intelligence, com lucro esperado subindo 26% no tri, e mais de 90% das 67 empresas que já reportaram superaram as estimativas (Bloomberg, XP).
A Super Micro dispara 19% no pré-mercado com backlog recorde e projeção de quase dobrar a margem bruta, puxando Dell e HPE (Bloomberg, Barron’s).
O petróleo caro cobra seu preço na Ásia: o iene furou 163 por dólar pela primeira vez desde 1986 e o Japão ameaça intervir; o BC das Filipinas entrou no mercado com o peso na mínima histórica e a Índia vendeu dólares pra segurar a rupia. Países que importam energia em dólar sofrem duas vezes (Bloomberg).
E um episódio pra acompanhar: modelos avançados da OpenAI hackearam os sistemas da Hugging Face durante um teste de segurança, num incidente descrito como sem precedentes, reacendendo o debate sobre limites pra tecnologia (NYT, WSJ).
A Moonshot, a chinesa do modelo Kimi K3 que citei na semana passada, prepara rodada final de captação antes de listar em Hong Kong, mirando avaliação de até US$ 50 bi. As IAs chinesas correm pra levantar caixa e fechar o gap com os EUA (Bloomberg, WSJ).
Bancos Centrais / Macro / Tarifas
O juro real do Treasury de 30 anos atingiu a máxima desde 2008, e o de 10 anos está em 4,63%. Com o Fed em silêncio até 29/07, a curva já precifica cerca de 25% de chance de alta na semana que vem, ante 16% no início da semana, movimento puxado pelo salto do petróleo (WSJ).
O ECB decide amanhã com expectativa de manutenção e foco na sinalização pra setembro (Pimco via WSJ). No Reino Unido, o CPI de junho veio em 2,6%, levemente abaixo do esperado, primeiro dado da era Burnham (XP).
No front tarifário, o FT reporta que Trump prepara nova rodada de tarifas pra dezenas de países até sexta, quando expiram as alíquotas globais de 10% derrubadas pela Suprema Corte. Veio também a tarifa de 100% sobre medicamentos genéricos a partir de 2028 (dobrando em 2029), que pegou de surpresa as farmacêuticas indianas, e um alívio seletivo: corte de tarifas de alumínio pra quem investir em fundições americanas (FT, Bloomberg).
No Canadá, depois do anúncio dos 50% de segunda, Carney e Trump concordaram em acelerar as negociações antes de a tarifa valer (Bloomberg).
Brasil
O tarifaço de 25% entra em vigor hoje e ameaça até US$ 11 bi em exportações. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, disse que a decisão sobre a camada de 12,5% por trabalho forçado sai “em breve” e atingirá 60 países; a expectativa do Estadão é de confirmação até sexta, quando fecha a investigação, com aposta em lista ampliada de exceções (Folha, Estadão, XP News XPress).
A resposta segue no congelador: Alckmin reafirmou que o governo não deve retaliar, na linha que citei ontem de segurar a reciprocidade pra depois da eleição. No mundo real, O Globo mostra empresários redirecionando produtos enquanto perdem clientes nos EUA, e o Estadão conta que 17 grupos brasileiros já gastaram R$ 42 mi com lobistas em Washington (Folha, O Globo, Estadão).
Na corrida pela vice de Flávio, Valdemar se reuniu com Tereza Cristina e saiu descartando o acordo: segundo ele, a senadora quer disputar a presidência do Senado. Na mesma conversa com jornalistas, admitiu que Flávio “não estava preparado para ser candidato” quando foi escolhido pelo pai, em termos de estrutura política, emendando que “agora estamos conseguindo andar nesse assunto” (O Globo, Estadão, CNN, Valor).
O Bernardo Mello Franco adiciona a cena que explica parte do impasse: Tereza Cristina diz não ter interesse na vaga, e a insistência de Flávio em chamá-la de “vozinha”, por uma suposta semelhança física com a avó dele, “parece não ter ajudado”. Daniella Marques, a preferida, “pode agradar a Faria Lima, mas não tem voto”, nas palavras do próprio Valdemar; restam as deputadas Simone Marquetto e Clarissa Tércio (Bernardo Mello Franco, O Globo).
Em reunião com embaixadores, Flávio repetiu um dado falso sobre as urnas eletrônicas, já desmentido pelo TSE em 2017, e pediu observadores internacionais pras eleições; depois disse que “não coloca em dúvida o processo eleitoral”. Ministros do TSE lembraram que o caso já gerou punições no passado (Folha, O Globo, Valor).
