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A visão da Eve sobre a desaceleração da demanda

23 de Junho de 2026, 07:00

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Nos últimos anos, o veículo elétrico de pouso e decolagem vertical (eVTOL, na sigla em inglês) ganhou forte tração em meio ao movimento de descarbonização global. Mais recentemente, contudo, o quadro de demanda do produto, que também ficou conhecido como “carro voador”, mudou.

Na EVE (EVEX), uma das expoentes do segmento, hoje a companhia trabalha com uma projeção de demanda global de até 30 mil aeronaves em 20 anos, em 800 cidades do mundo, segundo o diretor de relações com investidores, Lucio Aldworth. Anteriormente, as estimativas do setor chegavam a superar 50 mil unidades para o período.

“À medida que conversamos com clientes, refinamos as nossas expectativas, porque percebemos como a demanda vai se acomodar”, disse o executivo em conversa com a Bloomberg Línea.

Inicialmente, a EVE, controlada pela Embraer (EMBJ3), tinha uma projeção de obter a certificação em 2026, mas esse prazo foi adiado para 2027 e, agora, está previsto para 2028.

⇒ Leia a reportagem: Eve, da Embraer, aposta em solidez do eVTOL mesmo com desaceleração da demanda

Protótipo do eVTOL da brasileira: expectativa de certificação em 2028. (Foto: Empresa/Divulgação)

No radar dos mercados

Uma onda de venda de ações se espalhou pelos mercados globais nesta terça-feira (23) à medida que investidores demonstravam nervosismo em relação às ações de tecnologia altamente valorizadas e avaliações de mercado infladas.

- IG4 mira dívida da Raízen. A empresa de private equity afirmou que dispõe de capital suficiente para comprar a dívida da Raízen enquanto busca adquirir uma parcela suficiente da produtora de açúcar e etanol em dificuldades para chegar a uma participação acionária de 50,1%.

- Tráfego ganha força em Ormuz. Um número cada vez maior de navios sinaliza abertamente sua intenção de atravessar o Estreito de Ormuz, o que indica uma confiança crescente entre armadores e comerciantes à medida que as tensões entre EUA e Irã diminuem.

- China adota medidas de austeridade. Pequim reduziu seu déficit fiscal acumulado pela primeira vez em mais de dois anos, dando continuidade às medidas de austeridade apesar da desaceleração do crescimento. O déficit combinado dos dois maiores orçamentos governamentais diminuiu 4,1% nos primeiros cinco meses em relação ao mesmo período do ano anterior.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na segunda-feira (22/06): Dow Jones Industrials (+0,29%), S&P 500 (-0,37%), Nasdaq Composite (-1,32%), Stoxx 600 (+0,58%), Ibovespa (+1,21%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Bancos brasileiros buscam lições no México após EUA apontarem PCC e CV como terroristas

Novo presidente do Citi Brasil, André Cury quer aumentar em 50% o negócio de equities

Conselho da Vale resiste a mudança de presidente pedida pela Previ, segundo fontes

• Também é importante: Da ‘exuberância irracional’ à crise de 2008: o legado de Alan Greenspan à frente do Fed | Startup de RH Tako inicia expansão global com IA para recrutamento e mira os EUA

• Opinião Bloomberg: Da geopolítica ao clima: como a diversificação é a chave para a crise global de energia

• Para não ficar de fora: Brasil tem 6 universidades entre as 20 melhores da América Latina, segundo ranking

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Managing Editor, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Eve, da Embraer, aposta em solidez do eVTOL mesmo com desaceleração da demanda

23 de Junho de 2026, 06:00

Nos últimos anos, o veículo elétrico de pouso e decolagem vertical (eVTOL, na sigla em inglês) ganhou forte tração em meio ao movimento de descarbonização global. Mais recentemente, contudo, o quadro de demanda do produto, que também ficou conhecido como “carro voador”, mudou.

Na EVE (EVEX), uma das expoentes do segmento, hoje a companhia trabalha com uma projeção de demanda global de até 30 mil aeronaves em 20 anos, em 800 cidades do mundo, segundo o diretor de relações com investidores, Lucio Aldworth. Anteriormente, as estimativas do setor chegavam a superar 50 mil unidades para o período.

“À medida que conversamos com clientes, refinamos as nossas expectativas, porque percebemos como a demanda vai se acomodar”, disse o executivo em conversa com a Bloomberg Línea no evento Equity Conference, do Citi Brasil, promovido na semana passada em São Paulo.

Para poder operar comercialmente, qualquer aeronave nova do mercado precisa de uma certificação, pelo órgão regulador, demonstrando que o veículo atende aos padrões de segurança e desempenho vigentes. Qualquer atraso pode impactar diretamente a viabilidade financeira e competitiva da empresa em questão.

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Inicialmente, a EVE, controlada pela Embraer (EMBJ3), tinha uma projeção de obter a certificação em 2026, mas esse prazo foi adiado para 2027 e, agora, está previsto para 2028.

“Quanto mais evoluímos no processo de certificação e design, mais aprendemos sobre o que falta para chegarmos aonde é necessário. Naturalmente, o produto veio evoluindo, portanto houve readequação para acomodar requisitos e novas descobertas que fizemos ao longo do processo”, destacou.

Leia também: ‘Os carros elétricos são um caminho sem volta’, diz CEO da Porsche no Brasil

Aldworth observou que aeronaves totalmente novas não são lançadas há décadas na aviação civil. “Agora, estamos lançando algo completamente novo, é um desafio. Mas vamos aprender fazendo.”

Segundo a última apresentação a investidores da companhia, a Eve possui 27 clientes em nove países, com uma carteira aproximada de cerca de 2.700 pré-pedidos.

Por enquanto, o protótipo do eVTOL da brasileira só realizou voo não tripulado.

Uma vez certificado, a produção do veículo será em Taubaté, no interior de São Paulo, e a capacidade estimada inicial é de 60 unidades por ano na fase 1, podendo atingir 480 na fase 4.

Absorção no mercado

Aldworth relata que cerca de 40% dos pedidos da Eve são de companhias aéreas (segmento de “asa fixa”); quase 30% são de operadores do ramo de helicópteros e, em torno de 20%, de empresas de leasing de aeronaves.

“As empresas de helicópteros devem ser as primeiras a adotar [o eVTOL], porque elas já têm as rotas. Basicamente, seria tirar um e colocar o outro no lugar, fazendo os mesmos trajetos. É o mais natural.” Ele acredita que a próxima fase de adoção deve acontecer no segmento de asa fixa.

Segundo o diretor de vendas da Líder Aviação, Anderson Markiewicz, a migração do helicóptero para o eVTOL será natural.

“Em um primeiro momento, o helicóptero terá um melhor desempenho [de mercado] pelo seu alcance. Mas o custo operacional da hora de voo do eVTOL será mais barato do que o convencional a combustão, que tem um custo muito alto de manutenção”, disse em painel promovido pelo Citi.

A Líder firmou uma parceria com a norte-americana Beta Technologies para representar exclusivamente no Brasil as suas aeronaves elétricas. O acordo prevê compra e opções de compra.

“Certamente vamos capturar um mercado que, hoje, não é atendido pelos helicópteros. Mas não vai ser um transporte de massa”, avalia Markiewicz sobre o eVTOL.

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Protótipo do eVTOL da brasileira: expectativa de certificação em 2028. (Foto: Empresa/Divulgação)

Brasil tem 6 universidades entre as 20 melhores da América Latina, segundo ranking

22 de Junho de 2026, 15:45

Universidades de Argentina, Brasil, Chile, México e Colômbia voltam a figurar entre as melhores da América Latina, segundo o QS World University Rankings 2026.

Assim como no relatório do ano passado, apenas a Universidade de Buenos Aires conseguiu entrar no top 100 mundial, ocupando a 84ª posição global. A segunda colocada na região, a Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC), está na posição 119.

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Na edição deste ano, as instituições públicas da região voltam a se destacar: seis das dez primeiras do ranking latino-americano são públicas.

Leia também: Como um grupo de doadores bilionários se uniu para criar o ‘MIT do Brasil’

O QS World University Rankings mantém o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, como a melhor instituição do mundo, com pontuação máxima de 100 pontos.

Na sequência aparecem o Imperial College London (Reino Unido), com 99,2 pontos, e a Universidade Stanford (EUA), com a mesma pontuação.

O ranking considera mais de 1.500 instituições de 106 países e territórios.

As 20 melhores universidades da América Latina

  1. Universidad de Buenos Aires (UBA) — Argentina: 72,3
  2. Pontifícia Universidade Católica do Chile (UC): 65,6
  3. Universidade de São Paulo (USP): 64,1
  4. Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM): 62,3
  5. Universidad de Chile: 57,1
  6. Tecnológico de Monterrey — México: 57,0
  7. Universidad de los Andes — Colômbia: 52,8
  8. Universidade Estadual de Campinas (Unicamp): 47,9
  9. Universidad Nacional de Colombia: 46,4
  10. Pontifícia Universidad Católica del Perú (PUCP): 41,4
  11. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ): 40,8
  12. Pontifícia Universidad Javeriana — Colômbia: 38,5
  13. Universidad de Costa Rica: 34,1
  14. Universidad Nacional de La Plata (UNLP) — Argentina: 33,5
  15. Unesp: 32,0
  16. Pontifícia Universidad Católica Argentina: 30,9
  17. Universidad Austral — Argentina: 30,9
  18. Universidad de Santiago de Chile (USACH): 29,8
  19. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): 28,3
  20. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio): 27,8

Desafios em educação e emprego para os jovens

Segundo relatório do Banco Mundial, os sistemas educacionais da região “não estão necessariamente entregando habilidades úteis para o trabalho”. Três em cada quatro jovens de 15 anos não dominam conceitos básicos de matemática, e mais da metade não consegue ler adequadamente.

Como resultado, 22,8% das empresas da região identificam uma força de trabalho com educação inadequada como uma limitação importante ou muito grave — acima da média global de 19%.

Leia também: Brasil tem 11 cidades entre as mais ameaçadas por ondas de calor, segundo Oxford

As falhas nos sistemas educacionais, as características do mercado de trabalho, as desigualdades de gênero e a falta de habilidades digitais freiam o emprego juvenil na era da inteligência artificial na região, explica Daniela Trucco, oficial superior de Assuntos Sociais da Divisão de Desenvolvimento Social da Cepal, à Bloomberg Línea.

“Na região, 20% dos jovens entre 15 e 29 anos não estudam nem trabalham de forma remunerada, e esse percentual se manteve relativamente estável na última década”, disse a especialista.

De acordo com o relatório Education at a Glance 2025, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), países como Colômbia (27%), Brasil e Costa Rica (ambos com 24%) apresentam os maiores índices de jovens que não estudam nem trabalham na região.

Cerca de 30% dos jovens da região não concluem o ensino médio — o que evidencia uma crise de aprendizagem que a pandemia aprofundou. Além disso, “muitos jovens sentem que o que aprendem não é relevante para seu futuro profissional”, segundo Trucco.

Leia também: Gera, que tem Lemann como sócio, sai de ensino bilíngue após Cade aprovar venda da Edify

A América Latina enfrenta o desafio de não gerar empregos de qualidade em quantidade suficiente. Trucco explicou que os jovens enfrentam maiores barreiras de acesso e uma proporção maior de inserção no mercado informal, sem benefícios sociais.

Espera-se que um número crescente de jovens latino-americanos se afaste dos trabalhos tradicionais na agricultura e na indústria para migrar para o setor de serviços — embora este se caracterize por baixos níveis de produtividade na região, segundo relatório da organização Ayuda en Acción em parceria com a Cepal.

Até 2030, “em um cenário realista”, mais de 1,2 milhão de jovens em 16 países da América Latina deixariam o setor agrícola e cerca de 640.000 sairiam da indústria, enquanto mais de 1,8 milhão ingressariam no setor de serviços.

Com isso, mais de 60% dos jovens ocupados se concentrarão em serviços públicos e empresas (34%) e no comércio (30%), contra apenas 8,2% na agricultura e 7,4% na construção, aponta o Estudo prospectivo de emprego jovem na América Latina: a educação e formação para o trabalho como eixo central.

-- Correção: Reportagem atualizada às 21h45 para incluir informações do ranking de 2026. Uma versão anterior trazia dados desatualizados do QS World University Rankings.

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© Marcos Santos/USP Imagens

Prédio da FEA-USP: seis das dez primeiras do ranking latino-americano são públicas. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Lemann, Telles e Sicupira se reunirão em conferência em São Paulo em setembro

22 de Junho de 2026, 15:36

Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, fundadores da gestora 3G Capital, vão se reunir em uma conferência em São Paulo, em setembro, organizada pelo Instituto B55.

Segundo o instituto, é a primeira vez em anos que o trio se apresenta publicamente em um evento. O encontro acontecerá na B55 Conference, nos dias 29 e 30 de setembro, de acordo com comunicado divulgado nesta segunda-feira (22).

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O Instituto B55 é um hub de empreendedorismo idealizado por André Street (Stone), David Vélez (Nubank) e Guilherme Benchimol (XP), com Cristhiano Faé como CEO e cofundador.

Apresentado em fevereiro, o Instituto B55 nasceu como iniciativa sem fins lucrativos voltada a destravar o crescimento de pequenas e médias empresas que superaram a fase inicial mas pararam de crescer.

À época, Faé disse à Bloomberg Línea que o Brasil é o segundo país do mundo em potencial empreendedor, mas que 70% das empresas estão estagnadas.

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©

A partir da esq., Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles (Divulgação)

A visão de um veterano do Citi sobre o rali da IA nas bolsas

22 de Junho de 2026, 06:52

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Para quem teme que o rali das ações de tecnologia seja uma reprise da bolha das pontocom dos anos 2000, o veredito de Ron Josey, um dos analistas mais experientes de Wall Street e líder da cobertura de internet da América do Norte no Citi, é categórico: os fundamentos atuais são radicalmente diferentes.

A principal preocupação em Wall Street e nas conversas com clientes está no retorno sobre o capital investido (ROI) em inteligência artificial, segundo ele.

“O debate número um que estamos tendo com clientes e investidores é o ROI de todos os investimentos em IA”, afirmou Josey, em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea, em São Paulo, durante participação no Citi Brazil Equity Conference.

“Google, Meta e Amazon estão gastando quantias significativas este ano e provavelmente continuarão a gastar no futuro, impactando o fluxo de caixa livre global. Os investidores querem o conforto de saber que há uma demanda real no mercado para justificar esse retorno do ponto de vista de receita.”

⇒ Leia a reportagem: Por que a corrida da IA não é uma nova bolha, segundo analista veterano do Citi

Painel de ações na Nasdaq: para analista do Citi, os fundamentos atuais são diferentes da época da bolha dos anos 2000. (Foto: Jeenah Moon/Bloomberg)

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos EUA caíram nesta segunda-feira (22), encontrando pouco apoio na queda dos preços do petróleo, à medida que surgiram sinais de avanços diplomáticos entre os EUA e o Irã.

- Premiê britânico renuncia. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que renunciaria ao cargo dois anos depois de ter levado o Partido Trabalhista de volta ao poder. Saída de Starmer abre caminho para que Andy Burnham tente assumir o cargo como sucessor.

- Negociações entre EUA e Irã avançam. O governo iraniano afirmou que houve “grandes avanços” nas discussões que se estenderam por toda a noite com os EUA, enquanto as partes em conflito tentam chegar a um acordo de paz dentro de dois meses.

