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São Paulo tem o custo de construção de data center mais alto na América Latina

8 de Agosto de 2026, 17:08

A América Latina se torna cada vez mais atraente para investimentos em data centers, graças aos seus custos de construção mais baixos em comparação com os principais mercados da Ásia, Europa e Estados Unidos.

Um relatório da consultoria Turner & Townsend destaca que a inflação no setor se moderou e que a diferença de custos em relação aos mercados mais desenvolvidos continua diminuindo à medida que as cadeias de suprimentos locais ganham maturidade.

Entre as cidades latino-americanas incluídas no índice, São Paulo registra um custo médio de construção de US$ 10,75 por watt instalado, seguida por Querétaro (México), com US$ 10,40/W.

Em seguida, vêm Montevidéu (Uruguai), com US$ 9,89/W, Santiago (Chile), com US$ 8,61/W, e Bogotá (Colômbia), com US$ 7,49/W, posicionando-se como o mercado mais competitivo da amostra em termos de custo de construção.

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Cidades como São Paulo, Querétaro e Santiago apresentam uma demanda crescente, infraestrutura digital consolidada, conectividade regional e condições favoráveis para a futura expansão dos data centers.

“Ao comparar esses valores com os principais hubs globais, os custos na América Latina continuam sendo significativamente mais baixos. Os mercados mais caros do mundo são Tóquio (US$ 15,15/W), Singapura (US$ 14,53/W), Zurique (US$ 14,24/W) e Osaka (US$ 14,12/W)”, disse Kamila Lima, diretora de Gerenciamento de Projetos da Turner & Townsend no Brasil.

Na Europa, hubs consolidados como Londres (US$ 12,02/W) e Frankfurt (US$ 11,60/W) também registram custos superiores aos observados na América Latina.

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Segundo Lima, até mesmo a Virgínia do Norte (EUA), considerada o maior mercado mundial de data centers, apresenta um custo médio de aproximadamente US$ 10,92/W, ligeiramente superior ao de São Paulo.

Nesse contexto, “São Paulo continua sendo o mercado de data centers mais maduro e desenvolvido da América Latina, apoiado por um amplo ecossistema digital, uma forte concentração de provedores de nuvem, uma elevada demanda corporativa e uma posição estratégica como principal hub de conectividade da região”.

O custo por watt instalado é um dos fatores levados em consideração na tomada de decisões de investimento em data centers, mas não é o único.

“A escolha do local depende de um equilíbrio entre disponibilidade de recursos energéticos, acesso à água, conectividade, estabilidade regulatória e capacidade de operar uma infraestrutura crítica de forma segura e sustentável”, explicou à Bloomberg Línea Pedro Romero, responsável pela segurança cibernética da empresa de tecnologia chinesa Huawei na América Latina.

Embora todos esses elementos sejam importantes, ele afirma que existem três condições essenciais que costumam ter maior peso na decisão: a disponibilidade de energia confiável, o acesso à água para os sistemas de resfriamento e uma conectividade robusta e resiliente.

“Sem esses recursos, é muito difícil desenvolver e operar um data center de grande escala”, afirmou ele.

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Outros fatores importantes são a conectividade internacional, a proximidade com os usuários finais, os incentivos governamentais e a capacidade de expansão.

Segundo Pedro Romero, a inteligência artificial aumentou significativamente as exigências em termos de computação e disponibilidade, pelo que o fornecimento confiável de energia tornou-se um elemento indispensável.

Uma infraestrutura de telecomunicações de alta capacidade garante baixa latência e continuidade do serviço, enquanto o acesso à água é um componente essencial para garantir a eficiência e a sustentabilidade dos sistemas de refrigeração.

Panorama dos data centers na região

O relatório “Global Construction Market Intelligence 2026”, da Turner & Townsend, destaca que a infraestrutura digital e os data centers estão entre os setores que mais impulsionam a atividade da construção civil em nível mundial.

Na América Latina, tendências como a expansão da economia digital, o crescimento das aplicações de inteligência artificial e o fenômeno do nearshoring continuam atraindo investimentos, especialmente para mercados como o Brasil e o México.

O inventário de data centers de colocation atingiu 1,1 gigawatts (GW) de capacidade instalada em 2025 na América Latina, um crescimento de 20% em apenas um ano, de acordo com um relatório da empresa JLL.

O relatório destaca que esse aumento representa um recorde na entrega de novas infraestruturas na região.

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Além disso, isso reflete o forte interesse de operadores e investidores em expandir sua presença no mercado latino-americano.

Em particular, os data centers de colocation são instalações nas quais uma empresa aluga espaço, energia e conexão à internet para instalar e operar seus próprios servidores.

Na região, Querétaro (no México) e São Paulo e Barueri, na Grande São Paulo, foram responsáveis por 82% das entregas de estoque.

Em uma entrevista recente à Bloomberg Línea, o diretor da Amazon Web Services (AWS) para o norte da América Latina e o Caribe, Américo de Paula, afirmou que fatores como regulamentação, carga tributária, estabilidade política e demanda serão determinantes para futuros investimentos em centros de dados na América Latina, à medida que aumentam as necessidades de capacidade para soluções de IA.

“Estamos sempre avaliando, de forma contínua, investimentos em novos data centers e novas infraestruturas em toda a região”, disse De Paula durante o AWS Summit Bogotá. “Isso está relacionado à demanda dos clientes, ao ambiente regulatório, aos impostos, ao cenário político e econômico e aos custos de cada país.”

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Segundo a Huawei, mais do que uma cidade específica, hoje os investidores avaliam quais regiões reúnem as condições necessárias para desenvolver e operar um data center de forma eficiente e sustentável.

“A decisão dependerá, além disso, do uso que será dado à infraestrutura, já que um data center destinado a cargas intensivas de inteligência artificial exigirá maior capacidade de processamento, mais energia e sistemas de refrigeração mais robustos do que um voltado para outros serviços digitais”, afirmou Pedro Romero, da Huawei.

Disponibilidade de energia

De acordo com a Turner & Townsend, a expansão da inteligência artificial está transformando os requisitos dos novos centros de dados, que exigem maior capacidade energética, sistemas de refrigeração mais sofisticados e infraestrutura técnica de alta complexidade.

Os data centers projetados para cargas de trabalho de inteligência artificial exigem maiores densidades de potência e sistemas de refrigeração mais avançados, o que aumenta a complexidade técnica e os custos de desenvolvimento.

A Turner & Townsend estima que os projetos com refrigeração líquida destinados à IA possam apresentar custos de construção entre 7% e 10% superiores aos de um data center tradicional refrigerado por ar.

Nesse contexto, a disponibilidade de energia e o potencial de crescimento a longo prazo tornaram-se fatores tão relevantes quanto o próprio custo de construção.

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Por isso, a Turner & Townsend destaca que o fator mais decisivo para a localização de um data center não é mais o custo de construção, mas a disponibilidade de energia.

Especificamente, o acesso a energia confiável e escalável tornou-se o principal critério para a seleção de novos locais.

Além disso, eles consideram que a conectividade digital é o segundo fator-chave.

Kamila Lima afirma que as operadoras priorizam mercados com acesso a redes de fibra óptica, cabos submarinos, pontos de intercâmbio de internet e proximidade a grandes centros de consumo de dados, o que reduz a latência e melhora o desempenho dos serviços digitais.

Também são fatores determinantes a estabilidade regulatória, a agilidade nos processos de licenciamento, a disponibilidade de terrenos adequados para expansão e a capacidade local de execução.

Liderança do Brasil no setor

A consultoria Turner & Townsend estima que o Brasil concentra aproximadamente 40% dos investimentos regionais em data centers, consolidando-se como um destino prioritário para operadoras hyperscale e provedores globais de nuvem.

Nesse contexto, destaca que o Brasil é atualmente o país mais bem posicionado da América Latina para atrair uma parcela significativa da próxima onda de investimentos em centros de dados impulsionada pela inteligência artificial.

Sua vantagem competitiva combina a escala do mercado, a elevada demanda local e um ecossistema digital maduro.

São Paulo se consolidou como o principal polo de data centers da região, enquanto Campinas, no interior do estado, surge como um dos centros mais importantes para a expansão da capacidade.

Para os analistas dessa empresa, o Brasil parte de uma posição favorável graças à concentração de infraestrutura já instalada, à presença de grandes provedores de nuvem e a uma ampla base de clientes corporativos — condições que facilitam o desenvolvimento de novos projetos voltados para cargas de trabalho de inteligência artificial.

Por sua vez, o México apresenta um grande potencial decorrente do fenômeno do nearshoring e de sua estreita integração com o mercado norte-americano.

Em particular, Querétaro, no México, consolidou-se como um dos principais pólos emergentes para investimentos em hyperscale na região.

Santiago do Chile se destaca por sua estabilidade institucional e econômica, sua sólida conectividade regional, a disponibilidade de infraestrutura tecnológica e um ambiente favorável a investimentos de longo prazo, fatores que contribuíram para o desenvolvimento de seu ecossistema digital.

Também se destacam cidades como Bogotá e Montevidéu, que apresentam custos de construção mais competitivos e buscam se posicionar como alternativas atraentes para futuros investimentos, especialmente à medida que aumenta a demanda regional por capacidade de processamento e armazenamento de dados.

Os desafios do setor

De acordo com os analistas da consultoria, os principais obstáculos para novos investimentos em data centers na América Latina estão relacionados à capacidade de dar resposta ao rápido crescimento da demanda digital, especialmente aquela impulsionada pela inteligência artificial.

“Os incentivos fiscais podem contribuir para melhorar a viabilidade financeira de um projeto, mas raramente compensam as limitações relacionadas à energia, à conectividade ou à infraestrutura”, disse Kamila Lima. “Por isso, os mercados que mais atraem investimentos são aqueles que combinam esses fatores de maneira equilibrada.”

Por outro lado, a Turner & Townsend afirma que a escassez de mão de obra especializada e de componentes eletromecânicos tornou-se um dos principais desafios para a indústria em nível global.

A propósito, o relatório Global Construction Market Intelligence 2026 aponta que mais de 70% dos mercados analisados relatam dificuldades para encontrar profissionais qualificados, o que aumenta os riscos de execução e pode afetar os prazos e os custos dos projetos.

Também persistem desafios relacionados à capacidade da cadeia de suprimentos, especialmente no que diz respeito a equipamentos eletromecânicos, sistemas de refrigeração e componentes elétricos essenciais.

“A crescente demanda global por infraestrutura digital e de inteligência artificial está gerando pressão sobre a disponibilidade desses equipamentos e sobre os prazos de entrega”, observou Lima.

Por fim, aspectos como a obtenção de licenças, a disponibilidade de terrenos adequados e a estabilidade regulatória continuam sendo fatores relevantes para a viabilidade de novos empreendimentos.

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Cidades como São Paulo apresentam uma demanda crescente, infraestrutura digital consolidada, conectividade regional e condições favoráveis para expansão de data centers. (Foto: Shutterstock)

Como o Paraguai usa energia 100% renovável para impulsionar projetos de tecnologia e IA

6 de Agosto de 2026, 07:02

A forte participação da energia hidrelétrica, entre outros fatores, permitiu que um grupo de países da América Latina superasse a média regional de geração de eletricidade a partir de fontes renováveis, que atualmente chega a 67%, segundo a Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olacde).

No entanto, dentro desse grupo de países, o Paraguai é o único que atualmente gera 100% de sua eletricidade por meio de fontes renováveis, seguido pelo Uruguai (97%), Costa Rica (92%), Equador (92%), Brasil (88%), Colômbia (87%), Venezuela (86%), Belize (76%) e Peru (68%).

O principal fator que determinou que a geração de energia do Paraguai seja 100% renovável é a existência das duas usinas hidrelétricas binacionais de Itaipu e Yacyretá, que o país compartilha com o Brasil e a Argentina, respectivamente.

A capacidade de geração de suas grandes usinas hidrelétricas permite que o Paraguai atenda ao consumo nacional e exporte o excedente de energia que lhe cabe nas usinas binacionais.

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De acordo com informações do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o país possui uma das taxas mais altas de acesso à energia, atingindo quase 100% das famílias. O Paraguai, um país sem litoral, tem cerca de 6,4 milhões de habitantes e um PIB per capita de aproximadamente US$ 6.261.

No caso de Itaipu, considerada a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, a principal vantagem é a perspectiva de contar com eletricidade a baixo custo.

Em 2025, a Itaipu gerou 72,9 milhões de megawatts-hora (MWh), um aumento de 8,63% em relação ao ano anterior.

Essa energia é suficiente para abastecer o mundo durante um dia, o Brasil por 40 dias e o Paraguai por cerca de três anos.

“Além de contar com uma matriz de geração de energia elétrica limpa, o Paraguai tem um dos preços de eletricidade mais baixos da América Latina”, disse à Bloomberg Línea o secretário executivo da Olacde, Andrés Rebolledo.

Estima-se que o preço médio da eletricidade no mundo seja de US$ 0,176 por kWh para usuários residenciais e US$ 0,164 por kWh para empresas, de acordo com o site Global Petrol Prices.

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No Paraguai, o custo médio para o setor residencial é de US$ 0,055 e, para as empresas, de US$ 0,046.

Tanto a Itaipu quanto a Yacyretá oferecem um fornecimento de energia com baixas emissões de gases de efeito estufa, o que fortaleceu a imagem do Paraguai como um país com uma matriz elétrica limpa e renovável.

Ao mesmo tempo, isso favoreceu a chegada de indústrias ligadas à economia de baixo carbono e a produtos de maior valor agregado.

Apesar de gerar toda a sua eletricidade a partir de fontes renováveis, o Paraguai continua dependendo de outras fontes menos sustentáveis para suprir toda a demanda energética interna.

De acordo com o balanço energético, citado pelo PNUD, a biomassa representa 41% do consumo e os hidrocarbonetos importados, 39%. Isso contrasta com “uma utilização limitada de 20% da energia hidrelétrica”, que é a responsável por 100% da energia limpa do país.

Apesar disso, o país sul-americano “obtém recursos econômicos significativos com a exportação de energia elétrica e se tornou um destino atraente para a implantação de centros de processamento de dados para criptomoedas, inteligência artificial e outros serviços digitais”, observou Andrés Rebolledo.

Em sua recente visita a Taiwan, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que os dois países haviam iniciado “o caminho para criar o maior hub de inteligência artificial do mundo”. Os acordos para investimentos em centros de dados de inteligência artificial teriam como objetivo aproveitar o potencial energético do país e a capacidade tecnológica de Taiwan.

O secretário executivo da Olacde destaca que, justamente por sua energia elétrica relativamente barata e limpa, o Paraguai se tornou um polo atraente para investimentos em projetos de data centers voltados para criptomoedas e inteligência artificial, destinados a serviços digitais internacionais.

E o mesmo vale para projetos de hidrogênio verde e seus derivados, com destaque para a usina experimental do Parque Tecnológico de Itaipu, no Paraguai, destinada à produção de amônia verde e fertilizantes.

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Vantagem geográfica

A principal vantagem comparativa do Paraguai em termos de recursos energéticos renováveis decorre diretamente do fato de que o país compartilha com outros países da região um dos principais potenciais hidrelétricos no trecho internacional do rio Paraná.

“É um dos principais rios do mundo e uma das maiores bacias hidrográficas do planeta, com características topográficas muito favoráveis à construção de represas com área inundável relativamente pequena”, disse à Bloomberg Línea o professor Victorio Enrique Oxilia.

“No entanto, o simples fato de possuir esses recursos em regime de condomínio não explica a realização dos grandes projetos binacionais, Itaipu e Yacyretá”, observou o professor da Faculdade Politécnica da Universidade Nacional de Assunção.

O acadêmico se refere a um contexto marcado por conflitos territoriais históricos que acabaram se transformando em soluções energéticas para os países que compartilham o recurso.

Segundo ele, isso foi resultado de negociações bilaterais e, em um determinado período, trinacionais (em 1979, quando foram definidas as condições para a construção de um terceiro projeto binacional — entre o Paraguai e a Argentina — denominado Corpus Christi, ainda em fase de planejamento).

“A disponibilidade do recurso natural, a negociação com os países vizinhos para o uso conjunto do recurso energético, bem como a definição de condições que garantiram a viabilidade técnica e financeira, foram os principais elementos que possibilitaram um desenvolvimento único na região: geração de energia hidrelétrica para o mercado interno e para a cessão (exportação) de energia elétrica”, afirmou Oxilia.

Apelo turístico

O modelo desenvolvido em torno da usina hidrelétrica de Itaipu pode se tornar uma vantagem competitiva para atrair investimentos em setores com alto consumo de eletricidade, segundo o professor Oxilia.

Por se tratar de uma usina sem dívidas, com baixos custos operacionais e capaz de gerar energia a baixo custo, ela oferece condições favoráveis para projetos que exigem alto consumo de energia.

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Em 2023, a Itaipu Binacional, empresa criada pelo Brasil e pelo Paraguai para administrar a usina hidrelétrica, informou que pagou a última parcela da dívida de construção.

Além do preço competitivo, a disponibilidade de um abastecimento confiável e de baixas emissões reforça a atratividade do Paraguai para a manufatura de maior valor agregado, mas também para a produção de hidrogênio e fertilizantes verdes.

“Acho que isso é muito interessante, principalmente para os setores complexos e em crescimento”, afirmou o analista paraguaio. “Também há as empresas de mineração de criptomoedas (que, atualmente, têm contratos válidos até o ano de 2027), mas são os investimentos com menor impacto em relação ao desenvolvimento local”, em sua opinião.

A esse respeito, ele explicou que as mineradoras de criptomoedas que operam regularmente consomem uma grande quantidade de energia e pagam suas contas à Administração Nacional de Eletricidade (ANDE).

“Para a ANDE, esse aumento na receita é positivo. Mas para mais ninguém no país. Eles não pagam impostos no país sobre a renda real que, no fim das contas, auferem, nem empregam muitos paraguaios”, observou. Portanto, “em termos tributários e de emprego, o impacto para o país é praticamente nulo. Eles pagam praticamente apenas o IVA da conta da ANDE”.

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Riscos

A Olacde afirma que, embora o Paraguai tenha enfrentado períodos de vazante em alguns anos recentes, como em 2020, 2021 e 2024, esses períodos não chegaram a afetar o abastecimento de energia elétrica no país.

De qualquer forma, eles realmente reduziram os excedentes de energia exportáveis do país.

A Olacde destaca que o país tem planos de diversificar sua matriz de geração de energia elétrica, principalmente com base em usinas fotovoltaicas apoiadas por bancos de baterias.

Segundo Victorio Enrique Oxilia, o principal desafio de longo prazo para o país é a variabilidade climática, especialmente o aumento da frequência de secas prolongadas e chuvas extremas.

Além disso, há a falta de infraestrutura suficiente para armazenar energia durante os períodos de maior abundância e, assim, garantir a geração de eletricidade nos anos seguintes.

“É um desafio muito importante. As medidas de adaptação terão que ser propostas, estudadas e, caso se comprove sua eficácia, deverão ser implementadas”, afirmou Oxilia.

“No que diz respeito ao fenômeno periódico do El Niño, prevê-se um aumento no volume de chuvas e de água na bacia hidrográfica, o que criaria condições para a geração de grandes quantidades de eletricidade”, observou o acadêmico da Universidade Nacional de Assunção. De fato, “um ano com produção recorde de eletricidade em Itaipu ocorreu em 2016, ano do último ‘El Niño’ relevante na bacia hidrográfica”.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que o fenômeno do El Niño de 2026-2027 poderia afetar negativamente o emprego, reduzir a renda dos trabalhadores e piorar as condições de trabalho na América Latina e no Caribe.

No sudeste da América do Sul, especialmente no sul do Brasil, no Paraguai, no Uruguai e no norte e nordeste da Argentina, indica que os riscos ocupacionais e produtivos incluem possíveis perdas decorrentes de inundações na produção agropecuária e danos à infraestrutura de transporte.

