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A economia começou a perder fôlego e a eleição vai sentir

18 de Setembro de 2026, 18:24

Há momentos em que o mercado muda antes de a economia mudar de verdade. Não porque os problemas tenham desaparecido, mas porque os preços começam a refletir uma distribuição diferente de riscos. Talvez seja exatamente isso que esteja acontecendo no Brasil.

Agosto começou com uma fotografia desconfortável. O Ibovespa chegou a negociar abaixo dos 165 mil pontos, pressionado por saída de capital estrangeiro, juros elevados e um ambiente político mais turbulento. Depois, recuperou terreno e fechou o mês praticamente estável.

Setembro começou de outra forma, com a Bolsa voltando a superar os 180 mil pontos e uma mudança importante de humor. É tentador atribuir tudo à eleição. Seria uma explicação simples, mas incompleta.

O que mudou foi uma combinação de fatores. A inflação doméstica começou a dar sinais mais favoráveis. A atividade perdeu algum fôlego. O Banco Central finalmente avançou um pouco mais no ciclo de cortes de juros. Os preços de muitos ativos brasileiros ainda carregavam bastante pessimismo.

E, paralelamente, a disputa presidencial deixou de parecer tão previsível quanto meses atrás. Quando vários desses vetores mudam simultaneamente, mesmo que apenas um pouco, o efeito sobre ativos descontados pode ser grande.

A eleição ficou mais aberta

Na política, a principal mudança das últimas semanas não foi uma virada consolidada em favor de qualquer candidato. Foi o desaparecimento da sensação de que o resultado estava previamente definido. As pesquisas mais recentes ilustram bem isso.

O Datafolha divulgado em 17 de setembro mostrou Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 44% em uma eventual disputa de segundo turno, dentro da margem de erro.

Na AtlasIntel/Bloomberg, Flávio aparece com 47,2% e Lula com 46,8%, também em empate técnico. O PoderData/Aya trouxe Flávio com 46% e Lula com 44%, novamente sem diferença estatisticamente conclusiva.

Os institutos usam metodologias diferentes e produzem fotografias distintas. Justamente por isso, a conclusão mais prudente não é escolher qual deles “está certo”, mas reconhecer que, neste momento, a corrida permanece competitiva.

Isso importa para o mercado porque eleições não afetam os ativos apenas pela identidade de quem vence.

Elas alteram expectativas sobre gasto público, arrecadação, dívida, reformas, governabilidade e relação entre Executivo e Congresso. Em outras palavras, o investidor não negocia apenas candidatos. Ele negocia diferentes combinações possíveis de política econômica.

A crise institucional envolvendo o Supremo acrescenta outra camada de incerteza. Além de ocupar espaço relevante na campanha, ela pode modificar percepções sobre governabilidade e comportamento do eleitorado.

A própria AtlasIntel mostrou que 49,5% dos entrevistados avaliavam que a crise prejudicava mais Lula, enquanto 20,9% apontavam Flávio Bolsonaro.

Isso é uma fotografia de percepção dos entrevistados, não uma demonstração de causalidade sobre intenção de voto, mas ajuda a entender por que eventos institucionais passaram a produzir tanta volatilidade política.

Para os mercados, essa incerteza tem duas faces. Ela pode ampliar a volatilidade no curto prazo, mas também aumenta a quantidade de cenários que precisam ser colocados nos preços. E, quando os ativos já carregam prêmios elevados, pequenas mudanças de probabilidade podem gerar movimentos relevantes.

O Brasil começou a cortar justamente quando os Estados Unidos voltaram a subir

Há ainda uma coincidência particularmente interessante. Na mesma quarta-feira em que o Copom reduziu a Selic em 25 pontos-base, para 13,75% ao ano, o Federal Reserve fez o movimento contrário e elevou a taxa americana em 25 pontos-base, para o intervalo entre 3,75% e 4,00%.

É quase uma fotografia de dois países em momentos diferentes do ciclo econômico.

No Brasil, a inflação perdeu força e a atividade começou a demonstrar mais claramente os efeitos do aperto monetário. O IPCA de agosto caiu 0,32% e acumulou alta de 4,22% em 12 meses.

Parte importante desse alívio veio da energia elétrica e, portanto, não deve ser extrapolada automaticamente. Ainda assim, os núcleos de inflação também mostraram melhora e setores mais dependentes de crédito estão desacelerando.

Nos Estados Unidos, a situação é quase inversa. A economia continua crescendo em ritmo sólido, a demanda permanece resiliente e a inflação segue acima do objetivo do Fed. A autoridade monetária decidiu, portanto, voltar a apertar as condições financeiras. Esse movimento simultâneo reduz o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.

