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Como o espumante brasileiro virou um dos melhores do mundo, segundo líder do mercado

13 de Setembro de 2026, 06:00

O espumante Salton Ouro Moscatel conquistou neste ano medalha de ouro no Decanter World Wine Awards, um dos concursos de vinhos mais prestigiados do mundo, que avaliou cerca de 17 mil rótulos de 58 países na última edição.

O resultado vai além da vinícola, uma das maiores do país, e representa a coroação de uma sequência de reconhecimentos do espumante produzido no Brasil, que deixou de ser pontual para se tornar rotina. A bebida borbulhante produzida localmente tem se consolidado como uma das principais referências da vitivinicultura brasileira no cenário internacional.

Em 2024, vinhos e espumantes brasileiros somaram 776 premiações em concursos realizados em 11 países, recorde histórico, segundo a Associação Brasileira de Enologia. Em 2025, foram outras 730 distinções, em competições realizadas em 12 países. Só a vinícola Salton reuniu mais de 40 medalhas em concursos estrangeiros em 2025, entre eles o Sommelier’s Choice Awards, nos Estados Unidos, e o Effervescents du Monde, na França, concurso dedicado exclusivamente à categoria.

O reconhecimento começou há pouco tempo, mas avançou rapidamente, segundo Maurício Salton, CEO da vinícola. “Num primeiro momento, o Brasil sequer era conhecido numa relação com o universo de vinhos espumantes. Isso é algo de 15 anos para cá”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.

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Primeiro representante da quarta geração da família a comandar a empresa, desde 2018, Salton explicou que as premiações são uma importante vitrine de marketing, e se tornaram algo presente no planejamento da empresa, com peso direto na gestão.

“As notas que a gente extrai dessas premiações vão compor a base de remuneração variável da diretoria e de colaboradores”, revelou o executivo. Segundo ele, resultados abaixo do esperado em determinado ano levam a empresa a revisar processos internos de elaboração, e o desempenho consistente ao longo do tempo tem efeito comercial concreto.

Em sua visão, a explicação para o salto de qualidade e reconhecimento dos espumantes nacionais começa no terroir da Serra Gaúcha, região responsável pela maior parte da produção nacional da categoria. A expressão tradicional no mundo do vinho engloba solo, relevo, regime de chuvas e temperatura, que definem, segundo ele, praticamente toda a qualidade da uva antes mesmo de qualquer intervenção humana. “Ele basicamente define 90% da viticultura. É uma fração mínima que é a intervenção humana em cima do manejo”, afirmou.

A combinação de um solo mais pobre em nutrientes, o que força a videira a produzir frutos de melhor qualidade, com invernos frios e chuvas um pouco mais abundantes do que em outras regiões produtoras, favorece especialmente a acidez da uva.

Para vinhos tintos, um nível alto de acidez costuma ser um problema. Para espumantes, é uma vantagem. “Conseguimos preservar um bom nível de acidez, o que para vinhos, especialmente tintos, não é tão favorável. Mas para o espumante acaba sendo bem interessante”, disse Salton.

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Mas o bom terroir não basta para transformar o espumante brasileiro em um produto de reconhecimento internacional, e a explicação também é histórica, segundo ele.

Até o início dos anos 1990, contou o executivo, o Brasil era um país produtor de vinho branco. Cerca de 80% da produção nacional vinha dessas uvas, moldada por décadas de incentivo ao plantio dessas variedades na Serra Gaúcha. Em poucos anos, o cenário se inverteu. Estudos científicos publicados a partir de meados dos anos 1990 associaram o consumo de vinho tinto a benefícios à saúde, e a demanda migrou com rapidez.

Salton disse que ali houve “uma mudança de mercado súbita: em questões de três ou quatro anos, a realidade do Brasil, que era 80% vinho branco e 20% tinto, inverteu a lógica”. Começou então um movimento de readequação de portfólio, com produtores passando a trabalhar mais com uvas tintas.

O problema, explicou, é que boa parte dos vinhedos brancos já estava plantada havia anos, com produtores parceiros que haviam investido nessas variedades a pedido das próprias vinícolas. Arrancar tudo e recomeçar com uvas tintas não era uma opção rápida nem barata.

“Tínhamos uma escala tão grande de parceiros que incentivamos no plantio de variedades brancas, que não poderíamos simplesmente fazer com que eles revertessem o vinhedo”, contou Salton.

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Foi nesse contexto, entre o fim dos anos 1990 e a virada do milênio, que o espumante deixou de ser um produto secundário para se tornar a resposta estratégica da empresa e do setor para aproveitar uma base de uvas brancas que já existia.

Maurício Salton, CEO da vinícola Salton

Da vitrine ao mercado global

A Salton elabora espumantes desde 1933, mas o destaque internacional da categoria só começou a se consolidar nos anos 2000, o que indica que a virada exigiu decisões deliberadas de investimento. Segundo o herdeiro, o processo de especialização da empresa nessa categoria não veio de forma simples ou natural.

Um dos marcos desse processo de profissionalização aconteceu em 2016, quando a Salton passou a rastrear com rigor científico a matéria-prima recebida de produtores parceiros. Em vez de avaliar a uva apenas pela aparência física, a empresa passou a fazer análises físico-químicas de acidez volátil, acidez total e nitrogênio de cada lote, dado que orienta decisões sobre manejo, poda e cortes finais dos produtos.

O movimento acompanhou uma mudança mais ampla no setor, que passou a se apoiar em parcerias com universidades para embasar cientificamente a viticultura. “Toda base científica da viticultura brasileira até dois ou três anos atrás era exclusiva da Serra Gaúcha. E o Brasil hoje tem mais de 17 estados produtores”, disse Salton, ao descrever a expansão geográfica e técnica que o setor viveu na última década.

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O reconhecimento internacional acompanhou o avanço do desempenho técnico da produção no país e levou à expansão do mercado pelo mundo.

A Salton exporta hoje para mais de 30 países e manteve operações comerciais em 16 mercados só em 2025, com presença nos cinco continentes. Desde 2025, o Salton Évidence Cuvée Brut é o único rótulo brasileiro no menu do restaurante Maido, em Lima, eleito o melhor do mundo pelo ranking The World’s 50 Best Restaurants.

Fundada em 1910 por sete irmãos de uma família de imigrantes na Serra Gaúcha, a empresa emprega hoje mais de 500 pessoas e trabalha com cerca de 300 famílias de viticultores parceiras, várias delas ligadas ao negócio há mais de uma geração.

O consumo per capita de espumantes no Brasil ainda é pequeno diante do potencial do mercado. Segundo Salton, a média nacional gira entre 125 e 140 ml por pessoa ao ano, o equivalente a uma taça, número muito inferior ao consumo per capita de vinho, hoje entre 2,7 e 2,8 litros. “É a média, e é muito pequena”, disse o executivo.

Ainda assim, o hábito de consumo tem mudado. O espumante deixou de ser associado apenas a datas festivas e passou a ganhar espaço ao longo de todo o ano, inclusive em épocas mais frias, tradicionalmente favoráveis ao vinho tinto. As mulheres são as maiores consumidoras da categoria, segundo Salton, e o público consumidor mais fiel costuma se formar a partir dos 35 e 40 anos de idade.

O desempenho recente da própria Salton reflete esse movimento. A empresa registrou crescimento de 20% em vendas ao consumidor final no último ano, e o início do exercício atual mantém ritmo consistente, mesmo em um inverno mais rigoroso no Sul do país.

Estudos de mercado citados pelo executivo projetam crescimento global da categoria acima de 5% ao ano até 2030. No Brasil, a expectativa é que esse avanço seja ainda mais expressivo, à medida que a base de consumidores de espumante se aproxima, com o tempo, da escala já consolidada pelo consumo de vinho.

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Em 2025, vinhos e espumantes brasileiros somaram 730 premiações em concursos internacionais.

Tênis cresce no Brasil com impulso das mulheres e turbina marcas, eventos e academias

11 de Setembro de 2026, 14:05

João Fonseca se tornou o principal símbolo de uma nova fase do tênis brasileiro, em que desempenho esportivo e a projeção comercial caminham lado a lado. Aos títulos e à ascensão no circuito internacional somam-se o interesse crescente de patrocinadores e o potencial de atrair uma nova geração de fãs e praticantes para o esporte.

A ascensão do jovem tenista ocorre após o período de protagonismo de Bia Haddad, que ajudou a recolocar o tênis feminino brasileiro no centro das atenções antes de anunciar uma pausa temporária na carreira recentemente.

O movimento, porém, vai além de seus principais expoentes: Luisa Stefani e Marcelo Melo mantêm o Brasil em evidência nas duplas, enquanto nomes como Guto Miguel, Victoria Barros e Naná Silva (Nauhany Silva) representam uma geração que começa a ampliar as perspectivas do país no cenário internacional.

E essa visibilidade dos atletas, somada a outros fenômenos, tem atraído cada vez mais participantes para o esporte. Em especial, as mulheres, numa conexão que une esporte, moda e senso de coletividade.

Da arquibancada e das telas para a quadra

Lúcia Zaragoza, gerente de atendimento no YouTube do Google, é um exemplo desse movimento. Entusiasta de longa data, inclusive acompanhando in loco eventos como o Australian Open, ela começou a jogar tênis há cerca de um ano após não se encontrar em outras atividades físicas.

Na quadra que frequenta, no Real Parque, em São Paulo, Zaragoza também percebe o reflexo dos números: “Tem mais mulher do que homem. E não só mulheres mais novas”, diz.

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A prática despertou também um consumo mais frequente de material esportivo e alinhado ao esporte. De Paris, nas férias, trouxe itens ligados a Roland Garros, e pretende fazer o mesmo nos Estados Unidos.

“Por azar, eu não vou pegar o US Open, mas já estou vendo os itens que tem na loja do torneio. A Ralph Lauren, por exemplo, tem uma loja específica”, diz ela, que afirma fugir do que chama de perfil “caricato” dos praticantes de tênis.

A percepção da nova praticante é de que o crescimento do esporte no Brasil tem acelerado mudanças no posicionamento das marcas locais, que oferecem hoje muito mais opções. “Tem muito mais produtos e é muito mais acessível. Antes, o visual que você conseguia construir era mais básico”, diz.

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Os números confirmam a percepção: de torneios profissionais a academias e marcas de material esportivo, o público feminino cresce em ritmo mais acelerado que o masculino em praticamente todas as pontas da cadeia do esporte.

No Rio Open, que chegou à 13ª edição em fevereiro, a participação de mulheres no público saltou de 30% para 45% nos últimos anos, segundo Marcia Casz, diretora-geral do torneio e também do SP Open, evento feminino da WTA lançado no ano passado. Ela cita ainda um dado da Confederação Brasileira de Tênis segundo o qual o interesse feminino pelo esporte cresceu cerca de 33% desde 2020.

No SP Open, torneio dedicado ao tênis feminino, a proporção é mais equilibrada. “Nós temos pelo menos ali 50-50%. Existe essa identificação feminina e as mulheres querendo assistir aos jogos de outras mulheres”, diz Casz.

É um novo impulso que contribui para os números comerciais do negócio. O Rio Open hoje reúne mais de 50 marcas entre patrocinadores e parceiros, com índice de renovação de 80%, e recebe mais propostas de patrocínio do que consegue acomodar.

O impacto econômico estimado do evento no Rio de Janeiro foi superior a R$ 200 milhões, com 40% dos compradores de ingresso vindos de fora do estado — fatia que, segundo a executiva, só cresce.

“Nós estamos no melhor momento da história do Rio Open”, afirma Casz.“E queremos o mesmo movimento com o SP Open”. O evento acontece entre os dias 14 e 20 de setembro.

Na PlayTennis, rede com 16 academias e mais de 13 mil clientes ativos, a fatia de mulheres na base passou de 19% para 32% nos últimos três anos, segundo Daniel Couri, sócio e diretor de expansão, marketing e parcerias da empresa.

Para o executivo, o gatilho inicial do boom recente não foi nenhum atleta específico, mas a pandemia — fator citado também por Casz. “O segundo grande momento, tão grande quanto o Guga, não foi o João Fonseca, não foi a Bia (Haddad), foi a pandemia”, diz Couri, lembrando que o tênis foi promovido globalmente como esporte de distanciamento social.

Ele descreve ainda um efeito de “transbordamento” vindo do beach tennis: praticantes que começaram no esporte de praia estariam migrando para as quadras em busca de mais complexidade técnica. O movimento é, segundo ele, puxado “em particular, pelas mulheres”.

A expansão no número de praticantes fez com que a PlayTennis triplicasse o seu faturamento desde 2020, segundo o executivo, sem abrir os números totais. Negócios correlatos — eventos, clínicas de marca e experiências — também têm avançado para atrair os novos atletas.

A expansão no número de praticantes fez com que a PlayTennis triplicasse o seu faturamento desde 2020. Na rede, número de mulheres subiu de 19% para 32%

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O efeito nas marcas esportivas

O apetite feminino também reconfigurou o mercado de material esportivo. Na Slyce, marca com apenas dois anos de operação e crescimento de 120% ao ano em receita, a linha feminina saltou de cerca de 20% para 50% do faturamento em menos de dois anos, segundo Jorge Castello Branco, fundador e CEO da empresa.

O tíquete médio das consumidoras é hoje superior ao dos homens — resultado, segundo ele, de um comportamento de compra que privilegia looks completos em vez de peças avulsas. A marca tem a duplista Luisa Stefani, vice-campeã em Wimbledon, como uma das atletas patrocinadas.

A demanda fez com que a marca redesenhasse a sua estratégia de comunicação: 95% das parcerias com influenciadores hoje são com mulheres.

“A mulher tende a comprar o look, a estética e o lifestyle que a marca representa, enquanto o homem responde mais fortemente ao atleta, à competição e à performance. Isso influencia diretamente nossa estratégia de comunicação”, afirma Castello Branco.

“No produto, também trabalhamos de maneiras diferentes. Para o feminino, temos ampliado a variedade de SKUs, modelagens e possibilidades de combinação”.

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Na Fila Brasil, o portfólio feminino cresceu 28% entre 2025 e 2024, com ganho de 4 pontos percentuais de participação de mercado — avanço que continua em 2026, com mais 2 pontos percentuais de share até o momento, segundo Adriana Magalhães David, diretora de branding e marketing da companhia.

“O feminino tem sido uma das principais alavancas de crescimento da Fila nos últimos anos”, afirma a executiva, que aposta na convergência entre performance esportiva, moda e bem-estar como próxima fronteira de expansão da marca. “Saias, vestidos, plissados, jaquetas e conjuntos esportivos se tornaram parte de um estilo de vida que combina conforto, funcionalidade e moda”, conta.

Segundo a Amazon Brasil, a categoria de tênis, incluindo raquetes e acessórios, cresceu mais de 16% em receita. No último ano, o tíquete médio registrou alta de 45%. A plataforma notou também uma migração do consumidor para produtos mais específicos e profissionais, com investimento em equipamentos de performance de marcas como Babolat, Tecnifibre e Wilson.

© Divulgação

Luisa Stefani, dupla da canadense Gabriela Dabrowski, é uma das principais tenistas da nova geração brasileira. Em julho, a dupla foi vice-campeã em Wimbledon

A aposta da Seara em proteína

11 de Setembro de 2026, 06:55

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A Seara fez dos congelados uma das principais avenidas de crescimento do negócio nos últimos anos. A companhia diz ter assumido a liderança da categoria em 2018 e, desde então, vem ampliando o portfólio, que inclui pizzas, lasanhas e refeições prontas, ou, simplesmente ‘panelinhas’.

Agora, a aposta nos congelados segue uma tendência que a própria JBS já vinha identificando em suas marcas de carne in natura. Executivos da companhia afirmaram que a maior procura por proteína tem contribuído para sustentar as vendas — movimento que a Seara agora tenta capturar também no freezer.

“Congelado foi a primeira categoria em que viramos líder, lá em 2018”, disse Rafael Palmer, diretor de marketing da Seara, em entrevista à Bloomberg Línea. “Vamos continuar trabalhando bastante na categoria de congelados.”

Em julho do ano passado, a empresa lançou três versões das panelinhas sob o selo Seara Protein. Cerca de um ano depois, elas já respondem por aproximadamente 25% das vendas da linha de panelinhas, de acordo com Palmer.

A ideia é aproveitar categorias em que a Seara já tem produção e distribuição para testar até onde a procura por mais proteína pode abrir novas ocasiões de consumo.

⇒ Leia a reportagem: Seara amplia foco em proteína e leva tendência para pizzas, massas e até hambúrgueres

Empresa ampliou a linha com maior teor proteico  (Foto: Nic Antaya/Bloomberg)

No radar dos mercados

Mercados dos EUA têm alívio com recuo do preço do petróleo e agem com cautela enquanto aguardam o relatório de inflação do país para avaliar se o Federal Reserve aumentará as taxas de juros na próxima semana.

- Resultados positivos para IA. O negócio de computação em nuvem da Oracle cresceu 121%, para US$ 7,4 bilhões, um avanço mais rápido do que os analistas projetavam, em um sinal de que as apostas da empresa em projetos de data centers de IA estão dando frutos.

- Avanço automotivo da China. Pequim estabeleceu a meta de que 70% dos carros novos sejam veículos elétricos ou híbridos até 2030, conforme o mais recente plano quinquenal para o setor automotivo. O governo definiu a meta de que suas montadoras estejam entre as 10 maiores do mundo e tenham maior influência na definição de padrões globais.

- Expectativa de manutenção no Fed. A maioria dos economistas acredita que o Federal Reserve manterá as taxas de juros inalteradas na reunião deste mês e até o final de 2027, mesmo com o aumento das expectativas do mercado quanto a um aumento das taxas, de acordo com uma pesquisa da Bloomberg.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (10/09): Dow Jones Industrials (-0,60%), S&P 500 (-0,58%), Nasdaq Composite (-0,65%), Stoxx 600 (-0,69%), Ibovespa (+1,42%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

• Nubank forma parceria com o Lead Bank para acelerar lançamento nos EUA

• Aposta em vitória de Flávio Bolsonaro ganha força e derruba busca por proteção em dólar

• Medicina VIP: novo hub de saúde busca atender moradores de complexo de luxo da JHSF

• Também é importante: Indústria de açúcar da África do Sul luta para sobreviver em meio à inércia do governo | Unico compra argentina Valida e amplia expansão contra fraudes com IA na América Latina

• Opinião Bloomberg: Lua de mel entre Warsh e Trump acabou. Agora Fed pode ir por três caminhos diferentes

• Para não ficar de fora: Renault aposta em fábrica da Argentina como polo de exportação para a América Latina

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Medicina VIP: novo hub de saúde busca atender moradores de complexo de luxo da JHSF

11 de Setembro de 2026, 06:00

Famílias de alta renda passaram a morar a semana inteira em condomínios de luxo no campo, não apenas nos fins de semana. O hábito novo alterou o leque de serviços que uma incorporadora de alto padrão precisa oferecer.

Depois de clube de golfe, segurança armada e concierge de compras, um dos empreendimentos da JHSF (JHSF3) no interior paulista ganha uma clínica de saúde particular, apresentada pelas sócias como um hub, com atendimento médico, resgate por helicóptero e monitoramento por relógios e anéis inteligentes.

O novo serviço fica no CJ Boa Vista Village, mall recém-inaugurado dentro do Complexo Boa Vista, em Porto Feliz, a cerca de 115 quilômetros de São Paulo.

Leia também: Menos remédio, mais beleza: como funciona a farmácia do condomínio de super-ricos em SP

Batizada de Boa Vista Health, a unidade estreia no próximo sábado (12) no mesmo shopping em que a Louis Vuitton abriu, em maio, sua primeira loja dedicada à coleção resort, ao lado de vitrines como Loro Piana, Brunello Cucinelli, Rolex, Chloé, Celine e Dolce & Gabbana.

O projeto é assinado por duas nefrologistas, Nathally Baston, diretora médica da Boa Vista Health e especialista em doenças renais crônicas, e Christiane Kojima, responsável técnica da clínica e gestora de clínicas de diálise desde 2015.

As duas contam que levaram o projeto pronto para a JHSF, num processo de avaliação de currículo semelhante ao usado para aprovar as demais lojas do shopping.

“Tenho pacientes que moram na Fazenda [Boa Vista] por períodos. De quinta a domingo moram na Fazenda, de segunda a quarta moram em São Paulo”, diz Christiane Kojima, responsável técnica da Boa Vista Health, à Bloomberg Línea.

Esse vaivém entre o condomínio e a capital sustenta a lógica comercial do projeto: quanto mais dias essas famílias passam no interior, maior a demanda por um serviço de saúde que hoje só existe a uma hora e meia dali, em São Paulo.

As sócias conseguiram investimento de mais de R$ 6 milhões em obra e equipamentos, e alugam os 300 metros quadrados da unidade, já que a JHSF vende apenas as casas do Village.

O carro-chefe do portfólio é o HDF Health, sigla para hemodiafiltração, tratamento renal mais avançado que a diálise convencional. Batizado internamente de coração assistencial da clínica, o programa reúne nutrição renal, fisioterapia, psicologia, acupuntura, suporte social e transporte particular para cada sessão.

A previsão inicial, sujeita à reavaliação, é atender cerca de 10 pacientes de diálise por mês, mais 25 em outros protocolos, com previsão de recuperar o investimento em cerca de seis meses, segundo as duas médicas.

As sócias também negociam uma parceria para incluir ortopedia no portfólio, mas preferem não revelar o parceiro antes de fechar o acordo.

Outro protocolo, o Health Worldwide, organiza viagens nacionais e internacionais para pacientes em diálise, com clínicas parceiras verificadas no destino e programação prévia das sessões. Foi pensado, entre outros casos, para hóspedes de fora que precisam de tratamento contínuo durante a estadia na região.

“Fora a diálise em trânsito dos hotéis, onde às vezes vem uma pessoa de Londres, uma pessoa dos Estados Unidos, que precisa de uma diálise em trânsito, isso é muito comum, e eles só tinham a oportunidade de ir a Sorocaba ou para Boituva”, afirma Kojima.

Já o Health Concierge, e sua versão corporativa, o Health Concierge for Business, cobrem a parte administrativa da jornada do paciente: agendar consultas e exames, comunicar especialistas entre si, organizar documentação clínica e, quando indicado, coordenar a desospitalização assistida e a diálise domiciliar, em parceria com a B.Treat, boutique de concierge médico fundada por Carolina Uip, filha do infectologista David Uip, e pela sócia Roberta Pfiffer.

As médicas Nathally Baston (à direita, de capacete) e Christiane Kojima (na escada) acompanham de perto a obra da unidade, ainda em fase de acabamento antes da estreia marcada para 12 de setembro.

WellNest e Bluerock Aviation

A camada tecnológica do hub é um aplicativo desenvolvido pela americana WellNest, que cruza dados de relógios e anéis inteligentes, como Apple Watch, Garmin, Whoop e Oura Ring, com o histórico clínico do paciente.

A ideia nasceu da própria vizinhança de Baston, que também mora no Village: para ela, o desafio nunca foi a adoção desses aparelhos, e sim a ausência de interpretação médica dos dados que eles geram.

“Comecei a ver todo mundo utilizando aqueles wearables. Só que na hora que eu perguntava pra essas pessoas, eu falava ‘tá, mas o que você faz com essas informações? Quem lê esses dados?’ Ninguém lê esses dados”, observou Baston.

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Para emergências, entra em ação o Health NOW, protocolo de resposta rápida que não substitui um hospital: a unidade instalada no shopping do Village faz a avaliação inicial e a estabilização, e organiza a remoção terrestre ou aérea para o hospital de referência do próprio paciente.

“Não tenho uma infraestrutura hospitalar nem um centro de hemodinâmica. Não adianta eu falar, ‘venha para cá que eu vou resolver’, porque eu não vou resolver”, diz Baston.

Hemodinâmica é a unidade hospitalar equipada para desobstruir artérias entupidas, o procedimento padrão para tratar um infarto em andamento.

A logística aérea para transportar o paciente é feita com a Bluerock Aviation, empresa de Miami e Paris recomendada por médicos do Sírio-Libanês e do Einstein, que a acionaram com frequência durante a pandemia.

Segundo as sócias, a Bluerock foi escolhida por ser especializada em transporte médico e ter operação internacional.

“No caso de um infarto, a gente fala que tempo é músculo, tempo é miocárdio. Faz toda a diferença entre viver e morrer você chegar em 15, 20, 30 minutos ou 3 horas no hospital. Isso muda sua qualidade de vida e a chance de você viver a longo prazo”, exemplifica Baston.

O heliponto do Complexo Boa Vista, em Porto Feliz: a estrutura já recebia voos regulares de helicóptero muito antes da chegada da Boa Vista Health ao empreendimento

Público-alvo dos serviços

Juridicamente, a Boa Vista Health é uma sociedade anônima independente da JHSF, não entra no balanço da incorporadora nem divide receita com o shopping, e opera com as mesmas licenças exigidas de qualquer lojista do Village, a sanitária e o AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros).

O acesso também não é exclusivo de quem mora dentro da Fazenda Boa Vista, cujas portarias só abrem para convidados: o shopping do Village é aberto ao público, e qualquer morador de Porto Feliz, Itu, Sorocaba ou Indaiatuba pode agendar e pagar pelo serviço de saúde.

As sócias não abrem valores nem das sessões de HDF, restritas a pacientes renais, nem dos demais programas, abertos a qualquer cliente. A operação é só particular, sem convênio médico nem SUS (Sistema Único de Saúde).

Modelo parecido existe nos EUA, no segmento de concierge e medicina boutique. A Private Medical, de São Francisco, cobra US$ 40 mil por ano por adulto e US$ 25 mil por menor, segundo noticiou a CNBC em 2024. A MD², uma das pioneiras do setor no país, também cobra taxas anuais dos membros, sem divulgar valores. Os modelos não são equivalentes ao da Boa Vista Health, mas mostram uma tendência mundial de medicina privada mais personalizada.

Para exames, a parceria da Boa Vista Health é só de pré-coleta: o material é recolhido na própria unidade e enviado para análise ao Einstein Laboratório, de Sorocaba, ou ao Sabin, de Campinas.

As sócias evitam rotular o serviço apenas como um clube de saúde ou uma clínica de longevidade por parecer simplista demais, mas admitem que nunca pararam para definir formalmente o negócio. Preferem apresentar o espaço como um hub de saúde e resumi-lo nos cinco valores do material institucional da empresa: segurança clínica, continuidade, discrição, coordenação e humanização.

“A Boa Vista Health nasce com uma ambição muito clara, não ser apenas um lugar onde se tratam doenças, mas uma estrutura capaz de acompanhar a saúde e estar presente nos diferentes momentos da vida do paciente”, explica Baston.

Segundo a JHSF, a unidade do Village opera como um lojista do shopping, especializado em hemodiálise e nefrologia. O hub de saúde e bem-estar diretamente ligado à incorporadora fica localizado no Shopping Cidade Jardim, na capital paulista: o Cidade Jardim Health Center, que reúne sob o mesmo teto clínica médica, academia, massagem, fisioterapia e consultórios de diversas especialidades.

-Texto atualizado às 19h05 para incluir posicionamento da JHSF

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Unidade de 300 metros quadrados contou com investimento de mais de R$ 6 milhões em obra e equipamentos. (Foto: Divulgação/Boa Vista Health)

Seara amplia foco em proteína e leva tendência para pizzas, massas e até hambúrgueres

11 de Setembro de 2026, 06:00

A Seara fez dos congelados uma das principais avenidas de crescimento do negócio nos últimos anos. A companhia diz ter assumido a liderança da categoria em 2018 e, desde então, vem ampliando o portfólio, que inclui pizzas, lasanhas e refeições prontas, ou, simplesmente “panelinhas”.

Agora, a aposta nos congelados segue uma tendência que a própria JBS, dona da Seara, já vinha identificando em suas marcas de carne in natura. Executivos da companhia afirmaram que a maior procura por proteína tem contribuído para sustentar as vendas — movimento que a Seara agora tenta capturar também no freezer.

“Congelado foi a primeira categoria em que viramos líder, lá em 2018”, disse Rafael Palmer, diretor de marketing da Seara, em entrevista à Bloomberg Línea. “Vamos continuar trabalhando bastante na categoria de congelados.”

Em julho do ano passado, a empresa lançou três versões das panelinhas sob o selo Seara Protein. Cerca de um ano depois, elas já respondem por aproximadamente 25% das vendas da linha de panelinhas, de acordo com Palmer.

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“Em um ano, ela ditou esse crescimento. Ela trouxe o crescimento da linha.”

Neste mês, a companhia decidiu ampliar o portfólio da Seara Protein de três para 13 produtos, levando a proposta para categorias como massas, pizzas, hambúrgueres e empanados.

A ideia é aproveitar categorias em que a Seara já tem produção e distribuição para testar até onde a procura por mais proteína pode abrir novas ocasiões de consumo.

“Vemos congelados como uma das grandes avenidas de crescimento da Seara”, disse o CEO João Campos, em resposta enviada por escrito à Bloomberg Línea.

Segundo Palmer, a empresa estuda trazer outros produtos Seara para a linha proteica, mas por enquanto não há nada definido. “Estamos estudando outras categorias, sim. Não tem nada batido o martelo, mas a gente tem estudado como fazer isso”, afirmou.

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Na visão do executivo, a Seara Protein pode deixar de ser uma linha concentrada em refeições prontas para aparecer em diferentes partes do portfólio. “Acho que a gente vai vê-la como uma nova categoria transversal.”

Da panelinha à pizza e ao hambúrguer

A aposta da Seara agora é entender se o interesse por proteína também pode impulsionar categorias como pizzas, massas e hambúrgueres, tradicionalmente mais ligadas à conveniência e ao sabor.

“O grande desafio é não perder o sabor”, disse Palmer. “O consumidor quer sabor, [e também] quer indulgência.”

Para adicionar maior teor proteico nos alimentos, a companhia pode adicionar proteína à massa ou aumentar a quantidade de ingredientes como carne e queijo, disse Palmer.

Em itens que naturalmente já contêm mais proteína, como os hambúrgueres, e a formulação é ajustada para elevar esse teor. Os 13 produtos da linha têm entre 15 e 36 gramas de proteína por porção, segundo a companhia.

Os primeiros resultados dos lançamentos mais recentes ainda são preliminares. Lasanha e fettuccine Protein têm apresentado giro cerca de 10% superior ao de itens similares sem o atributo, de acordo com Palmer.

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O executivo evitou projetar se pizzas, massas e hambúrgueres poderão alcançar uma participação semelhante aos 25% registrados pela Protein dentro da linha de panelinhas.

“Eu espero e acredito muito que vai representar uma bela fatia. Agora, falar para você quantos por cento vai ser um chute irreal”, afirmou.

O desafio de levar proteína para mais consumidores

As primeiras panelinhas Protein chegaram ao mercado cerca de 10% mais caras que as versões tradicionais, segundo o diretor da empresa. Nos dez novos produtos, que incluem pizzas e hambúrgueres, a empresa quer evitar esse adicional.

“Na linha que estamos lançando agora, queremos evitar esse aumento de preço”, disse Palmer.

Isso não significa, porém, que produzir um alimento com mais proteína custe o mesmo. No caso das panelinhas, Palmer explica que o maior teor proteico elevou o custo de produção.

“Na panelinha, sim. Nos outros, estamos tentando manter a equação de custo.”

As soluções encontradas pela empresa variam de produto para produto e envolvem as equipes de pesquisa e desenvolvimento. A companhia não detalhou o impacto dessas mudanças sobre suas margens.

Campos disse que a estrutura já existente da Seara nessas categorias ajuda nessa conta.

“A Seara já tem presença nessas categorias, já tem estrutura industrial, distribuição e conhecimento do consumidor”, afirmou, por escrito.

“Isso permite desenvolver produtos com maior teor proteico aproveitando capacidades que já existem, sem depender de uma expansão física específica para essa linha.”

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A intenção, segundo o CEO, é evitar que os produtos com maior teor de proteína fiquem restritos a um segmento disposto a pagar mais por esse atributo.

Embora preços possam variar de acordo com produto, canal e mercado, a companhia pretende mantê-los próximos aos das versões tradicionais.

“Proteína não pode ser uma proposta restrita a nicho”, disse Campos. “A oportunidade está justamente em levar esse benefício para produtos de consumo amplo.”

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© Luke Sharrett

Empresa ampliou a linha com maior teor proteico (Foto: Luke Sharrett
/Bloomberg)

Renault aposta em fábrica da Argentina como polo de exportação para a América Latina

10 de Setembro de 2026, 14:34

A Renault apresentou nesta quinta-feira (10) a picape Niagara, que será produzida na planta Santa Isabel em Córdoba, na Argentina. O grupo aposta na unidade como importante polo de exportação para a América Latina.

“A fábrica Santa Isabel está se preparando para o futuro e nossa ambição é torná-la um polo de veículos para a região com perfil de exportação superior a 50% da produção total”, disse o presidente e diretor geral da Renault Argentina, Pablo Sibilla, em evento de apresentação do novo modelo.

A picape foi desenvolvida para os os países da América Latina, como parte da ambição da marca francesa de lançar 14 novos modelos em mercados fora da Europa até 2030.

De acordo com a montadora, os três principais mercados-alvos da Niagara são Brasil, Argentina e Colômbia, que representam uma grande fatia de vendas em potencial. O modelo também será exportado posteriormente para outros países da região.

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“Nos comprometemos a transformar a marca e, ao mesmo tempo, tornar Santa Isabel um centro de referência para veículos utilitários. Niagara não é apenas uma nova picape, é resultado de uma visão que começou há muitos anos”, observou Sibilla.

Segundo o executivo, o novo modelo representa o início da segunda ofensiva dos produtos da Renault. A montadora havia anunciado investimento de €350 milhões para produzir o primeiro veículo do país baseado na plataforma modular do grupo.

A Niagara vai ser o 35º modelo produzido em Santa Isabel, onde já foram montadas 3,5 milhões de unidades ao longo de sete décadas.

Leia também: Brasil perde mercado automotivo na Argentina com avanço de carros chineses, diz Anfavea

O chief growth officer do grupo e CEO da marca Renault, Fabrice Cambolive, afirmou que a missão da montadora é “reforçar a liderança na Europa, acelerar a eletrificação e todo nosso potencial de negócio fora do continente europeu”, disse.

Ele acrescentou que a Niagara é o primeiro veículo totalmente desenvolvido sob o plano “futuREady”. “A América Latina está no cerne dessa estratégia, temos uma história com a região, estamos há décadas presentes no continente.”

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Além dos modelos Kardian e Boreal, a Niagara faz parte da proposta de renovação da gama de produtos da Renault fora da Europa, principalmente na América Latina.

A picape vai estrear no Brasil em um mercado há muito tempo dominado pela Stellantis, com a Fiat Strada, na categoria de entrada, e a Fiat Toro (intermediária) . Para as montadoras, o segmento de picapes é altamente disputado devido à sua rentabilidade.

A Niagara chegará ao mercado oficialmente em novembro, com motorização 1.3 turbo compatível com gasolina e flex, dependendo do mercado. A previsão é que a versão híbrida da picape seja lançada no ano que vem.

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A Niagara chegará ao disputado mercado de picapes em novembro. (Foto: Empresa/Divulgação)

A estratégia da Iguá em concessão bilionária no Rio

10 de Setembro de 2026, 06:57

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Em um espaço de mais de 300 favelas, crescimento urbano desordenado e lagoas poluídas, a Iguá vem espalhando canteiros de obras para atender às demandas da concessão de saneamento na zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

Conquistada em 2021 em leilão com uma outorga de R$ 7,2 bilhões, a concessão da companhia atende pouco mais de 1 milhão de pessoas em 19 bairros.

Somente na frente de obras de adutoras, o grupo privado vem trabalhando a um ritmo de implantação de 20 a 30 metros de tubulações por dia.

O diretor geral e de relações com investidores da Iguá Rio, Flavio Vaz, afirma que a engenharia financeira adotada para fazer frente aos investimentos foi priorizar os projetos com maior Valor Presente Líquido (VPL) no início, sem impactar, com isso, questões contratuais.

Prova disso, relata o executivo, é que em 2025 o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da concessão atingiu R$ 575 milhões, aumento de 35% sobre o ano anterior.

Somente no primeiro semestre de 2026, o indicador marcou R$ 438 milhões. “Operacionalmente, já estamos conseguindo capturar mais valor [da concessão]. Os investimentos estão fazendo sentido para a companhia”, afirma.

⇒ Leia a reportagem: Iguá prioriza projetos com maior retorno e vê avanço com concessão bilionária no Rio

Concessão da companhia atende pouco mais de 1 milhão de pessoas em 19 bairros (Foto: Divulgação)

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos EUA operam em leve alta nesta quinta-feira (10), enquanto os investidores aguardam a divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) referente a agosto no país.

- Fachin tenta conter crise no STF. O presidente do STF retirou de Alexandre de Moraes o comando do inquérito das fake news, em meio à disputa com André Mendonça no caso Banco Master. Fachin também reverteu decisões sobre o comando da Polícia Federal e convocou o plenário para terça-feira.

- Louis Vuitton perde força na China. As vendas da principal marca da LVMH teriam caído cerca de 30% em julho e entre 20% e 25% em agosto, segundo dados da consultoria JL Warren, após uma disputa de marca registrada com a chinesa Molly Tea provocar reação negativa nas redes sociais.

- Huawei eleva preços de chips de IA. A empresa aumentou em cerca de 60% o preço sugerido do acelerador Ascend 950DT nos últimos três meses, para cerca de US$ 37,3 mil, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg News. Os valores cobrados por Nvidia e Huawei variam conforme o pedido e os equipamentos adicionais.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (09/09): Dow Jones Industrials (-0,77%), S&P 500 (-0,48%), Nasdaq Composite (-0,64%), Stoxx 600 (-1,42%), Ibovespa (-0,93%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

• Vale mira mercado de títulos da China e avalia possível emissão ainda em 2026

• Tesouro dos EUA triplica recompra de títulos, chega a US$ 6 bi, mas decepciona mercado

• Dirigentes do Fed sinalizam abertura a reduzir reuniões anuais para definir juros

• Também é importante: Mercado Livre volta ao mercado global de dívida enquanto acelera investimentos | El Niño volta a ameaçar a Amazônia após seca histórica causar perdas bilionárias

• Opinião Bloomberg: STF traiu seu papel de guardião da democracia e precisa de uma reforma profunda

• Para não ficar de fora: Apple estreia no mercado de celulares dobráveis com iPhone Duo a partir de US$ 1.999

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Iguá prioriza projetos com maior retorno e vê avanço com concessão bilionária no Rio

10 de Setembro de 2026, 06:00

Em um espaço geográfico de mais de 300 favelas, crescimento urbano desordenado e lagoas poluídas, a Iguá vem espalhando canteiros de obras para atender às demandas da sua concessão de saneamento na zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

Conquistada em 2021 em leilão com uma outorga de R$ 7,2 bilhões, a concessão da companhia atende pouco mais de 1 milhão de pessoas em 19 bairros. O contrato também prevê a prestação de serviço para os municípios de Paty do Alferes e Miguel Pereira.

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) ainda é responsável pela captação e tratamento da água, enquanto a Iguá distribui o insumo e trata o esgoto.

Somente na frente de obras de adutoras, o grupo privado - que tem em sua composição acionária as gestoras canadenses CPP (66,5%) e AIMCo (24%), além do BNDESPar (9,5%) - vem trabalhando a um ritmo de implantação de 20 a 30 metros de tubulações por dia.

O número, por si só, não demonstra a complexidade do projeto. O traçado tem que obedecer topografia, propriedade privada, áreas de preservação. As obras enfrentam desde restrições de horários até intempéries climáticas, além do calor do Rio. E as tubulações exigem transporte customizado devido às grandes proporções.

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“É um contrato grande e desafiador, mas conseguimos entender bem a sua complexidade e obter resultados consistentes”, disse a COO da Iguá Rio, Paula Violante, em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia também: Iguá prioriza concessões atuais e vê oportunidade para dobrar receitas, diz CEO

O diretor geral e de relações com investidores da Iguá Rio, Flavio Vaz, afirma que a engenharia financeira adotada para fazer frente aos investimentos foi priorizar os projetos com maior Valor Presente Líquido (VPL) no início, sem impactar, com isso, questões contratuais.

Prova disso, relata o executivo, é que em 2025 o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da concessão atingiu R$ 775,6 milhões, aumento de 35% sobre o ano anterior.

Somente no primeiro semestre de 2026, o indicador marcou R$ 438 milhões. “Operacionalmente, já estamos conseguindo capturar mais valor [da concessão]. Os investimentos estão fazendo sentido para a companhia”, afirma.

Ele acrescenta que a parcela mais robusta da dívida da concessão só começa a vencer a partir de 2031.

“Estamos com uma posição de caixa razoável, com uma janela de cinco anos para continuar fazendo os investimentos que geram retorno e caixa. Isso nos dá o conforto de que vamos conseguir cumprir todas as nossas obrigações contratuais e gerar retorno para o acionista.”

A concessão tem prazo de 35 anos e estão previstos investimentos da ordem de R$ 2,7 bilhões. Mais de R$ 1 bilhão já foram aplicados. O leilão da Cedae foi dividido em quatro blocos: a Aegea é responsável pelos blocos 1 e 4 e, a Águas do Brasil, pelo bloco 3.

Obras de infraestrutura de saneamento da Iguá na capital fluminense. (Foto: Empresa/Divulgação)

Monitoramento e preservação ambiental

Entre os investimentos realizados, a empresa implementou novos sistemas que incluem um centro de controle operacional desenhado para a concessão. A estrutura permite fazer o monitoramento online das operações 24 horas por dia, através das informações recebidas das elevatórias de água e esgoto e das unidades operacionais.

Com o centro de controle, que recebe novos dados a cada 2 ou 3 segundos, a empresa diz conseguir mobilizar equipes e recursos com mais assertividade e também prever problemas, utilizando ferramentas de inteligência artificial.

Outra tecnologia utilizada é a de digital twin para simular determinadas operações, digitalmente, antes de as soluções serem aplicadas na prática.

A COO Paula Violante relata que, quando a Iguá assumiu a operação do bloco 2 da Cedae, a mobilização durou 180 dias, com 13 diferentes frentes de atuação. “Logo que vencemos o leilão, começamos a estudar o bloco detalhadamente para detectar os principais gargalos. Não foi uma transição simples.”

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Barra, coração da operação, tinha áreas totalmente degradadas quando a operadora privada assumiu a concessão. O processo de recuperação, modernização e ampliação do ativo foi concluído em 2025 e consumiu R$ 170 milhões em investimentos.

A Iguá também investiu em estações elevatórias, estruturas responsáveis pelo bombeamento da água e do esgoto. Atualmente, a ETE Barra trata o equivalente a cerca de 70 piscinas olímpicas de esgoto por dia.

Estação de tratamento de esgoto da Iguá. (Foto: Empresa/Divulgação)

Na frente de preservação ambiental, o projeto mais emblemático é a recuperação do Complexo Lagunar da Tijuca e de Jacarepaguá.

A paisagem esconde o ambiente degradado de décadas de despejo de esgoto e todo tipo de lixo, como embalagens e até sofás.

O investimento previsto para o projeto, que é uma contrapartida da concessão, é de R$ 250 milhões, sendo que mais de R$ 147 milhões foram aportados até agora.

Mais de 1 milhão de m³ de sedimentos já foram remanejados do complexo, o equivalente a 400 piscinas olímpicas. A meta é alcançar 2,3 milhões de m³. O desassoreamento das lagoas permitiu a volta da circulação de barcos e até mesmo de vida animal, incluindo espécies comerciais como robalo e tainha.

Ao circular pelo complexo, é possível avistar não só espécies de peixes e pássaros, mas também jacarés.

Mais de 80 mil mudas estão sendo plantadas na região de mangue. “Estamos falando do maior passivo ambiental da cidade do Rio de Janeiro. É uma estratégia de guerra”, disse o biólogo e consultor Mário Moscatelli, à frente das ações ambientais na região.

Centro de controle operacional da Iguá no Rio de Janeiro. (Foto: Empresa/Divulgação)Fauna em meio ao Complexo Lagunar no Rio de Janeiro, sob a área de concessão da Iguá. (Foto: Empresa/Divulgação)

Novos usuários e inadimplência

Segundo o diretor de operações da concessão, Lucas Arrosti, a Iguá não tem enfrentado desafios de inadimplência, mesmo com a inclusão de novos usuários no sistema.

Uma parcela deles paga a chamada “tarifa social”, que garante um desconto de 50% na fatura de água e esgoto para famílias de baixa renda. O benefício é previsto no novo marco do saneamento e regulamentado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

De acordo com a Iguá, 18% das economias atendidas pela concessão são beneficiárias da tarifa social. A companhia esclarece que “economias” é o termo técnico utilizado no setor para se referir às unidades cadastradas no sistema de abastecimento, como por exemplo residências, comércios e outros. Isso significa que esse percentual não corresponde à população.

-- Reportagem atualizada às 21h de 10/09/2026 para corrigir o valor do Ebitda ajustado registrado em 2025.

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Concessão da companhia atende pouco mais de 1 milhão de pessoas em 19 bairros (Foto: Divulgação)

O avanço da Heineken além da cerveja

9 de Setembro de 2026, 07:04

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

O setor cervejeiro brasileiro atravessou em 2025 sua pior queda fora dos anos de pandemia, pressionado por clima desfavorável, menos feriados e um consumidor que passou a direcionar parte da renda para apostas online.

Foi no contexto de uma retomada para que a Heineken decidiu apostar no que descreve como uma diversificação de ocasiões de consumo. Em vez de focar apenas na cerveja, ela passou a buscar uma presença em outras situações para ampliar as oportunidades de chegar ao consumidor brasileiro.

O mote é acelerar o segmento que mais cresce dentro de casa: o portfólio de bebidas com menos álcool, menos calorias ou sem glúten, que avançou mais de 50% em vendas no primeiro semestre de 2026 ante igual período do ano anterior, enquanto o negócio tradicional cresceu em ritmo de um dígito.

A estratégia, no entanto, não é apenas uma reação tática ao momento do setor, de acordo com Rafael Rizzi, VP de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Heineken.

“Não vemos isso como uma substituição do mercado, em que os itens tradicionais serão trocados de forma alguma. Entendemos como ampliação dos momentos de consumo”, disse Rizzi em entrevista à Bloomberg Línea.

⇒ Leia a reportagem: Heineken amplia aposta além da cerveja após portfólio ‘equilibrado’ crescer mais de 50%

Marca busca ampliar as oportunidades de chegar ao consumidor brasileiro (Foto: Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações globais operam sem direção única nesta quarta-feira (9), enquanto o petróleo Brent supera US$ 100 por barril após forças dos EUA destruírem cinco petroleiros iranianos.

- Inditex sob pressão de custos. A dona da Zara registrou lucro operacional abaixo das expectativas no segundo trimestre, apesar de vendas acima do previsto. A companhia também elevou em € 200 milhões os investimentos previstos para modernizar sua sede. As ações caíam 4,9% nesta manhã em Madri.

- Google investe € 13 bilhões em IA na Finlândia. A companhia planeja construir ao menos três novos data centers e ampliar uma instalação já existente no país nos próximos dois anos, em seu maior investimento individual na Europa. O projeto faz parte da expansão da capacidade computacional de IA da Alphabet.

- Amazon estreia no mercado de dívida em libras. A empresa iniciou a venda de títulos com vencimentos de três a 19 anos, em sua quarta emissão fora do mercado de dólar neste ano, segundo fonte ouvida pela Bloomberg News. A Amazon já levantou mais de US$ 92 bilhões com títulos em 2026.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (08/09): Dow Jones Industrials (-1,16%), S&P 500 (-0,58%), Nasdaq Composite (-0,32%), Stoxx 600 (-0,05%), Ibovespa (+1,20%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

• Bank of America eleva ações brasileiras por espaço para cortes de juros

• Viridis obtém R$ 77,5 milhões do BNDES para projeto de terras raras no Brasil

• Volta por cima do setor de mineração do Brasil enfrenta teste com minerais críticos

• Também é importante: ‘Lutando pela sobrevivência’: empresas canadenses sofrem com impacto de tarifas dos EUA | Settle usa agentes de IA para destravar mercado de licitações públicas de R$ 1 tri

• Opinião Bloomberg: Escassez de armamentos expõe fragilidade militar dos EUA em meio a novas guerras

• Para não ficar de fora: Brasil perde mercado automotivo na Argentina com avanço de carros chineses, diz Anfavea

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Settle usa agentes de IA para destravar mercado de licitações públicas de R$ 1 tri

9 de Setembro de 2026, 07:00

O governo brasileiro é o maior comprador do país — um mercado de R$ 1 trilhão, equivalente a cerca de 16% do PIB, segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Em 2025, foram mais de 1 milhão de compras públicas registradas no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).

Mas, para quem vende ao Estado, esse mercado ainda opera como um labirinto de PDFs: 6 mil editais publicados por dia, entre as esferas municipal, estadual e federal, que as empresas precisam garimpar manualmente para saber o que está na licitação e o que vale a pena disputar.

É esse gargalo que a Settle, startup fundada em 2024, quer resolver com inteligência artificial. A startup roda mais de 100 agentes de IA que leem, filtram e pontuam editais automaticamente. E, segundo os fundadores, dobram a participação dos clientes em licitações enquanto reduzem pela metade o custo de aquisição de clientes (CAC).

“Quando uma empresa começa a usar os nossos agentes, ela consegue dobrar a sua participação em editais, em vendas. Justamente porque consegue produzir mais, dar no-go e definir qual edital faz sentido mais rapidamente”, afirmou Mateus Brum, cofundador e diretor da Settle, em entrevista à Bloomberg Línea.

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A Settle foi criada no final de 2024, quando captou uma rodada pré-seed de US$ 3,08 milhões (cerca de R$ 18 milhões, na cotação da época), liderada pela Canary e pela Row Capital. Participaram ainda a Clocktower Ventures e um grupo de investidores-anjo.

Nesse intervalo de tempo, a startup operou em stealth para aprimorar a plataforma, que chega agora ao mercado. Entre os principais clientes, estão a Vivo e a BR Supply.

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Do Guiabolso ao setor público

A Settle nasceu do encontro de quatro sócios com trajetórias cruzadas no Guiabolso. Alice Iglesias, CEO da Settle, passou pela McKinsey — com foco em projetos para o setor público — antes de assumir operações, incluindo operações de crédito, no Guiabolso. Mateus Brum, liderou a área de growth da fintech e depois comandou a integração do Guiabolso ao PicPay, que comprou a empresa. Os outros dois sócios são Bruno Ortiz e José Victor Almada, à frente de tecnologia.

Fundada em Mateus, Alice, José Victor e Bruno, a Settle captou um pré-seed de US$ 3,08 milhões, em rodada liderada pela Canary

A tese da Settle nasceu enquanto Alice estudava oportunidades de investimento como venture partner do fundo Canary.

“Comecei vendo uma tendência de govtech tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. E aí juntou a minha experiência com o governo com o fato que meu pai tem empresa que vende para o governo há 25 anos”, diz.

A promulgação da Lei 14.133/2021, que digitalizou as licitações — hoje 99% delas ocorrem via pregão eletrônico — e a possibilidade de usar IA para estruturar dados públicos disponíveis apenas em PDF fechou a equação.

Segundo os fundadores, o mercado público impõe duas dores distintas às empresas. A primeira é operacional: separar, dos 6 mil editais diários, quais interessam a cada cliente.

Leia também: Um ano após pré-seed, Bull capta R$ 20 milhões para expandir além do crédito consignado

A Settle ataca esse problema com uma cadeia de agentes especializados. Um de triagem, que identifica se o edital está no escopo do cliente; um de score, que pontua a relevância com base em valor, órgão comprador e cláusulas específicas; e agentes de análise técnica, jurídica, comercial e de habilitação, que avaliam se a empresa reúne as condições para participar.

A segunda dor é de dados: mesmo sendo públicas, as informações de compras governamentais não são acessíveis nem padronizadas.

A Settle conecta portais de transparência de cerca de 5.500 municípios brasileiros e normaliza esses dados para gerar inteligência de mercado — histórico de contratos, participação por órgão, preços praticados e previsão de renovação de contratos vencidos.

“Nós conseguimos criar visões de market share dentro de determinado setor, seja no estado, seja dentro de uma vertical federal, estadual, prefeitura”, diz Brum.

Vivo como cliente-âncora

A operadora de telefonia Vivo foi o primeiro grande cliente da Settle e moldou boa parte do primeiro ano de operação da startup. “Muito cedo, nós fechamos uma parceria com a Vivo e sabíamos que não poderíamos perder esse cliente de jeito nenhum, que precisávamos entregar o melhor produto possível”, disse Alice.

Ao lado da Vivo, a BR Supply é o outro cliente enterprise nomeado pelos fundadores. A startup afirma ter hoje quatro contas enterprise ao todo, incluindo dois clientes não revelados, além de contas de médio porte.

A Settle atende dois perfis de cliente: empresas que vendem diretamente ao governo e buscam eficiência operacional, e fabricantes que não participam das licitações diretamente, mas precisam acompanhar como os seus distribuidores estão performando nos editais.

Leia também: Publicidade deve representar 10% da receita da Netflix em 2030, afirma líder global

O foco comercial está em empresas médias e grandes de tecnologia — software e hardware —, concentradas no Sul, no Sudeste e, sobretudo, em Brasília, onde os fundadores dizem estar presencialmente ao menos duas vezes por mês. Do lado de produto, a prioridade agora é dar autonomia ao cliente para configurar seus próprios agentes, acelerando o processo.

“A grande missão da Settle é ajudar quem vende para o governo a escalar as vendas, automatizando e, principalmente, gerando dados e inteligência”, diz Brum.

O modelo de cobrança combina uma taxa fixa de manutenção da plataforma com uma cobrança variável baseada no consumo de tokens dos agentes de IA. Quanto mais agentes um cliente ativa (triagem, score, análise técnica, entre outros) e quanto maior o volume de editais processados, maior a fatura.

Nos primeiros 12 meses de operação, de fato, a startup trabalha com a projeção de fechar com cerca de R$ 1 milhão em receita.

© Dado Galdieri

Esplanada dos ministérios: 6 mil editais publicados por dia, entre as esferas municipal, estadual e federal. (Foto: Dado Galdieri/Bloomberg)

Heineken amplia aposta além da cerveja após portfólio ‘equilibrado’ crescer mais de 50%

9 de Setembro de 2026, 06:00

O setor cervejeiro brasileiro atravessou em 2025 sua pior queda fora dos anos de pandemia, pressionado por clima desfavorável, menos feriados e um consumidor que passou a direcionar parte da renda para apostas online.

Foi nesse contexto de retomada que a Heineken decidiu apostar no que descreve como uma diversificação das ocasiões de consumo. Em vez de focar apenas na cerveja, a companhia passou a buscar presença em outras situações para ampliar as oportunidades de chegar ao consumidor brasileiro.

O mote é acelerar o segmento que mais cresce dentro de casa: o portfólio de bebidas com menos álcool, menos calorias ou sem glúten, que avançou mais de 50% em vendas no primeiro semestre de 2026 ante igual período do ano anterior, enquanto o negócio tradicional cresceu em ritmo de um dígito.

A companhia formalizou a estratégia com o lançamento da plataforma +Equilíbrio, que reúne sob uma mesma comunicação marcas como Heineken 0.0, Sol Zero, Amstel Ultra, Lagunitas DayTime, a bebida proteica Mamba Protein e o chá Baer Mate, além do mais recente lançamento, Heineken Ultimate. A plataforma chegará a mais de 150 lojas em dez estados até o fim do ano, com presença em gôndolas de supermercado e em cardápios de bares e restaurantes.

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A estratégia, no entanto, não é apenas uma reação tática ao momento do setor, de acordo com Rafael Rizzi, VP de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Heineken.

“Não vemos isso como uma substituição do mercado, em que os itens tradicionais serão trocados de forma alguma. Entendemos como ampliação dos momentos de consumo”, disse Rizzi em entrevista à Bloomberg Línea.

Segundo ele, o foco é a criação de novas ocasiões de consumo para bebidas da marca. O movimento é parte de uma trajetória iniciada com a criação da categoria puro malte no Brasil, entre 2017 e 2018, e que passou pelo lançamento do ecossistema de negócios de impacto Heineken Spin em 2024 e, sobretudo, pela chegada da Heineken 0.0 ao país em 2020.

“O +Equilíbrio não veio de um estalo estratégico, mas do nosso posicionamento como companhia de acompanhar as tendências do consumidor, mas também de liderar essas tendências e fomentar avanços do setor”, disse. “Vamos alimentar o mercado com inovações, com investimento, até que o consumidor esteja interessado nessa tendência, isso pode ir muito longe”, contou.

Rafael Rizzi, VP de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Heineken (Foto: Divulgação)

Sem perder espaço

Rizzi recorreu ao conceito de “share of throat” para descrever como a companhia interpreta a mudança de comportamento do consumidor, que redistribui, mas não necessariamente reduz, suas ocasiões de consumo entre cerveja, água, bebidas proteicas e chás.

“As pessoas continuam consumindo, continuam comendo, bebendo, vivendo. As escolhas é que muitas vezes vão ser diferentes. Então é um pouco de share, de divisão do consumo”, disse.

Leia também: Com vendas em queda no mundo, Heineken nomeia CEO brasileiro para liderar turnaround

Ele afirmou que a Heineken 0.0, lançada no Brasil em 2020, deixou de ser associada apenas a momentos de restrição, como gravidez ou direção, para virar escolha por preferência.

“Quando lançamos a Heineken 0.0, em 2020, ela se tornou uma das principais substitutas de bebidas alcoólicas, muito atrelada à restrição. E hoje, com essa mudança do comportamento, temos visto que essa cerveja não é mais só uma opção para momentos de restrição”, avaliou.

Segundo ele, isso também abriu ocasiões de consumo que antes não existiam, como reuniões e almoços de trabalho. “Antes você não ia tomar uma cerveja nesse momento, mas se torna uma nova ocasião em que a cerveja não estaria e agora passa a estar”, disse.

Rizzi também relacionou o avanço do +Equilíbrio à desaceleração do boom de cervejas premium e artesanais que marcou o Brasil entre 2018 e 2022.

Segundo ele, a fatia de premium somada a artesanais saltou de menos de 5% do mercado antes de 2015 para mais de 20% hoje, patamar próximo ao de mercados maduros como Reino Unido e Estados Unidos, entre 26% e 30%. Para o executivo, essa aproximação indica que o ritmo de expansão da categoria deve desacelerar, o que reforça a aposta em abrir uma nova frente de crescimento com bebidas equilibradas.

Motor de crescimento

Apesar do avanço de mais de 50%, o executivo reconheceu que o portfólio de bebidas equilibradas ainda representa uma fatia pequena da receita total da companhia no Brasil, onde a cerveja premium já responde por mais de 70% do negócio.

Ainda assim, ele descreveu a categoria como o principal vetor de expansão da empresa no momento. “Atualmente, esse tem sido o nosso motor de crescimento, sem dúvida. Crescemos com esse portfólio de mais equilíbrio mais de 50% em comparação com o ano anterior, e os nossos itens de core business não crescem nessa faixa, crescem um single digit”, disse Rizzi.

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A aposta ganha contexto diante do desempenho do setor em 2025. Segundo Rizzi, a queda de volumes foi a mais expressiva desde a pandemia, resultado de clima desfavorável, menos feriados, cenário macroeconômico mais apertado e da concorrência por outros dois gastos que também pesam sobre o orçamento do mesmo consumidor jovem que é o maior comprador de cerveja no país.

“Tivemos influência de fatores exógenos, como as canetas emagrecedoras e as bets, que tiram o dinheiro do consumidor, exatamente o nosso consumidor”, disse o executivo, referindo-se ao público masculino de 20 a 35 anos.

Mesmo assim, Rizzi disse que a companhia não interpreta a queda como um movimento estrutural do setor, que responde por cerca de 2% do produto interno bruto brasileiro. Segundo ele, os sinais de recuperação já apareceram no último trimestre de 2025 e se confirmaram no início de 2026.

“Já vemos vários sinais de melhora, e sinais consistentes, não tão pontuais. Estamos realmente em uma retomada boa, animados e devemos fechar o ano nessa tendência”, afirmou.

Brasil à frente

Este cenário favorável no Brasil contrasta com o desafio global da companhia, que anunciou corte de até 6.000 empregos, cerca de 7% do quadro mundial, diante da retração do consumo de cerveja na Europa e nas Américas.

A entrevista com Rizzi ocorreu poucos meses antes de Rafael Oliveira, executivo brasileiro com passagens pela Kraft Heinz e pelo Goldman Sachs, assumir oficialmente o comando global da Heineken, em outubro, com foco em buscar uma retomada global da marca.

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O VP disse que a nomeação deve facilitar o diálogo entre a operação brasileira e a sede da companhia. “O fato de ser brasileiro vai nos trazer algumas coisas, uma visibilidade para nós até um pouco diferenciada”, disse.

Com Oliveira, a Heineken passa a ter três brasileiros em posições de liderança global, ao lado de Maurício Giamellaro, CEO da Heineken Brasil, e de Alex Carreteiro, presidente regional para as Américas, baseado em Miami.

Com a liderança de um brasileiro, o mercado local fica mais conhecido na sede global, segundo ele. “Eliminamos a necessidade de explicação sobre o cenário brasileiro, de convencimento, ele já parte nos conhecendo”, afirmou.

© Ksenia Kuleshova

Em vez de focar apenas na cerveja que continua sendo o negócio central da marca, ela vai buscar uma presença em outras situações para ampliar as oportunidades de chegar ao consumidor brasileiro (Foto: Ksenia Kuleshova/Bloomberg)

Brasil perde mercado automotivo na Argentina com avanço de carros chineses, diz Anfavea

8 de Setembro de 2026, 14:23

Em meio ao avanço acelerado dos carros chineses na América Latina, o Brasil vem perdendo participação no mercado argentino, principal destino dos embarques brasileiros.

Segundo a Anfavea, associação que representa as montadoras instaladas localmente, de janeiro a agosto as exportações de veículos recuaram 24,2% ante o mesmo período do ano passado.

O presidente da entidade, Igor Calvet, afirma que a Argentina representa quase que a totalidade da queda registrada no período.

“Com o avanço das marcas chinesas, a concorrência na Argentina está cada vez maior. Estamos perdendo market share no mercado argentino de maneira muito rápida”, disse o dirigente a jornalistas nesta terça-feira (8).

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Ele acrescentou que a retração no mercado automotivo doméstico da Argentina dificulta o ambiente de negócios para as montadoras instaladas no Brasil.

“Basicamente, a origem da queda dos nossos embarques é o mercado argentino. Isso é bastante preocupante para nós”, destacou.

O único mercado latino onde o Brasil cresceu no período foi o da Colômbia. “Em todos os demais, nós tivemos queda”, disse.

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No mercado brasileiro, de janeiro a agosto a produção total de veículos, incluindo caminhões e ônibus, atingiu 1,89 milhão de unidades, alta de 8,5% sobre igual período do ano passado.

Já os emplacamentos registrados pela Anfavea no acumulado até agosto alcançaram 1,97 milhão de unidades, crescimento de 18,4% na mesma base de comparação. “O mercado interno continua aquecido”, diz Calvet.

No entanto, a preocupação em torno do avanço das marcas chinesas no Brasil persiste. De acordo com Calvet, dos 10 modelos mais vendidos do país em agosto, quatro são de marcas chinesas.

Na visão do dirigente, para este ano a tendência ainda é de um ambiente de forte concorrência, com um crescimento expressivo dos veículos importados da China.

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Isso ocorre em meio à prorrogação, até dezembro de 2026, da alíquota reduzida do imposto de importação para veículos montados (CKD), o que levou a um aumento expressivo dos estoques de carros chineses no país para aproveitar o benefício.

“Isso tem levado as empresas a oferecer condições comerciais muito especiais a fim de conseguirem competir nesse novo mercado. Creio que essa tendência deve continuar.”

Calvet relatou que os estoques totais de veículos no setor somam, hoje, o equivalente a 120 dias de vendas. “Grande parte desse estoque é derivado da China.”

Neste cenário, o dirigente afirmou que mesmo o aumento expressivo das vendas de modelos eletrificados “nacionais” vem, em grande parte, da montagem nos formatos CKD e SKD.

“É uma luta antiga da Anfavea para termos uma sofisticação da produção, mas que por enquanto ainda não aconteceu. Esperamos que esta seja uma fase transitória”, afirmou Calvet.

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O avanço de marcas como a BYD vem reduzindo a participação do Brasil na região (Foto: Francisco Aldaya/Bloomberg Línea)

O efeito Trump na eleição brasileira

8 de Setembro de 2026, 06:40

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Desde que assumiu o segundo mandato, o presidente americano Donald Trump acumulou decisões que atingem diretamente o Brasil: tarifas sobre exportações brasileiras, a denominação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington e sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

A leitura mais comum sobre esse conjunto de medidas é a de que cada nova ação de Trump contra o país empurra o eleitorado a se posicionar a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), na disputa de outubro.

Para Matias Spektor, professor titular e diretor da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), essa relação não é automática.

“É muito precipitado fazer qualquer cálculo eleitoral de que, se Trump toma uma decisão anti-governo Lula, isso necessariamente produz uma reação unificada do eleitorado pró-Lula. É mais complexo do que isso”, disse Spektor, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea.

O argumento central de Spektor é que a opinião pública brasileira reage de forma distinta dependendo do tema em disputa, e não de maneira uniforme a qualquer gesto de Trump contra o Brasil.

⇒ Leia a reportagem: Nem toda decisão de Trump beneficia Lula na eleição, diz Matias Spektor, da FGV

Matias Spektor, professor e diretor da Escola de Relações Internacionais da FGV, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta terça-feira (8), enquanto o petróleo Brent sobe e se aproxima de US$ 100 por barril, o que reforça as expectativas de que os bancos centrais terão de elevar os juros para conter a inflação.

- Flávio Bolsonaro empata com Lula. Uma pesquisa Quaest publicada na segunda-feira (7) mostrou os dois candidatos com 41% das intenções de voto em um eventual segundo turno. Flávio busca explorar a turbulência envolvendo o ministro do STF Alexandre de Moraes para mobilizar eleitores conservadores.

- BYD eleva aposta em vendas fora da China. A montadora chinesa estabeleceu a meta de vender mais de 2,5 milhões de veículos no exterior em 2027 e elevou a projeção para 2026 a até 2 milhões, segundo o Deutsche Bank. A expansão internacional ganha importância em meio à disputa de preços na China.

- Canadá eleva tarifas contra os EUA. Entram em vigor nesta terça tarifas de até 50% sobre centenas de produtos americanos, incluindo aço e bens de consumo, em retaliação às tarifas impostas por Washington. A medida ocorre após o fracasso das negociações entre os dois países e eleva o risco de uma nova escalada comercial.

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🔘 As bolsas na sexta-feira (04/09): Dow Jones Industrials (+0,51%), S&P 500 (-0,38%), Nasdaq Composite (-0,29%), Stoxx 600 (+0,12%), Ibovespa (-0,02%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

• BlackRock e JPMorgan apostam em emergentes diante de turbulência global de títulos

• Cobre atinge o maior valor da história com preocupações sobre tarifas e oferta

• Chanceler alemão promete medidas após vitória da extrema direita: ‘profundamente chocado’

• Também é importante: Sem abrir mão do status, Vega Sicília quer ser ‘mais acessível’ com dados e eficiência | Alemã Fraport assume Jericoacoara e promete modernizar aeroporto da capital do kitesurfe

• Opinião Bloomberg: Qual é o equilíbrio ideal entre gastar por prazer e poupar para o futuro

• Para não ficar de fora: Produção de champagne na França deve cair pela metade com ondas de calor e seca

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Nem toda decisão de Trump beneficia Lula na eleição, diz Matias Spektor, da FGV

8 de Setembro de 2026, 06:00

Desde que assumiu o segundo mandato, o presidente americano Donald Trump acumulou decisões que atingem diretamente o Brasil: tarifas sobre exportações brasileiras, a denominação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington e sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

A leitura mais comum sobre esse conjunto de medidas é a de que cada nova ação de Trump contra o país empurra o eleitorado a se posicionar a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), na disputa de outubro.