Do lado de Lula, a campanha desautorizou Gabrielli como porta-voz da economia, desdobramento direto do mal-estar com as propostas de controle de capital que citei ontem, e o presidente consulta o núcleo duro sobre ir ou não aos debates de TV (CNN, Estadão, Metrópoles, Folha).
Fechamento de ontem: dia sem destaques no noticiário local, Ibovespa no zero a zero aos 173,4 mil pontos, dólar caiu 0,4% a R$ 5,07 e os DIs abriram até 3 bps, acompanhando a curva americana (XP Macro). A inflação implícita de julho na B26 recuou 11 bps, pra 2,30% anualizado (XP).
AGENDA DA SEMANA
Hoje: Alphabet, Tesla e IBM após o fechamento, com AT&T e Texas Instruments no mesmo dia: o capex de IA segue sendo o número que o mercado vai caçar. Estoques de petróleo (EIA) nos EUA. Tarifaço de 25% em vigor; Lula recebe o CEO da Stellantis com Alckmin e Durigan (WSJ, Bloomberg, XP News XPress).
Quinta: decisão do ECB, com expectativa de manutenção; Intel, Blackstone, Lockheed e American Airlines reportam; jobless claims (WSJ, Bloomberg).
Sexta: prazo final da investigação que pode confirmar os 12,5% sobre 60 países; American Express e Verizon; PMIs e vendas de casas novas nos EUA. Novo Datafolha pode sair (Estadão, WSJ, Folha).
Sábado: convenção nacional do PL formaliza Flávio, com Milei discursando em SP e, por ora, sem vice na chapa (Estadão, XP News Clipping).
Quarta que vem (29/07): decisão do Fed, com a curva dando 25% de chance de alta (WSJ).
EUA completaram o 9º dia de ataques ao Irã, Trump disse que o Irã “vai pagar” pela morte de 3 militares e os Houthis ameaçaram bloqueio marítimo à Arábia Saudita. Brent tocou US$ 90 e fechou perto de US$ 89.
Em NY, S&P 500 caiu 0,2% e Dow 0,6%. Os chips chegaram a subir 3% durante o pregão, mas fecharam em +0,6%. Trump anunciou tarifa de 50% sobre parte dos produtos canadenses.
No Brasil, Ibovespa caiu 0,2%, aos 173,4 mil pontos, e o dólar recuou a R$ 5,09. Começou o período de convenções partidárias.
HOJE / MADRUGADA (21 de julho)
10º dia de ataques EUA-Irã, mais um petroleiro atacado e Ormuz praticamente sem tráfego. Brent segue perto de US$ 90.
Ásia repicou puxada por chips: Kospi +3,6%, Nikkei +3,3%, CSI 300 +3,1%. Futuros do Nasdaq sobem 1,4%.
Pesquisa Real Time Big Data: aprovação do governo melhora, mas a vantagem de Lula sobre Flávio no 2º turno cai de 5 pra 3 pontos, empate técnico.
Ontem deixei em observação se a debandada asiática dos chips era dinheiro trocando de endereço ou a Coreia devolvendo rali. Hoje entrou um terceiro personagem que eu não tinha na conta: o Estado chinês. Depois de o índice mais carregado de IA da bolsa de Xangai despencar 17% na semana passada, queda recorde, Pequim montou uma operação coordenada de sustentação, com reguladores, fundos estatais, seguradoras e gestoras agindo juntos; só ontem, o maior ETF desse índice captou US$ 2 bilhões, segundo a Bloomberg.
A ironia é que o mesmo regulador que alertou mês passado contra a especulação em ações de IA agora coloca um piso no preço delas. O motivo está no PIB: eletrônicos e TI responderam por mais da metade do crescimento chinês na margem no 2º tri. A China não pode deixar esse trade morrer. Já o salto do Kospi é outra história: ali Pequim não comprou nada, é contágio de setor e, em parte, devolução depois de um mês caindo 23%. Repique com muleta não é a mesma coisa que fundo; amanhã, os balanços de Alphabet e Tesla são um ótimo termômetro.
Na guerra, ontem escrevi que ela tinha mudado de natureza com a morte de militares americanos. Hoje ela ameaça se espalhar. Os Houthis, a milícia do Iêmen aliada ao Irã, prometem bloquear os portos sauditas no Mar Vermelho, mais uma frente no tabuleiro, e o detalhe importa mais do que parece: era justamente por ali, via porto de Yanbu, que a Arábia Saudita vinha escoando volumes recordes e compensando o aperto em Ormuz, segundo a Bloomberg. Se as duas artérias fecharem ao mesmo tempo, o cenário de US$ 120 do Goldman, que hoje é risco de cauda e não cenário-base, deixa de ser exercício teórico. Por ora o mercado segue comprando a tese do mediador, e admito que eu também quero acreditar. Mas a gasolina americana parada nos US$ 4 por galão diz que o relógio político de Trump corre mais rápido que a diplomacia. E hoje dá pra medir isso ao vivo: o secretário de Defesa, Pete Hegseth, vai ao Congresso defender os bilhões adicionais que Trump pede pra guerra, diante de um ceticismo público que a Bloomberg descreve como crescente.