Traduzindo: durante muito tempo, o investidor internacional recebeu uma remuneração muito maior para manter recursos aplicados em reais do que em dólares. Essa diferença continua grande, mas começou a diminuir pelas duas pontas.

Isso pode influenciar o câmbio e os fluxos internacionais. Não significa que o dólar necessariamente subirá. Câmbio nunca depende de uma única variável.

Fiscal, eleição, commodities e percepção de risco também entram nessa conta. Mas significa que o colchão oferecido pelo diferencial de juros ficou um pouco menor.

O caso brasileiro não depende apenas da política

Aqui está talvez a parte mais importante. A leitura mais construtiva sobre os ativos brasileiros não precisa depender de um determinado resultado eleitoral. A economia está desacelerando, mas não desabando.

Depois de um período de juros excepcionalmente elevados, setores mais dependentes de financiamento perderam força, enquanto atividades ligadas a petróleo, mineração e alguns serviços continuam mostrando maior resiliência.

Para o mercado, existe um ponto interessante nessa combinação. Uma desaceleração moderada ajuda a reduzir pressões inflacionárias e abre espaço para juros menores.

Ao mesmo tempo, se a atividade não entrar em recessão profunda, as empresas conseguem preservar boa parte de sua geração de caixa. É uma espécie de passagem estreita: crescimento mais fraco o suficiente para ajudar a inflação, mas não fraco o bastante para destruir os lucros.

E o ponto de partida dos preços também ajuda. O material que usamos como referência mostra ações brasileiras negociando perto de oito vezes o lucro esperado, enquanto os títulos públicos longos ainda oferecem taxas reais muito elevadas. Isso não significa que os ativos estejam baratos “sem motivo”. O desconto existe justamente porque há riscos fiscais, políticos e institucionais importantes.

Mas existe uma diferença importante entre um ativo caro em um cenário perfeito e um ativo barato em um cenário ruim. No segundo caso, não é necessário que tudo melhore. Às vezes, basta que algumas coisas parem de piorar. O petróleo ajuda e atrapalha ao mesmo tempo.

O Brasil tem ainda uma característica peculiar neste momento: é um grande produtor e exportador de commodities justamente quando o petróleo voltou a negociar acima de US$ 100 por barril.

Para empresas como Petrobras e para as contas externas do país, preços mais elevados de commodities podem ser positivos. Ajudam exportações, geração de caixa corporativa e arrecadação. Mas há outro lado.

Energia mais cara pressiona a inflação global, encarece transporte e produção e dificulta a tarefa dos bancos centrais.

Se o petróleo permanecer muito elevado, o Fed pode precisar manter uma política monetária mais restritiva por mais tempo. Isso sustenta os juros americanos e eleva a taxa de desconto utilizada para precificar ativos no mundo inteiro.

É perfeitamente possível, portanto, que o mesmo choque que beneficie uma grande empresa brasileira pressione small caps, empresas endividadas e negócios mais sensíveis aos juros. Esse é um bom exemplo de por que o mercado raramente cabe em uma narrativa simples.

O fiscal continua sendo a peça que falta

Até aqui, temos vários ingredientes potencialmente positivos: inflação menos pressionada, Selic em queda, atividade desacelerando de maneira relativamente ordenada, preços descontados e uma eleição que ampliou o conjunto de cenários possíveis. Mas existe uma diferença enorme entre um rali de alguns meses e um ciclo estrutural de valorização.

Essa diferença passa pelo fiscal. O Brasil ainda convive com dívida elevada, baixa taxa de poupança e um custo real de financiamento muito alto. Quando uma economia cresce perto de 2% e precisa remunerar seus credores com juros reais muito superiores a isso, a dinâmica da dívida se torna difícil.

Por isso, independentemente do resultado das urnas, o mercado deverá dedicar cada vez mais atenção às propostas econômicas apresentadas para 2027.

Quanto o gasto crescerá? Haverá revisão de despesas? Subsídios e benefícios tributários serão reavaliados? Existe espaço político para reformas? Como será a relação do próximo governo com Câmara e Senado?

Essas perguntas provavelmente serão mais importantes para os preços dos ativos do que slogans de campanha. Um programa fiscal ambicioso sem capacidade política de implementação pode valer pouco. Por outro lado, medidas mais modestas, mas executáveis, podem produzir efeitos relevantes sobre expectativas.

