A presidente da Petrobras (PETR3, PETR4), Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira (12) que a atual administração da companhia mantém uma política contrária à anterior, que vendeu inúmeros ativos.
Segundo a executiva, a estatal deve não só manter participações em ativos e empresas, como a Braskem, mas também fazer novas aquisições.
“Esta administração da Petrobras não gosta de vender, só de comprar”, disse a jornalistas nesta tarde.
Segundo a executiva, a petroleira deixou “de lado” a Braskem nos últimos anos e agora o objetivo é retomar a atuação no setor petroquímico, amplamente relacionado à indústria de petróleo.
“Houve todo um esforço da nossa parte nos dois últimos anos para olhar essa parceria com outros olhos e para resolver um problema societário que se arrastava há muito tempo”, disse.
Ela reforçou, entretanto, que a Petrobras atuará tão somente como sócia da gigante petroquímica. “Temos 46% das ações com direito a voto da Braskem, uma participação acionária bastante relevante. Quanto ao resto, diz respeito à administração da própria Braskem.”
Mais cedo, Chambriard esclareceu que sua visita recente ao México tinha como objetivo principal conversar com a presidente do país, Claudia Sheinbaum, sobre a oportunidade de uma parceria com a petroleira Pemex para explorar a área mexicana do Golfo do México.
“Quando olhamos para o Golfo do México, a [área] americana é altamente desenvolvida, mas a porção mexicana ainda é pouco desenvolvida. Isso ocorre em um ambiente de águas profundas, que inclusive é o nicho de atuação da Petrobras.”
Ela acrescentou que a companhia brasileira busca novos mercados, incluindo África e “muito provavelmente Venezuela”.
“Estamos em busca de novas incorporações futuras de reservas de óleo e gás. Uma parceria com a Pemex seria vantajosa para nós avaliarmos futuras possibilidades de exploração”, destacou.
Sobre a atuação na Venezuela, Chambriard afirmou que as regras para atuar no país vizinho vêm mudando, e que neste momento a companhia está tentando entender a nova legislação.
“Há uma lista de empresas vetadas [para atuar na Venezuela], dentre as quais as brasileiras não se enquadram, então estamos estudando a área”, disse.
Ela observou que, por volta de 2023, a Petrobras estudou o país vizinho. “Temos um juízo de valor sobre os ativos venezuelanos. O próximo passo é entender essa legislação e de que forma poderíamos atuar no país de forma consistente, que seja bom para a Petrobras, o Brasil e a Venezuela.”
Conflito no Oriente Médio
Chambriard voltou a dizer que a governança da companhia evita repassar o “nervosismo” dos preços internacionais do petróleo, em meio à guerra no Irã, para o consumidor brasileiro, embora a estatal “siga a lógica do mercado e os preços do mercado internacional”.
Ela lembrou que em apenas 12 dias após o início da guerra, o governo federal lançou uma subvenção em relação ao preço do diesel, com expectativa próxima de subvenção para a importação inclusive de forma retroativa.
No caso da gasolina, a executiva ressaltou que, no Brasil, há uma competição com o etanol, inclusive com a queda dos preços do combustível da cana de açúcar nos últimos tempos.
“Estamos tratando [internamente] sobre o aumento da gasolina, mas sempre de olho no market share e na evolução do etanol”, explicou.
O diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras, Fernando Melgarejo, disse que, para este ano, o alvo da companhia continua sendo US$ 59 para o preço de equilíbrio (breakeven) do petróleo bruto.
“No ano passado, rodamos na ordem de US$ 89 de breakeven. Até 2030, miramos US$ 48 a US$ 50, independentemente do que vier pela frente em questão de preço”, disse.
A inteligência artificial já não pode ser entendida como uma opção nem pode ser ignorada pelas empresas que querem não apenas avançar como permanecer relevantes em seus mercados.
Essa é a síntese do discurso de abertura de Matt Hicks, presidente e CEO da Red Hat, empresa adquirida pela IBM em 2019 por US$ 33 bilhões.
Especializada em soluções de software open source corporativo, com foco em infraestrutura de nuvem híbrida - como Azure, da Microsoft, AWS, Oracle, Google e IBM –, automação, virtualização e inteligência artificial, a Red Hat opera uma tecnologia “invisível”, no back office da transformação digital das companhias.
Em 2025, a empresa fechou com receita anual de US$ 7,3 bilhões, alta de 12,9% em relação ao ano de 2024.
No Brasil, a Red Hat é fornecedora de uma das soluções por trás do Pix que permite a transmissão de dados de forma distribuída e sem a necessidade de uma grande estrutura de gerenciamento.
“A IA não é opcional a esta altura, quer ela te traga energia, quer crie uma incerteza real. E eu acho que, para muitos de nós, é uma combinação, uma mistura de ambos. Ela não pode ser ignorada”, afirmou o executivo na abertura do Red Hat Summit, evento que acontece em Atlanta, nos Estados Unidos.
O executivo defendeu, porém, que não existe um único caminho e que é comum, num período de acelerada transformação, os diferentes estágios de adoção e também as dúvidas, entre o que é hype, o exagero do mercado, e o que pode gerar oportunidades de fato.
“O que recomendaria cautela são os extremos: ou mover-se tão lentamente que, quando você começar, nunca conseguirá alcançar os outros. Ou mover-se tão rápido e construir uma fundação sobre uma uma base que não permita que a companhia lide com o que virá”, disse. “Porque eu lhe garanto: algo novo virá a seguir neste ambiente de transformação.”
Para ir além do discurso, o CEO compartilhou a experiência interna da empresa. A companhia implementou a IA generativa no canal de suporte “Ask Red Hat”, evoluindo de chatbots para sistemas agênticos de pesquisa profunda e com economia de milhões de dólares por ano atualmente.
O CEO revelou que o projeto começou com os chamados “frontier models” (modelos proprietários de ponta) e avançou otimizando o sistema camada por camada.
Hoje, 85% das chamadas do sistema de pesquisa da Red Hat rodam em modelos de código aberto e pesos abertos (open weights) - como Nemotron Super, Nemotron Nano e IBM Granite) em infraestrutura própria.
“O que nos surpreendeu foi que os resultados ficaram melhores. Quando você é dono do modelo e da infraestrutura, você pode otimizar de uma forma que um modelo de propósito geral nunca conseguiria”, afirmou Hicks, que está ampliando o uso a tecnologia em todas as áreas da companhia.
Assim como outros gigantes de tecnologia, como o Google Cloud, a Red Hat adota um discurso nesta edição do evento de que a era de experimentação e de pilotos ficou para trás. Os agentes de IA passaram de um conceito e de uma promessa em 2025 para uma realidade este ano.
Entre os principais lançamentos da edição, estão o Red Hat AI 3.4 e novas capacidades de IA agêntica. Com o produto, a companhia procura diminuir o gap entre pilotos de IA e a implantação em produção para escalar a automação em ambientes híbridos.
Para Hicks, os profissionais não serão trocados por IA, mas o escopo do trabalho mudará drasticamente. Os desenvolvedores migrarão para a construção dos trilhos onde a IA corre, o que inclui a criação de novos sistemas de integração contínua e frameworks de teste capazes de manter a estabilidade em um ecossistema onde qualquer pessoa pode contribuir com código ou conhecimento.
A pressão por adaptação estende-se também aos gestores, que enfrentarão um teste rigoroso de sua capacidade de delegação.
Com os agentes de IA expandindo a capacidade das equipes, os líderes precisarão entender a tecnologia profundamente para decompor tarefas complexas e distribuí-las de forma eficiente entre humanos e máquinas. A eficácia dessa orquestração definirá quem terá sucesso no novo ambiente corporativo.
Além disso, a democratização do conhecimento atingiu um novo patamar, removendo barreiras para que colaboradores de áreas não técnicas, como jurídico, vendas e operações, contribuam diretamente com conteúdo e até código para sistemas agênticos.
“Quando unimos a IA e sua capacidade de ampliar o que podemos fazer com um sistema bem projetado, eu garanto que isso mudará o que vocês podem construir como empresa”, afirma o CEO.
A Natura (NATU3) reverteu lucro e registrou prejuízo de R$ 444,5 milhões no primeiro trimestre, para, em um cenário que a administração defendeu como “desafiador”.
Entre as razões para a baixa, está uma demora maior que a esperada em retomar o crescimento da marca Natura no Brasil. A marca enfrenta uma queda de consumo no país diante do aumento do endividamento das famílias.
“O consumo da categoria de beleza vinha de um momento muito exuberante há um ano atrás, e, como noticiamos em outras ocasiões, esse consumo freou e está crescendo muito pouco em volume. É algo que me preocupa”, afirmou João Paulo Ferreira, CEO da Natura, em coletiva com jornalistas nesta terça-feira (12) para comentar os resultados da varejista.
Sem crescimento de mercado garantido, a estratégia da Natura passa a depender de ganhos sobre os concorrentes.
“Se o mercado cresce pouco em volume, a gente precisa buscar espaços para ganhar mais da concorrência”, afirmou Ferreira, destacando que a companhia está mapeando categorias e regiões onde pode ser mais competitiva.
O Nordeste aparece como uma das prioridades depois de aparecer como região de maior vulnerabilidade no trimestre, com queda no tamanho e na produtividade da rede de consultoras na região.
“O Nordeste é uma região muito importante para nós e precisamos adaptar nosso sortimento de produtos ao perfil do consumidor nordestino”, disse.
Entre os produtos, Ferreira mencionou o body splash como um exemplo de onde a companhia pode ganhar espaço. “[É uma opção] que vem se destacando possivelmente como uma reação ao poder de consumo mais limitado e ao desejo de consumir perfumaria”, afirmou.
Do lado das despesas, a Natura está mais perto de finalizar os custos de seu processo de reestruturação após a companhia abandonar a ambição global e reforçar o foco na América Latina – incluindo a fusão de estruturas administrativas da Natura e da Avon na região.
O processo de reestruturação foi o principal detrator do resultado da empresa no trimestre. A rentabilidade ficou em 7,3%, mas a CFO Sílvia Vilas Boas ressaltou que as despesas não recorrentes de 4,7 pontos percentuais distorcem o número. Sem os efeitos associados à reestruturação, o indicador teria sido de 12%.
Com 75% da reorganização já concluída – e a maior parte das rescisões contabilizadas no primeiro trimestre –, a expectativa da companhia é que os benefícios da reestruturação apareçam de forma mais expressiva a partir do segundo trimestre, com uma curva significativamente menor de custos não recorrentes.
A Natura aposta também na implementação do novo modelo operacional como estratégia de eficiência. “Decidimos antecipar a implementação do novo modelo para que estivéssemos com a estrutura mais leve para enfrentar o cenário macroeconômico”, afirmou a CFO a jornalistas.
“O balanço que nós vamos ter durante o ano é de muito controle de despesa, capturando os benefícios da reorganização, mas sem deixar de investir em alavancas que vão suportar essa retomada do crescimento”, disse.
A Frigol, quarto maior frigorífico do país,projeta superar R$ 7,5 bilhões em receita a partir de 2027, apoiada em uma estratégia que combina expansão das exportações e diversificação dos mercados compradores da carne bovina brasileira diante das restrições impostas pela China, principal destino das vendas externas da companhia.
No consolidado do ano passado, a empresa atingiu R$ 4,5 bilhões em receita bruta.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da companhia, Luciano Pascon, disse que a Frigol revisou seu planejamento estratégico depois de firmar parcerias em Rondônia e de recalibrar o cenário para a China.
“Terminamos agora em abril um novo orçamento aprovado pelo conselho de administração, justamente contemplando esses novos cenários”, disse Pascon. Segundo ele, a companhia trabalha com a meta de atingir a receita de R$ 6,5 bilhões neste ano e espera ficar “acima de R$ 7,5 bilhões” no ano que vem.
Em balanço financeiro divulgado nesta terça-feira (12), a empresa somou R$ 999,2 milhões em receita líquida no primeiro trimestre do ano, alta de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025.
O lucro líquido do período somou R$ 11,1 milhões, crescimento de 11 vezes ante R$ 1 milhão um ano antes.
O Ebitda foi de R$ 33,3 milhões, com margem de 3,3%.
A melhora do resultado, sobretudo do lucro líquido, ocorreu apesar da queda de 5,3% no abate da companhia em relação ao mesmo trimestre do ano passado, que atingiu cerca de 150 mil bovinos, reflexo da menor oferta de gado e da pressão sobre o preço da arroba.
Sem as novas parcerias em Rondônia, que resultaram no início das exportações para os EUA, a redução dos abates teria sido de 14,2%, segundo a companhia.
De volta para casa
Pascon, que havia sido CEO da companhia entre 2016 e 2020, reassumiu o comando da Frigol em janeiro de 2025.
Ele disse que a primeira coisa que decidiu fazer ao assumir o comando do grupo foi “olhar para dentro de casa”, ou seja, reavaliar o trabalho que vinha sendo feito, das pessoas aos processos industriais e as decisões comerciais.
“Tem muita variável, mas as variáveis normalmente dentro do processo produtivo são as mesmas. É a questão de identificarmos aquelas que são as prioridades, aquelas que são maiores alavancas para o resultado”, disse.
Segundo o executivo, pequenos ganhos operacionais têm impacto relevante quando aplicados a uma indústria de grande volume. Ele cita o aproveitamento do tempo de produção e a gestão dos insumos.
“Muitas vezes a gente deixa alguns centavos na mesa e, na hora que multiplica por alguns milhões de quilos, tanto no mês e depois no ano, vê o quanto isso está impactando os resultados da companhia”, disse.
A partir desse diagnóstico, a Frigol concentrou os esforços em três frentes, conta o executivo: eficiência, pessoas e comercial, “no sentido de procurar os melhores mercados e os melhores valores agregados para os nossos produtos.”
Exportações e China
Esse olhar da companhia para a frente comercial se traduziu no aumento da exposição ao mercado externo.
Segundo Pascon, a Frigol chegou a obter 65% da receita mensal com vendas externas em 2025 e encerrou o ano com uma fatia próxima de 54%. A China continuou como principal destino, mas a companhia também ampliou vendas para outros mercados, como Indonésia, Canadá, Filipinas e Europa.
Apesar da relevância do mercado externo na estratégia do grupo, no primeiro trimestre deste ano, as exportações representaram 46% da receita bruta da empresa, abaixo dos 51% registrados um ano antes.
A China continuou como principal destino, com 64,8% das receitas externas, seguida por Israel, Hong Kong e Europa. A fatia de outros mercados subiu para 17,4%, ante 13% no primeiro trimestre de 2025 e 6% em 2024.
A companhia também registrou aumento da demanda de países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Filipinas, com alta de 255% no volume exportado na comparação anual.
A maior diversificação das exportações ocorre em um momento em que a China limitou as compras de carne bovina brasileira com a implementação de cotas - Brasil já atingiu metade da cota e analistas indicam que deve completá-la até o meio do ano.
O CEO da Frigol disse que não espera uma mudança rápida da política chinesa. Para ele, eventuais ajustes poderiam ocorrer apenas depois de uma avaliação das cotas ao fim do ano, caso alguns países não consigam cumprir os volumes autorizados.
“O boi China me traz pelo menos uns 30% a mais [do que a venda para o mercado interno]”, disse o executivo.
O executivo explica que a Frigol busca ter o maior número possível de habilitações, mesmo que a decisão de vender para cada mercado dependa de preço e rentabilidade.
“A decisão se eu vendo ou não vendo é outro passo. Por questões estratégicas, por questões de resultado, eu vou decidir o que vou fazer, mas eu quero ter a opção hoje. Essa é a nossa política de ampliarmos para todos os mercados”, disse.
Rondônia no centro da estratégia
A operação das novas três plantas em Rondônia funcionam por meio de contratos de industrialização firmados com a RioBeef e a DistriBoi.
Nesse modelo, a Frigol não é proprietária dessas plantas, mas controla a compra do gado, a estratégia comercial e a venda da carne, enquanto as parceiras executam o abate, a desossa e o processamento industrial.
O formato permitiu à companhia ampliar rapidamente a presença em Rondônia sem a necessidade de construir novas unidades próprias. Também acelerou o acesso a mercados estratégicos, como os Estados Unidos, ao aproveitar habilitações sanitárias já existentes nas plantas parceiras.
Ao todo, a empresa tem três plantas próprias de abate: em Lençóis Paulista (SP), Água Azul do Norte (PA) e São Félix do Xingu (PA).
No balanço financeiro divulgado nesta semana, a Frigol afirma que as novas parcerias em Rondônia estão alinhadas à estratégia de expansão geográfica do grupo.
Segundo Pascon, Rondônia dá à Frigol acesso ao mercado americano e também ao Canadá, por causa das condições sanitárias do estado. A região também pode posicionar a empresa em uma eventual próxima etapa de abertura do Japão à carne brasileira.
“Rondônia também nos coloca no radar talvez no próximo movimento do Japão”, disse.
A companhia fez seu primeiro embarque aos Estados Unidos em abril, via planta de Rolim de Moura.
O mercado americano é visto por Pascon como um vetor estrutural de demanda para a carne brasileira, em razão da redução do rebanho dos EUA e da necessidade de importação de carne industrial, usada em produtos como hambúrgueres e carne moída.
Para o CEO, o Brasil se consolida como um fornecedor confiável em volume, preço e regularidade.
Ele também disse que a Frigol já trabalha em novas habilitações para exportar aos EUA por outra planta em Rondônia e pela unidade de Lençóis Paulista, com a expectativa de começar 2027 com três fábricas habilitadas para o mercado americano.
A execução, no entanto, ainda enfrenta gargalos. Pascon afirmou que a captura integral da receita potencial de Rondônia em 2026 foi parcialmente limitada por dificuldades no ramp-up das operações.
O mercado doméstico também segue no coração da estratégia da empresa.
No primeiro trimestre, o Brasil respondeu por 54% da receita bruta, ante 49% um ano antes. A empresa tem reforçado linhas de maior valor agregado e ampliado a presença em grandes atacarejos com o projeto Açougue Completo.
O Grupo Almaviva encerrou 2025 com receita de R$ 11,1 bilhões e Ebitda de R$ 2,2 bilhões, com margem de 19,6%, considerando a consolidação da Tivit ao longo de todo o ano.
O resultado do faturamento anual representa crescimento de 25% em relação ao ano anterior, de acordo com comunicado divulgado pelo grupo italiano do setor de tecnologia nesta terça-feira (12).
O desempenho marca o primeiro ciclo completo da empresa após a aquisição da Tivit, concluída em agosto de 2025. O acordo havia sido anunciado em junho do mesmo ano com os fundos assessorados pela Apax Partners, controladora da Tivit desde 2010.
Na América Latina, o grupo registrou R$ 4,5 bilhões em receita, somando as operações da Tivit, Almaviva Solutions, Almawave e Almaviva Experience. O grupo afirma ser o segundo maior provedor de soluções de tecnologia no Brasil.
Mais de 50% da receita da Almaviva é gerada fora da Itália. Além da Tivit, o grupo realizou a aquisição da Iteris nos Estados Unidos em 2024, ampliando sua presença para 21 países.
Após a integração, a Almaviva diz ter equacionado a posição de endividamento da Tivit. Ao encerrar 2024, último exercício antes da aquisição, a dívida líquida consolidada da empresa brasileira era de R$ 533 milhões, com alavancagem de 1,7 vez o Ebitda.
“Estamos testemunhando uma mudança estrutural no setor. A tecnologia deixou de ser apenas uma função de suporte — ela está se tornando um fator determinante para a competitividade dos nossos clientes. Nosso papel está evoluindo de acordo com essa transformação”, afirmou Marco Tripi, CEO global do Grupo Almaviva, em comunicado.
A estratégia do grupo inclui reduzir a dependência de modelos tradicionais de integração de sistemas e avançar no desenvolvimento de plataformas proprietárias com inteligência artificial e capacidades de dados. Entre as soluções citadas estão Moova e Velvet, desenvolvidas na Europa e que passam a ser ofertadas na América Latina.
A Tivit chegou à aquisição pela Almaviva após uma reestruturação que incluiu o desmembramento de suas divisões de data center, sob a marca Takoda, e de terceirização de processos de negócios, a Neobpo.
Em 2024, último exercício antes da aquisição, a empresa registrou receita bruta de R$ 2,1 bilhões, crescimento de 12,2% ante o ano anterior, Ebitda ajustado de R$ 336 milhões com margem de 17,1% e lucro líquido de R$ 24 milhões, ante R$ 6 milhões em 2023.
Já em 2025, primeiro ano sob o guarda-chuva da Almaviva, a Tivit registrou receita bruta de R$ 2,4 bilhões e receita líquida de R$ 2,2 bilhões, crescimento de 12% ante o ano anterior. A unidade de cibersegurança avançou 52% e a de nuvem, 25%, de acordo com as demonstrações financeiras divulgadas separadamente pela companhia em abril.
No comando da Tivit Brasil está Valdinei Cornatione, nomeado CEO em outubro de 2025. Cornatione trabalha na empresa há 28 anos e atuava como Chief Commercial Officer desde 2023.
“A integração com o Grupo Almaviva eleva claramente o nosso posicionamento. Passamos a competir com maior diferenciação tecnológica, maior profundidade de conhecimento setorial e maior relevância nas decisões estratégicas dos nossos clientes”, disse o CEO, em comunicado.
-- Reportagem atualizada para incluir dados da demonstração financeira da Tivit de 2025.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
A MRV Incorporação, principal negócio do conglomerado MRV&Co, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026 — resultado 7,4 vezes maior na comparação anual.
No entanto, a margem bruta – um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado por sinalizar a rentabilidade futura da companhia e seu ritmo de recuperação – ficou estável em 31% na comparação trimestral, apesar da melhora de 3,7 pontos percentuais na comparação anual.
Esta foi a primeira interrupção do ciclo de alta da margem desde o segundo trimestre de 2022. O indicador é observado como termômetro central da tese de recuperação da MRV, que passou por um processo de turnaround após a explosão dos custos de construção no pós-pandemia.
Ricardo Paixão, CFO da MRV, reforçou que o cenário atual não é uma virada na tendência de bons resultados da companhia.
O que segurou a expansão de margem foi a deterioração das expectativas com a inflação de custos, causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
“Foi um ponto fora da curva”, afirmou em entrevista à Bloomberg Línea. “Olhando para frente, não vejo porque não possamos ter uma melhora similar ao ritmo anterior.”
As ações globais operam em queda nesta terça-feira (12), em um movimento de correção das empresas de tecnologia, enquanto investidores aguardam os dados de inflação dos Estados Unidos.
- Caso Master pressiona o BC.As restrições orçamentárias do Banco Central ampliam preocupações sobre a capacidade do órgão de monitorar o sistema financeiro. Para pessoas próximas ouvidas pela Bloomberg News, o caso Master expôs brechas de supervisão.
- Tarifas sobre carne bovina. O governo dos EUA suspendeu temporariamente um plano para flexibilizar tarifas sobre importações de carne bovina após pressão de pecuaristas e republicanos, segundo o Wall Street Journal. Se aprovada, a medida tenderia a beneficiar o Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo.
- IA acelera demanda da Siemens Energy. A companhia alemã prevê que o avanço da inteligência artificial e a expansão de data centers impulsionem a demanda por turbinas a gás e equipamentos de rede até 2030, segundo disse a CFO do grupo, Maria Ferraro, em entrevista à Bloomberg Television.
A MRV Incorporação, principal negócio do conglomerado MRV&Co, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026 — resultado 7,4 vezes maior na comparação anual.
No entanto, a margem bruta – um dos indicadores mais acompanhados pelo mercado por sinalizar a rentabilidade futura da companhia e seu ritmo de recuperação – ficou estável em 31% na comparação trimestral, apesar da melhora de 3,7 pontos percentuais na comparação anual.
Esta foi a primeira interrupção do ciclo de alta da margem desde o segundo trimestre de 2022. O indicador é observado como termômetro central da tese de recuperação da MRV, que passou por um processo de turnaround após a explosão dos custos de construção no pós-pandemia.
Ricardo Paixão, CFO da MRV, reforçou que o cenário atual não é uma virada na tendência de bons resultados da companhia.
“Foi um ponto fora da curva”, afirmou em entrevista à Bloomberg Línea. “Olhando para frente, não vejo porque não possamos ter uma melhora similar ao ritmo anterior.”
O que segurou a expansão de margem foi a deterioração das expectativas com a inflação de custos, causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
Com a alta dos preços do petróleo e insumos do setor de construção, a MRV decidiu revisar de forma conservadora suas projeções de inflação, elevando em dois pontos percentuais a estimativa de custo sobre os empreendimentos já lançados. O efeito prático é um aumento no custo ainda a incorrer nas obras em andamento.
O CFO afirmou ainda que o efeito da inflação deve ser parcialmente compensado pelas mudanças recentes no programa Minha Casa Minha Vida. No final de abril, o governo promoveu uma correção nas faixas de renda e nos parâmetros do programa, ampliando a capacidade de pagamento dos clientes em todas as faixas — da 1 à 4.
A atualização eleva o poder de compra dos usuários do programa e abre espaço para reajuste de preços por parte das incorporadoras, funcionando como uma válvula de alívio para a pressão de custos.
Segundo Paixão, a medida deve aparecer melhor nos resultados do segundo trimestre. “Os novos parâmetros do MCMV nos permitem tentar compensar, em parte, esse aumento potencial de inflação. Mas ainda não vimos efetivamente essa inflação acontecer, são projeções”, afirmou.
Prejuízo no consolidado da MRV&Co
Já a MRV&Co, grupo que reúne a MRV, Urba, Luggo e Resia, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido ajustado de R$ 14,4 milhões.
O balanço do conglomerado segue impactado negativamente pela subsidiária americana Resia que, sozinha, registrou um prejuízo de R$ 120 milhões. O resultado reverteu lucro de R$ 116,5 milhões no quarto trimestre de 2025 e também ficou 94,5% abaixo do montante alcançado no mesmo período do ano anterior.
A subsidiária norte-americana registrou a venda de um ativo por valor inferior ao contabilizado no balanço, ampliando o prejuízo da operação.
O plano de desinvestimento, no entanto, segue em curso: a companhia projeta concluir vendas relevantes de propriedades até o fim de 2026, o que deve reduzir progressivamente a alavancagem e a despesa financeira da unidade.
Apesar da pressão já esperada da Resia, a MRV também teve os resultados afetados por outro fator: o descasamento entre produção e repasses no trimestre. A MRV produziu em média 3.200 unidades por mês contra apenas 2.700 repassadas – um gap de 1.500 unidades que pressionou a geração de caixa e o reconhecimento de receita.
O CFO destacou que mais de 40% das vendas do primeiro trimestre se concentraram em março, impedindo que essas unidades fossem reconhecidas a tempo no resultado do primeiro trimestre. A expectativa é que o descompasso beneficie os resultados do próximo trimestre.
“Certamente no segundo trimestre teremos crescimento maior de receitas e de vendas. Vamos voltar pra aquela trajetória de resultado ainda mais forte”, disse.
A receita líquida consolidada da companhia somou R$ 2,776 bilhões no período, alta de 21,6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. As despesas operacionais consolidadas, por sua vez, totalizaram R$ 444,5 milhões, avanço de 6,5% na comparação anual.
MRV Incorporação, principal negócio do conglomerado MRV&Co, registrou um lucro líquido ajustado de R$ 132,8 milhões no primeiro trimestre de 2026. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
A Petrobras (PETR3, PETR4) registrou um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre do ano, queda de 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta segunda-feira (11).
No critério sem eventos exclusivos, o indicador marcou R$ 23,8 bilhões, alta de 0,8% na mesma base de comparação.
Segundo a companhia, o resultado no trimestre foi influenciado pelo ganho com a variação cambial da ordem de R$ 12,3 bilhões e a reversão do impairment (baixa contábil).
“Entregamos resultados financeiros consistentes no primeiro trimestre de 2026, mantendo a forte geração de caixa, sustentada pela excelente performance dos nossos ativos e por recordes de produção de óleo e gás”, disse em comunicado o diretor financeiro e de relacionamento com investidores, Fernando Melgarejo.
Ainda nesta segunda-feira, a companhia informou que o conselho de administração aprovou o pagamento de remuneração aos acionistas no valor de R$ 9 bilhões, equivalente a R$ 0,7009 por ação ordinária e preferencial.
No primeiro trimestre do ano, a companhia destacou o aumento da produção total própria e o incremento dos volumes produzidos e de venda de derivados.
No entanto, a petroleira disse em comunicado que os efeitos dos aumentos de preços do petróleo recentes “ainda não foram percebidos devido à lógica de precificação de exportações” e que a alta do barril após o início do conflito no Oriente Médio “estará refletida nas exportações do segundo trimestre de 2026.”
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado (sem eventos exclusivos) de janeiro a março foi de R$ 61,7 bilhões, queda de 1% na comparação anual.
De acordo com a Petrobras, o resultado foi impulsionado pelo aumento nas vendas de derivados produzidos e menores despesas operacionais, em especial a redução dos custos exploratórios.
Por outro lado, as exportações reduzidas de petróleo no período atenuaram parcialmente os resultados.
No trimestre, a receita de vendas atingiu R$ 123,6 bilhões, alta de 0,4% sobre um ano antes.
Dívida e capex
A dívida líquida da estatal atingiu US$ 62 bilhões no primeiro trimestre, ante US$ 56 bilhões um ano antes.
De janeiro a março, os investimentos totalizaram US$ 5,1 bilhões, alta de 25,6% na comparação anual. No período, o segmento de exploração e produção se destacou, concentrando 87,4% do capex.
Na visão do analista da Suno Research, João Daronco, o resultado do trimestre não decepcionou estruturalmente, mas frustrou na margem.
“A operação está entregando, mas o problema é que o timing do reconhecimento de receita ‘comeu’ o efeito do Brent, o capital de giro pesou no fluxo de caixa operacional e os dividendos vieram apenas razoáveis em um trimestre que, pelo cenário de preços, prometia mais”, disse o analista em nota.
Daronco acrescentou que os aspectos de longo prazo seguem intactos, com a Petrobras mantendo um dos custos de produção (“lifting cost”) mais baixos do mundo, além de um cronograma de novos sistemas de produção até 2030, geração de caixa estrutural relevante e endividamento confortável.
Em sua avaliação, o maior risco para a companhia é a governança estatal e a política dos preços e do capital.
O Google Cloud apresentou um documento em resposta ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), detalhando o que classifica como práticas abusivas da Microsoft para supostamente favorecer sua plataforma de nuvem, a Azure, em um novo capítulo da disputa regulatória no setor de tecnologia.
No documento, o Google alega que as restrições de licenciamento da gigante de Redmond criariam um cenário de “fechamento de mercado” que prejudicaria empresas brasileiras e órgãos governamentais.
Em janeiro, o Cade abriu um inquérito para apurar infrações à ordem econômica relacionadas à atuação da Microsoft nos mercados de software corporativo e computação em nuvem.
A superintendência do órgão acolheu uma recomendação da área técnica, baseada em relatório da CMA (Autoridade de Concorrência e Mercados) do Reino Unido, publicado no ano passado, que identificou efeitos adversos à concorrência decorrentes das políticas de licenciamento de softwares da empresa fundada por Bill Gates naquele país.
Para dar seguimento, o Cade solicitou o posicionamento de concorrentes e de grandes companhias sobre a atuação de mercado da Microsoft.
O cerne da questão reside no modelo Bring Your Own License (BYOL). Segundo o Google, a Microsoft teria se utilizado de sua dominância histórica em softwares corporativos, como o Windows Server e o SQL Server, para supostamente elevar artificialmente os custos de migração para nuvens concorrentes.
Procurada, a Microsoft não respondeu aos pedidos de comentários até a publicação da reportagem.
De acordo com os dados apresentados, desde outubro de 2019 a Microsoft teria impedido que clientes com novas licenças do Windows Server utilizassem o benefício BYOL em “Provedores Listados” — categoria que inclui Google Cloud, AWS e Alibaba.
Na prática, um cliente que já possui licenças on-premises (instalações físicas locais) e deseja migrar para o Google Cloud seria forçado a adquirir uma nova licença por meio de um contrato de revenda (SPLA), gerando uma “dupla cobrança”, de acordo com o Google.
O documento menciona que a Microsoft se incluiu como Provedor Listado, mas criou o Azure Hybrid Benefit (AHB) para, na prática, supostamente se isentar das restrições que impôs aos rivais, na visão do Google.
“Um cliente que adquira serviços de nuvem de um concorrente da Microsoft acabará pagando um acréscimo de 400% sobre o valor dos serviços de nuvem de que efetivamente necessita”, afirma o documento.
A empresa sustenta que, para igualar o preço da Microsoft, um concorrente teria que oferecer sua infraestrutura gratuitamente e ainda pagar ao cliente um montante equivalente a 300% do valor do serviço.
Em um exemplo enviado ao Cade, o Google cita dados da Microsoft apontando que utilizar o Windows Server e o SQL Server na AWS poderia custar até cinco vezes mais do que na Azure, devido à impossibilidade de aplicar os mesmos descontos de licenciamento em nuvens rivais.
Poder de mercado e ‘lock-in’
O Google rebateu a tese da Microsoft de que softwares de código aberto (como Linux) seriam substitutos próximos de seus produtos proprietários. Citando investigações da autoridade britânica (CMA) e decisões anteriores do próprio Cade, o Google aponta que a Microsoft detém entre 70% e 80% do mercado global de sistemas operacionais para servidores.
A dependência tecnológica é o principal fator de lock-in. Para muitas empresas tradicionais, a migração para a nuvem ocorre via lift and shift (transferência direta sem alteração de código).
Como o Windows Server é frequentemente necessário para que outras aplicações funcionem, a impossibilidade de reutilizar licenças tornaria a Azure a “única opção economicamente racional”, na visão do Google.
O Google também listou produtos “essenciais” que a Microsoft supostamente não disponibiliza para revenda no Google Cloud, como o Microsoft 365, o Windows Desktop e assinaturas do Visual Studio.
Justificativas ‘infundadas’
A defesa da Microsoft ao Cade baseou-se na diferenciação entre os grandes provedores (hyperscalers) e provedores menores. A Microsoft alega que as restrições aos grandes protegem a concorrência dos pequenos.
O Google classifica essa distinção como “artificial” e “discriminatória”, argumentando que empresas como Oracle e IBM possuem capacidades técnicas de escala similares e que não cabe à Microsoft “moldar a dinâmica concorrencial”.
Sobre o argumento de proteção de propriedade intelectual, o Google afirma que a Microsoft já é remunerada pelas licenças e pelo Software Assurance e que a política de licenciamento da companhia não diz respeito à proteção de propriedade intelectual, e sim à promoção de fechamento de mercado direcionado contra seus concorrentes mais eficazes.
Os advogados do Google Cloud alertam que a continuidade dessas práticas aumentaria o “aprisionamento” tecnológico de órgãos públicos e grandes empresas brasileiras em processo de transformação digital.
Sem uma intervenção do Cade, o Google prevê uma redução da resiliência do mercado e uma elevação dos custos totais para a economia nacional, além de prejuízos à competição no setor.
Onde ficam os clientes
Em paralelo aos concorrentes diretos, como Google Cloud e AWS, o Cade também tem recebido as respostas das companhias. Entre mais de 10 posicionamentos consultados pela Bloomberg Línea, as empresas reconhecem que a política da Microsoft tem um peso na decisão entre os provedores de serviços de nuvem.
Em resposta ao órgão antitruste local, a Gol, por exemplo, disse reconhecer que a migração entre provedores de nuvem apresenta grau elevado de dificuldade, com impactos advindos de diferenças na arquitetura, custos de transferência de dados, impactos contratuais e modelos de licenciamento.
A companhia aérea afirmou ainda que “as condições de licenciamento de software Microsoft têm o potencial de influenciar as decisões de alocação de workloads entre provedores de computação em nuvem, na medida em que impactam o custo total de operação e condicionam a viabilidade de determinadas arquiteturas”.
O Bradesco, que começou o seu processo de migração de on-premises para nuvem em 2022, disse que o modelo BYOL ajudou na redução dos custos iniciais da operação e que as licenças contribuem ao propiciar melhores condições comerciais e benefícios específicos.
“É um fator relevante, especialmente para workloads dependentes de software Microsoft, pois pode impactar no custo total de propriedade, além da complexidade operacional e flexibilização das migrações”, escreveu o porta-voz da companhia no documento ao Cade.
Para a Claro, o modelo BYOL facilita a migração para a nuvem ao reaproveitar as licenças, acelerando o cenário de lift and shift e trazendo um benefício especialmente na redução de custos iniciais.
A empresa informou, contudo, que não percebe que as condições de licenciamento podem favorecer ou dificultar a concorrência: “Considerando o modelo atual de licenciamento disponibilizado para a Claro, não percebemos esse tipo de impacto”, afirmou a companhia no documento.
Em janeiro, o Cade abriu um inquérito para apurar infrações à ordem econômica relacionadas à atuação da Microsoft nos mercados de software corporativo e computação em nuvem. (Foto: Adam Gray/Bloomberg)
O BTG Pactual (BPAC11) fechou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 4,8 bilhões, alta de 42,3% em relação ao mesmo período do ano passado, divulgou o banco de investimentos nesta segunda-feira (11).
As receitas totais de R$ 10 bilhões no período representam um avanço de 34,3% na mesma base de comparação. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROAE), métrica que mostra quanto o banco gera de lucro para cada real investido pelos acionistas, ficou em 26,6%, acima dos 23,2% de 12 meses atrás.
Os números vieram em um trimestre que, segundo o próprio banco, foi atravessado por maior volatilidade nos mercados e tensões geopolíticas. Esse pano de fundo tem encarecido o crédito globalmente, pressionado moedas emergentes e travado emissões em bolsa em várias praças.
Mesmo no ambiente de maior turbulência, o maior banco de investimentos da América Latina captou R$ 83 bilhões líquidos de novos recursos, o chamado NNM, sigla em inglês para net new money, que mede o quanto entrou de dinheiro novo de clientes descontando o que saiu no mesmo período.
Com isso, o banco chegou à marca de R$ 2,6 trilhões em ativos sob gestão e administração (AuM/WuM), somando as plataformas de gestão de fortunas e de fundos.
Em nota à imprensa, o CEO Roberto Sallouti destacou a diversificação da plataforma e a disciplina na alocação de capital.
“Entregamos mais um trimestre de resultados recordes, mesmo diante de um cenário mais desafiador ao longo do período”, afirmou o executivo.
Performance por área
A diversificação de negócios aparece quando se abrem as áreas de negócio. O Investment Banking, divisão que assessora empresas em fusões, aquisições e emissões de ações e dívida, faturou R$ 628 milhões, 65,1% acima do mesmo período do ano passado, puxado principalmente pela área de dívida (DCM), com contribuições adicionais de M&A e ofertas de ações.
Já o Corporate Lending, braço de crédito para empresas, bateu recorde de R$ 2,3 bilhões em receita, alta de 20,7% no ano, com a carteira chegando a R$ 281 bilhões, dos quais R$ 32,9 bilhões em pequenas e médias empresas.
A área de Sales & Trading, que atua na compra e venda de ativos para clientes, somou R$ 1,9 bilhão em receitas, crescimento de 43,1% no ano, enquanto o VaR, indicador que mede a perda potencial diária da carteira em cenários adversos, recuou para 0,32% do patrimônio, sinalizando gestão de risco mais conservadora em meio à turbulência externa.
No varejo de alta renda, o Wealth Management & Personal Banking voltou a registrar receita recorde, de R$ 1,5 bilhão (+44,6% na comparação anual), com captação líquida de R$ 34,9 bilhões no trimestre. Em Asset Management, o NNM somou R$ 47,9 bilhões e a receita avançou 6,5%, para R$ 783 milhões.
A novidade no balanço é a vertical de Consumer Finance & Banking, criada após o BTG concluir a aquisição das ações remanescentes do Banco Pan e passar a consolidar integralmente seus resultados.
A carteira de crédito ao consumidor chegou a R$ 73,6 bilhões, com destaque para consignado e financiamento de veículos, e a Too Seguros faturou R$ 171 milhões no período. Em abril, o banco concluiu também a compra da Meu Tudo, reforçando a aposta no varejo financeiro.
Do lado da estrutura de capital, o índice de Basileia, que mede a solidez dos bancos frente a perdas, fechou em 15,9%, acima do mínimo regulatório de 10,5% exigido pelo Banco Central. O LCR, indicador de liquidez de curto prazo, ficou em 160,9%, e a base de funding chegou a R$ 379 bilhões, 31% maior em 12 meses.
Desempenho na B3 e driver
As units do BTG Pactual fecharam o pregão do último dia 8 a R$ 58,65, com valorização de 47,55% em 12 meses e de 12,38% no acumulado do ano. Esse desempenho coloca o papel entre os destaques do setor financeiro no período e supera com folga o avanço do Ibovespa na mesma base (+14,68% no ano e + 34,82% em 12 meses).
Parte da leitura otimista sobre os papéis vai além do balanço corrente. Em relatório publicado em 17 de março, o analista Yuri Fernandes, do JPMorgan, calcula que os créditos do FCVS podem ter gerado entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão em receita anualizada para o BTG. Outro montante de R$ 0,8 bilhão a R$ 1,4 bilhão ainda deve ser reconhecido em 2026, quando os pagamentos do Tesouro tendem a se encerrar.
O FCVS é o Fundo de Compensação de Variações Salariais, mecanismo criado pelo governo entre o fim dos anos 1960 e o início dos 1990. Servia para amortecer o descompasso entre salários, inflação e prestações imobiliárias durante a hiperinflação. Os ganhos vêm sobretudo dos bancos Nacional e Econômico (BESA), comprados pelo BTG em operações de special situations, modalidade voltada a ativos distressed e complexos.
Para o JPMorgan, a estratégia vem se transformando em linha recorrente de geração de valor. Somados ao Banco Sistema, esses três braços responderam por cerca de 36% do lucro contábil do grupo no quarto trimestre de 2025.
O relatório nota ainda que o avanço dos yields na carteira de Corporate Lending nos últimos anos pode estar parcialmente associado ao reconhecimento desses créditos. É justamente o segmento que voltou a bater recorde de receita neste trimestre. O JPMorgan mantém recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 61.
No varejo de alta renda, a área de Wealth Management & Personal Banking voltou a registrar receita recorde, de R$ 1,5 bilhão. (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
A busca de investidores globais por ativos fora dos Estados Unidos, os conflitos geopolíticos e a dinâmica das taxas de juros são alguns dos fatores que têm feito o dólar perder valor frente a outras moedas globais, principalmente o real, no último ano.
Para Artur Wichmann, Chief Investment Officer (CIO) da XP Investimentos, é possível que essas forças continuem exercendo influência negativa sobre a moeda americana, mas isso não significa que o dólar deixará de perder o status de moeda de reserva do mundo.
Na visão de Wichmann, os dois fenômenos podem coexistir, especialmente em um cenário no qual outras moedas, como o euro europeu e o renminbi chinês não tem força para ocupar o lugar que a divisa americana tem hoje nos mercados.
“É possível ter um dólar mais fraco estruturalmente enquanto essa moeda continua sendo o padrão de reserva de valor no mundo”, afirmou Wichmann em entrevista à Bloomberg Línea. “O dólar ganha por W.O. Não tem quem substitua.”
As ações globais operam em queda nesta segunda-feira (11), depois que Estados Unidos e Irã não chegaram a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.ㅤ
- Tratativas da guerra. Donald Trump e o Irã não chegaram a um acordo sobre o fim da guerra no Oriente Médio. Segundo o Wall Street Journal, Teerã se ofereceu para transferir parte de seu estoque de urânio a um terceiro país, mas não aceitou desmontar suas instalações nucleares.ㅤ
- IA impulsiona Coreia e Taiwan. O Goldman Sachs prevê que o boom global de chips ligados à inteligência artificial levará os superávits externos de Coreia do Sul e Taiwan a níveis recordes. Para os analistas do banco, as exportações de semicondutores devem ganhar peso ainda maior nas economias locais.ㅤ
- Mudanças na Delivery Hero. A Prosus vendeu 5% da companhia alemã de delivery para a gestora Aspex por € 335 milhões, reduzindo sua participação para cerca de 17%. A Aspex ampliou sua posição para aproximadamente 14% e segue pressionando a administração da Delivery Hero por mudanças na liderança.
A busca de investidores globais por ativos fora dos Estados Unidos, os conflitos geopolíticos e a dinâmica das taxas de juros são alguns dos fatores que têm feito o dólar perder valor frente a outras moedas globais, principalmente o real, no último ano.
Para Artur Wichmann, Chief Investment Officer (CIO) da XP Investimentos, é possível que essas forças continuem exercendo influência negativa sobre a moeda americana, mas isso não significa que o dólar deixará de perder o status de moeda de reserva do mundo.
Na visão de Wichmann, os dois fenômenos podem coexistir, especialmente em um cenário no qual outras moedas, como o euro europeu e o renminbi chinês não têm força para ocupar o lugar que a divisa americana tem hoje nos mercados.
“É possível ter um dólar mais fraco estruturalmente enquanto essa moeda continua sendo o padrão de reserva de valor no mundo”, afirmou Wichmann em entrevista à Bloomberg Línea. “O dólar ganha por W.O. Não tem quem substitua.”
A China avança em esforços para fortalecer o renminbi como moeda de referência em sua zona de influência, mas o caminho ainda é longo. Barreiras de conversibilidade e desconfiança institucional limitam o alcance dessa ambição no horizonte relevante para investidores.
Uma transição nos moldes do que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, quando o dólar substituiu a libra esterlina como padrão global, ainda está fora do radar.
E é justamente esse papel insubstituível do dólar que, na avaliação de Wichmann, impede que o enfraquecimento da moeda ocorra de forma abrupta.
“De janeiro a julho de 2025, tivemos o pior início de ano do dólar desde que o Nixon tirou o dólar do padrão ouro. O dólar perdeu 11% contra uma cesta relevante de moedas. É um movimento pontual, que se ocorre com maior frequência levaria o mundo a uma crise”, disse.
Outro ponto que pode fazer o dólar perder valor de forma mais prolongada ao longo do tempo é a ambiguidade entre a narrativa e a prática na política americana.
Os Estados Unidos mantêm o discurso oficial de defesa de um dólar forte, mas Wichmann avalia que uma parte relevante do próprio governo Trump prefere o cenário oposto, já que um dólar mais fraco ajudaria a corrigir déficits comerciais e ajudaria a indústria americana a ganhar competitividade – objetivos centrais da agenda tarifária de Trump.
Brasil larga na frente
Nesse cenário, o Brasil tem se destacado. A combinação de um dólar global mais fraco com a posição do país como exportador líquido de commodities – petróleo, minério de ferro e agrícolas – coloca o Brasil entre os beneficiários da nova dinâmica global, na avaliação de Wichmann.
O resultado aparece no câmbio. “O Brasil talvez seja o ganhador relativo do conflito no Oriente Médio. Se no ano passado o real foi bem dentro de um conjunto de emergentes que também tiveram boa performance, agora ele começa a se destacar”, defendeu o CIO.
Existe, no entanto, o contraponto da dinâmica, que é a alta da inflação. Com o petróleo acima de US$ 100 o barril, as projeções de IPCA subiram e comprimiram o espaço do Banco Central para cortar juros.
Wichmann reconhece o risco, mas não o vê como suficiente para inverter o saldo positivo do país – ao menos no cenário-base. Outros emergentes, como Coreia do Sul e Vietnã, enfrentam o mesmo choque inflacionário sem a contrapartida das exportações de commodities.
É possível ainda que fatores internos comecem a ter maior impacto na dinâmica cambial conforme se aproximem as eleições presidenciais de 2026.
Segundo o CIO, o capital estrangeiro que hoje entra no Brasil sem grandes questionamentos deve começar a precificar as propostas econômicas dos candidatos nos próximos meses.
“O investidor estrangeiro quer saber de apenas uma coisa: qual é a trajetória da dívida sobre o PIB”, resumiu. A resposta a essa pergunta deve determinar o próximo grande movimento do real, especialmente no caso da oposição, cuja plataforma ainda não está clara".
Wichmann avalia ainda que o impacto eleitoral sobre o câmbio tende a se intensificar apenas após a Copa do Mundo, quando a atenção da população e dos mercados deve se voltar de forma mais consistente para o debate político.
“É pouco provável assumir que o real vai ser influenciado apenas por fatores globais em um ano de eleição presidencial”, disse.
Transição nos moldes do que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, quando o dólar substituiu a libra esterlina como padrão global, ainda está fora do radar. (Foto: Dimas Ardian/Bloomberg)
Para Reggie Bullock, que jogou em sete times da NBA ao longo de 11 temporadas, o que começou como uma busca no YouTube por recomendação de um ex-companheiro de equipe, Dennis Smith Jr., acabou concretizando o conceito de riqueza geracional que ele tanto almejava.
Longe das quadras de basquete e sem um plano de negócios, o ex-jogador mostrou que a segunda fase da carreira de um atleta não precisa ser definida em um estúdio de televisão ou em um escritório de uma franquia. Pode, sim, ser construída em uma ilha em forma de coração no Caribe, a 8.000 km das quadras do Texas, onde disputou sua última temporada com o Houston Rockets em 2024.
Bullock, que acumulou pouco mais de US$ 53 milhões em salários ao longo de sua carreira, é hoje o fundador do Bullock Island, um resort privado de cerca de 22,2 mil metros quadrados, localizado a oito quilômetros da costa de Placencia, no distrito de Stann Creek, no sudeste de Belize.
O atleta de 35 anos comprou o terreno em 2022 por US$ 2,2 milhões para construir a casa dos seus sonhos, “mas acabei me envolvendo no setor de turismo e transformei isso em um negócio”, contou Bullock em uma entrevista ao canal do YouTube de Will Mitchell, que aborda oportunidades imobiliárias em Belize.
“Uma das minhas principais preocupações era a questão da riqueza geracional. Era um projeto que senti que precisava abordar, e que nunca havia sido feito antes. Mas eu estava pronto para o desafio”, disse o atleta, nascido em Baltimore, em 1991.
Essa visão exigiu uma injeção de capital no valor de US$ 10 milhões, destinada a superar os desafios logísticos de construir no meio do mar do Caribe.
O resultado é um complexo cuja peça central é uma mansão de 370 metros quadrados com um cinema escondido atrás de uma biblioteca, complementada por onze unidades de hospedagem distribuídas entre vilas e chalés à beira-mar, além de um restaurante, um spa e uma quadra de basquete.
Além de uma experiência de isolamento e exclusividade, o resort conta a história íntima de seu próprio fundador. A propriedade tem o atrativo de estar localizada em uma ilha em forma de coração, o que, para Bullock, não foi mera coincidência, mas um sinal. Os seus filhos gêmeos, nascidos em novembro de 2020, chamam-se Heart e Soul.
A mansão principal foi projetada como uma homenagem à sua avó – a mulher que o criou – e tem o nome dela gravado em uma das portas. Até mesmo a placa de madeira que dá as boas-vindas aos hóspedes quando chegam de barco presta homenagem às suas duas irmãs, Mia e Kiosha, tragicamente assassinadas em Baltimore em 2014 e 2019.
Essa conexão pessoal busca se destacar no competitivo mercado caribenho. A Bullock Island opera com base em um modelo de contratação e abastecimento local na península de Placencia, oferecendo uma experiência belizenha autêntica no único país da América Central onde o inglês é a língua oficial.
Os hóspedes também podem explorar a barreira de corais de Belize, que faz parte do Sistema de Recifes Mesoamericano, o segundo maior do mundo, depois da Grande Barreira de Corais da Austrália.
