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Housi mira R$ 6 bilhões em lançamentos em nova vertical voltada para saúde

25 de Abril de 2026, 09:00

Se até a Ambev já entendeu que o consumidor quer ser mais saudável, o mercado imobiliário não ficaria de fora. Depois de ver crescer 67% em 2025 o volume de cervejas zero álcool, sem glúten e de baixa caloria, a dona de marcas como Michelob Ultra, Corona Zero e Stella Artois Pure Gold surfa a onda das “escolhas balanceadas”. Agora, é a vez da Housi tentar capturar esse mesmo movimento no setor imobiliário: a proptech criou uma vertical de wellness e projeta lançar até R$ 6 bilhões em VGV nos próximos cinco anos.

Leia mais em: https://exame.com/mercado-imobiliario/housi-mira-r-6-bilhoes-em-lancamentos-em-nova-vertical-voltada-para-saude/

Meio milhão de famílias a mais: as mudanças no Minha Casa, Minha Vida que animam as construtoras na bolsa

25 de Março de 2026, 16:47

As mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida anunciadas na terça-feira (24) ampliam em até 24% a capacidade de compra dos participantes do sistema de financiamento de habitação popular com juros subsidiados. Isso significa uma inclusão potencial de até 500 mil de famílias na plataforma.

Esse avanço da base representa um impulso direto na geração de novos negócios para as construtoras — movimento que ainda não estava totalmente precificado nas ações. O mercado já especulava sobre a ampliação de limites, mas os ajustes feitos pelo Conselho Curador do FGTS vieram acima do esperado.

O mercado começou a incorporar esse novo cenário nesta quarta-feira (25), movimento refletido na alta dos papéis das incorporadoras.

Com a perspectiva de aumento dos negócios imobiliários em 2026, as ações de empresas com atuação nesses segmentos sobem até 8% nesta quarta-feira.

Por volta de 16h30, as ações ordinárias (ON) de MRV subiam 8%, enquanto os papéis da Tenda avançavam 2,46%. Já Cury e Direcional ganhavam, respectivamente, 3,26% e 1,14%.

Aqui é preciso fazer uma ressalva. A alta mais forte da MRV ocorre em parte por conta de um ajuste após a queda acentuada ocorrida no último mês. As ações ordinárias da companhia chegaram a cair 14% após a divulgação do balanço do quarto trimestre. O recuo ocorreu devido às preocupações com o alto endividamento e com os prejuízos da operação nos EUA, que estavam impactando a geração de caixa e os resultados gerais da empresa.

Mudanças no Minha Casa, Minha Vida

Mas o que mudou no Minha Casa, Minha Vida? O Conselho Curador do FGTS elevou tanto as faixas salariais elegíveis aos subsídios quanto os valores dos imóveis que podem ser adquiridos dentro do progama.

No caso das Faixas 3 e 4, as mais rentáveis e voltadas às famílias de classe média, os tetos de renda subiram R$ 1 mil em cada segmento para R$ 9,6 mil e R$ 13 mil.

Os valores de residências que podem ser financiadas aumentaram para até R$ 400 mil na Faixa 3 e até R$ 600 mil, no caso da 4.

Nos cálculos do Itaú BBA, os compradores agora elegíveis à Faixa 1 poderiam adquirir imóveis até 8% mais caros; na Faixa 2 teriam capacidade para pagar por unidades com preços 13% maiores; na Faixa 3, o avanço seria de 24%; e, na Faixa 4, de 17%.

Já o BTG Pactual calcula um aumento médio de 21% do ganho de poder de compra em cada faixa.

No caso da Faixa 4, os novos limites significam a inclusão de até 400 mil novas famílias elegíveis aos financiamentos só nesse segmento. O cálculo leva em conta os dados da PNAD contínua do IBGE. A pesquisa considera a classe média ou classe B um contingente de 11 milhões de famílias com rendas entre R$ 8 mil e R$ 24 mil mensais.



GPA: recuperação extrajudicial acende alerta em fundos imobiliários expostos ao grupo

11 de Março de 2026, 15:16

O pedido de recuperação judicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA) acendeu um alerta entre investidores de fundos imobiliários (FIIs). Isso porque tanto FIIs de tijolo, que investem em imóveis alugados para redes da empresa, quanto FIIs de papel, que compram CRIs ligados à companhia ou a operações estruturadas com seus imóveis, estão expostos à difícil situação da empresa.

