China estabelece menor meta de crescimento do PIB já registrada para 2026
A China estabeleceu na quinta-feira (5), no horário local, sua meta de crescimento do PIB para 2026 em 4,5% a 5%, a meta mais baixa já registrada, informou a Reuters. A decisão ocorre enquanto Pequim enfrenta pressões deflacionárias persistentes e tensões comerciais com os EUA.
Isso representa uma leve revisão para baixo em relação à meta de “cerca de 5%” estabelecida nos últimos três anos e o objetivo mais modesto já registrado para a segunda maior economia do mundo, com exceção de 2020, quando Pequim não estabeleceu uma meta de crescimento devido à pandemia.
Pequim também teria fixado sua meta de déficit orçamentário em “cerca de 4%” do PIB, igualando-se à do ano passado, enquanto o principal órgão legislativo do país realizava sua reunião anual nesta semana.
O déficit de 4% foi o maior já registrado desde 2010, de acordo com dados obtidos pela Wind Information. O recorde anterior era de 3,6% em 2020.
Segundo a Reuters, as autoridades chinesas também mantiveram a meta anual de inflação ao consumidor estável em “cerca de 2%”. Estabelecida inicialmente para 2025, essa é a meta mais baixa em mais de duas décadas e sinaliza um reconhecimento implícito por Pequim da fraca demanda interna.
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Deflação e tarifas
A meta de inflação funciona mais como um teto do que como um objetivo a ser alcançado. Ao longo de 2025, o crescimento dos preços foi nulo e de 0,7% quando excluídos os preços de alimentos e energia, já que a confiança do consumidor permaneceu baixa.
A reunião anual do parlamento chinês, conhecida como “Duas Sessões”, começou nesta quarta-feira (4) com a cerimônia de abertura da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês — o principal órgão consultivo de políticas.
A Assembleia Popular Nacional iniciou sua reunião na quinta-feira e deve encerrar sua sessão anual em 12 de março. O ministro das Relações Exteriores e os chefes de vários departamentos econômicos devem conceder coletivas de imprensa nesse período.
Embora a economia chinesa tenha crescido 5% no ano passado, o país entrou no quarto ano consecutivo de deflação, em meio à crise imobiliária, à fraca confiança do consumidor e ao endividamento dos governos locais. As vendas no varejo aumentaram 3,6% em 2025, e a deflação na porta da fábrica se aprofundou, caindo 2,6% em relação ao ano anterior.
O investimento em ativos fixos caiu 3,8% no ano passado — a primeira queda anual em décadas. O impacto negativo no setor imobiliário se intensificou, com o investimento despencando 17,2%.
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