Visualização normal

Received before yesterdayBloomberg Línea Brasil

Novas canetas para emagrecimento não vão baratear tratamento no Brasil, dizem bancos

30 de Julho de 2026, 15:37

A entrada de novos medicamentos para perda de peso no mercado brasileiro não vai se refletir imediatamente em redução no preço de compra das canetas com semaglutida. O avanço das novas marcas depende da negociação com as redes de farmácia e da prescrição médica, não do balcão, segundo avaliação de analistas do setor.

A limitação decorre do fato de que a regra definida pela Anvisa, a agência sanitária brasileira, ao registrar na quarta-feira (29) cinco novos medicamentos do tipo, não permite troca automática de um remédio por uma opção genérica mais barata.

A lei brasileira permite que pacientes possam trocar remédios por genéricos no balcão das farmácias por medicamentos que comprovaram equivalência a um produto de referência. Mas, para os cinco medicamentos com semaglutida que a Anvisa acaba de liberar, a regra não se aplica e não pode haver troca automática. Cada um deles entrou como medicamento novo, com registro individual, publicado no Diário Oficial da União, e a regra de troca não se aplica.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Segundo a Anvisa, as cinco canetas usam semaglutida obtida por via sintética e foram registradas por comparação com o Ozempic, produto biológico da Novo Nordisk (NVO), para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado.

Joseph Giordano, analista do JPMorgan responsável pela cobertura de produtos farmacêuticos e varejo de medicamentos no Brasil, escreve que a ausência de intercambiabilidade automática significa que a categoria ainda não é uma “full generic commoditization”, ou seja, ainda não se tornou um mercado de produto sem marca disputado só por preço.

A competição inicial, na leitura dele, se dá por prescrição, marca, preço e disponibilidade, o que preserva economia melhor ao fabricante e dá poder de negociação às redes de maior escala.

Leia também: EMS diz que farmácia terá margem maior com 1ª caneta emagrecedora nacional

Para o JPMorgan, as redes de farmácia são as primeiras beneficiadas, porque mais fornecedores disputando prateleira melhoram desconto, bonificação por volume, prazo de pagamento e verba promocional.

Já o Citi aponta que o histórico recente não sustenta esse otimismo: o mercado potencial cresceu pouco, e o ganho de margem bruta permanece limitado.

A divergência não é sobre volume. Os dois bancos concordam que a categoria cresce. A discordância é sobre quem fica com a margem desse crescimento, e a resposta começa no desenho regulatório do registro.

Ozivy, da EMS, e Semavy, da Hypera sob a marca Mantecorp: mesma molécula do Ozempic, registros independentes e nenhuma substituição possível na farmácia. (Divulgação/EMS/Hypera)

Performance do Ozivy

Entre os novos medicamentos está o Semavy, da Cosmed sob a marca Mantecorp, do grupo Hypera (HYPE3), indicado para diabetes tipo 2 e prometido nas farmácias em até dois meses. É o maior número de aprovações de análogos de GLP-1 concedido de uma só vez pela agência.

O mercado brasileiro tem um caso para comparar. O Ozivy, da EMS, primeira semaglutida sintética registrada no país, chegou às farmácias em 15 de junho, cerca de um mês depois da aprovação, prazo mais curto do que as projeções feitas agora para as cinco novas marcas.

A EMS, de capital fechado, afirma que sua estratégia não é promover troca imediata entre marcas, e sim ampliar o acesso ao tratamento, e sustenta que a decisão terapêutica cabe ao médico.

A companhia cita projeções da Close-Up, empresa de dados do setor farmacêutico, que apontam crescimento de 28% na demanda pela molécula em julho e colocam o Ozivy como sexta maior marca da indústria no segmento de prescrição médica.

São números de julho ainda em projeção, fornecidos pela empresa. A EMS não divulgou a participação de mercado do produto. Como referência de preço, o Citi cita o Ozivy Combo a cerca de R$ 333 por caneta.

Limites ao aumento de margem

Giordano projeta que mais fornecedores e mais apresentações tornam o tratamento mais acessível e ampliam uma categoria de tíquete alto e uso contínuo. Na conta dele, isso se traduz em mais lucro bruto e, possivelmente, em margem percentual maior.

O relatório cita como principais afetados a RD Saúde (RADL3), com recomendação equivalente a compra para suas ações, a Pague Menos (PGMN3), abaixo da média do setor, e a Panvel (PNVL3), sem recomendação atribuída pelo JPMorgan.

