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Preço da carne não para de subir. Para McDonald’s e Burger King, é hora de apostar em promoções

23 de Março de 2026, 06:00

Os lucros das maiores redes de hambúrguer dos Estados Unidos estão sob pressão — e, ainda assim, elas seguem apostando em descontos.

As marcas de fast-food vêm enfrentando o aumento acelerado no custo da carne bovina, que subiu 48% nos últimos 12 meses no atacado para o tipo de carne moída mais comum no setor, segundo dados federais.

Ainda assim, quando os americanos comem fora, mais consumidores estão optando por itens com promoções do que em qualquer momento dos últimos 50 anos, de acordo com a consultoria Circana.

A combinação de mais descontos com custos mais altos ameaça pressionar ainda mais as margens. No ano passado, a lucratividade média por restaurante do Burger King nos EUA caiu cerca de 10%. A Jack in the Box afirmou no mês passado que o custo da carne e vendas mais fracas reduziram os ganhos dos franqueados.

“Os dias de gastar mais de US$ 15 em uma refeição de hambúrguer ficaram para trás para nós, quando há opções melhores”, disse Josh Fulps, de 28 anos, que trabalha com gestão de patrimônio em Vancouver, Washington. Ele afirmou que, quando vai ao fast-food, busca religiosamente descontos no aplicativo do McDonald’s ou opta por combos promocionais como o Biggie Bag da Wendy’s.

Os preços da carne devem permanecer elevados, já que pecuaristas reduziram seus rebanhos ao menor nível em 75 anos e não têm pressa para expandi-los.

O movimento de queda no fluxo de clientes começou em 2024, levando McDonald’s, Taco Bell, Burger King e outras empresas a intensificarem as promoções. No ano passado, as redes de hambúrguer nos EUA lançaram cerca de 3.000 promoções — quase o triplo de 2019, segundo a Technomic.

Neste ano, as ofertas avançam ainda mais. O McDonald’s deve lançar no próximo mês um novo menu de US$ 3 ou menos, com itens como McDouble, batatas fritas ou hash browns, segundo pessoas familiarizadas com o plano. Essa será a quarta atualização nacional de ofertas de valor da rede em cerca de 21 meses.

“Vamos fazer o que for preciso para atender os consumidores de uma forma que também seja lucrativa para o nosso negócio”, disse o diretor financeiro do McDonald’s, Ian Borden, em entrevista em fevereiro.

As redes de fast-food registraram margem média de lucro de 4% no ano passado, pressionadas pela alta de custos, especialmente de mão de obra, segundo a National Restaurant Association. Em 2016, essa margem era estimada em 6,6%.

Segundo Jim Lewis, franqueado do McDonald’s por 32 anos até 2019, a rede deve conseguir lidar com o cenário graças ao alto volume de vendas, mas a guerra de descontos deve agravar os desafios de lucratividade para outras redes.

“O vencedor está indo bem, mas a categoria de hambúrgueres está sob pressão”, afirmou.

O Burger King mantém suas ofertas atuais de valor — US$ 5 por dois itens ou US$ 7 por três — como forma de dar flexibilidade entre hambúrgueres, acompanhamentos e sobremesas. A empresa diz estar confiante nos resultados dessas estratégias.

Outras iniciativas, como campanhas de marketing, reformas de lojas e melhorias operacionais, também têm ajudado a sustentar a rentabilidade dos franqueados em um ambiente desafiador.

Na Jack in the Box, o diretor de clientes e digital, Ryan Ostrom, afirmou que a marca tem lançado ofertas no momento certo, “não apenas quando os concorrentes fazem o mesmo”. Wendy’s e Jack in the Box disseram que seguem comprometidas em proteger a rentabilidade dos franqueados com investimentos em tecnologia e eficiência.

No mercado financeiro, as ações do McDonald’s subiram 0,9% no último ano, enquanto os papéis da controladora do Burger King, Restaurant Brands International, avançaram cerca de 9%. Já a Shake Shack caiu 1,8%, a Wendy’s recuou 53,8% e a Jack in the Box despencou 64,4%.

Para Greg Creed, ex-CEO da Yum! Brands (dona de KFC e Taco Bell), os descontos só funcionam se atraírem mais clientes sem comprometer a saúde financeira dos operadores.

“O futuro da marca depende do sucesso financeiro dos franqueados, não da saúde financeira da franqueadora”, disse.

As promoções ajudaram a conter a queda no movimento, embora os consumidores mais pressionados ainda não tenham retornado totalmente, segundo a Revenue Management Solutions. O tráfego melhorou ao longo de 2025, e as visitas em dezembro superaram o mesmo período do ano anterior, de acordo com a Technomic.

As redes de hambúrguer ainda lideram o fast-food nos EUA, com o dobro das vendas das cadeias de frango, mas segmentos como frango, café e comida mexicana crescem mais rápido.

Desde 2019, o número de restaurantes de hambúrguer no país caiu cerca de 6%, segundo a Datassential. Wendy’s e Jack in the Box estão fechando centenas de unidades.

Executivos do setor afirmam que, mesmo com preços mais baixos, promoções como “leve um, pague outro” e combos de US$ 5 ainda podem gerar lucro para as empresas e seus franqueados.

Jim Lewis lembra que ajudou a impulsionar o menu de US$ 1 no McDonald’s nos anos 2000, quando as vendas estavam fracas. A estratégia aumentou o fluxo de clientes — e também os lucros.

“Você pode tolerar muita dor se conseguir aumentar as vendas”, disse.