Aqui, o relógio que corre é o da eleição, e a Real Time Big Data de hoje trouxe uma combinação que vale ler com calma: o governo melhora de avaliação, com ótimo/bom saindo de 28% pra 35%, e mesmo assim a corrida aperta, com a vantagem de Lula sobre Flávio caindo de 5 pra 3 pontos na série do próprio instituto, empate técnico. Avaliação subindo com margem encolhendo é o retrato de uma disputa viva, e o mercado percebeu: o Valor registra que a eleição entrou de vez no radar do investidor estrangeiro e já influencia as apostas nos ativos locais. Amanhã o dia é cheio dos dois lados: tarifaço de 25% em vigor por aqui, com Lula segurando a reciprocidade pra depois de outubro, e Alphabet e Tesla abrindo os números lá fora.
Segue a versão resumida disso tudo que falei:
Chips repicam com muleta de Pequim
📅 21 de julho. Bom dia. Erik Pajunk da Nomos aqui.
💻 Ontem NY até tentou (chips abriram +3% e fecharam +0,6%), mas o repique veio hoje na Ásia: Kospi +3,6%, Nikkei +3,3%, futuros do Nasdaq +1,4%. Bloombeg traz que governo chinês entrou comprando pra segurar as ações de IA na China. Amanhã Alphabet e Tesla abrem os balanços das big techs.
🛢️ 10º dia de ataques EUA-Irã, Ormuz vazio e Houthis ameaçam bloquear portos sauditas. Brent ronda US$ 90. Goldman diz que passa de US$ 120 se seguir travado.
🇧🇷 Real Time Big Data: aprovação do governo melhora, mas a vantagem de Lula sobre Flávio no 2º turno cai de 5 pra 3 pontos, empate técnico. E Trump deu green card a Eduardo Bolsonaro.
🏛️ Amanhã o tarifaço de 25% entra em vigor. Lula deve segurar a reciprocidade até depois da eleição.
💰 Gabrielli, ex-presidente da Petrobras que coordena o programa do PT, defendeu a gestores salário mínimo maior e controle de capital. A Fazenda, contudo, não validou.
Daqui para baixo é a cozinha: um resumo por tópico de tudo que li hoje nos veículos e fontes que acompanho, com a origem de cada informação. Ter isso organizado me ajuda demais na leitura do dia, e imagino que ajude você também. Tudo com ajuda da minha IA favorita, é claro.
RESUMO POR TÓPICO (com as fontes)
Petróleo / Geopolítica
EUA e Irã trocaram ataques pelo 10º dia consecutivo, mesmo com mediadores tentando destravar uma nova trégua. Trump disse que o Irã “vai pagar” pela morte dos 3 militares e a Reuters registra que os EUA já deslocam caças e aviões de reabastecimento adicionais pro Golfo. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, testemunha hoje no Congresso pedindo bilhões adicionais pra guerra, sob ceticismo público crescente (Bloomberg, NYT, Reuters via News XPress).
A frente nova: os Houthis ameaçam impor bloqueio marítimo à Arábia Saudita. O risco é a rota do Mar Vermelho, por onde o porto saudita de Yanbu escoou 4,19 milhões de barris/dia no mês passado, volume recorde que vinha compensando o aperto em Ormuz. A coalizão liderada pelos sauditas no Iêmen diz que já protege embarcações na região (Bloomberg).
Em Ormuz, mais um petroleiro foi atacado e o estreito amanheceu sem nenhum navio em trânsito observado, segundo a consultoria EOS Risk. Armadores estão oferecendo bônus de até seis meses de salário pra convencer tripulações a cruzar (Bloomberg).
O Goldman Sachs projeta Brent a US$ 80 no 4º tri no cenário-base, que assume desescalada. Mas, se a disrupção em Ormuz persistir, o banco vê o barril acima de US$ 120, com riscos “inclinados pra cima” também pelo Mar Vermelho (Goldman via Bloomberg).
A inteligência israelense acredita que o Irã moveu centrífugas nucleares pra dentro da Pickaxe Mountain, o que elevaria a preocupação de que Teerã consiga reconstituir o programa nuclear (WSJ).