Nesse sentido, prevê impactos em áreas como agricultura, logística, transporte e obras públicas.

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Hidrelétrica de Itaipu: o Brasil gera 88% de sua energia a partir de fontes renováveis (Foto: Divulgação).

Brasil fica atrás de México e Argentina em ranking global de qualidade de vida em 2026

4 de Agosto de 2026, 13:39

Os países latino-americanos continuam ficando para trás na lista das economias do mundo com melhor qualidade de vida, que, em 2026, é liderada globalmente por nações de alta renda como Suécia, Dinamarca, Canadá, Suíça e Finlândia, de acordo com um relatório da Wharton School.

Os países mais bem posicionados da região são aqueles que conseguiram combinar crescimento econômico com instituições mais sólidas, estabilidade, investimento em capital humano e confiança da população.

Por outro lado, os países que ficaram para trás enfrentam desafios multidimensionais que exigem políticas sustentadas ao longo de vários governos.

“Nesse tipo de ranking, a reputação internacional reflete, em grande parte, a capacidade de um país de proporcionar bem-estar de forma consistente, e não apenas resultados econômicos de curto prazo”, disse à Bloomberg Línea Clara Inés Pardo, analista, doutora em Economia e professora da Universidade do Rosário, na Colômbia.

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“A qualidade de vida não depende apenas da renda média. Também é importante que as pessoas tenham acesso a serviços públicos de qualidade, confiem nas instituições e possam desenvolver seus projetos de vida em um ambiente relativamente estável”, observou Pardo.

Do ponto de vista das finanças públicas, o atraso da América Latina também se deve a uma falha estrutural na qualidade do investimento público e na capacidade de arrecadação.

“Embora sejamos uma região de renda média, sofremos com acordos fiscais fracos, nos quais a carga tributária média é baixa e, às vezes, regressiva, dependendo de impostos indiretos como o IVA”, disse à Bloomberg Línea a professora Diana Becerra Peña, do Centro Universitário de Ciências Econômicas e Administrativas (CUCEA) da Universidade de Guadalajara. “Além disso, observa-se uma ineficiência na alocação dos gastos. A maior parte do orçamento público é destinada a gastos correntes, em vez de investimentos em capital”.

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A acadêmica afirma que ainda não se conseguiu consolidar os sistemas orçamentários orientados a resultados, e isso faz com que um nível mais elevado de renda agregada não se traduza automaticamente na geração de valor público, nem em melhores serviços de saúde, infraestrutura ou educação.

O Índice dos Melhores Países de 2026 classifica 85 países do mundo com base em diferentes categorias, entre as quais se inclui o fator qualidade de vida.

O relatório se baseia nas opiniões de 15.131 adultos de 33 países.

Para isso, leva em consideração as condições de vida, a segurança, o poder aquisitivo, a assistência médica, o acesso à moradia e as oportunidades de trabalho.

Esses países representam 93% do PIB mundial e 78% da população mundial.

Buenos Aires, Argentina: Os países da região que se destacam no Índice conseguiram combinar crescimento econômico, instituições fortes, estabilidade, investimento em capital humano e confiança da população. (Foto: Erica Canepa/Bloomberg)

O estudo e o modelo utilizados para avaliar e classificar os países foram elaborados pela empresa global WPP, por meio de sua ferramenta de análise de marcas, em colaboração com a Wharton School da Universidade da Pensilvânia, especialmente com o professor David Reibstein.

Entre os países da região, o melhor classificado foi o México, que ocupa a 39ª posição no ranking mundial com uma pontuação de 22,8 em 100, de acordo com o Índice.

Para os pesquisadores da Wharton School, o México “enfrenta desafios constantes, entre os quais a desigualdade de renda e as disparidades regionais; no entanto, conta com importantes vantagens demográficas graças a uma força de trabalho jovem e em crescimento”.

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O México parece estar em vantagem não apenas por seu porte econômico, mas também por sua integração com a América do Norte, sua capacidade industrial e seu peso nas cadeias globais de valor — aspectos que influenciam a percepção externa.

“A localização geográfica do país ao longo de importantes corredores comerciais e sua participação no T-MEC consolidaram seu papel como um importante centro de manufatura”, afirma o documento.

No caso do México, Diana Becerra Peña destaca que têm sido implementados marcos fiscais e regras tributárias cada vez mais sólidos. “A integração da economia mexicana ao comércio global gerou dinâmicas de arrecadação e investimento produtivo que, aliadas à gestão dos gastos, proporcionam margens de manobra mais amplas, apesar da heterogeneidade regional no desempenho local”.

Camboriú, Brasil: Terceiro na região (53º no mundo), o país enfrenta desigualdade e violência, mas possui um grande mercado e recursos naturais. (Foto: Maira Erlich/Bloomberg)

Em meio ao seu processo de recuperação e apesar dos desafios, a Argentina já é considerada o segundo país em qualidade de vida na região (49º no mundo), com uma pontuação de 18,4, de acordo com o relatório da Wharton School.

De acordo com o documento, “o país se recuperou de crises anteriores graças à sua resiliência e à adaptação institucional. Sua força de trabalho qualificada e sua capacidade de inovação em tecnologia e biotecnologia oferecem potencial de crescimento”.

“A Argentina continua sua participação estratégica na região por meio do Mercosul e mantém uma influência cultural significativa em toda a América Latina. Abordar a sustentabilidade fiscal e a inflação continua sendo fundamental para a estabilidade e o crescimento econômicos futuros”, acrescenta.

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Em terceiro lugar, no âmbito regional, está o Brasil, a maior economia da América Latina, que obteve uma pontuação de 17,9 em qualidade de vida e ficou na 53ª posição no ranking global.

O relatório destaca “seu vasto mercado, seu perfil demográfico jovem e sua riqueza em recursos naturais”, fatores que o posicionam como um ator essencial para o futuro econômico mundial. “O Brasil continua trabalhando no fortalecimento institucional e no desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo em que aproveita suas vantagens naturais”.

Os desafios do país incluem a desigualdade de renda, a violência em certas áreas urbanas e as preocupações com o desmatamento da Amazônia.

Montevidéu, Uruguai: País ficou Uruguai, em quarto lugar no ranking e foi elogiado por sua estabilidade institucional. (Foto: Mauricio Zina/Bloomberg)

Já na quarta posição está o Uruguai (56º lugar no ranking global), com uma pontuação de 15,7 no quesito qualidade de vida, de acordo com o Índice dos Melhores Países de 2026.

O Uruguai se destaca por sua estabilidade institucional e por seu papel como parceiro confiável na América do Sul.

Suas relações comerciais, o desenvolvimento de serviços financeiros e o acesso ao Mercosul fortalecem sua economia, embora o tamanho reduzido de seu mercado e a dependência de matérias-primas continuem sendo desafios.

O quinto lugar na América Latina é do Chile (57º no ranking mundial), com uma pontuação de 15,6 em qualidade de vida.

Na opinião dos autores do relatório, o Chile enfrenta o desafio de lidar com a desigualdade persistente, as demandas sociais por redistribuição e a polarização política para “manter o desenvolvimento a longo prazo e a legitimidade institucional”.

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De qualquer forma, em nível mundial, “o Chile se posicionou como a porta de entrada da América Latina para os mercados da Ásia-Pacífico e para os canais de transferência de tecnologia. A relativa estabilidade e o desenvolvimento institucional do país atraíram um investimento estrangeiro significativo, embora a incerteza recente tenha freado esses fluxos”, destaca o documento.

Depois do Chile, vêm outras economias regionais, como o Peru (62º lugar no mundo), com uma pontuação de 12,1, e o Panamá (66º lugar), com uma pontuação de 10,8.

Entre os países da região que foram avaliados, os que apresentam pior desempenho são a Colômbia (pontuação de 9,7), o Equador (9,3) e a Guatemala (9,1).

Santiago, Chile: País lida com desigualdade e polarização política, mas mantém uma posição estratégica no comércio e ficou em quinto lugar no ranking. (Foto: Prefeitura de Santiago)

O relatório não leva em conta países como Cuba, Venezuela ou Haiti.

Sobre a Guatemala, por exemplo, o documento destaca que a violência, a corrupção, a fragilidade das instituições e a pobreza “continuam sendo desafios importantes para o desenvolvimento, que limitam o investimento e a competitividade”.

“Abordar as questões de segurança e fortalecer a governança democrática são aspectos essenciais para concretizar o potencial de desenvolvimento da Guatemala e a integração econômica regional”, acrescenta ele.

A analista Clara Inés Pardo destaca que uma estrutura institucional fraca reduz a capacidade do Estado de oferecer serviços de qualidade, ao mesmo tempo em que limita a produtividade e o crescimento econômico.

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Além disso, a redução da renda dificulta o financiamento de políticas sociais, enquanto a insegurança desestimula os investimentos e afeta tanto a economia quanto o bem-estar no dia a dia.

Por isso, “a qualidade de vida é resultado de um sistema, não de uma única variável. A segurança, a renda, as instituições e a equidade se reforçam ou se deterioram mutuamente”, destacou a analista.

Consequentemente, melhorar a posição em índices como o da Wharton exige consistência nas políticas públicas.

Não basta crescer economicamente durante alguns anos; é necessário que esse crescimento se traduza em maior segurança, melhores serviços públicos, instituições mais confiáveis e oportunidades para uma parcela maior da população.

Entre as medidas eficazes, destacam-se o fortalecimento da qualidade da educação, desde a primeira infância até o ensino superior; a ampliação da cobertura e da qualidade dos sistemas de saúde; e a melhoria da segurança cidadã por meio de estratégias integrais de prevenção e fortalecimento institucional.

Pardo também sugere reduzir a informalidade no mercado de trabalho e aumentar a produtividade; garantir a estabilidade macroeconômica para atrair investimentos e gerar empregos; e fortalecer a transparência e a capacidade do Estado de implementar políticas públicas.

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O estudo foi baseado nas opiniões de mais de 15 mil adultos em 33 países. (Foto: Maira Erlich/Bloomberg)

Lucro dos bancos da América Latina cresce 31% em 2025, diz Felaban; Brasil lidera

1 de Agosto de 2026, 10:14

O setor bancário da América Latina registrou lucros de US$ 88,9 bilhões em 2025, um aumento de 31% em relação ao ano anterior, impulsionado por um ambiente de taxas de juros elevadas, crescimento do crédito em termos nominais e a valorização de várias moedas da região, de acordo com um relatório da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban).

Em uma nota compartilhada com a Bloomberg Línea, a Federação destacou vários fatores, como a prudência dos gestores das instituições bancárias, políticas de concessão de crédito “baseadas em evidências” e na previsão do risco financeiro, linhas de produtos claras e “um acompanhamento cuidadoso da carteira que evite possíveis dores de cabeça”.

“Isso será sustentável se a economia continuar crescendo, se a renda das famílias se mantiver e se, além disso, o investimento privado encontrar melhores incentivos para se concretizar”, afirmou Felaban na nota. Caso contrário, “é previsível que esses resultados se moderem. O setor financeiro e bancário nunca fica alheio ao que ocorre com a economia”.

Em 2025, o Brasil liderou amplamente a região com um lucro líquido acumulado de US$ 45,8 bilhões, seguido pelo México, com US$ 17,1 bilhões.

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Mais atrás ficaram o Chile (US$ 5,8 bilhões), o Peru (US$ 4,2 bilhões) e a Colômbia (US$ 3,8 bilhões), consolidando-se como os cinco mercados com maiores lucros líquidos acumulados entre os países analisados.

Em seguida, vêm o Panamá (US$ 2,6 bilhões), a Argentina (US$ 2,1 bilhões), a República Dominicana (US$ 1,2 bilhão), a Guatemala (US$ 1,2 bilhão) e o Uruguai (US$ 1,1 bilhão)

O ano passado proporcionou um ambiente especialmente favorável para a geração de receitas do setor bancário da América Latina, onde o Brasil, o México e o Chile concentraram 77% dos lucros líquidos, segundo o relatório.

A desinflação avançou mais lentamente do que o esperado, os bancos centrais reduziram as taxas de juros menos que o previsto e o crédito continuou crescendo em termos nominais.

Isso permitiu que os bancos mantivessem uma alta rentabilidade sobre seus ativos, enquanto o custo de uma parte significativa de seus depósitos se ajustou mais lentamente.

De acordo com o relatório da Felaban, a independência dos bancos centrais também continua sendo um pilar para preservar a estabilidade macroeconômica e reduzir a probabilidade de episódios de inflação elevada.

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“Em uma amostra comparável de grandes bancos, a margem líquida de juros da América Latina atingiu 5,5%, contra 3% dos bancos emergentes, excluindo a China”, disse à Bloomberg Línea o economista do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), Jonathan Fortun. “Essa diferença é grande demais para ser apenas cíclica”.

Fortun afirma que a região apresenta baixa penetração de crédito, mercados relativamente concentrados, altos custos para mudar de banco e uma base de depósitos predominantemente local.

“Tudo isso permite manter margens superiores às de outras regiões. O paradoxo é que o baixo nível de penetração financeira não impede a rentabilidade bancária, mas, ao contrário, ajuda a explicá-la”, comentou o analista do IIF.

Além disso, a valorização de várias moedas em relação ao dólar ampliou o crescimento dos lucros expressos nessa moeda.

O aumento registrado em 2025 reflete os lucros consolidados em dólares, incorporando, portanto, tanto o crescimento dos lucros em moeda local quanto a valorização de várias moedas da região ao longo de 2025.

Essa mesma variação cambial explica parte do aumento de 18% nos ativos bancários medidos em dólares, segundo a Fortun.

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O que está por trás dos maiores crescimentos?

Em moeda local, os maiores crescimentos ano a ano nos lucros foram observados na Colômbia (71%), no Equador (43%) e na Bolívia (42%), ao passo que o Uruguai foi o único país a registrar resultados negativos nesse período.

Para Fortun, esse resultado deve ser interpretado com cautela.

A análise aponta que o aumento de 71% nos lucros na Colômbia representa, em grande parte, uma normalização após dois anos de fraca performance e provisões extraordinárias.

“Nesse contexto, a recente melhora na qualidade dos ativos e as taxas novamente elevadas permitem que as margens continuem se expandindo ao longo de 2026”, disse ele.

No caso da Bolívia, o aumento de 42% no lucro não refletiria uma expansão equivalente da intermediação financeira.

Com taxas de juros ativas reguladas, alocações obrigatórias de carteira, escassez de moeda estrangeira e fraco crescimento real do crédito, boa parte da geração incremental de receitas provém de comissões, serviços de pagamento, operações transacionais e atividades relacionadas ao acesso e à gestão de moeda estrangeira.

Segundo o analista do IIF, os bancos podem apresentar lucros nominais crescentes ao mesmo tempo em que o canal tradicional de intermediação se enfraquece.

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Nesse contexto, “a rentabilidade contábil diz pouco sobre a capacidade do sistema de direcionar a poupança para o crédito produtivo”.

Em outros países da região, como a Argentina, as variações nos lucros continuam sendo determinadas pela taxa de câmbio e pela contabilidade em condições de alta inflação. Por isso, “o crescimento interanual do lucro revela mais sobre o ponto do ciclo do que sobre a solidez relativa de cada sistema”, observou ele.

O Brasil liderou os lucros na região, com US$ 45,8 bilhões. (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)

Retorno sobre ativos e patrimônio líquido

A Felaban explica que a rentabilidade sobre os ativos (ROA) do setor bancário latino-americano ficou em média em 1,54% no final de 2025, acima do trimestre anterior (1,42%) e do nível observado um ano antes (1,44%).

Peru (2,5%), República Dominicana (2,2%) e Paraguai (2,2%) lideraram esse indicador na região.

Em contrapartida, Costa Rica, Honduras e Argentina apresentaram os níveis mais baixos (0,8%, 1% e 1%, nessa ordem).

Enquanto isso, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) do setor bancário regional ficou em média em 14,2% no ano de 2025, acima do trimestre anterior (13,9%) e do nível registrado um ano antes (13,9%).

A Argentina, embora tenha mantido um resultado positivo, foi o único país com ROE de um único dígito, enquanto os sistemas bancários da República Dominicana, do Uruguai e do Peru foram os que mais se destacaram (19,3%, 18,4% e 17,7%, respectivamente).

Fortun afirma que o mesmo contexto que impulsionou os lucros também começou a exercer pressão sobre a qualidade da carteira.

Assim, as altas taxas de juros, que ampliaram as margens financeiras, reduziram, ao mesmo tempo, a capacidade de pagamento dos devedores.

O relatório da Felaban indica que a carteira de créditos vencidos do setor bancário regional aumentou 46% em relação ao mesmo período do ano anterior até o quarto trimestre de 2025, totalizando US$ 94,5 bilhões.

Com isso, o indicador agregado de inadimplência subiu para 2,71%, contra 2,47% no ano anterior.

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Concentração regional de lucros

Fortun afirma que a concentração regional dos lucros é, acima de tudo, uma questão de tamanho das economias.

O Brasil e o México, as duas maiores economias da região, concentram cerca de sete em cada dez dólares dos ativos do sistema financeiro regional.

Para a Felaban, os sistemas financeiros e bancários têm um tamanho relativo que está em harmonia com o de cada economia, o nível de desenvolvimento financeiro, o nível de sofisticação dos serviços financeiros, o consumo das famílias, a formação bruta de capital fixo e o grau de aprofundamento dos mercados de capitais.

No Brasil, as altas taxas de juros ainda sustentam as margens, mas o aumento do custo de risco começa a se concentrar no setor bancário público e no crédito agropecuário.

“A resposta está se refletindo na composição do balanço, com menor apetite por crédito corporativo e uma migração para segmentos mais defensivos, como folha de pagamento e hipotecas”, afirmou Fortun.

No México, o crédito continua crescendo, principalmente devido ao consumo, mas os lucros perderam impulso durante o segundo trimestre, à medida que as provisões aumentaram e as margens se moderaram, de acordo com o IIF.

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A trajetória para 2026

Para o IIF, a questão para 2026 não é se o setor bancário latino-americano continuará sendo lucrativo, mas de onde virá essa lucratividade e quanto deverá ser reservado para cobrir a deterioração acumulada.

“A solvência agregada de 16,8%, as margens ainda elevadas e o financiamento predominantemente doméstico reduzem o risco de uma crise sistêmica”, afirmou Fortun. “No entanto, parece improvável que se repita um crescimento dos lucros de 31%”.

Segundo o analista, o lucro agregado terá cada vez menos peso, enquanto os indicadores antecipados, a formação de novas inadimplências, o custo de risco, as provisões, a composição da carteira de crédito, o custo dos depósitos e a evolução do capital terão cada vez mais importância.

O cenário central do IIF é uma normalização dos lucros, com uma dispersão muito maior entre países, carteiras e modelos de financiamento.

Em termos regionais, existem três trajetórias possíveis.

Uma flexibilização monetária ordenada reduziria as margens, mas aliviaria o custo do crédito, permitiria recuperar os volumes e estabilizaria a inadimplência.

Para Fortun, seria um cenário de menor crescimento dos lucros, mas de melhor qualidade.

Enquanto isso, um cenário de inflação persistente manteria as margens elevadas por mais alguns trimestres, embora à custa de um aumento na inadimplência e nas provisões. “Esse é provavelmente o risco mais relevante, pois prolongaria a aparência de solidez antes de prejudicar o resultado final”.

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Em um cenário de recessão acompanhada por desvalorizações cambiais, isso resultaria no ajuste mais severo, ao combinar menor oferta de crédito, perdas de qualidade e uma queda automática nos lucros medidos em dólares; no entanto, esse não é o cenário principal.

De qualquer forma, “as informações disponíveis para 2026 apontam para uma desaceleração, não para uma reversão. Para uma amostra de grandes bancos regionais, o crescimento do crédito, medido em dólares, cairia de 27% em 2025 para cerca de 17% em 2026, um número ainda elevado, mas fortemente influenciado pelas taxas de câmbio”, afirmou Fortun.

