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Trump manda investigar frigoríficos e culpa empresas estrangeiras por alta da carne

8 de Novembro de 2025, 09:48

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que o Departamento de Justiça (DoJ) abra uma investigação federal sobre a indústria de processamento de carne. O mandatário acusa os grandes frigoríficos — em sua maioria de capital estrangeiro e incluem as brasileiras JBS e a Marfrig — de manipular preços e praticar cartel.

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que as empresas do setor estão “criminalmente lucrando às custas do povo americano” e pediu que o governo aja com rapidez.

“Estou pedindo ao Departamento de Justiça que aja de forma imediata. É preciso proteger os consumidores, combater monopólios ilegais e garantir que essas corporações não estejam se aproveitando do povo americano”, escreveu.

As declarações provocaram forte reação no mercado. As ações da JBS, maior empresa de carne do mundo e de origem brasileira, chegaram a cair 6,2% nas negociações pós-fechamento em Nova York na sexta-feira (7).

Preço da carne em alta e pressão política

Os preços da carne bovina no atacado nos EUA subiram 16% em 2025, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A disparada ocorre em meio à redução do rebanho americano, hoje no menor nível em sete décadas, resultado de secas prolongadas e custos crescentes de produção.

De acordo com Julie Anna Potts, presidente do Meat Institute, associação que representa os frigoríficos, as empresas estão operando com prejuízo, tendência que deve continuar em 2026.

“Os processadores de carne dos Estados Unidos estão abertos a um debate baseado em fatos sobre o preço da carne e como atender melhor os consumidores americanos, que são nossos principais interessados”, declarou.

A escalada do custo de vida tem sido o tema dominante nas recentes eleições americanas e contribuiu para vitórias democratas sobre os republicanos de Trump em disputas locais. Pesquisas apontam que os eleitores avaliam mal o desempenho do presidente na economia, levando seus assessores a prometer foco maior na redução de preços.

Setor de carnes vira novo alvo da guerra contra a inflação

O setor de carnes é o novo foco da ofensiva de Trump contra a inflação dos alimentos, que já elevou o preço da carne moída a níveis recordes nos supermercados. Apesar disso, especialistas afirmam que a recomposição do rebanho americano pode levar anos, o que indica que os preços devem continuar altos no médio prazo.

Trump direcionou as críticas às empresas estrangeiras, o que derrubou ainda mais as ações da JBS. A subsidiária de frango da companhia, a Pilgrim’s Pride, chegou a doar US$ 5 milhões à cerimônia de posse de Trump em 2017.

Outros frigoríficos, como a Smithfield Foods (controlada pelo grupo chinês WH Group) e a Tyson Foods, também registraram queda nas ações após o anúncio. Nenhuma das empresas comentou o caso.

Histórico de investigações e disputa comercial

Não é a primeira vez que Trump mira o setor. No fim de seu primeiro mandato, o Departamento de Justiça já havia aberto uma investigação antitruste sobre os frigoríficos, posteriormente mantida por Joe Biden, mas sem resultar em processo judicial.

Em 2022, Biden lançou um programa para permitir que produtores denunciassem práticas comerciais desleais da indústria.

Os frigoríficos vêm sendo criticados há anos pela alta concentração de mercado e já pagaram centenas de milhões de dólares em acordos por acusações de manipulação de preços.

Gail Slater, chefe da divisão antitruste do DoJ, respondeu ao anúncio de Trump com ironia:

“Encerrando a semana com uma nova missão. Obrigada por sua atenção a este assunto, senhor”, escreveu nas redes sociais.

Pressão dos estados rurais e impacto no mercado

A decisão também gerou reação entre aliados de Trump em estados agrícolas, que alertam que seu plano de permitir mais importações de carne argentina sem tarifa pode prejudicar os pecuaristas americanos.

Trump, no entanto, insiste que há algo de errado:

“Enquanto o preço do gado caiu, o da carne embalada subiu. Então, há algo ‘suspeito’ acontecendo”, afirmou.

Japão está perto de importar carne bovina brasileira, diz ministro

27 de Outubro de 2025, 13:48

O Japão está muito perto de importar carne bovina do Brasil, em uma medida que representaria mais um golpe para as exportações americanas.

“Está avançando rapidamente”, disse o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Favaro, à Bloomberg News, na Malásia, na segunda-feira (27). “Algo que estava parado há mais de 25 anos está agora muito perto de acontecer. Faltam apenas alguns detalhes.”

“O Japão é formado por consumidores de alta renda, mas é muito exigente”, disse Favaro. Uma das exigências era que o Brasil fosse declarado livre de febre aftosa, certificação obtida no início deste ano.

Favaro afirmou que o Brasil está na fase final do protocolo sanitário e que “uma vez concluído, o mercado será aberto”, o que ele espera que aconteça até o final do ano.

Brasil vende, Japão compra

O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, enquanto o Japão é um grande importador global que, até agora, depende principalmente do fornecimento dos EUA e da Austrália.

O acordo significa demanda adicional pela carne bovina brasileira, em um momento em que as vendas para os EUA caíram após as tarifas de 50% impostas pelo governo Trump.

Uma medida que permita a entrada de carne bovina brasileira no Japão também colocaria em risco os embarques rivais dos EUA, justamente em um momento em que os EUA enfrentam uma grave escassez de gado. Isso elevou os preços futuros do gado vivo a níveis sem precedentes neste ano e eliminou bilhões de dólares em lucros para os frigoríficos americanos.

Os comentários de Fávaro ocorrem após visitas de autoridades japonesas neste ano para inspecionar as condições dos animais no Brasil. O presidente Lula se envolveu diretamente nas negociações para acessar o mercado japonês em março, durante sua visita ao Japão. “O Brasil está pronto”, disse Lula na época.

“Seria ótimo para o Brasil, porque o Japão é um mercado premium — para o Japão é possível exportar cortes nobres de carne bovina”, disse Gilberto Tomazoni, CEO da fornecedora de carnes JBS, na segunda-feira, durante uma conferência em São Paulo.

Ainda assim, ele alertou que pode levar algum tempo até que as vendas para o Japão se recuperem, já que esse mercado demanda produtos de alta qualidade e normalmente leva tempo para construir essas relações comerciais.

Além disso, as negociações entre o Brasil e o Japão foram conduzidas sob o governo japonês anterior. Com o novo governo em Tóquio, o Brasil terá que retomar o diálogo.

Desde que Lula iniciou seu terceiro mandato em 2023, 466 novos mercados foram abertos para produtos brasileiros, segundo o Ministério da Agricultura. Em entrevista coletiva em Kuala Lumpur nesta segunda-feira (27), Lula disse esperar que esse número chegue a 500 até o final de seu mandato, em 2026.

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