Para Matias Spektor, professor titular e diretor da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), essa relação não é automática.

“É muito precipitado fazer qualquer cálculo eleitoral de que, se Trump toma uma decisão anti-governo Lula, isso necessariamente produz uma reação unificada do eleitorado pró-Lula. É mais complexo do que isso”, disse Spektor, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea.

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O argumento central de Spektor é que a opinião pública brasileira reage de forma distinta dependendo do tema em disputa, e não de maneira uniforme a qualquer gesto de Trump contra o Brasil.

Ele cita as tarifas como o exemplo em que essa reação mais se aproximou do padrão esperado: pesquisas mostraram um eleitorado unido contra a medida, avaliada como ilegítima, o que permitiu a Lula capitalizar o episódio em torno de um discurso de defesa da soberania nacional.

Leia também: Crise de Alexandre de Moraes acirra disputa de poder no Supremo

A denominação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, no entanto, já não seguiu o mesmo padrão. Outro caso citado por Spektor é o das sanções sob Lei Magnitsky aplicadas no ano passado por Trump contra Alexandre de Moraes, e depois removidas, que limitavam a capacidade do ministro de operar nos Estados Unidos.

A reação inicial ao episódio, segundo ele, mobilizou o eleitorado contra a medida americana, entendida como violação à soberania brasileira. Mas revelações recentes sobre a relação de Moraes com Daniel Vorcaro, do Banco Master, podem alterar essa percepção.

“Haverá gente que diz que o processo de sanção ao Alexandre de Moraes passa a ser legítimo, no mundo em que o Brasil precisa combater um crime organizado que a gente sabe hoje, graças à Operação Carbono Oculto, que não é apenas de organizações criminosas”, disse.

Spektor também aponta uma divisão na forma como o eleitorado brasileiro avalia Trump como líder político, distinta da avaliação sobre medidas pontuais como as tarifas.

Segundo pesquisas citadas por ele, enquanto havia consenso contra as tarifas, o eleitorado se divide ao meio quando perguntado sobre Trump como liderança: cerca de metade dos respondentes o classifica como uma liderança política forte, e uma proporção semelhante chega a dizer que o Brasil precisaria de uma liderança como a dele.

Para Spektor, a conclusão prática é que qualquer previsão sobre o efeito eleitoral de uma nova decisão de Trump contra o Brasil depende do tema específico em jogo, e não apenas da origem americana da medida.

“De novo, eu acho que é super precipitado a gente fazer uma ligação direta entre intervenção americana e uma vantagem estrutural para a candidatura do presidente Lula e uma desvantagem estrutural para a candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Essas coisas não são tão óbvias assim”, afirmou.

Pior momento da relação bilateral Brasil-EUA

Spektor descreve o momento atual como o pior da relação entre Brasil e Estados Unidos desde a década de 1980, quando o país saiu da ditadura.

Ele cita as tarifas, as sanções contra ministros do Supremo e a denominação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas como fatores dessa deterioração, somados à atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos durante o período.

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Ainda assim, na comparação com outros países em desenvolvimento de porte semelhante, como África do Sul, México, Turquia, Índia, Indonésia e Filipinas, Spektor avalia que a posição brasileira permanece favorável.

“O Brasil não está muito mal. E isso eu acho que é importante dizer, porque isso ajuda a chegar a conclusão, a meu ver, de que nada está perdido”, disse, ao apontar fluxo de comércio, investimento direto e cooperação militar e policial entre os dois países como pontos que sustentam essa leitura.

Spektor aponta os ativos do Brasil como um dos motivos pelos quais os Estados Unidos não têm interesse em uma ruptura completa com o país.

Ele cita a capacidade brasileira de produzir energia “suja e limpa, as reservas de minerais críticos, a produção de alimentos e a disponibilidade de água.

Sobre os minerais, faz uma ressalva quanto ao estágio do país: “A gente não conseguiu ainda mapear todo o território nacional. A gente não consegue saber e estimar a que custo a gente consegue tirar esses materiais da Terra.”

Para Spektor, o obstáculo à conversão desses ativos em benefício para a população não vem de fora. “O maior inimigo do Brasil não são os Estados Unidos nem a competição geopolítica. O maior inimigo do Brasil é o próprio Brasil”, disse, citando o sistema político e os marcos regulatórios como entraves.

Spektor atribui a empresários, e não a negociações entre governos, o avanço nas tratativas sobre as tarifas americanas. Ele cita Joesley Batista, da JBS, como um dos nomes que ajudaram a destravar o diálogo, e recorda que o Congresso aprovou uma lei de reciprocidade sem que o governo brasileiro chegasse a usá-la.

“É um instrumento meio bomba atômica. Você pode ter e você pode tirar uma vantagem tendo, mas você não quer usar. E o governo brasileiro corretamente não usou”, afirmou.

Ao comparar a postura do Brasil com a do Canadá, que retaliou as tarifas americanas, Spektor atribui a diferença ao grau de dependência comercial de cada país em relação aos Estados Unidos, hoje equivalente a 11% da pauta de exportações brasileira.

Ceticismo sobre ‘Doutrina Trump’

Spektor rejeita a comparação entre a atuação de Trump na região e uma nova Doutrina Monroe. Segundo ele, a estratégia americana de conter a presença chinesa e russa fracassou no primeiro mandato e tem resultados mistos no segundo: funcionou em países da América Central, como El Salvador e Panamá, mas não avançou na América do Sul, onde cita os casos do Peru, do Chile e da Argentina.

Matias Spektor, professor e diretor da Escola de Relações Internacionais da FGV, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea

Sobre o governo de Javier Milei, que buscou alinhamento com Washington e recebeu ajuda financeira da Casa Branca, Spektor pondera que a proximidade política não se traduziu em afastamento da China.

“O futuro do amor do Trump ao Milei é uma pergunta aberta. Eu não daria isso como claro, claríssimo”, disse. P

ara Spektor, a fragilidade da diplomacia americana na região também explica os limites da estratégia: “O Departamento de Estado, o equivalente ao Itamaraty dos Estados Unidos, vem perdendo gente há muito tempo. Perde gente, perde influência.”

Prioridades para o próximo governo

Questionado sobre a agenda internacional do próximo presidente, Spektor cita o combate ao crime organizado como prioridade, diante da infiltração identificada pela Operação Carbono Oculto no sistema financeiro, na política e no Congresso.

Ele defende ainda um pivô do comércio exterior brasileiro em direção à Ásia, região que hoje concentra o centro de gravidade das exportações do país, e aponta a transição energética como uma oportunidade para o Brasil, tanto produtor de petróleo quanto de energia limpa.

Por fim, cobra um plano de transição ecológica para a produção agrícola, diante de exigências ambientais da União Europeia que, segundo ele, o bloco não aplica a si mesmo. “O país que hoje lidera a transição ecológica não é um país da Europa, é a China. Então, mais dia, menos dia, a nossa pegada de carbono na agricultura brasileira vai virar um problema para nossa relação comercial com a China”, afirmou.

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© Bloomberg Línea

Matias Spektor, professor e diretor da Escola de Relações Internacionais da FGV, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea

Inditex retoma expansão no Brasil com nova Zara em Porto Alegre e Bershka, em Brasília

7 de Setembro de 2026, 06:00

A espanhola Inditex, dona da varejista Zara, retomou a expansão geográfica no Brasil e vai levar duas de suas marcas a capitais fora do eixo Rio-São Paulo até o fim de 2026.

A Zara abre neste mês no BarraShoppingSul, em Porto Alegre. A Bershka chega a Brasília antes de dezembro, na terceira loja da etiqueta jovem no país, informou o grupo espanhol em comunicado enviado à Bloomberg Línea.

A companhia descreve o movimento como um desenvolvimento seletivo, acompanhando a evolução da demanda dos clientes e buscando as melhores localizações para cada marca.

A rede brasileira somava 56 endereços e mais de 3.000 empregados ao fim de agosto, também segundo a nota. São 45 lojas da Zara, nove da Zara Home e duas da Bershka.

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Todas as praças citadas no comunicado pertencem à Multiplan (MULT3). A administradora carioca virou a porta de entrada do conglomerado espanhol no Brasil.

Porto Alegre marca um retorno. A bandeira principal manteve loja no BarraShoppingSul, na zona sul da capital gaúcha, por 14 anos, e deixou o shopping em 2022. Restou na cidade apenas a unidade do Iguatemi.

A nova operação ocupará 2.643 metros quadrados no primeiro piso e será a maior da rede no Rio Grande do Sul, informou o empreendimento. A abertura será neste mês, quando o BarraShoppingSul também ganha uma loja da francesa Sephora, marca da LVMH.

Bershka em Brasília

A Bershka estreou no Brasil em março, no MorumbiShopping, em São Paulo, e abriu no último dia 27 de agosto no BarraShopping, no Rio de Janeiro, com mais de 1.000 metros quadrados de área comercial.

Os dois shoppings são da Multiplan (MULT3). O único empreendimento da administradora em Brasília que abriga uma loja da Zara é o ParkShopping, no Guará.

O ParkShopping deve inaugurar em 18 de novembro sua 10ª expansão, com R$ 221 milhões investidos, mais de 9 mil metros quadrados de ABL (Área Bruta Locável) e cerca de 60 novas operações. Entre as estreias já anunciadas estão Coach, Michael Kors, Dolce & Gabbana Beauty e Hoka.

Ao instalar a etiqueta jovem em praças já testadas pela bandeira principal, a Inditex encurta o tempo de maturação da loja e trabalha com público e fluxo medidos. O ParkShopping registrou 12 milhões de visitas e R$ 1,84 bilhão em vendas em 2025, com 84% do público nas classes A e B, segundo dados da Multiplan.

Enquanto avança em novas capitais, a companhia atualiza e amplia o que já tem, na Zara e na Zara Home. A política, que o relatório anual do grupo chama de otimização de rede, reduz o número de endereços e amplia a área de vendas por unidade.

O Brasil entrou nesse ciclo em outubro de 2025, quando a Zara reinaugurou sob novo conceito as lojas do ParkShoppingBarigüi, em Curitiba, e do Iguatemi Porto Alegre, com cerca de 2.000 metros quadrados cada. O shopping curitibano também é da Multiplan.

A maior dessas obras está no Rio. A loja da Zara no BarraShopping reabre ampliada neste segundo semestre, no mesmo empreendimento em que a Bershka acaba de estrear.

As lojas seguem os conceitos mais recentes das marcas, com atenção à experiência do cliente e à integração entre os canais físico e digital, informou a companhia. O modelo permite consultar a disponibilidade de produtos, localizar itens dentro da loja e retirar gratuitamente pedidos feitos pela internet.

Em 2021, a Zara fechou sete lojas no país, as menores da rede e sem estrutura para unir canal físico e online. Campo Grande, Joinville e Uberlândia ficaram sem atendimento presencial, e a marca saiu de São Bernardo do Campo, Vila Velha e São José.

A Zara Home recuou em Fortaleza, onde chegara com a Zara na expansão do Iguatemi de 2014 e hoje não aparece no mix. Cinco anos depois, a companhia refaz o caminho inverso, com lojas maiores e a marca jovem à frente.

Estratégia continental

O avanço para novas praças acompanha o plano da matriz para o continente. O presidente-executivo, Óscar García Maceiras, anunciou em março, na apresentação dos resultados anuais, que a Bershka abriria suas primeiras lojas físicas no Brasil e nos EUA em 2026, e que o grupo chegaria ao 99º mercado com a estreia da Zara em Curaçao.

A pressa com a marca jovem responde ao ponto mais frágil da companhia no país. A Zara nunca disputou o consumidor de baixo tíquete, faixa em que o mercado mais mudou nos últimos dois anos.

A concorrente H&M avançou para novas capitais no mesmo semestre. A varejista sueca anunciou em 13 de agosto quatro lojas, entre elas as duas primeiras do Nordeste, nos shoppings RioMar Recife e RioMar Fortaleza, além do NorteShopping e do Shopping Tijuca, no Rio de Janeiro. A rede chegará a 13 endereços no país, em três das cinco regiões, e estima mil novos postos de trabalho.

A Bershka trabalha com preços abaixo dos da Zara e mira o público de 13 a 25 anos. Soma 854 lojas em 68 mercados e é a segunda maior cadeia do conglomerado.

Falta ao calendário a terceira marca prometida ao país. A Massimo Dutti, do luxo acessível, teve a vinda confirmada por Maceiras em assembleia de acionistas de julho de 2025 e foi apresentada em janeiro ao lado da Bershka como estreia de 2026, conforme a Bloomberg Línea publicou. Nunca houve local nem data.

A Inditex encerrou 2025 com 5.460 lojas no mundo, receita líquida de € 39,9 bilhões e lucro de € 6,2 bilhões, segundo o balanço anual. É o maior conglomerado de moda do mundo e reúne ainda Pull&Bear, Stradivarius, Oysho e Lefties, nenhuma delas no Brasil.

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Sem abrir mão do status, Vega Sicília quer ser ‘mais acessível’ com dados e eficiência

6 de Setembro de 2026, 06:00

Jessica Julmy assumiu um desafio de peso ao assumir a direção-geral da vinícola Tempos Vega Sicília, um ano atrás. À frente de alguns dos maiores ícones entre os vinhos da Espanha, ela tem atuado para preservar o status e o legado dos rótulos da casa enquanto busca atualizar processos para aproximar os consumidores das marcas já consolidadas no mercado global.

“Gostaria que nos tornássemos mais acessíveis”, disse a executiva em entrevista à Bloomberg Línea durante um jantar de apresentação da safra mais recente da vinícola, em São Paulo.

Segundo ela, a palavra “acessível” tem que ser entendida dentro de um contexto específico, entretanto. “Claro que são vinhos raros, únicos, com um determinado preço. Temos que respeitar isso. Mas quero que as pessoas curiosas se sintam à vontade para ter esse contato, não achem que é algo fora da realidade”, disse.

A ideia, segundo ela, é mostrar que mesmo que uma garrafa de Vega Sicília Único seja cara (a importadora Mistral traz a safra 2013 ao Brasil com exclusividade por R$ 8.775,72), ela pode ser comprada sem desafios impostos pelo mercado. É um contraste com o que ocorre com os grandes vinhos da França, segundo ela.

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“É algo tão escasso quanto os vinhos de alguns produtores da Borgonha? Nem tanto. É um vinho raro, mas que pode ser encontrado. Podemos figurar em cartas de vinhos e estar nas adegas de colecionadores, mas não é algo impossível de achar”, explicou.

Se o preço pode continuar sendo uma barreira, ela argumenta que são vinhos preparados com um cuidado histórico, e que levam tempo para ficar prontos. Cada garrafa de Único, explicou, é lançada cerca de dez anos após a colheita da uvas, depois de passar por barricas de madeira, cubas e envelhecimento em garrafa.

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“Isso exige um capital imobilizado enorme, mas é uma escolha consciente. E acho que isso também torna o vinho mais acessível, porque você pode guardá-lo por décadas, mas também pode bebê-lo assim que compra. Hoje isso é interessante para uma geração mais jovem que talvez não tenha a adega ou a paciência”, afirmou.

O vinho Vega Sicília Unico, ícone da Espanha

Modernidade e tradição

Julmy se tornou a primeira mulher a dirigir a vinícola espanhola. De origem suíça, criada em Chicago formada em administração de empresas pela Georgetown University e fluente em mandarim, ela passou pelo mercado imobiliário na China e na Argentina, fez MBA na London Business School e trabalhou na LVMH, como diretora comercial da Krug e na diretoria de vendas da Moët Hennessy no Reino Unido, antes de assumir o comando de uma empresa familiar centenária.

O primeiro ano à frente do grupo, segundo ela, foi dedicado sobretudo a ouvir. O desafio foi reconhecer reações automáticas da experiência corporativa e testar se faziam sentido em um negócio tão diferente. “Percebi que eu tinha muitas reações baseadas no que já sabia e no que achava certo, e me desafiei a pensar: a Tempos Vega Sicília é extremamente bem-sucedida. O que a tornou assim? O que se mantém e o que precisa evoluir?”, contou.

Grande parte da resposta a essas perguntas gira em torno do papel histórico do CEO da vinícola, Pablo Álvarez, à frente da empresa por décadas. “Ele construiu praticamente sozinho o que a Tempos Vega Sicília é hoje. Para muita gente, a Vega Sicília é o Pablo”, disse Julmy.

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Para ela, o objetivo agora é dar à empresa uma estrutura que sustente esse legado além de uma única pessoa. “Como criamos uma estrutura, como mantemos um negócio familiar, com todas as suas particularidades, e ao mesmo tempo trazemos mais governança e processos para torná-lo sustentável nas próximas décadas?”, questionou. Ela descreveu o processo como uma corda bamba entre importar práticas de grandes empresas internacionais e reconhecer o que já funciona e não deve ser mudado.

A executiva disse enxergar espaço de avanço na eficiência interna, a começar pela digitalização de processos administrativos. “Existem frutas fáceis de colher no que não é glamouroso, a parte administrativa. São os fundamentos de administrar um negócio”, afirmou.

Um caso concreto disso é a relação com Brasil, segundo ela, terceiro maior mercado do grupo nas Américas, com cerca de 5% das vendas globais e 65 mil garrafas por ano. Essa cota, disse ela, ainda é distribuída por um sistema de alocação de cima para baixo, sem separar demanda real de decisão administrativa.

“Venho querendo inverter um pouco essa lógica. Quero que sejamos mais orientados a dados, aos poucos, e mais atentos a onde existe demanda genuína para poder alocar a partir daí”, explicou.

Ela disse ter se surpreendido com a força do grupo na América Latina. “O que foi completamente novo para mim é a força da Tempos Vega Sicília na América do Sul. Temos uma presença acima da média em comparação a outros mercados”, afirmou.

Diferentemente do que costuma orientar marcas de luxo, crescimento em volume não é a métrica que guia as decisões da Vega Sicília, segundo Julmy. “Crescimento não é uma palavra que está na minha agenda todos os dias. O foco é qualidade e inovação”, afirmou.

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Ela lembrou que Álvarez sempre limitou deliberadamente a produção diante da demanda. “Um selo de qualidade e luxo é uma coisa quando você produz algumas centenas ou milhares de garrafas de um vinho de topo. É outra coisa muito diferente produzir 300 mil garrafas de Pintia (rótulo da vinícola produzido na região de Toro)”, disse.

Essa disciplina ajuda a explicar o faturamento estável em 90 milhões de euros, o mesmo patamar informado por Álvarez em entrevista à Bloomberg Línea durante visita ao Brasil um ano antes, com produção anual próxima de 1,3 milhão de garrafas.

“A prioridade um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez sempre foi o vinho. A qualidade do vinho”, disse.

© Diego Pelaez

Jessica Julmy diretora-geral da vinícola Tempos Vega Sicília (Foto: Divulgação)

Alemã Fraport assume Jericoacoara e promete modernizar aeroporto da capital do kitesurfe

5 de Setembro de 2026, 17:44

O aeroporto de Jericoacoara, no litoral do Ceará, tem cobertura de palha, dois portões e nenhuma ponte de embarque. Os passageiros atravessam o pátio a pé, por uma faixa azul pintada no chão, para chegar às aeronaves. É esse terminal rústico, construído em 2017 para atender o turismo na capital brasileira do kitesurfe, que a Fraport Brasil, empresa alemã, assumiu no último dia 1º de setembro.

A concessionária, que já opera os aeroportos de Fortaleza e Porto Alegre, promete R$ 101,1 milhões em obras para modernizar a infraestrutura e preparar o terminal para o crescimento da demanda, segundo comunicado.

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A concessão saiu do leilão de 27 de novembro de 2025, dentro do programa federal AmpliAR, voltado a aeroportos regionais, com o contrato assinado em 10 de março. Jericoacoara foi o único dos 19 aeroportos ofertados a receber mais de uma proposta: em disputa a viva-voz, a Fraport bateu a GRU Airport e a PRS Aeroportos.

No AmpliAR, quem assume um aeroporto deficitário é compensado com reequilíbrio no contrato que já opera. A Fraport ofereceu 100% de deságio e abriu mão dessa compensação. Jericoacoara entra na concessão de Fortaleza, que vai até 2047.

A Fraport não informou o prazo de execução dos R$ 101,1 milhões. Segundo a empresa, as primeiras intervenções e seus prazos só serão definidos após a validação de projetos e estudos em andamento.

“A Fraport chega a Jericoacoara com experiência internacional e disposição de entender as características locais”, afirmou Andreea Pal, CEO da Fraport Brasil, em nota. O compromisso, segundo ela, é tornar o aeroporto mais seguro, eficiente e preparado para o crescimento.

O terminal mantém o nome oficial de Aeroporto Regional de Jericoacoara – Comandante Ariston Pessoa e passa a usar também a marca comercial Jeri Airport. SBJE é seu código no sistema internacional de identificação de aeródromos.

O movimento total de Jericoacoara ainda é pequeno: 2.997 pousos e decolagens em 2025, o que coloca o terminal na 88ª posição entre os 100 aeródromos monitorados pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

São oito movimentos por dia. Fortaleza, o outro aeroporto da concessionária no Ceará, fez 55.234 no mesmo período e está em 17º lugar.

Leia também: Com ex-XP como parceiro, marca hoteleira escolhe paraíso de kitesurfe para estreia no Brasil

A aviação comercial, que opera com linhas regulares da Azul, Gol e Latam, caiu 10% em 2025. Fortaleza, a cerca de 300 quilômetros por terra, tem voos mais frequentes e conexões internacionais, e é a porta de entrada alternativa para quem chega à região.

Em sentido oposto, a aviação geral (jatos executivos, táxi aéreo e voos particulares) disparou 27% em 2025 na comparação com 2024, somando 1.097 movimentos no ano. A conta dá três jatos por dia, em média. Em agosto e novembro, esse segmento chegou a superar os voos comerciais.

Kitesurfe na região do litoral de Jericoacoara,  como a Praia do Preá, no Ceará, atrai estrangeiros como franceses devido à velocidade constante dos ventos no segundo semestre

Meta é internacionalização do terminal

A mudança de perfil não é acidental. Jericoacoara é destino global do kitesurfe, esporte que depende de ventos fortes entre julho e janeiro. É nessa janela que o aeroporto registra seus picos de movimento.

Em julho de 2026, foram 321 movimentos, 82% mais que em junho, segundo o relatório do Decea. O turista que pratica kitesurfe costuma ter alto poder aquisitivo. Ele viaja de jato.

A praia do Preá, vila de pescadores no município de Cruz, tem “potencial turístico gigantesco”, e o aeroporto é peça central da estratégia, disse em junho o secretário de Turismo do Ceará, Gustavo Montenegro.

A internacionalização do terminal é meta do governo estadual: “É um trabalho longo, envolve Polícia Federal, Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], Ministério da Agricultura, Receita Federal”.

A infraestrutura atual, porém, ainda é modesta. O terminal tem cobertura de palha sobre estrutura de madeira. Os balcões de check-in ainda carregam a marca do governo do Ceará. Painéis fotográficos das praias da região cobrem as paredes do saguão. Aeronaves comerciais e jatos particulares dividem o mesmo pátio. Uma escada rebocada atende os passageiros dos jatos, com serviços da Dnata, empresa de assistência em solo (handling) que opera no aeroporto.

O terminal de Jericoacoara, com cobertura de palha sobre estrutura de madeira, vai passar por obras de reforma. O calor da região exige reforço no sistema de refrigeração.

Desafio da infraestrutura

Os investimentos previstos pela Fraport Brasil miram justamente essas lacunas. A lista de obras inclui ampliação do pátio de aeronaves, construção de áreas de segurança nas cabeceiras da pista, reforma do terminal de passageiros e adequações operacionais.

O aeroporto tem hoje poucos slots (horários de pousos e decolagens) para aviação geral e não comporta ainda voos internacionais.

O governo do Ceará também investe na região. Estão em obras R$ 99 milhões em saneamento, drenagem e abastecimento de água no Preá, segundo Montenegro. “Não existe turismo sem a sustentabilidade correr em paralelo os dois juntos”, afirmou.

O movimento de jatos executivos em Jericoacoara não é um fenômeno isolado. A Anantara, marca tailandesa de resorts de luxo, escolheu a praia do Preá, a 20 minutos do aeroporto, para sua estreia no Brasil, em parceria com o Grupo Carnaúba, liderado por Júlio Capua, cofundador da XP.

O resort de R$ 150 milhões, com inauguração prevista para 2028, é a âncora de um projeto imobiliário de R$ 5 bilhões que busca transformar a região em um destino turístico planejado, segundo disse o executivo em junho.

Galpão de palha (palhoça) para abrigo de jangadas, embarcações de madeira da pesca artesanal, na Praia do Preá (Cruz-CE), a 30 min do Aeroporto de Jericoacoara

A Latam foi uma das primeiras companhias aéreas que apostaram no fluxo de turistas para o paraíso dos ventos. Em dezembro de 2021, a empresa pousou pela primeira vez em Jericoacoara.

O voo chegou de Guarulhos com 80% de ocupação e os passageiros foram recebidos com rapadura embrulhada em juta e algodão cru, uma homenagem à cultura local. Na mesma época, Gol e Azul também anunciavam rotas para o destino.

A conexão entre os dois terminais já aparece nos números. Em 2025, a rota Fortaleza-Jericoacoara somou 348 movimentos, 178 em um sentido e 170 no outro.

Em nota, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, projetou que a região deve se tornar polo de desenvolvimento.

Referência mundial em ventos fortes, a região de Jericoacoara e da Praia do Preá é informalmente tratada por velejadores como a capital do kitesurfe avançado. O destino divide o protagonismo no estado com a Praia do Cumbuco, perto de Fortaleza, que detém o título oficial de Capital Nacional do Kitesurfe concedido pelo Senado Federal por ser o polo ideal para o aprendizado e o freestyle, com ventos mais moderados e lagoas de águas planas, como a do Cauípe.

 Veículos UTV (Can-Am) para turismo de aventura, na Praia do Preá, se multiplicam na região de Jericoacoara, com logística facilitada pelo aeroporto regional e avanço de projetos imobiliários para alta renda

O que busca o turista

O viajante que desembarca hoje no terminal de palha busca as praias de Jericoacoara, Preá e Tatajuba, com suas dunas e lagoas que formam a Rota das Emoções, um roteiro de mais de 500 quilômetros que liga Ceará, Piauí e Maranhão passando por paisagens que vão dos Lençóis Maranhenses ao Delta do Parnaíba.

Os velhos buggys que roncavam nas dunas dividem espaço com os veículos da canadense Can-Am, dos quadriciclos Outlander aos UTVs Commander e Maverick, maiores, mais potentes e com direção estilo carro. Eles levam hóspedes pelas areias de uma faixa de praia onde os terrenos se valorizam, e as vilas de pescadores perdem espaço.

Leia também: Zurich Airport vende fatia no Aeroporto de Confins para a mexicana ASUR por R$ 109,5 mi

Enquanto os jatos executivos pousam em Jericoacoara, outra movimentação acontece no solo do Preá. Aos interessados em investir na região, o corretor Carlos Aleixo resume à Bloomberg Línea o apelo da vila em poucas palavras: “É uma vila sossegada, zero criminalidade, zero mortes. Não tem muita burocracia para construção”.

Ele oferece terrenos à beira-mar de 560 m² por R$ 4,2 milhões, em uma faixa da praia do Preá que concentra escolas de kitesurfe ligadas a pousadas e hotéis.

Pedra Furada, em Jericoacoara, litoral do Ceará, que foi descoberta pelos estrangeiros nos anos 1990 após ser descrita como uma das praias mais bonitas do Brasil

Em frente, a Pedra da Sereia, formação rochosa que emerge na faixa de areia e marca o relevo do mar, é um dos pontos turísticos da região.

Segundo o corretor, a maioria das terras no Preá ainda não tem matrícula regularizada. “Aqui os grandes empresários e gringos sempre compraram sem matrícula e nunca tiveram problema”, afirma.

O Preá fica fora dos limites do Parque Nacional de Jericoacoara, criado em 2002 a partir da antiga área de proteção ambiental de 1984 e que se estende pelos municípios de Jijoca e Cruz.

Em 1997, o Estado criou uma política de regularização fundiária para as terras de Jericoacoara, pela Lei 12.760, com o objetivo de conter a venda irregular e garantir a propriedade aos posseiros.

A paisagem de areia e coqueiros, que já foi ocupada por restaurantes rústicos, agora atrai compradores em busca de lotes de 10 por 20 metros, muitos vindos de fora do estado e até do exterior, interessados por um pedaço do paraíso dos ventos antes que os preços subam ainda mais.

Corretoras de imóveis prospectam famílias interessadas em vender terrenos no município vizinho de Acaraú, como na quase deserta praia de Aranaú. Na faixa que segue pelas praias de Barrinha de Baixo, Carrapateiras e do Morgado, dezenas de jumentos vagam entre dunas e lagoas, e ao longe giram os aerogeradores erguidos pela Energimp, subsidiária da argentina IMPSA.

O cenário ajuda a explicar o fascínio que atrai visitantes desde os anos 1990, na esteira da popularização da vizinha Jericoacoara e de seu cartão-postal, a Pedra Furada, arco de quartzito esculpido pelo vento e pelo mar.

Jericoacoara, do tupi, significa buraco das tartarugas, segundo o Ipece, instituto de pesquisa do governo do Ceará. A explicação corrente é que o nome remete à desova de tartarugas marinhas na praia. Pescadores antigos contam outra versão: o nome viria do serrote do farol, que visto do mar lembra um jacaré deitado.

A projeção internacional da vila vem de antes. Em 15 de março de 1987, a revista dominical do The Washington Post publicou um ensaio (Beauty and the Beach) de viagem do colaborador Cal Fussman sobre Jericoacoara, então uma vila de pescadores sem energia elétrica e sem hotéis, onde os visitantes dormiam em redes armadas na casa dos moradores.

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O terminal com cobertura de palha de carnaúba, palmeira típica do litoral nordestino mais próximo da região amazônica, vai receber investimento de R$ 101 milhões em obras. (Foto: Sérgio Ripardo/Bloomberg Línea)

Beauty tech vira ‘isca’ de farmácias para atrair a alta renda e elevar as vendas

4 de Setembro de 2026, 12:44

Pontos tradicionais de venda de remédios, produtos de higiene e cosméticos, as farmácias no Brasil têm passado por uma transformação. Muitos estabelecimentos agora apostam também na oferta de serviços e produtos de tecnologia de beleza, antes disponíveis apenas em centros especializados, para ir além dos produtos tradicionais.

Redes que cresceram vendendo medicamentos genéricos agora instalam câmeras que fotografam o rosto do cliente, estimam a idade da pele e apontam manchas e oleosidade, e fazem a recomendação de produtos para o tratamento na hora. Ao lado, máscaras de LED prometem em casa o que antes só se fazia em consultório dermatológico.

É o beauty tech, categoria que saiu das clínicas para o balcão em boa parte do varejo farmacêutico mundial, do Reino Unido, com a Boots, aos Estados Unidos, com a CVS. O motivo é o mesmo em qualquer país: a margem do remédio encolheu e muitas redes buscam expandir suas fontes de receitas.

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Essa tendência avança nas regiões de alta renda da capital paulista. Na Nissei, oitava maior rede do Brasil em faturamento, o scanner facial é oferecido como uma espécie de mimo para atrair vendas: quem gasta acima de R$ 200 na loja dos Jardins leva a avaliação de pele ou de cabelo, e acima de R$ 400, as duas. O diagnóstico virou moeda de troca por tíquete mais alto, mas o cliente tem a opção de pagar R$ 75 apenas pelo uso da máquina tanto para facial como capilar.

No Shopping Eldorado e MorumbiShopping, quiosques da marca de skincare Braello oferecem a mesma leitura de graça durante a semana e cobram uma máscara facial de cerca de R$ 20 aos fins de semana, para conter fila.

O scanner facial usado pela Braello é da marca chinesa AISIA, um sinal de oportunidades de negócios para fornecedores e importadores de tecnologia asiática no mercado de beleza premium no Brasil.

Leia também: RD estreia loja conceito de olho em mercado premium e marcas da Coreia e do Japão

Na Raia Conceito, loja que a RD Saúde (RADL3), maior rede do país, abriu neste mês no Itaim Bibi, também há scanner de pele disponível, que usa a tecnologia Visia, sistema de imagem facial da fabricante americana Canfield Scientific.

A Discover, bandeira de dermocosméticos do Grupo DI, dono também das Drogarias Iguatemi, foi por outro caminho na mesma categoria: vende no Itaim uma máscara de LED da brasileira Lalume Beauty a R$ 2.889, faixa de preço de eletrônico portátil em uma prateleira que antes terminava no protetor solar.

Scaner da Braello no shopping Eldorado, na zona oeste de São Paulo. Marca de skincare, focado em beleza asiática, principalmente de linhas coreanas, atrai atenção de consumidores oferecendo análise de pele

Símbolo do beauty tech, a máscara se populariza entre os brasileiros e aparece até na principal novela da TV Globo, usada durante o sono pela vilã Pilar, interpretada pela atriz Isabel Teixeira, em Quem Ama Cuida.

A variação de preço não é aleatória, é a assinatura de cada modelo de negócio. Beleza premium roda entre cinco e 10 pontos de margem bruta acima da média de uma farmácia, que na RD está na casa de 27%.

Quanto menor a loja e mais alto o fluxo de rua, mais o scanner precisa se pagar sozinho, e é por isso que ele vira condição de compra em vez de serviço gratuito.

O que passa despercebido do consumidor é o que acontece antes da foto. O scanner pede nome, idade e telefone. Depois mede a pele e classifica o tipo em uma sigla técnica. O relatório chega por link, o que mantém o vínculo com a marca depois que o cliente sai da loja.

Cada leitura associa uma imagem facial a um contato direto, o que classifica o dado como sensível pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) e exige consentimento específico sobre finalidade, retenção e compartilhamento, exigência raramente explicitada na abordagem do balcão.

LED Beauty Mask, da Lalume Beauty, tem 220 lâmpadas e quatro comprimentos de onda para acne, uniformização e colágeno. O produto é um dos destaques da nova farmácia Discover no Itaim

Plano de multiplicar beauty center

Na Avenida Paulista, esse modelo de beauty center ganhou um capítulo concreto no fim de agosto, quando a Nissei inaugurou um andar de beleza dentro do Conjunto Nacional, um dos primeiros shoppings centers do país. O equipamento é da marca chinesa AISPA, comprado de um fornecedor sediado em São Paulo que atende sobretudo clínicas dermatológicas.

“O scanner faz parte da experiência. A pessoa vai lá e precisa ter uma motivação não transacional”, disse Alexandre Maeoka, CEO da Nissei, em entrevista à Bloomberg Línea. Segundo ele, o sistema cruza o resultado do exame com o sortimento disponível para indicar produtos ao cliente.

O andar ocupa um mezanino que servia de escritório à farmácia anterior no ponto, comprada pela rede paranaense em 2024, decisão que dispensou aluguel novo.

“A ideia era tirar o conceito só da farmácia, da compra transacional, e pensar em como oferecer serviços e experiência”, afirmou o executivo.

Leia também: Menos remédio, mais beleza: como funciona a farmácia do condomínio de super-ricos em SP

O espaço reúne maquiagem, categoria ausente das demais lojas da rede, cabelos profissionais, perfumaria e uma área de skincare coreano e japonês em que o sortimento por marca sobe de cinco para até 15 itens, com destaque para marcas brasileiras nativas do digital como Bruna Tavares, Mari Maria Makeup e Care Natural Beauty.

Os equipamentos foram comprados, e não alugados, e a companhia planeja rodá-los entre unidades antes de decidir, até dezembro, se replica o formato em Curitiba, Londrina e Goiânia.

No centro do primeiro beauty center da Nissei no mezanino de sua loja no Conjunto Nacional, o scanner de pele e de cabelo atrai potenciais consumidores de skincare e outros cosméticos que dominam as prateleiras

A concorrência mira o mesmo endereço. A RD Saúde estuda para o Conjunto Nacional a segunda unidade de sua Raia Conceito, formato que estreou neste mês em 364 m² no Itaim Bibi, com 50 marcas de beleza, 33 delas premium, entre elas Lancôme, Carolina Herrera e Kérastase, além da estreia da japonesa Curél e da coreana Ryo. A projeção é de tíquete médio de duas a três vezes a média da rede.

Marcello De Zagottis, vice-presidente de Operações e Comercial da RD Saúde, atribui a aposta no scanner ao reforço do atendimento.

“A loja oferece novos serviços, como o diagnóstico de pele, sempre alavancando a presença. Temos um grupo bem mais forte e mais amplo de consultoras de beleza nessa farmácia”, disse o executivo à Bloomberg Línea.

As consultoras são quem opera o equipamento e traduz o resultado do exame em recomendação de compra.

Por trás da disputa por metro quadrado de beleza está uma mudança de consumo que também tem escala internacional. Os análogos de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1) popularizaram o emagrecimento rápido, e o efeito colateral estético, perda de firmeza da pele, criou demanda por tratamento que a indústria farmacêutica não vende.

No Brasil, a chegada de similares e genéricos aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) derrubou o custo de tratamentos de cerca de R$ 1.000 para a faixa de R$ 300 a R$ 400 por mês, segundo Maeoka, que estima em 5% a fatia da população ainda com acesso à terapia e projeta que o mercado formal pode mais do que dobrar.

É esse consumidor, com a pele reagindo à mudança rápida de peso, que a farmácia quer capturar primeiro com uma câmera, depois com uma prateleira.

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Scaner de pele e de cabelo na Nissei em seu beauty center inaugurado no Conjunto Nacional. (Foto: Sérgio Ripardo/Bloomberg Línea)

O império de para-brisas de Carlos Brito

4 de Setembro de 2026, 06:58

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Como a maioria das pessoas, o lendário executivo do setor cervejeiro Carlos Brito nunca deu muita importância aos para-brisas.

Claro, eles protegem você da chuva — e, bem, da brisa — quando você está dirigindo. Mas ele pensava que “é um pedaço de vidro, se quebrar, e só trocar”, então instalá-los não deveria ser particularmente complicado, certo?

Hoje em dia, ele dirá exatamente o quanto estava errado. “O para-brisa tem funções mágicas”, diz Brito, CEO da Belron Group, uma rede global que opera sob marcas como Safelite nos Estados Unidos, Carglass no Brasil e na Europa e Autoglass no Reino Unido, à Bloomberg Businessweek. “É muito mais do que um pedaço de vidro.”

Os para-brisas de hoje estão cada vez mais equipados com câmeras, filamentos de aquecimento e revestimentos especiais.

Para a Belron, essa complexidade significa mais lascas e rachaduras, vidros mais sofisticados, trabalhos mais demorados — e vendas cada vez maiores. No ano passado, a empresa registrou receita de € 6,7 bilhões, reparando mais de 17 milhões de veículos em todos os continentes.

Agora, após três anos com Brito no comando, a empresa considera uma oferta pública inicial (IPO) já no próximo ano

⇒ Leia a reportagem: Como Carlos Brito transformou os para-brisas em um império de € 6,7 bilhões

Carlos Brito, em foto de 2016: empresário visa manter os recursos da empresa voltados para o atendimento eficaz ao cliente e segurança do trabalhador. (Foto: Jasper Juinen/Bloomberg)

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos EUA operam perto da estabilidade nesta sexta-feira (4), enquanto os Treasuries avançam, antes da divulgação do payroll, que pode influenciar a decisão do Federal Reserve sobre os juros em setembro.

- Crise no Supremo. Alexandre de Moraes acusou André Mendonça de direcionar investigadores contra ele “por motivos pessoais e políticos”. A reação ocorreu após Mendonça retirar o sigilo de mensagens a Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, o que aumentou os questionamentos sobre a relação de Moraes com o banqueiro.

- Reestruturação na Volkswagen. O conselho fiscal da montadora aprovou o plano do CEO Oliver Blume, que prevê o corte de mais de 50 mil postos de trabalho e a redução de até metade do portfólio de veículos até 2035. Além disso, a VW reduziu em cerca de 16% seu plano de investimentos para 2027-2031.

- Ouro volta ao foco de investidores. Grandes gestoras, como Amundi, Pictet, Robeco e Fidelity, voltaram a aumentar suas posições em ouro. A aposta é que a busca por proteção contra riscos macroeconômicos sustente o metal no longo prazo, apesar da perspectiva de juros mais altos nos EUA.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (03/09): Dow Jones Industrials (+1,18%), S&P 500 (+1,06%), Nasdaq Composite (+1,40%), Stoxx 600 (+0,49%), Ibovespa (-0,01%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

• As ações mais recomendadas para setembro, segundo 10 bancos e corretoras

• Lei de minerais críticos é aprovada e amplia controle do governo sobre negócios no setor

• Skechers entra na disputa pela corrida de rua e mira mais de 100 lojas no Brasil

• Também é importante: Investidores veem mais dor para as ações da Hapvida após queda de 90% desde o IPO| Banco Central determina liquidação de duas gestoras ligadas ao Banco Master

• Opinião Bloomberg: Negócio da Chevron na Venezuela é acerto, mas expõe desafio para elevar produção

• Para não ficar de fora: Hering volta ao ‘básico’ com nova camiseta 30% mais barata para atrair classes B e C

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

As ações mais recomendadas para setembro, segundo 10 bancos e corretoras

4 de Setembro de 2026, 06:00

A proximidade do primeiro turno da eleição presidencial, em 4 de outubro, e a expectativa de novos cortes de juros pelo Banco Central têm concentrado a atenção de investidores e analistas nas últimas semanas, diante do potencial impacto para os ativos brasileiros.

Nesse ambiente, ações ligadas a commodities, câmbio e juros concentraram as principais apostas de 10 bancos e corretoras para o mês, de acordo com levantamento da Bloomberg Línea.

De acordo com analistas, esses ativos tendem a oferecer maior proteção e um melhor desempenho diante da volatilidade do período eleitoral em meio a um cenário de juros elevados e desaceleração econômica.

Petrobras (PETR4) e Axia Energia (AXIA3) dividem a liderança das ações mais recomendadas para setembro, cada uma indicada por oito das dez casas consultadas. Vale (VALE3) aparece em seguida, com sete recomendações, ante quatro no mês anterior.

A mudança nas carteiras ocorre após um desempenho volátil em agosto. O Ibovespa chegou a acumular queda de mais de 6% na primeira metade do mês, influenciado pela saída intensa de investidores estrangeiros, mas ganhou tração na segunda quinzena e engatou um rali que tem levado as ações brasileiras a um patamar que não era visto desde maio.

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Pesquisas de intenção de voto recentes mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com vantagem no primeiro turno sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), mas a diferença no segundo turno diminuiu. O escritor Augusto Cury (Avante) surpreendeu ao aparecer em terceiro lugar, elevando as chances de um segundo turno.

Esse cenário levou pelo menos duas casas a mexer diretamente nas carteiras em função da eleição. A Ativa Investimentos incluiu o Banco do Brasil (BBAS3) nas recomendações de setembro “para capturar a assimetria de uma eventual reprecificação do risco eleitoral, especialmente se o mercado passar a atribuir maior probabilidade a um segundo turno competitivo”, segundo relatório.

Leia também: De JBS a Itaú e Petrobras: as ações brasileiras na carteira do BofA em 2026

A casa, assim como a Ágora, passou a recomendar a B3 (B3SA3), aposta que tende a se beneficiar de eventual retomada do fluxo estrangeiro e aumento do apetite por ativos brasileiros após a eleição.

Na mesma direção, o Itaú BBA optou por reduzir a exposição ao crédito doméstico, retirando o Bradesco (BBDC4) de sua carteira Top 5 e adicionando a Suzano (SUZB3), companhia exportadora com receita dolarizada.

“A Suzano negocia a múltiplos descontados e apresenta geração de caixa atrativa, mesmo diante de um cenário de preços de celulose ainda pressionado, funcionando também como proteção parcial diante dos riscos fiscal, cambial e eleitoral”, escreveram analistas do banco em relatório.

A Genial Investimentos foi uma das casas que recomenda a Petrobras neste mês. “A companhia cresceu lucro de forma expressiva no último ano, opera com uma das maiores margens do setor e negocia a menos de cinco vezes o lucro dos últimos doze meses, um dos múltiplos mais baixos entre as grandes da bolsa”, afirmaram os analistas em relatório, destacando que a tese “não depende de queda de juros para justificar o preço”.

Já a Axia Energia aparece como fator de proteção em cenário eleitoral incerto. A XP, que incluiu o papel pela primeira vez na carteira Top Ações, citou a “forte visibilidade da companhia entre os investidores estrangeiros” e o risco de o El Niño elevar a volatilidade da geração eólica, sustentando os preços de energia no quarto trimestre.

Já o Daycoval, que manteve o papel em sua Carteira Longo Prazo pelo segundo mês seguido sem alterações, aposta na “consistência operacional” e na “geração de caixa” da companhia como fatores que ainda não estariam totalmente refletidos no valuation.

O câmbio segue como tema recorrente nas justificativas. O BTG Pactual manteve a Gerdau (GGBR4) na carteira 10SIM, com peso de 10%, citando que cerca de 75% do Ebitda da companhia vem dos Estados Unidos — o que faz da ação uma forma de proteção cambial em meio à incerteza eleitoral brasileira.

“Se a situação fiscal continuar a se deteriorar, o real deve se enfraquecer de forma mais relevante”, escreveram os analistas, justificando a manutenção de 20% da carteira em teses de câmbio.

Leia também: Corrida presidencial se acirra com empate técnico de Flávio e Lula nas pesquisas

No campo da política monetária, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de 5 de agosto, para 14% ao ano, sustentado pela desaceleração da inflação e por sinais de moderação gradual da atividade econômica.

O time macro do Itaú espera um corte adicional de 0,25 ponto na reunião de setembro, movimento que, segundo o banco, “embora, por si só, pudesse ajudar no humor de mercado, tende a ficar em segundo plano enquanto o fluxo estrangeiro, o cenário eleitoral e os juros internacionais continuarem dominando as decisões de alocação”.

O pano de fundo para essas mudanças foi um mês de agosto especialmente volátil. O Ibovespa chegou a operar abaixo dos 165 mil pontos ao longo do mês — o equivalente a uma queda acumulada de 6,5% até o dia 18 —, mas recuperou parte das perdas na segunda metade do período, encerrando com desvalorização de apenas 0,3%.

Ainda assim, agosto marcou a maior saída mensal de capital estrangeiro do ano: cerca de R$ 18,5 bilhões deixaram a bolsa brasileira, o volume mais alto desde agosto de 2022 — também às vésperas da eleição presidencial daquele ano.

Nos Estados Unidos, os juros longos americanos seguiram pressionados por preocupações com a trajetória da dívida pública dos Estados Unidos, que ultrapassou US$ 40 trilhões, enquanto o fluxo internacional voltou a se concentrar em países e companhias ligados à inteligência artificial, como Taiwan e Coreia do Sul — um movimento que havia se revertido brevemente em julho, quando o Brasil chegou a se beneficiar da busca por diversificação.

Confira ações recomendadas de cada instituição para setembro de 2026:

Ágora (Top 10)

  • Allos (ALOS3)
  • Axia (AXIA3)
  • B3 (B3SA3)
  • BTG Pactual (BPAC11)
  • Copasa (CSMG3)
  • ISA Energia (ISAE4)
  • Petrobras (PETR4)
  • Sabesp (SBSP3)
  • Vale (VALE3)
  • Vibra Energia (VBBR3)

Ativa (Ibovespa+)

  • Vale (VALE3)
  • Petrobras (PETR4)
  • Itaú Unibanco (ITUB4)
  • Banco do Brasil (BBAS3)
  • BTG Pactual (BPAC11)
  • Sabesp (SBSP3)
  • Equatorial (EQTL3)
  • Localiza (RENT3)
  • Embraer (EMBJ3)
  • Rede D’Or (RDOR3)
  • B3 (B3SA3)
  • Multiplan (MULT3)
  • Axia Energia (AXIA3)
  • Gerdau (GGBR4)
  • Nubank (ROXO34)

BB Investimentos (Carteira Fundamentalista)

  • Alupar (ALUP11)
  • Axia Energia (AXIA3)
  • Direcional (DIRR3)
  • Embraer (EMBJ3)
  • Gerdau (GGBR4)
  • Itaú Unibanco (ITUB4)
  • Petrobras (PETR4)
  • Tenda (TEND3)
  • Vale (VALE3)
  • Vibra Energia (VBBR3)

BTG Pactual (10SIM)

  • Petrobras (PETR4)
  • Itaú Unibanco (ITUB4)
  • Axia (AXIA3)
  • Sabesp (SBSP3)
  • Rede D’Or (RDOR3)
  • Embraer (EMBJ3)
  • Eneva (ENEV3)
  • Gerdau (GGBR4)
  • Motiva (MOTV3)
  • Cury (CURY3)

Daycoval (Carteira Longo Prazo)

  • Axia Energia (AXIA3)
  • BB Seguridade (BBSE3)
  • BTG Pactual (BPAC11)
  • Copel (CPLE3)
  • Eneva (ENEV3)
  • Itaúsa (ITSA4)
  • Itaú Unibanco (ITUB4)
  • Petrobras (PETR4)
  • Vale (VALE3)
  • Vibra Energia (VBBR3)

EQI (Buy&Hold)

  • Equatorial (EQTL3)
  • Itausa (ITSA4)
  • Allos (ALOS3)
  • Porto (PSSA3)
  • Petrobras (PETR4)
  • Klabin (KLBN11)
  • Axia Energia (AXIA3)
  • Vale (VALE3)
  • Rede D’Or (RDOR3)
  • Compass (PASS3)
  • B3 (B3SA3)
  • Localiza (RENT3)
  • Vulcabras (VULC3)

Genial (Ibovespa 10+)

  • Petrobras (PETR4)
  • BB Seguridade (BBSE3)
  • Ultrapar (UGPA3)
  • Vibra Energia (VBBR3)
  • Caixa Seguridade (CXSE3)
  • Eneva (ENEV3)
  • Gerdau (GGBR4)
  • Fleury (FLRY3)
  • LWSA (LWSA3)
  • Méliuz (CASH3)

Itaú BBA (Top 5)

  • Embraer (EMBJ3)
  • BTG Pactual (BPAC11)
  • Eneva (ENEV3)
  • Axia Energia (AXIA3)
  • Suzano (SUZB3)

Santander (Ibovespa+)

  • Bradesco (BBDC4)
  • Cyrela (CYRE3)
  • Embraer (EMBJ3)
  • Eneva (ENEV3)
  • Itaú Unibanco (ITUB4)
  • Localiza (RENT3)
  • Multiplan (MULT3)
  • Petrobras (PETR3)
  • Rede D’Or (RDOR3)
  • Sabesp (SBSP3)
  • Vale (VALE3)

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Usina de Furnas, operada pela Axia (ex-Eletrobras): empresa é uma no topo das preferências de analistas. (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)

Café com pipoca e farofa: dona da 3corações assume Yoki, Kitano e duas fábricas

3 de Setembro de 2026, 19:33

O Grupo 3corações assumiu nesta quinta-feira (3) as marcas Yoki e Kitano, o escritório administrativo de São Bernardo do Campo (SP) e as fábricas de Pouso Alegre (MG) e Campo Novo do Parecis (MT), ativos que formavam a operação da General Mills no Brasil.

A dona do café 3 Corações passa a reunir cerca de 12.700 funcionários, 15 unidades industriais e presença em mais de 600 mil pontos de venda no país, segundo o comunicado da companhia.

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O negócio havia sido anunciado em 17 de março, avaliado em R$ 800 milhões, ou aproximadamente US$ 153 milhões. Com a conclusão, cumpridas todas as condições regulatórias e contratuais, a fabricante de Cheerios encerra 14 anos de presença industrial no mercado brasileiro.

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O preço indica uma desvalorização nos negócios da empresa americana pelo país. Em 2012, a General Mills desembolsou US$ 940 milhões pela Yoki Alimentos, sendo US$ 820 milhões em dinheiro, líquidos do caixa da adquirida, e US$ 120 milhões relativos à dívida assumida, conforme o informado à SEC (Securities and Exchange Commission), a comissão de valores mobiliários dos EUA.

O que a companhia recebe agora equivale a 16,3% do valor agregado daquela compra, ou a 18,7% da parcela paga em dinheiro. As duas empresas não abriram o perímetro do negócio atual, e a comparação é feita em dólares nominais, sem correção pela inflação do período.

Naquele momento, a Yoki era uma empresa familiar sediada em São Bernardo do Campo (SP), criada em 1960, com mais de 5.000 empregados e receita de R$ 1,1 bilhão em 2011, de acordo com o mesmo arquivamento. O escritório comprado em 2012 volta agora ao controle de uma companhia brasileira.

A operação no Brasil gerou US$ 350 milhões em vendas líquidas no ano fiscal de 2025, diante de US$ 19 bilhões apurados pela companhia no mundo, informou a americana em comunicado de 17 de março.

A saída integra a estratégia batizada de Accelerate, que concentra recursos em sorvete super-premium, comida mexicana, barras de cereais e alimentos para animais de estimação. A mesma reformulação já havia tirado a Häagen-Dazs das prateleiras brasileiras, depois de cerca de 30 anos de distribuição, segundo anúncio em agosto.

A transação passou pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sem restrições, em decisão publicada no Diário Oficial da União em 17 de agosto. Duas fabricantes mineiras, a Pachá Alimentos e a Produtos Anchieta, haviam se posicionado contra a compra, sob o argumento de aumento da concentração e de redução das opções para o consumidor.

Do café à pipoca e à farofa

O salto de escala do comprador aparece na comparação entre os dois comunicados. Em março, a companhia fundada em 1959 no Rio Grande do Norte e sediada em Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza, no Ceará, declarava aproximadamente 9 mil colaboradores, 28 centros de vendas e distribuição e 13 unidades industriais. A empresa chega a setembro com 12.700 pessoas e 15 plantas, um acréscimo de cerca de 3.700 funcionários em uma tacada.

A Yoki lidera as vendas de pipoca de micro-ondas, farofa e batata palha, com presença em farináceos e acompanhamentos, e a Kitano está entre as marcas mais tradicionais em temperos, ervas e especiarias, segundo o comunicado do grupo.

São seis rótulos em 21 categorias, além da marca de bebidas de soja Mais Vita, que não é citada na nota da compradora, conforme a publicação setorial americana Food Business News.

A sobreposição é parcial. Em temperos e derivados de milho o grupo já operava, com as marcas Dona Clara e Kimimo, e o mesmo vale para refresco em pó, com a Frisco, e achocolatado, com a Chocolatto, categorias listadas nos dois comunicados.

O que é inédito no portfólio da empresa são pipoca, farofa, batata palha e farináceos. A companhia também entrou em leites vegetais, suplementos e snacks por meio de uma joint venture com a Positive Co., que reúne A Tal da Castanha, Possible, Plant Power, Jungle e Zaya.

Desde o anúncio, a empresa se comprometeu a preservar as marcas compradas em vez de absorvê-las sob rótulos próprios, promessa repetida no comunicado desta quinta-feira.

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“Estamos concluindo uma aquisição muito relevante para a nossa história e, ao mesmo tempo, iniciando um novo capítulo”, afirmou Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações, na nota de conclusão do negócio.

“Nascemos do café, e foi a partir dele que construímos nossa relação com milhões de famílias brasileiras. Com o tempo, ampliamos nossa atuação para novas categorias e ocasiões de consumo”, disse o executivo, no mesmo texto.

Em março, ao anunciar a compra, o presidente havia enquadrado a operação como um passo para alcançar todas as refeições do dia, do café da manhã ao jantar, segundo o comunicado daquela data.

O Deutsche Bank atuou como assessor financeiro exclusivo do comprador, com o escritório Miguel Neto Advogados na consultoria jurídica, informou o grupo em março. A General Mills foi assessorada pelo Goldman Sachs, tendo o KLA Advogados como consultor jurídico, segundo o anúncio da americana na mesma data.

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Planta de Pouso Alegre (MG), no Sul de Minas, uma das duas unidades industriais incorporadas pelo grupo sediado no Ceará. (Foto: Divulgação/General Mills)

Skechers entra na disputa pela corrida de rua e mira mais de 100 lojas no Brasil

3 de Setembro de 2026, 19:23

Em um recém-inaugurado escritório em São Paulo, espaço que funciona como o showroom da marca, a cúpula global da Skechers procurou dar um recado direto: o Brasil deixou de ser um mercado secundário para a marca de calçados.

A empresa americana - adquirida há cerca de um ano pela 3G Capital, de Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira - é a terceira maior fabricante de tênis do mundo, atrás de Adidas e Nike, mas é um nome ainda com menor reconhecimento pela maioria da população brasileira.

O novo momento da marca em território nacional, onde chegou por meio de distribuidores por volta de 2007, ocorre em meio à busca por novos mercados para os seus produtos.

Conhecida pelo conforto dos seus tênis, muitos sob a alcunha de “dad shoes”, a Skechers tem no universo da corrida a sua maior categoria, com itens como o Aero Burst e Aero Razor.

“A nossa entrada no mercado brasileiro não foi por causa do 3G. Faz parte do nosso plano de longo prazo”, disse Michael Greenberg, cofundador e presidente global da marca, em entrevista a jornalistas.

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Segundo o americano, antes mesmo da negociação com o 3G, a cúpula da empresa veio ao Brasil no começo de 2025 para escolher os locais onde pretendiam estabelecer as primeiras lojas próprias da marca.

“Não era uma questão de se viríamos ao Brasil com força total. Era uma questão de quando”, afirmou Greenberg. Segundo ele, o país reúne o que a companhia considera a combinação ideal para acelerar vendas: mais de 200 milhões de habitantes e uma presença histórica ainda tímida da marca.

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A primeira loja foi aberta em janeiro deste ano e a marca soma hoje cinco lojas próprias no Brasil, abertas nos últimos meses em Guarulhos, no Outlet Premium de Itupeva, na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro), em Contagem (Minas Gerais) e na Anália Franco (São Paulo).

A meta é chegar a dez lojas até o fim deste ano, com a ambição de ultrapassar 100 pontos de venda no país nos próximos anos. “Acreditamos que a Skechers pode ter — para chutar um número — mais de 100 lojas, mas na verdade muitas mais do que isso”, disse Greenberg.

Presente em mais de 180 países, a companhia, fundada na Califórnia em 1992, pretende saltar das atuais 5.300 lojas para 10.000 unidades no mundo todo, o “mais rápido possível”.

A operação brasileira passou a funcionar sob dois formatos de loja — outlet e “concept store” — e ganhou, nesta semana, um canal de e-commerce próprio, o primeiro da marca no país.

Segundo os executivos, o Brasil vinha crescendo historicamente mais devagar do que outros mercados latino-americanos, como o Chile — onde a Skechers é líder de mercado —, por causa de entraves regulatórios e tributários que tornavam a operação mais complexa.

“Nós acreditamos que o Brasil tem plenas condições de chegar no mesmo lugar de mercados desenvolvidos como Chile, Peru e Colômbia ou ainda além disso”, afirmou Sabrina Mônaco, country manager da operação local.

David Weinberg, COO Global, ao lado de Sabrina Mônaco, country manager, e Michael Greenberg, co-fundador da Skeckers: a companhia afirma ter colocado dezenas de milhões de dólares no país e que o compromisso de investimento — em marketing, estoque, produção local, o novo centro de distribuição e a formação do time brasileiro — já passa de US$ 50 milhões

Atualmente, a América Latina representa pouco menos de 20% do volume global de vendas da Skechers. A estimativa é de que esse mercado avance para um percentual entre 25% e 30% no futuro.

“Não havia dúvida de que o produto teria um bom desempenho no Brasil assim que tivéssemos a chance de vir. Só estávamos crescendo tão rápido no resto do mundo que deixamos esse processo de lado por um tempo”, afirmou David Weinberg, COO Global da companhia.

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A prioridade, segundo Weinberg, esteve por um período no desenvolvimento de grandes centros de distribuição já construídos nos Estados Unidos, na Europa e na China, hoje os principais mercados para os produtos da Skechers.

Weinberg evitou cravar um valor total a ser investido no Brasil, dizendo que a companhia vai aportar “o que for necessário”, conforme a velocidade de crescimento do mercado local.

Ainda assim, os executivos deram uma primeira dimensão do compromisso: somando o relançamento da operação, a companhia já investiu dezenas de milhões de dólares no país, e o compromisso de investimento — em marketing, estoque, produção local, o novo centro de distribuição e a formação do time brasileiro — já passa de US$ 50 milhões.

“Acreditamos que o negócio no Brasil deveria dobrar a cada dois ou três anos daqui para frente. Pode ser mais rápido que isso”, disse Weinberg. A expectativa da companhia é manter a infraestrutura sempre um passo à frente do ritmo de vendas, para não travar o crescimento por falta de estoque ou capacidade logística.

Hoje, a produção local responde por cerca de 50% do portfólio vendido no Brasil, com o restante importado — sobretudo os modelos mais tecnológicos, que dependem de materiais ainda não disponíveis no país.

A companhia, que não possui fábrica própria em nenhum lugar do mundo, opera com parceiros terceirizados de produção também no Brasil.

Corrida, futebol, basquete e pickleball

A estratégia de produto no país está concentrada em quatro categorias esportivas — corrida, basquete, futebol e pickleball. A corrida é tratada como a maior aposta. Lá fora, a marca tem investido na formação de clubes de corrida, presença em maratonas e ativações de prova de tênis nas ruas.

Por aqui, começou assumindo o naming rights do Parque Villa-Lobos, em São Paulo, um espaço que reúne muitos corredores e praticantes de outros esportes diariamente.

“Achamos que é uma oportunidade incrível, e é um momento de corrida. Chamamos isso de ‘running moment’”, disse Greenberg, ao comentar o crescimento do mercado de corrida de rua. O Brasil soma hoje mais de 14 milhões de atletas, segundo dados de mercado.

Questionado sobre a concorrência com marcas que já têm contratos de patrocínio de longo prazo com as principais maratonas do país, como Nike, Adidas e Olympikus, o executivo disse que a estratégia da Skechers passa por difundir a tecnologia proprietária — como o sistema sem uso das mãos Hands Free Slip-ins — e pela experimentação direta do produto em eventos.

“Nós competimos com reconhecimento de marca, investimento, produto e tecnologia”, disse. “É uma maratona, não uma corrida de 100 metros”, após repetir algumas vezes que a companhia está apostando no país no longo prazo.

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Globalmente, a companhia estima ter vendido mais de 300 milhões de pares de calçados no ano passado e projeta faturamento superior a US$ 10,5 bilhões neste ano — crescimento puxado, segundo os executivos, por um ritmo de cerca de US$ 1 bilhão em receita adicional por ano entre 2020 e 2024, hiato à parte o ano da pandemia.

Em 2024, último resultado divulgado publicamente antes de a companhia deixar a bolsa de Nova York, a Skechers registrou receita recorde de aproximadamente US$ 9 bilhões.

“Houve desaceleração em relação ao crescimento entre 2020 e 2024, mas a Skechers ainda está crescendo a um ritmo significativo e a demanda pela marca ainda é muito forte. A maior empresa de artigos esportivos está perdendo bilhões de dólares a cada ano. Nós estamos no caminho oposto”, afirma o cofundador.

Questionado sobre o futuro da companhia, Greenberg disse acreditar que a Skechers “será uma empresa aberta de novo um dia”, mas afirmou que o próximo horizonte da marca é atingir US$ 15 bilhões em receita global, sem especificar um prazo. Um patamar que, segundo ele, não deve ser o teto.

“Mesmo nos Estados Unidos, onde começamos a nossa história, continuamos a crescer. Eu costumo dizer que você pode fazer uma empresa como esta crescer por cem anos.”

Adquirida pela 3G Capital, a marca americana é a terceira maior fabricante de tênis do mundo e projeta faturamento superior a US$ 10,5 bilhões neste ano

O crescimento dos escritórios em LatAm

3 de Setembro de 2026, 07:00

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Apesar de uma seletividade maior por parte do investidor, o setor de escritórios de alto padrão segue aquecido na América Latina, com destaque para os mercados de São Paulo, Bogotá, Cidade do México e Santiago.

Segundo levantamento da Cushman & Wakefield, a localização ainda é o fator chave para preencher ocupação com preços elevados, mas não desacompanhada de infraestrutura moderna e oferta de serviços.

Neste contexto, a região vem consolidando um movimento de migração em direção à qualidade – o chamado “flight-to-quality”. Isso ocorre quando os ocupantes buscam edifícios de alta especificação técnica e localização estratégica.

“Não vemos mercados na região com algum tipo de freio no crescimento. Devemos ter uma continuidade de novos estoques”, disse o presidente da Cushman América do Sul, Matheus Cardoso, em entrevista à Bloomberg Línea.

⇒ Leia a reportagem: De São Paulo a Cidade do México: os mercados de escritórios que se destacam em LatAm

São Paulo: América Latina segue com demanda consistente por aluguel de alto padrão. (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações globais operam perto da estabilidade nesta quinta-feira (3), com os preços do petróleo mais estáveis e os rendimentos dos títulos em queda após atingirem máximas de várias décadas.

- Trump prevê ataques ‘breves’ ao Irã. O presidente dos EUA disse que uma nova onda de bombardeios provavelmente será breve, após Washington voltar a atingir alvos na costa iraniana e Teerã retaliar contra bases americanas. A escalada mantém os preços do petróleo em alta.

- Chevron amplia aposta na Venezuela. Após duas décadas mantendo operações no país, a petrolífera fechou um acordo que lhe dará acesso a bilhões de barris em reservas e prevê investir US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos. “É preciso ter paciência”, disse o CEO, Mike Wirth, em entrevista à Bloomberg News.

- Milionários da aposentadoria. Nos EUA, a quantidade de contas de aposentadoria com pelo menos US$ 1 milhão na Fidelity aumentou 19% no segundo trimestre, para 769 mil. Apesar do recorde, os americanos estimam precisar de US$ 1,46 milhão para se aposentar confortavelmente.direita, lidera as pesquisas com 42% das intenções de voto.

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🔘 As bolsas ontem (02/09): Dow Jones Industrials (+0,56%), S&P 500 (+0,46%), Nasdaq Composite (+0,45%), Stoxx 600 (-0,24%), Ibovespa (+3,05%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

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De São Paulo a Cidade do México: os mercados de escritórios que se destacam em LatAm

3 de Setembro de 2026, 06:00

Apesar de uma seletividade maior por parte do investidor, o setor de escritórios de alto padrão segue aquecido na América Latina, com destaque para os mercados de São Paulo, Bogotá, Cidade do México e Santiago.

Segundo levantamento da Cushman & Wakefield, a localização ainda é o fator chave para preencher ocupação com preços elevados, mas não desacompanhada de infraestrutura moderna e oferta de serviços.

Neste contexto, a região vem consolidando um movimento de migração em direção à qualidade – o chamado “flight-to-quality”. Isso ocorre quando os ocupantes buscam edifícios de alta especificação técnica e localização estratégica.

“Não vemos mercados na região com algum tipo de freio no crescimento. Devemos ter uma continuidade de novos estoques”, disse o presidente da Cushman América do Sul, Matheus Cardoso, em entrevista à Bloomberg Línea.