As projeções do analista do IIF indicam que a rentabilidade antes das provisões diminuiria ligeiramente, enquanto o custo do risco continuaria bem acima da média de outras regiões.

O capital de nível 1 também poderia cair cerca de meio ponto percentual, não por causa de prejuízos, mas devido ao crescimento dos ativos ponderados pelo risco, aos dividendos e à nova regulamentação. “A reserva continua sendo suficiente, mas já não está aumentando”, concluiu.

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Cédulas de reais: o aumento dos lucros dos bancos em LatAm foi impulsionado por taxas de juros elevadas, crescimento nominal do crédito e valorização de várias moedas da região. (Foto: Andre Borges/Bloomberg)

Nem presencial, nem remoto: o regime de trabalho que o WeWork vê crescer em LatAm

30 de Julho de 2026, 12:40

O trabalho híbrido tradicional está evoluindo na América Latina para um modelo 100% flexível, no qual a prioridade não é mais definir quantos dias se vai ao escritório, mas qual é o sentido real de ir e o que as empresas ganham com isso, de acordo com um estudo divulgado com exclusividade à Bloomberg Línea pelo WeWork.

“O modelo híbrido está até começando a ficar um pouco mais no passado”, disse à Bloomberg Línea Claudio Hidalgo, presidente para a América Latina da empresa de espaços de coworking WeWork. “Antes da pandemia, éramos 100% presenciais e passamos depois para 100% remoto; em seguida, a situação começou a se estabilizar no meio-termo e passou-se a falar do espaço híbrido. Estamos caminhando para uma flexibilidade que vai além do modelo híbrido”.

O estudo de Tendências Trabalhistas 2026-2027 do WeWork, em parceria com a Michael Page, mostra uma evolução de um esquema “binário” — baseado em estar ou não estar no escritório — para um em que as atividades que realmente exigem presença física têm maior importância.

Do total da amostra nos cinco países analisados na América Latina, 36,88% trabalham em um modelo 100% presencial, abaixo dos 48% do relatório do ano passado.

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Enquanto isso, 38,43% dos entrevistados atuam em um modelo híbrido.

O relatório reflete a preferência predominante por modelos flexíveis que equilibram o trabalho presencial com o trabalho remoto.

45,41% preferem ir ao escritório três ou mais dias por semana, enquanto os 54,59% restantes preferem ir apenas um ou dois dias.

“Não é mais uma questão de dias, estamos falando até mesmo de horas”, comentou o presidente do WeWork para a América Latina. “As pessoas talvez venham trabalhar nos escritórios na segunda-feira, das 15h às 18h, na terça-feira, das 11h às 17h, na quarta-feira talvez não venham, e assim por diante”.

De acordo com os autores do relatório, elaborado a partir de uma pesquisa com cerca de 3.000 pessoas distribuídas entre México, Argentina, Chile, Colômbia e Peru, o escritório faz sentido quando permite atividades que exigem interação, como reuniões, colaboração, troca de ideias ou encontros com equipes específicas.

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Assim, o estudo do WeWork e da Michael Page aponta que o trabalho tenderá a se organizar em torno da vida das pessoas, e não simplesmente em torno da presença física no escritório.

“O que começamos a perceber com o estudo é que as pessoas estão valorizando o motivo pelo qual vêm ao escritório, o propósito individual. Para que vou até lá?”, observou Hidalgo. “Começa a haver uma mistura entre as prioridades individuais e as da empresa, e começamos a transitar um pouco mais do modelo híbrido para o flexível.”

O setor terciário registrou a maior participação no estudo do WeWork e da Michael Page, concentrando 52% da amostra.

Esse setor abrange atividades voltadas à prestação de serviços, tais como comércio, transporte, turismo, educação, saúde e serviços financeiros e administrativos.

Em segundo lugar, o setor secundário representou 32%, com foco principalmente na transformação de matérias-primas em produtos acabados e semiacabados, como a manufatura, a indústria alimentícia e a construção civil.

Já o setor primário, dedicado à extração de recursos naturais, contribuiu com 11% da amostra.

O estudo revelou que apenas 36,88% dos entrevistados trabalham em um modelo 100% presencial, enquanto 38,43% adotam o híbrido. (Foto: Jason Alden/Bloomberg)

Repensando o propósito

Hidalgo explicou que a flexibilidade no trabalho também implica repensar o propósito dos espaços de trabalho.

Ele destacou que, se um funcionário se desloca até um escritório apenas para realizar as mesmas videochamadas e tarefas que poderia fazer de casa, a presença física perde o sentido.

O deslocamento, o tempo gasto no trajeto e as mudanças na rotina pessoal representam custos que os trabalhadores agora valorizam mais.

“O que se busca é que o espaço para o qual as pessoas vão permita realizar um trabalho diferente daquele que poderiam fazer de casa, além de simplesmente abrir o computador e se conectar a uma videochamada. Porque, do contrário, o colaborador acaba se perguntando: para que vim ao escritório?”, destacou. “O subconsciente diz ao colaborador — e, de fato, o estudo indica isso — que quem fica em casa é mais produtivo”.

Repensando os espaços físicos

Hidalgo destacou que a evolução em direção a uma maior flexibilidade também obriga as empresas a repensarem seus espaços físicos.

Por isso, ele indica que os escritórios devem se transformar em ambientes orientados à colaboração, interação e criatividade, com espaços abertos, áreas de convivência e ambientes adaptados às novas expectativas dos pofissionais.

“Então, as empresas devem adequar os espaços de forma que permitam essa flexibilidade. Caso contrário, as expectativas de flexibilidade dos colaboradores não se alinharão com a infraestrutura dos escritórios”, observou.

Portanto, busca-se “espaços abertos, colaborativos, lugares para caminhar, tomar um café, poder me movimentar durante o dia e não ficar em frente ao computador”.

Ele destacou que as novas gerações têm demandas diferentes, desde espaços mais colaborativos até escritórios adaptados para pets e outros serviços associados ao bem-estar.

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“Não se trata apenas do tipo de setor”, afirmou Claudio Hidalgo. “As novas gerações também estão mudando as expectativas sobre como devem ser os espaços físicos de trabalho, e adaptá-los implica um investimento significativo para as empresas”.

O executivo afirmou que os espaços do WeWork foram concebidos desde o início sob um modelo flexível, por isso não exigiram transformações estruturais para se adaptarem às novas tendências de trabalho.

No entanto, ele explicou que a empresa ajustou sua oferta ao longo do tempo, incorporando salas de jogos, áreas de descanso, salas de maternidade e prédios pet friendly na maioria de suas unidades na América Latina, em resposta às necessidades dos usuários e de diversos setores.

O trabalho 100% presencial perde espaço

O retorno a um modelo 100% presencial parece cada vez menos provável nos países da América Latina, de acordo com o estudo “Tendências Trabalhistas 2026-2027”.

Hidalgo explicou que o fluxo de usuários nos espaços do WeWork na região passou de 100% remoto durante a pandemia para um ponto de estabilização próximo a 50% de presença presencial.

“E não mudou muito desde então, ou seja, quase 50% das pessoas vêm constantemente ao escritório, frequentam os espaços de trabalho, mas a chance de voltar a ser 100% presencial é muito pequena”, observou. “Acredito que esse equilíbrio já se estabilizou” em favor da flexibilidade e do modelo híbrido, observou o executivo.

De acordo com os resultados do estudo, 59,9% da amostra optaria por um modelo híbrido.

E a preferência por modelos 100% remotos ou remotos com presença opcional permanece estável, representando 20,29% da amostra.

O executivo destacou que fatores como tempo de deslocamento, mobilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional alteraram a percepção sobre o trabalho presencial.

Em cidades com maiores problemas de congestionamento, essa tendência ganha relevância.

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Adoção de IA pelas empresas

A inteligência artificial está se consolidando como uma ferramenta do dia a dia entre os funcionários de escritório na América Latina, embora as empresas ainda estejam avançando lentamente em sua incorporação formal, de acordo com o relatório.

O presidente do WeWork para a América Latina estima que cerca de 95% dos profissionais do setor de escritório utilizam ferramentas de inteligência artificial para auxiliar em suas tarefas diárias.

“Eles não estão encarando isso como algo que vai substituí-los, mas sim como algo que facilita seu trabalho e os torna mais produtivos”, afirmou.

No entanto, ele esclareceu que a maioria não as vê como um substituto para seu trabalho, mas sim como um mecanismo para aumentar sua produtividade e facilitar as atividades cotidianas.

Em contrapartida, ele destacou que menos de 20% das empresas implementaram políticas, ferramentas, processos ou programas de capacitação para integrar a inteligência artificial no trabalho cotidiano.

Na sua opinião, essa lacuna representa uma oportunidade perdida para melhorar a produtividade na América Latina, uma região que historicamente tem enfrentado atrasos nesse indicador. “Aqui temos uma oportunidade gigantesca e precisamos que as empresas possam acelerar a implementação real”.

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© Jason Alden

Claudio Hidalgo, presidente da WeWork para a América Latina, afirma que o trabalho está se aproximando de um formato que prioriza presença nas atividades que realmente necessitam dela. (Foto: Jason Alden/Bloomberg)

Mapa da riqueza mudou na América Latina, mas Brasil ficou para trás, diz Banco Mundial

22 de Julho de 2026, 14:13

A América Latina e o Caribe passaram de ter apenas três países de alta renda em 1987 para 19 em 2025, embora esses resultados ainda escondam profundas ineficiências em suas economias, de acordo com a classificação atualizada do Banco Mundial.

O avanço refletiria principalmente o desempenho de pequenos países do Caribe, em meio a fenômenos como o boom da exploração de hidrocarbonetos, e de economias de menor porte no restante da região.

No Caribe, a renda alta costuma ser explicada pelo turismo, pelos serviços financeiros, pela energia em alguns casos e por economias pequenas nas quais certos setores externos têm grande peso na renda per capita.

Enquanto isso, as grandes economias da região continuam presas na chamada “armadilha da renda média”, com desafios persistentes em termos de produtividade, investimento e institucionalidade.

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A classificação do Banco Mundial é atualizada anualmente com base nas estimativas do rendimento nacional bruto (RNB) per capita do ano civil anterior.

O relatório agrupa as economias em quatro categorias: de baixa renda, de renda média-baixa, de renda média-alta e de alta renda.

A edição deste ano inclui 218 países e servirá como referência mundial até o final de junho de 2027.

“Se considerarmos a população, a América Latina continua teimosamente na categoria de renda média. O número aumenta, mas a massa não se move”, falou à Bloomberg Línea o economista do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), Jonathan Fortun.

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E “vale lembrar que o limiar do Banco Mundial é relativo e nominal. Trata-se de um nível de renda per capita em dólares que é reajustado para cima a cada ano, cerca de 2% a 3% ao ano, de modo que ultrapassá-lo é uma corrida contra um alvo móvel”, destacou o economista do IIF.

Nesse sentido, ele explica que é possível ultrapassar o limite por meio de uma valorização real ou de um choque nos termos de troca, sem que haja um único ponto a mais de produtividade por trás disso.

A Guiana é um caso excepcional devido ao “boom” petrolífero que multiplicou sua renda per capita em poucos anos, embora, para Fortun, seja “mais um salto contábil do que desenvolvimento”.

Emanoelle Santos, analista de mercados do aplicativo de investimentos XTB, afirma que o avanço da América Latina e do Caribe no ranking de renda do Banco Mundial reflete uma combinação de crescimento, estabilização macroeconômica, abertura comercial, expansão do turismo, desenvolvimento de serviços financeiros e melhoria da renda per capita em várias pequenas economias do Caribe.

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“A região superou parte da deterioração dos anos 80, quando a inflação, a dívida e a instabilidade cambial limitavam a convergência”, afirmou Santos à Bloomberg Línea. “Mas o dado deve ser interpretado com cautela, pois o Banco Mundial classifica economias, não apenas países soberanos; por isso, nesse avanço, aparecem territórios caribenhos com baixa população, alta exposição ao turismo, serviços offshore ou vínculos institucionais com economias desenvolvidas”.

Em outras palavras, a região tem mais economias de alta renda do que há quatro décadas, mas isso não significa que tenha superado suas lacunas estruturais.

A produtividade, a informalidade, o investimento e a qualidade institucional continuam marcando uma diferença importante entre os países que conseguiram convergir e aqueles que ficaram para trás.

Países de alta renda na América Latina

Na região, os países mais bem posicionados incluem o Chile, o Uruguai, o Panamá e a Costa Rica, que entrou na categoria de economias de alta renda no relatório do ano passado.

Esses países têm em comum uma estabilidade macroeconômica e institucional sustentada ao longo dos anos, bem como políticas econômicas que mantiveram sua credibilidade apesar das mudanças de governo.

Além disso, esses países conseguiram se integrar com sucesso à economia global ao se especializarem em setores específicos.

Os países de alta renda na região incluem Chile, Uruguai, Panamá e Costa Rica, que mantiveram uma política fiscal responsável e desenvolveram setores produtivos robustos. (Foto: Susana González/Bloomberg)

Por exemplo, o Panamá consolidou um polo logístico e financeiro em torno do Canal, enquanto a Costa Rica atraiu investimentos estrangeiros em dispositivos médicos e em serviços de alto valor.

Por sua vez, o Chile combinou sua liderança na produção de cobre com uma política fiscal responsável e uma economia aberta.

E o Uruguai fortaleceu suas instituições e desenvolveu um sólido complexo agroexportador e de serviços.

“Nenhum deles tentou fazer de tudo. Escolheram um caminho e defenderam as instituições em torno desse caminho, tendo a abertura como disciplina competitiva”, indicou Fortun. “O tamanho reduzido ajuda, porque a matemática da média é mais favorável, embora o ingrediente que realmente os distingue seja a credibilidade transformada em previsibilidade”.

Para Emanoelle Santos, outro elemento comum a esses países é a capacidade de manter receitas em dólares ou de alto valor agregado com maior estabilidade macroeconômica do que a média regional.

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“O padrão não é idêntico em todos, mas há uma ideia comum de estabilidade, abertura, serviços exportáveis e capacidade de atrair capital, o que permite elevar a renda per capita mais rapidamente do que em economias dependentes de setores informais ou de baixa produtividade”, observou.

De qualquer forma, embora uma renda per capita mais elevada geralmente esteja associada a melhorias na educação, saúde, infraestrutura e redução da pobreza, o bem-estar depende também de como esse crescimento é distribuído e da capacidade de gerar aumentos sustentáveis na produtividade.

“Existem países classificados como de alta renda que ainda apresentam desigualdades significativas ou desafios estruturais”, comentou a este veículo Paula Chaves, analista de mercados da Greyhound Trading. Por isso, “a classificação do Banco Mundial é uma referência econômica muito útil, mas, por si só, não resume o nível de desenvolvimento ou a qualidade de vida de uma sociedade”.

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Economias de renda média-baixa

Países como Venezuela, Bolívia, Nicarágua, Honduras e Haiti pertencem tecnicamente ao grupo de renda média-baixa.

“O que mantém esse grupo na parte inferior é sempre semelhante. Instituições enfraquecidas e credibilidade política perdida, em uma base que depende de uma commodity ou de remessas e que pouca poupa e investe. Nos casos mais graves, soma-se um regime macroeconômico que acabou consumindo suas próprias reservas”, disse Fortun.

Ele se refere ao caso específico da Bolívia, um país que defendeu uma taxa de câmbio fixa por quatorze anos, muito além do ponto em que as reservas deixaram de ser adequadas.

Economias como Venezuela, Bolívia e Honduras enfrentam sérios problemas estruturais, incluindo instituições enfraquecidas e dependência de commodities, tornando-se vulneráveis a crises. (Foto: Manuel Seoane)

De acordo com dados fornecidos pelo IIF, as reservas bolivianas estão em cerca de US$ 3,5 bilhões, mas apenas uma fração mínima é líquida em moeda estrangeira e o restante é ouro monetário, grande parte já vendida a termo.

Enquanto isso, as exportações de gás caíram cerca de 75% desde 2017, à medida que os campos se esgotaram e o contrato com a Argentina chegou ao fim, e os hidrocarbonetos passaram de mais da metade das exportações para cerca de um décimo.

O déficit fiscal ampliou-se para mais de 12% do PIB, financiado pelo banco central, e a dívida pública quase dobrou, ultrapassando 100% do PIB.

“Um país passa uma década transformando uma bonança de commodities em consumo e em uma âncora nominal defendida, e quando a bonança chega ao fim, não há base produtiva por baixo. A Venezuela é o mesmo roteiro, mas escrito com mais violência”, comentou Fortun.

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A “armadilha da renda média”

O tamanho do mercado, por si só, não garante a obtenção de rendas elevadas, segundo Paula Chaves, da Greyhound Trading.

De fato, as grandes economias da região costumam enfrentar desafios estruturais muito mais complexos.

“São economias com um enorme potencial, mas precisam acelerar reformas que aumentem a produtividade para poderem convergir para níveis de renda próprios de países desenvolvidos”, comentou Chaves.

Para as grandes economias da região, como Brasil, México, Argentina, Colômbia e Peru, o tamanho da população torna mais difícil elevar a renda média.

Segundo Fortun, “aumentar a renda média de 213 milhões de brasileiros ou de mais de 130 milhões de mexicanos exige uma produtividade de base ampla que nenhum nicho pode substituir”.

A maioria desses países continua enfrentando a chamada “armadilha da renda média”.

Depois de aproveitar o boom das matérias-primas e a migração da mão de obra do campo, elas não conseguiram impulsionar suficientemente a produtividade, a inovação e o capital humano.

Para as grandes economias da região, como Brasil, México, Argentina, Colômbia e Peru, o tamanho da população torna mais difícil elevar a renda média. (Foto: Diego Levy/Bloomberg)

“Essas economias esgotaram os ganhos fáceis, o deslocamento de mão de obra do setor agrícola e o superciclo das commodities, sem construir, posteriormente, o motor de inovação e capital humano que distingue a renda média-alta da alta”, acrescentou o economista do IIF.

Há ainda altos níveis de informalidade, baixo investimento e episódios de instabilidade macroeconômica, fatores que mantêm esses países presos no nível de renda média.

“O grande mercado interno, paradoxalmente, reduz a pressão para competir no exterior, de modo que as empresas se otimizam para o lucro local antes de se voltarem para o mercado global”, analisou Fortun. “E como o patamar continua subindo, permanecer estagnado em termos de produtividade equivale a retroceder em termos relativos. A armadilha da renda média é, no fundo, uma armadilha de produtividade”.

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De acordo com Emanoelle Santos, da XTB, para que grandes economias como Brasil, México, Colômbia, Peru ou Argentina deem o salto, não basta um bom ciclo de commodities ou uma valorização temporária de suas moedas.

Na opinião dela, são necessários vários anos de crescimento real da renda per capita, inflação controlada, maior investimento, estabilidade cambial e uma melhora visível na produtividade.

Também são necessários maior segurança jurídica, melhor educação técnica, mais concorrência, profundidade financeira e regras fiscais confiáveis.

Alguns países podem se aproximar desse limiar devido a fatores cíclicos, como os preços das commodities ou a taxa de câmbio, mas manter-se em níveis elevados de renda exige algo mais difícil: crescer de forma sustentável sem perder a estabilidade macroeconômica nem depender de um único motor externo.

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Apesar do aumento no número de países de alta renda, região ainda enfrenta a "armadilha da renda média": grandes economias não conseguem elevar produtividade e investimentos. (Foto: Shutterstock)

Para Schneider Electric, LatAm tem vantagem única para atrair investimentos em IA

28 de Junho de 2026, 11:55

A riqueza energética da América Latina confere à região uma vantagem única para atrair investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA), incluindo centros de dados, afirmou à Bloomberg Línea Steven Carlini, diretor sênior de Centros de Dados e IA da empresa francesa de tecnologia energética Schneider Electric.