A aposta se soma a uma tendência de valorização do mercado liderada por figuras de destaque. Belize já havia testemunhado um movimento semelhante na década de 1990, quando o cineasta norte-americano Francis Ford Coppola adquiriu e reformou propriedades na mesma região de Placencia, como o Turtle Inn e a reserva particular Coral Caye, para seu portfólio de hotéis de luxo.
A Venezuela foi o país da América Latina onde a fraude digital mais cresceu no ano passado, de acordo com o relatório Fraud Beat 2026 elaborado pela AppGate, uma empresa líder em soluções integradas de segurança cibernética.
O relatório explica como o phishing, o uso indevido de marcas e as redes sociais estão impulsionando uma cadeia de fraudes cada vez mais industrializada, tanto na região quanto no mundo.
“O aumento constante do phishing, aliado ao uso não autorizado de marcas como principal vetor de ataque, tem sido determinante. Esses incidentes estão impulsionando uma cadeia de fraudes mais eficiente, na qual a usurpação de identidade facilita a obtenção de credenciais e, posteriormente, o acesso a contas para a retirada de fundos”, afirma David López Agudelo, vice-presidente de vendas para a América Latina da AppGate.
O phishing, como principal forma de ataque cibernético, utiliza e-mails, mensagens de texto, ligações telefônicas, sites fraudulentos, redes sociais e até mesmo códigos QR para enganar as pessoas, fazendo com que compartilhem dados confidenciais de suas organizações.
Somente na Venezuela, as fraudes digitais em 2025 aumentaram 228% em relação ao ano anterior, sendo o país da região mais exposto a esse problema. Em seguida, vêm a Guatemala (206%), a Costa Rica (182%), a Nicarágua (170%) e a Bolívia (89%).
Completam o top 10 a Dominica (67%), República Dominicana (63%), Brasil (53%), Chile (40%) e El Salvador (28%).
O relatório revela que, ao contrário do que se imagina, a fraude digital já não tem origem em canais tradicionais, como o e-mail, mas sim em plataformas externas, especialmente nas redes sociais.
“Nessas plataformas, os golpes e a falsificação de identidade representam 86% das ameaças detectadas”, revela o relatório.
O fato de a falsificação de identidade nas redes sociais estar servindo de ponto de partida para fraudes não é por acaso: isso diminui a visibilidade sobre a origem do ataque e aumenta o risco de invasão de contas.
Os setores mais ameaçados nas redes sociais são: finanças (35,5%), comércio varejista (17,7%), governo federal (15,7%), tecnologia (8,9%), hotelaria e turismo (6,1%), manufatura (4,5%), transporte (3,7%) e outros (7,9%).
O que parece ser uma rede de fraudes cada vez mais industrializada é composta por quatro elos:
Exposição externa (redes sociais, falsificação de marca)
Roubo de identidade (phishing, smishing, códigos QR)
Controle de contas (uso de credenciais roubadas)
Saques (transferências, fraude BEC, pagamentos)
Um aspecto notável no final da cadeia de fraudes, na etapa de levantamento de fundos, são as fraudes BEC, nas quais altos executivos das empresas são falsamente representados para solicitar dados confidenciais ou dinheiro aos seus subordinados.
“O número de transferências relacionadas ao golpe de e-mail corporativo (BEC) cresceu 136% no último trimestre de 2025, evidenciando o foco dos invasores em lucrar rapidamente”, afirma o relatório.
Para as instituições financeiras, cada dólar perdido devido a fraudes equivale a US$ 5,16 em custo total, em razão de uma série de fatores: perda direta, investigação do ocorrido, impacto nas operações, recuperação do valor perdido, sobretaxas, reputação e perda de clientes.
A AppGate destaca que as organizações líderes estão repensando suas estratégias de controle, passando de modelos reativos para esquemas baseados em decisões em tempo real. Em vez de acumular ferramentas isoladas, elas têm adotado abordagens integradas que incluem:
Redução da exposição externa (monitoramento e eliminação de ameaças);
Avaliação contínua de riscos em sessões e dispositivos;
Aplicação de atrito adaptativo apenas em momentos críticos;
Automatização do bloqueio de ataques com tempos de resposta definidos;
É o fim de uma era: a Panini não produzirá mais o tradicional álbum da Copa do Mundo, após a FIFA anunciar um acordo com a Fanatics pela licença que inclui colecionáveis e figurinhas do torneio de futebol.
O acordo entrará em vigor em 2031 e os novos produtos serão produzidos pela marca Topps, de propriedade da Fanatics, anunciou a FIFA em um comunicado nesta quinta-feira (07).
A parceria deixa de fora a Panini, editora italiana que, desde 1970, produz o álbum de figurinhas colecionáveis.
“A Fanatics está impulsionando uma enorme inovação no setor de colecionáveis, oferecendo aos torcedores uma nova e significativa forma de se conectar com seus times e jogadores favoritos”, afirmou em comunicado o presidente da FIFA, Gianni Infantino. “Além disso, isso representa mais uma importante fonte de receita comercial que, como sempre, reinvestimos no esporte e no futebol.”
Ainda em 30 de abril, a Panini lançou a edição 2026 do seu álbum, o maior da história, com 980 figurinhas, que se transformou em uma exposição de figurinhas monumentais que percorrerá as cidades-sede do torneio no México entre maio e julho.
Este será o penúltimo álbum que a Panini lançará como parte de seu atual contrato com a FIFA, que vence em 2030. Com isso, chegará ao fim uma tradição de mais de 60 anos relacionada à Copa do Mundo, durante a qual a editora italiana publicou 15 álbuns de figurinhas.
A Panini perdeu várias das licenças mais valiosas do mercado de colecionáveis esportivos nos últimos anos, diante do crescimento da Fanatics e de sua marca Topps. A editora se despediu da NBA, da NFL e da Premier League, cujos colecionáveis agora serão produzidos pela Topps a partir da temporada 2025-26.
Novidades da Copa
O novo acordo entre a entidade do futebol e a Fanatics inclui itens colecionáveis físicos e digitais, mas o comunicado não especificou se inclui um álbum.
Como parte do acordo, os fãs de futebol terão acesso a novos produtos, como “a cobiçada coleção de emblemas de camisas de jogadores, incluindo os emblemas de estreia, que serão incorporados aos cartões colecionáveis de futebol a partir de 2031”.
A Fanatics também anunciou que pretende fortalecer a cultura do futebol por meio da distribuição gratuita de mais de US$ 150 milhões em produtos colecionáveis durante a vigência do acordo.
O anúncio deste acordo coincide com um boom desse tipo de artigo. A empresa de pesquisa de mercado Strategic Market Research projeta que o mercado global de artigos colecionáveis e memorabilia esportiva atingirá US$ 40,5 bilhões até 2030.
A demanda por veículos elétricos acessíveis vem disparando na Europa, à medida que os aumentos nos preços de combustível causados pelo conflito do Oriente Médio impulsionam famílias a adotar a tecnologia verde.
As consultas sobre veículos elétricos custando menos de €30.000 (US$ 35.000) na Mobile.de, o maior marketplace de automóveis da Alemanha, saltaram 87% desde o início de março, lideradas por modelos como o Zoe, da Renault.
Isso supera um aumento de 77% nas consultas sobre todos os veículos elétricos, independentemente do preço.
No Reino Unido, as consultas sobre veículos elétricos entre cinco e sete anos de idade triplicaram em abril em relação ao ano anterior, bem à frente de carros elétricos novos e mais caros, de acordo com dados da Auto Trader, o maior marketplace do país.
O conflito do Oriente Médio impulsionou o interesse dos consumidores em veículos elétricos, em parte por causa dos custos mais elevados de combustível para veículos de motor de combustão interna.
A demanda também foi impulsionada por incentivos na Alemanha, o maior mercado de elétricos da Europa, onde compradores podem obter até €6.000 de desconto no preço de um carro elétrico novo.
“O que a guerra do Irã está fazendo é criar um foco na acessibilidade porque há alta inflação e incerteza no mundo”, disse Ajay Bhatia, diretor executivo da Mobile.de, em uma entrevista. As pessoas não estão comprando veículos elétricos caros, “estão optando pelos mais acessíveis”, acrescentou.
Em contraste, as consultas — definidas como contato com o vendedor — sobre carros movidos a gasolina aumentaram apenas ligeiramente, enquanto o interesse por modelos a diesel caiu.
Há uma onda de novos veículos elétricos mais acessíveis chegando à Europa de montadoras que correm para acompanhar rivais da China. Marcas vêm ganhando terreno na região com modelos elétricos mais baratos que possuem a tecnologia mais recente.
Motoristas podem alugar o T03, carro urbano da chinesa Leapmotor, que tem uma joint venture controlada pela Stellantis, por €49 por mês na Alemanha, menos que uma conta típica de telefone celular.
No Reino Unido, o segundo maior mercado de veículos elétricos da região, os valores residuais de carros movidos a bateria têm sido muito mais robustos nos últimos meses do que foram por algum tempo, de acordo com a Cox Automotive, um sinal de aumento do interesse dos compradores.
Veículos elétricos com menos de um ano sustentaram seu valor melhor do que modelos de combustão, mostram os dados da Cox. Enquanto seu valor caiu 8% entre fevereiro e abril, carros a gasolina e diesel recuaram mais de um quinto no mesmo período.
Veículos elétricos entre um e dois anos não perderam valor nesse período, enquanto a gasolina e o diesel caíram.
Ainda assim, é muito cedo para dizer se o aumento da demanda se traduzirá em vendas mais altas permanentemente, alertaram executivos do setor e analistas.
O ex-diretor do Banco Central e gestor da família de fundos Itaú Janeiro, da Itaú Asset Management, Bruno Serra, disse que a maior parte dos cortes da Selic deve vir após as eleições, dado que o choque do petróleo provavelmente fará com que o Copom adote um ritmo “mais devagar” neste começo de ciclo.
Ainda assim, há espaço para reduzir a Selic ao patamar de 11% até meados de 2027.
“Acho que vai discutir 11%, 10%, isso não vai mudar”, disse Serra, em entrevista, que já esperava uma Selic final nesses patamares ao fim do processo de flexibilização monetária antes da guerra. “O choque vai fazer você postergar” o ciclo de cortes, disse Serra.
Para ele, o movimento do petróleo, que tem caído nas últimas sessões por perspectivas mais construtivas com o fim da guerra, mas se manteve acima de US$ 100 por vários dias, “vai gerar uma atividade mais fraca ainda, porque vai se carregar aquela Selic que as empresas já estavam vendo”.
Nesse cenário, o “grosso do ciclo” de cortes deve acontecer após a eleição, disse em entrevista na sede da asset, na segunda-feira. A ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, não trouxe nada adicional ao cenário, disse ele.
O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50%, na semana passada, quando sinalizou “serenidade e cautela” para a calibração dos juros à luz novas informações.
Na ata, BC reafirmou o compromisso em combater efeitos de segunda ordem do choque do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio e disse que “ficou evidente” a desancoragem adicional das expectativas, em particular para 2028.
Serra, que foi diretor de política monetária do BC entre 2019 a 2023, afirmou que o Copom tem espaço para reduzir os juros ao menos por mais duas reuniões ao ritmo de 0,25pp.
A autoridade monetária, no entanto, pode ser forçada a pausar o processo de cortes, caso o petróleo em alta siga pressionando expectativas de inflação para 2028, e, eventualmente, retomar o processo de redução da taxa básica.
“Se essa expectativa continuar subindo, ele vai ter que parar, no 14,5%, 14,25% ou 14%, nem que seja para dar recado”, disse Serra. “E aí, é torcer para evoluir bem” o cenário, afirmou o gestor.
Na pesquisa Focus desta semana, a projeção dos economistas para a inflação em 2028 teve nova elevação, de 3,61% para 3,64%.
Eleições
Para ele, o BC teria o viés de voltar a cortar juros caso promovesse uma pausa no processo, dado o atual nível de juros. Segundo ele, o elevado patamar da Selic deve evitar que um debate sobre novas altas da Selic venham à mesa.
Para Serra, se houver sinalização de encaminhamento da questão fiscal pós-eleição, a discussão no mercado se transforma em uma Selic final de 8% ou 9%. “Abre uma avenida adicional para cortar juros”, disse ele.
O Itaú Janeiro reduziu o risco na posição aplicada em juros futuros — aquela que lucra quando as taxas nominais negociadas na B3 caem — para cerca de um terço do tamanho da posição que detinha imediatamente antes do choque do petróleo.
A aposta foi ganhadora ao longo de 2025, conforme o mercado apostava que o BC ganhava espaço para cortar juros.
O fundo detém uma posição vendida no dólar contra o real. Para Serra, no entanto, a possibilidade de apreciação da moeda brasileira após o rali recente é limitada.
A família de fundos Itaú Janeiro, liderada por Bruno Serra, detém cerca de R$ 25 bilhões em ativos sob gestão, de acordo com a assessoria de imprensa da Itaú Asset.
O Grupo Fleury (FLRY3), que atua em medicina diagnóstica, iniciou o ano do seu centenário com um balanço que sublinha a tese de consolidação defendida pela gestão: expansão de volume via M&A com vigilância sobre as margens.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia entregou uma receita bruta de R$ 2,4 bilhões (alta de 10,1%) e um lucro líquido de R$ 201,2 milhões, avançando 12,2% sobre o mesmo período do ano anterior.
Para a CEO Jeane Tsutsui, o resultado valida o modelo que combina o legado premium com a agressividade em novas praças.
“O Fleury entrega um crescimento robusto, 10,1% de top-line, principalmente chamando a atenção do crescimento das nossas unidades de atendimento”, afirmou a executiva em entrevista à Bloomberg Línea.
Ela destacou que a marca Fleury mantém o vigor, crescendo 12,1%, mas que o salto de 28% das demais marcas de São Paulo reflete o acerto na integração de ativos.
A integração de gigantes adquiridos recentemente foi o pano de fundo da discussão sobre eficiência. Sobre o processo de maturação dessas operações, o CFO José Antonio Filippo destacou que o resultado atual já é um reflexo direto dessa execução.
“Isso está refletido, e a gente consegue rentabilizar a margem que nós temos mantido. [O resultado] reflete a capacidade de rentabilização dessa receita”, afirmou o executivo, referindo-se ao desafio de absorver estruturas robustas como as do Grupo Pardini e do Femme sem comprometer a última linha do balanço.
O CFO reforçou que a captura de sinergias é o que permite manter o Ebitda em R$ 606 milhões, mesmo com um mix de serviços mais diversificado.
Apesar da escala, o mercado monitora a diluição de margens, já que novos ativos operam em segmentos de menor ticket médio. O CFO reconheceu o desafio.
“Temos tido um mix que tende a ser desfavorável pelo longo crescimento dos negócios, mas a gente tem conseguido manter a margem nos mesmos níveis”, disse.
A estrutura de capital também foi central. Com alavancagem em 1,0x da dívida líquida/Ebitda, o grupo mantém um dos balanços mais conservadores do setor.
“Ainda vivemos essa situação de juros mais elevados. Isso tudo requer prudência para que não se tenha um impacto muito grande na despesa financeira”, justificou o CFO, sinalizando que a disciplina na alocação de capital é prioridade.
Sem visibilidade de novos drivers
A captura de sinergias da fusão com o Hermes Pardini, autorizada pelo Cade em abril de 2023, entra em sua fase final sem que o Grupo Fleury tenha conseguido consolidar um novo movimento transformacional, embora o discurso da gestão seja centrado em crescimento orgânico.
Diante do esgotamento desse ciclo de integração, o mercado observa uma crescente dificuldade da companhia em destravar sua agenda de M&A em negócios de maior complexidade, como a eventual transação com a Rede D’Or ou a joint venture com a Oncoclinicas, que não avançaram.
Essa realidade estratégica é o que fundamenta a cautela de Joseph Giordano, analista do JPMorgan, no relatório Saúde no Brasil: Prévia do 1T26, divulgado na última quarta-feira (6).
Ao reiterar a recomendação de underweight (exposição abaixo da média) e o preço-alvo de R$ 16, Giordano aponta que, sem novos drivers claros no horizonte, o foco dos investidores deve retornar aos fundamentos modestos da companhia.
O cenário é agravado por uma perspectiva de um perfil de crescimento relativamente mais lento e pela compressão das margens de longo prazo, reflexo de um mix de receitas que favorece segmentos menos rentáveis, tornando o prêmio de 20% no valuation atual, frente aos pares da América Latina, difícil de sustentar.
A ação do Fleury acumula valorização de 9,5% em 2026, desempenho inferior à alta do Ibovespa (14%) no período.
Um dos pontos de atenção do mercado tem sido a performance das unidades regionais, presentes em 10 estados, que apresentou o menor ritmo de expansão (+9,0%) entre as marcas, segundo o relatório do balanço.
A performance de ativos regionais recém-adquiridos passou a motivar conversas reservadas entre players do setor. O risco de o descredenciamento da Unimed Litoral em Santa Catarina, praça do Laboratório São Lucas, drenar valor do ativo adquirido em 2024, segundo relatou à Bloomberg Línea uma pessoa com conhecimento do setor, que pediu anonimato, pois não tem autorização para fazer comentários públicos.
Tsutsui explicou a situação: “A Unimed não era relevante para o São Lucas. E isso não tem impacto em nenhuma mudança das nossas unidades”, disse a CEO, pontuando ainda o peso relativo muito pequeno da praça no resultado geral de um grupo de alcance nacional e que o Fleury já havia feito a avaliação do cenário de saída da Unimed da receita do ativo.
Segundo ela, o foco na geografia do São Lucas, um das regiões mais ricas do Sul brasileiro, é o varejo de alta renda.
“Realmente temos outros pagadores. Essa região é de grande desenvolvimento socioeconômico“, completou.
Para sustentar o ROIC (Retorno sobre o Capital Investido) de 17,0%, o Fleury aposta na diversificação.
O projeto Marco 100, que recebeu R$ 35 milhões, foca em longevidade e medicina preventiva. Ao completar um século, o desafio do grupo, que tem o Bradesco como principal acionista, é manter a agilidade de uma growth company.
“Tudo isso sem perder o foco no cliente, sem perder a nossa disciplina em gestão financeira com uma alavancagem de uma vez”, disse Tsutsui.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
No competitivo mercado brasileiro de benefícios, a Flash não quer mais ser apenas o “cartão flexível” que desafiou o status quo.
Em uma fase de maturidade operacional, a startup liderada por Ricardo Salem e pelos irmãos Pedro e Guilherme Lane agora mira a liderança do setor, ancorada em uma estratégia de plataforma all-in-one e na digitalização agressiva da jornada do colaborador.
Desde o aporte de US$ 100 milhões recebido há quatro anos, em rodada série C liderada pelos fundos Battery Ventures e Whale Rock, a startup escalou a operação mais de 15 vezes.
Mais do que volume, segundo os sócios Ricardo Salem e Pedro Lane, a busca foi por eficiência: a companhia já gera caixa e opera com uma estrutura de capital que lhe permite autofinanciar sua expansão em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).
Agora a empresa prevê investir R$ 400 milhões em 2026, valor 60% superior ao desembolsado em 2025. Os recursos serão destinados para as áreas de tecnologia e inovação, marketing, vendas e desenvolvimento de novos produtos.
“Estamos perseguindo nos próximos anos virar o líder de mercado de benefícios”, disse Salem à Bloomberg Línea, que projeta chegar à liderança nos próximos quatro anos.
Os contratos futuros de ações dos EUA são os que mais se destacam em um dia difícil para as ações em outros países, com recuo em quase todas as bolsas da Ásia e da Europa.
- IPO da Compass. Os acionistas da empresa de gás natural e energia levantaram R$ 3,2 bilhões na primeira oferta pública inicial no Brasil em quase cinco anos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News. A Compass vendeu 89,3 milhões de ações a R$ 28, cada, na quinta-feira, o piso da faixa indicativa de preço.
- Avanço de chips de IA. A Taiwan Semiconductor Manufacturing relatou um aumento de 17,5% em suas vendas, destacando os gastos sustentados por hiperescaladores que financiam o boom global de inteligência artificial.
- Inflação de alimentos. Os preços globais dos alimentos atingiram o nível mais alto em mais de três anos depois que a guerra do Irã interrompeu as cadeias de suprimentos, aumentando a perspectiva de contas maiores para os consumidores. O índice das Nações Unidas de preços de produtos alimentícios aumentou 1,6%.
A 1ª Vara Empresarial e de Conflitos de Arbitragem do Tribunal de Justiça de São Paulo condenou a 99Food por concorrência desleal contra o iFood em duas campanhas publicitárias realizadas pela plataforma.
O “Taxômetro” e o “Respostas Bem Servidas”, veiculadas no ano passado na cidade de São Paulo e na região metropolitana, foram alvo da ação.
A decisão é mais um capítulo na disputa pelo bilionário mercado delivery no Brasil. Desde o ano passado, com o retorno da 99Food e a entrada da Keeta, da chinesa Meituan, as empresas do setor tem travados embates em diferentes esferas.
A sentença, assinada pelo juiz André Salomon Tudisco em 30 de abril de 2026, determina a suspensão imediata das peças, o pagamento de R$ 50 mil em danos morais e a apuração de lucros cessantes em fase de liquidação.
O magistrado concluiu que as ações ultrapassaram os limites da publicidade comparativa permitida no Brasil e utilizaram indevidamente elementos visuais associados ao iFood.
Em nota, a 99Food informou que não concorda com os termos da decisão e irá recorrer.
“Mensagens destinadas a dar mais transparência ao público sobre o mercado de delivery de comida fazem parte da missão da 99Food, que vem se consolidando como uma alternativa real para consumidores, entregadores e restaurantes que procuram por serviços mais acessíveis e melhores”, disse a empresa. (veja a nota abaixo)
Na campanha “Taxômetro”, a 99Food comparava taxas cobradas de restaurantes pelas plataformas, utilizando cores, estética e até onomatopeias identificadas com o iFood.
Para o magistrado, o material transmitia ao consumidor a ideia de que as informações eram equivalentes e imparciais, quando, na prática, a 99Food não divulgava seus próprios percentuais — impossibilitando uma comparação objetiva.
Já em “Respostas Bem Servidas”, a companhia controlada pela chinesa DiDi respondia a reclamações de usuários sobre o iFood com mensagens promocionais sobre seus serviços.
O tribunal entendeu que a ação se limitou a se beneficiar de críticas dirigidas à concorrente, sem oferecer dados verificáveis, caracterizando “aproveitamento parasitário”.
O juiz destacou que a publicidade comparativa é permitida no Brasil, desde que verídica, objetiva, comprovável e não depreciativa, citando precedentes do STJ e o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Para ele, as campanhas violaram todos esses critérios.
“Em ambos os casos, verifica-se que a publicidade comparativa extrapolou os limites da licitude, pois não se limitou à apresentação objetiva e verificável de características dos serviços ofertados, mas se valeu de referência direta à marca concorrente, associada a elementos depreciativos e a comparações não suficientemente demonstradas”, escreveu na decisão.
Em nota, o iFood celebrou a decisão e disse “reafirmar o seu compromisso com a concorrência leal, ética e baseada em informações verdadeiras e verificáveis”.
“A empresa acredita que a competição saudável beneficia consumidores, restaurantes e entregadores — e que práticas que distorcem a realidade para prejudicar concorrentes vão de encontro a esse princípio”, diz o iFood na nota.
A disputa
Além de se defender das acusações, a 99Food apresentou uma reconvenção, acusando o iFood de práticas anticoncorrenciais, como abuso de posição dominante, coação de restaurantes parceiros e discriminação em ações de marketing com entregadores.
O juiz rejeitou o pedido sem analisar o mérito do conteúdo. Para o magistrado, a reconvenção “não guarda conexão” com a ação principal, conforme exige o Código de Processo Civil. Assim, o pedido da 99 Food foi extinto sem julgamento.
Condenação
A sentença determina que a 99 Food:
suspenda imediatamente as campanhas “Taxômetro” e “Respostas Bem Servidas”, bem como qualquer variação semelhante;
pague R$ 50 mil ao iFood por danos morais, com correção e juros;
indenize prejuízos materiais (lucros cessantes), cujo valor será calculado em liquidação de sentença;
arque com honorários advocatícios fixados em 10% do valor da condenação.
Resposta da 99Food
“A 99 informa que respeita a decisão de 1º grau da 1ª Vara Empresarial de São Paulo, mas não concorda com seus termos e recorrerá ao Tribunal. Mensagens destinadas a dar mais transparência ao público sobre o mercado de delivery de comida fazem parte da missão da 99Food, que vem se consolidando como uma alternativa real para consumidores, entregadores e restaurantes que procuram por serviços mais acessíveis e melhores. Seguimos confiantes na legalidade de tais ações e na necessidade de promover mais competitividade e inovação no mercado brasileiro de delivery de comida.”
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Campanhas “Taxômetro” e o “Respostas Bem Servidas”, veiculadas no ano passado na cidade de São Paulo e na região metropolitana, foram alvo da ação
O Bradesco (BBDC4) entregou um lucro líquido de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 16% na comparação anual e acima do esperado pelo mercado. Ainda assim, a apresentação de resultados desta quinta-feira (7) foi marcada por uma mensagem de cautela: o banco sinalizou que adotará um viés mais conservador no crédito diante da deterioração do cenário macroeconômico – sem, no entanto, abrir mão do crescimento.
“O viés mais conservador não significa puxar o freio de mão, parar de ofertar”, afirmou o CEO Marcelo Noronha a jornalistas. “Continuamos com tração forte [nas modalidades] que têm bons ratings e boas modalidades de garantia.”
A inadimplência longa, acima de 90 dias, avançou seis pontos-base no trimestre, para 4,19%, movimento que o banco classificou como dentro do esperado. Noronha disse não esperar uma deterioração da inadimplência do Bradesco, ainda que seja uma preocupação da indústria como um todo para os próximos meses.
“O cenário macroeconômico está, sim, mais desafiador, mas não vejo grandes oscilações no nosso indicador. Podemos ter alguma flutuação no indicador de micro, pequenas e médias empresas, mas, no conjunto da obra, não [esperamos deterioração]”, disse.
O banco reforçou o guidance para avanço da carteira de crédito no ano, entre 8,5% e 10%. No trimestre, a carteira somou R$ 1,090 trilhão no trimestre – avanço de 8,4% em 12 meses.
Na avaliação de Noronha, o momento atual é diferente do ciclo de alta da inadimplência que o Bradesco enfrentou no pós-pandemia, quando o banco foi um dos mais afetados do setor por sua elevada exposição à baixa renda.
Desde então, o Bradesco reorganizou sua área de crédito, ampliou o uso de modelos estatísticos e machine learning, e deslocou sua carteira para linhas com mais garantias.
“Optamos por reordenar a unidade de negócios de crédito, criamos uma área de gestão de portfólio, incrementamos muito o uso de tecnologia e melhorou muito o nosso modelo”, disse o executivo. “Hoje temos um portfólio muito mais saudável.”
Atualmente cerca de 61% da carteira total do banco está lastreada em garantias; na área de pessoa física, esse percentual sobe para 70%.
O Bradesco também acelerou a ofensiva no público de alta renda nos últimos anos. No primeiro trimestre, o banco reforçou a oferta dentro da própria base, e fez o upgrade de mais de 500 mil clientes para os segmentos Prime e Principal — e projeta encerrar 2026 com cerca 820 mil clientes no segundo grupo.
“Estamos melhorando a nossa proposta de valor para ter um maior nível de relacionamento e, naturalmente, a fidelização desse cliente”, disse.
As ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) operavam em queda de 3,68% por volta das 11h50, em momento em que o Ibovespa recuava 1,88%.
Marcelo Noronha disse não esperar uma deterioração da inadimplência do Bradesco, ainda que seja uma preocupação da indústria como um todo para os próximos meses (foto: Victor J. Blue/Bloomberg)
O universo equestre que marcou a infância do empresário Fabrício Batista agora também se transformou em uma aposta de negócios do executivo da JBJ Agropecuária, a partir da criação da JBJ Ranch.
Além da atuação na pecuária dentro da estrutura da JBJ Agropecuária, Fabrício se dedica à criação de cavalos Quarto de Milha com foco em Rédeas, uma das modalidades equestres mais praticadas entre os amantes da raça.
“Sempre vi que o cavalo foi levado muito para o lado da paixão e muito pouco para o profissionalismo”, disse Batista, em entrevista à Bloomberg Línea.
“Eu peguei toda a parte de gestão, de controle de custos, o profissionalismo que a gente emprega dentro da empresa, na pecuária, na agricultura e na indústria, e levei isso para o cavalo.”
Na visão de Batista, essa profissionalização passa por tratar cada animal como uma unidade de negócios.
Na JBJ Ranch cada cavalo tem um centro de custo próprio desde o nascimento, com despesas que começam a ser contabilizadas na gestação, e passam pela alimentação, custos com veterinário, casqueamento e recria. Quando o animal chega ao leilão, esse custo acumulado define o ponto de equilíbrio da venda, explica.
“No momento do leilão, eu tenho uma planilha na mão, do lote 1 ao lote 60”, disse Batista. “Eu sei qual é o ponto de equilíbrio da parcela de cada animal.”
Fabrício é filho de José Batista Júnior, mais conhecido como Júnior Friboi, o irmão mais velho dos atuais controladores da holding J&F Investimentos, que detém a JBS, Joesley e Wesley Batista.
Júnior chegou a exercer o papel de presidente da JBS e deixou o grupo para se dedicar totalmente aos seus negócios.
A JBJ Ranch opera com duas bases: uma em Nazário, em Goiás, e outra em Pilot Point, no Texas, nos Estados Unidos.
O empresário se prepara para sediar a quinta edição do leilão JBJ Ranch e Família Quartista, entre 15 e 17 de maio, em Nazário. Em entrevista à Bloomberg Línea, ele detalhou a estrutura do negócio e as principais apostas que vislumbra para levar a operação a uma nova etapa de crescimento, ou, como ele definiu, para “cruzar fronteiras”.
A expectativa do empresário é alcançar R$ 150 milhões em faturamento no leilão deste ano, acima dos R$ 128 milhões registrados no ano passado.
A estratégia adotada pelo empresário tem sido a de criar cavalos de alta performance como um negócio baseado em genética de alto nível, com cavalos e coberturas vendidas a algumas dezenas de milhares de reais, ou, em alguns casos, até milhões de reais.
Segundo ele, 80 animais nascem na JBJ Ranch todos os anos, divididos igualmente entre a base no Brasil e no Estados Unidos.
No Brasil, a operação conta com cerca de 10 doadoras, 40 nascimentos e receptoras, enquanto nos Estados Unidos a produção anual também gira em torno de 40, mas com receptoras alugadas em vez de próprias.
Para ele, o negócio do cavalo opera de forma oposta a do boi: enquanto a pecuária depende de volume, a genética equina depende de mais qualidade e alto valor agregado.
A rentabilidade do negócio varia conforme a categoria vendida no leilão.
As coberturas têm a melhor margem, por exigirem custo menor, ligado sobretudo ao congelamento do sêmen. Em seguida vêm os embriões, vendidos antes do nascimento e, portanto, sem os custos de recria. Na média do negócio, ele estima uma margem líquida em torno de 15%, enquanto na pecuária essa margem gira em torno de 5%.
O nascimento do negócio
O herdeiro da JBJ Agropecuária cresceu entre Brasília e o interior de Goiás, onde passou parte da infância na fazenda da família, em Luziânia.
A mudança para Goiânia, aos 12 anos, interrompeu a vivência com cavalos que ele tinha. Apenas em 2020, durante a pandemia de covid-19, que o empresário retomou o criatório, após ter passado uma temporada no exterior.
O primeiro investimento, ainda em 2020, somou cerca de R$ 30 milhões no haras em Nazaré, segundo Batista: metade em infraestrutura, como baias, piquetes e pista coberta, enquanto a outra metade foi alocado na formação da base genética, com matrizes e doadoras para o negócio. A fazenda já pertencia ao grupo.
O primeiro leilão aconteceu em 2022. Naquele momento, segundo ele, o maior leilão de cavalos Quarto de Milha do país havia faturado R$ 10 milhões. A estreia da JBJ Ranch chegou perto disso, com R$ 9,8 milhões em vendas.
No ano seguinte, o faturamento dobrou para R$ 20 milhões. Em 2024, subiu para R$ 50 milhões. Em 2025, alcançou R$ 128 milhões.
O empresário explica que a valorização dos animais depende de uma combinação entre genealogia e morfologia. O “papel”, ou o documento registrado na Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), precisa vir acompanhado de um animal que agrade visualmente e tenha potencial de performance em pista.
“Não adianta ter um cavalo bom de papel se ele não agrada aos olhos e não adianta ter um cavalo que agrada aos olhos, mas não tem uma boa genealogia”, disse. “A combinação dos dois é o ambiente perfeito.”
O empresário conta que decidiu investir na modalidade de Rédeas para criar animais de maior valor.
Segundo ele, o cavalo de Rédeas pode valer de duas a três vezes mais que animais voltados a modalidades tradicionais de trabalho com boi, como o Laço, a Apartação e o Ranch Sorting.
Na modalidade Rédeas, cavalo e cavaleiro (ou amazonas) são avaliados pela precisão e suavidade em um percurso previamente estabelecido. Os juízes, então atribuem uma nota para a performance. Quem receber a maior nota, vence.
“O cavalo de Rédeas é um cavalo muito específico, muito inteligente, que tem que ter muita habilidade”, disse.
A receita da JBJ Ranch vem majoritariamente do leilão próprio, que responde por cerca de 90% do faturamento do negócio. O restante vem de participações em leilões de terceiros.
O leilão próprio também se tornou uma operação relevante. A edição deste ano deve custar cerca de R$ 7 milhões, entre estrutura e shows, como a da cantora sertaneja Paula Fernandes.
O gasto com o evento foi atenuado pela venda de cotas de patrocínio de R$ 70 mil, R$ 150 mil e R$ 200 mil a cerca de 40 marcas, com arrecadação próxima de R$ 4 milhões, conta.
A quinta edição do leilão ocorre em um momento em que a operação do grupo passou a olhar para além do Brasil. Em 2025, a JBJ Ranch comprou um rancho no Texas, a cerca de 40 minutos de Dallas, com estrutura para criação, treinamento e reprodução de cavalos Quarto de Milha de Rédeas.
A propriedade inclui piquetes, baias, centro de treinamento e laboratório de reprodução, segundo Batista.
Produção internacional
O foco no exterior está no cerne da estratégia do empresário. Isso porque os Estados Unidos ainda são vistos como o berço do Quarto de Milha e concentra parte importante das linhagens de maior valor no mercado global.
“Deixamos de ser somente uma marca e uma produção brasileira para ser uma marca e uma produção internacional”, conta.
Na leitura de Batista, o Quarto de Milha tem a vantagem de ser uma raça de alcance global em relação a outras mais regionais, como o caso do Manga Larga Marchador no Brasil.
A procura por animais com genética de ponta tem se espalhado pela América do Sul, América do Norte e Europa, especialmente em países como Alemanha, Bélgica e Itália, conta.
Além do investimento no negócio em si, Batista explica que se prepara para sediar uma competição de Rédeas em Avaré, no interior de São Paulo, a partir de 2027.
A JBJ Ranch fechou uma sociedade ligada à franquia The Run for a Million, prova criada por Taylor Sheridan, nome associado ao universo western e à série Yellowstone.
Batista oferecerá premiação de R$ 1 milhão ao vencedor e uma vaga para a disputa em Las Vegas.
Ao investir em eventos e competições, a empresa busca fortalecer o ecossistema da modalidade, elevar a exposição dos animais e criar demanda para a própria produção.
É uma lógica semelhante à de outros segmentos esportivos: quanto maior a competição, maior tende a ser o valor dos atletas — neste caso, dos cavalos, embriões, coberturas e matrizes.
Genética de peso
Uma das principais apostas para reforçar a genética dos animais do grupo é o garanhão Maverick, do qual a JBJ é sócia com outros criadores. Segundo ele, o cavalo gerou R$ 20 milhões no último leilão, com 600 coberturas comercializadas.
Com oito anos de idade, o animal está aposentado e vive na propriedade da JBJ Ranch no Texas.
Na ocasião, segundo Batista, a égua Stop Little Sister foi o lote mais caro do leilão, vendida por R$ 22 milhões.
O negócio começou a se provar rentável a partir do segundo leilão, em 2023, quando a receita passou a cobrir as despesas de criação e do evento. O ganho de escala, segundo ele, veio porque boa parte dos custos não crescem na mesma proporção da receita.
“A ração é a mesma, as pessoas são as mesmas, tudo é o mesmo, mas a sua receita aumenta muito”, disse.
O perfil do público comprador no leilão se divide em duas frentes, segundo ele. Metade busca animais para competir em pista; a outra metade é formada por criadores que compram genética para reprodução e melhoramento do próprio plantel.
“O meu grande sonho é conquistar novos mercados e ser reconhecido pelo que a gente faz”, disse. “Ser reconhecido não só no Brasil, mas na América, na Europa, e cruzar essas fronteiras.”
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
O próximo grande fundador de tecnologia pode estar em São Paulo ou na Cidade do México, e o Google Cloud, a unidade de serviços de computação em nuvem do Google, decidiu apostar mais fortemente nessa oportunidade na América Latina.
A divisão de startups da companhia está redesenhando sua estratégia global para dar mais peso a mercados fora dos tradicionais polos do Vale do Silício e Nova York, e isso inclui a contratação de equipes dedicadas no mercado latino-americano, segundo Darren Mowry, vice-presidente global de startups do Google Cloud.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo disse que o plano de expansão na região inclui não apenas contratar profissionais de vendas e engenheiros, mas também pessoas focadas no ecossistema de venture capital, incubação e aceleração, baseadas em mercados como Cidade do México e São Paulo.
“O que estamos fazendo é expandir nossa equipe de venture capital porque sabemos que existem investidores e fundos específicos que não estão na Bay Area, nem em Nova York, que são construídos e crescem dentro da América Latina”, disse Mowry.
Os futuros das ações nos EUA operam em alta nesta quinta-feira (7) e o petróleo Brent caiu pelo terceiro dia seguido, enquanto investidores aguardam atualizações sobre um possível acordo de paz entre EUA e Irã.
- Tensão no Líbano. O exército israelense afirmou ter matado Ahmed Ali Balout, comandante da força de elite Radwan do Hezbollah, em um ataque aéreo no sul de Beirute — o primeiro perto da capital libanesa desde o cessar-fogo mediado pelos EUA no mês passado.
- Frete mais caro. O CEO da Maersk, Vincent Clerc, alertou que a guerra entre Irã e EUA elevou em cerca de US$ 500 milhões por mês seus custos operacionais, pressionados pela alta do petróleo e dos seguros marítimos. Em entrevista à Bloomberg Television, ele disse que tentará repassar os custos aos clientes.ㅤ
- Shell supera expectativas. A petroleira reportou lucro líquido ajustado de US$ 6,92 bilhões no primeiro trimestre, acima da estimativa dos analistas, impulsionada pela alta dos preços de petróleo e gás durante a guerra entre Irã e EUA. A petroleira também elevou os dividendos em 5%.
O próximo grande fundador de tecnologia pode estar em São Paulo ou na Cidade do México, e o Google Cloud,a unidade de serviços de computação em nuvem do Google, decidiu apostar mais fortemente nessa oportunidade na América Latina.
A divisão de startups da companhia está redesenhando sua estratégia global para dar mais peso a mercados fora dos tradicionais polos do Vale do Silício e Nova York, e isso inclui a contratação de equipes dedicadas no mercado latino-americano, segundo Darren Mowry, vice-presidente global de startups do Google Cloud.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo disse que o plano de expansão na região inclui não apenas contratar profissionais de vendas e engenheiros, mas também pessoas focadas no ecossistema de venture capital, incubação e aceleração, baseadas em mercados como Cidade do México e São Paulo.
“O que estamos fazendo é expandir nossa equipe de venture capital porque sabemos que existem investidores e fundos específicos que não estão na Bay Area, nem em Nova York, que são construídos e crescem dentro da América Latina”, disse Mowry, durante o Google Cloud Next 2026, em Las Vegas, evento que reuniu cerca de 30 mil participantes, pouco mais de 30% deles do universo de startups, segundo a empresa.
O movimento reflete como a inteligência artificial (IA) mudou a lógica tradicional do setor de tecnologia de onde surgem os negócios mais relevantes. Empreendedores em mercados fora dos Estados Unidos hoje têm acesso mais amplo a ferramentas para construir negócios disruptivos e conseguem levar suas soluções a países desenvolvidos de forma relativamente rápida.
O raciocínio por trás das mudanças acompanha as transformações trazidas pela inteligência artificial, uma vez que startups novas e com modelo de negócio impactantes podem surgir em qualquer lugar do mundo, como é o caso da dinamarquesa Lovable.
Outro exemplo recente é o da Enter, startup brasileira do segmento jurídico com sede em São Paulo que desenvolve tecnologia de IA para ajudar empresas a lidar com o grande volume de ações na Justiça. Nesta semana, a startup anunciou um aporte de US$ 100 milhões, em uma rodada liderada pelo Founders Fund, de Peter Thiel, elevando seu valuation a US$ 1,2 bilhão.
Para o Google Cloud, o investimento na América latina busca estreitar o relacionamento com os ecossistemas regionais e aproximação com os fundos locais, que vivem um momento “vibrante”, nas palavras de Mowry.
O executivo, veterano da indústria de nuvem, chegou ao Google há pouco mais de quatro anos, após experiências em concorrentes como a AWS, onde permaneceu por quase 10 anos, e Microsoft, em passagem de intervalo semelhante.
Há um ano assumiu a posição de VP global, além de ser conselheiro do CapitalG, fundo de investimento em growth da Alphabet, a holding dona do Google, que aportou em negócios como CrowdStrike, Stripe, Duolingo, Monzo e Airbnb.
Mowry conta que além dos créditos, oferecidos a partir de programas como o Google for Startups, e das parcerias com fundos, a companhia também começa a olhar para potenciais investimentos na região.
“Estamos percebendo um interesse crescente da CapitalG (growth) e da GV (early stage) em não olhar apenas para, novamente, San Francisco e Nova York, mas sim procurar fundadores empolgantes onde quer que estejam. Portanto, há uma oportunidade de trazermos nossas próprias equipes de venture capital para o mercado latino-americano”, afirma.
Além da maior presença regional, a transformação tecnológica tem feito com que a divisão com foco em startups olhe de forma mais pragmática também para outros atores na cadeia de investimentos.
Sequoia e A16Z, duas das mais conhecidas gestoras de venture capital do mundo, continuam “muito importantes”, segundo o executivo, mas hoje o mundo se mostra muito maior e as dinâmicas de captação mudaram.
“Serei bem específico: cinco anos atrás, a equipe de venture capital estava focada em gerenciar as firmas do topo, baseadas principalmente em São Francisco e Nova York”, disse Mowry.
“Hoje, estamos criando equipes agora focadas em fundos de anjos muito nichados, pequenos e especializados, que nunca tivemos antes da IA. Isso nos permite garantir que não estamos contando apenas com os maiores cheques; estamos dispostos a trabalhar com qualquer pessoa que nos ajude a identificar o próximo grande fundador”.
Entre as diversas tendências de um setor em ebulição, uma está relacionada à busca de empreendedores para acessarem menos recursos de grandes firmas de venture e manterem participação relevante do negócio ao longo do tempo.
Antes, na era pré-IA, o movimento era esperar a validação - no caso, o investimento - de uma grande firma de VC, como a a16z, para que todos os outros atores do ecossistema corressem atrás da startup.
“Se você esperar por isso agora, você está atrasado e perderá o próximo Gemini ou Anthropic”, afirma o executivo.
Os investimentos do Google Cloud em startups procuram melhor posicionar a companhia na disputa com outros competidores, como AWS e Azure, da Microsoft. Hoje, a empresa está em terceiro lugar no mercado.
Com um modelo verticalizado de atuação - da infraestrutura até modelos próprios, como o Gemini -, a aposta é que a IA pode ser uma força transformadora do negócio ao longo dos anos - e as startups terão um papel relevante.
“Quando eu estava na Microsoft, antes da nuvem, sempre via as maiores empresas como os maiores clientes porque tinham mais funcionários e compravam mais coisas. Isso era nos anos 1990 e 2000. Neste novo mundo, temos startups de 20 pessoas, de 12 pessoas, que são capazes de usar quantidades incríveis da nossa nuvem para criar soluções realmente impactantes”, diz Mowry.
O investimento busca estreitar o relacionamento com os ecossistemas regionais e aproximação com os fundos locais, que vivem um momento “vibrante”, nas palavras do vice-presidente. (Foto: Angel Garcia/Bloomberg)
O grupo Riachuelo, antes conhecido como Guararapes, vem colhendo os frutos de uma mudança estrutural na companhia, que tem lhe permitido expandir as vendas com melhoria das margens.
A estratégia levou a resultados positivos no primeiro trimestre. A empresa registrou lucro líquido de R$ 5 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 45,9 milhões no mesmo período do ano passado, em um trimestre que é historicamente mais fraco para o varejo de moda.
O resultado ficou acima do consenso de analistas consultados pela Bloomberg, que esperavam prejuízo de R$ 4,7 milhões, e quebrou uma sequência de seis anos de prejuízo no período.
A empresa também encerrou o trimestre com um Ebitda ajustado consolidado de R$ 268 milhões, com alta de 14,1% e acima do consenso de R$ 256,8 milhões, com uma margem de 11,5%.
No vestuário, as vendas nas mesmas lojas (same store sales), que mede o crescimento orgânico da receita, registraram alta de 10,1% no trimestre – o 11º período consecutivo de expansão.
Para o CEO, André Farber, os ganhos tendem a continuar e a empresa segue vendo oportunidade de melhorias nas métricas. “A gente pretende, em todos os trimestres, dar lucro e continuar expandindo o lucro da companhia”, afirmou ele, em entrevista à Bloomberg Línea. “O crescimento de margem não deve parar por aí.”
Farber atribui a visão otimista ao trabalho que tem sido feito pela gestão desde que ele assumiu o cargo em 2023. Nesse período, a Riachuelo (RIAA3) reforçou a integração com sua fábrica própria, o que tem permitido ter uma gestão da cadeia de produção e fornecimento mais alinhada e mais eficiente do ponto de vista de precificação, segundo ele.
Em paralelo, houve avanço no planejamento das coleções, com definição mais assertiva de sortimento, timing de demarcação (markdown) e controle de estoque, o que reduziu excessos e melhorou a margem bruta.
A empresa também investiu em times seniores de moda e em criatividade via colaborações com estilistas. No campo das lojas físicas, a Riachuelo desenvolveu um novo conceito arquitetônico a partir de 2024, testado primeiro numa pop-up de 240 m² inaugurada em dezembro na Rua dos Pinheiros, em São Paulo.
A melhora operacional dessa integração foi apontada como o principal fator de expansão de margem. “A gente é a única empresa que tem fábrica própria – somos o maior empregador da moda no Brasil. Terminamos o ano passado com cerca de 33 mil colaboradores. Então, operar muito bem a integração com a nossa fábrica faz muita diferença na nossa margem. Estamos operando melhor essa integração, e isso tem trazido resultados positivos para o nosso negócio”, afirmou o CEO.
Novo conceito de loja
A empresa agora tem investido para aplicar o novo conceito de loja, desenvolvido para pop-store em São Paulo, em outras unidades Brasil afora. No último mês, a empresa inaugurou uma loja expandida no ParkShopping Barigüi, em Curitiba, já no novo modelo, e o plano é fazer entre quatro e cinco reformas até o final de 2026 e escalar o formato ao longo dos anos seguintes, com meta de converter toda a rede.
“O grande objetivo é melhorar a experiência na loja, onde o produto possa brilhar, para que o consumidor se sinta muito bem e consiga enxergar e navegar muito bem nos nossos produtos”, disse Farber.
A empresa também mantém o plano de inauguração de novas lojas, depois de fazer um estudo que mapeou a oportunidade de abertura de cerca de 150 novas unidades. A expectativa é de abrir em torno de 15 a 17 lojas neste ano, seguindo o plano de fazer entre 15 e 20 inaugurações por ano.
“O planejamento vai sendo feito conforme dinâmicas muito específicas: às vezes uma loja tem uma necessidade de reforma, às vezes há uma oportunidade de crescimento de área, às vezes uma mudança de importância da loja. É uma conjunção de fatores que nos leva a planejar as mudanças”, afirmou Farber.
No campo financeiro, por meio de sua financeira Midway, a empresa expandiu seu portfólio com novas modalidades de crédito, com destaque para o consignado, mantendo postura conservadora na concessão, segundo o CEO.
A carteira cresceu de forma gradual e os resultados têm sido consistentes, com a financeira contribuindo positivamente para o resultado consolidado mesmo num ambiente de inadimplência elevada.
“A gente sonha grande, mas com os pés no chão. Começamos a crescer a carteira agora, com resultados dentro do esperado. Mas ainda é cedo para que seja algo relevante dentro do nosso negócio. O core ainda é feito pela base de cartões, de seguros e de empréstimos”, disse ele.
Cenário macro desafiador
Olhando para frente, Farber diz que se mantém confiante na trajetória da empresa mesmo diante de um cenário macroeconômico mais duro, com a inadimplência alta, o aumento da inflação e a pressão dos juros elevados.
O executivo disse que a empresa não tem sentido efeitos até o momento, mas que o trabalho feito para constantemente ajustar a operação ajuda a companhia a ganhar resiliência.
“A nossa grande fórmula de preparação é estar sempre melhorando o nosso negócio”, disse. “Eu costumo dizer aqui que se a gente parar de pedalar a bicicleta, ela cai. E se vier uma crise de qualquer lado, a gente vai sempre estar mais forte e mais preparado caso isso aconteça.”
Sobre a perspectiva para as vendas de inverno, o CEO diz que a companhia tem se preparado para se adaptar às variações do clima. No ano passado, ele disse que o inverno mais rigoroso ajudou as vendas da empresa no segundo trimestre, mas fizeram com que os produtos da estação se esgotassem mais rápido do que o previsto, o que afetou os estoques e os resultados nos trimestres seguintes.
“Estamos sendo menos beneficiados pelo inverno até agora, mas, por outro lado, estamos com o estoque de inverno bem regulado – para quando esfriar, teremos estoque onde o ano passado acabou antes”, afirmou.
O Bradesco (BBDC4) apresentou nesta quarta-feira (6) um resultado acima das expectativas do mercado para o primeiro trimestre de 2026. O banco somou lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões no período, acima dos R$ 6,652 bilhões esperados pelo consenso Bloomberg.
O resultado representa um avanço de 16,1% em base anual e de 4,5% contra o quarto trimestre do ano passado.
Já o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), principal indicador de rentabilidade do banco, ficou em 15,8% – alta de 1,4 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mesmo período do ano anterior e de 0,6 p.p. frente ao último trimestre.
“O Bradesco entrega o nono trimestre seguido de aumento do lucro líquido, expansão do ROAE e execução consistente do plano de transformação”, informou o banco em nota divulgada à imprensa.
O banco informou que as receitas cresceram 14% na comparação anual e foram o principal motivo para a melhora da rentabilidade no período. “O ano começou em ritmo acelerado para o Bradesco, com bom desempenho das nossas receitas”, afirmou a nota.
Cautela no crédito
A carteira de crédito do banco também avançou e somou R$ 1,090 trilhão – avanço de 8,4% na comparação com o mesmo período do ano passado e leve alta de 0,1% em três meses.
