Visualização normal

Received before yesterdayBloomberg Línea Brasil

O ex-jogador da NBA que transformou uma ilha do Caribe em resort de luxo

10 de Maio de 2026, 15:04

Para Reggie Bullock, que jogou em sete times da NBA ao longo de 11 temporadas, o que começou como uma busca no YouTube por recomendação de um ex-companheiro de equipe, Dennis Smith Jr., acabou concretizando o conceito de riqueza geracional que ele tanto almejava.

Longe das quadras de basquete e sem um plano de negócios, o ex-jogador mostrou que a segunda fase da carreira de um atleta não precisa ser definida em um estúdio de televisão ou em um escritório de uma franquia. Pode, sim, ser construída em uma ilha em forma de coração no Caribe, a 8.000 km das quadras do Texas, onde disputou sua última temporada com o Houston Rockets em 2024.

Bullock, que acumulou pouco mais de US$ 53 milhões em salários ao longo de sua carreira, é hoje o fundador do Bullock Island, um resort privado de cerca de 22,2 mil metros quadrados, localizado a oito quilômetros da costa de Placencia, no distrito de Stann Creek, no sudeste de Belize.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O atleta de 35 anos comprou o terreno em 2022 por US$ 2,2 milhões para construir a casa dos seus sonhos, “mas acabei me envolvendo no setor de turismo e transformei isso em um negócio”, contou Bullock em uma entrevista ao canal do YouTube de Will Mitchell, que aborda oportunidades imobiliárias em Belize.

“Uma das minhas principais preocupações era a questão da riqueza geracional. Era um projeto que senti que precisava abordar, e que nunca havia sido feito antes. Mas eu estava pronto para o desafio”, disse o atleta, nascido em Baltimore, em 1991.

Essa visão exigiu uma injeção de capital no valor de US$ 10 milhões, destinada a superar os desafios logísticos de construir no meio do mar do Caribe.

Leia mais: Além do verão: eventos de luxo impulsionam Punta del Este e atraem elite sul-americana

Luxo, natureza e cultura

O resultado é um complexo cuja peça central é uma mansão de 370 metros quadrados com um cinema escondido atrás de uma biblioteca, complementada por onze unidades de hospedagem distribuídas entre vilas e chalés à beira-mar, além de um restaurante, um spa e uma quadra de basquete.

Além de uma experiência de isolamento e exclusividade, o resort conta a história íntima de seu próprio fundador. A propriedade tem o atrativo de estar localizada em uma ilha em forma de coração, o que, para Bullock, não foi mera coincidência, mas um sinal. Os seus filhos gêmeos, nascidos em novembro de 2020, chamam-se Heart e Soul.

A mansão principal foi projetada como uma homenagem à sua avó – a mulher que o criou – e tem o nome dela gravado em uma das portas. Até mesmo a placa de madeira que dá as boas-vindas aos hóspedes quando chegam de barco presta homenagem às suas duas irmãs, Mia e Kiosha, tragicamente assassinadas em Baltimore em 2014 e 2019.

Essa conexão pessoal busca se destacar no competitivo mercado caribenho. A Bullock Island opera com base em um modelo de contratação e abastecimento local na península de Placencia, oferecendo uma experiência belizenha autêntica no único país da América Central onde o inglês é a língua oficial.

Os hóspedes também podem explorar a barreira de corais de Belize, que faz parte do Sistema de Recifes Mesoamericano, o segundo maior do mundo, depois da Grande Barreira de Corais da Austrália.

A aposta se soma a uma tendência de valorização do mercado liderada por figuras de destaque. Belize já havia testemunhado um movimento semelhante na década de 1990, quando o cineasta norte-americano Francis Ford Coppola adquiriu e reformou propriedades na mesma região de Placencia, como o Turtle Inn e a reserva particular Coral Caye, para seu portfólio de hotéis de luxo.

Leia também

Ambev dá ‘primeiro passo’ para um ano positivo com portfólio reforçado, diz CFO

O resort de Reggie Bullock possui uma mansão de 370 metros quadrados com um cinema e 11 unidades de hospedagem.

Setor de vinhos se mobiliza contra discurso de que qualquer consumo de álcool é nocivo

25 de Março de 2026, 11:57

A indústria brasileira do vinho decidiu reagir de forma mais organizada à pressão crescente contra o consumo de álcool em todo o mundo, em um momento em que autoridades de saúde e mudanças de comportamento do consumidor colocam sob escrutínio até mesmo o uso moderado da bebida.