O caso dos CRIs é mais dramático porque o impacto tende a ser mais direto, já que os fundos atuam como financiador dessas operações e ficam expostos ao risco de crédito do GPA – quer dizer, o risco da companhia não honrar seus débitos.

Parte das dívidas ligadas ao grupo já vinha sendo negociada no mercado com forte desconto, reflexo da percepção de risco crescente entre investidores e ao aumento da probabilidade de perdas mais relevantes para os credores.

Alguns títulos estavam a 60% do valor de face – ou seja, um papel que daria direito a receber R$ 100 no vencimento estava sendo vendido por aproximadamente R$ 60. Após o anúncio da reestruturação, o preço caiu para perto de R$ 25.

O que está em jogo?

Em um processo de reestruturação, é comum que credores tenham de fazer concessões. Isso pode incluir um haircut — quando o credor aceita receber apenas parte do valor da dívida — ou a conversão da dívida em participação acionária na empresa.

Para fundos que têm títulos de crédito ligados ao GPA, como CRIs, esse tipo de medida pode levar à desvalorização desses papéis e reduzir o patrimônio do fundo.

Segundo levantamento da EQI Research compartilhado com a reportagem do InvestNews, os fundos de papel com exposição ao GPA são:

  • XPCI11 (4,9%)
  • BTCI11 (4,3%)
  • MXRF11 (2,44%)
  • VRTA11 (2,19%)
  • KNIP11 (1,3%)
  • HGCR11 (1,25%)
  • AFHI11 (1,2%)
  • VGIP11 (0,76%)
  • CPTS11 (0,7%)
  • HSAF11 (0,44%)
  • VGHF11 (0,38%)

O quadro se torna mais delicado porque, mesmo com uma eventual renegociação das dívidas financeiras, o GPA ainda carrega um volume significativo de passivos tributários e trabalhistas, estimado em cerca de R$ 17 bilhões. Esse tipo de obrigação costuma ser mais difícil de reestruturar e, em muitos casos, não entra diretamente nos acordos com credores privados.

Alguns exemplos: o GPA estima desembolsos de cerca de R$ 389 milhões com processos trabalhistas, em sua maioria relacionados ao Extra Hiper, atualmente em fase de redução, segundo o balanço do quarto trimestre de 2025.

A companhia também prevê pagamentos de aproximadamente R$ 129 milhões referentes a acordos tributários, incluindo adesões ao Acordo Paulista e à Anistia da Bahia, entre outros compromissos.

Além disso, a empresa mantém discussões administrativas e judiciais sobre a apuração do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além de processos ligados à cobrança de eventuais diferenças nesses tributos.

Em outras palavras: mesmo com ajustes na estrutura de capital, a companhia ainda precisa lidar com um passivo relevante fora da negociação principal, fator que ajuda a explicar por que o mercado tem precificado a dívida da empresa com descontos tão expressivos.

E os FIIs de tijolo?

Já no caso dos FIIs de tijolo, aqueles que têm o Pão de Açúcar como inquilino, o impacto tende a ser mais limitado. Isso porque a recuperação extrajudicial mira exclusivamente credores financeiros e não afeta o funcionamento do dia a dia da companhia. Ou seja, despesas operacionais como fornecedores, salários e aluguéis seguem sendo honradas.

Entre os fundos de tijolo com maior exposição ao GPA estão GARE11, TRXF11 e RBVA11, que têm imóveis alugados para a companhia em seus portfólios.

De acordo com levantamento da EQI Research, o fundo mais dependente da receita proveniente do grupo é o GARE11. Ao todo, são sete contratos de locação, que respondem por cerca de 14% da receita do fundo, com prazos de vigência que ultrapassam duas décadas.

O TRXF11 também mantém uma relação relevante com a varejista, somando 19 contratos de aluguel. Esses imóveis estão distribuídos principalmente entre São Paulo e Goiânia, com destaque para unidades maiores localizadas em bairros como Vila Mariana (SP) e na cidade de São Caetano do Sul (SP). A participação do GPA na receita do fundo é de aproximadamente 8%.

Já o RBVA11 tem oito imóveis locados ao grupo, espalhados por três estados, com contratos válidos até 2029. Nesse caso, os ativos tendem a ter menor área bruta locável (ABL) em comparação com os demais fundos citados. Ainda assim, o GPA representa cerca de 8,1% da receita total do portfóli.o

O que o investidor deve fazer agora?