- Brasil recebe fundo climático. Os Fundos de Investimento Climático (CIF) aprovaram um financiamento para o Brasil e o México que deverá ajudar a mobilizar recursos adicionais para acelerar a descarbonização de seus setores industriais. Cada país receberá US$ 250 milhões, o que deverá ajudar a mobilizar cofinanciamento de mais de US$ 5 bilhões.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na sexta-feira (19/06): Dow Jones Industrials (*), S&P 500 (*), Nasdaq Composite (*), Stoxx 600 (-0,24%), Ibovespa (+0,03%) - *Bolsas dos EUA não abriram por causa de feriado
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Destaques da Bloomberg Línea:

Abelardo de la Espriella vence 2º turno na Colômbia, segundo contagem preliminar

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• Também é importante: Como a guerra na Ucrânia impulsionou os negócios da Saab e redefiniu uma cidade sueca | ‘Melhor vinícola do mundo’ vê no Brasil seu motor de crescimento, segundo CEO

• Opinião Bloomberg: Com estádios lotados, sistema de preços dinâmicos de ingressos da FIFA foi um acerto

• Para não ficar de fora: Saída de moradores do Chopin, ao lado do Copacabana Palace, movimenta mercado de luxo

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Por que a corrida da IA não é uma nova bolha, segundo analista veterano do Citi

22 de Junho de 2026, 06:00

Para quem teme que o rali das ações de tecnologia seja uma reprise da bolha das pontocom dos anos 2000, o veredito de Ron Josey, um dos analistas mais experientes de Wall Street e líder da cobertura de internet da América do Norte no Citi, é categórico: os fundamentos atuais são radicalmente diferentes.

A principal preocupação em Wall Street e nas conversas com clientes está no retorno sobre o capital investido (ROI) em inteligência artificial, segundo ele.

“O debate número um que estamos tendo com clientes e investidores é o ROI de todos os investimentos em IA”, afirmou Josey, em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea, em São Paulo, durante participação no Citi Brazil Equity Conference.

“Google, Meta e Amazon estão gastando quantias significativas este ano e provavelmente continuarão a gastar no futuro, impactando o fluxo de caixa livre global. Os investidores querem o conforto de saber que há uma demanda real no mercado para justificar esse retorno do ponto de vista de receita.”

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O analista, especialista em companhias como Google, Meta e Amazon, lista o que enxerga como alguns dos primeiros resultados.

Os três fatores cruciais acalmaram o mercado no início de 2026, permitindo que as ações de tecnologia voltassem a avançar após a correção técnica recente, estão relacionados à reaceleração da receita, com taxas de crescimento aceleraram significativamente em Google Cloud (GCP) e AWS, explosão nos backlogs, com compromissos firmados por clientes corporativos disparando, e rentabilidade operacional das mantidas ou com melhorias.

“Como estamos vendo a receita voltar a acelerar e as margens se estabilizando, nos sentimos muito mais confortáveis em endossar esses investimentos de Capex”, afirma Josey.

Leia também: De FAANG a MANGOS: Wall Street cria novo grupo de ações com boom de IA

Ron Josey, analista do Citi: Temos um ciclo massivo de investimentos, mas os negócios principais de publicidade digital e e-commerce não poderiam estar mais fortes. Eles estão financiando essa transição

Por que não estamos em uma bolha?

Com quase 30 anos de experiência no mercado financeiro, tendo navegado pelo tombo da Nasdaq em 2000 e pela crise do subprime em 2008, além de recessões e da pandemia, Josey aponta uma diferença vital entre o momento atual e as bolhas do passado: a saúde financeira do negócio principal (core business) das big techs.

“No ano 2000, sabíamos que a internet estava chegando, mas todo mundo ainda estava tentando descobrir como monetizá-la. O Google nem sabia direito o que o modelo de buscas faria por eles, as redes sociais nem existiam e a infraestrutura de fibra óptica foi construída antes do modelo de negócios”, relembra o analista.

Leia também: Na briga com big techs, Read AI prepara escritório no Brasil após receita saltar 291%

Hoje, a dinâmica é invertida. O ciclo massivo de investimentos em IA está sendo totalmente autofinanciado por negócios de consumo e publicidade digital que operam com margens de lucro recordes e resiliência.

Josey cita dados do primeiro trimestre, que contribuíram para impulsionar o novo rali das companhias. A receita do Google Search cresceu 19%, por exemplo, a Meta entregou uma expansão superior a 33% no faturamento e o braço de varejo da Amazon manteve expansão de duplo dígito.

“Temos um ciclo massivo de investimentos, mas os negócios principais de publicidade digital e e-commerce não poderiam estar mais fortes. Eles estão financiando essa transição. São as empresas com os balanços mais robustos do mundo investindo para os próximos 5, 10 ou 20 anos.”

Os gargalos na corrida

Se a demanda corporativa por IA existe e os balanços são fortes, o teto mais sólido para a contínua expansão do setor está na infraestrutura, e não lado financeiro, na perspectiva do analista.

O principal gargalo do mercado atualmente é a capacidade computacional e o fornecimento de componentes. “Há uma visão consensual de que se houvesse mais capacidade computacional disponível na Google Cloud ou na AWS hoje, o crescimento da receita seria ainda mais forte”, afirma.

Leia também: Novas regras para mercados de previsão nos EUA analisam categoria de forma equivocada

Para contornar a dependência exclusiva de fornecedores terceiros de chips (GPUs), Josey destaca o movimento agressivo de verticalização e investimento em silício próprio por parte dos hiper escaladores, citando o avanço dos chips TPUs e o ecossistema Gemini do Google, bem como os chips Trainium da Amazon, uma estratégia para reduzir a dependência em relação à Nvidia, que escalou nos últimos anos para se tornar a empresa mais valiosa do mundo.

O futuro da internet

Questionado sobre como enxerga a internet nos próximos quatro ou cinco anos, Josey prevê uma transformação profunda na interface e na forma como os consumidores interagem com a rede, impulsionada por protocolos abertos e novos dispositivos.

Com a ascensão de tecnologias como o MCP (Model Context Protocol), o usuário poderá interagir com ecossistemas de inteligência artificial de forma integrada, sem a necessidade de abrir múltiplos aplicativos de empresas isoladas.

“Será possível simplesmente dizer ao seu agente de IA: ‘reserve um carro para mim às 19h’. O sistema acessará diretamente a sua conta da Uber e fará a ponte, sem que você precise abrir o app”, projeta.

A médio prazo, interfaces vestíveis - ou wearables - devem romper a nossa dependência das telas dos smartphones.

Josey aponta que empresas como a Meta, com seus óculos inteligentes, e o Snap estão liderando a fronteira de hardware onde as lentes exibem dados projetados no ambiente e as mãos atuam como se fosse o mouse.

“Não precisaremos mais olhar para baixo; poderemos ter uma conversa olhando nos olhos enquanto a computação acontece ao redor.”

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Painel de ações na Nasdaq: para analista do Citi, os fundamentos atuais são diferentes da época da bolha dos anos 2000. (Foto: Jeenah Moon/Bloomberg)

Imóveis de luxo e escritórios: onde investem os mais ricos de LatAm, segundo a JLL

21 de Junho de 2026, 14:56

Os indivíduos com alto patrimônio líquido na América Latina passaram a priorizar ativos imobiliários para a proteção patrimonial em segmentos como o residencial de luxo, ativos logísticos e industriais e terrenos com potencial de desenvolvimento, segundo a empresa de serviços imobiliários corporativos JLL.

Para os grandes investidores, esses ativos oferecem uma combinação de liquidez, valorização do capital e geração de renda passiva, de acordo com a consultoria.

“Os ativos imobiliários são, historicamente, um meio de proteção do patrimônio em toda a América Latina”, afirmou Rodrigo Torres, diretor de Consultoria de Pesquisa da JLL, à Bloomberg Línea. “No entanto, pessoas com alto patrimônio líquido dão preferência a destinos estratégicos como o Panamá e o Uruguai na região, bem como o sul da Flórida e Madri internacionalmente”.

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Ele explicou que esses mercados oferecem a vantagem de permitir a diversificação dos investimentos em jurisdições com menor correlação em relação aos países onde a riqueza é gerada.

Os fatores fundamentais que sustentam o apelo do setor permanecem sólidos em vários mercados-chave da América Latina: déficit habitacional significativo, crescimento da classe média urbana, mudanças demográficas e preferências geracionais pelo aluguel, além da urbanização contínua nas principais cidades.

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Segundo Torres, esses fatores mantêm vivo o interesse institucional, embora “com expectativas mais realistas” em relação aos riscos macroeconômicos e regulatórios, bem como aos prazos para o desenvolvimento e a consolidação do mercado.

Na categoria de investimentos voltados para a geração de riqueza e o desenvolvimento operacional, destacam-se, sobretudo, os incorporadores chilenos de shopping centers que expandiram suas operações na região, bem como grupos econômicos da América Central que, mais recentemente, realizaram investimentos significativos nos países andinos.

No segmento de pessoas com alto patrimônio, a JLL afirma que o segmento multi-family representa um caso específico.

“Embora ofereça grande potencial como veículo de investimento, seu desenvolvimento exige capacidades operacionais especializadas e experiência em gestão de ativos em grande escala”, segundo Torres.

Por esse motivo, “a atividade nesse setor tende a se concentrar em empresas institucionais com trajetória comprovada tanto em nível regional quanto global, mais do que em investidores individuais de alto patrimônio”.

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Ele destaca que essa dinâmica semelhante é observada nos investimentos no setor hoteleiro, onde a operação constitui o componente essencial para a geração de valor.

Segundo Torres, “o sucesso no setor depende de se contar com expertise especializada em gestão hoteleira e capacidade de negociar acordos equilibrados com operadores reconhecidos”.

Além disso, ele considera fundamental desenvolver uma tese de investimento baseada em análises sólidas do mercado, da localização e do segmento-alvo.

Esses requisitos limitam a participação de investidores individuais e favorecem grupos com experiência específica no setor.

Apetite institucional

A JLL explica que os investidores institucionais estão concentrando seu interesse em segmentos específicos que combinam fundamentos sólidos com perfis atraentes de risco-retorno.

Por exemplo, os ativos logísticos de primeira linha localizados próximos a grandes aglomerações urbanas continuam liderando as preferências, impulsionados pela consolidação do e-commerce e pela necessidade de otimizar as cadeias de distribuição last mile.

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Da mesma forma, os escritórios de classe A representam outro segmento com demanda crescente, especialmente aqueles com certificações de sustentabilidade e comodidades modernas que atendem às novas dinâmicas de trabalho.

A demanda por escritórios tem se concentrado no segmento de luxo.

Em particular, a JLL destaca que a demanda por escritórios registrou um aumento significativo em um contexto de oferta limitada.

A incerteza quanto à demanda futura durante e após a pandemia, combinada com altas taxas de juros, resultou em uma contração acentuada do pipeline de empreendimentos nos últimos cinco anos. “Pouquíssimos edifícios novos entraram no mercado durante esse período”.

De acordo com o analista da JLL, essa restrição na oferta preparou o terreno para uma recuperação robusta.

As taxas de vacância caíram para os níveis mais baixos da última década em vários mercados-chave da região, com destaque para casos como os de Lima e Bogotá.

Paralelamente, os aluguéis dos imóveis de classe A estão registrando aumentos acima da inflação, refletindo a concorrência por espaços de qualidade em um mercado com oferta limitada.

No setor hoteleiro, o interesse concentra-se em ativos localizados em destinos resilientes que combinam fluxos de demanda corporativa e turismo de lazer, reduzindo a sazonalidade e a volatilidade das receitas.

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Os terrenos com potencial para o desenvolvimento de data centers estão se tornando um segmento particularmente atraente no México, no Brasil e no Chile, com oportunidades ainda em fase inicial na Colômbia e na Argentina.

Esse interesse seria uma resposta ao crescimento exponencial da demanda por infraestrutura digital e armazenamento em nuvem na região.

Por fim, os empreendimentos de uso misto estão atraindo bastante atenção tanto de investidores quanto de usuários finais. “Esses projetos oferecem vantagens como diversificação de receitas, sinergias entre usos complementares e resiliência operacional diante de mudanças nos padrões de consumo e de trabalho”, segundo Torres.

Situação econômica

Para a JLL, o impacto das atuais condições macroeconômicas apresenta variações significativas em nível regional, embora os custos de desenvolvimento constituam um denominador comum.

“O aumento contínuo dos preços dos terrenos urbanos, aliado ao aumento dos custos de construção e dos materiais, reduziu significativamente as margens de lucro das incorporadoras em toda a região”, explicou Torres.

Em mercados como o Brasil, o México e a Colômbia, as altas taxas de juros continuam representando uma barreira adicional significativa.

Ele destacou que esse efeito é duplo, pois, por um lado, encarece diretamente o financiamento de projetos e, por outro, torna os instrumentos financeiros alternativos mais atraentes em termos de retorno ajustado ao risco, desviando o capital que antes fluía para o setor imobiliário.

Além disso, ele afirma que a complexidade regulatória acrescenta mais um nível de diferenciação entre os países.

Ele cita o exemplo do México, onde os processos de obtenção de autorizações e licenças são particularmente complexos, tanto no âmbito federal quanto no municipal.

“Essa burocracia não só constitui uma barreira à entrada de novos participantes, como também prolonga substancialmente os prazos de execução dos projetos, prejudicando os retornos esperados ao alongar o período entre o investimento inicial e a geração de fluxos”, afirmou.

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Investidores optam por locais estratégicos como Panamá e Uruguai, além do sul da Flórida e Madri, para diversificar investimentos. (Foto: Shutterstock)

Êxodo de trabalhadores para o Brasil pressiona produtores de erva-mate da Argentina

21 de Junho de 2026, 12:55

A queda na rentabilidade que os produtores de erva-mate na província de Misiones, na Argentina, vêm gerando um fenômeno que preocupa cada vez mais o setor no país vizinho: milhares de trabalhadores rurais cruzam a fronteira para trabalhar no Brasil, onde obtêm melhores rendimentos e condições de trabalho. Segundo os produtores de erva-mate, a falta de mão de obra dificulta a colheita.

Essa situação vivida pelos trabalhadores do setor contrasta com outra realidade que também afeta o setor: o fato de que, em 2025, a Argentina ultrapassou o Brasil como principal exportador mundial de erva-mate, com vendas externas que bateram um recorde histórico para o país, tanto em volume (57,98 mil toneladas) quanto em valores nominais (US$ 117 milhões).

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Mas Julio Petterson, membro da Associação Civil dos Produtores de Erva-mate do Norte, afirmou à Bloomberg Línea que o êxodo de trabalhadores registrados do setor que se mudaram para o Brasil “ultrapassou amplamente os 8.000” através dos postos de fronteira.

A esse número, afirmou ele, somam-se os trabalhadores não registrados, o que torna o fenômeno ainda maior.

“No total, são entre 14 e 16 mil trabalhadores no setor da erva-mate e, atualmente, enfrentamos um grave problema, pois não temos trabalhadores para realizar a colheita no prazo e da maneira adequada”, afirmou ele, estimando que cerca de metade deles decidiu trabalhar no país vizinho.

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Além das dificuldades econômicas, há também os problemas climáticos e uma produção menor. “Estamos colhendo porque precisamos fazer isso. Trabalhamos para ir à falência”, destacou Petterson.

Por que os argentinos vão trabalhar no Brasil

A proximidade geográfica facilita a migração por motivos de trabalho. “De Misiones, basta dar um passo e você já está no Brasil. Muitos já foram embora”, observou Petterson. Em alguns casos, a distância é de apenas 15 minutos e, em outros, varia entre uma e quatro horas.

Petterson disse que, no Brasil, os trabalhadores atuam em atividades relacionadas à alimentação de gado, granjas avícolas e suinícolas, plantio e colheita de grãos ou condução de caminhões: “É um trabalho mais leve, além de ser mais bem remunerado”.