Leia também: Canetas emagrecedoras elevam demanda por exames e favorecem medicina diagnóstica

Leandro Bastos e Renan Prata, do Citi, reconhecem que volume e margem sobre o custo tendem a favorecer o varejo ao longo do tempo, mas condicionam o efeito. O crescimento tímido do mercado potencial e o aumento limitado da margem bruta observados até aqui, escrevem, alimentam incerteza sobre a rentabilidade de cada unidade vendida.

A diferença está no ponto de partida. O JPMorgan mede o poder de barganha que a rede ganha com mais gente disputando espaço. O Citi mede o que sobrou de margem nas rodadas anteriores de entrada de concorrentes.

Erosão projetada para os preços

Nenhum dos dois bancos espera que o preço caia por força de regra. O Citi trata a erosão contínua de preços como risco evidente de rentabilidade. Giordano condiciona uma queda mais rápida a mudança regulatória: a Anvisa passou a permitir troca clinicamente supervisionada entre biossimilares que compartilham o mesmo comparador, regra que hoje não alcança a semaglutida sintética.

Estendê-la às apresentações sintéticas aceleraria a queda de preço, favorecendo o varejo e reduzindo a vantagem dos fabricantes.

Os prazos também convergem. O JPMorgan estima de 30 a 60 dias até o mercado; o Citi, cerca de dois meses; a Hypera, até dois meses para o Semavy.

Duas canetas ficaram com o mesmo grupo: Zempneo, pela Brainfarma, e Semavy, pela Cosmed. As outras são Owozy, da Ávita Care, Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil, e Orsema, da Ranbaxy.

O Citi calcula que a entrada em GLP-1 pode acrescentar de 3% a 5% ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização da Hypera, possibilidade que segue ignorada pelo mercado.

O JPMorgan considera o desenvolvimento estrategicamente relevante e insuficiente para alterar estimativas sobre a Hypera. Faltam data de lançamento, preço aprovado pela CMED, órgão que fixa o teto de preço de medicamentos no Brasil, origem do princípio ativo e o posicionamento de uma marca da companhia em relação à outra.

“Queremos garantir que mais brasileiros possam iniciar e, principalmente, manter seu tratamento com um produto de altíssima qualidade a um preço justo”, afirma Breno Oliveira, presidente da Hypera Pharma, em comunicado. A empresa não informou o preço submetido à CMED.

Bastos e Prata acrescentam um ponto: investidores podem questionar as implicações de a Sun Pharma (SUNPHARMA), parceira de fabricação da Hypera, ter obtido registro próprio.

O Citi trata Seemasun e Orsema como produtos da mesma companhia indiana. A Ranbaxy é uma farmacêutica indiana de genéricos que pertence ao grupo Sun Pharma e cujos produtos são distribuídos em redes brasileiras, entre elas a Drogasil, da RD Saúde. Se confirmado, cinco marcas correspondem a uma base de fabricantes mais estreita do que sugere.

A fila da Anvisa não terminou. Dos 24 medicamentos do edital aberto em agosto de 2025, 11 tiveram análise concluída e seis foram aprovados. Nenhum dos dois bancos incorpora os processos restantes às suas contas, e é a velocidade dessas aprovações que decide em que ritmo a queda de preço chega à margem do varejo.

Leia também

Médicos já receitam ‘compre o mais barato’ em canetas emagrecedoras no Brasil

© Carsten Snejbjerg

Regra definida pela Anvisa ao registrar cinco novos medicamentos do tipo não permite troca automática de um remédio por uma opção genérica mais barata (Foto: Carsten Snejbjerg/Bloomberg)

Brasil negocia a compra de 20 novos Gripen da Saab e pode ampliar frota para 56

4 de Junho de 2026, 10:50

O Brasil demonstrou interesse em adquirir 20 caças Gripen E e F adicionais da fabricante sueca de defesa Saab, em um movimento que pode ampliar a parceria entre os dois países na área de defesa e elevar de 36 para 56 o número de aeronaves previstas no programa brasileiro.

A informação consta de uma declaração conjunta divulgada nesta quinta-feira (4), após um encontro em Estocolmo entre o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro Filho, e o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A negociação ocorre em meio a restrições no orçamento brasileiro de 2026. O Ministério da Defesa foi a pasta mais afetada pelo bloqueio adicional de despesas anunciado pelo governo federal, com R$ 4,36 bilhões temporariamente indisponíveis.