Diante do cenário, analistas recomendam cautela, mas não necessariamente uma reação precipitada por parte dos investidores. No caso dos FIIs de papel, o principal ponto de atenção é acompanhar se haverá impacto direto nos CRIs ligados ao GPA e eventuais revisões no valor desses ativos nas carteiras dos fundos.

Como esses títulos podem passar por renegociação ou sofrer desvalorização no mercado secundário, mudanças no valor patrimonial ou até nos dividendos distribuídos não estão descartadas.

Já para os FIIs de tijolo, a recomendação é observar a evolução da situação financeira da companhia e eventuais mudanças operacionais, como fechamento de lojas ou renegociação de contratos. Apesar de os contratos de locação com o GPA serem, em sua maioria, atípicos e de longo prazo, investidores devem monitorar o peso do inquilino na receita de cada fundo.

Não é um monitoramento simples para a maioria dos investidores, mas as informações costumam estar disponíveis nos relatórios gerenciais nos sites de cada gestora.

À espera da Selic: por que 2026 virou o ano-chave dos fundos imobiliários

24 de Dezembro de 2025, 06:00

O mercado de fundos imobiliários vive em um dos momentos de maior ansiedade em, pelo menos, quatro anos. Tudo por conta da perspectiva de queda de juros em 2026. E não é para menos: a redução da Selic pelo Banco Central vai impactar quase que diretamente o valor das cotas desses portfólios.

Para os fundos imobiliários listados na bolsa, a reação aos cortes de juros é um movimento muito mais rápido e direto comparado àquele que ocorre no mercado imobiliário físico. Nesse caso, o ciclo de redução da Selic atua por meio do aumento de demanda pelo crédito, com a diminuição dos custos de financiamento.

No caso dos FIIs, o mecanismo é outro. É que a remuneração dos fundos se assemelha, na prática, a dos títulos públicos atrelados à inflação – o Tesouro IPCA+ (NTN-B). Grosso modo, é como se a valorização do imóvel no longo prazo pagasse a inflação, e a renda mensal que o fundo deposita na conta se torne o ganho real, aquele além do índice de preços.

Como se trata de uma aplicação com risco maior do que o dos títulos do Tesouro, os investidores pedem um prêmio sobre o rendimento das NTN-Bs de vencimentos mais distantes. Quando há uma elevação na curva de juros futuros longos (como aconteceu em 2025), o mercado se ajusta, ou seja, o preço das cotas cai e o “yield”, que é a relação entre o retorno com dividendos e o valor da cota, sobe.

Quando acontece uma queda de juros, o movimento ocorre ao contrário: os valores das cotas sobem, mas os yields caem. Ainda que a Selic seja uma taxa de curto prazo, o movimento de redução tende a movimentar os juros mais longos. Isso porque as expectativas se ajustam às perspectivas de menor custo de financiamentos e melhora da atividade econômica, em meio a uma inflação controlada. E é justamente o que se espera para 2026.

A onda da valorização

O momento tende a ser favorável para quem busca ganhar com o movimento de elevação dos preços das cotas ao longo do próximo ano. De acordo com o CEO da Integral Brei, Vitor Bidetti, há uma oportunidade para investidores se posicionarem até o início do ano, se quiserem aproveitar o potencial ciclo de queda da Selic.

“Entendo que 2026 pode ser um período de virada do mercado. Em períodos anteriores, a gente sempre viu os imobiliários dando uma arrancada relativamente forte após o início do ciclo de queda de taxa de juros.”

Para a sócia e diretora de Investimentos Imobiliários da Rio Bravo, Anita Scal, “agora é o momento de o investidor entrar para conseguir surfar a valorização da cota, além de aproveitar o dividendo ainda alto”. A especialista, no entanto, alerta: quem esperar o cenário macroeconômico melhorar ou decidir se posicionar apenas depois de o BC fazer o primeiro movimento corre o risco de deixar a onda passar. “O investidor, simplesmente, pode perder essa janela.”

O futuro do Ifix

Os especialistas veem um rali em potencial para 2026, mesmo com o Índice de Fundos Imobiliários da B3 (Ifix) em território amplamente positivo neste ano. O referencial acumula alta de 19,65% até 22 de dezembro, quando se somam a valorização das cotas e os ganhos com dividendos. O desempenho ganha do CDI, mas perde do Ibovespa, que sobe 31,7% no período.