Dessa forma, ele destacou que o principal atrativo são os salários e as condições de trabalho. “É preciso ser realista: você vai para o Brasil e ganha o equivalente a um valor entre 70 e 90 mil pesos por dia, com alimentação e moradia incluídas”, afirmou, se referindo a uma remuneração que equivale a uma faixa entre R$ 246 e R$ 316, aproximadamente.

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Além disso, ele indicou que muitos trabalhadores deixam suas famílias na Argentina e voltam com certa frequência. “Eles vêm com o dinheiro que ganham lá e isso faz toda a diferença. Viver no Brasil é muito mais barato”, afirmou.

A comparação com os rendimentos oferecidos pelo setor de erva-mate argentino é contundente. “Aqui, um trabalhador da fazenda pode ganhar 30 mil pesos por dia (R$ 105) e já seria considerado bem remunerado. Não há como pagar mais devido à crise de rentabilidade”, disse Petterson.

Segundo ele, no Brasil os empregadores também oferecem alojamento e alimentação. “Em alguns casos, eles vão trabalhar a 200 ou 300 quilômetros de distância. Têm moradia e comida”, afirmou.

Trabajadores descargan sacos de yerba mate recién cosechada en Oberá. Fotógrafa: Natalia Favre/Bloomberg

‘Crise de rentabilidade’

Petterson indicou que a situação se explica pela deterioração econômica enfrentada pelos produtores do setor. “O custo de produção de um quilo de folhas verdes ultrapassa os 500 pesos (R$ 1,76), enquanto os compradores oferecem cerca de 260 pesos (R$ 0,91)”, afirmou.

Nesse contexto, ele alertou que, além disso, “muitos cheques foram devolvidos” e que “houve até mesmo empresas que entraram com pedido de falência”.

O representante do setor descreveu uma cadeia na qual o produtor vende para o secadouro, que processa a folha e, em seguida, a erva picada é comercializada para as fábricas. No entanto, ele questionou a distribuição dos lucros no setor: “Temos uma indústria que está ganhando muito dinheiro junto com os comerciantes, enquanto nós, produtores, não ganhamos nada”, afirmou.

O dirigente lembrou também que, historicamente, o produtor tinha uma participação maior no preço final. “Desde a década de 80 até 2023, chegávamos a 12%, e hoje ficamos com 4%”, afirmou.

Ele também questionou a perda das atribuições do Instituto Nacional da Erva-Mate para fixar preços, devido à desregulamentação do setor determinada pelo governo de Javier Milei. “O preço é determinado pelas indústrias. A fábrica compra a erva-mate moída e nos deixa sem competência para que o instituto possa fixar um preço”, afirmou.

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Associações estima que 8.000 trabalhadores registrados já se mudaram para o Brasil em busca de melhores salários.

‘Melhor vinícola do mundo’ vê no Brasil seu motor de crescimento, segundo CEO

21 de Junho de 2026, 08:27

Eleita a melhor vinícola do mundo em 2025 pelo ranking The World’s 50 Best Vineyards, a chilena Vik transformou-se em uma das marcas mais reconhecidas do vinho de luxo internacional.

Para além dos prêmios e dos rótulos de alta pontuação, o grupo fundado pelos bilionários Alexander e Carrie Vik enxerga em outro ativo o principal motor de seu crescimento futuro: o Brasil.

Maior mercado da empresa para vinhos, principal origem dos hóspedes de seus hotéis e destino escolhido para o maior projeto de expansão atualmente em desenvolvimento, o país tornou-se peça central na estratégia da companhia para os próximos anos.

“O Brasil é indiscutivelmente nosso mercado número um”, disse Gastón Williams, CEO da Vik, em entrevista à Bloomberg Línea durante uma visita à propriedade em Millahue, a duas horas de carro de Santiago.

A operação de vinho no Chile fatura US$ 17 milhões por ano e produz cerca de 800 mil garrafas, e o país responde pela maior parte dessas vendas.

A relação vai além das vendas de garrafas. Segundo o executivo, os brasileiros representam mais de um terço de todo o público que frequenta os empreendimentos da marca, considerando vinícola e hotelaria. Quando analisado apenas o negócio de hospitalidade, o Brasil ocupa a liderança absoluta entre os mercados emissores de turistas.

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Somadas vinícola e hotel, a concentração é ainda mais evidente. “Ponho tudo no liquidificador, vinícola e hotel, tudo junto, e o Brasil é mais de um terço”, afirmou Williams, citando Chile e Estados Unidos como os mercados seguintes.

Quando o recorte é apenas a hotelaria, o domínio é completo. “Se falássemos só do hotel, é Brasil, depois Estados Unidos, depois Chile”, disse. Os americanos, observou, vêm sobretudo viver a experiência da degustação e da gastronomia, enquanto o brasileiro chega em maior número.

O padrão se repete fora do Chile. Nas propriedades do Uruguai, onde a Vik opera três hotéis, um beach bar e um salão de eventos, o brasileiro também lidera. Para uma marca que vende experiência de luxo, ter o mesmo público dominante em mercados distintos transforma a dependência do brasileiro em um dado estrutural do negócio, não em uma sazonalidade.

A força dessa demanda ajuda a explicar por que a empresa decidiu levar sua marca para território brasileiro. O grupo desenvolve um projeto de hospitalidade de luxo em Araçoiaba da Serra, próximo a Sorocaba, no interior paulista, em um investimento que deverá superar US$ 100 milhões.

Mais do que uma nova propriedade, a iniciativa representa uma tentativa de aproximar a marca de seus consumidores mais importantes. “Considerando que temos este vínculo tão forte com o Brasil, era o próximo passo natural levar a marca ao país”, disse o executivo.

Cristian Vallejo, enólogo da Vik

O projeto inclui um empreendimento imobiliário com entre 90 e 100 unidades entre quartos, bangalôs e vilas. As obras do hotel estão começando e a previsão é de entrega em 2028. A Vik também pretende plantar vinhedos no entorno e, no longo prazo, eventualmente produzir vinho no Brasil, segundo Williams.

Williams o descreve como o mais ambicioso do grupo, com piscina de ondas, praia, o beach bar Susana trazido do Uruguai e a participação de artistas dos três países. A intenção é reunir as marcas de todas as propriedades em uma só. “Uma vez terminado, vai ser o mais ambicioso de todos”, disse, acrescentando que pretende dar protagonismo à bebida. “Queremos que o vinho seja um player."

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Esse protagonismo, no entanto, fica para depois. A primeira fase é exclusivamente de hospitalidade. A empresa planeja plantar vinhedos ao redor do hotel e admite, no longo prazo, produzir vinho em solo brasileiro. “Nesta primeira etapa vai ser só hospitalidade, mas talvez em algum momento começar com um vinho no Brasil”, afirmou Williams. “É parte dessa projeção de longo prazo.”

Williams credita parte desse desempenho da marca entre brasileiros à curta distância e à afinidade entre os países. O Chile já é destino consolidado para o turismo brasileiro, o que abre caminho para a marca. “O norte, o sul, a neve; então naturalmente já é um destino para o Brasil”, disse, descrevendo o país vizinho como um destino “superacessível” para quem sai daqui.

A proximidade física, porém, explica só parte da adesão. Segundo o executivo, o brasileiro comprou a proposta justamente por ela não se resumir à taça.

“O brasileiro se sentiu muito identificado com o que propomos, que vai além do vinho”, afirmou, referindo-se à combinação de produção enológica e hospitalidade. Foi isso, na sua leitura, que acelerou a entrada da marca. “Nos ajudou a nos posicionar no Brasil muito mais rápido do que em outros mercados”, disse.

Esse desempenho alimenta uma engrenagem maior. Williams descreve um efeito de rede entre as propriedades, em que cada destino ajuda a vender os outros. “Muita gente chega ao mundo Vik pela vinícola ou pelo hotel e depois continua com o Uruguai, com Milão e, em breve, com o Brasil”, afirmou.

Por trás do calendário de expansão da marca no Brasil há também um cálculo competitivo. O acordo entre Mercosul e União Europeia deve baratear o vinho europeu no país e acirrar a concorrência, mas a pressão recai sobre os rótulos mais baratos, faixa da qual a Vik se manteve afastada desde a fundação.

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“Começamos nos posicionando em cima e fomos desenvolvendo o portfólio um pouco para baixo, mas só um pouco”, disse. O vinho de entrada da casa parte de cerca de US$ 100 a caixa. “Os segmentos que mais sofrem justamente são os de entrada. Nunca estivemos, não queremos estar ali, não é o nosso core business”, afirmou. “Temos todo esse tempo para seguir posicionando a marca dentro do segmento de luxo”, disse Williams, para quem a janela atual serve para firmar a Vik no topo antes que isso aconteça.

A paciência do capital ajuda. Para Williams, os donos tratam o negócio como paixão. Mais do que uma operação que precisa ser rentável, “é um negócio com o qual realmente vibram”, disse.

A aposta também acontece em um momento particularmente favorável para a empresa após a premiação internacional como melhor vinícola do mundo. O reconhecimento ampliou a visibilidade internacional da marca e aumentou o fluxo de visitantes interessados em conhecer a propriedade localizada ao sul de Santiago.

Estar fisicamente no Brasil cumpre outras funções além de vender hospedagem. Williams diz que a operação local encurta o ciclo de decisões e permite experimentar mais rápido. “Para estar mais perto do nosso consumidor, para testar coisas novas com o mercado, coisas que hoje levam mais tempo”, afirmou.

Há ainda um público específico que a marca quer alcançar e que dificilmente cruzaria a fronteira. O executivo aponta o mercado corporativo brasileiro, que prefere realizar eventos e viagens dentro do próprio país a se deslocar para o Chile ou o Uruguai. “É um público importante e que que não necessariamente viaja sempre; prefere estar no Brasil”, disse. Ter uma propriedade em São Paulo coloca a Vik ao alcance desse segmento.

Experiência de luxo

Ao contrário de muitas vinícolas tradicionais, porém, a Vik não se define apenas pelo vinho. A empresa nasceu oficialmente em 2004, quando Alexander e Carrie Vik iniciaram uma busca por áreas aptas à produção de vinhos de classe mundial na América do Sul. Após analisar alternativas no Brasil, Argentina, Uruguai e Chile, o casal escolheu uma propriedade de 4.400 hectares em Millahue para construir a vinícola.

Ao longo das últimas duas décadas o projeto evoluiu para algo maior. “É uma experiência de luxo onde misturamos vinho, gastronomia, arte, inovação, sustentabilidade e desenho”, explicou o CEO.

Hoje o grupo reúne vinícola, hotéis, restaurantes, centros de bem-estar e empreendimentos imobiliários distribuídos entre Chile, Uruguai, Itália e, em breve, Brasil.

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Por mais que o vinho continue sendo o principal negócio da companhia, o modelo de negócios construído pela marca busca capturar uma tendência cada vez mais presente no mercado global de luxo: a valorização das experiências.

Além da produção de vinhos premium, a companhia opera restaurantes, atividades ao ar livre, programas de wellness, experiências gastronômicas e projetos ligados à arte contemporânea.

A ideia é ampliar o relacionamento com o cliente para além da compra de uma garrafa. A estratégia acompanha uma mudança de hábito que Williams observa no setor. O consumo global de vinho recua, mas quem segue bebendo migra para a qualidade. “Prefere consumir menos, mas algo bom, algo bom com história”, disse.

Essa estratégia parece encontrar forte ressonância entre os consumidores brasileiros. Segundo Williams, parte importante do sucesso da Vik no país está relacionada justamente à combinação entre vinho e hospitalidade.

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Para Williams, a conquista do título de melhor vinícola do mundo trouxe benefícios evidentes, mas também elevou significativamente as expectativas dos clientes.

“O reconhecimento também faz às vezes de um novo standard, porque a gente espera ainda mais”, disse. “Temos que estar disponíveis para uma maior quantidade de gente, mas com standards ainda mais exigentes.”

Brasileiros representam mais de um terço de todo o público que frequenta os empreendimentos da marca (Foto: Daniel Buarque/Bloomberg Línea)

Como a guerra na Ucrânia impulsionou os negócios da Saab e redefiniu uma cidade sueca

21 de Junho de 2026, 08:14

Enquanto observa o movimento de carros e de pessoas em Karlskoga, cidade localizada no centro-oeste da Suécia, Hans Albrektsen Wahlstedt narra um detalhe que se tornou uma espécie de termômetro da nova realidade da indústria de defesa do país: é cada vez mais difícil encontrar uma vaga nos estacionamentos da cidade.

“Isso é um sinal do que está acontecendo nesta cidade e nesta indústria”, disse Wahlstedt, diretor de relações regionais do grupo.

Karlskoga é um dos polos produtivos de Dynamics, área de negócios da companhia dedicada, entre outros segmentos, à defesa terrestre e a sistemas de mísseis. Um grupo de jornalistas, incluindo a Bloomberg Línea, esteve nas operações da Saab em Karlskoga na Suécia.

A cena narrada por Wahlstedt contrasta com as suas lembranças de infância. Ele nasceu em Karlskoga em 1985 e conta que cresceu em uma cidade moldada pela indústria militar sueca, mas que viu a demanda encolher com o fim da Guerra Fria. Na época, lembra, os estacionamentos das fábricas ficavam a cada dia mais vazios.

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“Eu passava de bicicleta por essa área indo para os treinos de natação. A cada ano, os estacionamentos ficavam mais vazios”, afirmou.

Mas, nos últimos anos, o cenário da indústria de defesa mudou. O maior movimento nas ruas da pequena Karlskoga, cidade com cerca de 30 mil habitantes, acompanha a expansão da Saab, uma das principais fabricantes de equipamentos militares da Europa, que tem se beneficiado do movimento de rearmamento do continente nos últimos anos, sobretudo após a invasão russa da Ucrânia.

A Saab tem atualmente cerca de 2.600 funcionários em Karlskoga e mobiliza aproximadamente 4.000 pessoas na região, considerando o ecossistema formado por fornecedores, universidades e outros parceiros.

Somente na cidade, a companhia mantém cerca de 60 projetos em andamento, entre reformas, ampliações e novas construções.

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“O número de guindastes provavelmente não era tão grande em Karlskoga havia décadas”, disse Wahlstedt.

A cidade também abrigou durante décadas a sede da Bofors, tradicional fabricante sueca de armamentos. Após a redução dos gastos militares no Ocidente, a companhia foi dividida.

A Saab ficou com as áreas relacionadas a sistemas de combate e mísseis, enquanto o negócio de armas pesadas e artilharia foi vendido em 2000 e posteriormente incorporado pela BAE Systems.

A operação da Saab em Karlskoga está ligada à área de negócios Dynamics, que reúne soluções terrestres, treinamento e simulação, sistemas de camuflagem e outros sistemas de defesa. No último balanço financeiro divulgado pela empresa, que considera o acumulado de 12 meses até março de 2026, Dynamics aparece, atrás de Surveillance, entre as maiores áreas da companhia em receita.

A Saab é dividida em quatro áreas de negócios: Aeronautics, que inclui os caças Gripen; Dynamics, dedicada a sistemas terrestres, mísseis, treinamento e simulação; Surveillance, que reúne radares, sensores e sistemas de vigilância; e Naval, voltada a submarinos, embarcações de superfície e soluções navais.

Ucrânia amplia demanda

A invasão russa na Ucrânia, em 2022, e a entrada da Suécia na Otan, em 2024, serviram como um 'wake up call’ para o aumento de capacidades da indústria militar, segundo disseram executivos da companhia.

Após décadas de redução de estoques de armamento no continente europeu, governos passaram a rever suas estratégias e a planejar capacidades compatíveis com conflitos convencionais mais prolongados.