@investnewsbr

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O vídeo de 13 segundos que reacendeu a rivalidade entre McDonald’s e Burger King

5 de Março de 2026, 10:03

Bastaram poucas palavras murmuradas com a boca cheia de hambúrguer para Tom Curtis atingir seu maior concorrente.

“Só está faltando uma coisa”, disse o presidente do Burger King, limpando a boca com a mão após dar uma mordida em um dos Whoppers da rede. “Um guardanapo.”

O clipe de Curtis, publicado nos canais de redes sociais do Burger King nesta semana, tem cerca de 13 segundos. Foi tempo suficiente para marcar um ponto contra o McDonald’s, cujo vídeo do CEO comendo hambúrguer virou alvo de críticas e piadas online.

Foi uma jogada provocativa do Burger King, cujas vendas anuais nos EUA somam US$ 11,1 bilhões — muito abaixo dos US$ 55,1 bilhões do líder de mercado McDonald’s, segundo a empresa de pesquisa Technomic.

No momento, as duas redes promovem novos hambúrgueres. O Big Arch do McDonald’s foi lançado oficialmente nesta semana e, segundo a empresa, está ganhando impulso nas vendas graças à atenção recebida. Já o Burger King está promovendo uma versão atualizada do Whopper.

Nas redes sociais, ambas as redes tentaram transformar seus principais executivos em garotos-propaganda. Isso significa que tudo — das expressões faciais ao tamanho da mordida — é revisto, analisado ou ridicularizado por milhões de pessoas.

Foi o que o CEO do McDonald’s, Chris Kempczinski, descobriu nesta semana, quando um vídeo que ele gravou quase um mês antes sobre o hambúrguer Big Arch voltou a circular com força. E não de forma positiva.

Kempczinski publica reflexões sobre tendências alimentares, gestão e o cardápio da rede desde 2020. Muitas vezes aparecendo de seu escritório na sede do McDonald’s em Chicago, ele acumulou centenas de milhares de seguidores nas redes sociais.

Ele publicou seu vídeo sobre o Big Arch no início do mês passado. “Eu nem sei por onde começar. Meu Deus, tem muita coisa aqui”, diz Kempczinski no clipe. “Certo, momento da verdade. Mmm. Isso é muito bom. Essa foi uma grande mordida para um Big Arch.”

@tmz

McDonald’s just dropped the massive “Big Arch” burger — but even the Golden Arches’ top dog isn’t impressed 🤢🍔 🎥: Instagram/chrisk_mcd Full story at the link in bio.

♬ original sound – TMZ – TMZ

Enquanto comentava sobre as cebolas crocantes e o mix de sementes do pão, Kempczinski mostrou o hambúrguer de dois hambúrgueres em um close. Foi quando os comentários começaram a surgir: “Essa foi a menor primeira mordida que já vi.” “Parece um vídeo de treinamento sobre como comer hambúrguer.” Alguns também ironizaram o CEO por chamar o hambúrguer de “produto”.

Kempczinski publicou o vídeo do Big Arch em 3 de fevereiro. No início, quase nada aconteceu. Mas na última semana, contas de humor e de notícias nas redes sociais redescobriram o vídeo e fizeram suas próprias versões, dando nova vida ao clipe.

Enquanto o vídeo de Kempczinski acumulava milhões de visualizações e milhares de comentários, o Burger King entrou na conversa com seu próprio vídeo. Vestindo um avental, Curtis pega um Whopper de um balcão da cozinha, dá uma grande mordida e acena para colegas próximos, com molho no rosto e um largo sorriso.

“Achamos que valia a pena rever isso”, escreveu o Burger King na legenda.

Centenas de comentários apareceram rapidamente. “Parece um cara que realmente já trabalhou em um de seus restaurantes”, escreveu um usuário no Instagram.

Na terça-feira, o próprio McDonald’s entrou na brincadeira, publicando uma foto do Big Arch com o slogan “dê uma mordida no nosso novo produto”. A legenda dizia: “não acredito que isso foi aprovado”.

A confusão viral está ajudando o McDonald’s onde realmente importa: no caixa. “Estamos felizes que o Big Arch esteja chamando a atenção de todos, inclusive dos concorrentes”, disse uma porta-voz. “As vendas iniciais estão superando as expectativas.”

Na quarta-feira, a Wendy’s também entrou na disputa, com um vídeo do presidente da empresa nos EUA comendo quase metade de um hambúrguer e mergulhando uma batata frita em um Frosty.

Uma porta-voz do Burger King reconheceu que “o timing pode parecer rápido”, mas disse que o vídeo faz parte dos “esforços contínuos” da rede para promover o Whopper.

Curtis trabalha desde 2021 para revitalizar o negócio do Burger King nos EUA, reformando milhares de unidades e renovando o cardápio com itens como Whoppers com picles fritos.

No Burger King, Curtis é conhecido por passar tempo atrás dos balcões e nas cozinhas da rede — e mais recentemente, também diante das câmeras. A empresa o transformou em presença constante nas redes sociais, com ações como publicar seu número de celular e incentivar clientes a ligar para dar feedback.

No McDonald’s, o vídeo do Big Arch também ampliou a presença online de Kempczinski. Desde que publicou o clipe, o número de seguidores dele cresceu 30%, segundo a empresa.

O post sobre o Big Arch já reuniu mais de 134 mil curtidas no Instagram. “Foi uma estratégia de marketing impressionante”, escreveu um usuário. “Até outras redes de fast-food estão ajudando a chamar atenção para o novo produto de um concorrente.”

Escreva para Heather Haddon em heather.haddon@wsj.com e para Jacob Bunge em jacob.bunge@wsj.com.

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