O Brasil voltou ao radar

Talvez essa seja a melhor forma de interpretar o que aconteceu nas últimas semanas. O Brasil não resolveu seus problemas. O fiscal continua desafiador. O petróleo adiciona risco à inflação. O Fed voltou a subir juros. A eleição permanece aberta e o ambiente institucional continua produzindo incerteza. Mesmo assim, os ativos brasileiros conseguiram melhorar.

Isso acontece porque o mercado não exige necessariamente um cenário perfeito. Ele compara o preço de hoje com a distribuição de resultados possíveis amanhã. E essa distribuição melhorou. A inflação parece um pouco mais favorável. O Banco Central começou a retirar parte do aperto monetário.

Os ativos continuam negociando com descontos relevantes. A atividade desacelera sem, por enquanto, entrar em colapso. E a eleição ampliou a variedade de cenários fiscais que o investidor precisa considerar.

É motivo suficiente para algum otimismo, mas não para complacência. O movimento recente pode continuar se a desinflação avançar, o ciclo de redução da Selic permanecer viável e as discussões eleitorais produzirem maior clareza sobre a trajetória das contas públicas.

Em sentido contrário, deterioração fiscal, nova pressão inflacionária ou uma alta mais prolongada dos juros americanos poderiam devolver rapidamente parte do prêmio que fechou nas últimas semanas. Por isso, talvez a melhor definição não seja dizer que o Brasil já entrou em um novo bull market. O Brasil voltou ao jogo. Agora precisa mostrar que consegue ficar nele.

Açúcar bruto atinge máxima de 5 meses com retomada da alta do petróleo

26 de Março de 2026, 18:36

Os contratos futuros do açúcar bruto na bolsa ICE atingiram uma máxima de cinco meses nesta quinta-feira, com a retomada da alta dos preços do petróleo em meio à incerteza entre os investidores sobre as perspectivas do fim da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

Um aumento sustentado nos preços do petróleo pode fazer com que as usinas de cana no maior produtor, o Brasil, e em outros países reduzam a produção de açúcar em favor do etanol.

O açúcar bruto subiu 0,32 centavo, ou 2,1%, a 15,87 centavos de dólar por libra-peso, depois de ter atingido uma máxima de cinco meses de 15,97 centavos mais cedo.

Sinais contraditórios emitidos anteriormente pelos EUA e pelo Irã sobre as negociações para acabar com a guerra no Oriente Médio deixaram os mercados nervosos, com as ações e títulos caindo em meio ao aumento do preço do petróleo.

O Brasil deve reduzir as exportações de açúcar na temporada 2026/27 em 14,2%, já que as usinas desviam a cana-de-açúcar para produzir etanol devido aos altos preços da energia, informou a consultoria Safras & Mercado na quinta-feira.

A AP commodities disse que, embora o açúcar esteja sob pressão devido aos modestos excedentes e à forte venda especulativa, é provável que surjam recuperações, mesmo que temporárias, dada a sensibilidade do adoçante aos riscos climáticos e a fatores ligados ao etanol.

A consultoria acrescentou que as posições vendidas dos especuladores, ou apostas na queda dos preços, são grandes, o que significa que há o risco de que muitos revertam o curso e apostem em ganhos de preços se suas posições permanecerem no vermelho por muito mais tempo.

O açúcar branco subiu 1,2%, para US$459,60 a tonelada.

Café

O café arábica caiu 8,45 centavos de dólar, ou 2,7%, para US$3,0765 por libra-peso, depois de ter atingido a máxima de sete semanas, de US$3,1950, na terça-feira.

A anomalia climática conhecida como El Niño deverá se desenvolver globalmente por volta do terceiro trimestre deste ano e deverá trazer secura e temperaturas mais altas até o início de 2027 para as áreas tropicais onde o café e o cacau são cultivados, informou a trader Sucafina.

O café robusta caiu 0,9%, para US$3.596 a tonelada.

Os negociantes do Vietnã, maior produtor de robusta, disseram que os agricultores não estão vendendo no momento e que aqueles que precisam cumprir contratos começaram a buscar grãos no Brasil e na Indonésia.

Cacau

O cacau em Londres fechou em alta de 28 libras, ou 1,2%, a 2.356 libras por tonelada.

O cacau está sob pressão da fraca demanda e de uma perspectiva geralmente favorável para as safras na África Ocidental, embora grande parte disso esteja precificada por enquanto.

O cacau em Nova York subiu 1%, para US$3.164 a tonelada, depois de cair 3,2% na quarta-feira.

Após petróleo, guerra no Oriente Médio ameaça disparar commodities agrícolas; veja onde investir

25 de Março de 2026, 20:36

A escalada da guerra entre EUA e Irã já incendiou as cotações de petróleo, e agora flerta com o próximo front: as commodities agrícolas. Com o risco de interrupção em cadeias logísticas e o encarecimento de insumos, o setor surge como a nova fronteira de um rali com contornos estruturais — e o investidor pode estar de cara com a oportunidade de bons retornos.

