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Abramilho avalia que novo acordo sobre biomassa pode inviabilizar usinas de etanol em MT

19 de Junho de 2026, 18:31

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) afirmou nesta sexta-feira (19) que novas regras mais restritivas para o uso de biomassa para geração de energia nas caldeiras de usinas de etanol de milho poderiam inviabilizar novos investimentos e a expansão do setor, que está em franco crescimento no Estado.

Em ofício enviado ao Ministério Público e autoridades do governo de Mato Grosso contra um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) assinado entre as partes neste mês, a Abramilho afirmou ver com preocupação a eliminação, ainda que gradual, do “uso de biomassa oriunda de supressão vegetal legalmente autorizada para fins energéticos em Mato Grosso”.

O termo foi assinado após um inquérito aberto no final do ano passado para investigar eventuais ilegalidades na utilização da matéria-prima vegetal nas caldeiras.

O documento prevê a redução gradual do uso de biomassa oriunda de supressão de vegetação nativa nos próximos anos até a proibição total, em meados da próxima década. Além disso, cobra um plano para a expansão das florestas plantadas, que passariam então a ofertar matéria-prima para a geração de energia.

Mas, conforme manifestações da Abramilho e da indústria madeireira, o TCA enfrenta resistência no Estado, o maior produtor de milho e de etanol feito a partir do cereal no país.

“É importante deixar claro que o setor produtivo reconhece a importância da expansão das florestas plantadas, do manejo florestal sustentável e da construção de uma matriz energética cada vez mais renovável… No entanto, a forma e os prazos estabelecidos precisam considerar a realidade técnica, econômica e produtiva do Estado”, afirmou a Abramilho.

A entidade destacou que a “primeira preocupação” refere-se à exigência imposta a novos empreendimentos industriais, “que passariam a depender exclusivamente de fontes alternativas de biomassa”, sendo impedidos de utilizar biomassa de mata nativa.

“Na prática, tal condição pode inviabilizar novos investimentos, restringir a expansão da agroindústria e comprometer projetos importantes para a geração de emprego, renda e arrecadação em Mato Grosso”, observou a Abramilho, manifestando preocupação também com o cronograma para adoção da biomassa de florestas plantadas.

A Abramilho argumenta que a biomassa de supressão vegetal hoje utilizada em boa parte das usinas é legal, licenciada e autorizada pelo Estado. Se assim é “por que a madeira resultante dessa atividade não pode ser utilizada para gerar energia?”, questionou.

Como alternativa, a entidade propõe que todos os empreendimentos industriais — novos, em operação ou em expansão — possam utilizar biomassa proveniente de supressão vegetal legalmente autorizada pelos próximos seis anos.

A proposta leva em consideração que o eucalipto — principal alternativa de floresta plantada para ser usada na geração de energia — demanda aproximadamente seis anos para atingir idade adequada de colheita.

“Após esse período, passaria a ser exigida a utilização de biomassa oriunda de florestas plantadas, manejo florestal sustentável ou outras fontes legalmente admitidas”, defendeu a Abramilho.

O termo de compromisso assinado com o Ministério Público indicou metas de expansão de área de floresta plantada para 700 mil hectares ou mais até 2040, versus cerca de 200 mil hectares de eucaliptos em 2024.

Outro lado

Entidades que defendem a assinatura do TCA consideram que o Mato Grosso poderá enfrentar um “apagão” na oferta de biomassa de florestas plantadas, caso as medidas não sejam tomadas agora.

Em nota nesta semana, o presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), Fausto Takizawa, afirmou que “nenhuma indústria será paralisada ou afetada pelo TCA”.

“Foi exatamente para garantir que a transição da biomassa de supressão para a biomassa de reflorestamento ocorra de forma segura que o Ministério Público fixou o período de sete anos de intervalo”, disse.

“É tempo suficiente para que os grandes consumidores possam ampliar suas áreas plantadas e buscar novos contratos de fornecimento, se for o caso, adaptando o abastecimento sem alterar suas operações.”

Ele comentou também que o TCA organizou o cumprimento de regras que já eram obrigatórias pelo Código Florestal Brasileiro.

“Grandes consumidores de biomassa sempre precisaram comprovar que seu abastecimento era sustentável por meio do Plano de Suprimento Sustentável (PSS). A novidade é que o termo define como e quando essa comprovação deve ser feita em Mato Grosso”, afirmou.

A ‘joia’ da Inpasa que já revoluciona a pecuária do Brasil; ‘O mercado do etanol precisa trabalhar integrado’

7 de Março de 2026, 10:00

A Inpasa, maior produtora de etanol de milho da América Latina, tem no DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) um dos principais ativos para gerar valor além do biocombustível. O subproduto do processamento do milho vem ganhando espaço na nutrição animal no Brasil, sendo utilizado nas cadeias de suínos, aves, pecuária de leite e bovinos de corte.

Embora seja amplamente utilizado nos Estados Unidos, o DDGS chegou ao Brasil há cerca de sete anos, o que ainda cria desafios técnicos para sua inclusão nas dietas animais.