Scal, porém, observa que a elevação no ano, basicamente, reduziu os descontos médios vistos nas negociações na bolsa. Outro ponto importante é que o segmento tem pouquíssima participação de estrangeiros, ao contrário das ações que, até o momento, têm tido um desempenho puxado pelos recursos de fora.

Nesse cenário, se a queda de juros levar investidores a deixarem o conforto da renda fixa, parte desses recursos deve voltar para os FIIs. Um fluxo maior pode estender a alta do Ifix ao longo do próximo ano.

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A volta das ofertas?

Além disso, a perspectiva de um ritmo mais forte para a redução da Selic também anima os gestores. A mediana de estimativas da Focus coloca a Selic em 12,25% no fim de 2026. Isso representa um corte de 2,75 pontos percentuais no ano que vem. Como o BC vai fazer oito reuniões para decidir o rumo dos juros de janeiro a dezembro, teria de fazer cortes de, pelo menos, 0,5 ponto percentual em, pelo menos, metade desses encontros.

Outra aposta dos gestores é sobre a retomada de listagens de novos fundos na bolsa e um aumento das emissões, o que tende a ajudar a aquecer ainda mais o mercado. “Muitos fundos já estão se preparando para fazer follow-ons (ofertas subsequentes de cotas) ou para se listarem na bolsa”, diz Scal.

Bidetti, da Integral, enxerga a possibilidade de o mercado destravar as ofertas iniciais de novos FIIs (IPO) já no primeiro semestre de 2026. A abertura de capital de novos fundos na B3 está paralisada há mais de três anos,

Eleições no radar

O movimento de IPOs, porém, pode desacelerar na medida em que as eleições se aproximarem, no segundo semestre. Conforme a diretora da Rio Bravo, a volatilidade será pontual, mas tende a travar o mercado se for muito forte.

Essa instabilidade pode tornar os investidores mais cautelosos e segurar as captações, enquanto a incerteza persistir. “No momento em que sai uma pesquisa e o mercado não gosta, as cotas começam a cair e fica mais difícil sair uma operação.” 

O CEO da Integral lembra, porém, que o ciclo de juros será uma força mais duradoura e mais impactante para o mercado dos fundos imobiliários. “O ano eleitoral traz volatilidade maior do que em outros momentos, mas o mais importante é a tendência. O ciclo de juros vai durar 2026 inteiro e, provavelmente, se estender até 2027. Depois das eleições, será mais significativo saber se os juros vão cair para um dígito.”

Nova regra do FGTS: uso para imóveis de até R$ 2,25 milhões é liberado; veja o que muda

27 de Novembro de 2025, 12:40

O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou a liberação do uso do fundo para compra de imóveis de até R$ 2,25 milhões, corrigindo uma distorção que impedia parte dos compradores de acessar o benefício. A medida vale tanto para contratos antigos quanto para recentes. A seguir, veja o que muda com a nova regra do FGTS.

A mudança acompanha o reajuste feito anteriormente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que elevou o teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), modelo de financiamento que permite o uso do FGTS, de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.

Na prática, o FGTS passa a acompanhar o mesmo teto do SFH para todas as operações.

Nova regra do FGTS: quem será beneficiado

A ampliação beneficia especialmente:

  • famílias de renda média e média-alta nas grandes capitais, onde imóveis acima de R$ 1,5 milhão são comuns;
  • quem comprou imóveis recentemente, dentro do novo teto, mas estava impedido de usar o FGTS;
  • mutuários que desejam reduzir a entrada, quitar parte do financiamento ou diminuir o valor das parcelas;
  • o mercado imobiliário, que deve registrar maior movimentação no FGTS, estimada em cerca de 1%, segundo o Conselho.

Regras que continuam valendo

Apesar das mudanças com a nova regra do FGTS, permanecem as exigências tradicionais:

  • o comprador precisa ter pelo menos três anos de trabalho com recolhimento ao FGTS (não precisam ser consecutivos);
  • o imóvel deve ser urbano e para uso próprio (moradia);
  • não é permitido ter outro imóvel residencial na mesma cidade onde a pessoa vive ou trabalha;
  • não pode haver outro financiamento ativo pelo SFH;
  • só é possível usar o FGTS novamente três anos após a última utilização;
  • o financiamento pode cobrir até 80% do valor do imóvel, conforme regra recente do CMN.