“Em vez de ter o que era necessário para operações como as realizadas no Afeganistão, agora os países precisam se preparar para a guerra”, afirmou Wahlstedt.

Bo Torrestedt, consultor sênior de desenvolvimento de negócios do grupo Saab, disse que a prioridade dos clientes também mudou.

“Hoje, os compradores realmente querem adquirir equipamentos. A primeira pergunta é: qual é o prazo de entrega? Depois vêm o preço e os outros fatores”, afirmou, em coletiva com jornalistas.

Com novas guerras no horizonte, também aumenta a necessidade por entregar os produtos o quanto antes.

A Ucrânia anunciou recentemente a intenção de adquirir um lote inicial de 20 caças Gripen E/F. Em paralelo, o governo sueco propôs a doação de até 16 aeronaves Gripen C/D de sua frota atual, condicionada à assinatura do acordo de compra e à autorização do Parlamento do país.

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A Saab informou que não recebeu pedidos formais até o momento, mas participará das negociações para apoiar tanto a aquisição das aeronaves quanto o processo de reposição dos aviões que serão transferidos pela Suécia.

O aumento da demanda não se restringe à aviação militar. A divisão Dynamics ajuda a dimensionar a expansão da companhia para além do Gripen.

A área registrou receita de 20,7 bilhões de coroas suecas (R$ 11,1 bilhões) em 2025, equivalente a pouco mais de um quarto das vendas totais da Saab no ano. Ao fim de março de 2026, sua carteira de pedidos alcançava 90,8 bilhões de coroas suecas (R$ 48,8 bilhões), perto de um terço do backlog do grupo, de 274,1 bilhões de coroas suecas (R$ 147,36 bilhões).

Segundo executivos da empresa, a Dynamics encerrou janeiro com cerca de 5.000 funcionários e já se aproximava de 5.400 trabalhadores em maio. E mais contratações seguem previstas.

A área de Surveillance também vem ganhando relevância dentro da Saab e já figura entre as principais frentes de negócios da companhia. A divisão somava cerca de 10.100 funcionários equivalentes em tempo integral em 2025 e respondeu por 34% das vendas do grupo no ano.

Uma das soluções de destaque é o GlobalEye, sistema focado em vigilância aérea equipado com radares e sensores capazes de monitorar simultaneamente ameaças no ar, em terra e no mar.

O produto tem despertado interesse de países europeus e integrantes da Otan, segundo executivos da Saab.

Os Emirados Árabes Unidos já receberam cinco unidades do GlobalEye. A Suécia contratou três aeronaves, com a primeira entrega prevista para 2027.

A França, por sua vez, encomendou duas unidades, com opção para adquirir outras duas.

Ao todo, a Saab já entregou mais de 30 sistemas de vigilância aérea AEW&C baseados em quatro plataformas diferentes. A empresa prepara uma ampliação da capacidade para entregar até quatro unidades do GlobalEye por ano e projeta mais de 40 sistemas AEW&C na próxima década.

Atualmente, o processo de integração do sistema a uma aeronave leva cerca de dois anos, segundo funcionário da companhia.

Cadeia de fornecedores se torna gargalo

O desafio da indústria europeia de defesa, porém, não está apenas dentro das fábricas.

A cadeia de suprimentos se tornou um dos principais gargalos para o setor. A Saab, por exemplo, depende da expansão simultânea de fornecedores de componentes, matérias-primas e insumos especializados.

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“Mesmo que aumentemos a capacidade da fábrica, também precisamos garantir as entregas dos fornecedores”, afirmou um executivo do grupo.

No relatório do primeiro trimestre, a própria Saab reconheceu que opera em um ambiente de oferta restrita. Para reduzir riscos, a companhia disse que mantém diálogo próximo com fornecedores e adota medidas como a formação seletiva de estoques de componentes considerados críticos.

Parte do desafio também está na própria natureza da produção. Durante visitas às linhas industriais da Saab, a Bloomberg Línea observou que algumas etapas ainda são realizadas manualmente, reflexo do nível de especialização exigido pela fabricação e pela montagem de equipamentos que precisam garantir segurança no uso final.

Além dos armamentos, a procura por radares da companhia também aumentou. Para acompanhar esse movimento, a Saab acelerou a produção do Giraffe 1X, radar 3D compacto e móvel utilizado para vigilância aérea em tempo real e para a detecção de ameaças como drones.

O sistema pode ser integrado a plataformas terrestres e navais e também atua em missões de defesa aérea e monitoramento marítimo.

Segundo executivos da companhia, a Saab produziu 100 unidades do modelo em todo o ano passado. Nos primeiros seis meses deste ano, a produção já superou 200 radares.

Em outubro de 2025, a empresa firmou um contrato para fornecer sistemas Giraffe 1X ao Exército dos Estados Unidos.

Negócios da guerra impulsionam receita

No primeiro trimestre de 2026, a Saab registrou receita de 19,2 bilhões de coroas suecas (R$ 10,32 bilhões), alta de 21% na comparação anual. O crescimento orgânico das vendas foi de 23,6%.

O lucro operacional avançou 32% no período, para 1,9 bilhão de coroas suecas (R$ 1,02 bilhão). A carteira de pedidos alcançou 274,1 bilhões de coroas suecas ao fim de março, crescimento de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Suécia respondeu por 41% dos pedidos registrados pela companhia no trimestre. Os demais 59% vieram de mercados internacionais.

Todas as áreas de negócios registraram crescimento de receita de dois dígitos no período. A divisão Surveillance, responsável por soluções como radares e sistemas de vigilância, teve um dos desempenhos mais fortes, com alta de 32% nas vendas.

A expansão também aparece no quadro de funcionários. Ao todo, a Saab possui atualmente cerca de 29 mil empregados, ante aproximadamente 25 mil um ano antes.

Segundo executivos da companhia, a empresa também está entre as maiores empregadoras de engenheiros da Suécia.

“Quando você olha os números, é quase como se fôssemos uma startup”, afirmou um dos executivos do grupo.

Além dos projetos em Karlskoga, a empresa afirma que tem buscado ampliar sua estrutura industrial em outras cidades suecas, nos Estados Unidos e na Índia.

Em algumas linhas de produção, a capacidade foi multiplicada por quatro nos últimos anos, segundo executivos da companhia.

O avanço ocorre por meio de novas instalações, contratação de pessoal, automação e adoção de novos métodos produtivos, segundo os executivos da empresa.

A Saab nasceu em 1937, em um contexto de maior tensão internacional que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Na época, o governo sueco buscava reduzir a dependência externa e desenvolver uma indústria nacional capaz de fornecer aeronaves à Força Aérea.

A companhia tem como principal acionista a Investor AB, holding ligada à família Wallenberg, um dos grupos empresariais mais influentes da Suécia. A empresa detém cerca de 30% das ações da Saab.

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Giraffe 1X: sistema pode ser integrado a plataformas terrestres e navais e tem despertado especial interesse de países signatários da Otan. (Divulgação/ Saab)

A resiliência dos escritórios na Faria Lima

19 de Junho de 2026, 07:06

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Os escritórios da Faria Lima seguem atrativos e com preços elevados, apesar de desocupações relevantes no último trimestre, como as da Netflix e do Banco Master.

Segundo levantamento da consultoria internacional JLL, a absorção na região se mantém sem rupturas ou quedas bruscas, mostrando a sua resiliência, com preços de aluguel do m² de até R$ 350.

Para a diretora de locações da JLL, Yara Matsuyama, a cidade como um todo vem registrando aumento do preço pedido médio do aluguel, com cada região trazendo uma dinâmica.

Especificamente a área da “Faria Lima nova” registrou um preço pedido médio de R$ 310 por m² no último trimestre. “A tendência de alta deve persistir. Apesar das saídas do último trimestre, o patamar de vacância permanece baixo”, diz.

⇒ Leia a reportagem: Faria Lima resiste às saídas de Netflix e Master, com vacância baixa e m² a R$ 350

Birmann 32, conhecido como o “prédio da baleia”: maior parte do bloco deixado pelo Master já está ocupada, segundo executiva da JLL. (Foto: ADVTP / Shutterstock.com)

No radar dos mercados

As ações na Europa operam próximas da estabilidade nesta sexta-feira (19), à medida que o alívio provocado pelo acordo provisório entre EUA e Irã deu lugar à cautela dos investidores. Os mercados dos EUA estão fechados devido ao feriado de Juneteenth.

- Negociações entre EUA e Irã. O início das conversas sobre um acordo permanente para limitar o programa nuclear iraniano foi adiado. O atraso ocorre em meio à escalada dos confrontos entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano, um dos principais pontos de atrito nas negociações.

- Fluxo no Estreito de Ormuz perde força. O tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz desacelerou nesta sexta-feira, um dia depois de uma alta no volume de embarcações após o acordo provisório entre EUA e Irã. Nenhum petroleiro foi visto deixando o Golfo Pérsico pela manhã.

- SpaceX testa limites do mercado. A empresa de Elon Musk se prepara para captar pelo menos US$ 20 bilhões em dívida para financiar um plano de expansão que pode exigir mais de US$ 1 trilhão até o fim da década, segundo estimativas de analistas. Os investimentos estão concentrados em infraestrutura para IA.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (18/06): Dow Jones Industrials (+0,14%), S&P 500 (+1,09%), Nasdaq Composite (+1,91%), Stoxx 600 (-0,34%), Ibovespa (-0,10%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

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Braskem: Elliott e SVP compram dívida da empresa no mercado secundário, dizem fontes

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Faria Lima resiste às saídas de Netflix e Master, com vacância baixa e m² a R$ 350

19 de Junho de 2026, 06:00

Os escritórios da Faria Lima seguem atrativos e com preços elevados, apesar de desocupações relevantes no último trimestre, como as da Netflix e do Banco Master.

Segundo levantamento da consultoria internacional JLL, a absorção na região se mantém sem rupturas ou quedas bruscas, mostrando a sua resiliência, com preços de aluguel do m² de até R$ 350.

Para a diretora de locações da JLL, Yara Matsuyama, a cidade como um todo vem registrando aumento do preço pedido médio do aluguel, com cada região trazendo uma dinâmica.

Especificamente a área da “Faria Lima nova” registrou um preço pedido médio de R$ 310 por m² no último trimestre. “A tendência de alta deve persistir. Apesar das saídas do último trimestre, o patamar de vacância permanece baixo”, diz.

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No período, a gigante papeleira Klabin (KLBN4) se mudou da área mais nova da Faria Lima para a mais antiga, mostra o levantamento.

Já a Netflix se mudou para um prédio monousuário no Itaim. No Birmann 32 - conhecido como o “prédio da baleia” -, houve a saída do Banco Master no trimestre passado, mas Matsuyama destaca que a maior parte do bloco deixado já está ocupada.

“Isso demonstra que, de fato, não há um esvaziamento do interesse pela região”, diz.

Leia também: Mudança estrutural no escritório: home office e juros levam obras à mínima em 25 anos

Embora o setor financeiro seja o principal responsável pelo volume de ocupação na região, a diversificação tem mitigado riscos, aponta a JLL. A pulverização entre múltiplos setores como jurídico, tecnologia, consultoria e imobiliário reduz a dependência de ciclos econômicos específicos.

O estudo mostra que a chamada Nova Faria Lima atrai corporações globais de tecnologia, enquanto a parte tradicional mantém uma forte presença de serviços financeiros e jurídicos.

‘Novo normal’

Matsuyama afirma que, desde a pandemia, os complexos de escritórios novos se tornaram mais completos para o ocupante, com ainda mais opções de comércio e serviços, o que tem sido importante para a retenção ou decisão de locação do inquilino final.

“Temos visto os complexos se adequando, trazendo novos eventos, restaurantes e serviços, o que também tem sido uma preocupação nos complexos menores.

Leia também: Inflação faz marmita substituir restaurante até para executivos da Faria Lima

Embora os novos espaços sejam mais limitados especialmente na Faria Lima, as necessidades são as mesmas. “Independentemente do tamanho, os complexos de escritórios vão buscar uma forma de oferecer diferentes experiências, nem que seja um cantinho com uma bicicleta com café e doces”, diz.

Segundo a executiva, para muitas empresas, hoje, o tamanho do escritório já não comporta o número de funcionários. “No real estate corporativo, de cada cinco expressões, três são intensificação do presencial.”

Para estas empresas que buscam mais espaço, mas não podem pagar mais para se instalar ou se manter na Faria Lima, há alternativas em regiões adjacentes, como a Rebouças.

O novo estoque do “condado” existe, mas de maneira limitada. “Grande parte dos lançamentos já deve chegar pré-locado”, diz Matsuyama.

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Birmann 32, conhecido como o “prédio da baleia”: maior parte do bloco deixado pelo Master já está ocupada, segundo executiva da JLL. (Foto: ADVTP / Shutterstock.com)

O cerco do Spotify às fraudes com IA

18 de Junho de 2026, 07:03

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Fazendo frente ao otimismo sobre o uso de inteligência artificial (IA), o Spotify tem procurado reforçar a proteção à indústria musical. Com a proliferação de ferramentas de IA generativa, o setor passou a enfrentar uma ameaça sofisticada: os chamados “streams artificiais”.

Robôs e contas automatizadas são programados para reproduzir faixas em massa no serviço — muitas vezes músicas curtas e genéricas geradas por IA —, com o único objetivo de desviar dinheiro do fundo global de royalties.

“Os artistas sempre abraçaram a tecnologia para impulsionar sua criatividade. Vimos isso ao longo das décadas”, disse Bryan Johnson, diretor de artistas e parcerias da Spotify, em entrevista à Bloomberg Línea, antes de se apresentar no Web Summit Rio.

“Para realmente liberar o verdadeiro potencial da IA, precisamos nos proteger contra as piores partes dela.”

⇒ Leia a reportagem: Spotify aperta o cerco contra fraudes por IA para proteger receita de US$ 11 bilhões

Sporify: Ações incluem filtros de spam automatizados para identificar e bloquear trilhas criadas artificialmente. (Foto: Chris Ratcliffe/Bloomberg)

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos EUA operam em alta nesta quinta-feira (18), após o presidente Donald Trump assinar um acordo preliminar para encerrar a guerra no Oriente Médio. O petróleo Brent recuava 1,9% nesta manhã, o menor nível desde o início do conflito.

- Reestruturação da Braskem. A empresa ainda não obteve apoio suficiente dos credores para avançar com a recuperação extrajudicial, segundo fontes que falaram à Bloomberg News. Os credores criticam a proposta por favorecer detentores de títulos de curto prazo em relação a financiamentos mais longos.

- Ormuz pode operar em novo patamar. O Goldman Sachs avalia que o fluxo de petróleo pelo estreito de Ormuz pode se recuperar para cerca de 70% dos níveis pré-guerra, à medida que produtores do Golfo consolidam rotas alternativas de exportação para reduzir a dependência da via marítima.