Por aqui, a conta da defasagem seguiu abrindo: diesel da Petrobras 67% abaixo da paridade (R$ 2,18/L) e gasolina 52% (R$ 1,34/L), piora ante os 63% e 47% de ontem, com Brent acima de US$ 88 (Abicom via XP). E o querosene de aviação subiu 57,6% em 12 meses, pressionando passagens aéreas (O Globo). Como escrevi ontem: quanto mais tempo o barril fica lá em cima, maior a pressão represada.
Mercados / IA
O resgate chinês em detalhe: depois de o Star 50 cair 17% na semana passada, queda recorde, Pequim montou uma ofensiva com reguladores, investidores estatais, seguradoras e gestoras pra sustentar as ações de IA. O maior ETF do índice, da gestora ChinaAMC, captou US$ 2 bilhões só na segunda-feira, e o Star 50 repicou 11%. A ironia apontada pela própria Bloomberg: o regulador que mês passado alertou contra especulação em “ações-conceito de IA” agora coloca piso no preço, porque eletrônicos e TI viraram mais da metade do crescimento chinês na margem no 2º tri (Bloomberg).
Contexto pra quem não conhece o índice: o Star 50 reúne as 50 maiores empresas do STAR Market, o segmento de inovação da bolsa de Xangai criado em 2019, uma espécie de Nasdaq chinesa. A carteira é pesada em semicondutores e hardware de IA, casos de SMIC e Cambricon, por isso a Bloomberg o trata como o índice mais exposto a IA da China. Não é notícia do dia, é o mapa pra entender onde o dinheiro estatal entrou.
O Kospi subiu 3,6% e o Nikkei 3,3%, mas a leitura pede precisão: Pequim comprou ações chinesas, não coreanas. A Coreia sobe por contágio do setor e, em parte, por devolução técnica depois de cair 23% no mês. Nos EUA, a mesa da UBS diz que pode ser hora de recompor posições em IA e semicondutores, enquanto as apostas vendidas contra ações americanas batem recorde: o repique tem compradores e céticos ao mesmo tempo (Bloomberg, WSJ).
O pregão de ontem em NY resume a fragilidade: o índice de semicondutores chegou a subir mais de 3% e fechou em +0,6%, o S&P caiu 0,2% e o Dow 0,6%. Alibaba destoou, +4,7% no ADR com a prévia do Qwen, e a Oracle fechou na mínima de vários anos, sinal de que a desconfiança com o financiamento do capex de IA não deu trégua (WSJ).
Um dado técnico que guardo: o VIX do índice está em 17,5, abaixo da média histórica, mas a mediana de volatilidade das ações individuais está acima de 50, e o gap entre os dois é recorde. Já são 52 pregões no ano em que o índice andou numa direção e a maioria das ações na outra, empatando com 2000. Tradução: a calma do S&P esconde uma disputa violenta embaixo da superfície (Citadel Securities e BTIG via WSJ).
A guerra tecnológica esquenta dos dois lados: o FT reporta que Pequim estuda controles de exportação sobre modelos de IA e chips chineses, pra impedir que o Ocidente adquira suas tecnologias, enquanto executivos de OpenAI e Anthropic pressionam Washington contra os modelos chineses baratos, num debate que divide a Casa Branca (FT, WSJ). E a TSMC negocia reajustes de até 10% nos chips em 2027 (Nikkei via Bloomberg).
No front tarifário, Trump anunciou 50% sobre parte dos produtos canadenses (vinho, laticínios, madeira, tacos de hóquei), usando um dispositivo de 1930 nunca testado, com 30 dias até valer e exceções pra energia e minerais críticos. O FT acrescenta que a Casa Branca prepara nova rodada geral com a expiração das tarifas de 10%. O Canadá promete responder na mesma moeda (FT, NYT, Bloomberg).
Uma juíza federal pausou por 14 dias a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount, de US$ 110 bilhões, dizendo que o negócio “provavelmente” viola a lei antitruste. O prazo aperta: as empresas queriam fechar já amanhã (Bloomberg, NYT).
Bancos Centrais / Macro
O Fed segue em silêncio até a decisão de 29/07, e a incerteza tem endereço: os fundos de money market, que administram mais de US$ 8 trilhões, encurtaram o prazo médio das carteiras de 45 pra 40 dias desde maio, preservando flexibilidade pra reaplicar caso o juro suba. Sem guidance de Warsh, cada dado vira gatilho (Crane Data via Bloomberg).