Leia também: Novo caça Gripen F da Saab reforça programa de transferência tecnológica para o Brasil

Em segundo lugar, o Ministério das Cidades foi o mais afetado, com R$ 3,32 bilhões temporariamente bloqueados. Os ministérios devem anunciar até 8 de junho quais programas sofrerão bloqueios.

Novo centro de pesquisa

O Brasil e a Suécia também avançaram nas discussões para aprofundar a cooperação tecnológica relacionada ao Gripen.

Na terça-feira (2), a Saab e a Força Aérea Brasileira (FAB) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para a realização de estudos e análises conjuntas sobre o possível estabelecimento de um Centro de Inovação e Pesquisa no Brasil, segundo nota divulgada pela empresa.

O centro seria dedicado ao desenvolvimento e à prospecção de novos sistemas e equipamentos aplicáveis à operação, à manutenção e à modernização das aeronaves Gripen.

Nesta quinta-feira (4), o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro Filho, disse que o centro também deverá se debruçar sobre aplicações de IA no setor.

A iniciativa também tem como objetivo ampliar as capacidades tecnológicas brasileiras e apoiar a formação de profissionais qualificados.

As tratativas entre a Saab e a FAB serão conduzidas no âmbito do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), órgão do Comando da Aeronáutica responsável por ações de ciência, tecnologia e inovação.

Os próximos passos envolvem a realização dos estudos e análises previstos no memorando, seguida pela avaliação dos resultados para definir como avançar em direção a um acordo formal.

Questionado pela Bloomberg Línea durante entrevista a jornalistas em Linköping, na Suécia, sobre a importância do Brasil para a companhia, Johansson afirmou que a Saab pretende ampliar sua capacidade produtiva tanto na Suécia quanto no mercado brasileiro.

“O Brasil é um país prioritário para nós no mercado da América Latina e realmente concentramos nossa atenção nele. É claro que temos a ambição de ampliar a participação da região na receita da Saab como companhia”, disse Johansson.

Segundo o executivo, a operação brasileira não deverá focar apenas no Gripen. A empresa também produz radares, sistemas de mísseis, comando e controle, treinamento, soluções subaquáticas, e tecnologia de guerra eletrônica.

“Como estamos estabelecidos no Brasil e temos uma parceria industrial tão relevante, é claro que faz sentido buscar outros negócios”, disse Johansson.

A operação brasileira, segundo o CEO da Saab, deverá participar da produção relacionada ao contrato colombiano e poderá atender a outros mercados internacionais - além da Colômbia, a Tailândia também encomendou o caça.

Na semana passada, Suécia e Ucrânia informaram que avançaram nas negociações para que Kiev adquira um lote inicial de até 20 caças Gripen E/F, enquanto o governo sueco pretende doar até 16 aeronaves Gripen C/D às forças ucranianas se a compra das aeronaves for concretizada.

Parceria Brasil-Suécia

O contrato original entre o governo brasileiro e a Saab foi assinado em outubro de 2014 e prevê o desenvolvimento e a produção de 36 caças Gripen E/F para a FAB, sendo 28 unidades da versão monoposto Gripen E e oito da versão biposto Gripen F. O acordo foi avaliado em aproximadamente 39,3 bilhões de coroas suecas.

As entregas começaram em 2020, e 11 aeronaves foram entregues à FAB, segundo a Saab.

Diferentemente de programas tradicionais de aquisição militar, o acordo incluiu um amplo pacote de transferência de tecnologia e a participação da indústria brasileira. Engenheiros da Embraer e de outras empresas nacionais participaram diretamente do desenvolvimento da versão biposto Gripen F.

Na terça-feira, a Saab apresentou em Linköping o primeiro Gripen F-39F destinado à FAB. A aeronave mantém as capacidades operacionais do Gripen E, mas incorpora um segundo cockpit, que pode ser utilizado para treinamento e missões mais complexas.

Em entrevista à Bloomberg Línea um dia antes da apresentação do Gripen F na Suécia, Peter Dölling, presidente da Saab Brasil, afirmou que os componentes produzidos no país já abastecem a linha global do Gripen, independentemente do cliente final.

“A fuselagem traseira, a fuselagem dianteira, os freios aerodinâmicos e o cone de cauda vão para todos os clientes”, disse.

De acordo com o executivo, a operação brasileira alcançou níveis de qualidade e produtividade equivalentes aos da unidade sueca, o que poderá favorecer a transferência de novas etapas produtivas para o país à medida que a demanda internacional avançar.