Segundo o executivo, a região tem potencial para aproveitar seus recursos de energia renovável, promover ecossistemas locais e fortalecer as economias digitais.

“A oportunidade é concreta”, afirmou Carlini à Bloomberg Línea. “Só na Colômbia, o mercado de data centers poderia atingir US$ 1,160 bilhão até 2030, enquanto o Chile estima investimentos próximos a US$ 4 bilhões associados à sua estratégia nacional de desenvolvimento de data centers”.

“Além disso, a região conta com um dos matrizes energéticas renováveis mais competitivas do mundo, o que a posiciona favoravelmente para atrair investimentos em infraestrutura digital e inteligência artificial”, afirmou.

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No início do ano, a região atingiu quase 70% da geração de energia elétrica proveniente de fontes renováveis, segundo a Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (Olacde).

Apesar dessas vantagens, o executivo também destacou que existem limitações relacionadas à preparação das redes elétricas, à complexidade dos processos de licenciamento e ao grau de desenvolvimento da infraestrutura.

Na América Latina, disse Carlini, o nível de preparação para receber esse fluxo de investimentos varia. Em sua opinião, o Brasil, o Chile e o México avançaram significativamente em infraestrutura energética, integração de energias renováveis e atração de investimentos em centros de dados.

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Embora a Colômbia, Peru e Argentina tenham um enorme potencial, ainda enfrentam desafios relacionados à capacidade da rede, à disponibilidade de energia e à velocidade de implementação dos projetos.

Segundo explicou o executivo, esses países precisarão acelerar os investimentos em infraestrutura energética, transmissão e marcos regulatórios para competir por projetos de grande escala.

Para atrair investimentos em IA, é necessário oferecer uma infraestrutura energética robusta, acesso a energia limpa, processos regulatórios eficientes e ecossistemas tecnológicos avançados. (Foto: Dado Galdieri/Bloomberg)

Vantagem competitiva

“Os mercados mais bem posicionados costumam combinar uma infraestrutura energética robusta, acesso a energia competitiva e de baixo carbono, processos regulatórios ágeis e ecossistemas tecnológicos maduros”, observou Steven Carlini.

“Isso está gerando uma espécie de corrida na região. Os países que conseguem garantir acesso à energia limpa e à disponibilidade de energia elétrica estão atraindo a maior parte do capital destinado à infraestrutura de IA”, acrescentou ele.

Para o executivo, o Chile é um exemplo interessante graças ao seu Plano Nacional de Data Centers e à sua ampla disponibilidade de energias renováveis.

Além disso, o Brasil continua se consolidando como um dos maiores mercados digitais do hemisfério. O México, devido à sua proximidade com a América do Norte, também mantém uma posição estratégica.

De modo geral, acredito que, na região, será fundamental acelerar os investimentos em infraestrutura elétrica, transmissão e resiliência energética para acompanhar o crescimento da economia digital.

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A influência da IA na demanda por energia

De acordo com a Schneider Electric, a inteligência artificial já está causando um impacto significativo e acelerado na demanda energética global.

A empresa observa que as cargas de trabalho de IA consomem muito mais energia do que as aplicações tradicionais de TI, o que está levando a um aumento considerável no consumo de eletricidade e exercendo pressão sobre as redes elétricas.

Nesse contexto, eles destacam que os centros de dados estão evoluindo para se tornarem verdadeiras “fábricas de IA”, com necessidades energéticas e de refrigeração muito superiores às que existiam há apenas alguns anos.

Com base em dados da Agência Internacional de Energia (AIE), Carlini afirmou que o consumo de energia elétrica dos centros de dados poderia mais do que dobrar até 2030, impulsionado principalmente pela expansão da inteligência artificial.

“À medida que os modelos se tornam mais complexos, a demanda por energia continuará crescendo de forma sustentada. A adoção da IA tem sido sem precedentes em termos de tecnologias recentes”, afirmou ele.

Ele citou como exemplo a IA generativa (GenAI), que está crescendo a “um ritmo enorme”, tendo o ChatGPT como caso de destaque: atingiu seus primeiros 100 milhões de usuários em apenas 2 meses, em comparação com os 9 meses que o TikTok levou e mais de 5 anos no caso do Telegram.

Carlini comentou que se espera que o mercado de IA Gerativa (GenAI) alcance US$ 1,3 bilhão até 2032.

E, de acordo com estimativas da PwC, aponta que isso poderia gerar até US$ 15,7 bilhões para a economia global em 2030.

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Carreira no setor de energia

O mundo está passando por uma corrida global pela capacidade de inteligência artificial, impulsionada pela crescente demanda por computação, centros de dados e infraestrutura energética.

“O ritmo da inovação em IA é extraordinário. Novos processadores são lançados a cada poucos meses, enquanto as densidades de potência por rack continuam crescendo a um ritmo sem precedentes”, segundo Carlini. “Isso vem acelerando a implantação de infraestrutura em todo o mundo”.

No entanto, ele afirmou que já não se trata apenas de uma corrida tecnológica. É também uma corrida pela energia, pela infraestrutura e pela capacidade de execução desses projetos.

“Os países e regiões que puderem oferecer acesso a energia confiável, disponibilidade de terrenos, conectividade e processos ágeis de aprovação serão os que atrairão a maior parte dos investimentos”, afirmou ele.

Segundo ele, os grandes provedores de nuvem e as empresas de tecnologia estão priorizando mercados capazes de garantir acesso à energia a longo prazo, energia limpa e capacidade de implantar grandes complexos de centros de dados em prazos cada vez mais curtos.

A inteligência artificial está transformando profundamente a arquitetura dos centros de dados. Nesse contexto, ele explicou que as densidades energéticas estão aumentando de forma dramática.

“Há poucos anos, a maioria dos racks operava na faixa de 10 a 20 kW. Hoje já vemos implementações que ultrapassam os 100 ou até 200 kW por rack, e algumas projeções do setor preveem densidades próximas a 600 kW e até 1 MW por rack para certas aplicações avançadas de IA”, acrescentou.

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Novas abordagens

Em meio a essas mudanças, o executivo afirmou que a infraestrutura deve lidar com perfis energéticos muito mais dinâmicos e imprevisíveis.

Isso exige novas abordagens para a distribuição de energia elétrica, o monitoramento, a automação e a continuidade operacional.

A refrigeração também está evoluindo rapidamente em direção a soluções de refrigeração líquida, capazes de lidar com cargas térmicas que já não podem ser suportadas de forma eficiente por sistemas tradicionais baseados em ar.

Os data centers estão evoluindo para se tornarem “fábricas de IA”, onde energia, refrigeração, software e operação devem ser projetados como um sistema totalmente integrado.

Na visão da Schneider Electric, o crescimento da inteligência artificial pode ser sustentável, mas somente por meio de um projeto e uma operação planejados.

Os principais fatores para alcançar esse objetivo incluem arquiteturas de energia e infraestrutura mais eficientes, a adoção de tecnologias avançadas de refrigeração, o uso de software para monitorar e otimizar o desempenho e uma maior aquisição de energia proveniente de fontes renováveis.

“A mensagem principal é o equilíbrio: a inteligência artificial traz benefícios claros, mas deve ser apoiada por uma infraestrutura eficiente e bem projetada, em vez de se partir do princípio de que seu impacto é nulo”, comentou o analista. “A discussão não deveria se concentrar em se a IA consome energia ou não. A verdadeira questão é como construir uma infraestrutura capaz de suportar esse crescimento de maneira responsável e sustentável”.

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© Dado Galdieri

Rede elétrica: a região já gera quase 70% de sua eletricidade de fontes renováveis, o que a posiciona favoravelmente para atrair investimentos em infraestrutura digital. (Foto: Dado Galdieri/Bloomberg)

Brasil tem 6 universidades entre as 20 melhores da América Latina, segundo ranking

22 de Junho de 2026, 15:45

Universidades de Argentina, Brasil, Chile, México e Colômbia voltam a figurar entre as melhores da América Latina, segundo o QS World University Rankings 2027.

Assim como no relatório do ano passado, apenas a Universidade de Buenos Aires conseguiu entrar no top 100 mundial, ocupando a 84ª posição global. A segunda colocada na região, a Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC), está na posição 119.

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Na edição deste ano, as instituições públicas da região voltam a se destacar: seis das dez primeiras do ranking latino-americano são públicas.

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O QS World University Rankings mantém o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, como a melhor instituição do mundo, com pontuação máxima de 100 pontos.

Na sequência aparecem o Imperial College London (Reino Unido), com 99,2 pontos, e a Universidade Stanford (EUA), com a mesma pontuação.

O ranking considera mais de 1.500 instituições de 106 países e territórios.

As 20 melhores universidades da América Latina

  1. Universidad de Buenos Aires (UBA) — Argentina: 72,3
  2. Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC): 65,6
  3. Universidade de São Paulo (USP): 64,1
  4. Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM): 62,3
  5. Universidad de Chile: 57,1
  6. Tecnológico de Monterrey — México: 57,0
  7. Universidad de los Andes — Colômbia: 52,8
  8. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp): 47,9
  9. Universidad Nacional de Colombia: 46,4
  10. Pontifícia Universidad Católica del Perú (PUCP): 41,4
  11. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ): 40,8
  12. Pontifícia Universidad Javeriana — Colômbia: 38,5
  13. Universidad de Costa Rica: 34,1
  14. Universidad Nacional de La Plata (UNLP) — Argentina: 33,5
  15. Unesp: 32,0
  16. Pontifícia Universidad Católica Argentina: 30,9
  17. Universidad Austral — Argentina: 30,9
  18. Universidad de Santiago de Chile (USACH): 29,8
  19. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): 28,3
  20. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio): 27,8

Desafios em educação e emprego para os jovens

Segundo relatório do Banco Mundial, os sistemas educacionais da região “não estão necessariamente entregando habilidades úteis para o trabalho”. Três em cada quatro jovens de 15 anos não dominam conceitos básicos de matemática, e mais da metade não consegue ler adequadamente.

Como resultado, 22,8% das empresas da região identificam uma força de trabalho com educação inadequada como uma limitação importante ou muito grave — acima da média global de 19%.

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As falhas nos sistemas educacionais, as características do mercado de trabalho, as desigualdades de gênero e a falta de habilidades digitais freiam o emprego juvenil na era da inteligência artificial na região, explica Daniela Trucco, oficial superior de Assuntos Sociais da Divisão de Desenvolvimento Social da Cepal, à Bloomberg Línea.

“Na região, 20% dos jovens entre 15 e 29 anos não estudam nem trabalham de forma remunerada, e esse percentual se manteve relativamente estável na última década”, disse a especialista.

De acordo com o relatório Education at a Glance 2025, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), países como Colômbia (27%), Brasil e Costa Rica (ambos com 24%) apresentam os maiores índices de jovens que não estudam nem trabalham na região.

Cerca de 30% dos jovens da região não concluem o ensino médio — o que evidencia uma crise de aprendizagem que a pandemia aprofundou. Além disso, “muitos jovens sentem que o que aprendem não é relevante para seu futuro profissional”, segundo Trucco.

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A América Latina enfrenta o desafio de não gerar empregos de qualidade em quantidade suficiente. Trucco explicou que os jovens enfrentam maiores barreiras de acesso e uma proporção maior de inserção no mercado informal, sem benefícios sociais.

Espera-se que um número crescente de jovens latino-americanos se afaste dos trabalhos tradicionais na agricultura e na indústria para migrar para o setor de serviços — embora este se caracterize por baixos níveis de produtividade na região, segundo relatório da organização Ayuda en Acción em parceria com a Cepal.

Até 2030, “em um cenário realista”, mais de 1,2 milhão de jovens em 16 países da América Latina deixariam o setor agrícola e cerca de 640.000 sairiam da indústria, enquanto mais de 1,8 milhão ingressariam no setor de serviços.

Com isso, mais de 60% dos jovens ocupados se concentrarão em serviços públicos e empresas (34%) e no comércio (30%), contra apenas 8,2% na agricultura e 7,4% na construção, aponta o Estudo prospectivo de emprego jovem na América Latina: a educação e formação para o trabalho como eixo central.

-- Correção: Reportagem atualizada às 21h45 para incluir informações do ranking de 2026. Uma versão anterior trazia dados desatualizados do QS World University Rankings.

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Prédio da FEA-USP: seis das dez primeiras do ranking latino-americano são públicas. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Imóveis de luxo e escritórios: onde investem os mais ricos de LatAm, segundo a JLL

21 de Junho de 2026, 14:56

Os indivíduos com alto patrimônio líquido na América Latina passaram a priorizar ativos imobiliários para a proteção patrimonial em segmentos como o residencial de luxo, ativos logísticos e industriais e terrenos com potencial de desenvolvimento, segundo a empresa de serviços imobiliários corporativos JLL.

Para os grandes investidores, esses ativos oferecem uma combinação de liquidez, valorização do capital e geração de renda passiva, de acordo com a consultoria.

“Os ativos imobiliários são, historicamente, um meio de proteção do patrimônio em toda a América Latina”, afirmou Rodrigo Torres, diretor de Consultoria de Pesquisa da JLL, à Bloomberg Línea. “No entanto, pessoas com alto patrimônio líquido dão preferência a destinos estratégicos como o Panamá e o Uruguai na região, bem como o sul da Flórida e Madri internacionalmente”.

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Ele explicou que esses mercados oferecem a vantagem de permitir a diversificação dos investimentos em jurisdições com menor correlação em relação aos países onde a riqueza é gerada.

Os fatores fundamentais que sustentam o apelo do setor permanecem sólidos em vários mercados-chave da América Latina: déficit habitacional significativo, crescimento da classe média urbana, mudanças demográficas e preferências geracionais pelo aluguel, além da urbanização contínua nas principais cidades.

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Segundo Torres, esses fatores mantêm vivo o interesse institucional, embora “com expectativas mais realistas” em relação aos riscos macroeconômicos e regulatórios, bem como aos prazos para o desenvolvimento e a consolidação do mercado.

Na categoria de investimentos voltados para a geração de riqueza e o desenvolvimento operacional, destacam-se, sobretudo, os incorporadores chilenos de shopping centers que expandiram suas operações na região, bem como grupos econômicos da América Central que, mais recentemente, realizaram investimentos significativos nos países andinos.

No segmento de pessoas com alto patrimônio, a JLL afirma que o segmento multi-family representa um caso específico.

“Embora ofereça grande potencial como veículo de investimento, seu desenvolvimento exige capacidades operacionais especializadas e experiência em gestão de ativos em grande escala”, segundo Torres.

Por esse motivo, “a atividade nesse setor tende a se concentrar em empresas institucionais com trajetória comprovada tanto em nível regional quanto global, mais do que em investidores individuais de alto patrimônio”.

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Ele destaca que essa dinâmica semelhante é observada nos investimentos no setor hoteleiro, onde a operação constitui o componente essencial para a geração de valor.

Segundo Torres, “o sucesso no setor depende de se contar com expertise especializada em gestão hoteleira e capacidade de negociar acordos equilibrados com operadores reconhecidos”.

Além disso, ele considera fundamental desenvolver uma tese de investimento baseada em análises sólidas do mercado, da localização e do segmento-alvo.

Esses requisitos limitam a participação de investidores individuais e favorecem grupos com experiência específica no setor.

Apetite institucional

A JLL explica que os investidores institucionais estão concentrando seu interesse em segmentos específicos que combinam fundamentos sólidos com perfis atraentes de risco-retorno.

Por exemplo, os ativos logísticos de primeira linha localizados próximos a grandes aglomerações urbanas continuam liderando as preferências, impulsionados pela consolidação do e-commerce e pela necessidade de otimizar as cadeias de distribuição last mile.

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Da mesma forma, os escritórios de classe A representam outro segmento com demanda crescente, especialmente aqueles com certificações de sustentabilidade e comodidades modernas que atendem às novas dinâmicas de trabalho.

A demanda por escritórios tem se concentrado no segmento de luxo.

Em particular, a JLL destaca que a demanda por escritórios registrou um aumento significativo em um contexto de oferta limitada.

A incerteza quanto à demanda futura durante e após a pandemia, combinada com altas taxas de juros, resultou em uma contração acentuada do pipeline de empreendimentos nos últimos cinco anos. “Pouquíssimos edifícios novos entraram no mercado durante esse período”.

De acordo com o analista da JLL, essa restrição na oferta preparou o terreno para uma recuperação robusta.

As taxas de vacância caíram para os níveis mais baixos da última década em vários mercados-chave da região, com destaque para casos como os de Lima e Bogotá.

Paralelamente, os aluguéis dos imóveis de classe A estão registrando aumentos acima da inflação, refletindo a concorrência por espaços de qualidade em um mercado com oferta limitada.

No setor hoteleiro, o interesse concentra-se em ativos localizados em destinos resilientes que combinam fluxos de demanda corporativa e turismo de lazer, reduzindo a sazonalidade e a volatilidade das receitas.

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Os terrenos com potencial para o desenvolvimento de data centers estão se tornando um segmento particularmente atraente no México, no Brasil e no Chile, com oportunidades ainda em fase inicial na Colômbia e na Argentina.

Esse interesse seria uma resposta ao crescimento exponencial da demanda por infraestrutura digital e armazenamento em nuvem na região.

Por fim, os empreendimentos de uso misto estão atraindo bastante atenção tanto de investidores quanto de usuários finais. “Esses projetos oferecem vantagens como diversificação de receitas, sinergias entre usos complementares e resiliência operacional diante de mudanças nos padrões de consumo e de trabalho”, segundo Torres.

Situação econômica

Para a JLL, o impacto das atuais condições macroeconômicas apresenta variações significativas em nível regional, embora os custos de desenvolvimento constituam um denominador comum.

“O aumento contínuo dos preços dos terrenos urbanos, aliado ao aumento dos custos de construção e dos materiais, reduziu significativamente as margens de lucro das incorporadoras em toda a região”, explicou Torres.

Em mercados como o Brasil, o México e a Colômbia, as altas taxas de juros continuam representando uma barreira adicional significativa.

Ele destacou que esse efeito é duplo, pois, por um lado, encarece diretamente o financiamento de projetos e, por outro, torna os instrumentos financeiros alternativos mais atraentes em termos de retorno ajustado ao risco, desviando o capital que antes fluía para o setor imobiliário.

Além disso, ele afirma que a complexidade regulatória acrescenta mais um nível de diferenciação entre os países.

Ele cita o exemplo do México, onde os processos de obtenção de autorizações e licenças são particularmente complexos, tanto no âmbito federal quanto no municipal.

“Essa burocracia não só constitui uma barreira à entrada de novos participantes, como também prolonga substancialmente os prazos de execução dos projetos, prejudicando os retornos esperados ao alongar o período entre o investimento inicial e a geração de fluxos”, afirmou.

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Investidores optam por locais estratégicos como Panamá e Uruguai, além do sul da Flórida e Madri, para diversificar investimentos. (Foto: Shutterstock)

Além do futebol: como a Panini planeja crescer após fim da licença do álbum da Copa

24 de Maio de 2026, 13:26

O CEO da editora italiana Panini no Brasil, Raúl Vallecillo, afirmou que o término da licença com a FIFA decorre de uma decisão da licenciada e não da empresa, em um contexto em que a empresa busca diversificar seus negócios para além dos álbuns de futebol.

Com relação ao término da licença com a FIFA, Raúl Vallecillo destacou, em entrevista à Bloomberg Línea, o grau de diversificação atual do negócio.

Ele destacou a variedade de licenças que a Panini possui, que abrangem não apenas álbuns de figurinhas, mas também publicações de quadrinhos e mangás.

A decisão de romper o vínculo histórico com a Panini “cabe exclusivamente à licenciada” (FIFA), afirmou ele. “É uma decisão de terceiros (...) buscaremos as melhores alternativas para dar continuidade a essa história”.