E embora a inadimplência esteja controlada, o Bradesco indicou um período mais desafiador à frente. O indicador de inadimplência longa, acima de 90 dias, subiu 0,1% na comparação trimestral, para 4,2%, impactado pelo segmento de pequenas e médias empresas.
O banco também sinalizou preocupação com o segmento de agronegócio, que está sendo um ponto de preocupação no setor desde o ano passado. Houve piora no portfólio de crédito rural de operações antigas para pessoas físicas e jurídicas.
“Nosso apetite ao risco continua moderado, com viés para mais conservador, em função do acompanhamento dos indicadores de mercado sobre inadimplência, que apresentaram certa degradação, em particular no agronegócio e em algumas modalidades”, informou a nota.
As ações do Bradesco (BBDC4) sobem 5,76% no acumulado do ano, contra uma alta de 16,33% do Ibovespa no mesmo período.
Retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), principal indicador de rentabilidade do banco, ficou em 15,8% – alta de 1,4 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mesmo período do ano anterior (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)
A Visa anunciou no Brasil o Visa Commercial Pay, produto que procura “atacar” uma das maiores dores do ecossistema empresarial: a complexidade e a falta de visibilidade no fluxo de caixa e no pagamento de fornecedores.
O lançamento no país se encaixa em uma percepção de que o Brasil é citado como uma referência e modelo a ser seguido em termos de inovação do sistema bancário e financeiro.
O Banco Central, como autoridade, e o Pix, como produto, são nomes que aparecem com frequência. Outro consenso no mercado é de que ainda há muito o que fazer em produtos de pagamentos corporativos, ambiente que está atrás em relação aos avanços experimentados pelos consumidores finais.
O sistema, apresentado globalmente em 2020, já é utilizado em mercados mais maduros, como Estados Unidos, Europa e Ásia.
O produto permite a emissão instantânea de credenciais virtuais sob demanda para colaboradores ou prestadores de serviço, que podem ser inseridas a carteiras digitais como Apple Pay e Google Pay, viabilizando pagamentos por aproximação.
Entre as vantagens, de acordo com a Visa, está a definição de limites específicos para cada fornecedor ou categoria de uso; segurança para transações digitais, ao eliminar a necessidade do cartão físico, e a substituição de processos manuais de conciliação por fluxos automáticos e transparentes.
A demora em chegar ao Brasil, de acordo com Ana Rojas, SVP e Head de Soluções Comerciais e de Movimentação de Dinheiro (CMS) para LAC (Latin America & Caribbean) da Visa, ocorreu por descasamento entre a tecnologia e a demanda por parte do mercado de adquirência.
“As empresas podiam resolver pagamentos de fornecedores sem essas soluções, usando nossos cartões ou tokens, mas essa solução torna a vida muito mais fácil e agora está mais enriquecida”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.
Segundo a executiva, a Visa tem evoluído em conversas, especialmente bancos que possuem os seus próprios serviços de adquirência.
“Eles são como o combo ideal para este tipo de soluções e é por aí que estamos começando”, afirma. “Já fechamos com uma instituição e estamos falando com outra”.
O produto é apenas mais um passo da companhia na tentativa de ganhar espaço no mercado de pagamentos corporativos, que movimenta anualmente mais de US$ 200 trilhões e está em plena transformação, com tendências que passam por stablecoins, inteligência artificial e agentic commerce.
“É um mar de oportunidades. Falamos de fluxos de empresa para empresa (B2B), do governo para empresas e de empresas para pequenos negócios. Na América Latina, 98% das empresas são PMEs, responsáveis pela maioria dos empregos, mas ainda carecem de soluções sob medida”, afirma Rojas.
Além disso, a Visa colocou no mercado nos últimos meses um produto para apoiar emissores na decisão de oferta de crédito a pessoas jurídicas, com base em fluxo de recebíveis.
Na região, muitos empreendedores e empresários acabam tendo um crédito maior como pessoa física do que pessoa jurídica, criando uma distorção no mercado.
A gigante de pagamento também está com altas expectativas que o mercado ganhará um novo impulso com a combinação entre stablecoins e agentes de IA.
“A previsão é de que mais de 60 % dos negócios com agentes e com stablecoins sejam no B2B. Já há um movimento em curso e o que estamos fazendo na Visa é cuidar para que esses agentes sejam confiáveis, com mecanismos de proteção tanto do lado pagador quanto de quem recebe”, afirma a executiva.
Apresentado globalmente em 2020, o Visa Commercial Pay tem casos de usos mais maduros em mercados como Estados Unidos, Europa e Ásia (Foto: Philip Pacheco/Bloomberg)
Após uma sequência de cinco anos de resultados trimestrais recordes quase ininterruptos, o Itaú Unibanco (ITUB4) registrou lucro estável no primeiro trimestre de 2026. Os R$ 12,3 bilhões alcançados na última linha do balanço ficaram 0,3% abaixo do resultado anterior, reflexo de efeito sazonal e da distribuição antecipada de dividendos.
Milton Maluhy Filho, CEO do banco, reforçou que a rentabilidade do trimestre se manteve nas máximas e que não projeta redução no apetite para o crescimento nos próximos meses – mesmo em um cenário mais cauteloso com o aumento da inadimplência no mercado brasileiro diante de juros altos.
“Mesmo com todos os desafios, a gente continua defendendo o guidance de crescimento de carteira e de custo do crédito, que mostra, de novo, a nossa capacidade preditiva de simular eventos olhando para frente", afirmou o executivo a jornalistas durante a entrevista nesta quarta-feira (6) para comentar os resultados.
O Itaú manteve inalteradas as projeções para 2026, que preveem crescimento da carteira de crédito total entre 5,5% e 9,5%, e custo do crédito entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões.
Um dos pilares que sustentam o apetite de crédito do banco é o foco nos chamados “clientes-alvo”. A instituição é conhecida por ser líder nos segmentos de média e alta renda, que foram especialmente resilientes no pós-pandemia.
Maluhy afirma, no entanto, que a estratégia abarca também outras faixas de renda, desde que se encaixem nos critérios de avaliação. O objetivo é concentrar sua originação em clientes considerados resilientes ao longo de diferentes ciclos econômicos, avaliados não apenas pela renda, mas por modelos que testam seu comportamento financeiro em cenários de estresse ao invés de expandir o crédito de forma ampla.
Hoje, mais de 80% da carteira de crédito do banco está alocada nesses clientes. Nas novas concessões, esse percentual chega a quase 100%.
O Itaú defende que esse segmento de clientes está mais protegido da inadimplência que os demais. Para demonstrar o ponto a investidores, o banco realizou um estudo em sua base analisando o endividamento das famílias brasileiras excluindo o crédito imobiliário.
Partindo de uma base 100 em dezembro de 2019, o endividamento total das famílias subiu para 123 em janeiro de 2026, enquanto o endividamento dos clientes-alvo do Itaú foi a apenas 105 no mesmo período. Considerando toda a carteira do banco, o índice chegou a 106, também abaixo da média do setor.
A diferença aparece também na comparação da inadimplência longa, com atrasos acima de 90 dias. No crédito pessoal, a inadimplência do Itaú ficou em 5,1%, ante 9,3% do mercado. No cartão de crédito, 5,1% contra 10,2% do setor. Em veículos, 3,5% frente a 6,2%; e no consignado privado, 4,2% contra 7,1% do mercado.
“De fato, focamos em clientes-alvo e saímos de públicos menos resilientes ao longo dos ciclos. Quando olhamos o resultado num ciclo mais longo, claramente foi uma estratégia vencedora”, disse Maluhy Filho.
“[Projetamos ainda] muita evolução em modelagem, inteligência artificial generativa. Com isso, vamos conseguir mais hiper personalizar ainda mais os limites e ter performances ainda melhores”, afirmou.
O banco também aproveitou para reafirmar sua posição relativamente confortável no crédito agrícola, setor que tem pressionado outros bancos com recuperações judiciais.
O Itaú detém cerca de 20% de participação de mercado no agro, mas apenas 4% do total de recuperações judiciais do setor. A carteira de produtores rurais conta com alienação fiduciária em 78% dos casos, o que a coloca fora do alcance dos processos de recuperação judicial.
Maluhy Filho não revelou quais culturas ou geografias o banco evita, mas confirmou que o Itaú ficou de fora de algumas regiões consideradas mais voláteis por questões climáticas.
A carteira de crédito total alcançou R$ 1,483 trilhão, com crescimento de 1,2% no trimestre excluindo variação cambial — e de 9% em 12 meses. O consignado privado foi o destaque, com alta de 63% anual, e os programas governamentais para PMEs cresceram 52% no período.
Milton Maluhy Filho, CEO do banco, reforçou que a rentabilidade do trimestre se manteve nas máximas e que não projeta redução no apetite para o crescimento nos próximos meses. (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)
O lucro da construtora Tenda (TEND3) mais que dobrou em seu balanço do primeiro trimestre deste ano, alcançando um saldo de R$ 183,4 milhões – 44% acima do consenso Bloomberg News.
Segundo a empresa, o resultado consolida o processo de turnaround após a turbulência enfrentada no pós-pandemia – e blinda a construtora do maior temor atual no mercado imobiliário: a pressão de custos de materiais diante da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O conflito começou no final de fevereiro, e o mais recente alerta veio na divulgação do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) de abril. O indicador registrou forte aceleração no último mês, subindo 1,04%, acima dos 0,36% observados em março.
Luiz Mauricio Garcia, CFO da Tenda, disse que a empresa está “blindada” contra a inflação de custos da guerra, cenário oposto do que aconteceu a partir de 2021, quando o avanço do INCC foi um dos detratores do resultado da Tenda.
A construtora sofreu com a alta dos preços de materiais causada pelo lockdown e enfrentou compressão de margens. Além disso, acelerou lançamentos antes e durante a pandemia e acabou enfrentando dificuldades operacionais.
O CFO defende que a companhia fez o dever de casa e atualmente está bem posicionada para enfrentar o novo desafio – e, desta vez, sem solavancos.
“Estamos em nosso melhor momento na qualidade de execução. Isso ajuda a explicar o resultado acima do esperado alcançado neste trimestre e também porque estamos protegidos nesse cenário atual de aumento de custos com o conflito no Oriente Médio”, afirmou Garcia em entrevista à Bloomberg Línea.
O executivo vê o avanço da eficiência como resultado da aposta da Tenda em um modelo construtivo industrial, com uso de formas de alumínio, que encurta os prazos de construção e diminui a exposição da empresa à inflação de custos.
O ciclo de obra ficou mais curto nos últimos anos: o prazo total de obra caiu de 30 para 18 meses de 2020 para cá.
A melhora no resultado veio também após uma combinação de reformas nos processos de orçamento, governança e controle de custos.
A Tenda tem apostado no reajuste antecipado de preços (já executado em 7% a 8% no início do ano), em sua estrutura da carteira de recebíveis, que corrige pelo INCC na fase pré-chaves e pelo IPCA na fase pós-chaves, e no conservadorismo nas provisões.
Hoje, 11% do total do “a gastar” em obras está provisionado para inflação e eventuais, contra zero em 2020.
No cenário mais conservador simulado pela companhia, de INCC a 10% no ano e correção dos recebíveis limitada a 5%, o impacto no lucro de 2026 seria de R$ 20 milhões. É um impacto considerado marginal diante do guidance para o ano, entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões.
“Estamos com uma obra muito eficiente e isso ajuda a entender como alcançamos esse resultado mesmo sem ter sido uma empresa que surfou na onda das faixas mais altas [do programa Minha Casa Minha Vida], que foi o grande impulsionador para muitas empresas nos resultados recentes”, disse.
A Tenda hoje tem 43% das vendas contabilizadas para a faixa 1 do MCMV, a mais baixa do programa, que atende o público de renda de até R$ 2.850 por mês.
A longo prazo, a companhia projeta uma distribuição mais similar entre as três principais faixas do programa, o que deve aumentar ainda mais em resultados com o aumento da penetração nas camadas mais altas do MCMV.
Outro ponto de atenção para os resultados da Tenda vinha sendo sua subsidiária Alea, grande queimadora de caixa. No trimestre, o segmento consumiu R$ 14,9 milhões – redução de 55% frente ao primeiro trimestre do ano passado.
Se mantiver a tendência, a companhia vai ficar abaixo do piso do guidance anual de queima entre R$ 60 a R$ 80 milhões para a Alea. A companhia encerrou o trimestre com apenas 13 canteiros ativos na subsidiária, frente a 33 no auge.
“A redução de queima de caixa era uma premissa importante para mostrar a estabilização da Alea, e alcançamos uma melhora substancial nesse trimestre”, afirmou o CFO.
Enquanto isso, a marca Tenda seguiu em tendência de aceleração. As vendas líquidas atingiram R$ 1,43 bilhão no trimestre – recorde histórico excluindo o programa Pode Entrar – com velocidade de vendas (VSO) de 26,9%.
O banco de terrenos consolidado chegou a R$ 29 bilhões em VGV potencial, crescimento de 24% na base anual.
A margem bruta ajustada do segmento Tenda foi de 38,5%, evolução de 1,8 ponto percentual frente ao primeiro trimestre do ano passado.
Já o EBITDA ajustado do segmento foi R$ 283,5 milhões no trimestre, alta de 67% na comparação anual. Anualizado, o número já supera R$ 1,1 bilhão — acima do teto do guidance para 2026, fixado entre R$ 950 milhões e R$ 1,05 bilhão.
A receita líquida total atingiu R$ 1,18 bilhão, também recorde histórico trimestral, com avanço de 36,9% na base anual. Já a geração de caixa do grupo somou R$ 86,6 milhões no trimestre, excluindo recompra de ações e distribuição de dividendos.
As ações da Tenda (TEND3) sobem 23,69% no acumulado do ano, contra uma alta de 16,33% do Ibovespa no mesmo período.
Empreendimento da construtora Tenda: construtora alcançou lucro líquido de R$ 183,4 milhões no primeiro trimestre – 44% acima do consenso Bloomberg (Foto: Divulgação)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Depois de um ano duro em 2025, impactado por um clima desfavorável que reduziu o consumo de cerveja no Brasil, a Ambev registrou no primeiro trimestre um resultado que surpreendeu analistas e levou a ação da fabricante de bebidas a valorizar 15,30% na terça-feira (5).
Para o CFO, Guilherme Fleury, o desempenho nos primeiros três meses do ano é um “primeiro passo relevante” para entregar um resultado positivo em 2026, em um ano favorecido pela Copa do Mundo, por um calendário de feriados mais denso e por projeções de um clima menos adverso para o setor.
“Começamos bem e sabemos o que temos que fazer para entregar. Nosso portfólio está muito bem encaixado, e vamos continuar trabalhando duro para isso”, disse Fleury em entrevista à Bloomberg Línea, após a divulgação dos resultados.
As ações globais operam em alta nesta quarta-feira (6), lideradas pelas empresas de tecnologia, enquanto os preços do petróleo e os rendimentos dos títulos recuaram diante do otimismo de que os EUA e o Irã estão próximos de um acordo.
- Clube dos US$ 1 tri. A Samsung ultrapassou US$ 1 trilhão em valor de mercado após as ações quadruplicarem no ano, impulsionadas pela demanda por chips usados em inteligência artificial. A empresa se tornou a segunda companhia asiática, depois da Taiwan Semiconductor Manufacturing, a atingir a marca.
- BMW resiste à pressão chinesa. A montadora manteve a projeção de lucro para o ano após registrar vendas aquecidas na Europa, o que compensou parte da queda na China. A BMW aposta na nova linha elétrica Neue Klasse para enfrentar a concorrência de BYD e da Tesla.
- Wegovy ganha tração. A Novo Nordisk reduziu a projeção de queda para vendas de 13% para 12% após alta demanda pela versão em pílula do Wegovy nos EUA. A farmacêutica aposta no medicamento oral para recuperar espaço frente à Eli Lilly, enquanto o Ozempic registrou o pior desempenho em dois anos.
Depois de um ano duro em 2025, impactado por um clima desfavorável que reduziu o consumo de cerveja no Brasil, a Ambev registrou no primeiro trimestre um resultado que surpreendeu analistas e levou a ação da fabricante de bebidas (ABEV3) a valorizar 15,30% na terça-feira (5).
Para o CFO, Guilherme Fleury, o desempenho nos primeiros três meses do ano é um “primeiro passo relevante” para entregar um resultado positivo em 2026, em um ano favorecido pela Copa do Mundo, por um calendário de feriados mais denso e por projeções de um clima menos adverso para o setor.
“Começamos bem e sabemos o que temos que fazer para entregar. Nosso portfólio está muito bem encaixado, e vamos continuar trabalhando duro para isso”, disse Fleury em entrevista à Bloomberg Línea, após a divulgação dos resultados.
Na visão do executivo, a Ambev colheu os frutos de um trabalho que tem sido realizado ao longo do último ano, que inclui um esforço para fortalecer o portfólio de bebidas e revisar a alocação de recursos.
Isso, de acordo com o executivo, permitiu manter o crescimento do Ebitda e das margens em 2025 e preparar o terreno para os resultados positivos deste começo de ano. “A gente entra em 2026 mais forte – com marcas mais fortes, com essa disciplina financeira mais sólida, com esse exercício de alocação de recursos mais maduro”, afirmou.
Na visão do CFO, o que freou os resultados em 2025 foi o clima, que reduziu as ocasiões de consumo — e não uma mudança no comportamento do consumidor. “O que impactou o ano de 2025 não foi que o brasileiro deixou de gostar de cerveja. O brasileiro ama cerveja”, afirmou.
Isso muda em 2026. Depois de um carnaval que foi “forte”, segundo ele, a expectativa é positiva para a Copa do Mundo, com horários favoráveis dos jogos do Brasil na primeira fase.
“A gente tem mais do que 11 marcas jogando muito bem, muito bem posicionadas, cada uma fazendo o seu papel — e ainda tem algumas no banco que vão entrar em jogo", disse o executivo, fazendo uma brincadeira com o futebol.
Segundo o executivo, o crescimento de 1,2% do volume de cerveja vendido no Brasil – que superou o consenso – é explicado por um ganho de participação de mercado e da recomposição de estoques no início do ano, que ficaram baixos após um dezembro excepcionalmente forte.
O executivo negou que a expansão tenha refletido uma acumulação de estoques no canal de distribuição, já em preparação para a Copa do Mundo, algo apontado por alguns analistas.
“A gente não fez estoque no trimestre”, afirmou o CFO. “O segundo trimestre será, obviamente, relevante nessa construção de estoque quando olharmos para a Copa do Mundo – que pega um pedaço do segundo e um pedaço do terceiro trimestre –, mas nada disso impactou o Q1.”
A questão foi levantada entre analistas em relatórios após a divulgação dos resultados. O Bank of America e o BTG Pactual apontaram a possibilidade de que o volume reportado tivesse sido inflado pelo reabastecimento do canal, que inclui vendas a distribuidores, atacadistas e pontos de venda – e não por crescimento real do consumo.
Inovação no ‘core’
A expansão do volume foi puxada principalmente pelo crescimento das marcas de alto valor – como Stella Artois, Spaten, Corona e Original –, que cresceram acima de 20% no trimestre, segundo a empresa.
No entanto, as marcas do segmento principal (chamado de “core”), voltadas ao consumidor de menor renda e ao consumo em bares e estabelecimentos, registraram queda de um dígito baixo.
O CFO reconheceu a divisão, mas disse que a Ambev tem se empenhado para fortalecer o segmento, com a visão de que “a categoria de cerveja precisa ter um core forte”.
Na visão dele, a força no core proporciona uma base para inovar e crescer em verticais relevantes, como em produtos zero álcool, cervejas saborizadas e drinks prontos, que são novas apostas da fabricante.
Ele cita como exemplo a Skol Zero Zero, uma cerveja sem álcool, sem açúcar, sem glúten e com 12 quilocalorias por lata. Segundo ele, a receptividade do consumidor nos mercados do Sul e Sudeste, onde o produto foi lançado, tem sido positiva.
“O core é importante do ponto de vista de acessibilidade da categoria, ao mesmo tempo que precisamos trazer produtos novos que conectam o consumidor em outros segmentos”, disse o CFO. “O que temos feito dentro do core é trabalhar para dar a ele o peso que merece.”
A visão é de que a categoria de cerveja hoje é versátil e oferecer oportunidades de crescimento em várias frentes. “Quando você olha outros mercados, como o México, você vê mixtures e drinks feitos a partir de uma base alcoólica de cerveja. No Brasil isso ainda é muito incipiente – tem muito espaço para crescer", disse Fleury.
No portfólio de bebidas sem álcool, de baixa calorias e sem glúten, a empresa registrou crescimento de 70% no primeiro trimestre, com destaque para o avanço de 160% da Stella Pure Gold, de 180% da Michelob Ultra e de 70% da Corona Cero.
Custos e preços
Enquanto avança no portfólio premium, a Ambev também busca estratégias para lidar com a pressão do aumento dos custos.
Sobre a possibilidade de acelerar o repasse de preços ao consumidor para compensar esse aumento, Fleury foi cauteloso. O CFO evitou dar indicação sobre a trajetória de preços para os próximos trimestres, mas descreveu a lógica que orienta as decisões da empresa.
Segundo o executivo, a Ambev busca um equilíbrio entre proteger o crescimento da categoria e proteger a rentabilidade – e enxerga ganhos de produtividade industrial como um caminho para reduzir a dependência do repasse de preços.
“Se consigo trazer produtividade industrial, consigo proteger a categoria tendo menos necessidade de colocar preço nessa equação”, afirmou.
-- Reportagem atualizada para corrigir a informação de que a Stella Pure Gold cresceu 160%, e não 170%.
O GPA (Grupo Pão de Açúcar) concluiu nesta terça-feira (5) a renegociação das dívidas financeiras não operacionais que motivaram o pedido de recuperação extrajudicial protocolado em março.
O passivo, originalmente anunciado em R$ 4,5 bilhões, alcançou R$ 4,6 bilhões com a materialização de um swap durante o processo, segundo o CFO Pedro Albuquerque, em entrevista à Bloomberg Línea.
O plano foi aprovado por 57% dos credores, acima dos 50% mais um exigidos por lei, e tem como signatários Rabobank, Itaú, BTG, HSBC e Itaú Asset. O Rabobank é o maior credor individual, segundo o executivo.
“É um dia importante na história do GPA”, afirmou o CEO Alexandre Santoro à Bloomberg Línea.
No comando da companhia desde 5 de janeiro, Santoro descreveu o diagnóstico que encontrou ao chegar: um desequilíbrio entre o porte atual da operação e os passivos herdados. “Não estou aqui para julgar o passado, não é o meu papel. Mas a fotografia desse filme é que a companhia desequilibrou”, afirmou.
O CEO lembrou que o GPA já faturou mais de R$ 100 bilhões em um ano e hoje fatura cerca de R$ 20 bilhões, mas carregava obrigações de quando era muito maior, antes da cisão do Assaí (2021) e da venda do colombiano Éxito (2024). A operação atual, segundo o CEO, é saudável.
“É uma companhia que gera caixa operacionalmente falando. Tem marcas fortes, clientes frequentes, 35 mil funcionários, um relacionamento excelente com os fornecedores”, disse.
A companhia ocupa a 5ª posição entre as maiores redes do varejo supermercadista brasileiro, atrás de Carrefour, Assaí, Grupo Mateus e Supermercados BH, segundo o ranking de 2026 da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), que reúne os supermercadistas do país, divulgado em abril.
A nova dívida e o alívio no caixa
Albuquerque detalhou a engenharia do acordo. Dos R$ 4,6 bilhões, R$ 1,5 bilhão vira debênture corrigida a CDI+2,5%, com dois anos de carência e vencimento em 2031.
Outros R$ 1,1 bilhão são convertidos em ações (equity) em quatro janelas de 25%, entre o início de 2027 e 2031, sempre ao preço médio de tela dos 90 dias anteriores a cada conversão.
E outros R$ 2 bilhões da dívida recebem deságio (haircut) de 70%, virando uma debênture de R$ 600 milhões com pagamento bullet (principal pago integralmente no vencimento) em 2036.
Com isso, o saldo em dívida cai para cerca de R$ 2,1 bilhões, uma redução de 54% sobre os R$ 4,6 bilhões originais, combinando deságio sobre uma fatia e conversão de outra em participação acionária. O prazo médio sai de 2,1 anos para mais de seis anos, e o custo recua de CDI+1,8 para CDI+0,5.
“A dívida reduz substancialmente e muito mais alongada, com custo menor. Coloca a companhia numa outra realidade”, disse o CFO.
O efeito no fluxo de caixa é o número mais expressivo da operação. “A gente teria vencimentos de R$ 5,2 bi nos próximos três anos, incluindo 2026, e isso vai reduzir para R$ 800 milhões”, afirmou Santoro.
“Isso vira uma nova companhia, é um cenário completamente diferente que nos permite focar no que é o mais importante”, disse.
Só entre maio e junho deste ano venceriam R$ 1,7 bilhão, o gatilho que tornou inevitável a recuperação extrajudicial.
O plano agora aguarda homologação judicial, com prazo legal de 30 dias. Demais credores podem aderir nessa janela. Todos terão a opção de migrar para a debênture pecuniária ou para a conversível, desde que aportem recurso novo via risco sacado, capital de giro ou nova debênture.
Questionado se algum debenturista sinalizou questionamento na Justiça, Albuquerque respondeu: “Não sei. A gente conversou com os debenturistas também, mas todo mundo está aberto para fazer o que quiser”.
Sobre rating, o GPA ainda não procurou as agências. Em março, a Fitch havia rebaixado a nota da companhia para CCC(bra), citando deterioração de liquidez. Santoro avalia que a revisão é consequência natural.
“Da mesma forma que a companhia teve um downgrade antes desse processo, é natural que ela saia muito mais saudável, com balanço muito mais leve, mais adequado para a sua geração de caixa”. Não há follow-on no radar.
O que muda no operacional, e o que não
Santoro fez questão de separar o processo financeiro do dia a dia. Fornecedores, clientes e funcionários não foram afetados, segundo ele.
“Se você for nas nossas lojas, vai ver cliente entrando, cliente saindo, funcionários, estoque, as lojas abastecidas. A recuperação extrajudicial nos permitiu manter a operação em normalidade”, observou.
O CEO creditou aos fornecedores parte do mérito de atravessar o processo sem ruptura: “A companhia contou com o apoio e a parceria enorme dos nossos fornecedores. A gente passa por um processo como esse sem nenhuma ruptura no nosso dia a dia”.
Não há previsão relevante de fechamento de lojas. O parque atual soma 728 unidades. A empresa decidiu não abrir novas lojas e vai concentrar esforço no portfólio existente. O capex (investimento) já foi revisado para baixo.
A companhia não divulgou projeção de Ebitda nem prazo para retomar o lucro líquido.
“É um processo agora, a gente está concluindo. Vai atualizando o mercado nas reuniões de resultados de fechamento de trimestre”, disse Santoro.
O CEO lembrou que, desde que assumiu, o noticiário sobre a companhia só falou riscos de continuidade operacional e vencimentos. “Apesar de um monte de outras coisas boas acontecendo, era só o assunto que aparecia. Isso a gente resolve agora”, disse.
A partir daqui, segundo Santoro, o foco volta a ser entregar “uma experiência cada vez melhor para os nossos clientes”.
O conselho, que reúne a família Coelho Diniz (24,6%), o Casino (22,5%) e o investidor Silvio Tini, e que, segundo Albuquerque, representa “quase 80% das ações”, aprovou o plano por unanimidade. Mudanças societárias, segundo o CFO, são “tópico de sócios, não da gente especificamente”. Ou seja, a página, para a gestão, vira agora.
O GPA é assessorado pela Alvarez & Marsal no aspecto financeiro e pelo escritório Munhoz Advogados, do advogado Eduardo Munhoz, no jurídico.
A Vulcabras (VULC3) registrou uma receita líquida de R$ 776,4 milhões no primeiro trimestre, o que representa um avanço de 10,7% sobre o mesmo período do ano passado.
O número ficou levemente abaixo do consenso dos analistas ouvidos pela Bloomberg, que previam R$ 779 milhões.
Com o resultado, a gestora de marcas esportivas do país, dona da Olympikus e detentora da Mizuno e da Under Armour, teve seu 23º trimestre consecutivo de expansão, mantendo a trajetória de crescimento que vem sendo desenhada nos últimos seis anos.
A fabricante de tênis teve lucro bruto de R$ 313,5 milhões, alta de 11,2% na comparação anual, com margem bruta de 40,4%, levemente superior ao registrado um ano antes, informou a companhia nesta terça-feira (5).
O Ebitda recorrente foi de R$ 156,9 milhões, aumento de 11,8%, elevando a margem em 0,2% para 20,2%.
A última linha do balanço apresentou uma queda em relação ao primeiro trimestre de 2025. A redução de 18,9% no lucro líquido, fechando a R$ 86,1 milhões, apesar do crescimento operacional (EBITDA), é explicada por uma decisão estratégica de capital.
Para antecipar R$ 1,5 bilhão em dividendos aos acionistas no ano passado e se proteger de mudanças na tributação, a companhia optou por elevar seu endividamento temporariamente.
O lucro líquido foi, portanto, pressionado pelo aumento das despesas financeiras (pagamento de juros sobre essa dívida), que não existiam no primeiro trimestre de 2025, quando a empresa operava com caixa líquido.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o CFO Wagner Dantas descreveu a situação como “provisória e planejada” e disse que a geração de caixa atual já está sendo usada para reduzir essa alavancagem, com a dívida líquida caindo de 0,9x para 0,7x EBITDA neste primeiro trimestre.
Os números gerais, embora positivos, demandaram “muito mais trabalho” para serem obtidos, de acordo com o CEO Pedro Bartelle, que classificou o período como mais complexo do que os quatro trimestres de 2025.
Segundo a companhia, a Olympikus manteve um ritmo ritmo forte e a Under Armour registrou o seu melhor resultado desde que chegou às mãos da Vulcabras, ao incrementar o porftólio e fortalecer a presença em áreas como a corrida.
“Fizemos um orçamento prevendo inflação e custo de folha, mas a guerra trouxe um cenário bem mais desafiador ainda porque ela começou com um ar de pandemia, com falta de matéria-prima, aumento de custos, preocupação das pessoas com o consumo”, disse o CEO, à Bloomberg Línea.
Hoje, apenas 15% da matéria-prima para os produtos da Vulcabras são importados. Boa parte dos itens nacionais, porém, são atrelados ao dólar, como os polímeros e outros materiais petroquímicos, criando um impacto direto no negócio.
“Esse foi o cenário novo que foi se intensificando no primeiro trimestre, e os efeitos dele começam no primeiro trimestre, mas vão agora se intensificar um pouquinho para frente, que é o aumento do custo das matérias-primas”, afirmou Bartelle.
Para neutralizar o aumento dos custos e preservar a rentabilidade, a Vulcabras irá aplicar reajustes de preços entre 10% e 15% em mais da metade de sua coleção.
De acordo com Bartelle, esses novos valores já estão sendo praticados nas pré-vendas e devem chegar ao varejo físico de forma mais nítida durante o segundo semestre de 2026.
No mercado interno, a companhia identificou novos desafios na disputa pela renda do consumidor. Além da inflação de itens básicos, que comprime o poder de compra, Bartelle citou o impacto das plataformas de apostas online (bets), que têm retirado recursos que antes eram destinados ao consumo de bens duráveis e vestuário.
A empresa tem apostado em carros-chefes como a linha de performance Corre, que acaba de adicionar um novo membro à família, o Corre 5, da Olympikus.
Além disso, uma das estratégias para manter o ritmo de crescimento está em apresentar uma nova linha pensada para entregar um melhor custo-benefício.
Planejada para este semestre, os produtos da família “Corrida” chegarão com preços abaixo de R$ 500,00, ocupando um lugar na prateleira de preços outrora pertenceu à linha “Corre”.
O objetivo é, ao mesmo tempo, manter o volume de vendas em um cenário de orçamentos familiares mais restritos e enfrentar também a concorrência de marcas internacionais, que têm adotado agressividade comercial no mercado brasileiro.
“Vemos essas marcas internacionais subsidiando produtos, o que, realmente sempre houve subsídio de importados, mas vemos agora estratégias, inclusive agora, de produtos baratos, mais econômicos, que eles nunca faziam”, afirma o CEO.
Crescimento conservador
Apesar do ciclo ininterrupto de crescimento, a gestão da Vulcabras optou por uma postura mais conservadora para o decorrer de 2026. A estratégia prioriza a saúde financeira sobre a expansão agressiva a qualquer custo.
Na prática, a companhia decidiu reduzir o ritmo de investimentos em projetos de longo prazo — aqueles que levam dois anos ou mais para gerar retorno — para focar naquilo que já está consolidado e traz rentabilidade imediata.
Essa seletividade reflete a incerteza trazida pela volatilidade global e pelas mudanças nas regras do jogo doméstico, como a reoneração da folha e novas normas tributárias.
“O nosso foco nesse momento é muito mais a saúde financeira da empresa do que crescimento a qualquer custo”, afirmou o CEO. “Já temos uma boa participação de mercado e vamos ocupar novos espaços, sim. Mas a agressividade de crescimento se torna muito mais uma agressividade de manter os resultados neste momento.”
Segundo Bartelle, essa é uma manobra tática, que pode ser repensada assim que o cenário macroeconômico apresentar maior estabilidade.
Mesmo com esse viés cauteloso, a Vulcabras descartou reduções na capacidade produtiva. A intenção é manter o quadro de pessoal e o ritmo das fábricas nas unidades do Ceará e da Bahia, garantindo que o atendimento à demanda atual não seja prejudicado pela postura mais precavida em relação ao futuro de longo prazo.
Há dois anos e meio, a Pague Menos (PGMN3) era uma rede endividada em mais de quatro vezes o próprio Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), com lojas sobrando estoque de baixo giro e margem corroída. Hoje, é vista como a história de turnaround mais consistente do varejo farmacêutico brasileiro. A ação acumula alta de 67,28% em 12 meses.
O primeiro trimestre fechou com lucro líquido ajustado de R$ 55,6 milhões, quatro vezes o do ano anterior, e o sétimo balanço seguido com Ebitda crescendo acima de 30%. A margem bruta chegou a 29,5%, recorde para um primeiro trimestre desde 2021. A venda média por loja, de R$ 818 mil, encostou nas líderes do setor.
“Terminamos agora o primeiro trimestre com 1,9 vezes dívida líquida e Ebitda. Ainda não é o patamar que a companhia gostaria. Queremos ficar mais próximo de 1,0 vez”, afirmou o CFO Luiz Novais à Bloomberg Línea.
“No ano passado, no primeiro trimestre, a companhia estava com 2,8 vezes. Mas pretendemos ainda diminuir”, completou.
Os números vieram acima do consenso de mercado, e tanto BTG Pactual quanto Santander mantiveram recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 9,00 e R$ 8,00, respectivamente, contra os R$ 5,39 do fechamento.
O Santander destacou em relatório que o resultado “reforça consistente execução e crescimento forte puxado por volume”, com vendas mesmas lojas, métrica que mede o desempenho de unidades abertas há mais de um ano, em alta de 13%, três vezes a inflação do período.
O BTG foi na mesma linha, classificando o trimestre como “mais uma receita saudável de crescimento e margem”, e elogiou o ganho de 14 pontos-base de market share, para 6,7%.
Mas os relatórios não foram só notas positivas. O Santander apontou que o ciclo de caixa operacional se alongou para 72 dias, seis a mais que um ano antes, e que o fluxo de caixa operacional foi negativo em R$ 63 milhões, pressionado por estoques mais altos para abastecer o novo centro de distribuição na Paraíba e sustentar a categoria de GLP-1.
O BTG também marcou o ponto: “fluxo de caixa livre desapontou”, escreveu o banco, ainda que tenha ressaltado a sazonalidade do trimestre.
Novais reconheceu, mas deslocou o foco para o ano cheio. “A gente gerou no ano passado 52% do nosso Ebitda em caixa. Deu mais ou menos uns R$ 550 milhões. E estamos, sim, muito focados em reduzir dívida.”
A despesa financeira, de R$ 112 milhões no trimestre, ainda consome boa parte do lucro operacional. Os créditos tributários no balanço somam R$ 936 milhões, dinheiro que a empresa tem direito a receber do governo, mas que ainda não virou caixa.
“Mesmo com uma despesa financeira relevante, a gente conseguiu gerar um lucro líquido no final de R$ 280 milhões no ano passado”, disse o CFO.
“Nesse ano, com a contínua redução no nível de endividamento associada à queda de juros, mesmo modesta, a perspectiva tanto de conversão de Ebitda em caixa quanto de lucro líquido é maior”, observou o CFO.
Há ainda o desconforto da produtividade. O JP Morgan apontou que a venda média mensal por loja, na casa dos R$ 800 mil, está praticamente empatada com as maiores redes do país, atrás apenas da RaiaDrogasil. A pergunta inevitável: como crescer a partir desse teto?
“Tem bastante espaço ainda pra crescer”, rebateu Novais.
“Muitas das ações que a companhia fez nos dois últimos anos a gente ainda não capturou todos os benefícios. Nosso canal digital hoje representa 22% da venda total. Tem players do nosso setor que já estão mais próximos de 30%. Então, também temos espaço aqui pra melhorar”, reforçou o CFO.
Outra alavanca, segundo ele, é logística. “A gente inaugurou neste mês de março um centro de distribuição novo na Paraíba, mas ainda tem praças no Brasil em que a gente não entrega todos os dias os produtos nas nossas lojas. O ideal seria que 100% das nossas lojas fossem abastecidas todos os dias”, reconheceu.
A consequência prática do foco em desalavancagem aparece no ritmo de aberturas. Apenas uma loja inaugurada no trimestre, contra 30 em todo 2025. “É um ano de expansão modesta”, admitiu o CFO. A nova rodada fica para 2027.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Historicamente financiado por recursos públicos, o setor de saneamento tem se tornado cada vez mais uma alternativa de renda fixa para o investidor.
Com a expansão dos leilões de projetos de água e esgoto dos últimos anos, o mercado de capitais encerrou 2025 com emissões de debêntures que somaram R$ 44,7 bilhões, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Somente no primeiro trimestre deste ano, o montante emitido foi de R$ 11,4 bilhões para saneamento.
O número reflete não apenas a escala do investimento necessário para universalizar o serviço até 2033 mas também a confiança crescente de investidores em um setor que, até pouco tempo atrás, era visto basicamente como estatal.
“O saneamento tem registrado praticamente o mesmo volume de emissões de debêntures que o setor de rodovias, cujo mercado privado vem amadurecendo há mais de 30 anos”, afirma o sócio do Levy & Salomão Advogados, Saulo Puttini.
Os futuros das ações dos EUA operam perto da estabilidade nesta terça-feira (5), enquanto os preços do petróleo recuam, à medida que o cessar-fogo no Oriente Médio se mantém, mesmo após os conflitos da véspera.
- Trégua sob pressão. O cessar-fogo entre EUA e Irã se mantém nesta terça-feira mesmo após os confrontos na véspera no Estreito de Ormuz, incluindo ataques a navios e mísseis contra os Emirados Árabes Unidos. Os EUA escoltaram embarcações na região, enquanto Teerã alertou contra o tráfego sem autorização.
- Paramount supera projeções. A companhia reportou Ebitda ajustado de US$ 1,16 bilhão no 1º trimestre, acima das estimativas, enquanto a receita de US$ 7,3 bilhões ficou em linha com o esperado. A empresa reafirmou o guidance para o ano enquanto avança na aquisição da Warner.
- Cadeia de chips em revisão. A Apple estuda usar as unidades da Intel e da Samsung para produzir seus processadores nos EUA, em um movimento para reduzir a dependência da TSMC em meio a restrições. O CEO Tim Cook disse recentemente que levará meses para equilibrar a oferta e a demanda de chips.
Historicamente financiado por recursos públicos, o setor de saneamento tem se tornado cada vez mais uma alternativa de renda fixa para o investidor.
Com a expansão dos leilões de projetos de água e esgoto dos últimos anos, o mercado de capitais encerrou 2025 com emissões de debêntures que somaram R$ 44,7 bilhões, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Somente no primeiro trimestre deste ano, o montante emitido foi de R$ 11,4 bilhões para saneamento.
O número reflete não apenas a escala do investimento necessário para universalizar o serviço até 2033 mas também a confiança crescente de investidores em um setor que, até pouco tempo atrás, era visto basicamente como estatal.
“O saneamento tem registrado praticamente o mesmo volume de emissões de debêntures que o setor de rodovias, cujo mercado privado vem amadurecendo há mais de 30 anos”, afirma o sócio do Levy & Salomão Advogados, Saulo Puttini.
Ele acrescenta que o prazo médio de retorno do investimento desses títulos (duration) é significativamente mais longo do que seus pares em rodovias, chegando a 30 anos.
Neste cenário, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desempenha um papel importante na subscrição de garantias.
“Trata-se de uma indústria relativamente nova, que ainda precisa testar reequilíbrios de contratos, por exemplo. Mas o mercado está acreditando muito”, diz Puttini.
Na visão do sócio da assessoria financeira Virtus BR Partners, Douglas Bassi, já é possível afirmar que o saneamento virou uma aposta de renda fixa para o investidor. “É preciso avaliar o todo para saber se há algum risco corporativo, mas no geral as debêntures [do setor] pagam boas taxas com risco relativamente baixo.”
Desde a aprovação do novo marco regulatório do saneamento em 2020, aproximadamente R$ 202 bilhões de investimentos foram contratados em 66 leilões, segundo dados da Abcon, entidade que representa as empresas do setor. O volume refere-se a cerca de 1.700 municípios que colocaram em contrato suas metas de universalização.
Ainda de acordo com o último dado oficial do governo federal, o investimento já desembolsado para o setor alcançou volume recorde em 2024, de R$ 29 bilhões – um aumento de 67% sobre 2020, período anterior ao novo marco.
A diretora técnica da Abcon, Ilana Ferreira, afirma que o setor como um todo ainda é amplamente dependente dos recursos de tarifas para se financiar no âmbito das empresas públicas.
No entanto, diante da entrada significativa de operadores privados no saneamento, seja por concessões ou Parcerias Público-Privadas (PPPs), houve a entrada de novas modalidades de recursos para financiar o setor, principalmente do mercado de capitais, com o BNDES ainda desempenhando um papel essencial.
Outras instituições como o IFC (braço do Banco Mundial) e a Caixa, com os recursos provenientes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), completam o rol de principais financiadores de novos projetos de água e esgoto.
Ferreira pondera que o setor ainda passa por um momento de capex elevado para expandir as redes e que o retorno desse tipo de investimento é naturalmente mais demorado. “Por isso, as linhas dessas instituições são muito importantes”, diz.
Carteira de projetos
A Abcon contabilizava até o fim de abril 24 projetos de água e esgoto em estruturação no âmbito do governo federal, somando quase R$ 36,7 bilhões em investimentos previstos. O critério para ingresso na carteira da entidade é que o projeto tenha passado por consulta pública, uma etapa mais avançada do processo.
Esse volume contempla contratos para 592 municípios. Um dos mais emblemáticos é o projeto de Porto Alegre, que há anos vem sendo gestado e, por ora, é esperado para ser leiloado no primeiro semestre de 2027. O serviço de água e esgoto da maior parcela do Rio Grande do Sul, excluindo a capital, foi 100% privatizado em leilão arrematado pela Aegea em 2022.
Nesta conta, não está incluído o projeto de privatização da Copasa, companhia estadual de Minas Gerais.
O próximo leilão do setor deve ocorrer na Paraíba e está previsto para 15 de maio. O projeto contempla uma concessão de 25 anos, em bloco único, e investimento estimado de aproximadamente R$ 3 bilhões.
Outras oportunidades aguardadas pelo mercado incluem leilões em Sergipe, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte.
A diretora da Abcon avalia que as opções de projetos de grande porte estão acabando, mas ainda há oportunidades de investimentos para municípios. “A tendência de leilões para os próximos anos é de projetos municipais”, diz Ferreira.
Ela acrescenta que o setor deve passar ainda por um importante período de amadurecimento, com as normas de referência da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e a reforma tributária.
“Precisamos de um olhar atento para os pedidos de reequilíbrio contratual. Para garantir a adaptação ao novo marco e o atendimento à população, a segurança jurídica nesse processo é essencial”, afirma.
Na visão do sócio do Levy & Salomão, acelerar a análise dos pedidos de reequilíbrio de contratos pode justamente preservar o valor das debêntures do setor de saneamento. “Se houver um acúmulo de revisões tarifárias decorrente de pedidos de reequilíbrio, o mercado pode começar a reprecificar essas dívidas”, avalia Puttini.
O advogado observa, porém, que à medida que a indústria torna-se mais padronizada, mais apelo terá para os investidores.
Na avaliação de Ferreira, a velocidade de leilões de saneamento está dentro do esperado. “Passamos por uma transformação muito drástica no setor, uma mudança normativa quase visceral. De modo geral, os estados todos estão se movimentando para a universalização”, avalia.
O Brasil tem 2,5 milhões de viajantes frequentes para Europa e Estados Unidos, mas a maioria ainda chega ao destino em busca de Wi-Fi ou de um chip físico local para usar a internet no smartphone. É nessa lacuna que a Airalo, unicórnio do mercado global de eSIM, quer crescer.
A empresa recebeu em 2025 um aporte de US$ 220 milhões liderado pela CVC Capital Partners, o que elevou sua avaliação a mais de US$ 1 bilhão. No Brasil e na América Latina, registrou crescimento de 60% em relação a 2024.
Para 2026, os esforços de expansão no país se concentram exatamente nesse segmento, que a companhia chama internamente de Golden Segment, o perfil de brasileiro que viaja com frequência ao exterior.
“O Brasil é um dos maiores mercados de crescimento na região. Os brasileiros têm uma boa adoção de ativos digitais, independente da categoria”, afirmou Carlos Alberto Torres, diretor de Growth Marketing da Airalo para a América Latina, em entrevista à Bloomberg Línea.
A avaliação é consistente com o histórico de penetração de smartphones e serviços financeiros digitais no país, onde o eSIM ainda encontra barreiras, mas avança.
A tecnologia permite ao usuário ativar um plano de dados em outro país sem trocar o chip físico do aparelho, diretamente pelo aplicativo. A Airalo opera em mais de 200 destinos e acumula 30 milhões de usuários desde a fundação em 2019.
O crescimento da empresa ocorre em meio a uma mudança estrutural na indústria de telecomunicações. A GSMA (associação que reúne operadoras de telefonia móvel de todo o mundo) projeta que as conexões via eSIM devem chegar a 2,5 bilhões até 2028, indicando migração gradual dos chips físicos para a conectividade digital.
Dados da própria Airalo apontam que o uso de eSIM pode reduzir os custos de roaming em até 90% em relação ao roaming internacional tradicional.
No Brasil, a empresa fechou acordo com a Claro, subsidiária do grupo mexicano América Móvil controlado pelo bilionário Carlos Slim, para oferecer conectividade a viajantes estrangeiros que chegam ao país.
Torres identificou dois obstáculos principais para a expansão doméstica: a falta de conhecimento sobre a existência do eSIM e a compatibilidade limitada de aparelhos.
“Nem todos os dispositivos permitem o uso de eSIM ainda. Mas os fabricantes estão se movendo muito rapidamente nessa direção”, disse.
A Apple lidera a transição, com o iPhone tornando o slot físico dispensável em modelos recentes. Parte do parque Android ainda não acompanhou o ritmo.
O segmento corporativo figura entre os primeiros a adotar o produto. “Os viajantes corporativos têm uma experiência completa de reserva de voos e hotéis, e querem continuar conectados quando chegam”, disse Torres.
A lógica é funcional: eliminar a busca por Wi-Fi ou a compra de chip local no destino reduz fricção em uma rotina onde tempo é variável crítica.
Entre os destinos mais buscados pelos brasileiros na plataforma, Estados Unidos e Japão lideram. Torres citou Tóquio e Nova York como as cidades de maior demanda. Europa também aparece com força, especialmente Itália, Espanha e Portugal.
Parcerias e uso de IA
A empresa trabalha com um programa de afiliados para agências de viagem e busca parcerias com operadoras de telefonia e plataformas digitais de viagem (OTAs).
Torres não detalhou os acordos em andamento além da Claro, mas indicou que uma equipe dedicada opera na prospecção de novos parceiros locais.
Sobre a precificação, o executivo da Airalo diz posicionar seus pacotes abaixo do custo do roaming internacional cobrado pelas operadoras brasileiras.
“Quando você viaja para a Europa, é mais acessível acessar nosso app do que acionar as redes locais do Brasil”, compara.
O argumento converge com a crítica recorrente ao modelo de roaming das telecomunicações, cujas tarifas permanecem elevadas em comparação com padrões europeus ou norte-americanos.
A empresa trabalha na oferta de dados ilimitados e na precificação em reais, em vez de dólares, medida que Torres descreveu como prioritária para o mercado brasileiro.
O uso de inteligência artificial na companhia está concentrado em duas frentes: análise de feedback de usuários para orientar o desenvolvimento de produto e monitoramento de performance no funil de conversão.
Ele não detalhou aplicações em precificação dinâmica ou recomendação personalizada, mas sinalizou que a área está presente em “praticamente todos os departamentos”.
Sobre a concorrência, Torres reconheceu a entrada de novos players, incluindo parcerias entre companhias aéreas e fornecedores de eSIM, como a aliança recém-anunciada entre a Azul (AZUL4) e a UniMobil, empresa global com cobertura em mais de 190 países, com redes 4G e 5G.
“A competição é boa. Mais players ajudam a educar o mercado”, disse.
A empresa tem estrutura totalmente remota, com equipe distribuída em 55 países. No Brasil, a operação é conduzida a partir de São Paulo e integrada à estrutura regional da América Latina.
A tecnologia eSIM elimina a necessidade de chip físico: usuário ativa plano de dados no exterior diretamente pelo aplicativo (Foto: David Paul Morris/Bloomberg)
Comprar o terreno, lançar o projeto, vender as unidades e entregar as chaves aos compradores. De forma simplificada, é possível resumir a estratégia tradicional de incorporação imobiliária nesses quatro pilares.
A Meta Incorporadora, no entanto, adota uma abordagem diferente: cerca de 20% das unidades de cada projeto continuam sob a propriedade da construtora, que mantém os apartamentos em uma carteira interna de locação e revenda que financia parte do custo do próprio negócio.
A tese da Meta conta com a valorização de seus imóveis, focados no alto padrão. “Um de nossos empreendimentos teve valorização de 80% no preço do metro quadrado em dois anos, entre lançamento e entrega. E esperamos que o preço, atualmente em R$ 24 mil/m², passe para R$ 30mil/m² até o próximo ano”, afirmou o CEO Alexandre Souza Lima em entrevista à Bloomberg Línea.
Lima começou a carreira no mercado imobiliário com construção para terceiros. Na pessoa física, investia em imóveis com o objetivo de ter uma renda constante com venda e aluguel das unidades. Quando fundou a Meta, como incorporadora boutique, em 2009, a lógica do investidor foi aplicada também na pessoa jurídica.
“O nome Meta vem desse plano em ter um determinado volume de receita recorrente, de locação que nos permitisse ter a tranquilidade para pagar os custos da empresa”, disse. O fundador afirma que o percentual de receita gerado com a iniciativa é relevante, mas não abre os números.
A Meta conta hoje com 120 unidades em seu portfólio, tanto para locação quanto para venda. “A maior parte das empresas de incorporação tem um negócio financeiro e a incorporação é um meio [para a geração de caixa]. Nós não somos assim: focamos no imóvel”, afirmou.