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Apesar do cenário, o executivo afirma que o aumento de oferta de alto padrão deve ser selecionado e de forma planejada, principalmente em um ambiente de juros elevados. “A demanda existe e mesmo diante dos desafios de custo de capital, o que reflete de forma particular em cada país, o investimento vai continuar acontecendo.”

Conforme o levantamento, referente ao primeiro semestre de 2026, Colômbia, Peru e Chile compartilham o ambiente mais previsível da região neste mercado, o que se traduziu em maior atividade no segundo trimestre em Bogotá, Lima e Santiago.

No Brasil e no México, o cenário é de crescimento mais contido e taxas de juros elevadas, o que tornou a demanda e a oferta mais seletiva nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro e Cidade do México. Já em Buenos Aires, a recuperação segue gradual.

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O preço médio do aluguel de alto padrão (“classe A”) na América Latina encerrou o primeiro semestre em US$ 22,58 por m² por mês, alta de 8,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o levantamento, a variação foi desigual: o poder de precificação concentrou-se nos mercados com menor vacância, onde os proprietários negociam em condições mais favoráveis, enquanto o restante da região avançou em um ritmo mais cauteloso.

São Paulo lidera o preço médio (pedido) de locação na América Latina, com US$ 28,6 por m² por mês, seguida por Bogotá (US$ 26,6) e Santiago (US$ 24,7).

Cidade do México (US$ 23,9), Buenos Aires (US$ 23,2), San José (US$ 21,8), Lima (US$ 16,5) e Rio de Janeiro (US$ 15,3) completam o ranking respectivamente.

Cardoso esclarece que São Paulo apresenta tendência de alta dos preços pedidos diante não só da magnitude da sua economia, mas também da necessidade gradual de espaços melhores, o que coloca pressão para além da Avenida Faria Lima, centro financeiro da cidade.

Com isso, movimentos de migração ocorrem para áreas adjacentes como Rebouças e outras mais distantes, como Chucri Zaidan e Chácara Santo Antônio.

O executivo afirma que, em Bogotá, não falta demanda, mas não há novos estoques. A vacância média na capital colombiana encerrou o semestre no menor nível da região, em 5,4%. Em um contexto de dólar elevado, os preços subiram significativamente na cidade. A expectativa, segundo Cardoso, é que novos estoques entrem em operação no período entre 2027 e 2029.

Já em Santiago, ele ressalta que o mercado é maduro e bastante planejado, o que contribui para previsibilidade e ajuste do balanço entre oferta e demanda.

Buenos Aires

O estudo da Cushman aponta que a capital argentina foi o único mercado com preços em queda na região no primeiro semestre, de 1,3% em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, a consultoria alerta que há uma ampla diferença entre os submercados da cidade.

As áreas de Palermo (US$ 28/m²) e Libertador (US$ 27,7/m²) funcionam como “corredores premium” da cidade, enquanto Centro Sur (US$ 14/m²) é o mais barato.

A escassez de escritórios de alto padrão nas áreas mais demandadas já leva alguns ocupantes a buscar alternativas, destaca o documento, com as regiões premium da cidade apresentando desempenho semelhante ao de grandes mercados de países vizinhos. “Existe uma recuperação gradual do mercado argentino, com menos oferta de alto padrão. A média esconde nuances”, observa Cardoso.

Apesar da vacância ainda elevada em Buenos Aires, ele acrescenta que há uma tendência de ocupantes buscando localizações e prédios de alto padrão, mesmo que a velocidade de crescimento da demanda seja menor. “Não vemos grandes saltos neste mercado, mas pode ser que esse cenário se modifique”, diz.

A vacância média dos oito mercados de escritórios Classe A na América Latina encerrou o semestre em 14%, queda de 2,1 pontos percentuais em relação ao registrado no mesmo período de 2025.

Segundo o estudo, este é o resultado de uma absorção efetiva sustentada, incorporação de nova oferta – ainda que limitada – e uma reorganização gradual da ocupação em direção aos edifícios com melhor desempenho técnico.

De maneira geral, o presidente da Cushman afirma que os grandes mercados mantêm a atratividade do investidor, principalmente os maiores da região (São Paulo e Cidade do México). “Com a expectativa de queda gradual da Selic, isso certamente ajuda a abrir mais o leque do investidor, podendo até aumentar a velocidade [dos aportes].”

Em ano de eleições presidenciais no Brasil, Cardoso aponta que é natural algum tipo de apreensão no mercado, mas ainda não é possível afirmar que haverá impactos nos investimentos em novos escritórios.

Ele destaca que a previsibilidade é um fator chave para novos investimentos em empreendimentos de escritórios de alto padrão. “Não vimos congelamentos, mas um filtro maior do quanto e onde serão alocados os recursos. Mesmo que os juros continuem nesse patamar, o investidor conhece o mercado e se adapta, talvez com menos ímpeto e mais cautela.”

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© Paulo Fridman

São Paulo: América Latina segue com demanda consistente por aluguel de alto padrão. (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)

Publicidade deve representar 10% da receita da Netflix em 2030, afirma líder global

2 de Setembro de 2026, 21:26

Anos atrás, falar em publicidade na Netflix soava como uma heresia. Trimestre após trimestre entre os balanços de resultados, o ex-co-CEO Reed Hastings repetia que os anúncios não seriam parte de um negócio que nasceu para transformar a forma como as pessoas consumiam conteúdo audiovisual, sem interrupções.

Quatro anos após o seu lançamento, em resposta à queda no número de usuários em 2022, a divisão de publicidade procura se mostrar estratégica para o futuro do negócio. Globalmente, o plano com anúncios conta hoje com mais de 250 milhões de espectadores ativos mensais - pessoas, não contas - e mais de 65% dos novos assinantes têm o primeiro contato com a Netflix por meio do plano.

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Brasil é a origem de 35 milhões desse total de espectadores ativos mensais e apresenta a mesma métrica, 65%, em relação aos usuários que optam pela versão com anúncios. De acordo com dados da Netflix, esses usuários locais assistem a 54 horas de conteúdo por mês.

“Vamos continuar vendo um grande crescimento não só na nossa base de anunciantes, mas na base geral de assinantes e membros”, afirmou Amy Reinhard, presidente global de publicidade da companhia, em entrevista a jornalistas.

A executiva veio ao Brasil para participar do Behind the Streams, evento para apresentar as principais novidades em ferramentas e produtos para o mercado publicitário.

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Nos números consolidados de 2025, a divisão de publicidade encerrou com receita de US$ 1,5 bilhão, o dobro de 2024. Para 2026, a meta é dobrar novamente e alcançar US$ 3 bilhões.

A receita total da Netflix foi de US$ 45,2 bilhões, alta de cerca de 16% em relação a 2024. Ou seja, o braço de anúncios representou 3% no ano. Em 2026, o guidance da companhia está entre US$ 51,0 bilhões e US$ 51,4 bilhões. O estimado valor de US$ 3 bilhões significa uma alta entre 5,8% e 6% na participação.

“Até 2030, esperamos que a publicidade seja um dos principais motores do crescimento de receita da Netflix como um todo”, disse Reinhard ao ser questionada pela Bloomberg Línea. “Acho que 10% é um ótimo norte para nós”.

Segundo Reinhard, a América Latina é a segunda maior região de publicidade da Netflix, atrás apenas dos Estados Unidos — e lidera em engajamento entre todos os mercados onde a empresa vende anúncios.

“As pessoas conhecem e amam as séries e filmes que assistem”, disse, citando a repercussão internacional de produções brasileiras, como o filme Caramelo, como exemplo do fenômeno de fandom que sustenta a tese comercial da empresa.

A manutenção do crescimento, segundo a executiva, será sustentada por três frentes. A primeira é o crescimento da base de assinantes que aderem ao plano com anúncio, seguida pela entrada em novos mercados. No próximo ano, a divisão de anúncios entrará em mais 15 países, chegando ao número de 27 territórios.

E, por último, Amy prevê um aumento no número de clientes, hoje na casa de 4 mil. Ela considera que a operação “apenas arranhamos a superfície” em termos de penetração de mercado e ainda está concentrada em grandes clientes corporativos.

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“À medida que pensamos em expandir nossas capacidades e nossa base de clientes, eu absolutamente espero que vamos dobrar, triplicar o tamanho da nossa base de anunciantes ao redor do mundo. E, depois, simplesmente aumentar os gastos deles conosco”, disse.

Uma dos vetores potenciais para atrair mais anunciantes é a estratégia de personalização de assim, replicando a lógica que a plataforma já aplica ao direcionar conteúdos audiovisuais de acordo com os hábitos de consumo do usuário.

“Se for relevante para o usuário como consumidor, é mais provável que produza os resultados que os nossos anunciantes estão procurando”, afirmou.

© Kyle Grillot

Plano com anúncios conta hoje com mais de 250 milhões de espectadores ativos. (Foto: Kyle Grillot/Bloomberg)

Cade mantém investigação da 99Food e vai aprofundar análise sobre o mercado de delivery

2 de Setembro de 2026, 17:29

A disputa entre as subsidiárias das gigantes chinesas DiDi Chuxing (controladora da 99Food) e Meituan (dona da Keeta) entrou em uma nova fase no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

O Tribunal do Cade decidiu nesta quarta-feira (2) aprofundar a análise sobre as práticas competitivas no mercado de delivery, enquanto as duas companhias aguardavam uma definição do órgão antitruste sobre o processo em análise.

O caso deve passar de uma disputa entre duas companhias para um exame de todas as ações e estratégias que estão sendo adotadas pelos principais competidores do setor num momento em que os investimentos no segmento superam as dezenas de bilhões de reais.

Paralelamente à ordem, o Cade optou por negar o pedido de medida preventiva apresentado pela Keeta, que buscava suspender liminarmente as cláusulas de exclusividade da 99Food.

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A disputa teve início quando a Keeta protocolou uma representação acusando a rival de impor “cláusulas de banimento”.

Segundo as denúncias, a 99Food estaria oferecendo incentivos financeiros de até R$ 300 mil para restringir o acesso de restaurantes a plataformas concorrentes, prevendo ainda multas cobradas em dobro em caso de descumprimento do encerramento com a concorrência.

Para o Tribunal, o arquivamento anterior feito pela Superintentência-Geral do Cade ocorreu sem sanar lacunas técnicas essenciais, principalmente por ter desconsiderado a oitiva direta dos estabelecimentos comerciais afetados.

Em nota à Bloomberg Línea, a 99Food informou que recebeu “de forma serena e positiva a denegação da medida preventiva pleiteada pela Keeta no plenário do CADE”, assim como “a decisão de continuidade da investigação e seguimos confiantes na legitimidade das nossas práticas.”

Também em nota, a Keeta afirmou que “permanece confiante na atuação das autoridades para corrigir as disfuncionalidades do mercado de food delivery no Brasil. Cada dia sem uma decisão definitiva tem um custo concreto e diário para todo o ecossistema”.

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Os eixos de apuração

Ao devolver o caso para novas diligências da Superintendência-Geral, o conselheiro-relator e presidente interino Diogo Thomson de Andrade fixou eixos analíticos de investigação obrigatória para orientar a análise do Tribunal.

O órgão realizará diligências diretas junto aos restaurantes e redes comerciais para medir a extensão real das restrições impostas e o desincentivo ao uso simultâneo de outras plataformas, conhecido como “multi-homing”.

E ainda dimensionar a relevância dos estabelecimentos “must-have”, mapeando se a retenção exclusiva de restaurantes estratégicos compromete a capacidade de novos concorrentes atraírem usuários.

A instrução também precisa examinar a estrutura e a arquitetura contratual, como as cláusulas de exclusividade, os prazos exigidos, o aporte dos incentivos financeiros concedidos e a proporcionalidade das multas rescisórias.

Na lista, entram ainda uma análise do contexto atual do mercado de delivery, com a Rappi, a reentrada da 99Food, o desembarque recente da Keeta e a posição consolidada do iFood.

O Termo de Compromisso de Cessação (TCC) firmado pelo iFood definindo um limite para contratos de exclusividade também é um ponto a ser revisitado, de acordo com o relator. O órgão vai observar se as obrigações e limitações fixadas ao líder do setor em 2023 ainda são eficazes ou necessitam de ajustes.

Na mira, entrou também a denunciante. O relator determinou a apuração de denúncias da 99Food contra a Keeta, que acusa a rival de aplicar regras comerciais de restrição semelhantes.

Cade negou o pedido de medida preventiva apresentado pela Keeta, que buscava suspender liminarmente as cláusulas de exclusividade da 99Food

Redata coloca o Brasil no radar de investimentos globais, diz VP da AWS para a região

2 de Setembro de 2026, 16:42

A Amazon Web Services (AWS) recebeu como “ótima notícia” a aprovação do Redata, o regime especial de tributação para data centers aprovado em votação no Senado na terça-feira (1º) e que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para a vice-presidente da AWS na América Latina, Paula Bellizia, o projeto — que susta e depois zera tributos como IPI, PIS/Cofins e Imposto de Importação sobre equipamentos destinados a data centers — coloca o país “no radar dos investimentos globais” num momento em que a corrida por infraestrutura de nuvem e IA se intensifica.

“Nós temos uma oportunidade gigante. Agora, ter certeza de como vai ser aplicada é que vai ser a grande questão”, afirmou a executiva, se referindo ao modelo como o regime será regulamentado, durante uma entrevista a jornalistas nesta quarta-feira (2), antes da abertura de um evento da empresa em São Paulo nesta semana.

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O Redata foi criado por medida provisória pelo governo federal, perdeu a validade em fevereiro e foi retomado como projeto de lei, aprovado pela Câmara ainda no início do ano. A versão que passou pelo Senado, sob relatoria do senador Cid Gomes, manteve o mérito do texto da Câmara para evitar uma nova tramitação.

Leia também: São Paulo tem o custo de construção de data center mais alto na América Latina

Os projetos de data centers precisam fazer o uso de energia de fonte renovável, como solar e eólica. No Senado, foi incluída ainda a oferta de energia de “baixa emissão”, abrindo espaço para o gás natural.

O governo estima uma renúncia fiscal de cerca de R$ 5,2 bilhões em 2026, caindo para R$ 1 bilhão em cada um dos dois anos seguintes. Entre as condições de acesso, as empresas interessadas também precisam estar em dia com os tributos federais.

A aprovação do projeto é apenas uma parte do problema de competitividade tributária, porque trata apenas do imposto federal. A parcela estadual, o ICMS, depende de uma segunda frente, negociada no Confaz, o órgão colegiado formado pelos Secretários de Fazenda de todos os Estados, do Distrito Federal e presidido pelo Ministro da Fazenda.

No conselho, se discute a redução de até 90% da alíquota sobre equipamentos de data center. Essa proposta está parada desde o ano passado e o estado de São Paulo, autor do texto, havia retirado o item da pauta do colegiado à espera da aprovação do Redata. Uma reunião do grupo técnico do Confaz sobre o tema está marcada para esta sexta-feira, dia 4.

Paula Bellizia, da AWS: O Brasil não está ficando nada atrás do restante do mundo. Antes, nós tínhamos um compasso um pouco diferente, o Brasil vinha depois

Quinze anos de operação

A AWS opera no Brasil desde 2011, quando construiu no país a oitava região de nuvem do mundo da companhia — a primeira da América Latina. Bellizia lembra que a empresa já investiu US$ 3,8 bilhões em infraestrutura e anunciou mais US$ 1,8 bilhão em 2024, somando US$ 5,6 bilhões anunciados para o Brasil.

A conta regional é maior, somando US$ 5 bilhões anunciados para uma região no México em 2025 e outros US$ 4 bilhões previstos para uma futura região no Chile. O volume total investido pela AWS na América Latina chega a US$ 14,6 bilhões.

Mesmo com o avanço do Redata, a executiva evita prometer novos anúncios imediatos de investimento atrelados à lei.

“Não temos nada para anunciar hoje, mas o nosso compromisso com o Brasil está dado. De novo, a oitava região do mundo a ser construída foi o Brasil, nós temos milhares de clientes que estão escolhendo a AWS no Brasil e alguns dos principais clientes que são líderes de indústria conosco”, afirmou Bellizia.

Leia também: Data centers ganham espaço na eleição no Brasil em contraste com resistência nos EUA

Questionada sobre o impacto ambiental da expansão de data centers, a executiva afirmou que a meta da AWS é atingir o patamar “water positive” (devolver mais água do que consome) até 2030, e que novas regiões — caso da unidade mexicana, em operação desde janeiro de 2025 — já não usam água para resfriamento.

A companhia se apresenta como uma das maiores compradoras corporativas de energia renovável do mundo e destaca a matriz elétrica brasileira, majoritariamente limpa, como vantagem competitiva do país para sediar infraestrutura.

Segundo a executiva, a empresa tem visto a demanda crescente por inteligência artificial acelerar o ritmo de expansão da adoção de estruturas em nuvem.

“O Brasil não está ficando nada atrás do restante do mundo. Antes, nós tínhamos um compasso um pouco diferente, o Brasil vinha depois”, disse. “Hoje, das 12 milhões de empresas no Brasil, 50% já estão adotando IA e já passam para um nível de adoção diferente do que só pilotos.”

Leia também: Um ano após pré-seed, Bull capta R$ 20 milhões para expandir além do crédito consignado

A capacidade computacional da AWS dobrou desde 2022 até hoje e está em processo de dobrar novamente em 2026, contou a executiva. Mesmo com o ritmo acelerado de expansão, a capacidade global de infraestrutura de IA da AWS já está “totalmente comprometida” para 2027, com parte relevante das negociações futuras já direcionada para 2028 — reflexo da corrida por capacidade puxada pela demanda dos clientes.

Recentemente, a companhia anunciou um acordo firmado com a Nvidia para triplicar a capacidade de GPU disponível para clientes da AWS.

Nos primeiros seis meses do ano, a empresa registrou um crescimento expressivo em vendas líquidas.

“A AWS está em forte expansão, crescendo 36,7% em relação ao mesmo período do ano anterior no segundo trimestre — nosso crescimento mais rápido em 18 trimestres — e nossos negócios de IA e Chips ultrapassaram, cada um, uma taxa de receita anualizada (run rate) de mais de US$ 25 bilhões”, disse Andy Jassy, presidente e CEO da Amazon, em nota que acompanhou o balanço de resultados.

© Noah Berger

Num momento em que a corrida por infraestrutura de nuvem e IA se intensifica, o projeto zera tributos federais sobre equipamentos destinados a data centers. Photographer: Noah Berger/Getty Images

O ‘bairro de luxo’ da Multiplan em Porto Alegre

2 de Setembro de 2026, 06:59

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Conhecida por operar shoppings tradicionais como o BarraShopping, no Rio, e o MorumbiShopping, em São Paulo, a Multiplan tem reforçado sua operação de imóveis residenciais.

O principal símbolo dessa retomada é o projeto Golden Lake, um bairro fechado de alto padrão que está sendo erguido pela companhia às margens do Guaíba, em Porto Alegre, ao lado do BarraShoppingSul, empreendimento que a própria empresa inaugurou em 2008.

O projeto total prevê a construção de 20 torres, dividida em oito fases, com cerca de 250 mil metros quadrados de área privativa e valor geral de vendas (VGV) total estimado em R$ 5,2 bilhões.

No fim de agosto, a terceira etapa do novo condomínio, o Lake Baikal, foi colocada à venda com duas torres de 31 pavimentos, 88 apartamentos e VGV estimado em R$ 400 milhões. Algumas unidades residenciais no projeto chegam a custar R$ 28 milhões. A mais cara é uma cobertura duplex de 868 metros quadrados.

A linha de imóveis para venda representava historicamente cerca de 10% da receita e hoje ronda os 14%, disse o vice-presidente financeiro e de relações com investidores (CFO), Armando d’Almeida Neto, em conversa com jornalistas.

⇒ Leia a reportagem: Multiplan amplia braço imobiliário com ‘bairro de luxo’ de R$ 5,2 bi ligado a shopping

Complexo da Multiplan no bairro Cristal, às margens do Guaíba, em Porto Alegre.

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta quarta-feira (2) diante da escalada das tensões entre EUA e Irã, que impulsiona o petróleo e reforça as expectativas de alta de juros em setembro nas principais economias.

- Escalada no Estreito de Ormuz. Os EUA voltaram a atacar alvos na costa iraniana, levando Teerã a retaliar contra bases americanas no Oriente Médio. A escalada renovou os temores sobre o fluxo de petróleo pelo estreito e levou o Brent a superar US$ 97 o barril.

- BP escolhe Ian Tyler para presidir conselho. A petroleira nomeou o atual presidente interino para o cargo após a saída de Albert Manifold em maio. A decisão ocorre enquanto a CEO Meg O’Neill avança na venda de ativos e na redução da dívida para tentar recuperar o desempenho da companhia.

- O alerta do CEO do Deutsche Bank. Christian Sewing disse que o avanço do populismo pode afastar investimentos e trabalhadores qualificados da Alemanha. A declaração ocorre antes da eleição na Saxônia-Anhalt, onde a AfD, de extrema direita, lidera as pesquisas com 42% das intenções de voto.

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🔘 As bolsas ontem (01/09): Dow Jones Industrials (-0,79%), S&P 500 (-0,71%), Nasdaq Composite (-1,03%), Stoxx 600 (-0,56%), Ibovespa (+1,30%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

• Mensagens recolocam Alexandre de Moraes no centro do caso Master

• Data centers ganham espaço na eleição no Brasil em contraste com resistência nos EUA

• Um ano após pré-seed, Bull capta R$ 20 milhões para expandir além do crédito consignado

• Também é importante: Emissões da indústria da moda crescem cerca de 14% em dois anos com uso de poliéster| IA já responde por mais da metade da receita da Baidu e pode elevar margens, diz CFO

• Opinião Bloomberg: Popularidade de Trump chega a ponto crítico. Por que isso preocupa os republicanos

• Para não ficar de fora: Investidores no Uruguai ampliam aposta no peso em sinal de desdolarização da economia

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Multiplan amplia braço imobiliário com ‘bairro de luxo’ de R$ 5,2 bi ligado a shopping

2 de Setembro de 2026, 06:00

Conhecida por operar shoppings tradicionais como o BarraShopping, no Rio, e o MorumbiShopping, em São Paulo, a Multiplan tem reforçado sua operação de imóveis residenciais.

O principal símbolo dessa retomada é o projeto Golden Lake, um bairro fechado de alto padrão que está sendo erguido pela companhia às margens do Guaíba, em Porto Alegre, ao lado do BarraShoppingSul, empreendimento que a própria empresa inaugurou em 2008.

O projeto total prevê a construção de 20 torres, dividida em oito fases, com cerca de 250 mil metros quadrados de área privativa e valor geral de vendas (VGV) total estimado em R$ 5,2 bilhões.

No fim de agosto, a terceira etapa do novo condomínio, o Lake Baikal, foi colocada à venda com duas torres de 31 pavimentos, 88 apartamentos e VGV estimado em R$ 400 milhões. Algumas unidades residenciais no Golden Lake chegam a custar R$ 28 milhões. A mais cara é uma cobertura duplex de 868 metros quadrados no Lake Victoria.

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A linha de imóveis para venda representava historicamente cerca de 10% da receita e hoje ronda os 14%, disse o vice-presidente financeiro e de relações com investidores (CFO), Armando d’Almeida Neto, em conversa com jornalistas.

Ele observou que o shopping atrai moradores para o entorno, os moradores viram consumidores recorrentes do shopping, e a companhia fica com as duas pontas do negócio, porque é dona do terreno inteiro. Há ainda um incentivo aos compradores dos imóveis: cada um ganha automaticamente o nível mais alto do programa de fidelidade do shopping e acesso ao estacionamento.

Leia também: Multiplan antecipa crédito de R$ 253 milhões antes da reforma tributária, diz CFO

O BarraShoppingSul tem atualmente R$ 1,1 bilhão em vendas anuais. A Multiplan reconhece que não é possível saber o quanto desse valor tem origem em moradores do bairro de luxo. O JPMorgan, porém, calcula que, se os 8,4 mil futuros moradores e funcionários frequentarem o shopping uma vez por semana, o acréscimo nas vendas dos lojistas pode passar de R$ 600 milhões no longo prazo.

Há um efeito contábil na mudança de composição da receita. A margem operacional líquida da operação de shopping ficou em 95% no último trimestre, enquanto a venda de imóveis trabalha entre 20% e 30%.

“À medida que você vende mais e tem uma atividade imobiliária maior, com uma atividade de shopping estável, a tua margem diminui não necessariamente porque você foi mal, simplesmente porque você mudou o mix de composição das tuas receitas”, explicou o executivo.

Expansão no residencial

Fundada em 1975 por José Isaac Peres, a Multiplan nasceu como incorporadora, virou operadora de shopping e agora retoma a construção residencial em escala, num momento em que parte dos analistas projeta desaceleração da economia brasileira em 2027.

Quando varejo perde fôlego, a tendência é de uma diminuição de receita de aluguel para as administradoras de shoppings. Aumentar a frequência nos centros comerciais é uma forma de minimizar esses efeitos, especialmente atraindo consumidores de alta renda.

Perguntado se prospecta terrenos parecidos em outras capitais onde tem shopping, o executivo da Multiplan admitiu que o desejo existe, mas os shoppings da companhia estão em regiões já adensadas.

A empresa prepara o desenvolvimento de um condomínio residencial no Rio de Janeiro, ao lado do VillageMall, e vendeu a terceiros projetos imobiliários acoplados ao ParkShopping Canoas, ao Parque Shopping Campo Grande e ao Parque Jacarepaguá, este com 220 salas comerciais.

No próprio complexo de Porto Alegre, ainda restam 52,5 mil metros quadrados para torres de uso misto e 30,8 mil metros quadrados de expansão do shopping.

Leia também: Multiplan inaugura expansão de R$ 400 mi do Morumbi e prepara disputa em Brasília

Ainda assim, o que trava a replicação é justamente a terra, pois a área do Golden Lake foi comprada do Jockey Club em 2009, depois de uma negociação que consumiu cerca de 15 anos e envolveu até a transferência das antigas cocheiras e a saída de famílias que moravam no local.

“Não tomamos nenhuma decisão pensando no curto prazo, mas pensando na geração de valor ao longo do tempo”, disse o CFO. “Não achamos que vão ser menos de 10 anos para fazer”, completou, se referindo ao prazo total para a construção de todas as fases do empreendimento.

Velocidade de vendas

O Lake Victoria, da primeira fase do projeto, tinha 78% das unidades vendidas ao fim do segundo trimestre, com R$ 444,8 milhões em VGV vendido. O Lake Eyre, ainda em obras e com entrega prevista para 2028, fechou o período com 76,4% e R$ 293,6 milhões.

O metro quadrado médio das duas primeiras fases saiu de R$ 13.970 em 2021 para R$ 20.261 em 2026, uma alta de 45% em cinco anos, com queda pontual em 2024, ano da enchente que atingiu a capital gaúcha.

Área comum do Golden Lake, em Porto Alegre: o bairro fechado da Multiplan reúne lago artificial de 5 mil metros quadrados, beach club e um centro de bem-estar de 3.500 metros quadrados entregue em julho, ao lado do BarraShoppingSul.

Só desde o quarto trimestre de 2024, o valor praticado no Lake Eyre subiu 38%, contra 9% do IPCA e cerca de 11% do INCC, índice que mede o custo da construção, segundo relatório do JPMorgan.

A maioria dos compradores é de médicos, advogados, empresários e produtores rurais de Porto Alegre, da região metropolitana e de fora do estado, segundo a equipe comercial.

A companhia mantém dez corretores próprios e recebeu mais de 4 mil pedidos de credenciamento de corretores independentes desde a primeira fase, informou o JPMorgan, em relatório.

Das 94 unidades do Lake Victoria, 75 foram vendidas, 15 famílias se mudaram e outras 40 devem entrar até o fim do ano.

Contribuição de R$ 1 bi em uma década

Nas contas do JPMorgan, o Golden Lake pode gerar até R$ 1 bilhão em lucro líquido ao longo de uma década, ou R$ 525 milhões a valor presente, algo como 5% do valor de mercado da companhia.

A nova legislação urbana de Porto Alegre, que autoriza torres de até 43 andares, elevaria o VGV do projeto para perto de R$ 7 bilhões. O banco mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 38 para dezembro, ante ação a R$ 27,42 no dia 27.

O avanço do Golden Lake passou a entrar nas contas dos bancos estrangeiros que acompanham a companhia. Em relatório de 18 de agosto, o Bank of America apontou o Lake Baikal e um conjunto de expansões de shoppings como potencial de alta para a ação, com cerca de 33 mil metros quadrados ainda por destravar.

O ciclo pesado de investimento já passou e agora sustenta o crescimento, escreveu o analista Victor Tapia, que elevou o preço-alvo da ação da Multiplan para R$ 36.

Fundos imobiliários e incorporadoras procuraram a Multiplan para dividir o Golden Lake e foram recusados, contou o CFO, que atribuiu a decisão ao fato de a companhia também construir, e não apenas incorporar.

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Allos projeta R$ 540 mi em receitas com 72 torres de ‘minicidades’ em shoppings

Complexo da Multiplan no bairro Cristal, às margens do Guaíba, em Porto Alegre: as torres do Golden Lake ficam ao lado do BarraShoppingSul. (Foto: Divulgação/Multiplan)

Real Time Big Data: Lula e Flávio aparecem empatados no segundo turno com 44%

1 de Setembro de 2026, 13:51

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados em cenário de segundo turno em pesquisa da RealTime Big Data divulgada nesta terça-feira (1º).

Os dois somam 44% dos votos válidos cada um, com 9% de nulos e brancos e 3% de indecisos. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com índice de confiança de 95%.

O resultado marca uma mudança em relação aos meses anteriores. Na série histórica da RealTime Big Data, Lula abriu vantagem sobre Flávio em junho (45% a 40%) e manteve a dianteira em julho (45% a 42%).

Em maio, Flávio havia liderado por um ponto (44% a 43%), e em março Lula estava à frente por margem semelhante (42% a 41%). Setembro é o primeiro mês, desde março, em que os dois candidatos aparecem empatados.

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O levantamento também testou o desempenho de outros candidatos no segundo turno. Contra o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), Lula fica atrás: 43% a 45%. Diante do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o presidente venceria por 43% a 40%.

Contra o ativista Renan Santos (Missão) e o coach Pablo Marçal (PRTB), as vantagens de Lula seriam de sete e quatro pontos: 44% a 37% e 44% a 40%, respectivamente.

Leia também: Eleição caminha para ser um ‘espelho’ de 2022, diz Rafael Cortez, da Tendências

Primeiro turno

Na pesquisa estimulada no primeiro turno -- isto é, com todos os nomes dos candidatos apresentados aos eleitores --, Lula lidera as intenções de voto com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 29%.

Na sequência aparecem o escritor Augusto Cury (Avante), com 10%, Renan Santos (Missão), com 6%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Pablo Marçal (PRTB), com 3%. Romeu Zema (Novo) tem 2%. Brancos e nulos somam 3%, e outros 3% não souberam ou não quiseram responder.

No cenário sem Pablo Marçal, Lula tem 38% e Flávio Bolsonaro, 30%. Em seguida aparecem Augusto Cury (11%), Renan Santos (7%), Ronaldo Caiado (4%) e Zema (2%). Demais candidatos somam 2%; nulos e brancos, 3%, enquanto 3% não souberam ou não responderam.

Quando a pergunta foi feita de forma espontânea, sem que o entrevistador citasse os nomes, Lula teve 35% das menções e Flávio Bolsonaro, 25%. Augusto Cury e Renan Santos empataram com 4% cada, e Ronaldo Caiado apareceu com 2%. Nesse formato, a proporção de brancos, nulos e indecisos foi maior: 11% e 16%, respectivamente, contra 3% e 3% no cenário com nomes apresentados.

A diferença entre os dois formatos mostra reserva de votos ainda não mobilizada em torno de cada candidatura.

Augusto Cury é quem mais cresce ao ser lembrado pelo entrevistador: salta de 4% na espontânea para 10% na estimulada, alta de seis pontos. Flávio Bolsonaro sobe quatro pontos (de 25% para 29%), Lula ganha três (de 35% para 38%) e Renan Santos, dois (de 4% para 6%).

Metodologia: 2.000 entrevistas telefônicas, realizadas entre 27 e 31 de agosto, com eleitores de todo o território nacional. Margem de erro de +/- 2,0 pontos percentuais, índice de confiança de 95%. Registro: BR-03490/2026.

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Um ano após pré-seed, Bull capta R$ 20 milhões para expandir além do crédito consignado

1 de Setembro de 2026, 09:41

Pouco mais de um ano após captar um pré-seed R$ 10 milhões, a Bull, plataforma de credit as a service, volta ao mercado com uma nova captação. A fintech levantou R$ 20 milhões, em rodada seed liderada pelos fundos Maya e Caravela.

Fundada em 2025 por Juliana Freitas (CEO) e José Pires Neto (COO), a Bull saiu do MVP para uma base de mais de 20 clientes em pouco mais de um ano de operação. A startup tem um único produto: crédito consignado privado. O horizonte é ser uma plataforma de multiprodutos e novo aporte deve contribuir para ampliar a esteira de ofertas.

“Criamos uma infraestrutura que simplifica essa oferta. Então, em vez de ele ter que montar todo o tecnológico e todo o stack de inteligência de crédito, com operações, atendimento, cobrança e conciliação, nós fazemos isso”, afirmou José Neto em entrevista à Bloomberg Línea.

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Segundo ele, em menos de um mês, um cliente consegue iniciar a sua operação de crédito. No portfólio atual da Bull, estão clientes como RecargaPay, Ng.Cash, C&A e Pernambucanas, segundo a empresa.

O crédito consignado privado teve um novo impulso no ano passado, após uma reformulação e o lançamento do programa “Crédito do Trabalhador”, para trabalhadores com carteira assinada.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, o “Crédito do Trabalhador” movimentou mais de R$ 131 bilhões desde março de 2025 e beneficiou mais de 9 milhões de pessoas. A taxa de juros, que gira em torno de menos da metade em relação ao empréstimo pessoal tradicional, é o principal atrativo do programa.

“Vimos no concebimento privado uma grande oportunidade, como ele tem se demonstrado”, afirmou Juliana. Os dois também fundaram a FortBrasil, companhia de crédito e cobrança do Ceará que chegou a ter 700 funcionários e que foi adquirida em 2023 pela DM, empresa que tem a Vinci Partners como investidora.

Juliana Freitas e José Pires Neto, sócios na Bull:  os recursos serão direcionados ao fortalecimento da plataforma, com investimentos em IA, fundação de dados, cibersegurança e automação de processos para reduzir o custo operacional

As novas linhas de produtos

Para a criação da Bull, a dupla, que soma mais de 20 anos de experiência no mercado de crédito, decidiu instalar a operação da startup em São Paulo. Decisão que, segundo os executivos, facilitou o acesso a investidores e a clientes de maior porte, hoje concentrados nesse relacionamento direto do dia a dia.

Com o novo aporte, que também contou a participação da Canary - gestora que liderou a rodada anterior -, a startup deve ampliar o portfólio de modalidades oferecidas pela mesma infraestrutura.

Leia também: Com Google e B3, Monashees abre hub de startups de IA com modelos de negócios globais

Entre as frentes em estudo estão linhas de crédito colateralizado, como financiamento de veículos e motos, e diferentes formatos de antecipação de recebíveis dentro de cadeias de relacionamento entre empresas e seus fornecedores ou clientes.

“Queremos transformar essa mesma plataforma em uma plataforma que consegue lançar diversos produtos de crédito da mesma forma que eu lanço hoje”, afirma Neto.

Os recursos da rodada serão direcionados ao fortalecimento da plataforma, com investimentos em inteligência artificial, fundação de dados, cibersegurança e automação de processos para reduzir o custo operacional.

Os fundadores afirmam que, nos últimos três meses, a Bull passou por um investimento mais forte em times de dados, produto e engenharia, o que tem acelerado a velocidade de entrega de novas funcionalidades.

O time é composto por 40 profissionais, concentrado em perfis seniores, número que não deve crescer consideravelmente no curto espaço de tempo.

“Temos seguido essa tendência de usar mais IA e pessoas sêniores, pessoas caras, de mercado, que tem alta capacidade de criar produtos de uma forma rápida. Entendemos que para alcançar ao R$ 1 bilhão em movimentações, não precisaremos chegar a 50 pessoas”, afirma Neto.

Leia também: Sergio Buniac deixa Motorola após 30 anos e assume unidade de celulares e IA da Qualcomm

O montante de R$ 1 bilhão é uma meta de originação que os cofundadores estabeleceram para bater em 2026. Em cinco anos, a ambição é chegar a R$ 10 bilhões, projeção que eles dizem querer superar.

Eles contam com três estratégia de crescimento para o primeiro número: aprofundar a penetração nos clientes já ativos, que devem responder por mais de 60% da originação do ano; adicionar novos clientes, com contribuição estimada entre 10% e 15%; e um canal de distribuição via leilão, em testes nas últimas semanas e que deve ser impulsionado no último trimestre do ano.

“E temos a expectativa de que no último mês do ano já tenhamos também alguma contribuição de um novo produto”, adiciona Freitas.

© Filipe Serrano/Bloomberg Línea

A Bull tem um único produto: crédito consignado privado. (Foto: Bloomberg Línea)

Por que a eleição é uma repetição de 2022, segundo a Tendências

1 de Setembro de 2026, 06:58

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A corrida presidencial de 2026 já mostra sinais de que deve seguir o mesmo roteiro de 2022: uma disputa concentrada em dois nomes, marcada por rejeição alta e decidida por margem estreita no segundo turno.

Essa é a leitura de Rafael Cortez, cientista político, sócio da Tendências Consultoria e professor do IDP, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea.

Para Cortez, o diagnóstico não depende tanto de quem lidera as pesquisas em determinada semana, mas de um conjunto de fatores estruturais que se repetem desde a eleição passada.

“É muito difícil escapar da conclusão de que essa eleição vai ser parecida com a de 2022: um segundo turno com uma vantagem apertada, com cada voto contando”, afirma.

Entre os fatores estruturais, estão o baixo grau de volatilidade do eleitorado propenso a mudar de candidato e a permanência dos temas que mobilizam a campanha eleitoral, aponta ele.

⇒ Leia a reportagem: Eleição caminha para ser um ‘espelho’ de 2022, diz Rafael Cortez, da Tendências

Rafael Cortez, cientista político e sócio da Tendências Consultoria, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta terça-feira (1º), enquanto os rendimentos dos títulos mantêm a trajetória de alta, com os investidores ampliando as apostas de que os bancos centrais elevarão os juros já neste mês.

- Shein após IPO em Hong Kong. As ações da varejista de fast fashion fecharam praticamente estáveis em sua estreia na bolsa de Hong Kong, após chegarem a cair 10% no início do pregão. O IPO levantou US$ 1,7 bilhão e avaliou a companhia em pouco mais de US$ 26 bilhões, uma fração dos quase US$ 100 bilhões de 2022.

- Novo patamar para a IA da Baidu? A companhia projeta que a margem de lucro de seus negócios de inteligência artificial se equipare, no curto prazo, à da operação tradicional de buscas, disse o CFO Henry He à Bloomberg Television. A receita ligada à IA já representa mais da metade das vendas da companhia.

- Apple acusa OpenAI de destruir provas. A fabricante do iPhone intensificou a disputa judicial contra a OpenAI ao alegar que a empresa de IA destruiu provas e utilizou segredos comerciais levados por um ex-engenheiro da Apple. A OpenAI nega que os documentos tenham relação com o trabalho do ex-funcionário na empresa.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (31/08): Dow Jones Industrials (-0,70%), S&P 500 (-0,33%), Nasdaq Composite (-0,12%), Stoxx 600 (-0,62%), Ibovespa (+1,0%)
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🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

• Fundos multimercado encolhem no Brasil e gestores migram para os grandes bancos

• Natura troca CEO: Alessandro Carlucci retorna ao cargo após 12 anos

• Augusto Cury avança em pesquisas e desponta como terceiro nome na disputa presidencial

• Também é importante: Mina de terras raras no Brasil expõe desafio dos EUA para reduzir dependência da China | OpenAI atinge US$ 1 bilhão em receita anualizada com anúncios e amplia operação

• Opinião Bloomberg: Kevin Warsh acertou o tom sobre a inflação. Agora será preciso agir

• Para não ficar de fora: iFood denuncia Meituan ao Cade e acusa Keeta de preços artificialmente baixos

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Eleição caminha para ser um ‘espelho’ de 2022, diz Rafael Cortez, da Tendências

1 de Setembro de 2026, 06:00

A corrida presidencial de 2026 já mostra sinais de que deve seguir o mesmo roteiro de 2022: uma disputa concentrada em dois nomes, marcada por rejeição alta e decidida por margem estreita no segundo turno.

Essa é a leitura de Rafael Cortez, cientista político, sócio da Tendências Consultoria e professor do IDP, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea.

Para Cortez, o diagnóstico não depende tanto de quem lidera as pesquisas em determinada semana, mas de um conjunto de fatores estruturais que se repetem desde a eleição passada.

“É muito difícil escapar da conclusão de que essa eleição vai ser parecida com a de 2022: um segundo turno com uma vantagem apertada, com cada voto contando”, afirma.

Entre os fatores estruturais, estão o baixo grau de volatilidade do eleitorado propenso a mudar de candidato e a permanência dos temas que mobilizam a campanha eleitoral.

Cortez aponta a rejeição alta dos dois principais candidatos e a distância entre os polos como elementos que sustentam essa consolidação. Segundo ele, Lula e Flávio Bolsonaro já têm taxa de conhecimento consolidada junto ao eleitorado, o que reduz o espaço para migração de voto entre um lado e outro.

Para ele, esse diagnóstico é o que permite filtrar o ruído das pesquisas: quando a resposta aponta para consolidação, o cenário eleitoral tende a se manter estável mesmo diante de episódios pontuais de campanha.

“Essas forças estão muito distantes umas das outras. Para um eleitor que se vincula ao Lula, ter que eventualmente mudar de ideia ao longo da campanha e ir para o Flávio é muito difícil. E o outro lado também é verdadeiro”, diz.

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O ponto de partida desse raciocínio é a avaliação do governo, hoje dividida quase ao meio entre aprovação e desaprovação, patamar semelhante ao observado na eleição anterior.

Segundo ele, esse tipo de leitura estrutural já permitia prever, meses atrás, que a corrida chegaria apertada ao segundo turno, antes mesmo da indicação de Flávio Bolsonaro como sucessor de Jair Bolsonaro.

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Cortez lembra que, quando o ex-presidente define o nome do filho, o efeito é apenas devolver a disputa ao patamar que já existia nas simulações entre Lula e o próprio Bolsonaro. “A partir da indicação, só estava voltando ao normal, e o normal era Lula versus Bolsonaro apertado”, diz.

Agenda negativa marca início de campanha

As primeiras semanas de campanha, segundo o cientista político, têm sido dominadas por uma postura reativa dos dois principais candidatos, mais preocupados em responder a episódios pontuais do que em apresentar propostas.

Ele cita o caso Master e a investigação da Polícia Federal envolvendo o filho do presidente Lula como exemplos de itens da chamada agenda negativa que têm pautado a repercussão na imprensa.

Do lado de Flávio Bolsonaro, o movimento é semelhante. Cortez descreve um ciclo de idas e vindas na estratégia de campanha. A tentativa inicial de moderação, resumida no discurso “eu sou o meu pai vacinado”, foi abandonada depois da repercussão dos áudios envolvendo o candidato e o empresário Daniel Vorcaro.

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A resposta, segundo ele, foi um retorno à base bolsonarista mais fiel, visível em peças de campanha como um vídeo produzido por inteligência artificial e em imagens do candidato usando colete à prova de balas.

Apesar da agenda negativa, Cortez avalia que Lula e Flávio mantêm uma vantagem consolidada sobre os demais candidatos, sustentada por um eleitorado mais fiel e por uma taxa de conhecimento que os rivais ainda não alcançaram. “É natural, porque a gente está falando de dois nomes que já têm uma taxa de conhecimento muito alta. Não só o conhecimento de saber quem é, mas no imaginário político”, diz.

Segurança pública no eixo do debate

Um dos pontos explorados por Cortez na entrevista é a centralidade inédita do tema da segurança pública nesta campanha. Segundo ele, o assunto ocupou o espaço historicamente dominado por pautas ligadas à corrupção em eleições anteriores.

O cientista político relaciona essa mudança a três fatores que convergiram nas últimas semanas: a tramitação da PEC da Segurança Pública, a mudança promovida pelos Estados Unidos na classificação de organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas e a popularização de referências ao modelo de segurança adotado em El Salvador. “Isso deu uma abertura para esse tema voltar”, afirma, sobre o efeito da medida americana.

Do lado do governo, a estratégia passa pela criação do Ministério da Segurança Pública. Do lado da oposição, Flávio Bolsonaro lançou o programa Brasil Sem Medo antes mesmo de formalizar a candidatura.

Segundo Cortez, o tema deve se combinar, ao longo da campanha, com outras duas pautas que ele considera particularidades da eleição de 2026: a relação do Brasil com o governo americano e a disputa em torno do chamado tarifaço. “Tarifaço, corrupção e segurança pública vão dar o caldo para essa disputa”, resume.

Agenda do governo busca conter desgaste

Cortez também analisa o pacote de medidas em tramitação no Congresso — que inclui, além da PEC da Segurança, a proposta de revogar a taxação sobre compras internacionais e a chamada escala 6 por 1.

Para ele, o conjunto de pautas funciona como uma ferramenta de controle de agenda por parte do governo. “A grande coisa de ser governo numa campanha é que o governo, por ter o poder da caneta, ele impacta de maneira mais eficiente quais os temas da campanha vão ser discutidos”, diz.

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O efeito prático, segundo o cientista político, é deslocar o debate público para longe da investigação envolvendo o filho do presidente Lula, ao mesmo tempo em que o governo tenta recuperar fôlego numa avaliação que melhorou ao longo do semestre, mas que mais recentemente estagnou.

Cortez atribui a isso um cenário de “ligeiro favoritismo” do governo para a eleição de 2026, mesmo diante do desgaste acumulado no primeiro semestre do ano.

Falta de unidade do antipetismo

Na avaliação de Cortez, uma eventual vitória de Lula em 2026 dependeria menos de méritos do próprio governo e mais da dificuldade da oposição em se organizar. “Se o Lula ganhar, vai ser menos por mérito do governo Lula e mais por o problema da oposição”, diz.

O diagnóstico do cientista político é que o campo antipetista é plural e nem sempre coincide com o bolsonarismo — o que cria disputas internas em diferentes estados. Ele cita o caso de Santa Catarina, onde a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado deixou de fora o senador Esperidião Amin, antipetista mas fora do campo bolsonarista, criando uma competição direta entre nomes que, em tese, deveriam estar do mesmo lado.

Para Cortez, essa fragmentação ajuda a explicar por que a rejeição ao governo não se converte automaticamente em voto para a oposição, porque parte do eleitorado que reprova o governo, mas hesita em migrar para Flávio Bolsonaro.

Pesquisas, agregadores e abstenção

Questionado sobre como investidores devem interpretar as pesquisas eleitorais, Cortez recomenda cautela com oscilações pontuais entre um levantamento e outro, defendendo o uso de agregadores diante do aumento no volume de institutos em atividade.

Segundo ele, boa parte das variações recentes reflete diferenças metodológicas entre os institutos, e não mudanças reais no comportamento do eleitorado.

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Como variável adicional para o segundo turno, Cortez destaca a taxa de comparecimento às urnas, especialmente em estados onde a disputa para governador já estiver definida no primeiro turno — cenário que, segundo ele, tende a aumentar a abstenção entre eleitores pouco engajados com a corrida presidencial.

Para o cientista político, essa dinâmica prejudica mais a candidatura de Flávio Bolsonaro do que a de Lula, já que a oposição depende de mobilizar eleitores que reprovam o governo, mas não necessariamente pretendem votar.

Historicamente, afirma, a abstenção tende a prejudicar mais o PT, por ser maior entre eleitores de renda mais baixa. Mas, no cenário de segundo turno desenhado por Cortez, o desafio de mobilização recai sobre o adversário do governo. “O Flávio tem que convencer o cara que não gosta do Lula a vir para ele. É um eleitor diferente. Então o Flávio tem um problema maior com abstenção”, diz.

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Rafael Cortez: 'É muito difícil escapar da conclusão de que essa eleição vai ser parecida com a de 2022'. (Foto: Bloomberg Línea)

Chilli Beans busca acordo com bancos para reestruturar dívida e alongar prazos

31 de Agosto de 2026, 22:47

A Chilli Beans renegocia com bancos credores o alongamento dos prazos de pagamento e a redução dos juros de sua dívida, segundo nota divulgada nesta segunda-feira (31).

A rede de óculos e acessórios, uma das maiores do Brasil, afirma que não há nenhuma discussão sobre eventual processo de recuperação judicial e diz que as tratativas seguem em negociação amigável em estágio avançado.

O posicionamento da companhia nega o conteúdo de notícias publicadas na imprensa nesta segunda-feira sobre uma possível iminência de um pedido de proteção judicial.

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“Para auxiliar a empresa neste projeto, o executivo André Dela Togna assumirá, no dia 1 de outubro, como vice-presidente da companhia, apoiando operacionalmente o CEO, Caito Maia, que pretende se dedicar cada vez mais aos clientes e franqueados”, acrescentou a nota.

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Maia é uma figura conhecida do empreendedorismo brasileiro, que costuma ser descrito no material de divulgação da companhia como um “rockstar dos negócios”.

O empresário abriu a primeira loja em 1997 e introduziu o autoatendimento no varejo óptico, segundo a empresa, que também destaca sua atuação como apresentador de programa na rádio 89FM, autor e integrante do elenco do reality Shark Tank Brasil.

Dela Togna se apresenta no LinkedIn como executivo de reestruturações. Foi sócio da Galeazzi & Associados, consultoria de turnaround, entre 2017 e 2022.

Antes disso, ele foi CEO da Paquetá The Shoes Company, a calçadista gaúcha que passou por recuperação judicial. Desde agosto de 2023 comandava a Ledervin, fabricante de laminados plásticos. É formado pela FGV.

Emissão de R$ 100 mi e crédito com BNDES

A companhia não forneceu detalhes do endividamento, como valor do passivo e prazos, nem da negociação, como os nomes dos bancos credores.

Parte dessa dívida, porém, é pública. Em fevereiro de 2025, a Mustang 25 Participações, a holding com sede em Barueri que centraliza as operações do grupo, tomou até R$ 100 milhões por meio de notas comerciais escriturais securitizadas pela Vert Companhia Securitizadora e distribuídas como debêntures a investidores profissionais, com o Banco Modal na coordenação líder e a UBS BB como coordenadora, segundo o aviso ao mercado da oferta.

Os papéis são da espécie quirografária, ou seja, dívida sem garantia real, o que coloca esses credores atrás dos que têm garantia em caso de reestruturação.

A oferta também informa que as debêntures não seriam avaliadas por agência de classificação de risco e que a concentração dos direitos creditórios é de devedor único, com todo o risco apoiado numa única pagadora.

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A operação seguiu o rito de registro automático de distribuição previsto na Resolução 160 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que dispensou prospecto, lâmina e análise prévia do regulador e da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), e restringiu a compra a investidores profissionais.

Dois meses depois, em abril de 2025, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) contratou um limite de crédito de R$ 30 milhões com a rede, destinado a capital de giro e ao repasse de recursos a 235 franqueados e a micro, pequenas e médias empresas da cadeia produtiva que não pertencem ao grupo, segundo o banco de fomento.

Na nota à imprensa, a Chilli Beans buscou mostrar que a renegociação de sua dívida com credores não estaria afetando aparentemente suas operações. Em fevereiro, a empresa divulgava ter mais de 1.000 pontos de venda e falava em um projeto de abertura de mais 400 lojas, apostando no setor de franquias.

“Com resultados recordes no último Dia dos Pais, a companhia projeta crescimento de 10% neste ano e já prepara lançamentos especiais em homenagem às trajetórias de diversos artistas”, citou a nota.

A varejista também acrescentou, sem fornecer detalhes, que “parcerias com grandes marcas da moda e iniciativas com foco regional também estão em desenvolvimento”.

A renegociação da Chilli Beans amplia a lista de empresas alavancadas que buscam reestruturar seus vencimentos, incluindo por meio da recuperação judicial ou extrajudicial. Em agosto, o Grupo Casas Bahia (BHIA3) entrou em recuperação judicial por uma dívida de R$ 17,3 bilhões.

Renegociar prazo e taxa, como admitiu a Chilli Beans, é considerada uma reestruturação de dívida feita fora do tribunal. Isso preserva contratos, evita o desgaste de um pedido em juízo e mantém fornecedor e franqueado na mesa. Mas as negociações não costumam reduzir o saldo devedor. Empurram o vencimento para a frente e transfere para os próximos anos a conta que a operação não está conseguindo pagar agora.

A crise da rede não vem de retração do setor. O mercado óptico brasileiro faturou R$ 28,079 bilhões em 2025, alta de 4,15% sobre os R$ 27 bilhões de 2024, e cresceu 3% no primeiro trimestre deste ano, com R$ 7,338 bilhões em vendas, segundo a Abióptica (Associação Brasileira da Indústria Óptica), entidade que reúne mais de 230 empresas e diz responder por 95% das marcas comercializadas no país.

O setor emprega cerca de 190 mil pessoas em 71.226 pontos de venda, e a projeção da associação para 2026 é de crescimento em torno de 5%.

A Chilli Beans afirma deter 25% do mercado brasileiro de óculos escuros, segundo material institucional da companhia, e disputa o varejo óptico com redes como Óticas Carol e Óticas Diniz, além da Chilli Beans Ótica, criada em 2019 para o segmento de grau.

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Empresa diz ter mais de 1.000 pontos de venda. (Foto: Divulgação/Chilli Beans)

OpenAI atinge US$ 1 bilhão em receita anualizada com anúncios e amplia operação

31 de Agosto de 2026, 12:53

A plataforma de publicidade da OpenAI dentro do ChatGPT atingiu uma receita anualizada de US$ 1 bilhão menos de 200 dias após o lançamento da ferramenta, segundo informou a desenvolvedora do chatbot de inteligência artificial nesta segunda-feira (31).

De acordo com a empresa, o ChatGPT Ads é usado por dezenas de milhares de anunciantes e passará a operar na Índia, na Europa e no Oriente Médio a partir desta segunda-feira (31). No Brasil, a operação de Ads começou em 4 de agosto em fase piloto.

O país já figura entre os mercados prioritários da companhia: segundo executivos da OpenAI ouvidos pela Bloomberg Línea em agosto, o Brasil está entre os cinco maiores mercados da empresa em receita e é o terceiro maior em número de usuários, atrás apenas de Estados Unidos e Índia.

A divisão de enterprise no país cresceu cinco vezes no último ano, impulsionada por parcerias como Itaú e Nubank.

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A publicidade é um dos pilares do modelo de negócio da OpenAI, ao lado de assinaturas para consumidores, ofertas corporativas e cobrança por uso via API. A combinação sustenta o nível gratuito do ChatGPT, hoje usado por mais de 1 bilhão de pessoas por semana.

Segundo a empresa, os anúncios usam o contexto da conversa em andamento — e, dependendo do país e das configurações do usuário, também dados de uso mais amplos no ChatGPT — para exibir publicidade relevante ao que a pessoa está pesquisando.

A OpenAI afirma que os anúncios são sempre identificados e separados das respostas do chatbot, que anunciantes não têm acesso a conversas privadas dos usuários e que a publicidade não influencia o conteúdo das respostas.

O lançamento do Ads Manager, em maio, abriu a plataforma a pequenas e médias empresas, que hoje representam parcela relevante do negócio.

A empresa também expandiu o ecossistema de parceiros de tecnologia e mensuração para mais de 50 empresas, e afirma que a maioria das campanhas hoje usa modelos de cobrança por clique ou por resultado.

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No Brasil, a operação publicitária começou em agosto. (Foto: SeongJoon Cho/Bloomberg)

Augusto Cury avança em pesquisas e desponta como terceiro nome na disputa presidencial

31 de Agosto de 2026, 12:38

Duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira (31) apontam o escritor Augusto Cury (Avante) como o terceiro nome da corrida presidencial, à frente de outros postulantes como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).

Pela pesquisa Atlas/Bloomberg, Cury aparece com 7,8% das intenções de voto no cenário de primeiro turno, atrás de Lula (PT) (43,4%) e Flávio Bolsonaro (PL) (33,7%).

O percentual representa alta em relação aos meses anteriores: a candidatura partia de patamar próximo a zero em abril, passou a 2% em junho e a 3% em julho, antes do salto para 7,8% em agosto.

Renan Santos (Missão) aparece com 7,6% no cenário de primeiro turno — logo atrás de Augusto Cury (7,8%) e à frente de Ronaldo Caiado (3,3%).

A pesquisa foi realizada entre 25 e 30 de agosto com 5.014 entrevistados e margem de erro de 1 ponto percentual.

Já a pesquisa Nexus/BTG Pactual, com coleta encerrada em 31 de agosto, mostra trajetória semelhante. No voto espontâneo, Cury soma 8%, ante 37% de Lula e 30% de Flávio Bolsonaro.

No voto estimulado, o percentual sobe para 11%, também na terceira posição, isolado à frente de Ronaldo Caiado (5%) e Renan Santos (3%).

A série histórica do instituto mostra o candidato estável entre 1% e 3% ao longo do ano, com salto abrupto apenas na última rodada, de 31 de agosto, quando atingiu 11%.

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Augusto Cury, de 67 anos, foi um dos três candidatos que participaram do primeiro debate presidencial nesta campanha, realizado pela TV Bandeirantes, ao lado de Ronaldo Caiado e Renan Santos.

O candidato é psiquiatra e autor de livros de autoajuda com mais de 25 milhões de exemplares vendidos no Brasil, segundo dados de sua editora, e disputa pela primeira vez um cargo eletivo.

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Os dois institutos convergem também sobre o perfil do eleitorado de Cury. Ele tem desempenho acima da média entre eleitores de 16 a 34 anos. Na pesquisa Atlas, chega a 19,8% na faixa de 25 a 34 anos. A pesquisa Nexus/BTG registra 22% entre jovens de 16 a 24 anos.

O candidato também cresce entre eleitores sem identificação partidária: 19,2% dos que se declaram independentes e 29,1% dos que não sabem se posicionar entre esquerda e direita, segundo a Atlas. Parcela relevante de seus votos vem de quem não compareceu às urnas ou anulou o voto em 2022.

Na pesquisa Atlas, Cury é o único político testado com saldo positivo de imagem: 34% de avaliação positiva contra 30% de negativa, resultado de +4 pontos percentuais. Lula tem saldo de -6 pontos e Flávio Bolsonaro, de -24 pontos. Cury também registra a menor rejeição entre os nomes testados, com 18,5%, ante 52% para Lula e 52,7% para Flávio Bolsonaro.

Os dados da Nexus/BTG indicam, no entanto, um voto pouco consolidado. Apenas 59% dos eleitores de Cury dizem já ter decidido o voto, ante 85% entre os eleitores de Lula e de Flávio Bolsonaro — o que deixa a candidatura mais exposta a oscilações até outubro.

Em cenário hipotético de segundo turno, o eleitorado de Cury migra majoritariamente para Flávio Bolsonaro (46%), contra 23% para Lula, enquanto 29% ficam indecisos ou declaram voto branco ou nulo.

A pesquisa também mostra que Cury capta parte da insatisfação com o governo Lula sem migrar automaticamente para o campo bolsonarista: entre os que desaprovam o governo, 17% declaram voto em Cury. Segurança pública e crescimento econômico aparecem como prioridades mais citadas por seus eleitores, acima da média do eleitorado geral.

A pesquisa Atlas/Bloomberg foi registrada no TSE sob o número BR-07972/2026, com coleta entre 25 e 30 de agosto de 2026, 5.014 entrevistas, margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. A pesquisa Nexus/BTG Pactual integra a Rodada 12 da série de pesquisas do banco sobre as eleições de 2026, com coleta encerrada em 31 de agosto.

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Augusto Cury: avanço nas pesquisas após participação em debate eleitoral. (Foto: Associação dos Magistrados Brasileiros/Flickr)

Brasil vira peça-chave para avanço da britânica Appian

31 de Agosto de 2026, 06:58

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A Appian Capital, fundo de investimento privado especializado em mineração, aposta na produção de minerais críticos no Brasil para crescer, de olho no potencial do mercado no país.

“O momento é positivo para a Appian, que historicamente tem o Brasil como sua principal jurisdição e onde a empresa mais fez investimentos. Continuamos otimistas e pisando no acelerador para fazer novos projetos no país”, disse o country manager da Appian Capital Brazil, Milson Mundim, em entrevista à Bloomberg Línea.

Estão programados no cronograma do fundo investimentos da ordem de R$ 3,3 bilhões no projeto de níquel na Bahia (Atlantic Nickel) e R$ 700 milhões no ativo de grafite em Minas Gerais (Graphcoa).

No primeiro semestre do ano, a operação Brasil da Appian registrou receita bruta de R$ 833 milhões, alta de 33% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 339 milhões no período, aumento de 82% na mesma base de comparação.

⇒ Leia a reportagem: Britânica Appian vê Brasil como peça-chave para avançar em minerais críticos

Projeto de níquel da Appian: elevado nível de recuperação do minério extraído. (Foto: Divulgação)

No radar dos mercados

Os futuros de ações dos EUA operam sem direção única nesta segunda-feira (31), após o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, adotar um tom mais duro sobre a inflação em Jackson Hole. O petróleo avança em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.

- Vantagem de Lula diminui. Lula lidera sobre Flávio Bolsonaro por 47,1% a 42,6% em um eventual segundo turno, segundo pesquisa AtlasIntel para a Bloomberg News, ante uma diferença de cerca de 6 pontos em julho. O recuo ocorre em meio às investigações envolvendo seu filho Lulinha.

- EUA e Irã voltam a trocar ataques. Forças americanas atingiram uma ilha iraniana no Estreito de Ormuz, e Teerã respondeu com ataques contra alvos ligados aos EUA na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos. A nova escalada deu impulso ao Brent, que superou os US$ 90 o barril.

- Preços agrícolas disparam. O Índice Bloomberg Agriculture Spot acumula alta de mais de 13% em agosto, a maior desde 2012, pressionado por guerras e eventos climáticos extremos. O trigo, o açúcar e o cacau estão entre as principais altas, o que também amplia os riscos para a inflação global de alimentos.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na sexta-feira (28/08): Dow Jones Industrials (-0,02%), S&P 500 (-0,25%), Nasdaq Composite (-0,52%), Stoxx 600 (+0,51%), Ibovespa (+0,30%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

• Safra do Brasil pode bater recorde, pressiona mercado de diesel e eleva custos no campo

• Depois das canetas emagrecedoras, Wall Street vê na calvície sua nova ‘mina de ouro’

• Em ação sem precedentes, Trump fecha acordo para controlar 55% do petróleo venezuelano

• Também é importante: Ronaldo entra no negócio dos clubes de elite com projeto de R$ 4,2 bi em Alphaville | Sushi de luxo desmistificado: como o Satori quer popularizar o omakase em São Paulo

• Opinião Bloomberg: Como o histórico da dona da Zara pode ajudar a explicar queda de valor da Shein

• Para não ficar de fora: IA é ‘como o crack’ e pode atrofiar cérebros, diz Radia Perlman, pioneira da internet

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Britânica Appian vê Brasil como peça-chave para avançar em minerais críticos

31 de Agosto de 2026, 06:00

A Appian Capital, fundo de investimento privado especializado em mineração, aposta na produção de minerais críticos no Brasil para crescer, de olho no potencial do mercado no país.

“O momento é positivo para a Appian, que historicamente tem o Brasil como sua principal jurisdição e onde a empresa mais fez investimentos. Continuamos otimistas e pisando no acelerador para fazer novos projetos no país”, disse o country manager da Appian Capital Brazil, Milson Mundim, em entrevista à Bloomberg Línea.

Estão programados no cronograma do fundo investimentos da ordem de R$ 3,3 bilhões no projeto de níquel na Bahia (Atlantic Nickel) e R$ 700 milhões no ativo de grafite em Minas Gerais (Graphcoa).

No primeiro semestre do ano, a operação Brasil da Appian registrou receita bruta de R$ 833 milhões, alta de 33% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 339 milhões no período, aumento de 82% na mesma base de comparação.

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“Tudo indica que entraremos em mais um ciclo positivo da mineração, especialmente com o movimento de minerais críticos como níquel, cobalto, cobre e lítio. O Brasil é um país riquíssimo, com vocação para a mineração”, acrescenta Mundim.

No semestre, a Atlantic Nickel alcançou 3,39 milhões de toneladas de minério processado, com 61,9 mil toneladas produzidas de concentrado de níquel.

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O executivo observa que, embora os preços da commodity tenham subido neste ano, o mérito da Appian é o controle de custos, principalmente devido ao baixo teor de níquel contido nas reservas da operação da Bahia. “Esse é um resultado digno de nota.”

Mundim esclarece que o baixo teor do minério extraído da operação, de cerca de 0,28% de níquel – em comparação com a referência global de 1% –, exige movimentar grandes volumes de material. Neste contexto, ele afirma que o mérito da empresa é obter alta recuperação metalúrgica por meio de disciplina operacional e melhorias contínuas.

Em paralelo, ele acrescenta que há uma tendência de divisão no mercado global da commodity, com a China extremamente competitiva no segmento de níquel laterítico, proveniente das minas desenvolvidas na Indonésia. Já o produto da Appian, no Brasil, é do tipo sulfetado, que possui uma pegada de carbono inferior.

Embora o mercado ainda não pague prêmio pelo níquel sulfetado, Mundim relata que os grandes produtores ocidentais iniciaram um movimento para criar distinções entre as duas variedades.

“No nosso caso, existe um prêmio subjetivo. Os produtores de baterias premium buscam material com menos pegada de carbono, inclusive clientes da China”, pondera.

Atualmente, a unidade de níquel exporta para o país asiático, Canadá e Europa. A expectativa é que o grupo eleve significativamente o nível de produção com a implantação do projeto subterrâneo conhecido como Underground, na mina de Santa Rita, na Bahia.

O aporte no projeto deve possibilitar a extensão da vida útil da mina para além de 30 anos, com produção anual de cerca de 24.500 toneladas de níquel equivalente. Segundo a companhia, o processo consiste na transição da operação de lavra a céu aberto para o método de extração do minério em subsolo profundo.

A infraestrutura inclui a construção de aproximadamente 200 quilômetros de túneis.

Hoje, as operações a céu aberto têm capacidade anual de 6,5 milhões de toneladas de concentrado de sulfeto de níquel, o que inclui subprodutos como cobre, cobalto, platina, paládio e ouro.

Financiamento

Como fundo de private equity, a Appian conta com capital próprio para avançar em níquel. “O projeto já está operando. Vamos agora desenvolver a mina subterrânea e, pela maturidade do projeto, não devemos ter dificuldade para acessar os mercados de dívida, principalmente na Europa”, diz Mundim.

Na visão do executivo, o elemento geopolítico de priorização dos minerais críticos tem impulsionado o interesse de agências de fomento, incluindo o BNDES, que, segundo ele, quer entrar como financiador em projetos de mineração.

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A Appian utiliza capital próprio para viabilizar etapas que frequentemente são financiadas via dívida no mercado. “Fazemos isso para tirar o risco do projeto. Estamos abrindo o túnel do Underground, nenhuma empresa tem capacidade de fazer isso”, relata.

Adicionalmente, Mundim destaca que os processos de licenciamento ambiental, que tipicamente são um grande risco para os projetos do setor, já foram minimizados no projeto Underground. “Não temos grandes riscos no horizonte”, avalia.