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Agora, “a Panini sempre vai se esforçar para oferecer o melhor aos seus consumidores, e isso inclui todo o nosso portfólio de entretenimento, como no caso do futebol”.

A Panini não produzirá mais o tradicional álbum da Copa do Mundo, após a FIFA ter anunciado um acordo com a Fanatics pela licença, que inclui cartões colecionáveis e figurinhas do torneio de futebol.

O acordo terá início em 2031 e os novos produtos serão fabricados pela marca Topps, de propriedade da Fanatics, anunciou a FIFA em um comunicado.

Essa parceria deixa de fora a Panini, a editora italiana que, desde 1970, produz o álbum de figurinhas colecionáveis.

O CEO da Panini no Brasil não confirmou se, no futuro, a marca teria alguma presença na Copa do Mundo após 2030.

“A Panini continuará sendo o que todos conhecemos: uma empresa de entretenimento que nos acompanha há muito tempo e que tem essa história de fazer parte de um colecionismo para ser lembrado e continuar avançando nas próximas coleções”, disse o executivo chileno na entrevista.

Ainda no dia 30 de abril, a Panini lançou a edição 2026 do seu álbum, o maior da história, com 980 figurinhas, que se transformou em uma exposição de figurinhas monumentais que percorrerá as cidades-sede do torneio no México entre maio e julho.

Será o penúltimo álbum que a Panini lançará como parte de seu atual contrato com a FIFA, que termina em 2030.

Com isso, chegará ao fim uma tradição de mais de 60 anos relacionada à Copa do Mundo, durante a qual a editora italiana publicou 15 álbuns de imagens.

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Vendas na América Latina

O CEO da editora italiana no Brasil afirmou que as vendas parciais relacionadas ao álbum da Copa do Mundo de 2026 estão 24% acima em comparação com a edição do Catar 2022 nos países da região que ela atende.

“Isso significa que a grande demanda dos países deste lado do mundo fez com que esse número aumente constantemente”, disse Raúl Vallecillo à Bloomberg Línea.

Quanto aos mercados mais ativos na compra do álbum da Copa do Mundo de 2026 na região, ele afirmou que os principais são Brasil, Argentina, Colômbia e Chile, que apresentaram um crescimento sustentado bem acima do previsto pela Panini.

Cada um desses mercados, consequentemente, registrou um aumento no número de colecionadores e nos canais de distribuição, observou o executivo.

O Brasil está entre os cinco mercados mais importantes para a Panini na temporada da Copa do Mundo, não apenas pelo tamanho do seu mercado, mas também pelo grande interesse que o torneio de seleções mais importante do mundo desperta.

“Hoje, embora estejamos trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, há mais de dois meses, principalmente em tudo o que diz respeito à fábrica, a grande variedade de álbuns, em diferentes versões e para diferentes mercados, nos obriga a manter uma produção e distribuição constantes em cada um desses mercados”, comentou o CEO da Panini Brasil.

Ele afirmou que, para o álbum da Panini da Copa do Mundo, é feito um planejamento detalhado com três anos de antecedência em áreas como operações, comercial e editorial, para que o produto chegue a tempo em cada um dos mercados.

A matriz italiana da Panini administra as filiais nos Estados Unidos, no México, no Brasil e no Chile.

Os demais mercados, incluindo a Colômbia, operam por meio de distribuidores oficiais que administram, em coordenação com a Panini, toda a operação nesses países.

Atualmente, “no caso da Panini Global, a empresa possui uma fábrica principal em Modena [na Itália] que atende principalmente ao mercado europeu, à região da América do Norte e a outros mercados em outros continentes”.

Na Panini Brasil, a fábrica atende toda a América Central e a América do Sul. “Portanto, o esforço operacional realizado a partir do Brasil abrange praticamente 80% deste continente”.

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Aposta em novos colecionadores e público feminino

Persona abriendo un paquete de pegatinas para la Copa Mundial de la FIFA 2026.

Sobre o crescimento da demanda, Raúl Vallecillo destacou a incorporação de novos segmentos de consumidores, diretamente relacionada ao colecionismo.

Ele também mencionou o aumento da demanda por parte do público feminino, que está ajudando a impulsionar as vendas do álbum da Copa do Mundo.

Por outro lado, “quando se trata de um evento como a Copa do Mundo, o público se torna muito mais diversificado, pois temos desde crianças bem pequenas até pessoas bem mais velhas que acompanham a cobertura”.

“Também não se pode ignorar que o fenômeno social associado a um álbum está relacionado a esse grau de interação que um evento tão importante como a Copa do Mundo proporciona. É preciso promover, em cada um dos segmentos, a possibilidade de compartilhar e trocar figurinhas, principalmente.”

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Futuro da Panini após término da licença com a FIFA

Com relação ao término da licença com a FIFA, Raúl Vallecillo destacou o atual grau de diversificação do negócio.

Ele destacou a variedade de licenças que a Panini possui, que abrangem não apenas álbuns de figurinhas, mas também publicações de quadrinhos e mangás.

Agora, “a Panini sempre vai se esforçar para oferecer o melhor aos seus consumidores, e isso inclui todo o nosso portfólio de entretenimento, como no caso do futebol”.

O CEO da Panini Brasil não confirmou se, no futuro, a marca manterá alguma presença na Copa do Mundo após 2030. “A Panini continuará sendo o que todos conhecemos: uma empresa de entretenimento que nos acompanha há muito tempo e que tem o histórico de fazer parte de um colecionismo para ser lembrado e continuar avançando nas próximas coleções”.

Inflação e matérias-primas elevam os custos do álbum

O impacto da inflação na América Latina refletiu-se nos custos operacionais da Panini na região.

Os custos mais elevados associados ao álbum da Copa do Mundo de 2026 estão diretamente relacionados ao tamanho da coleção.

Como esta coleção conta com um número maior de figurinhas, devido ao fato de haver o maior número de seleções participantes da história, o custo unitário de produção aumenta.

“Todas as aquisições de matérias-primas nos diversos mercados para a fase produtiva também sofreram um aumento significativo de preço, em função da evolução dos preços das matérias-primas, seja devido a conflitos bélicos ou ao efeito do pós-pandemia”, observou o executivo.

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Esse custo mais elevado do produto está relacionado, em parte, ao valor atual do produto nos diferentes mercados.

No entanto, Raúl Vallecillo afirma que o custo não foi repassado integralmente aos consumidores.

“Portanto, qualquer eventual ajuste de custos está diretamente relacionado à rentabilidade — ou à falta dela — que podemos alcançar em cada um dos produtos que fabricamos”, afirmou ele.

As matérias-primas utilizadas pela Panini na América Latina provêm de diversos locais, já que as fontes de produção de papel, por exemplo, estão localizadas no Canadá, na Espanha e em outros mercados. “Embora haja consumo dentro da América Latina, também há um forte volume de importações provenientes de outros mercados fora do continente”.

Figurinhas de jogadores ausentes

Paquete de figuritas de Panini de la Copa del Mundo 2026.

Em resposta à pergunta sobre os jogadores que não foram incluídos nesta edição do álbum da Copa do Mundo, como foi o caso de Neymar, a Panini confirmou que, de fato, haverá uma solução para os colecionadores.

Nos últimos Mundiais, a Panini lançou um conjunto extra que também estará disponível no álbum da Copa do Mundo de 2026 e incluirá as figurinhas dos jogadores convocados oficialmente para as seleções participantes.

“Assim como as folhas e os envelopes são vendidos em cada um dos mercados, eles também estarão disponíveis para que cada colecionador possa comprá-los”, disse ele.

O conjunto estará disponível não apenas no site, mas também em lojas físicas.

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Jogadores históricos, pirataria e figurinhas repetidas

Sobre o colecionismo, o executivo disse que há certas Copas do Mundo de futebol que se tornam icônicas e, por isso, os álbuns ganham mais valor com o passar do tempo.

Entre elas estão as Copas do Mundo da Itália em 1990, da Espanha em 1982 e, mais recentemente, do Catar em 2022, segundo ele.

Embora, mais do que uma Copa do Mundo específica, ele diga que, em geral, o que mais conta na perspectiva são os jogadores que eventualmente são convocados para cada um desses eventos.

“Assim, as grandes figuras — como, no passado, Pelé ou Maradona — fazem com que, para uns ou outros, essa seja uma Copa do Mundo especial e despertem um desejo ainda maior de colecioná-la”.

Por outro lado, Raúl Vallecillo destacou que a questão da pirataria é um fator que afeta a indústria do entretenimento em geral e que o colecionismo de álbuns não é exceção.

“Obviamente, nós, da Panini, temos a obrigação de proteger não apenas o produto oficial, mas também os direitos da FIFA que nos permitem lançar esse produto oficial”, disse ele.

“Por um lado, há o setor jurídico, que de fato acompanha a situação”, mas “a tecnologia hoje em dia facilitou a multiplicação dessa distribuição digital” no mercado da pirataria.

De modo geral, ele afirmou que o impacto da pirataria é “insignificante no fim das contas”, pois “os volumes e o número de pessoas que procuram o produto oficial de qualidade são muito maiores”.

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Quanto aos altos preços pagos no mercado informal por figurinhas especiais ou jogadores icônicos, Vallecillo afirmou que isso é desnecessário, já que a Panini oferece o serviço de completar o álbum por meio do pedido dos figurinhas que faltam em seu site oficial.

“Oferecemos o serviço de ‘últimas figurinhaspara que cada colecionador possa comprar, seja a de Messi, a de Cristiano Ronaldo ou de qualquer outro jogador que esteja na Copa do Mundo, pelo mesmo preço das demais figurinhas do álbum”, afirmou. “Portanto, essas vendas ou revendas por um valor mais alto não se justificam tanto, porque, no fim das contas, se você precisar de uma ou até 40 figurinhas, poderá comprá-las diretamente sem pagar um preço inflacionado”.

Quanto às críticas sobre a qualidade das figurinhas e a quantidade de figurinhas repetidas nesta versão do álbum da Copa do Mundo, ele afirmou que o objetivo é reduzir ao máximo esses problemas.

Os controles relativos aos processos de produção gráfica não são realizados apenas por uma área específica, mas envolvem profissionais da matriz na Itália e a equipe no Brasil.

“Portanto, a qualidade das figurinhas é semelhante em todos os mercados e, eventualmente, atende aos padrões aprovados pela FIFA no momento em que as figurinhas são impressas, disse ele.

Sobre as figurinhas repetidas no álbum da Copa do Mundo de 2026, ele explicou que o processo se baseia em placas aleatórias que garantem que saiam na mesma proporção.

“Em princípio, não deveria haver mais repetições do que em qualquer outra coleção no mercado. A diferença é que, quanto maior for a quantidade de figurinhas e a proporção de figurinhas por folha, eventualmente pode-se considerar que há mais repetições”, afirmou.

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© DANIEL HERNANDEZ

O Brasil é um dos cinco mercados mais importantes para a Panini, e a empresa planeja os álbuns com três anos de antecedência. (Foto: Daniel Hernánde)

América Latina tem 6 dos 10 países mais complexos para fazer negócios, segundo a TMF

17 de Maio de 2026, 13:04

A América Latina se mantém como uma das regiões mais complexas para se fazer negócios no mundo em 2026, devido a fatores como a imprevisibilidade regulatória diante das constantes mudanças nas regras do jogo, de acordo com um novo relatório da consultoria TMF Group.

A posição da América Latina se deve a fatores como a incerteza jurídica e política, afirmou à Bloomberg Línea Cristhian Fresen, diretor regional para a Colômbia, Equador e Venezuela da TMF, empresa global de serviços de conformidade financeira e corporativa.

“E se somarmos a isso os fatores sociais de desigualdade e uma distribuição de riqueza possivelmente desigual, isso torna as diferenças ainda mais acentuadas e poderia explicar boa parte do que torna complexo fazer negócios na região”, observou.

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Seis países da América Latina figuram este ano entre os 10 mais complexos para se fazer negócios no mundo, de acordo com o Índice de Complexidade Empresarial Global, publicado na terça-feira (12) pela TMF.

O Índice de Complexidade Empresarial Global (GBCI) avalia os fatores que tornam a expansão de um negócio fácil ou desafiadora em 81 países ou jurisdições, “apresentando os dados essenciais de que as empresas precisam para atuar em um mundo de margens reduzidas”.

O relatório toma como base 292 indicadores que abrangem legislação, conformidade regulatória, normas contábeis e fiscais, bem como requisitos de recursos humanos e folha de pagamento.

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Para ajudar a enfrentar os desafios atuais, Frensen destaca que “a grande maioria dos países da região possui boas instituições, e são elas que fazem com que a instabilidade política não tenha um impacto tão grande”.

“Mas, para mim, o problema estrutural é que, a cada mudança de governo, cada governante nesses países é radical, passando da extrema direita à extrema esquerda, e é difícil encontrar algo de centro que proporcione algum equilíbrio”, afirmou Fresen.

“Na medida em que não haja continuidade nas políticas e nas estruturas, é muito difícil que não haja complexidade”, observou Fresen. “Porque é essa falta de continuidade que gera incerteza, essa mudança excessiva e esse ruído constante nos mercados”.

Complexidade regulatória

“A América Latina combina vários ‘fatores estruturais, institucionais e econômicos que aumentam a incerteza para investidores e empresas’”, afirmou à Bloomberg Línea a acadêmica e doutora em Economia pela Universidade do Rosário (Colômbia), Clara Inés Pardo.

No entanto, “também é uma região com enorme potencial devido ao tamanho do mercado, aos recursos naturais, à localização estratégica e ao crescimento dos setores digital e energético”.

Ela explicou que a região enfrenta constantemente“ciclos políticos altamente polarizados” que geram mudanças abruptas nas regras tributárias, trabalhistas, energéticas ou de investimento.

“Por exemplo, reformas tributárias recorrentes, alterações em contratos públicos, mudanças regulatórias dependendo do governo em exercício e incerteza jurídica para os investidores, o que dificulta o planejamento de investimentos de longo prazo.”

Além disso, há a burocracia excessiva e a fragilidade institucional, a elevada informalidade no mercado de trabalho e no setor empresarial, bem como a desigualdade social e a baixa confiança.

Na opinião de Pardo, “a América Latina é vista simultaneamente como uma região difícil para se fazer negócios e como uma das regiões com maior potencial de crescimento estratégico”.

“A América Latina possui recursos, mercado, localização, jovens talentosos, oportunidades nos setores energético e digital. O grande desafio não é a falta de potencial, mas transformar esse potencial em confiança, produtividade e institucionalidade de longo prazo”, observou Clara Inés Pardo.

O relatório da TMF indica que os esforços para atrair investimento estrangeiro direto diminuíram globalmente, com apenas 23% das jurisdições relatando iniciativas ativas em 2026, em comparação com 39% em 2025.

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No entanto, ela observa que o uso de incentivos fiscais direcionados tem aumentado.

Atualmente, 34% das jurisdições oferecem alíquotas reduzidas para atrair empresas internacionais, contra 24% em 2025.

“Outros incentivos, incluindo isenções fiscais e investimentos em digitalização, também são menos comuns do que há um ano”, afirma a TMF.

De acordo com a TMF, as sanções por descumprimento estão se tornando mais severas.

Este ano, 24% das jurisdições impedem a continuidade das operações devido ao descumprimento dos prazos de declaração de impostos, “o que representa uma tendência de aumento constante”.

“Essas conclusões mostram que a regulamentação está se adaptando ao novo ambiente tecnológico e que as organizações devem aliar eficiência e precisão para evitar riscos empresariais significativos”, afirma o documento.

Países da América Latina ficam para trás

Depois da Grécia, considerada a jurisdição mais complexa do mundo para se fazer negócios em 2026, o relatório coloca o México em segundo lugar no Índice de Complexidade Empresarial Global.

Com esse resultado, o México consolida sua reputação como um dos mercados mais desafiadores para as empresas estrangeiras.

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No país, segundo o relatório da TMF, “as empresas estrangeiras enfrentam desafios constantes, marcados por frequentes mudanças normativas e requisitos administrativos imprevisíveis”.

Ao mesmo tempo, “tarefas como abrir contas bancárias e lidar com essas autoridades fiscais podem gerar dúvidas e atrasos, o que dificulta que as empresas planejem com confiança”.

Em terceiro lugar no ranking mundial está o Brasil, onde um sistema tributário de múltiplos níveis e frequentes mudanças normativas em todas as áreas de serviços aumentam a complexidade da jurisdição. Outro agravante são as rigorosas exigências de conformidade e “a falta de coerência” entre as normas nos âmbitos federal, estadual e municipal, segundo a consultoria TMF.

A lista dos cinco países mais complexos do mundo é completada pela França e pela Turquia, seguidas pela Colômbia.

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A posição da Colômbia baseia-se no fato de que as “medidas discricionárias” da autoridade fiscal, as constantes mudanças nos requisitos e as expectativas pouco claras em relação às normas internacionais de prestação de informações aumentam a complexidade, de acordo com o Índice de Complexidade Empresarial Global.

“As autoridades reguladoras colombianas atualizam frequentemente a legislação tributária, incluindo as normas do IVA e as políticas voltadas para pessoas com elevado patrimônio líquido, o que obriga as empresas estrangeiras a se adaptarem rapidamente”, afirma.

Na sétima posição está a Bolívia, uma vez que as empresas continuam enfrentando obstáculos burocráticos e a lentidão nas respostas das autoridades locais, apesar de uma mudança de governo que “traz consigo a esperança de melhorias graduais em toda a jurisdição”.

Na oitava posição está a Itália e na nona a Argentina, onde o ambiente empresarial “continua sendo exigente”.

A TMF explica que os órgãos reguladores continuam introduzindo mudanças imprevisíveis na Argentina e consideram provável que os requisitos de conformidade regulatória aumentem no próximo ano.

“As frequentes atualizações legislativas obrigam as empresas a revisar constantemente os processos locais, o que aumenta o risco operacional e ressalta a necessidade de contar com especialistas locais”, afirma o relatório.

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E na décima posição aparece o Peru, onde a digitalização em andamento em todas as linhas de serviço para cumprir a regulamentação, paradoxalmente, se torna um dos “principais fatores” que aumentam a complexidade.

“Por isso, no Peru, a digitalização é uma faca de dois gumes, pois apresenta tanto desafios quanto vantagens para as empresas estrangeiras que operam no país”, afirma a TMF.

Em nível regional, também se destacam outros destinos devido à complexidade do ambiente de negócios, como o Paraguai (12º lugar), o Chile (20º lugar), o Uruguai (24º lugar) e o Equador (26º lugar), prejudicado pela atual onda de violência.

Enquanto isso, a Venezuela ocupa a 27ª posição no ranking mundial.

No relatório, “o que estamos enfrentando é a complexidade de se fazer negócios. E um dos fatores é o quanto o quadro regulatório é mutável. Na Venezuela, talvez não seja o melhor quadro regulatório, mas pelo menos não muda o tempo todo”, esclareceu Fresen.

Entre os destinos mais bem avaliados da América, destacam-se territórios ultramarinos, o Caribe e a América Central.

No geral, o destino menos complexo é as Ilhas Cayman, um território britânico ultramarino.

De acordo com o relatório, embora as atualizações frequentes nas diversas linhas de serviços nas Ilhas Cayman “exijam atenção e conhecimento especializado”, elas também contribuem para um ambiente empresarial mais “transparente e resiliente”.

“As comparações de preços com outras grandes jurisdições podem apresentar desafios, mas também incentivam as organizações a otimizar suas operações e melhorar sua competitividade”, destaca o relatório.

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No Caribe, os países com melhor classificação são Curaçao (72º lugar) e a Jamaica (71º lugar), enquanto na América Central destacam-se Honduras (65º lugar) e a Costa Rica (63º lugar).

Cristhian Fresen concluiu que o desempenho desses países na América Central e no Caribe está, em geral, associado à continuidade das políticas públicas. “Pode ser o jogo de tabuleiro mais complexo, mas se as regras forem claras, dá para jogar. O problema que os outros países enfrentam é que as regras do jogo mudam constantemente”, observou.