No negócio tradicional de incorporação, o uso de capital de terceiros, seja via alavancagem ou abertura de capital, é uma ferramenta comum para impulsionar o crescimento do negócio e maximizar o retorno.
Ao optar por manter parte das unidades para aluguel, a Meta alonga o fluxo de caixa do projeto e reduz a velocidade de retorno do capital investido. É uma estratégia conservadora, que perde para os pares em ciclos de forte alta do mercado, quando os imóveis são vendidos rápido e a preços crescentes, maximizando a Taxa Interna de Retorno (TIR) – um dos principais indicadores observados no mercado imobiliário.
“Muitos acreditam que essa estratégia não faz sentido, já que nossa TIR com certeza é muito menor que a de outras incorporadoras quando o vento está favorável. Mas preferimos olhar também para outros indicadores, como a valorização dos nossos imóveis”, disse.
A valorização é um aspecto observado de perto também pelos compradores de unidades da Meta, já que metade dos clientes compram os apartamentos como investimento. “Estamos muito otimistas este ano porque, com a redução de juros, o imóvel deve ter ainda maior protagonismo como tese de investimento”, afirmou.
O valor geral de vendas (VGV) acumulado da incorporadora alcançou R$ 550 milhões em 2025. A expectativa é de alcançar R$ 700 milhões este ano. O montante deve vir de um único projeto, que é o grande foco da incorporadora em 2026.
Batizado “The Club”, o empreendimento terá 43.000 m² de área construída, dividido entre torre residencial de 42 andares, área de lazer de 3.300 m² e outros 2.000 m² destinados a lojas. As unidades variam desde metragens menores, de 23 m², até maiores de 284 m².
Lançado em 2025, este é o quarto empreendimento da empresa no Jardim Guedala, bairro de alto padrão vizinho ao Morumbi, em São Paulo, que abriga a sede da Meta e se tornou o principal foco de crescimento da incorporadora. “É um bairro com boas escolas, hospitais, arborizado, que é possível caminhar a pé e com um preço bem mais barato que o Itaim Bibi. Por isso investimos tanto aqui”, disse.
O próximo passo da Meta é o lançamento de um clube, também no Jardim Guedala, que seja próximo aos empreendimentos já lançados na região e funcione como uma área extra de lazer para os clientes da incorporadora. Quem compra o imóvel tem direito a um título do espaço, e terá acesso por um preço melhor que eventuais associados externos.
Os clubes de alto padrão na cidade ganharam força com o lançamento de dois clubes de surf ao estilo praia, às margens da Marginal Pinheiros: o São Paulo Surf Club, da JHSF, e o Beyond The Club, de BTG Pactual Asset Management, KSM Realty, Realty Properties – ambos atrelados a projetos residenciais de luxo.
O espaço da Meta será focado em atividades como tênis e pickleball, com quadras internas e externas.
A expectativa de lançamento do clube é para o segundo semestre deste ano, com operação liderada pela própria Meta, em sua primeira incursão no universo de serviços. “Será um negócio complementar à incorporação”, afirmou o CEO.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que entrou em sua fase de implementação em 1º de maio, começa a reorganizar o mercado vitivinícola brasileiro antes mesmo de seus efeitos financeiros se materializarem por completo.
Importadores brasileiros revisam portfólio e aceleram negociações, enquanto produtores europeus reforçam a ofensiva sobre o país, de acordo com Felipe Galtaroça, CEO da consultoria Ideal.BI, especializada no setor, em entrevista à Bloomberg Línea.
Segundo o executivo, o impacto se dará em frentes distintas e em ritmos diferentes.
Para os espumantes com valor igual ou superior a US$ 8 por litro, equivalente a US$ 6 por garrafa de 750 ml, e que atualmente chega ao consumidor no Brasil atualmente por cerca de R$ 150 (US$ 30), a alíquota de importação foi zerada de imediato.
Para os vinhos tranquilos (que não possuem gás carbônico), a redução será gradual ao longo de oito anos, mas o reposicionamento estratégico do mercado já está em curso. O setor encerrou 2025 movimentando R$ 21,1 bilhões, alta de 9% sobre 2024, segundo dados da própria consultoria.
A leitura macroeconômica de Galtaroça aponta um cenário favorável para quem traz vinho europeu ao Brasil. “A combinação entre desoneração tributária e valorização do real cria um cenário otimista para o importador brasileiro”, disse.
Esse contexto, segundo ele, permite recompor margens historicamente espremidas por câmbio e inflação, e, ao mesmo tempo, oferecer preços mais competitivos ao consumidor, o que tende a impulsionar especialmente o consumo de itens de maior valor agregado.
A ressalva está na base do mercado. “O segmento de vinhos de entrada [que custam até R$ 50] continua pressionado pela perda do poder de compra e pelos juros elevados, que restringem o acesso ao crédito”, afirmou Galtaroça. Ou seja, o efeito virtuoso da redução tributária não chega de forma uniforme à prateleira mais barata.
O segmento que recebe a desoneração imediata é numericamente pequeno, mas relevante em valor. Os espumantes acima de US$ 8 por litro representam cerca de 6% do faturamento total dos importados no Brasil, e a categoria tem alta concentração: Itália, França e Espanha respondem por mais de 80% das vendas.
É nessa fatia premium que a abertura tarifária se traduz em movimento de preço de imediato, com vantagem para espumantes como Cavas e Crémants, que podem ganhar margem competitiva direta sobre concorrentes do Velho e do Novo Mundo. O Champagne não entra na redução imediata por se tratar de outra Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), categoria que hoje tem uma tributação de 20% também terá sua redução de forma gradativa em 8 anos.
Galtaroça também avalia o efeito do acordo sobre o produtor brasileiro, que ele divide em três camadas.
A primeira é a dos espumantes, segmento em que o setor nacional conquistou na negociação uma janela de 12 anos antes que a alíquota sobre similares europeus de entrada caia a zero.
“A proteção aos produtores nacionais mostrou-se altamente assertiva em um de seus principais segmentos: o de espumantes, no qual detêm 83% de market share”, disse.
A segunda camada é a dos vinhos de mesa, produzidos com uvas americanas e híbridas, que respondem por mais da metade do volume vendido no país.
Para essa categoria, o impacto do acordo tende a ser nulo, segundo Galtaroça, em razão das características sensoriais do produto, marcado por alto residual de açúcar, e do vínculo cultural com o consumidor brasileiro.
A terceira camada é a mais delicada, e contraintuitiva. Nos vinhos finos, a produção nacional responde por apenas uma em cada dez garrafas vendidas no país. “Nesse cenário, a pressão de preços acirra a concorrência direta principalmente com os vinhos chilenos e argentinos”, afirmou Galtaroça.
A avaliação é que o produtor brasileiro de vinho fino, embora afetado pelo acordo, sente o aperto sobretudo no embate com os vizinhos sul-americanos, que hoje dominam o segmento e disputam o mesmo espaço de preço.
A reorganização de portfólio já em curso entre importadores sugere que esse rearranjo competitivo deve se consolidar bem antes do fim do ciclo de oito anos previsto para a redução total das tarifas, disse o executivo.
------- CORREÇÃO - O texto foi corrigido para retirar a menção a Champagne como um dos produtos beneficiados pelo corte de impostos imediato. O texto foi atualizado às 7h21 de 05/05/2026
A combinação entre desoneração tributária e valorização do real cria um cenário otimista para o importador brasileiro, explicou Felipe Galtaroça, CEO da consultoria Ideal.BI (Foto: Nathan Laine/Bloomberg)
O CFI Financial Group, corretora com sede em Dubai, recebeu autorização do Banco Central para operar como corretora de títulos e valores mobiliários no Brasil, segundo comunicado da empresa.
A licença permite que a companhia atue como corretora regulada localmente, com acesso a ações e títulos de renda fixa, de acordo com a regulação brasileira. A empresa está montando a operação no Brasil e estruturando sua liderança local para iniciar as atividades.
Nos planos divulgados pela companhia, estão a formação de uma equipe local, a produção de análises em português e a realização de parcerias com fintechs e plataformas de conteúdo nacionais. A empresa também mencionou foco em educação financeira voltada ao público local.
A entrada no Brasil se dá em um momento de expansão da base de investidores na B3. A bolsa registrou quase 5,5 milhões de investidores em renda variável ao fim de 2025, com crescimento de 4% no ano, segundo dados divulgados pela própria B3 em janeiro. O valor em custódia nessa categoria chegou a R$ 635 bilhões, alta de 20% em relação ao ano anterior.
A lista de corretoras participantes da B3 inclui atualmente 16 instituições, entre elas XP Investimentos, Santander Corretora, Nu Investimentos e UBS BB, além da sul-coreana Mirae Asset.
A entrada no Brasil faz parte de uma estratégia de expansão na América Latina. No primeiro trimestre de 2026, a empresa também ampliou suas operações na Colômbia.
O grupo registrou volume de negociações de US$ 2,3 trilhões no período, alta de 81% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Fundada em 1998, a CFI opera sob 15 licenças regulatórias em jurisdições como Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Chipre, Jordânia, Bahrein e Azerbaijão, e mantém mais de 30 escritórios globais. No Brasil, a operação será conduzida pela entidade licenciada no país.
A bolsa brasileira de derivativos A5X atraiu Cícero Vieira, ex-COO da B3, como sócio e advisor estratégico da empresa, que busca se posicionar como uma alternativa no segmento no país.
Vieira atuará na supervisão da agenda operacional e de risco da companhia, além de apoiar a execução do roadmap regulatório, segundo comunicado da empresa divulgado nesta segunda-feira (4).
Vieira trabalhou na B3 por mais de 15 anos, entre 2006 e 2021, onde atuou como COO e Vice Presidente de Operações, Clearing e Depositária, de acordo com o seu perfil no Linkedin.
Segundo a A5X, ao longo de sua trajetória, o executivo teve papel central na construção da infraestrutura resultante da fusão entre BM&FBOVESPA e CETIP, que deu origem à B3, incluindo a integração das clearings dos mercados de derivativos e equities.
“A chegada do Cícero representa um marco extremamente relevante para a A5X. Estamos falando de um dos profissionais que mais conhece a mecânica, os desafios e as melhores práticas de construção e operação de uma bolsa no Brasil”, afirmou Carlos Ferreira, cofundador e CEO da A5X, em comunicado.
A A5X tem como objetivo ter todos os seus sistemas prontos, testados e integrados aos participantes do mercado até meados de 2026, com início das operações previsto para o quarto trimestre do ano.
Fundada em 2023, a A5X tem entre seus acionistas ABN AMRO Clearing, Ideal CTVM — controlada pelo Itaú —, IMC, Jump Trading Group, Optiver e XTX Markets.
Ela é controlada por quatro sócios fundadores: Carlos Ferreira (CEO), Karel Luketic (diretor financeiro), Julian Chediak e Nilson Monteiro, fundador da Ideal.
A companhia captou R$ 385 milhões em três rodadas de financiamento, sendo a mais recente uma série C de R$ 200 milhões em 2026. Em setembro de 2025, a empresa atingiu valuation de R$ 1,35 bilhão, segundo relatório do BTG Pactual divulgado na época.
A A5X firmou parceria tecnológica com a LSEG (London Stock Exchange Group) para sistemas de negociação, pós-negociação, gestão de risco, dados de mercado e clearing com contraparte central. A empresa também tem acordo de licenciamento de dados com a B3 para precificação de garantias, gestão de risco e criação de novos índices.
A chegada de Cícero Vieira é a segunda grande adição ao time da empresa em pouco menos de seis meses. Em dezembro, a Bloomberg News reportou que Pedro Luvizari Fernandes, ex-sócio da XP responsável pela área de vendas a clientes institucionais, havia ingressado na A5X como diretor comercial.
Guardar uma obra de arte de valor relevante exige mais do que um depósito climatizado: temperatura estável em 20°C, umidade controlada em 50%, vigilância 24 horas, sistema antifogo específico para acervos e equipe técnica capaz de manusear pinturas, esculturas e fotografias sem danificá-las.
No Brasil, o mercado de reservas técnicas privadas com padrão museológico reúne poucas empresas, e a principal delas passa por reorganização estrutural com uma fusão.
A Clé Reserva Contemporânea, instalada em São Paulo desde 2014 com 5.500 metros quadrados de armazenagem, e a ArtQuality, especializada em transporte nacional e internacional de obras, passam a operar sob uma única marca, a Clé Chenue do Brasil. Ambas pertencem ao grupo francês Horus Finance, que atua no setor em oito países.
A nova empresa inaugura neste mês uma segunda unidade na região de Barueri, de 2.000 metros quadrados, com investimento de R$ 17 milhões. O faturamento anual é de R$ 25 milhões, e a empresa projeta alta de 80% sobre essa base nos próximos cinco anos.
O CEO Diogo Mantovani afirmou à Bloomberg Línea que o aporte combina capital próprio com recursos do grupo controlador, sem dívida bancária.
“Não recorremos a financiamento externo, o que nos permite operar com a estabilidade necessária para um negócio cuja proposta de valor é, justamente, longevidade e segurança patrimonial para acervos culturais”, disse o executivo.
Ele trabalha com horizonte de retorno de médio e longo prazos, compatíveis, segundo ele, com infraestrutura especializada e alta retenção típica do setor, dado que um acervo instalado raramente migra de operador.
Os clientes desse tipo de serviço são museus, instituições culturais, bancos com acervos corporativos, galerias e colecionadores privados que mantêm obras fora de exposição.
A Clé informa que a unidade atual está com ocupação total e que parte do espaço novo já foi contratada antes da abertura, sem revelar nomes ou ticket médio por confidencialidade contratual.
O CEO disse que a base de reservas antecipadas reúne instituições culturais de grande porte, galerias em expansão de acervo e colecionadores privados, sendo este último o principal foco da nova unidade.
Mantovani aponta três frentes de demanda. A primeira é o crescimento da base de colecionadores privados. A segunda, a profissionalização das galerias brasileiras. A terceira é uma tendência internacional de museus que externalizam suas reservas técnicas para liberar espaço interno para exposições e atividades comerciais.
O caso mais visível dessa terceira frente é o Centro de Conservação do Louvre, inaugurado em Liévin em 2019, que hoje abriga 88% do acervo do museu fora do edifício de Paris.
O mercado de arte no Brasil movimentou R$ 2,9 bilhões em 2023, alta de 21% sobre o ano anterior, segundo a 7ª Pesquisa Setorial do Mercado de Arte no Brasil 2024, conduzida pela Act Arte para a ABACT (Associação Brasileira de Arte Contemporânea) em parceria com a ApexBrasil.
A taxa composta de crescimento real do mercado interno entre 2019 e 2022 foi de 15% ao ano, com base em dados do Ministério da Fazenda compilados pelo estudo. O Brasil responde por 0,89% do mercado global.
A mais recente pesquisa indica que 77% das vendas das galerias brasileiras em 2023 foram para colecionadores nacionais. Os EUA absorveram 56% das exportações brasileiras de arte no ano, seguidos por Reino Unido, Suíça, França e Bélgica. Os cinco destinos somaram 90% do total.
O país tem 240 galerias ativas, conforme dados citados pela Clé Chenue. E 63% dos museus da América Latina e Caribe não dispõem de espaços projetados para reserva técnica, segundo levantamento do Conselho Internacional de Museus.
Papel de SP e Rio na estratégia global
Para crescer 80% em cinco anos sobre uma base anual de R$ 25 milhões, a Clé Chenue precisa expandir geograficamente. Mantovani disse que São Paulo segue como centro de gravidade do mercado e ainda comporta crescimento, mas que a empresa acompanha a evolução de outros polos culturais, em especial o Rio de Janeiro e regiões com instituições culturais em fase de profissionalização.
Sobre M&A com concorrentes locais, o CEO afirma que a junção entre Clé Reserva Contemporânea e ArtQuality é, em si, um movimento de consolidação interno ao grupo, e não comenta operações futuras.
Sobre o movimento do câmbio (queda de quase 10% do dólar frente ao real neste ano), cenário político (eleição presidencial em outubro) e dependência de poucos grandes clientes como possíveis riscos, Mantovani afirmou não ver os três como ameaça relevante ao negócio.
“Não vemos câmbio nem instabilidade política como riscos relevantes ao nosso negócio. Também não vemos concentração em poucos grandes clientes como vulnerabilidade. Pelo contrário: a base de colecionadores brasileiros está se ampliando justamente quando entregamos nova capacidade”, afirma.
Leilões recentes, segundo ele, têm registrado predominância de novos arrematantes, um sinal, no entendimento da empresa, de uma base que se alarga em vez de se concentrar.
De Maria Antonieta a São Paulo
A nova reserva técnica em São Paulo prevê controle de temperatura a 20°C com variação de dois graus, umidade relativa em 50% com variação de cinco pontos, gerador de energia de reserva, vigilância presencial por bombeiro civil e câmeras dedicadas por sala.
Há módulos individuais de armazenagem com mensalidade a partir de R$ 500 e áreas de coworking para conservadores, museólogos e gestores de coleção.
O Grupo Horus Finance opera em França, Suíça, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Singapura, China e Brasil. Entre suas controladas estão a André Chenue, fundada em 1760 para cuidar do enxoval da rainha Maria Antonieta e hoje prestadora de serviços ao Louvre, e a LP Art, especializada em transporte e manuseio de acervos de alta complexidade.
Em 2017, o grupo comprou também a Natural Le Coultre, empresa de logística e conservação de arte que atua como locatária do Porto Franco de Genebra, uma instalação conhecida por abrigar obras como ativo financeiro, com sigilo fiscal e transações que podem ocorrer sem que a peça deixe o entreposto.
Mantovani disse que esse modelo não tem paralelo no país. “No Brasil, não existe nenhuma figura jurídica equivalente ao regime suíço de zona franca aduaneira aplicado à arte. Portanto, não há como implementar um modelo similar aqui, e não é nossa intenção fazê-lo”, afirma.
Segundo o CEO, o Porto Franco é instituição controlada majoritariamente pelo estado de Genebra desde o fim do século 19, e não um ativo do Horus Finance.
A operação brasileira, diz, trabalha sob a legislação tributária e aduaneira aplicável a qualquer empresa do setor no país e em conformidade com exigências de compliance.
A Clé estima a participação global do grupo no nicho de logística e conservação de fine art em torno de 30%.
Funcionários movimentam embalagens com obras de arte em reserva técnica da Clé Chenue do Brasil em São Paulo. A operação do grupo francês Horus Finance inaugura em maio uma segunda unidade na cidade, com investimento de R$ 17 milhões (Foto: Divulgação)
A MBRF (MBRF3) anunciou que concluiu o acordo com o fundo soberano da Arábia Saudita para a criação da Sadia Halal. A divulgação ocorreu via fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) neste domingo (3)
A operação, em conjunto com a HPDC (Halal Products Development Company), subsidiária do fundo soberano da Arábia Saudita, abre caminho para a próxima etapa da companhia brasileira em solo saudita: um IPO na Bolsa de Riad, previsto para 2027.
Com a operação, a MBRF passou a deter 90% do capital social da Sadia Halal, enquanto a HPDC, ligada ao Public Investment Fund (PIF), ficou com 10%.
A operação envolve aportes de cerca de US$ 97 milhões pela parte saudita — sendo US$ 24,3 milhões já investidos e outros US$ 73,1 milhões previstos até o fim de 2026.
A joint venture reúne ativos industriais na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além de estruturas de distribuição em cinco países do Golfo e a operação de exportações para a região Mena (Oriente Médio e Norte da África). Segundo a empresa, os ativos da Turquia não fizeram parte da transação.
Como parte do arranjo, a MBRF assinou um contrato de fornecimento de 10 anos, que pode ser renovável e que garante o envio de produtos a partir das suas unidades produtivas do Brasil.
Com a primeira fase do processo concluída, a MBRF informou no fato relevante que vai iniciar os preparativos para listar a Sadia Halal na bolsa saudita, em uma oferta sujeita às condições de mercado e aprovações regulatórias.
A nova estrutura nasce com enterprise value de US$ 2,07 bilhões e acesso a uma base estimada de mais de 350 milhões de consumidores em 14 países islâmicos.
O braço da MBRF no Oriente Médio é liderado por Marquinhos Molina, filho do empresário Marcos Molina, que costurou a fusão entre a Marfrig e a BRF.
No início deste ano, Marquinhos falou com exclusividade à Bloomberg Línea sobre a parceria com o PIF.
Na ocasião, ele disse que funciona como uma espécie de acelerador institucional, mas não substitui a execução. “Ajuda a abrir portas, mas a confiança precisa ser construída na entrega. É como um fast-pass”, disse.
Produtos da MBRF em mercado em Riad, capital da Arábia Saudita: empresa tem aumentado aposta em produtos congelados na região (Foto: Naiara Albuquerque/ Bloomberg Línea)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Quando o CEO do Iguatemi, Ciro Neto, tem reuniões com representantes de grandes grifes globais, o executivo do grupo de shopping centers premium tem o costume de recebê-los no Apartamento JK, um espaço residencial de uso exclusivo instalado dentro do JK Iguatemi, em São Paulo.
Conectado por escadas rolantes desde o andar superior até um grande hall, o local tem as paredes recobertas por painéis de madeira para receber a coleção de arte do shopping e recepcionar o visitante.
O ambiente de exclusividade é uma forma de estreitar o relacionamento com as grandes marcas. No momento em que o Brasil atrai a atenção de grifes de luxo, a estratégia é justamente reforçar a posição do grupo como um ponto de entrada para operar no Brasil, conectando casas internacionais ao consumidor brasileiro.
“O desempenho acima da média global colocou o Brasil na rota de expansão das grandes maisons“, disse o CEO em entrevista à Bloomberg Línea. “Se uma marca quer entrar no Brasil, ela entra com a gente.”
As ações europeias operam em queda e os futuros em Wall Street oscilam perto da estabilidade nesta segunda-feira (4), pressionados por novas ameaças de tarifas de Donald Trump sobre carros europeus, enquanto investidores também reagem a sinais mistos vindos da Ásia.
- Plano de Trump para Ormuz. O presidente dos EUA disse que realizará uma ação militar para escoltar navios presos no Estreito de Ormuz. Batizada de “Projeto Liberdade”, a iniciativa tem início previsto para esta segunda-feira e contará com destróieres com mísseis guiados, além de aeronaves e drones.
- Oferta pelo eBay. A GameStop propôs comprar o eBay por US$ 56 bilhões, cerca de US$ 125 por ação, com prêmio de aproximadamente 20%. O mercado reagiu com ceticismo e citou riscos de execução. O CEO da empresa, Ryan Cohen, disse que busca transformar o eBay em um gigante.
- Tech impulsiona Wall Street. Os balanços das empresas dos EUA, liderados por um setor de tecnologia aquecido, têm elevado as projeções de lucros do S&P 500 e reduzido o peso das tensões no Oriente Médio, segundo estrategistas do Morgan Stanley. A concentração em poucas ações segue como risco para investidores.
A Ofner vê espaço para atingir R$ 500 milhões em receitas a partir do próximo ano, segundo o CEO Denilson Moraes, que assumiu o comando da companhia em 2023 com a missão de profissionalizar a gestão e acelerar o seu crescimento.
À frente de uma empresa familiar que conta com mais de sete décadas de história e essencialmente paulistana, o executivo diz ter encontrado uma operação bem-sucedida do ponto de vista de produto, mas com lacunas na estrutura de gestão — especialmente em controles e práticas mais alinhadas ao mercado.
“A Ofner é uma empresa muito consagrada, com uma relação marca-produto muito vitoriosa”, afirmou. “Mas ela precisava de uma roupagem corporativa em controles, trazer práticas de mercado.”
A estratégia encontrada pelo CEO foi introduzir novos processos de auditoria, indicadores e uma lógica mais orientada por dados, conta.
“Hoje a empresa é auditada, temos indicadores que permitem enxergar a gestão além do faturamento simples”, afirmou. “Isso traz uma visão mais segura de médio prazo, em relação a caixa, clientes e novos canais.”
A reorganização da empresa tem dado seus frutos.
A Ofner faturou R$ 220 milhões em 2023 e projeta alcançar R$ 430 milhões neste ano. “Sem dúvida”, respondeu Moraes ao ser questionado se a empresa atingirá os R$ 500 milhões de receita no ano seguinte. “Nos últimos três anos crescemos mais de 20% ao ano”, disse.
Parte relevante dessa expansão, segundo o CEO da companhia, passa por maiores ganhos operacionais. Um dos exemplos citados é a produção de panetones, cuja produção foi ampliada em mais de 100% sem aumento proporcional de equipe. “Com o mesmo quadro, conseguimos produzir o dobro”, disse.
No Brasil, a empresa opera com 32 lojas, todas próprias e concentradas no estado de São Paulo. Não há planos para novas lojas a partir de franquias - modelo adotado pelas concorrentes Havana e Cacau Show.
“É um crescimento modesto em número de lojas, mas consistente”, disse Moraes, ao citar a abertura de oito unidades desde sua chegada e a previsão de quatro novas ainda neste ano.
Apesar da maior parte das lojas seguir concentrada em São Paulo, a empresa tem buscado expandir sua atuação para além do Estado e do Brasil.
A operação nos Estados Unidos, inicialmente limitada a um quiosque em Miami, tem crescido e multiplicado volumes de vendas em poucos anos. “Saímos de 20 mil peças de panetone para 130 mil no ano passado e devemos passar de 200 mil neste ano”, disse o executivo. Boa parte dessas vendas também é feita via e-commerce.
Segundo Moraes, o potencial de crescimento no mercado americano ainda é “avassalador”, o que explica a decisão de priorizar esse país antes de avançar para outros mercados.
A estratégia da companhia para esse mercado inclui distribuição via varejistas e canais digitais, como a Amazon, além de parcerias com redes regionais.
Antes de liderar a operação da Ofner, o executivo passou por outras grandes companhias. Entre 2006 e 2009, foi gerente da JBS. Posteriormente, entre 2013 e 2022, foi CEO do grupo La Pastina, de importação de vinhos e gastronomia.
Sem um modelo único
Conhecida por suas coxinha e torta de morango, a Ofner tem diversificado seu portfolio de produtos para atender os clientes a partir das diferentes necessidades de um dia - do café, ao almoço até produtos da marca para consumo em casa.
A marca também é conhecida por vender produtos com maior valor agregado, seja nas compras diretamente na loja ou via delivery.
São cerca de 700 itens disponíveis nas lojas físicas, todos produzidos na fábrica na Zona Sul de São Paulo. Segundo o executivo, a fábrica recebeu mais de R$ 20 milhões em investimentos recentes e teve a área ampliada em cerca de 1.500 m².
“Não é uma loja para datas sazonais. É um lugar para café da manhã, almoço, reunião, sobremesa e até happy hour”, afirmou.
É possível comprar vida delivery produtos congelados da marca em embalagens de 300g, de casadinho de camarão a coxinha de frango, pão de queijo e bolinho de bacalhau.
A verticalização da produção inclui desde panetones e chocolates até salgados, confeitaria e itens de buffet. “Tudo é produzido no mesmo espaço”, disse Moraes.
A confeitaria, em particular, é descrita pelo executivo como um dos processos mais complexos entre todos os processos produtivos.
Segundo Moraes, a mão de obra é o principal item que aparece na estrutura de despesas. “O maior investimento da empresa é em gente”, afirmou. Segundo ele, única loja pode empregar até 100 funcionários.
Mesmo com pontos comerciais considerados premium — muitos em regiões de alto custo ou shopping centers —, o executivo explica que as unidades apresentam bom desempenho por metro quadrado, impulsionado por fluxo constante ao longo do ano e além das datas festivas.
A sazonalidade, ainda assim, segue importante para os negócios. O Natal responde, sozinho, por mais de 25% do faturamento anual, enquanto a Páscoa representa entre 8% e 10%. O restante vem da operação recorrente. “É a batida do ano todo”, disse.
“Na Sexta-feira Santa, chegamos a vender 80% do bolinho de bacalhau do ano em um único dia”, afirmou.
A estratégia de crescimento também passa por ajustes logísticos. Um modelo testado em Campinas combina uma loja maior com capacidade de produção local e unidades menores. A ideia do grupo é reduzir custos enquanto o plano de expansão para outras cidades, como Rio de Janeiro e Brasília, segue no horizonte.
Apesar das referências frequentes a concorrentes como redes de chocolate, Moraes sustenta que a Ofner opera em uma categoria própria. “Não consigo ver quem é o concorrente”, disse. “São vários negócios dentro de uma loja.”
“A Ofner é um lugar de lifestyle”, afirmou.
A marca foi fundada em 1952 por Anna Ofner, que começou a vender doces produzidos pelo seu marido, que era confeiteiro, na Rua Barata Ribeiro, na Bela Vista, em São Paulo. Duas décadas depois, em 1972, a marca foi adquirida por Américo e Mário Martins da Costa, ao lado do sócio José da Costa.
Atualmente, a empresa reúne três famílias em seu quadro societário, conta o executivo, com sete sócios e dois usufrutuários diretamente ligados ao negócio.
Empresa nasceu na Bela Vista, em São Paulo, e atualmente opera com 32 lojas próprias na cidade paulista - fora quiosques e operação de e-commerce nos EUA (Foto: Divulgação)
Os investimentos anunciados nesta semana ilustram como a integração de inteligência artificial e novas infraestruturas de pagamento estão escalando operações em setores tradicionais, do agronegócio ao mercado de seguros.
Com foco claro em eficiência operacional, startups como a Agrorobótica utilizam IA para reduzir prazos de análise de solo de 20 dias para apenas 20 segundos, e a Segura aposta na assistente inteligente Helena para automatizar fluxos complexos de corretores de seguros.
A conectividade regional e global também ganha força com aportes em fintechs de infraestrutura financeira. A Ebury, no Brasil desde 2024, levantou £ 550 milhões para acelerar sua presença em mercados regulados. E a argentina Belo atraiu a Tether numa captação de US$ 14 milhões.
A Ebury, fintech de pagamentos internacionais controlada pelo Santander, recebeu um investimento de £ 550 milhões para acelerar seu crescimento e expansão global.
A rodada de financiamento foi liderada pela Centerbridge Partners, com a participação de acionistas atuais como Vitruvian Partners e 83North, além do próprio Santander, que investirá £ 50 milhões individualmente e manterá sua posição como acionista majoritário com 55% de participação.
Os recursos serão utilizados para o desenvolvimento de produtos e expansão geográfica, com foco no aprimoramento de capacidades de inteligência artificial para otimizar o processamento de pagamentos e a experiência do cliente.
Atualmente, a Ebury opera em 30 mercados regulados e atende mais de 27.000 empresas em todo o mundo. A fintech chegou ao Brasil em 2024.
A startup brasileira Segura, que desenvolve uma plataforma de infraestrutura para segurança de identidade e gestão de acessos, captou R$ 45 milhões em uma rodada Seed. O aporte foi coliderado pelos fundos Andreessen Horowitz (a16z) e Kaszek.
O ecossistema da startup gira em torno da Helena, uma assistente inteligente que automatiza processos que antes levavam horas ou dias.
A partir da interação entre os corretores e as seguradoras, a tecnologia permite acesso a informações técnicas de apólices, condições gerais e históricos de interações e que o corretor possa emitir segundas vias de boleto, fazer endossos e cotações complexas via IA.
Diferente de insurtechs que tentaram eliminar o intermediário, a Segura foi estruturada com a convicção de que o corretor é essencial. Com operação iniciada em março de 2025, a Segura atende cerca de 3.000 corretores e projeta chegar a 10.000 até o final de 2026.
Belo
A fintech argentina Belo, que faz uso da tecnologia das stablecoins para oferecer seus serviços e nasceu com um modelo de negócios cross-border com foco em latino-americanos que trabalham para empresas no exterior, captou US$ 14 milhões em uma rodada Série A liderada pela Tether, emissora de stablecoins.
A startup ganhou destaque ao simplificar pagamentos transfronteiriços, permitindo que argentinos utilizem o Pix no Brasil e brasileiros façam o mesmo na Argentina por meio de sua infraestrutura baseada em stablecoins.
Os recursos serão destinados à expansão regional em países como Chile, Colômbia e México, além da obtenção de novas licenças e evolução do produto.
A captação contou também com a participação de investidores como Titan Fund, The Venture City, Mindset Ventures e G2.
Agrorobótica
A agtech brasileira Agrorobótica recebeu um investimento de R$ 10,8 milhões em sua rodada seed, liderada pela VOX Capital. A startup utiliza inteligência artificial proprietária e espectroscopia a laser para realizar análises completas de nutrientes e física do solo em apenas 20 segundos, eliminando a espera de até 20 dias em laboratórios tradicionais.
Além da eficiência agronômica, a plataforma permite mensurar e certificar o carbono presente no solo, criando uma nova fonte de receita para o produtor por meio de ativos ambientais.
O aporte foi realizado por meio dos BB Impacto I (CVC do Banco do Brasil) e do quarto fundo de venture capital da VOX.
A conectividade regional e global também ganhou força na semana com aportes em fintechs de infraestrutura financeira (Foto: Sérgio Ripardo/Bloomberg Línea)
Nas ruas da capital da Arábia Saudita, em Riad, não é difícil encontrar mulheres ocupando postos de trabalho, como de motoristas de carros de aplicativos, uma cena que até 2018 era proibida.
O país, que vive uma monarquia absolutista desde 1932, com regras rígidas sobre a atuação feminina na sociedade, tem, aos poucos, ‘afrouxado’ algumas de suas regras mais duras.
A taxa de participação feminina na força de trabalho entre sauditas chegou a 36,3% no primeiro trimestre de 2025, acima dos 36,2% registrados no terceiro trimestre de 2024, segundo dados da General Authority for Statistics. No mesmo período, a taxa de desemprego entre os sauditas caiu para 10,5%.
O avanço no período ajuda a explicar por que o Fundo Monetário Internacional (FMI) passou a considerar que a participação feminina já está “confortavelmente acima” da meta original de 30% fixada para 2030. Com o aumento da presença de mulheres no mercado, o próprio governo elevou a ambição e agora mira algo próximo de 40% até o fim da década.
Para especialistas ouvidos pela Bloomberg Línea durante a Global Labor Market Conference, realizada em janeiro em Riad, capital do país, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho, embora mais expressiva nos últimos anos, precisa ser analisada também sob a ótica da qualidade das vagas criadas.
“É algo realmente impressionante o crescimento da participação feminina no emprego nos últimos seis ou sete anos”, disse Barbara Petrongolo, professora da Universidade de Oxford.
Segundo ela, a taxa “praticamente dobrou” nos últimos anos, movimento favorecido pelo fato de o país ter partido de uma base baixa e por mudanças regulatórias que ampliaram direitos das mulheres, como mobilidade e autonomia econômica.
Esse avanço está ligado a uma série de reformas implementadas a partir de 2017. Relatórios do Banco Mundial apontam que o país tem removido restrições ao trabalho feminino, ampliado proteções contra discriminação, equiparado regras previdenciárias e fortalecido direitos de mobilidade e residência.
Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.
Para Bettina Schaller, presidente da World Employment Confederation, países que estruturam uma estratégia clara para o mercado de trabalho tendem a apresentar resultados mais consistentes.
“Os países que têm uma visão clara para o mercado de trabalho e para o desenvolvimento do país costumam ter melhores resultados”, disse.
Sem citar um programa específico voltado às mulheres sauditas, ela afirma que a Arábia Saudita passou a ser vista como um exemplo de planejamento de força de trabalho como política econômica, com metas bem definidas, e execução coordenada, fatores que facilitam a implementação das reformas.
Uma leitura mais otimista aponta que mulheres passaram a ocupar vagas em setores historicamente dominados por homens no país.
O Banco Mundial observou que, após as reformas, houve maior entrada feminina em áreas como construção, manufatura e entregas — ocupações anteriormente consideradas mais fechadas ou pouco acessíveis.
“Quando você libera o potencial das mulheres no mercado de trabalho, a produtividade aumenta”, disse Schaller.
Petrongolo, no entanto, chama atenção para um ponto menos visível desse fenômeno.
Segundo ela, o crescimento do emprego feminino parece ter se concentrado sobretudo entre mulheres de menor escolaridade e em postos fora dos setores tradicionalmente femininos, o que levanta dúvidas sobre a qualidade dessa nova onda de ocupação.
“Não podemos esquecer o topo da distribuição de qualificação no mercado de trabalho”, afirmou, ao questionar por que mulheres altamente educadas, um grupo numericamente relevante no país, ainda não encontram oportunidades na mesma proporção.
A preocupação se sustenta nos dados mais amplos do mercado.
Um estudo recente do FMI mostra que, entre 2017 e 2024, a participação feminina entre os sauditas subiu quase 18 pontos percentuais, enquanto o desemprego das mulheres caiu de 32,4% para 13,1% em média em 2024. No primeiro trimestre de 2025, esse indicador já estava em 11,9%.
Segundo Petrongolo, o diferencial salarial entre homens e mulheres aumentou com a entrada acelerada de mulheres no mercado — possivelmente refletindo uma concentração em postos de menor remuneração.
Segundo ela, o gap salarial teria passado de cerca de 12% para 33% no país.
Além disso, parte das desigualdades de gênero persiste porque as mulheres continuam assumindo de forma desproporcional responsabilidades domésticas e atividades de cuidado.
Embora esse fenômeno seja observado em diversas economias, ele tende a limitar a mobilidade profissional e restringir opções de carreira — especialmente em um país que historicamente restringiu a participação feminina de certos espaços.
Além disso, o sistema de tutela masculina, ainda parcialmente em vigor, limita decisões como casamento e questões familiares, refletindo a interação entre legislação local e interpretações da sharia.
Nele, mulheres precisam de “autorização” de um tutor masculino, seja pai, marido ou irmão, para realizar certas atividades, como se casar.
Em 2019, houve uma atualização dessa regra com base no programa do governo, o Vision 2030, e mulheres com mais de 21 anos passaram a poder tirar passaporte para viajarem sozinhas, mas em outras práticas isso ainda não mudou, caso de casamento, divórcio e custódia sobre a guarda dos filhos.
No caso saudita, o desafio é ainda mais sensível porque a abertura econômica convive com traços conservadores na organização social, segundo as especialistas.
“Muitas carreiras foram desenhadas para trabalhadores sem responsabilidades familiares”, disse Petrongolo.
Esse desenho, segundo ela, ainda penaliza interrupções e exige jornadas rígidas — fatores que podem dificultar a permanência feminina em ocupações de maior prestígio e renda.
O pano de fundo dessa mudança é o redesenho do mercado de trabalho saudita dentro do Vision 2030, programa do governo lançado em 2016.
Em relatório recente, o Banco Mundial descreveu o processo como uma transformação acelerada e mais inclusiva do capital humano, impulsionada por reformas legais e trabalhistas que facilitaram a entrada de mais mulheres — inclusive casadas e mães — na força de trabalho.
A próxima barreira a ser superada na Arábia Saudita será uma ainda mais complexa: a de demonstrar que a inserção de mais mulheres no mercado de trabalho se traduz em carreiras ao longo prazo, melhor remuneração e maior presença feminina nos níveis mais altos da hierarquia de empresas, segundo as especialistas que falaram à Bloomberg Línea.
País tem buscado aumentar participação feminina no mercado de trabalho a partir do programa Vision 2030, lançado em 2016. (Foto: Tasneem Alsultan/Bloomberg)
A Novo Nordisk (NVO), fabricante de medicamentos para obesidade e diabetes, alertou sobre os riscos da possível entrada de produtos de qualidade inferior após o vencimento, em vários países do mundo, de suas patentes de tratamentos à base de semaglutida, o composto ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy.
O vencimento da patente da empresa dinamarquesa Novo Nordisk sobre a semaglutida em países como o Brasil, a Índia ou o Canadá pode ter efeitos diretos sobre os preços, o acesso e os padrões de qualidade, em meio a um boom na demanda global por tratamentos para a obesidade e o diabetes.
“É algo comum no setor (o vencimento da patente). Investimos, vendemos, a patente expira e aí começa outro ciclo”, disse Valney Suzuki, vice-presidente da área de Negócios para a América do Sul, América Central e Caribe da farmacêutica Novo Nordisk, à Bloomberg Línea.
Segundo o executivo, o principal desafio que se apresenta é a capacidade dos sistemas regulatórios de garantir a segurança dos novos produtos que entram no mercado desses países.
“Os órgãos reguladores precisam ter muito bom senso ao decidir se aprovam ou não a entrada dessas moléculas”, observou Suzuki.
De acordo com sua experiência, existem agências reguladoras que aplicam padrões rigorosos e exigem evidências clínicas sólidas antes de autorizar um medicamento.
“Já vi, inclusive, agências em todo o mundo que recusaram a aprovação de genéricos da semaglutida por falta de dados clínicos”, afirmou o executivo.
No entanto, também existem “agências que são um pouco mais superficiais e que, de forma apressada, permitem a entrada de produtos genéricos, talvez sem tanto rigor”.
“Portanto, é importante compreender a relevância do medicamento original, que, no caso da semaglutida, conta com dados de mais de 30 milhões de pacientes”, afirmou Valney Suzuki. “Realizamos dezenas de estudos clínicos. Com isso, temos a certeza de poder atestar a eficácia do produto”.
Entre os aspectos positivos do vencimento da patente, Suzuki destacou que a entrada de medicamentos genéricos nos mercados pode ampliar o acesso aos mesmos.
O executivo explicou que, em alguns casos, a entrada de medicamentos genéricos levou a uma nova segmentação do mercado e a um reajuste nos modelos de preços para os pacientes.
No entanto, ele observou que também existem terapias nas quais a chegada dos genéricos não teve um impacto significativo.
A Bloomberg informou que pelo menos uma dúzia de grandes empresas farmacêuticas indianas planejava lançar versões genéricas dos bem-sucedidos medicamentos para emagrecer da Novo Nordisk assim que a patente expirasse, em março.
Por exemplo, a Natco Pharma fabricou uma injeção de semaglutida, o princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.
Seu dispositivo em forma de caneta custa cerca de 4.500 rúpias por mês (cerca de US$ 47,82 atualmente).
Em comparação, a caneta Wegovy da Novo tem um preço inicial de aproximadamente 10.480 rúpias (US$ 111) na Índia e cerca de US$ 199 nos Estados Unidos no modelo de pagamento direto.
Mercado de produtos falsificados
Suzuki também alertou sobre o crescimento do mercado ilegal de medicamentos falsificados, como o Ozempic e outros tratamentos à base de semaglutida.
Ele destacou que alguns agentes têm se aproveitado da grande necessidade e vulnerabilidade dos pacientes para introduzir produtos falsificados no mercado.
Ele indicou que esse fenômeno tem múltiplas origens, que vão desde redes sofisticadas de falsificação até imitações mais rudimentares.
E alertou que essa situação já resultou até mesmo em internações hospitalares, o que representa um problema de saúde pública.
Por isso, recomendou aos pacientes que adquirissem os medicamentos exclusivamente por meio de canais comerciais autorizados e aprovados pelas agências reguladoras locais.
“Não procure soluções milagrosas na internet com preços muito diferentes, pois pode não se tratar de um produto original e devidamente testado”, afirmou.
O mais recente estudo clínico da Novo Nordisk, chamado STEP UP, mostrou que os pacientes em tratamento alcançaram uma perda média de peso de 21%, e que um em cada três alcançou reduções de até 25%.
“Ao conter a obesidade, você converte uma pandemia e uma série de outras doenças que têm um impacto muito oneroso no sistema de saúde e no bolso da população, além de causar muitas faltas no trabalho”, afirmou o executivo da Novo Nordisk.
O debate sobre os medicamentos para a obesidade e o diabetes ocorre em meio a um forte aumento da demanda na região.
Nos últimos 12 meses, encerrados em fevereiro, a empresa vendeu aproximadamente 2,16 milhões de canetas para o tratamento da obesidade, incluindo Wegovy e Saxenda, na América Latina, excluindo o Brasil e o México.
De acordo com a Novo Nordisk, a América Latina tem registrado taxas de crescimento de dois dígitos nas terapias para obesidade e diabetes, impulsionadas pela alta prevalência dessas doenças.
Suzuki explicou que esse dinamismo transformou a região em um dos mercados de maior crescimento global para a empresa, tendo o Brasil e o México como principais centros, mas com avanços significativos também em países como Colômbia, Chile e Argentina.
“Aqui na América Latina, infelizmente, o que não nos enche de orgulho é a prevalência da diabetes. Quando se trata de obesidade ou sobrepeso, chamam muito a nossa atenção, por exemplo, países como a Argentina e o Chile, que apresentam uma prevalência em torno de 70%”, observou.
O aumento da demanda por esses produtos provocou, na época, episódios de escassez em várias partes do mundo, incluindo a América Latina, quando a oferta não conseguiu acompanhar o crescimento do consumo.
“Hoje a situação é diferente. A Novo Nordisk, após um investimento maciço, tem estoque e abastecimento para toda a América Latina. Não estamos mais com falta de produto. Há um estoque muito bem distribuído na região”, disse ele.
Diante do “boom” regional desses produtos, o Panamá se consolida como peça-chave na estratégia de distribuição regional da Novo Nordisk.
A empresa está implementando um novo centro logístico no país para centralizar o abastecimento para a América Latina, em resposta ao aumento de até 145% nos volumes de alguns produtos.
“O que estamos fazendo é investir em um centro logístico no Panamá para a América Latina, o que nos garante agilidade e maior fluidez”, afirmou. “Iniciamos a fase de implementação este ano e a ideia é que esteja pronto o mais rápido possível.”
Segundo Suzuki, atualmente cada país deve realizar suas importações diretamente das fábricas localizadas nos Estados Unidos, no Brasil, na Europa e na Ásia.
O executivo explicou que, nesse contexto, é mais eficiente criar um centro logístico que centralize as solicitações.
O modelo busca melhorar o planejamento, otimizar os processos e acelerar a entrega dos medicamentos a diferentes países da região.
“A criação de um centro regional permite ‘um planejamento mais preciso e uma entrega mais rápida aos países’”, explicou ele.
O centro logístico pretende aproveitar a posição estratégica do Panamá como centro de conexões aéreas e marítimas, bem como sua conectividade regional.
Na região, a empresa conta com cerca de 1.400 funcionários diretos, sem contar com o pessoal dedicado à fabricação.
No ano passado, no âmbito de uma reestruturação global, a empresa reduziu cerca de 10% de seu quadro de funcionários na América Latina, em linha com o que ocorreu em outras regiões, contou Valney Suzuki.
O executivo explicou que a empresa mantém conversas com governos, seguradoras e sistemas de saúde para ampliar o acesso aos tratamentos. “Nos reunimos, conversamos e tentamos chegar a acordos sustentáveis para que essa população tenha acesso”.
No ano passado, por exemplo, executivos da Novo Nordisk e de sua concorrente Eli Lilly (LLY) chegaram a um acordo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reduzir os preços dos medicamentos que contêm GLP-1 para perda de peso em programas de saúde como o Medicare e o Medicaid.
Suzuki destacou que existem programas de apoio aos pacientes que incluem educação em saúde (com foco em alimentação e na promoção de um estilo de vida saudável), acompanhamento clínico e descontos que podem chegar a 50%, dependendo do país.
No entanto, ele afirmou que os preços variam significativamente de acordo com a regulamentação local, já que alguns mercados operam sob controles estatais, enquanto outros têm esquemas mais flexíveis.
Na América Latina, a empresa está em fase de preparação regulatória para o lançamento de novas soluções à base de semaglutida, especialmente na sua versão oral para o tratamento da obesidade.
A Novo Nordisk explicou que o processo ainda se encontra em uma fase preliminar de aprovação regulatória em cada país.
Assim que essas autorizações forem obtidas, a empresa dará início às negociações de acesso com os sistemas de saúde para definir sua inclusão nos planos públicos.
“Estamos abertos a dialogar com todos os governos; o processo regulatório já está em andamento”, afirmou ele.
A empresa não descarta a possibilidade de a região ser incluída nos planos de lançamento, embora ainda não haja datas definidas, já que tudo depende do andamento dos processos regulatórios em cada mercado.
A produção média de óleo, líquidos de gás natural e gás natural da Petrobras (PETR3, PETR4) no primeiro trimestre alcançou 3,23 milhões de barris (boed), alta de 16,1% na comparação anual, informou a estatal na noite desta quinta-feira (30).
Segundo a companhia, o resultado se deve principalmente ao aumento das operações (ramp-up) de plataformas e eficiência operacional em diversos campos, bem como a redução do volume de perdas associadas a paradas para manutenções.
No período, entraram em operação 10 novos poços produtores. A petroleira atribuiu ao fortalecimento dos sistemas de produção o elevado patamar de eficiência dos ativos, o que incluiu tanto o pré-sal quanto o pós-sal.
O avanço ocorre no momento de alta dos preços do petróleo e derivados no mercado global, em razão da guerra no Oriente Médio, o que eleva as preocupações sobre os efeitos sobre a inflação e a política monetária.
No primeiro trimestre, a produção de óleo na camada pré-sal cresceu 17,8% sobre igual período do ano passado, para 2,1 milhões de boed. No pós-sal e ultra profundo, o avanço foi de 10%. Os volumes de gás natural subiram 16,5% na mesma base de comparação.
No negócio de derivados, a Petrobras reportou no trimestre um aumento da produção total de 6,4% sobre igual período de 2025, para 1,8 milhão de bpd.
Diesel, querosene de aviação (QAV) e gasolina representaram 68% da produção total de derivados de janeiro a março.
Segundo a estatal, a maior produção possibilitou o aumento das vendas no país e, consequentemente, a redução das importações.
No trimestre, as vendas de derivados no mercado interno registraram alta de 2,9% em relação a igual intervalo de 2025, o que segundo a Petrobras demonstra o “aumento da competitividade da companhia em mercados estratégicos e sua eficiência operacional” diante de um cenário de recuperação da atividade econômica.
O fator de utilização total (FUT) do parque de refino atingiu o patamar de 95%, 6 pontos percentuais acima do trimestre anterior, em meio às incertezas do mercado global. Em março, o indicador atingiu 97,4%, maior utilização do parque desde dezembro de 2014.
Ainda em março, houve recorde de produção de diesel S10 (com menor nível de enxofre), que é um derivado “estratégico para a companhia e para o país, por ser menos poluente e ter baixo impacto ambiental”, aponta a Petrobras.
No trimestre, as exportações de óleo tiveram um aumento de 73,9% sobre igual intervalo do ano passado, impulsionado principalmente pelos maiores volumes de produção. A China e a Índia elevaram as compras da Petrobras no período.
Em nome das maiores empresas do mercado de benefícios, a Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) acionou o Supremo Tribunal Federal para barrar o Decreto nº 12.712/2025, que impõe mudanças estruturais no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT).
A entidade, que representa empresas responsáveis por mais de 90% do mercado de vale-refeição no Brasil, como Alelo, VR, Pluxee, Ticket e UP, argumenta que o governo teria extrapolado seus poderes ao editar a medida, na visão dela, sem análise técnica prévia.
O decreto, publicado em novembrode 2025, traz o que a ABBT considera “três inovações” inconstitucionais. A primeira é a obrigatoriedade de arranjos de pagamento abertos para empresas com mais de 500 mil trabalhadores. A entidade também questiona os limites de preços nas tarifas de desconto (MDR) e intercâmbio; e a redução do prazo de liquidação de 30 para 15 dias.
O texto editado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estabeleceu as bases para mudanças que buscam aumentar a competição no mercado de benefícios e reduzir distorções concorrenciais, a partir da lei nº 14.442, sancionada em setembro de 2022.
O decreto foi celebrado por empresas novatas que disputam o mercado, como Swile, Flash e Caju, e que acusam as incumbentes de manterem um oligopólio, supostamente baseado na prática de rebate - uma espécie de cashback, retornando dinheiro para as empresas que são clientes.