- Startup aposta em IA para médicos na América Latina. A Telepatia, apoiada pela Andreessen Horowitz, mira levar seu assistente clínico de inteligência artificial a metade dos 1,9 milhão de médicos da região até 2027, com a proposta de reduzir erros e aumentar a produtividade em sistemas de saúde sobrecarregados.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (17/06): Dow Jones Industrials (-0,97%), S&P 500 (-1,21%), Nasdaq Composite (-1,35%), Stoxx 600 (+0,52%), Ibovespa (-0,70%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Trump assina acordo com Irã e abre caminho para retomada do fluxo de petróleo em Ormuz

Copom reduz Selic para 14,25% e aponta incerteza ‘acima do usual’ para projeções

Como uma aposta errada em IA custou US$ 50 bilhões para uma gestora da Flórida

• Também é importante: Na era da IA, Red Hat avança sobre ‘middle market’ para acelerar crescimento em LatAm | Em sua primeira Copa, Haaland, da Noruega, se torna vitrine para patrocinadores

• Opinião Bloomberg: Restrição da Casa Branca à IA da Anthropic abre as portas para modelos da China

• Para não ficar de fora: ‘Nunca fui esquerdista’, diz Lula no G7 em conversa gravada

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A alta da receita da Needs, da RD, que já fatura R$ 1,6 bi

17 de Junho de 2026, 07:08

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

No mercado brasileiro de cuidados com a pele, marcas como Principia, Creamy e Sallve construíram audiência nas redes sociais e conquistaram espaço nas gôndolas das drogarias. Nas farmácias da RD Saúde, dona das bandeiras Raia e Drogasil e líder do setor, as três marcas perdem em vendas para uma linha vendida exclusivamente pela própria rede.

A Needs, criada em 2011 com a fusão da Raia e Drogasil, é hoje a segunda linha mais vendida no autosserviço farmacêutico, o segmento de produtos sem prescrição médica. Ela perde apenas para a Pampers, de fraldas da Procter & Gamble, segundo dados da IQVIA citados por Gustavo Milo, diretor de marcas próprias da RD Saúde.

“Me surpreendi com o tamanho da nossa marca própria, a importância que ela tem principalmente para o consumidor, a escala que ela tomou”, disse Milo à Bloomberg Línea. O executivo assumiu o posto no ano passado após passagens pela Centauro, do Grupo SBF, PepsiCo e Reckitt.

A Needs faturou cerca de R$ 1,6 bilhão em 2025, com projeção de dobrar ou triplicar até 2030, segundo o executivo. A linha divide ainda gôndola com Neutrogena, Nivea, La Roche-Posay e Eucerin. A RD Saúde encerrou março de 2026 com 3.614 farmácias, conforme o balanço do primeiro trimestre.

⇒ Leia a reportagem: Marca Needs, da RD, já fatura R$ 1,6 bilhão. Grupo vê espaço para triplicar receita

Margem bruta da Needs fica entre 14 e 15 pontos percentuais acima das demais categorias (Foto: Divulgação)

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos Estados Unidos operam em alta nesta quarta-feira (17), à medida que investidores aguardam a decisão de política monetária do Fed.

- SoftBank reduz apetite na América Latina. Alex Szapiro, sócio-gerente e diretor da companhia no Brasil, afirmou que há escassez de startups latino-americanas aptas a receber grandes aportes e que o foco global em inteligência artificial reduziu ainda mais as oportunidades de investimento na região.

- O papel da IG4 Capital em reestruturações. A gestora passou a controlar a Braskem e busca liderar a reestruturação da Raízen, em operações que envolvem cerca de R$ 127 bilhões em dívidas. A IG4 ganhou notoriedade por reestruturar companhias como a Iguá Saneamento e a CLI.

- BMW alerta para piora na China. A montadora cortou sua projeção de margem para o ano de 6% para 1% e prepara novas medidas de redução de custos após uma queda mais acentuada da demanda chinesa e o agravamento dos efeitos do conflito no Oriente Médio. As ações da montadora caíam 12% nesta manhã.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (16/06): Dow Jones Industrials (+0,64%), S&P 500 (-0,57%), Nasdaq Composite (-1,15%), Stoxx 600 (+0,25%), Ibovespa (-0,45%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Oferta da chinesa Huaxin pela CSN Cimentos enfrenta resistência da Holcim, dizem fontes

Banco Central aproveita queda no cupom cambial e acelera rolagem de swaps

Na briga com big techs, Read AI prepara escritório no Brasil após receita saltar 291%

• Também é importante: Adeus, bandejão? Nutrisaude fatura R$ 250 mi com novo modelo de refeitório no trabalho | ‘Messi é rei’: figurinha do argentino na Copa move mercado paralelo e chega a US$ 140

• Opinião Bloomberg: Novas regras para mercados de previsão nos EUA analisam categoria de forma equivocada

• Para não ficar de fora: Alta da inflação faz marmita substituir restaurante até para executivos da Faria Lima

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Marca Needs, da RD, já fatura R$ 1,6 bilhão. Grupo vê espaço para triplicar receita

17 de Junho de 2026, 06:00

No mercado brasileiro de cuidados com a pele, marcas como Principia, Creamy e Sallve construíram audiência nas redes sociais e conquistaram espaço nas gôndolas das drogarias. Nas farmácias da RD Saúde, dona das bandeiras Raia e Drogasil e líder do setor, as três marcas perdem em vendas para uma linha vendida exclusivamente pela própria rede.

A Needs, criada em 2011 com a fusão da Raia e Drogasil, é hoje a segunda linha mais vendida no autosserviço farmacêutico, o segmento de produtos sem prescrição médica. Ela perde apenas para a Pampers, de fraldas da Procter & Gamble, segundo dados da IQVIA citados por Gustavo Milo, diretor de marcas próprias da RD Saúde.

“Me surpreendi com o tamanho da nossa marca própria, a importância que ela tem principalmente para o consumidor, a escala que ela tomou”, disse Milo à Bloomberg Línea. O executivo assumiu o posto no ano passado após passagens pela Centauro, do Grupo SBF (SBFG3), PepsiCo e Reckitt.

A Needs faturou cerca de R$ 1,6 bilhão em 2025, com projeção de dobrar ou triplicar até 2030, segundo o executivo. A linha divide ainda gôndola com Neutrogena, Nivea, La Roche-Posay e Eucerin. A RD Saúde (RADL3) encerrou março de 2026 com 3.614 farmácias, conforme o balanço do primeiro trimestre.

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Em 2025, a RD Saúde registrou receita bruta de R$ 47,6 bilhões, alta de 13,9% sobre 2024, e de R$ 12 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 20,4% sobre o mesmo período, conforme relatórios da companhia. Sobre essa base em expansão, a Needs representa cerca de 5% da receita total, segundo a IQVIA.

Leia também: GPA vende participação na Stix, programa de fidelidade, à RD Saúde por R$ 23 milhões

Há espaço para ampliar essa fatia, na avaliação da RD Saúde. A participação de marcas próprias no varejo brasileiro é de cerca de 1% das vendas totais, ante 60% na Holanda, 27% na República Tcheca e 4% no Peru, conforme Milo.

A margem bruta da Needs fica entre 14 e 15 pontos percentuais acima das demais categorias da rede, conforme dados divulgados em evento para investidores pela companhia e confirmados pelo executivo.

A velocidade de desenvolvimento distingue a Needs das marcas da indústria. No setor, o lançamento de um produto leva de três a cinco anos, prazo ditado pelo investimento em maquinário e infraestrutura fabril própria, segundo Milo.

A Needs coloca novidades nas gôndolas em oito a dez meses porque opera sob um modelo diferente: em vez de construir capacidade industrial, a RD Saúde aciona fornecedores já instalados no mercado para desenvolver os produtos sob a marca da rede.

“Olhamos os fornecedores disponíveis e tentamos fazer com que eles nos ajudem a desenvolver esses produtos”, disse.

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A lógica é identificar categorias sem cobertura da marca e entrar nelas. A linha SOS Acne, lançada em 2025 para adolescentes e jovens adultos, seguiu esse caminho.

Aposta na sazonalidade das cápsulas

As coleções de edição limitada que a Needs denomina “cápsulas sazonais”, com prazo definido de comercialização, sustentam o ritmo de vendas.

Em 2026, a marca lançou as coleções “Summer Vibes”, inspirada no verão, e “Hype Glow”, no período de Carnaval. A linha “Pão de Mel”, com nove produtos entre hidratante corporal, sabonete líquido e body splash, é a terceira cápsula sazonal do ano.

O objetivo de venda de cada cápsula é três meses, mas a Pão de Mel vendeu em dez dias o volume projetado para um mês, segundo Milo.

“Esse tipo de cápsula gera um senso de urgência. Se eu não aproveitar isso agora, não aproveito mais. E você só encontra no nosso canal”, disse Milo.

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Nas farmácias da rede, a Needs é a mais vendida entre Principia, Creamy, Sallve e Ollie, marcas de proteção solar com produtos que combinam skincare e maquiagem, segundo o executivo.

A chegada às drogarias dessas marcas impulsionadas por vídeos de influenciadores digitais nas redes sociais, na avaliação de Milo, acelerou a necessidade de inovar.

A Needs é a principal linha do portfólio exclusivo da RD Saúde, que inclui ainda bwell, de saúde e bem-estar, Natz, de produtos naturais, Nutrigood, de snacks, e Caretech, de equipamentos de monitoramento, conforme o site da companhia.

O conjunto de linhas exclusivas da RD Saúde passou de 5,6% do autosserviço em 2019 para 9% em 2025, conforme relatório do banco UBS BB de outubro de 2025.

O banco UBS BB avalia que a expansão de marcas próprias da RD Saúde é “alavanca fundamental para reforçar a competitividade” no segmento de higiene e cuidados pessoais, além de sustentar a expansão de margens.

A Needs lidera vendas em proteção solar e em categorias como primeiros socorros e cuidados com a pele, segundo Milo. No ranking da indústria farmacêutica como um todo, que inclui medicamentos com prescrição, segmento em que a Needs não atua, a linha figura na nona posição em faturamento, conforme dados citados pelo executivo.

Para os próximos 12 meses, Milo elencou três frentes: motivar as equipes internas a recomendar os produtos, melhorar a presença nas gôndolas físicas e digitais, e acelerar o ritmo de lançamentos.

“Uma das razões pela qual o cliente volta à nossa farmácia é porque ele encontra a nossa marca própria”, disse Milo. Três ou quatro novas cápsulas sazonais estão no plano. Os temas, o executivo não revela.

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Margem bruta da Needs fica entre 14 e 15 pontos percentuais acima das demais categorias da rede. (Foto: Divulgação/RD Saúde)

Capital privado cresce na América Latina e movimenta mais de US$ 25 bilhões por ano

O segmento de capital privado e capital empreendedor manteve atividade relevante na América Latina em 2025, em um contexto global marcado por uma recuperação gradual do fundraising, abundante capital disponível para investir e um ambiente mais seletivo para desinvestimentos.

A região captou US$ 8,57 bilhões, registrou investimentos de US$ 25,6 bilhões e consolidou Brasil, México e Colômbia como os principais destinos do capital alternativo.

Em nível global, a indústria de ativos alternativos atingiu US$ 16,4 trilhões em ativos sob gestão, enquanto o capital disponível para investir chegou a US$ 3,9 trilhões — volume que continua sustentando a atividade de gestores e investidores, apesar de um ambiente influenciado por fatores geopolíticos, mudanças regulatórias e novas dinâmicas tecnológicas.

Leia também: Mercado de crédito privado testa limites com liquidez sob pressão e ajuste de risco

O balanço regional mostra uma indústria que mantém capacidade de atrair recursos e executar investimentos, ainda que distante dos picos observados no período pós-pandemia.

“A capacidade de transferir, interpretar e conectar dados estratégicos e transacionais torna-se fundamental para antecipar necessidades, tomar decisões mais embasadas e construir relações mais sólidas e sustentáveis ao longo do tempo”, afirmou Francisco O’Bonaga, sócio-diretor da Região Andina na Deloitte Spanish Latin America.

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Na América Latina, o fundraising totalizou US$ 8,57 bilhões em 2025 — cifra inferior aos picos registrados em 2022 e 2023, mas que reflete a continuidade do interesse de investidores institucionais pelos mercados latino-americanos.

América Latina mantém o fluxo de investimento

A evolução da indústria regional ocorre em um contexto em que o capital privado continua oferecendo retornos competitivos frente a outras classes de ativos.

Entre 2018 e 2024, a taxa interna de retorno (TIR) média do capital privado em nível global chegou a 14,34%, enquanto o capital empreendedor registrou 13% e infraestrutura, 9,19%.

Esse desempenho ajuda a explicar por que a região segue captando recursos, mesmo diante de exigências crescentes dos investidores em termos de rentabilidade, liquidez e qualidade dos ativos.

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A disponibilidade global de US$ 3,9 trilhões em dry powder — capital já comprometido pelos fundos junto a seus investidores, mas ainda não investido — também é um fator relevante para entender a atividade regional.

A existência desses recursos comprometidos, mas ainda não alocados, permite que os gestores mantenham capacidade para executar novos investimentos e acompanhar empresas em diferentes estágios de crescimento.

Ainda que o fundraising latino-americano tenha se moderado em relação a anos anteriores, a indústria seguiu mostrando estabilidade relativa. O relatório destaca que a captação de recursos permaneceu em níveis relevantes e refletiu a consolidação de gestores e estratégias de investimento na região.

Além da captação, o dado que melhor reflete a profundidade do mercado é o volume de investimentos executados. Em 2025, a América Latina registrou US$ 25,6 bilhões distribuídos em 947 transações — sinal de que os gestores continuaram encontrando oportunidades em diferentes setores e geografias da região.

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A manutenção desse fluxo é especialmente relevante porque mostra que a atividade não depende apenas de novas captações. Ela também reflete a utilização de recursos previamente comprometidos e a continuidade de estratégias de longo prazo em setores como infraestrutura, crescimento empresarial, mercado imobiliário, impacto e capital empreendedor.

Em paralelo, o ecossistema global segue incorporando novas prioridades ligadas a inteligência artificial, cibersegurança, sustentabilidade e governança corporativa — fatores que estão modificando os critérios de avaliação de investimentos e a gestão de portfólios.

Brasil, México e Colômbia concentram a atenção

A distribuição dos investimentos regionais mostra uma concentração expressiva nos principais mercados latino-americanos.

O Brasil continua sendo o mercado de maior escala, sustentado pelo tamanho de sua economia, pela profundidade de seu mercado financeiro e pela diversidade de oportunidades de investimento. O México mantém posição de destaque graças à integração com os Estados Unidos e à dinâmica de setores ligados a manufatura, logística e serviços.

A Colômbia aparece entre os mercados mais relevantes para a indústria regional, apoiada pela presença de gestores especializados, pelo desenvolvimento institucional do ecossistema e por mais de uma década de consolidação de veículos de investimento.

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A relevância desses países não se explica apenas pelo tamanho de suas economias. Ela também reflete a existência de marcos regulatórios, redes de investidores institucionais e gestores capazes de estruturar operações de médio e longo prazo.

“Hoje vemos uma indústria muito mais sofisticada, com maior diversificação de verticais, novas capacidades de estruturação e uma presença territorial ampla”, afirmou Paola García Barreneche, diretora executiva da ColCapital.

Nesse contexto, a atividade regional segue mostrando diversificação crescente entre estratégias de aquisição e crescimento, infraestrutura, mercado imobiliário, impacto e capital empreendedor, reduzindo a dependência de um único setor ou tipo de ativo.

A evolução do investimento estrangeiro direto na região também oferece sinais sobre a atratividade relativa dos diferentes mercados.

Na América Latina, os fluxos de IED totalizaram US$ 171,4 bilhões em 2025, alta de 3,4% em relação ao ano anterior. Na Colômbia, o IED somou US$ 11,47 bilhões, com participação de destaque de serviços financeiros, petróleo e manufatura.

Colômbia amplia seu ecossistema

O caso colombiano ocupa lugar de destaque no relatório pelo crescimento acumulado da indústria e pelo peso que alcançou dentro do mercado regional.

Segundo a ColCapital, o ecossistema supera US$ 31,8 bilhões em capital comprometido, acumula mais de US$ 23,6 bilhões investidos historicamente e apoiou mais de 2.100 ativos e projetos no país.

Esses números revelam uma transformação relevante da indústria em relação às suas primeiras fases de desenvolvimento.