Leia também

Brasil se tornou hub estratégico em aviação de defesa, diz presidente da Saab no país

Modelo Gripen F apresentado nesta semana pela gigante de defesa tem espaço para dois pilotos e poderá ser usado em missões mais complexas do que o Gripen E. (Foto: Divulgação)

Além do futebol: como a Panini planeja crescer após fim da licença do álbum da Copa

24 de Maio de 2026, 13:26

O CEO da editora italiana Panini no Brasil, Raúl Vallecillo, afirmou que o término da licença com a FIFA decorre de uma decisão da licenciada e não da empresa, em um contexto em que a empresa busca diversificar seus negócios para além dos álbuns de futebol.

Com relação ao término da licença com a FIFA, Raúl Vallecillo destacou, em entrevista à Bloomberg Línea, o grau de diversificação atual do negócio.

Ele destacou a variedade de licenças que a Panini possui, que abrangem não apenas álbuns de figurinhas, mas também publicações de quadrinhos e mangás.

A decisão de romper o vínculo histórico com a Panini “cabe exclusivamente à licenciada” (FIFA), afirmou ele. “É uma decisão de terceiros (...) buscaremos as melhores alternativas para dar continuidade a essa história”.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Agora, “a Panini sempre vai se esforçar para oferecer o melhor aos seus consumidores, e isso inclui todo o nosso portfólio de entretenimento, como no caso do futebol”.

A Panini não produzirá mais o tradicional álbum da Copa do Mundo, após a FIFA ter anunciado um acordo com a Fanatics pela licença, que inclui cartões colecionáveis e figurinhas do torneio de futebol.

O acordo terá início em 2031 e os novos produtos serão fabricados pela marca Topps, de propriedade da Fanatics, anunciou a FIFA em um comunicado.

Essa parceria deixa de fora a Panini, a editora italiana que, desde 1970, produz o álbum de figurinhas colecionáveis.

O CEO da Panini no Brasil não confirmou se, no futuro, a marca teria alguma presença na Copa do Mundo após 2030.

“A Panini continuará sendo o que todos conhecemos: uma empresa de entretenimento que nos acompanha há muito tempo e que tem essa história de fazer parte de um colecionismo para ser lembrado e continuar avançando nas próximas coleções”, disse o executivo chileno na entrevista.

Ainda no dia 30 de abril, a Panini lançou a edição 2026 do seu álbum, o maior da história, com 980 figurinhas, que se transformou em uma exposição de figurinhas monumentais que percorrerá as cidades-sede do torneio no México entre maio e julho.

Será o penúltimo álbum que a Panini lançará como parte de seu atual contrato com a FIFA, que termina em 2030.

Com isso, chegará ao fim uma tradição de mais de 60 anos relacionada à Copa do Mundo, durante a qual a editora italiana publicou 15 álbuns de imagens.

Leia mais: Com ingressos a mais de US$ 2 mil, hotéis dos EUA veem baixa demanda na Copa

Vendas na América Latina

O CEO da editora italiana no Brasil afirmou que as vendas parciais relacionadas ao álbum da Copa do Mundo de 2026 estão 24% acima em comparação com a edição do Catar 2022 nos países da região que ela atende.

“Isso significa que a grande demanda dos países deste lado do mundo fez com que esse número aumente constantemente”, disse Raúl Vallecillo à Bloomberg Línea.

Quanto aos mercados mais ativos na compra do álbum da Copa do Mundo de 2026 na região, ele afirmou que os principais são Brasil, Argentina, Colômbia e Chile, que apresentaram um crescimento sustentado bem acima do previsto pela Panini.

Cada um desses mercados, consequentemente, registrou um aumento no número de colecionadores e nos canais de distribuição, observou o executivo.

O Brasil está entre os cinco mercados mais importantes para a Panini na temporada da Copa do Mundo, não apenas pelo tamanho do seu mercado, mas também pelo grande interesse que o torneio de seleções mais importante do mundo desperta.

“Hoje, embora estejamos trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, há mais de dois meses, principalmente em tudo o que diz respeito à fábrica, a grande variedade de álbuns, em diferentes versões e para diferentes mercados, nos obriga a manter uma produção e distribuição constantes em cada um desses mercados”, comentou o CEO da Panini Brasil.