As principais estratégias para reduzir a complexidade na região, segundo a analista Clara Inés Pardo, concentram-se em fortalecer a estabilidade institucional e regulatória para conferir maior previsibilidade às regras do jogo, melhorar a infraestrutura e a logística para aumentar a competitividade e aproveitar o nearshoring como uma oportunidade de realocação produtiva.

Além disso, é necessário impulsionar a educação e a transformação digital para aumentar a produtividade, avançar em direção a uma maior integração regional e promover a transição energética, aproveitando os recursos naturais da região em um ambiente mais estável para o investimento.

“O principal sinal que as empresas buscam é a previsibilidade. A região precisa de: regras claras, segurança jurídica, independência do Poder Judiciário, estabilidade tributária e menos corrupção. Os países que alcançaram maior estabilidade institucional costumam atrair mais investimentos”, concluiu Pardo.

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Cidade do México: posição da América Latina se deve a fatores como a incerteza jurídica e política,. (Foto: Cesar Rodriguez/Bloomberg)

Claure vê oportunidade no Brasil e diz que país combina capitalismo com política social

16 de Maio de 2026, 16:14

Marcelo Claure, o homem mais rico da Bolívia e ex-CEO do SoftBank Group International, vê no Brasil uma combinação rara de um país que concilia políticas sociais com um ambiente favorável aos negócios — e está aprofundando suas apostas no mercado brasileiro.

“Para mim, o Brasil é um país socialista na parte social e é capitalista na área de negócios”, disse Claure à Bloomberg Línea, ao tratar de seus investimentos atuais.

Por meio do Claure Group, uma holding de investimentos global que, em 2024, contava com aproximadamente US$ 4 bilhões sob gestão, o empresário tem participações em diversos setores, como tecnologia, inteligência artificial, transição energética, estilo de vida e entretenimento.

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A empresa de investimentos de Marcelo Claure possui ativos na Ásia, Europa e nas maiores economias da América Latina, incluindo Brasil e México.

Ele também atua como vice chairman da Shein desde 2023 e tem ajudado a varejista asiática em sua estratégia de expansão global desde então.

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Negócio entre GDA Luma e Botafogo

Além dessas posições, o empresário boliviano também tem investimentos nos esportes e comentou a proposta aquisição do controle majoritário do Botafogo.

A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube carioca recebeu uma proposta da GDA Luma, empresa de investimentos da qual Claure é sócio, para assumir o seu controle.

“Por meio de outro fundo de investimentos que possuo, estamos vendo potencial em um time no Brasil”, disse. “Há um fundo de investimentos no qual tenho controle e que está bastante avançado para salvar esse clube”, acrescentou.

Claure já é proprietário do Club Bolívar, da Bolívia, e coproprietário do Girona FC, da Espanha, e do New York City FC, dos Estados Unidos.

Apostas na Argentina

O empresário também falou sobre sua visão sobre o mercado da Argentina. Apesar de reconhecer que o país “tem um monte de problemas” e ainda não saiu de sua crise, Claure afirmou que continua apostando no país.

“Quando você se senta com o pessoal do governo, primeiro, você é bem-vindo, e segundo, eles têm regras claras sobre o investimento estrangeiro”, disse o investidor.

Clare foi um dos participantes da Argentina Week em Nova York, evento organizado entre 9 e 11 de março pelo JPMorgan, pelo Bank of America, pela Embaixada da Argentina nos Estados Unidos e pelo fundo Kaszek.

O evento foi palco do anúncio de investimentos de US$ 16,15 bilhões em energia, mineração e tecnologia, segundo o governo argentino — embora parte dos números incluísse aportes de empresas locais e compromissos já anunciados anteriormente.

O milionário boliviano disse que a Argentina está atraindo projetos de grande escala, não apenas em recursos naturais, mas também em infraestrutura digital. “Os maiores data centers do mundo estão sendo construídos na Argentina”, disse ele.

Ele destacou que, atualmente, sua empresa investe na Argentina em setores como gás, petróleo, bancos e lítio.

Claure comparou esses mercados (Brasil e Argentina) com outros da região e destacou que a Bolívia, apesar de seu potencial, precisa de reformas para atrair capital.

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“A Bolívia é um país com um potencial imenso, mas precisa tomar as medidas necessárias para atrair investidores estrangeiros”, disse ele.

Ele acrescentou que o principal fator para os grandes fundos internacionais é a certeza regulatória.

Nesse sentido, alertou que não basta emitir títulos de dívida para gerar confiança.

“O governo [boliviano] está confuso. Ele acredita que, por emitir um título de US$ 1 bilhão com uma taxa de 10%, existe confiança internacional. Isso não é confiança internacional”, indicou.

“É como se alguém tivesse um cartão de crédito que vai começar a usar, sabendo que não vai conseguir pagar. Com um déficit fiscal de 12,2%, não há nenhuma chance de conseguir pagar dessa forma se continuar se endividando, nem de reduzir o custo do financiamento”, acrescentou Claure.

No início de maio, a Bolívia vendeu títulos em dólares nos mercados internacionais de capitais pela primeira vez em quatro anos.

A Bloomberg News informou que o país sul-americano fixou o preço de emissão de títulos em dólares no valor de US$ 1 bilhão, com vencimento em 2031, em 9,75%.

Segundo Claure, a Bolívia precisa da ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial, do BID e da CAF, “com taxas que normalmente são muito mais baixas” e com diferentes modelos de financiamento.

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Marcelo Claure: 'Para mim, o Brasil é um país socialista na parte social e é capitalista na área de negócios'. (Foto: Victor J. Blue/Bloomberg)

Queda da patente do Ozempic exige rigor sobre genéricos, diz VP da Novo Nordisk

1 de Maio de 2026, 08:08

A Novo Nordisk (NVO), fabricante de medicamentos para obesidade e diabetes, alertou sobre os riscos da possível entrada de produtos de qualidade inferior após o vencimento, em vários países do mundo, de suas patentes de tratamentos à base de semaglutida, o composto ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy.

O vencimento da patente da empresa dinamarquesa Novo Nordisk sobre a semaglutida em países como o Brasil, a Índia ou o Canadá pode ter efeitos diretos sobre os preços, o acesso e os padrões de qualidade, em meio a um boom na demanda global por tratamentos para a obesidade e o diabetes.

“É algo comum no setor (o vencimento da patente). Investimos, vendemos, a patente expira e aí começa outro ciclo”, disse Valney Suzuki, vice-presidente da área de Negócios para a América do Sul, América Central e Caribe da farmacêutica Novo Nordisk, à Bloomberg Línea.

Segundo o executivo, o principal desafio que se apresenta é a capacidade dos sistemas regulatórios de garantir a segurança dos novos produtos que entram no mercado desses países.

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“Os órgãos reguladores precisam ter muito bom senso ao decidir se aprovam ou não a entrada dessas moléculas”, observou Suzuki.

De acordo com sua experiência, existem agências reguladoras que aplicam padrões rigorosos e exigem evidências clínicas sólidas antes de autorizar um medicamento.

“Já vi, inclusive, agências em todo o mundo que recusaram a aprovação de genéricos da semaglutida por falta de dados clínicos”, afirmou o executivo.

No entanto, também existem “agências que são um pouco mais superficiais e que, de forma apressada, permitem a entrada de produtos genéricos, talvez sem tanto rigor”.

“Portanto, é importante compreender a relevância do medicamento original, que, no caso da semaglutida, conta com dados de mais de 30 milhões de pacientes”, afirmou Valney Suzuki. “Realizamos dezenas de estudos clínicos. Com isso, temos a certeza de poder atestar a eficácia do produto”.

Entre os aspectos positivos do vencimento da patente, Suzuki destacou que a entrada de medicamentos genéricos nos mercados pode ampliar o acesso aos mesmos.

O executivo explicou que, em alguns casos, a entrada de medicamentos genéricos levou a uma nova segmentação do mercado e a um reajuste nos modelos de preços para os pacientes.

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No entanto, ele observou que também existem terapias nas quais a chegada dos genéricos não teve um impacto significativo.

A Bloomberg informou que pelo menos uma dúzia de grandes empresas farmacêuticas indianas planejava lançar versões genéricas dos bem-sucedidos medicamentos para emagrecer da Novo Nordisk assim que a patente expirasse, em março.

Por exemplo, a Natco Pharma fabricou uma injeção de semaglutida, o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.

Seu dispositivo em forma de caneta custa cerca de 4.500 rúpias por mês (cerca de US$ 47,82 atualmente).

Em comparação, a caneta Wegovy da Novo tem um preço inicial de aproximadamente 10.480 rúpias (US$ 111) na Índia e cerca de US$ 199 nos Estados Unidos no modelo de pagamento direto.

Mercado de produtos falsificados

Valney Suzuki, vice-presidente da empresa na América do Sul, comentou que o vencimento de patentes é comum e que o grande desafio é a capacidade dos órgãos reguladores em garantir a segurança dos novos produtos.

Suzuki também alertou sobre o crescimento do mercado ilegal de medicamentos falsificados, como o Ozempic e outros tratamentos à base de semaglutida.

Ele destacou que alguns agentes têm se aproveitado da grande necessidade e vulnerabilidade dos pacientes para introduzir produtos falsificados no mercado.

Ele indicou que esse fenômeno tem múltiplas origens, que vão desde redes sofisticadas de falsificação até imitações mais rudimentares.

E alertou que essa situação já resultou até mesmo em internações hospitalares, o que representa um problema de saúde pública.

Por isso, recomendou aos pacientes que adquirissem os medicamentos exclusivamente por meio de canais comerciais autorizados e aprovados pelas agências reguladoras locais.

“Não procure soluções milagrosas na internet com preços muito diferentes, pois pode não se tratar de um produto original e devidamente testado”, afirmou.

O mais recente estudo clínico da Novo Nordisk, chamado STEP UP, mostrou que os pacientes em tratamento alcançaram uma perda média de peso de 21%, e que um em cada três alcançou reduções de até 25%.

“Ao conter a obesidade, você converte uma pandemia e uma série de outras doenças que têm um impacto muito oneroso no sistema de saúde e no bolso da população, além de causar muitas faltas no trabalho”, afirmou o executivo da Novo Nordisk.

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Alta demanda na América Latina

O debate sobre os medicamentos para a obesidade e o diabetes ocorre em meio a um forte aumento da demanda na região.

Nos últimos 12 meses, encerrados em fevereiro, a empresa vendeu aproximadamente 2,16 milhões de canetas para o tratamento da obesidade, incluindo Wegovy e Saxenda, na América Latina, excluindo o Brasil e o México.

De acordo com a Novo Nordisk, a América Latina tem registrado taxas de crescimento de dois dígitos nas terapias para obesidade e diabetes, impulsionadas pela alta prevalência dessas doenças.

Suzuki explicou que esse dinamismo transformou a região em um dos mercados de maior crescimento global para a empresa, tendo o Brasil e o México como principais centros, mas com avanços significativos também em países como Colômbia, Chile e Argentina.

“Aqui na América Latina, infelizmente, o que não nos enche de orgulho é a prevalência da diabetes. Quando se trata de obesidade ou sobrepeso, chamam muito a nossa atenção, por exemplo, países como a Argentina e o Chile, que apresentam uma prevalência em torno de 70%”, observou.

O aumento da demanda por esses produtos provocou, na época, episódios de escassez em várias partes do mundo, incluindo a América Latina, quando a oferta não conseguiu acompanhar o crescimento do consumo.

“Hoje a situação é diferente. A Novo Nordisk, após um investimento maciço, tem estoque e abastecimento para toda a América Latina. Não estamos mais com falta de produto. Há um estoque muito bem distribuído na região”, disse ele.

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Panamá: centro logístico regional

Diante do “boom” regional desses produtos, o Panamá se consolida como peça-chave na estratégia de distribuição regional da Novo Nordisk.

A empresa está implementando um novo centro logístico no país para centralizar o abastecimento para a América Latina, em resposta ao aumento de até 145% nos volumes de alguns produtos.

“O que estamos fazendo é investir em um centro logístico no Panamá para a América Latina, o que nos garante agilidade e maior fluidez”, afirmou. “Iniciamos a fase de implementação este ano e a ideia é que esteja pronto o mais rápido possível.”

Segundo Suzuki, atualmente cada país deve realizar suas importações diretamente das fábricas localizadas nos Estados Unidos, no Brasil, na Europa e na Ásia.

O executivo explicou que, nesse contexto, é mais eficiente criar um centro logístico que centralize as solicitações.

O modelo busca melhorar o planejamento, otimizar os processos e acelerar a entrega dos medicamentos a diferentes países da região.

“A criação de um centro regional permite ‘um planejamento mais preciso e uma entrega mais rápida aos países’”, explicou ele.

O centro logístico pretende aproveitar a posição estratégica do Panamá como centro de conexões aéreas e marítimas, bem como sua conectividade regional.

Na região, a empresa conta com cerca de 1.400 funcionários diretos, sem contar com o pessoal dedicado à fabricação.

No ano passado, no âmbito de uma reestruturação global, a empresa reduziu cerca de 10% de seu quadro de funcionários na América Latina, em linha com o que ocorreu em outras regiões, contou Valney Suzuki.

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Acesso aos produtos

O executivo explicou que a empresa mantém conversas com governos, seguradoras e sistemas de saúde para ampliar o acesso aos tratamentos. “Nos reunimos, conversamos e tentamos chegar a acordos sustentáveis para que essa população tenha acesso”.

No ano passado, por exemplo, executivos da Novo Nordisk e de sua concorrente Eli Lilly (LLY) chegaram a um acordo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reduzir os preços dos medicamentos que contêm GLP-1 para perda de peso em programas de saúde como o Medicare e o Medicaid.

Suzuki destacou que existem programas de apoio aos pacientes que incluem educação em saúde (com foco em alimentação e na promoção de um estilo de vida saudável), acompanhamento clínico e descontos que podem chegar a 50%, dependendo do país.

No entanto, ele afirmou que os preços variam significativamente de acordo com a regulamentação local, já que alguns mercados operam sob controles estatais, enquanto outros têm esquemas mais flexíveis.

Na América Latina, a empresa está em fase de preparação regulatória para o lançamento de novas soluções à base de semaglutida, especialmente na sua versão oral para o tratamento da obesidade.

A Novo Nordisk explicou que o processo ainda se encontra em uma fase preliminar de aprovação regulatória em cada país.

Assim que essas autorizações forem obtidas, a empresa dará início às negociações de acesso com os sistemas de saúde para definir sua inclusão nos planos públicos.

“Estamos abertos a dialogar com todos os governos; o processo regulatório já está em andamento”, afirmou ele.

A empresa não descarta a possibilidade de a região ser incluída nos planos de lançamento, embora ainda não haja datas definidas, já que tudo depende do andamento dos processos regulatórios em cada mercado.

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Vencimento da patente pode afetar preços, acesso e qualidade dos tratamentos em um momento de alta demanda global (Foto: Bloomberg)

US$ 84 tri em heranças: como investem os sucessores dos baby boomers, segundo a Natixis

26 de Abril de 2026, 10:33

Os adultos da geração baby boomer herdarão, globalmente, mais de US$ 84 trilhões nos próximos 20 anos, em uma grande transferência de riqueza que muda o panorama em matéria de consultoria financeira e investimentos para seus beneficiários, de acordo com um relatório da Natixis Investment Managers (Natixis IM).

Com os primeiros dos 1,1 bilhão de baby boomers que completam 80 anos em 2026, o setor de consultoria financeira se prepara para uma transformação, na qual serão os herdeiros que definirão quem administrará o patrimônio que receberão, de acordo com o relatório Great Wealth Transfer.

“A grande transferência de patrimônio representa um desafio fundamental para os consultores, por isso será essencial adaptar-se às preferências dos novos herdeiros”, afirmou Andrew Benton, diretor para o Norte da Europa, Oriente Médio e África da Natixis IM.

À medida que os ativos passam para outras mãos, Andrew Benton explica que será necessário reavaliar os perfis de risco e as preferências de investimento, levando em conta as diferenças na forma como cada um aborda o investimento.

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De modo geral, a Natixis explica que os jovens investidores entrevistados demonstram uma clara preferência por determinadas classes de ativos e estruturas de produtos, sobretudo no que diz respeito a ativos privados.

A Natixis IM aponta para um interesse crescente por ativos privados, criptomoedas e investimentos sustentáveis, o que significa que “os consultores deverão ampliar sua perspectiva para além das classes de ativos tradicionais se quiserem manter os ativos e atender à próxima geração de clientes”, observou Benton.

Em geral, os jovens millennials (entre 30 e 45 anos) são considerados os menos conservadores.

De acordo com a pesquisa da Natixis, 75% afirmam querer ter a oportunidade de superar o desempenho do mercado.

Os millennials demonstram globalmente maior interesse em ativos privados (55%). Além disso, 46% já investem em criptomoedas.

“No que diz respeito aos ETFs de gestão ativa, os millennials já estão receptivos ao conceito, já que 62% afirmam que gostariam que os fundos mútuos de que gostam estivessem disponíveis na forma de ETFs”, explica a Natixis.

Por outro lado, os baby boomers (que terão entre 62 e 80 anos em 2026) são considerados os mais conservadores, com apenas 42% dispostos a assumir riscos para progredir.

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De acordo com o relatório, esse grupo é o que demonstra menor interesse em investimentos em ativos privados (29%) e criptomoedas (16%) em todo o mundo. No entanto, 63% afirmam estar dispostos a investir a longo prazo o dinheiro destinado à herança. E 52% temem que os investimentos passivos não sejam suficientes para evitar perdas.

Enquanto isso, os adultos da Geração X (de 46 a 61 anos) estão em um ponto intermediário, com 63% dos investidores considerando a volatilidade como uma oportunidade para gerar riqueza.

55% também acreditam que investir em ativos privados é uma boa forma de gerenciar o risco em suas carteiras.

Além disso, 38% planejam investir mais ou começar a investir em criptomoedas.

Transferência de riqueza na América Latina

O relatório da Natixis revela que os jovens investidores têm preferência por ativos privados, criptomoedas e investimentos sustentáveis.

No contexto da região, predomina o interesse dos herdeiros por ativos privados, investimentos sustentáveis e criptomoedas como formas de administrar o patrimônio.

Assim, os ativos privados atraem 72% da geração Y e 64% da Geração X da região para investir.

Além disso, o investimento sustentável é predominante entre os jovens.

Na América Latina, 82% dos millennials e 73% da Geração X consideram os investimentos sustentáveis uma excelente alternativa para administrar os ativos que herdaram.

Especificamente, os millennials demonstram o maior interesse na região por investimentos sustentáveis, com 33% afirmando já ter investido, além de outros 49% que demonstram interesse, mas ainda não o fizeram.

O interesse também é grande entre os investidores da Geração X, com 30% já tendo investido e 43% demonstrando interesse.

Entre os baby boomers, o nível de interesse chega a 41%, enquanto o de investimento atual é de apenas 19%.

Os investidores da próxima geração tendem mais a acreditar que os investimentos sustentáveis terão um desempenho superior no longo prazo (65% millennials, 61% da Geração X e 53% dos baby boomers).

No que diz respeito às criptomoedas, a região lidera o uso, com 49% dos millennials já investindo, contra 42% da Geração X que também o faz, com expectativas de aumentar a exposição.

24% dos baby boomers latino-americanos entrevistados também investiram em criptomoedas, uma porcentagem superior à de seus pares de outras regiões.

É provável que os investimentos aumentem, já que 63% dos millennials e 55% da Geração X na América Latina planejavam investir mais ou começar a investir no próximo ano.

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Desafio para consultores financeiros

José Luis León, líder da Natixis IM na Colômbia e no Peru, afirmou que a diferença entre gerações representa um desafio fundamental para os consultores, uma vez que as diferenças entre os interesses e as experiências dos investidores provavelmente implicarão “restabelecer relações, reajustar a estratégia de investimento e repensar as capacidades de atendimento”.

