“É preciso destruir uma sociedade (*incitar ódio, radicalismo, fanatismo, desordem, desinformar com fakenews, fomentar fanatismo religioso, desunir famílias, separar amigos, extinguir políticas sociais, demonizar democratas, promover guerra civil) para reconstruí-la como queremos (*totalmente dominada e escravizada pelos mais ricos do mundo).”
* Notas pessoais
Entenda o método assistindo Privacidade Hackeada – t.ly/bXpwE
QUEM É STEVE BANNON
Stephen Kevin Bannon (1953-), ou simplesmente “Steve” Bannon, como ficou conhecido mundo afora, é um personagem que vergou o subsolo da ideologia neoconservadora e emprestou-lhe novo rumo ao semear solo autoritário bastante fértil. Nele floresceram as mais favoráveis condições culturais para a reconfiguração das forças político-partidárias alimentadoras da revolução neofascista devidamente mascarada com falsa roupagem neoliberal-capitalista. Esta é o sentido dos fatos nas Américas e na Europa sob intensidades diversas para articular os interesses do império norte-americano e seus associados capitalistas.
De família católica irlandesa simpática aos democratas, Bannon percorreu caminho inverso ao seu núcleo originário, e após finalizar seus estudos, ainda antes de seus 30 anos começou a trabalhar no mercado financeiro no auge da década de 1980 sob os intensos efeitos do neoconservadorismo neoliberal da era Reagan, recrutado pela flamejante Goldman Sachs (NY) (1984-1990), passo prévio a sua mudança para Los Angeles. Sairia em 1990 com colegas da Goldman para fundar uma empresa, a Bannon & Co, tendo como objeto declarado era realizar investimentos em mídia, cujas operações lhe foram aproximando mais de homens e instituições que logo seriam de extrema utilidade para as suas futuras ocupações e opções políticas.
Em Los Angeles Bannon atuou em diversos setores, da banca à produção de filmes mas principalmente como executivo de mídia. Nesta posição Bannon desenvolveu habilidades de manipulação importantes para a propaganda política, como a sensibilidade para compor e divulgar notícias falsas nas redes sociais. Expressiva parte delas vem sendo construída a partir de uma “falsa cidadania”, a saber, um conjunto digital de alta voltagem, com alta capacidade de interferir e formatar a percepção pública sobre os fatos políticos, econômicos e culturais de um determinado grupo humano. Até aqui a carreira de Bannon expressa o perfil de uma figura que evolui de homem da Marinha a financista da Goldman Sachs, produtor em Hollywood e depois transformado em rei da mídia de direita nos EUA.
Na atividade midiática Bannon atuou durante longos anos à frente do conhecido site de notícias “Breitbart News”, organização midiática da “alt-right” norte-americana financiada com fundos privados, mas já era notável o êxito do site quando conseguia 17 milhões de visitantes. Antes que Donald Trump surgisse no cenário e obtivesse a vitória eleitoral o Breitbart News serviu para atacar o então Presidente Obama e ao establishment, focando criticamente temas como comércio, globalismo e a imigração, o que predominantemente ocorreu antes de 2015, sendo que logo após tornou-se uma bem azeitada máquina de propaganda favorável a Trump, levando a que seus detratores não hesitassem em apelidá-lo de “Trumpbart News”.
Corria o ano de 2012 quando Bannon assumiu o controle da direção executiva do no site de notícias Breitbart News, e sua marca ideológica foi a emissão de opiniões e comentários sob o tom de extrema-direita explicitando admiração por fascistas ditadores, teocratas e fanáticos de toda sorte, tudo isto temperado por convicções antiglobalistas, tendo em perspectiva a realização de uma radical transformação em escala mundial através da articulação de grupos nacionalistas de extrema-direita neofascistas. O nacionalismo encarnado por Bannon e sua área de influência é de muito difícil justificação (se acaso viável) relativamente aos interesses da economia e da soberania dos países de economia periférica sob os quais orientam o exercício de sua influência.
As habilidades de Bannon continuaram a ser desafiadas até alguns anos após quando já afastado de suas funções na Breitbart foi trabalhar como assessor político de Trump. Durante a campanha eleitoral atuou como diretor executivo da campanha a partir de agosto de 2016, apenas poucos meses antes de fevereiro de 2017, quando mereceu a capa da revista Time, que o reconhecia como o verdadeiro cérebro pensante do obtuso Trump, alguém que logo demonstraria extremas habilidades publicitárias e manipulatórias.
Bannon pertenceu ao Conselho da Cambridge Analytica, empresa criada em 2014 pelo bilionário norte-americano Robert Mercer, tendo como objetivo auxiliar o espectro ideológico conservador. Eleito Trump, e tendo anunciado o seu desligamento definitivo da Breitbart em 9 de janeiro de 2017, Bannon foi uma das primeiras nomeações da nova administração, a quem serviria como estrategista-chefe na Casa Branca, embora por curto período até agosto de 2017, mas que se revelou intenso espaço de ofensas, com a veiculação de notícias atravessadas e o objetivo de ampliação das esferas de conflito e medidas doses de desorientação fronteiriças com o caos.
Bannon operou grande parte das estratégias de mídia carregadas do que Trump publicamente negava ser a sua real opção político-ideológica, a saber, racismo, defesa do supremacismo, sexismo, e o conjunto de valores distanciados daqueles ordinariamente associados com a democracia plural e tolerante cultivada nos meios liberais ilustrados. A este respeito David Duke (Tulsa, 1950) veio a público afirmar que Bannon estava a criar o espectro ideológico sobre o qual os EUA seriam conduzidos no futuro próximo, que avaliamos recheado de perigos quando se sabe que Duke foi em seu momento o grande líder da Ku Klux Klan.
Sob este abandeiramento ideológico Bannon pode ser considerado o primeiro norte-americano de extrema-direita desde meados da década de 1930 cujas ideias efetivamente passaram a contar na cena pública, inclusive internacionalmente. Desde a experiência nacional-socialista este ideário extremista não havia encontrado tamanho espaço nos países em que a democracia foi brandida como valor-eixo das instituições, malgrado as corrosivas atividades plutocráticas dedicadas a solapá-la tenham sido incessantes.
O conteúdo ideológico com o qual Bannon contamina as suas ações e impregna os seus contatos vem insuflado por uma personalidade excepcionalmente compatível com a finalidade belicosa que despreza os meios para alcançar os fins de dominação global aos quais serve. Há quem aponte o quão intenso é o compromisso de corte racista que prioriza os valores judaico-cristãos alimentados por Bannon, que os combina e resolve em composição étnica caucasiana associada a conteúdos sexistas e xenofóbicos, focando o islamismo (outro) como inimigo. Bannon é também orientador de estratégias solapadoras das estruturas de Estado, apontando para uma espécie de falso anarquismo que poderia apenas aproveitar às grandes plutocracias fascistas globais.