Ele afirmou que, para o álbum da Panini da Copa do Mundo, é feito um planejamento detalhado com três anos de antecedência em áreas como operações, comercial e editorial, para que o produto chegue a tempo em cada um dos mercados.

A matriz italiana da Panini administra as filiais nos Estados Unidos, no México, no Brasil e no Chile.

Os demais mercados, incluindo a Colômbia, operam por meio de distribuidores oficiais que administram, em coordenação com a Panini, toda a operação nesses países.

Atualmente, “no caso da Panini Global, a empresa possui uma fábrica principal em Modena [na Itália] que atende principalmente ao mercado europeu, à região da América do Norte e a outros mercados em outros continentes”.

Na Panini Brasil, a fábrica atende toda a América Central e a América do Sul. “Portanto, o esforço operacional realizado a partir do Brasil abrange praticamente 80% deste continente”.

Leia mais: Em Chicago, Copa vira esperança do comércio após batidas do ICE afugentarem clientes

Aposta em novos colecionadores e público feminino

Persona abriendo un paquete de pegatinas para la Copa Mundial de la FIFA 2026.

Sobre o crescimento da demanda, Raúl Vallecillo destacou a incorporação de novos segmentos de consumidores, diretamente relacionada ao colecionismo.

Ele também mencionou o aumento da demanda por parte do público feminino, que está ajudando a impulsionar as vendas do álbum da Copa do Mundo.

Por outro lado, “quando se trata de um evento como a Copa do Mundo, o público se torna muito mais diversificado, pois temos desde crianças bem pequenas até pessoas bem mais velhas que acompanham a cobertura”.

“Também não se pode ignorar que o fenômeno social associado a um álbum está relacionado a esse grau de interação que um evento tão importante como a Copa do Mundo proporciona. É preciso promover, em cada um dos segmentos, a possibilidade de compartilhar e trocar figurinhas, principalmente.”

Leia mais: Copa, feriados e voos mais caros levam a ‘guerra por agendas’ em viagens corporativas

Futuro da Panini após término da licença com a FIFA

Com relação ao término da licença com a FIFA, Raúl Vallecillo destacou o atual grau de diversificação do negócio.

Ele destacou a variedade de licenças que a Panini possui, que abrangem não apenas álbuns de figurinhas, mas também publicações de quadrinhos e mangás.

Agora, “a Panini sempre vai se esforçar para oferecer o melhor aos seus consumidores, e isso inclui todo o nosso portfólio de entretenimento, como no caso do futebol”.

O CEO da Panini Brasil não confirmou se, no futuro, a marca manterá alguma presença na Copa do Mundo após 2030. “A Panini continuará sendo o que todos conhecemos: uma empresa de entretenimento que nos acompanha há muito tempo e que tem o histórico de fazer parte de um colecionismo para ser lembrado e continuar avançando nas próximas coleções”.

Inflação e matérias-primas elevam os custos do álbum

O impacto da inflação na América Latina refletiu-se nos custos operacionais da Panini na região.

Os custos mais elevados associados ao álbum da Copa do Mundo de 2026 estão diretamente relacionados ao tamanho da coleção.

Como esta coleção conta com um número maior de figurinhas, devido ao fato de haver o maior número de seleções participantes da história, o custo unitário de produção aumenta.

“Todas as aquisições de matérias-primas nos diversos mercados para a fase produtiva também sofreram um aumento significativo de preço, em função da evolução dos preços das matérias-primas, seja devido a conflitos bélicos ou ao efeito do pós-pandemia”, observou o executivo.

Leia mais: Sediar a Copa traz menos benefícios econômicos para uma cidade do que parece

Esse custo mais elevado do produto está relacionado, em parte, ao valor atual do produto nos diferentes mercados.

No entanto, Raúl Vallecillo afirma que o custo não foi repassado integralmente aos consumidores.

“Portanto, qualquer eventual ajuste de custos está diretamente relacionado à rentabilidade — ou à falta dela — que podemos alcançar em cada um dos produtos que fabricamos”, afirmou ele.

As matérias-primas utilizadas pela Panini na América Latina provêm de diversos locais, já que as fontes de produção de papel, por exemplo, estão localizadas no Canadá, na Espanha e em outros mercados. “Embora haja consumo dentro da América Latina, também há um forte volume de importações provenientes de outros mercados fora do continente”.

Figurinhas de jogadores ausentes

Paquete de figuritas de Panini de la Copa del Mundo 2026.