Em última análise, “os consultores que buscam manter seus clientes devem se concentrar na segmentação”, comentou José Luis León.

“As conversas com os herdeiros da próxima geração terão de ir além dos planos patrimoniais e dos fundos familiares e se adaptar às suas preocupações, perspectivas e, em última análise, às suas preferências em termos de atendimento”, observou ele.

O relatório indica que os baby boomers (66%) são os mais propensos a já ter transferido, ou a planejar transferir, seus ativos para um novo consultor.

Por outro lado, 48% dos investidores da Geração X afirmam que manterão seus ativos onde estão. Os millennials (50%) são os que se mostram mais propensos a fazer isso.

Os homens também são ligeiramente mais propensos a manter o consultor (47%), enquanto 56% das mulheres afirmam que pretendem mudar.

Apenas 8% dos entrevistados afirmam que deixam um consultor financeiro porque ele não administrou bem o dinheiro de seus pais.

Por isso, 76% dos consultores entrevistados afirmam que a melhor estratégia para manter os ativos no contexto da transferência de patrimônio é construir relações de longo prazo com toda a família.

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IA ganha força entre consultores financeiros

Diante do avanço global da IA, 57% dos millennials e 49% da Geração X afirmam que é mais provável que utilizem aconselhamento automatizado.

De fato, 56% dos millennials acreditam que a consultoria baseada em IA impulsionará significativamente os retornos.

Por outro lado, apenas 34% dos baby boomers demonstram interesse em consultoria automatizada.

“Quando os investidores da próxima geração adotam a IA e a consultoria digital, eles não depositam o mesmo nível de confiança nas máquinas que depositam nos profissionais de investimento de verdade”, explica a Natixis.

Os millennials (90%), a Geração X (91%) e os baby boomers (94%) continuam confiando mais em seus consultores financeiros na hora de tomar decisões.

Os investidores concordam que os aspectos mais importantes de sua relação com os consultores são: receber orientação em planejamento financeiro (47%); ajuda para compreender o investimento (39%); e que eles compreendam suas situações específicas (33%).

De acordo com a metodologia, os resultados relativos aos investidores individuais foram extraídos da Pesquisa Global de Investidores Pessoa Física da Natixis Investment Managers, realizada pela CoreData Research em fevereiro e março de 2025 com 7.050 investidores em 21 países.

Os resultados relativos aos consultores foram extraídos da Pesquisa Global de Consultores Financeiros da Natixis Investment Managers, realizada pela CoreData Research entre junho e agosto de 2024 com 2.700 consultores em 20 países.

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Enquanto os millennials são mais arriscados e abertos a novas classes de ativos, os baby boomers são predominantemente conservadores para investir seu patrimônio. (Foto: Gabby Jones/Bloomberg)

América Latina absorve ‘relativamente bem’ impacto da guerra no Irã, diz UBS

25 de Abril de 2026, 09:49

A América Latina está absorvendo “relativamente bem” o impacto da guerra no Irã graças a estruturas econômicas mais sólidas, amortecedores externos e maior credibilidade institucional, segundo o UBS (UBS).

“Em nossa opinião, a América Latina está absorvendo relativamente bem, até o momento, o impacto da guerra no Irã”, disse Alejo Czerwonko, diretor de investimentos (CIO) para Mercados Emergentes das Américas no UBS Chief Investment Office.

Ele explicou que os marcos econômicos, as reservas externas e a credibilidade institucional construídos na última década “estão se mantendo”.

De modo geral, afirma ele, as agências de classificação de risco percebem um panorama de estabilidade nas classificações da América Latina.

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“É importante ressaltar que, embora a exposição ao petróleo seja um fator diferenciador, a qualidade das decisões de política interna é igualmente importante, se não mais”, observou Czerwonko. Em nossa opinião, “o clima entre os responsáveis pela formulação de políticas parecia ser de otimismo cauteloso”.

De acordo com o UBS, os bancos centrais mantêm um tom restritivo e vigilante diante de possíveis efeitos inflacionários, e o Peru se destaca por sua resiliência, enquanto a Colômbia surge como o caso mais complexo da região.

No âmbito fiscal, afirma que prevalece a prudência, apesar de “algumas exceções”.

Apesar da guerra, a América Latina mantém uma estabilidade econômica, com destaque para a resiliência do Peru e os desafios enfrentados pela Colômbia.

A Argentina mantém sua disciplina fiscal, o Chile e o Peru têm margem para consolidação, o Brasil apresenta menor pressão, o México busca equilibrar crescimento e disciplina, e a Colômbia enfrenta desafios maiores.

“A Colômbia encontra-se no extremo oposto, com as autoridades focadas em reduzir os custos com juros, dada a margem limitada para cortar gastos antes das eleições”, segundo o relatório do UBS.

Para a instituição financeira suíça, a política continua sendo o principal fator de incerteza na região.

Segundo ele, “há menos confiança entre os especialistas de que a região avance de maneira uniforme em direção a governos de tendência conservadora”.

O analista financeiro Gregorio Gandini observou que, inicialmente, alguns países foram beneficiados pelo aumento dos preços do petróleo, como o Brasil, o México e a Colômbia, por serem produtores, embora tenha alertado que, à medida que o conflito se prolonga, seus efeitos começam a se tornar evidentes.

Ele explicou que, por exemplo, o Chile — por ser importador de petróleo e gasolina — já está registrando aumentos nos preços.

No caso do Brasil, o impacto poderia ser sentido em sua agroindústria, dada a sua elevada dependência da importação de fertilizantes, parte dos quais transita pelo Estreito de Ormuz.

De qualquer forma , “para os investidores, a região se torna uma fonte de diversificação de risco”, observou Gandini.

Leia mais: Do Brasil ao México: como o FMI vê os impactos da guerra no Irã para a América Latina

Perspectivas do UBS por país

O Brasil está lidando com o impacto da guerra através de subsídios para combustíveis.

Com base no recente relatório do FMI, o UBS explica que o Brasil mantém disciplina fiscal e cautela monetária, mas a eleição presidencial poderia forçar concessões que afetem a credibilidade.

“O risco é que a disputa eleitoral de outubro, bastante acirrada, force concessões fiscais que prejudiquem a credibilidade conquistada nos últimos anos”, explica ele.

O Ministério da Fazenda mantém a disciplina fiscal e o Banco Central do Brasil não demonstra pressa em reduzir as taxas, embora a eleição presidencial possa causar tensão em ambas as frentes, segundo o relatório.

Por enquanto, segundo o UBS, o impacto da guerra está sendo bem absorvido no país, com os subsídios aos combustíveis financiados integralmente por receitas extraordinárias do petróleo.

O banco descreve que, em meio às tensões globais, o México busca impulsionar o crescimento sem comprometer a disciplina fiscal, em meio à incerteza em relação ao T-MEC e às dúvidas sobre o ritmo da política monetária.

Leia mais: Da Venezuela ao Brasil: inflação na América Latina sobe com guerra no Irã

“Em nossa opinião, é provável que a Moody’s altere a perspectiva negativa da classificação soberana do México este ano; embora reconheçam os avanços fiscais e as condições comerciais favoráveis para a Pemex, a agência destacou o aumento da dívida e os riscos fora do balanço”, afirma o UBS. “Acreditamos que o grau de investimento do México não esteja em dúvida, mas sua posição exata dentro da categoria é menos clara”.

Enquanto isso, na Argentina, o programa do FMI visa consolidar as reformas até 2026, antes da volatilidade eleitoral prevista para 2027.

O Chile chega mais fortalecido para enfrentar os choques externos, com inflação controlada e credibilidade institucional, embora possa moderar seu ajuste fiscal.

No Peru, o resultado eleitoral gera incerteza diante da entrada de um candidato de esquerda na disputa.

Embora a Colômbia se beneficie do petróleo, o país enfrenta desafios maiores devido a tensões internas, à divisão entre o governo de Gustavo Petro e o banco central do país e aos riscos institucionais.

Na opinião dos analistas do UBS, a Colômbia caminha para uma eleição bastante acirrada.

“Embora tudo indique uma virada em favor das forças de centro-direita nas próximas eleições, acreditamos que, mesmo assim, a disputa será acirrada, devido às preocupações com a segurança e ao fato de que as recentes tensões entre [Gustavo] Petro e o Banco Central provavelmente tenham diminuído a popularidade de [Iván] Cepeda entre os eleitores moderados”, afirma o relatório.

A Venezuela considera possível uma transição política, mas enfrenta grandes desafios em relação à dívida e à atração de investimentos para o setor petrolífero.

“A recuperação depende do setor petrolífero, mas a falta de um marco legal claro impede os investimentos. Nem o governo nem os EUA parecem priorizar, por enquanto, a reestruturação da dívida”, indica o relatório.

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Relatório do banco menciona que a Colômbia enfrenta os desafios mais complexos, ao passo que outros países, como Brasil, Chile e Peru, têm mostrado resiliência orçamentária.

Do Brasil ao México: como o FMI vê os impactos da guerra no Irã para a América Latina

18 de Abril de 2026, 13:34

A guerra no Oriente Médio está aprofundando as diferenças entre os principais países da América Latina e do Caribe.

Enquanto as nações produtoras de petróleo se beneficiem dos preços elevados da energia — ainda que enfrentem desafios —, outras economias registram retração na atividade e se mostram mais vulneráveis ao conflito.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que países produtores como Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago e Venezuela estão se beneficiando dos preços mais altos da energia.

“O choque nas commodities está fortalecendo seus balanços de pagamentos, apoiando o crescimento e ajudando as finanças públicas”, afirma o FMI no relatório The Middle East War Will Have an Uneven Impact on the Western Hemisphere.

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O documento explica que, embora alguns desses países também enfrentem condições financeiras mais restritivas, no conjunto muitos deles devem registrar ganhos econômicos líquidos.

Ainda assim, o FMI alerta que “mesmo nesses países produtores de petróleo, não se deve perder de vista que os mais vulneráveis serão os mais afetados pelo aumento dos preços de energia e alimentos”.

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Para além dos possíveis ganhadores, “para outros já se desenvolve uma história muito diferente”, diz o FMI no relatório. “O conflito tem impactos econômicos claramente negativos tanto para a atividade econômica quanto para a população.”

As economias do Caribe dependentes do turismo devem ser as mais prejudicadas. Sua dívida é elevada e suas importações líquidas de energia são significativas, representando em média cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB).

A América Central também é vulnerável aos altos preços de energia e, em vários casos, enfrenta limitações fiscais que restringem a capacidade de resposta. O FMI pondera, no entanto, que os avanços em energias renováveis em alguns países oferecem algum alívio.

Países com déficits em conta corrente e alta dependência de financiamento externo — incluindo alguns exportadores de energia — também enfrentam dificuldades, com custos de financiamento mais elevados e menor acesso aos mercados em um ambiente de menor apetite global por risco. “A guerra reduz o apetite dos investidores por risco”, ressalta o FMI no relatório.

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Segundo o FMI, os efeitos desse cenário variarão entre os países da região e dependerão em grande medida da duração do conflito e das perturbações associadas.

No sábado (18), o Irã transmitiu mensagem a navios na região do Estreito de Ormuz de que a passagem marítima estava novamente fechada, um dia após o país anunciar a reabertura total do estreito — mantendo o cenário incerto.

Choque inflacionário

Enquanto o impacto sobre a atividade econômica deve variar amplamente entre os países, o efeito sobre a inflação será mais uniforme, avalia o FMI.

“A inflação será mais alta para todos. A região enfrentará custos muito mais elevados de combustível, transporte, alimentos e outros insumos”, diz o FMI no documento.

Entre os países analisados na região, a inflação projetada para 2026 é mais alta na Venezuela (220%), na Bolívia (26,1%) e na Argentina (25%).

No Brasil, a estimativa é de 4,3%; no Chile, 3,6%; no Paraguai, 3,5%; no Equador, 3%; e no Peru, 2,5%. Na Colômbia, a projeção é de 6,3%, e no Uruguai, de 4,5%.

Na América Central, a inflação chegaria a 4,8% em Honduras, 3,9% na Guatemala, 2,5% em El Salvador e 1% na Costa Rica. No Caribe, a República Dominicana registraria 4,5%. Para a América Latina e o Caribe como um todo, o FMI projeta inflação de 6,6% em 2026 e 4,2% em 2027.

O fundo alerta que o aumento da inflação vai gerar dificuldades especialmente para as famílias de menor renda, que são as que menos condições têm de absorver a alta no custo dos bens essenciais.

Nesse sentido, o FMI avalia que o conflito representa um desafio renovado e altamente imprevisível em um momento em que a região ainda trabalhava para se recuperar dos efeitos da covid-19.

Países mais bem preparados

O FMI indica que países com marcos macroeconômicos e institucionais sólidos estarão em melhor posição para absorver o choque — especialmente aqueles com inflação ancorada, disciplina fiscal e dívida baixa.

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O espaço fiscal disponível deve ser usado com cautela, enquanto os países mais limitados podem ser obrigados a apertar suas políticas fiscal e monetária.

Os exportadores de energia com fundamentos frágeis deveriam poupar os ganhos extraordinários, sugere o relatório. Aos bancos centrais, que já contiveram a inflação pós-pandemia, cabe agora garantir novamente a estabilidade de preços.

No campo fiscal, o FMI considera essencial preservar os avanços na eliminação de subsídios generalizados e resistir a pressões políticas para controlar preços administrativamente. Os gastos devem ser direcionados a famílias vulneráveis, agricultores e pequenas empresas.

Diante do elevado nível de endividamento, “a região tem pouca margem para continuar ampliando os déficits fiscais”, afirma o fundo.

A prioridade, segundo o relatório, deve ser reduzir gastos menos essenciais ou aumentar a arrecadação junto a empresas e famílias com maior capacidade de pagamento.

Consequências além da guerra

A consultora Oxford Economics prevê que o conflito no Oriente Médio reduzirá o crescimento global, elevará a inflação e manterá perturbações no setor energético, com efeitos que devem se prolongar mesmo após o cessar-fogo.

A projeção de crescimento do PIB mundial da consultora foi reduzida em 0,4 ponto percentual desde o início de março, para 2,4% em 2026.

“O frágil cessar-fogo aparentemente reduz o risco de um cenário pior, mas mesmo que a trégua se mantenha, levará tempo para que a produção de energia e o tráfico marítimo retornem aos níveis normais”, afirmou Ben May, diretor de Pesquisa Macroeconômica Global da Oxford Economics.

Em nível global, o FMI cortou sua projeção de crescimento para 3,1% neste ano, ante os 3,3% previstos em janeiro, em razão do impacto da guerra no Oriente Médio e da crise do petróleo.

“As perspectivas globais se obscureceram abruptamente após o início da guerra no Oriente Médio”, diz o fundo. “Antes da guerra, estávamos preparados para melhorar nossa previsão de crescimento global”, acrescentou a instituição.

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Bogotá, na Colômbia: países produtores de petróleo estão se beneficiando dos preços mais altos da energia. (Foto: Antonio Cascio/Bloomberg)

Carros elétricos ganham força na América Latina. Brasil lidera vendas na região

As vendas de veículos eletrificados somaram 136.575 unidades no primeiro bimestre na América Latina, ante 80.635 registrados no mesmo período de 2025, de acordo com um relatório da Associação Profissional de Concessionárias Automotivas da Colômbia (Aconauto).

Os veículos 100% elétricos alcançaram um volume de vendas de 33.772 unidades e uma participação de 3,6% no total.

Enquanto isso, os híbridos registraram 77.039 unidades vendidas, o que representa uma participação de 8,2% no total.

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No caso dos híbridos plug-in (que podem ser carregados na tomada), foram vendidas 25.664 unidades na região, o que representa uma participação de 2,7% no total, de acordo com o relatório elaborado pela Aconauto, membro da Associação Latino-Americana de Distribuidores de Automóveis (Aladda).

Neste contexto, as vendas de veículos eletrificados já representam 14,5% do total da região.

Mudança no modelo

“A América Latina avança com determinação na transição energética de sua frota de veículos, mas por motivos diferentes. Por exemplo, nos países do Cone Sul, por consciência ambiental; na Colômbia, para evitar o ‘pico y placa’ [rodízio de veículos evitar congestionamentos] nas cidades”, disse à Bloomberg Línea o presidente da Aladda, Pedro Nel Quijano.

Ele explicou que a infraestrutura de recarga ainda incipiente na América Latina está levando os consumidores a optar por tecnologias intermediárias, como os híbridos (HEV) e os híbridos de partida assistida (MHEV), em vez de opções que dependem mais da rede elétrica, como os híbridos plug-in (PHEV) e os veículos totalmente elétricos.

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De acordo com a Organização Latino-Americana de Energia (OLACDE), em 2025 o Brasil liderou de forma incontestável a lista dos países com o maior número de estações de recarga públicas para veículos elétricos na região, com 14.827 unidades.

Mercados na região

Atrás do Brasil, com distância, estão os mercados do México (3.212), Chile (1.133), Colômbia (300) e Uruguai (202).

O relatório indica que o principal mercado de veículos eletrificados da região continua sendo o Brasil, com 55.713 unidades emplacadas nos dois primeiros meses do ano, um aumento de 69% em relação ao mesmo período do ano passado e uma participação de 15,7% em seu próprio mercado.

O Brasil lidera as vendas de veículos elétricos, com 17.129 unidades, um aumento de 103,4% e uma participação de 4,8%.

A maior economia da região também lidera as vendas de veículos híbridos, com 22.160 unidades, registrando um crescimento de 80,6% em relação ao ano passado e uma participação de 6,2% no mercado.

No segmento de híbridos plug-in, o Brasil também lidera com 16.424 unidades e um crescimento de 33,8% na mesma base, o que representa uma participação de 4,6% em seu próprio mercado.

O México registrou um total de 27.840 unidades vendidas, com um crescimento de 31,7% e uma participação de 10,9% no mercado interno.

No segmento de veículos 100% elétricos, o México atingiu 3.607 unidades, com um aumento de 35,1% e uma participação de mercado de 1,4%.

No segmento de híbridos, os emplacamentos somaram 20.298 unidades, um crescimento de 21,1% e uma participação de mercado de 8 %. No segmento de híbridos plug-in, as vendas atingiram 3.935 unidades, com um aumento de 130,8% e uma participação de mercado de 1,5%.

A Colômbia é o terceiro maior mercado da região, com 16.410 unidades emplacadas, um crescimento de 80,4% e uma participação de 36,0% no total. No segmento de veículos elétricos, as vendas atingiram 4.273 unidades, um aumento de 107,2% e uma participação de 9,4% no total. Em híbridos, foram 11.269 unidades, crescimento de 73,3% na mesma base e participação de 24,7% no total. Já em híbridos plug-in, as vendas foram de 868 unidades, alta de 62,5% e participação de 1,9%.

Do avanço na Argentina ao impulso no Chile

A Argentina continua em ascensão e registrou um total de 12.583 unidades eletrificadas emplacadas no bimestre, um crescimento de 263,4% e uma participação de 11,6% no total.

No segmento de veículos 100% elétricos, a Argentina alcançou 1.097 unidades, um aumento de 862,3% e uma participação de 1% no total de vendas.

No segmento de híbridos, foram 9.619 unidades vendidas, alta de 191,2% e uma participação de mercado total de 8,9%.

No segmento de híbridos plug-in, foram registrados 1.867 emplacamentos, um avanço de 3.958,7% e uma participação no mercado total de 1,7%.

Já o Chile registrou 6.017 licenciamentos de eletrificados no período, alta de 60% sobre o mesmo período do ano passado e uma participação no total de vendas de 12,1%.

No segmento de veículos elétricos, foram 794 unidades, alta de 7,0% e uma participação de 1,6%.

No segmento de híbridos, somam-se 4.379 unidades, com um crescimento de 57,2% e uma participação de mercado de 8,8%.