“O produto ainda é relativamente novo no país e existe um processo de aprendizado técnico para ampliar sua utilização”, afirmou Rafael Verruck, diretor de Trading de Mercado Interno, de Óleo e DDGS da Inpasa, em entrevista ao Money Times.

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(Foto: Divulgação)

A estratégia da companhia prioriza o mercado interno, mas as exportações também desempenham um papel importante para equilibrar a demanda ao longo do ano. No mês passado, a Inpasa realizou seu primeiro embarque de DDGS para a China.

“Em determinados momentos do ano, como agora, com um período maior de chuvas no Brasil, há mais disponibilidade de pasto, que é naturalmente mais barato e faz mais sentido para o pecuarista. Nessas fases de sazonalidade, nos voltamos mais para o mercado internacional para equilibrar as vendas. Hoje, mais de 95% das exportações de DDGs do Brasil são da Inpasa”, explicou Verruck.

As diferenças entre DDG e DDGS

Para 2026, a expectativa da Inpasa é produzir cerca de 3,3 milhões de toneladas de DDGS.

Segundo Verruck, nem todas as usinas produzem o mesmo perfil de farelo de milho no processo de fabricação de etanol, o que gera diferenças relevantes na composição nutricional dos produtos disponíveis no mercado.

“Hoje existem cerca de 14 tipos de farelos derivados do processo de etanol no Brasil, com variações de fibra, proteína e extração de óleo. Tudo isso impacta diretamente na formulação das dietas animais”, disse.

A diferença central está entre DDG e DDGS.

A maior parte das usinas brasileiras produz DDG (grãos secos de destilaria). Já o DDGS inclui a adição dos solúveis do processo, uma fração líquida rica em nutrientes que aumenta a concentração de proteínas, minerais, leveduras e energia.

Isso torna o produto mais completo do ponto de vista nutricional.

Para reforçar essa diferenciação no mercado, a Inpasa lançou a marca FortiPro, posicionando o produto como um ingrediente de alta performance para nutrição animal.

A grande revolução da pecuária brasileira

O avanço do DDGS e do DDG já começa a transformar a nutrição animal no Brasil, especialmente na pecuária de corte.

O ingrediente reúne proteína, fibra e energia, permitindo substituir parte de diferentes insumos utilizados tradicionalmente nas rações, como milho e farelo de soja.

“O farelo de soja é um excelente produto, mas o DDGS surge justamente dessa necessidade de tornar a pecuária cada vez mais eficiente. Com ele, é possível substituir diferentes ingredientes da dieta ao mesmo tempo”.

O produto, com alto teor de proteína, permite dietas mais baratas, conta com uma maior densidade nutricional e acelera o processo de engorda. 

“Hoje temos confinamentos que utilizam praticamente 100% de DDGS na dieta, mais núcleo de suplementação. Na pecuária de corte, não há uma limitação técnica rígida para o uso do produto”, disse.

Um dos desafios ainda está na adaptação das pesquisas e formulações às características do milho brasileiro.

Grande parte da literatura acadêmica utilizada no setor foi desenvolvida a partir do milho norte-americano, que possui características diferentes do cereal produzido no Brasil.

“O milho dos Estados Unidos é diferente do milho brasileiro. Aqui temos um milho mais duro, típico de clima tropical, e fizemos investimentos para otimizar nosso processo industrial”, explicou.

Essa diferença também aparece no teor de proteína do produto. Enquanto o DDGS produzido nos Estados Unidos costuma apresentar entre 28% e 30% de proteína, o produto da Inpasa é comercializado com mínimo de 32%.

Para ampliar as aplicações do ingrediente entre produtores, a empresa investe entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento, em parceria com universidades e centros de pesquisa.

O mercado do etanol

Na visão de Verruck, 2026 tende a ser um ano mais desafiador para o mercado de etanol, diante de margens mais apertadas no setor.

Segundo ele, fatores como o mercado de açúcar e dificuldades financeiras enfrentadas por algumas empresas também impactam a percepção do setor.

Apesar disso, o executivo avalia que o etanol de milho tem um papel complementar ao etanol de cana, ampliando a oferta e garantindo fornecimento ao longo do ano.

Ele também rejeita a ideia de uma competição estrutural entre as diferentes matérias-primas.

“Estamos vendo a abertura de novos mercados importantes, como o setor marítimo e o SAF (combustível sustentável de aviação). O mercado precisa trabalhar de forma integrada, independentemente da matéria-prima, para atender essa demanda crescente”, afirmou.

Além do milho e da cana, Verruck destaca o avanço de novas rotas produtivas, como o etanol de trigo no Sul do Brasil.

Segundo ele, o desafio agora é garantir fornecimento contínuo de biocombustível para atender a nova demanda global.

“Não é que a cana não consiga fazer isso, mas ela tem o desafio da safra, que concentra a produção em parte do ano. Os desafios internos de cada matéria-prima não podem ser uma métrica para separar o setor”, disse.

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