Avanço com produção subterrânea no Brasil. (Foto: Empresa/Divulgação)

O fundo também aposta no projeto Grafite Jordânia, da Graphcoa, de ativo de concentrado de grafite para crescer. A ser implantado no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, o empreendimento tem potencial para se tornar um dos maiores produtores do segmento no país.

O grafite é amplamente usado na produção de baterias de carros elétricos.

Segundo o diretor executivo da Graphcoa, Ricardo Alves, já foram investidos cerca de R$ 350 milhões no Grafite Jordânia, com possibilidade de aporte adicional de R$ 50 milhões. “O Vale do Lítio poderia ser chamado de Vale da bateria. Lá, temos grafite concentrado há 80 anos”, diz.

De acordo com o executivo, o Brasil produz de 65 mil a 70 mil toneladas de grafite por ano. A expectativa é que o Grafite Jordânia adicione 55 mil toneladas por ano a esse volume. “Vamos praticamente dobrar a capacidade no país”, diz.

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Projeto de níquel da Appian: elevado nível de recuperação do minério extraído. (Foto: Empresa/Divulgação)

Ronaldo entra no negócio dos clubes de elite com projeto de R$ 4,2 bi em Alphaville

30 de Agosto de 2026, 12:43

O ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário entrou no mercado de clubes de elite em São Paulo como sócio investidor do Reserva Beach Club, empreendimento de R$ 1 bilhão em investimento previsto e R$ 4,2 bilhões em VGV (valor geral de vendas). O projeto foi construído em Alphaville, na divisa entre Barueri e Santana de Parnaíba, para oferecer piscinas de ondas, clube de tênis e área de lazer a um público de alto padrão.

Ronaldo entrou no projeto no ano passado com contrato de exclusividade para acompanhar a incorporadora BR Soho em novos clubes de praia fora de São Paulo.

“Tenho olhado com muita atenção para negócios ligados ao esporte e à experiência porque vejo um mercado com muito espaço para crescer. As pessoas querem cada vez mais lugares onde possam praticar esporte, conviver e ter boas experiências”, afirmou Ronaldo, em nota à Bloomberg Línea.

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O produto que carrega a assinatura direta do ex-jogador é o Galacticos House, um tennis members club com 300 títulos, sede de 3.500 m² dentro do Reserva, alfaiataria, bar, restaurante e uma arena com capacidade para 3.500 pessoas, ampliável para 6.000 em época de campeonato.

O título custa R$ 1,15 milhão, e a taxa de manutenção mensal deve ficar em torno de R$ 4.500, ainda em definição. O clube gera receita bruta adicional estimada em R$ 600 milhões.

“Foi isso que me atraiu no Reserva e, quando entrei como sócio, quis também participar da construção e trazer novas ideias para o projeto”, disse Ronaldo.

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A venda dos títulos foi dividida em três lotes de 100. O primeiro já superou 70% de comercialização, num ritmo que o próprio incorporador descreve como propositalmente travado.

“Por mim, eu já tinha vendido tudo. Não vendeu tudo ainda porque tem muito critério: eu e o Ronaldo sentamos, e a gente escolhe dedo a dedo, porque é uma coisa muito selecionada”, afirmou Maurício Gariglia, CEO da BR Soho e idealizador do empreendimento, à Bloomberg Línea.

Perspectiva do Reserva Beach Club, em 169 mil metros quadrados na divisa entre Barueri e Santana de Parnaíba: à esquerda, a arena de tênis do Galacticos House, com capacidade para 3.500 pessoas e até 6.000 em época de campeonato; à direita, a piscina de ondas com tecnologia Surf Loch, o rio de correntes e o parque aquático. (Divulgação/BR Soho)

Projeto amplo

O timing do tênis brasileiro é favorável, mas a economia da modalidade continua adversa para operações isoladas. A hora de quadra alugada em São Paulo custa entre R$ 150 e R$ 200, valor que não paga o metro quadrado de terrenos bem localizados.

“Não fecha a conta somente a quadra de tênis. Por isso que quase não existem tantas quadras isoladas em São Paulo”, disse Gariglia.

A saída encontrada foi diluir o custo do equipamento esportivo dentro de um clube maior, com receita recorrente de mensalidade e valorização fundiária no entorno.

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“O Galacticos House vem muito daí: da vontade de aproveitar esse momento do tênis para criar algo inovador, com infraestrutura de primeiro nível, tecnologia e uma experiência que ainda não existe dessa forma no Brasil”, afirmou o ex-jogador.

O momento a que ele se refere é o efeito João Fonseca, que dobrou o número de praticantes no país na última década.

Há ainda uma frente no empreendimento não anunciada. A BR Soho negocia acordo de reciprocidade com o torneio de Indian Wells, na Califórnia, visitado pelos sócios, e discute a vinda de um evento internacional para a arena.

“Ronaldo está arquitetando algum torneio internacional que não fechou ainda. Então eu não posso falar com certeza, mas ele está mexendo muito com isso. Ele tem bons acessos no mundo”, disse Gariglia.

O Reserva ocupa 169 mil m², contra 70 mil m² do maior clube de São Paulo em operação, segundo o incorporador. Serão duas piscinas de ondas, uma delas exclusiva para crianças de até 12 anos, além de parque aquático, rio de correntes, bar molhado, academia de 3.000 m² e mais de 1.200 vagas. A tecnologia de ondas contratada é a norte-americana Surf Loch, usada no Palm Springs Surf Club, enquanto os concorrentes paulistas operam com a espanhola Wavegarden.

A vantagem estrutural do projeto está no custo da terra. Há 15 anos, Gariglia e um sócio compraram da Brascan, depois incorporada pela Brookfield, 2 milhões de m² da antiga fazenda Tamboré. Após uma cisão societária, cada um ficou com 1 milhão de metros quadrados já loteados.

“Essa área já é nossa há 15 anos, a gente não precisa pagar a área. Entre a área e a obra é em torno de R$ 1 bilhão, e isso a gente banca”, disse o CEO.

Sobre a participação de Ronaldo no capital, o executivo alegou confidencialidade. “Eu tenho um NDA (acordo de confidencialidade) que não me deixa falar de porcentagem. Mas o Ronaldo é um bom investidor nosso aqui”, afirmou.

O que mudou no título de clube

O argumento comercial se apoia na comparação com os clubes tradicionais paulistanos e com o próprio Alphaville Tênis Clube, fundado há cinco décadas, do qual Gariglia foi associado. Nesse modelo, a taxa de transferência fica entre R$ 150 mil e R$ 180 mil e a maior parte do ágio permanece com o clube.

“O clube fica com a maioria do direito do seu associado. Isso a gente mudou no Reserva: a cada venda de título, a pessoa repassa só 10%, e 90% fica com ela”, disse.

A tese de valorização territorial é explícita e replica o manual do varejo de shoppings, setor que compra o entorno antes de anunciar o ativo. Em um clube de praia artificial em Campinas, segundo o executivo, o metro quadrado do terreno vizinho passou de R$ 250 para R$ 2.500.

“Onde tem uma praia perto, um clube perto, valoriza. É igual shopping”, afirmou.

Quadras de saibro e piso rápido do Reserva Beach Club, em Alphaville. A hora de quadra alugada em São Paulo custa entre R$ 150 e R$ 200, valor que, segundo o CEO da BR Soho, Maurício Gariglia, não sustenta uma operação isolada de tênis na região metropolitana. (Divulgação/BR Soho

Nova régua do luxo

Alphaville reúne 85 mil famílias e uma população flutuante de 210 mil pessoas por dia. O metro quadrado do apartamento saiu de cerca de R$ 5.000 antes da pandemia para a faixa de R$ 15 mil a R$ 18 mil, ainda distante dos R$ 60 mil dos Jardins. O público-alvo mapeado tem entre 35 e 45 anos, dois filhos pequenos e imóvel próprio. Surfistas representam cerca de 1% da base.

A captação já passou por estandes no Shopping Vila Lobos, na zona oeste de São Paulo, e em Campinas, com foco em compradores do interior distantes do litoral e em moradores da capital a partir da Faria Lima.

A concorrência direta, em Itupeva e Porto Feliz, opera em condomínio fechado, com títulos de R$ 1,1 milhão e R$ 1,6 milhão e estoque esgotado, restrito a quem já é proprietário de imóvel no empreendimento.

“A JHSF hoje é a inspiração e é a incorporadora número 1 do luxo”, disse Gariglia, ao comentar o ecossistema que combina moradia, lazer e varejo.

O Reserva terá lojas, quiosques e restaurantes terceirizados, incluindo um japonês estrelado do Itaim cujo sócio é associado do clube.

“Eu tenho dois filhos de 27 anos que não ligam para carro. Um mudou para um prédio novo que não tem garagem. Isso não passa pela minha cabeça, mas o luxo hoje é ter qualidade de vida”, afirmou.

A entrega será faseada. O parque aquático, o rio de correntes, as praias, o bar molhado e a área esportiva ficam prontos entre o fim deste ano e o início de 2027. A piscina de ondas vem na sequência, o edifício-garagem no fim de 2027 e o Galacticos House por último, em dezembro.

Desde o anúncio da sociedade com Ronaldo, segundo o CEO, o escritório recebe cinco ligações por dia de grupos de outros estados interessados em replicar o modelo.

“Eu peguei a graça de fazer clube e, só vou fazer clube pelos próximos 20 anos. Vender lazer é muito legal. Na hora que você vende um título, é uma venda de felicidade”, disse Gariglia.

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Ex-jogador entrou como sócio investidor do Reserva Beach Club, projeto que terá duas piscinas de ondas e quadras de tênis (foto: Divulgação)

Dólar mais barato favorece emergentes e commodities, mas exige cautela do investidor

30 de Agosto de 2026, 08:51

As apostas em um dólar mais fraco têm aumentado, favorecendo o fluxo de capital para outros mercados e ativos internacionais, enquanto Wall Street concentra sua atenção no mercado de títulos dos Estados Unidos e nas crescentes dúvidas sobre a situação fiscal do país.

“Este pode ser um momento interessante para diversificar entre dólares, índices internacionais, fundos, ações selecionadas, ouro e bitcoin”, segundo Paula Chaves, analista de mercados da Greyhound Trading.

“Mas a oportunidade deve vir acompanhada de posições limitadas, uma tese clara e uma disciplina rigorosa em relação ao risco: evitar comprar em máximas históricas e buscar recuos com uma relação favorável entre risco e retorno”, afirma ele.

O dólar registrou uma ligeira recuperação nesta segunda-feira (24), com um avanço do índice do dólar (DXY) de 0,22%, embora isso não reverta a pressão que tem marcado seu desempenho recente.

A moeda norte-americana registrou, na semana passada, sua maior queda semanal do mês de agosto.

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No curto prazo, Chaves afirmou que a desvalorização do dólar poderia se prolongar devido às decisões do Tesouro dos Estados Unidos. “A primeira notícia sobre a compra e venda de diferentes parcelas da dívida gerou uma percepção inicial de maior liquidez, embora seu efeito tenha acabado sendo relativamente neutro, já que se tratava principalmente de uma operação de gestão de passivos”.

“O dólar registrou uma desvalorização significativa na última semana, um movimento que melhorou as perspectivas de fluxo para outros ativos e mercados internacionais”, disse à Bloomberg Línea Ignacio Mieres, chefe de research do aplicativo de investimentos XTB.

“Historicamente, um dólar mais fraco tende a favorecer os mercados emergentes, as bolsas internacionais e as commodities, pois reduz os custos de financiamento globais e melhora a capacidade de investimento fora dos Estados Unidos”.

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Em particular, as commodities costumam se beneficiar nesse cenário, com destaque especial para o ouro e os metais industriais, como o cobre, que podem ser favorecidos tanto por um dólar mais fraco quanto por uma recuperação das expectativas de crescimento global.

Além disso, ele afirmou que regiões como a Europa e a Ásia podem se beneficiar de uma rotação relativa de capital, especialmente quando seus mercados mostram sinais de melhora estrutural.

No caso do peso colombiano, que é a moeda que mais se valorizou na América Latina no que vai de 2026, esse nível da taxa de câmbio favorece quem deseja fazer gastos no exterior, seja em férias ou simplesmente na compra de produtos importados.

“Isso também traz um alívio no pagamento de juros e na avaliação da dívida em moeda estrangeira para o governo e o setor privado”, disse à Bloomberg Línea Alejandro Reyes, economista-chefe do BBVA Research.

Mas, ao mesmo tempo, ele afirmou que isso traz efeitos menos favoráveis, observados na menor competitividade do setor de exportação, o que leva à redução das vendas ao exterior, a um menor potencial de remessas enviadas ao país e, possivelmente, a um menor fluxo de turistas para a Colômbia, já que o país passa a ser visto, em termos relativos, como mais caro.

Para quem tem recursos excedentes, “é um momento de decisões difíceis”, observou Reyes.

Por um lado, no âmbito local, há taxas “muito favoráveis” em produtos de poupança e renda fixa, que podem ser uma boa alternativa para investidores conservadores.

Mas, além disso, ao ver o dólar na Colômbia em seu nível mais baixo em mais de 7 anos, surge uma alternativa adicional para realizar investimentos em moeda estrangeira.

O dilema, portanto, é onde guardar as economias e onde fazer os investimentos.

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“Durante anos, o dólar foi visto como uma moeda para viajantes ou grandes investidores”, afirmou em um comunicado o economista Iván Torroledo, cofundador da fintech Littio. “Hoje, ele faz parte da vida financeira de milhões de pessoas que pagam por plataformas digitais, recebem rendimentos do exterior, trabalham para empresas internacionais ou buscam proteger parte de seu patrimônio contra a desvalorização”.

Torroledo afirmou que, mais do que tentar prever se o dólar continuará caindo ou quando voltará a subir, o desafio está em compreender como a moeda afeta as decisões financeiras do dia a dia e em construir uma estratégia mais diversificada.

Ele ressalta que não é necessário prever o mercado para tomar melhores decisões, mas sim compreender como a taxa de câmbio influencia as despesas correntes e agir com base em informações.

Na opinião dele, a conversa deveria se concentrar menos no valor do dólar e mais em como aproveitar suas oscilações no âmbito de um planejamento financeiro de longo prazo.

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Despesas que vale a pena analisar

A Littio sugere oito despesas que vale a pena rever quando o dólar cai, como no contexto atual:

  1. Pagamentos internacionais: um dólar mais baixo reduz o custo de pagar fornecedores ou contratar serviços no exterior.
  2. Tecnologia e produtos importados: celulares, computadores, consoles e outros produtos podem ficar mais baratos quando as moedas locais se valorizam.
  3. Viagens ao exterior: passagens, hotéis, aluguel de veículos e atividades com preços cotados em dólares podem representar um gasto menor.
  4. Assinaturas digitais: serviços como Netflix (NFLX), Spotify (SPOT), ChatGPT, Adobe (ADBE) ou Microsoft 365 (MSFT) podem custar menos em moeda local.
  5. Compras internacionais: produtos adquiridos em plataformas como Amazon (AMZN), eBay (EBAY) ou Mercado Livre (MELI) podem se beneficiar de uma taxa de câmbio mais baixa.
  6. Estudos no exterior: cursos, certificações e programas acadêmicos com valores expressos em dólares podem exigir um orçamento menor.
  7. Renda em dólares: quem trabalha para empresas ou clientes no exterior pode avaliar se deve converter sua renda para a moeda local ou manter parte dela em dólares. “No fim das contas, como a maioria das recomendações financeiras, pode-se esperar uma distribuição dos recursos: parte em pesos a taxas favoráveis e parte em dólares, protegendo-se contra esse risco”, comentou Alejandro Reyes, economista-chefe do BBVA Research.
  8. Publicidade digital: para empresas e empreendedores, um dólar mais baixo pode reduzir o custo em pesos das campanhas no Google (GOOGL), Meta (META), LinkedIn ou TikTok.

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Riscos da alta exposição ao dólar

Ignacio Mieres afirma que uma exposição elevada ao dólar também acarreta um risco cambial, especialmente para investidores com horizontes de curto e médio prazo.

“Embora a moeda norte-americana possa passar por fases de correção e fraqueza, as retrações observadas dentro de sua estrutura de longo prazo têm tendido a se comportar mais como movimentos corretivos do que como uma mudança estrutural definitiva”, afirmou ele.

Sua condição de principal moeda de reserva, financiamento e comércio internacional continua a lhe proporcionar um importante suporte em horizontes mais longos, na visão de Ignacio Mieres. “Por isso, é recomendável avaliar quanto risco cambial cada carteira incorpora, já que oscilações bruscas da moeda podem afetar temporariamente o desempenho dos investimentos e alterar os retornos medidos em moeda local”.

No entanto, o BBVA ressalta que, como todo investimento envolve um risco, é importante compreender que os mercados podem tomar rumos inesperados e, nesse caso, destaca que é importante avaliar os recursos comprometidos no investimento.

Entre os aspectos que devem ser sempre levados em consideração, está o fato de que o fluxo mínimo necessário para a realização da atividade principal não seja comprometido e de que se trate de recursos de livre disposição.

“Uma vez que os recursos sejam alocados em dólares, também é importante reconhecer que, mesmo que o investimento seja feito nos ativos mais estáveis, conservadores e seguros, sua valorização financeira será determinada pela moeda, portanto, o investimento passará automaticamente a ser de alto risco, já que a moeda apresenta movimentos e flutuações significativas”, concluiu Alejandro Reyes, economista-chefe do BBVA Research.

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© Samsul Said

Desvalorização da moeda americana melhora situação para investimentos fora dos EUA. (Foto: Samsul Said/Bloomberg)

Quem tiver mineral com maior qualidade vai comandar os preços, diz CEO da Vale

28 de Agosto de 2026, 13:09

A Vale (VALE3) enxerga oportunidades para obter prêmios com o minério de ferro de maior qualidade, mesmo que o cenário seja de margens comprimidas na indústria siderúrgica global

Segundo o CEO, Gustavo Pimenta, a mineradora brasileira tem conseguido obter de US$ 16 a US$ 17 por tonelada do minério de 65% e 68% de ferro contido, ante a referência do mercado de 62%.

“Entendemos que quem tiver mineral com maior qualidade vai comandar os preços. Já vemos um movimento recente, mas o grande valor vai vir no médio e longo prazo diante da aceleração da descarbonização”, disse o executivo durante evento promovido pelo grupo empresarial Lide nesta sexta-feira (28).

Pimenta considera que os prêmios obtidos atualmente pela companhia são “adequados”. “É um bom prêmio, mas entendemos que existem oportunidades de incremento à medida que a descarbonização avança.”

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Ele afirmou que o mercado chinês tem se comprometido com esse movimento. “A China está se tornando uma grande potência verde e pouca gente tem falado sobre isso.”

Em sua visão, o Brasil tem potencial para liderar a indústria global de mineração, mas a falta de previsibilidade e a morosidade na obtenção de licenciamentos ambientais são desafios para o crescimento do setor no país.

“Conseguimos competir de igual para igual com qualquer país, mas para isso precisamos voltar a fazer grandes projetos, o último foi o S11D. Essa tem que ser a nossa ambição”, destacou.

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Pimenta disse que a morosidade não é uma particularidade do Brasil e que, no mundo todo, os projetos de mineração têm levado muito mais tempo para entrar em operação - cerca de 15 anos.

“Essa indústria tem uma natureza de longuíssimo prazo, precisamos olhar para o ambiente de desenvolvimento dos projetos, colocando mais gente dentro dos órgãos ambientais, usando mais tecnologias para acelerar os processos e ampliando o mapeamento do território brasileiro.”

O executivo citou como obstáculo para o avanço da mineração no Brasil o baixo mapeamento do território, hoje de apenas 25%. Na Austrália, país com dimensões semelhantes e líder global na produção minerária, ele afirma que o território conhecido é de 70%.

Minerais críticos

Pimenta ressaltou que a descarbonização passa necessariamente pela oferta de minerais críticos. “Não temos um problema de demanda, a demanda é infinita”, diz.

Ele citou estudo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) que prevê que a indústria global terá que aumentar de cinco a seis vezes a produção de minerais críticos para atender à necessidade de demanda nos próximos 20 anos.

“É um desafio enorme, nós temos toda a tabela periódica em nosso território. O Brasil tem potencial de ser líder mundial neste processo, mas estamos ficando para trás nessa corrida”, disse.

Na visão do executivo, o Brasil precisa integrar mais a cadeia mineral, que hoje tem pouco refino. Para destravar o segmento, ele cita como solução trabalhar, como nação, por preços de gás natural mais competitivos. “Há muito espaço para melhorar”, afirmou.

Para Pimenta, atualmente o mundo está atento ao segmento que inclui commodities como cobre e níquel. “Entendemos que os minerais críticos vão ter um papel geopolítico de destaque, é o novo petróleo das próximas gerações.”

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Na Minerva, a prioridade é ‘desalavancar’

28 de Agosto de 2026, 06:48

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

“Desalavancar, desalavancar e desalavancar. E desalavancar, para não esquecer.”

Foi dessa maneira que Edison Ticle, CFO da Minerva (BEEF3), respondeu quando questionado pela Bloomberg Línea sobre o planejamento da companhia para os próximos quatro anos.

Segundo o executivo, o atual nível dos juros no Brasil reduziu o espaço para a Minerva carregar uma dívida mais elevada e tornou a redução da alavancagem a principal prioridade na alocação de capital da companhia.

A estratégia marca uma mudança de prioridade depois de um ciclo de expansão em que a Minerva, segundo executivos da empresa, praticamente dobrou de tamanho em quatro anos, apoiada na diversificação geográfica e em aquisições, como a compra de plantas da Marfrig na América do Sul em 2024.

De acordo com Ticle, novas aquisições de frigoríficos estão agora “praticamente fora” dos planos. “Nesse cenário, tem muito poucas oportunidades de investimento que retornam capital mais do que o custo do capital”, afirmou.

⇒ Leia a reportagem: Na Minerva, a palavra da vez é desalavancar. As aquisições ficam para depois

Companhia vê a América do Sul ganhando espaço na produção mundial de carne bovina (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações e os títulos do Tesouro dos EUA mantiveram-se estáveis antes do discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, em Jackson Hole, enquanto os traders buscam clareza sobre suas perspectivas para controlar a inflação.

- Vitória da Anthropic nos EUA. O governo Trump deve revogar a proibição imposta à tecnologia de inteligência artificial da criadora do Claude para agências federais, determinou uma juíza dos EUA. A decisão contra o Departamento de Defesa, conclui que a proibição não está devidamente justificada.

- Carros chineses avançam na Europa. A participação das montadoras chinesas nas vendas de carros novos na Europa ultrapassou 11% em julho, à medida que os consumidores continuam a adquirir híbridos plug-in mais acessíveis. Um terço dos híbridos plug-in registrados no mês foi fabricado por marcas como a Jaecoo, da Chery Automobile.

- Fluxo de petróleo cresce no Oriente Médio. A Arábia Saudita vendeu petróleo bruto para refinarias chinesas pela segunda vez neste mês, um sinal de que os fluxos pelo Estreito de Ormuz permanecerão elevados após meses de tensão por conta da guerra dos EUA contra o Irã.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (27/08): Dow Jones Industrials (+0,20%), S&P 500 (+0,72%), Nasdaq Composite (+1,57%), Stoxx 600 (-0,69%), Ibovespa (+0,31%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

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• Petrobras avalia exportar gás natural com o aumento da demanda na Ásia

• Influenciadores criados com IA avançam na política e desafiam regras eleitorais no país

• Também é importante: Coamo amplia financiamento a produtores para crescer diante de ‘tempestade perfeita’ | Hyundai planeja lançar 100 novos modelos na maior ofensiva da história da montadora

• Opinião Bloomberg: Sob pressão, Meta finalmente toma medidas corretas para crianças e adolescentes

• Para não ficar de fora: De forma discreta, bilionário do Google aluga escritório em Miami para seu family office

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Na Minerva, a palavra da vez é desalavancar. As aquisições ficam para depois

28 de Agosto de 2026, 06:00

“Desalavancar, desalavancar e desalavancar. E desalavancar, para não esquecer.” Foi dessa maneira que Edison Ticle, CFO da Minerva (BEEF3), respondeu quando questionado pela Bloomberg Línea sobre o planejamento da companhia para os próximos quatro anos.

Segundo o executivo, o atual nível dos juros no Brasil reduziu o espaço para a Minerva carregar uma dívida mais elevada e tornou a redução da alavancagem a principal prioridade na alocação de capital da companhia.

A estratégia marca uma mudança de prioridade depois de um ciclo de expansão em que a Minerva, segundo executivos da empresa, praticamente dobrou de tamanho em quatro anos, apoiada na diversificação geográfica e em aquisições, como a compra de plantas da Marfrig na América do Sul em 2024.

De acordo com Ticle, novas aquisições de frigoríficos estão agora “praticamente fora” dos planos.

“O nosso foco de curto e médio prazo é desalavancar. Por quê? Porque a taxa de juros no Brasil é abusiva, é muito alta”, disse o executivo, durante encontro com jornalistas na quinta-feira (27). Na avaliação do CFO, os juros dificilmente cairão para menos de dois dígitos nos próximos dois anos, o que reduz o número de investimentos capazes de oferecer retorno superior ao custo de capital.

“Nesse cenário, tem muito poucas oportunidades de investimento que retornam capital mais do que o custo do capital”, afirmou.

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A Minerva encerrou o segundo trimestre de 2026 com alavancagem de 2,9 vezes, ante 2,7 vezes três meses antes. A dívida líquida somava R$ 14,4 bilhões no fim de junho.

A Minerva reuniu, em Barretos, jornalistas e analistas de mercado para uma manhã de apresentações voltadas à área financeira. Ao longo da semana, a empresa também promoveu encontros com colaboradores e produtores. A companhia foi fundada na cidade do interior paulista.

A maior alavancagem ocorre em um ano de pressão sobre as ações da companhia. No acumulado do ano, os papéis da Minerva caíram 24% e eram negociados nesta quinta-feira (27) a R$ 4,04.

Para Ticle, no entanto, o nível adequado de endividamento nas condições atuais de juros não deve ser medido apenas pela relação entre dívida e Ebitda. A referência usada pelo executivo é limitar a despesa financeira a cerca de um terço do Ebitda.

“Para mim, o nível ideal não tem a ver com a alavancagem, tem a ver com a parcela do Ebitda que eu gasto para pagar juros. Em uma conta de bolso, você não pode gastar mais do que um terço do Ebitda, ou 35%, para pagar a despesa financeira”, disse o executivo na apresentação.

Pelas contas apresentadas por Ticle, esse parâmetro corresponderia atualmente a uma alavancagem próxima de 1,7 vez, abaixo das 2,9 vezes registradas no fim do segundo trimestre.

A companhia estima chegar a um patamar mais confortável em um prazo de 18 a 24 meses.

Além disso, a empresa decidiu limitar a distribuição de dividendos ao mínimo obrigatório de 25% do lucro líquido enquanto busca reduzir a alavancagem.

Atualmente, a VDQ Holdings, da família Vilela de Queiroz, é a maior acionista da Minerva, com 28,89% do capital. O fundo árabe Salic, que também detém participação na MBRF, aparece na sequência, com 24,34%. Outros 45,83% das ações estão em circulação no mercado, enquanto 0,94% permanecem em tesouraria.

Depois da incorporação dos ativos adquiridos da Marfrig nos últimos anos e de um primeiro semestre em que estoques maiores pressionaram o capital de giro, a estratégia da empresa passa por preservar o caixa.

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A Minerva consumiu entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão em caixa no primeiro semestre de 2026 e espera gerar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões no segundo semestre, disse Ticle. Para o ano, a expectativa da administração é superar R$ 1 bilhão em fluxo de caixa livre.

Estoques como fonte de caixa

Parte relevante do novo momento da empresa deverá vir da redução dos estoques. Ao fim do segundo trimestre, o balanço registrava R$ 4,8 bilhões em estoques. Considerando cargas em trânsito, Ticle disse que o volume estava em cerca de R$ 5,3 bilhões.

“Se a gente zerar metade desse estoque, estaremos gerando R$ 2,7 bilhões”, afirmou. “Dado o custo do dinheiro, não faz sentido carregar estoque por muito tempo, a não ser que você tenha uma visão muito forte de preço.”

O aumento dos estoques foi, em parte, uma resposta da companhia à volatilidade comercial neste ano, explicaram os executivos. Mudanças nas regras de acesso à China e nas tarifas dos Estados Unidos levaram a Minerva a acumular produto nos dois mercados para preservar sua posição comercial, o que causou como efeito colateral essa “queima” do capital de giro.

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“Acho que nunca vi tanta mudança num curto espaço de tempo em um setor só como a gente teve em carne bovina”, disse Fernando Galletti de Queiroz, CEO da companhia, ao citar a salvaguarda chinesa e as idas e vindas tarifárias nos Estados Unidos.

Da expansão à geração de caixa

A mudança na estratégia ocorre depois de duas décadas de expansão da Minerva por meio de aquisições. A companhia, que tem como foco a produção de carne bovina, realizou cerca de 20 aquisições nos últimos 20 anos.

Mais recentemente, a compra de ativos da Marfrig ampliou o peso do Brasil nas operações, ao mesmo tempo em que a Minerva expandiu sua presença na América do Sul, região que, na avaliação da companhia, tende a ganhar participação na produção global de carne bovina por sua maior competitividade.

(Foto: Naiara Albuquerque/ Bloomberg Línea)

O Brasil responde por aproximadamente 57% da receita por origem, seguido por Paraguai e Uruguai, com participações próximas de 11%, e Argentina, com cerca de 9%. Segundo Ticle, a operação argentina deve ganhar peso e poderá disputar a posição de segundo maior mercado da companhia em 2027.

A capacidade de entregar a redução da dívida dependerá também da geração operacional em um mercado que a administração considera favorável aos produtores de carne bovina na América do Sul.

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Queiroz disse que a combinação entre produção a pasto e confinamento dá à região uma vantagem de custos que deverá aumentar sua participação na oferta mundial de carne.

A expansão do etanol de milho também passou a fornecer subprodutos como DDG e DDGS (da fabricação de etanol, geralmente de milho) a preços competitivos para alimentação animal, o que tende a reduzir os custos de engorda.

“Carne bovina cada vez mais vai ser produzida no hemisfério sul”, disse Queiroz. “A competitividade maior é na América do Sul.”

Na avaliação da companhia, a oferta global deverá permanecer pressionada em 2026, principalmente pela menor disponibilidade nos Estados Unidos e por movimentos do ciclo pecuário em outros grandes produtores.

Brasil, Argentina e Paraguai também atravessam fases de retenção de matrizes, que restringem a disponibilidade de animais para abate no curto prazo e podem ampliar posteriormente a produção de bezerros.

Do lado da demanda, Queiroz disse que a companhia tem observado maior resistência do consumo de carne bovina à alta dos preços.

A diversificação geográfica é outra peça da estratégia da companhia.

A Minerva está presente em sete países produtores e mantém operações downstream nos Estados Unidos, Chile e China, o que, segundo a administração, permite redirecionar produtos conforme preços, tarifas e condições de acesso a cada mercado.

“Isso faz parte de uma política de gestão de risco: ter diversificação em uma região em que temos competências estruturais e vantagens comparativas inquestionáveis”, disse Queiroz. Segundo ele, a presença em diferentes geografias funciona como uma proteção contra riscos cambiais, climáticos, sanitários e, mais recentemente, políticos.

Essa maior capacidade de arbitragem ganhou importância diante das mudanças recentes no comércio internacional.

A China restringiu o acesso da carne brasileira por meio de salvaguardas, enquanto a União Europeia suspenderá, a partir de 3 de setembro de 2026, as importações do Brasil de carnes bovina e de frango, pescado, mel e outros produtos de origem animal.

© Victor Moriyama

Companhia vê a América do Sul ganhando espaço na produção mundial de carne bovina (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)

Brasil tem um dos maiores índices de inadimplência bancária em LatAm; Argentina lidera

27 de Agosto de 2026, 08:36

A Argentina, o Brasil e a Colômbia registraram os níveis mais altos de inadimplência bancária da América Latina até o primeiro trimestre de 2026, de acordo com um relatório da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban).

O Relatório Econômico Bancário Trimestral aponta que a Argentina registrou o maior índice de inadimplência bancária da América Latina, com um indicador de 7,3% em março de 2026.

Segundo Joaquin Wendnagel, analista de pesquisa da Aurum Valores, o aumento da inadimplência na Argentina parece ser resultado de uma combinação entre uma expansão muito rápida do crédito, a incorporação de novos segmentos de maior risco e uma evolução da renda que não conseguiu acompanhar o aumento do endividamento.

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Segundo Wendnagel, “a desaceleração subsequente do crédito agravou estatisticamente o fenômeno, uma vez que o denominador do índice deixou de crescer enquanto os saldos em atraso continuavam aumentando”.

A inadimplência no crédito privado apresentou uma forte deterioração desde o final de 2024, paralelamente à rápida expansão do sistema de crédito. No caso das famílias, a inadimplência bancária passou de apenas 2,5% em outubro de 2024 para 12,8% em maio de 2026, enquanto nas empresas passou de 0,7% para 3,5%.

De acordo com a Aurum Valores, em junho surgiu o primeiro sinal de estabilização: após 19 meses consecutivos de alta, a inadimplência das famílias diminuiu ligeiramente para 12,7%, a das empresas permaneceu em 3,5% e a inadimplência total recuou de 7,7% para 7,6%.

“O caso argentino, como sempre, é o mais complexo, já que uma das principais iniciativas do atual governo tem sido a expansão do crédito às famílias, mas isso vem acompanhado de um cenário de desaceleração econômica, ajuste fiscal, aumento das tarifas e taxas de juros ainda elevadas, o que prejudicou a capacidade de pagamento das famílias”, afirmou ao nosso veículo o analista financeiro Gregorio Gandini.

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Em seguida vieram o Brasil, com 4,3%, e a Colômbia, com 3,7%, segundo o relatório da Felaban.

Por um lado, o Brasil mantém uma taxa de juros elevada, embora o Banco Central já tenha iniciado um ciclo de cortes e reduzido a Selic para 14% após a inflação ter se moderado.

No entanto, o custo do crédito continua alto e, somado às pressões inflacionárias ainda existentes, mantém o risco de um aumento da inadimplência.

Na Colômbia, afirmou Gandini, o cenário de altas taxas de juros também está pressionando as famílias de menor renda, que, além disso, enfrentam uma inflação persistente.

“A isso se soma o alto nível de informalidade no mercado de trabalho, que chegou a 54,5% entre abril e junho, segundo o Dane (Departamento Administrativo Nacional de Estatística). Essa situação gera rendas mais voláteis e, portanto, uma maior sensibilidade das famílias aos aumentos de preços”, observou ele.

Por outro lado, segundo Felaban, a República Dominicana (1,1%), El Salvador (1,4%) e o Uruguai (1,7%) apresentaram os menores índices da região.

A carteira de crédito inadimplente do setor bancário latino-americano continuou aumentando e atingiu US$ 104.621 milhões em março de 2026, 44% acima do valor registrado um ano antes.

Apesar disso, segundo a Felaban, o indicador agregado de inadimplência aumentou 2,78% em março de 2026, em comparação com os 2 ,51% registrados um ano antes.

Leia também: Argentina lidera inadimplência bancária na América Latina e supera Brasil e México

Países da América Latina com maior índice de inadimplência bancária:

PaísDezembro de 2019Dezembro de 2023Março de 2026
Uruguai3,21,81,7
República Dominicana1,50,71,1
Peru3,04,33,0
Paraguai2,42,92,3
Panamá2,02,62,4
Nicaráguan.d.n.d.n.d.
México2,22,12,2
Honduras2,42,12,1
Guatemala2,21,72,3
El Salvador1,81,81,4
Equador2,73,23,1
Costa Rica2,62,02,2
Colômbia4,34,93,7
Chile2,12,12,4
Brasil2,93,24,3
Bolívia1,82,92,8
Argentina5,43,77,3

Por outro lado, os gastos com provisões para risco de crédito do sistema bancário regional totalizaram US$ 165.550 milhões em março de 2026, com a variação em relação ao ano anterior diminuindo para 27%.

“No entanto, em termos relativos, esse indicador de cobertura (despesas com provisões ÷ saldo da carteira vencida) diminuiu de 170% (março de 2025) para 164% (março de 2026)”, destaca o documento.

O relatório mostra que o indicador de solvência do setor bancário regional (capital regulatório ÷ ativos ponderados pelo nível de risco) ficou em média em 16,9% no primeiro trimestre de 2026, ligeiramente superior aos 16,8% de dezembro de 2025 e inferior aos 17,2% registrados um ano atrás.

Lucro líquido do setor bancário

No primeiro trimestre de 2026, o setor bancário regional registrou lucro líquido de cerca de US$ 22 bilhões, 13% a mais do que no ano anterior, embora 16% a menos do que no trimestre anterior.

A Bolívia e o Panamá lideraram o crescimento anual, com aumentos de 107% e 103%, respectivamente.

Por outro lado, a Argentina, o Brasil, o Chile, a Costa Rica e o México registraram quedas, mas nenhum país da região relatou perdas.

A rentabilidade sobre os ativos (ROA) do setor bancário latino-americano “consolidou sua tendência de alta”, segundo a Felaban.

Essa taxa ficou em 1,7% ao final do primeiro trimestre de 2026, acima do registrado no trimestre anterior (1,55%) e do registrado há um ano (1,54%).

Da mesma forma, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) do setor bancário latino-americano apresentou uma recuperação no primeiro trimestre de 2026, atingindo uma média de 17,1%, superior aos 14,2% do trimestre anterior e aos 14,7% registrados há um ano.

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Detentores de ‘bonds’ lideram apoio à reestruturação da Braskem

© Tomas Cuesta

Pesos argentinos: a Argentina apresenta uma taxa de inadimplência bancária de 7,3%. (Foto: Tomas Cuesta/Bloomberg)

A busca da Monashees por fundadores globais

27 de Agosto de 2026, 06:42

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A Monashees tem avançado com a sua estratégia para impulsionar negócios baseados em inteligência artificial (IA) no Brasil e na América Latina que tenham uma escala global.

Como parte do movimento, a gestora de venture capital decidiu abrir a Gama House, uma casa dedicada a empreendedores no segmento de IA na cidade de São Paulo.

Construído como uma associação sem fins lucrativos, o projeto tem como mantenedores âncoras a própria gestora de venture capital, o Google For Startups e a B3.

O espaço, localizado no edifício Gabriel 1825, abre as portas na próxima terça-feira (1º) e funcionará como um ambiente de aproximação com jovens empreendedores que pretendem criar negócios de IA.

“Tem um monte de empresas que estão começando na América Latina e virando empresas globais ou empresas globais construídas por empreendedores latino-americanos, o que mostra que estamos num jogo global”, afirmou o sócio e fundador Eric Archer, em entrevista à Bloomberg Línea.

⇒ Leia a reportagem: Com Google e B3, Monashees abre hub de startups de IA com modelos de negócios globais

O espaço, localizado no edifício Gabriel 1825, tem a proposta de criar densidade em torno de projetos nativos de IA. (Foto: Eduardo Frazão)

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos EUA subiram no início desta quinta-feira (27) à medida que uma perspectiva otimista da Nvidia reforçou a confiança de que a rápida expansão dos gastos com IA deve se estender por mais tempo.

- Acordo impulsiona agenda do governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a um acordo com os líderes do Congresso para que, na próxima semana, seja realizada a votação de uma série de projetos de lei que poderiam fortalecer sua campanha à reeleição, rompendo um impasse de meses em torno das principais prioridades do governo.

- Japão avança em chips. A Kioxia e a Sandisk anunciaram o plano de investir mais de US$ 31,4 bilhões para ampliar a capacidade de produção de chips de memória para IA no Japão, aumentando o potencial para a instalação de data centers no país.

- Pernod Ricard revê perspectivas. A empresa francesa de bebidas espera atingir apenas o limite inferior da faixa prevista para o crescimento das vendas nos próximos anos. A empresa citou a demanda moderada nos EUA, que representam cerca de um terço de seus negócios, como motivo para a revisão.

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🔘 As bolsas ontem (26/08): Dow Jones Industrials (-0,21%), S&P 500 (-0,02%), Nasdaq Composite (-0,08%), Stoxx 600 (-0,01%), Ibovespa (+0,01%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

• Detentores de ‘bonds’ lideram apoio à reestruturação da Braskem

• Morgan Stanley rebaixa recomendação de ações brasileiras por riscos fiscal e eleitoral

• SPX vê saída de dois gestores e trader em escritório na Ásia

• Também é importante: Meta fecha acordo de até US$ 18 bi nos EUA sobre impacto de redes sociais em jovens | Nvidia apresenta projeções de vendas acima das estimativas, mas decepciona investidores

• Opinião Bloomberg: Como a vida pessoal de um CEO pode afetar sua vida corporativa e a imagem das empresas

• Para não ficar de fora: Dono de Habib’s e Ragazzo entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões

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Com Google e B3, Monashees abre hub de startups de IA com modelos de negócios globais

27 de Agosto de 2026, 06:00

A Monashees tem avançado com a sua estratégia para impulsionar negócios baseados em inteligência artificial (IA) no Brasil e na América Latina que tenham uma escala global. Como parte do movimento, a gestora de venture capital decidiu abrir a Gama House, uma casa dedicada a empreendedores no segmento de IA na cidade de São Paulo.

Construído como uma associação sem fins lucrativos, o projeto tem como mantenedores âncoras a própria gestora de venture capital, o Google For Startups e a B3.

O espaço, localizado no edifício Gabriel 1825, abre as portas na próxima terça-feira (1º) e funcionará como um ambiente de aproximação com jovens empreendedores que pretendem criar negócios de IA.

Recentemente, a empresa anunciou o Gama Fund, um fundo de US$ 10 milhões em parceria com o Google para aportar US$ 2 milhões para cada uma das cinco startups de IA selecionadas no projeto.

Entre as novas iniciativas sob a marca Gama, está ainda o Gama Summit, previsto para ser realizado em outubro na Califórnia, onde a Monashees abriu um escritório nos últimos meses.

“Tem um monte de empresas que estão começando na América Latina e virando empresas globais ou empresas globais construídas por empreendedores latino-americanos, o que mostra que estamos num jogo global”, afirmou o sócio e fundador Eric Acher, em entrevista à Bloomberg Línea. “O Gama House, o Gama Fund e o Gama Summit são maneiras de influenciarmos e criarmos esse movimento”.

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O novo local é mais um passo na estratégia da gestora para acompanhar de perto as mudanças na indústria de venture capital. Diferentemente de hubs que reúnem startups de diferentes áreas, a proposta é reunir empresas de tecnologia nativas de IA, trazendo empreendedores, fomentando o networking e atraindo comunidades para programas de parceiros.

A Monashees não descarta a abertura de novos endereços em outros países na região, em linha com a tese “global Latam”. Hoje, além de São Paulo, a gestora tem escritórios no México e na Califórnia, conforme divulgado em primeira mão pela Bloomberg Línea.

A Gama House está uma área de cerca de 1.000 metros quadrados, que abriga a musictech Moises e a própria Monashees, que mudou de endereço após 20 anos na região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, área de escritórios da zona sul de São Paulo.

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Segundo Acher, um dos pioneiros da indústria de venture capital no Brasil com a fundação da Monashees em 2005, a criação da marca “Gama” busca mostrar neutralidade dentro de uma concepção de que o “global latam” e as oportunidades com a inteligência artificial vão além dos limites da Monashees.

“Nós e a indústria vamos nos beneficiar de criar uma marca neutra chamada Gama, para poder concentrar e unir a indústria inteira em volta do global LatAm”, diz. “Começamos esse movimento, estamos intrinsecamente ligados a ele, o influenciamos, mas acreditamos que uma marca neutra pode abrir mais portas para parcerias, inclusive com outros fundos locais e internacionais.”

A criação de uma nova marca também abriu as portas e facilitou as conversas com outros negócios do mercado e parceiros. “Hoje, a Gama consegue explorar esse ângulo único de ter parceiros super relevantes, que também são aspiracionais e inspiracionais para o empreendedor em tecnologia”, afirma Jan Kishi Diniz, head de jornada dos fundadores na Monashees.

Nos próximos meses, o projeto deve contar com um comitê estratégico, com especialistas que possam contribuir para que a oportunidade presente neste momento se transforme em uma realidade de fato.

Eric Archer, fundador da Monashees: Nós começamos esse movimento, estamos intrinsecamente ligados a ele, o influenciamos, mas acreditamos que uma marca neutra pode abrir mais portas para parcerias, inclusive com outros fundos locais e internacionais

Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg

A terceira onda

A escolha do nome “Gama”, a terceira letra do alfabeto grego, é uma referência à visão de que o ambiente de inovação na América Latina passa por sua terceira fase, quando negócios como as brasileiras Enter, Tractian e a Moises, além da americana Vercel, do argentino Guillermo Rauch, começam a ocupar espaços antes restritos.

A primeira onda, no começo do século, ficou caracterizada pela criação de infraestrutura e pelo surgimento de copycats, adaptação de modelos de negócios consolidados nos Estados Unidos ou Europa para o mercado brasileiro.

Na sequência, veio o nascimento das primeiras startups de classe mundial, cujos maiores expoentes são cases como Nubank e 99, focadas no consumo e nos problemas regionais.

No novo momento, impulsionado por inteligência artificial, o modelo das gestoras tem sido desafiado e não há espaço para esperar, de acordo com Acher.

“O crescimento da receita e a visibilidade das startups mais vencedoras acontecem muito mais cedo, até antes do seed. O nosso movimento todo com o Gama Fund, Gama House e, principalmente, com o Shiva, foi para garantir que tenhamos um first look bem no começo das empresas de AI-first para nos posicionarmos cedo, antes que os valuations fiquem naturalmente muito altos”, diz.

Entre os principais parceiros, o Google for Startups pretende disponibilizar US$ 350 mil de créditos na nuvem do Google para uso do Gemini e soluções Google Cloud, além de oferecer suporte técnico aos fundadores que ingressarem na Gama House. O Google Cloud Challenge, programa de aceleração para fundadores AI-first, passará a ter o espaço como residência fixa.

O objetivo da B3 é estar próxima às inovações e projetos que podem sair desse novo ambiente. A Gama House também é apoiada pela Shiva, startup que captou US$ 10 milhões em rodada pré-seed liderada pela Monashees para ajudar outras startups a criarem negócios do zero usando inteligência artificial. Completam a lista de patrocinadores iniciais a Notion, a Stripe e o escritório de advocacia BZCP.

Os valores investidos para colocar o projeto da Gama House de pé não foram revelados. As negociações para a chegada de novos parceiros continuam ativas.

--- A matéria foi atualizada para incluir o apoio do BZCP.

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© Eduardo Frazão

O espaço, localizado no edifício Gabriel 1825, tem a proposta de criar densidade em torno de projetos nativos de IA. (Foto: Eduardo Frazão)

Dono de Habib’s e Ragazzo entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões

26 de Agosto de 2026, 18:39

O Grupo Gennius, controlador das marcas Habib’s, Ragazzo e das churrascarias Tendal, entrou em recuperação judicial com dívida declarada de R$ 265,2 milhões.

O Habib’s é a maior rede de comida árabe do país e opera desde 1987. O pedido reúne 178 empresas, entre elas 119 lojas Habib’s, 26 unidades Ragazzo e 6 churrascarias Tendal, além de franqueadoras, holdings e sociedades de apoio à operação, como logística e marketing.

Entre as causas da crise, a defesa aponta a pandemia, o avanço dos aplicativos de entrega, que comprimiram as margens das lojas físicas, e o salto da taxa Selic de 4% para perto de 15% no período em que a maior parte das dívidas foi contratada.

As lojas franqueadas têm CNPJs próprios e não integram o pedido, o que restringe o efeito prático da proteção judicial em boa parte da rede.

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A 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo deferiu o processamento do pedido nessa terça-feira (25), um dia depois do protocolo, em decisão que alcança 174 empresas e os dois irmãos que comandam o conglomerado, Antonio Alberto Saraiva e Belchior Saraiva Neto.

O valor divide-se em três blocos. São R$ 22.328.024,74 em créditos trabalhistas, R$ 241.732.066,68 na classe dos fornecedores e bancos sem garantia e R$ 1.147.868,41 devidos a micro e pequenas empresas.

A própria petição informa ainda que a dívida bancária isolada supera R$ 300 milhões, quantia maior do que o passivo submetido ao processo, porque os créditos com garantia ficam fora da negociação coletiva.

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Publicado o edital, os credores terão 15 dias para habilitar créditos ou apontar divergências. O plano de pagamento precisa ser entregue em 60 dias contados da intimação, sob pena de o juiz decretar a quebra do grupo.

Em nota à imprensa, o grupo citou o pedido de recuperação judicial deferido como parte de seu processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo.

“As operações do grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades”, informou o comunicado.

Quebra de travas bancárias é rejeitada

O juiz Jomar Juarez Amorim rejeitou o principal pedido de urgência, a liberação dos recebíveis de cartão e das aplicações financeiras dados em garantia aos bancos, movimento conhecido no mercado como quebra das travas bancárias.

O grupo havia sustentado que a retenção desses valores inviabiliza a operação e defendido que a proteção não se limita a máquinas e equipamentos.

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Em outro ponto, o magistrado atendeu às recuperandas e proibiu que fornecedores e bancos interrompam contratos apenas por causa do pedido.

A decisão determina aos credores “que não procedam à suspensão ou interrupção da execução dos contratos”, com análise posterior caso a caso, e vale como ofício, o que permite aos advogados apresentá-la diretamente a cada credor.

O pedido de sigilo sobre o processo também foi negado.

A KPMG Corporate Finance foi nomeada administradora judicial, com a advogada Osana Maria da Rocha Mendonça como responsável. Ela tem 15 dias para relatar a situação das empresas e opinar sobre o pedido de consolidação substancial, que trataria as 176 requerentes como uma única devedora, com plano de pagamento unificado. Esse ponto segue em aberto.

Os irmãos Saraiva foram admitidos no polo ativo na condição de produtores rurais, com base na criação de gado na Estância Santa Edina, herdada em 1977. A inclusão de pessoas físicas amplia a proteção sobre o patrimônio pessoal dos controladores, que assinaram como avalistas em boa parte dos contratos bancários do grupo.

Corrida por proteção judicial

O caso do Habib’s se soma a uma onda recente de recuperações judiciais no varejo brasileiro, entre elas Casas Bahia e Marabraz.

Renato Scardoa, sócio do SDS Advogados, atende fornecedores de varejistas em processos semelhantes, como Americanas, Petrópolis, Rossi, Casas Bahia e 123 Milhas.

“Temos hoje uma combinação perversa: baixa atividade econômica, inflação, juros altos e pouca oferta de crédito. Isso encareceu a operação das empresas brasileiras e tem levado companhias importantes, como o Grupo Habib’s, a recorrer à recuperação judicial”, disse Scardoa, em comentário enviado à Bloomberg Línea.

Antes de chegar à recuperação judicial, o Grupo Gennius tentou o caminho da negociação direta. Em 25 de junho, pediu uma tutela cautelar antecedente, instrumento que garante 60 dias de proteção patrimonial e obriga os credores a negociar fora de um processo formal. O prazo venceu sem acordo.

“Houve até uma tentativa inicial de negociação forçada com os bancos, por meio de uma cautelar antecedente, instrumento que obriga credores a sentar à mesa. Mas nem esse remédio foi suficiente para se chegar a uma composição satisfatória”, afirmou Scardoa.

- Texto atualizado às 11h25, do dia 27/8, com comentário de advogado especializado em recuperação judicial

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Rede Habib's fundada em 1987 tem 119 lojas próprias no pedido de recuperação judicial, ao lado de 26 unidades Ragazzo e 6 churrascarias Tendal (Foto: Divulgação)

Mercado subestima risco das eleições no Brasil, avalia Morgan Stanley

O Morgan Stanley considera que os mercados estão subestimando o risco que as eleições no Brasil representam para os ativos do país. A principal divergência do banco em relação ao consenso recai sobre o cenário pessimista, diante da possibilidade de que uma resposta fiscal insuficiente após as eleições provoque um ajuste mais severo do que o previsto.

As eleições brasileiras serão realizadas em 4 de outubro, com uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Para o Morgan Stanley, o resultado pós-eleição dependerá do plano fiscal do vencedor e, sobretudo, da confiança do mercado de que ele possa ser aprovado e estabilizar a trajetória da dívida.

O banco avalia que o consenso deposita confiança excessiva na capacidade de a resiliência recente da economia e os contrapesos institucionais permitirem ao Brasil atravessar um ajuste fiscal limitado sem uma deterioração macroeconômica acentuada. O Morgan Stanley vê menos espaço para esse cenário, diante da perspectiva de menor crescimento, inflação persistente e juros ainda restritivos em 2027.

“Nossa principal divergência com o mercado concentra-se no cenário de baixa”, afirmam os economistas Ana Madeira e Thiago Machado.

O banco considera que uma estratégia fiscal com pouca credibilidade poderia desencadear uma reação mais rápida nos preços dos ativos do que a própria execução das medidas orçamentárias.

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Ajuste fiscal inadiável

O ponto de partida aumenta a pressão sobre o próximo governo. Mais de 91% dos gastos federais são obrigatórios e a carga tributária aumentou 1,5% do PIB desde 2022. Somado a isso, as exceções ao teto de gastos enfraqueceram sua capacidade como âncora fiscal e reduziram a margem para dar continuidade a um ajuste baseado em receitas maiores.

O Morgan Stanley não aponta um problema imediato de solvência, mas um desafio crescente para estabilizar a dívida. “O ajuste fiscal em si pode ser gradual, desde que os investidores acreditem que o objetivo final seja confiável”, explicam Madeira e Machado. Essa credibilidade passa por reformas que reduzam a rigidez dos gastos obrigatórios.

A diferença entre os candidatos é relevante. O programa de Lula visa manter o marco fiscal atual, preservar as políticas sociais e um papel ativo do Estado. Flávio Bolsonaro propõe regras fiscais mais rígidas, redução da dívida, reforma administrativa, privatizações e maior abertura comercial.

A presidência, no entanto, não decidirá sozinha sobre a execução. A composição do Congresso, os governadores e as coalizões determinarão até onde o próximo governo poderá avançar. Para o Morgan Stanley, o mercado deverá avaliar não apenas o plano anunciado, mas também a possibilidade de ele ser aprovado e se tornar efetivo.

Leia também: Despesas obrigatórias são o maior desafio fiscal do próximo governo, diz head do ASA

Ciclo de risco entre dívida, taxas e crescimento

O cenário pessimista do Morgan Stanley parte de um plano de consolidação limitado e de baixa credibilidade. O risco é que o menor crescimento reduza as receitas fiscais, enquanto prêmios de risco mais elevados aumentem os custos financeiros e dificultem que o Banco Central do Brasil responda ao enfraquecimento da atividade com cortes nas taxas.

“Um crescimento mais fraco em 2027 deixa menos margem para se sair à frente com dificuldade, tornando a dinâmica da dívida mais frágil e a credibilidade fiscal mais urgente”, afirma a equipe do Morgan Stanley.

Essa é a principal diferença em relação a um consenso que atribui maior capacidade de resistência à economia brasileira. As simulações mostram a amplitude dessa divergência. Para 2027, o Morgan Stanley projeta um crescimento de apenas 0,2% e uma Selic de 15,5% no cenário pessimista, contra uma expansão de 1,5% e uma taxa de 9,75% no otimista.

A diferença se amplia no longo prazo. A dívida bruta só se estabiliza no cenário otimista, em torno de 86% do PIB em 2028. No cenário base, ela continua aumentando e, no cenário pessimista, ultrapassa 100% do PIB em 2033, chegando a 106% em 2035.

O cenário favorável depende de um programa abrangente e confiável que atue sobre os gastos. O Morgan Stanley prevê mudanças no crescimento dos desembolsos obrigatórios, nos mecanismos de indexação e em outras inflexibilidades orçamentárias. O efeito financeiro, segundo o banco, poderia surgir muito antes da melhora efetiva do saldo primário.

“Um gradualismo credível pode impulsionar uma revalorização mais rápida por meio de menores prêmios de risco, um real mais forte, maior flexibilização do BCB e uma melhora na dinâmica da dívida”, afirma o Morgan Stanley. Por isso, o banco prevê resultados potencialmente não lineares nos ativos, mesmo que a consolidação fiscal avance por etapas.

Leia também: Durigan vê receio do mercado financeiro como legítimo: ‘tem que melhorar o fiscal’

O real e os títulos diante dos cenários eleitorais

O real (USDBRL) tem sido historicamente um dos principais indicadores do risco eleitoral brasileiro, mas, desta vez, o Morgan Stanley identifica um fator atenuante. O elevado carry trade poderia oferecer maior apoio à moeda do que em eleições anteriores e transferir parte do ajuste para as taxas locais.

A variação entre os cenários é ampla. O Morgan Stanley projeta uma taxa de câmbio de R$ 6,00 no cenário pessimista, acompanhada por taxas de juros futuras (DI) para janeiro de 2029 de 16,50% e rendimentos dos títulos do Tesouro de taxa fixa (NTN-F) com vencimento em 2037 de 18%. No cenário otimista, a taxa de câmbio cairia para R$ 4,50, enquanto esses instrumentos cairiam para 11% e 12%, respectivamente.

O cenário base, elaborado como uma combinação de 50% do cenário otimista e 50% do pessimista, situa a taxa de câmbio em R$ 5,25, as taxas de juros futuras (DI) para janeiro de 2029 em 13,75% e os rendimentos dos títulos do Tesouro de taxa fixa (NTN-F) com vencimento em 2037 em 15%. O banco considera que os riscos continuam modestamente inclinados para o resultado pessimista.

No mercado de renda fixa, o Morgan Stanley espera que os mercados possam incorporar mais rapidamente a deterioração do cenário pessimista do que as vantagens do otimista. O retorno do Brasil ao grau de investimento também não seria imediato, mesmo com um resultado favorável: 2028 surge como a primeira possibilidade e 2029 como a data mais provável.

A variável a ser observada após as eleições será, portanto, a credibilidade do regime fiscal e sua capacidade de alterar as expectativas sobre dívida, taxas e moeda. Como resume o Morgan Stanley, “a execução fiscal será gradual, mas a valorização dos preços dos ativos não precisa ser”.

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© Maira Erlich

Os economistas do Morgan Stanley afirmam que uma estratégia fiscal de baixa credibilidade pode resultar em reações rápidas no mercado, possivelmente mais rápidas que a implementação das medidas orçamentárias. (Foto: Maira Erlich/Bloomberg)

O mercado aquecido do crédito inadimplente

26 de Agosto de 2026, 07:01

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

O mercado brasileiro de venda de carteiras de crédito inadimplente deve crescer cerca de 20% em 2026 e somar R$ 40 bilhões, segundo projeção da Recovery, empresa de recuperação de crédito do grupo Itaú.

O valor compara com os R$ 34 bilhões movimentados em 2025 e se aproximaria do maior patamar da série histórica, atrás apenas de 2020 e 2021, quando o auxílio emergencial elevou temporariamente o volume de cessões.

“A gente já teve anos assim, mas foi num momento muito especial da economia, com o auxílio emergencial em curso. Sem nenhuma ação externa desse tipo, isso seria um recorde”, disse Bruno Russo Franco, CEO da Recovery, em entrevista à Bloomberg Línea.

No primeiro semestre, o mercado somou R$ 17 bilhões em cessões, patamar similar ao do mesmo período de 2025, segundo análise da empresa.

⇒ Leia a reportagem: Mercado de carteiras inadimplentes deve chegar a R$ 40 bi em 2026, diz Recovery, do Itaú

Pedestrians walk through the financial district in Sao Paulo. Photographer: Tuane Fernandes/Bloomberg

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos EUA oscilam perto da estabilidade nesta quarta-feira (26), com os investidores evitando grandes apostas antes do balanço da Nvidia.

- CVM determina OPA da Centaurus pela Oncoclínicas. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu, por 3 votos a 0, que a gestora americana Centaurus Capital deve apresentar uma oferta pública de aquisição pelas ações da Oncoclínicas, contrariando a recomendação da área técnica do regulador.

- IPO da Shein. Acionistas atuais da varejista concordaram em não vender por seis meses as novas ações recebidas na oferta pública inicial em Hong Kong, segundo fontes que falaram com a Bloomberg News. A Shein pode levantar até US$ 1,8 bilhão na operação, com os atuais investidores absorvendo parte das novas ações.

- Europa na mira da Rússia. Países europeus acusam Moscou de intensificar ações de sabotagem, ataques cibernéticos e operações com drones contra aliados que apoiam a Ucrânia. Autoridades avaliam que a resposta defensiva da Europa tem permitido à Rússia testar os limites da OTAN.

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🔘 As bolsas ontem (25/08): Dow Jones Industrials (+0,30%), S&P 500 (+0,32%), Nasdaq Composite (+0,66%), Stoxx 600 (+0,35%), Ibovespa (+1,55%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

• Recuperação extrajudicial de US$ 11 bi da Braskem põe Petrobras no centro das atenções

• Dasa só vai avaliar novas possíveis rolagens de dívida a partir de 2028, diz CEO

• Investidores da Prosus fazem oposição a estrutura acionária e remuneração de executivos

• Também é importante: Brinquedo criado por IA? Não na Lego, diz CEO, que mantém aposta em criatividade humana | Dona do TikTok é multada em R$ 153,7 mi no Brasil por uso indevido de dados de menores

• Opinião Bloomberg: Estagnação do petróleo desafia Trump e eleva custo da aposta dos EUA na Venezuela

• Para não ficar de fora: Havanna mantém plano de abrir 60 lojas no Brasil enquanto renegocia dívida de R$ 127 mi

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Dasa só vai avaliar novas possíveis rolagens de dívida a partir de 2027

26 de Agosto de 2026, 06:00

A Dasa (DASA3), dona dos laboratórios Lavoisier, Delboni e Pasteur, não pretende renegociar dívidas relevantes até 2027. A companhia antecipou em julho a rolagem de R$ 700 milhões que só venceriam no segundo trimestre de 2027, pagando juros mais altos em troca de prazo mais longo.

A operação encareceu a dívida. A taxa passou de CDI mais 1,60 ponto percentual para CDI mais 2,75 pontos percentuais, e o vencimento foi empurrado do começo de 2027 para meados de 2028.

Indagado se essa era a única saída disponível, o CEO Rafael Lucchesi descartou em entrevista à Bloomberg Línea a leitura de alguns analistas de que a companhia estivesse pressionada com o calendário de vencimentos. As ações da Dasa acumulavam perdas da ordem de 42% em 2026 até a terça-feira (25).

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“Isso foi uma opção nossa. A gente quis, por questões macroeconômicas: a eleição agora, a taxa de juro ainda alta, e uma questão até de conservadorismo nosso. A gente preferiu já fazer a rolagem esse ano”, explicou Lucchesi.

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O movimento foi feito por meio da 23ª emissão de debêntures da companhia, acompanhada do resgate antecipado dos papéis da 16ª emissão. O prazo médio da dívida ficou em 3,7 anos, com custo médio de CDI mais 2,31 pontos percentuais.

O balanço do segundo trimestre explica por que 2028 aparece como marco. A Dasa encerrou junho com R$ 959 milhões em caixa e aplicações. Vencem R$ 423 milhões ainda em 2026 e R$ 360 milhões em 2027, montantes cobertos com folga pela posição de liquidez atual.

A partir daí, a curva muda de patamar. Em 2028 vencem R$ 1,34 bilhão, em 2029 outros R$ 1,65 bilhão, e de 2030 em diante R$ 2,66 bilhões. É para 2028 que a companhia empurrou os R$ 700 milhões renegociados.

O quadro geral de endividamento vem melhorando desde 2024. A dívida líquida financeira, somada a aquisições a pagar e antecipação de recebíveis, caiu de R$ 10,07 bilhões no segundo trimestre de 2024 para R$ 5,62 bilhões no mesmo período deste ano, resultado de um ciclo de venda de ativos que incluiu o Hospital São Domingos, a Mantris Saúde Corporativa e a operação de diagnósticos na Argentina.

Peso na alavancagem

O balanço traz um dado que contraria essa trajetória. A alavancagem financeira reportada subiu para 3,52 vezes o Ebitda no segundo trimestre, ante 2,82 vezes um ano antes. A explicação do CEO é contábil.

A venda do Hospital São Domingos, concluída no quarto trimestre de 2025, produziu um efeito negativo relevante que segue carregado na base de 12 meses usada para calcular o indicador. O balanço apresenta, por isso, dois quadros distintos de alavancagem: o reportado, de 3,52 vezes, e o de escopo atual, que exclui esse efeito e mostra 2,91 vezes, em queda desde as 3,13 vezes do quarto trimestre de 2025.

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Segundo Lucchesi, as duas curvas devem convergir no fim deste ano, quando o efeito da venda sair da base de comparação.

Em relatório sobre o balanço, o BB Investimentos registrou ainda um terceiro índice, o de alavancagem para fins de covenants, cláusulas contratuais que estabelecem limites de endividamento nas escrituras das debêntures, que subiu de 2,88 para 3,39 vezes.

Joint venture com a Amil

Parte relevante da reorganização patrimonial da Dasa passou pela Rede Américas, plataforma hospitalar formada em abril de 2025 e dividida meio a meio com a Amil. A companhia reconhece metade do resultado por equivalência patrimonial.

No segundo trimestre, a joint venture teve receita líquida de R$3,2 bilhões, alta de 12%, e Ebitda de R$ 441 milhões, crescimento de 39%, com margem de 13,7%. A alavancagem da JV caiu de 2,74 para 1,69 vez, também sob o novo critério de cálculo adotado neste ano.

A Rede Américas teve o prejuízo reduzido de R$ 140 milhões para R$ 37 milhões na mesma comparação anual. A geração operacional de caixa foi negativa em R$ 60 milhões no trimestre, revertendo os R$ 18 milhões positivos registrados um ano antes. Indagado sobre o consumo de caixa, Lucchesi apontou um efeito de comparação entre trimestres.

“O trimestre anterior teve uma antecipação de uma fonte pagadora, que esse trimestre não teve. Então esse consumo de caixa não é todo operacional”, explicou.

A Dasa desembolsou R$ 40 milhões no trimestre, referentes à penúltima das quatro parcelas de uma indenização ligada ao ajuste de dívida líquida na formação da sociedade.

A companhia informa no material de resultados que o cálculo de dívida líquida e Ebitda, referente à Rede Américas, foi atualizado a partir do primeiro trimestre de 2026, passando a incluir contas a pagar por aquisição de controladas.

Uma variável fora do alcance da companhia

“A nossa missão aqui é de longo prazo, de colocar a empresa num outro patamar. O acionista não pressiona a gente por questões de curto prazo”, disse o executivo.

A companhia tem o controle concentrado. Fundos de investimento ligados à família fundadora, os Godoy Bueno, somam 85% do capital votante da Dasa, segundo a companhia.

O FIP Genoma III concentra sozinho 50,58% do capital votante, seguido pelo Genoma II, com 14,19%. Os fundos 1122-SF (4,97%), Genoma PG (4,87%), 2019RV1 (2,39%) e 3921 (2,02%), somados às participações individuais de Dulce Pugliese (2,87%), Pedro (1,58%) e Camilla (1,49%) de Godoy Bueno (5,94%), completam 84,96% do capital votante, segundo a posição divulgada pela B3 com data-base de 31 de julho. O BTG Pactual (BPAC11) tem 4,77% da Dasa.