Já no segmento de híbridos plug-in, foram registradas 844 unidades, com um aumento de 260,7% e uma participação de mercado de 1,7%.

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Os veículos eletrificados vêm registrando crescimento contínuo na América Latina (Foto: Bloomberg)

‘Mantenham seus investimentos’: o guia do UBS para lidar com choques geopolíticos

5 de Abril de 2026, 07:24

A empresa suíça de serviços financeiros UBS recomendou aos investidores de longo prazo que mantenham seus investimentos, diversifiquem e protejam suas carteiras para lidar com a volatilidade, alertando que tentar antecipar choques geopolíticos costuma resultar em erros e perda de oportunidades.

“Nossa recomendação aos investidores de longo prazo é clara: mantenham seus investimentos. A história mostra que as tentativas de antecipar eventos geopolíticos costumam acabar em fracasso”, escreveu Mark Haefele, diretor de investimentos da UBS Global Wealth Management, na carta.

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À medida que a crise no Oriente Médio se prolonga devido à guerra no Irã e ao bloqueio do Estreito de Ormuz, o UBS destaca que uma possível interrupção prolongada do abastecimento energético global representa um risco fundamental para os mercados.

Antes do conflito, cerca de 20 milhões de barris por dia passavam pelo Estreito de Ormuz, mas atualmente cerca de 15 milhões estão barrados, apesar das rotas alternativas, de acordo com cálculos do UBS.

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“Embora seja possível recorrer a algumas fontes alternativas de energia (como GNL ou carvão), isso deixa um déficit significativo; portanto, o ajuste deverá ocorrer por meio da redução da demanda”, explica ele na carta.

Um dos desafios é que o fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) é bastante limitado, especialmente o do Catar, que representa cerca de 20% da oferta global e é exportado principalmente para o sul da Ásia.

De qualquer forma, Mark Haefele não acredita que ”o atual período de preços elevados da energia tenha um impacto significativo na trajetória dos mercados no longo prazo”, enquanto as tentativas de antecipar correções “geralmente resultam em oportunidades perdidas e riscos maiores”, indicou ele na carta.

Segundo o executivo, “a história mostra que mesmo aumentos acentuados nos preços raramente geram reduções duradouras na demanda global por petróleo”.

A economia mundial tornou-se menos dependente do petróleo, enquanto grande parte da demanda restante concentra-se em setores menos sensíveis ao preço, de acordo com o UBS.

Isso significa que os preços do petróleo teriam que subir significativamente para provocar reduções substanciais na demanda.

Panorama do mercado

Em sua opinião, os episódios de volatilidade também podem representar oportunidades atraentes para que aqueles que mantêm altos níveis de caixa entrem gradualmente no mercado.

Nesse contexto, a sugestão é reduzir as posições concentradas, aumentar a exposição a títulos de dívida de alta qualidade, commodities, ouro e ativos alternativos, e aplicar coberturas quando necessário.

Por exemplo, O UBS vê na volatilidade dos títulos uma oportunidade para aumentar a exposição a títulos de dívida de alta qualidade, especialmente aqueles de prazo médio, como fonte de diversificação e renda.

“Esperamos que as taxas de referência acabem por diminuir, quer a crise se atenue, quer se prolongue e os mercados comecem a antecipar um crescimento menor”, afirma.

Na opinião de Mark Haefele, os riscos potenciais de concentração nas carteiras estão aumentando. “Um período de preços mais altos da energia beneficiará alguns e prejudicará outros”.

“Embora o futuro seja incerto e os riscos continuem elevados, acreditamos que, ao manter os portfólios investidos, diversificados e protegidos, eles podem contornar os desafios atuais e aproveitar as oportunidades futuras”, explicou ele.

“Consideramos que os investidores devem se concentrar na diversificação e ir incorporando coberturas de forma gradual, à medida que a crise no Oriente Médio se prolonga”, afirma o documento.

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Ambiente pode ser favorável

Apesar dos riscos geopolíticos e das preocupações persistentes em torno da IA e dos mercados de crédito, o cenário econômico continua sendo, na visão do banco, “favorável para os mercados”.

No UBS, considera-se que as ações são atraentes, com preferência pelos mercados dos Estados Unidos, Europa, Japão e China, bem como pelos mercados emergentes em geral.

O cenário base é que os mercados de ações encerrem o ano em alta.

Para aproveitar uma recuperação das ações no médio prazo enquanto se gerenciam riscos específicos, o UBS recomenda ampliar a exposição ao mercado acionário entre setores, regiões e estilos.

Isso implica ir além do setor de tecnologia nos EUA, aumentar a exposição a empresas industriais globais e a empresas de serviços públicos americanas, fortalecer a presença na Ásia e incorporar fontes de receita mais previsíveis, de acordo com a estratégia proposta.

O UBS revisou para baixo suas perspectivas em relação a alguns setores.

“Após as nossas revisões para baixo, em fevereiro, para os setores de tecnologia da informação e serviços de comunicação nos Estados Unidos, rebaixamos o setor financeiro europeu para ‘neutro’”, afirmou.

Por outro lado, eles apostam em uma valorização do dólar americano no curto prazo, especialmente em relação às moedas cíclicas, o que, na opinião deles, poderia servir como uma cobertura eficaz caso a crise se prolongue.

Para o UBS, um cenário positivo para os mercados implicaria que os EUA “declarassem vitória” ao mesmo tempo em que concordassem com concessões em relação à segurança e à soberania do Irã.

“Isso também pressuporia que a atividade militar atingisse seu ponto máximo sem se expandir regionalmente, que Israel aderisse a um cessar-fogo e que os danos adicionais à infraestrutura crítica de petróleo e gás fossem limitados”, explica ele.

Por outro lado, acrescenta ele, um cenário negativo implicaria que os líderes dos EUA, de Israel ou do Irã não estivessem dispostos a ceder.

Além disso, isso poderia acarretar uma maior instabilidade interna no Irã, o que complicaria ainda mais o controle da situação.

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Empresa suíça de serviços financeiros alerta que tentar antecipar choques geopolíticos costuma resultar em erros e perda de oportunidades (Foto: Pascal Mora/Bloomberg)

SP está entre os 100 centros financeiros mais influentes do mundo, segundo levantamento

3 de Abril de 2026, 11:32

Apenas duas cidades latino-americanas figuraram entre os 100 centros financeiros mais influentes do mundo, de acordo com um novo levantamento elaborado pela Z/Yen Partners e pelo China Development Institute.

Enquanto Santiago do Chile ficou na 91ª posição, com 658 pontos, obtendo uma pontuação de 651, São Paulo ficou na 98ª posição segundo o relatório Global Financial Centres Index 39 (GFCI).

“A liderança de Santiago e São Paulo na América Latina não se explica apenas pelo tamanho de suas economias, mas pela capacidade de oferecer algo escasso na região: previsibilidade”, disse Renato Campos, CEO da Greyhound Trading, à Bloomberg Línea.

“Ambas as cidades concentram decisões financeiras, talentos profissionais e infraestrutura institucional suficiente para sustentar a atividade econômica mesmo em contextos políticos adversos”.

Santiago consolidou sua posição com base na estabilidade regulatória e na integração internacional, e São Paulo o fez com base na escala produtiva e na densidade empresarial.

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Em ambos os casos, observou Campos, a competitividade deixou de ser nacional e passou a ser urbana, na medida em que as oportunidades se concentram onde existem redes econômicas sólidas e capital humano especializado.

No entanto, seu principal desafio já não é crescer, mas sim lidar com as tensões geradas por esse mesmo sucesso.

A desigualdade, a pressão urbana e a segurança serão fatores decisivos para determinar se essas cidades consolidarão sua liderança ou enfrentarão limites sociais ao seu desenvolvimento, observou ele. “Mais do que exceções na região, Santiago e São Paulo antecipam o futuro da América Latina, entendidas como economias cada vez mais definidas por suas cidades e não por seus países”.

Membros da Comunidade do Caribe, como as Bermudas (57º lugar), as Ilhas Cayman (68º lugar) e as Ilhas Virgens Britânicas (97º lugar), também entraram no top 100, mas são territórios britânicos ultramarinos.

Outras cidades da América Latina entraram no ranking:

  • Rio de Janeiro (105º lugar): 642 pontos
  • Cidade do México (106º lugar): 639
  • Bahamas (111º lugar): 631
  • Barbados (113º lugar): 623
  • Panamá (115º lugar): 616
  • Trinidad e Tobago (116º lugar): 605
  • Bogotá (119º lugar): 589
  • Buenos Aires (120º lugar): 565

A pontuação média no índice diminuiu 2,5% na região, a queda mais acentuada entre todas as áreas analisadas. De fato, oito centros financeiros da região caíram no ranking.

De modo geral, a classificação de quase todas as instituições diminuiu, com uma queda média de 1,82%.

A menor queda foi observada na Europa Oriental e na Ásia Central, onde as notas médias caíram 0,56%.

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Os maiores centros financeiros do mundo

Los residentes de la ciudad de Nueva York poseen más de US$3 billones de riqueza combinada.

No mundo, a lista é dominada por:

  1. Nova York: 767 pontos
  2. Londres: 766
  3. Hong Kong (Região Administrativa Especial da China): 765
  4. Cingapura: 764
  5. São Francisco: 744
  6. Xangai: 743
  7. Dubai: 742
  8. Seul: 741
  9. Shenzhen: 740
  10. Tóquio: 739

Os quatro principais centros financeiros têm classificações muito mais altas do que os demais.

Mas, apesar da desglobalização, a atividade financeira não está se concentrando cada vez mais apenas nesses centros seguros, segundo o professor Michael Mainelli, presidente da Z/Yen. “Mesmo assim, com Dubai e Tóquio tirando Chicago e Los Angeles do top 10, a concorrência é acirrada”.

Os dados desta edição do GFCI são anteriores ao atual conflito no Oriente Médio.

“Prevemos que as repercussões econômicas causadas por esse conflito afetarão significativamente as futuras edições do índice”, disse Michael Mainelli.

Para o relatório, foram analisados 137 centros financeiros, dos quais 120 fazem parte do índice principal.

O Índice Global de Centros Financeiros 39 é elaborado com base em 147 indicadores quantitativos, fornecidos por organismos externos como o Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e as Nações Unidas.

Esses indicadores são combinados com as avaliações diretas dos centros financeiros, coletadas por meio do questionário on-line do GFCI.

Na 39ª edição do GFCI, foram utilizadas 34.468 avaliações de 5.218 entrevistados.

Os autores do relatório destacam que os centros financeiros da China e dos EUA continuam a ter uma forte presença no setor de fintech, com cinco centros americanos e seis chineses entre os 20 primeiros.

Entre os principais centros de fintechs, Hong Kong ocupa o primeiro lugar, seguido por Shenzhen, Nova York, Cingapura e Londres.

De acordo com o relatório, isso reflete a força contínua de suas economias no desenvolvimento de aplicativos tecnológicos.

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Riqueza proveniente de ativos financeiros na América Latina

Quatro países da América Latina (Chile, México, Brasil e Colômbia) figuraram entre os 50 países mais ricos do mundo em termos de ativos financeiros líquidos per capita em 2024, de acordo com o relatório Allianz Global Wealth Report 2025.

Em 2024, o Chile registrou um patrimônio líquido per capita de € 18.730 (cerca de US$ 21.594), sendo o país mais rico entre os mercados analisados na América Latina e no Caribe.

O Chile ficou na 34ª posição mundial, à frente do México (€ 9.100 ou US$ 10.491) e do Brasil (€ 8.070 ou US$ 9.304), as duas maiores economias do continente.

Entre os 50 primeiros países do ranking mundial também está a Colômbia, com um patrimônio líquido per capita de € 4.650 (cerca de US$ 5.361).

Na 51ª posição está o Peru (€ 2.270 ou US$ 2.617) e na 55ª posição está a Argentina ( € 1.560 ou US$ 1.798).

O Allianz Global Wealth Report analisa os ativos financeiros brutos das famílias, incluindo dinheiro em espécie, depósitos bancários, investimentos em seguros e pensões, títulos (ações, títulos de renda fixa e fundos de investimento) e outras contas a receber, bem como as dívidas contraídas pelas famílias.

O estudo abrange 57 países, que representam 91% do PIB mundial e 72% da população mundial.

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© Benx/Divulgação

Outras cidades da América Latina que entraram no ranking incluem o Rio de Janeiro (105º lugar), Cidade do México (106º lugar) e Bogotá (119º lugar).

Fim do tarifaço favoreceria o Brasil e mudaria o comércio em LatAm, dizem especialistas

20 de Fevereiro de 2026, 15:19

Os países da América Latina devem sentir alívio de parte das pressões comerciais após a anulação das tarifas globais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ainda assim, algumas economias podem perder competitividade em relação a outras regiões que eram penalizadas com tarifas mais altas.

A Suprema Corte dos Estados Unidos anulou nesta sexta-feira (20) as tarifas globais de Trump por 6 votos a 3, considerando que o presidente excedeu sua autoridade ao invocar uma lei federal de poderes de emergência.

O presidente americano chamou a decisão de uma “desgraça” e anunciou novas tarifas globais de 10% por outras formas legais para impor impostos sobre produtos importados pelos Estados Unidos.

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Segundo especialistas, o Brasil é um dos países mais beneficiados pela mudança, mas é preciso ter cautela para lidar com os próximos passos da política tarifária dos Estados Unidos.

Essa decisão da Suprema Corte poderia aliviar parcialmente a pressão comercial sobre a América Latina, “embora a vantagem relativa fosse mais sutil”, de acordo com uma análise prévia da Bloomberg Economics.

“Em comparação com as economias asiáticas e outras regiões que enfrentam tarifas recíprocas mais altas, os países latino-americanos que atualmente desfrutam de taxas mais baixas perderiam parte de sua vantagem competitiva” após a anulação das tarifas, na opinião de Felipe Hernández, economista da Bloomberg Economics.

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O primeiro grupo potencialmente beneficiado por essa decisão é o dos países que “já avançaram em acordos bilaterais ou entendimentos setoriais com Washington”, disse à Bloomberg Línea Jonathan Fortun, economista do Instituto de Finanças Internacionais (IIF).

“As economias que ‘fizeram o dever de casa’ e consolidaram marcos específicos de acesso ao mercado americano podem enfrentar menos incerteza relativa em um ambiente em que o uso expansivo de leis de emergência é limitado”, afirmou o economista do IIF.

Neste grupo, podem-se citar casos como a Argentina, com alguns avanços recentes, bem como parceiros extra-regionais, como o Reino Unido ou o Japão, que já haviam trabalhado em acordos setoriais ou entendimentos comerciais específicos. “Para eles, a decisão reforça a previsibilidade do marco negociado”, disse.

O analista financeiro Gregorio Gandini considerou que a decisão é “sem dúvida muito relevante”, pois limita o alcance do que o presidente pode fazer por meio da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês), instrumento que “lhe permite regular as importações em caso de emergência”.

Na sua opinião, a decisão limita esse mecanismo de pressão utilizado pelo presidente.

Segundo Gandini, no caso da América Latina, seria de se esperar que Washington recorresse a outros mecanismos para manter sua influência na região.

Ele também sugeriu que a estratégia poderia se concentrar mais em condicionar o apoio que os Estados Unidos oferecem a esses países, embora tenha alertado que, após o corte de grande parte da ajuda por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) no ano passado, resta saber até onde esse mecanismo de pressão poderia chegar.

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De acordo com um relatório do ING, “o conjunto de ferramentas de substituição é amplo” para o governo Trump e inclui tarifas sob a Seção 301 (práticas comerciais desleais), a Seção 232 (segurança nacional), a Seção 122 (questões de balança de pagamentos) e a Seção 338 (discriminação contra as exportações americanas).

“Dentre essas opções, a Seção 122 oferece o caminho mais rápido. Essa disposição permite tarifas de até 15% por motivos de balança de pagamentos com requisitos processuais mínimos”, explicou o ING. “A implementação poderia ser quase instantânea.”

Países beneficiados

Jonathan Fortun, do IIF, afirma que, para a América Latina, o impacto pode ser positivo na margem se a volatilidade tarifária for reduzida.

Uma menor discricionariedade na imposição de tributos amplos diminui o risco de choques comerciais abruptos que afetam os termos de troca, os fluxos de investimento e o planejamento das exportações.

No entanto, explica que o efeito será heterogêneo e dependerá da estrutura exportadora de cada país e do seu grau de integração com o mercado norte-americano.

A Bloomberg Economics estima que o Brasil é o país mais beneficiado com a eliminação das tarifas, já que o corte de uma taxa específica de 40% e outra recíproca de 10% reduziria significativamente os custos de exportação.

A taxa tarifária média efetiva sobre as importações americanas provenientes do Brasil no ano passado subiu para 22,1% em outubro, ante 9,3% em julho e 2,5% em março, antes da aplicação das novas tarifas.

O México também se beneficiaria, especialmente pela possível eliminação da tarifa de 25% associada ao fentanil, embora continuassem as taxas sobre automóveis e peças automotivas.

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Felipe Hernández destacou que mais de 80% das exportações do país para os EUA continuam isentas de tarifas aduaneiras devido às isenções previstas no Tratado entre o México, os Estados Unidos e o Canadá (T-MEC), com uma taxa efetiva próxima de 4,6%.

Ele explicou que outros países, como Argentina, Chile, Colômbia e Peru, veriam as tarifas recuar para os níveis anteriores a abril se a taxa recíproca de 10% fosse eliminada.

O caso do Brasil

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - ASEAN em Kuala Lampur, Malásia.

 

Fotos: Ricardo Stuckert / PR

No que diz respeito especificamente ao Brasil, Fortun, do IIF, afirma que pode haver benefícios pontuais, mas não automáticos nem generalizados.

Se certas tarifas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional afetavam com maior intensidade os concorrentes diretos em setores onde o Brasil tem presença relevante, como agroindústria, minerais ou alguns bens básicos, uma eventual normalização do esquema poderia melhorar sua posição relativa no mercado norte-americano.

No entanto, ele alertou que esse efeito dependerá dos produtos efetivamente cobertos e se o governo substituirá essas medidas por tarifas mais seletivas sob outros marcos legais.

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Em sua opinião, “não se trata de uma mudança estrutural favorável ao Brasil, mas de uma possível melhoria marginal da competitividade em determinados segmentos”.

Reafirmação institucional

“A decisão é, acima de tudo, uma reafirmação institucional, mais do que uma mudança abrupta na política comercial”, disse Fortun.

“A questão central é constitucional: a faculdade de impor tarifas faz parte do poder tributário, e esse poder cabe ao Congresso. Não se trata de uma rejeição das tarifas como instrumento, mas de uma delimitação do canal legal específico utilizado”.

Fortun explica que a decisão se limita estritamente à IEEPA, pelo que a administração ainda dispõe de outros instrumentos legais, particularmente com base em fundamentos de segurança nacional ou práticas comerciais desleais, que contêm referências explícitas a tarifas e procedimentos definidos.

Portanto, “a margem de ação do Executivo não desaparece, mas fica mais limitada e juridicamente enquadrada”, observou.

Efeitos nos EUA

De acordo com Fortun, em termos econômicos, o efeito mais direto concentra-se nos Estados Unidos.

“Se a decisão reduzir a discricionariedade para impor e modificar tarifas de forma ampla e frequente, poderá diminuir o prêmio de risco regulatório enfrentado por importadores e empresas com cadeias de abastecimento globais ligadas ao mercado norte-americano”.

Isso traria maior previsibilidade às decisões de investimento nos EUA.

À margem, se parte das tarifas for revertida, o efeito seria ligeiramente desinflacionário nos bens transacionáveis na economia americana, embora não implicasse uma mudança estrutural na trajetória da inflação, comentou Fortun.

Porto de Santos: decisão da Suprema Corte poderia aliviar parcialmente a pressão comercial sobre a América Latina. (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)
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