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Em depoimento, tenente-coronel que matou esposa disse ter “testosterona de jovem”

27 de Abril de 2026, 21:26
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, ao lado de sua esposa, Gisele Alves Santana
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a soldada e sua esposa, Gisele Alves Santana. Foto: Reprodução

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, acusado de matar a mulher, a soldado Gisele Alves Santana, de 32, alegou em depoimento ter nível de testosterona equivalente ao de um jovem entre 16 e 21 anos. A declaração foi dada ao tratar da pressão por relações sexuais apontada no inquérito.

Segundo o relato, o oficial citou exames feitos no fim de janeiro que teriam indicado testosterona em 939. Ele afirmou que o índice foi alcançado “sem reposição hormonal”. O Metrópoles também informou que o militar falou em libido “altíssima” durante depoimento à Polícia Civil.

Mensagens extraídas do celular de Gisele mostram que Geraldo tratava a vida sexual do casal como contrapartida pelo fato de pagar despesas do apartamento onde os dois moravam, no Brás, em São Paulo. “Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo”, escreveu ele em uma das conversas analisadas pela polícia.

Gisele rejeitou a cobrança e respondeu que não aceitava trocar sexo por moradia. “Por mim, separamos. Não vou trocar sexo por moradia. Ponto final”, afirmou em mensagem citada na investigação. Para a polícia, as conversas indicam desgaste no relacionamento e pressão do oficial contra a vítima.

A soldado morreu em 18 de fevereiro, dentro do apartamento do casal, com um tiro na cabeça. A primeira versão apresentada por Geraldo foi a de suicídio, mas a investigação mudou de rumo após perícias apontarem sinais incompatíveis com essa hipótese.

Laudos indicaram que a cena do crime foi alterada e que Gisele apresentava sinais de esganadura e luta corporal antes do disparo fatal. O laudo sexológico apontou indícios de relação sexual em período próximo à morte, contrariando a versão do tenente-coronel de que o casal não mantinha relação conjugal.

Geraldo Leite Rosa Neto está preso preventivamente e responde por feminicídio e fraude processual. A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo abriu procedimento que pode levar à expulsão do oficial da corporação.

“Vou tomar banho”: as frases inusitadas do tenente-coronel após a morte da esposa PM

22 de Março de 2026, 08:51
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aparece sem camisa no corredor do apartamento. Foto: Divulgação

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de assassinar sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, foi preso após uma série de comportamentos considerados “atípicos” e “gélidos” durante a investigação de sua morte. A soldado foi encontrada baleada na cabeça em 18 de fevereiro, e o oficial, que inicialmente alegou suicídio, é agora suspeito de feminicídio e fraude processual. “Irmão, é tiro de .40”, disse Neto, com frieza, ao ser informado sobre o estado de saúde de Gisele, que ainda apresentava sinais vitais na ocasião. Com informações do Globo.

O comportamento de Neto, registrado por câmeras corporais da polícia, gerou desconfiança. O oficial insistiu em tomar banho, mesmo após ser alertado sobre o risco de destruir provas, como resíduos de pólvora nas mãos. “Eu sei o que estou falando… eu vou tomar banho, irmão!”, afirmou. Além disso, Neto demonstrou irritação quando percebeu que os policiais haviam alterado a disposição do quarto, questionando: “Quem foi que fez isso?”. Esse comportamento, somado à tentativa de alterar a cena, levou à prisão preventiva do tenente-coronel, que nega a acusação de homicídio.

A investigação da Polícia Civil e os laudos periciais apontam que Gisele foi abordada de forma deliberada. O tiro foi disparado com a arma encostada na têmpora da vítima, e os exames confirmaram que o disparo não foi compatível com um suicídio. A posição da arma, que estava na mão da vítima, e as manchas de sangue encontradas na bermuda de Neto também desmentem a versão inicial apresentada por ele. A perícia identificou ainda marcas de sangue no banheiro, contradizendo a narrativa de que Neto estava distante da cena do crime.

Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto e a soldado Gisele Alves. Foto: Reprodução

Relatos de colegas de trabalho de Gisele indicam que o relacionamento do casal era marcado por ciúmes e controle excessivo por parte de Neto. Ele frequentemente aparecia no ambiente de trabalho da esposa, utilizando sua posição hierárquica para desqualificar profissionalmente a soldado e monitorar suas atividades. O comportamento controlador de Neto gerou desconforto entre os colegas de Gisele, que relatam situações constrangedoras causadas pelo oficial.

A defesa de Neto, que insiste na tese do suicídio, entrou com um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para reverter a decisão de prisão preventiva. Os advogados alegam que houve uma descontextualização dos elementos utilizados para justificar a prisão e que aspectos da vida privada de Neto foram indevidamente expostos. A investigação continua, e a Polícia Civil segue trabalhando para esclarecer completamente os eventos que levaram à morte de Gisele.

O caso está gerando grande repercussão, com denúncias de abuso psicológico e de controle de Neto sobre sua esposa. A prisão do tenente-coronel reflete o avanço das investigações de feminicídio e a busca por justiça, enquanto o impacto emocional na família e colegas de Gisele continua sendo um tema central da discussão.

VÍDEO: Câmeras corporais revelam atrito entre policiais e tenente-coronel que matou PM

21 de Março de 2026, 20:41
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto aparece sem camisa no corredor do apartamento. Foto: Divulgação

Gravações de câmeras corporais de policiais militares mostram a disputa de poder entre o tenente-coronel Geraldo Neto e um cabo da PM no apartamento onde sua esposa, a soldado Gisele Alves, foi baleada na cabeça. O caso, ocorrido no dia 18 de fevereiro, levanta suspeitas sobre a versão de suicídio defendida por Neto, que está preso preventivamente e é réu por feminicídio e fraude processual. Gisele foi socorrida, mas morreu no mesmo dia no hospital. As informações são do g1.

Nos vídeos, captados por uma câmera corporal do cabo, é possível ver o tenente-coronel insistindo para tomar banho, mesmo contra as ordens dos policiais que estavam preservando a cena do crime. “Eu vou tomar banho, irmão”, disse Neto, desobedecendo a orientação de que ele deveria apenas vestir uma camiseta e calça para seguir à delegacia. A tensão entre os PMs e o oficial de alta patente é evidente, e o comportamento de Neto levanta suspeitas de que ele tenha tentado alterar evidências da cena do crime.

Ao ser questionado, Neto afirmou que estava no banho quando ouviu o disparo e que não havia tomado banho completo. No entanto, o cabo, ciente da importância de preservar a cena, temia que Neto apagasse possíveis provas. “Se tomar banho vai perder tudo os baguio [vestígios] da mão”, comentou o cabo, evidenciando o receio de que resquícios de pólvora fossem apagados antes da perícia.

A insistência de Neto em tomar banho, apesar das advertências, foi um ponto-chave nas investigações. O exame de resíduos feito nas mãos do oficial após o banho não encontrou vestígios de pólvora, o que corrobora a hipótese de que ele não tenha disparado a arma. “Se fosse um paisano a gente já arrasta para perto”, disse o cabo, sugerindo que, se fosse uma pessoa comum, o tratamento seria diferente.

O caso ganhou contornos ainda mais complicados quando o tenente-coronel começou a circular pelo apartamento e a permitir que outros policiais entrassem e limpassem a cena. Segundo as gravações, Neto voltou ao imóvel diversas vezes, acompanhado de pessoas, e retirou itens do local, ações que aumentaram as dúvidas sobre a integridade da cena do crime.

A polícia agora investiga não apenas a versão de Neto, mas também o possível desvio de conduta de agentes que permitiram suas ações. Em coletiva de imprensa, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que “caso seja constatada irregularidade de qualquer agente, as medidas cabíveis serão adotadas.” A defesa de Neto ainda não se manifestou, mas já havia declarado anteriormente que o caso se tratava de um suicídio.

Intimidação – Gravações das câmeras corporais de policiais militares mostram a disputa de poder hierárquico entre um cabo _ que queria preservar o local onde a soldado Gisele Alves foi baleada na cabeça _, e a autoridade de um oficial de alta patente, o marido dela, o… pic.twitter.com/zdJNJB5cq5

— g1 (@g1) March 20, 2026

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