Em abril, a base de acionistas pessoa física somava 8.490 CPFs, ante apenas 116 pessoas jurídicas e 7 investidores institucionais cadastrados diretamente, um sinal de que mesmo o capital fora do núcleo familiar está mais concentrado em poucos blocos organizados do que pulverizado no mercado.

Há um ponto de atenção sobre a Rede Américas que não depende da gestão da Dasa. A Amil estaria em processo de venda, segundo uma fonte ouvida pela reportagem que pediu anonimato: as gestoras Bain Capital e Advent International querem comprar a operadora do atual controlador, o empresário José Seripieri Filho, o Júnior, em um negócio estimado em até R$ 18 bilhões.

Lucchesi não comentou o rumor sobre a possível venda da Amil evitando falar sobre o que o acordo de acionistas entre Dasa e Amil prever caso a sócia mude de controle, e se a Dasa teria preferência para comprar a outra metade da JV.

-- Texto atualizado às 16h para corrigir, a pedido da Dasa, os anos citados pelo CEO na entrevista. A estrutura de dívida da companhia está resolvida em 2026, e não em 2027, e novas possíveis rolagens só serão avaliadas a partir de 2027, e não de 2028, como ele havia informado.

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© Dasa

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Mercado de carteiras inadimplentes deve chegar a R$ 40 bi em 2026, diz Recovery, do Itaú

26 de Agosto de 2026, 06:00

O mercado brasileiro de venda de carteiras de crédito inadimplente deve crescer cerca de 20% em 2026 e somar R$ 40 bilhões, segundo projeção da Recovery, empresa de recuperação de crédito do grupo Itaú.

O valor se compara com os R$ 34 bilhões movimentados em 2025 e se aproximaria do maior patamar da série histórica, atrás apenas de 2020 e 2021, quando o auxílio emergencial elevou temporariamente o volume de cessões.

“A gente já teve anos assim, mas foi num momento muito especial da economia, com o auxílio emergencial em curso. Sem nenhuma ação externa desse tipo — sem uma injeção de dinheiro ou mudança estrutural no mercado de recuperação —, isso seria um recorde”, disse Bruno Russo Franco, CEO da Recovery, em entrevista à Bloomberg Línea, ao comparar o crescimento esperado para este ano com o período recente mais aquecido.

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No primeiro semestre, o mercado somou R$ 17 bilhões em cessões, patamar similar ao do mesmo período de 2025, segundo análise da empresa.

Trinta companhias cederam carteiras entre janeiro e junho, ante 26 um ano antes. As fintechs passaram de oito para dez cedentes, e o varejo, de quatro para sete. A presença de cooperativas de crédito não teve mudança relevante.

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Dois fatores explicam o crescimento esperado para o ano, segundo Franco. O primeiro é a entrada de fintechs que nunca haviam cedido carteiras e que, segundo ele, decidiram testar o mercado depois de amadurecer as próprias operações internas de cobrança.

O segundo é o retorno de grandes bancos tradicionais, que reduziram o ritmo de vendas nos últimos dois anos e voltam a tratar a venda das carteiras como alavanca de resultado.

“Quando o cliente vai para um atraso mais longo, ele deixa de ser cliente e vira um problema, um devedor. Por isso a cessão faz cada vez mais sentido dentro da estratégia delas: focar no core, que é o crédito e o atraso curto, e deixar o atraso longo para empresas especializadas, que têm mais know-how para cuidar dessa fatia”, afirmou.

Dados da Serasa apontam que 83,9 milhões de brasileiros estavam inadimplentes em julho, o maior número já registrado.

Bruno Russo Franco, CEO da Recovery, empresa de recuperação de crédito do grupo Itaú

Com a Selic ainda em 14% ao ano e os bancos mais seletivos na concessão de crédito, empresas do varejo também têm recorrido à venda de carteiras como alternativa de liquidez, segundo a Recovery.

Ainda de forma tímida, outros setores — indústria, agronegócio e mercado imobiliário — também passaram a recorrer à monetização de carteiras inadimplentes diante dos juros altos e da oferta menor de crédito bancário.

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A Recovery é uma plataforma de recuperação de crédito do grupo Itaú e uma das líderes do segmento no Brasil. A companhia administra mais de R$ 144 bilhões em créditos inadimplidos e tem mais de 33 milhões de clientes com dívidas ativas em sua base.

No modelo de negócio, a empresa compra de bancos, fintechs e varejistas carteiras de dívidas em atraso — em geral acima de 360 dias, prazo a partir do qual a recuperação passa a ser menos interessante para quem concedeu o crédito original — e assume a cobrança, com desconto sobre o valor de face dos contratos.

A companhia tem uma fatia de 25% a 30% do mercado total de cessões, o que representaria um volume entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões em compras no primeiro semestre, segundo Franco.

A inadimplência e o efeito das bets

Para o CEO, o avanço da venda de carteiras também reflete uma piora na capacidade de pagamento da população.

Segundo ele, a sobreposição entre clientes que a Recovery já cobra e devedores de novas carteiras compradas no mercado subiu de uma faixa de 25% a 30%, há quatro anos, para 40% a 50% hoje. “Isso mostra que o brasileiro está mais endividado — antigamente ele tinha uma, duas dívidas, hoje tem três, quatro”, afirmou Franco.

Essa mudança também aparece na forma de cobrança. O percentual de dívidas quitadas à vista na Recovery caiu de 35% para 10% do total nos últimos anos, enquanto o parcelamento passou a representar 90% das negociações.

O número médio de parcelas subiu de 6 a 7 para 11 a 12, de acordo com o executivo. “A gente teve que fazer uma adaptação ao nosso modelo de cobrar, entender a situação que a população está vivendo”, disse Franco.

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Segundo ele, mesmo mantendo descontos agressivos para pagamento à vista, boa parte dos devedores não dispõe desse valor e opta pelo parcelamento.

O CEO também citou uma possível relação entre o avanço das apostas esportivas online, as chamadas bets, e a dificuldade dos devedores de honrar dívidas.

Segundo ele, a Recovery não tem acesso a informações bancárias ou transacionais dos clientes que permitam medir o fenômeno, mas percebe uma coincidência entre a expansão das bets nos últimos dois anos e a queda na capacidade de pagamento do público das classes C e D, que compõe a maior parte da carteira de clientes da empresa.

Aposta na carteira de financiamento de veículos

Diante desse cenário, a Recovery tem buscado aumentar o peso de carteiras com garantia real no portfólio, sobretudo as de financiamento de veículos, que hoje somam 15% da recuperação da empresa e devem chegar a 30%, segundo o CEO.

A decisão remonta à pandemia, quando a Recovery notou que operações sem garantia, como cartão de crédito e empréstimo pessoal, tiveram volatilidade maior de recuperação em momentos de estresse econômico, enquanto ativos atrelados a um bem, como veículos, oscilaram menos.

“A gente entendeu que precisa balancear melhor a nossa compra para ter, dentro do portfólio, uma representatividade maior nesse segmento”, disse Franco, ao descrever o movimento como uma estratégia de gestão de risco.

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O produto mais comum nas carteiras compradas pela Recovery é o cartão de crédito, seguido do empréstimo pessoal sem garantia, segundo o CEO. Operações de pessoa jurídica representam cerca de 5% do negócio da empresa.

Apesar do cenário de maior dificuldade de pagamento, Franco afirma que o mercado segue saudável tanto para quem vende quanto para quem compra carteiras.

Segundo ele, o crédito continua sendo concedido independentemente da capacidade de recuperação da população, porque é essencial para o crescimento econômico — e o atraso mais longo, quando ocorre, deixa de ser prioridade da instituição que concedeu o crédito original, esteja o cenário econômico favorável ou não.

“Se o mercado estiver bem, aquele atraso longo também não resolve nada para quem está concedendo crédito”, disse o CEO.

Nesse contexto, o que muda com a piora na capacidade de pagamento é o preço pago pelas carteiras. O desconto sobre o valor de face aumenta para refletir o risco maior percebido pelos compradores, entre os quais a própria Recovery. “Se você pensar num ativo: dependendo do cenário, ele vale menos; dependendo do cenário, ele vale mais. É uma operação financeira como outra qualquer”, afirmou.

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© Tuane Fernandes

Pedestres em São Paulo: volume de cessões de carteira deve ser o maior desde a pandemia. (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)

Oi volta à falência com dívida de R$ 35,3 bi após rejeição a recursos de credores

25 de Agosto de 2026, 17:51

A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta terça-feira (25) a falência da Oi, dona de uma dívida de R$ 35,3 bilhões e de uma ação que vale R$ 0,10 na B3. A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro rejeitou os recursos do Itaú Unibanco e do Bradesco e confirmou o colapso decidido pela primeira instância.

O tribunal escolheu Adriano Pinto Machado, Sérgio Zveiter e a Preserva Ação para administrar a companhia daqui em diante, informou a Oi em comunicado ao mercado.

A decisão também alcança duas empresas do grupo no exterior, a Portugal Telecom International Finance e a Oi Brasil Holdings Coöperatief. Os serviços continuam funcionando por enquanto.

Em 10 de novembro do ano passado, a 7ª Vara Empresarial da capital fluminense encerrou a tentativa de salvamento da empresa e declarou a quebra.

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Os dois bancos recorreram e conseguiram suspender aquela decisão, o que devolveu a Oi ao processo de recuperação. Era esse recurso que estava sendo julgado agora.

A relatora, desembargadora Monica Maria Costa Di Piero, já havia votado contra os bancos. O desembargador Augusto Alves Moreira Júnior pediu mais tempo para analisar o caso e travou a sessão. Quando o julgamento voltou à pauta, os colegas seguiram a relatora e a falência foi restabelecida.

Da privatização à falência

A Oi nasceu da privatização da telefonia, em 1998, quando a construtora mineira Andrade Gutierrez e o grupo La Fonte, da família cearense Jereissati, arremataram a operadora do Norte e do Leste do país. Sérgio Andrade e Carlos Jereissati Filho comandaram o negócio por mais de 10 anos, com o projeto de erguer uma gigante brasileira do setor.

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A compra da rival Brasil Telecom, em 2009, exigiu uma mudança de regra do governo federal e deixou a companhia endividada.

Veio depois a sociedade com a Portugal Telecom, que trouxe Zeinal Bava para a presidência. A quebra do Banco Espírito Santo, em Portugal, evaporou o dinheiro prometido pelos sócios europeus, e a Oi ficou com a conta.

Em dezembro de 2022, a Oi saiu oficialmente do processo de recuperação judicial. Em março de 2023, voltou a pedir RJ.

Em 2024, ainda tocava o plano de vender R$ 15,3 bilhões em ativos para ajudar a pagar parte da dívida.

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No ano passado, a V.tal, fornecedora controlada por fundos geridos pelo BTG Pactual (BPAC11), contestou a tentativa da Oi de buscar uma nova recuperação judicial nos EUA.

Visão da Fitch

Em março, a Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da companhia para o degrau reservado a quem deixa de pagar, depois que a Oi não honrou os juros devidos aos donos de seus títulos de dívida.

Uma ordem judicial vigente desde janeiro a impedia de gastar com qualquer coisa que não fosse essencial, e os juros entravam nessa lista. A proteção que a mantinha viva era a mesma que a colocava em falta com os credores.

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A esperança era a venda da fatia que a Oi tinha na V.tal, a empresa de fibra óptica que ela ajudou a criar. A companhia avaliava essa participação entre R$ 11 bilhões e R$ 13,5 bilhões, e o dinheiro serviria para abater a dívida na ordem combinada com os credores. Sem essa entrada, a Fitch considerava a situação de caixa crítica.

Quase toda a dívida da Oi era do tipo que não exige pagamento imediato em dinheiro, porque os juros iam se somando ao valor devido.

Isso empurrava o problema para frente e adiava o momento de reconhecer que a empresa não tinha como se recuperar. Nos balanços, outro sinal: a Oi deixou de publicar no prazo os resultados do terceiro trimestre de 2025, atraso que a Fitch apontou como um problema de crédito.

No passo seguinte, a agência de crédito avisou que rebaixaria a Oi para a última nota da escala, aquela que indica falência consumada, se a empresa entrasse em processo de encerramento. A decisão desta terça-feira (25) aciona esse gatilho.

Empresa perde o último recurso e leva ativos para a fila de credores (Foto: Bloomberg)

Abertura aos EUA? O que esperar do setor petrolífero venezuelano nos próximos meses

25 de Agosto de 2026, 16:31

O setor petrolífero venezuelano entrou em uma fase de maior abertura ao capital internacional, com novas regras, o fim de várias restrições impostas pelos Estados Unidos e o retorno gradual de empresas estrangeiras aos projetos de petróleo e gás.

Após a captura de Nicolás Maduro pelas forças americanas em 3 de janeiro deste ano, o governo Trump ampliou, ao longo deste ano, as autorizações para que empresas internacionais operem, negociem contratos e invistam na Venezuela.

Em março, Washington emitiu uma licença geral que ampliou significativamente as operações de empresas americanas com a Petróleos de Venezuela (PDVSA), enquanto o novo marco venezuelano de hidrocarbonetos, aprovado no final de janeiro, abriu mais espaço para a participação privada.

A resposta das empresas tem sido cautelosa, mas já começam a surgir medidas concretas. A Chevron aumentou sua produção em suas joint ventures com a PDVSA para cerca de 280 mil barris por dia durante o primeiro semestre de 2026 e estima que, nos próximos 18 a 24 meses, a produção de petróleo na Venezuela possa aumentar em 15%.

Enquanto isso, outras empresas internacionais avançaram em novos projetos.

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No setor de gás, o sinal mais recente é o acordo firmado entre a BP, a XRG e a UCC para desenvolver a segunda fase do campo offshore de Loran, com acesso a cerca de 4 TCF (trilhões de pés cúbicos, em inglês) de gás recuperável, após a Shell ter assumido a primeira fase.

No entanto, o aumento da produção ainda é modesto em comparação com as necessidades de recuperação do setor. A produção venezuelana gira atualmente em torno de 1,2 milhão de barris por dia, de acordo com o recente relatório da OPEP divulgado em agosto, enquanto persistem grandes restrições de infraestrutura e as empresas internacionais continuam exigindo condições que justifiquem investimentos em maior escala.

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O próprio CEO da Chevron (CVX), Mike Wirth, afirmou em março que ainda eram necessárias mudanças para atrair o nível de investimento necessário para a recuperação do setor.

É justamente nesse ponto que ganham relevância as perspectivas apresentadas pelo ex-ministro da Energia e Minas, Humberto Calderón Pietri, durante o webinar sobre as perspectivas do setor petrolífero da Venezuela, realizado em meados de agosto.

Calderón, que compartilhou suas visões durante a apresentação de uma hora, afirmou que a recuperação deverá se concentrar, em grande parte, na Faixa do Orinoco, onde se encontra a maior parte dos recursos de petróleo pesado. No entanto, o desenvolvimento desses recursos exige investimentos em grande escala e tecnologia especializada.

Um dos principais desafios é aumentar o fator de recuperação, que ele estimou atualmente em cerca de 6% a 7%. Cada ponto percentual adicional representa milhões de barris recuperáveis; portanto, a pesquisa e a adoção de tecnologia serão fundamentais.

A experiência venezuelana demonstra a margem existente. Calderón citou casos de poços que passaram de uma produção de cerca de 150 barris por dia para 600 barris por meio da injeção de vapor e, posteriormente, atingiram entre 1.800 e 2.000 barris por dia com perfuração horizontal e multilateral.

Outro desafio imediato será dispor de diluentes suficientes para transportar os petróleos brutos pesados, especialmente se os melhoradores deixarem de ser um elemento central do esquema de produção.

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Regras claras

O aumento da produção nos próximos meses dependerá não apenas da disponibilidade de capital, mas também das condições sob as quais esse capital poderá ser injetado.

Calderón considera que a atual estrutura tributária não é suficientemente competitiva para projetos complexos como os da Faixa. Uma taxa de regalia de 30%, combinada com outros impostos e um imposto de renda de 50%, pode limitar o apelo para as grandes empresas internacionais.

Sua proposta é avançar na elaboração de uma Lei de Hidrocarbonetos que estabeleça uma taxa de regalia de 20% como teto máximo, com flexibilidade para reduzi-la quando as condições econômicas de um projeto assim o exigirem.

A discussão sobre as regras não é pouca coisa. As próprias empresas internacionais alertaram que ainda existem questões regulatórias e contratuais que precisam ser resolvidas antes de se comprometerem com investimentos de grande magnitude.

Campos maduros

Enquanto os grandes projetos exigem investimentos de bilhões de dólares, parte da recuperação poderia ocorrer mais rapidamente nos campos maduros.

Calderón destacou que, somente na região do Oriente, existem mais de 70 campos e cerca de 3 mil jazidas, muitas delas pequenas demais para as grandes empresas, mas potencialmente atraentes para operadores privados venezuelanos.

Ele identifica aqui uma oportunidade para os profissionais venezuelanos que trabalharam durante anos no exterior. A ideia, segundo ele, seria criar mecanismos que lhes permitam retornar como empresários e operadores, levando em conta sua experiência e conhecimento técnico, além de sua capacidade financeira.

De acordo com as estimativas citadas por ele, os campos maduros da região Oriental poderiam, eventualmente, atingir cerca de 500 mil barris por dia.

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Gás como protagonista

O outro grande fator nas perspectivas para os próximos meses é o gás. A Venezuela possui cerca de 200 TCF de reservas, mas precisa acelerar a exploração e desenvolver recursos que ainda não estão em produção.

A plataforma continental concentra boa parte dessas oportunidades. Calderón lembrou que a Venezuela possui cerca de 500 mil km² de plataforma continental e citou áreas como Paria, La Blanquilla, Falcón e o Golfo da Venezuela, além das descobertas de Perla, Mejillones, Dragón e Patao.

O desenvolvimento do projeto Rio Caribe e dos projetos de gás offshore assume especial importância, pois o gás não representa apenas uma oportunidade de exportação: ele também é necessário para recuperar a geração termoelétrica e, com ela, a capacidade produtiva da indústria.

Recuperando a infraestrutura

A magnitude do deterioramento explica por que o crescimento não será imediato. No setor de refino, Calderón estima que, diante de uma capacidade instalada histórica de 1,25 a 1,30 milhão de barris por dia, atualmente apenas cerca de 200 mil barris por dia estão disponíveis.

A proposta é reconstruir e modernizar as refinarias existentes com participação privada, em vez de necessariamente iniciar novos projetos do zero.

Algo semelhante ocorre com a infraestrutura petrolífera do Lago de Maracaibo e com os serviços associados à produção. A recuperação da produção exigirá, simultaneamente, a recuperação de poços, equipamentos, instalações, serviços petrolíferos e fornecedores nacionais.

A abertura promovida pelos Estados Unidos e o interesse renovado das empresas internacionais mudaram o cenário. No entanto, os primeiros acordos ainda não significam uma reconstrução do setor. O desafio dos próximos meses será transformar essa abertura em investimentos efetivos e em uma recuperação sustentável da produção.

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© Carlos Becerra

Com novas regras e a redução de restrições dos EUA, empresas estrangeiras estão começando a retornar ao mercado de petróleo e gás do país. (Foto: Carlos Becerra/Bloomberg)

Havanna mantém plano de abrir 60 lojas no Brasil enquanto renegocia dívida de R$ 127 mi

25 de Agosto de 2026, 15:47

A Havanna decidiu manter o calendário de aberturas de lojas no ano enquanto o grupo que responde pela marca no Brasil renegocia R$ 127,7 milhões com credores.

A rede argentina afirma que planeja ainda inaugurar mais de 60 unidades no país até dezembro, número que equivale a quase um quarto da base instalada de mais de 250 lojas, a maior parte em modelo de franquia.

“A Havanna segue avançando em seu plano de expansão no Brasil. Até o fim de 2026, mais de 60 novas unidades serão inauguradas no país, incluindo a loja do Jardim Sul”, diz a companhia em nota.

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A expansão brasileira ganha peso desde que a matriz contratou o UBS BB, em setembro de 2024, para avaliar alternativas de negócios, entre elas a venda das operações na América Latina, conforme a companhia informou à Bloomberg News à época.

Em São Paulo, o plano de expansão se materializa em ritmos diferentes. A loja do Shopping Jardim Sul, na zona sul, está prevista para setembro, informou a equipe do empreendimento, administrado pela Ancar.

No mesmo intervalo, o ponto no piso térreo do Shopping Cidade São Paulo, na avenida Paulista, está fechado e com tapume. A unidade operava no formato híbrido de cafeteria e sorveteria, e o espaço segue sem novo ocupante.

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A saída ocorreu em menos de um ano de operação, prazo curto para um endereço de aluguel elevado, e sinaliza revisão de ponto ou de formato. A companhia não informou o motivo do encerramento nem se houve outros fechamentos no ano.

Após vir à tona o processo de recuperação extrajudicial de sócio no Brasil, Havanna manteve plano de abrir sorveteria no Jardim Sul em setembro (Sérgio Ripardo/Bloomberg Línea)

Competição gelada

O formato indicado pela rede para a próxima abertura, a heladeria [sorveteria], é o de maior disputa no varejo de shopping neste momento com reorganização de espaços e chegada de novas marcas em um mercado pulverizado de nomes regionais e multinacionais explorando diversos canais, formatos e faixas de preços na categoria de sorvetes.

A saída da Häagen-Dazs do país, com o encerramento da distribuição pela General Mills, abriu espaço no topo do sorvete de massa, que concentra 73,47% da preferência nacional, segundo pesquisa da Abrasorvete (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis).

Entre as concorrentes em expansão, a Bacio di Latte, que soma mais de 240 lojas próprias e 8.000 pontos de venda, e a Borelli, que tem mais de 260 unidades franqueadas com plano de chegar a 300 até o fim de 2026. No próprio Cidade São Paulo, a chinesa Mixue abriu uma das duas primeiras lojas brasileiras em abril, por outra faixa de preço.

Parceria com Azul

A marca argentina também amplia receita fora da loja física. Em abril, fechou parceria com a Azul (AZUL53) para distribuir 30 mil alfajores no serviço de bordo dos voos internacionais que partem de Viracopos, em Campinas, com destinos nos Estados Unidos, em Portugal, na Espanha e no Uruguai, substituindo a sobremesa da classe econômica no período.

O portfólio inclui salgados, cafés, tabletes, ovos de Páscoa, panetones e os Havannets, cones recheados de doce de leite. Fundada em 1939 na Argentina como fábrica de alfajores, a Havanna está em 2.500 pontos de venda em 12 países e opera no Brasil desde 2006.

O plano de aberturas convive com a reorganização do passivo do grupo controlado pelo empresário Marcos Rothenberg. O processo reúne seis empresas na 1ª Vara Regional de Competência Empresarial de São Paulo.

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As companhias entraram juntas porque cada uma garante as dívidas das demais junto ao Banco do Brasil (BBAS3), ao Banco Pine e ao Banco Sofisa. O plano prevê deságio de até 95% sobre os créditos abrangidos, carência de 12 meses e pagamento em até 10 anos, com o fundo Explorer como maior credor individual, a receber R$ 45,8 milhões.

Em nota à Bloomberg Línea, a empresa atribui o processo a obrigações do grupo acionista.

“O processo de recuperação extrajudicial foi iniciado em função de obrigações contratadas por outras empresas do grupo acionista da Havanna, sem relação com questões operacionais ou financeiras da Havanna, que é solidária nas obrigações financeiras do grupo. Este processo de recuperação tem como objetivo justamente garantir que obrigações solidárias das empresas não afetem a capacidade operacional, os compromissos da Havanna com seus fornecedores, franqueados e parceiros”, afirma a companhia.

Renegociação e pessimismo

O instrumento da recuperação extrajudicial vem sendo adotado por empresas de alimentos que ainda operam com capacidade preservada, caminho que o GPA (PCAR3) também seguiu meses atrás para renegociar parte do endividamento.

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O sócio do Godke Advogados Fernando Canutto avalia que o formato permite negociar com classes específicas de credores, com mais discrição, custo menor e prazo mais curto que a recuperação judicial, o que reduz o impacto sobre a cadeia de fornecedores.

O calendário de aberturas da Havanna encontra um consumidor em retração. O ICC (Índice de Confiança do Consumidor) da FGV (Fundação Getulio Vargas) caiu 3,6 pontos em agosto, para 84,7, menor nível desde novembro de 2022, segundo relatório do Goldman Sachs.

O componente de expectativas recuou 5,4 pontos, para 86,1, piso desde julho de 2022, e os dois indicadores seguem abaixo de 100, faixa que o banco classifica como território pessimista.

Rede argentina amplia presença no país enquanto seu grupo acionista reorganiza passivos, e a confiança do consumidor cai ao menor nível desde 2022

O risco fiscal para o próximo governo

25 de Agosto de 2026, 06:59

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Reduzir o limite de crescimento das despesas previsto no arcabouço fiscal, hoje em 2,5% ao ano, para um patamar mais baixo, como 1,5%, seria uma sinalização importante de ajuste nas contas públicas, mas não resolveria o desequilíbrio fiscal brasileiro.

A avaliação é de Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea.

Segundo Bittencourt, o limite do arcabouço é um número que pode ser alterado de uma maneira simples pelo Congresso, por lei ordinária. O problema, segundo ele, está em outro lugar: no crescimento das despesas obrigatórias, que é definido por regras constitucionais e cresce, hoje, em ritmo mais acelerado.

“A grande dificuldade está no crescimento das despesas obrigatórias. Para eu mudar a regra de acesso da Previdência, para eu mudar a indexação dos mínimos da saúde e educação, isso só com a Constituição”, afirmou.

“Basta simplesmente reduzir o limite do arcabouço fiscal, de 2,5% para 1,5%, 2%? Eu acho que é um sinal importante, mas o problema continua ali.”

⇒ Leia a reportagem: Despesas obrigatórias são o maior risco fiscal do próximo governo, diz head do ASA

Jeferson Bittencourt, head de economia do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea

No radar dos mercados

As ações globais operam em alta nesta terça-feira (25), em meio à recuperação das fabricantes de chips, enquanto o Bitcoin superou brevemente o patamar de US$ 80.000 e o petróleo ampliou as perdas.ㅤ

- EUA ampliam sanções. O governo Trump sancionou dezenas de indivíduos e empresas, incluindo entidades na China e em Hong Kong acusadas de apoiar redes iranianas de aquisição de tecnologia. As medidas elevam a pressão sobre Teerã, mas evitam atingir grandes instituições financeiras chinesas. ㅤ

- Leapmotor mira 1 milhão de carros. A montadora chinesa prevê entregar 1 milhão de veículos neste ano e superar 100 mil unidades mensais até dezembro, segundo disse o copresidente Michael Wu à Bloomberg TV. A empresa planeja ampliar a produção internacional usando fábricas da Stellantis, inclusive no Brasil. ㅤ

- Lego mantém foco em criatividade. A fabricante dinamarquesa descartou criar conjuntos exclusivamente com inteligência artificial, embora use a tecnologia em tarefas padronizadas para aumentar a produtividade. A receita da companhia no primeiro semestre cresceu 21%, para cerca de US$ 6,5 bilhões.

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🔘 As bolsas ontem (24/08): Dow Jones Industrials (+0,26%), S&P 500 (-0,28%), Nasdaq Composite (-0,77%), Stoxx 600 (+0,01%), Ibovespa (+0,51%)
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🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

• Braskem chega a acordo com credores para reestruturar US$ 10 bi em dívidas, dizem fontes

• Pátria vende 99,5% da Elfa Medicamentos para a Gravataí por valor simbólico

• Galípolo alerta para aumento do endividamento com estímulo ao crédito e ao consumo

• Também é importante: Chuvas no Brasil reduzem oferta de café premium e pressionam Starbucks, Lavazza e Illy | Consumo fraco pressiona shoppings, mas Allos resiste com dividendos, diz BofA

• Opinião Bloomberg: Revolta dos robôs? Modelos de IA preocupam, mas é possível garantir regras e controle

• Para não ficar de fora: Vicunha reage a Shein e Shopee, enxuga estoque, amplia portfólio e mira voltar a lucrar

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Despesas obrigatórias são o maior desafio fiscal do próximo governo, diz head do ASA

25 de Agosto de 2026, 06:00

Reduzir o limite de crescimento das despesas previsto no arcabouço fiscal, hoje em 2,5% ao ano, para um patamar mais baixo, como 1,5%, seria uma sinalização importante de ajuste nas contas públicas, mas não resolveria o desequilíbrio fiscal brasileiro.

A avaliação é de Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea.

Segundo Bittencourt, o limite do arcabouço é um número que pode ser alterado de uma maneira simples pelo Congresso, por lei ordinária. O problema, segundo ele, está em outro lugar: no crescimento das despesas obrigatórias, que é definido por regras constitucionais e cresce, hoje, em ritmo mais acelerado.

“A grande dificuldade está no crescimento das despesas obrigatórias. Para eu mudar a regra de acesso da Previdência, para eu mudar a indexação dos mínimos da saúde e educação, isso só com a Constituição”, afirmou.

“Basta simplesmente reduzir o limite do arcabouço fiscal, de 2,5% para 1,5%, 2%? Eu acho que é um sinal importante, mas o problema continua ali.”

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Lidar com o desequilíbrio das contas públicas será um dos maiores desafios do próximo governo após a eleição e é o principal tema no radar de investidores e analistas do mercado.

A regra do arcabouço fiscal estabelece um teto de 2,5% para o crescimento real das despesas, mas a maior parte dos gastos do governo tem crescido acima desse ritmo - incluindo despesas com aposentadorias, salários de servidores e benefícios sociais.

Uma possível medida de ajuste que tem sido defendida pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, seria reduzir o limite de crescimento das despesas previsto no arcabouço fiscal, o que obrigaria o governo a reduzir gastos em determinadas áreas.

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Na visão de Bittencourt, o problema fiscal brasileiro tem raízes mais estruturais formadas ao longo das últimas quatro décadas e que precisariam ser encaradas. O país ampliou ao longo do tempo o rol de direitos e benefícios garantidos pela Constituição, sem uma contrapartida. Ao mesmo tempo, o envelhecimento da população leva a uma despesa obrigatória crescente.

O caso da Previdência é o mais evidente. Nas contas de Bittencourt, a despesa previdenciária deve crescer 7,7% no orçamento do ano que vem — cerca de 3,5% em termos reais.

Como a Previdência responde a quase metade dos 19% do PIB gastos em despesa primária, “metade do gasto cresce mais do que o limite”, resumiu Bittencourt — e isso sem contar outras despesas obrigatórias, como os mínimos constitucionais de saúde e educação, que também sobem acima do teto do arcabouço.

Outra questão é a regra de correção do salário mínimo, que prevê a reposição da inflação, mais o crescimento do PIB. Como uma parte considerável dos benefícios da Previdência é ligada ao salário mínimo, esse reajuste tem um peso significativo no aumento das despesas e que deveria ser revisto.

“A ideia do PIB nessa equação do salário mínimo seria para dar algum retorno para os trabalhadores sob ganho de produtividade”, disse Bittencourt. “Mas ganho de produtividade é para quem produz — é o crescimento total da economia sendo repassado para o salário mínimo.”

Mudança de diagnóstico

Questionado sobre as medidas mais importantes para o próximo governo, Bittencourt disse que o primeiro passo seria mudar o diagnóstico predominante sobre o desequilíbrio fiscal brasileiro — hoje concentrado na ideia de deterioração da base tributária, e não no crescimento da despesa.

“Se a gente tem um diagnóstico mais alinhado com essa visão de que vamos nos focar mais fortemente na questão da despesa, isso geraria um ambiente melhor no mercado”, afirmou, argumentando que a percepção de menor pressão inflacionária ajudaria a viabilizar queda de juros.

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A partir daí, ele elenca um conjunto de frentes: rediscutir a regra de correção do salário mínimo; rever regras de acesso a benefícios previdenciários, ao BPC e a outros programas sociais, para focalizar recursos em quem realmente precisa; e fazer uma reforma administrativa que corrija incentivos no serviço público, hoje marcado, segundo ele, por carreiras em que assumir cargos de chefia oferece pouco ganho financeiro frente ao risco assumido.

Como exemplo de falta de foco dos programas sociais, ele cita o Farmácia Popular, que não diferencia por renda: “A pessoa da classe do 1% mais rico pode chegar na farmácia e, com uma receita médica, ganhar um medicamento. Faz sentido uma pessoa que está nos estratos mais altos da sociedade receber remédio de graça do governo?”

Do ponto de vista dos números, o ASA projeta que a dívida bruta do governo geral feche este ano em 82,7% do PIB e chegue a quase 86% no ano que vem — “independente de quem entre” na Presidência, segundo Bittencourt.

Ele lembra que o Brasil deve terminar 2026 com déficit primário na casa de 0,4% a 0,5% do PIB, e que é difícil imaginar uma reversão para superávit já em 2027 capaz de mudar essa trajetória no curto prazo.

Bittencourt afirma que o mercado só vai conhecer, de fato, a agenda fiscal dos candidatos depois do pleito. Ele atribui isso a um ambiente político “extremamente polarizado” — fenômeno que, segundo ele, não é exclusivo do Brasil, mas que aqui dificulta especialmente o debate sobre ajuste porque nenhum candidato quer indicar de quem tirará benefícios.

“O Congresso tem dificuldade de votar quando a gente começa a identificar quem vai perder em relação à situação atual”, disse.

Segundo ele, propostas genéricas de limite de gastos são aprovadas com relativa facilidade, mas medidas que exigem nomear perdedores específicos — seja do lado da despesa, seja do lado da receita, com aumento de tributos sobre setores determinados — encontram resistência.

‘O Brasil só troca o telhado quando começa a chover muito’

Questionado se o próximo governo, independentemente de quem vença a eleição, será obrigado a endereçar esse desequilíbrio de uma forma ou de outra, Bittencourt recorreu a uma metáfora para resumir o comportamento fiscal do país.

“O Brasil tem uma dificuldade enorme para trocar o telhado quando tem sol. O Brasil só troca o telhado quando começa a chover muito”, disse.

Ou seja, o ajuste tende a vir apenas quando o contexto — mercado, custo de financiamento, sinais de estresse na economia — força a mão dos governantes, e não por decisão antecipada.

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Bittencourt foi enfático, porém, ao dizer que o custo de adiar esse ajuste já está sendo pago.

Ele citou o programa Desenrola 2.0, criado para famílias superendividadas, e “um volume super significativo de empresas em recuperação judicial e extrajudicial” como sintomas diretos do desequilíbrio fiscal.

O déficit fiscal e o crescimento da dívida, ele ressalta, se traduzem em uma taxa de juros elevada, que comprime a capacidade de pagamento de famílias, empresas e do próprio governo.

A sequência de recuperações judiciais e extrajudiciais, na visão do economista, pode ser justamente um dos fatores que empurram o Brasil a enxergar a “chuva” e agir: “pode ser um fator que desnude, de uma maneira ainda mais explícita, a necessidade que a gente tem de que a política fiscal viabilize uma queda da taxa de juros”.

Caso contrário, o risco é o país caminhar para problemas que vão “desde recessão, desemprego, até um problema sistêmico, por conta de incapacidade de pagamento de agentes importantes”.

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© Bloomberg Línea

Jeferson Bittencourt: 'A grande dificuldade está no crescimento das despesas obrigatórias'. (Foto: Bloomberg Línea)

Häagen-Dazs sai do Brasil e abre espaço para concorrentes em sorvete premium

24 de Agosto de 2026, 23:34

A decisão da General Mills de encerrar a distribuição dos sorvetes Häagen-Dazs no Brasil após cerca de 30 anos abre uma disputa pelo espaço deixado no topo do sorvete de massa, formato que concentra 73,47% da preferência nacional.

Entre as principais marcas concorrentes estão Ben & Jerry’s, Bacio di Latte e a brasileira La Basque, pioneira nacional no segmento desde 1980, que disputam o mesmo freezer de potes premium em supermercados, enquanto Magnum e redes artesanais como a Borelli, em expansão nos shopping centers, disputam ocasião de consumo.

Ben & Jerry’s mantém potes em supermercados e lojas próprias, e Magnum atua nos picolés indulgentes, ambas sob a The Magnum Ice Cream Company, empresa independente criada na cisão dos sorvetes da Unilever, concluída em dezembro de 2025. A companhia informou estar em mais de 100 mil pontos de venda no Brasil com seu portfólio, que inclui ainda a marca Kibon, e que vem ampliando seus investimentos na operação.

“A estratégia é continuar a fortalecer esse posicionamento premium ampliando o universo de Magnum para além da gastronomia”, disse nota da The Magnum Ice Cream Company enviada à pergunta da Bloomberg Línea sobre seu plano de expansão após a saída da Häagen-Dazs do Brasil.

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A Bacio di Latte, que abriu a primeira loja em 2011 na rua Oscar Freire, nos Jardins, migrou das gelaterias para a distribuição de potes no varejo e no delivery. A rede soma mais de 240 lojas próprias e 8.000 pontos de venda em diversos estados, além de operação nos EUA.

Na ponta artesanal, a Borelli, fundada em 2013 em Ribeirão Preto, no interior paulista, informa mais de 260 unidades franqueadas em 25 estados e no Distrito Federal, com plano de alcançar 300 até o fim de 2026. Já linhas de fabricação própria de supermercados premium também disputam o mesmo orçamento do consumidor dessa categoria.

“A saída de um player internacional relevante naturalmente movimenta o mercado, mas acreditamos que a principal oportunidade está no crescimento da própria categoria premium no Brasil”, informou a Borelli, em nota.

A companhia reafirmou seu foco na expansão da rede de franquias, renovação do portfólio e criação de novas ocasiões de consumo, inclusive para além das gelaterias, como categoria de snacks com o Borelli Bites.

“O consumidor está cada vez mais atento à qualidade, aos ingredientes, à inovação e à experiência, e vemos ainda bastante espaço para o desenvolvimento desse mercado”, acrescentou a nota da Borelli.

A La Basque, pioneira do superpremium no país, fundada em 1980 em Campinas pelo banqueiro Aloysio de Andrade Faria, foi vendida em fevereiro de 2025 ao grupo paraense ICMelo Flamboyant, que se apresenta como líder no Norte em iogurtes, com as marcas Flamboyant e Delatti, e atua em sorvetes e picolés com as linhas Flamboyant Gelato e Maioca. Na ocasião, o comprador anunciou a ampliação da rede de franquias e o lançamento de novos produtos.

Procuradas pela reportagem, Bacio di Latte e La Basque não responderam de imediato ao pedido de comentário sobre a saída da Häagen-Dazs.

A marca Häagen-Dazs ocupa a faixa superpremium do sorvete de massa, definida por ingredientes de maior custo, menor incorporação de ar na composição, o que eleva a densidade, e preço acima do sorvete tradicional.

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Pesquisa da Abrasorvete (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis) mostra que o sorvete de massa lidera com folga, com 73,47% da preferência, à frente do picolé, com 13,20%, e do soft servido em casquinhas de fast food, com 10,93%.

O pote premium virou porta de entrada de gelaterias no varejo alimentar. A argentina Havanna, dos alfajores, e a curitibana Freddo Gelateria vendem potes de gelato em supermercados do Sudeste e do Sul, respectivamente, e mantêm lojas em shoppings.

O segmento premium tem menos compradores, mas concentra a maior parcela dos gastos com sorvete no Brasil, com tíquete médio acima de R$ 44, segundo levantamento da Worldpanel by Numerator, ex-Kantar, com dados de 2024.

Häagen Dazs e Bacio di Latte, entre outras marcas, disputam preferência do consumidor de sorvete premium no Brasil

‘Reformulação de portfólio’

A multinacional americana atribuiu o encerramento das vendas da sua marca de sorvetes a uma reformulação de portfólio.

“A marca Häagen-Dazs não será mais distribuída no Brasil, devido a um plano de reformulação de portfólio da General Mills, anunciado em março de 2026”, confirmou a companhia, em posicionamento enviado à Bloomberg Línea.

A nota não estabelece cronograma para o escoamento dos estoques remanescentes, não esclarece se outras marcas da empresa no país são alcançadas pelo mesmo plano nem se negocia a possibilidade de a marca ter um distribuidor local.

Os potes de Häagen-Dazs no país eram importados. A fábrica de Tilloy-lès-Mofflaines, na França, abastece 90 países. A operação não dependia de estrutura fabril no país, o que reduz o custo de um eventual retorno.

A Häagen-Dazs não integra o acordo com o grupo 3corações, anunciada em maio, quando a General Mills acertou a venda de marcas tradicionais como Yoki (farofa, pipoca de micro-ondas e batata palha) e Kitano (temperos), por R$ 800 milhões, incluindo as unidades de Pouso Alegre (MG) e Campo Novo do Parecis (MT).

O negócio deve ser concluído até o final de 2026 e foi apresentado como um movimento da estratégia global de reorganização do portfólio da companhia.

A marca Häagen-Dazs foi criada nos Estados Unidos em 1960 por Reuben Mattus, imigrante de origem polonesa, no bairro do Bronx, em Nova York. O nome não tem nenhum significado em nenhum idioma. Mattus inventou uma grafia de sonoridade escandinava para sugerir tradição europeia.

Nos freezers de supermercados de alta renda de São Paulo, como St. Marche, Casa Santa Luzia, Mambo e Pão de Açúcar, os potes da Häagen-Dazs dividiam espaço com Bacio di Latte, Ben & Jerry’s, La Basque e marcas próprias das redes, na faixa de R$ 55 a R$ 70 o pote de meio litro.

Leia também: Magnum desacelera crescimento das vendas com desempenho mais fraco nas Américas

O efeito do encerramento já aparece no comércio eletrônico: no site do St. Marche, o pote de 500 ml de cookies & creme segue cadastrado, com preço de R$ 69,49 e promocional de R$ 55,99, mas marcado como indisponível.

Enquanto a marca superpremium deixa o país, a chinesa Mixue avança. A rede estreou no Brasil em abril, com duas lojas na capital, no Shopping Cidade São Paulo, na Paulista, e na região da 25 de Março, e depois abriu nos shoppings Aricanduva, Tietê Plaza e Metrópole, em Santo André. Em 4 de agosto, inaugurou a primeira unidade da zona sul, no Shopping Campo Limpo, com cerca de 85 m² no piso 3.

O cardápio parte de R$ 3 no sorvete e R$ 6 nas bebidas, com limonadas, chás gelados, milkshakes e versões adaptadas ao paladar local, preparadas com café e frutas tropicais, em operação integrada ao delivery.

Fundada em 1997, mesmo ano da chegada da Häagen-Dazs ao Brasil, a Mixue soma mais de 47 mil unidades no mundo e é a maior rede de fast food global em número de lojas.

No segmento popular de sorvetes, a chinesa e a brasileira Chiquinho disputam o consumidor de tíquete baixo em shoppings e ruas, ao lado da paulista Rochinha, que soma cerca de 200 pontos entre lojas franqueadas, próprias e quiosques e também distribui em supermercados. As redes de paletas mexicanas, como a Los Paleteros, ocupam a mesma faixa em quiosques de shopping.

O tamanho do mercado em jogo

O mercado brasileiro de sorvetes movimentou R$ 12,1 bilhões entre março de 2025 e março de 2026, segundo a Abrasorvete, com projeção de alta de 16,3% no faturamento neste ano.

O levantamento da Abrasorvete com a EJFGV (Empresa Júnior da Fundação Getúlio Vargas), datado de setembro de 2024, indica consumo médio de 5,94 litros de sorvete de massa por pessoa ao ano e de 3,19 litros de picolé, o equivalente a cerca de 45 picolés.

O estudo estima o consumo total de sorvete em 9,1 litros por pessoa ao ano. A parcela de 10% a 15% da população que não consome sorvete ficou fora da base.

A pesquisa também mapeia quando o consumo acontece, dado relevante para uma marca de sobremesa. O sorvete aparece como sobremesa para 64,40% dos entrevistados, durante passeios para 60,27% e como lanche para 21,20%, em respostas não excludentes, enquanto o clima influencia a compra de 66,53%.

Geograficamente, São Paulo responde por 20% do consumo nacional, seguido por Minas Gerais, com 9,87%, e Rio de Janeiro, com 9,73%. A faixa de 25 a 34 anos reúne 25,20% dos consumidores.

O padrão se repete no delivery, canal em expansão. O iFood entregou 11,3 milhões de pedidos de sorvete em 2025, alta superior a 26%, dos quais 73% ocorreram logo após as refeições principais, com 4,5 milhões no jantar e 3,8 milhões no almoço.

Os fins de semana concentraram 38% dos pedidos e o domingo respondeu sozinho por 20%. São Paulo liderou entre os estados, com mais de 1 milhão de pedidos, enquanto Bahia e Ceará registraram as maiores altas, de 72% e 51%.

--Texto atualizado às 21h10, do dia 25/08, para incluir a nota da The Magnum Ice Cream Company

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Häagen-Dazs tem distribuição encerrada pela General Mills no Brasil (Foto: Divulgação/General Mills)

Consumo fraco pressiona shoppings, mas Allos resiste com dividendos, diz BofA

24 de Agosto de 2026, 16:40

A desaceleração do consumo das famílias no Brasil tem pressionado as vendas dos shopping centers, com impacto direto sobre a receita das principais operadoras do setor, segundo relatório do Bank of America (BofA) enviado aos clientes no último dia 18.

O diagnóstico do banco é de um ciclo mais desfavorável, no qual juro alto, consumo fraco e reajuste de aluguel travado se reforçam ao mesmo tempo.

O BofA avalia que o momento exige cautela: a inadimplência segue padrão sazonal, mas ainda preocupa, os ciclos de investimento seguem pesados para algumas redes e a dependência de vendas de ativos para financiar dividendos adiciona camada de risco ao setor.

A resposta das administradoras de centros comerciais a esse cenário foi vender participações minoritárias a fundos imobiliários, uma estratégia para levantar caixa e melhorar o fluxo sem aumentar o endividamento. O movimento ganhou força porque a dívida ficou cara e o aluguel parou de crescer sozinho.

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O problema, pondera o BofA, é que a capacidade de compra desses fundos também depende da Selic, em 14% ao ano, e parte das operações anunciadas está condicionada ao sucesso de novas emissões de cotas. Ou seja: o setor tentou contornar o aperto financeiro com vendas de ativos, mas essa saída também esbarra no custo do dinheiro e na disposição do mercado em comprar novas cotas.

No movimento dos preços-alvo, o BofA cortou o da Iguatemi (IGTI11) de R$ 31 para R$ 30, com recomendação neutra, ou seja, o banco não vê nem grande potencial de valorização nem risco excessivo de queda no curto prazo.

O motivo, segundo os analistas Victor Tapia e Pedro Perone, é o “pesado ciclo de investimentos da empresa nos próximos três anos”.

Esse ciclo de capex (despesas de capital) envolve a aquisição de participações adicionais em ativos de primeira linha, como o Pátio Paulista e o Pátio Higienópolis, as expansões dos shoppings Iguatemi São Paulo e Brasília e os retrofits do Rio Sul e do Market Place.

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O problema é que esses investimentos consomem caixa e comprimem margens no curto prazo, antes que as novas áreas gerem retorno.

A Multiplan (MULT3), dona de shoppings como o MorumbiShopping (São Paulo) e o BarraShopping (Rio de Janeiro), também com recomendação neutra, sente a desaceleração do ritmo de crescimento, segundo o relatório do BofA: as vendas nas mesmas lojas (indicador que mede o desempenho das operações abertas há pelo menos 12 meses) cresceram 10,9% no segundo trimestre de 2025 e desaceleraram para 4,3% no mesmo período de 2026.

Apesar disso, o banco elevou o preço-alvo de R$ 35 para R$ 36. A justificativa, segundo os analistas, é que o “capex da empresa já passou do pico”, com as expansões entregues agora funcionando como um vento favorável para as vendas nas mesmas lojas.

Os analistas ponderam, no entanto, que ainda há projetos no pipeline, incluindo o desenvolvimento de um bairro privado de alto padrão em Porto Alegre (RS), chamado Golden Lake e seu novo empreendimento residencial Lake Baikal, além de quatro expansões não anunciadas em shoppings da rede, que somam 33 mil m², todos fora das estimativas como potencial de alta.

Por sua vez, a Allos (ALOS3), uma das maiores redes de shoppings do país, com ativos como o Shopping Recife (PE) e o Shopping da Bahia (BA), é a única com recomendação de compra e principal aposta (top pick) do banco, com preço-alvo elevado de R$ 34 para R$ 35, respaldada por aluguéis resilientes e retorno em dividendos (dividend yield) projetado em 14% até 2027.

Em 12 meses, as ações das três maiores administradoras listadas subiram em termos nominais, mas a valorização ficou abaixo do CDI, com a Selic a 14% ao ano: a Allos acumula alta de 13%, a Iguatemi, de 6,39%, e a Multiplan, de 0,64%. Os percentuais consideram apenas a variação de preço, sem os dividendos pagos no período.

No fechamento desta segunda-feira (24), os papéis valiam R$ 26,01, R$ 23,65 e R$ 26,94, respectivamente. Ante os preços-alvo do BofA, o potencial de valorização é de 34,6% na Allos, 26,8% na Iguatemi e 33,6% na Multiplan, embora só a primeira tenha recomendação de compra.

Também citada no mesmo relatório sobre propriedades comerciais, a Log (LOGG3), empresa de galpões logísticos, tem recomendação de venda (underperform) e preço-alvo mantido em R$ 22, com os analistas alertando que a ação já precifica volumes de venda e crescimento real de aluguéis que a empresa ainda não entregou.

Ritmo de reajustes

Um dos pontos de atenção dos investidores é o custo de ocupação, percentual das vendas que o comerciante entrega ao shopping em aluguel e encargos.

Na Allos, ele está em torno de 10,3%, patamar considerado enxuto pelo banco. Na Multiplan, chega a 12,3%. Quanto mais baixo esse índice, maior o espaço da administradora para reajustar aluguéis sem inviabilizar a operação do lojista, e menor a pressão do varejista para repassar custo ao preço final.

É o indicador que explica por que shoppings dominantes conseguem cobrar mais e ainda assim manter fila de interessados.

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O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), que corrige a maior parte dos contratos de aluguel de shopping, caiu 1,16% em julho, a segunda deflação mensal seguida, e acumula alta de 2,76% em 12 meses, ante 3,16% no acumulado até junho.

O índice sustentou por décadas o crescimento automático do setor, em que bastava o aniversário do contrato para a receita subir. Esse mecanismo parou de funcionar. Sem reajuste, cada real adicional de aluguel precisa vir de troca de lojista, de aluguel percentual sobre vendas ou de mudança de mix, tudo mais lento, mais caro e sujeito à negociação com um varejista que também está apertado.

O BofA projetou ainda que o pipeline de vendas de participações da Allos gere aproximadamente R$ 517 milhões de entrada de caixa entre o quarto trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2028, dos quais cerca de R$ 230 milhões em 2027, ligados a parcelas do XP Malls (XPML11) e à venda integral dos 60% que a companhia detinha no São Bernardo Plaza Shopping, na região do ABC paulista, anunciada em 13 de agosto por R$ 331,1 milhões a um cap rate de 9%.

Fora dessa conta está o fundo em negociação com a Kinea Investimentos, gestora do Itaú Unibanco, anunciado em abril, com captação estimada entre R$ 789,5 milhões e R$ 1,97 bilhão e cap rate médio de 9,5% sobre ativos maduros.

A taxa de capitalização mede o retorno anual do comprador sobre o valor pago, e quanto menor o percentual, mais caro o ativo saiu. Essa operação preserva a opcionalidade de novos desinvestimentos e de dividendos elevados por mais tempo na Allos.

Unidade da Havanna, marca argentina de alfajor e doce de leite, fecha no Shopping Cidade de São Paulo, operado pela SYN na avenida Paulista, após master franqueado entrar em recuperação extrajudicial

Ativos na Iguatemi

Na Iguatemi, o corte do preço-alvo tem origem contábil, não operacional. A companhia entra em um ciclo de investimento de aproximadamente R$ 700 milhões em três anos.

Do lado do funding, o banco calculava cerca de R$ 350 milhões antes do acordo com o TRX Real Estate (TRXF11). Com o fechamento da venda de participações em cinco ativos por R$ 876,1 milhões, anunciada em 7 de agosto a um cap rate médio de 7,3%, o total pode chegar a R$ 1,3 bilhão, um patamar mais apertado que os 9,5% do fundo negociado pela Allos.

A venda reduz a base de ativos, e é isso que derruba as projeções. As estimativas do BofA para 2027 e 2028 apontam queda de cerca de 13% na ABL (Área Bruta Locável) própria média e de aproximadamente 11% no NOI (Net Operating Income, resultado operacional líquido).

Em compensação, o aluguel por metro quadrado sobe algo perto de 13%, porque saem da carteira ativos de produtividade abaixo da média.

No segundo trimestre, o Pátio Paulista teve uma das melhores performances da Iguatemi, com 99% de ocupação. Não chegou a 100% devido ao fechamento da loja Khelf Modas, com foco em jeans e vestuário jovem, que enfrenta reestruturação, evidenciada pelo encerramento de pontos de venda e ações por dívidas fiscais e atrasos trabalhistas. No terceiro pavimento, a loja Checkmate, de moda feminina, também baixou as portas.

Investimentos em retrofit e expansão

Já a Multiplan segue como a operação mais forte do setor em métricas puras, ainda que também desacelerada. Na visão do BofA, o ponto novo é o fim do ciclo pesado de investimento: as expansões entregues passam a funcionar como impulso às vendas nas mesmas lojas, e não mais como despesa.

No segundo trimestre, as vendas dos lojistas somaram R$ 6,75 bilhões, alta de 7,7%, com o MorumbiShopping avançando 25% no primeiro trimestre cheio após a sexta expansão.

Apesar dos desafios do setor, o Brasil aumenta a cada ano o número de shopping centers. No final de 2025, o país registrava 658 complexos de consumo, acima de 2024 (648), 2023 (639) e 2022 (628), segundo dados da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers). O total da ABL soma 18,3 milhões de metros quadrados.

Além de Allos, Iguatemi e Multiplan, completam as listadas do setor na B3 a JHSF (JHSF3), a SYN (SYN3), a General Shopping e Outlets (GSHP3) e a HBR Realty (HBRE3).

Entre as administradoras e os grupos proprietários de capital fechado, que não recebem preço-alvo nem recomendação de analistas, estão AD Shopping, Argoplan, Ancar, Tenco, Alqia (controlada pela gestora HSI), Lumine, SFA Malls, Almeida Junior, Gazit Brasil, AIRAZ (Grupo Zaffari), dona da bandeira Bourbon, e o Grupo JCPM, dono da bandeira RioMar e líder no Nordeste.

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Analistas veem nova fase para valor de mercado das administradoras de shoppings na Bolsa com desaceleração de vendas e desafios dos lojistas, como fechamento de unidades e reestruturação (Foto: Sérgio Ripardo/Bloomberg Línea)

Patria vende 99,5% da Elfa Medicamentos para a Gravataí por valor simbólico

24 de Agosto de 2026, 15:07

O Patria Investimentos (PAX) vendeu o controle do Grupo Elfa (ELFA3) para a Gravataí Participações. O negócio envolveu a venda de 99,56% do capital social total da distribuidora de produtos médico-hospitalares pelo valor simbólico de R$ 620,49. A transação marca a saída definitiva da gestora do controle da companhia, encerrando o ciclo de investimentos iniciado na década passada e que consolidou a Elfa como uma das maiores redes de logística para a saúde do país.

Sob controle do Pátria, o Grupo Elfa foi formado a partir de mais de 20 aquisições. Nos últimos tempos, a empresa vinha priorizando uma agenda de desinvestimento, qualidade das margens e desalavancagem.

“Nós não queremos ser a maior, queremos ser a melhor”, disse em entrevista à Bloomberg Línea no começo do ano José Roberto Ferraz, CEO da Elfa e líder do portfólio de saúde do Patria. “O crescimento do Ebitda vem pelo crescimento de vendas, mas ainda mais pelo aumento da produtividade.”

A estratégia, segundo ele, era garantir que os números operacionais avançassem para que a empresa chegasse “tinindo em 2028”. A proposta chegou antes e o Patria decidiu fechar o negócio.

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O balanço semestral apresentou uma Receita Operacional Líquida de R$ 1,42 bilhão, contra R$ 2,12 bilhões em semelhante período de 2025, nesse processo de descontinuação de linhas. O grupo encerrou o período com um endividamento de R$ 1,48 bilhão, redução de 380 milhões em comparação com 2025. O prejuízo avançou 137,8%, saindo de R$ 130,1 milhões para R$ 309,3 milhões.

A transação foi anunciada ao mercado por meio de Fato Relevante e teve consumação imediata. Com a troca de controle, os membros do Conselho de Administração indicados pelo Patria renunciaram, assim como a antiga diretoria, dando lugar aos executivos nomeados pelo novo controlador. Marcel André Molon assume como novo diretor presidente, financeiro e de relações com investidores.

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A transferência do controle envolveu a venda direta e indireta das ações detidas pelos fundos geridos pelo Pátria, além de participações em veículos intermediários como San Pelegrino e San Lorenzo. Em decorrência do negócio, ações preferenciais da companhia foram automaticamente convertidas em ordinárias.

Apesar do preço inicial simbólico decorrente do endividamento do grupo, o contrato prevê uma cláusula de recebimento adicional (earn-out) para o Pátria. Caso a Gravataí venda a empresa, suas controladas ou o negócio a terceiros no prazo de até 36 meses, os fundos vendedores terão direito a uma fatia no ganho de capital de uma eventual revenda.

Em relação aos acionistas minoritários, a Gravataí pretende solicitar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a dispensa de realização de Oferta Pública de Aquisição (OPA), sob o argumento de que o valor por ação é imaterial e que o direito de venda conjunta em igualdade de condições já foi assegurado. Caso a autarquia exija o processo, a nova controladora informou que cumprirá os ritos legais.

© Grupo Elfa/Divulgação

A operação foi anunciada ao mercado por meio de Fato Relevante e teve consumação imediata. Com a troca de controle, os membros do Conselho de Administração indicados pelo Pátria renunciaram, assim como a antiga diretoria, dando lugar aos executivos nomeados pelo novo controlador (Foto: Divulgação)

Vicunha reage a Shein e Shopee, enxuga estoque, amplia portfólio e mira voltar a lucrar

24 de Agosto de 2026, 14:36

Depois da entrada massiva de roupas importadas por plataformas asiáticas como Shein e Shopee, a Vicunha, uma das maiores fabricantes brasileiras de tecidos, se prepara para voltar a lucrar.

Controlada pela família Steinbruch, a companhia reverteu o prejuízo de R$ 33,9 milhões no primeiro semestre do ano passado para um lucro líquido de R$ 18,78 milhões nos seis primeiros meses deste ano.

Segundo o CEO da Vicunha Têxtil, Marco Antônio Branquinho, o grande foco da empresa atualmente é a redução do endividamento e o aumento da rentabilidade, após amargar prejuízo de R$ 100 milhões no consolidado de 2025.

“Não existe cenário otimista para a importação, temos que lutar com as armas que nós temos. Portfólio de produtos diferenciados, velocidade de entrega, atendimento, assistência técnica, não é só produto, é serviço também”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.

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Hoje, a Vicunha atua com foco principal no segmento jeanswear, com 70% da receita proveniente do mercado doméstico e, o restante, espalhado por países da América do Sul, Europa e Ásia.

No total, são 6.320 funcionários e fábricas na Argentina e no Equador, além do Brasil, onde a capacidade instalada é de 160 milhões de m² . Atualmente, a companhia trabalha com utilização máxima de capacidade (90%).

“Parte do que produzimos na Argentina está sendo enviada para o Brasil”, relatou Branquinho.

A Vicunha tem um modelo de atuação que não se restringe à produção de tecidos, extrapolando para desenvolvimento dos projetos em parceria com os clientes. O executivo explica que, além de participar ativamente no desenho das coleções, a empresa trabalha na especificação técnica.

A fabricante também propõe o modelo que se encaixa melhor no projeto, com ou sem terceirização de produção. “Em alguns casos, o pedido não justifica que a gente produza a matéria-prima.”

Branquinho chegou à Vicunha em setembro do ano passado, após mais de 20 anos na concorrente Cedro Têxtil. Com ele, chegou também o atual CFO, Rafael Pavão. Para reverter o quadro de prejuízo, a principal estratégia adotada pela nova gestão foi “arrumar a casa” e preparar as bases para voltar a lucrar.

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“Ajustamos as forças que a própria Vicunha já tinha e não estavam sendo utilizadas. Adotamos medidas para recuperar a produtividade, mas precisávamos de tempo e fôlego para que essas ações maturassem”, contou Branquinho.

Ele acrescentou que a empresa buscou no capital de giro os recursos necessários para poder estabilizar o caixa, em um trabalho que passou pela redução de estoques e adequação de prazos de compra e de venda a clientes.

“O estoque elevado, na maioria absoluta dos casos, esconde as reais causas de perda de eficiência e produtividade. Hoje temos uma ideia muito mais precisa tanto do ponto de vista de alocação de capital quanto da necessidade de investimentos.”

Pavão observou que no primeiro trimestre houve a consolidação da estratégia adotada desde o final do ano passado, o que inclui correções no mix de produtos e nas despesas da companhia em todas as frentes. As adequações também incluíram novos critérios de compras, com prazos mais adequados.

De acordo com o executivo, para que a companhia possa trabalhar menos estocada, a fábrica precisa operar em sintonia fina com o comercial, com a produção puxada e não “empurrada”. Isso tudo, acrescenta, acontece em paralelo com a área de contas a receber, para que não haja inadimplência e consumo de capital de giro.

“Isso faz com que possamos desalavancar a companhia e trazer uma rentabilidade relativamente rápida em um horizonte de 9 meses, com muito trabalho da equipe”, diz Pavão.

Retomada de desempenho

No primeiro semestre deste ano, a Vicunha registrou receita líquida de R$ 1,04 bilhão, queda de 18% sobre o mesmo período do ano passado. No entanto, a companhia conseguiu lucrar no período, após prejuízos sucessivos.

No semestre, a empresa reportou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 113 milhões, alta de 33% sobre igual intervalo do ano passado, e margem de 11%. O resultado semestral ultrapassou o Ebitda do acumulado de todo o ano de 2025.

Já a dívida líquida caiu de R$ 770 milhões para R$ 720 milhões, com o índice de alavancagem financeira passando de 2,9 vezes, em 2025, para 2,7 vezes este ano.

Segundo Branquinho, o desempenho ocorre em meio à deterioração da economia, com a capacidade de compra das famílias comprometida e uma dispersão da renda. “As bets, hoje, são um concorrente do varejo e do setor de serviços. A disponibilidade [da renda] para bens de consumo diminuiu no mercado brasileiro como um todo.”

Ele acrescentou que a Vicunha e todo o varejo de vestuário enfrentam concorrência direta de importações das plataformas asiáticas que, em sua visão, são consequência de incentivos à venda de produtos sem rastreabilidade.

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“Não somos contrários à importação, nós também exportamos. Mas permitir esse tipo de importação que muitas vezes não respeita legislação ambiental, trabalhista e tributária é um crime de lesa-pátria.”

O executivo pondera que o varejo brasileiro vem sendo substituído por empresas asiáticas, em detrimento de 25 mil companhias nacionais de confecção. “Vamos pagar muito caro por essa conta. Daqui a algum tempo, não vamos ter mais indústria e varejo, estamos destruindo a capacidade de gerar emprego e renda.”

Para o futuro, a Vicunha deve se concentrar na redução do endividamento, aumento da rentabilidade e crescimento. Pavão afirmou que a busca por um índice de alavancagem de 2 vezes para o final de 2027 é factível.

Desde a sua criação, há quase 60 anos, a Vicunha mantém o foco em jeanswear, mas recentemente a companhia vem se preparando para atuar no nicho de uniformes (“workwear”), tanto na indústria e serviços quanto em Defesa (forças de segurança como polícia, bombeiros, guardas municipais, Exército, Marinha e Aeronáutica). “Isso ocorre em um movimento lateral de expansão”, disse Branquinho.

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Complexo fabril da Vicunha Têxtil: redução de estoques para otimizar o capital de giro. (Foto: Divulgação)

A visão do BR Partners para o cenário de M&As

24 de Agosto de 2026, 06:57

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A taxa de juros em patamar elevado por mais tempo do que se esperava se tornou o principal entrave para o fechamento de fusões e aquisições no Brasil, superando até a incerteza relacionada às eleições e o futuro da política econômica.

A leitura é de Jairo Loureiro, sócio cofundador e managing director do BR Partners, um dos principais bancos de investimentos do país.

Na visão dele, o custo de capital funciona como uma taxa de desconto na avaliação de qualquer ativo colocado à venda. Quanto mais alto e mais prolongado, maior a distância entre o valor que o comprador está disposto a pagar e aquele que o vendedor tem em mente.

“Quando você começa a ter esse impacto no valor de ativos, você tem um efeito de dificultar as transações, porque as expectativas dos lados começam a se abrir”, disse Loureiro em entrevista à Bloomberg Línea.

⇒ Leia a reportagem: Custo de capital alto por mais tempo trava conclusão de M&As, diz sócio do BR Partners

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta segunda-feira (24), pressionadas pelo setor de tecnologia, em meio à maior aversão ao risco entre os investidores.

- Nova pesquisa BTG Pactual/Nexus.Lula aparece com 46% das intenções de voto para presidente em um eventual segundo turno da pesquisa BTG Pactual/Nexus, enquanto Flávio Bolsonaro registra 45%. Os candidatos estão empatados dentro da margem de erro e o levantamento ouviu 2.006 eleitores entre 21 e 23 de agosto.

- IPO da Shein. A varejista de fast-fashion pretende captar até HK$ 13,9 bilhões (cerca de US$ 1,8 bilhão) em sua oferta pública inicial em Hong Kong, que pode avaliá-la em até US$ 26,8 bilhões. A estreia na bolsa da companhia está prevista para 1º de setembro.

- Volkswagen sob pressão. Sindicatos da Volkswagen elevaram a pressão sobre a diretoria em meio aos planos de reestruturação da montadora. O CEO Oliver Blume disse que a empresa precisa reduzir custos, enquanto representantes dos trabalhadores rejeitam a proposta de fechar fábricas.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na sexta-feira (21/08): Dow Jones Industrials (+0,98%), S&P 500 (+0,43%), Nasdaq Composite (+0,44%), Stoxx 600 (+0,59%), Ibovespa (+1,85%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

• Ray Dalio detalha estratégia para se proteger contra o risco da dívida americana

• Sexta maior petroleira da Argentina avalia rota pela Bolívia para exportar gás ao Brasil

• Menos ações e mais bets: Geração Z adere a apostas esportivas como plano patrimonial

• Também é importante: Lacoste estreia cafeteria conceito em São Paulo para expandir a marca além da moda | Com casas estreladas, Krug usa ‘embaixadas’ para promover champagne de luxo no Brasil

• Opinião Bloomberg: Por que o futebol feminino seria a maior vítima de um eventual boicote à FIFA

• Para não ficar de fora: Faculdades dos EUA têm a maior queda nas inscrições de alunos estrangeiros em 10 anos

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Custo de capital alto por mais tempo trava conclusão de M&As, diz sócio do BR Partners

24 de Agosto de 2026, 06:00

A taxa de juros em patamar elevado por mais tempo do que se esperava se tornou o principal entrave para o fechamento de fusões e aquisições no Brasil, superando até a incerteza relacionada às eleições e o futuro da política econômica.

A leitura é de Jairo Loureiro, sócio cofundador e managing director do BR Partners (BRBI11), um dos principais bancos de investimentos do país.

Na visão dele, o custo de capital funciona como uma taxa de desconto na avaliação de qualquer ativo colocado à venda. Quanto mais alto e mais prolongado, maior a distância entre o valor que o comprador está disposto a pagar e aquele que o vendedor tem em mente.