O capital privado ampliou sua presença em segmentos como infraestrutura, mercado imobiliário, aquisição e crescimento, impacto e capital empreendedor, contribuindo para financiar projetos e empresas em diferentes fases de expansão.

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Em 2025, a Colômbia registrou investimentos de US$ 2,75 bilhões em 86 transações, consolidando-se como um dos mercados mais ativos da região. A dimensão alcançada pelo ecossistema também se reflete no número de participantes: a ColCapital identificou 167 gestores com interesse ativo na Colômbia e 410 veículos de investimento vinculados ao mercado colombiano.

“Esses números refletem a capacidade do capital privado de mobilizar investimento de longo prazo, fortalecer empresas e gerar impacto econômico e social na Colômbia”, disse García.

O desenvolvimento institucional da indústria permitiu ampliar as fontes de financiamento disponíveis para empresas e projetos, ao mesmo tempo que fortaleceu a participação de investidores nacionais e internacionais.

No front macroeconômico, o relatório aponta que a economia colombiana cresceu 2,6% em 2025 e projeta expansão de 2,8% para 2026. Embora o crescimento permaneça em níveis moderados, setores como entretenimento, comércio, agroindústria e manufatura mostram sinais de dinamismo que podem continuar gerando oportunidades para gestores e investidores.

A combinação entre um ecossistema mais amplo, uma base crescente de gestores especializados e a disponibilidade de capital global é um dos fatores que explicam a consolidação da Colômbia dentro da indústria latino-americana.

A evolução do fundraising regional, a capacidade de executar desinvestimentos em um ambiente mais exigente, a mobilização do dry powder disponível globalmente e o impacto que tecnologias como a inteligência artificial terão sobre os modelos de negócio estão entre as variáveis que marcarão a próxima etapa de desenvolvimento do capital privado e empreendedor na América Latina.

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© Cesar Rodriguez

Cidade do México: país está entre os principais destinos de investimentos alternativos na região, junto de Brasil e Colômbia. (Foto: Cesar Rodriguez/Bloomberg)

Adeus, bandejão? Nutrisaude fatura R$ 250 mi com novo modelo de refeitório no trabalho

16 de Junho de 2026, 11:19

Quando a Nutrisaude assume a cozinha de uma empresa, a primeira mudança não está no cardápio. Está na parede. “A primeira coisa que fazemos é trocar as placas nos locais. Não é mais refeitório, é restaurante”, disse Victor Franco, CEO da companhia, em entrevista à Bloomberg Línea.

A troca da placa resume a aposta que levou a empresa de alimentação no ambiente de trabalho, sediada em Bauru, no interior de São Paulo, a sair de um faturamento de R$ 70 milhões para R$ 250 milhões de faturamento em quatro anos.

O modelo de negócio inclui assumir de forma completa a terceirização da alimentação de funcionários. A empresa monta um restaurante próprio dentro do cliente, com identidade visual, equipe e cardápio sob sua gestão, e cobra um preço fixo por refeição servida, que varia de R$ 11 a R$ 30 conforme o contrato.

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Hoje a Nutrisaude serve cerca de 50.000 refeições por dia em 150 clientes e tem operação em 14 estados.

Segundo Franco, a margem é estreita. O EBITDA da Nutrisaude está na casa dos 10%, contra os 18% a 20% típicos de um restaurante comercial tradicional, e a rentabilidade depende da escala e do rigor de gestão.

“Nós literalmente contamos centavos, porque servimos 50.000 refeições por dia. Se economizarmos 10 centavos por refeição, no final do ano vai me dar uma montanha de dinheiro”, disse Franco, que é engenheiro de produção.

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Cada cozinha funciona como um centro de resultado isolado, com metas próprias de custo. O modelo tem funcionado especialmente bem em empresas que têm entre 100 e 150 funcionários, e quanto maior a operação, mais o custo fixo se dilui e mais competitiva fica a compra de insumos, disse.

A retaguarda fica em Bauru, em uma matriz que concentra áreas como fiscal, compras, planejamento e qualidade, enquanto cada uma das cozinhas produz no local, sob a régua de custo definida pela central.

Victor Franco, CEO da Nutrisaude (Foto: Divulgação)

Ao contrário do que acontece em restaurantes abertos no modelo tradicional, a previsibilidade é o ativo central do negócio dos novos refeitórios.

O controle começa no planejamento de compras. No início de junho, a empresa já operava com o cardápio de julho aprovado, porque a área de suprimentos negociava antecipadamente o volume do mês seguinte. “Nós trabalhamos sempre com o mercado futuro”, disse Franco.

Como a receita está amarrada a contratos de longo prazo, a empresa enxerga o faturamento futuro antes de ele acontecer. “Se eu não perder nenhum contrato, na média eu consigo saber hoje quanto que eu vou faturar em 2027”, disse Franco. O número é de R$ 290 milhões, contra os R$ 250 milhões projetados para 2026.

Para 2030, a meta é dobrar de tamanho e alcançar R$ 500 milhões. Para sustentar a expansão, a companhia investiu R$ 2 milhões em uma nova sede e mais de R$ 10 milhões em equipamentos e tecnologia de cozinha.

O novo refeitório

Franco diz acreditar que o setor passará por uma reformulação. “Os próximos anos vão ser de revolução nos restaurantes industriais”, afirmou, citando companhias que já servem cortes de carnes nobres a operários e empacotadores como forma de retenção.

Por décadas, as empresas trataram a alimentação como obrigação. Contratavam pelo menor custo possível e recebiam o pior padrão, explicou o executivo. “Transformavam num bandejão com pouquíssimo cuidado”, afirmou.

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Nos últimos anos, o perfil começou a mudar, junto com a leitura sobre o gasto e o retorno da alimentação no trabalho. “Com a dificuldade de contratar e reter mão de obra, companhias passaram a enxergar a refeição como ferramenta de retenção, não como despesa a ser espremida”, disse.

Em algumas operações, segundo Franco, é possível servir refeições de alta qualidade, com ingredientes como filé mignon, salmão e refrigerante por um custo adicional próximo de R$ 3 por refeição.

O efeito é mais visível justamente em operações com faixas de remuneração relativamente mais baixas. “A pessoa que ganha R$ 2.000 por mês passa a comer filé mignon no trabalho. Isso é uma quebra de cultura social”, disse o executivo.

A economia para o contratante ajuda a explicar a migração. Segundo a Nutrisaude, o modelo de restaurante interno chega a reduzir em até 50% o custo da alimentação para as empresas frente ao vale-refeição.

Uma empresa com 200 funcionários que gasta mais de R$ 200 mil por mês com o benefício pode reduzir esse valor à metade, uma economia acima de R$ 1 milhão por ano, além de ganhar previsibilidade orçamentária, diz.

A conta se sustenta sobre um cálculo de margens pequenas em grande volume. Franco argumenta que um benefício de R$ 100 por mês depositado no bolso do funcionário tem pouco impacto percebido. O mesmo valor convertido em refeições melhores dentro da empresa pode mudar a experiência e ajudar a segurar o trabalhador.

De dez contratos a 2.000 funcionários

A Nutrisaude que existe hoje nasceu de uma separação de um grupo familiar com o mesmo nome que operava há mais de três décadas.

Em 2017, Franco e um primo deixaram o grupo da família, que faturava perto de R$ 200 milhões no setor público, abriram mão da sociedade e levaram apenas a marca e dez contratos privados, que passaram a ser o foco da operação. Recomeçaram faturando cerca de R$ 1 milhão.

Hoje são quase 2.000 funcionários e clientes como Latam, Unilever, Shopee, O Boticário e a rede Unimed, segundo o executivo.

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A empresa monta um restaurante próprio dentro do cliente, com identidade visual, equipe e cardápio sob sua gestão (Foto: Divulgação)

A estratégia da Iguá para dobrar receitas, segundo o CEO

16 de Junho de 2026, 07:03

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Com desafios que vão de ganho de escala até infraestrutura em comunidades nos morros do Rio de Janeiro, a Iguá tem como estratégia priorizar o amadurecimento das concessões já existentes para dobrar a receita da companhia nos próximos anos, afirmou o CEO René Silva em entrevista à Bloomberg Línea.

Apesar do foco na expansão das redes de leilões conquistados desde a aprovação do novo marco regulatório do setor, em 2020, o executivo afirma que a empresa deve olhar futuras oportunidades de investimentos.

“Nós vamos olhar tudo que tenha uma sinergia geográfica com as nossas operações, mas sempre com muito critério”, disse Silva.

A Iguá possui atualmente nove operações de água e esgoto distribuídas em seis estados.

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Empresa possui quatro operações de água e esgoto, que atendem seis milhões de pessoas. (Foto: Divulgação)

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos EUA operam sem direção única nesta terça-feira (16), enquanto investidores aguardam a primeira decisão de política monetária do Federal Reserve nesta semana sob a liderança de Kevin Warsh.

- SpaceX amplia rali após IPO. As ações da empresa caminham para ampliar os ganhos de mais de 40% desde a estreia na bolsa. A valorização elevou o valor de mercado da empresa para mais de US$ 2,5 trilhões. O interesse de investidores de varejo ajudou a reduzir preocupações sobre a absorção do IPO.

- Acordo EUA-Irã reduz temor sobre inflação. Economistas avaliam que o acordo provisório entre os dois países indica que o pico da inflação nos EUA impulsionada pela guerra pode ter ficado para trás, embora ainda persistam incertezas sobre a normalização do transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

- Catar mira retomada do GNL. A QatarEnergy informou a compradores que pretende restaurar cerca de metade de sua capacidade de exportação de gás natural liquefeito um mês após a reabertura do Estreito de Ormuz, elevando esse percentual para cerca de 80% dois meses depois.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (15/06): Dow Jones Industrials (+0,92%), S&P 500 (+1,66%), Nasdaq Composite (+3,07%), Stoxx 600 (+0,19%), Ibovespa (-0,42%)
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🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Daniella Marques é nomeada assessora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro

Mercado vê acordo entre EUA e Irã abrir espaço para queda da Selic, com cenário incerto

IG4 oferece comprar dívida da Raízen em busca de fatia majoritária, dizem fontes

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Iguá prioriza concessões atuais e vê oportunidade para dobrar receitas, diz CEO

16 de Junho de 2026, 06:00

Com desafios que vão de ganho de escala até infraestrutura em comunidades nos morros do Rio de Janeiro, a Iguá tem como estratégia priorizar o amadurecimento das concessões já existentes para dobrar a receita da companhia nos próximos anos, afirmou o CEO René Silva em entrevista à Bloomberg Línea.

Apesar do foco na expansão das redes de leilões conquistados desde a aprovação do novo marco regulatório do setor, em 2020, o executivo afirma que a empresa deve olhar futuras oportunidades de investimentos.

“Nós vamos olhar tudo que tenha uma sinergia geográfica com as nossas operações, mas sempre com muito critério”, disse Silva.

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A Iguá possui atualmente nove operações de água e esgoto distribuídas em seis estados.

A mais emblemática é a concessão da zona sudoeste da cidade do Rio de Janeiro. A companhia também possui operações em Sergipe, Cuiabá e Paranaguá.

Há ainda cinco Parcerias Público-Privadas (PPPs): Agreste do Alagoas, Iguaçu, Andradina, Atibaia e Sanessol.

Cada operação tem suas particularidades. No Rio, a concessão possui grande adensamento, com desafios de operação envolvendo as comunidades.

Leia também: EDP Brasil integra operação de renováveis para avançar no mercado livre de energia

Já em Sergipe, além do problema de intermitência no abastecimento, a concessão tem forte concentração de usuários na capital Aracaju e clientes espalhados de forma esparsa por 74 municípios – o que impõe desafios principalmente de implantação das redes de adutoras.

“É preciso garantir uma infraestrutura adequada para a quantidade de água que passa pelas redes, fazendo manutenção contínua para oferecer a melhor estrutura da cobertura, o que possibilita que não haja interrupção”, disse o CEO.

Estudar o mercado com critério. (Foto: Empresa/Divulgação)

Outro passo fundamental é trabalhar todas as frentes do ponto de vista das perdas, tanto de vazamentos, por exemplo, quanto de ligações irregulares.

Para tanto, a companhia tem implantado tecnologias como sensores com ferramentas de machine learning que, em conjunto com a inteligência artificial, preveem perdas e alocam as equipes de manutenção de forma mais assertiva.

Silva relata que o crescimento da receita nos próximos anos deve vir principalmente de novas ligações. Ele explica que algumas redes ainda têm uma baixa cobertura, seja de água ou esgoto. “Quando investimentos são feitos para manutenção, ao mesmo tempo aplicamos recursos para expansão da rede, colocando mais clientes para dentro do sistema. Isso leva a um aumento de receita.”

A companhia tem colhido frutos em outras frentes. A principal contrapartida ambiental prevista no contrato de concessão do Rio é a revitalização do Complexo Lagunar de Jacarepaguá, que receberá investimentos da ordem de R$ 250 milhões. “Já conseguimos ver espécies de vidas retornando”, afirmou.

Processo de dragagem no Complexo Lagunar RJ. Foto: Empresa/Divulgação

Novas oportunidades

Silva observa que a pressão das metas de universalização traçadas pelo novo marco tem estimulado novos projetos de concessões e PPPs.

Embora não haja perspectiva de leilões de porte similar ao do Rio de Janeiro, por exemplo, o executivo afirma que existem projetos que naturalmente têm sinergia com os ativos da Iguá, como um novo bloco em Alagoas.

Outra oportunidade no mercado hoje é o programa UniversalizaSP, do governo de São Paulo, que tem como objetivo ampliar o acesso ao saneamento em 146 municípios paulistas.

Recentemente, a Iguá recebeu um aporte de capital dos acionistas no valor de R$ 700 milhões, sem destinação específica. “Isso mostra a confiança dos acionistas na nossa estratégia. É muito mais para acelerar o crescimento dentro dos investimentos já contratados”, disse Silva.

O grande risco, segundo ele, é o impacto da reforma tributária, que prevê aumento da carga para o setor de saneamento. “Do jeito que está, acaba impactando não só a cadeia, mas o usuário final. Como requilibramos contratos?”, questionou.

-- Matéria corrigida às 10h16: A companhia possui atualmente nove operações de água e esgoto distribuídas em seis estados, incluindo a concessão da zona sudoeste da cidade do Rio de Janeiro, operações em Sergipe, Cuiabá e Paranaguá, além de cinco Parcerias Público-Privadas (PPPs): Agreste de Alagoas, Iguaçu, Andradina, Atibaia e Sanessol. A versão anterior informava incorretamente a distribuição dessas operações.

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© Divulgação/Iguá

Operação da Iguá: empresa possui atualmente quatro operações de água e esgoto, que atendem seis milhões de pessoas. (Foto: Divulgação/Iguá)

Com JBS como sócia, Mantiqueira mira top 5 global

15 de Junho de 2026, 07:06

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A Mantiqueira prevê alcançar a marca de 10 milhões de galinhas nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2027, após avançar na repopulação e na reorganização das granjas adquiridas no país, segundo o fundador da companhia, Leandro Pinto.

O processo de repopulação está 60% concluído e deverá colocar a empresa entre as quatro ou cinco maiores produtoras de ovos do mundo, de acordo com o empresário.

“Quando a gente terminar a repopulação, vamos estar entre os top 4, top 5 do mundo. Isso já é um grande marco para a Mantiqueira”, disse Pinto em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea.

Atualmente, a Mantiqueira possui cerca de 6 milhões de galinhas nos EUA. A expansão ocorre após a aquisição, anunciada em novembro de 2025, da Hickman’s Egg Ranch, uma das maiores produtoras de ovos do país. A empresa tinha 10 milhões de galinhas, mas perdeu 95% desse total após um surto de gripe aviária.