Em resposta à pergunta sobre os jogadores que não foram incluídos nesta edição do álbum da Copa do Mundo, como foi o caso de Neymar, a Panini confirmou que, de fato, haverá uma solução para os colecionadores.

Nos últimos Mundiais, a Panini lançou um conjunto extra que também estará disponível no álbum da Copa do Mundo de 2026 e incluirá as figurinhas dos jogadores convocados oficialmente para as seleções participantes.

“Assim como as folhas e os envelopes são vendidos em cada um dos mercados, eles também estarão disponíveis para que cada colecionador possa comprá-los”, disse ele.

O conjunto estará disponível não apenas no site, mas também em lojas físicas.

Leia mais: França campeã e Brasil entre os favoritos: a previsão do BofA para a Copa de 2026

Jogadores históricos, pirataria e figurinhas repetidas

Sobre o colecionismo, o executivo disse que há certas Copas do Mundo de futebol que se tornam icônicas e, por isso, os álbuns ganham mais valor com o passar do tempo.

Entre elas estão as Copas do Mundo da Itália em 1990, da Espanha em 1982 e, mais recentemente, do Catar em 2022, segundo ele.

Embora, mais do que uma Copa do Mundo específica, ele diga que, em geral, o que mais conta na perspectiva são os jogadores que eventualmente são convocados para cada um desses eventos.

“Assim, as grandes figuras — como, no passado, Pelé ou Maradona — fazem com que, para uns ou outros, essa seja uma Copa do Mundo especial e despertem um desejo ainda maior de colecioná-la”.

Por outro lado, Raúl Vallecillo destacou que a questão da pirataria é um fator que afeta a indústria do entretenimento em geral e que o colecionismo de álbuns não é exceção.

“Obviamente, nós, da Panini, temos a obrigação de proteger não apenas o produto oficial, mas também os direitos da FIFA que nos permitem lançar esse produto oficial”, disse ele.

“Por um lado, há o setor jurídico, que de fato acompanha a situação”, mas “a tecnologia hoje em dia facilitou a multiplicação dessa distribuição digital” no mercado da pirataria.

De modo geral, ele afirmou que o impacto da pirataria é “insignificante no fim das contas”, pois “os volumes e o número de pessoas que procuram o produto oficial de qualidade são muito maiores”.

Leia mais: Na corrida pelo esporte, Adidas supera Nike às vésperas da Copa do Mundo

Quanto aos altos preços pagos no mercado informal por figurinhas especiais ou jogadores icônicos, Vallecillo afirmou que isso é desnecessário, já que a Panini oferece o serviço de completar o álbum por meio do pedido dos figurinhas que faltam em seu site oficial.

“Oferecemos o serviço de ‘últimas figurinhaspara que cada colecionador possa comprar, seja a de Messi, a de Cristiano Ronaldo ou de qualquer outro jogador que esteja na Copa do Mundo, pelo mesmo preço das demais figurinhas do álbum”, afirmou. “Portanto, essas vendas ou revendas por um valor mais alto não se justificam tanto, porque, no fim das contas, se você precisar de uma ou até 40 figurinhas, poderá comprá-las diretamente sem pagar um preço inflacionado”.

Quanto às críticas sobre a qualidade das figurinhas e a quantidade de figurinhas repetidas nesta versão do álbum da Copa do Mundo, ele afirmou que o objetivo é reduzir ao máximo esses problemas.

Os controles relativos aos processos de produção gráfica não são realizados apenas por uma área específica, mas envolvem profissionais da matriz na Itália e a equipe no Brasil.

“Portanto, a qualidade das figurinhas é semelhante em todos os mercados e, eventualmente, atende aos padrões aprovados pela FIFA no momento em que as figurinhas são impressas, disse ele.

Sobre as figurinhas repetidas no álbum da Copa do Mundo de 2026, ele explicou que o processo se baseia em placas aleatórias que garantem que saiam na mesma proporção.

“Em princípio, não deveria haver mais repetições do que em qualquer outra coleção no mercado. A diferença é que, quanto maior for a quantidade de figurinhas e a proporção de figurinhas por folha, eventualmente pode-se considerar que há mais repetições”, afirmou.