“Quando você começa a ter esse impacto no valor de ativos, você tem um efeito de dificultar as transações, porque as expectativas dos lados começam a se abrir”, disse Loureiro em entrevista à Bloomberg Línea.

⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Loureiro comanda cerca de 40 profissionais na área de assessoria financeira do banco, que anunciou 14 transações no primeiro semestre — 11 delas de M&A. O número supera de longe as três transações anunciadas pelo banco no mesmo período em 2025.

Apesar do crescimento no número de transações, a perspectiva para esta segunda metade do ano agora é mais nebulosa, em meio à campanha eleitoral.

“Esperava-se que o custo de capital fosse convergir para níveis mais palatáveis rápido, e isso não ocorreu. Pelo contrário, a perspectiva agora é de um horizonte de custos de capital alto por um período mais prolongado do que se esperava”, disse Loureiro.

Leia mais: BR Partners amplia assessoria de reestruturação de dívida de empresas ‘estranguladas’

A visão é de que mercado brasileiro de fusões e aquisições opera hoje em duas velocidades. Os negócios no setor de infraestrutura sustentam transações de vários bilhões de reais, enquanto as operações ligadas ao consumo doméstico encolheram e algumas negociações de companhias conhecidas ficaram suspensas à espera de definição política e econômica.

O perfil dos negócios fechados no primeiro semestre pelo banco ilustra a divisão que o executivo descreve.

Em telecomunicações, o banco atuou nas operações da IHS com a Macquarie, de R$ 5,2 bilhões, e com a TIM, de R$ 1 bilhão, além do negócio entre Online e ZaaZ.

No bloco de infraestrutura, o executivo inclui portos, torres, fibra ótica e data centers, regulados ou não, todos com contrato longo e demanda menos sensível ao ciclo interno. São segmentos que continuam atraindo capital estrangeiro. A BR Partners assessorou uma operação portuária e três de infraestrutura de telecom no período.

O segundo bloco reúne varejo, consumo e educação. Nesse grupo, o valor dos negócios recuou para a faixa entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão, o que Loureiro chama de parte baixa do segmento de grandes empresas, contra negócios de vários bilhões no primeiro bloco.

Um negócio fechado no período foi a transação de R$ 69 milhões que transferiu dez lojas deficitárias da Hortifruti Natural da Terra ao Grupo Fartura, dono do Oba Hortifruti, movimento de desinvestimento da Americanas em recuperação judicial.

A divisão por tamanho das operações antecipa quais setores devem concentrar anúncios nos próximos meses e quais dependem de queda no custo de capital para destravar, segundo ele.

À espera de maior visibilidade

De acordo com o executivo, transações de companhias reconhecidas foram interrompidas à espera de maior definição do ambiente político e do que pode ser feito na economia.

A cautela também alongou a due diligence, com a fase de análise exaustiva que ocorre sobretudo em processos com investidores internacionais.

O terceiro vetor do pipeline são companhias que se alavancaram no ciclo anterior e agora renegociam dívida, vendem ativos, reduzem escala ou buscam sócio. “Não acho que viramos o momento. Acho que, pelo contrário, isso deve continuar ainda por um período”, disse.

A leitura não é nova na casa. Em outubro de 2025, o CEO Ricardo Lacerda afirmou à Bloomberg News que cerca de 25% das grandes companhias brasileiras carregavam alavancagem elevada, contratada em período de juro baixo para investimentos e aquisições que não se pagaram, e projetou continuidade dos processos de reestruturação.

Desde então o banco assessorou reestruturações de Ambipar e Invepar, e passou a atuar ao lado da Petrobras nas negociações da Braskem.

Ponto de entrada

Apesar de um cenário mais incerto, Loureiro rejeita a ideia de que o mercado está parado. A carteira em preparação para o segundo semestre espelha a do primeiro, com os mesmos setores ligados à infraestrutura mantendo a atividade.

Ele aponta ainda grupos brasileiros que leem o momento como ponto de entrada para comprar concorrente, resolver sucessão ou montar estrutura maior visando abertura de capital adiante.

Sobre valuation, o executivo estende o raciocínio ao mercado acionário. Cita bancos brasileiros com retorno acima de 15% negociados a múltiplos inferiores aos dos pares americanos e diz que o país está relativamente barato, com a ressalva de que escala e risco diferem entre as praças.

Leia mais: Megafusões aceleram em 2026, e mercado de M&A mira superar recorde histórico de 2021

“Quando olho a bolsa, acho que tem um dislocation [descolamento entre preço e fundamento]. Agora, sou um em milhões que olham a bolsa brasileira, e há profissionais que fazem isso o dia inteiro, com modelos. Por que eles não estão comprando mais?”, afirmou.

A BR Partners é negociada na Nasdaq na forma de ADRs desde setembro de 2025, quando a listagem objetivou atrair investidores institucionais globais e aumentar a liquidez dos papéis. Os recibos acumulam queda de 38% em 2026 e 23% em 12 meses

O múltiplo baixo, porém, não significa pechincha na leitura dele. No high corporate market, argumenta, empresários são bem assessorados. O que existe é assimetria na avaliação do risco: o comprador paga menos por companhia alavancada quando enxerga corte de despesa ou custo de entrega que a gestão atual não alcança.

Nos portos, os movimentos recentes vieram de franceses em Santos e investidores de Abu Dhabi em outro terminal, sem presença chinesa. Aos grupos chineses Loureiro atribui sequência distinta, que parte da exportação de equipamentos, passa por manufatura local e avança para rede de distribuição e assistência técnica.

“O Brasil, ou você atende verticalmente, ou você está fora. É uma questão da dimensão do país”, disse.

O BR Partners mantém conversas com companhias chinesas sem representar nenhuma de forma ativa, segundo o executivo.

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Agenda econômica da semana: inflação do Brasil, Jackson Hole e PIB do México

23 de Agosto de 2026, 11:26

A atenção dos mercados nesta semana estará dividida entre novos sinais sobre o rumo da política monetária, dados sobre crescimento e inflação e vários eventos que podem influenciar as expectativas dos investidores.

Nos Estados Unidos, o índice PCE de julho e o simpósio anual de Jackson Hole serão os principais focos, com os mercados atentos a qualquer sinal sobre a trajetória das taxas de juros do Federal Reserve. O indicador, que é a medida de inflação preferida do Fed, permitirá avaliar se as pressões sobre os preços continuam se moderando.

O México revisará seu índice de crescimento do segundo trimestre e divulgará novos dados sobre a inflação, enquanto o Brasil divulgará indicadores de preços e emprego.

A semana também será marcada pela divulgação dos resultados financeiros da Nvidia e por outros grandes eventos corporativos e financeiros. Os resultados da fabricante de chips serão um teste para as expectativas em relação à demanda por inteligência artificial.

América Latina: México e Brasil são o centro das atenções

Na América Latina, o México será o principal foco da semana. O país divulgará a revisão do PIB do segundo trimestre, o índice de atividade econômica de junho e a inflação quinzenal de agosto. Além disso, o Banco do México divulgará seu relatório trimestral, que poderá oferecer novos sinais sobre o futuro das taxas.

De acordo com os economistas Felipe Hernández e Adriana Dupita e a analista Jimena Zúñiga, da Bloomberg Economics, o PIB mexicano do segundo trimestre teria sido revisado para cima, passando de 2,2% — conforme a estimativa inicial — para um crescimento de 2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O dado confirmaria a forte recuperação da economia após a contração registrada no primeiro trimestre.

No entanto, os indicadores mensais apontam para uma moderação posterior. A Bloomberg Economics estima que a atividade econômica tenha crescido 2,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior em junho, embora tenha registrado uma segunda queda mensal consecutiva. A economia continuaria se expandindo no segundo semestre do ano, mas em um ritmo mais moderado e com riscos de desaceleração associados às tarifas e à incerteza comercial.

A inflação também estará sob os holofotes. Espera-se que os preços ao consumidor tenham subido 3,2% em relação ao mesmo período do ano anterior na primeira quinzena de agosto, ainda dentro da meta do Banxico. A inflação subjacente teria se mantido em torno de 3,9%, enquanto os preços dos alimentos poderiam ter exercido pressão de alta.

O relatório trimestral do Banxico será outro dos pontos centrais. A Bloomberg Economics espera que o banco revise para cima sua previsão de crescimento para 2026, após o melhor desempenho do segundo trimestre, mas mantenha uma visão cautelosa diante das incertezas comerciais e geopolíticas. A instituição poderá reiterar que o ciclo de cortes terminou em maio e indicar que as taxas permanecerão próximas a níveis neutros por um período prolongado.

O Brasil também fornecerá indicadores relevantes. A inflação medida pelo IPCA-15 de agosto e os dados sobre o desemprego permitirão avaliar se as condições econômicas continuam a sustentar uma flexibilização monetária gradual. A Bloomberg Economics prevê que a inflação anual continue abaixo do teto de 4,5% da faixa de tolerância, embora ainda acima da meta de 3%.

Estes são os principais eventos e indicadores econômicos da semana:

Calendário de eventos e indicadores

Segunda-feira, 24 de agosto

  • América Latina: PIB , índice de atividade econômica do México e inflação quinzenal do México.
  • Ásia: Desemprego em Taiwan.
  • Eventos: A Ucrânia comemora seu Dia da Independência.
  • A Conferência Internacional de Energia da ONS, com foco em geopolítica, segurança energética e clima, continua em Stavanger, na Noruega, até 27 de agosto.
  • Também tem início o Stifel Tech Executive Summit, em Utah, que reúne executivos e investidores do setor de tecnologia. Até 25 de agosto.

Terça-feira, 25 de agosto

  • América Latina: Reservas internacionais do México.
  • Estados Unidos: Vendas de imóveis novos, índice de confiança do consumidor do Conference Board e índice de preços de imóveis da FHFA.
  • Europa: PIB e índice IFO de clima empresarial da Alemanha; decisão sobre as taxas de juros na Hungria.
  • Ásia: Comércio de Hong Kong; confiança do consumidor da Coreia do Sul; produção industrial de Taiwan.
  • Eventos: São realizadas eleições primárias especiais na Carolina do Sul, além de eleições primárias de segundo turno em Oklahoma.
  • Também está ocorrendo a conferência da Jefferies sobre semicondutores, tecnologia da informação e hardware, em Chicago. Até 26 de agosto.

Quarta-feira, 26 de agosto

  • América Latina: Inflação do IPCA-15 do Brasil; relatório trimestral do Banco do México.
  • Estados Unidos: Renda e despesas pessoais, índice PCE, PIB e pedidos de bens duráveis; pedidos de hipotecas.
  • Resultados: Nvidia, com os investidores atentos para saber se a demanda por IA poderá sustentar sua valorização.
  • Eventos: O Deutsche Bank organiza sua conferência de tecnologia em Dana Point, Califórnia, até 27 de agosto.

Quinta-feira, 27 de agosto

  • América Latina: Desemprego no Brasil; balança comercial do México.
  • Estados Unidos: Estoques no atacado e pedidos iniciais de seguro-desemprego.
  • Europa: Índice de confiança do consumidor da GfK na Alemanha; PIB da Noruega; ata da última reunião do Banco Central da Polônia.
  • Ásia: Lucros do setor industrial da China; decisão sobre as taxas de juros da Coreia do Sul; comércio da Tailândia.
  • Eventos: Presidentes de bancos centrais e economistas se reúnem em Wyoming para o simpósio anual de política econômica de Jackson Hole, que se estenderá até 29 de agosto.
  • O BCE também publicará a ata de sua última reunião de política monetária.

Sexta-feira, 28 de agosto

  • América Latina: Desemprego no Chile.
  • Estados Unidos: Índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan e PMI do setor manufatureiro de Chicago.
  • Europa: Confiança do consumidor na zona do euro; IPC da França e da Espanha; taxa de desemprego da Alemanha.
  • Ásia: Produção industrial da Índia; desemprego e IPC de Tóquio, no Japão.
  • Resultados: BYD .
  • Eventos: O presidente do Fed, Kevin Warsh, fará um discurso em Jackson Hole, em uma intervenção acompanhada de perto pelos mercados devido às possíveis sinalizações sobre inflação, crescimento e a trajetória das taxas de juros. Também participará Isabel Schnabel, membro do Comitê Executivo do BCE.
  • O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA também publicará uma revisão preliminar dos números do emprego não agrícola. Um eclipse lunar parcial poderá ser observado em grande parte da América, Europa, África e Ásia Ocidental.

-- Com informações da Bloomberg Economics e da Bloomberg.

© Tuane Fernandes

Supermercado Pão de Açúcar em São Paulo: IPCA-15 de agosto e os dados sobre o desemprego serão divulgados nesta semana. (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)

Patrocinadores da seleção argentina buscam estender ‘efeito Messi’ para além da Copa

23 de Agosto de 2026, 11:14

A Copa do Mundo chegou ao fim, mas, para as empresas que apoiam a Seleção Argentina, os negócios entram em uma nova fase. Os patrocinadores buscam agora o vínculo com a equipe, manter a visibilidade global alcançada e transformar o “efeito Messi” e a identificação com a camisa em uma estratégia de marketing que vá além dos grandes torneios.

Esse fenômeno se reflete na evolução comercial da AFA (Associação do Futebol Argentino): a entidade, que é equivalente à CBF no Brasil, passou de seis marcas associadas em 2017 para mais de 100 patrocinadores da Seleção e 26 da Liga (o campeonato argentino) .

Durante a Copa do Mundo, foram incorporados seis novos patrocinadores internacionais e, após a final, foi fechado mais um acordo.

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O próximo passo para os patrocinadores não consiste apenas em repetir o impacto da Copa do Mundo, mas em transformar a identificação emocional com a Seleção e o efeito global de Messi em uma plataforma permanente de marketing, experiências e negócios.

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Para o Banco Supervielle, um dos objetivos foi transformar o patrocínio em uma ferramenta de negócios. Romina Binetti, da área de Patrocínios e Eventos, destacou que a empresa levou 100 clientes à Copa do Mundo por meio de uma campanha que associou o uso de seus produtos à possibilidade de torcer pela seleção.

“A gente aborda isso em todas as frentes porque temos uma visão de 360 graus”, explicou Binetti à Bloomberg Línea.

Segundo a executiva, a presença dos jogadores nas redes sociais, nas filiais e nas campanhas teve como objetivo reforçar o posicionamento, mas também “aumentar as vendas, gerar reconhecimento da marca e estar presente no dia a dia dos clientes”.

A dimensão internacional é outro dos argumentos para as empresas. A Sancor Seguros, que mantém uma parceria com a Seleção há cerca de 14 anos, considera que o patrocínio lhe permitiu ir além do mercado local. “Isso nos posiciona não apenas em nível nacional, mas também em nível mundial”, destacou Maximiliano Cesano, responsável pelas Relações Públicas da empresa.

Nesse caso, a estratégia também está ligada à imagem dos líderes da equipe: “Nós apoiamos não apenas por estarmos presentes e acompanharmos a Seleção, mas também pelos valores que eles têm e transmitem”.

Messi como multiplicador

Nesse contexto, Messi se destaca como um diferencial. Para Supervielle, a presença dele nas campanhas teve um impacto que superou as expectativas. “Ter o Messi em nossa campanha de comunicação foi um marco”, afirmou Binetti, que considerou que contar com o capitão argentino foi “excepcional”.

A Sancor Seguros também mantém um vínculo especial com a família Messi por meio de sua fundação. Para a empresa, o jogador representa, além disso, uma conexão regional: Messi é natural de Santa Fé, assim como a empresa.

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Mas as marcas concordam que o valor não está apenas no capitão. Martín Rodríguez, diretor comercial da Vacalin, fabricante de doce de leite, afirmou que o atrativo está no conjunto. “Muito, mas não é só o Messi, é toda uma equipe, é a comissão técnica e todas as pessoas que o cercam”, afirmou.

Além disso, Vacalin já pensa no longo prazo. Ele tem contrato com a Seleção até dezembro de 2027, com opção de prorrogação por mais quatro anos: “Essa é a nossa ideia”, afirmou Rodríguez.

O desafio agora é manter o valor comercial conquistado nos últimos anos sem depender exclusivamente de uma Copa do Mundo.

A AFA trabalha há alguns anos na expansão internacional da marca, com presença nos Estados Unidos e na Europa, e parcerias com organizações como a NFL, a NBA e a Fórmula 1.

Segundo revelou Leandro Petersen, que recentemente deixou o cargo na área Comercial e de Marketing da AFA, um dos próximos objetivos é expandir-se na África e na Oceania.

O caso chegou até mesmo à Harvard Business School, onde o modelo de construção de marca e expansão comercial foi apresentado em duas ocasiões.

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AFA (Associação do Futebol Argentino) passou de seis marcas associadas em 2017 para mais de 100 patrocinadores da Seleção.

Café colombiano vive fim da bonança de dois anos. No Brasil, previsão é de safra recorde

23 de Agosto de 2026, 06:00

A bonança do café, que entre 2024 e 2025 fortaleceu a renda dos produtores e ajudou a impulsionar o consumo privado na Colômbia, se reverteu em 2026. A menor produção, a correção dos preços internacionais e a valorização do peso reduziu o valor da safra e afetando as finanças dos cafeicultores.

“Como resultado, segundo nossas estimativas, o valor real da safra de café acumulou uma redução de cerca de 35% no que vai de 2026”, afirmou a Corficolombiana em um documento.

A safra de 2024-2025 foi uma das mais favoráveis das últimas três décadas. A produção atingiu 14,87 milhões de sacos, o nível mais alto em 33 anos, em um contexto de condições climáticas favoráveis e preços internacionais historicamente elevados.

Em 2025, o valor da safra de café atingiu 24,4 trilhões de pesos colombianos (R$ 40,8 bilhões), 52% a mais do que em 2024 e o maior nível da história. A combinação de maior produção e melhores preços fortaleceu a receita dos produtores.

Esse aumento também teve repercussões sobre o consumo. Segundo o Banco da República, o aumento nos gastos das famílias deveu-se, entre outros fatores, às receitas provenientes da atividade cafeeira.

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No entanto, os fatores que impulsionaram esse ciclo começaram a mudar em 2026. A produção de café acumulou uma queda de 12,5% no acumulado do ano até julho, e os preços internacionais passam por uma fase de correção em relação às máximas observadas em 2025.

Mas, apesar da queda, o setor já previa que isso poderia acontecer. Germán Bahamón, gerente da FedeCafé, afirmou em entrevista ao jornal El Colombiano que as chuvas incessantes deste ano deram origem à situação atual. “Essa mudança nos fenômenos climáticos alterou os padrões de colheita na Colômbia”, explicou o dirigente sindical.

Nessa ocasião, Bahamón afirmou que “desde o início sabíamos que essas chuvas teriam esse efeito: uma desaceleração da colheita no primeiro semestre, principalmente no sul do país”.

A Corficolombiana acrescenta que, além disso, há a valorização do peso colombiano, o que reduziu o preço recebido pelos produtores em moeda local. Em conjunto, esses fatores alteraram o panorama do setor cafeeiro.

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Menor produção

O primeiro sinal da mudança de tendência ocorreu na produção. Entre novembro de 2025 e abril de 2026, a atividade cafeeira registrou quedas consecutivas de dois dígitos.

Esse comportamento foi determinado por fatores biológicos e climáticos. Após uma safra recorde, o café destina uma parcela significativa de suas reservas de energia e nutrientes à formação e maturação dos frutos, reduzindo temporariamente sua capacidade de manter o mesmo nível de floração.

Essa variação natural foi amplificada pelo excesso de chuvas registrado nas regiões cafeeiras durante o primeiro trimestre de 2026. As chuvas afetaram os processos de floração, atrasaram o desenvolvimento do grão e alteraram o calendário da colheita.

Os aumentos na produção em maio e junho não significaram, segundo a Corficolombiana, uma recuperação estrutural. A produção cresceu 29% em maio e 43% em junho, devido principalmente ao atraso da primeira colheita do ano.

Em julho, a produção voltou a cair 22,5%, reforçando a interpretação de que a recuperação dos dois meses anteriores esteve associada principalmente a um efeito de calendário.

A Federação Nacional dos Cafeicultores projeta uma produção de cerca de 12,5 milhões de sacas em 2026, o que equivale a uma queda anual de cerca de 9%.

O panorama climático acrescenta mais um fator de incerteza. Para o quarto trimestre de 2026, o Serviço Nacional de Administração Atmosférica dos Estados Unidos prevê uma probabilidade superior a 90% de ocorrência de um fenômeno El Niño de intensidade muito forte.

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Preços internacionais e dólar

O mercado internacional também mudou em relação às condições que marcaram o período de prosperidade. No acumulado do ano até julho, a cotação do café arábica registrou uma queda de 13%, passando de 363,2 para 317,2 centavos de dólar por libra.

A queda está relacionada principalmente às expectativas de um aumento na oferta mundial, impulsionadas pela perspectiva de uma safra recorde de cerca de 70 milhões de sacas no Brasil.

Embora os preços tenham registrado uma alta em julho, a Corficolombiana destaca que isso esteve associado às chuvas em Minas Gerais e à redução dos estoques certificados de café arábica na bolsa ICE.

O Banco Mundial estima uma queda de cerca de 13% nos preços do café ao longo de 2026. Os termos de troca do café caíram 7% entre maio de 2025 e julho de 2026.

A valorização do peso colombiano tem pressionado ainda mais a receita dos produtores. A taxa de câmbio acumulou uma valorização de 16,5% no que vai do início do ano até o momento.

O preço interno do café passou de 2,9 milhões por de pesos carga, em média, durante o primeiro semestre de 2025, para 2,3 milhões de pesos no mesmo período de 2026.

“Consequentemente, um cafeicultor recebe hoje cerca de 700.000 pesos a menos por cada carga comercializada”, informou a Corficolombiana.

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Impacto que vai além do café

A reversão do boom não se limita aos produtores. Cerca de 550 mil famílias dependem diretamente da atividade cafeeira, que é praticada em cerca de 603 municípios do país.

Nessas regiões, a renda gerada pela cafeicultura também está relacionada a atividades como comércio, transporte e serviços, devido aos gastos das famílias produtoras.

O café também tem um peso significativo nas exportações colombianas. É o quarto produto mais exportado do país e, no acumulado do ano até junho, o valor das exportações registrou uma queda de 9,7%.

O volume exportado, por sua vez, registrou uma queda acumulada de 18,5% no mesmo período.

Além disso, a situação ocorre em meio aos efeitos do terremoto que atingiu várias regiões cafeeiras do oeste da Colômbia. Cerca de 44% da área cultivada com café concentra-se em Antioquia, Cauca, Caldas, Valle del Cauca e Quindío.

“A Federação já está no local identificando, família por família, os danos em residências, propriedades rurais e infraestrutura rural”, afirmou Bahamón após o terremoto, mas, ao mesmo tempo, garantiu que “após a emergência virá a reconstrução e, nessa fase, a Federação também estará presente, ao lado dos nossos cafeicultores”.

Embora o impacto econômico do terremoto sobre o setor ainda não tenha sido determinado, a análise indica que várias regiões afetadas têm uma presença significativa do setor cafeeiro. No Eixo Cafeeiro, cerca de 57 mil famílias dependem diretamente dessa atividade.

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O setor tem mantido os fluxos de exportação por meio de rotas alternativas e do uso de terminais localizados na costa do Caribe, devido aos impactos nos corredores estratégicos de transporte.

Em condições normais, cerca de dois terços das exportações de café do país são realizadas pelo porto de Buenaventura. O desvio da carga para terminais no Caribe poderia aumentar os custos de transporte para os exportadores.

Para a Corficolombiana, a reversão da bonança evidencia a sensibilidade do setor cafeeiro às variações climáticas, aos preços internacionais e à taxa de câmbio.

“O principal desafio para o setor cafeeiro colombiano não consiste apenas em recuperar os níveis observados durante o último período de prosperidade, mas em fortalecer sua capacidade de sustentar o crescimento e a geração de renda ao longo de diferentes ciclos econômicos e climáticos”, afirmou a Corficolombiana.

A análise destaca ainda a importância de fortalecer os mecanismos de estabilização de renda, investir em infraestrutura rural e conectividade e promover o desenvolvimento de produtos de maior valor agregado.

A bonança de 2024 e 2025 demonstrou a capacidade do café de fortalecer a renda rural e contribuir para o crescimento econômico. Sua reversão em 2026 volta a colocar em destaque a produção, os preços internacionais e a taxa de câmbio como fatores determinantes para o setor.

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As chuvas intensas em 2026 afetaram a colheita e o desenvolvimento dos grãos, levando a uma desaceleração da produção. (Foto: BIOFACH)

Com casas estreladas, Krug usa ‘embaixadas’ para promover champagne de luxo no Brasil

23 de Agosto de 2026, 06:00

O mercado brasileiro de champanhe e espumantes vive um momento de expansão nos últimos anos, ainda distante do consumo per capita de mercados mais maduros, mas em trajetória de crescimento nos últimos anos.

Entre as marcas de luxo que disputam espaço nesse cenário, a francesa Krug, uma das maisons mais tradicionais do segmento, fundada em 1843, vem ganhando terreno no país com foco em gastronomia e exclusividade.

Em vez de multiplicar pontos de venda, a marca da Moët Hennessy tem aplicado no Brasil uma aposta global na formação de embaixadas, restaurantes selecionados que funcionam como extensão da marca junto ao consumidor final.

O movimento ganhou força ao “dobrar” de tamanho em julho, quando o estrelado Tuju, do chef Ivan Ralston, passou oficialmente a ser uma das duas embaixadas da marca no Brasil. A casa se juntou ao restaurante Kinoshita, do empresário Marcelo Fernandes, parceiro desde 2008. Em todo o mundo a rede que reúne 214 “embaixadas” em 42 países.

A escolha não é uma questão de expandir por expandir, segundo Bruna Soares, gerente de marca da Moët Hennessy no Brasil. “Não faz parte da marca crescer a qualquer custo”, disse à Bloomberg Línea.

“Se a gente quisesse, ele estaria em grandes varejistas, em grandes lugares, talvez a gente tivesse essa oportunidade, mas não é essa a nossa estratégia de crescimento. Nossa estratégia é realmente a distribuição seletiva.”

A Moët Hennessy é a divisão de vinhos e destilados do grupo francês de luxo LVMH, do bilionário Bernard Arnault.

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Apesar de o Tuju ter três estrelas do Guia Michelin e o Kinoshita ter uma, o critério para uma casa se tornar “Embaixada Krug” não é ser estrelado nem vender o rótulo no cardápio, segundo a executiva.

“Precisa ter uma ‘pessoa Krug’ à frente da casa”, explicou Soares, em referência ao termo interno “Krug lover”, usado para descrever donos, chefs ou especialistas apaixonados pela marca.

No Kinoshita, essa pessoa é Fernandes. No Tuju, é o próprio Ralston, que já era cliente comercial da maison antes de as conversas avançarem, no fim do ano passado.

Na prática, tornar-se embaixada muda o relacionamento comercial com a marca. As casas passam a ter acesso a garrafas raras que não circulam entre outros parceiros. “A gente tem raridades, a gente tem safras especiais, que a gente recebe pouquíssimas garrafas, às vezes dezenas, às vezes menos de dez”, contou Soares.

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As embaixadas também passam a servir Krug em taça, algo raro no mercado brasileiro, e se tornam palco prioritário para eventos e ativações da marca no país. “A taça é uma excelente ferramenta para a gente recrutar”, disse Soares, ao descrever a conversão de novos consumidores para um rótulo de preço elevado.

'Embaixadas' passam a ter acesso a garrafas raras que não circulam entre outros parceiros

Pequena por escolha

Dentro do portfólio de champanhes da Moët Hennessy, Krug ocupa um lugar particular. “Em tamanho, Krug é uma pequena casa. E a nossa ambição é continuar pequena. A gente não tem ambição de ser a próxima Moët & Chandon”, afirmou Soares.

Apesar do volume reduzido, o rótulo é estratégico para a receita do grupo, graças ao preço elevado e ao posicionamento de prestígio.

A executiva evitou divulgar números de vendas ou de crescimento da marca no país. Em lojas especializadas de São Paulo, uma garrafa do champanhe pode custar em torno de R$ 2.000, muito mais do que outras marcas famosas da casa, como Veuve Clicquot, Moët & Chandon ou mesmo Dom Perignon.

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A diferenciação também aparece na comparação com as demais marcas da casa. Segundo ela, enquanto Moët & Chandon está associada a grandes celebrações, presente em eventos como o Globo de Ouro e a Fórmula 1, e Veuve Clicquot ocupa um território mais ligado a lifestyle e ocasiões ao ar livre, Krug concentra sua identidade na gastronomia. Dom Pérignon disputa esse mesmo território, mas também circula por festas de alta energia, enquanto Ruinart aposta em parcerias com feiras de arte.

Segundo a diretora, entretanto, o consumo de champanhe no Brasil segue distante do observado em mercados mais maduros. “Quando você vai para Estados Unidos, Europa, Ásia, o champanhe já faz parte da cultura do consumidor. Aqui no Brasil, a gente ainda está no momento de crescimento de categoria”, disse Bruna.

A bebida segue associada majoritariamente a ocasiões pontuais, como casamentos, réveillon e aniversários, disse.

Segundo Soares, o crescimento dos espumantes brasileiros, que têm destaque em qualidade e preço mais acessível, não chega a ser uma ameaça à maison francesa, mas sim um aliado na formação de hábito de consumo no país.

Sobre novas embaixadas, disse que o momento agora é de consolidação. “A gente não está ativamente buscando nenhuma nova embaixada. A gente está muito feliz com as nossas duas embaixadas atuais”, afirmou.

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O estrelado Tuju, do chef Ivan Ralston, passou oficialmente a ser uma das duas 'casas' da marca no Brasil (Foto: Divulgação)

Lacoste estreia cafeteria conceito em São Paulo para expandir a marca além da moda

22 de Agosto de 2026, 15:28

A Lacoste abriu na quarta-feira (19) o primeiro Café Lacoste da América Latina, no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, com blend de grãos brasileiros desenvolvido para a casa e serviço em porcelana de Limoges.

O endereço paulistano é o terceiro do conceito no mundo, depois do teste em Mônaco e da primeira unidade permanente aberta em Paris em fevereiro deste ano.

No Brasil, a marca tem 88 unidades, entre boutiques, outlets e franquias, com presença principalmente em shoppings.

“O Café Lacoste reflete nossa estratégia global de expandir os códigos da marca para além da moda”, afirmou Pedro Zannoni, CEO da Lacoste para a América Latina, em nota à Bloomberg Línea.

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“A chegada desse conceito ao Brasil, em sua primeira implantação na América Latina, demonstra a importância do mercado brasileiro e latino-americano para a Lacoste”, acrescentou o executivo.

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A Lacoste não divulga dados de sua operação por país. A marca opera hoje na faixa de 3 bilhões de euros (cerca de R$ 18 bilhões) de faturamento anual e mira a meta de 4 bilhões de euros (R$ 24 bilhões) para o intervalo entre 2028 e 2030.

A camisa polo responde por cerca de 20% das vendas, ante 35% 10 anos atrás, e 70% do volume passa por canal direto. Eric Vallat, ex-Rémy Cointreau, assumiu o comando global em setembro de 2025, no lugar de Thierry Guibert, que passou a dirigir o MF Brands, controlador suíço da marca.

No Cidade Jardim, o café ao lado da loja da Lacoste. A operação reforça a presença da marca em um dos principais endereços de compras de luxo do país, no mesmo shopping que recebeu neste ano o flagship da Dior para a América Latina.

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Para a Lacoste, o café funciona como ponto de contato com o consumidor e uma forma de capturar o tráfego para a sua loja de roupas.

A loja da Lacoste no Shopping Cidade Jardim fica localizada no Piso 1, bem ao lado do recém-inaugurado Café Lacoste

Crocodilo do bolo e biscoito à espuma

Em São Paulo, a carta do Café Lacoste combina itens da operação europeia, como o croque monsieur e o croissant, com criações locais. O café é servido em espresso e coado, a partir de blend nacional. O espresso chega acompanhado de um biscoito amanteigado recortado no formato do crocodilo, na mesma louça branca de filete verde.

No cappuccino, o réptil aparece estampado sobre a espuma com pó peneirado em estêncil. A sobremesa de assinatura é um bolo em formato de camisa polo, com cobertura verde espelhada, colarinho modelado em relevo e um disco branco no lugar do logotipo, com o crocodilo desenhado.

O bolo se chama Polo Cake, inspirados na clássica camisa polo Lacoste, em três versões (Polo Pistache Dubai, Caramel Toffee e Ispahan).

No Café Lacoste, no Cidade Jardim, uma das estrelas é o Polo Cake, inspirados na clássica camisa polo Lacoste. Em três versões: Polo Pistache Dubai, Caramel Toffee e Ispahan

Cada mesa recebe um exemplar do Lacoste Journal, publicação impressa da marca, em edição especial de abertura.

O balcão ocupa uma parede inteira revestida em pedra verde-escura, com veios que puxam o preto, e a assinatura Café Lacoste em letra cursiva dourada acima do crocodilo.

Sobre a máquina de espresso, três prateleiras retroiluminadas alinham dezenas de xícaras brancas com filete verde. Ao lado do caixa, uma vitrine refrigerada baixa expõe a confeitaria. Um painel digital vertical substitui o cardápio impresso.

Referência ao tênis

A poucos metros, a fachada preta da loja Lacoste segue com o crocodilo em branco, e a área interna traz um leque de raquetes de madeira montado na parede, atrás de expositores de tênis e bolsas.

A área de mesas fica na circulação do shopping, sem parede que a separe do corredor. Um banco corrido estofado em veludo verde-escuro corre ao longo de uma jardineira com folhagens altas, e sobre ele estão almofadas em duas linhas, umas com o crocodilo bordado, outras em padronagem geométrica verde sobre verde.

As mesas são quadradas, com tampo terracota e pé cromado. As cadeiras são de madeira clara. A paleta reproduz o desenho europeu, verde profundo, branco e terracota, referência ao saibro das quadras.

O modelo replica também a operação. A unidade parisiense, no 16 da avenida Franklin Delano Roosevelt, ocupa 100 metros quadrados com 65 lugares e foi desenvolvida com o Giraudi Group, do empresário Riccardo Giraudi, sob direção culinária do chef Thierry Paludetto. Antes disso, a marca circulou com o conceito Club Lacoste em torneios de tênis e golfe em Paris, Melbourne, Nova York, Deauville e Miami.

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CEO diz que expandir códigos da marca, como o crocodilo, é um dos objetivos da experiência. (Foto: Divulgação/Lacoste)

Nissan busca acelerar lançamentos para enfrentar marcas chinesas na América Latina

22 de Agosto de 2026, 10:18

A Nissan vê no México o mercado em que está mais bem posicionada diante da chegada de novos concorrentes, em meio ao crescimento das marcas chinesas no país e em toda a América Latina, afirmou o CEO da montadora, Iván Espinosa.

A confiança se baseia, segundo ele, nos 65 anos de presença da empresa no país, onde produz a maior parte dos veículos que abastecem o mercado interno e conta com uma sólida cadeia de fornecimento e distribuição, bem como com todas as áreas da indústria, desde a engenharia até as compras.

“Podemos fazer tudo o que for necessário no México para nos defendermos e continuarmos a atender aos consumidores”, disse Espinosa em entrevista a jornalistas.

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A Nissan lidera as vendas no mercado mexicano, mas, assim como outras montadoras, como a General Motors ou a Volkswagen, tem perdido participação nesse mercado, onde os concorrentes chineses estão ganhando espaço.

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De acordo com dados do Inegi, a participação de mercado da Nissan passou de 20% em 2019 para 17% no primeiro semestre de 2026, enquanto as montadoras chinesas aumentaram sua participação de mercado de menos de 1% para 12% no mesmo período, embora o percentual possa chegar a 17% se forem consideradas as montadoras que não reportam seus dados ao órgão, de acordo com estimativas da Associação Mexicana de Distribuidores de Automotores (AMDA).

Em toda a região, montadoras chinesas como BYD, Chery, Changan, GWM, Dongfeng, Foton, Geely e Jetour também alcançaram o topo das vendas de veículos graças a preços mais baixos do que os de outras marcas, promoções ou planos de financiamento.

“Entendemos o ritmo da China, entendemos a tecnologia que eles possuem e estamos trabalhando para implementá-la também em nossos programas. Em breve, vocês poderão contar com produtos inovadores e adequados ao mercado latino-americano, que utilizam as novas tecnologias que aprendemos na China”, afirmou Iván Espinosa à imprensa durante sua visita ao México.

Uma das medidas adotadas pela empresa diante desse cenário é a redução do tempo de desenvolvimento de novos modelos em 40%, para 30 meses.

O CEO da Nissan afirmou que, nos próximos 12 meses, a empresa lançará seis novos modelos e três tecnologias de eletrificação para a América Latina, uma região que representa 15% das vendas globais e onde a empresa produz 25% de seus veículos, com três fábricas no México e uma no Brasil.

A empresa espera que esses novos modelos lhe permitam atingir a marca de 500 mil unidades vendidas na América Latina.

Reestruturar

O engenheiro mexicano assumiu a direção da Nissan em abril de 2025, após 20 anos de carreira na empresa, com a missão de dar uma reviravolta nos negócios após anos de queda nas vendas e pressões financeiras.

A estratégia liderada por Espinosa tem se concentrado na eficiência de custos, na redefinição da estratégia de mercado e de produto e em alianças estratégicas.

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Como parte da reestruturação, a Nissan reduzirá seu portfólio de modelos e a capacidade global de produção por meio de medidas como a consolidação de fábricas, o que, no México, implicou no fechamento de um complexo no estado de Morelos em março de 2026. A empresa possui outras três fábricas no país, no estado de Aguascalientes.

O executivo afirmou que a estratégia tem dado resultados e que a estrutura financeira atual é sólida, mesmo em um contexto de tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações de veículos.

“Tenho plena confiança de que dispomos dos recursos, da capacidade e da engenharia necessários para podermos competir no mercado global sem nenhum problema”, afirmou ele.

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Iván Espinosa: 'Entendemos o ritmo da China, entendemos a tecnologia que eles possuem e estamos trabalhando para implementá-la também em nossos programas' (Foto: Kiyoshi Ota/Bloomberg)

Sexta maior petroleira da Argentina avalia rota pela Bolívia para exportar gás ao Brasil

22 de Agosto de 2026, 09:58

A transformação do cenário energético argentino tem aberto novas oportunidades de negócios para a Compañía General de Combustibles (CGC), a sexta maior produtora de gás da Argentina em produção nos poços.

A petrolífera, que faz parte do conglomerado da Corporación América, avança simultaneamente em Vaca Muerta, nos campos maduros, na exploração de Palermo Aike (outra formação geológica do país) e em uma série de projetos de infraestrutura com os quais busca levar o gás argentino para o Chile, a Bolívia e o Brasil.

“Estamos vivendo um momento único no setor, uma revolução que provavelmente não vimos nas últimas décadas na Argentina”, disse Hugo Eurnekian, presidente e CEO da CGC, em entrevista à Bloomberg Línea durante a Conferência Anual do Council of the Americas.

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Para o empresário, por trás dessa mudança estão fatores que o setor passou a considerar naturais, mas que alteraram substancialmente as condições para investir: preços mais alinhados com o mercado, a saída da estatal YPF de inúmeros campos maduros e a entrada de novos operadores.

“O número de participantes traz inovação e concorrência, como acontece nos Estados Unidos”, afirmou Eurnekian. Segundo ele, uma maior concorrência está permitindo reduzir os custos em campos já em fase de maturação, prolongar sua vida útil e gerar novas oportunidades de investimento.

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A CGC busca se posicionar em diferentes frentes desse novo cenário. Ela mantém uma presença significativa na produção convencional, particularmente na Bacia do Golfo de San Jorge e no petróleo pesado, enquanto recentemente concretizou sua entrada em Vaca Muerta. Mas uma de suas maiores apostas exploratórias fica mais ao sul.

Palermo Aike: a aposta em um segundo xisto

A CGC avança em Santa Cruz com Palermo Aike, a formação não convencional que a empresa considera que poderia se tornar um segundo grande polo de xisto para a Argentina.

“Iniciamos o processo de exploração do que seria o segundo potencial campo de xisto da Argentina”, explicou Eurnekian.

A empresa já realizou as primeiras fraturas em poços verticais e, segundo o executivo, obteve “resultados muito bons”. Ela também participou, em parceria com a YPF, de um primeiro poço horizontal.

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Agora, uma nova etapa está sendo preparada. A YPF dará continuidade a outro poço, enquanto a CGC prevê continuar com as atividades e buscar novos parceiros que permitam acelerar o conhecimento geológico da formação.

A estratégia, explicou Eurnekian, é reunir participantes para reduzir os riscos associados à exploração e à exploração comercial, “o que pode ser muito transformador, como um segundo xisto na Argentina”.

O gargalo do gás

O crescimento da produção, no entanto, apresenta um desafio adicional: encontrar mercados capazes de absorver os novos volumes.

Eurnekian considera que o próximo grande gargalo do setor estará justamente no gás. O desenvolvimento petrolífero de Vaca Muerta gerará volumes crescentes de gás associado e, para acompanhar o aumento da produção de petróleo, será necessário ampliar simultaneamente a demanda por gás.

“Temos recursos e reservas bem acima da demanda interna”, afirmou ele. “O desafio está em como acelerar esse desenvolvimento e nos tornarmos um participante global no mercado de exportação de energia.”

Nesse cenário, a CGC analisa diferentes alternativas, valendo-se também de suas participações na Transportadora de Gas del Norte (TGN04) e na GasAndes.

Uma das mais ambiciosas tem como destino o Oceano Pacífico.

O projeto para exportar GNL do Chile

A CGC tem promovido um projeto para aproveitar a infraestrutura de gás existente entre a Argentina e o Chile e aumentar a capacidade de liquefação do outro lado da Cordilheira dos Andes.

“O principal projeto que estamos promovendo é transformar o terminal de regaseificação do Chile em um terminal que também tenha capacidade de liquefação”, revelou Eurnekian.

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O conceito visa reduzir prazos e custos em comparação com um projeto totalmente novo. Em vez de construir do zero toda a infraestrutura necessária para a exportação de GNL, a iniciativa visa ampliar e adaptar as instalações existentes.

“Trata-se de toda a infraestrutura existente que se amplia e se transforma, o que a torna muito eficiente e muito competitiva”, explicou ele.

A saída pelo Pacífico permitiria, além disso, aproximar o gás argentino de alguns dos principais compradores mundiais de GNL na Ásia, reduzindo a distância em relação às alternativas de exportação pelo Atlântico.

Segundo Eurnekian, o projeto poderia trazer benefícios para ambos os países: permitiria à Argentina desenvolver novos mercados e, ao mesmo tempo, proporcionaria ao Chile maior segurança no abastecimento e a possibilidade de se tornar também um participante no mercado de exportação.

De Vaca Muerta ao Brasil, passando pela Bolívia

O outro corredor que a CGC observa com atenção se estende em direção ao norte.

O declínio da produção boliviana transformou, em poucos anos, o mapa regional do gás. A Bolívia deixou de ser um dos principais fornecedores da Argentina para se tornar um mercado em potencial para o gás de Vaca Muerta. A CGC busca aproveitar essa mudança.

Eurnekian afirmou que a TGN está trabalhando em um “megaprojeto” de infraestrutura que permita abastecer o mercado boliviano com produtos argentinos e, em uma segunda etapa, expandir para o Brasil.

A ideia é inverter o percurso histórico do gás regional.

“Seria possível pensar em percorrer todo esse trajeto na direção contrária, passando pela Bolívia e buscando os mercados do Brasil por meio da Bolívia”, explicou ele.

A chave também está nisso: reutilizar os ativos existentes. Em vez de implantar um sistema de gasodutos totalmente novo, o projeto exigiria adaptações e ampliações da infraestrutura construída ao longo das décadas em que a Bolívia exportava gás para seus vizinhos.

“Não se trata de investimentos greenfield, mas sim de investimentos brownfield em projetos e infraestrutura já existentes”, destacou Eurnekian. Isso permitiria, acrescentou ele, avançar “com uma velocidade e uma eficiência muito maiores do que se tivéssemos que começar do zero”.

Uma CGC com várias frentes em aberto

A estratégia posiciona a CGC em grande parte dos negócios que poderão definir a próxima etapa do setor argentino: campos maduros, Vaca Muerta, exploração de novas formações não convencionais e infraestrutura para exportação de gás.

Para Eurnekian, essa diversificação reflete a transformação pela qual o setor energético local está passando, com uma participação crescente do capital privado em projetos que, anteriormente, dependiam em maior medida do Estado.

O executivo destacou, como exemplo, o desenvolvimento do Vaca Muerta Oil Sur (VMOS), a infraestrutura que permitirá ampliar significativamente a capacidade de escoamento do petróleo de Neuquén.

Agora, ele avalia, o desafio vai se concentrar no gás. A aposta da CGC é que a próxima expansão não dependa de uma única saída. O GNL com destino ao Pacífico, à Bolívia e, eventualmente, ao Brasil surge como mercados complementares para uma produção argentina que precisa cada vez mais de demanda fora de suas fronteiras.

E, para Eurnekian, essa infraestrutura também será uma condição para que Vaca Muerta possa continuar aumentando sua produção de petróleo: “Para produzir petróleo, será necessário ter esse mercado de gás desenvolvido”.

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Consumo de carne bovina na Argentina atinge o nível mais baixo em 20 anos

22 de Agosto de 2026, 09:31

O consumo de carne bovina na Argentina continua em queda. Em julho, ficou em 46,3 quilos por habitante por ano, 9,4% a menos que a média registrada no mesmo mês de 2025 e o número mais baixo em 20 anos, segundo dados da Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados da República Argentina (CICCRA).

A queda equivale a 4,8 quilos a menos por habitante por ano, em comparação com a média de julho do ano passado. A queda no consumo ocorre em um contexto de menor oferta destinada ao mercado interno e após os aumentos de preços observados no início de 2026.

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Entre janeiro e julho de 2026, a produção de carne bovina atingiu 1,689 milhão de toneladas de carne com osso, o que representou uma queda de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que significou que o abastecimento total —mercado interno e exportações— tenha diminuído em 123.820 toneladas em relação ao mesmo período de 2025.

Menos carne para o mercado interno

A queda na produção coincidiu com um aumento nas exportações. Nos primeiros sete meses do ano, as vendas externas de carne bovina teriam atingido 487.200 toneladas, um aumento de 8,8% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o relatório.

De acordo com a CICCRA, os mercados internacionais absorveram quase 40.000 toneladas a mais de carne bovina argentina em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos foram o mercado que gerou maior demanda, impulsionado pela ampliação da cota decorrente do novo acordo comercial.

Segundo a entidade, o abastecimento do mercado interno teria registrado uma contração de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior entre janeiro e julho, “o que se refletiu no aumento significativo do preço relativo da carne bovina”.

Nesse período, o consumo aparente foi de 1.202 milhões de toneladas de carne bovina com osso, cerca de 163.400 toneladas a menos do que nos primeiros sete meses de 2025.

Assim, a combinação de uma menor produção e de uma maior demanda externa exerceu pressão sobre o preço relativo da carne bovina e sobre a quantidade disponível para o mercado interno.

Mudança na mesa dos argentinos

A evolução do consumo per capita mostra o impacto que esse cenário tem sobre os hábitos de consumo. Com os dados acumulados até julho passado, a média dos últimos doze meses ficou em 46,3 quilos por ano por habitante.

A través de acuerdos con el sector privado, el Gobierno argentino buscará reducir el impacto de los aumentos en el asado Photographer: Erica Canepa/Bloomberg

De acordo com a CICCRA, o indicador ficou 4,8 quilos abaixo da média de julho de 2025. A queda ocorre em um momento em que a carne bovina enfrenta uma concorrência crescente de outras fontes de proteína e as famílias ajustam suas decisões de compra diante do aumento dos preços.

Os dados também refletem uma tensão crescente na cadeia: enquanto a produção sofreu uma contração e o mercado interno recebeu menos carne, as exportações aumentaram, com os Estados Unidos sendo um dos principais impulsionadores da demanda externa.

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© Sarah Pabst

Açougue no Mercado de San Telmo, em Buenos Aires: aumento de preços e menor oferta destinada ao mercado interno. (Foto: Sarah Pabst/Bloomberg)

Rodadas da semana: Flash capta R$ 150 milhões para acelerar expansão

22 de Agosto de 2026, 06:00

A empresa de benefícios Flash captou R$ 150 milhões em uma nova rodada de investimentos. A startup liderada por Ricardo Salem e pelos irmãos Pedro e Guilherme Lane tinha ido a mercado pela última vez em 2022, quando levantou US$ 100 milhões.

Os recursos chegam em um momento de transformação do mercado de benefícios, com uma nova regulamentação do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador) que procura deixar o ambiente de negócios mais competitivo e benéfico para as novas entrantes.

As incumbentes e líderes do setor - Alelo, Sodexo, Ticket e VR - detêm cerca de 80% de participação, de acordo com dados do governo, mantendo uma estrutura de oligopólio.

Em conversa recente com a Bloomberg Línea, os cofundadores informaram que a Flash terminou o ano de 2025 com crescimento de 100% em receita e número de vidas e projeta o mesmo ritmo de expansão para 2026.

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A tese central para buscar o crescimento no mercado vem a partir da oferta integrada de produtos de serviços. Além dos benefícios, os clientes têm acesso no app à gestão de gastos corporativos e de viagens e gestão de pessoas (HR Tech), com módulos que vão da admissão digital e controle de ponto a avaliações de performance.

Veja os aportes da semana:

Flash

A Flash, plataforma de gestão de RH e benefícios, captou R$ 150 milhões em Série D liderada por Battery Ventures e Kevin Efrusy, ambos já no cap table, com a entrada do fundo Endeavor Catalyst.

A rodada ocorre em meio à maior reformulação em 40 anos do mercado de benefícios no Brasil, com novas regras do PAT que buscam ampliar a concorrência num setor há muito concentrado em quatro grandes players.

A companhia gera caixa há quase um ano e prevê investir R$ 400 milhões de capital próprio em 2026 na plataforma, conforme antecipado pela Bloomberg Línea.

Os recursos vão para inteligência artificial, novos produtos, expansão comercial e fortalecimento da estrutura de capital. A startup quer ampliar o uso de IA para integrar suas soluções, reduzir tarefas manuais de RH e financeiro e gerar dados de apoio à decisão, mirando a liderança do setor até 2030.

A plataforma conta com mais de 2 milhões de usuários e 60 mil empresas clientes, o que a posiciona como a quinta maior no mercado, atrás apenas das incumbentes. Do total de clientes ativos, 35% já usam mais de uma solução, e metade dos novos ingressa com dois ou mais produtos, validando a tese de plataforma integrada.

Premia

A Premia, edtech com modelos próprios de IA para educação básica e superior, captou R$ 5 milhões em sua primeira rodada. O investimento foi realizado por um family office especializado em educação - o nome não foi informado.

A plataforma acompanha o comportamento dos estudantes, identifica lacunas de aprendizagem e recomenda intervenções pedagógicas com modelos construídos internamente para o contexto escolar.

Fundada em 2021 por Paulo Nogueira, Ricardo Podolsky e Tony dos Santos, a edtech soma 3,8 milhões de usuários em redes de ensino, escolas e universidades, com mais de 93 milhões de conteúdos processados em 400 municípios e 4,5 mil professores.

Levantamento interno aponta evolução média de 158% no desempenho de alunos da educação básica após três meses, e mais de 90% de acurácia na previsão de resultados em avaliações nacionais.

Os valores captados serão usados para a área comercial, plataforma e infraestrutura, além de aquisições para o portfólio. A edtech também prevê entrar em educação corporativa, segmento pouco explorado, mirando 20 milhões de usuários e 1.500 municípios em dois anos.

A série D foi liderada por Battery Ventures e Kevin Efrusy, ambos já no cap table, e contou com a entrada do fundo Endeavor Catalyst

Zurich Airport vende fatia no Aeroporto de Confins para a mexicana ASUR por R$ 109,5 mi

21 de Agosto de 2026, 23:14

A concessionária Zurich Airport assinou um acordo para vender 12,75% do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, em Minas Gerais por valor equivalente a R$ 109,5 milhões.

O comprador da fatia é a mexicana ASUR (Aeroportuario del Sureste) via uma subsidiária do grupo, a Aeropuerto de Cancún, segundo anunciou a empresa na sexta-feira (21).

A companhia suíça ingressou no projeto como investidora minoritária em 2013 detendo uma participação minoritária indireta no BH Airport, em Confins.

“A venda está alinhada à estratégia internacional da Zurich Airport de concentrar sua atuação em participações majoritárias com responsabilidade operacional”, informou a Zurich em nota.

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A transação deverá resultar em um ganho líquido não recorrente de aproximadamente 17 milhões francos suíços, em nível de grupo, no fechamento, segundo a concessionária.

A conclusão do negócio deve ocorrer nos próximos meses, acrescentou a empresa, citando que o acordo ainda depende as aprovações regulatórias necessárias.

Confins está entre os 20 terminais que a ASUR comprou da Motiva, ex-CCR, em novembro passado, em transação de R$ 11,5 bilhões que envolve a holding CPC (Companhia de Participações em Concessões). São 17 aeroportos no Brasil e três no exterior, em Quito, San José e Curaçao.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) aprovou por unanimidade, em 12 de junho, a anuência prévia para a Motiva transferir o controle da CPC à subsidiária mexicana. O fechamento desse negócio, previsto para este ano, ainda depende dos credores, do poder concedente e das aprovações concorrenciais no exterior, segundo a agência.

Leia também: Leilão de Aeroporto de Brasília e mais 10 terminais é esperado para dezembro, diz ministério

O Aeroporto Internacional de Belo Horizonte é operado pela Concessionária do Aeroporto Internacional de Confins S.A., sob uma concessão de 30 anos leiloada em novembro de 2013 e contrato assinado em abril de 2014, e movimentou cerca de 13,3 milhões de passageiros em 2025.

O consórcio vencedor do leilão de 2013 tinha ainda a alemã Munich Airport, sócia minoritária que deixou a sociedade nos anos seguintes. A Infraero mantém 49% da concessionária, participação avaliada em cerca de R$ 670 milhões que o governo estuda vender, junto com as fatias em Guarulhos e Viracopos, para concentrar a estatal nos 23 aeroportos regionais e no Santos Dumont que ainda administra.

O nome oficial do aeroporto continua oficialmente sendo Aeroporto Internacional Tancredo Neves, mas a identidade comercial e a marca BH Airport foram adotadas em 2014, após a assinatura do contrato de concessão do terminal para a iniciativa privada. Popularmente, ele é conhecido como Aeroporto de Confins.

Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, que a ASUR compra da Motiva

O complexo aeroportuário fica localizado em uma área dos municípios de Confins e Lagoa Santa, mas se convencionou chamar de Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, capital que fica a 40 quilômetros de distância.

O terminal recebeu investimento de R$ 1,4 bilhão em 12 anos de concessão, segundo a BH Airport, que o destaca como dono da maior malha doméstica do Brasil, ligando a capital mineira a 65 destinos domésticos regulares, alcançando 26 das 27 capitais brasileiras e outros 15 aeroportos regionais.

Segundo a BH Airport, no início do contrato em 2014, o BH Airport mantinha apenas duas rotas regulares para o exterior. Hoje são nove ligações, incluindo Lisboa, Cidade do Panamá, Santiago, Orlando, Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este, além de operações sazonais para Bariloche e Curaçao.

O terminal mineiro está entre os 10 aeroportos de médio porte mais pontuais do mundo, segundo um relatório mensal de desempenho operacional da Cirium, uma provedora de dados e análises de aviação.

Leia também: Catarina, aeroporto da JHSF, cresce 28% em receita no 1º tri e atrai Líder para feira

O BH Airport registrou 86,28% das partidas no horário, considerando 8.879 voos, com cobertura de 99,43% das operações monitoradas, segundo a concessionária, citando dados do mês de junho de 2024.

Além de operar no Sudeste, em Minas Gerais, o segundo estado mais populoso do Brasil, a Zurich também atua no no Nordeste, onde está à frente da administração do Aeroporto Internacional de Natal, no Rio Grande do Norte, desde fevereiro de 2024.

“O Brasil segue sendo um mercado estratégico e prioritário para o grupo, e continuamos acompanhando oportunidades alinhadas à nossa estratégia de longo prazo e aos nossos critérios de investimento”, informou a Zurich à Bloomberg Línea ao responder, no mês passado, se estaria interessada em participar do leilão de repactuação da concessão do Aeroporto de Brasília, aguardado para o final do ano.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) encerrou, no último dia 7 de agosto, o processo de consulta pública aos potenciais interessados, etapa que antecede a formalização do procedimento competitivo.

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Concessionária sai do capital de um dos principais terminais do Brasil (Divulgação/BH Airport)

A preparação para o mega-IPO da Anthropic

21 de Agosto de 2026, 07:10

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A Anthropic espera igualar ou superar o valor da oferta pública inicial (IPO) recorde da SpaceX, segundo fontes a par do assunto que falaram com a Bloomberg News, em mais um sinal da demanda expressiva por parte de investidores que buscam lucrar com o crescimento da inteligência artificial.

A desenvolvedora do Claude analisa os números enquanto se prepara para apresentar publicamente seu pedido para um possível mega-IPO já no final deste mês, afirmaram as fontes.

A empresa de foguetes e satélites de Elon Musk levantou US$ 75 bilhões inicialmente, tornando-se a maior oferta pública inicial de ações da história, segundo dados compilados pela Bloomberg.

O valor final aumentou para US$ 86,2 bilhões com a chamada opção de sobrealocação, que normalmente é exercida se as ações subirem nas primeiras negociações.

⇒ Leia a reportagem: Mais um mega-IPO à vista? Anthropic espera igualar ou superar oferta da SpaceX

Meta da Anthropic reflete como os líderes do setor de IA transformaram o cenário de investimentos em tecnologia. (Foto: Samyukta Lakshmi/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações globais operam em alta nesta sexta-feira (21) depois que a queda dos preços do petróleo reduziu as preocupações com a inflação, em uma semana de forte volatilidade nos mercados.

- Nvidia próxima de acordo com a Rebellions? A companhia está em negociações iniciais com a sul-coreana Rebellions, especializada em chips de IA para data centers, sobre uma possível parceria técnica, investimento ou até aquisição, segundo fontes a par do assunto que falaram com a Bloomberg News.

- Samsung mira retorno aos acionistas: A Samsung Electronics espera devolver até 110 trilhões de won (US$ 79 bilhões) aos acionistas neste ano, no maior programa do tipo já anunciado na Coreia do Sul. A fabricante de chips pretende distribuir cerca de metade de seu fluxo de caixa livre, incluindo 30 trilhões de won em dividendos.

- Tesouro reage à pressão sobre os juros. Após os rendimentos dos títulos de 30 anos dos EUA atingirem o maior nível em quase duas décadas, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o governo está preparado para ampliar as recompras e defendeu que as taxas não refletem os fundamentos da economia.

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Destaques da Bloomberg Línea:

• BRB enfrenta impasse com balanços para resgate de R$ 6,6 bilhões do FGC

• BTG e C6 entram na disputa por mercado de benefícios que movimenta R$ 150 bi ao ano

• Dona da InfinitePay aposta em cartão e agente de IA para crescer além das maquininhas

• Também é importante: Rescisão da Petrobras pressiona bonds da Oceânica e reforça receio com dívida corporativa | Sergio Buniac deixa Motorola após 30 anos e assume unidade de celulares e IA da Qualcomm

• Opinião Bloomberg: Por que a pressão econômica sobre o Irã é a opção ‘menos ruim’ para acabar com a guerra

• Para não ficar de fora: Soja ou floresta em pé? Projeto de carbono testa valor da conservação na Amazônia

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Sergio Buniac deixa Motorola após 30 anos e assume unidade de celulares e IA da Qualcomm

20 de Agosto de 2026, 16:37

A Qualcomm contratou o brasileiro Sergio Buniac, então presidente da Motorola Mobility, para chefiar sua unidade de dispositivos móveis, computação e inteligência artificial pessoal, segundo comunicado da empresa divulgado nesta quinta-feira (20).

O executivo ocupava a posição de CEO global da Motorola Mobility desde 2018 e estava na Motorola havia mais de 30 anos.

Buniac assumirá o cargo de vice-presidente executivo e gerente geral do grupo a partir de 2 de setembro, reportando-se diretamente ao também brasileiro Cristiano Amon, presidente e CEO da Qualcomm (QCOM).

Na nova função, ele irá supervisionar os negócios de smartphones, computação pessoal, wearables inteligentes e realidade estendida (XR) da companhia, incluindo o desenvolvimento de uma nova geração de dispositivos voltados a IA, de acordo com a companhia.

“Sergio é um líder empresarial comprovado com mais de 30 anos de experiência no setor de dispositivos móveis”, afirmou Cristiano Amon, em comunicado.

Segundo o executivo, Buniac tem histórico de conduzir transformações relevantes no setor e experiência na criação de produtos de consumo “do design à comercialização, em escala global”.

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Buniac deixa a Motorola após mais de três décadas na companhia, período em que ocupou funções regionais e globais em estratégia, produto, vendas, marketing, operações e cadeia de suprimentos. Desde 2018, ele presidia a Motorola Mobility, unidade da marca controlada pela Lenovo desde 2014.

À frente do negócio, Buniac estava conduzindo a reconstrução da presença da Motorola no segmento premium, numa disputa com Apple e Samsung.

Em entrevista à Bloomberg Línea em janeiro, ele falou sobre o movimento na ocasião do lançamento da linha ultrapremium Motorola Signature, durante a feira de tecnologia CES, em Las Vegas.

“Nós sentimos falta de uma franquia ultrapremium”, afirmou Buniac na época. “Nosso conceito é: você não precisa pagar mais para ter experiências incríveis. Mas alguns consumidores querem ter a melhor câmera, não uma das cinco melhores.”

Na ocasião, o executivo contou que as franquias Edge e Razr, que respondiam por apenas 2% a 3% das vendas da marca sete anos antes, tinham passado a responder por cerca de 35% do faturamento da companhia.

Procurada pela Bloomberg Línea, a Motorola Mobility informou que “deseja ao Sergio o melhor em seu próximo capítulo na Qualcomm e esperamos continuar nossa parceria de longa data. Contamos com uma liderança sólida para dar continuidade ao nosso ritmo de crescimento e impulsionar a expansão contínua em todo o nosso portfólio de soluções, que abrange dispositivos, infraestrutura e serviços.”

Globalmente, a empresa detém em torno de 5% de participação de mercado, a depender da consultoria que analisa os dados, e está entre as 10 maiores fabricantes de smartphones do mundo.

No Brasil, a Motorola Mobility é a segunda maior, atrás apenas da Samsung, e tem alta penetração com os modelos no segmento intermediário, com preços até R$ 2.000.

--- A matéria foi atualizada para incluir o posicionamento da Motorola.

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Sergio Buniac: ele assumirá o cargo de vice-presidente executivo e gerente geral da Qualcomm a partir de 2 de setembro.

O impacto da IA no C-Level

20 de Agosto de 2026, 06:58

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Há cerca de um ano, a Ânima Empresas reuniu 35 CEOs de diferentes indústrias em um treinamento de um dia sobre inteligência artificial.

O que Reynaldo Gama, CEO da vertical B2B (business to business) da Ânima Educação, viu na sala mudou a leitura da companhia sobre quem precisa de requalificação.

Hoje, 80% dos contratos de educação corporativa do grupo são assinados pelo CHRO (diretor de recursos humanos), e os outros 20% agora já partem diretamente do presidente da empresa.

“É impressionante como o CEO está vulnerável também. O CEO está tendo que voltar para a sala de aula e está tendo que voltar a experimentar. Esse é o tipo de coisa que não dá para delegar”, disse Gama à Bloomberg Línea.

⇒ Leia a reportagem: IA deixa C-Level vulnerável e leva à ‘realfabetização’, diz CEO da Ânima Empresas

Requalificação em IA agora é tratada pela liderança no topo (Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg)

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos EUA operam perto da estabilidade nesta quinta-feira (20), enquanto os Treasuries de prazo mais longo voltaram a cair e a alta dos preços do petróleo colocou os riscos de inflação no centro das atenções dos investidores   

- Cerco econômico ao Irã? O presidente Donald Trump prometeu um “Dia D econômico” contra Teerã e ameaçou impor consequências a países e empresas que mantenham apoio financeiro ou comercial ao regime, em uma ofensiva que pode atingir especialmente a China, principal compradora do petróleo iraniano.   

- Recompras pressionam dólar. A decisão do Tesouro dos EUA de dobrar as recompras planejadas de títulos de até 30 anos reforçou entre investidores a percepção de que Washington está mais disposto a intervir. A estratégia pode reduzir a atratividade dos ativos em dólar e favorecer moedas asiáticas e o ouro.   

- Agro na mira dos russos na Ucrânia. A escalada dos ataques aos portos de Odessa reduziu os embarques de grãos a uma fração da capacidade e ameaça aprofundar as perdas dos agricultores. A Ucrânia, que depende do Mar Negro para escoamento, pode perder até US$ 2,5 bilhões neste ano com o bloqueio.

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🔘 As bolsas ontem (19/08): Dow Jones Industrials (+0,22%), S&P 500 (+0,22%), Nasdaq Composite (+0,16%), Stoxx 600 (-0,11%), Ibovespa (+0,90%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

• QuintoAndar reúne serviços B2B em nova frente para ampliar oferta a imobiliárias

• Ex-CFO do Itaú é condenado a pagar R$ 2,8 milhões ao banco em processo

• HSBC vê receita crescer com o boom do comércio entre Brasil e China, diz CEO no país

• Também é importante: Itaú Asset sela parceria com a Vanguard para ampliar diversificação internacional | A vez do frango? Carne bovina cara perde espaço nos EUA com mudança no consumo

• Opinião Bloomberg: Por que o debate sobre IA precisa ir além da disputa entre modelos abertos e fechados

• Para não ficar de fora: Fiat mira mercado de US$ 1 bi de carrinhos de golfe nos EUA com elétrico de US$ 15 mil

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IA deixa C-Level vulnerável e leva à ‘realfabetização’, diz CEO da Ânima Empresas

20 de Agosto de 2026, 06:00

Há cerca de um ano, a Ânima Empresas reuniu 35 CEOs de diferentes indústrias em um treinamento de um dia sobre inteligência artificial. O que Reynaldo Gama, CEO da vertical B2B (business to business) da Ânima Educação (ANIM3), viu na sala mudou a leitura da companhia sobre quem precisa de requalificação.

Hoje, 80% dos contratos de educação corporativa do grupo são assinados pelo CHRO (diretor de recursos humanos), e os outros 20% agora já partem diretamente do presidente da empresa.

“É impressionante como o CEO está vulnerável também. O CEO está tendo que voltar para a sala de aula e está tendo que voltar a experimentar. Esse é o tipo de coisa que não dá para delegar”, disse Gama à Bloomberg Línea.

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A requalificação em IA vinha sendo tratada como projeto de base e de média gerência, enquanto a liderança no topo ficava com o papel de patrocinador do orçamento.

A experiência do treinamento inverteu esse diagnóstico em um momento em que fundadores e conselhos podem se sentir tentados a trocar executivos veteranos por perfis mais jovens e mais fluentes nas ferramentas. Gama diz ter ouvido dos próprios participantes do treinamento o tamanho do desconforto.

“Escutei de um CEO que ele estava sendo realfabetizado. Um dos CEOs falou assim: eu nunca me senti tão burro como nos tempos de hoje”, afirmou o executivo.