A internacionalização já estava nos planos da Mantiqueira, segundo o fundador. Com a sociedade com a JBS, anunciada em janeiro de 2025, a empresa conseguiu acelerar a estratégia e tirar projetos do papel.

⇒ Leia a reportagem: Com JBS como sócia, Mantiqueira prevê 10 mi de galinhas nos EUA e mira top 5 global

Mantiqueira produz 1,3 bilhão de ovos por ano nos EUA e 4 bilhões no Brasil. (Foto: Jasper Juinen/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações globais operam em alta nesta segunda-feira (15), enquanto o petróleo caiu ao menor nível em três meses após Estados Unidos e Irã anunciarem um acordo que abre caminho para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz.

- Reabertura de Ormuz deve ser gradual. Analistas de mercado avaliam que a normalização dos fluxos de petróleo e gás por Ormuz pode levar meses. “Os fluxos físicos podem ser reiniciados rapidamente. A confiança geralmente não”, disse Haris Khurshid, da Karobaar Capital.

- Perspectivas para os juros dos emergentes. Investidores têm reformulado posições diante de trajetórias distintas de política monetária. A expectativa é de cortes de juros no Brasil, manutenção no Chile e preferência por mercados de alto carry, como Brasil, Colômbia, Hungria e África do Sul entre os emergentes.

- BCE alerta para pressão inflacionária. A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que a alta dos preços de energia já começou a contaminar outros setores da economia e sinalizou que novos aumentos de juros seguem na mesa para evitar efeitos secundários, como reajustes salariais.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

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Destaques da Bloomberg Línea:

EUA e Irã chegam a acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz

Como as políticas de Trump colocam em risco expectativas econômicas da Copa do Mundo

Com custo alto para ver a Copa nos EUA, marcas investem em festas e eventos no Brasil

• Também é importante: Ecossistema do luxo: a estratégia do Kanoe com sushi para 8 clientes e menu de R$ 1.400 | ‘Os carros elétricos são um caminho sem volta’, diz CEO da Porsche no Brasil

• Opinião Bloomberg: O que os modelos de previsão para a Copa do Mundo podem ensinar sobre finanças

• Para não ficar de fora: O turnaround da Biondi Santi: como nova gestão reposicionou um ícone do vinho italiano

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Com JBS como sócia, Mantiqueira prevê 10 mi de galinhas nos EUA e mira top 5 global

15 de Junho de 2026, 06:00

A Mantiqueira prevê alcançar a marca de 10 milhões de galinhas nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2027, após avançar na repopulação e na reorganização das granjas adquiridas no país, segundo o fundador da companhia, Leandro Pinto.

O processo de repopulação está 60% concluído e deverá colocar a empresa entre as quatro ou cinco maiores produtoras de ovos do mundo, de acordo com o empresário.

“Quando a gente terminar a repopulação, vamos estar entre os top 4, top 5 do mundo. Isso já é um grande marco para a Mantiqueira”, disse Pinto em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea.

Atualmente, a Mantiqueira possui cerca de 6 milhões de galinhas nos Estados Unidos. A expansão ocorre após a aquisição, anunciada em novembro de 2025, da Hickman’s Egg Ranch, uma das maiores produtoras de ovos do país. A empresa tinha 10 milhões de galinhas, mas perdeu 95% desse total após um surto de gripe aviária.

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“Foi muito dolorido para quem vendeu, mas para nós foi uma baita oportunidade, porque tivemos tempo de começar a fazer as coisas certas como têm que ser feitas”, disse o executivo.

A maior parte da operação da Mantiqueira segue concentrada no Brasil, onde a meta é atingir 20 milhões de galinhas até o final do ano — atualmente, a empresa tem 17 milhões.

Nos EUA, a empresa produz 1,3 bilhão de ovos por ano. No Brasil, são 4 bilhões.

Leia também: Das carnes às ’superproteínas’: a estratégia da JBS frente às canetas emagrecedoras

A internacionalização já estava nos planos da Mantiqueira, segundo o fundador. Com a sociedade com a JBS (JBS), anunciada em janeiro de 2025, a empresa conseguiu acelerar a estratégia e tirar projetos do papel.

A estratégia está alinhada à atuação diversificada da JBS em diferentes regiões geográficas e tipos de proteína, o que reduz a exposição da companhia a cenários adversos em mercados específicos.

Desde a aquisição da Hickman’s, a Mantiqueira tem reorganizado as estruturas produtivas antes de ampliar a capacidade. Segundo Pinto, o objetivo é crescer de forma ordenada e orgânica.

A operação nos Estados Unidos também possui um perfil diferente em relação à brasileira: cerca de 21% da produção da Mantiqueira no Brasil já é cage-free (galinhas livres), ante aproximadamente 60% do mercado americano, segundo Pinto.

Leia também: Ovo deixa de ser vilão da inflação nos EUA. Agora excesso de oferta aperta produtores

Segundo ele, a companhia acertou em 1º de junho a compra dos 50% restantes da Colorado Eggs. A Hickman’s, operação americana adquirida pela Mantiqueira USA, já detinha a outra metade da granja. Com a transação, a Hickman’s passou a controlar integralmente o ativo.

O valor da operação, segundo o executivo, foi de US$ 2 milhões.

Além do crescimento orgânico, a Mantiqueira continuará aberta a aquisições, postura já característica da JBS no mercado.

“Toda vez que o mercado estiver mais barato para comprar do que para fazer, nós somos compradores. Toda vez que estiver mais caro para comprar do que para fazer, nós somos fazedores”, afirmou Pinto.

Executivo conta como a sociedade com a JBS acelerou a internacionalização da Mantiqueira para os EUA; no Brasil, compara a parceria a uma relação de 'irmãos siameses' com a gigante global de proteínas.

A entrada nos Estados Unidos também permite à Mantiqueira ampliar sua exposição a uma moeda forte e reduzir os riscos de uma estratégia baseada exclusivamente em exportações, sujeita a restrições comerciais e a mudanças nas condições dos mercados internacionais.

Segundo o fundador, a presença global da JBS e sua estrutura de apoio em áreas como finanças, recursos humanos, jurídico, suprimentos e pesquisa e desenvolvimento ampliaram a capacidade da Mantiqueira de executar projetos que já estavam no radar, mas que levariam mais tempo para sair do papel.

“É o que eu falo: éramos uma companhia de um tamanho. Com a entrada da JBS, ficamos uma companhia de outro tamanho”, disse.

No Brasil, a empresa também investe na ampliação de uma operação no Paraná, onde pretende mais do que dobrar a capacidade produtiva, de 1,2 milhão para 2,5 milhões de aves, até o primeiro trimestre de 2027.

Confira a primeira parte da entrevista de Leandro Pinto à Bloomberg Línea, editada para fins de clareza e compreensão:

Fazendo um balanço dessa sociedade com a JBS, depois desse período de integração, o que deu mais certo e o que ainda não atingiu o potencial esperado?

Leandro Pinto: O balanço, para mim, é superpositivo. Na verdade, estamos falando de um ano e dois meses de sociedade efetiva. Mas a relação entre as empresas, o conhecimento mútuo, já existe há mais de 20 anos.

O período de adaptação não precisou ser muito longo porque nós já conhecíamos o jeito simples e rápido com que a JBS conduz as coisas.

Essa parceria veio em um momento estratégico. A empresa precisava crescer e tirar do papel várias iniciativas que já estavam planejadas, mas existia uma limitação de capital. Em um país com juros reais de 15% ao ano, não basta ter coragem, é preciso ter juízo.

Quais acessos a Mantiqueira passou a ter com a entrada da JBS?

A parceria com a JBS foi transformacional para a estrutura da empresa. Passamos a ter acesso a sinergias na compra de embalagens, vitaminas e equipamentos, além de acesso ao mercado financeiro, um balanço superestruturado, com baixa alavancagem e mais capacidade para investir.

Leia também: Melhora do perfil da dívida garante ‘colchão de liquidez’ para a JBS, diz CFO

Hoje temos várias frentes de expansão acontecendo. Esperamos encerrar o ano com algo entre 19,5 milhões e 20 milhões de galinhas no Brasil. A chuva atrapalhou um pouco o primeiro trimestre, mas seguimos confiantes nessa meta. Nos Estados Unidos, devemos chegar a 10 milhões de galinhas no primeiro trimestre de 2027.

Quando você olha para o balanço da empresa de um ano e meio atrás e compara com o atual, é outra realidade. Houve injeção de capital, alongamento de dívida e uma análise de agência de rating sobre nossa capacidade financeira, nossa posição de caixa e nossa baixa alavancagem.

Além disso, houve um ganho importante nas trocas estratégicas. As conversas sempre existiram, mas agora elas são mais profundas: o que vamos fazer, para onde vamos e como vamos.

Essa união facilitou muito a vida da Mantiqueira. Nós trazemos nossa expertise em produção de ovos, nossa capacidade de execução e nossa visão de crescimento. Ao mesmo tempo, passamos a contar com uma retaguarda robusta em áreas como pesquisa e desenvolvimento, finanças, recursos humanos e jurídico.

Você consegue fazer mais em menos tempo, então?

Sim, embora o negócio represente pouco perto do tamanho da JBS em faturamento global, é impressionante a atenção que eles dedicam à operação. Eles acompanham os detalhes, a estratégia, o crescimento, as reuniões, as visitas.

Qual foi exatamente o racional por trás da entrada nos Estados Unidos?

O racional foi ter um balanço em moeda forte. Nós éramos exportadores e sabemos como o exportador fica exposto às mudanças do mercado. A União Europeia pode impor restrições, a China pode mudar regras. Você está sempre sujeito a movimentos externos.

Entramos nos Estados Unidos porque é a maior economia do mundo e um dos maiores consumidores de ovos.

Queríamos construir um balanço em dólar e reduzir nossa dependência da exportação. Quando você está presente no mercado local, consegue atender a demanda de forma muito mais organizada e estruturada.

Qual é a perspectiva para a operação americana? A ideia é ampliar o peso dos Estados Unidos dentro do negócio?

Não, o Brasil vai continuar [representando a maior parte dos negócios].

Nós tínhamos uma operação no Colorado em sociedade. Em 1º de junho compramos a participação do sócio para acelerar a expansão orgânica da operação.

Nossa lógica é simples: quando é mais barato comprar do que construir, compramos. Quando é mais barato construir do que comprar, construímos. O que precisamos é de produção. Não precisamos criar mercado. O mercado já existe. Nós já estamos posicionados nele.

Qual é o peso dos Estados Unidos e do Brasil no negócio da Mantiqueira?

Hoje, o Brasil representa cerca de 70% do negócio e os Estados Unidos, aproximadamente 30%. O preço nos EUA deu uma sentida recentemente.

Mas a estratégia é continuar crescendo dos dois lados. Nossa expansão orgânica no Brasil já é sustentada pelo crescimento dos clientes que atendemos atualmente.

E, nesse cenário, onde entram as exportações? Há mercados mais distantes nos quais é mais fácil estar presente localmente para conseguir acessá-los?

Exatamente. Temos planos e começamos pelos Estados Unidos.

Nossa primeira internacionalização foi em um país estável, com moeda forte e balanço em dólar. A partir de agora, começamos a ver outros movimentos no mundo.

Como a JBS está presente em cinco continentes, isso facilita muito nosso plano e nossa ambição de crescimento. Não viemos para ficar entre os top 5 do mundo. Viemos para ser melhores naquilo que nos propomos a fazer, mirando sempre ser um dos grandes players da produção de ovos no mundo.

Quais continentes estão no radar?

Não há um continente específico. Recebemos sondagens todos os dias. As oportunidades que surgem no mercado, sabendo dessa parceria com a JBS, chegam até nós.

Temos que avaliar se estão alinhadas à nossa estratégia e ao que acreditamos. Não vamos comprar nada para fazer volume e faturamento. Vamos comprar para fazer bem feito e ganhar dinheiro.

E como funciona o dia a dia dessa operação? Vocês têm um grupo de WhatsApp com todo mundo do conselho?

É tudo muito fácil. Temos um grupo de WhatsApp com todo mundo do conselho. As decisões rápidas são tratadas por ali e, em menos de 30 minutos, costumam ser respondidas e resolvidas. É o tamanho de um navio com a agilidade de um jet ski.

-- Matéria corrigida às 09h10: O percentual de galinhas livres da empresa no Brasil é de 21% e não 65%, enquanto nos EUA é de 60% e não de 40%, como constava anteriormente.

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© Jasper Juinen

Mantiqueira produz 1,3 bilhão de ovos por ano nos EUA e 4 bilhões no Brasil. (Foto: Jasper Juinen/Bloomberg)

‘Os carros elétricos são um caminho sem volta’, diz CEO da Porsche no Brasil

14 de Junho de 2026, 06:00

Quando o engenheiro escocês James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor no século XVIII, ele teve que convencer os industriais a substituir os cavalos por seu produto. Para ter uma unidade de comparação compatível com a realidade da época, foi cunhado o termo horsepower (hp) – ou cavalo-vapor (cv), na tradução para o português.

O termo é usado até hoje na indústria automobilística. No entanto, os cavalos já não são mais usados como meio de transporte ou de força – exceto no esporte.

Na visão do CEO da Porsche do Brasil, Peter Vogel, a analogia pode ser aplicada ao processo de eletrificação no mercado automotivo.

“Os elétricos são um caminho sem volta. Os últimos carros a combustão a persistir serão provavelmente os de corrida”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea, durante evento recente de inauguração do espaço Tempo By Porsche, em São Paulo.

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O conceito de horsepower, segundo Vogel, permeou o processo criativo do fundador da própria Porsche – não à toa o símbolo da marca é um cavalo.

Ele afirma que as novas montadoras que estão chegando ao mercado não têm a mesma tradição da Porsche. “Conseguimos oferecer o que vem da nossa história, especialmente das competições. As outras marcas não têm 50 anos de corridas.”

Em meio ao avanço acelerado dos carros elétricos, com destaque para marcas chinesas como a BYD, Vogel observa que a Porsche mantém um portfólio que atende a todos os consumidores. “Temos excelentes carros elétricos, especialmente agora com o Cayenne, e outros a combustão tão bons quanto, como o 911”, diz.

Leia mais: Preços de cervejas recuam com clima frio e renovação de estoques, aponta J.P. Morgan

Em sua avaliação, é o consumidor que decide: a demanda não pode ser de “cima para baixo” e, para ser bem-sucedido na estratégia, é preciso oferecer de tudo. “Nós, como companhia, faremos o que o cliente demandar, mas a tendência é clara. O mercado caminha para elétricos, ainda que, talvez, um pouco mais devagar do que esperávamos.”

Neste contexto, Vogel diz que a indústria dispõe de inúmeras possibilidades, incluindo combustíveis sintéticos, livres de emissões de CO2. “Agora, muitas empresas estão olhando para isso. Existe uma responsabilidade ambiental, nós temos essa responsabilidade e precisamos mudar”, ressalta.

Mídias sociais

Com o avanço massivo de conteúdos de influenciadores sobre carros nas redes sociais, as marcas de esportivos têm a oportunidade de atrair novos fãs, após um período de incertezas não só para o carro a combustão. A própria indústria automotiva vem enfrentando desafios com o avanço da cultura do uso em vez da posse – difundida por marcas como Uber, 99 e Netflix.

“Quando você compra um Porsche, ou se envolve com a marca, seja comprando um carro ou participando de eventos, mostramos aos clientes que não vendemos apenas produtos, mas um estilo de vida”, diz Vogel.

