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L’Oréal reforça estratégia no segmento premium com a estreia de Miu Miu Beauty

25 de Abril de 2026, 10:30

O Grupo L’Oréal, maior companhia de beleza do mundo, com 41 bilhões de euros em receita global em 2023, avança a estratégica no Brasil com a chegada de Miu Miu Beauty, dentro de um acordo estratégico com o Grupo Prada. A operação, de longo prazo e avaliada em bilhões de euros globalmente, transfere à L’Oréal o desenvolvimento, produção e distribuição das linhas de beleza de Prada e Miu Miu.

No Brasil, o movimento tem impacto direto: o grupo passa a operar 23 marcas, ampliando sua presença no segmento premium em um mercado que configura entre os 5 maiores do mundo em beleza, com faturamento estimado acima de US$ 30 bilhões anuais.

A estreia da marca acontece com “MiuTine”, a primeira fragrância desenvolvida pela L’Oréal, posicionada para capturar um consumidor mais jovem e conectado à linguagem cultural da moda. Veja a publicação aqui.

Disputa por um mercado que cresce acima da média

O segmento de beleza de luxo cresce globalmente entre 8% e 10% ao ano, acima da média da indústria. No Brasil, esse movimento é ainda mais relevante: o crescimento do mercado premium é sustentado por aumento de renda em nichos específicos e pela expansão do consumo aspiracional via beleza, categoria com ticket de entrada mais acessível.

Enquanto Prada opera em um território mais clássico, Miu Miu entra para disputar atenção com uma estética mais experimental e contemporânea, fator decisivo para engajamento de novas gerações.

Portfólio como estratégia de dominância

A L’Oréal estrutura seu portfólio para cobrir múltiplos territórios de consumo, sem sobreposição direta. Na divisão de luxo, isso significa operar marcas com identidades bem definidas, como: Lancôme, YSL Beauty, Armani, Valentino e Prada Beauty, e agora Miu Miu, ocupando um espaço específico: o do luxo jovem com forte apelo cultural.

A vantagem competitiva não está apenas no tamanho do portfólio, mas na capacidade de orquestrar distribuição, posicionamento e construção de marca simultaneamente.

Expectativa de impacto

A entrada de Miu Miu Beauty no Brasil segue uma lógica clara de crescimento:

  • ampliar participação no segmento premium;
  • capturar consumidores mais jovens;
  • fortalecer a conexão entre moda e beleza como plataforma de escala.

Globalmente, fragrâncias continuam sendo uma das categorias mais rentáveis da indústria, com margens elevadas e alto potencial de fidelização.

Nesse contexto, “MiuTine” não é apenas um lançamento, é um ativo estratégico dentro de uma operação que combina branding de luxo com capacidade industrial e distribuição global.

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Terras raras não são farelo de soja

24 de Abril de 2026, 18:28
Não se trata de panaceia de um projeto nacional, mas sua entrega ao capital estrangeiro tende a reafirmar a posição do Brasil como economia primário-exportadora

Noventa por cento dos CFOs usam IA para cortar custos, mas não querem investir nela

7 de Abril de 2026, 18:00

Em alguma hora no meio da tarde, dentro de qualquer grande empresa europeia, o diretor financeiro abre seu laptop, chama uma tela de análise preditiva e, sem muita cerimônia, deixa que um modelo de linguagem sugira o próximo movimento. Isso não é ficção, nem piloto experimental e não é iniciativa de um departamento de TI entusiasmado demais. Já é rotina, com número de pesquisa para provar.

Uma pesquisa da Deloitte realizada com cem diretores financeiros holandeses entre setembro (16) e outubro (17) de 2025, mostrou que 90% dos CFOs entrevistados já se apoiam em inteligência artificial para usar nas decisões que tomam. E vai além, mais de um terço deles espera que, dentro de cinco anos, a IA sustente mais da metade de suas escolhas mais importantes.

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O número é expressivo, mas o que vem depois dele é onde a história fica interessante e até engraçado. Se 90% dos CFOs já usam as ferramentas, e mais de um terço acredita que elas vão dominar suas decisões em meia década, seria razoável imaginar que o dinheiro estivesse fluindo para essa direção com a mesma velocidade. Não está.

A mesma pesquisa apontou que mais de 80% das organizações ainda pretende gastar menos de um quarto do orçamento de tecnologia em IA nos próximos anos. Há, portanto, uma fissura visível entre o que os executivos esperam da tecnologia e o quanto estão dispostos a investir para que ela chegue lá.

Traduzindo do corporativês: acreditamos muito na IA, só não a ponto de gastar dinheiro de verdade com ela.

O mesmo estudo revelou que 70% dos CFOs europeus esperam crescimento de receita neste ano de 2026. Sabe como? Cortando gente e contratando serviços de IA. O famoso “fazer mais com menos”, o que na prática significa crescer achando que vai economizar.

Esse ponto merece atenção. Crescimento de receita e redução de pessoal vivem na mesma frase dentro das salas de conselho. Empresas de serviços e tecnologia estão em posição mais confortável para conciliar os dois objetivos, já que ganhos de produtividade por automação compensam a perda de volume humano.

Empresas manufatureiras, no entanto, segundo o levantamento, enfrentam perspectivas mais frágeis de receita e podem reduzir trabalhadores apenas para estabilizar as operações, sem crescimento real à vista.

CFO com mais poder e menos talento

Outro dado da pesquisa merece mais atenção do que costuma receber. Cerca de 80% dos CFOs entrevistados afirmaram que a influência do diretor financeiro dentro do conselho de administração aumentou nos últimos cinco anos. É um salto considerável de prestígio. O CFO, que durante décadas foi o guardião dos números, passou a ser convocado para moldar a direção estratégica dos negócios.

O problema é que esse poder bate em um limite. Falta de gente qualificada para operar as ferramentas que sustentariam esse novo papel.

Mais da metade dos CFOs identificou, no estudo, carências em habilidades ligadas a dados, tecnologia digital e IA dentro de suas próprias equipes. O executivo tem mais voz no conselho, quer usar IA para decidir melhor e mais rápido, mas não encontra os profissionais capazes de construir essa infraestrutura de dentro.

Me lembra o arquétipo do “cabeça de planilha”, o executivo que olha para qualquer problema e enxerga uma linha de custo a eliminar. No anos 90 a Boeing elevou esse perfil ao posto máximo e passou anos explicando para autoridades de aviação por que as portas dos aviões saíam voando sozinhas. Dar mais poder ao CFO sem dar a ele uma equipe capaz de entender o que a IA faz é, guardadas as proporções, a mesma aposta.

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