Leia também: Muito além do currículo: como empregadores usam IA para verificar candidatos

A conclusão dele é que a criação de um cargo específico para o tema não isenta a cadeira principal. O CEO não precisa virar especialista, mas precisa operar as ferramentas para conseguir avaliar o que a equipe entrega.

“Não adianta só ter um CAIO, que é o Chief AI Officer. Ele também vai ter que entender para poder ajudar e colaborar, entender se a ferramenta está correta, se não está”, disse.

O erro mais comum que Gama identifica nos projetos de requalificação é tratar IA como treinamento de plataforma. Ele compara a situação a instalar uma válvula dosadora de sabonete líquido em uma barra de sabão, o que não gera eficiência nenhuma sem a mudança do produto.

“Elas acharem que é somente um treinamento de plataforma ou de ferramenta. Você tem que ensinar o ferramental, mas você tem que mudar a cabeça. As organizações estão tendo que entender que o modus operandi de trabalho vai mudar”, afirmou.

Reynaldo Gama, CEO da Ânima Empresas, vertical B2B da Ânima Educação, que atende quase 500 companhias e executa mais de mil projetos de educação corporativa por ano em um mercado estimado em R$ 100 bilhões no Brasil

A avaliação de Gama sobre o desconforto do topo vem de duas décadas circulando entre banco e ecossistema de inovação. Ele passou mais de 15 anos no mercado financeiro, com posições no Itaú e no Itaú BBA, estudou em Berkeley e voltou ao banco em 2015 para assumir a gestão do Cubo Itaú, que saiu de cerca de 15 corporates conectados ao hub para mais de 60 depois da expansão.

Em 2019, ele recebeu o convite para comandar a HSM, comprada pela Ânima entre 2013 e 2014, e para trazer ao Brasil a Singularity University. Ficou quase sete anos à frente das duas marcas, período em que a HSM triplicou de tamanho e mudou de eixo: em 2019, 60% do faturamento vinha de eventos, e hoje 85% vêm de educação.

Maior demanda por cursos

A Ânima Empresas atende quase 500 companhias e executa mais de mil projetos de educação por ano, em um mercado brasileiro de treinamento e desenvolvimento que a empresa estima em R$ 100 bilhões, com base em um apanhado de estudos de consultorias e associações do setor.

Na HSM, plataforma que Gama comanda desde 2019 e que triplicou de tamanho no período, 66% do faturamento vem de recompra. A companhia não abre a receita nem a margem da vertical.

O perfil da demanda muda conforme o porte. Pequenas e médias empresas procuram conteúdo de vendas, processos, governança e ganho de produtividade, com efeito mais imediato no resultado.

Companhias com 10 mil a 30 mil funcionários pedem trabalho comportamental, colaboração, empatia e senso de dono, o que Gama chama de essential skills e se recusa a classificar como soft skills.

Leia também: Além da razão: como a inteligência artificial pode intensificar a política das emoções

A vertical também opera na fronteira entre academia e setor produtivo. Um programa de tecnólogo desenvolvido com a Gerdau (GGBR4) se tornou um dos cursos mais concorridos do grupo e passou a funcionar para a siderúrgica como canal de atração de jovens com formação específica, além de employer branding.

A Ânima soma mais de 380 polos e 18 instituições de ensino, e a tese comercial é levar o cliente corporativo a circular por esse ecossistema, da escola de criadores de conteúdo à Le Cordon Bleu.

Requalificar ou substituir o CEO?

A vulnerabilidade admitida por quem está no topo das empresas abre uma pergunta incômoda para os conselhos de administração: requalificar o CEO ou substituí-lo por alguém que já domina as ferramentas de IA?

Gama responde que a vantagem não é do mais jovem, nem a desvantagem é do menos jovem. “Acho que é o mais curioso. O mais curioso vai ter uma vantagem muito grande como executivo, como C-level, nesse mundo de hoje”, disse.

O comportamento recente dos boards não confirma a hipótese da troca por perfis mais novos. No primeiro trimestre de 2026, 26% dos CEOs nomeados em companhias listadas no mundo já haviam comandado uma empresa de capital aberto, ante 17% um ano antes, segundo o Global CEO Turnover Index, da Russell Reynolds Associates, que acompanha 13 índices de ações.

A pressão sobre o cargo não cedeu, com 234 saídas globais em 2025, alta de 16% e segundo ano seguido de recorde. Sob a maior disrupção tecnológica do ciclo, a preferência foi por quem já sentou na cadeira.

O CEO da Ânima Empresas trata a velocidade de aprendizado como o principal ativo competitivo do ciclo atual, e considera tímido o investimento da maior parte das empresas brasileiras diante do discurso que elas próprias adotam sobre foco no capital humano.

“Se as pessoas são o seu maior diferencial competitivo, o investimento em pessoas deveria ser o seu maior combustível. Ou seja, a educação deveria ser o seu maior combustível”, afirmou.

O risco no horizonte é a repetição do movimento das universidades corporativas, agora com ferramentas que permitem a uma grande empresa estruturar internamente o próprio sistema de qualificação.

Gama responde a isso com escala e com o argumento de que educação é o core business do grupo, não uma área de apoio. A disputa, porém, deve se dar no mesmo comprador que hoje sustenta os 66% de recompra de cursos, e com plataformas globais de conteúdo em IA chegando ao CHRO com preço menor.

“A organização que tiver a capacidade de aprender, desaprender e reaprender mais rápido é a companhia que vai ter mais vantagem competitiva e que vai sobreviver”, conclui Gama.

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QuintoAndar reúne serviços B2B em nova frente para ampliar oferta a imobiliárias

19 de Agosto de 2026, 21:50

O QuintoAndar decidiu reunir sob um mesmo guarda-chuva os produtos e projetos que a startup vem desenvolvendo há anos para atender imobiliárias no Brasil.

Chamada de QuintoAndar for Business, a nova marca formaliza uma estratégia B2B que já estava em construção desde a aquisição do ImóvelWeb, há cerca de cinco anos.

A nova frente de negócios conta com um portfólio que já estava parcialmente no mercado: o ImóvelWeb, portal de classificados que gera demanda para as imobiliárias; o Marketplace QuintoAndar, rede em que imobiliárias trocam oferta e demanda entre si; o Univen, ferramenta de CRM voltada a corretoras que recebeu uma nova versão; e o Domi, assistente de inteligência artificial lançado oficialmente em um evento da empresa nesta quarta-feira (19).

Os produtos fazem parte do pacote de R$ 2 bilhões anunciado nos últimos meses pela companhia para investimentos em tecnologia e inteligência artificial.

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Nascida como uma operação B2C voltada à locação, a startup soma hoje quase 7 milhões de imóveis listados em todas as suas frentes, mais de 10 mil imobiliárias parceiras em pelo menos uma das soluções e mais de 27 milhões de acessos mensais aos portais do grupo.

O Marketplace — que, ao contrário dos demais produtos, é expandido cidade a cidade — está presente no Sudeste e no Sul do país e começa a chegar ao Centro-Oeste. A oferta conta com mais de 500 imobiliárias associadas que fazem transações ativamente, segundo a empresa.

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“O QuintoAndar como operação B2C opera virtualmente em 20 ou 30 cidades do Brasil. O conjunto de produtos B2B serve a 5 mil cidades do país, e algumas, inclusive, fora do país. Essa é uma oportunidade muito material”, afirma Bernardo Dorigo, diretor-geral do QuintoAndar For Business. “O trabalho por meio de parcerias com as imobiliárias nos garante a capilaridade para impactar o continente inteiro, inclusive.”

O modelo comercial, de acordo com Dorigo, depende de cada produto e está atrelado a número de anúncios publicados e leads geridos, entre outros atributos.

Bernardo Dorigo, do Quinto Andar: O conjunto de produtos B2B serve a 5 mil cidades do país, e algumas, inclusive, fora do país.  Essa é uma oportunidade muito material

Segundo o executivo, a divisão For Business está estruturada com “centenas” de profissionais, dedicadas exclusivamente à operação. De acordo com números recentes, a proptech conta com um time de mais de 3.000 funcionários - 1.800 estão em São Paulo.

A iniciativa acompanha um movimento de intenso nos últimos trimestres de criação de produtos para atender as imobiliárias, seja por novas startups ou aquelas com tempo no mercado.

A Loft, uma das principais concorrentes do QuintoAndar, tem acelerado o uso de inteligência artificial e atribuído à tecnologia o ritmo acelerado de crescimento nos últimos semestres.

A resposta ao lead

O carro-chefe do lançamento é o Domi, assistente de IA que atende, em nome da imobiliária parceira, os contatos recebidos por diferentes canais — do anúncio físico ao Instagram, passando pelos portais do próprio QuintoAndar.

Segundo números de mercado, entre 50% e 70% das mensagens de interesse recebidas por imobiliárias hoje ficam sem respostas.

O diferencial da plataforma, segundo a companhia, está no cruzamento com a base de dados do QuintoAndar: como grande parte dos interessados já passou por buscas no ImóvelWeb ou no próprio QuintoAndar, o assistente consegue inferir perfil, orçamento e bairros de interesse sem repetir perguntas básicas. E ainda insistir no contato com leads quando as conversas esfriam.

A tecnologia é similar ao serviço de atendimento automatizado que o QuintoAndar usa internamente, batizada de “Julia do QuintoAndar”, que já opera há dois anos, com cerca de 25 mil visitas agendadas por mês.

Próximos passos

A companhia adiantou dois lançamentos futuros dentro do QuintoAndar for Business: um “copiloto” que permitirá às imobiliárias consultar dados de desempenho da operação em linguagem natural, via IA.

Também está em preparação também a comercialização de um produto de monitoramento antibypass. O “bypass” se refere a episódios em que um comprador e vendedor - ou corretores em uma das pontas de uma negociação -, tentam excluir um dos intermediários do fechamento do negócio para não pagar comissão.

De acordo com números do QuintoAndar, o monitoramento de comportamentos suspeitos e cruzamento de registros públicos permitiu devolver mais de R$ 20 milhões a corretoras parceiras e corretores que haviam sido lesados nessas situações. A proptech também disse ter excluído profissionais que adotam a prática.

A solução deve chegar nos próximos meses às mãos dos imobiliárias parceiras para ajudá-las a identificar esses episódios.

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Nova ferramenta da proptech busca transformar a transação imobiliária em uma experiência guiada por IA. (Foto: jp image)

HSBC vê receita crescer com o boom do comércio entre Brasil e China, diz CEO no país

19 de Agosto de 2026, 07:58

O HSBC está se beneficiando do comércio recorde entre Brasil e China, uma década depois de vender a sua extensa operação brasileira e voltar ao país com foco em negócios globais, que se tornaram um ponto forte.

O financiamento ao comércio exterior contabilizado em Hong Kong para empresas brasileiras era quase irrelevante para o HSBC em termos de receita há apenas três anos. No ano passado, passou a ocupar a 10ª posição entre firmas de 50 países, e agora subiu para a quarta posição, segundo Alexandre Guião, CEO do banco no Brasil.

“As exportações brasileiras de commodities, tanto agrícolas quanto minerais, assim como as importações da Ásia, principalmente China, têm crescido bastante”, disse Guião em entrevista à Bloomberg News no escritório do banco britânico em São Paulo. “Queremos garantir que facilitemos essas conexões” entre empresas dessas regiões, afirmou.

A receita proveniente de clientes brasileiros aumentou 20% no ano passado, incluindo negócios contabilizados no exterior, disse Guião. No primeiro semestre deste ano, subiu mais 37%.

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O motivo é claro: as exportações brasileiras para a China saltaram 20% este ano até julho, atingindo o recorde de US$ 69 bilhões, segundo o governo brasileiro.

Enquanto isso, as importações aumentaram 8%, chegando a um recorde histórico de US$ 45 bilhões, impulsionadas pela onda de veículos elétricos.

Leia também: HSBC alerta para alta ‘explosiva’ do dólar se Fed endurecer tom sobre juros

O Brasil recebeu mais investimentos da China do que qualquer outro país no ano passado, de acordo com o Conselho Empresarial Brasil-China.

Como o maior banco estrangeiro na China, o HSBC está especialmente bem posicionado para se beneficiar dessas relações mais estreitas.

A situação era diferente há 10 anos. O HSBC vendeu sua subsidiária local para o Bradesco em 2016 e, dois anos e meio depois, após um período de não-concorrência, retornou com uma operação que agora é um banco corporativo e de investimentos completo. O banco atende cerca de 720 multinacionais globais e cerca de 80 multinacionais brasileiras.

Globalmente, o HSBC está vendendo negócios, reduzindo e reformulando suas operações, como parte de uma grande reestruturação que inclui o corte de bilhões em despesas. A ideia é simplificar o banco, concentrar capital onde o HSBC possui vantagens estruturais, investir mais em gestão de fortunas e fluxos ligados à Ásia, e usar inteligência artificial para cortar custos e melhorar o atendimento ao cliente.

Na América Latina, isso significou a venda de sua unidade no Uruguai em 2025 para o BTG Pactual por US$ 175 milhões e a alienação da subsidiária na Argentina em 2024 para o Grupo Financiero Galicia por US$ 550 milhões.

No México, onde o HSBC manteve um banco completo, incluindo um negócio de varejo, a instituição decidiu se concentrar em clientes de maior renda e fechou cerca de 200 agências em 18 meses, segundo Jorge Arce, CEO e presidente do banco no México e responsável por América Latina.

O HSBC também possui um banco no Chile, “uma nação muito importante para o corredor Ásia-América Latina”, disse Arce, enquanto na Colômbia tem um escritório que também atende o Peru.

“Se você observar as multinacionais que operam em todo o mundo, o Brasil e o México estariam entre as cinco ou dez maiores em seus respectivos mercados”, afirmou Arce.

Entre os negócios recentes do HSBC, destaca-se um pacote de financiamento de US$ 1,5 bilhão, liderado em conjunto com a International Finance Corp. (IFC), para a Acelen Renewables, braço de energia renovável do Mubadala Capital, para a construção de uma biorrefinaria totalmente nova na Bahia.

Mas houve alguns percalços. Grandes reestruturações de dívidas no Brasil, de empresas como a produtora de açúcar e etanol Raízen e da rede de supermercados GPA, conhecida como Cia. Brasileira de Distribuição, impactaram o lucro do HSBC. Mas Guião afirmou que esse impacto foi mais do que compensado pelo crescimento da receita.

Após essas reestruturações de dívida, o HSBC fez uma pausa para revisar seu portfólio e decidiu adotar uma postura mais conservadora na concessão de crédito, disse ele.

Arce classificou essas ocorrências como “parte do negócio”, acrescentando que “no fim das contas, acredito que as reestruturações de dívida dessas empresas serão positivas para os credores”.

As taxas de juros persistentemente altas do Brasil “nos deixam cautelosos”, disse Arce, mas acrescentou que as empresas brasileiras “são muito resilientes”. A taxa básica de juros do Brasil está em ou acima de 14% há mais de um ano.

O alto custo de financiamento e a “crise de crédito” para algumas empresas no mercado local brasileiro também criaram oportunidades para o HSBC, que aumentou o volume de empréstimos bilaterais concedidos fora do Brasil, disse Guião. Os negócios de gestão de caixa, pagamentos e câmbio para clientes brasileiros também estão em expansão, disse.

O plano é continuar investindo no Brasil, apesar das incertezas geradas pelas eleições presidenciais de outubro, disseram ambos os executivos.

“Independentemente de quem vencer, o Brasil continuará sendo um mercado muito atraente para nossos clientes, e estaremos aqui para atendê-los”, afirmou Arce.

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A pressão sobre o varejo além da Casas Bahia

19 de Agosto de 2026, 06:52

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Uma onda de recuperações judiciais atingiu players relevantes do varejo brasileiro e expôs o impacto negativo do cenário de juros de duplo dígito na economia real.

Ligados ao comércio de bens duráveis, os segmentos de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, móveis e decoração são os mais afetados pela atual fase da crise de liquidez.

Casas Bahia, Marabraz e Grupo Toky (dono das marcas Tok&Stok e Mobly) são os nomes mais recentes da série de companhias de atuação nacional que recorreram à Justiça para evitar uma execução antecipada de dívidas e pedidos de falência.

Esse movimento se acelerou na virada para o segundo semestre, quando a política monetária restritiva adotada pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias elevou as despesas financeiras das empresas e acendeu o alerta no mercado sobre a crescente inadimplência de consumidores e empresas.

Nas lojas de shoppings, o fluxo de visitação caiu 2% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado. Já nas lojas de rua, a retração no movimento foi mais acentuada, de 12,6%, apontou o IPC (Índice de Performance do Varejo), da HiPartners, gestora e investidora em retail techs no Brasil.

⇒ Leia a reportagem: Além da Casas Bahia: juros altos e fluxo menor nas lojas colocam o varejo sob pressão

No radar dos mercados

As ações globais operam sem direção única nesta quarta-feira (19), após as perdas da véspera, com recuperação das bolsas europeias e futuros de Wall Street próximos da estabilidade.

- JBS busca controle total da Pilgrim’s Pride. A companhia ofereceu cerca de US$ 1,2 bilhão em ações para adquirir os 18% da produtora de aves que ainda não possui. A proposta ocorre quatro anos após uma tentativa semelhante e levou as ações da Pilgrim’s Pride a subir até 8,8% no pós-mercado.

- HSBC avança com eixo Brasil-China. O volume recorde de negócios entre Brasil e China tem impulsionado as receitas do HSBC uma década após o banco vender sua operação brasileira. A receita com clientes brasileiros cresceu 20% no ano passado e mais 37% no primeiro semestre deste ano.

- IA na mira da Europa. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse que a Europa precisa acelerar a adoção da inteligência artificial para não perder espaço para outras economias. Segundo ela, empresas da zona do euro devem direcionar cerca de 9% de seus investimentos à IA neste ano.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (18/08): Dow Jones Industrials (-0,22%), S&P 500 (-0,69%), Nasdaq Composite (-1,33%), Stoxx 600 (-0,69%), Ibovespa (-0,27%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

• C6 planeja entrar em vale-refeição com operação própria no 2º semestre, diz CEO

• Braskem Idesa entra com pedido de Chapter 11 nos EUA para reestruturar dívida

• Nvidia negocia com desconto de até 50% por temor exagerado com riscos de IA, diz BofA

• Também é importante: Durigan vê receio do mercado financeiro como legítimo: ‘tem que melhorar o fiscal’ | A volta das ‘baleias’: grandes investidores compram US$ 2,8 bi em bitcoin após quedas

• Opinião Bloomberg: No LinkedIn, profissionais reescrevem o passado para competir pelos empregos do futuro

• Para não ficar de fora: Magnata venezuelano promove acordos de petróleo com os EUA sob lema ‘America First’

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Além da Casas Bahia: juros altos e fluxo menor nas lojas colocam o varejo sob pressão

19 de Agosto de 2026, 06:00

Uma onda de recuperações judiciais atingiu players relevantes do varejo brasileiro e expôs o impacto negativo do cenário de juros de duplo dígito na economia real. Ligados ao comércio de bens duráveis, os segmentos de eletrodomésticos, eletroeletrônicos, móveis e decoração são os mais afetados pela atual fase da crise de liquidez.

Casas Bahia, Marabraz e Grupo Toky (dono das marcas Tok&Stok e Mobly) são os nomes mais recentes da série de companhias de atuação nacional que recorreram à Justiça para evitar uma execução antecipada de dívidas e pedidos de falência.

⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Esse movimento se acelerou na virada para o segundo semestre, quando a política monetária restritiva adotada pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias elevou as despesas financeiras das empresas e acendeu o alerta no mercado sobre a crescente inadimplência de consumidores e empresas, com reflexos nos balanços do segundo trimestre dos maiores bancos do país.

Leia mais: Casas Bahia protocola recuperação judicial após quatro anos de alerta do mercado

O analista Joseph Giordano, do JPMorgan, destacou em relatório os argumentos apresentados pela Casas Bahia no pedido de recuperação judicial. A varejista cita a dificuldade de obter linhas de curto prazo para financiar capital de giro num mercado de crédito restrito.

Para o banco, o caso não se generaliza, mas serve de alerta para companhias que precisam rolar passivos curtos com balanços com estruturas de capital pressionadas, ou seja, dívida alta em relação à geração de caixa.

“Ainda que não seja aplicável de forma generalizada, acreditamos que varejistas que precisem refinanciar passivos de curto prazo e necessidades de capital de giro podem enfrentar condições de crédito desafiadoras, sobretudo aquelas com balanços mais alavancados”, escreveu Giordano.

“No nível das ações, isso deve se traduzir em uma posição competitiva melhor para o Magazine Luiza, especialmente no canal físico, em que a Casas Bahia é uma concorrente de escala semelhante.”

O varejo brasileiro apresentou um cenário desafiador em julho. O fluxo de consumidores recuou tanto nas lojas de shoppings centers quanto nas lojas de rua na comparação com o mesmo mês do ano passado, apontou o IPV (Índice de Performance do Varejo), da HiPartners, gestora e investidora em retail techs no Brasil.

Nas lojas de shoppings, o fluxo de visitação caiu 2% em relação a julho de 2025. Já nas lojas de rua, a retração no movimento foi mais acentuada, de 12,6%

Mesmo com o ciclo de corte de juros em curso, a Selic segue em 14% ao ano, e a inflação acumulada em 12 meses está em 4,4%, perto do teto da meta oficial.

A busca crescente por proteção judicial pelas empresas coincide com a evolução do aperto monetário. O ciclo de alta mais recente da taxa Selic começou em setembro de 2024, quando o Banco Central interrompeu um período de quedas e elevou os juros em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 10,50% para 10,75% ao ano.

O Copom (Comitê de Política Monetária) iniciou o atual ciclo de corte na taxa básica de juros em março, quando reduziu a taxa para 14,75% ao ano, realizando mais três cortes de 0,25 ponto percentual (abril, junho e agosto).

Em 2025, o Brasil registrou 2.466 empresas envolvidas em recuperações judiciais, alta de 13% em relação às 2.184 registradas no ano anterior e o maior número da série histórica, segundo dados da Serasa Experian.

Do lado das famílias, o quadro é visto como desafiador: 82% delas estão endividadas, o maior nível da série histórica da CNC (Confederação Nacional do Comércio), com comprometimento de renda próximo de 30%.

“A queda no fluxo não é um fenômeno isolado do varejo. Ela conversa diretamente com o cenário macroeconômico”, escreveu Flávia Pini, sócia da HiPartners, em nota.

Apesar da queda do fluxo, o faturamento apresentou crescimento nos dois formatos, indicando que a elevação do tíquete médio ajudou a compensar parte da menor circulação de consumidores.

Segundo a HiPartners, esse movimento é acompanhado por uma alta de cerca de 0,8% no tíquete médio geral, com elevação de 1,5% nas lojas de rua e de 2,5% nos shoppings.

“Isso significa que cada visita à loja física precisa converter mais, e é exatamente aí que a tecnologia: dados, personalização e crédito inteligente na ponta, deixa de ser diferencial competitivo e passa a ser condição de sobrevivência”, escreveu Pini.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica) ainda não divulgou os dados do varejo em julho.

Crise na Casas Bahia

O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia é o novo capítulo na sequência de casos de estresse corporativo que leva preocupação aos investidores. As ações da varejista (BHIA3) desabaram mais de 33% na segunda-feira (16).

Com anúncio de demissões de milhares de funcionários e fechamento de lojas, investidores buscam estimar o impacto tanto no varejo como nos resultados das administradoras de centros comerciais.

“Embora os shoppings representem apenas uma pequena parcela das operações da Casas Bahia, as operadoras de shoppings do Brasil têm melhorado ativamente seu mix de lojas nos últimos anos, reduzindo a exposição a varejistas com baixo desempenho”, citou o Citi em relatório.

Segundo o banco, considerando o portfólio das principais operadoras de capital aberto (Allos, Iguatemi e Multiplan), foram identificadas lojas da Casas Bahia em 19 shoppings da Allos em julho, tornando a Allos a empresa mais exposta.

A Iguatemi e a Multiplan tinham apenas uma loja da Casas Bahia cada, localizadas no Shopping Esplanada, no interior paulista (entre Sorocaba e Votorantim) e no ParkJacarepaguá, no Rio de Janeiro, respectivamente.

Duas lojas da bandeira Ponto (ex-Ponto Frio), também do Grupo Casas Bahia, fecharam no BarraShopping na Barra da Tijuca e no ParkShopping em Campo Grande, ambos da Multiplan no Rio de Janeiro.

Demissões e fechamento de lojas

Há mais de cinco décadas em atividade, a rede de lojas Marabraz, especialista em móveis no segmento popular, ajuizou pedido de recuperação judicial neste mês, citando os “desafios enfrentados pelo setor varejista e com objetivo de preservar a continuidade de suas atividades”.

Segundo a companhia, a medida representa uma “decisão responsável” para promover a reestruturação da operação, organizar compromissos e criar condições para a continuidade dos negócios.

Leia mais: Tok&Stok e Mobly cortam 15,6% do pessoal em cinco meses, aponta administradora judicial

“O processo terá como prioridades a preservação de empregos e manutenção das relações construídas ao longo de sua história com clientes, fornecedores e parceiros”, afirmou a varejista em nota.

Já o Grupo Toky, holding que controla as varejistas de móveis e decoração Mobly e Tok&Stok desde 2024, teve um prejuízo líquido de R$ 232,7 milhões no segundo trimestre, após pedir recuperação judicial em maio.

Em cinco meses, até maio, o Grupo Toky cortou 15,6% do pessoal das duas marcas. Houve a redução de 400 postos de trabalho, resultado da diferença entre 733 rescisões contra 333 admissões, segundo a administração judicial.

“O desempenho do Grupo Toky no segundo trimestre foi moldado por um cenário macroeconômico severamente restritivo, caracterizado pela manutenção de taxas de juros elevadas, pelo alto endividamento das famílias e pela escassez de crédito, fatores que pressionaram diretamente o consumo no setor de móveis e decoração”, resumiu o conselho de administração da companhia em relatório.

As ações do Grupo Toky acumularam desvalorização de 92% em 2026 e perdas de 94% em 12 meses.

Diferenças regionais da crise

No cenário nacional, o faturamento do varejo teve queda de 0,2%, segundo o índice de julho da HiPartners. O comportamento regional, porém, reforça a heterogeneidade do desempenho do setor.

O Centro-Oeste apresentou alta de 37,50% no fluxo das lojas físicas e crescimento de 1,12% no faturamento. No Sul, mesmo com retração de 1,50% na visitação, o faturamento avançou 6,20%, maior alta entre as regiões analisadas.

O Sudeste também registrou aumento de 2,09% no faturamento, apesar da redução de 5,60% no fluxo. No Norte, o movimento nas lojas físicas recuou 31,20%, enquanto o faturamento cresceu 0,47%.

Já o Nordeste verificou elevação de 7,60% no fluxo, mas queda de 5,04% no faturamento.

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VidCon 2022: fomos ao maior evento de TikTokers e YouTubers do mundo

26 de Junho de 2022, 18:58

A VidCon, maior conferência para criadores de conteúdo para redes sociais do mundo, aconteceu nesta última semana em Anaheim, cidade vizinha a Los Angeles, nos Estados Unidos.

O evento, que teve o TikTok como o maior foco, voltou a acontecer presencialmente depois de um hiato de três anos por causa da pandemia. Lá, se reuniram alguns dos criadores das contas mais seguidas da plataforma, como o senegalês Khaby Lame, de apenas 22 anos, que se tornou o usuário com mais seguidores no TikTok sem emitir uma só palavra. Ele tem hoje 143,5 milhões de seguidores e gera dezenas de milhões de visualizações diárias em seus vídeos.

Nós da Bloomberg Línea, que temos um dos maiores canais de notícias da plataforma no Brasil, não poderíamos ficar de fora: nosso coordenador de vídeos e podcasts, Alan Blanco, foi até a Califórnia para conferir as principais novidades e insights do setor - e também descobrir o que está em alta entre os principais influenciadores digitais do globo.

Confira o TikTok (obviamente) que ele fez sobre o evento:

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Real e peso colombiano: as moedas de LatAm com maior carry trade, segundo o Goldman

Duas moedas se destacam entre as moedas da América Latina por oferecerem alto carry trade com uma relação mais favorável em relação ao risco, de acordo com o novo mapa de fatores cambiais elaborado pelo Goldman Sachs.

O banco comparou 26 moedas por meio de sete fatores que abrangem carry trade, sensibilidade às ações, dívida pública, posição de investimento internacional, energia, metais e reversão à média. O objetivo não é elaborar um ranking absoluto de moedas, mas identificar quais combinações funcionam melhor sob diferentes condições macroeconômicas.

Os números do mapa do Goldman não representam percentuais nem retornos, mas sim o peso atribuído a cada moeda dentro de cada fator: quanto maior o valor positivo, maior a exposição a essa característica. Na América Latina, as diferenças são amplas.

Colômbia e Brasil lideram o fator carry trade, com o peso colombiano (USDCOP) e o real (USDBRL) em 28,7 e 26,5, respectivamente. O peso mexicano (USDMXN) registra 9,2 e o sol peruano (USDPEN) 3,1, enquanto o peso chileno (USDCLP) aparece com -2,2. Em termos de sensibilidade ao risco acionário, o peso chileno lidera o grupo regional com 14,5, seguido pelo real com 9,8.

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Alto carry com melhor relação em relação ao risco

O carry trade mede, de forma simplificada, o rendimento que pode ser obtido pela diferença implícita nas taxas ao manter uma moeda em relação a outra. Normalmente, as moedas com maior carry também são mais vulneráveis quando aumenta a aversão ao risco. O Goldman Sachs busca justamente as exceções a essa relação.

Stuart Jenkins, analista do banco, afirma que “geralmente há moedas que são ‘exceções à regra’ e que vão contra a corrente dessas correlações e, em termos práticos, essas costumam gerar as oportunidades mais interessantes de cobertura e negociação para os mercados de câmbio”.

O real apresenta um peso de 26,5 no carry trade contra 9,8 no risco acionário. O peso colombiano apresenta uma diferença ainda maior, com 28,7 no carry trade e 5,3 no risco. Nas análises do Goldman Sachs, ambas as moedas estão entre as que oferecem a melhor compensação entre carry e cobertura contra o risco.

Essa diferença se reflete no fator combinado Carry/Risk-Off medido pelo banco. A Colômbia atinge um peso de 22,9, o maior entre as moedas latino-americanas analisadas, e o Brasil chega a 16,3. O Peru registra 6,6 e o México apenas 0,7, enquanto o Chile cai para -16,4. O fator busca preservar o carry e, ao mesmo tempo, reduzir a exposição a episódios adversos.

Jenkins argumenta que uma estratégia de carry não deve buscar apenas as moedas que oferecem maior rendimento. Também deve levar em conta o quanto elas podem ser afetadas quando a tensão nos mercados aumenta, com o objetivo de preservar parte desse atrativo sem assumir uma exposição excessiva ao risco.

Leia também: Dólar em queda impulsiona moedas da América Latina; peso colombiano lidera valorização

Sol peruano em destaque – por outros motivos

O Peru se diferencia por outros fundamentos. O sol tem um peso de -3,7 no risco acionário, em comparação com valores positivos de 14,5 para o Chile, 9,8 para o Brasil, 8,6 para o México e 5,3 para a Colômbia. Também registra 13,8 no fator da dívida pública, o que favorece as moedas de economias com menores índices de dívida em relação ao PIB.

Sua característica mais marcante aparece nos metais. O peso do sol atinge 24,7 nesse fator, pouco abaixo dos 25,2 do peso chileno e bem acima do Brasil, da Colômbia e do México. O Goldman Sachs atribui ponderações maiores nesse indicador às moedas de economias com maiores exportações líquidas de metais em relação ao PIB.

O Chile oferece o contraste mais nítido. Sua exposição aos metais é elevada, mas combina um carry negativo de -2,2 com a maior sensibilidade às ações entre as cinco moedas latino-americanas, de 14,5. O México ocupa uma posição mais intermediária, com carry de 9,2 e risco de 8,6.

Em termos simples, o sol peruano se destaca mais por sua menor exposição ao risco e sua ligação com os metais do que pelo rendimento do carry trade. O Chile compartilha essa força ligada aos metais, embora com maior sensibilidade às oscilações dos mercados, enquanto o México oferece um perfil mais equilibrado entre rendimento e risco.

Leia também: Investidores estrangeiros reduzem exposição ao Brasil com o aumento do risco eleitoral

Combinação de vários fatores

O Goldman Sachs também analisa o carry trade em conjunto com a posição de investimento internacional líquida (NIIP), que mede os ativos financeiros que um país possui no exterior, deduzidos seus passivos perante o exterior. As moedas com uma posição mais sólida podem oferecer proteção quando os fluxos internacionais de capital se retraem.

No fator combinado Carry/NIIP, a Colômbia obtém 17,0 e o Brasil 16,3, contra 2,4 do México. O Peru e o Chile registram valores negativos de -3,1 e -5,7. O Goldman Sachs coloca precisamente o real e o peso colombiano entre as moedas que permitem manter um carry trade atraente diante de episódios de retirada de capital global.

Em outras palavras, o Brasil e a Colômbia não se destacam apenas pelo rendimento associado ao carry trade. De acordo com o modelo do Goldman Sachs, eles também mantêm uma posição relativamente favorável quando se leva em conta o risco de retirada de capital internacional e de os investidores buscarem reduzir sua exposição a determinados mercados.

Assim, não há uma única opção vencedora para todas as circunstâncias. O Brasil e a Colômbia apresentam a combinação mais forte de carry e determinadas medidas de proteção contra riscos; o Peru oferece menor sensibilidade ao mercado de ações e exposição aos metais. O desempenho final dependerá de qual fator dominar o mercado cambial em cada fase.

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C6 planeja entrar em vale-refeição com operação própria no 2º semestre, diz CEO

18 de Agosto de 2026, 15:30

O C6 Bank vai emitir vale-alimentação e vale-refeição em operação própria a partir do segundo semestre, segundo revelou o CEO e fundador Marcelo Kalim à Bloomberg Línea.

O movimento vem depois de um semestre em que o banco digital, que tem o JPMorgan Chase como sócio, registrou lucro líquido de R$ 1,257 bilhão, alta de 20% sobre os R$ 1,049 bilhão do primeiro semestre de 2025, e ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido médio) de 38%.

Multibenefícios corporativos não figuravam entre os serviços operados diretamente pelo banco. A abertura veio de uma mudança nas regras do setor, que permitiu a qualquer credenciadora processar transações de cartões de benefício mediante cobrança de taxa. Até então, cada emissora mantinha rede própria de estabelecimentos, e o cartão só circulava dentro dela.

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Na prática, a exigência de ter rede própria funcionava como barreira de entrada. Com ela derrubada, quem não credencia restaurantes e supermercados passa a conseguir operar como agente emissor do benefício.

Kalim afirmou que a operação não depende de licença específica e que a exigência remanescente é o cumprimento das regras do PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador).

“Com a desregulamentação dessa área, que abriu a adquirência para todos, nós vamos entrar nesse segmento no segundo semestre”, disse Kalim.

A receita não virá da emissão isolada. O banco pretende amarrar o benefício aos serviços que já vende à mesma empresa, com saldo e movimentação visíveis no aplicativo em que ela opera conta, pagamentos e crédito.

É a mesma lógica que sustenta o restante da oferta empresarial, na qual cada produto adicional aprofunda um relacionamento existente em vez de abrir um novo.

“Faremos isso integrado à nossa oferta bancária. No nosso próprio app, será possível ver o saldo”, afirmou o executivo, que considera o desenho atraente para o cliente empresarial.

A frente empresarial vem sendo adensada há mais de um ano. A carteira de crédito expandida do C6 alcançou R$ 99,8 bilhões em junho, avanço de 38% em 12 meses, com pessoa jurídica respondendo por 11% do total, atrás de consignado público e privado (45%), financiamento de veículos (30%) e empréstimo para pessoa física (13%).

Neste ano, o banco estendeu à PME (pequena e média empresa) o atendimento e a solução de problemas por WhatsApp, recurso que já operava na pessoa física.

“PJ é para nós um segmento bastante importante”, disse Kalim, que descreve a área como uma das de maior crescimento e boa rentabilidade no banco, com espaço para continuar avançando.

O banco oferece às empresas tanto o aplicativo quanto o internet banking, este último com transferência de arquivos e alçadas múltiplas de aprovação, funcionalidades que companhias maiores costumam exigir.

O uso efetivo, porém, ficou concentrado no telefone celular, e Kalim aponta esse comportamento como um dos fatores de ganho de participação no segmento.

“É impressionante que mais de 95% de tudo o que é transacionado seja transacionado via app”, afirmou.

Os demais indicadores do semestre reforçam o quadro. As captações totais somaram R$ 125,6 bilhões em junho, alta de 34% em um ano, com depósitos à vista crescendo cerca de 24% e captações a prazo, 36%.

O índice de eficiência, que mede quanto o banco gasta para gerar receita, ficou em 42%, melhora de 4 pontos percentuais na comparação anual, com receita líquida de R$ 6,268 bilhões e despesas operacionais de R$ 2,611 bilhões.

Com R$ 170,4 bilhões em ativos totais, o C6 passou a ser classificado como banco S2 na segmentação do Banco Central, o mesmo grupo dos maiores conglomerados do país abaixo do topo.

O Índice de Basileia, que mede a folga de capital diante dos riscos assumidos, encerrou junho em 12,6%, ante 13,7% um ano antes. O Loan-to-Deposit Ratio, relação entre carteira de crédito e depósitos, ficou em 79%.

O que a inteligência artificial faz hoje

Indagado sobre o gasto crescente das companhias com inteligência artificial e a cobrança de retorno por parte dos analistas, Kalim recorreu ao ciclo do blockchain de 2018. Recebeu cerca de 50 apresentações sobre a tecnologia e, segundo ele, nenhuma respondeu à pergunta que fazia a todas: por que aquilo seria melhor na prática. A segurança não era superior, o custo não era menor, e o assunto saiu de cena.

“IA tem esse mesmo problema. O hype é igual, a natureza é diferente”, disse o executivo, que atribui valor à tecnologia e situa a diferença no fundamento, não na expectativa criada em torno dela.

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O uso atual, na descrição dele, está limitado a ganho de produtividade humana. Montar uma apresentação com auxílio de IA ficou 10 vezes mais fácil do que fazê-la no PowerPoint, comparação que ele estende ao desenvolvimento de código: a ferramenta acelera o profissional, não o substitui.

O banco colocou recursos de inteligência artificial no aplicativo para o usuário final há cerca de dois anos, antes dos grandes bancos de varejo.

“Ainda não estamos no ponto em que eu, no banco, tenha uma IA de várias agências e nenhum funcionário. Estamos longe disso”, afirmou.

A exposição de dados de clientes aparece como restrição declarada. O processamento ocorre em ambiente fechado, dentro dos provedores de nuvem que já hospedam as bases do banco, o que reduz o cardápio de modelos disponíveis a um subconjunto autorizado.

“Não conseguimos usar todas as tecnologias disponíveis, mas sim aquelas que esses provedores julgam confiáveis dentro do ambiente deles, para não expor os dados dos nossos clientes”, disse Kalim.

Sobre vulnerabilidades associadas aos modelos mais recentes, classificou a preocupação como legítima, mas ainda não materializada, porque nenhum agente executa hoje, no banco, tarefa antes atribuída a pessoas. Essa é, na avaliação dele, a próxima revolução, com chegada estimada entre seis meses e dois anos.

Inadimplência e o desenho macro

O tema que dominou a temporada de balanços também aparece nos números do C6. O NPL 90+ (créditos vencidos há mais de noventa dias) subiu de 3,2% em junho de 2025 para 3,6% em junho de 2026, puxado pelo crescimento do consignado privado. Excluído o efeito da nova regulamentação sobre critérios de baixa para prejuízo, o indicador seria de 2,6%.

A despesa com provisão para devedores duvidosos acompanhou o movimento e passou de R$ 996 milhões para R$ 2,372 bilhões na mesma comparação, pela razão registrada no documento: a carteira de consignado privado exige mais provisionamento. É a contrapartida contábil do produto que sustentou boa parte da expansão do crédito no período.

Kalim descolou a alta do calendário eleitoral. Para ele, a variável política tem correlação com o preço dos ativos, não com o indicador de crédito, que decorre da combinação vigente há alguns anos: afrouxamento fiscal, com gasto público em alta, somado a aperto monetário.

Empresas endividadas encontram mais dificuldade para pagar, e o comprometimento da renda das famílias está no topo da série histórica.

“O que leva à inadimplência é uma política fiscal leniente com uma política monetária apertada. Isso é ruim para a economia, na minha opinião”, afirmou.

O ciclo de alta deve atravessar o segundo semestre e alcançar o primeiro semestre de 2027, refletindo as concessões atuais. Sobre a eleição presidencial, Kalim avaliou que a reeleição do presidente Lula provavelmente não alteraria o quadro e que, na hipótese de outro candidato, ainda não é possível saber.

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Mercado exagera no grau de favoritismo de Lula na eleição, diz Eurasia

Banco digital reporta lucro de R$ 1,257 bilhão no primeiro semestre, alta de 20%, e carteira de crédito expandida avança 38%, para R$ 99,8 bilhões (Foto: Divulgação/C6 Bank)

O exagero no favoritismo de Lula, segundo a Eurasia

18 de Agosto de 2026, 06:55

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia a campanha como favorito na corrida presidencial de 2026, mas o grau de favoritismo embutido nas expectativas do mercado está exagerado em relação ao que os indicadores têm mostrado.

A avaliação é de Christopher Garman, diretor para as Américas da Eurasia, em entrevista ao podcast Radar Eleitoral, da Bloomberg Línea, programa semanal para debater os temas relacionados às eleições em outubro que impactam a economia e os mercados.

A cautela de Garman vem de um descompasso raro nos modelos da Eurasia: a aprovação de Lula e o histórico eleitoral apontam uma vantagem para o presidente, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal opositor, tem mais aderência aos temas no topo das preocupações dos brasileiros, como segurança pública e estagnação econômica.

“Nas últimas três eleições que a Eurasia acertou, os dois modelos apontavam na mesma direção. Nesta eleição, eles apontam em direções opostas”, disse Garman.

⇒ Leia a reportagem: Mercado exagera no grau de favoritismo de Lula na eleição, diz Eurasia

Christopher Garman: modelos apontam em direções opostas. (Foto: Bloomberg Línea)

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta terça-feira (18), pressionadas pela alta dos juros de longo prazo e do petróleo, o que tende a reduzir o apetite dos investidores por ativos de risco.

- Impasse em Ormuz. O presidente Donald Trump disse que não irá retomar a trégua com o Irã, enquanto os dois países mantêm posições divergentes sobre o controle do estreito. Ataques a navios e a escalada da retórica reduzem as perspectivas de um acordo para normalizar o tráfego no Estreito de Ormuz.

- Braskem Idesa sob pressão. A petroquímica mexicana entrou com pedido de Chapter 11 nos EUA após meses de pressão de liquidez. A empresa fechou acordo com credores para reduzir a dívida em mais de US$ 920 milhões e espera concluir a reestruturação em até 90 dias.

- Desigualdade de gênero em IA. Mulheres ocupam apenas 13% dos cargos executivos no setor de inteligência artificial e 27% das funções de IA nessas empresas, segundo relatório do LinkedIn. A disparidade pode limitar oportunidades e ampliar o risco de vieses à medida que a tecnologia ganha espaço.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (17/08): Dow Jones Industrials (-0,51%), S&P 500 (-0,52%), Nasdaq Composite (-0,32%), Stoxx 600 (-0,22%), Ibovespa (-0,09%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

• OpenAI avança no Brasil e diz que país está entre os cinco maiores mercados em receita

• Petrobras: descoberta confirma expectativas de petróleo na Margem Equatorial, diz CEO

• Como a crise da Casas Bahia afeta a parceria com o Mercado Livre, segundo o Citi

• Também é importante: Com Pritzker e Moreira Salles, family offices acumulam US$ 3,8 bi em ações da SpaceX | Shein reduz meta de valuation para até US$ 27 bilhões antes de IPO em Hong Kong

• Opinião Bloomberg: Apreço por risco? Geração Z usa apostas esportivas como forma de investimento

• Para não ficar de fora: Primeiro elétrico da Ferrari, Luce é vendido por US$ 40 mi e bate recorde em leilão

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

OpenAI avança no Brasil e diz que país está entre os cinco maiores mercados em receita

18 de Agosto de 2026, 05:00

Um dos maiores mercados em números de usuários para a OpenAI no mundo, o Brasil também ocupa um dos primeiros lugares entre os países que mais geram receita para a companhia. A posição e o rápido crescimento tem feito com que a dona do ChatGPT amplie os investimentos e a atenção em direção ao país.

“O Brasil está, definitivamente, no top 5”, afirmou à Bloomberg Línea Oliver Jay, VP internacional de Estratégia e Operações da OpenAI, durante almoço com jornalistas brasileiros. “A taxa de assinatura é bastante alta. É um mercado muito forte.”

De acordo com reportagem da Bloomberg News, a receita anualizada global da OpenAI está a caminho de superar US$ 40 bilhões. Em 2025, a receita foi superior a US$ 20 bilhões.

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Segundo novos dados apresentados pela companhia, o número de usuários brasileiros quase dobrou em relação ao ano de 2025, mantendo a posição entre os três maiores mercados em usuários, atrás dos Estados Unidos e da Índia. E a quantidade de mensagens diárias saltou de cerca de 140 milhões em novembro do ano passado para algo em torno de 215 milhões, alta de 53,57%.

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Entre os desenvolvedores que usam a API da OpenAI, o país aparece em segundo lugar, além de ser o maior mercado para o Codex, a plataforma de criação de códigos da empresa, na América Latina.

Oliver Jay, da OpenAI: Uma grande parte das equipes que estamos contratando são engenheiros de implementação, que ajudam as empresas a realmente extrair valor

A operação brasileira registrou também expansão acelerada na divisão de enterprise, que cresceu cinco vezes no último ano, impulsionado pelo uso de agentes de inteligência artificial.

“Eu diria que onde estamos investindo muito é em parcerias com empresas, para que possamos pegar um pouco do nosso conhecimento, lições aprendidas e melhores práticas e levá-los para dentro dessas empresas”, afirmou Jay.

“Às vezes, as empresas precisam de uma ajuda, e é por isso que estamos construindo uma presença local aqui. Uma grande parte das equipes que estamos contratando são engenheiros de implementação, que ajudam as empresas a realmente extrair valor”, disse o executivo.

Entre os clientes conhecidos, o vice-presidente cita o Itaú, que usa o ChatGPT em toda a operação, e o Nubank, que está desenvolvendo “private banker” digital, movido por IA, para levar conhecimento sobre investimentos a uma audiência maior.

“Isso exige um nível muito mais alto de entendimento sobre como gerenciar esses modelos e aplicar os guardrails corretos. Essa é outra área em que estamos investindo muito para trazer essa expertise de implementação para o mercado”, afirmou. “Você verá que um número significativo de vagas que estamos abrindo aqui será para essa função.”

As declarações do executivo ocorrem no momento em que a OpenAI e a sua concorrente Anthropic, do chatbot Claude, se preparam para realizar uma oferta inicial de ações (IPO) em Nova York. As empresas disputam uma corrida por clientes e receitas para sustentar um alto volume de investimentos em poder computacional.

As estratégias para seguir crescendo

O executivo veio ao país com uma comitiva da OpenAI no Brasil para conversas com companhias locais.

A OpenAI também está anunciando parcerias de letramento, oferecendo acessos a ferramentas para instituições como o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), a Prodam (Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo), a USP, Estímulo, plataforma de apoio a pequenos empreendedores, e a Enter, legaltech que se tornou o primeiro unicórnio de IA da Latina América.

De acordo com Jason Kwon, Chief Strategy Officer da OpenAI, o crescimento local, onde a companhia já tem escritório desde o ano passado, percorrerá um caminho já testado em outros mercados.

“Tendemos a ser muito cautelosos e começar com uma equipe principal que recrutamos localmente para, a partir daí, crescer. Não estabelecemos metas específicas de número de funcionários ou algo do tipo”, disse, ao ser questionado sobre os investimentos locais.

O executivo, que participou da conversa por videoconferência, comentou que a oferta do serviço gratuito é uma parte central da estratégia para seguir avançando no mercado.

“Isso é importante porque as pessoas precisam entender que a tecnologia vai beneficiá-las, mesmo que não estejam pagando por elas. A partir daí, começamos a pensar em assinaturas, anúncios e em como ajudar pequenos negócios, desenvolvedores e grandes empresas. Não é o caso de escolhermos ou favorecermos uma dessas vertentes, mas sim de que cada uma delas deve reforçar as outras”, continuou.

Processamento local?

O americano também foi questionado sobre o uso de infraestrutura local para o processamento de dados, à medida que as discussões sobre soberania digital avançam pelo mundo.

Frente a decisões intempestivas do governo de Donald Trump, há um crescente receio globalmente em relação à dependência que os demais países têm, uma vez que os seus dados são processados majoritariamente nos Estados Unidos.

No caso do Brasil, de acordo com o Ministério da Fazenda, 60% do consumo são processados fora do país, principalmente nos Estados Unidos.

Kwon disse que a companhia está aberta a conversas em várias regiões do mundo, e que o volume de uso local é um dos fatores que orientam essas decisões — sem confirmar planos concretos para o país.

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© SeongJoon Cho

A receita anualizada global da OpenAI está a caminho de superar US$ 40 bilhões, segundo reportagem da Bloomberg News (Foto: SeongJoon Cho/Bloomberg)

Como a crise da Casas Bahia afeta a parceria com o Mercado Livre, segundo o Citi

17 de Agosto de 2026, 22:12

O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3), protocolado neste segunda-feira (17), acendeu alertas sobre os reflexos para o setor varejista e para seus concorrentes diretos.

Em relatório assinado pelos analistas João Pedro Soares e Felipe Husein, o Citi classificou o impacto sobre a gigante Mercado Livre (MELI) como marginalmente negativo, embora enxergue alguns aspectos positivos no médio prazo.

As ações da Mercado Livre chegaram caíram mais de 3% na Nasdaq, enquanto a Magazine Luiza (MGLU3), concorrente histórica da Casas Bahia, viu suas ações dispararem 8,18% na B3.

Procurada pela reportagem, a Mercado Livre informou que “neste momento a parceria comercial com o Grupo Casas Bahia segue ativa e operando normalmente na plataforma”.

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O grupo varejista entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida de R$ 17,3 bilhões, após uma tentativa frustrada de captar recursos com investidores internacionais.

A companhia atribui a decisão à “deterioração das condições econômico-financeiras”, marcada por juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e capital de giro.

Leia também: Casas Bahia protocola recuperação judicial após quatro anos de alerta do mercado

Para o Citi, o impacto sobre a Mercado Livre é marginalmente negativo, principalmente devido à parceria estratégica firmada entre as duas empresas em novembro de 2025.

O acordo previa que a Casas Bahia vendesse eletrodomésticos, eletrônicos e móveis dentro da plataforma da Mercado Livre, suprindo uma lacuna histórica no sortimento da plataforma, especialmente em categorias de produtos volumosos e pesados.

A parceria era vista como estratégica para a Mercado Livre escalar a venda de eletrodomésticos, um segmento em que tradicionalmente tem baixa penetração.

O Citi aponta que a Casas Bahia tem participação pequena no mercado digital brasileiro, de 2% no marketplace (3P) e menos de 5% no total de vendas online, com aproximadamente 1 milhão de usuários ativos diários, contra cerca de 6 milhões da Magazine Luiza, que tem parceria com o gigante chinês AliExpress desde 2024.

O copo meio cheio

O relatório do Citi também enxerga aspectos positivos. Com a recuperação judicial, o modelo 1P (venda direta) da Mercado Livre poderá se beneficiar da melhoria nas negociações com fornecedores, já que a plataforma poderá absorver parte da fatia de mercado da Casas Bahia.

No primeiro trimestre de 2026, a Mercado Live indicou que, apesar de ainda impactar negativamente as margens, estas têm melhorado consistentemente devido à escala e à tecnologia implementada para melhor gerenciar compras, preços e estoques. O modelo 1P da Mercado Livre alcançou contribuição direta positiva em 2024.

Leia também: Mercado Livre e Casas Bahia acertam parceria para compartilhar rede logística

O Citi também menciona que, em um cenário de taxas de juros mais favoráveis, a Casas Bahia poderia ressurgir como um player mais relevante no mercado, embora sua presença seja relativamente modesta hoje .

O que esperar da recuperação judicial

A Casas Bahia já havia passado por uma recuperação extrajudicial em 2024, renegociando cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com Banco do Brasil e Bradesco . O plano alongou o prazo médio da dívida de 22 meses para 72 meses e reduziu em 1,5 ponto percentual o custo médio, mas não foi suficiente para conter a deterioração financeira.

A empresa afirma que pretende manter as operações em todos os canais durante o processo. Na prática, a recuperação judicial serve como uma forma de preservar caixa, suspender execuções e evitar uma corrida individual de credores. A decisão, embora drástica, pode abrir espaço para a varejista reestruturar suas finanças sem a pressão imediata de suas obrigações de curto prazo, segundo analistas.

Para os investidores, o cenário permanece incerto. As ações da Casas Bahia acumulam desvalorização expressiva no ano, e a recuperação judicial tende a manter a pressão sobre os papéis. Para os concorrentes, especialmente o Mercado Livre, o movimento representa um ajuste fino em suas estratégias, com impactos limitados no curto prazo, segundo analistas.

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Casas Bahia, uma das maiores varejistas do país, enfrenta dificuldades financeiras e busca recuperação judicial

Petrobras: descoberta confirma expectativas de petróleo na Margem Equatorial, diz CEO

17 de Agosto de 2026, 21:16

Após anunciar mais uma descoberta de indícios de petróleo na Foz do Amazonas, a Petrobras (PETR3, PETR4) acredita que o potencial de produção na região é significativo.

“Essa descoberta é muito relevante. Tudo dando certo, vai nos ajudar na recomposição das reservas da Petrobras e do país”, disse a presidente da estatal, Magda Chambriard, em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira (17), no Amapá.

A companhia anunciou na sexta-feira (14) que hidrocarbonetos foram identificados por meio de perfis e amostras de rocha no poço exploratório Morpho, na bacia da Foz do Amazonas.

Ela esclareceu que o achado é diferente de uma descoberta comercial. “Temos à frente uma sequência de estudos até chegarmos a uma conclusão. O que sabemos até agora confirma que nós temos razões para otimismo.”

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A diretora executiva de exploração e produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, disse que o maior investimento do projeto é na embarcação da sonda de exploração, que custa cerca de US$ 1 milhão por dia de utilização. No total, já foram desembolsados US$ 300 milhões somente para este fim.

“Faltam mil metros para chegar ao fundo do poço, esperamos terminar o mais rapidamente possível”, afirmou a executiva.

Chambriard acrescentou que a companhia está tocando o maior plano de emergência individual já visto no mundo para perfuração em águas profundas.

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“Não estamos produzindo a qualquer custo, nunca tivemos um único acidente perfurando petróleo em nossa fase exploratória, tanto no pré-sal quanto no pós-sal e em terra. A fase exploratória operada pela Petrobras nunca viu um acidente.”

Segundo ela, o plano de emergência inclui vasto apoio para eventuais incidentes, inclusive para a fauna, com embarcações dedicadas.

A expectativa é que a perfuração do poço termine em 15 dias e, a partir daí, a companhia poderá estudar quanto de petróleo há, de fato, na área. A empresa prevê perfurar mais três poços nesse bloco, após obtenção de licença ambiental.

“Temos outros poços para furar em blocos adjacentes. Este é um esforço exploratório gigantesco, que vai dizer o que o petróleo no offshore do Amapá tem para nos oferecer”, disse a CEO.

Chambriard lembrou que a descoberta mostra a continuidade do Brasil como produtor global relevante. Hoje, segundo a executiva, 80% do petróleo do país vem do pré-sal, com um pico de produção projetado para meados de 2034.

“A partir daí precisamos repor reservas para o país não perder a posição entre os dez maiores do planeta”, disse, acrescentando que hoje o Brasil é o sétimo maior produtor de petróleo bruto do mundo.

O bloco Morpho foi adquirido em 2013 na 11ª rodada de licitação da ANP. “Precisávamos descentralizar o investimento exploratório em benefício do Norte e Nordeste do país, e é isso que estamos fazendo”, disse.

Mais cedo, durante a cerimônia de detalhamento da descoberta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a exploração de petróleo no país, incluindo a Margem Equatorial.

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Vaca Muerta vira referência para a Colômbia avançar na exploração de petróleo e gás

17 de Agosto de 2026, 10:40

Países da América Latina, como a Colômbia, consideram a experiência da Argentina com o fraturamento hidráulico (ou fracking) como uma referência para definir suas próprias políticas sobre o desenvolvimento de hidrocarbonetos não convencionais.

Na América Latina, a Argentina é vista como a principal referência no desenvolvimento comercial de hidrocarbonetos não convencionais, especialmente na formação Vaca Muerta.

A Argentina ultrapassou a Colômbia na produção de petróleo no final de 2024. Enquanto o setor petrolífero da Colômbia encerrou dezembro de 2024 com 755.469 barris de petróleo por dia, a Argentina registrou 765.600 barris de petróleo por dia.

Agora, a Colômbia, sob o governo do ultradireitista Abelardo De la Espriella, busca seguir os passos da Argentina e aprender com as medidas que sua indústria vem implementando.

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“A experiência argentina demonstra que o desenvolvimento de recursos não convencionais exige muito mais do que apenas dispor de um bom recurso geológico”, afirmou à Bloomberg Línea o analista do setor Juan David Orozco Montoya, um experiente engenheiro de petróleo colombiano.

Conforme explicou o analista, que por mais de 27 anos integrou a empresa Halliburton (HALL) como gerente nacional na Colômbia e na Argentina, para desenvolver o fraturamento hidráulico é necessário contar com tecnologia, capital, infraestrutura, mão de obra especializada, regulamentação estável e capacidade institucional.

Na opinião dele, Vaca Muerta, a gigantesca formação de hidrocarbonetos não convencionais da Argentina, demonstra a importância do aprendizado operacional.

Orozco Montoya destacou que a produtividade melhorou graças a ramificações horizontais mais extensas, à otimização das etapas de fraturamento, à redução dos tempos de perfuração e completação e à padronização dos projetos.

Além disso, ele indicou que o crescimento da produção também exige o desenvolvimento de infraestrutura de transporte, armazenamento, processamento, vias, serviços públicos e capacidade logística. “Esses elementos podem se tornar gargalos se não evoluírem no mesmo ritmo que a produção”, afirmou.

Para a Colômbia e o México, ele acrescentou, “a principal lição” é que as decisões devem se basear em informações geológicas, ambientais, econômicas e sociais obtidas por meio de estudos, projetos-piloto, monitoramento e avaliação independente. “Isso permite avançar do debate geral para decisões fundamentadas em evidências”.

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No que diz respeito ao caso específico da Colômbia, destaca-se seu potencial em jazidas não convencionais, apesar dos atuais obstáculos legais.

Ele destaca que a Agência Nacional de Hidrocarbonetos (ANH), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, reconhece esses recursos e tem estudado aspectos relacionados à água, sismicidade, integridade dos poços e gestão ambiental.

No entanto, “a Colômbia ainda não atingiu uma fase de desenvolvimento comercial, pois nem mesmo conseguiu realizar suas perfurações-piloto de pesquisa integral comparáveis às da Argentina. O Conselho de Estado tem uma decisão que deveria permitir que essas perfurações fossem realizadas rapidamente”.

A Câmara Colombiana de Bens e Serviços de Petróleo, Gás e Energia (Campetrol) considera que, para aproveitar esse potencial, será necessário haver estabilidade regulatória, normas ambientais e condições que promovam o investimento.

Marco jurídico

José Luis Palacios, sócio da área de Energia e Recursos Naturais do escritório de advocacia Pérez-Llorca Colômbia, afirma que o fracking na Colômbia não é proibido e possui viabilidade legal e regulatória do ponto de vista do setor petrolífero (dependendo da aprovação das diretrizes técnicas ambientais para a implementação da prática).

O novo governo do ultradireitista Abelardo de la Espriella manifestou seu interesse em permitir essa atividade assim que assumir o cargo.

Palacios explicou que a única via jurídica obrigatória e permitida pela jurisprudência atual é a retomada e o cumprimento rigoroso dos Projetos-Piloto Integrados de Pesquisa (PPII).

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“O Conselho de Estado foi claro ao alertar que a suspensão das normas não impede a realização desses projetos-piloto, desde que sejam conduzidos ‘seguindo rigorosamente as recomendações feitas pela Comissão Interdisciplinar Independente de Especialistas’”, observou ele.

Isso abre um cenário complexo de conformidade com três etapas legais (pré-requisitos, concomitância e avaliação), que inclui a criação de comitês científicos e a definição de linhas de base, tudo isso antes mesmo de se poder discutir a fase comercial.

A Pérez-Llorca Colombia destacou que, para se alcançar a viabilidade comercial, do ponto de vista do direito administrativo e constitucional, seriam necessários, no mínimo, os seguintes marcos simultâneos:

  • Conclusão bem-sucedida dos PPII: superar as fases dos Projetos-Piloto, o que exige desenvolver capacidade institucional, definir a linha de base hidrogeológica, “identificar e compensar os impactos gerados” e obter explicitamente a “licença social para a exploração”.
  • Rejeitar ou arquivar o projeto de lei: que o projeto de lei que visa a proibição definitiva da exploração de jazidas não convencionais não seja aprovado no Congresso.
  • Publicação de diretrizes ambientais. Com essas diretrizes (ato administrativo), seria viabilizada a concessão de licenças ambientais para a execução dos PPII e, eventualmente, de outros projetos dessa natureza.

Potencial

De acordo com dados da Secretaria de Energia da Argentina, divulgados pela Campetrol, em junho de 2026 o país atingiu uma produção de 894.000 barris diários de petróleo e cerca de 5.600 milhões de pés cúbicos diários de gás natural.

Estima-se que 68% do petróleo e 63% do gás produzidos sejam provenientes de jazidas não convencionais.

No mesmo período, a Colômbia produziu cerca de 713.000 barris diários de petróleo e 704 milhões de pés cúbicos diários de gás natural comercializado.

Ou seja, a Argentina produziu 25% a mais de petróleo e oito vezes mais gás do que a Colômbia, consolidando-se como um dos principais produtores de hidrocarbonetos da América Latina graças ao desenvolvimento de seus recursos não convencionais, segundo a Campetrol.

O desenvolvimento de Vaca Muerta impulsionou a criação de uma cadeia de valor industrial em torno do setor energético.

De acordo com o Ministério da Economia da Argentina, o crescimento de Vaca Muerta permitiu que o país registrasse um superávit comercial energético de US$ 2.684 milhões durante o primeiro quadrimestre de 2025, revertendo anos de dependência das importações de energia.

“Essa transformação foi possível graças à combinação de vários fatores: continuidade na política energética, regras claras para o investimento, incorporação contínua de tecnologia, desenvolvimento da infraestrutura de transporte e processamento e uma articulação eficaz entre o governo, as empresas e as comunidades”, responderam porta-vozes da Campetrol em um comunicado.

Na visão da entidade, “a principal lição é que o sucesso não depende apenas dos recursos geológicos, mas da capacidade institucional de desenvolver esses projetos com estabilidade regulatória e rigor técnico”.

Caminho da Argentina

A Campetrol considera que os campos não convencionais representam uma oportunidade estratégica para a América Latina.

Ele defende que esses jazigos permitem aproveitar os recursos próprios para fortalecer a segurança e a soberania energética, reduzir a dependência das importações e melhorar a competitividade econômica.

“A experiência argentina demonstra esse potencial”, reforçou a entidade no comunicado.

No caso da Argentina, o governo continua promovendo investimentos para ampliar a infraestrutura de transporte e exportação de petróleo e gás, incluindo oleodutos, gasodutos e projetos de gás natural liquefeito (GNL).

Segundo explica a Campetrol, esse projeto também exigiu uma visão de longo prazo.

Dados da consultoria McKinsey & Company, citados pela Campetrol, indicam que, para sustentar o crescimento projetado para Vaca Muerta, será necessário incorporar entre 15 e 25 novas perfuratrizes de alta especificação nos próximos cinco anos.

Além disso, será necessário aumentar o investimento anual em perfuração e completação e fortalecer toda a cadeia de suprimentos.

Em 2024, a Tecpetrol, a YPF (YPF) e a Shell Argentina (SHEL) formaram o fórum de desenvolvimento “Redes de Valor”, uma iniciativa voltada para fortalecer a competitividade das pequenas e médias empresas fornecedoras, melhorar a produtividade, promover a inovação e desenvolver talentos locais.

Segundo as empresas, esse espaço visa gerar sinergias entre os programas de desenvolvimento de fornecedores, fortalecer a infraestrutura regional e consolidar uma rede de empresas locais mais competitiva.

A Tecpetrol destacou que, por meio de seu programa ProPymes, vem apoiando o fortalecimento dos fornecedores locais por meio de capacitação, transferência de conhecimento, melhorias na produtividade e desenvolvimento tecnológico, com o objetivo de aumentar a participação das empresas nacionais na cadeia de suprimentos de Vaca Muerta.

Essa estratégia também recebeu o apoio do Estado argentino.

O Programa de Fortalecimento da Cadeia Nacional de Hidrocarbonetos, liderado pelo Governo e pela YPF, visa melhorar a competitividade de mais de 5.000 pequenas e médias empresas fornecedoras, promover a substituição de importações, incorporar tecnologia e fortalecer as capacidades produtivas nacionais.

A Campetrol destaca que os resultados já começam a se refletir nas regiões onde ocorre a exploração de Vaca Muerta.

Por exemplo, ele afirma que o governo de Río Negro informou que, somente no primeiro trimestre de 2026, os grandes projetos de energia geraram US$ 15.902 milhões em compras junto a fornecedores locais, com 103 empresas de Río Negro já integradas à cadeia de suprimentos e 479 empresas registradas para participar dos novos empreendimentos energéticos.

Nesse contexto, a Campetrol acredita que, na Colômbia, o desenvolvimento dos campos não convencionais poderia impulsionar o crescimento das pequenas e médias empresas fornecedoras, atrair investimentos, gerar empregos e promover o desenvolvimento econômico nas regiões onde os projetos são executados.

Em particular, o relatório destaca que regiões como Puerto Wilches e Barrancabermeja poderiam ser algumas das principais beneficiárias de um eventual desenvolvimento dos campos não convencionais, dado o alto potencial identificado no Vale Médio do Magdalena.

Estima-se que esses recursos na Colômbia possam representar cerca de 8.234 milhões de barris de petróleo e 167.000 gigapés cúbicos de gás natural, o que equivale a quatro vezes as reservas comprovadas de petróleo e cerca de 70 vezes as reservas atuais de gás do país.

© Esteban Vanegas

Colômbia, sob o governo do ultradireitista Abelardo De la Espriella, busca seguir os passos da Argentina e aprender com as medidas que sua indústria vem implementando (Foto: Esteban Vanegas)

O efeito GLP-1 na Track&Field

17 de Agosto de 2026, 06:35

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A Track&Field tem observado uma mudança recente no comportamento do seu consumidor. As peças de roupas em tamanhos menores têm ganhado participação nas vendas da rede brasileira de vestuário esportivo.

O movimento ocorre de forma ampla em todas as linhas, tanto em peças femininas quanto masculinas, e a companhia atribui a transformação ao efeito dos análogos de GLP-1, os injetáveis para perda de peso conhecidos como canetas emagrecedoras.