O governo fixou um prazo escalonado para a entrada em vigor das regras. Em 10 de fevereiro passado, começaram a valer o novo teto de 3,6%, estabelecido pelo decreto, para a cobrança pela credenciadora do PAT dos restaurantes e demais estabelecimentos comerciais. Também entrou em vigor o prazo limite de até 15 dias para fazer o repasse dos pagamentos aos estabelecimentos.
A questão central é se o Executivo pode, por decreto, reconfigurar um mercado que movimenta entre R$ 150 bilhões e R$ 200 bilhões anualmente e beneficia mais de 24 milhões de trabalhadores.
A entidade, com o time de advogados liderado pelo ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, sustenta que não e afirma que o decreto inova na ordem jurídica — criando obrigações não previstas em lei — violando os princípios constitucionais da reserva legal e da livre iniciativa.
A Lei do PAT, sancionada em 1976 e reformulada pela Lei nº 14.442/2022, permitia que as facilitadoras escolhessem entre sistemas abertos ou fechados, desde que garantissem interoperabilidade.
O novo decreto transformou essa opção em obrigação para empresas acima de um certo tamanho — uma mudança que a ABBT vê como usurpação de competência legislativa.
Os mesmos elementos já foram questionados pelas próprias empresas há alguns meses, quando entraram com pedido de liminares de urgência para não serem obrigadas a cumprir com as novas regras. As companhias ganharam na primeira instância, mas foram derrotadas na segunda.
No pedido da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF, os advogados procuram questionar, em especial, a redução do prazo de repasse, a partir dos contratos com o setor público, que funcionam no modelo pós-pago.
Nesse arranjo, as empresas adiantam o benefício aos servidores e só recebem da administração após 30 dias — às vezes até 90 dias, em caso de atrasos.
Ao forçar a liquidação em 15 dias, o decreto criaria um “descasamento financeiro” que as empresas precisarão cobrir com capital próprio ou crédito bancário.
Segundo a ABBT, isso não estava previsto nas propostas de preços dos editais licitatórios, configurando o que a lei chama de “fato do príncipe” — uma alteração superveniente que desequilibra contratos já celebrados.
Para empresas menores, a entendida diz que o impacto pode ter um impacto “letal”. Muitas delas dependem de contratos públicos para a maior parte do faturamento. A antecipação compulsória da liquidação, sem contrapartida do governo, pode exaurir a liquidez operacional.
O texto editado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estabeleceu as bases para mudanças que buscam tornar o mercado de benefícios mais competitivo e reduzir distorções concorrenciais (Foto: Mayolo Lopez Gutierrez/Bloomberg)
A americana MSD Saúde Animal, controlada pela farmacêutica MSD,aposta em uma nova vacina para mitigar perdas reprodutivas na pecuária brasileira, em um momento de maior pressão por produtividade no campo.
A companhia anunciou nesta semana o lançamento da Bovilis Vista 5 L5 no país, com foco em doenças que afetam prenhez e natalidade do rebanho.
A formulação inclui antígenos contra o sorovar hardjo bovis, associado a infertilidade e abortos, além de cobertura contra agentes como a diarreia viral bovina (BVDV tipos 1 e 2), uma das doenças que mais afetam os animais durante a gestação, o herpesvírus bovino tipo 1 (IBR), vírus respiratórios e a leptospirose.
A vacina é de dose única e oferece cobertura por até 12 meses — um diferencial frente a outras vacinas que exigem reforço.
“A cada R$ 1 investido na Bovilis Vista 5 L5, o produtor tem R$ 18 de retorno [em pecuária de corte]”, disse Laura Villarreal, diretora da unidade da MSD Saúde Animal, à Bloomberg Línea. Segundo ela, no leite, “esse retorno pode chegar a mais de R$ 27”, considerando os impactos na reprodução e na produtividade.
“Existem diversos estudos publicados em revistas científicas que comprovam a eficiência da Bovilis Vista 5 L5 na proteção clínica das fêmeas vacinadas, associada à redução da replicação viral e, consequentemente, da transmissão entre os animais, além da proteção fetal durante toda a gestação, evitando perdas gestacionais. A vacina auxilia na geração de bezerros mais saudáveis e produtivos”, afirmou.
A vacina já foi utilizada em mais de 20 países, com cerca de 78 milhões de doses comercializadas, e integra a estratégia da companhia de ampliar o portfólio voltado à produtividade e ao uso de tecnologia na pecuária.
Na América Latina, além do Brasil, o produto está disponível no México, na Colômbia, no Equador e na América Central.
A empresa afirma que o produto deve ganhar relevância dentro da linha Bovilis no Brasil, embora não detalhe metas de participação de mercado.
“Nosso objetivo é que seja um dos principais produtos do portfólio de bovinos”, disse a executiva.
A aposta em lançamentos faz parte da estratégia de crescimento da companhia: cerca de 50% da expansão da MSD Saúde Animal nos próximos anos deve vir de novos produtos, incluindo tanto ferramentas tecnológicas quanto soluções de sanidade.
Além disso, a regulamentação para a chegada de novos produtos é uma das principais dificuldades no país. A vacina bovilis já atende o mercado europeu e americano. No Brasil, a empresa informou que o processo de registro demorou 10 anos para ser concretizado.
A divisão de ruminantes — que inclui bovinos — é a principal fonte de receita da MSD Saúde Animal no Brasil e responde por 53% do total. Na sequência aparecem pets (23%), suínos (11%), aves (9%) e aquicultura (1%).
Empresas que atuam no varejo e no setor financeiro como Shein, Riachuelo, Pague Menos e Mercado Pago se destacaram no primeiro trimestre de 2026 entre as que tiveram maior crescimento em tráfego digital, de acordo com uma análise do BTG Pactual (BPAC11) divulgada nesta quinta-feira (30).
O relatório, batizado de Following the Digital Footsteps (“Seguindo as pegadas digitais”), utilizou métricas da SensorTower para rastrear o tráfego em aplicativos de oito segmentos do varejo — e-commerce, moda rápida, artigos esportivos, beleza, farmácias, academias, agregadores e fintechs.
Os indicadores monitorados incluem usuários ativos mensais (MAUs), volume de downloads, frequência e duração das sessões nos apps, e sobreposição de bases de usuários entre concorrentes.
Os dados revelam um setor com dinâmicas muito variadas: farmácias e agregadores de academias disparam em tráfego, enquanto beleza e cuidados pessoais tiveram queda generalizada.
“As tendências do primeiro trimestre de 2026 permaneceram amplamente em linha com as observadas nos últimos trimestres”, aponta o texto do relatório, assinado pelos analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.
E-commerce e moda rápida
No e-commerce, a expansão segue em ritmo de dois dígitos. O Mercado Livre cresceu 17% em MAUs no comparativo anual, atrás da Shein, com alta de 23%, seguidos por Amazon (+16%), AliExpress (+15%) e Shopee (+9%).
Um dado chama atenção na análise de sobreposição: 77% dos usuários do Mercado Livre também utilizam a Shopee, o que indica intensa disputa pelo mesmo consumidor, observa o analista Luiz Guanais.
Plataforma
Crescimento a/a
MAUs 1T26 (mn)
Shein
+23%
99,6
Mercado Livre
+17%
130,3
Amazon
+16%
61,9
AliExpress
+15%
38,6
Shopee
+9%
126,9
Magalu
-6%
44,0
Casas Bahia
-28%
14,4
Temu
-29%
18,8
Americanas
-49%
6,5
Entre as redes de moda rápida, o destaque ficou com a Riachuelo, que registrou avanço de 24% em MAUs no trimestre, em linha com prévia divulgada pelo banco semanas atrás. Renner (-1%) e C&A (-9%) tiveram queda, enquanto Zara e Hering subiram 10% cada.
A Renner mantém liderança em recorrência, com média de 14,8 sessões mensais por usuário, e divide audiência relevante com a Shein: 51% dos clientes da varejista gaúcha também acessam o app da asiática.
Varejista
Crescimento a/a
MAUs 1T26 (mn)
Riachuelo
+24%
8,1
Zara
+11%
1,2
Hering
+10%
1,0
Renner
-1%
13,1
C&A
-9%
5,7
No segmento esportivo, a Nike liderou o crescimento de MAUs (+9%), enquanto Centauro e Adidas ficaram estáveis, conforme aponta o analista Yan Cesquim.
Beleza e cuidados pessoais destoam
A categoria de beleza e cuidados pessoais segue como ponto fraco do varejo digital. Natura, somada à Avon, viu MAUs caírem 9% no trimestre, e o Boticário recuou 4%.
“As empresas de cuidados pessoais continuam apresentando dinâmica de tráfego fraca”, observa o BTG.
Os downloads tiveram queda ainda mais acentuada (29% para a Natura e 21% para o Boticário), sinalizando dificuldade dos incumbentes em renovar a base.
A Sephora lidera em recorrência, com 13 sessões mensais em média, segundo levantamento acompanhado pela analista Beatriz Cendon.
Já as farmácias mostram dinâmica oposta. A Raia Drogasil registrou alta de 40% em MAUs, a Pague Menos avançou 54% e a Panvel cresceu 14%. O recuo de 40% nos downloads da RD reflete uma base instalada já madura, com cerca de 43 milhões de downloads acumulados.
No segmento de academias e agregadores, o TotalPass praticamente dobrou os MAUs no período, enquanto o Wellhub cresceu 24%.
Entre as redes, Panobianco (+69%), Skyfit (+54%) e Selfit (+52%) lideraram a expansão. A SmartFit avançou apenas 3% em usuários ativos, o que sugere maior penetração do TotalPass entre os ingressos do início de ano, conforme avaliação do BTG.
No segmento financeiro, o Mercado Pago foi o destaque isolado, com altas de 28% em MAUs e 34% em downloads, superando Bradesco, Caixa e Banco do Brasil.
O Itaú lidera em duração de sessão, e o Nubank, em frequência de uso. A sobreposição é expressiva: 65% dos usuários do Mercado Pago também acessam o Nubank, segundo o relatório.
A NG.Cash, fintech que opera uma carteira digital voltada para a geração Z no Brasil, decidiu inaugurar uma nova frente de negócios de crédito com uma oferta de um produto de crédito consignado.
O movimento marca uma transição estratégica na tese da companhia: a evolução de uma conta digital para adolescentes para uma plataforma financeira completa para jovens adultos.
Fundada em 2021 com foco inicial na creator economy e em clientes com menos de 18 anos, a startup agora acompanha o amadurecimento de sua base, que soma 8 milhões de usuários.
O lançamento do produto, chamado de Crédito CLT, ocorre em um momento em que uma parcela significativa desses clientes deixa a fase da “mesada digital” — foco da rodada de R$ 65 milhões liderada pela Monashees em 2023 — para ingressar formalmente no mercado de trabalho.
Segundo Eduardo Nadelman, CPO e co-fundador da NG.Cash, a expansão do portfólio procura atender esses novos ciclos de vida.
“Estamos saindo do que chamamos de core banking para nos tornarmos uma plataforma financeira. Uma vez que o cliente tem a conta e transaciona conosco, queremos oferecer a oferta completa para garantir a principalidade", disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.
Ao contrário dos embates que são fomentados nas redes sociais sobre os jovens trabalharem como CLT, a fintech pretende usar o seu histórico de dados para mostrar que há uma demanda entre os jovens profissionais.
O objetivo do Crédito CLT é oferecer uma alternativa de financiamento com taxas mais baixas e desconto direto em folha, focando em profissionais em início de carreira. Historicamente, esse público enfrenta dificuldades de acesso a crédito em bancos tradicionais devido à falta de um histórico financeiro robusto ou garantias reais.
“O novo produto vem para capturar boa parte do empréstimo pessoal, boa parte do consignado que está concentrado nos bancos e também para uma fatia que não existia de um segmento que não era atendido, exatamente por não ter uma oferta de empréstimo pessoal, dado que não tem tantas garantias”, afirmouNadelman.
A aposta da NG.Cash reside na assimetria de informações. Ao deter o histórico de consumo e comportamento financeiro desses jovens ao longo dos últimos cinco anos, a fintech acredita possuir modelos de risco que podem ser mais precisos do que os de grandes bancos, que muitas vezes só estabelecem contato com esse cliente após a formatura ou o primeiro emprego formal.
A ofensiva no crédito, que deve receber mais produtos ao longo dos meses, é sustentada por aportes de investidores.
Desde sua fundação, a NG.Cash captou mais de R$ 300 milhões. O fôlego mais recente veio de uma rodada Série B de US$ 26,5 milhões realizada em 2025, liderada pela NEA (New Enterprise Associates).
O cap table da fintech inclui ainda nomes como Quantum Light, Monashees e a16z (Andreessen Horowitz).
Para viabilizar a operação de crédito sem comprometer o caixa, a fintech utiliza uma estrutura de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) no modelo warehouse.
“Estamos usando um FIDC que opera esse produto para começar a testar, onde também participamos do sucesso da operação. É uma questão de simplicidade para o início, enquanto estudamos as melhores formas de funding conforme escalamos", disse Nadelman.
Embora o produto esteja em fase de rollout com uma base limitada, a expectativa da companhia é ser mais agressiva na expansão até o meio de 2026. Os primeiros testes indicam um ticket médio entre R$ 4.000,00 e R$ 5.000,00, alinhado aos padrões de mercado para o segmento de entrada.
Experiência do usuário
O diferencial competitivo que a NG.Cash tenta imprimir no Crédito CLT é a experiência de uso (UX). Enquanto o mercado de consignado tradicional é frequentemente associado a processos burocráticos, a fintech aposta em uma jornada digital no próprio aplicativo.
A estratégia de originação é proprietária. “Trabalhamos um mix de fazer algo fluido e simples, mas com as pausas necessárias para garantir que o cliente entenda as regras do produto, quanto vai pagar e as condições”, diz o CPO.
A startup, que afirma crescer a taxas de dois dígitos mensalmente, vê no crédito a ferramenta para monetizar a base de clientes construída desde a adolescência de seus usuários.
Antes do Crédito CLT, a única incursão da startup em produtos de aquisição de bens era o consórcio, que, embora não seja crédito puro, serviu como termômetro para a demanda da base por produtos de maior valor agregado. O consignado agora assume o papel de “pontapé inicial” na jornada de crédito da plataforma.
Um dos principais desafios para fintechs focadas em jovens é a manutenção da conta como principal no momento em que o usuário entra em grandes empresas, que muitas vezes possuem acordos de exclusividade para folha de pagamento com bancos incumbentes. No entanto, Nadelman minimiza o impacto imediato.
“Hoje isso impacta muito pouco porque as ofertas dos grandes bancos para esse público ainda são muito limitadas, tanto em política de crédito quanto na forma como os produtos são oferecidos”, afirma.
A estratégia da NG.Cash é de se antecipar a esse cenário, oferecendo produtos que o banco tradicional ainda não disponibiliza para o perfil de risco do jovem profissional.
Fundada em 2021 com foco inicial na creator economy e em menores de idade, a startup agora acompanha o amadurecimento de sua base, que soma 8 milhões de usuários
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Os primeiros meses de 2026 trouxeram uma surpresa para Karl Kieliger, general manager da Victorinox para a América Latina.
Após quase duas décadas acompanhando o mercado brasileiro de relógios de alta gama, ele esperaria uma desaceleração das vendas, por se tratar de um ano eleitoral, mas os contextos político e global parecem não ter afetado o mercado local desta vez.
“O Brasil sempre registrou uma queda nas vendas antes e depois de períodos eleitorais, mas neste ano o crescimento se mantém muito estáveis”, disse em entrevista à Bloomberg Línea durante visita a uma das sedes da marca em Delémont, na Suíça.
Esta estabilidade atípica é um dado relevante para uma empresa que nos últimos cinco anos dobrou o volume de relógios vendidos no Brasil e vê o país como um de seus mercados mais importantes globalmente.
O Brasil ocupa uma posição singular na estrutura comercial da Victorinox na América Latina. A marca tem mais de 230 pontos de venda no país, distribuídos por joalherias em cidades de diferentes portes, de São Paulo a Joinville. Nenhum deles é uma loja própria da marca, como acontece em outros mercados.
As ações globais operam próximas da estabilidade nesta quinta-feira (30), depois da divulgação de resultados positivos das big techs, o que ajudou a aliviar preocupações com a inflação em meio à alta do petróleo.
- Novo limite para o BB. Acionistas do Banco do Brasil aprovaram elevar o limite de capital para R$ 150 bilhões, dos atuais R$ 120 bilhões, diante da pressão da inadimplência no crédito agrícola. O banco vê a medida como preventiva, segundo uma fonte ouvida pela Bloomberg News.
- Mudanças na Puma. A marca esportiva alemã nomeou Mark Langer como seu novo diretor financeiro e divulgou os resultados do primeiro trimestre ligeiramente acima das estimativas, à medida que a empresa avança em seus esforços de recuperação. O executivo assumirá o cargo a partir de 1º de maio.
- Brasil impulsiona Unilever. As vendas da companhia cresceram 3,8% no 1º trimestre, acima das expectativas, impulsionadas por mercados emergentes como Índia e Brasil, que compensaram o resultado nos EUA. O CEO Fernando Fernandez tem focado em beleza e bem-estar como estratégia de crescimento.
Os primeiros meses de 2026 trouxeram uma surpresa para Karl Kieliger, general manager da Victorinox para a América Latina. Após quase duas décadas acompanhando o mercado brasileiro de relógios de alta gama, ele esperaria uma desaceleração das vendas, por se tratar de um ano eleitoral, mas os contextos político e global parecem não ter afetado o mercado local desta vez.
“O Brasil sempre registrou uma queda nas vendas antes e depois de períodos eleitorais, mas neste ano o crescimento se mantém muito estável. O Brasil sempre foi muito sensível às eleições, e esse ano está tudo calmo”, disse em entrevista à Bloomberg Línea durante visita a uma das sedes da marca em Delémont, na Suíça.
“Mesmo com mudança de contexto global, mesmo com guerra, mesmo com eleições, mesmo com o caos global, continuamos crescendo.”
Esta estabilidade atípica é um dado relevante para uma empresa que nos últimos cinco anos dobrou o volume de relógios vendidos no Brasil e vê o país como um de seus mercados mais importantes globalmente.
O país se consolida como um espaço relevante não apenas pelo tamanho das margens, mas pelo volume e pela contribuição à escala de produção da fábrica na Suíça.
O Brasil ocupa uma posição singular na estrutura comercial da Victorinox na América Latina. A marca tem mais de 230 pontos de venda no país, distribuídos por joalherias em cidades de diferentes portes, de São Paulo e Rio de Janeiro a Joinville. Nenhum deles é uma loja própria da marca, como acontece em outros mercados.
Victorinox vê Brasil sustentar alta de relógios finos, apesar de eleições e guerra -
A escolha é deliberada e, segundo Kieliger, mais eficiente do que o modelo adotado em outros mercados da região. “Em vez de ter uma loja em São Paulo em um shopping de luxo, estamos no Brasil todo em centenas de lojas”, disse.
No México, por comparação, a presença se concentra em dois grandes magazines, sem a capilaridade de lojistas independentes que caracteriza o mercado brasileiro.
“Cada cidade tem uma rede de lojas, uma família, um proprietário que fez um bom trabalho, colocou uma joalheria, faz anos, é uma referência, estamos dentro com eles”, explicou Kieliger.
Além disso, a marca também tem espaço em redes com presença nacional, como a Vivara, e a Monte Carlo.
A lógica por trás da escolha passa também pela natureza do produto. “Um relógio é uma das poucas joias que o homem usa”, disse Kieliger. Estar nas joalherias, onde o público já está disposto a gastar com adornos, coloca o relógio no contexto certo de compra.
Há ainda um efeito colateral favorável: a alta recente nos preços do ouro e da prata levou parte dos consumidores a migrar para relógios produzidos com outros produtos, como o aço, como alternativa de acessório de valor mais acessível.
“Como ouro e prata aumentaram muito nos últimos meses, o cliente acaba comprando mais relógio com outros produtos, isso também ajudou a gente”, disse.
O Brasil é um dos maiores mercado da Victorinox nas Américas. A empresa não divulga faturamento por país, mas Kieliger confirmou que a receita global da marca alcança 400 milhões de francos suíços anuais (cerca de US$ 500 milhões).
A participação brasileira, embora ainda pequena em termos relativos, é estratégica porque o volume de peças compradas pelo país contribui diretamente para a viabilidade econômica da fábrica suíça.
“O Brasil até agora não foi um mercado de margens muito altas, mas o país contribui muito para nossa fábrica pela quantidade de relógios que compra”, disse.
Essa equação é em parte resultado da estrutura tributária brasileira. Os relógios importados estão sujeitos a imposto de importação, uma combinação que, segundo Kieliger, eleva o preço ao ponto de aproximar a marca do segmento de luxo no Brasil, mesmo que globalmente ela se posicione abaixo disso, na categoria de relógios finos suíços.
“O mercado de luxo começa com relógios de cerca de R$ 20.000, e por mais que nossos produtos estejam posicionados abaixo disso globalmente, no Brasil os impostos fazem com que fiquemos na entrada do luxo”, disse.
Segundo ele, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu EFTA (grupo do qual a Suíça faz parte), acertado no ano passado, poderia mudar essa equação.
As negociações avançaram nos últimos meses e, se concluídas, eliminariam o imposto de importação. “O tratado pode permitir que tenhamos preços melhores, por mais que muitos tributos continuem valendo”, disse Kieliger.
Estilo local
A Victorinox trabalha com nove linhas de relógios, que combinam modelos esportivos e clássicos. Segundo Kieliger, esse mix tem funcionado especialmente bem no Brasil, algo que ele atribui, em parte, ao perfil do consumidor local.
“O brasileiro gosta de ser bem vestido, de moda, e isso ajuda esse tipo de lifestyle“, disse. A observação vai além do clichê: para a marca, significa que há demanda consistente por produtos que combinem funcionalidade e apelo estético, sem exigir o nível de exclusividade do luxo tradicional.
Há ainda uma adequação técnica relevante para o mercado brasileiro que passa despercebida na vitrine. Os relógios da Victorinox são submetidos em homologação a ciclos de 48 horas em condições de umidade e calor. O protocolo foi desenvolvido especificamente para garantir funcionamento em climas tropicais.
Para uma marca que vê o Brasil como mercado prioritário de crescimento, o argumento da resistência ao clima é parte do produto que chega às joalherias.
Além do Brasil, a empresa está atenta a pedidos importantes de outros países da região. Para A Copa do Mundo deste ano, desenvolveu um relógio especial para o mercado argentino.
A demanda por modelos femininos é outro sinal que vem da América Latina. “Por mais que os homens acabem sendo um mercado central de relógios, as mulheres têm pedido muito no Brasil e na América Latina, e pretendemos trabalhar nisso”, disse.
A continuidade da guerra no Irã e seus efeitos para o preço do petróleo e a circulação na região acendem um alerta para a Vale (VALE3). Segundo executivos, a companhia está atenta para conseguir atingir as metas para este ano.
“Vamos observar a estabilidade da região do ponto de vista geopolítico, a disponibilidade e precificação do gás natural, que é um insumo importante, e a nossa capacidade logística de chegar aos clientes, o que neste momento é um gargalo na região”, disse o CFO da Vale, Marcelo Bacci, a jornalistas nesta quarta-feira (29).
Em meio aos desafios de circulação na região, com as restrições no Estreito de Ormuz, no início do mês a mineradora decidiu antecipar a parada para manutenção da planta de beneficiamento de pelotas em Omã.
O diretor de relações com investidores da companhia, Thiago Lofiego, afirmou que a decisão não afeta os planos de produção para o ano, uma vez que a parada já estava programada.
Ele acrescentou que, mesmo diante de um cenário de prolongamento do conflito, a companhia ainda possui capacidade ociosa de pelotas no Brasil, o que deve suprir eventuais demandas necessárias.
“A parada para manutenção anual normalmente dura 45 dias. Nós vamos avaliar à medida que a situação se desenvolver. Não conseguimos determinar quanto tempo deve ficar parada”, ponderou Lofiego.
A Vale mantém o guidance para produção de pelotas em 2026 em um intervalo entre 30 milhões a 34 milhões de toneladas.
Bacci esclareceu que a Vale está trabalhando com o preço futuro do petróleo como referência para suas projeções. Segundo o executivo, atualmente nas bolsas de futuro a cotação do barril (daqui até o final do ano) está em cerca de US$ 90. No mercado spot (à vista), está um pouco acima de US$ 100.
“Se o mercado permanecer como está hoje, vamos entregar nosso custo no topo do guidance, mas ao menos dentro dele."
Ele acrescentou que a oscilação do barril afeta o preço do frete marítimo, principal razão pela qual o custo “all-in” (de entrega no cliente) subiu neste ano.
O aumento do petróleo também impacta o diesel, o que consequentemente eleva o “custo c1″ (da mina até o porto). “Se a alta do petróleo persistir, vamos continuar vendo esses efeitos tanto no all-in quanto no c1."
Bacci avalia que o cenário de frete marítimo mais caro afeta toda a indústria global, mas ainda mais profundamente os produtores de alto custo.
A companhia estima que, no momento, essas empresas têm enfrentado um aumento de custo da ordem de US$ 10 por tonelada de minério de ferro, enquanto que, para produtores competitivos, o que inclui a Vale, a alta é de US$ 5 por tonelada.
Neste contexto, 50 milhões de toneladas de oferta de minério de ferro operariam no prejuízo e poderiam sair do mercado.
A Cedro Participações, holding controlada pela família Kallas, com o empresário Lucas Kallas como chairman do grupo, anunciou nesta quarta-feira (29) a venda de sua participação de 8% no laboratório Biomm.
O movimento marca o encerramento de um ciclo de investimentos do grupo no setor farmacêutico e a concentração dos esforços no core business de mineração e no ecossistema logístico que sustenta essa operação.
A operação de saída ocorre em meio ao desenrolar do caso Banco Master, instituição financeira de Daniel Vorcaro que, por meio do Fundo Cartago, é o maior acionista individual da Biomm e enfrenta nos últimos meses questionamentos regulatórios e investigações sobre suas operações, episódio que tem repercutido sobre a base acionária da farmacêutica.
Segundo a nota divulgada por Kallas, a reorientação integra o reforço na estratégia da companhia, que busca ganhos de escala e eficiência produtiva em um momento de expansão.
A Cedro, em nota, afirma que sua decisão é estritamente estratégica, sendo motivada pelo redirecionamento de capital para os projetos de mineração e logística do grupo, sem fazer referência à situação envolvendo o Master,
“A decisão reflete o momento de maturidade do grupo e a oportunidade de capturar valor em um ciclo favorável da mineração”, afirma Lucas Kallas, presidente do board da Cedro Participações, em nota.
A relação entre Cedro e Biomm vinha se consolidando havia anos. A holding era um dos acionistas relevantes do laboratório brasileiro, ao lado do grupo dos fundadores liderado pelo ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, do BNDESPar, do Banco Master e da gestora TMG.
Kallas chegou a participar, em abril de 2024, da cerimônia de inauguração da nova fábrica de insulina glargina (para diabéticos tipos 1 e 2) da Biomm em Nova Lima (MG) um empreendimento de R$ 800 milhões, com capacidade para atender até 80% da demanda nacional do medicamento.
O evento simbolizou a retomada da produção nacional de insulina após mais de duas décadas de dependência externa, e a Cedro Participações era apontada como peça-chave na consolidação do projeto.
Com os recursos liberados pela operação, a Cedro diz que pretende acelerar a ampliação da capacidade de sua mina em Mariana (MG), com foco na produção de pellet feed (minério de ferro de alta qualidade utilizado para reduzir emissões na siderurgia global).
A meta é atingir 20 milhões de toneladas anuais até 2030, posicionando o grupo como fornecedor relevante no mercado internacional de insumos siderúrgicos descarbonizados.
O plano de expansão prevê ainda cerca de R$ 5 bilhões em infraestrutura logística, com a construção do Porto do Meio, em Itaguaí (RJ), e da ferrovia Shortline, na região de Serra Azul (MG).
Os projetos são considerados essenciais para o escoamento da produção e para a competitividade da empresa no mercado externo, e devem gerar cerca de 6 mil vagas diretas durante as fases de implantação e operação, segundo a holding.
A integração entre mina, ferrovia e porto segue tendência consolidada entre as grandes mineradoras brasileiras, que buscam reduzir gargalos logísticos historicamente apontados como entrave à competitividade do minério nacional.
Apesar do reposicionamento estratégico, a empresa afirma manter compromissos socioambientais. A Cedro informa ter adotado caminhões elétricos e movidos a biometano em suas operações, alinhando-se à agenda de descarbonização, pré-requisito para acesso a mercados como o europeu.
Nos últimos cinco anos, a holding cita investimentos de mais de R$ 80 milhões em iniciativas de educação, saúde e infraestrutura nos municípios onde atua, com destaque para Nova Lima, Mariana e Ouro Preto, região historicamente marcada pelo peso da atividade mineradora e pelos desafios operacionais de sua convivência com as comunidades.
Venda de fatia na Latache
Em movimento paralelo de reorganização do portfólio, a Cedro também anunciou a venda de sua fatia de 33,33% na Latache Capital, gestora brasileira fundada em 2015 por Renato Azevedo e especializada em special situations.
A participação será adquirida pelos demais sócios da casa, além de Azevedo, Marcel Cecchi, Stefan Lourenço e Sérgio Clemente, que voltam a deter 100% do capital do negócio. Os valores da transação não foram revelados.
A operação é descrita como um desdobramento natural para ambas as partes. Para a Cedro, o investimento na Latache tinha caráter oportunístico e passivo, e seu desinvestimento se alinha à concentração da holding em seu core business de mineração e logística integrada.
Do lado da gestora, a saída ocorre em um momento de maturidade do negócio, que chegou à marca de R$ 4 bilhões sob gestão, com o suporte da Cedro durante o ciclo de expansão.
--Texto atualizado às 16h20, de 30/4, para incluir venda de fatia da Latache
Inaugurada em 2024, a fábrica da Biomm em Nova Lima (MG) produz insulina glargina; Cedro, que era acionista do laboratório, deixa a operação para focar na mineração. (Divulgação/Biomm)
Após cinco anos como CEO do Santander Brasil (SANB11), Mario Leão avalia que deixa um banco com uma operação melhor do que a que encontrou em 2021.
“[O Santander é hoje] um banco em vários aspectos melhor, mas não quer dizer que eu não recebi um banco muito bom – recebi um banco espetacular", afirmou Leão em coletiva com jornalistas nesta quarta-feira (29).
“É um banco melhor no sentido de mais diversificado, mais balanceado, mais evoluído com benefícios de sistemas, processos e modelos.”
Leão apresentou nesta quarta-feira sua última divulgação de resultados como CEO do Santander Brasil.
Em março, o banco anunciou que o executivo deixaria o cargo por decisão própria. Ele será substituído por Gilson Finkelsztain, atual presidente da B3, no início do segundo semestre; Finkelsztain deve liderar a próxima divulgação de resultados do segundo trimestre, programada para julho.
Os anos de Mario Leão à frente do banco foram marcados por um período de adversidade macroeconômica após um ciclo de forte crescimento sob o comando de Sergio Rial, que foi presidente entre 2016 e 2021.
Rial liderou uma agenda de forte avanço do Santander em linhas de maior risco e rentabilidade, como o crédito para pessoa física de baixa renda e em “mar aberto”, buscando clientes com os quais o banco não tinha relacionamento prévio.
A carteira de crédito saltou 77,4% entre 2015 e 2021, passando de R$ 261 bilhões para R$ 463 bilhões. A estratégia levou o ROE do banco, seu principal indicador de rentabilidade, da faixa dos 13% em 2016 para 21% em 2021.
A chegada de Leão ao comando do banco, em 2022, coincidiu com uma inversão de ciclo macroeconômico, com o aumento expressivo da inadimplência da pessoa física no pós-pandemia, especialmente da baixa renda.
A rentabilidade do banco chegou a cair para 8,3% no patamar mínimo no quarto trimestre de 2022, e uma das principais metas do banco desde então vem sendo a retomada do patamar de 20%. Atualmente o ROE do Santander Brasil está em 16%.
“Estou no Santander desde 2015, participei do ciclo de crescimento anterior e fizemos isso com louvor até 2021. Então não é que eu recebi um problema, mas tive sim um desafio com esse novo ciclo de crescimento”, disse.
Leão foi diretor executivo de banking e corporate finance e vice-presidente executivo de corporate antes de assumir como CEO.
O Santander Brasil não fornece guidance, mas a expectativa anunciada é que a recuperação dos 20% de ROE patamar seja alcançada ao longo de 2028. No primeiro trimestre de 2026 o indicador registrou queda de 1,5 ponto percentual frente ao mesmo período de 2025, depois de dois resultados em tendência de alta.
Leão classificou o movimento como sazonal. “Esperamos que o movimento se inverta ao longo dos próximos trimestres para que possamos tocar o patamar dos 20% talvez até antes mesmo de 2028″, afirmou.
Embora não tenha alcançado a rentabilidade do ciclo anterior, Leão projeta que o lucro anualizado do banco em 2026 irá superar o resultado do último ano da gestão passada, que foi de R$ 16,3 bilhões. No primeiro trimestre deste ano, o banco registrou lucro de R$ 3,79 bilhões.
“Este ano vamos ter um lucro anual maior que em 2021. E eu me sinto ‘dono’ do lucro em 2026 tanto quanto nos anos passados [em que esteve à frente do banco em todo o período]”, afirmou. “Muito do que deve acontecer daqui para frente também tem meu DNA.”
A argentina Belo captou US$ 14 milhões em rodada série A, liderada pela Tether, conhecida como uma das principais emissoras de stablecoins do mundo.
Criada em 2021, a fintech faz uso da tecnologia das stablecoins para oferecer seus serviços e nasceu com um modelo de negócios cross-border com foco em latino-americanos que trabalham para empresas no exterior, ganhando em dólar ou euro, competindo com empresas como a Wise.
A startup atua oficialmente no Brasil desde o ano passado, quando inaugurou um escritório em São Paulo. A relação com o país começou bem antes, no entanto, e por conta do Pix, quando os fundadores da Belo buscavam entender os hábitos de pagamentos mais recentes do fluxo de brasileiros que visitam a Argentina, em destinos como Buenos Aires, Mendoza e Ushuaia.
“Os comerciantes queriam uma forma de poder aceitar pagamentos com maior conveniência”, afirmou Manuel Beaudroit, co-fundador e CEO da Belo, em entrevista recente à Bloomberg Línea.
A oportunidade ainda atraiu também gigantes como o Mercado Pago, a fintech do Mercado Livre, que desenvolveu uma solução para que brasileiros possam pagar com Pix na Argentina por meio de QR Code em maquininhas Point Smart.
Em direção contrária, quando os turistas argentinos começaram a retornar às praias brasileiras, a startup surfou a onda, processando milhões em compras feitas por eles no país vizinho.
Por meio de app, os usuários depositam pesos em suas contas e o sistema processa automaticamente os valores para reais a cada transação, seja via QR code ou número de telefone.
“O corredor entre Brasil e Argentina segue sendo um caso de uso relevante, especialmente para turismo, educação e usuários que circulam entre os dois países”, disse Beaudroit.
“Mas, um pouco como comentamos antes, a estratégia da Belo não se limita a esse fluxo. A companhia vem ampliando sua proposta para diferentes casos de uso, como recebimento de renda do exterior, uso local de recursos e operações entre múltiplas moedas dentro de uma mesma experiência”, afirmou.
A startup tem hoje a Argentina, onde começou a operação, e o Brasil como os principais mercados, seguidos pelo México, a segunda maior economia da região. E opera no lucro há três anos, segundo dados internos.
Com o aporte, a Belo se prepara para acelerar a atuação em países como Chile, Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai. A base de usuários está hoje com 3,3 milhões, distribuídos por vários países da América Latina.
“A recente rodada deve acelerar esse crescimento, com foco em expansão regional, obtenção de licenças, integração com sistemas de pagamento locais e evolução do produto”, diz o CEO. A captação teve a participação também do Titan Fund, The Venture City, Mindset Ventures, G2 e outros investidores no cap table desde 2021.
A startup procura se posicionar como um negócio da região e que entende as demandas financeiras de profissionais da América Latina. E, diferentemente de plataformas como Wise ou Deel, atuantes em dores como transferências internacionais ou pagamento de trabalhadores, a argentina procura integrar recebimento, conversão e uso do dinheiro no varejo em um único fluxo.
A vantagem do negócio, com infraestrutura baseada em stablecoins e integrações locais como Pix no Brasil ou CVU na Argentina, está na menor fricção e na potencial redução dos custos, ao ter menos intermediários da cadeia de valor.
“As tarifas podem variar de acordo com o tipo de operação, moeda, país e infraestrutura utilizada. A proposta da companhia é que o custo final seja claro para o usuário, evitando surpresas típicas dos sistemas tradicionais”, afirma Beaudroit.
O Santander Brasil (SANB11) deu início à temporada de balanços entre os grandes bancos ao divulgar seus resultados nesta quarta-feira (29).
A operação brasileira do grupo espanhol registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — uma retração de 1,9% na comparação anual e de 7,3% frente ao quarto trimestre do ano anterior.
O resultado veio abaixo da projeção de R$ 4,03 bilhões estimada pelo consenso de analistas consultados pela Bloomberg.
O ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio), principal métrica de rentabilidade do setor bancário, recuou após dois trimestres consecutivos de alta. O indicador atingiu 16,0% no primeiro trimestre, queda de 1,6 ponto percentual (p.p.) frente ao quarto trimestre de 2025 e de 1,5 p.p. na comparação anual.
A margem financeira bruta somou R$ 15,812 bilhões, com recuo de 0,7% na comparação anual, pressionada pelo desempenho da margem com o mercado. Em base trimestral, no entanto, o indicador avançou 3,1%.
A margem financeira com o mercado encerrou o período negativa em R$ 771 milhões, uma piora frente ao ganho de R$ 97 milhões registrado no mesmo trimestre de 2025.
Segundo o banco, o resultado foi impactado pela sensibilidade negativa ao aumento da taxa de juros ao longo do ano. A comparação trimestral, no entanto, mostra uma recuperação expressiva ante os R$ 1,486 bilhão negativos do período anterior, acompanhando a recente queda nas taxas.
O resultado geral foi parcialmente sustentado pela margem financeira com clientes, que somou R$ 16,584 bilhões, avanço de 4,8% na comparação anual, beneficiada, segundo o banco, por maiores volumes, melhora no mix e disciplina de precificação, com reflexo positivo no spread.
Na base trimestral, porém, houve recuo de 1,4%, pressionado pelo menor número de dias úteis e pelo efeito do diferimento de comissões migradas para a margem.
As despesas gerais totalizaram R$ 6,633 bilhões, estáveis frente ao trimestre anterior e com alta de apenas 0,9% em 12 meses, abaixo da inflação do período. O banco destacou o uso intensivo de tecnologia como vetor de ganhos de produtividade e otimização de processos.
Crédito e inadimplência
A carteira ampliada de crédito encerrou março de 2026 em R$ 705,6 bilhões, crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, com leve recuo de 0,4% frente ao trimestre anterior, influenciado pela sazonalidade em cartões e pela variação cambial.
A inadimplência acima de 90 dias atingiu 3,3%, com alta de 0,2 p.p. no trimestre e de 0,6 p.p. em 12 meses, concentrada especialmente em pessoa física nas faixas de menor renda e em pequenas e médias empresas.
As provisões para devedores duvidosos (PDD) totalizaram R$ 6,344 bilhões, avanço de 3,9% frente ao trimestre anterior e queda de 0,7% na comparação anual. O Santander atribuiu o recuo anual à gestão ativa de riscos e à melhora no mix do portfólio, com maior participação de operações de menor risco.
No acumulado do ano, as units do Santander (SANB11) recuam 12,78%, contra alta de 17,49% do Ibovespa.
Sede do Santander Brasil em São Paulo, em foto de 2012: operação do banco espanhol no país ficou com lucro abaixo dos R$ 4,03 bilhões previstos pelo consenso de analistas pela Bloomberg (Foto: Dado Galdieri/Bloomberg)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Depois de dois anos dedicados à integração de suas redes, o Grupo Toky prevê retomar os planos de expansão no varejo físico, com abertura de lojas da Mobly no Rio de Janeiro e em Brasília possivelmente em 2027.
O plano envolve a instalação de novas unidades dentro de estabelecimentos da Tok&Stok com metragem suficiente para abrigar as duas marcas no mesmo imóvel, de acordo com o CEO Victor Noda.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo disse que a iniciativa representa a primeira vez que a companhia indica praças específicas para a expansão física depois da integração das duas redes, em um processo que envolveu uma longa disputa societária.
“O foco dos últimos dois anos foi captura de sinergias e integração. Ainda tem muito a fazer nessa frente, mas a operação já está num nível de maturidade que permite pensar em crescimento”, afirmou.
Os futuros das ações dos EUA operam próximos da estabilidade nesta quarta-feira (29), enquanto investidores aguardam os resultados de Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta, em um teste para avaliar se o rali deste mês ainda tem fôlego.ㅤ
- Lucro abaixo do esperado. O Santander Brasil reportou lucro de R$ 3,8 bilhões no 1º trimestre, retração de 1,9% na comparação anual e de 7,3% frente ao quarto trimestre do ano anterior. O resultado veio abaixo da projeção de R$ 4,03 bilhões estimada pelo consenso de analistas consultados pela Bloomberg.ㅤ
- Volvo abre fábricas à Geely. O CEO da Volvo, Hakan Samuelsson, disse que está disposto a permitir que a Geely use suas fábricas na Europa para produzir carros localmente e contornar tarifas da UE sobre veículos elétricos. “Podemos realmente apoiá-los”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Television.ㅤ
- Divergências derrubam fusão. A Brown-Forman, que fabrica o Jack Daniel’s, e a Pernod Ricard, dona do uísque Jameson, encerraram as negociações de fusão, segundo declarações compartilhadas pelas empresas. O impasse envolveu divergências sobre governança, estrutura e controle familiar.
Depois de dois anos dedicados à integração de suas redes, o Grupo Toky prevê retomar os planos de expansão no varejo físico, com abertura de lojas da Mobly no Rio de Janeiro e em Brasília possivelmente em 2027.
O plano envolve a instalação de novas unidades dentro de estabelecimentos da Tok&Stok com metragem suficiente para abrigar as duas marcas no mesmo imóvel, de acordo com o CEO Victor Noda.
Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo disse que a iniciativa representa a primeira vez que a companhia indica praças específicas para a expansão física depois da integração das duas redes, em um processo que envolveu uma longa disputa societária.
Nas duas cidades, a Tok&Stok ocupa imóveis com área suficiente para que parte do espaço seja convertida numa loja da Mobly, mantendo as duas marcas com identidade separada e operação independente dentro do mesmo endereço.
O CEO não indicou a abertura como certa, mas disse que muito provavelmente as duas unidades estarão funcionando em 2027.
“O foco dos últimos dois anos foi captura de sinergias e integração. Ainda tem muito a fazer nessa frente, mas a operação já está num nível de maturidade que permite pensar em crescimento”, afirmou.
A decisão de retomar a expansão coincide com o primeiro balanço anual consolidado do grupo, divulgado em 31 de março, que mostra uma empresa operacionalmente diferente da que existia há um ano.
A receita líquida chegou a R$ 1,5 bilhão, patamar que nenhuma das duas marcas havia atingido separadamente. As margens subiram em todas as linhas, puxadas em parte pelas renegociações com fornecedores chineses, que cederam descontos relevantes num momento em que as tarifas americanas os deixaram mais dispostos a conversar.
O avanço operacional, porém, convive com uma herança pesada. Quando a Mobly absorveu a Tok&Stok, trouxe um endividamento que chegou a 16 vezes o resultado operacional da empresa.
Desde então, Noda disse que tem trabalhado para desmontar esse passivo convertendo-o em equity: credores abrem mão de parte do que receberiam, aceitam ações (TOKY3) no lugar e saem da condição de cobradores para a de sócios.
A SPX Capital, gestora que havia chegado ao negócio como credora após assumir ativos do fundo americano Carlyle, fez esse movimento no ano passado com um desconto de 60% sobre o valor da dívida e hoje detém 11% da companhia.
Agora Noda tenta repetir a operação com Bradesco, Santander, Banco do Brasil e membros da família Dubrule, fundadores da Tok&Stok, que também figuram entre os credores. A negociação em curso envolve até R$ 500 milhões.
Considerando a renegociação bem-sucedida de R$ 230 milhões no ano passado, se todos toparem, o Grupo Toky terá retirado até R$ 730 milhões em dívida do balanço em menos de dois anos.
Confira trechos da entrevista, editada para fins de concisão e clareza:
O grupo indica Rio e Brasília como próximas praças para a Mobly. Como esse plano está estruturado?
Estamos avaliando usar o excesso de área de lojas grandes da Tok&Stok para instalar uma unidade da Mobly dentro do mesmo imóvel. As duas marcas ficam separadas, com identidade própria, mas compartilham o espaço físico. Muito provavelmente teremos unidades da Mobly nessas duas cidades em 2027.
Por que agora? O que mudou no cálculo de expansão em relação ao ano passado?
O foco dos últimos dois anos foi captura de sinergias e integração. Ainda tem muito a fazer nessa frente, mas a operação já está num nível de maturidade que permite pensar em crescimento. A margem Ebitda saiu de menos de 5% para quase 16%. A margem bruta foi de 46% para quase 53%. Isso não é ajuste contábil, é redução de custo de mercadoria, ganho em logística, redução de custo fixo. Com esse resultado, a conversa sobre expansão muda de natureza.
O balanço de 2025 coincide com uma negociação ativa com credores para nova conversão de dívida. Qual é o tamanho dessa segunda rodada?
Depende de quem aderir. Se todos os credores que ainda estão na mesa converterem, retiramos entre R$ 300 milhões e R$ 480 milhões adicionais de dívida. Já fizemos R$ 230 milhões no ano passado com SPX e Domus, que aceitaram um haircut [desconto] de cerca de 60% e entraram como acionistas. No total, podemos sair com quase R$ 700 milhões de dívida convertida em equity em menos de dois anos.
O guidance de sinergias era de R$ 80 milhões a 135 milhões em cinco anos. Já está em R$ 100 milhões depois de um ano.
O guidance segue sendo de R$ 80 a 135 milhões, é o que nos comprometemos com o mercado e continuamos acompanhando trimestralmente. Olhando para onde estamos, acredito que vamos superar os R$ 150 milhões de sinergias anuais. Mas isso não é compromisso público. Ainda tem muito a capturar em custo de mercadoria, logística e receita cruzada entre as duas marcas.
A China segue competitiva para o grupo mesmo com o cenário de tarifas americanas?
Compensa e muito, dependendo da categoria. Em produtos com metal, plástico e mecanismos, como sofá-cama, cadeira de escritório, cadeira de jantar, produtos para área externa, decoração e iluminação, a China não tem concorrência relevante em custo e qualidade. Fizemos três viagens ao longo do ano para renegociar com os 180 fornecedores da Tok&Stok e conseguimos reduções entre 10% e 25%. O momento ajudou: com as tarifas americanas, eles estavam mais abertos a conversar.
A Maia, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida em parceria com a Simbios.ai, trouxe 10% de incremento de receita na Mobly. Como esse uso avança para o grupo?
No segundo semestre deste ano, levamos a Maia para a Tok&Stok também, tanto para recomendação de produto e venda via chat quanto para busca com refinamento conversacional. O próximo passo é levar isso para os vendedores nas lojas físicas. Com acesso ao portfólio completo das duas empresas em tempo real, o vendedor consegue ser muito mais assertivo na recomendação do que qualquer pessoa conseguiria fazer de cabeça. Internamente, mapeamos 59 processos que podem ser totalmente automatizados. Cada um que a gente automatiza reduz custo de pessoal e elimina ferramentas de terceiros que contratávamos.
Quando a companhia entrega lucro líquido positivo?
A operação já gera resultado consistente. O que ainda pesa é a despesa financeira sobre o endividamento remanescente. Uma vez concluída a reestruturação que estamos fazendo agora, a estrutura de capital fica saudável e a geração de caixa operacional vira lucro líquido. É o que estamos construindo para mostrar que dois negócios que individualmente não geravam lucro, juntos e reorganizados, têm perpetuidade real.
--Texto atualizado às 11h10 para detalhar o valor da dívida que pode ser transformada em equity e citar nome de banco credor.
Loja da Mobly: rede tem 14 unidades físicas concentradas em São Paulo e deve chegar ao Rio de Janeiro e a Brasília em 2027, instalada dentro de unidades da Tok&Stok em imóveis grandes o suficiente para abrigar as duas marcas no mesmo endereço (Foto: Divulgação/Grupo Toky)
O lucro líquido da Vale (VALE3) no primeiro trimestre alcançou US$ 1,9 bilhão, alta de 39% sobre o mesmo período do ano passado, segundo documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite desta terça-feira (28).
No critério atribuível aos acionistas proforma, que exclui itens não recorrentes, o resultado líquido alcançou US$ 1,89 bilhão no período, alta de 29% ano contra ano.
Segundo o documento, o desempenho se deve a maiores preços de referência e melhor realização em todos os segmentos, bem como volumes mais elevados de vendas de minério de ferro, cobre e níquel.
“Durante o trimestre, alcançamos recordes de produção em múltiplos ativos, demonstrando a força de nossas operações. Nosso portfólio flexível nos permitiu capturar oportunidades em um ambiente de mercado robusto, enquanto a busca contínua por eficiência de custos segue preservando nossa competitividade e construindo resiliência diante de pressões externas persistentes”, afirmou o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, no balanço.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado atingiu US$ 3,8 bilhões de janeiro a março, alta de 23% sobre igual período do ano passado.
De acordo com o documento, os efeitos positivos do trimestre foram parcialmente compensados pelo impacto negativo da apreciação do real, maiores custos e despesas operacionais, incluindo a aquisição de volumes de terceiros.
Já a receita líquida da companhia foi de US$ 9,2 bilhões no primeiro trimestre, um avanço de 14% ano contra ano.
A Vale destacou que as vendas melhoraram em todos os segmentos de negócios no período.
O preço médio realizado do minério de ferro foi 5,5% superior ao mesmo intervalo do ano passado, atingindo US$ 95,8 por tonelada, impulsionado principalmente pela maior qualidade e prêmios. Segundo a companhia, isso reflete a estratégia de portfólio de produtos, a flexibilidade do mix e prêmios de mercado mais elevados para insumos com baixo teor de alumina.
A Vale salientou que o custo médio do frete marítimo da companhia se manteve estável em relação ao último trimestre de 2025, diante da eficácia da estratégia de afretamento de longo prazo “que reduz tanto custos quanto volatilidade”.
No entanto, a mineradora informou no balanço que o custo anual caminha para o limite superior das faixas de estimativas se considerado o consenso de mercado de câmbio médio de R$ 5,25 para o dólar e preços do petróleo Brent (e produtos relacionados) de US$ 90 por barril.
A dívida líquida da Vale atingiu US$ 13,558 bilhões no primeiro trimestre, aumento de 11% na comparação anual. O prazo médio da dívida encerrou o trimestre em 8,4 anos.
O ex-diretor do Banco Central Diogo Guillen assumirá a posição de economista-chefe do Itaú Unibanco a partir de 1º de julho de 2026, após cumprir período de quarentena, informou o banco brasileiro em comunicado nesta terça-feira (28).