Leia também

M&A da panificação: dona da Fleischmann e Ovomaltine compra Casa de Bolos

© DANIEL HERNANDEZ

O Brasil é um dos cinco mercados mais importantes para a Panini, e a empresa planeja os álbuns com três anos de antecedência. (Foto: Daniel Hernánde)

O ex-jogador da NBA que transformou uma ilha do Caribe em resort de luxo

10 de Maio de 2026, 15:04

Para Reggie Bullock, que jogou em sete times da NBA ao longo de 11 temporadas, o que começou como uma busca no YouTube por recomendação de um ex-companheiro de equipe, Dennis Smith Jr., acabou concretizando o conceito de riqueza geracional que ele tanto almejava.

Longe das quadras de basquete e sem um plano de negócios, o ex-jogador mostrou que a segunda fase da carreira de um atleta não precisa ser definida em um estúdio de televisão ou em um escritório de uma franquia. Pode, sim, ser construída em uma ilha em forma de coração no Caribe, a 8.000 km das quadras do Texas, onde disputou sua última temporada com o Houston Rockets em 2024.

Bullock, que acumulou pouco mais de US$ 53 milhões em salários ao longo de sua carreira, é hoje o fundador do Bullock Island, um resort privado de cerca de 22,2 mil metros quadrados, localizado a oito quilômetros da costa de Placencia, no distrito de Stann Creek, no sudeste de Belize.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O atleta de 35 anos comprou o terreno em 2022 por US$ 2,2 milhões para construir a casa dos seus sonhos, “mas acabei me envolvendo no setor de turismo e transformei isso em um negócio”, contou Bullock em uma entrevista ao canal do YouTube de Will Mitchell, que aborda oportunidades imobiliárias em Belize.

“Uma das minhas principais preocupações era a questão da riqueza geracional. Era um projeto que senti que precisava abordar, e que nunca havia sido feito antes. Mas eu estava pronto para o desafio”, disse o atleta, nascido em Baltimore, em 1991.

Essa visão exigiu uma injeção de capital no valor de US$ 10 milhões, destinada a superar os desafios logísticos de construir no meio do mar do Caribe.

Leia mais: Além do verão: eventos de luxo impulsionam Punta del Este e atraem elite sul-americana

Luxo, natureza e cultura

O resultado é um complexo cuja peça central é uma mansão de 370 metros quadrados com um cinema escondido atrás de uma biblioteca, complementada por onze unidades de hospedagem distribuídas entre vilas e chalés à beira-mar, além de um restaurante, um spa e uma quadra de basquete.

Além de uma experiência de isolamento e exclusividade, o resort conta a história íntima de seu próprio fundador. A propriedade tem o atrativo de estar localizada em uma ilha em forma de coração, o que, para Bullock, não foi mera coincidência, mas um sinal. Os seus filhos gêmeos, nascidos em novembro de 2020, chamam-se Heart e Soul.

A mansão principal foi projetada como uma homenagem à sua avó – a mulher que o criou – e tem o nome dela gravado em uma das portas. Até mesmo a placa de madeira que dá as boas-vindas aos hóspedes quando chegam de barco presta homenagem às suas duas irmãs, Mia e Kiosha, tragicamente assassinadas em Baltimore em 2014 e 2019.

Essa conexão pessoal busca se destacar no competitivo mercado caribenho. A Bullock Island opera com base em um modelo de contratação e abastecimento local na península de Placencia, oferecendo uma experiência belizenha autêntica no único país da América Central onde o inglês é a língua oficial.

Os hóspedes também podem explorar a barreira de corais de Belize, que faz parte do Sistema de Recifes Mesoamericano, o segundo maior do mundo, depois da Grande Barreira de Corais da Austrália.

A aposta se soma a uma tendência de valorização do mercado liderada por figuras de destaque. Belize já havia testemunhado um movimento semelhante na década de 1990, quando o cineasta norte-americano Francis Ford Coppola adquiriu e reformou propriedades na mesma região de Placencia, como o Turtle Inn e a reserva particular Coral Caye, para seu portfólio de hotéis de luxo.

Leia também

Ambev dá ‘primeiro passo’ para um ano positivo com portfólio reforçado, diz CFO

O resort de Reggie Bullock possui uma mansão de 370 metros quadrados com um cinema e 11 unidades de hospedagem.

Setor de vinhos se mobiliza contra discurso de que qualquer consumo de álcool é nocivo

25 de Março de 2026, 11:57

A indústria brasileira do vinho decidiu reagir de forma mais organizada à pressão crescente contra o consumo de álcool em todo o mundo, em um momento em que autoridades de saúde e mudanças de comportamento do consumidor colocam sob escrutínio até mesmo o uso moderado da bebida.