“Já enxergamos um aumento da participação de tamanhos menores na grade. Começa já uma migração para tamanhos menores, tanto masculino quanto feminino”, disse à Bloomberg Línea Fernando Tracanella, CEO da Track&Field desde 2023.

⇒ Leia a reportagem: Track&Field vê migração para tamanhos menores por efeito de canetas emagrecedoras

Varejista de moda esportiva está posicionada no segmento de alta renda, justamente o que tem maior acesso às terapias de emagrecimento. (Foto: Divulgação/Track&Field)

No radar dos mercados

As ações do setor de tecnologia impulsionaram os mercados acionários globais nesta segunda-feira (17) depois que o crescimento da receita da Anthropic reforçou a percepção de que os gastos em inteligência artificial continuarão em alta.- Recuo do aço na China. A produção chinesa da liga metálica caiu em julho, colocando o setor a caminho do menor total anual da década. As siderúrgicas produziram 76,93 milhões de toneladas, uma queda de 3,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior e o menor total mensal registrado em 2026.

- ETFs cripto em baixa. Os fundos de bitcoin negociados em bolsa registraram suas maiores saídas desde o final de junho na semana passada. Os 13 fundos listados nos EUA registraram uma saída líquida de US$ 389,7 milhões na semana de 10 de agosto, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

- Nova aposta em IA. A Alphabet pretende levantar cerca de US$ 3,6 bilhões em sua primeira emissão de títulos na Austrália, segundo fontes a par do assunto ouvidas pela Bloomberg News. Movimento amplia aposta das empresas de tecnologia dos EUA no endividamento para financiar gastos com inteligência artificial.

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🔘 As bolsas na sexta-feira (14/08): Dow Jones Industrials (-0,20%), S&P 500 (-0,17%), Nasdaq Composite (-0,28%), Stoxx 600 (-0,21%), Ibovespa (-0,10%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

• Fim do prestígio? Montadoras europeias perdem espaço para concorrentes locais na China

• Mastercard propõe plano para compensar estragos do Will Bank, dizem fontes

• Alta de preços do açúcar branco impulsiona ainda mais as margens no refino

• Também é importante: Como a vizinhança tornou o Brasil peça vital para a Catena Zapata, segundo Alejandro Vigil | Negócio antes do prato: o plano de expansão que impulsiona o Rico Parrilla em SP

• Opinião Bloomberg: IA barata com os dias contados? Guerra de preços na China parece chegar ao fim

• Para não ficar de fora: Indústria aposta em ‘comida sem cor’ para driblar custo elevado de corantes naturais

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Track&Field vê migração para tamanhos menores por efeito de canetas emagrecedoras

17 de Agosto de 2026, 06:00

A Track&Field tem observado uma mudança recente no comportamento do seu consumidor. As peças de roupas em tamanhos menores têm ganhado participação nas vendas da rede brasileira de vestuário esportivo.

O movimento ocorre de forma ampla em todas as linhas, tanto em peças femininas quanto masculinas, e a companhia atribui a transformação ao efeito dos análogos de GLP-1, os injetáveis para perda de peso conhecidos como canetas emagrecedoras.

“Não posso abrir o número ainda, mas já enxergamos um aumento da participação de tamanhos menores na grade. Começa já uma migração para tamanhos menores, tanto masculino quanto feminino”, disse à Bloomberg Línea Fernando Tracanella, CEO da Track&Field desde 2023.

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A conexão está no fato de a varejista de moda esportiva estar posicionada no segmento de alta renda, justamente o que tem maior acesso às terapias de emagrecimento.

O tratamento com canetas como Ozempic, Wegovy e Mounjaro chega a passar de R$ 2.000 por caixa mensal nas doses mais altas, gasto que se repete enquanto durar o uso.

“Nosso cliente é um cliente talvez com poder aquisitivo um pouco maior. Talvez tenha alguma relação com isso também [uso das canetas emagrecedoras]”, afirmou o executivo, falando sobre as razões por trás da migração para peças menores.

Leia também: Novas canetas para emagrecimento não vão baratear tratamento no Brasil, dizem bancos

Com 448 lojas no país e em Portugal, a rede vem se reorganizando para atender essa rotina inteira do consumidor que busca treinar e manter a alimentação controlada.

Há pouco menos de três anos, o grupo passou a operar em algumas lojas uma operação de venda de comida saudável e suplementação batizada de TFC Food & Market.

O negócio hoje opera em 17 unidades, mais uma loja no escritório da empresa, e as vendas do formato cresceram 34,8% no segundo trimestre, com alta de 29,2% no número de clientes atendidos.

“As lojas com o TFC, as lojas reformadas onde nós colocamos o TFC, tiveram crescimento de 15 pontos percentuais acima das reformadas sem o TFC”, disse Tracanella.

'Lojas reformadas onde nós colocamos o TFC tiveram crescimento de 15 pontos percentuais acima das reformadas sem o TFC', disse

A expansão, ainda assim, é seletiva: a companhia avalia metragem, fluxo e visibilidade antes de liberar cada unidade, e a maior parte dos balcões fora de São Paulo está em franquias, em capitais como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, João Pessoa e Salvador.

“Com muito cuidado. São algumas lojas que realmente fazem sentido, do ponto de vista de tamanho, do ponto de vista de frequência de clientes, do ponto de vista de visibilidade para a marca. Não é uma operação hoje escalável como as lojas físicas”, afirmou o CEO sobre a ampliação do formato.

Suplementos já respondem por cerca de um quarto das vendas do TFC, atrás apenas de comidas, e mesmo assim a rede descarta fabricar os seus, movimento que concorrentes do varejo e da indústria brasileira de proteína vêm fazendo.

A aposta é curar marcas de terceiros e distribuí-las no balcão físico e no TF Mall, o marketplace da companhia, que encerrou junho com 36 marcas ativas, 19 a mais que um ano antes.

Leia também: Pinati vê fibras em snacks como próxima onda de crescimento após faturar R$ 40 mi

“Temos muito foco aqui na parte de vestuário, na parte de experiências, e não temos planos de verticalizar essa parte de suplementação, a parte também de cuidados com a pele”, disse Tracanella.

A mudança no corpo do consumidor chega junto com a fragmentação do varejo esportivo brasileiro. O beach tennis abriu espaço para o tênis, impulsionado pelo efeito do tenista João Fonseca nas transmissões de TV e por empreendimentos imobiliários de alto padrão que passaram a incluir quadra no projeto.

Marcas como Lacoste e Slyce abrem lojas de olho na onda do tênis no Brasil. Já o Grupo Live! e a varejista C&A (com a marca Ace) avançam sobre a categoria athleisure.

Diante desse cenário competitivo, a Track&Field responde com escala e produto. São mais de 40 modalidades cobertas, cerca de 4.000 eventos esportivos previstos para este ano pela TFSports, sua plataforma de inscrição em provas e aulas, e um tênis desenhado para musculação, categoria que cresceu junto com a busca por fortalecimento muscular.

“O mercado cresce numa velocidade que absorve novos entrantes. E do nosso lado, a gente tem que focar muito no nosso trabalho aqui em produto, em inovação, em tecidos mais tecnológicos”, afirmou Tracanella.

Resultado do segundo trimestre

No segundo trimestre, a receita líquida da companhia atingiu R$ 279,7 milhões, um crescimento de 15,5% na comparação anual. A geração de caixa medida pelo Ebitda avançou 15,9% com margem de 23,5%. O lucro líquido ajustado alcançou R$ 44,3 milhões, alta de 8,2% em 12 meses, com margem de 15,8%, evidenciando o crescimento sustentando do negócio de franquias e a eficiência operacional.

O BTG Pactual manteve recomendação de compra para a ação da Track&Field (TFCO4), com um preço-alvo de R$ 19,00 em 12 meses, e classificou o segundo trimestre como ligeiramente acima de suas projeções.

O banco destacou a aceleração sequencial das vendas em mesmas lojas, que vinham de 12,1% no primeiro trimestre, e a estabilidade da margem Ebitda ajustada, sustentada por ganhos em despesas administrativas que compensaram a pressão sobre a margem bruta causada pelo maior peso do canal de franquias no mix de receitas.

A tese positiva se apoia em quatro pilares: modelo asset light, de baixo investimento próprio em ativos e alto retorno sobre o capital, alinhamento com franqueados via royalties sobre a venda ao consumidor final, capilaridade nacional com formato de loja flexível, além do ecossistema de eventos esportivos.

A TFSports segue diluindo resultado, com impacto de 3,8% da receita líquida no Ebitda consolidado, ou 2,2% ajustando o descasamento das receitas de patrocínio, ante 2,4% um ano antes.

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C&A aposta em marca própria de athleisure: ‘Nova avenida de crescimento’, diz CEO

Varejista de moda esportiva está posicionada no segmento de alta renda, justamente o que tem maior acesso às terapias de emagrecimento. (Foto: Divulgação/Track&Field)

Negócio antes do prato: o plano de expansão que impulsiona o Rico Parrilla em SP

16 de Agosto de 2026, 06:00

Na forma tradicional de se pensar em gastronomia, muitos restaurantes nascem na cozinha, da mão de um chef que sonha em ter a própria casa. O Rico Parrilla nasceu por um caminho diferente. Antes de existir uma cozinha, havia um plano de negócio que previa seis unidades nos primeiros cinco anos, um responsável pela estruturação financeira e um modelo desenhado para ser replicado.

O chef foi a última peça a ser encaixada, depois que o arquiteto Mário Bueno, o operador Marcelo Guindani e Rodrigo Riul, responsável pela parte financeira do projeto, já haviam começado a estruturar o negócio.

“O restaurante é o produto, a empresa é o verdadeiro negócio”, resumiu Bueno, um dos sócios do Rico Parrilla, cuja primeira unidade abriu em maio de 2024, à Bloomberg Línea.

A entrevista com Mário Bueno e Flávio Miyamura faz parte da série “Mesa de Negócios” da Bloomberg Línea, que conta histórias em que a gastronomia e o empreendedorismo se entrelaçam de forma destacada no mundo dos negócios no Brasil.

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Bueno, arquiteto que trabalhou na área de engenharia do Burger King com implantação de lojas, e Guindani, com mais de duas décadas de experiência no segmento de carnes, começaram a desenvolver o projeto e chamaram Riul para estruturar a parte financeira e montar o plano de negócio. Miyamura entrou depois para comandar a cozinha.

“A gente já apresentou um negócio, não um restaurante”, disse Bueno sobre a captação de recursos que se seguiu, feita pela venda de cotas da empresa a um grupo de family and friends.

Riul, que atuou como sócio administrativo, deixou a sociedade no fim de 2025. Segundo Bueno, cotas remanescentes decorrentes da saída do investidor estão disponíveis para novos aportes, que poderão ser usados para acelerar o processo de expansão.

Marcelo Guindani, Mário Bueno e Flávio Miyamura, sócios do projeto de expansão do Rico Parrilla

O desempenho da primeira casa não cumpriu integralmente todas as previsões feitas no plano de negócios original, segundo Bueno, mas foi suficiente para viabilizar a segunda unidade.

“A gente tinha feito previsões em cima da nossa experiência. E elas não foram atingidas na sua totalidade, mas em termos de expectativa da abertura da segunda casa”, disse Bueno.

Em seu primeiro ano completo de operação, a unidade da Vila Nova Conceição faturou R$ 10 milhões brutos em 2025. Para 2026, a empresa projeta faturamento de R$ 20 milhões, considerando o desempenho da primeira casa e alguns meses de receita da segunda unidade. No primeiro trimestre deste ano, o faturamento cresceu 36% ante o mesmo período de 2025.

O CMV, custo da mercadoria vendida, ficou em média entre 30% e 32% no ano passado. Segundo Miyamura, o indicador sofreu pressão em dois momentos de aumento do preço da carne.

Leia também: ‘A gastronomia é como a moda’: os negócios de Arri Coser da Fogo de Chão ao NB Steak

O primeiro ocorreu durante as queimadas em Mato Grosso e Goiás, quando houve redução da oferta. O segundo veio com mudanças no fluxo internacional da carne depois das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Segundo o chef, a Argentina passou a comprar mais carne brasileira para atender ao mercado americano, o que aumentou a pressão sobre os preços no Brasil.

“A gente teve dois momentos ano passado que foram muito difíceis, principalmente para a gente manter o nosso CMV”, disse Miyamura.

A empresa busca trabalhar com margem EBITDA entre 15% e 20%. Para alcançar esse patamar, os sócios apostam em um modelo à la carte, que reduz o desperdício a quase zero, e em um sistema de fichas técnicas, treinamentos semanais e fornecedores homologados que busca tirar a operação da dependência de pessoas específicas.

“Hoje a gente não depende de pessoas específicas para crescer, a gente depende dos nossos processos que foram criados internamente”, disse Bueno.

A lógica vale também para o trabalho de Miyamura na cozinha. O cardápio foi desenvolvido para que possa ser reproduzido sem a presença diária do chef em cada operação.

“Se eu, chef, precisasse estar lá com a barriga no fogão todo dia, a gente não ia conseguir transformar o Rico num negócio de sucesso”, disse Miyamura.

Leia também: Segunda casa: como o Rubaiyat se tornou uma rede sem abrir mão da hospitalidade

A segunda unidade, no edifício Passeio Paulista, na região da Consolação, recebe investimento de cerca de R$ 3 milhões. A previsão mais recente da empresa é inaugurar a casa em outubro.

O Rico Parrilla tem hoje 35 colaboradores. Segundo comunicado da empresa, a nova unidade deverá criar 40 postos de trabalho diretos. Miyamura disse que, considerando o crescimento da operação como um todo, o grupo deverá se aproximar de cem colaboradores com a segunda casa.

O efeito da expansão nos números deve ir além da receita adicional. Parte da estrutura administrativa e dos custos fixos poderá ser compartilhada entre as duas operações.

“Muitos indicadores que talvez não sejam tão bons hoje, automaticamente, quando eu abro uma segunda operação, eu consigo diluir e melhorar os números das duas”, disse Bueno.

A segunda casa também marca uma mudança no poder de negociação da empresa. O Rico Parrilla foi convidado para ser loja âncora do novo corredor gastronômico do Passeio Paulista, segundo os sócios.

Com dois anos de operação, faturamento conhecido e uma marca já estabelecida, eles dizem encontrar condições diferentes das enfrentadas antes da abertura da primeira unidade.

“Hoje a gente tem números, hoje a gente tem uma força, hoje a gente consegue falar para o que a gente quer e não receber só o que as pessoas estão a fim”, disse Miyamura.

O plano de negócios prevê uma terceira unidade em 2027, seguida de uma nova casa por ano até chegar à sexta em 2030. A terceira poderá ser aberta fora de São Paulo, mercado que os sócios consideram saturado e de alta competição.

Não há intenção de franquear as operações. Com seis unidades, a projeção é alcançar faturamento anual entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões.

O cronograma, no entanto, pode ser acelerado caso novos investidores entrem no negócio. Bueno disse que a empresa está aberta a parceiros que permitam ampliar a expansão além das seis unidades previstas originalmente.

“Vamos acelerar? Tem algum parceiro que quer entrar para acelerar, para fazer 10, 12, 15, 20 em xis período de tempo? Estamos aí para isso”, disse Bueno. Por enquanto, a estratégia é usar os resultados da operação como referência para definir cada novo passo. “A expansão é resultado dos números, não de empolgação”, disse Bueno.

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“Luxo nas alturas” trava a aprovação regulatória de novas aeronaves

Em seu primeiro ano completo de operação, a unidade da Vila Nova Conceição faturou R$ 10 milhões brutos em 2025 (Foto: Divulgação)

Rodadas da semana: Ume capta R$ 500 mi por FIDCs para avançar em plataforma de crédito

15 de Agosto de 2026, 06:00

A semana de aportes foi marcada pelo volume elevado da fintech de crédito Ume, que captou R$ 500 milhões por meio de FIDCs geridos pela Milenio Capital, em uma operação com demanda superior à oferta e participação de bancos como Itaú, Bradesco e XP.

O caso evidencia o apetite do mercado de capitais por estruturas de crédito baseadas em tecnologia, mesmo em um cenário de juros elevados.

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A expansão internacional também marcou os negócios da semana: a colombiana Yuno levantou US$ 45 milhões em uma rodada Série B liderada pela Global PayTech Ventures, com apoio de Andreessen Horowitz e Tiger Global, para acelerar sua entrada no Oriente Médio; e a africana Yellow Card, provedora de infraestrutura para stablecoins, captou US$ 40 milhões e escolheu o Brasil como porta de entrada para a América Latina.

Leia também: Investida da L4, da B3, Certta mantém aposta no Brasil e projeta triplicar receita

No cenário nacional, aportes em estágio inicial priorizaram nichos específicos: a Condutive levantou R$ 2,5 milhões em rodada pré-seed liderada pela DOMO.VC para estruturar uma rede de consultores de energia renovável, enquanto a Zayra captou R$ 15 milhões em rodada seed para sua plataforma de educação em Web3 e finanças digitais.

Veja os detalhes abaixo:

Ume

A Ume, fintech que fornece infraestrutura para outras empresas venderem com crédito próprio, levantou R$ 500 milhões por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).

A operação, estruturada e gerida pela Milenio Capital, fechou com demanda superior à oferta, segundo a empresa, e contou com a participação de instituições como Itaú, Bradesco, XP (Augme), Milenio, Verde e Credit Saison.

A companhia opera como uma camada de inteligência artificial conectada ao mercado de capitais, permitindo que negócios de varejo, marketplaces e serviços ofereçam crédito próprio a seus clientes finais sem montar uma estrutura financeira interna — cobrindo camadas como capital, estrutura regulatória, underwriting, cobrança e atendimento.

Segundo a empresa, o modelo pode elevar em até 15% as vendas dos parceiros e dobrar seu lucro.

A Ume nasceu de uma tese de doutorado em inteligência artificial aplicada a crédito e tem à frente da tecnologia o CTO Berthier Ribeiro-Neto, fundador da empresa de busca Akwan — vendida ao Google, onde liderou a área de engenharia por duas décadas.

A companhia havia iniciado o ano com um FIDC de R$ 150 milhões e afirma que vai processar R$ 2 bilhões em GMV anualizado em 2026, com uma rede de 10 mil pontos de venda e cerca de 4 milhões de clientes finais atendidos.

Yellow Card

A Yellow Card, provedora de infraestrutura para stablecoins com atuação em mercados emergentes, chega ao Brasil como porta de entrada para sua expansão na América Latina, após concluir uma rodada de US$ 40 milhões com participação da SC Ventures, Sony Innovation Fund, Polychain Capital e Blockchain Capital.

A empresa, de origem africana, registrou mais de US$ 10 bilhões em volume transacionado nos últimos 12 meses.

Fundada por Chris Maurice (CEO) e Justin Poiroux (CTO), a companhia combina infraestrutura de stablecoins e sistemas de pagamento em moeda fiduciária em uma única plataforma, permitindo que instituições financeiras, fintechs e empresas movimentem recursos internacionalmente com acesso a liquidez em dólar e integração a múltiplos mercados por meio de uma única API.

Entre os parceiros da companhia estão Visa, Mastercard, PayPal, MoneyGram, Western Union, TerraPay, Thunes e WorldRemit, segundo a startup.

A escolha do Brasil como porta de entrada para a região considerou o tamanho do mercado financeiro do país, a adoção crescente de ativos digitais por empresas e instituições e o avanço das discussões regulatórias sobre o setor.

Na América Latina, a companhia pretende endereçar custos altos e lentidão em pagamentos transfronteiriços, acesso restrito à liquidez em dólar e fragmentação dos sistemas locais de pagamento.

Yuno

A colombiana Yuno, startup de infraestrutura de pagamentos que ajuda empresas a processar transações em diferentes mercados, captou US$ 45 milhões em uma rodada Série B liderada pela Global PayTech Ventures, com participação da Andreessen Horowitz, da Tiger Global e da QuantumLight Capital — gestora fundada pelo CEO da Revolut, Nik Storonsky.

Entre os novos investidores estão a Rasmal Ventures, apoiada pelo fundo soberano do Catar, e a GrowthX Capital, gestora de Hamad Al-Hajri, fundador da unicórnio catari Snoonu.

A empresa afirma estar no caminho para atingir a lucratividade e pretende usar o novo capital para ampliar seu portfólio de produtos e sua presença global, incluindo o aprofundamento no Oriente Médio — região onde já abriu um escritório em Doha, segundo o fundador Juan Pablo Ortega.

Zayra

A Zayra, startup de educação voltada a Web3 e finanças digitais, concluiu uma rodada seed de R$ 15 milhões, com aportes dos investidores-anjo Gustavo Guedes Maniero, Ibrahim Jamhour e Edison Raposo, além de outros investidores do setor financeiro.

Os recursos serão destinados ao desenvolvimento da plataforma tecnológica da empresa, à estruturação de um estúdio de produção de conteúdo e à gravação das primeiras aulas, em parceria com a SP Tech, faculdade de tecnologia de São Paulo.

Segundo a empresa, a proposta educacional segue o método Learn, Build, Earn, dividido em três etapas: compreensão de conceitos de Web3 e finanças digitais, aplicação desse conhecimento em projetos e conexão da formação a resultados profissionais e financeiros.

A plataforma contará com a ZAI, inteligência artificial própria que usa vídeos, áudios, slides e materiais de apoio das aulas para responder dúvidas dos alunos.

A Zayra é liderada por Tito Martins, que soma três décadas de experiência no mercado financeiro, com passagens por Banco Matrix, Itaú-Unibanco e HSBC.

O time de fundadores inclui ainda Claudio Yamaguchi, à frente das frentes educacional e de produto; Daniel Marques, responsável pela infraestrutura tecnológica da plataforma; e Renato Janesch, CFO com passagens por Citi, DuPont e Magazine Luiza.

Condutive

A Condutive, marketplace de energia renovável, captou R$ 2,5 milhões em uma rodada pré-seed liderada pela DOMO.VC, com participação da Bossa Invest e de investidores-anjo.

A startup, fundada em 2024 por João Luis Diniz D’Avila e Thiago Oliveira, conecta pessoas físicas e empresas a soluções de energia limpa — como assinatura de energia, acesso ao mercado livre e projetos fotovoltaicos —, com curadoria de fornecedores e suporte técnico ao longo do contrato.

Presente em 25 estados e com cerca de 30 fornecedores parceiros no ecossistema, entre eles EDP, Matrix e Casa dos Ventos, a companhia busca se tornar o maior marketplace de utilities do país.

Os recursos serão usados para estruturar uma rede de 1.000 consultores autônomos — inspirada no modelo dos assessores de investimento da XP —, que passará por um programa de capacitação 100% online, com módulos sobre mercado livre de energia, geração distribuída e técnicas de venda.

No modelo, os consultores cuidam da prospecção e orientação dos clientes, enquanto a startup mantém a curadoria dos fornecedores e o suporte técnico até o fechamento do contrato.

A empresa afirma ter registrado alta de 50% no volume de propostas nos últimos seis meses e mira atingir a marca de 1.000 clientes atendidos no próximo ciclo de crescimento.

Em março, a Condutive foi uma das 17 startups selecionadas para a 5ª edição do Inova Startups, programa do Sebrae Santa Catarina.

-- Com informações da Bloomberg News sobre o aporte na startup Yuno.

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© Paulo Fridman

. Photographer: Paulo Fridman/Bloomberg

A expansão da ração ‘super premium’ para pets

14 de Agosto de 2026, 06:53

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Nas prateleiras de pet shops e casas de ração, é possível encontrar uma variedade de opções de ração para cães e gatos: alimentos para animais castrados, idosos, sensíveis a determinados ingredientes ou formulados com diferentes proteínas, das mais naturais às tradicionais carne e frango.

Essa maior preocupação dos tutores com a alimentação de seus pets já está no radar da brasileira Special Dog, que pretende aproveitar justamente esse movimento para impulsionar seu próximo ciclo de crescimento.

A empresa é uma das maiores fabricantes do país ao lado de BRF Pet, da MBRF, e mira dobrar o volume vendido da linha super premium nos próximos anos, sem abrir mão da escala das rações premium, hoje responsáveis pela maior parte das vendas.

“A grande tendência é a humanização dos pets. As pessoas querem oferecer para o cachorro ou para o gato o mesmo cuidado que têm com elas mesmas. Isso impulsiona categorias mais especializadas”, disse Priscila Manfrim Tavares, diretora administrativa da Special Dog Company em entrevista à Bloomberg Línea.

A companhia projeta encerrar 2026 com faturamento acima dos R$ 2,15 bilhões registrados no ano passado.

⇒ Leia a reportagem: Do premium ao super premium: a estratégia da Special Dog para crescer no mercado pet

Venda de alimentos industrializados para animais alcançou R$ 41,42 bilhões no Brasil em 2025. (Foto: Allison Hess/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações internacionais oscilaram e os rendimentos dos títulos subiram ligeiramente no início de sexta-feira (14) à medida que as ameaças econômicas dos EUA contra o Irã provocaram uma nova alta nos preços do petróleo bruto. - Receita da OpenAI em alta. A receita anualizada da criadora do ChatGPT deve ultrapassar US$ 40 bilhões, segundo fontes a par do assunto ouvidas pela Bloomberg News. Dado dobra sua taxa de execução em relação ao final de 2025 e reforça os planos da empresa para sua estreia em Wall Street.

- Nova frente contra o Irã. Os EUA anunciarão medidas econômicas sem precedentes contra o Irã, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent. Nova medida visa o isolamento econômico de Teerã para forçar a capitulação após quase seis meses de guerra.

- Recuo automotivo. A força de trabalho da indústria automotiva alemã reduziu-se ao menor nível em mais de duas décadas, à medida que as montadoras cortam custos em meio à crescente concorrência dos rivais chineses. Encolhimento da força de trabalho chegou a 5,8%, ou 42.300 funcionários, atingindo o nível mais baixo desde 2005.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na quinta-feira (13/08): Dow Jones Industrials (+0,13%), S&P 500 (+0,65%), Nasdaq Composite (+0,81%), Stoxx 600 (-0,04%), Ibovespa (-0,23%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

• Nubank tem lucro trimestral de US$ 1 bi pela primeira vez, com avanço da rentabilidade

• BB trava parcelamento sem entrada no cartão, e inadimplência cede em julho, diz CEO

• Saída de estrangeiros da bolsa brasileira na terça-feira foi a mais intensa desde 2021

• Também é importante: A reabilitação do salmão: como a Damm rompe barreiras do mercado com peixe sustentável | Investida da L4, da B3, Certta mantém aposta no Brasil e projeta triplicar receita

• Opinião Bloomberg: Trump e Milei tentam entrar na política brasileira, mas eleitor foca temas domésticos

• Para não ficar de fora: SpaceX ‘passa no teste’ com fim de lock-up e adiciona US$ 500 bi em valor de mercado

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Special Dog mira tendência de ‘humanização de pets’ para crescer com ração super premium

14 de Agosto de 2026, 06:00

Nas prateleiras de pet shops e casas de ração, é possível encontrar uma variedade de opções de ração para cães e gatos: alimentos para animais castrados, idosos, sensíveis a determinados ingredientes ou formulados com diferentes proteínas, das mais naturais às tradicionais carne e frango.

Essa maior preocupação dos tutores com a alimentação de seus pets já está no radar da brasileira Special Dog, que pretende aproveitar justamente esse movimento para impulsionar seu próximo ciclo de crescimento.

A empresa é uma das maiores fabricantes do país ao lado de BRF Pet - unidade da MBRF (MBRF3) dona das linhas Guabi Natural, GranPlus e Biofresh - além de outras relevantes, como PremieRpet, Adimax e Total Alimentos, e mira dobrar o volume vendido da linha super premium nos próximos anos, sem abrir mão da escala das rações premium, hoje responsáveis pela maior parte das vendas.

“Não temos interesse nenhum em perder volume absoluto em nenhuma das categorias. A estratégia é aumentar a nossa representatividade nas linhas premium, premium especial e super premium”, disse Priscila Manfrim Tavares, diretora administrativa da Special Dog Company em entrevista à Bloomberg Línea.

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Manfrim faz parte da segunda geração familiar à frente dos negócios. Seu pai, Erik Manfrim, é o CEO da companhia e um dos fundadores que deu origem ao negócio, em 2001.

Para apoiar a nova fase de crescimento, a companhia anunciou uma nova fábrica em Mateus Leme (MG), prevista para entrar em operação em 2027. Com aporte de cerca de R$ 300 milhões, a unidade ampliará a capacidade produtiva da companhia em aproximadamente 20%.

Hoje, a companhia concentra toda a produção em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), onde opera seis fábricas dedicadas à produção de alimentos secos, úmidos e biscoitos. A unidade em Minas será a primeira fora da cidade paulista.

A companhia projeta encerrar 2026 com faturamento acima dos R$ 2,15 bilhões registrados no ano passado, crescimento em linha com o ano anterior.

“[Crescimento] acima de 5%, mas sendo conservador, porque o mercado é muito dinâmico”, disse a executiva.

Segundo ela, o mercado pet já deixou para trás o boom observado durante a pandemia de covid-19 e entrou em uma fase mais estável.

“Observamos principalmente em 2023 e 2024 uma estabilização. Em 2025 já retomou um pouco do crescimento, mas o que a gente enxerga hoje é que é um mercado estabilizado e já consolidado entre os seus principais players”, explica Manfrim.

Além dos grandes players, o mercado de pet food é consideravelmente pulverizado e conta com cerca de 170 fabricantes. Apenas em 2025, a venda de alimentos industrializados para animais (como a ração) alcançou R$ 41,42 bilhões, um avanço de apenas 1,59% em relação ao ano anterior.

O Brasil é o terceiro maior mercado pet do mundo, atrás apenas de China e os EUA.

Embora o segmento premium ainda concentre a maior parte do faturamento da companhia, é na categoria super premium que a Special Dog enxerga maior potencial de crescimento, sobretudo por ser uma categoria mais nova no portfólio.

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“A grande tendência é a humanização dos pets. As pessoas querem oferecer para o cachorro ou para o gato o mesmo cuidado que têm com elas mesmas. Isso impulsiona categorias mais especializadas”, afirmou Manfrim.

A empresa já atua no segmento super premium com a linha Bionatural, lançada em 2024. Em agosto de 2025, ampliou o portfólio com a Bionatural Sensitive, formulada com proteína de insetos - origem, que, segundo a empresa, já ganhou tração no exterior, sobretudo na Europa. A linha também utiliza grãos sem origem transgênica e ovos de galinhas livres de gaiolas.

Para atender a expansão, a nova unidade em Minas Gerais da empresa será construída em uma área de aproximadamente 300 mil metros quadrados. A localização foi escolhida pela proximidade com o eixo entre São Paulo e Belo Horizonte, região que concentra parte relevante do mercado consumidor e facilita a logística para as demais regiões do país.

A nova fábrica terá capacidade para produzir cerca de 10 mil toneladas de ração por mês, mas começará com capacidade de 5 mil toneladas mensais, com possibilidade de expansão a depender da quantidade de turnos, conta a diretora.

Segundo Manfrim, o projeto foi dimensionado para acompanhar o crescimento esperado da demanda ao longo dos próximos anos. A ideia, conta, é que a nova fábrica atenda uma demanda futura, que será conquistada a partir da expansão geográfica e da conquista de novos clientes.

“A gente ainda vai precisar fazer um esforço comercial grande para ganhar mercado, para entrar em novos mercados de forma competitiva. Já existe certa demanda para a fábrica, mas a gente ainda vai precisar ganhar demanda”

Em 2025, a Special Dog inaugurou uma fábrica de biscoitos com investimento de R$ 30 milhões.

Apesar do novo investimento, a empresa não mira acelerar a internacionalização no curto prazo. Hoje, menos de 2% da produção é destinada à exportação, principalmente para países da América do Sul. A prioridade continuará sendo o mercado brasileiro, considerado pela companhia suficientemente grande para absorver o novo ciclo de investimentos.

“O Brasil ainda oferece muitas oportunidades. Temos espaço para crescer bastante antes de pensar em uma estratégia mais agressiva de exportação”, disse Manfrim.

A expectativa é que o avanço das linhas super premium contribua para elevar o tíquete médio e sustentar o crescimento da receita sem depender apenas do aumento de volume.

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Venda de alimentos industrializados para animais alcançou R$ 41,42 bilhões no Brasil em 2025. (Foto: Allison Hess/Bloomberg)

Rodadas da semana: Clara, do México, e Zapia, do Uruguai, lideram os aportes

3 de Maio de 2025, 06:20

O maior aporte da semana que passou foi anunciado pela startup mexicana Clara, que usou a programação do Web Summit Rio, um dos maiores eventos de inovação do mundo, para comunicar a captação de US$ 80 milhões, que combina recursos em equity e growth funding.

A startup vai destinar uma boa parte dos recursos para desenvolver novas ferramentas de IA (Inteligência Artificial), no seu modelo de gestão de despesas corporativas.

O tema de agentes de IA foi um dos mais debatidos na programação da terceira edição do Web Summit Rio, entre os dias 27 e 30 abril.

Leia mais: Esta tech brasileira faz 50% da receita nos EUA e México. É só o começo, diz fundador

O CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho, antecipou no evento que o banco vai disponibilizar agentes de investimentos com AI. O produto entra em operação ainda neste trimestre e deve ganhar escala ao longo do ano.

Em entrevista à Bloomberg Línea, Luis Silva, CEO e fundador da CloudWalk, startup com status de unicórnio que é dona de InfinitePay, contou como enxerga um futuro dos agentes de AI, que serão capazes de realizar todas as tarefas.

Uma das líderes na corrida por IA, a Nvidia disse, por sua vez, que a chegada do DeepSeek no mercado vai contribuir para democratizar o acesso de agentes de IA para pequenas e médias, com a redução de barreiras, segundo Marcio Aguiar, diretor para a América Latina.

Veja os principais anúncios da semana:

Clara

Plataforma de gestão de gastos corporativos, a mexicana Clara anunciou a captação de US$ 80 milhões de investimento em equity e growth funding.

Os valores serão usados para apoiar a expansão do negócios em países centrais para a operação, como Brasil, México e Colômbia.

A startup, cofundada por Gerry Giacomán Colyer (o CEO) e Diego Iván García Escobedo, atende mais de 20.000 clientes em toda a América Latina e, segundo números internos, processa uma transação a cada segundo.

No momento, a Clara tem investido em construir produtos com IA para verticalizar os serviços, com ferramentas específicas para setores como o de viagens e de logística.

O investimento em equity foi “costurado” como uma extensão de uma rodada da anterior e tem a participação de investidores como Acrew Capital, Alter Global, Citi Ventures, Citius, Coatue, Commerce Ventures, DST Global Partners, Endeavor Catalyst, Evolution Ventures, Gaingels, Kaszek Ventures, Monashees, Moore Strategic Ventures, Notable Capital e Picus Capital.

O growth funding foi obtido com a General Catalyst.

Zapia

A Zapia, startup de origem uruguaia que desenvolveu uma assistente executiva com IA integrada ao WhatsApp para latino-americanos, anunciou um aporte de US$ 7,25 milhões. O montante eleva o total captado na rodada Seed para US$ 12,35 milhões.

A Prosus Ventures liderou o investimento, que contou com a participação de Endeavor Catalyst, Anthos Capital, Factory HQ e SnR.

Os valores serão empregados para acelerar a ampliação da equipe, novos investimentos em tecnologia e desenvolvimento de outras funcionalidades.

Em 18 meses de operação, a startup cofundada por Juan Pablo Pereira (CEO), conta com mais de 3,5 milhões de usuários na América Latina. O Brasil representa 40% da base ativa.

A assistente gratuita funciona dentro do WhatsApp e oferece mais de 20 recursos, incluindo lembretes, resumo de áudios e leitura de PDFs.

Blips

A fintech liderada pelo CEO Adolfo Sortica, que opera uma plataforma com foco em vendas, financiamento e aluguel de equipamentos para empresas que em geral não têm acesso ao mercado de crédito, acertou uma captação de R$ 50 milhões, com valuation post money de R$ 500 milhões.

O aporte por meio de subscrição minoritária de ações é da Headline, fundo de venture capital de Romero Rodrigues, fundador do Buscapé e investidor serial, com a XP.

A empresa fundada em Uberlândia espera chegar a R$ 350 milhões em faturamento bruto em 2025, com foco em setores como construção civil, confecção e estética.

Leia mais: Prosus investe em startup brasileira que mira ser um hub de agentes de IA para saúde

Fin-X

A startup fundada por Daniel Shiraishi e Sergio Campangna, que desenvolveu um software para gerenciar o fluxo de cirurgias, acertou um follow-on de R$ 14 milhões liderado pelo Atlantico, de Julio Vasconcellos, com participação da Domo VC e da Headline, de Romero Rodrigues.

A Fin-X já atende 150 hospitais e, segundo suas informações, tem uma fila de espera de outros 100 para implementação. A meta é chegar ao final de 2025 com algo entre 300 e 350 hospitais em operação.

Segundo a startup, em post no LinkedIn, o objetivo da Fin-X com a captação é dobrar de tamanho e entrar com mais força no setor público - como desenvolver soluções específicas para o SUS, Unimeds, Fundações Hospitalares e OSS.

Pipe Ventures

Gestora alternativos para investimentos de fundos temáticos, a PIPE Ventures fechou uma rodada de R$ 1,8 milhão, que atraiu 198 investidores na plataforma de crowdfunding Captable.

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Aeroporto de Guarulhos: Clara cresce com soluções de gestão de gastos em viagens corporativas (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)

Nubank tem lucro trimestral de US$ 1 bi pela primeira vez, com avanço da rentabilidade

As ações do Nubank (NU) subiram nas negociações após o fechamento do mercado, depois que o banco digital divulgou resultados trimestrais melhores do que o esperado, impulsionados por uma maior rentabilidade e pelo crescimento de seu negócio de crédito.

O relatório mostrou que o grupo continua transformando sua expansão comercial em maiores lucros, ao mesmo tempo em que aprofunda seu relacionamento com os clientes atuais. A empresa também destacou avanços no México, onde lançou oficialmente seu banco neste mês e atingiu 16 milhões de clientes em julho.

As ações subiam 8,40% nas negociações após o fechamento do mercado.

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Lucro de US$ 1 bilhão

Os resultados são divulgados em um momento em que os investidores acompanham de perto a capacidade do Nubank de ampliar sua carteira sem prejudicar significativamente a qualidade do crédito.

A evolução da inadimplência apresentou sinais contraditórios, embora a rentabilidade tenha atingido novas máximas.

Leia também: BB trava parcelamento sem entrada no cartão, e inadimplência cede em julho, diz CEO

O lucro líquido foi de US$ 1,061 bilhão no segundo trimestre, um valor superado pela primeira vez pelo Nubank em um período de três meses, após um aumento de 67% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Além disso, o resultado superou os US$ 949,6 milhões esperados pelos analistas. Em comparação com o primeiro trimestre, o lucro cresceu 17%.

A receita contábil atingiu US$ 5,513 bilhões, superando os US$ 5,375 bilhões previstos pelo consenso da Bloomberg. O valor registrou um aumento de cerca de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior.

“Atualmente, estamos gerando mais de US$ 1 bilhão em lucro líquido trimestral”, afirmou David Vélez, fundador e CEO global do Nubank, no comunicado de resultados.

Vélez também destacou a expansão internacional da empresa. “No início deste mês, lançamos nosso banco no México, tornando-nos o maior banco digital do país, com 16 milhões de clientes”, afirmou.

A rentabilidade também melhorou. O retorno sobre o patrimônio líquido, ou ROE, fechou o trimestre em 33%, contra 29% no primeiro trimestre e 28% registrados um ano antes.

Base de clientes

O crescimento foi acompanhado por um aumento na atividade dos clientes. O Nubank conquistou cerca de quatro milhões de usuários durante o trimestre e encerrou junho com cerca de 139 milhões em todo o mundo, um aumento de 13% em relação ao ano anterior.

O Brasil continua sendo o principal mercado da empresa, com quase 118 milhões de clientes. No entanto, o Nubank acelerou sua expansão internacional, especialmente no México, onde atingiu 15,8 milhões de usuários no final do trimestre e chegou a 16 milhões em julho.

“No início deste mês, lançamos nosso banco no México, tornando-nos o maior banco digital do país, com 16 milhões de clientes”, afirmou Vélez.

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A empresa acredita que se tornar um banco de grande porte no México lhe permitirá ampliar sua oferta para além do crédito. O Nubank já atinge 16,5% da população adulta mexicana e destacou que seus clientes no país estão gerando receita mais rapidamente do que os brasileiros em uma fase comparável de expansão.

Na Colômbia, o Nubank ultrapassou os 5 milhões de clientes e encerrou o trimestre com US$ 3,3 bilhões em depósitos. O mercado mantém um ritmo constante de captação de usuários, segundo a empresa.

A carteira total de cartões e empréstimos aumentou 37% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 39 bilhões. Os depósitos, outro elemento importante para financiar essa expansão, cresceram 18% e atingiram US$ 45,3 bilhões.

Qualidade do crédito

A qualidade do crédito apresentou sinais contraditórios. A inadimplência entre 15 e 90 dias caiu para 4,8%, ante 5% no trimestre anterior, enquanto os empréstimos com atrasos superiores a 90 dias aumentaram para 6,9%, ante 6,5%.

O Nubank atribuiu grande parte desse aumento a fatores sazonais. Ao mesmo tempo, o custo do crédito diminuiu 9% em relação ao primeiro trimestre, apesar de a empresa continuar se expandindo deliberadamente para segmentos de crédito de maior risco e potencial de retorno.

A inteligência artificial também ocupa um espaço cada vez maior na estratégia do banco. O Nubank informou que seu modelo NuFormer já participa de decisões relacionadas a crédito, atendimento ao cliente e crescimento, utilizando mais de uma década de dados transacionais.

Segundo a empresa, agentes de inteligência artificial já gerenciam mais de 60% das conversas de atendimento ao cliente no Brasil, com um desempenho que o Nubank considera igual ou superior ao de um ser humano.

A reação positiva das ações refletiu o foco dos investidores no crescimento dos lucros, na melhoria da rentabilidade e no avanço do negócio de crédito, enquanto o Nubank tenta transferir para o México parte do modelo que impulsionou sua expansão no Brasil.

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Investidores acompanham a capacidade do Nubank de ampliar sua carteira sem prejudicar significativamente a qualidade do crédito. (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)

BB trava parcelamento sem entrada no cartão, e inadimplência cede em julho, diz CEO

13 de Agosto de 2026, 15:42

O Banco do Brasil (BBAS3) travou a linha de parcelamento automático de fatura de cartão de crédito ao identificar que correntistas das classes D e E rolavam o saldo devedor sem desembolsar nada, e passou a exigir pagamento de entrada para liberar a operação. A CEO Tarciana Medeiros afirmou a analistas nesta quinta-feira (13) que o efeito da correção já apareceu no mês passado.

“Até julho, já vemos a curva de normalização acontecendo para essa linha”, disse Medeiros, na teleconferência sobre o resultado do segundo trimestre.

A intervenção veio tarde demais para o balanço. A inadimplência acima de 90 dias na carteira de cartões saltou de 7,1% em março para 14,6% em junho, alta de 750 pontos-base em um único trimestre, e concentrou a deterioração do crédito no período.

O vice-presidente financeiro e de Relações com Investidores, Marco Geovanne Tobias da Silva, reconstituiu a sequência ao responder a Eduardo Nishio, head de research e financials da Genial Investimentos, que pediu explicações sobre a velocidade da piora.

Segundo o executivo, a estratégia desenhada para compensar a perda de valor da carteira rural era crescer em pessoa física. O foco principal era o consignado, mas o banco também adotou frentes voltadas ao cartão de crédito. No segmento de alta renda, o faturamento dos cartões alcançou R$ 127 bilhões no trimestre.

O problema surgiu em outra ponta da base de clientes. O banco implementou uma nova sistemática de parcelamento automático de faturas que alcançou correntistas dos segmentos D e E. Ao longo do primeiro trimestre, o CFO afirmou ter percebido que esses clientes começaram a acionar o mecanismo de forma recorrente. O banco levantou um sinal de alerta e travou a linha de imediato.

Veio então o ajuste retroativo. As operações parceladas automaticamente entre janeiro e março sem qualquer pagamento tiveram o risco agravado e passaram a ser classificadas como efetivamente em atraso, o que produziu o salto do indicador em um único trimestre.

“Nós acreditamos que agora é uma inadimplência fato, porque se ele só parcelava sem pagar”, disse Tobias da Silva.

O executivo usou a palavra “estilingada” para descrever o comportamento do índice e classificou o efeito como pontual.

No mercado de crédito e finanças, os termos ”estilingada” ou “efeito estilingue” define um salto abrupto de um indicador geralmente após período de forte represamento ou pressão.

O banco acionou as esteiras de cobrança e encerrou a possibilidade de pagamento parcelado automatizado no cartão. A exigência de entrada, segundo ele, é a prática comum entre os pares privados.

Deterioração do crédito

O CFO situou o episódio dentro de um pano de fundo mais amplo, que já vinha sendo comunicado ao mercado. Ele citou a contaminação do segmento de pessoa física pelos produtores rurais, o aumento do endividamento das famílias e os programas de renegociação do governo, como o Desenrola. A mudança de mix em direção à pessoa física continua de pé, mas o banco freou o cartão no público das classes D e E.

Depois de detalhar o caso, Tobias da Silva afirmou que outros fatores contribuíram para a deterioração do trimestre, mas que o principal foi o segmento D e E na modalidade de parcelamento automático.

O mercado não tratou o episódio como pontual. O JPMorgan classificou o cartão de crédito como o destaque negativo do trimestre e disse que a alta de 750 pontos-base surpreendeu, mesmo diante de expectativas já baixas formadas a partir dos dados do SCR (Sistema de Informações de Créditos do Banco Central).

O banco americano, que mantém recomendação neutra para BBAS3, calcula formação de nova inadimplência de R$ 21,7 bilhões e nova formação de estágio 3 de R$ 20,5 bilhões, ambas acima das provisões brutas de R$ 18,9 bilhões, o que implica cobertura de 87% a 92% das perdas formadas. O índice de cobertura recuou 10 pontos percentuais, para 149%.

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Riscos

A recuperação do segundo semestre depende de uma medida que ainda não saiu do papel. A MP 1.376, publicada em 15 de julho para permitir a renegociação de dívidas rurais, seguia sem execução quase um mês depois. Mário Pierry, managing director de equity research do Bank of America, questionou se os benefícios não ficariam para 2027.

O CFO respondeu que o banco terá um pedaço de agosto e setembro para acelerar e citou o histórico da MP 1.314, quando o BB partiu de uma meta de R$ 12 bilhões e reestruturou mais de R$ 30 bilhões. Segundo ele, a inadimplência do trimestre foi agravada por um risco moral, com produtores interrompendo pagamentos enquanto aguardavam a tramitação no Congresso.

O vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos, Felipe Prince, disse que a estratégia de renegociação está definida, mas ainda não foi ao mercado.

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O desenho exige entrada e vinculação de garantias adicionais, condições que podem gerar migração de estágios, reversão de provisão e retomada da apropriação de juros. O JPMorgan calcula que operações renegociadas, prorrogadas e da MP 1.314 já somam R$ 180 bilhões, ou 14,4% da carteira, ante 13,9% em março.

“Não contamos com nenhum ovo sem que a galinha tenha botado”, disse Prince, ao rebater a sugestão de Henrique Navarro, head de banks & financial non-banks equity research do Santander para América Latina, de que o banco deveria ter provisionado toda a deterioração observada.

Sobre o El Niño, o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Alceu Bittencourt, afirmou que 280 profissionais de ciências agrárias acompanham o cenário em tempo real, com incentivo a seguro, Proagro e investimento em irrigação.

A CEO acrescentou que o produtor também se antecipa. No Centro-Oeste, a previsão de falta d’água leva à antecipação de plantio e colheita. No Nordeste, a seca agravada deve pressionar a safrinha, com perdas prováveis em milho. No Sul, o problema se inverte, com maior volume hídrico. Prince disse que os impactos já estão no guidance de PDD (provisão para devedores duvidosos) de 2026 e parametrizados no motor de concessão para 2027.

Provisão no topo, lucro na ponta baixa

Com lucro de R$ 7,3 bilhões no semestre, incluindo benefício fiscal de R$ 1,4 bilhão, analistas cobraram explicações sobre a manutenção das projeções para o ano.

“Espere provisão ali na ponta alta, lucro na ponta baixa”, disse o CFO, que admitiu risco de desvio de 5% a 6% e adiou a discussão sobre revisão do guidance para o terceiro trimestre.

As ações caíam cerca de 3%, a R$ 18,43, por volta do meio-dia desta quinta-feira, com desvalorização superior a 15% no ano. O JPMorgan destacou que o patrimônio líquido recuou R$ 5,2 bilhões, para R$ 180,6 bilhões, apesar do lucro gerencial de R$ 3,9 bilhões, e que o CET1 (indicador da saúde financeira e solidez de um banco) caiu 30 pontos-base, para 11,3%. O Itaú BBA resumiu o trimestre como um resultado acima do esperado, porém de menor qualidade.

A pressão também migrou para as empresas de menor porte. Prince afirmou que a inadimplência cresce no topo do segmento de micro e pequenas empresas e no low middle, com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 200 milhões, onde os pedidos de recuperação judicial atingiram recorde no primeiro semestre. O banco elevou de 30% para 40% a parcela dessa carteira colateralizada por fundos garantidores e voltou à liderança de desembolsos no FGI e no FGO.

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Banco encerrou o parcelamento automático de fatura sem entrada para clientes das classes D e E, prática que os pares privados não adotam, após a inadimplência do cartão dobrar no segundo trimestre (Foto: Arthur Menescal/Bloomberg)

A reabilitação do salmão: como a Damm rompe barreiras do mercado com peixe sustentável

13 de Agosto de 2026, 11:28

Depois de décadas pressionado entre a popularidade junto ao consumidor e a rejeição de chefs da alta gastronomia, o salmão indica caminhar para sua “reabilitação” no Brasil. Um pequeno grupo de produtores e importadores começou a trazer ao país o peixe produzido de forma sustentável, com certificação auditada e sem antibióticos, e o produto começa a quebrar uma barreira no mercado nacional.

Por mais que poucos peixes tenham se tornado tão populares no Brasil quanto o salmão, com importação anual de mais 100.000 toneladas, muita gente que leva gastronomia a sério faz questão de mantê-lo longe do prato. “Não servimos salmão”, dizem até hoje cartazes em alguns dos melhores omakases (o menu degustação de restaurantes japoneses) do país, transformando a recusa em declaração de princípios.

A rejeição nasceu de uma crítica à forma como o peixe é produzido há décadas no Chile, de onde vem praticamente todo o salmão consumido no Brasil. O peixe não é nativo do país, foi introduzido no século XX para pesca esportiva e ganhou escala industrial quando produtores noruegueses, em parceria com a Universidade do Chile, viram no Hemisfério Sul a solução logística para abastecer mercados como Brasil, Estados Unidos e México. A demanda explodiu, e a produção cresceu, mas afastou consumidores e chefs mais exigentes preocupados com a sustentabilidade.

“A produção cresceu de forma rápida e desorganizada, o que gerou problemas de qualidade”, disse Roberto Veiga, CEO da Damm, em entrevista à Bloomberg Línea, citando questões ambientais e de qualidade que alimentaram o discurso contrário ao peixe.

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Esse quadro começa a mudar, entretanto. Com a produção de salmão mais controlada, é possível oferecer um produto de qualidade e que foge do padrão anterior, segundo o executivo.

Um dos símbolos mais evidentes da virada é o Aizomê, restaurante da chef Telma Shimizu em São Paulo, referência da alta culinária japonesa no país. Ela contou à Bloomberg Línea que passou a incluir o salmão entre os peixes que serve depois de conhecer uma origem certificada.

“As pessoas já consomem muito salmão, e não faz sentido ir contra isso, ou falar mal. A partir do momento que temos um salmão com proposta sustentável, sem sofrimento animal e com mais sabor, achamos que faz sentido apoiar”, disse.

A mudança é resultado de um trabalho de anos de empresas como a Damm, indústria paulista de pescados que buscou trazer este salmão de qualidade, produzido de forma sustentável, sem antibióticos e sem sofrimento animal, com certificações internacionais auditadas para comprovar cada etapa.

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A empresa já atuava no setor há 50 anos, e começou o movimento em direção à sustentabilidade 11 anos atrás, quando os organizadores da Olimpíada do Rio precisavam de um fornecedor de peixe que possuísse certificações de sustentabilidade. A Damm viu nisso uma oportunidade e gerou uma mudança cultural interna voltada para auditorias e certificações deste tipo.

“Acho que fomos os únicos que nos voluntariamos na época a fazer isso. Porque dá muito trabalho conseguir essas certificações, falar de rastreabilidade, provar essa sustentabilidade”, disse Veiga.

Hoje, a linha sustentável responde por 20% das cerca de 100 toneladas de salmão que a Damm produz por semana - um quinto dos R$ 300 milhões que ela fatura por ano. E boa parte é vendida sem cobrança extra, porque poucos clientes pedem o produto, explicou o executivo.

Essa falta de prioridade ajuda a explicar o pequeno volume, segundo ele, uma vez que o custo é mais baixo do que se pode imaginar.

O salmão certificado e sem antibiótico custa cerca de 60 centavos de dólar a mais por quilo, algo entre 5% e 8% do preço, disse. Ainda assim, a resistência vem sobretudo dos restaurantes. “A cabeça do empresário no Brasil ainda prioriza apenas buscar o menor preço”, disse Veiga.

O plano da empresa é chegar a 100% do volume certificado em cerca de três anos e transformar a Damm em algo que o mercado de pescados não tem. “Não existe marca de peixe. Queremos fazer com o salmão algo próximo do que a Sadia construiu com a salsicha ao longo de décadas, ainda que em escala menor e com posicionamento premium”, disse.

Roberto Veiga, CEO da Damm

Certificação e reconhecimento

Apesar de ter a certificação há mais de uma década, a Damm demorou a usar isso como um argumento para atrair consumidores, afirmou Veiga. Antes disso, foi buscar outros tipos de reconhecimento no mercado especializado.

Há cerca de oito anos, convencido de que a certificação de sustentabilidade era o padrão máximo possível, Veiga diz ter procurado a Korin, empresa brasileira que é referência em produção de frango sem antibióticos, propondo fabricar salmão com a marca. Ouviu um não seco. “Eles falaram que o salmão era o alimento mais tóxico que existe no mundo”, contou o executivo sobre a resposta que diz ter recebido na ocasião. A exigência da companhia era uma certificação de bem-estar animal, que não existia na salmonicultura.

Veiga levou a demanda à salmoneira que fornece para a Damm, sem esperar resultado. Cerca de um ano atrás, a produtora obteve a certificação, depois de mudar a forma de abate, a alimentação e a densidade dos tanques-rede. Com os dois selos em mãos, a Korin aceitou a parceria, e o salmão da Damm passou a carregar a marca nas gôndolas. “Para mim é a cereja do bolo”, disse o CEO sobre o aval da empresa que um dia classificou o peixe como tóxico.

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Restava uma contradição, pois a certificação de bem-estar animal permite medicar o peixe doente, enquanto a de sustentabilidade impõe limites baixos de medicação.

“Se você tem 100% de um, você pode perder no outro”, explicou Veiga. A saída foi eliminar o antibiótico por completo, resultado que ele atribui em parte à própria mudança nas condições de criação. Com menos peixes por tanque, o animal cresce melhor, adoece menos e pode ser abatido mais rápido, reduzindo a exposição ao ambiente aberto do mar.

A geografia completou o trabalho com a produção certificada perto do Estreito de Magalhães, onde a água doce do degelo da cordilheira e da calota polar reduz a salinidade do mar e inibe parasitas de pele que estressam e adoecem o peixe, explicou.

Produtos da Damm, com salmão sustentável

Guinadas

A guinada para o salmão certificado se apoia em uma empresa que já se reinventou outras vezes. A Damm nasceu como defumadora de peixes brasileiros, como sardinha, cavalinha e meca, e mudou de patamar quando a hotelaria internacional chegou a São Paulo e ao Rio de Janeiro, trazendo chefs que exigiam produtos mais sofisticados e ajudaram a moldar a defumação da casa.

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O modelo funcionou até a pandemia, quando o defumado, dependente de aviação e eventos, perdeu seus dois principais destinos. “O nosso produto era sinônimo de aglomeração”, contou Veiga.

Para não quebrar, a empresa passou a vender salmão fresco premium para restaurantes japoneses e cresceu junto com as dark kitchens. Depois, avançou sobre o trabalho de pré-preparo dos clientes, pressionados pela falta de mão de obra, entregando o peixe filetado e porcionado sob medida. “Eu faço do jeito que o cliente quiser, mas com a minha qualidade”, disse.

A operação, que emprega cerca de 100 pessoas na indústria, processa hoje cerca de 100 toneladas de salmão por semana e fatura na casa de R$ 300 milhões por ano.

Nos últimos anos, a aposta migrou também para o consumidor final. “O varejo vai ser o caminho”, afirmou o executivo. O canal já representa 50% da receita, mesmo peso do food service, e a linha sustentável está em redes como Casa Santa Luzia, Varanda, Mambo e Red Lemon. A leitura é que o público, informado, passará a pressionar os restaurantes a favor de produtos sustentáveis.

© DIEGO GIUDICE

Produção do peixe no Chile cresceu sem coordenação, sem sustentabilidade e afastou consumidores e chefs mais exigentes (Foto: Diego Giudice/Bloomberg News)

Investida da L4, da B3, Certta mantém aposta no Brasil e projeta triplicar receita

13 de Agosto de 2026, 09:58

Na corrida contra as fraudes digitais, a Certta está prestes a triplicar a receita entre os anos de 2024 e o fim de 2026. A alta foi puxada por um salto de 80% só no ano passado e por um crescimento composto de 67% ao ano desde 2022.

Foi também em 2025 que a startup, especializada em prevenção a fraudes digitais, registrou pela primeira vez Ebitda positivo, embalada por um aporte de R$ 50 milhões da L4 Venture Builder, fundo de venture building ligado à B3, fechado em setembro daquele ano.

Hoje a Certta, que atendia sob o nome de CAF até o começo do ano, tem no portfólio mais de 300 clientes, entre Natura, Vivo e Mercado Livre.

O negócio, com tecnologia para reconhecimento facial, validação de documentos, checagem de antecedentes e produtos antifraude, atua com um time enxuto de 340 pessoas, que inclui equipes dedicadas para manter mais de 20 modelos de IA rodando dentro das soluções da empresa.

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Em operação desde 2019, a startup é concorrentes de startups como a Idwall, adquirida nos últimos meses pela Serasa Experian, e da Unico, unicórnio brasileiro no setor e com uma carteira de clientes com mais de 300 empresas, incluindo grandes fintechs e negócios Magazine Luiza, Banco Neon e Vivo.

O ritmo de expansão da startup - e das concorrentes - coincide com uma sofisticação sem precedentes das ameaças cibernéticas, a partir do avanço da inteligência artificial. O Brasil, com a sua criatividade nativa, sempre foi um mercado fértil para criminosos digitais. A AI potencializou, como conta o CEO da Certta, o americano Jason Howard.

“Quando estava na Mastercard, gerenciava toda a linha de negócios global de chargebacks (contestação de compras). Vi fraudes de cartão de crédito no mundo inteiro. E quando perguntava para qualquer grande e-commerce nos EUA qual é o mercado de fraude mais desafiador por transação, a resposta era o Brasil”, disse em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea.

“Se você soma isso ao pix, ao movimento de dinheiro mais rápido, à digitalização da biometria e ao uso massivo de dispositivos móveis, tem um cenário único. O Brasil está muito mais avançado que os Estados Unidos nessa dinâmica financeira digital.”

Antes de chegar à Certta, Howard passou quase uma década na Ethoca — startup de prevenção a fraudes fundada pelos canadenses Darryl Green, André Edelbrock e Trevor Clarke e comprada pela Mastercard em 2019.

Ele entrou como chief commercial officer em 2013, liderou o time comercial durante a integração da Ethoca à Mastercard e, entre 2021 e 2022, comandou a unidade de negócios da Ethoca dentro da própria Mastercard, em Austin, no Texas.

Mercado brasileiro

Foi esse mesmo grupo de ex-Ethoca — Green, Edelbrock e Clarke — que, em 2022, liderou o aporte de R$ 80 milhões na então CAF, startup fundada em 2019 em Venâncio Aires (RS) por Leonardo Rebitte e Rafael Viana. Darryl Green assumiu a presidência após o aporte, e meses depois trouxe Howard para o time. Primeiro, como chief revenue officer, desde fevereiro de 2023, na posição de CEO no lugar de Green, que passou a ocupar a cadeira de presidente do conselho.

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Na tese, um negócio global que começaria a avançar por Reino Unido, México, Canadá e Estados Unidos. A realidade mostrou um outro caminho e o Brasil é origem de 95% da receita da startup. Os 5% restantes são de clientes locais que demandam os produtos da startup em outros destinos na América Latina.

A idtech fincou os pés no Brasil e não acompanhou o ritmo de internacionalização de concorrentes locais, como é o caso da Unico. A avaliação interna é de que o mercado brasileiro, por sua complexidade e dimensões, demanda a concentração total dos recursos.

Jason Howard, CEO da Certta: Estamos iniciando nossos ciclos de planejamento para 2027 e 2028, e vemos um forte crescimento orgânico no pipeline (Foto: Divulgação)

“Há uma realidade pragmática na construção de um negócio”, disse o CEO global. “Estávamos performando extremamente bem no Brasil, então fazia muito mais sentido continuar focando nossos recursos aqui para construir uma escala financeira robusta. Isso é o que nos dá a opção real para, no futuro, considerar detalhadamente para onde queremos ir, em vez de tentar fazer muita coisa cedo demais e pulverizar nossa eficiência”.

Essa cautela com a expansão internacional não se repete na estratégia de produto, onde a Certta acelerou o passo. A startup, que integra e cura mais de 50 fontes de dados e tecnologias diferentes, se apresenta hoje como um “hub de verificação inteligente” — conceito que resume a mudança de posicionamento da marca, batizada até o início do ano de CAF.

O conceito de hub

Na prática, segundo dados internos, a Certta já viabilizou mais de 8 mil jornadas digitais distintas de onboarding e transações desde 2019, direcionando cada caso para a combinação de tecnologias mais adequada ao risco identificado.

“Não se trata mais de ter uma única solução pontual ou um dado isolado. Você precisa empilhar camadas e ser capaz de fazer isso muito rápido”, disse Howard.

Segundo ele, o salto para um modelo orientado por IA nasceu de uma base de orquestração simples, construída ainda no início da operação da Certta no Brasil, que permitia aos clientes desenhar seus próprios fluxos de verificação.

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Esse alicerce sustentou o lançamento, neste ano, de duas novas frentes de produto. O Flow permite montar fluxos personalizados de verificação e rodar testes comparativos — os chamados testes A/B — entre diferentes jornadas digitais, além de árvores de decisão dinâmicas, para identificar qual combinação gera mais segurança sem sacrificar a conversão. Já o Hubby é o agente de IA central da companhia, descrito internamente como um “copiloto” das equipes de risco.

A startup aposta também na análise de documentos não estruturados, com o VerifAI Docs, que usa IA para identificar fraudes em comprovantes de renda, recibos, faturas e contratos. Em uma prova de conceito citada pelo CEO, a tecnologia identificou que 8% de todos os documentos usados por um grande cliente para cadastrar pequenas empresas haviam sido manipulados digitalmente por IA — um índice de fraude, segundo ele, impossível de detectar a olho nu.

É esse arsenal que explica o salto de 3,1 vezes na adoção da plataforma em 2025, ritmo que a Certta projeta manter ao longo de 2026. Além do avanço em novas contas, a expansão dentro da própria carteira é hoje um dos pilares de crescimento da Certta. “Estamos iniciando nossos ciclos de planejamento para 2027 e 2028, e vemos um forte crescimento orgânico no pipeline”, afirma.

Segundo Howard, a lógica do hub faz com que um cliente que chega para resolver um problema pontual — uma verificação de identidade, por exemplo — expanda o uso para outras frentes ao longo do tempo.

Essa dinâmica também contribui para a diversificação do negócio. Entre as seis famílias de produtos, nenhuma responde por mais de 25% da receita.

“Isso nos permite ter métricas incríveis de retenção de receita e métricas de crescimento de receita”, diz. “E eu vejo que o mercado está muito aberto neste momento para essas soluções”.

© Anindito Mukherjee

Em 2025, a Certta registrou uma salto de 3,1 vezes na adoção da plataforma e projeta o mesmo ritmo para este ano (Foto: Anindito Mukherjee)

A mudança na política econômica de Milei

13 de Agosto de 2026, 06:32

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

O governo do presidente Javier Milei começou a mudar seu foco, passando de um abordagem voltada exclusivamente para o combate à inflação para uma estratégia mais equilibrada, à medida que o crescimento, a geração de empregos e seus índices de aprovação enfrentam dificuldades para se recuperar.

O Banco Central da Argentina permitiu a desvalorização da moeda nos últimos três meses, enquanto o Tesouro do país injetou mais liquidez na economia, enquanto uma série de indicadores demonstra que a paciência tem se esgotado após mais de dois anos de austeridade severa.

Com isso, Milei adota uma abordagem menos rígida em sua luta contra a inflação — sua principal conquista —, em uma tentativa de contrariar as percepções negativas dos eleitores em relação à economia.

⇒ Leia a reportagem: Milei troca aperto monetário por equilíbrio entre inflação e crescimento econômico

Javier Milei at the Buenos Aires Stock Exchange, on July 16. Photographer: Tomas Cuesta/Bloomberg

No radar dos mercados

As bolsas internacionais registram leve alta no início de quinta-feira (13) depois que um relatório sobre a inflação nos EUA reforçou as expectativas de que o Federal Reserve não precisará aumentar as taxas de juros no próximo mês.

- IA no topo do mercado chinês. A CXMT ultrapassou a Tencent, listada na bolsa de Hong Kong, como a empresa chinesa de maior valor de mercado do mundo, ressaltando o avanço da IA que alimenta a demanda por ações de fabricantes de chips de memória

- Alta de títulos americanos. Um leilão de títulos do Tesouro dos EUA com vencimento em 10 anos, no valor de US$ 42 bilhões, resultou no maior rendimento deles desde 2007, atraindo investidores que exigem maior remuneração para financiar o governo dos EUA.

- Lenovo bate recorde. A fabricante de computadores espera aumentar sua receita para US$ 100 bilhões neste ano fiscal, elevando suas perspectivas depois que a demanda por hardware de IA ajudou seus resultados do primeiro trimestre a superarem as estimativas dos analistas por uma ampla margem.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na quarta-feira (12/08): Dow Jones Industrials (-0,04%), S&P 500 (+0,26%), Nasdaq Composite (+0,54%), Stoxx 600 (-0,16%), Ibovespa (-0,23%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

• BB tem queda de 34,2% no lucro do semestre com inadimplência maior na pessoa física

• Jeep se prepara para nova fase com híbrido a R$ 119 mil diante do avanço de chinesas

• Resultados do Nubank: analistas esperam crescimento e veem potencial para ações

• Também é importante: Fundos imobiliários avançam sobre redes de shoppings em negócios de R$ 3,5 bilhões | SPX Capital tem saídas de dois gestores da mesa de juros de Brasil, dizem fontes

• Opinião Bloomberg: Ressaca da Copa: mercados de previsão enfrentam queda de até 56% em transações

• Para não ficar de fora: Da Disney para o basquete: Bob Iger e Josh Kushner compram o LA Lakers por US$ 12,5 bi

⇒ Essa foi uma amostra de Breakfast, a newsletter matinal da Bloomberg Línea com as notícias de destaque no Brasil e no mundo.

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