Guillen sucederá Mário Mesquita, que ocupa o cargo desde julho de 2016 e deixará a função no final de abril.
O ex-diretor do BC é doutor em Economia pela Universidade de Princeton, onde defendeu dissertação sobre macroeconomia e economia internacional, e tem graduação e mestrado pela PUC-Rio.
Antes de ingressar no Banco Central, trabalhou na área de gestão de ativos do próprio Itaú entre 2015 e 2021, tendo ocupado as posições de head de Pesquisa Econômica Internacional, head de Pesquisa Econômica de Brasil e, por fim, economista-chefe da Itaú Asset Management. Antes disso, atuou como economista sênior na Gávea Investimentos, entre 2013 e 2015.
Em 2022, o nome de Guillen foi sugerido ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para a Diretoria de Política Econômica, cargo que ocupou até 2025, após aprovação pelo Senado Federal. Na diretoria, substituiu Fabio Kanczuk.
O Itaú destacou o papel de Mário Mesquita no fortalecimento da reputação do banco em análises econômicas, citando a consolidação do time de macro e a reestruturação da área de Research ao longo de quase dez anos.
Mesquita seguirá colaborando com o banco como consultor durante o período de transição, segundo o comunicado.
A Bloomberg News havia informado em janeiro que Mesquita deixaria a função em razão da regra de aposentadoria obrigatória do banco para posições de gestão aos 60 anos.
Segundo a reportagem publicada na época, o Itaú estava em conversas com o ex-diretor do Banco Central para o posto, com a entrada prevista após os seis meses de quarentena — praxe para diretores que deixam a autarquia.
O entusiasmo desenfreado em torno da inteligência artificial nos Estados Unidos desperta comparações com o período de otimismo e derrocada das ações de tecnologia no início dos anos 2000, conhecido como “bolha das pontocom”. A avaliação é de Thiago Kapulskis, sócio e gestor do fundo global de tecnologia da São Pedro Capital.
“Como alguém que olha o mercado de ações, acredito cada dia mais que estamos em uma bolha como nos anos 2000″, afirmou o gestor em painel no evento Fórum The AI Economy Brazil, realizado nesta segunda-feira (28) pela Sólides em parceria com a Bloomberg Línea.
A principal tese do gestor é de que os indicadores de negócio observados para distribuir os cheques de financiamento para as startups de IA são completamente diferentes do que eram no último ciclo de “boom” entre as companhias de tecnologia. E essa mudança pode trazer desafios reais de rentabilidade para os negócios que hoje disparam em valuation.
Kapulskis defendeu que muitas dessas startups não mostram a disciplina de modelos de negócio que caracterizou empresas como Google e Amazon em suas fases iniciais. “Não vejo nesse ciclo nenhuma discussão de como essas novas companhias vão ganhar dinheiro daqui a três anos”, disse.
Para o Brasil, isso pode ser um caminho de oportunidade, segundo o gestor. Isso porque a escassez de capital e os maiores desafios de custo podem impor uma disciplina às startups brasileiras que falta às americanas.
“A vantagem de nós brasileiros é que a gente vive num país difícil. Um país de capital caro, onde qualquer um que investe no negócio vai querer saber como a empresa vai ganhar dinheiro”, disse Kapunskis. “Talvez essa seja uma vantagem desse ciclo.”
Ainda assim, o cenário é desafiador. Camila Vieira, sócia e diretora para o Brasil da gestora global QED Investors, destacou que pequenas e médias empresas chegam ao ciclo da IA fragilizadas por anos de juros elevados, instabilidade tributária e mudanças regulatórias que consumiram sua capacidade de investimento.
A dinâmica de excesso de capital nos EUA também se torna um desafio de captação para as empresas brasileiras que buscam financiadores globais e precisam competir com startups americanas que saem “de US$ 500 mil para US$ 100 milhões em receita em questão de meses”.
Apesar dos desafios, Vieira enxerga potencial para que negócios disruptivos despontem também no Brasil.
“A Stripe, por exemplo, foi lançada anos depois e hoje se fala muito mais dela do que de PayPal. Talvez uma ‘Stripe brasileira’ esteja bem posicionada no futuro para competir com as americanas”, disse.
Por enquanto, o protagonismo do desenvolvimento em IA tem estado nas mãos do setor financeiro.
Instituições como Itaú, Nubank, Banco do Brasil e Mercado Livre buscam soluções internas sofisticadas de tecnologia, em contraste com a postura mais cautelosa dos grandes bancos americanos.
“Em um final de semana, o Itaú realizou um teste que apresentou desempenho 40% superior ao modelo original. Em uma empresa desse tamanho, é um retorno gigantesco”, afirmou.
“As empresas financeiras brasileiras são compradores extremamente sofisticados [de IA]. Existem muitas boas soluções sendo desenvolvidas, mas ainda se fala pouco sobre isso”.
Henrique Ferreira, sócio da DGF Investimentos – fundo com 25 anos de atuação em tecnologia –, aponta vantagens estruturais do país na frente de energia.
A regulação do setor elétrico e a disponibilidade de energia renovável posicionam o Brasil como candidato a abrigar infraestrutura de computação, um dos principais gargalos do desenvolvimento da IA.
“Na camada de modelos fundacionais, a gente pode desenvolver um papel bastante estratégico em energia”, disse no painel.
Thiago Kapulskis, sócio e gestor do fundo global de tecnologia da São Pedro Capital, Camila Vieira, sócia e diretora para o Brasil da gestora global QED Investors, e Henrique Ferreira, sócio da DGF Investimentos durante o Fórum The AI Economy Brazil, realizado pela Sólides em parceria com a Bloomberg Línea (Foto: Bloomberg Línea)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
O mercado de condomínios logísticos em São Paulo, maior polo do país, registra um contexto de escassez severa, o que pode redefinir o horizonte para o setor neste ano.
Segundo dados da CBRE, 58% do estoque previsto em desenvolvimento para entrega em 2026 já está pré-locado, refletindo a intensidade da demanda.
“A escassez já é uma realidade. Claramente faltam opções”, disse o diretor de industrial & logística da CBRE Brasil, Rodrigo Couto, em entrevista à Bloomberg Línea.
O volume de construções sob medida (nicho conhecido como BTS, na sigla em inglês) também aumentou consideravelmente, relata o executivo.
No primeiro trimestre, a absorção bruta de galpões logísticos no mercado brasileiro somou 1,1 milhão de metros quadrados, alta de 83% em relação ao mesmo período de 2025. Já a absorção líquida cresceu 358% na mesma base, para 562 mil m².
As ações de tecnologia lideram a queda dos mercados acionários nesta terça-feira (28), pressionadas por novas dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial, enquanto o petróleo Brent avança acima de US$ 110 o barril diante do fechamento do Estreito de Ormuz.ㅤ
- Eleições 2026. Os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro em um eventual segundo turno, com 47,5% e 47,8% das intenções de voto, respectivamente, segundo pesquisa da AtlasIntel divulgada nesta terça.ㅤ
- Guerra no Oriente Médio. O presidente americano, Donald Trump, reuniu sua equipe de segurança nacional para discutir a proposta do Irã de pôr fim a guerra. Trump tratará do assunto “muito em breve”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, aos repórteres na segunda-feira.ㅤ
- BP supera projeções. O lucro da companhia no 1º trimestre foi impulsionado pela volatilidade dos preços de energia e ganhos fortes no trading de petróleo diante da guerra no Oriente Médio. Apesar do resultado, a empresa enfrenta preocupações com o aumento da dívida, que subiu para US$ 25,3 bilhões.
O mercado de condomínios logísticos em São Paulo, maior polo do país, registra um contexto de escassez severa, o que pode redefinir o horizonte para o setor neste ano.
Segundo dados da CBRE, 58% do estoque previsto em desenvolvimento para entrega em 2026 já está pré-locado, refletindo a intensidade da demanda.
“A escassez já é uma realidade. Claramente faltam opções”, disse o diretor de industrial & logística da CBRE Brasil, Rodrigo Couto, em entrevista à Bloomberg Línea.
O volume de construções sob medida (nicho conhecido como BTS, na sigla em inglês) também aumentou consideravelmente, relata o executivo.
No primeiro trimestre, a absorção bruta de galpões logísticos no mercado brasileiro somou 1,1 milhão de metros quadrados, alta de 83% em relação ao mesmo período de 2025. Já a absorção líquida cresceu 358% na mesma base, para 562 mil m².
“A alta de preços e da demanda motiva novas incorporações. Mas o único aspecto que limita um crescimento mais forte é o custo do capital”, diz Couto.
Ele relata que o financiamento está mais caro e restrito, embora haja a expectativa no mercado de um primeiro movimento de redução da taxa de juros, o que deve acelerar a produção de galpões.
O executivo acrescenta, no entanto, que todos os estados têm perspectivas de crescimento, apesar do fator limitante do custo de capital.
Principais polos
Do ponto de vista de ocupação, o mercado apresenta sinais de forte pressão da demanda em relação à oferta. A taxa de vacância no eixo de São Paulo ficou em aproximadamente 7% no trimestre, aponta a CBRE, indicando redução dos espaços ociosos e maior absorção do estoque disponível.
Municípios como Barueri, próximo a São Paulo, operam com apenas 2% de disponibilidade. Já em Minas Gerais, a vacância está em torno de 5,8% e, no Rio de Janeiro, próximo de 12%.
O eixo de São Paulo segue como o principal motor do crescimento do setor. No primeiro trimestre, foram entregues aproximadamente 269 mil m² de novos estoques em um raio de até 120 quilômetros da capital, mantendo o ritmo de expansão observado ao longo do último ano.
O destaque ficou para a concentração geográfica da oferta e da demanda: cerca de 96% das novas entregas ocorreram no raio de até 30 quilômetros da cidade de São Paulo, que por sua vez concentrou 62% de toda a absorção bruta no período.
Cajamar, Guarulhos, Barueri e Jundiaí seguem como os principais polos logísticos do país. Os dois últimos reforçam sua relevância como alternativas estruturadas, aponta a CBRE, e regiões como Araçariguama, Atibaia e Campinas ganham espaço como mercados complementares.
Os valores de locação refletem a concentração geográfica. Áreas mais próximas à capital paulista têm patamares mais elevados, com preços que podem chegar a R$ 50 por m².
Já regiões intermediárias, como Cajamar e Barueri, apresentam faixas entre R$ 26 e R$ 42 por m², enquanto localidades um pouco mais distantes como Campinas, Sorocaba e a região do Vale do Paraíba operam entre R$ 22 e R$ 27por m².
Os preços dos aluguéis estão subindo consistentemente há cerca de três anos, com aumento médio real de 5% a 10% ao ano, aponta a CBRE. O desequilíbrio entre novo estoque e aumento da demanda tem reduzido a taxa de vacância de 1% a 2% ao ano, colocando ainda mais pressão no acréscimo de preços. A expectativa para 2026 é de alta leve nos preços gerais.
O e-commerce continua sendo um dos principais vetores de absorção dos estoques de galpões logísticos, segundo a consultoria, impulsionando a busca por ativos mais bem localizados e preparados para operações mais complexas.
Couto cita como exemplo de forte demanda o que ocorreu em Guarulhos, onde uma única empresa de e-commerce ocupou 400 mil m² de uma só vez, zerando o estoque na região.
O especialista acrescenta que as empresas que tiverem que adiar a decisão de investir em um centro de distribuição podem ter que esperar um a dois anos para ocupar novos estoques ou mesmo mudar de região.
Operadores logísticos, e-commerce e indústria responderam por cerca de 70% da absorção bruta no primeiro trimestre, o que consolida estes setores na liderança da demanda por galpões e condomínios.
No primeiro trimestre, a absorção bruta de galpões logísticos no mercado brasileiro somou 1,1 milhão de metros quadrados, alta de 83% em relação ao mesmo período de 2025 (Foto: David Peinado/Bloomberg)
As projeções do mercado para o desempenho da Vale (VALE3) no primeiro trimestre do ano apontam para um avanço dos principais indicadores, em meio a volumes maiores de produção e preços mais altos de metais básicos, segundo relatórios do J.P. Morgan, Citi e Santander.
A divulgação do desempenho financeiro da companhia está programada para esta terça-feira (28), após o fechamento do mercado.
No geral, o mercado prevê um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de aproximadamente US$ 4 bilhões para a mineradora de janeiro a março, refletindo a força operacional e o ambiente de preços mais favorável para commodities. No mesmo período do ano passado, a companhia registrou um Ebitda ajustado de US$ 3,1 bilhões.
O Citi projeta um lucro líquido para a Vale de US$ 2 bilhões no primeiro trimestre. Em igual intervalo do ano passado, a companhia lucrou US$ 1,39 bilhão.
Já a receita líquida deve ficar na faixa de US$ 10 bilhões no trimestre, segundo o banco.
No último dia 16, a mineradora informou que o desempenho no primeiro trimestre foi marcado por “forte produção e vendas, com múltiplos ativos atingindo seus maiores níveis de produção”.
No minério de ferro, o ramp-up de novos ativos sustentou o crescimento consistente da produção. As vendas alcançaram o maior nível para um primeiro trimestre desde 2018.
Em metais básicos, a produção atingiu crescimento expressivo, com o cobre atingindo sua melhor produção de primeiro trimestre desde 2017 e, o níquel, desde 2020.
Os resultados operacionais superaram as expectativas do mercado, sinalizando uma trajetória de recuperação nos principais indicadores financeiros.
Para os analistas do Citi, esses resultados representam um início de ano “promissor, especialmente para os metais básicos”. Embora a sazonalidade mais fraca do primeiro trimestre tenha pressionado a divisão de ferrosos, a força da unidade de metais básicos e as maiores receitas de subprodutos compensaram esses efeitos, o que deve trazer crescimento no período.
Os números esperados para o trimestre sugerem ainda que a Vale pode surpreender positivamente nos próximos trimestres.
O Santander Brasil (SANB11)decidiu apostar em um novo programa de relacionamento, em uma iniciativa do banco que busca reforçar sua estratégia para a alta renda.
Apresentado nesta nesta segunda-feira (27), o Santander Rewards começa a ser disponibilizado gradualmente no mês de maio e propõe uma jornada de “gamificação” na relação bancária, que recompensa o grau de relacionamento do cliente com o banco.
O programa vai incrementar o acúmulo de pontos Esfera, plataforma de recompensas. Os clientes que concentram mais produtos e serviços no Santander – como uso de cartão de crédito, recebimento de salário, investimentos, débito automático e compartilhamento de dados via Open Finance – poderão acumular até 50% mais pontos do que na pontuação base.
O foco está nos clientes do Santander Select, segmento de alta renda do banco. Esse público ganhou protagonismo não apenas na estratégia do Santander, mas em todo o sistema financeiro, especialmente após a alta da inadimplência entre consumidores de menor renda no pós-pandemia.
Diante desse cenário, os bancos intensificaram a disputa pela alta renda, reforçando programas de benefícios e propostas de valor para atrair e fidelizar essa base. Segundo Geraldo Rodrigues Neto, diretor do segmento de pessoa física do Santander, a instituição ainda carecia de uma oferta mais estruturada para esse público, apesar de já perseguir esse objetivo há alguns anos.
“A percepção de valor e de benefício que entregávamos ao nosso cliente era inferior ao que é oferecido por alguns dos nossos concorrentes. É o momento de virar essa página e repensar a maneira como a gente constrói valor em relação a todos os nossos clientes”, afirmou o executivo durante evento de lançamento do programa.
Gustavo Santos, responsável por cartões e conta corrente de pessoa física no banco, reconheceu que o mercado de benefícios caminhou para uma lógica de commodity nos últimos anos, com bancos copiando uns aos outros em termos de salas VIP, programas de pontos e coberturas de seguro.
A proposta do Rewards, segundo ele, é sair dessa disputa por benefícios pontuais e entrar no dia a dia do cliente.
“Benefício não é só sobre uma sala VIP no momento em que se viaja. É sobre uma rotina de benefícios que a gente dá todos os dias”, disse.
A adesão ao programa é gratuita e feita pelo aplicativo. Ao entrar, o cliente descobre em qual nível já se enquadra com base em seu histórico de relacionamento do mês anterior — parte da base deve ingressar diretamente em níveis mais altos.
O Santander Rewards organiza os clientes em quatro níveis, calculados mensalmente a partir de comportamentos financeiros traduzidos em “passos”. Quem atingir o nível máximo poderá chegar a 5,25 pontos por dólar gasto no cartão Unique ou no Unlimited Prime – partindo de uma base de 1,5 pontos por dólar para o cartão Elite.
Plataforma global e integração digital
O Santander Rewards integra uma estratégia global do Grupo Santander, lançada simultaneamente no Brasil, Espanha, Chile e México.
As versões variam: os mercados latinos apostam mais nos programas de fidelidade, enquanto a matriz europeia irá explorar modelos de assinatura inspirados em plataformas como a inglesa Revolut.
“Não obrigatoriamente com programas que são iguais, mas que têm um objetivo claro de convergência no médio prazo”, afirmou Rodrigues Neto.
A expectativa é que o modelo seja implementado globalmente em todos os países onde o Santander tem atuação ao longo de 2027.
O banco também sinalizou que o programa evoluirá além dos pontos. A lógica dos níveis deverá ser aplicada futuramente a taxas de crédito imobiliário, acesso a experiências exclusivas – como ingressos para shows e espaços na Fórmula 1, territórios escolhidos pelo banco para fortalecer a marca nos segmentos premium.
A plataforma Esfera, hoje em ambiente separado, será integrada ao aplicativo principal do Santander ao longo dos próximos meses.
O banco também usará dados de Open Finance e informações do Banco Central para personalizar as conversas sobre evolução de nível, permitindo que gerentes e canais digitais indiquem ao cliente o que falta para avançar na classificação.
Atual sede do Santander Brasil em São Paulo, no Complexo JK: banco anunciou programa de relacionamento com aceleração de pontos. (Foto: Divulgação/Santander Brasil)
A JHSF Participações (JHSF3) anunciou a aquisição da Embassair, operadora que atua no Opa-Locka Executive Airport, em Miami, em um movimento de expansão na aviação executiva internacional da comandada pela família Auriemo Neto.
O aeroporto é o principal terminal de aviação executiva da Flórida e fica localizado a cerca de 30 minutos de Downtown Miami, segundo comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta segunda-feira (27).
A Embassair atua como uma operadora de base fixa ou FBO (Fixed Base Operator), dando apoio aos serviços de abastecimento de combustível, serviços aeronáuticos e atendimento a passageiros, além de hangaragem com potencial de expansão, em uma operação que funciona 24 horas por dia.
O Opa-Locka está entre os principais destinos internacionais decolados a partir do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo, em São Roque, criando um eixo Brasil–EUA em uma das rotas mais movimentadas da aviação executiva global.
“Miami é um dos principais destinos do nosso cliente”, escreveu o CEO Augusto Martins em publicação no LinkedIn ao detalhar a operação.
Segundo ele, a aquisição “nasce de uma leitura clara e consistente do comportamento” do público de alta renda atendido pelo grupo e reforça a vertical de renda recorrente, pilar que vem ganhando peso na estratégia da companhia, que possui R$ 18,6 bilhões em ativos totais.
A operação foi viabilizada por meio de um veículo internacional, o JHSF Capital FBOs Fund LP, estruturado e gerido pela JHSF Capital, gestora do grupo, que passa a ter a companhia como cotista majoritária.
A JHSF Capital administra hoje 19 fundos e cerca de R$ 11,2 bilhões em ativos sob gestão, segundo o comunicado ao mercado divulgado pela companhia.
‘Triângulo do luxo’
A operação reflete uma consolidação que o setor de aviação executiva tem batizado de “triângulo do luxo”, a tríade formada por jatinhos, iates e carros de alto padrão que sintetiza o consumo de indivíduos ultra high net worth.
Na ocasião, a companhia justificou a entrada no mercado náutico citando estudo da Bain & Company segundo o qual o segmento de iates e jatos foi o que mais cresceu no mercado global de alta renda em 2024, com expansão de 13% em relação a 2023.
O mercado mundial de fretamento e serviços náuticos é estimado em US$ 12,4 bilhões, com expectativa de atingir US$ 22,7 bilhões em 2034, segundo a Global Market Insights.
Com a Embassair e a BYS, a JHSF passa a oferecer aos seus clientes dois dos três vértices do “triângulo do luxo” dentro de casa (aviação executiva e mobilidade marítima) somados ao varejo de luxo do Shopping Cidade Jardim, à hospitalidade Fasano, aos clubes (incluindo o São Paulo Surf Club), à curadoria imobiliária no Boa Vista e à gestão de ativos.
A aposta da JHSF também dialoga com outros negócios recentes do grupo, como a compra do antigo Conrad de Punta del Este por US$ 160 milhões e o anúncio do JHSF Fasano Sardegna, na Itália, primeiro empreendimento do conceito integrado da companhia fora do Brasil.
Internamente, o grupo ainda discute a possibilidade de operar voos comerciais regulares no Catarina, tema sob análise no Ministério de Portos e Aeroportos.
A JHSF não está sozinha na disputa pelo share of wallet da mobilidade aérea dos ricos no Brasil. O Terminal BTG Pactual, em Guarulhos, completou recentemente seu primeiro ano de operação com demanda acima do projetado, como mostrou reportagem recente da Bloomberg Línea.
O público se sobrepõe ao da JHSF: passageiros que chegam a Guarulhos em jatinhos buscam se conectar a voos de longa distância em primeira classe ou executiva.
O Nubank (NU) destinará cerca de R$ 45 bilhões ao mercado brasileiro ao longo de 2026 – volume duas vezes maior do que era investido no país há dois anos, de acordo com anúncio feito pela fintech nesta segunda-feira (27).
O Brasil é a maior operação da Nu Holdings, com 87% dos 130 milhões de clientes do grupo, que atua também no México e na Colômbia.
A fintech anunciou que os recursos serão divididos em quatro frentes: desenvolvimento de plataformas de crédito com inteligência artificial, lançamento de novos produtos, expansão de escritórios e equipes pelo país e reforço da base de capital.
O Nubank não detalhou o montante destinado a cada frente, mas o banco digital já havia anunciado, em janeiro deste ano, um investimento de R$ 2,5 bilhões ao longo de cinco anos em escritórios para ampliar a capacidade do trabalho presencial.
“Estamos chegando aos 13 anos de operação no Brasil como a maior instituição financeira privada em número de clientes, com escala para continuar transformando o mercado e responsabilidade para fazê-lo de forma sustentável”, disse Livia Chanes, CEO do Nubank Brasil, em nota.
A companhia também trabalha para obter uma licença bancária no Brasil ainda em 2026 e ingressou na Febraban no mês passado, segundo a CEO.
Expansão física e fim do trabalho remoto
A fatia destinada à infraestrutura de escritórios acompanha uma mudança no modelo de trabalho da fintech.
Em novembro de 2025, o Nubank anunciou um novo modelo híbrido de trabalho, que entra em vigor em julho de 2026 e prevê que cerca de 70% dos funcionários passem a comparecer ao escritório dois dias por semana.
Para acomodar esse retorno ao presencial, dois novos prédios serão ocupados no bairro de Pinheiros, em São Paulo. O Capote 210, edifício de 20 andares, abrirá a partir de abril deste ano como espaço de inovação, com um Research Lab voltado à cocriação de produtos com clientes.
A partir de 2027, o Cyrela Corporate, na Rua Oscar Freire, projetado pelo estúdio italiano Pininfarina, receberá os funcionários em 35 mil m² com capacidade para mais de 3 mil pessoas.
Com as duas adições, o bairro concentrará quatro endereços da empresa e mais de 5.700 estações de trabalho — mais de cinco vezes a capacidade atual na região.
Fora da capital paulista, serão inaugurados espaços em Campinas, no Bresco Viracopos, com 9.150 m², no Rio de Janeiro, com 6.870 m² em cinco andares do Vista Mauá, e em Belo Horizonte, com local ainda a ser definido, todos até o segundo semestre de 2026.
Companhia não detalhou o montante destinado a cada frente, mas o banco já havia anunciado, em janeiro deste ano, um investimento de R$ 2,5 bilhões ao longo de cinco anos em escritórios
A Segura, startup brasileira que desenvolve infraestrutura de inteligência artificial (IA) para o setor de seguros, atraiu dois gigantes de capital de risco, a Andreessen Horowitz (a16z) e a Kaszek, em uma rodada seed de R$ 45 milhões.
A aporte, anunciado nesta segunda-feira (27), também contou com a participação da Big_Bets.
A insurtech foi fundada por um trio de engenheiros formados pela PUC-Rio. Após um período na Akad Seguros, da GP Investimentos, Pedro Nobrega, Luis Alberto (Bebeto) Nogueira e Lucca Buffara perceberam que a tecnologia no setor de seguros funciona bem da porta para dentro, mas havia espaço para criar uma ponte da “porta para fora” com os corretores.
Diferente de insurtechs que tentaram eliminar o intermediário, a Segura foi estruturada com a convicção de que o corretor é essencial. “O seguro é um produto de confiança. Você quer comprar de alguém que conhece e confia. O corretor vai continuar existindo com IA e vai ser mais importante do que nunca, assim como em outras indústrias”, afirma Luís Alberto Nogueira, CEO e cofundador da Segura, também conhecido como Bebeto.
Atualmente, o mercado brasileiro conta com cerca de 164 mil corretores licenciados, responsáveis por mais de 80% das vendas do setor. Com operação iniciada em março de 2025, a Segura atende cerca de 3.000 corretores e projeta chegar a 10.000 até o final de 2026.
O ecossistema da startup gira em torno da Helena, uma assistente inteligente que automatiza processos que antes levavam horas ou dias. A partir da interação entre os corretores e as seguradoras, a tecnologia permite acesso a informações técnicas de apólices, condições gerais e históricos de interações e que o corretor possa emitir segundas vias de boleto, fazer endossos e cotações complexas via IA.
O mais novo produto da insurtech é o “Conversas”, lançado nas últimas semanas para fechar o tripé da relação. Com um modelo de ‘concierge digital’ do corretor, ele atende as demandas dos clientes finais junto às seguradoras.
Os produtos são integrados ao WhatsApp e a startup integra o WhatsApp AI Startups Hub, programa da Meta que reúne startups brasileiras com aplicações de inteligência artificial.
No modelo de negócio, a ferramenta é gratuita para os corretores. A monetização da Segura vem das seguradoras, que pagam pela volumetria dos processos. A startup não abre números de faturamento nem a projeção de crescimento para este ano.
Segundo Bebeto, a tecnologia “reduz muito” o custo operacional das seguradoras para gerir milhares de parceiros. O CEO, porém, não informou quais os percentuais médios de ganhos. Entre os clientes da plataforma, estão empresas como Bradesco Seguros, Youse e Icatu.
Com o novo aporte, a estratégia dos fundadores é investir em recrutamento de profissionais de AI para aprimorar a tecnologia. “Para construir isso, você precisa de um time ‘faixa preta’ em IA. Não é qualquer engenheiro. Precisamos de pessoas que entendam de infraestrutura, modelos, otimização”, diz o CEO, que tem ido em busca de brasileiros que estão hoje em universidades americanas.
Segundo Bebeto, o domínio técnico e o efeito o efeito de rede gerado com integração com o ecossistema funcionam o “moat” da startup, a barreira para se defender contra a rápida evolução tecnológica e novos entrantes.
“Nós temos um domínio informação que é muito complexo e estamos construindo isso com milhares de corretores e com as seguradoras. É bem difícil alguém se propor a fazer isso se não for um grupo muito faixa preta”, afirma.
A rodada de investimentos ainda reuniu investidores anjo como Assaf Wand (fundador da Hippo), Marcelo Blay (fundador da Minuto Seguros), Fersen Lambranho (Chairman da GP Investimentos), Anderson Thees (managing partner da Redpoint Eventures), a família Almeida Braga (controladora da Icatu) e empreendedores como Larissa Maranhão (Brex), Mário Augusto Sá (NG Cash) e Lucas Lameiras (Fanatic).
Vista de São Paulo: O ecossistema da startup gira em torno da Helena, uma assistente inteligente que automatiza processos entre corretoras e corretores que antes levavam horas ou dias. . (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
A transferência da operação industrial que a Whirlpool mantinha na Argentina para sua fábrica em Rio Claro, no interior de São Paulo, ocorre em um momento de ampliação do poderio fabril da dona da Brastemp e Consul no Brasil e abre espaço para aumentar as exportações à nação vizinha a partir do Brasil.ㅤ
O conselho de administração da companhia aprovou a internalização da produção antes realizada na planta de Pilar, a 54 quilômetros de Buenos Aires, segundo comunicado ao mercado divulgado na última segunda-feira (20).ㅤ
Em recente entrevista à Bloomberg Línea, concedida antes da divulgação da decisão do conselho, Gustavo Ambar, diretor-geral da Whirlpool no Brasil e VP para América Latina, disse que mudança tem consequências diretas para a operação brasileira.ㅤ
“A oportunidade de exportar para a Argentina aumenta gritantemente”, afirmou o executivo.
Os futuros das ações dos EUA operam perto da estabilidade nesta segunda-feira (27), mas se mantêm próximas de uma máxima histórica, com o otimismo de investidores de que Estados Unidos e Irã podem fechar um acordo para restaurar os fluxos de petróleo no Oriente Médio.
- China bloqueia compra da Manus. A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma bloqueou a compra de US$ 2 bilhões da startup Manus pela Meta, e citou regras e preocupações com transferência de tecnologia sensível aos EUA. A decisão foi tomada às vésperas de encontro entre Trump e Xi Jinping.ㅤ
- Segurança de Trump. Após o tiroteio no jantar de correspondentes no fim de semana, o presidente americano reforçou a necessidade de construir um salão de baile de US$ 400 milhões na Casa Branca por razões de segurança. No fim de março, um juiz federal suspendeu a construção do salão.ㅤ
- Novo patamar para o petróleo? O Goldman Sachs elevou suas projeções para o petróleo, com o Brent no patamar de US$ 90 por barril no 4º trimestre, impulsionado por quedas “extremas” nos estoques após o fechamento do Estreito de Ormuz. A guerra no Irã reduziu drasticamente a oferta global do combustível.
A transferência da operação industrial que a Whirlpool mantinha na Argentina para sua fábrica em Rio Claro, no interior de São Paulo, ocorre em um momento de ampliação do poderio fabril da dona da Brastemp e Consul no Brasil e abre espaço para aumentar as exportações à nação vizinha a partir do Brasil.
O conselho de administração da companhia aprovou a internalização da produção antes realizada na planta de Pilar, a 54 quilômetros de Buenos Aires, segundo comunicado ao mercado divulgado na última segunda-feira (20).
Em recente entrevista à Bloomberg Línea, Gustavo Ambar, diretor-geral da Whirlpool no Brasil e VP para América Latina, disse que mudança tem duas consequências diretas para a operação brasileira.
A primeira é o ganho de escala industrial no país, com a absorção de linhas que antes eram fabricadas fora. A segunda é comercial: a planta argentina produzia máquinas de lavar do tipo front load (abertura frontal), padrão mais próximo do europeu, produto que passa a ser fabricado no Brasil para abastecer o mercado vizinho.
“Na Argentina tem um mercado mais parecido com o europeu. Lá vende mais front load que top load [abertura superior], que é esse produto que a gente estava fazendo lá na Argentina. Agora a gente vai produzir aqui", afirmou Ambar.
Como parte da operação, a Whirlpool adquiriu os ativos industriais e bens operacionais da Whirlpool Argentina por US$ 36,7 milhões (cerca de R$ 194 milhões), em transação com parte relacionada avaliada por laudo independente.
A aquisição foi aprovada por unanimidade pelo conselho em 22 de dezembro e concretizada em 23 de janeiro de 2026.
A escolha de Rio Claro reforça o status da unidade paulista como principal polo de manufatura avançada da companhia. A Whirlpool mantém outras duas fábricas no país: Joinville (SC), centro global da operação de refrigeração, e Manaus (AM), voltada a condicionadores de ar e micro-ondas.
Hoje, a única exportação regular da companhia à Argentina é de refrigeradores produzidos em Joinville, fluxo que o próprio Ambar classifica como “marginal”.
Rio Claro é também onde a Whirlpool inaugurou, no fim de 2025, a chamada Fábrica do Futuro, primeiro hub de manufatura avançada da rede global do grupo, com meta de elevar em 50% a produtividade das unidades brasileiras nos próximos quatro a cinco anos.
A Whirlpool afirma que a implementação observará um cronograma de transição, com adaptação e instalação dos equipamentos em Rio Claro e ajustes operacionais e logísticos.
A companhia reforça que o abastecimento do mercado argentino será mantido, agora por meio de produtos fabricados em diferentes unidades do grupo e distribuídos pela Whirlpool AR.
O movimento ocorre em um momento em que a abertura comercial promovida pelo governo argentino nos últimos dois anos vem reformatando as rotas de fornecimento da indústria de linha branca na região.
“A oportunidade de exportar para a Argentina aumenta gritantemente”, afirmou o diretor-geral.
Brasil vira prioridade global
A decisão sobre a Argentina se insere em um rearranjo mais amplo da Whirlpool Corporation, que desinvestiu da operação europeia e tem concentrado capital nas Américas.
Para o Brasil, segundo Ambar, isso se traduz em duas forças que puxam em direções opostas: mais pressão por resultado e, ao mesmo tempo, mais espaço para investir.
“A nossa operação se torna mais importante, então a pressão aumenta. O outro lado da moeda é que a gente acaba angariando talvez mais força para investimento”, disse.
Whirlpool tem como referência histórica investir entre 3% e 4% do faturamento em inovação, melhorias fabris e projetos de redução de custo no Brasil.
Em 2025, esse percentual subiu para a faixa de 4% a 5%, em valores absolutos que superaram R$ 500 milhões ante cerca de R$ 400 milhões em 2023 e 2024. Para 2026, a expectativa é “ficar pelo menos em linha” com o desembolso do ano passado, afirmou o executivo.
A operação brasileira é a segunda maior da companhia no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e concentra mais de 95% dos produtos vendidos no país sob as marcas Brastemp, Consul e KitchenAid.
Dentro desse arranjo, o Brasil também voltou a ocupar papel central como gerador de caixa para a matriz. “Se você olhar o balanço histórico global, a recomposição de caixa que o Brasil fez sempre foi superior ao que o Brasil representa tanto na receita como no lucro líquido”, disse Ambar.
A combinação entre a geração de caixa local, a taxa de juros brasileira e os desafios da economia americana, incluindo as recentes decisões tarifárias, levou a companhia a elevar as remessas de recursos à matriz em 2025.
Escolhas mais radicais
Se os investimentos avançam, o cenário de juros segue como o principal vetor de pressão sobre as margens. Com a Selic em 14,75% ao ano, o resultado financeiro continua pesando no balanço, e o diretor-geral afirma que a empresa opera sob a lógica de que o ambiente não depende da companhia e por isso exige disciplina redobrada.
“Isso nos obriga a ser ainda mais diligentes, ainda mais radicais nas nossas escolhas, porque é algo que a gente não controla plenamente”, disse Ambar.
“Como é que a gente fica mais leve? Como é que a gente torna o produto Consul mais acessível? Como é que a gente faz o Brastemp mais diferenciado para gerar mais valor?”, afirma.
A pressão se estende aos canais. Com a Selic em patamar elevado, a Whirlpool vem ampliando o suporte aos varejistas, que, segundo o executivo, em média pagam fornecedores antes de receberem do consumidor final. O ajuste também se reflete no balanço, com avanço das contas a receber em ritmo superior ao das vendas.
Para 2026, Ambar projeta um quarto ano consecutivo de crescimento do setor, sustentado pela expectativa de afrouxamento monetário no segundo semestre.
“Até julho, agosto, segue otimismo”, disse. A principal preocupação, afirma, é nova em relação a 2025: a combinação de volatilidade eleitoral no Brasil com a guerra e a pressão sobre o preço do petróleo no cenário global.
Modelos top load (abertura superior) da Consul, padrão dominante no Brasil: Rio Claro passa a produzir também front load (abertura frontal) para abastecer a Argentina. (Foto: Divulgação/Whirlpool)
Em 1996, dois anos depois de a Colômbia ter sido eliminada prematuramente da Copa do Mundo de futebol nos Estados Unidos, apesar de ser uma das seleções favoritas, Carlos “El Pibe” Valderrama foi apresentado como jogador do Tampa Bay Mutiny, da recém-criada Major League Soccer (MLS).
A contratação dele, juntamente com a de outros jogadores latino-americanos na primeira temporada da história da MLS, tinha um objetivo: impulsionar o crescimento dessa liga, atraindo o público de língua espanhola nos Estados Unidos.
“O público de língua espanhola foi muito importante porque sabíamos que já havia paixão pelo esporte e pelo futebol nessa comunidade; por isso, contratamos jogadores de renome, como Valderrama, colocando-os para jogar em cidades importantes como Miami”, afirma o vice-presidente executivo e diretor de Negócios da MLS, Camilo Durana, em entrevista à Bloomberg Línea.
As contratações do mexicano Jorge Campos e do salvadorenho Mauricio Cienfuegos, pelo Los Angeles Galaxy; do colombiano Leonel Álvarez, pelo Dallas Burn; e do boliviano Marco ‘El Diablo’ Etcheverry, pelo D.C. United, também fizeram parte dessa aposta.
Naquela época, a MLS contava com dez times que disputavam partidas em estádios de futebol americano com pouca audiência, já que esse é o esporte mais popular nos Estados Unidos.
“A estratégia era levar jogadores de futebol famosos para comunidades onde sabíamos que havia pessoas originárias de seus países”, acrescenta Durana. E funcionou: em grande parte, a liga cresceu graças a isso.
Três décadas depois, a MLS conta com 30 clubes dos Estados Unidos e do Canadá, 27 dos quais possuem estádio próprio, após um investimento que ultrapassa US$ 11 bilhões. Além disso, a liga conta com jogadores de 78 países, sendo a liga mais diversificada do mundo.
Os latino-americanos, é claro, continuam sendo protagonistas dentro e fora de campo, com nomes de destaque como Lionel Messi, Luis Suárez e James Rodríguez.
Apenas Messi ganha entre US$ 70 e US$ 80 milhões por ano no Inter de Miami, revelou recentemente o proprietário do time, Jorge Mas. Mas seu talento e o marketing em torno dele valem a pena: aos 38 anos, ele ajudou o clube a conquistar pela primeira vez a MLS Cup e se tornou o jogador com as camisetas mais vendidas da liga por três anos consecutivos até 2025.
“Os países mais representados em nossa liga, entre os 78 que têm jogadores na MLS, são os Estados Unidos e o Canadá, mas também a Argentina, o Brasil, o México e a Colômbia”, diz Durana. “Crescer na América Latina é nossa prioridade”.
Um fator fundamental para o crescimento da MLS tem sido a criação de clubes e identidades que reflitam a comunidade, na qual o público de língua espanhola não poderia ficar de fora.
“A distribuição da população hispânica varia muito dependendo da cidade: em Los Angeles, por exemplo, representa quase 50% da população, e tanto em Dallas quanto em Houston a situação é muito semelhante”, comenta Durana. “Se você for aos estádios em Los Angeles, ouve-se muito espanhol, enquanto em cidades como Minnesota, onde James foi contratado, a população hispânica é menor; então, jogadores como ele dão ao clube a oportunidade de se aproximar e estabelecer mais contato com essa comunidade”.
Concorrência com a Premier League
Há uma década, com contratações de peso como a do brasileiro Hulk, do argentino Carlos Tévez e do colombiano Jackson Martínez, o futebol chinês parecia estar se posicionando no cenário internacional, mas não conseguiu.
Por outro lado, a MLS começou a atrair não apenas jogadores latino-americanos, mas também de outras partes do mundo, como comprovam o atacante sul-coreano Son Heung-min e o goleiro francês Hugo Lloris. Em breve, Antoine Griezmann, o maior artilheiro da história do Atlético de Madrid, também chegará para se juntar ao Orlando City SC.
Durana aprofunda-se no segredo do crescimento e do sucesso da MLS: “Tudo começa com um grupo de proprietários comprometidos com a liga a longo prazo, não com o objetivo de obter um retorno financeiro imediato, mas sim de torná-la sustentável. Temos proprietários com muitos recursos, que poderiam gastar mais com jogadores, mas a ideia é que o negócio sustente esses investimentos; por isso, nos dedicamos a construir estádios que nos ajudem a sustentar o negócio e a vender patrocínios”.
O dirigente destaca que a MLS continua focada no mercado interno, sem deixar de lado sua internacionalização.
Os jogos da liga são assistidos sem restrições em mais de 100 países graças a um acordo de transmissão com a Apple TV; no entanto, a produção televisiva de todas as partidas é centralizada pela MLS, seguindo o exemplo da Premier League, o que garante maior “controle” e “qualidade” no conteúdo oferecido ao público.
A MLS também alterará seu calendário em 2027, alinhando-o com o futebol internacional e permitindo que a liga participe das principais janelas de transferências, um aspecto fundamental para continuar atraindo superestrelas e exportando jovens talentos.
Durana afirma que a MLS pretende competir com a Premier League, mas sem definir um prazo: “Não nos colocamos esse tipo de pressão; fazemos tudo na hora certa, para não colocar em risco o futuro da liga”.
A MLS, que surgiu como uma exigência da FIFA para que os Estados Unidos pudessem sediar a Copa do Mundo de 1994, disponibilizará 13 sedes da Copa do Mundo e mais de 15 centros de treinamento para a edição de 2026. Além disso, espera que 40 de seus jogadores representem suas seleções.
Durana prevê que a Copa do Mundo traga mais “energia” e “impulso” à MLS, abrindo novas oportunidades de negócios.
“Se conseguirmos aumentar a base de fãs, isso impulsiona o negócio e nos permite justificar mais investimentos, além de atrair mais jogadores que decidam escolher a liga como o próximo passo em suas carreiras. As empresas que investem na Copa do Mundo para aproveitar o interesse no torneio buscarão, posteriormente, outras oportunidades conosco”.
Camilo Durana.
O dirigente, que reconhece o legado da Copa do Mundo de 1994 no lançamento da MLS, acredita que a base, a infraestrutura e o investimento da liga neste momento permitirão que o legado deixado pela edição de 2026 seja “ainda maior”.
Além disso, ele não descarta a possibilidade de a MLS contratar um dos destaques do Mundial: “Temos flexibilidade (...) a figura do ‘jogador-franquia’ nos permite contratar quem quisermos. A cada dia, mais jogadores de alto nível das ligas europeias entram em contato e manifestam interesse em vir para cá em algum momento”.
Do colombiano Carlos ‘El Pibe’ Valderrama a Lionel Messi, campeão da MLS Cup em 2025, os jogadores e torcedores da América Latina têm sido fundamentais para o crescimento da liga. (Foto: Inter de Miami)
Os adultos da geração baby boomer herdarão, globalmente, mais de US$ 84 trilhões nos próximos 20 anos, em uma grande transferência de riqueza que muda o panorama em matéria de consultoria financeira e investimentos para seus beneficiários, de acordo com um relatório da Natixis Investment Managers (Natixis IM).
Com os primeiros dos 1,1 bilhão de baby boomers que completam 80 anos em 2026, o setor de consultoria financeira se prepara para uma transformação, na qual serão os herdeiros que definirão quem administrará o patrimônio que receberão, de acordo com o relatório Great Wealth Transfer.
“A grande transferência de patrimônio representa um desafio fundamental para os consultores, por isso será essencial adaptar-se às preferências dos novos herdeiros”, afirmou Andrew Benton, diretor para o Norte da Europa, Oriente Médio e África da Natixis IM.
À medida que os ativos passam para outras mãos, Andrew Benton explica que será necessário reavaliar os perfis de risco e as preferências de investimento, levando em conta as diferenças na forma como cada um aborda o investimento.
De modo geral, a Natixis explica que os jovens investidores entrevistados demonstram uma clara preferência por determinadas classes de ativos e estruturas de produtos, sobretudo no que diz respeito a ativos privados.
A Natixis IM aponta para um interesse crescente por ativos privados, criptomoedas e investimentos sustentáveis, o que significa que “os consultores deverão ampliar sua perspectiva para além das classes de ativos tradicionais se quiserem manter os ativos e atender à próxima geração de clientes”, observou Benton.
Em geral, os jovens millennials (entre 30 e 45 anos) são considerados os menos conservadores.
De acordo com a pesquisa da Natixis, 75% afirmam querer ter a oportunidade de superar o desempenho do mercado.
Osmillennials demonstram globalmente maior interesse em ativos privados (55%). Além disso, 46% já investem em criptomoedas.
“No que diz respeito aos ETFs de gestão ativa, os millennials já estão receptivos ao conceito, já que 62% afirmam que gostariam que os fundos mútuos de que gostam estivessem disponíveis na forma de ETFs”, explica a Natixis.
Por outro lado, os baby boomers(que terão entre 62 e 80 anos em 2026) são considerados os mais conservadores, com apenas 42% dispostos a assumir riscos para progredir.
De acordo com o relatório, esse grupo é o que demonstra menor interesse em investimentos em ativos privados (29%) e criptomoedas (16%) em todo o mundo. No entanto, 63% afirmam estar dispostos a investir a longo prazo o dinheiro destinado à herança. E 52% temem que os investimentos passivos não sejam suficientes para evitar perdas.
Enquanto isso, os adultos da Geração X (de 46 a 61 anos) estão em um ponto intermediário, com 63% dos investidores considerando a volatilidade como uma oportunidade para gerar riqueza.
55% também acreditam que investir em ativos privados é uma boa forma de gerenciar o risco em suas carteiras.
Além disso, 38% planejam investir mais ou começar a investir em criptomoedas.
Transferência de riqueza na América Latina
No contexto da região, predomina o interesse dos herdeiros por ativos privados, investimentos sustentáveis e criptomoedas como formas de administrar o patrimônio.
Assim, os ativos privados atraem 72% da geração Y e 64% da Geração X da região para investir.
Além disso, o investimento sustentável é predominante entre os jovens.
Na América Latina, 82% dos millennials e 73% da Geração X consideram os investimentos sustentáveis uma excelente alternativa para administrar os ativos que herdaram.
Especificamente, os millennials demonstram o maior interesse na região por investimentos sustentáveis, com 33% afirmando já ter investido, além de outros 49% que demonstram interesse, mas ainda não o fizeram.
O interesse também é grande entre os investidores da Geração X, com 30% já tendo investido e 43% demonstrando interesse.
Entre os baby boomers, o nível de interesse chega a 41%, enquanto o de investimento atual é de apenas 19%.
Os investidores da próxima geração tendem mais a acreditar que os investimentos sustentáveis terão um desempenho superior no longo prazo (65% millennials, 61% da Geração X e 53% dos baby boomers).
No que diz respeito às criptomoedas, a região lidera o uso, com 49% dos millennials já investindo, contra 42% da Geração X que também o faz, com expectativas de aumentar a exposição.
24% dos baby boomers latino-americanos entrevistados também investiram em criptomoedas, uma porcentagem superior à de seus pares de outras regiões.
É provável que os investimentos aumentem, já que 63% dos millennials e 55% da Geração X na América Latina planejavam investir mais ou começar a investir no próximo ano.
José Luis León, líder da Natixis IM na Colômbia e no Peru, afirmou que a diferença entre gerações representa um desafio fundamental para os consultores, uma vez que as diferenças entre os interesses e as experiências dos investidores provavelmente implicarão “restabelecer relações, reajustar a estratégia de investimento e repensar as capacidades de atendimento”.
Em última análise, “os consultores que buscam manter seus clientes devem se concentrar na segmentação”, comentou José Luis León.
“As conversas com os herdeiros da próxima geração terão de ir além dos planos patrimoniais e dos fundos familiares e se adaptar às suas preocupações, perspectivas e, em última análise, às suas preferências em termos de atendimento”, observou ele.
O relatório indica que os baby boomers (66%) são os mais propensos a já ter transferido, ou a planejar transferir, seus ativos para um novo consultor.
Por outro lado, 48% dos investidores da Geração X afirmam que manterão seus ativos onde estão. Os millennials (50%) são os que se mostram mais propensos a fazer isso.
Os homens também são ligeiramente mais propensos a manter o consultor (47%), enquanto 56% das mulheres afirmam que pretendem mudar.
Apenas 8% dos entrevistados afirmam que deixam um consultor financeiro porque ele não administrou bem o dinheiro de seus pais.
Por isso, 76% dos consultores entrevistados afirmam que a melhor estratégia para manter os ativos no contexto da transferência de patrimônio é construir relações de longo prazo com toda a família.
Diante do avanço global da IA, 57% dos millennials e 49% da Geração X afirmam que é mais provável que utilizem aconselhamento automatizado.
De fato, 56% dos millennials acreditam que a consultoria baseada em IA impulsionará significativamente os retornos.
Por outro lado, apenas 34% dos baby boomers demonstram interesse em consultoria automatizada.
“Quando os investidores da próxima geração adotam a IA e a consultoria digital, eles não depositam o mesmo nível de confiança nas máquinas que depositam nos profissionais de investimento de verdade”, explica a Natixis.
Os millennials (90%), a Geração X (91%) e os baby boomers (94%) continuam confiando mais em seus consultores financeiros na hora de tomar decisões.
Os investidores concordam que os aspectos mais importantes de sua relação com os consultores são: receber orientação em planejamento financeiro (47%); ajuda para compreender o investimento (39%); e que eles compreendam suas situações específicas (33%).
De acordo com a metodologia, os resultados relativos aos investidores individuais foram extraídos da Pesquisa Global de Investidores Pessoa Física da Natixis Investment Managers, realizada pela CoreData Research em fevereiro e março de 2025 com 7.050 investidores em 21 países.
Os resultados relativos aos consultores foram extraídos da Pesquisa Global de Consultores Financeiros da Natixis Investment Managers, realizada pela CoreData Research entre junho e agosto de 2024 com 2.700 consultores em 20 países.
Enquanto os millennials são mais arriscados e abertos a novas classes de ativos, os baby boomers são predominantemente conservadores para investir seu patrimônio. (Foto: Gabby Jones/Bloomberg)
A inteligência artificial (IA) industrial promete ser mais abrangente do que os modelos baseados em linguagem natural, fortemente dependentes de idiomas como o inglês. Esta é a visão da diretora global de pesquisa em IA Industrial da Siemens, Olympia Brikis.
Apesar do avanço significativo de modelos criados para interpretar e recriar a linguagem humana, como o ChatGPT, por exemplo, esse tipo de tecnologia ainda apresenta algumas barreiras para determinadas tarefas.
“Quando se trata de engenharia e dados físicos do mundo real, o desafio será menor, porque os padrões que usamos na indústria são universais em todos os idiomas”, disse a executiva em entrevista à Bloomberg Línea.
Brikis é mestre em Ciências da Computação pela Universidade Ludwig-Maximilians, de Munique, na Alemanha, e desde 2015 leciona sobre inteligência artificial, além de atuar como consultora da Comissão Europeia para a área.
Ela conta que sua jornada na área da IA não foi linear. “Comecei estudando matemática, não sabia que acabaria programando ou escrevendo códigos.”
Conforme estudava matemática, ela percebeu que a resolução de problemas do mundo real usando os conceitos de pensamento analítico era sua grande motivação.
No final da graduação, Brikis acabou mudando o curso para Ciências da Computação e também estudou, em paralelo, filosofia. “Além do campo técnico, eu sentia que precisava ampliar as minhas perspectivas, pensar os problemas de maneira mais holística.”
Para a executiva, o desenvolvimento de sua carreira em torno da IA acabou sendo coerente. “Agora, olhando para trás, vejo que matemática, filosofia e ciências da computação convergem em torno da IA — o campo onde essas três disciplinas se encontram”, avalia.