Por que a mudança era necessária

O aumento do teto do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) — de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões — criou um problema: as regras do FGTS não foram atualizadas simultaneamente. Isso deixou muitos compradores em uma situação injusta.

Imagine duas pessoas comprando o mesmo imóvel, pelo mesmo valor, nas mesmas condições. Mesmo assim, até agora elas eram tratadas de formas diferentes.

Isso acontecia porque:

  • antes de 2021, o limite de valor do imóvel para usar o FGTS no SFH era R$ 1,5 milhão e valia para todo o Brasil;
  • em 2021, o CMN elevou o teto do SFH para até R$ 1,7 milhão em regiões específicas, como São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal — mas esse valor regional não foi incorporado às regras do FGTS.

O resultado foi um descompasso:

  • contratos assinados antes de 2021 — dentro do teto nacional de R$ 1,5 milhão — permitiam o uso do FGTS;
  • contratos assinados depois de 2021, mesmo respeitando o novo limite regional de R$ 1,7 milhão, não podiam usar o FGTS, porque o fundo não havia atualizado suas normas.

Ou seja, mesmo que o imóvel estivesse dentro do valor permitido após 2021, o FGTS não reconhecia o teto maior. Isso criou a situação em que duas pessoas, comprando o mesmo imóvel, por valores dentro das regras do SFH, tinham direitos diferentes só porque assinaram em anos distintos.

Segurança jurídica

Em resumo, a nova regra do FGTS elimina essa distorção e unifica os limites para todos: qualquer trabalhador pode usar o fundo para imóveis de até R$ 2,25 milhões, independentemente da data do contrato. De acordo com especialistas, isso traz mais segurança jurídica, reduz interpretações diferentes e padroniza o tratamento entre consumidores, bancos e incorporadoras.

A expectativa é que a nova regra do FGTS aqueça o setor imobiliário, especialmente em grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, onde imóveis mais caros são comuns e o uso do FGTS pode facilitar a entrada e as condições de pagamento.

Perguntas e respostas sobre a nova regra do FGTS

A seguir, confira as principais dúvidas sobre a nova regra do FGTS.

Qual é o novo limite de valor para usar o FGTS?

R$ 2,25 milhões, mesmo limite do SFH.

    A mudança vale para contratos antigos e novos?

    Sim. A regra agora é igual para todos.

      Posso usar o FGTS para amortizar, quitar ou reduzir parcelas?

      Sim. Continua possível usar o FGTS para entrada, amortização, quitação ou redução de até 80% das parcelas em 12 meses.

        Ainda preciso ter três anos de contribuição ao FGTS?

        Sim. Essa exigência não foi alterada.

          Posso usar o FGTS mesmo tendo outro imóvel?

          Não, se o outro imóvel estiver na mesma cidade onde você mora ou trabalha.

            A nova regra do FGTS já estão valendo?

            A medida entra em vigor após a publicação da resolução do Conselho Curador do FGTS, que formaliza a decisão aprovada.

            A mudança traz risco ao fundo?

            Segundo o Conselho, o aumento de movimentação previsto é pequeno, cerca de 1%.

              O financiamento continua com entrada menor?

              Sim. O SFH agora permite financiar até 80% do valor do imóvel.

                Crédito imobiliário: é melhor quitar o financiamento ou investir?

                13 de Outubro de 2025, 18:28

                Quem pegou um financiamento imobiliário em meados do ano passado obteve uma taxa de juros de 10,5% ao ano. Hoje, com a Selic onde está, um fundo de investimento que renda 100% do CDI está pagando 15% ao ano. Com esses números, a resposta sobre o que fazer com o dinheiro parece óbvia: investir. Afinal, a diferença, o spread, é de 4,5 pontos percentuais a seu favor. Mas essa conta simples desconsidera diversas variáveis que podem mudar completamente o cenário.

                O primeiro ponto a se considerar é o imposto. Um investimento em um produto 100% do CDI – tipicamente via fundos de investimento com taxa de administração zero que compram o Tesouro Selic ou a compra direta do título – paga, no mínimo, 15% sobre o rendimento. E isso só se você ficar com o produto por mais de dois anos (720 dias, para ser exato). Antes disso, vai pagar bem mais, com alíquotas variando entre 22,5%, 20% ou 17,5%.