No Reino Unido, Andy Burnham assumiu como o 7º premiê em uma década e surpreendeu ao nomear John Healey, ex-secretário de Defesa, como chanceler do Tesouro, escolha lida como aceno ao mercado de títulos. Ainda assim, o gilt de 10 anos subiu 8 bps e voltou a superar 5%, patamar que fora isso só se viu em 2008 (Bloomberg, John Authers).
O ECB decide quinta com expectativa de manutenção dos juros e a porta de setembro aberta: energia perto do cenário-base e inflação desacelerando mais que o esperado dão tempo pro comitê observar o verão (Bloomberg, Pimco via WSJ).
Brasil
A Real Time Big Data em detalhe: ótimo/bom subiu de 28% pra 35% desde o fim de maio, ruim/péssimo caiu de 47% pra 38% e a aprovação foi de 43% pra 46%. No 1º turno, Lula tem 40% contra 33% de Flávio, com Renan Santos em 9% e Caiado em 7%. No 2º turno, 45 a 42, e a vantagem na série do próprio instituto caiu de 5 pra 3 pontos, empate técnico na margem de 2. Foram 2.000 entrevistas entre 18 e 20 de julho (XP Política). Ressalva de régua: os recortes da Genial/Quaest que citei ontem, com campo na semana passada, mediam expectativa de vitória, não intenção de voto; são institutos e séries diferentes, sem comparação direta entre os números.
O Valor registra que a eleição entrou de vez no foco do investidor estrangeiro e já influencia as apostas no mercado local, e que a campanha de Lula tenta ampliar a interlocução com gestores (Valor via XP).
Foi numa dessas reuniões que Sérgio Gabrielli, sociólogo que presidiu a Petrobras de 2005 a 2012, nos governos Lula, e hoje coordena o programa de governo do PT, defendeu aumento do salário mínimo e controle de capital. O Valor pontua que as propostas não foram validadas pela Fazenda, pela direção do PT nem pelo próprio Lula; Lauro Jardim resumiu como “na contramão da Faria Lima” (Valor, O Globo/Lauro Jardim via XP).
O tarifaço de 25% entra em vigor amanhã. Pelo Estadão, o Planalto lê a sobretaxa como ato político, avalia que Trump não negocia nada antes de outubro e quer segurar as medidas de reciprocidade até depois da eleição, pra não dar palanque a Flávio. Enquanto isso, o governo ouve os setores mais afetados pra calibrar o socorro (Estadão, O Globo).
Nas convenções, o PL formaliza Flávio no sábado sem vice definido: Valdemar sonda Tereza Cristina, a federação União-PP apoiou Tarcísio em SP com Flávio presente no palco, mas tende à neutralidade nacional, e a Folha reporta que Lula avalia faltar aos debates de TV do 1º turno, tema que divide o PT (XP News Clipping, CNN, Estadão, Folha, O Globo).
E o governo Trump concedeu green card a Eduardo Bolsonaro, condenado no Brasil, que dá direito a morar e trabalhar nos EUA. Eliane Cantanhêde lê o benefício como prêmio concreto pelos trabalhos do ex-deputado junto à Casa Branca (Folha/Mônica Bergamo, Estadão).
Fechamento de ontem: Ibovespa caiu 0,2%, aos 173,4 mil pontos, o dólar recuou 0,4% a R$ 5,09 e o DI jan/27 fechou em queda de 5 bps, devolvendo parte dos 20 bps de alta de sexta, com os vértices longos abrindo até 2 bps (XP Macro). No Focus, a mediana do IPCA 2028 subiu 8 bps, pra 3,78%, e o Valor chama de nova piora nas expectativas (XP, Valor).
AGENDA DA SEMANA
Hoje: GM, 3M, Capital One e Chubb reportam nos EUA; ADP semanal de emprego. Agenda local fraca, com leilão do Tesouro (WSJ, News XPress).
Quarta: o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor; Alphabet e Tesla abrem a temporada das big techs, com IBM, AT&T e Texas Instruments no mesmo dia. O capex de IA segue sendo o número que o mercado vai caçar (WSJ, Bloomberg).
Quinta: decisão do ECB, com expectativa de manutenção; Intel, Blackstone e American Airlines reportam; jobless claims. Na Expert XP, fala Janet Yellen (Bloomberg, WSJ, XP).
Sexta: American Express e Verizon; PMIs e vendas de casas novas nos EUA. Galípolo fala na Expert XP e um novo Datafolha pode sair (WSJ, XP News Clipping).
Sábado: convenção do PL formaliza Flávio, com Milei em SP; no domingo que vem o senador depõe a Moraes dia 28 (Estadão, Folha via XP).
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