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EUA dizem ter neutralizado mísseis do Irã; então por que ataques continuam?

22 de Março de 2026, 22:47

A nova guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã segue se intensificando, mesmo diante das investidas americanas que contam com a ajuda de Israel.

O início do confronto entre os países marcou a morte do ex-líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, que liderou o país por mais de 30 anos.

Após a morte de Khamenei, seus familiares e alguns membros da alta cúpula iraniana, o Irã nomeou Mojtaba Khamenei, filho do ex-mandatário morto em um bombardeio americano.

Além de aumentar as tensões entre os países, a morte de Khamenei também gerou o fechamento do Estreito de Ormuz, como retaliação por parte dos iranianos.

Leia também: Trump reitera que guerra contra Irã terminará em breve e cita falta de liderança no país persa

Aumento nas tensões

O início da guerra no Oriente Médio inicialmente seria o resultado da ofensiva americana contra o programa nuclear iraniano. Na visão dos americanos e, mais precisamente, do presidente Donald Trump, armas de destruição em massa nas mãos do Irã representam um risco direto aos Estados Unidos e seus aliados.

Entretanto, segundo informações do portal Al Jazeera, autoridades americanas sustentam que os ataques realizados em conjunto com aliados atingiram infraestruturas estratégicas do Irã, incluindo bases e sistemas ligados ao lançamento de mísseis.

O objetivo da ofensiva dos Estados Unidos foi enfraquecer a capacidade do país de realizar ataques de grande escala, reduzindo significativamente seu poder de fogo e construção de novos armamentos.

Segundo análises citadas pela reportagem do Al Jazeera, essa estratégia de atingir pontos-chave da cadeia militar teria comprometido parte relevante da estrutura iraniana, dificultando operações mais amplas e coordenadas durante os conflitos.

Irã afirma manter o arsenal

Mesmo com perdas importantes, especialistas apontam que o Irã ainda possui um estoque considerável de mísseis. Isso permite ao país continuar realizando ataques de forma mais seletiva e estratégica, mantendo pressão sobre adversários e aliados na região.

Apesar de realizar investidas em menor número, os ataques iranianos buscam destruir ou enfraquecer pontos considerados importantes pelos países inimigos. Na última semana, o país iraniano atacou a Cidade Industrial Ras Laffan, no Qatar, que abriga a maior instalação de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo.

A manutenção desses ataques e opções no arsenal indica que, embora a capacidade tenha sido reduzida, ela não foi completamente eliminada. Com isso, o Irã consegue prolongar o conflito e sustentar ações militares, ainda que em menor intensidade do que no início da guerra.

Leia também: UE vai reavaliar abastecimento de petróleo se interrupção em Ormuz persistir

Ataques pontuais

O Irã detém o maior arsenal de mísseis balísticos do Oriente Médio, de acordo com uma avaliação da Inteligência Nacional dos Estados Unidos divulgada em 2022.

Embora não existam dados oficiais sobre o total de armamentos, estimativas da inteligência israelense indicam que o país possuía cerca de 3.000 mísseis, número que teria sido reduzido para aproximadamente 2.500 após os conflitos do ano passado.

Em suma, apesar de os Estados Unidos afirmarem ter neutralizado parte relevante dos sistemas de mísseis iranianos, isso não significa a eliminação total da capacidade ofensiva do país. Especialistas explicam que o Irã opera com estoques distribuídos, lançadores móveis e estratégias descentralizadas, o que dificulta a neutralização completa do arsenal. Na prática, isso permite a continuidade de ataques, ainda que em menor escala e com foco mais estratégico, o que ajuda a explicar por que as ofensivas persistem mesmo após as investidas americanas.

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