                Partindo da premissa que você teve a disciplina para chegar aos 15% de IR, os 15% de rendimento anual caem para 12,8% a.a. líquidos. Lembrando: em uma aplicação sem taxa de administração. Em um produto que cobre mesmo uma taxa pequena, como 0,3% a.a., o rendimento cai mais, para 12,5% a.a. – e a administração é uma cobrança traiçoeira, porque recai sobre todo o investimento, e não só sobre o lucro.

                Voltando ao caso do financiamento, a conta não pode ser feita apenas considerando os 10,5%. Nos contratos, além da taxa acordada, a taxa referencial (TR) entra para corrigir os contratos. Quando a TR é zero, nada acontece; quando sobe, o valor da dívida é atualizado pela taxa. Hoje, ela está em 0,81% a.a. Ou seja: você paga para o banco 11,3% pelo financiamento (é só somar 10,5% aos 0,81%).

                Agora sim. Com esse exemplo, dá para ver que o spread ainda existe: 1,5 ponto percentual a favor de investir. Em outras palavras, manter o dinheiro aplicado a 100% do CDI pode fazer mais sentido do que amortizar, desde que as taxas do fundo, se existirem, forem baixas e desde que a TR não suba mais. Se o custo total do financiamento (a taxa contratada + TR) ficar acima dos 12,8% a.a., a conta se inverte: valerá mais quitar o saldo devedor.

                Na ponta do lápis

                A conversa sobre financiar ou não imóveis voltou a ser considerada depois do anúncio, na semana passada, das novas regras para o setor, que abriram o acesso para uma camada maior da população: famílias com renda mensal acima de R$ 12 mil terão acesso à linha de crédito que tem como teto 12% ao ano.

                Vamos pensar em um exemplo, em que uma pessoa ganha R$ 30 mil por mês e tenha vendido um apartamento de R$ 1 milhão. Além disso, essa pessoa tem outro R$ 1 milhão investidos e quer comprar um apartamento de R$ 2 milhões. Lembrando que um investimento em um produto 100% do CDI rende mais do que o custo do financiamento imobiliário no nosso cenário hipotético: são 11,3% a.a. contra um investimento em CDI, líquido de impostos, em 12,8% a.a.

                Você pode dar R$ 1 milhão de entrada e ir pagando o financiamento com o salário. O outro milhão você poderia pensar em destinar a um ativo de maior risco, para obter maior rentabilidade, como no mercado de ações. Essa, porém, é a pior escolha possível: você estaria usando um dinheiro que não é seu (você deve R$ 1 milhão para o banco) para especular. Não há nenhuma garantia de que haverá rentabilidade suficiente para fechar a equação.

                Considerando o cenário hipotético, então, a conta correta seria não quitar o apartamento, manter o financiamento, mas investir o excedente em um produto 100% do CDI, com baixíssimo risco – nada de renda variável, CDBs com mais de 100% do CDI (porque envolvem mais risco de crédito) ou outros ativos voláteis.

                Se você tivesse quitado o imóvel nesse contexto que criamos, você “ganharia” 11,3% a.a., que é o custo evitado do financiamento. Isso dá 75% do CDI bruto. Bem ruim, já que você poderia estar ganhando 12,5% a.a. líquido.

                Cuidado com a liquidez

                A conversa sobre quitar ou não um imóvel tem um componente adicional extremamente importante: a liquidez que o investidor tem para resgate imediato. É a famigerada reserva de emergência, que corresponde a um valor que varia entre seis meses e um ano do custo fixo mensal da pessoa. O montante varia conforme o nível de conservadorismo: tem aqueles que optam por uma reserva menor ou maior. O importante é ter – e ela também só vale para produtos 100% do CDI, de baixo risco.

                Com isso, podemos concluir o exemplo. Pensando no salário de R$ 30 mil e uma reserva de 12 meses, temos R$ 360 mil. O que vale, nesse caso, é dar R$ 1,64 milhão de entrada e financiar o restante do apartamento de R$ 2 milhões.

                O valor de R$ 360 mil vão render o equivalente ao CDI, o que dará cerca de R$ 3,8 mil líquidos – estamos considerando os 12,8% a.a. sem taxa de administração. A disciplina nesse caso deve valer para as retiradas de recursos: sacar todo esse montante mês a mês fará você perder poder de compra, por causa da inflação, hoje ao redor de 5%. Ou seja: o ideal é retirar somente 60% do montante, ou R$ 2,3 mil.

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