“Não é só uma ou outra commodity que está subindo, todas estão. A última que falta reagir são as agrícolas”, afirma Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

Na leitura dele, esse movimento não se explica apenas pela guerra no Irã, mas por uma mudança mais estrutural de cenário.

Ele avalia que o mundo pode estar à beira de um novo ciclo de alta das commodities, sustentado por fatores que vão além do curto prazo.

Tradicionalmente, commodities e dólar caminham em direções opostas: a moeda norte-americana mais forte costuma pressionar os preços das matérias-primas — e o inverso também é verdadeiro.

Spiess aposta em um cenário de enfraquecimento do dólar no horizonte estrutural, o que abriria espaço para uma valorização mais consistente das commodities.

“Episodicamente, o dólar pode se fortalecer, como vimos em março. Mas, estruturalmente, podemos estar perto de um novo ciclo em que o dólar volte para a média histórica”, afirma.

Por trás dessa visão está uma combinação de fatores macroeconômicos. Spiess cita o aumento da dívida dos Estados Unidos, o risco fiscal elevado e um movimento global de diversificação cambial.

Há também uma questão de posicionamento: na leitura dele, o dólar ficou “caro demais” desde a crise de 2008, enquanto commodities ficaram relativamente baratas.

Segundo Spiess, pode haver um movimento de busca estrutural por mais exposição em commodities.

O resultado, segundo o analista, é um ambiente propício para um novo ciclo de alta — com potencial de beneficiar países exportadores, como o Brasil.

Fertilizante mais caro, comida mais cara

O conflito, que já pressiona o petróleo e deve chegar às commodities agrícolas, também atinge um elo menos visível, mas igualmente estratégico: o mercado de fertilizantes, essencial para a produção de alimentos.

Nesta terça-feira (24), a Rússia anunciou a suspensão das exportações de fertilizantes por um mês, priorizando o abastecimento interno.

A medida se soma a um cenário de rotas marítimas alteradas, redução da produção no Golfo Pérsico e dificuldades no escoamento via Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do comércio global desses insumos antes do conflito.

No Brasil, o efeito tende a ser direto: aproximadamente 40% dos fertilizantes usados no agronegócio passam pela região.

E o impacto nos preços já começou. A ureia, por exemplo, acumula alta de cerca de 50% desde o início da guerra, impulsionada também pelo encarecimento do gás natural — insumo essencial para sua produção.

Segundo Spiess, o efeito deve se espalhar rapidamente pela economia real. “Se o fertilizante ficar mais caro, os alimentos vão ficar mais caros. Então, há um medo inflacionário generalizado no Ocidente”, afirma.

Na avaliação dele, esse risco preocupa governos, inclusive nos envolvidos na guerra, como os Estados Unidos.

“Os governantes não querem isso para si, porque inflação acaba gerando impopularidade”, pontua.

Ele relembra que o próprio presidente norte-americano, Donald Trump, que neste ano passa por uma eleição de meio de mandato, deve se preocupar com a possível aceleração da inflação no país.

“Ele não pode se dar ao luxo de ver a popularidade cair ainda mais. Então, tem motivo para que o conflito acabe antes [da eleição]”, afirma Spiess.

Crise hídrica e risco de colapso no Oriente Médio

As preocupações não se limitam aos preços do petróleo, do fertilizante ou das commodities agrícolas. Segundo Spiess, há um risco estrutural mais grave se o conflito avançar sobre a infraestrutura da região.

“O Irã tem muito petróleo, mas não tem comida nem água em abundância. Grande parte do abastecimento passa pelo Estreito de Ormuz. Se isso for comprometido, você pode ter uma crise alimentar humanitária”, afirma.

Outro ponto crítico são as usinas de dessalinização existentes nas proximidades do Irã, essenciais para o abastecimento de água em diversos países do Oriente Médio.

Segundo Spiess, essas instalações não possuem proteção e um eventual ataque teria consequências imediatas.

“Se você ‘queimar’ essas estações, cidades inteiras, como a capital saudita, serão inviabilizadas”, alerta.

Apesar de, em tese, serem protegidas pelo direito internacional, ele pondera que esse tipo de regra vem perdendo força.

“Temos visto um enfraquecimento do direito internacional. As pessoas estão indo pela lei do mais forte. Então, o Irã, em um movimento de desespero, pode acabar atacando essas instalações”, afirma.

O que o investidor deve fazer diante desse cenário?