Esse movimento ganha uma vitrine neste mês, em São Paulo, com a realização do Simpósio Internacional Vinho, Saúde e Estilo de Vida, que reunirá médicos e pesquisadores brasileiros e estrangeiros para discutir a relação entre consumo moderado de vinho, saúde e bem-estar.

A programação inclui palestras de cardiologistas e especialistas em nutrição e metabolismo, com foco em evidências científicas associadas ao vinho, especialmente o tinto.

A reação ocorre após a mudança de posicionamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que em janeiro de 2023 afirmou que, no caso do álcool, “não há quantidade segura que não afete a saúde”.

A entidade sustenta que os riscos começam a partir do primeiro consumo e que o impacto do álcool sobre doenças e mortalidade é amplamente documentado.

“A gente tem como ponto principal a conscientização e a educação para trazer evidências científicas à luz desses holofotes que estão demonizando o vinho”, disse Célia Pinotti Carbonari, sócia-proprietária da Vinícola Villa Santa Maria e uma das idealizadoras do evento em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia também: Nem zero, nem excesso: vinícola gaúcha aposta em álcool reduzido para novo público

Carbonari rejeitou a ideia de que o movimento se aproxime do negacionismo científico e afirmou que o setor não nega os efeitos negativos do consumo excessivo de álcool. “O consumo exagerado do álcool realmente não é saudável em nenhuma etapa da vida, e ninguém está defendendo esse tipo de coisa”, disse.

Por trás do movimento está uma tentativa do setor de dissociar o vinho do debate mais amplo sobre os malefícios do álcool, entretanto. A organizadora explicou que o vinho não pode ser reduzido a esse enquadramento. “O vinho não é só álcool. Ele tem álcool, mas é muito mais do que isso”, disse.

No setor, a abordagem a favor do consumo zero passou a ser vista como excessivamente generalizante, ao tratar todas as bebidas alcoólicas de forma equivalente. Produtores e entidades passaram a defender que o vinho tem características próprias, tanto do ponto de vista de composição quanto de consumo.

Uma das vozes mais conhecidas dessa reação internacional é a da médica e viticultora Laura Catena, diretora da vinícola argentina Catena Zapata, que passou a defender o consumo moderado de vinho dentro de um estilo de vida saudável, em contraposição à ideia de risco zero. Ela tem publicado artigos e dado entrevistas em que critica a posição da OMS.

Leia também: Geração Z rejeita o álcool e põe em risco tradição em 1.500 cervejarias da Alemanha

O conceito de consumo moderado é central nessa argumentação. Segundo Carbonari, os parâmetros que serão discutidos no simpósio indicam um limite de 13 gramas de álcool por dia para mulheres e 26 gramas para homens.

Em termos práticos, isso equivale a cerca de 100 ml diários de vinho para mulheres e 200 ml para homens, considerando uma bebida com teor alcoólico em torno de 13%, média de muitos vinhos.

A programação do evento inclui discussões sobre os efeitos metabólicos do vinho tinto, diferenças entre tipos de bebidas alcoólicas e o papel do consumo moderado dentro de padrões alimentares como a dieta mediterrânea, frequentemente associada a benefícios cardiovasculares.

A tese defendida por produtores e representantes da cadeia vitivinícola do Brasil é a de que o vinho não deve ser visto apenas como bebida alcoólica, mas como um produto agroalimentar, ligado à alimentação, à cultura e ao convívio social.

É assim que muitos países da Europa e mesmo da América do Sul enquadram legalmente a bebida, o que gera benefícios econômicos e fiscais aos produtores.

“A gente busca a reclassificação do vinho. O vinho precisa ser considerado um produto agroalimentar”, disse Carbonari.

Segundo ela, essa classificação permitiria considerar não apenas o produto final, mas toda a cadeia envolvida, incluindo produção agrícola, turismo e desenvolvimento regional. O argumento é que a vitivinicultura tem efeitos econômicos mais amplos, especialmente em regiões produtoras.

“Não estamos questionando a ciência, mas queremos mostrar que as coisas não devem ser vistas de forma tão radical quanto têm sido”, disse Carbonari.

Leia também

Queda do consumo de álcool e preocupação com a saúde desafiam a indústria de bebidas

© David Paul Morris

Por trás do movimento está uma tentativa do setor de dissociar o vinho do debate mais amplo sobre os malefícios do álcool (Foto: David Paul Morris/Bloomberg)
❌