Esse movimento ganha uma vitrine neste mês, em São Paulo, com a realização do Simpósio Internacional Vinho, Saúde e Estilo de Vida, que reunirá médicos e pesquisadores brasileiros e estrangeiros para discutir a relação entre consumo moderado de vinho, saúde e bem-estar.

A programação inclui palestras de cardiologistas e especialistas em nutrição e metabolismo, com foco em evidências científicas associadas ao vinho, especialmente o tinto.

A reação ocorre após a mudança de posicionamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que em janeiro de 2023 afirmou que, no caso do álcool, “não há quantidade segura que não afete a saúde”.

A entidade sustenta que os riscos começam a partir do primeiro consumo e que o impacto do álcool sobre doenças e mortalidade é amplamente documentado.

“A gente tem como ponto principal a conscientização e a educação para trazer evidências científicas à luz desses holofotes que estão demonizando o vinho”, disse Célia Pinotti Carbonari, sócia-proprietária da Vinícola Villa Santa Maria e uma das idealizadoras do evento em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia também: Nem zero, nem excesso: vinícola gaúcha aposta em álcool reduzido para novo público

Carbonari rejeitou a ideia de que o movimento se aproxime do negacionismo científico e afirmou que o setor não nega os efeitos negativos do consumo excessivo de álcool. “O consumo exagerado do álcool realmente não é saudável em nenhuma etapa da vida, e ninguém está defendendo esse tipo de coisa”, disse.

Por trás do movimento está uma tentativa do setor de dissociar o vinho do debate mais amplo sobre os malefícios do álcool, entretanto. A organizadora explicou que o vinho não pode ser reduzido a esse enquadramento. “O vinho não é só álcool. Ele tem álcool, mas é muito mais do que isso”, disse.

No setor, a abordagem a favor do consumo zero passou a ser vista como excessivamente generalizante, ao tratar todas as bebidas alcoólicas de forma equivalente. Produtores e entidades passaram a defender que o vinho tem características próprias, tanto do ponto de vista de composição quanto de consumo.

Uma das vozes mais conhecidas dessa reação internacional é a da médica e viticultora Laura Catena, diretora da vinícola argentina Catena Zapata, que passou a defender o consumo moderado de vinho dentro de um estilo de vida saudável, em contraposição à ideia de risco zero. Ela tem publicado artigos e dado entrevistas em que critica a posição da OMS.

Leia também: Geração Z rejeita o álcool e põe em risco tradição em 1.500 cervejarias da Alemanha

O conceito de consumo moderado é central nessa argumentação. Segundo Carbonari, os parâmetros que serão discutidos no simpósio indicam um limite de 13 gramas de álcool por dia para mulheres e 26 gramas para homens.

Em termos práticos, isso equivale a cerca de 100 ml diários de vinho para mulheres e 200 ml para homens, considerando uma bebida com teor alcoólico em torno de 13%, média de muitos vinhos.

A programação do evento inclui discussões sobre os efeitos metabólicos do vinho tinto, diferenças entre tipos de bebidas alcoólicas e o papel do consumo moderado dentro de padrões alimentares como a dieta mediterrânea, frequentemente associada a benefícios cardiovasculares.

A tese defendida por produtores e representantes da cadeia vitivinícola do Brasil é a de que o vinho não deve ser visto apenas como bebida alcoólica, mas como um produto agroalimentar, ligado à alimentação, à cultura e ao convívio social.

É assim que muitos países da Europa e mesmo da América do Sul enquadram legalmente a bebida, o que gera benefícios econômicos e fiscais aos produtores.

“A gente busca a reclassificação do vinho. O vinho precisa ser considerado um produto agroalimentar”, disse Carbonari.

Segundo ela, essa classificação permitiria considerar não apenas o produto final, mas toda a cadeia envolvida, incluindo produção agrícola, turismo e desenvolvimento regional. O argumento é que a vitivinicultura tem efeitos econômicos mais amplos, especialmente em regiões produtoras.

“Não estamos questionando a ciência, mas queremos mostrar que as coisas não devem ser vistas de forma tão radical quanto têm sido”, disse Carbonari.

Leia também

Queda do consumo de álcool e preocupação com a saúde desafiam a indústria de bebidas

© David Paul Morris

Por trás do movimento está uma tentativa do setor de dissociar o vinho do debate mais amplo sobre os malefícios do álcool (Foto: David Paul Morris/Bloomberg)
❌