Spiess defende uma estratégia menos exposta à volatilidade direta das commodities e mais ancorada na geração de caixa.

A preferência, segundo o analista, é por empresas do setor, que conseguem capturar os ganhos do ciclo de alta com maior previsibilidade.

“Eu prefiro me expor a isso com fluxo de caixa em petróleo, por meio de ações do setor”, afirma.

Nessa leitura, o Brasil aparece bem posicionado. “O Brasil tem muito disso e pode se beneficiar. Se essa tese for verdadeira — e gente grande lá fora defende isso —, pode ser muito bom para os ativos brasileiros de maneira geral”, diz.

Entre as alternativas, o analista cita o ETF CMDB11, que permite acessar o tema de forma simples e diversificada.

“Você compra como se fosse uma ação e ganha exposição a empresas brasileiras de commodities”, explica.

Segundo Spiess, o produto reúne algumas vantagens: exposição ao fluxo de caixa gerado pelas commodities, forte presença em petróleo e gás (cerca de 40% da carteira), diversificação, baixo custo e boa liquidez — com prazos de resgate de cerca de dois dias.

Guerra no Irã impulsiona grãos, mas pressiona setor de carnes, diz BB Investimentos; uma ação pode avançar 82,2%

22 de Março de 2026, 10:00

As commodities agrícolas têm apresentado alta em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã.

De acordo com o BB Investimentos, as perspectivas para a soja e o milho são de crescimento para este mês, já para as carnes, os preços têm sido pressionados.

Em fevereiro, a soja teve bons resultados na bolsa de Chicago, com crescimento de 6,7% em comparação ao mês anterior. A alta partiu de perspectivas de maior consumo de grãos nos Estados Unidos, além da expectativa de exportação para a China, com a possível elevação do uso de óleo de soja para biocombustíveis.

Em março, a cotação da soja teve novas altas, após o início do conflito entre EUA e Irã. De acordo com o BB Investimentos, a cotação mais alta do petróleo influencia os valores das commodities agrícolas, “dado que a cotação dos biocombustíveis se correlaciona com a do petróleo”.

Já o milho, no mês passado, teve uma leve queda de 0,3% comparado a janeiro, devido a expectativa de redução do trade global dos EUA, com maior competição contra exportadores sul-americanos e pouco crescimento da demanda global. Todavia, a guerra também elevou a cotação do grão, que fechou a US$ 4,53 no dia 12 de março.

Pressão sobre os preços

No caso das carnes, as perspectivas a médio e longo prazo para o BB não são tão otimistas.

A carne bovina teve uma desaceleração no ritmo de abates, mas manteve um patamar de exportações elevado. Esse desequilíbrio tem pressionado os preços da arroba do boi gordo, que está sendo negociada em torno de R$ 350/@, segundo o banco.

Para a carne de frango e a carne suína, o cenário é semelhante: crescimento dos abates, mas níveis de exportação reduzidos, prejudicando a rentabilidade tanto no mercado internacional quanto no mercado doméstico.

A analista Georgia Jorge, que assina o relatório, indica uma expectativa de que esse cenário se mantenha nos próximos meses e impacte negativamente a lucratividade do setor ao longo de 2026.

Ainda assim, entre as recomendações, os frigoríficos foram destaque de fevereiro para o BB, com 3 recomendações de compra em Minerva Foods (BEEF3), JBS (JBSS32) e MBRF (MBRF3). Já em março, SLC Agrícola (SLCE3) fica em evidência, apontando para os melhores resultados nos preços dos grãos.

Veja todas as recomendações:

Empresa Ticker Cotação Mar (%) No ano (%) 12 meses (%) Preço-alvo 2026 Potencial (%) Recomendação
3Tentos TTEN3 15.02 -12.2 -8 4.8 20.8 38.5 Compra
Ambev ABEV3 15.1 -7.2 9 20.3 16 6 Neutra
Minerva BEEF3 4.39 -15.9 -23.8 -19.3 8 82.2 Compra
JBS JBSS32 79.34 -7.4 0.3 109 37.4 Compra
M. Dias Branco MDIA3 21.9 -6.4 -8.4 0.4 27.2 24.2 Neutra
Marfrig MBRF3 16.83 -18.6 -15.8 4.2 28.6 69.9 Compra
Ourofino OFSA3 27.5 12.2 19.6 29.3 24 -12.7 Neutra
SLC Agrícola SLCE3 18.09 9.8 26.8 18.7 18.4 1.7 Neutra
Boa Safra SOJA3 8.09 0.8 -10.5 -15.6 14.9 84.2 Neutra
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