Ela acrescenta que o salto na sua carreira para a IA industrial, também chamada de IA física, foi guiado principalmente pelo fato de ela ter feito um estágio na Siemens durante o seu mestrado.
Em meados de 2017, quando o campo da IA possuía ainda menos mulheres nesse tipo de pesquisa, Brikis chegou à Siemens para atuar em automação e engenharia. “Cheguei à empresa com toda uma bagagem, mas conheci uma indústria onde a IA praticamente não era usada”, afirma.
Neste contexto, ela explica que a indústria no geral era uma “slow adopter” de IA. “No setor de consumo, víamos muito mais a adoção de IA, mas a indústria era um ambiente muito conservador para esse tipo de tecnologia, havia pouquíssimos exemplos reais de implementação”, diz.
Na Siemens, ela lidera o desenvolvimento da próxima geração de IA – incluindo modelos generativos – aplicada a operações, automação, engenharia, eletrificação e mobilidade, com foco em modelos capazes de compreender sistemas físicos complexos e operar com segurança em ambientes regulados.
Em sua avaliação, existe um consenso de que a próxima fronteira da IA é o mundo físico, mas não será trivial trazer essa tecnologia para o ambiente industrial.
Segundo a executiva, antes mesmo da popularização do ChatGPT já existia a aplicação da chamada “narrow AI” (IA estreita ou limitada, utilizada em segmentos como de indicação de compras ou filmes) na indústria. Ela explica que diferentes modelos – de manutenção ou previsão preditiva - são aplicados a determinadas máquinas de fábricas ou tipos específicos de rede de energia.
“Essas aplicações existem há muito tempo. A Siemens já vem criando soluções desse tipo para os clientes”, esclarece.
O que mudou desde a popularização do ChatGPT, em meados de 2022, foi a evolução para um modelo de IA que resolve tarefas que não foram “ensinadas”, indo além do treinamento.
Brikis observa que a IA generativa funciona bem para linguagem, vídeo e imagens, modalidades com muitos dados já inseridos na internet. No entanto, para particularidades da indústria como leitura de sensores, séries temporais, diagramas técnicos, esquemas elétricos, entre outros, a LLM ainda não entende profundamente.
“Dizemos na Siemens que esses modelos ainda não falam a linguagem da engenharia e da manufatura.”
Alguns especialistas argumentam que modelos de vídeo já começam a entender o mundo físico. “Isso é verdade em certa medida, mas para aplicações reais, a exatidão exigida é muito maior. O engenheiro precisa de precisão absoluta.”
Vantagem da IA física
Diferentemente dos modelos de linguagem, na indústria há poucos elementos textuais. “A maior parte [dos dados] é composta de números. Nas simulações, há ainda menos dependência de idioma, não é como ocorre na geração de imagens, por exemplo”, diz a executiva. “Quando construirmos modelos industriais fundamentais, eles provavelmente serão mais universais e menos dependentes da língua humana”, acrescenta.
Para Brikis, a transformação decorrente da IA industrial será enorme. “A IA física é como se fosse uma inteligência com ‘corpo’, que vai interagir com o mundo real, tomar decisões neste corpo. Para tanto, precisaremos de muito mais hardware: sensores, infraestrutura, dispositivos que permitam que a IA veja, ouça e toque”, esclarece.
Outra mudança significativa está relacionada à infraestrutura. Hoje, a maior parte da computação de IA acontece em grandes data centers. Já com a IA física, a “inferência” (processo em que a máquina, já treinada, aplica o conhecimento adquirido a novos dados para gerar previsões, decisões ou conclusões em tempo real) estará por toda parte: desde fábricas até casas e carros. “Isso aumenta muito a demanda por energia e computação localizadas.”
Atualmente, quando o modelo LLM roda no computador, isso ocorre através de um data center, que pode estar muito distante. “No futuro, a IA física rodará em milhares de dispositivos pelo mundo”, diz.
O benefício, aponta a especialista, é a automação acelerada. “Tarefas antes difíceis de automatizar finalmente poderão ser cobertas pela IA física.”
No entanto, para os treinamentos, os países ainda precisarão investir em “fábricas de IA”. Com a natureza mais distribuída da IA física, contudo, as barreiras de adoção à tecnologia devem diminuir, permitindo a implantação mais localizada, caso a caso.
No caso da Siemens, ela aponta que as soluções de IA industrial incluem visão computacional para inspeção de qualidade, análise de dados, manutenção preditiva e assistência baseada em IA no ciclo completo de engenharia, da concepção à manufatura. “Seguimos desenvolvendo modelos cada vez mais potentes”, diz.
Disseminação da IA física
Na visão de Brikis, a IA generativa já reduziu drasticamente as barreiras à inovação. “Tarefas que exigiam uma equipe grande e muito investimento agora podem ser prototipadas por uma única pessoa com ferramentas avançadas”, explica.
No entanto, ela alerta que a barreira só cairá de fato se as pessoas usarem as ferramentas. “Os dados mostram que poucos realmente usam.”
Sobre uma eventual substituição da mão de obra – de engenheiros principalmente, no caso da indústria – ela afirma que o medo ainda existe.
“Não quero ignorá-lo. Mas pessoalmente vejo como uma oportunidade, os engenheiros sempre têm mais trabalho do que conseguem executar”, destaca. Em sua avaliação, tornando o trabalho mais rápido, o engenheiro não ficará sem tarefas. “O projeto avançará mais rapidamente. O risco real é para quem não adotar essas ferramentas, esses sim ficarão para trás.”
Robô humanoid em estande da Siemens na Hannover Messe 2026: inteligência artificial (IA) industrial promete ser mais abrangente. (Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg)
A América Latina está absorvendo “relativamente bem” o impacto da guerra no Irã graças a estruturas econômicas mais sólidas, amortecedores externos e maior credibilidade institucional, segundo o UBS (UBS).
“Em nossa opinião, a América Latina está absorvendo relativamente bem, até o momento, o impacto da guerra no Irã”, disse Alejo Czerwonko, diretor de investimentos (CIO) para Mercados Emergentes das Américas no UBS Chief Investment Office.
Ele explicou que os marcos econômicos, as reservas externas e a credibilidade institucional construídos na última década “estão se mantendo”.
De modo geral, afirma ele, as agências de classificação de risco percebem um panorama de estabilidade nas classificações da América Latina.
“É importante ressaltar que, embora a exposição ao petróleo seja um fator diferenciador, a qualidade das decisões de política interna é igualmente importante, se não mais”, observou Czerwonko. Em nossa opinião, “o clima entre os responsáveis pela formulação de políticas parecia ser de otimismo cauteloso”.
De acordo com o UBS, os bancos centrais mantêm um tom restritivo e vigilante diante de possíveis efeitos inflacionários, e o Peru se destaca por sua resiliência, enquanto a Colômbia surge como o caso mais complexo da região.
No âmbito fiscal, afirma que prevalece a prudência, apesar de “algumas exceções”.
A Argentina mantém sua disciplina fiscal, o Chile e o Peru têm margem para consolidação, o Brasil apresenta menor pressão, o México busca equilibrar crescimento e disciplina, e a Colômbia enfrenta desafios maiores.
“A Colômbia encontra-se no extremo oposto, com as autoridades focadas em reduzir os custos com juros, dada a margem limitada para cortar gastos antes das eleições”, segundo o relatório do UBS.
Para a instituição financeira suíça, a política continua sendo o principal fator de incerteza na região.
Segundo ele, “há menos confiança entre os especialistas de que a região avance de maneira uniforme em direção a governos de tendência conservadora”.
O analista financeiro Gregorio Gandini observou que, inicialmente, alguns países foram beneficiados pelo aumento dos preços do petróleo, como o Brasil, o México e a Colômbia, por serem produtores, embora tenha alertado que, à medida que o conflito se prolonga, seus efeitos começam a se tornar evidentes.
Ele explicou que, por exemplo, o Chile — por ser importador de petróleo e gasolina — já está registrando aumentos nos preços.
No caso do Brasil, o impacto poderia ser sentido em sua agroindústria, dada a sua elevada dependência da importação de fertilizantes, parte dos quais transita pelo Estreito de Ormuz.
De qualquer forma , “para os investidores, a região se torna uma fonte de diversificação de risco”, observou Gandini.
Com base no recente relatório do FMI, o UBS explica que o Brasil mantém disciplina fiscal e cautela monetária, mas a eleição presidencial poderia forçar concessões que afetem a credibilidade.
“O risco é que a disputa eleitoral de outubro, bastante acirrada, force concessões fiscais que prejudiquem a credibilidade conquistada nos últimos anos”, explica ele.
O Ministério da Fazenda mantém a disciplina fiscal e o Banco Central do Brasil não demonstra pressa em reduzir as taxas, embora a eleição presidencial possa causar tensão em ambas as frentes, segundo o relatório.
Por enquanto, segundo o UBS, o impacto da guerra está sendo bem absorvido no país, com os subsídios aos combustíveis financiados integralmente por receitas extraordinárias do petróleo.
O banco descreve que, em meio às tensões globais, o México busca impulsionar o crescimento sem comprometer a disciplina fiscal, em meio à incerteza em relação ao T-MEC e às dúvidas sobre o ritmo da política monetária.
“Em nossa opinião, é provável que a Moody’s altere a perspectiva negativa da classificação soberana do México este ano; embora reconheçam os avanços fiscais e as condições comerciais favoráveis para a Pemex, a agência destacou o aumento da dívida e os riscos fora do balanço”, afirma o UBS. “Acreditamos que o grau de investimento do México não esteja em dúvida, mas sua posição exata dentro da categoria é menos clara”.
Enquanto isso, na Argentina, o programa do FMI visa consolidar as reformas até 2026, antes da volatilidade eleitoral prevista para 2027.
O Chile chega mais fortalecido para enfrentar os choques externos, com inflação controlada e credibilidade institucional, embora possa moderar seu ajuste fiscal.
No Peru, o resultado eleitoral gera incerteza diante da entrada de um candidato de esquerda na disputa.
Embora a Colômbia se beneficie do petróleo, o país enfrenta desafios maiores devido a tensões internas, à divisão entre o governo de Gustavo Petro e o banco central do país e aos riscos institucionais.
Na opinião dos analistas do UBS, a Colômbia caminha para uma eleição bastante acirrada.
“Embora tudo indique uma virada em favor das forças de centro-direita nas próximas eleições, acreditamos que, mesmo assim, a disputa será acirrada, devido às preocupações com a segurança e ao fato de que as recentes tensões entre [Gustavo] Petro e o Banco Central provavelmente tenham diminuído a popularidade de [Iván] Cepeda entre os eleitores moderados”, afirma o relatório.
A Venezuela considera possível uma transição política, mas enfrenta grandes desafios em relação à dívida e à atração de investimentos para o setor petrolífero.
“A recuperação depende do setor petrolífero, mas a falta de um marco legal claro impede os investimentos. Nem o governo nem os EUA parecem priorizar, por enquanto, a reestruturação da dívida”, indica o relatório.
Relatório do banco menciona que a Colômbia enfrenta os desafios mais complexos, ao passo que outros países, como Brasil, Chile e Peru, têm mostrado resiliência orçamentária.
As ações brasileiras atravessam uma fase de impulso, apoiada por fatores simultâneos que, segundo o Bradesco BBI, configuram um ambiente atípico em relação a episódios anteriores de volatilidade.
O banco posiciona o país como sua principal aposta na América Latina, em um contexto de rotação global de capitais, ajustes macroeconômicos e catalisadores locais em desenvolvimento.
“As ações brasileiras têm ‘nove vidas’ e se beneficiam de forma quase única de uma confluência de fatores geopolíticos, macroeconômicos globais, locais e de mercados emergentes que acreditamos ainda terem potencial”, afirmaram os analistas Pedro Grimaldi e Ben Laidler.
A interpretação, que brinca com a noção das sete vidas atribuídas a um gato no imaginário popular, justifica o bom desempenho da bolsa em 2026.
Essa abordagem contrasta com os ciclos recentes marcados por correções — desde deteriorações fiscais até choques externos — nos quais o Brasil não conseguiu tirar proveito do cenário.
Agora, o banco sustenta que a dinâmica atual responde a um conjunto de fatores simultâneos que estão impulsionando os fluxos internacionais e reconfigurando as avaliações do mercado.
Rotação global e avaliação: as três primeiras vertentes
O primeiro bloco identificado pelo Bradesco BBI foca no posicionamento global dos mercados emergentes, nos quais o Brasil figura como um dos principais beneficiários da realocação de capital.
Os analistas apontam que “o Brasil parece ser o maior vencedor global com um perfil de valor, cíclico e não tecnológico, juntamente com um elevado carry trade”, em linha com a rotação de ativos norte-americanos para os mercados internacionais.
A segunda vertente gira em torno da subponderação estrutural dos mercados emergentes nas carteiras globais. Segundo o relatório, “a subponderação global dos investidores em ações de mercados emergentes acumulou-se ao longo de quinze anos de baixo desempenho relativo”, uma lacuna que abre espaço para uma realocação progressiva para economias com maior liquidez e diversificação setorial, como o Brasil.
O terceiro eixo diz respeito ao valuation. Apesar das recentes altas, o mercado brasileiro mantém múltiplos moderados e, segundo os analistas, “o Brasil continua sendo um dos mercados de ações mais baratos do mundo, com um PER futuro de 10,2 vezes”.
Há também um rendimento por dividendo estimado em 5,3%, ao passo que as expectativas de lucros começam a ser revisadas para cima.
O segundo bloco agrupa fatores ligados ao ambiente geopolítico e às commodities, onde o Brasil se posiciona como beneficiário líquido. A quarta vertente se apoia no mercado energético.
O relatório destaca que “o Brasil é um duplo beneficiário macroeconômico e bolsista dos preços mais altos do petróleo”, após se consolidar como exportador líquido e aumentar sua produção em cerca de 60% na última década.
Além desse impulso, há também uma menor exposição a tensões internacionais, sendo que o quinto pilar está ligado ao posicionamento geopolítico relativo do país. Os analistas destacam que “o Brasil está longe das principais tensões geopolíticas atuais, com uma baixa proporção de exportações em relação ao PIB”, o que reduz sua vulnerabilidade diante de conflitos em outras regiões e reforça seu perfil defensivo dentro dos mercados emergentes.
Essa posição coincidiu com revisões para cima nas expectativas de lucros, impulsionadas em parte pelo setor energético, em um contexto em que o país combina exposição às commodities com uma estrutura econômica relativamente protegida contra choques externos.
O terceiro bloco reúne os impulsionadores macroeconômicos e locais. Neles, o sexto pilar gira em torno da moeda, onde o banco destaca que “o real tem sido uma das grandes modas vencedoras globais de um dólar mais fraco”, apoiado por diferenciais de taxas de juros elevados que reforçam o apelo do carry trade.
A sétima vertente está ligada à frente fiscal. Nesse plano, o relatório indica que “os déficits fiscais globais se ampliaram, tornando a comparação do Brasil menos desfavorável”, em um contexto em que a nova regra fiscal contribui para conter preocupações históricas.
A oitava vertente está ligada ao ciclo monetário. “O Brasil começou a reduzir as taxas a partir de 15% no mês passado, em um ciclo único, abrangente e com duplo impacto”, afirmam os analistas, com efeitos tanto nas valorizações quanto nos fluxos de investimento domésticos.
O nono elemento situa-se no plano político. De cara às eleições presidenciais de outubro, o relatório aponta para uma margem ainda não totalmente refletida nos preços.
Grimaldi e Laidler afirmam que veem “opcionalidade nas eleições de outubro, desde o peso desproporcional das empresas estatais até aos elevados rendimentos reais dos títulos”.
Com esse conjunto de fatores, o Bradesco BBI mantém o Brasil como sua principal aposta na América Latina, com foco em setores sensíveis às taxas, mercados de capitais, empresas estatais e crescimento estrutural.
Entre os riscos, o banco identifica uma eventual reversão estrutural do dólar ou o retorno dos temores de dominância fiscal, variáveis que condicionarão a sustentabilidade do atual ciclo de mercado.
Menos de um ano após a inauguração da primeira loja da H&M no país, em São Paulo, o Brasil já se consolidou como um importante impulsionador global para a varejista sueca de moda.
Segundo o CEO global, Daniel Ervér, parte da estratégia da empresa para reconquistar a confiança dos investidores e voltar a crescer com resiliência passa pela América Latina e pela abertura de novas lojas, como a primeira do Rio de Janeiro, que será inaugurada neste sábado (25).
“O Brasil é um importante motor de crescimento”, disse Ervér, em entrevista à Bloomberg Línea por vídeo durante uma visita ao Rio para abrir a nova loja.
“Temos nos concentrado em fortalecer a nossa oferta ao cliente, além de consolidar a resiliência financeira da empresa para construir uma base sólida. Estamos trabalhando para construir as alavancas de crescimento para o futuro, e uma delas será o Brasil.”
A avaliação do CEO resume anos de análise antes da entrada no país e a velocidade com que a empresa decidiu acelerar a expansão depois de confirmar a receptividade do consumidor brasileiro.
Segundo ele, a varejista passou anos vendo o Brasil como uma oportunidade em razão do mercado com mais de 200 milhões de habitantes e do interesse local por moda.
“Além disso, há uma infraestrutura robusta para o varejo com shoppings centers de grande porte, mas também é um mercado complexo, com forte concorrência e um consumidor exigente”, disse Ervér.
A H&M abriu sua primeira loja no Brasil em agosto de 2025, no Shopping Iguatemi, em São Paulo, e acumulou quatro unidades nos primeiros meses de operação. Outras cinco lojas pelo país estão com contratos assinados para 2026, incluindo outra no Rio, uma em Sorocaba e a primeira em Porto Alegre.
O CEO alega que a empresa tem uma estratégia de expansão progressiva no país e busca ativamente outras localizações para as lojas em cidades que considera importantes, como Belo Horizonte e Brasília, além de expandir para o norte e sul de Rio e São Paulo.
O ritmo de expansão é determinado pela capacidade de encontrar esses locais estratégicos em um mercado varejista maduro e competitivo, disse.
Para Ervér, a abertura no Rio cumpre uma função além da expansão comercial. “O Rio é um marco importante para catalisar o reconhecimento da marca no Brasil”, disse o CEO. “A abertura física impulsiona as vendas digitais, e os dois canais se reforçam mutuamente.”
Essa dinâmica entre loja física e e-commerce foi descrita pelo executivo como um modelo que o Brasil ajudou a consolidar. A entrada simultânea nos dois canais, a adoção imediata do Pix como forma de pagamento e o início de produção local em algumas categorias foram classificados internamente como estratégias inéditas para a rede.
“A forma como chegamos ao Brasil com o avanço multicanal é muito interessante. Estamos muito curiosos para conhecer o consumidor local e encontrar uma maneira de construir a campanha de lançamento, também explorando a cultura local, sendo respeitosos e curiosos sobre ela, e vendo como isso ressoa na comunidade. Acho que esse é realmente um modelo de como entrar em novos mercados”, disse Ervér.
Recuperação global
No plano global, Ervér reconheceu que a H&M está em uma jornada de longo prazo para recuperar o crescimento de receita.
A margem operacional da empresa subiu de 7,4% para 8,1% no ano fiscal de 2025 e alcançou 8,4% nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026 — mas as vendas em moedas locais cresceram apenas 2% no ano e recuaram 1% no primeiro trimestre de 2026.
“O ponto de partida da recuperação foi garantir que a oferta ao cliente seja realmente competitiva e que a empresa tenha resiliência financeira para investir”, disse Ervér. “Agora meu foco é começar a acelerar o crescimento. É uma jornada lógica, passo a passo.”
O CEO foi cuidadoso também ao falar sobre a meta de crescimento anual de ao menos 10%. “É uma jornada de longo prazo. Quero fazer cada etapa com qualidade.”
O cenário geopolítico, Ervér admite, traz imprevisibilidade para as cadeias de suprimentos globais, o que piora com as guerras e as tarifas. O planejamento por cenários, disse, tornou-se parte central da gestão.
Mas o CEO alerta contra a leitura automática de que incerteza macroeconômica equivale a queda no consumo. “Fomos cautelosos demais em relação ao consumidor americano no segundo semestre de 2025. Ele se mostrou mais resiliente do que esperávamos.”
Expansão na América Latina
A América Latina como um todo integra o plano de crescimento da empresa, segundo o CEO. A H&M opera no Chile há dez anos, deve abrir uma loja no Paraguai ainda em 2025 e anunciou recentemente a entrada na Argentina para 2027.
No caso brasileiro, a empresa diz adaptar seu modelo de negócios e sortimento para o mercado brasileiro considerando as particularidades locais e a concorrência.
A H&M percebeu que a parte mais apreciada de seu sortimento pelos clientes brasileiros é a coleção de moda feminina, o que é um diferencial competitivo.
Além disso, eles oferecem uma ampla gama de produtos em outras categorias como lingerie, moda praia e sportswear, construídos sobre a base de oferecer moda atual com bom custo-benefício.
Segundo o CEO, a entrada no Brasil se deu também com consciência da forte concorrência local e internacional no país, com players como Zara e C&A.
A empresa busca se diferenciar oferecendo moda atual e valor, e a recepção positiva dos clientes em São Paulo indica que há espaço para a H&M encontrar seu diferencial para o consumidor brasileiro.
O CEO reconheceu que o mercado global de vestuário é “brutalmente competitivo”, mas argumentou que, com menos de 2% de participação no mercado global, há espaço para crescer se a empresa entregar o que promete.
“O mercado é muito fragmentado. Se fizermos bem o que devemos fazer, a oportunidade está lá.”
Apesar da empolgação declarada com o mercado brasileiro, o CEO apontou desafios enfrentados pela empresa na entrada no país. Segundo ele, uma questão importante logo no início do trabalho foi a inversão das estações do ano por conta da mudança de hemisfério.
Isso exige uma adaptação do sortimento e das opções para serem relevantes no mercado, considerando, por exemplo, períodos mais longos de verão e as adaptações sazonais necessárias.
A empresa estabeleceu uma joint venture com o Grupo Dorben, que possui mais conhecimento do mercado brasileiro. Segundo o CEO, essa parceria é crucial para navegar pelas complexidades locais, desde soluções tecnológicas e negociações de terrenos até a identificação dos contatos e redes certas para entrar no mercado.
“O Brasil é um mercado de varejo maduro, com forte concorrência local e internacional, e encontrar os melhores espaços é um trabalho contínuo”, disse. “Mas o que vimos em São Paulo nesses primeiros meses nos dá confiança para seguir em frente.”
Os brasileiros gastaram quase 28% mais com viagens internacionais em março de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. As despesas subiram de US$ 1,6 bilhão para US$ 2,0 bilhões, enquanto as receitas de turismo estrangeiro no Brasil ficaram estáveis, em US$ 0,9 bilhão.
O resultado, divulgado nesta sexta-feira (24) pelo Banco Central, elevou as despesas líquidas com viagens a US$ 1,1 bilhão — alta de 68,3% em relação a março de 2025.
O dado vem acompanhado de uma mudança relevante na forma como o próprio Banco Central calcula essas estatísticas. A autoridade monetária anunciou uma revisão metodológica extraordinária nas receitas de viagens internacionais, incorporando novas fontes de dados e uma nova metodologia de compilação.
O efeito foi uma melhora no déficit em conta corrente acumulado nos 12 meses encerrados em fevereiro: o número foi revisado de 2,71% do PIB para 2,61% do PIB.
A revisão cobre o período de outubro de 2023 a fevereiro de 2026 e consistiu, principalmente, na reclassificação de transações que estavam registradas na Conta Financeira — na rubrica de outros investimentos, moedas e depósitos — para receitas de viagens internacionais.
Com isso, as receitas brutas de viagens foram revisadas para cima em US$ 0,1 bilhão em 2023, US$ 1,1 bilhão em 2024, US$ 2,6 bilhões em 2025 e US$ 0,9 bilhão nos dois primeiros meses de 2026. A revisão das despesas brutas foi residual, acumulando US$ 0,6 bilhão no período.
A origem da distorção está em uma mudança na legislação cambial, segundo o Banco Central. A Lei nº 14.286, de dezembro de 2021, alterou a prestação de informações de transações realizadas por meio de contas de titulares não residentes denominadas em reais.
Com a nova regra, parte dos fluxos financeiros relativos à utilização de cartões de crédito por viajantes estrangeiros no Brasil passou a ser registrada como constituição de depósitos — e não como receita de viagens. O Banco Central identificou o problema ao cruzar informações adicionais dos contratos de câmbio com dados fornecidos diretamente por participantes do mercado de cartões.
Para a XP, o aumento das despesas líquidas na conta de viagens foi o principal determinante do resultado da conta de serviços em março, “provavelmente ainda refletindo a apreciação cambial”, segundo escreveram analistas do banco em relatório. No primeiro trimestre de 2026, essa conta se ampliou em US$ 0,7 bilhão, alta de 36% na comparação anual.
Conta corrente abaixo do esperado
O déficit em transações correntes ficou em US$ 6,0 bilhões em março de 2026, abaixo da mediana de US$ 6,3 bilhões projetada por 17 economistas consultados pela Bloomberg.
O resultado, porém, representa uma deterioração expressiva em relação ao déficit de US$ 2,9 bilhões registrado no mesmo mês de 2025.
No acumulado de 12 meses encerrados em março, o déficit somou US$ 64,3 bilhões, equivalente a 2,71% do PIB, ante US$ 61,2 bilhões (2,61% do PIB) no mês anterior.
A piora em relação a março de 2025 decorreu, principalmente, de três fatores, segundo o BC: redução de US$ 1,6 bilhão no superávit comercial de bens, aumento de US$ 1,1 bilhão no déficit de renda primária e alta de US$ 0,6 bilhão no déficit de serviços. O superávit em renda secundária cresceu US$ 0,2 bilhão e parcialmente compensou o movimento.
O superávit comercial de bens atingiu US$ 5,6 bilhões em março, abaixo dos US$ 7,2 bilhões de março de 2025. As exportações totalizaram US$ 31,7 bilhões, crescimento de 9,5% na comparação anual, com expansão concentrada em commodities — especialmente petróleo bruto. As importações avançaram 19,9%, para US$ 26,1 bilhões, com aumento disseminado entre as principais categorias econômicas.
O déficit na conta de serviços somou US$ 4,8 bilhões em março, ante US$ 4,2 bilhões no mesmo período de 2025. Além das viagens, contribuíram para o resultado as maiores despesas líquidas em telecomunicação, computação e informações (+27,4%, para US$ 0,9 bilhão), serviços de propriedade intelectual (+9,2%, para US$ 1,2 bilhão) e transportes (+7,5%, para US$ 1,2 bilhão). No acumulado em 12 meses, o déficit de serviços atingiu US$ 50,3 bilhões.
O déficit em renda primária somou US$ 7,4 bilhões em março, aumento de 17,8% frente aos US$ 6,3 bilhões de março de 2025. As despesas líquidas com lucros e dividendos totalizaram US$ 4,8 bilhões (+10,7%), e os pagamentos líquidos de juros chegaram a US$ 2,6 bilhões, alta de 33,5%, com preponderância das maiores despesas brutas em operações intercompanhia. No acumulado em 12 meses, o déficit de renda primária alcançou US$ 84,0 bilhões.
Os investimentos diretos no país (IDP) registraram ingressos líquidos de US$ 6,0 bilhões em março, abaixo da mediana de US$ 7,0 bilhões projetada pelos 17 economistas consultados pela Bloomberg. O resultado também ficou abaixo dos US$ 6,3 bilhões captados em março de 2025.
Os ingressos foram compostos por US$ 4,3 bilhões em participação no capital — sendo US$ 1,2 bilhão em capital próprio e US$ 3,2 bilhões em reinvestimento de lucros — e US$ 1,7 bilhão em operações intercompanhia. No acumulado de 12 meses, o IDP somou US$ 75,7 bilhões, equivalente a 3,18% do PIB.
O que dizem os analistas
Para o Itaú BBA, o déficit em conta corrente “voltou a piorar na margem”, refletindo a desaceleração do saldo comercial — “em que ainda não se observaram plenamente os efeitos positivos do aumento do preço de exportação de petróleo, mas que já estão presentes nos dados de abril”.
O banco também destacou a piora no financiamento externo, com desaceleração tanto do IDP quanto dos fluxos de portfólio, “possivelmente associada ao movimento global de aversão ao risco após o início do conflito no Oriente Médio”. Para o ano, o Itaú projeta déficit em conta corrente de US$ 66 bilhões (2,6% do PIB).
A XP avaliou que a conta corrente ficou “ligeiramente abaixo das expectativas”, com o resultado de renda primária sendo o principal fator de divergência em relação à projeção da instituição.
As remessas de lucros e dividendos, que costumam apresentar sazonalidade em março, “foram menos intensas do que o esperado”. A XP projeta déficit em conta corrente de US$ 58,0 bilhões (2,2% do PIB) em 2026, assumindo preço médio do Brent de US$ 90 por barril, e IDP de US$ 75,0 bilhões.
O Goldman Sachs classificou o resultado como um “déficit moderado em conta corrente”, com IDP “abaixo do esperado, mas fluxos de portfólio positivos”. O banco destacou que, em 12 meses, o déficit em conta corrente segue em patamar “moderado” de 2,7% do PIB, com o IDP em 3,2% do PIB.
A instituição americana acrescentou que “um ajuste fiscal profundo para reduzir a poupança negativa do setor público” segue sendo, em sua avaliação, condição essencial para viabilizar um ajuste estrutural permanente na conta corrente.
A consultoria 4intelligence ressaltou a melhora do balanço de pagamentos no primeiro trimestre como um todo: o déficit em conta corrente recuou de US$ 22,7 bilhões para US$ 20,3 bilhões entre o 1T25 e o 1T26, queda de 11%. A consultoria projeta déficit em conta corrente de US$ 54,2 bilhões para 2026, “com viés de baixa a depender das exportações de petróleo”, e IDP de US$ 70,0 bilhões.
A Usiminas (USIM5) registrou avanço do lucro líquido no primeiro trimestre do ano em meio a ganhos cambiais e implantação de medidas de defesa comercial contra o aço importado a partir de fevereiro.
A siderúrgica mineira divulgou na manhã desta sexta-feira (24) um lucro líquido de R$ 896,1 milhões no primeiro trimestre, resultado 166% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
O desempenho positivo ocorre mesmo diante da retração de 11% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado na mesma base de comparação, para R$ 653 milhões.
O grupo também citou a melhora “significativa” dos resultados operacionais no período.
A receita líquida de vendas atingiu R$ 5,8 bilhões de janeiro a março, queda de 14% sobre igual intervalo do ano passado. Segundo a siderúrgica, o resultado se deve principalmente à redução de volumes e exportações.
A Usiminas informou que, em fevereiro, o governo brasileiro aplicou direitos antidumping sobre importações de aços laminados a frio e revestidos, o que alterou o ambiente competitivo.
Ainda no período, houve melhora de preços e mix de produtos vendidos, com um avanço 4,9% na receita líquida por tonelada na siderurgia.
No trimestre, a companhia registrou ainda ganhos cambiais líquidos no montante de R$ 101 milhões, em razão da desvalorização do dólar frente ao real.
Do lado da eficiência, a Usiminas citou ainda a redução de 1,8% do custo do produto vendido (CPV) por tonelada na divisão de siderurgia, também beneficiado pela desvalorização do dólar.
A companhia teve um aumento de 5,9 pontos percentuais nas vendas para o setor automotivo ao longo do primeiro trimestre.
Em relatório, analistas do Itaú BBA apontaram que, apesar da queda no Ebitda ajustado, o resultado veio 31% acima da estimativa do banco. O ponto de partida mais forte do primeiro trimestre “provavelmente levará a revisões para cima nas estimativas de consenso para o ano”, disseram os analistas no documento.
Já os analistas da Eleven disseram em relatório que, apesar da melhora operacional, a casa mantém recomendação neutra para USIM5.
Volumes
De janeiro a março, a Usiminas registrou queda de 8% nas vendas de aço sobre o mesmo período do ano passado.
Na mineração, houve retração de 12% dos volumes vendidos. O Itaú BBA apontou em relatório que o resultado da divisão foi impactado pela valorização do real, custos mais altos, maiores descontos por qualidade e volumes menores, fatores que “mais do que compensaram o leve aumento nos preços de referência do minério de ferro”.
A empresa destacou o cenário desafiador à frente, em meio a incertezas econômicas impulsionadas pela guerra no Irã, alta de petróleo e gás natural, inflação e pressão em fretes marítimos
Para o segundo trimestre, a Usiminas espera volumes de vendas estáveis, mas com custos mais elevados em matérias-primas, energia e fretes, compensados por melhora na receita por tonelada.
Para os analistas do Itaú BBA, os resultados da companhia podem melhorar significativamente a partir do terceiro trimestre, diante da expectativa de preços mais altos do aço.
A JBJ Agropecuária, companhia controlada por José Batista Júnior, mais conhecido como Júnior Friboi, firmou acordo para a aquisição da Fazenda Conforto, em Nova Crixás, em Goiás.
Conhecida como uma das maiores estruturas de confinamento de gado do país, a Conforto teve a venda submetida à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), segundo petição protocolada pelo escritório Cescon Barrieu nesta quinta-feira (23).
A operação envolve a aquisição do conjunto integral de ativos da fazenda, incluindo terras, infraestrutura produtiva, equipamentos e instalações voltadas à atividade agropecuária, segundo o documento. O valor do negócio não foi divulgado.
A Fazenda Conforto tem cerca de 12 mil hectares e está localizada em Nova Crixás, uma das principais regiões de pecuária de corte em Goiás, local onde a JBJ também já opera.
A operação busca combinar atividades de recria, engorda e confinamento de bovinos, além do cultivo de soja, com estrutura que inclui áreas irrigadas, pivôs e silos.
Do lado da compradora, o ativo se encaixa na estratégia da JBJ ao ampliar a presença ao longo da cadeia da carne, que inclui desde a produção de insumos até o abate e a comercialização. A incorporação da fazenda pode reforçar essa integração, com potencial de ganhos operacionais e logísticos.
Do ponto de vista concorrencial, as empresas afirmam no documento enviado ao Cade que a transação não deve gerar preocupações relevantes e que foi considerada, de forma preliminar, uma possível integração vertical com atividades de abate do grupo, mas sem impacto material esperado.
A operação já vinha sendo especulada desde o início do mês.
José Batista Júnior é o irmão mais velho dos atuais controladores da holding J&F Investimentos, que detém a JBS, Joesley e Wesley Batista. Júnior chegou a exercer o papel de presidente da JBS e deixou o grupo para se dedicar totalmente aos seus negócios.
Tanto a JBJ quanto a Fazenda Conforto atuam como fornecedoras de gado para a JBS.
Com a palavra, a Conforto
A Conforto afirmou, em nota, que a transação ainda não foi concluída e depende de etapas usuais, como a aprovação dos órgãos regulatórios, para esse tipo de operação.
“A consumação da compra e venda está condicionada à negociação e celebração de documentos definitivos, bem como à verificação de condições precedentes usuais, inclusive a aprovação do Cade”, disse a empresa.
Segundo a empresa, até o cumprimento dessas condições, a fazenda permanece sob propriedade e gestão da família Negrão, “sem solução de continuidade”.
A Fazenda Conforto foi fundada por Alexandre Funari Negrão na década de 1990. O empresário morreu em 2023 e a gestão da fazenda seguia sob controle da família desde então.
Procurada, a JBJ não respondeu até o momento da publicação desta nota a um pedido de comentário.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
A incorporadora One trabalha para garantir a oferta de produtos para a classe média mesmo em um cenário de escassez de terrenos em bairros privilegiados. A meta da empresa é atingir um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 2,5 bilhões em 2026.
Ao converter edifícios comerciais -- que já não atendem mais às exigências do mercado de escritórios -- em prédios de apartamentos compactos, a One pretende aumentar a oferta de produtos entre R$ 450 mil e R$ 500 mil.
“A One está bem preparada para navegar no cenário turbulento à frente. Buscamos controlar os custos e o valor do terreno para que o preço final não saia do alvo. Temos a preocupação de oferecer um produto acessível”, disse o vice-presidente da One Innovation, Paulo Petrin, em entrevista à Bloomberg Línea.
O executivo relata que, em 2025, a companhia concentrou lançamentos no último trimestre. Para 2026, a One deve começar a lançar novos empreendimentos em maio. A expectativa é que a empresa encerre o primeiro trimestre com cerca de R$ 410 milhões em vendas. Para o consolidado do ano, o VGV deve alcançar entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,5 bilhões.
O Nasdaq 100 caminha para a quarta alta semanal consecutiva nesta sexta-feira (24), com ações de tecnologia liderando os ganhos após um guidance acima do esperado da Intel, cujos papéis saltaram 25% no pré-mercado.
- Entre cortes e saídas. A Meta e a Microsoft planejam cortes que podem afetar até 23 mil empregos. A Meta prevê demitir cerca de 8 mil funcionários e deixar de preencher outras 6 mil vagas, enquanto a Microsoft passou a oferecer saídas voluntárias, segundo uma fonte ouvida pela Bloomberg News.ㅤ
- Yara supera projeções. A empresa reportou Ebitda de US$ 896 milhões no 1º trimestre, avanço de 40% em relação ao ano anterior e acima das estimativas. O impulso veio da alta dos preços de fertilizantes diante do conflito no Oriente Médio e do bloqueio do Estreito de Ormuz.ㅤ
- Intel projeta novo guidance. A companhia estima receita de até US$ 14,8 bilhões no trimestre encerrado em junho, acima das estimativas dos analistas, impulsionada pela forte demanda por chips para inteligência artificial. O crescimento reflete o plano de retomada do CEO Lip-Bu Tan.
A incorporadora One trabalha para garantir a oferta de produtos para a classe média mesmo em um cenário de escassez de terrenos em bairros privilegiados. A meta da empresa é atingir um valor geral de bendas (VGV) de R$ 2,5 bilhões em 2026.
Ao converter edifícios comerciais -- que já não atendem mais às exigências do mercado de escritórios -- em prédios de apartamentos compactos, a One pretende aumentar a oferta de produtos entre R$ 450 mil e R$ 500 mil.
“A One está bem preparada para navegar no cenário turbulento à frente. Buscamos controlar os custos e o valor do terreno para que o preço final não saia do alvo. Temos a preocupação de oferecer um produto acessível”, disse o vice-presidente da One Innovation, Paulo Petrin, em entrevista à Bloomberg Línea.
O executivo relata que, em 2025, a companhia concentrou lançamentos no último trimestre. Para 2026, a One deve começar a lançar novos empreendimentos em maio. A expectativa é que a empresa encerre o primeiro trimestre com cerca de R$ 410 milhões em vendas. Para o consolidado do ano, o VGV deve alcançar entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,5 bilhões.
Petrin afirma que, para enfrentar a escassez de terrenos em bairros bem localizados, a One tem optado por converter prédios antigos, incluindo a mudança de uso, como a transformação de edifícios comerciais. “Muitos prédios envelheceram e já não são mais adequados. Com isso, acabaram ficando vazios.”
Se o reaproveitamento não é possível, o executivo conta que o prédio é derrubado, andar por andar. “Em alguns casos, a conta fazia mais sentido, pois o terreno permite mais área construída.”
A história da One começou em 2013, com a construção de apartamentos compactos em São Paulo, com unidades de um e dois dormitórios. “Por serem acessíveis em regiões boas da cidade, atingimos diversos públicos como pequenos investidores, porque nossos produtos são muito líquidos”, diz.
O principal público da One, segundo Petrin, busca financiamentos em bancos tradicionais para viabilizar de 60% a 70% do valor do imóvel. “O financiamento é importante no nosso mercado. Mas quando você sai desse valor e passa de R$ 1 milhão, a liquidez é menor”, destaca.
Desafios à frente
“Começamos o ano muito animados, mas fatores que fogem ao radar, como a guerra [no Irã], que impacta os preços das commodities e insumos, vão elevar os nossos custos”, aponta Petrin.
Neste contexto, ele explica que o mercado imobiliário vem sendo impactado. “A demanda está reprimida, precisamos melhorar muito as condições macroeconômicas”, diz.
Outra incerteza que surge neste cenário é um conjunto de questionamentos ao Plano Diretor de São Paulo, que estabelece as diretrizes para construções na cidade. Segundo Petrin, com o documento discutido por dez anos e aprovado em 2024, houve um incremento da área construída permitida dos terrenos, o que ajudou a impulsionar o mercado imobiliário.
“Precisamos que o Plano Diretor, que já foi aprovado, seja respeitado. Isso trouxe um aproveitamento maior dos terrenos e houve uma oferta maior de moradia na cidade. Porém, quanto mais restritivas as regras, mais caro ficará para morar.”
Apesar das incertezas, o executivo garante que a One terá fôlego para honrar com os compromissos na esteira da incorporadora. A empresa conta com investimentos do fundo soberano de Singapura, o GIC.
“Somos uma empresa muito bem estruturada, temos como acionista o GIC, que diferentemente de outros fundos, visa o longo prazo”, observa Petrin.
O Banco do Brasil (BBAS3) abriu o BB Day 2026, evento para investidores e analistas de mercado, com o diagnóstico de que 2025 foi “o ano mais desafiador da história recente do banco”, segundo o CFO Geovanne Tobias.
O lucro anual do BB caiu 45,4% em 2025, impactado principalmente pelo aumento do risco de crédito com a ampliação das provisões.
O volume trimestral de provisões praticamente triplicou na comparação com a média dos últimos 11 anos, que girava em torno de R$ 5 bilhões. O custo do risco saltou de 2,5% em 2014 para 5,1% em 2025.
“Sem dúvida alguma foi um ano completamente fora da curva”, disse o CFO. “Passar por 2025 exigiu da nossa administração muita transparência”.
O grande vilão dos resultados do BB foi o agronegócio – segmento que já foi fortaleza do banco e representa um terço de sua carteira de crédito. Apenas no último trimestre de 2025, R$ 10 bilhões dos R$ 18 bilhões de provisões totais vieram desse segmento.
Tobias listou uma combinação de fatores que prejudicaram os resultados do agro: conflito Rússia-Ucrânia e seus reflexos nas commodities agrícolas, a alavancagem excessiva do produtor rural, inflação de custos, Selic elevada, queda no preço da soja em 2023 e os eventos climáticos severos no Rio Grande do Sul em 2024.
A solução de curto prazo foi suspender o guidance apresentado para 2025 e reformular toda a esteira de cobrança e exigência de garantias, passando a priorizar a alienação fiduciária no lugar do penhor e da hipoteca, que são instrumentos historicamente mais utilizados na carteira rural.
O BB também reforçou a aposta em outras linhas de crédito, além de diminuir a perspectiva de apetite no agronegócio. O guidance para 2026 tem projeção de crescimento zero da carteira de agro no ponto médio do guidance (projeção), que vai de -2,0% a +2,0%.
Ainda é cedo, no entanto, para projetar como será a recuperação da carteira agro. Até lá, o Banco do Brasil espera usar seu conglomerado como estratégia para manter a rentabilidade apesar dos desafios de crédito.
Tobias reforçou que a instituição opera como um conglomerado com mais de 80 empresas, e que foi essa estrutura que permitiu sustentar retorno sobre patrimônio de dois dígitos mesmo em meio à crise de crédito.
“Estamos falando de um banco que vai muito além de financiar a agricultura”, afirmou.
“As empresas do grupo vem somando 52% do resultado. Essa estratégia foi fundamental para criar essa musculatura para que o conglomerado do Banco do Brasil enfrentasse 2025″.
Entre as empresas do grupo estão a BB Seguridade, líder em seguros rurais com 62% de participação de mercado e com posições relevantes em previdência e capitalização; a BB Consórcios, que hoje administra R$ 150 bilhões em carteira e 1,7 milhão de cotas ativas; e o BV, atualmente maior financiador de veículos do país.
O Banco do Brasil conta ainda parceria com o UBS no mercado de capitais, uma joint venture que já gerou R$ 1 trilhão em volume desde seu lançamento em 2020, e a BB Asset Management, que é atualmente a maior gestora de investimentos do Brasil com R$ 1,8 trilhão sob gestão.
No segmento de meios de pagamento, o banco concluiu o fechamento de capital da Cielo em 2024, junto ao Bradesco, que também é controlador da empresa. A bandeira Elo, a plataforma de benefícios Alelo e a empresa de fidelidade Livelo completam o ecossistema.
O CFO reforçou ainda que o BB pretende avançar na internacionalização. O banco lançou o PIX na Argentina via Banco Patagônia em março de 2026 e agora pretende replicar a experiência nos Estados Unidos, onde o BB Américas mantém mais de US$ 3 bilhões em ativos, sendo cerca de US$ 2 bilhões em financiamentos imobiliários para brasileiros na Flórida.
O CFO destacou também o programa de venture capital do BB, com investimentos em 51 startups entre fintechs, agritechs, govtechs e finanças verdes, que conta com capital investido superior a R$ 500 milhões.
“Apesar de termos enfrentado o maior desafio da história do Banco do Brasil nesses últimos 20 anos, nós acreditamos na capacidade do BB continuar gerando resultados sustentáveis no médio e longo prazo, dado toda essa estratégia de conglomerado que nós implementamos”, afirmou.
A próxima etapa anunciada é a criação de uma diretoria estatutária dedicada exclusivamente à gestão das participações estratégicas do conglomerado.
Estrutura com mais de 80 empresas respondeu por mais da metade do resultado e ajudou a amortecer impacto da crise no agro (Foto: Christopher Dilts/Bloomberg)
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
O apresentador Luciano Huck encerrou sua participação recente em um painel do evento Brazil At Silicon Valley com um apelo: “Come back”, disse ele — ou “voltem para casa”.
O pedido foi feito à plateia e aos jovens brasileiros que estudam em universidades como Stanford e Berkeley, nos Estados Unidos, e que organizaram a conferência no início de abril na Califórnia. Huck foi aplaudido efusivamente.
O comentário reflete uma mudança que começa a se impor no ecossistema de tecnologia brasileiro, com consequências para o mercado de venture capital e os fundos que operam no Brasil.
Depois de um longo período no qual “mantra” das startups fundadas por brasileiros era construir soluções locais para problemas locais, agora o eixo parece se deslocar na direção do Vale do Silício.
Um novo grupo de empreendedores, especialmente de segunda ou terceira viagem, tem preferido fundar e construir suas empresas de tecnologia a partir dos Estados Unidos, onde seus negócios já nascem com ambições globais.
“Percebemos isso e não é de agora, mas esse movimento ganhou um novo ritmo nos últimos seis meses, com muitos empreendedores falando que estão se mudando para o Vale e que irão construir o seu próximo negócio nos Estados Unidos”, afirma Renato Valente, cofundador da Iporanga Ventures.
As ações globais operam em queda nesta quinta-feira (23), à medida que as negociações de paz no Oriente Médio permanecem em impasse. O petróleo voltou a subir acima de US$ 100 o barril.ㅤ
- Vendas da L’Oréal em alta. As ações da empresa saltaram até 9,8% em Paris, maior alta intradiária em quase 16 anos, após crescimento de 7,6% nas vendas do 1º trimestre, impulsionado por produtos profissionais e dermatológicos. O desempenho superou as vendas aquém do esperado na China.ㅤ
- Volume da Heineken sob pressão. A cervejaria registrou queda de 0,8% nos volumes no 1º trimestre, com fraqueza na Europa e nas Américas e desempenho inferior ao de concorrentes. Apesar de manter o guidance, a empresa enfrenta um ambiente mais desafiador, com custos elevados.ㅤ
- IA como motor de expansão. O Boston Consulting Group gerou 25% da receita com serviços de IA em 2025, impulsionando contratações e projetos com clientes. A receita cresceu 7%, em ritmo mais lento, enquanto a empresa aposta na IA como principal motor de expansão.
O apresentador Luciano Huck encerrou sua participação recente em um painel do evento Brazil At Silicon Valley com um apelo: “Come back”, disse ele — ou “voltem para casa”.
O pedido foi feito à plateia e aos jovens brasileiros que estudam em universidades como Stanford e Berkeley, nos Estados Unidos, e que organizaram a conferência no início de abril na Califórnia. Huck foi aplaudido efusivamente.
O comentário reflete uma mudança que começa a se impor no ecossistema de tecnologia brasileiro, com consequências para o mercado de venture capital e os fundos que operam no Brasil.
Depois de um longo período no qual “mantra” das startups fundadas por brasileiros era construir soluções locais para problemas locais, agora o eixo parece se deslocar na direção do Vale do Silício.
Um novo grupo de empreendedores tem preferido fundar e construir suas empresas de tecnologia a partir dos Estados Unidos, onde seus negócios já nascem com ambições globais.
Gestores de diferentes gerações ouvidos pela Bloomberg Línea em conversas durante o evento reconheceram a mudança e concordaram em um ponto: a concentração de cérebros, capital e ambição na Califórnia voltou a ser um ímã para o empreendedorismo de alto impacto, forçando os fundos de venture capital brasileiros a repensarem seus próprios papéis.
Muitos empreendedores brasileiros, especialmente de segunda ou terceira viagem, estão arrumando as malas para empreender fora do Brasil.
“Percebemos isso e não é de agora, mas esse movimento ganhou um novo ritmo nos últimos seis meses, com muitos empreendedores falando que estão se mudando para o Vale e que irão construir o seu próximo negócio nos Estados Unidos”, afirma Renato Valente, cofundador da Iporanga Ventures.
O movimento não se limita a fundadores brasileiros e também ocorre com profissionais de outros países da região. Mas é uma mudança significativa para um mercado que, nos últimos 20 anos, foi o berço de unicórnios como Nubank, QuintoAndar, C6 Bank, Loft, Nuvemshop, Creditas, Loggi e CloudWalk, entre outros.
Segundo Valente, da Iporanga, a gestora acompanha o movimento de perto. Mas o mandato de seu fundo atual a obriga a avaliar qual é o papel do mercado brasileiro dentro da tese do negócio no momento em que faz a avaliação de uma startup para investir.
“Queremos que esses empreendedores, pelo menos, voltem para o Brasil em algum momento. Não precisa ser no dia zero, pode ser talvez um pouco mais para frente, mas a tese da startup precisa incluir o Brasil”, diz.
A migração impõe um desafio para gestoras de venture capital do Brasil ou que investem em startups da América Latina. Numa disputa global, os fundos americanos dispõem de muito mais capital. E as gestoras brasileiras temem se tornar apenas mais um fundo no cap table, perdendo relevância ao longo do tempo em sua contribuição para as startups do portfólio.
Ricardo Duarte, cofundador da Beacon Founders, classifica a situação como uma “diluição do poder local”. Em outras palavras: o prestígio acumulado de grandes fundos brasileiros já não garante a mesma vantagem quando a partida é jogada no Vale do Silício.
Ele aponta que existe uma espécie de hierarquia. Um investimento por parte de um fundo “Tier 1” americano, como a Sequoia, garante rodadas subsequentes de forma quase automática para uma startup.
Fundos brasileiros, por outro lado, precisam provar um valor operacional muito maior para manter o mesmo nível de influência no cap table de uma startup que nasce global.
“É uma mudança gigante no modelo de negócio dos fundos”, afirma Duarte. “Precisamos ver como o mercado irá se comportar neste novo cenário, que ainda não está estabelecido.”
O movimento mais contundente nesse sentido foi feito pela Monashees, conforme antecipado pela Bloomberg Línea. O fundo de investimento brasileiro abriu um escritório em São Francisco, nos Estados Unidos, e contratou um PhD do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) para liderar iniciativas de IA.
Segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg Línea, a ideia do novo escritório americano é ampliar a presença no eixo mais relevante para inovação nas Américas e garantir acesso direto ao ecossistema de IA da costa oeste e a fundadores latino-americanos.
Há também quem seja mais pragmático. Daniel Chalfon, sócio da Astella Investimentos, ressalta que o Brasil ainda possui uma vasta quantidade de problemas — e, consequentemente, de oportunidades —, o que justifica o foco no mercado doméstico.
“Hoje, uns 70% do que fazemos no momento são investimentos em soluções que vão resolver grandes problemas no Brasil, provavelmente com baixa chance de internacionalização”, afirma.
Uma segunda vertente nos aportes inclui negócios com potencial de ir para fora, caso das startups BotCity e Birdie.ai. “Talvez o Brasil possa ser um bom proxy para construir um produto, já que encontra uma diversidade grande e depois pode-se escalar.”
O investidor reconhece a tendência dos “empreendedores globais”, mas questiona a capacidade de fundos brasileiros competirem diretamente no Vale do Silício, frente a nomes como Sequoia e Andreessen Horowitz.
Ele lembra, por exemplo, que Luana Lara, brasileira cofundadora da Kalshi, plataforma de mercado de previsão de eventos reais, não recorreu a nenhum fundo nacional para transformar em um negócio que hoje ostenta o valuation de US$ 11 bilhões.
“Do nosso lado, estamos atentos, observando e pesquisando, mas não iremos abrir uma Astella aqui nos Estados Unidos, não estamos procurando um sócio aqui, nada disso. Podemos fazer um investimento de tempo e orçamento para estar mais presentes e capturar conhecimento”, diz. “Essa é uma tese ainda não provada, mas acho que é o nosso papel tomar esse risco.”
Os estoques globais de petróleo devem provavelmente alcançar níveis mínimos históricos, mesmo diante de um cenário em que os fluxos no Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, comecem a se recuperar até o final de abril, aponta relatório do Goldman Sachs (GS).
Segundo o documento, enviado na noite desta terça-feira (21), os estoques globais visíveis vêm sendo reduzidos a uma média de 6,3 milhões de barris por dia (bpd) em abril até o momento.
As estimativas do banco de redução total de petróleo global, incluindo estoques “invisíveis” (de derivados em países fora da OCDE), apontam para 10,9 milhões de bpd de diminuição neste mês -- o ritmo mensal mais intenso de queda registrado desde 2017, informa o Goldman.
Ainda segundo o banco, as reduções totais estimadas nos estoques são de 474 milhões de barris desde o início da guerra.
Os analistas apontam que os fluxos estimados de petróleo por meio do Estreito de Ormuz permanecem em 10% do normal e qualquer recuperação provavelmente será gradual, mesmo após uma reabertura completa, devido a restrições logísticas como tempo de viagem dos navios e limites de velocidade de oleodutos.
“As quedas nos estoques globais de petróleo provavelmente continuarão até maio ou além disso”, afirmaram.
Eles acrescentaram que as reduções extremas de estoques também implicam que os mercados físicos estão em restrição acelerada, o que continuará exigindo preços muito mais altos para entrega imediata do que para alguns meses à frente.
Na visão dos analistas, esta é a principal explicação para a percepção de descasamento entre as cotações do barril para entrega imediata e os preços futuros (para entrega em junho).
Para o Goldman, a redução de estoques não é sustentável, podendo levar inclusive a uma queda na demanda.
As exportações de petróleo dos Estados Unidos subiram para um recorde histórico na semana passada, atingindo 12,7 milhões de bpd e os embarques sugerem exportações ainda maiores em maio.
No entanto, alguns oleodutos-chave no Texas já estão operando acima de sua capacidade operacional, sugerindo que aumentos adicionais nas exportações dos Estados Unidos são limitados.
As estimativas de fluxo de petróleo do Golfo Pérsico (incluindo redirecionamentos de oleodutos) estão em 9,3 milhões de bpd, ou 40% do normal, aponta o relatório.
Cotação do barril
Os preços do petróleo oscilaram ao longo da última semana, com o Brent negociado principalmente na faixa dos US$ 90, diante das incertezas sobre a resolução do conflito no Oriente Médio, que já dura mais de sete semanas, mostra o Goldman.
A segunda rodada de negociações entre os Estados Unidos e o Irã foi adiada de forma indefinida, após a decisão de Teerã de não abrir diálogo.
O presidente Donald Trump estendeu o cessar-fogo “até que sua proposta seja apresentada e as discussões sejam concluídas, de um jeito ou de outro”.
Os Estados Unidos mantêm o bloqueio a navios que saem ou se dirigem a portos iranianos.
O relatório do Goldman afirma que o prêmio de risco do petróleo deve ser menor, enquanto há uma expectativa de redução dos estoques em antecipação à reabertura de Ormuz. Os analistas acreditam ainda que haverá uma moderação nas compras imediatas.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Com 52 mil caminhões e máquinas em sua frota, a Vamos vê espaço para crescer apesar da forte barreira cultural para locação de veículos pesados no país.
A empresa controlada pelo grupo Simpar aposta em uma estratégia que inclui principalmente o segundo ciclo de locação dos ativos para conquistar novos perfis de clientes. A companhia também trabalha para lançar contratos de aluguel de curto prazo.
“Os concorrentes da Vamos são os clientes que compram o caminhão. Nosso modelo de negócio vai crescer independentemente do cenário”, disse o CEO Gustavo Couto em entrevista à Bloomberg Línea.
Desde a abertura de capital da companhia em 2021, a Vamos passou de 150 clientes para mais de quatro mil atualmente. Segundo Couto, o mercado de locação de caminhões ainda é pequeno no Brasil, com cerca de três ou quatro competidores relevantes. “Temos quase 80% do mercado.”
As ações internacionais passaram a registrar alta depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prorrogou indefinidamente o cessar-fogo com o Irã, em um dia em que os investidores também se concentrarão em uma ampla lista de divulgação de resultados corporativos.
- Rússia limita venda de fertilizantes. País estendeu as cotas de exportação até dezembro à medida que o déficit global se aprofunda devido à guerra do Irã e às interrupções no Estreito de Ormuz. Produtores russos estão autorizados a exportar apenas 20 milhões de toneladas de fertilizantes até 30 de novembro.
- Possível M&A recorde de empresas de capital aberto. A Deutsche Telekom avalia uma combinação completa com seu braço americano, a T-Mobile, em um movimento que criaria um grupo multinacional de telecomunicações e se classificaria como o maior negócio público de fusões e aquisições de todos os tempos, segundo pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Bloomberg News.
- A aposta do Goldman em IA. Uma unidade do Goldman Sachs Asset Management investiu US$ 50 milhões na BLP Digital, uma empresa suíça de inteligência artificial que ajuda as empresas a automatizar processos financeiros, como faturamento e relatórios internos.
Com 52 mil caminhões e máquinas em sua frota, a Vamos (VAMO3) vê espaço para crescer apesar da forte barreira cultural para locação de veículos pesados no país.
A empresa controlada pelo grupo Simpar (SIMH3) aposta em uma estratégia que inclui principalmente o segundo ciclo de locação dos ativos para conquistar novos perfis de clientes. A companhia também trabalha para lançar contratos de aluguel de curto prazo.
“Os concorrentes da Vamos são os clientes que compram o caminhão. Nosso modelo de negócio vai crescer independentemente do cenário”, disse o CEO Gustavo Couto em entrevista à Bloomberg Línea.
Desde a abertura de capital da companhia em 2021, a Vamos passou de 150 clientes para mais de quatro mil atualmente. Segundo Couto, o mercado de locação de caminhões ainda é pequeno no Brasil, com cerca de três ou quatro competidores relevantes. “Temos quase 80% do mercado.”
Para crescer, a empresa está criando novas diretorias, o que inclui o foco em grandes contas – especialmente varejo – e atuação regional para ampliar o alcance nacional. Hoje, a Vamos está com ocupação média da frota de 86%, mas a meta é atingir 90%.
O CEO relata que a companhia detectou um nicho de mercado para clientes que querem alugar caminhões, mas não têm fôlego financeiro para contratar uma frota zero quilômetro.
Em um país cuja idade média dos veículos pesados é de quase 20 anos, Couto explica que a contratação de caminhões de três ou quatro anos de uso significa um ganho significativo, tanto em termos de eficiência quanto de custos.
“O mercado está sofrendo com aumento de custos. Oferecer um segundo ciclo de locação cria uma nova avenida de crescimento para nós”, diz Couto.
O executivo conta que alguns setores têm um uso mais pesado da frota e não podem passar um dia sequer sem disponibilidade do veículo devido a problemas de manutenção, como por exemplo florestal e mineração. Neste cenário, as grandes empresas desses setores costumam fechar contratos de ativos zero quilômetro.
Já empresas de menor porte, com uso menos intenso, são alvo para segundo ciclo de uso dos veículos. Segundo Couto, metade do crescimento da companhia é proveniente de clientes novos.
Embora a cultura de posse ainda seja predominante no Brasil, o executivo observa que, uma vez que o cliente faz a conta, ele percebe que não vale a pena comprar, especialmente em um contexto de juros elevados.
Venda de seminovos
A Vamos inaugurou quatro lojas de venda de seminovos em 2025, totalizando 20 unidades. Para este ano, o plano é abrir três ou quatro novas lojas.
No ano passado, a Vamos dobrou a venda de veículos em relação a 2024, totalizando 6.490 unidades. Couto relata que, apesar das dificuldades de aprovação de crédito para a compra de caminhões no mercado brasileiro, a companhia vem registrando avanço em seminovos.
“Nossos grandes diferenciais são comprar bem, custos competitivos e melhor revenda.”
Neste contexto, a companhia tem obtido recordes em volume e receita com a abertura de novas lojas e contratação em vendas. Segundo o executivo, isso contribui para o crescimento em nível nacional.
Locação de curto prazo
Couto relata que o aluguel de curto prazo tem uma demanda grande entre os clientes e que a companhia está trabalhando na melhor forma de viabilizar essa oferta ao mercado.
Ele afirma que alguns clientes podem apresentar modelos de negócios com sazonalidade, como construtoras, indústria de bebidas ou agronegócio. A proposta é alugar os ativos por seis meses até um ano.
“Este não é o nosso modelo de negócio hoje, mas estamos nos preparando”, diz.
Entre outros desafios, ele destaca que é preciso garantir a ocupação do ativo e o controle.
“Ainda não há uma data definida, mas devemos lançar a locação de curto prazo ainda este ano”, pondera Couto.
Nove em cada dez consumidores da América Latinae do Caribe já se identificam como usuários de pagamentos digitais. É o que aponta pesquisa encomendada pela Mastercard e divulgada nesta terça-feira (21).
Os dados revelam, no entanto, que há uma demanda represada pela digitalização, que esbarra no desafio de melhorar o acesso dos consumidores para as opções de pagamento digitais.
O estudo, feito pela consultoria independente Many Minds Group com 3.558 adultos em dez países da América Latina e Caribe em março de 2026, mostra que, apesar do avanço expressivo, o dinheiro físico persiste como alternativa em contextos nos quais a aceitação digital ainda é precária.
Quase metade dos entrevistados (47%) usou cédulas nos últimos seis meses, e 36% ainda recorrem a elas dentro de ônibus. Entre vendedores ambulantes, a dependência do dinheiro em espécie chega a 32%.
“A inclusão já não se trata apenas de incorporar as pessoas no sistema financeiro, mas sim em garantir que o sistema funcione para elas em sua vida diária”, afirmou, em nota, Andrea Scerch, presidente da Mastercard para América Latina e Caribe.
A pesquisa abrangeu os mercados de Argentina, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Guatemala, Jamaica, México, Panamá, Peru e Porto Rico.
Vale lembrar que, no Brasil, a digitalização está bem mais avançada devido à adoção massificada do Pix. O sistema de pagamentos instantâneo, criado pelo Banco Central em novembro de 2020, já superou o uso de dinheiro em espécie em market share desde o primeiro trimestre de 2021.
Em março deste ano, o total de usuários que já tinham realizado Pix, segundo dados do BC, somava 81% da população brasileira.
Apetite em ascensão
No restante da região, a pesquisa da Mastercard aponta uma demanda crescente por pagamentos digitais. Oito em cada dez consumidores apontam segurança e praticidade como razões para preferir o digital, e 87% querem que mais estabelecimentos e pessoas passem a aceitar esse tipo de pagamento.
Cerca de 59% relatam que, ao menos uma vez ao mês, precisam sacar dinheiro quando gostariam de usar o celular ou o cartão.
Os consumidores que optam pelo pagamento digital preferem o cartão de débito: seis em cada dez utilizam essa opção para transações diárias – mais do que carteiras digitais (42%) e transferências (39%).
As categorias em que cartão de débito mais aparece entre as preferências são supermercados (34%), restaurantes e cafeterias (33%), contas de celular (27%) e transporte por aplicativo (26%).
A pesquisa reforça que a expansão dos pagamentos digitais depende tanto de infraestrutura quanto de percepção de segurança.
Entre os usuários digitais, 95% consideram a proteção um fator relevante na hora de escolher como pagar, e 94% citam a confiabilidade do sistema.
Já entre os consumidores ainda resistentes ao digital, 43% afirmam que melhorias em segurança os fariam mudar de postura, seguidos por proteção mais clara em caso de problemas (38%) e atendimento ao cliente mais eficiente (36%).
Entre os não-usuários, 68% deles afirma ser “algo ou muito provável” que adote pagamentos digitais no futuro. A janela de conversão existe — o que falta é construir a confiança e a infraestrutura que a torne real.
Estudo mostra que, apesar do avanço expressivo, o dinheiro físico persiste como alternativa em contextos nos quais a aceitação digital ainda é precária. (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)
O Banco de Brasília (BRB) assinou um memorando de entendimento (MoU) com a gestora Quadra Capital para a venda de R$ 15 bilhões em ativos oriundos de suas operações com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado.
A operação prevê a criação de um fundo de investimento para abrigar e monetizar os ativos, com pagamento à vista de no mínimo R$ 3 bilhões e até R$ 4 bilhões, segundo comunicado ao mercado divulgado pelo BRB na noite de segunda-feira (20).
O restante — entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões — será recebido pelo BRB em cotas subordinadas do fundo, ou seja, instrumentos cujo retorno dependerá do desempenho futuro dos próprios ativos transferidos.
A efetivação do acordo ainda está sujeita ao cumprimento de condições precedentes previstas no memorando, que não foram detalhadas.
O banco afirmou que a transação visa “fortalecer sua estrutura de capital e sua liquidez”, além de “aprimorar a gestão de seu portfólio” e promover a “racionalização patrimonial”.
O acordo surge em um momento de pressão sobre as finanças do BRB. O banco acumulou cerca de R$ 22 bilhões em ativos do Master — incluindo imóveis, cemitérios e restaurantes, além de carteiras de crédito —, dos quais aproximadamente R$ 13 bilhões foram classificados pelas autoridades como créditos fraudulentos. O BRB afirmou ter substituído mais de R$ 10 bilhões desses ativos.
O diretor de supervisão do Banco Central, Ailton de Aquino, estimou em depoimento à Polícia Federal, em dezembro, que o ajuste necessário no balanço do BRB seria “de mais de R$ 5 bilhões”, citando a “qualidade dos ativos” recebidos do Master.
Em fevereiro, BRB convocou uma assembleia geral de acionistas para votar um aumento de capital de até R$ 8,9 bilhões — reunião que foi cancelada e remarcada para esta quarta-feira (22).
O índice de capital principal (CET1) do BRB estava em 8,1% em junho do ano passado, próximo ao mínimo regulatório de 7% — ante 13,1% do Itaú e 12% do BTG Pactual.
De acordo com uma reportagem da Bloomberg News, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) vinha se recusando a conceder um empréstimo de pelo menos R$ 4 bilhões solicitado pelo BRB, à espera de uma clareza maior sobre o tamanho total das perdas, segundo pessoa familiarizada com as negociações.
O acordo com a Quadra representa a alternativa de mercado mais concreta anunciada até agora pelo BRB para enfrentar o rombo.
A proposta de R$ 15 bilhões havia sido sinalizada pelo governo do Distrito Federal recentemente, quando informou que um fundo de investimento — cujo nome não foi divulgado à época — havia feito uma oferta pelos ativos.
O anúncio ocorre dias após a Polícia Federal prender Paulo Henrique Costa, ex-CEO do BRB, no âmbito da Operação Compliance Zero.
Costa é acusado de ter recebido aproximadamente R$ 75 milhões em imóveis de luxo — metade de um valor negociado de R$ 150 milhões — pagos por Daniel Vorcaro, ex-CEO do Master, por meio de uma estrutura que combinava empresas de fachada e fundos geridos pela gestora Reag, segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
As autoridades afirmam que Costa autorizou o BRB a acelerar a aquisição de carteiras de crédito do Master que, posteriormente, foram classificadas como fraudulentas.
Vorcaro, por sua vez, está preso pela segunda vez desde novembro. Além das acusações originais de fraude, o ex-banqueiro enfrenta alegações de ameaça a um jornalista, acesso indevido a sistemas do FBI e da Interpol, e interferência nas investigações em curso.
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) obteve uma tutela cautelar que impede o acionista Casino Guichard-Perrachon de vender suas ações na companhia.
A decisão foi proferida pelo Juízo Titular da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo, conforme fato relevante divulgado pela empresa nesta segunda-feira (20).
A medida abrange tanto as ações que já foram vendidas pelo Casino — com a interrupção de sua compensação financeira em bolsa antes que as operações sejam concretizadas — quanto aquelas ainda não vendidas ou vendidas mas não liquidadas, ficando proibida sua venda ou liquidação.
A decisão foi proferida no contexto de um pedido de reconhecimento de processo estrangeiro iniciado pelo próprio Casino contra o GPA, por meio do qual o grupo francês buscava homologar no Brasil a autorização para alienar sua participação na companhia.
Segundo a companhia, o juiz reconheceu a probabilidade do direito do GPA e o risco de esvaziamento do patrimônio do acionista por meio da alienação das ações.
Segundo o fato relevante assinado por Pedro Albuquerque, vice-presidente de Finanças e diretor de Relações com Investidores do GPA, a tutela cautelar “representa um passo importante na preservação dos direitos e garantias da companhia”, objeto de um processo de arbitragem iniciado em 6 de maio de 2025.
Em nota divulgada posteriormente à Bloomberg Línea, o Grupo Casino afirmou que o pedido do GPA à Justiça brasileira “ocorre após a rejeição, pelo Tribunal Arbitral, de uma solicitação de medidas provisórias com o mesmo objeto apresentada pela GPA no processo de arbitragem iniciado em 6 de maio de 2025 contra a Casino perante a Corte Internacional de Arbitragem da ICC”.
“O Casino tomará todas as medidas necessárias para proteger seus interesses”, disse o grupo na nota.
Momento crítico
A decisão judicial ocorre em um dos momentos mais delicados da história recente do GPA (PCAR3). Em fevereiro, a varejista dona das redes Pão de Açúcar e Extra admitiu em suas notas explicativas do resultado do quarto trimestre que o prejuízo registrado no período e o déficit de capital de giro levantavam dúvidas relevantes sobre sua continuidade operacional.
A dívida líquida da companhia subiu para R$ 2,08 bilhões ao fim de 2025, ante R$ 1,39 bilhão no ano anterior, enquanto o índice de alavancagem — medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda — saltou de 1,6 vez para 2,4 vezes no mesmo período.
Em março, o GPA anunciou um acordo com credores para iniciar um plano de recuperação extrajudicial abrangendo cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas sem garantia e de natureza não operacional.
Credores representando 46% dos créditos afetados — ou R$ 2,1 bilhões — já haviam concordado com a reestruturação, segundo comunicado da empresa.
As obrigações de pagamento junto aos credores abrangidos foram suspensas por 90 dias para que um plano mais amplo fosse negociado.
-- Reportagem atualizada para incluir o posicionamento do Grupo Casino.
Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!
Controlada pela Coca-Cola desde 2007, a Leão Alimentos e Bebidas vê espaço para dobrar de tamanho até o fim da década, de olho em um aumento do consumo de chás, o carro-chefe da empresa fundada há 125 anos em Curitiba.
A marca líder no mercado brasileiro iniciou um ciclo de investimentos em capex de R$ 100 milhões até 2030, sendo 60% destinados à modernização de equipamentos e 40% à ampliação da capacidade produtiva.
O novo investimento é aplicado depois de a empresa aplicar R$ 60 milhões nos últimos quatro anos na mesma estrutura.
“O Brasil tem um grande mercado promissor ainda a se desenvolver”, disse o CEO Marcelo Corrêa em entrevista à Bloomberg Línea.
O petróleo operava em alta e derrubava os futuros de ações americanas e títulos do Tesouro dos EUA após um fim de semana turbulento no Oriente Médio lançar dúvidas sobre as perspectivas das negociações de paz antes de um prazo iminente de cessar-fogo.
- Petróleo em alta. O Brent subiu 6%, em direção a US$ 96 por barril, depois que a Marinha americana realizou a primeira apreensão de uma embarcação iraniana no Estreito de Ormuz. No fim de semana, o Irã interrompeu o tráfego pela via aquática menos de 24 horas depois de dizer que os navios podiam passar livremente.
- Emissões de títulos de emergentes. As ofertas de mercados emergentes voltaram a ganhar força. Neste mês, as emissões em dólares e euros de países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, já superam em cerca de 200% os volumes registrados em abril do ano passado, segundo dados da Bloomberg.
- Revolut mira IPO em dois anos. O CEO Nik Storonsky disse querer levar o banco digital à bolsa, mas não antes de 2028, estendendo o prazo de uma das ofertas mais aguardadas da Europa. “Daqui a dois anos”, disse Storonsky em entrevista a David Rubenstein, da Bloomberg TV.
Controlada pela Coca-Cola desde 2007, a Leão Alimentos e Bebidas vê espaço para dobrar de tamanho até o fim da década, de olho no aumento do consumo de chás, o carro-chefe da empresa fundada há 125 anos em Curitiba.
A marca líder no mercado brasileiro iniciou um ciclo de investimentos em capex de R$ 100 milhões até 2030, sendo 60% destinados à modernização de equipamentos e 40% à ampliação da capacidade produtiva.
O novo investimento é aplicado depois de a empresa investir R$ 60 milhões nos últimos quatro anos na mesma estrutura.
“O Brasil tem um grande mercado promissor ainda a se desenvolver”, disse o CEO Marcelo Corrêa em entrevista à Bloomberg Línea.
O principal vetor de crescimento dos últimos anos foi um produto lançado em 2019: o chá de preparo em água gelada, que acumulou expansão de 127% entre 2020 e 2025.
A linha permite o preparo em garrafas com água fria, sem necessidade de infusão quente, e reposicionou o chá como bebida de consumo fora do lar.
As ervas utilizadas passam por tratamento microbiológico diferenciado que substitui a etapa térmica tradicional. A inovação figura entre os produtos que compõem os 40% do Ebitda atribuídos a novos produtos.
A linha de chá gelado chega ao mercado num momento em que outras categorias de bebidas percebem a mesma tendência. O Starbucks, por exemplo, expandiu recentemente sua oferta de cafés gelados no Brasil, sinalizando que as novas gerações migram para formatos frios independentemente da bebida.
Para a Leão, a vantagem competitiva está nos atributos que o chá carrega por si só.
“Hoje os jovens procuram saudabilidade, naturalidade, procuram o faça-você-mesmo. A gente não fala só de cafeína, a gente fala também de cafeína, mas a gente fala de relaxamento, de diferentes funcionalidades, de diferentes atribuições, inclusive refrescância”, disse Corrêa.
Em 2025, a Leão lançou 11 produtos, incluindo a entrada no mercado de erva-mate verde com chimarrão e tereré. Para 2026, o foco declarado é consolidar esses lançamentos e ampliar a presença no mercado internacional, além de desenvolver estratégias B2B.
Novos lançamentos funcionais dependem de regulamentação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e não têm prazo definido.
Quase 70% de market share
A Leão detém 68,5% de participação em volume no mercado brasileiro de chás por infusão, segundo dados da Nielsen citados pela companhia.
O número representa um avanço de cinco pontos percentuais desde 2021, quando a participação era de 63,5%, e consolida uma trajetória de oito anos consecutivos de crescimento a dois dígitos num mercado que, apesar do avanço, ainda consome 24 xícaras de chá por habitante por ano, contra 1.200 do Uruguai e 500 da Argentina.
O contraste com os vizinhos sul-americanos revela a dimensão da oportunidade. O Brasil saiu de 16,5 xícaras per capita em 2016 para 24 em 2025, um crescimento de 45% em menos de uma década.
Ainda assim, opera em menos de 2% do patamar uruguaio e muito abaixo da média mundial de 250 xícaras por habitante. Países como Turquia (1.300), Irlanda (900) e Reino Unido (800) ilustram o teto possível.
O domínio de mercado da Leão não elimina a pressão competitiva. Nas gôndolas dos supermercados brasileiros, a marca divide espaço com a Dr. Oetker no segmento intermediário, com a Twinings no premium e com marcas próprias de redes varejistas.
A rede Dia Supermercados aposta em duas linhas de chá de marca própria, a Chámeguin, com clássicos como camomila e hortelã, e Cochichá, com blends de ervas e frutas. A produção fica a cargo da Herboflora, de Machado (MG). O Dia pratica preços até 20% abaixo da Leão nas versões básicas, constatou a reportagem em loja na zona oeste de São Paulo.
“A estratégia da marca própria do Dia é atrair consumidores que buscam produtos com bom custo-benefício, mas exigem qualidade”, afirmou o CEO Fabio Farina, em nota.
Outra concorrente é a Maratá, com presença concentrada no Norte e Nordeste. A empresa foi adquirida em 2024 pela JDE Peet’s, multinacional holandesa dona das marcas Pilão e Caboclo.
Ainda assim, a Leão é quatro vezes maior do que o segundo colocado em valor, segundo Corrêa, o CEO da marca. O dado, porém, não apaga o desafio maior: disputar atenção num país onde o café é a bebida de referência.
“O hábito de consumo de chá no Brasil não está vinculado ao clima, até porque se o clima fosse, nós não beberíamos café em pleno verão”, disse Corrêa.
Erva-mate para exportação
A aposta de longo prazo fora do Brasil está na erva-mate, produto com 85% do plantio mundial concentrado no sul do país.
A empresa opera há 18 meses em seis mercados externos (Estados Unidos, Canadá, Espanha, Portugal, Japão e Oriente Médio) e as exportações já representam aproximadamente 5% do faturamento.
O mercado americano é o mais representativo, impulsionado pela concentração de brasileiros residentes nos Estados Unidos.
A estratégia não compete com as ervas tradicionais de cada mercado, mas aposta na novidade da erva-mate como produto brasileiro ainda desconhecido fora do cone sul, um caminho que o açaí e o guaraná percorreram antes.
“É um produto brasileiro tal qual o açaí, o guaraná da Amazônia. São produtos que a gente pode dizer que são proprietários do nosso Brasil”, afirmou Corrêa.
Japão e Oriente Médio são apontados como mercados de maior potencial de longo prazo, por já terem o hábito de consumo de chá consolidado.
Norte e Nordeste como nova fronteira
No mercado doméstico, a próxima fronteira está nas regiões historicamente mais frias para o chá. Norte e Nordeste crescem acima de 20% ao ano em volume e valor nos últimos seis anos, segundo dados Nielsen, mas ainda representam apenas 15% da receita total da empresa. Sul e Sudeste concentram cerca de 40%.
A assimetria é reveladora: as regiões com menor penetração histórica crescem no ritmo mais acelerado. O consumo per capita regional gira em torno de três xícaras por habitante por ano, o que indica que o desenvolvimento do hábito, e não a disputa por share em mercados maduros, é o principal motor de crescimento disponível nos próximos anos.
Fundada em Curitiba em 1901, a Leão opera de forma ininterrupta desde então. A família fundadora não tem participação remanescente desde a aquisição pela Coca-Cola.
Fazer parte do sistema da gigante americana confere à empresa padrões internacionais de produção e políticas corporativas globais, segundo o CEO.
Sobre fusões e aquisições, Corrêa foi cauteloso em meio a um setor em movimento. A General Mills vendeu recentemente suas operações no Brasil para a Três Corações.
“A gente observa o mercado sempre”, disse, sem confirmar negociações em curso. “O que falta construir são os próximos 100 anos”.
Vista aérea da unidade fabril da Leão em Fazenda Rio Grande, região metropolitana de Curitiba (PR): empresa opera duas fábricas no Paraná e planeja investir R$ 100 milhões até 2030. (Foto: Divulgação/Leão)
O vinho de mesa Pérgola acaba de completar 12 anos como o mais vendido do Brasil. Com 45 milhões de litros vendidos por ano, crescimento de mais de 10% e um faturamento anual de mais de R$ 500 milhões, a bebida simples e barata se tornou a base de uma diversificação nos negócios da Vinícola Campestre, de olho no longo prazo e na liderança também dos vinhos finos.
Em 2014, mesmo ano em que alcançou a liderança do mercado nacional, o empresário João Zanotto comprou um frigorífico desativado em Vacaria, no planalto gaúcho, e começou a transformá-lo em uma nova vinícola para a Campestre, dona da marca.
Ali começava para valer um novo projeto, voltado a vinhos finos e de maior prestígio, surfando na força e no faturamento da bebida doce e simples que conquistou milhões de consumidores.
A decisão de entrar no segmento premium não veio por causa do sucesso nas bebidas baratas. Anos antes de começar a nova vinícola, a empresa já fazia testes e elaborava vinhos finos para consumo próprio, e em 2015 veio a decisão de transformar a produção em produto comercial.
“Nós esperamos equilibrar o mercado, ter o mercado de um para começar no outro”, disse Zanotto à Bloomberg Línea, durante visita à vinícola em Vacaria.
Entre passeios entre os vinhedos, degustações e até experiência pisando uvas, o CEO explicou a lógica de diversificação que guia as novas apostas da Campestre, que quer reconhecimento não só por tamanho, mas por qualidade.
A lógica é simples na formulação, complexa na execução: o Pérgola financia essas apostas. A empresa opera com uma meta de 5% de lucro líquido sobre o faturamento e reinveste outros 5% em tecnologia, expansão e novos negócios.
O Pérgola ajuda a sustentar tudo, explicou o CEO ao tratar da lógica de longo prazo. “Vamos ter essa asa grande até o vinho fino andar sozinho.” Essa “asa grande”, como ele define, é o que permite à Campestre investir em um negócio que ainda não gera retorno relevante, mas que pode redefinir seu posicionamento no futuro.
Com um faturamento de mais de R$ 500 milhões ao ano — número que Zanotto confirmou em entrevista anterior à Bloomberg Línea e que cresce cerca de 10% a 15% ao ano —, o modelo gera recursos suficientes para bancar apostas de longo prazo que, por ora, não se pagam.
Um negócio dentro do negócio
O vinho fino representa hoje 2% do faturamento da Campestre. O investimento para chegar até aqui, segundo Zanotto, foi “muito substancial”. O prazo original para o retorno era de 10 anos. Depois, passou para 15. “Quando chegarmos nos 15 anos, eu acho que vai estar pago e começa alguma lucratividade”, disse.
Isso significa que a empresa vem financiando, por quase uma década, uma divisão que consome capital sem gerar retorno equivalente.
A justificativa não pode ser reduzida apenas ao prestígio e reconhecimento dos vinhos finos, e é tanto estratégica quanto financeira. “A margem do vinho fino é bem melhor”, afirmou Zanotto. “São vinhos com valor agregado maior. Quando a pessoa gosta de um tipo de vinho, ela não tem problema em pagar mais.”
Isso fica evidente em uma visita à vinícola, onde os vinhos finos estão à venda. Enquanto o Pérgola pode ser encontrado em qualquer supermercado por cerca de R$ 20, entre os vinhos finos os mais simples levam a marca Villa Campestre e podem ser comprados por cerca de R$ 40.
Os rótulos premium são chamados de Zanotto e têm preços a partir da faixa de R$ 70 e vão até R$ 189, caso da linha Roots. Há até uma linha especial, o Zanotto Troppo Maturo, elaborado com uvas desidratadas no vinhedo, que custa mais de R$ 400 a garrafa.
São vinhos que também têm alcançado premiações internacionais. O feito com Sauvignon Blanc recebeu medalha de ouro do Decanter World Wine Awards em 2025, por exemplo.
A comparação que ele usa é com o mercado de perfumes de luxo: quem gosta paga. O problema é fazer a pessoa experimentar. E essa é a estratégia para construir mercado: fazer o consumidor conhecer a bebida.
É por isso que há uma aposta no enoturismo, mas também um investimento em levar a bebida aos consumidores. Uma das formas de fazer isso foi a abertura de uma loja com wine bar em São Paulo, onde a Campestre passou a oferecer um “rodízio”, uma experiência em que o cliente paga um valor fixo e pode tomar todos os vinhos da marca, na quantidade que quiser.
Na visão da empresa, qualidade consistente é o único caminho para disputar espaço em um mercado onde o consumidor ainda privilegia rótulos importados. Isso vale tanto para o vinho fino quanto para o de mesa, que também passou por melhorias ao longo das décadas. “Sem qualidade não dá para pensar em nada mais”, afirmou Zanotto.
A coexistência entre os dois segmentos — o popular e o premium — não é vista como um conflito interno. Pelo contrário: eles cumprem papéis distintos dentro da estratégia da empresa.
A cada 15 dias, a equipe reúne colaboradores de diferentes perfis para degustar às cegas vinhos da casa ao lado de rótulos concorrentes — brasileiros e importados, da mesma safra. “O nosso objetivo sempre é estar em primeiro e em segundo”, disse Zanotto. “É assim que você antecipa o mercado.”
Nesse sentido, o vinho fino da Campestre segue uma lógica diferente do Pérgola, que chegou ao topo pela escala, pela distribuição capilar e por um produto que encontrou um ponto de preço acessível em supermercados por todo o Brasil.
O fino — comercializado sob a linha Zanotto — vai para lojas especializadas e restaurantes. “O trabalho com vinho de mesa foi o mesmo que agora é feito no de uvas viníferas. Sem pressa”, disse Zanotto.
Novo terroir
A separação entre os dois segmentos vai além do mercado. É estrutural. No vinho de mesa, a Campestre não planta uma única uva: abastece sua produção com cerca de 840 famílias fornecedoras num raio de 120 quilômetros ao redor da unidade original em Campestre da Serra.
No vinho fino, a empresa produz a própria matéria-prima nos 28 hectares de vinhedo que cultiva em Vacaria — com 14 variedades, entre francesas e italianas.
“O vinho de mesa é um vinho para ser jovem. Queríamos fazer vinhos de guarda, vinhos para ganhar premiações internacionais”, explicou Zanotto. “Então foi investido, como começamos 60 anos atrás, foi tudo com dificuldade, foi tudo aos pouquinhos.”
André Donatti, enólogo-chefe e gerente-geral da vinícola em Vacaria, eleito Enólogo do Ano 2024 pela Associação Brasileira de Enologia, está à frente da operação há 20 anos. Para ele, o objetivo nunca foi apenas vender um produto diferente.
“O objetivo é criar algo de qualidade para o público, para o cliente que queira degustar e desbravar uma nova região”, disse. “Queremos ter um novo terroir com vinhos distintos e de especificidade pela região.”
A Campestre já identificou as variedades que melhor se adaptaram ao clima dos Campos de Cima da Serra — Sauvignon Blanc, Pinot Noir e Merlot à frente —, e prepara, nos próximos meses, um pedido de Denominação de Origem para a região junto ao INPI. A escala ainda é limitada, com cerca de 280 mil a 300 mil quilos de uvas, mas suficiente para testar e desenvolver estilos próprios.
O preconceito reconhecido
A vinícola carrega um paradoxo de imagem: é a maior do Brasil no segmento de vinhos de mesa, categoria que enfrenta resistência sistemática entre os consumidores de vinhos finos.
Zanotto reconhece o problema sem constrangimento. “O preconceito é com razão”, disse, lembrando que a melhoria técnica do vinho de mesa começou há cerca de 35 anos, quando a empresa passou a acompanhar mais de perto a qualidade da uva dos produtores parceiros.
Mas ele é categórico ao separar os mundos: Pérgola e vinho fino são “classes distintas”, e nenhuma das marcas ajuda ou atrapalha a outra diretamente.
O Pérgola atinge supermercados e uma base ampla de consumidores. O vinho fino, sob outra identidade, busca outro público.
Donatti confirma a distinção, mas pondera: “Quem curte Pérgola certamente vai curtir a estrutura da Vinícola Campestre.”
A meta e o horizonte
O Pérgola cresce entre 10% e 15% ao ano, de forma ininterrupta, segundo Zanotto. A meta para 2026 é atingir 50 milhões de litros comercializados — ante os 45 milhões atuais, que já representam 22% do mercado brasileiro de vinho de mesa.
O faturamento sobe junto, embora Zanotto prefira falar em volume. “Litros e garrafas. Sei que o resultado vem daí.”
O vinho fino, por sua vez, cresce em percentuais muito mais altos — 50%, 60% ao ano — mas parte de uma base pequena. “Pela quantidade baixa, o crescimento se dá mais alto”, disse.
O horizonte para o fino se tornar relevante no balanço da empresa é de décadas. “Vamos pensar em 30 anos”, disse Zanotto.
A lógica, segundo ele, é não concentrar tudo num único produto. “Nós não botamos todos os ovos numa cesta”, disse Zanotto. Para a Campestre, diversificar com o caixa do Pérgola é também uma forma de reduzir a dependência de um mercado que, apesar do crescimento consistente, opera sob pressão
A tributação preocupa. Com uma carga de 40% sobre o setor — uma das mais altas entre os países produtores — e a perspectiva do acordo Mercosul-União Europeia, que pode permitir a entrada de vinhos europeus subsidiados a preços mais baixos, o ambiente regulatório é uma variável fora do controle da empresa. “Se nós tivéssemos uma tributação de 20% a 25%, seria um céu para nós”, disse.
No plano imediato, a Campestre acelera o enoturismo como terceira frente de receita. Um hotel de 115 apartamentos está em construção no complexo de Vacaria, com salões de eventos já em operação.
Para Zanotto, o raciocínio é direto: num casamento de 300 pessoas, ao menos 150 experimentam o vinho. Parte vira consumidora. “Esse é o objetivo.”
“O enoturismo hoje representa cerca de 25% da venda do vinho do mundo”, disse Zanotto. No Brasil, ainda é pouco. Mas a empresa está se preparando para quando isso mudar.
Bebida simples e barata se tornou a base de uma diversificação nos negócios da Vinícola (Foto: Bloomberg Línea)
O Uruguai está se consolidando como hub financeiro na América Latina — e em particular como plataforma para canalizar fluxos de investimento de latino-americanos.
A avaliação foi compartilhada por representantes do BTG Pactual, do JPMorgan Asset Management e da Janus Henderson na Pro Capital Conference 2026, organizada pela corretora uruguaia Pro Capital em 15 de abril, no Centro de Eventos do LATU, em Montevidéu.
Dirk Mengers, head of sales & business development para a América Latina excluindo o Brasil do BTG Pactual Asset Management, definiu o Uruguai como “a Singapura da região” e afirmou que o país é um passo natural para a expansão do maior banco de investimento da América Latina.
O BTG Pactual está em processo de aquisição do HSBC no Uruguai — uma operação de US$ 175 milhões ainda pendente de aprovação regulatória, que consolidaria sua presença no país.
Mengers apontou que o banco percebe fragilidades nos Estados Unidos e na Europa — como crescimento dos gastos sociais e perda de confiança nas moedas locais — que tornam a América Latina um destino de investimento mais atrativo.
Juan Pablo Soffia, managing director do JPMorgan Asset Management para o Cone Sul, com 30 anos de indústria e 22 na instituição, apresentou dados do Guide to the Markets que ilustram o custo de tentar cronometrar o mercado: perder os 10 ou 20 melhores dias de negociação reduz drasticamente os retornos de longo prazo.
Sua mensagem foi direta: manter-se investido com carteiras diversificadas supera consistentemente a estratégia de tentar antecipar os movimentos do mercado.
Soffia disse que a carteira clássica 60/40 está evoluindo para uma configuração 50/30/20, que incorpora ativos alternativos como infraestrutura e dívida privada. “A diversificação não é apenas adicionar mais ativos. É alcançar uma descorrelação efetiva”, afirmou. O JPMorgan Asset Management administra US$ 4,3 trilhões globalmente, com presença em 34 países e mais de 1.500 analistas.
IA como tendência estrutural de investimento
John Davies, representante da Janus Henderson Investors no Uruguai e com 12 anos representando a gestora na região, defendeu que a inteligência artificial é uma tendência de longo prazo que os investidores deveriam acessar por meio de fundos especializados com histórico comprovado, em vez de tentar selecionar ações individuais.
Ele citou o fundo Global Technology Leaders da gestora, ativo desde 1996, como exemplo de veículo para capturar a temática sem o risco do stock picking.
Davies recomendou ignorar, na medida do possível, o ruído geopolítico e focar nas megatendências.
Sobre o conflito no Oriente Médio e seu impacto nos mercados, os três painelistas concordaram que a volatilidade gerada por notícias tende a se dissipar e que a chave está na alocação estratégica de longo prazo — não em reagir a cada manchete.
América Latina: fluxos que revalorizam a região
Mengers afirmou que o BTG está observando um fluxo global que revaloriza a América Latina e que os clientes estão se diversificando em direção à região.
Segundo ele, a aposta do banco é em ativos de “baixa obsolescência” — commodities, logística e serviços bancários — que têm caráter tangível difícil de replicar com tecnologia.
O evento contou ainda com a participação de Hernán Kazah, cofundador do Mercado Livre e co-líder da Kaszek, maior fundo de venture capital da América Latina, e de Guibert Englebienne, cofundador e presidente para a América Latina da Globant. O Bank of New York Mellon participou como parceiro estratégico do evento.
Diego Pozzi, fundador e managing partner da Pro Capital, destacou que o Uruguai capta cada vez mais fluxos de clientes argentinos e institucionais, gerando emprego e oportunidades nas áreas de gestão de ativos e estruturação financeira.
Pozzi afirmou que a Pro Capital e o Itaú são os dois destinos profissionais mais aspiracionais para jovens de finanças no Uruguai.
Mengers, do BTG, apontou que o banco percebe fragilidades nos Estados Unidos e na Europa que tornam a América Latina um destino de investimento mais atrativo.
A guerra no Oriente Médio está aprofundando as diferenças entre os principais países da América Latina e do Caribe.
Enquanto as nações produtoras de petróleo se beneficiem dos preços elevados da energia — ainda que enfrentem desafios —, outras economias registram retração na atividade e se mostram mais vulneráveis ao conflito.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que países produtores como Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Trinidad e Tobago e Venezuela estão se beneficiando dos preços mais altos da energia.
“O choque nas commodities está fortalecendo seus balanços de pagamentos, apoiando o crescimento e ajudando as finanças públicas”, afirma o FMI no relatório The Middle East War Will Have an Uneven Impact on the Western Hemisphere.
O documento explica que, embora alguns desses países também enfrentem condições financeiras mais restritivas, no conjunto muitos deles devem registrar ganhos econômicos líquidos.
Ainda assim, o FMI alerta que “mesmo nesses países produtores de petróleo, não se deve perder de vista que os mais vulneráveis serão os mais afetados pelo aumento dos preços de energia e alimentos”.
Para além dos possíveis ganhadores, “para outros já se desenvolve uma história muito diferente”, diz o FMI no relatório. “O conflito tem impactos econômicos claramente negativos tanto para a atividade econômica quanto para a população.”
As economias do Caribe dependentes do turismo devem ser as mais prejudicadas. Sua dívida é elevada e suas importações líquidas de energia são significativas, representando em média cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB).
A América Central também é vulnerável aos altos preços de energia e, em vários casos, enfrenta limitações fiscais que restringem a capacidade de resposta. O FMI pondera, no entanto, que os avanços em energias renováveis em alguns países oferecem algum alívio.
Países com déficits em conta corrente e alta dependência de financiamento externo — incluindo alguns exportadores de energia — também enfrentam dificuldades, com custos de financiamento mais elevados e menor acesso aos mercados em um ambiente de menor apetite global por risco. “A guerra reduz o apetite dos investidores por risco”, ressalta o FMI no relatório.
Segundo o FMI, os efeitos desse cenário variarão entre os países da região e dependerão em grande medida da duração do conflito e das perturbações associadas.
No sábado (18), o Irã transmitiu mensagem a navios na região do Estreito de Ormuz de que a passagem marítima estava novamente fechada, um dia após o país anunciar a reabertura total do estreito — mantendo o cenário incerto.
Choque inflacionário
Enquanto o impacto sobre a atividade econômica deve variar amplamente entre os países, o efeito sobre a inflação será mais uniforme, avalia o FMI.
“A inflação será mais alta para todos. A região enfrentará custos muito mais elevados de combustível, transporte, alimentos e outros insumos”, diz o FMI no documento.
Entre os países analisados na região, a inflação projetada para 2026 é mais alta na Venezuela (220%), na Bolívia (26,1%) e na Argentina (25%).
No Brasil, a estimativa é de 4,3%; no Chile, 3,6%; no Paraguai, 3,5%; no Equador, 3%; e no Peru, 2,5%. Na Colômbia, a projeção é de 6,3%, e no Uruguai, de 4,5%.
Na América Central, a inflação chegaria a 4,8% em Honduras, 3,9% na Guatemala, 2,5% em El Salvador e 1% na Costa Rica. No Caribe, a República Dominicana registraria 4,5%. Para a América Latina e o Caribe como um todo, o FMI projeta inflação de 6,6% em 2026 e 4,2% em 2027.
O fundo alerta que o aumento da inflação vai gerar dificuldades especialmente para as famílias de menor renda, que são as que menos condições têm de absorver a alta no custo dos bens essenciais.
Nesse sentido, o FMI avalia que o conflito representa um desafio renovado e altamente imprevisível em um momento em que a região ainda trabalhava para se recuperar dos efeitos da covid-19.
Países mais bem preparados
O FMI indica que países com marcos macroeconômicos e institucionais sólidos estarão em melhor posição para absorver o choque — especialmente aqueles com inflação ancorada, disciplina fiscal e dívida baixa.
O espaço fiscal disponível deve ser usado com cautela, enquanto os países mais limitados podem ser obrigados a apertar suas políticas fiscal e monetária.
Os exportadores de energia com fundamentos frágeis deveriam poupar os ganhos extraordinários, sugere o relatório. Aos bancos centrais, que já contiveram a inflação pós-pandemia, cabe agora garantir novamente a estabilidade de preços.
No campo fiscal, o FMI considera essencial preservar os avanços na eliminação de subsídios generalizados e resistir a pressões políticas para controlar preços administrativamente. Os gastos devem ser direcionados a famílias vulneráveis, agricultores e pequenas empresas.
Diante do elevado nível de endividamento, “a região tem pouca margem para continuar ampliando os déficits fiscais”, afirma o fundo.
A prioridade, segundo o relatório, deve ser reduzir gastos menos essenciais ou aumentar a arrecadação junto a empresas e famílias com maior capacidade de pagamento.
Consequências além da guerra
A consultora Oxford Economics prevê que o conflito no Oriente Médio reduzirá o crescimento global, elevará a inflação e manterá perturbações no setor energético, com efeitos que devem se prolongar mesmo após o cessar-fogo.
A projeção de crescimento do PIB mundial da consultora foi reduzida em 0,4 ponto percentual desde o início de março, para 2,4% em 2026.
“O frágil cessar-fogo aparentemente reduz o risco de um cenário pior, mas mesmo que a trégua se mantenha, levará tempo para que a produção de energia e o tráfico marítimo retornem aos níveis normais”, afirmou Ben May, diretor de Pesquisa Macroeconômica Global da Oxford Economics.
Em nível global, o FMI cortou sua projeção de crescimento para 3,1% neste ano, ante os 3,3% previstos em janeiro, em razão do impacto da guerra no Oriente Médio e da crise do petróleo.
“As perspectivas globais se obscureceram abruptamente após o início da guerra no Oriente Médio”, diz o fundo. “Antes da guerra, estávamos preparados para melhorar nossa previsão de crescimento global”, acrescentou a instituição.
A marca colombiana Juan Valdez lançou na Espanha uma edição limitada de café premium em parceria com a estilista espanhola Ágatha Ruiz de la Prada.
A coleção inclui xícaras com estampas da designer — corações, formas geométricas e cores vibrantes — e café 100% colombiano em embalagem assinada.
A colaboração faz parte da estratégia da marca de reforçar sua presença no mercado europeu combinando produto e identidade cultural.
Para a Juan Valdez, unir o café colombiano ao nome de uma das figuras mais reconhecidas da moda espanhola é uma forma de ampliar seu alcance além do público habitual de cafeterias premium.
A colaboração, concebida como uma edição especial, une a origem do café colombiano a um dos universos criativos mais reconhecíveis da moda espanhola.
O resultado é uma proposta que apela à experiência: não apenas tomar café, mas interagir com uma narrativa visual e emocional construída em torno dele.
O lançamento acontece em um momento em que a Espanha ganha relevância dentro da expansão internacional da companhia.
“A Espanha é um mercado-chave dentro da nossa estratégia na Europa, com um crescimento de 55% nas vendas no último ano”, afirmou Virginia Donado, CEO da marca no país, em declarações à Bloomberg Línea.
Para a empresa, o mercado espanhol funciona como uma ponte para a Europa, impulsionado pela afinidade cultural com a América Latina e por um consumidor cada vez mais receptivo a propostas que combinam produto e experiência.
Essa mudança no padrão de consumo é central na estratégia. “Mais de 70% das decisões no setor de hospitalidade são influenciadas pela experiência e pelo ambiente”, explicou Donado, que descreve uma virada em direção a um modelo no qual o café deixa de ser apenas uma bebida para se tornar um elemento cultural e social.
Nesse contexto, a parceria com a estilista espanhola não é um fato isolado, mas parte de uma aposta por conectar com novos públicos por meio da indústria criativa.
A Espanha, com sua forte tradição em design e estilo de vida, torna-se assim um laboratório para esse tipo de iniciativa.
O crescimento da Juan Valdez no país europeu se apoia em um modelo multicanal que combina lojas físicas — onde se concentra a experiência de marca — com um canal digital em expansão, que cresceu mais de 45% no último ano, impulsionado pela venda de café embalado.
A médio prazo, a companhia projeta chegar a até 140 lojas na Espanha nos próximos seis anos, consolidando uma base operacional para sua expansão pelo restante da Europa. Em paralelo, a aliança com o Grupo Lux busca reforçar sua capacidade logística e comercial na região.
Além da expansão física, a estratégia mira competir em um mercado europeu altamente sensível a preço por outro caminho: o valor. “Não entramos na guerra de preços, mas na construção de valor”, afirmou Donado, destacando o peso da origem, da qualidade e do impacto social do café colombiano.
Iniciativas como o programa Mulheres Cafeicultoras, que já beneficiou mais de 1.000 produtoras na Colômbia, integram esse discurso, no qual a marca busca se diferenciar não só pelo produto, mas pela sua história.
Para a companhia, esse tipo de colaboração também reflete uma transformação mais ampla na indústria cafeeira latino-americana: a passagem de exportar matéria-prima para exportar marca, experiência e conteúdo cultural.
Nesse percurso, a Espanha não atua apenas como mercado, mas como vitrine — um espaço onde o café colombiano se apresenta não só como origem, mas como proposta estética e cultural capaz de competir no segmento premium global.