No último dia 4 de junho, foi inaugurado o espaço Tempo By Porsche, no Jardim Paulistano, em São Paulo. Definido pela marca como um hub cultural, a proposta é oferecer gastronomia e experiências que vão além do carro, incluindo arte, música e eventos.

Novo espaço de gastronomia e experiência Tempo By Porsche, inaugurado no último dia 4 de junho, em São Paulo. Foto: Empresa/Divulgação

Trata-se do primeiro hub permanente da Porsche nas Américas e um dos primeiros do mundo. O projeto foi idealizado pelo artista plástico Adonis Alcici em parceria com a Porsche Brasil e comporta, mediante reserva, 140 pessoas no dia a dia e até 250 em eventos exclusivos. A gestora Avenue, do Itaú, é patrocinadora master do projeto, o que segundo a empresa conecta a sua estratégia de relacionamento com públicos de alto engajamento.

A proposta da Tempo By Porsche é oferecer experiências. Foto: Empresa/Divulgação

A projeção inicial é que o espaço receba cerca de 18 mil clientes por mês, com serviços de café da manhã, almoço e jantar, de segunda a domingo.

Além da operação regular, o Tempo contará com um programa de membros com acesso a benefícios, eventos exclusivos e condições especiais no espaço. Em paralelo, proprietários Porsche poderão ter privilégios especiais, bem como a oportunidade de expor seus carros da marca no espaço do estabelecimento.

“Ainda não preenchemos toda a decoração. Teremos um clube de membros e cada um poderá trazer algo pessoal, incluindo seu próprio Porsche. Já temos fila de espera”, diz Adonis Alcici.

O artista explica que, assim como um carro esportivo, o conceito do espaço foi pensado com base em forma e função. Um exemplo disso foi o teto, que não possui forro e é composto de placas acústicas.

O símbolo da Tempo é uma ampulheta deitada. “Aqui o tempo não passa. Um dos nossos objetivos é criar uma marca sólida, com experiências marcantes para além dos fãs de Porsche”, afirma Alcici.

A montadora quer mostrar que a sua comunidade vai além do carro, afirma o diretor de marketing da Porsche Brasil, Gero Stanzel.

“É um estilo de vida, um clássico”, disse. Ele acrescentou que, mesmo São Paulo tendo seus muros cinzas, o novo espaço foi pensado especialmente para ela. “É uma cidade que tem o seu próprio tempo”, disse.

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Um Porsche Taycan elétrico: 'Nós, como companhia, faremos o que o cliente demandar, mas a tendência é clara', disse o CEO da empresa no Brasil. (Foto: Alex Kraus/Bloomberg)

Rodadas da semana: investimento em startups desacelera em maio na América Latina

13 de Junho de 2026, 06:00

O mercado latino-americano de startups movimentou US$ 392 milhões em 51 rodadas em maio de 2026, com mediana de US$ 1,1 milhão por operação.

O volume representa uma queda de 79% em relação ao recorde de abril, mas avanço 91% na comparação anual, segundo dados compilados pela plataforma Sling Hub.

O número de rodadas ficou praticamente estável, com alta de 2% em relação ao mês anterior.

A normalização era esperada após um abril atípico, impulsionado por aportes volumosos como o FIDC de US$ 1,1 bilhão da CloudWalk.

Em maio, o destaque foi a lawtech brasileira Enter, captou US$ 100 milhões em uma Série B e entrou para o clube dos unicórnios.

O Brasil concentrou os montantes captados, com 90% do volume total (US$ 354 milhões) e 73% das rodadas. Diferentemente de abril, o mês foi sustentado majoritariamente por equity, que respondeu por 61% do capital investido.

As startups de inteligência artificial seguiram como principal força tecnológica, acumulando US$ 294 milhões em 28 rodadas — equivalente a 75% de todo o capital movimentado na América Latina em maio. O volume foi dividido de forma equilibrada entre iniciativas AI-First (51%) e AI-Enabled (49%).

Leia também: ‘O plano A é trabalhar de forma construtiva com o governo’, diz Luana Lara, da Kalshi

Veja os principais aportes da semana:

Factorial

A HR tech espanhola Factorial captou € 150 milhões em uma rodada Série D liderada pela General Catalyst, com participação da Atomico e da Four Rivers, atingindo o valuation de €2,5 bilhões.

Em paralelo, a General Catalyst comprometeu mais €540 milhões por meio do seu Customer Value Fund, sem diluição adicional para a empresa, elevando o capital total comprometido para mais de €700 milhões.

A rodada sinaliza uma virada estratégica: fundada como empresa de SaaS para gestão de RH, a Factorial se reposiciona como uma Plataforma de Operações de Workforce com IA.

No centro da nova arquitetura está o Factorial One, um workspace unificado construído em torno de dois agentes — um que representa a organização e aplica políticas de RH, finanças e TI, e outro que atua no nível do colaborador individual.

O Brasil é um dos mercados de maior crescimento da startup fora da Europa, com expansão de 56% no último ano e operação local autônoma desde 2024.

Com o aporte, a Factorial pretende acelerar contratações nas áreas de vendas e customer success no país e adaptar funcionalidades de IA à legislação trabalhista brasileira.

Leia também: ‘Matador de monopólios’, Pix pode revolucionar fintechs, diz CEO do Web Summit

Inspira

A legaltech brasileira Inspira captou R$ 15 milhões em rodada liderada pela Cloud9 Capital, com participação da Vivo Ventures.

Criada por advogados, a startup oferece uma plataforma conversacional a partir da qual os advogados podem fazer a busca de dados jurídicos públicos e também delegar tarefas a robôs.

A Inspira atende mais de 300 clientes e 14 mil usuários ativos, com presença na maior parte dos grandes escritórios do país — entre eles Pinheiro Neto, BMA, Demarest e Tozzini Freire — e em instituições financeiras como Itaú, BTG e Goldman Sachs.

A base de dados cobre 86 tribunais brasileiros e processa 83 milhões de decisões com atualização diária.

Os recursos serão destinados ao aprimoramento do produto — com novas integrações e automação de tarefas adicionais — e à expansão comercial para além do segmento de alto padrão, com foco em advogados autônomos, faculdades e órgãos públicos.

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Kaszek prepara captação de fundo early stage e tem ainda quase US$ 1 bi para investir

© Tuane Fernandes

O Brasil concentrou os montantes captados, com 90% do volume total (US$ 354 milhões) e 73% das rodadas. (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)

O impulso da arte a empreendimentos de luxo

12 de Junho de 2026, 07:04

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A incorporadora Benx, do grupo Bueno Netto, aposta na arte como estratégia permanente para seus empreendimentos em um mercado cada vez mais competitivo.

O grupo tem investido em curadoria, exposições e formação de artistas como um plano de identidade de seus projetos.

A proposta de diferenciação vai além de metragem e acabamento e inclui projetos de arquitetura, paisagismo e ativação cultural, com obras de arte e até galeria como elementos dos empreendimentos.

“A tendência é que os empreendimentos passem a disputar não apenas localização, mas também capacidade de gerar experiência urbana, identidade e impacto positivo no entorno”, disse o fundador da Bueno Netto, Adalberto Bueno Netto, à Bloomberg Línea.

Segundo o executivo, a arte aparece de formas diferentes em cada projeto e o objetivo é que seja incorporada na concepção dos empreendimentos. “Não se trata apenas de instalar obras em áreas comuns.”

O projeto mais emblemático neste sentido é o Parque Global, empreendimento de uso misto avaliado em mais de R$ 14 bilhões.

⇒ Leia a reportagem: O valor da arte: a aposta da Benx para impulsionar empreendimentos de alto padrão

Obra

No radar dos mercados

As ações globais operam em alta nesta sexta-feira (12), após novas indicações de que Estados Unidos e Irã se aproximam de um acordo para encerrar a guerra e a divulgação de novos detalhes da minuta do entendimento entre os países.

- Governo tenta barrar projetos com impacto fiscal. A equipe econômica negocia com o Congresso para evitar a aprovação de três propostas que criariam despesas de R$ 170 bilhões nos próximos dez anos. O governo avalia recorrer ao STF caso os textos avancem sem fontes de financiamento.

- Demanda por IPOs na China. A abertura de capital da SpaceX recebeu mais de US$ 100 bilhões em pedidos de investidores de varejo. O volume, porém, ficou abaixo de algumas ofertas recentes na China. Em Xangai, o IPO da fabricante chinesa de chips MetaX no final de 2025 atraiu cerca de US$ 444 bilhões.ㅤ

- Equatorial fica com 30% da Copasa em privatização. O governo de Minas Gerais arrecadou R$ 8,4 bilhões com a oferta pública de ações da companhia, que recebeu R$ 66 bilhões em propostas, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram à Bloomberg News A Equatorial pagará R$ 5,6 bilhões pela participação.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (11/06): Dow Jones Industrials (+1,86%), S&P 500 (+1,75%), Nasdaq Composite (+2,54%), Stoxx 600 (+0,55%), Ibovespa (+1,71%)
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🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

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• Também é importante: Como a cooperativa vinícola mais antiga do Brasil quer escapar da lógica das commodities | Revolut traz ex-ministro Paulo Guedes para seu novo conselho consultivo no Brasil

• Opinião Bloomberg: Nike x Adidas: marcas apostam em celebridades para impulsionar vendas na Copa

• Para não ficar de fora: Após R$ 6 bi em saques, CEO do BRB diz que pior da crise passou

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Com leilão da Copasa, Equatorial ganha musculatura no saneamento e na região Sudeste

12 de Junho de 2026, 06:00

Como investidor de referência selecionado na oferta pública de ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa CSMG3), a Equatorial (EQTL3) avança no setor de água e esgoto e também na região Sudeste, onde o grupo de energia também é investidor âncora da Sabesp (SBSP3).

Com a decisão da Copasa, a Equatorial terá alocação mínima equivalente a 30% do capital social da companhia mineira.

A Equatorial afirmou em nota à Bloomberg Línea que “a operação está alinhada à estratégia de expansão no segmento de saneamento e reforça a presença da companhia na região Sudeste”.

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A companhia acrescentou que aguarda a conclusão do procedimento de bookbuilding (ofertas de compra de investidores do mercado) para definição da alocação das ações adicionais solicitadas pela Gerais Saneamento (controlada pela Equatorial), o que pode representar participação adicional de até 12,6% do capital da companhia.

A Equatorial levou a disputa com uma oferta de R$ 5,6 bilhões, com aquisição financiada via dívida. Trata-se da segunda maior transação do setor de saneamento no Brasil, segundo a companhia.

Leia mais: EDP Brasil integra operação de renováveis para avançar no mercado livre de energia

Atualmente, a Equatorial é o terceiro maior grupo de distribuição de energia elétrica do país em número de clientes, com atuação em sete concessionárias que atendem 14 milhões de pessoas.

O lock-up (acordo de manutenção das ações) da participação de 30% na Copasa é de quatro anos (até junho de 2030) para 50% da fatia, e dezembro de 2033 - ou até o atingimento das metas de universalização, o que ocorrer primeiro - para o restante.

Com o acordo, o governo de Minas mantém 5% de participação na Copasa, além de uma golden share. Outros acionistas ficarão com 65%.

A promessa do governo mineiro é de um retorno de mais de 13% ao ano na Copasa, enquanto a Equatorial assume o risco do endividamento e os desafios de universalizar os serviços de água e esgoto até 2033. Atualmente, a elétrica possui uma alavancagem de 2,4 vezes.

Um executivo do quadro acionário da Equatorial, que falou sob condição de anonimato porque as discussões são privadas, relatou preocupação com o nível de exposição da companhia ao saneamento -- um setor altamente intensivo em capital e menos maduro do que o elétrico.

Em apresentação a investidores, a Equatorial diz que o impacto na alavancagem no curto prazo é limitado e não compromete a capacidade para outras oportunidades no médio prazo.

A empresa acrescentou que o setor de saneamento representa uma “grande avenida de crescimento”, com um modelo regulatório atrativo e similar ao de distribuição. Também disse que a participação relevante permite a construção de uma governança robusta, com forte presença na gestão da empresa, “sem sobrecarregar a estrutura atual da Equatorial”.

A Aegea planejava fazer uma oferta pela empresa mineira, conforme apurou a reportagem com pessoas próximas à companhia. Procurada, a Aegea não comentou.

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Equatorial acumula agora importantes operações de água e esgoto. (Foto: Copasa/Divulgação)

O valor da arte: a aposta da Benx para impulsionar empreendimentos de alto padrão

12 de Junho de 2026, 06:00

A incorporadora Benx, do grupo Bueno Netto, aposta na arte como estratégia permanente para seus empreendimentos em um mercado cada vez mais competitivo.

O grupo tem investido em curadoria, exposições e formação de artistas como um plano de identidade de seus projetos.

A proposta de diferenciação vai além de metragem e acabamento e inclui projetos de arquitetura, paisagismo e ativação cultural, com obras de arte e até galeria como elementos dos empreendimentos.

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“A tendência é que os empreendimentos passem a disputar não apenas localização, mas também capacidade de gerar experiência urbana, identidade e impacto positivo no entorno”, disse o fundador da Bueno Netto, Adalberto Bueno Netto, à Bloomberg Línea.

“A Benx entende que projetos imobiliários de grande porte, especialmente de alto padrão, precisam entregar identidade, permanência e relação real com a cidade.”

Segundo o executivo, a arte aparece de formas diferentes em cada projeto e o objetivo é que seja incorporada na concepção dos empreendimentos. “Não se trata apenas de instalar obras em áreas comuns.”

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O projeto mais emblemático neste sentido é o Parque Global, empreendimento de uso misto avaliado em mais de R$ 14 bilhões.

Localizado na zona sul da capital paulista, engloba cinco torres residenciais de alto padrão; um centro oncológico operado pelo Einstein; um hotel Emiliano; além de escola, shopping center e integração com o transporte público por meio da futura Linha 17-Ouro do Metrô.

O terreno, de 218 mil m², está localizado entre o Shopping Cidade Jardim e o Parque Burle Marx. “O Parque Global é hoje a expressão mais ampla dessa visão”, diz Bueno Netto.

Na área residencial, cada torre recebeu uma curadoria artística própria, com obras de nomes como Ângelo Venosa, João Farkas, Graciela Hasper, Laura Vinci, entre outros.

O projeto como um todo inclui ainda a aquisição e instalação de obras de arte, curadoria, exposições, programação cultural contínua, além de formação de público e apoio a artistas por meio do Parque Global Cultural.

A frente é dirigida por Dinda Bueno Netto e Kátia d’Avillez e inclui uma galeria de arte no empreendimento, aberta ao público.

De acordo com Dinda, o projeto não se limita a expor artistas já reconhecidos e inclui iniciativas voltadas à profissionalização e à circulação de novos talentos. O muralista SENK, por exemplo, artista nascido no Vale do Jequitinhonha, passou pelo programa e agora já atua internacionalmente.

“A arte inserida em projetos imobiliários traz reflexão. Valoriza empreendimentos por meio de espaços de convivência, cultura e educação”, diz Dinda.

Segundo Bueno Netto, o Parque Global foi pensado sob a lógica de “cidade dentro da cidade”, antecipando uma demanda crescente por empreendimentos mais completos, sustentáveis e conectados ao entorno urbano.

Dinda Bueno Netto (à esquerda) e Kátia d’Avillez, idealizadoras do Parque Global Cultural. Foto: Empresa/Divulgação

O projeto de paisagismo foi assinado pelo suíço Enzo Enea. O botânico Ricardo Cardim participou das iniciativas ligadas à recuperação ambiental e à valorização da flora brasileira.

Segundo a Benx, foi implantado um corredor com 414 ipês-roxos ao longo da Marginal Pinheiros, na altura do Morumbi, como parte do projeto.

A arte também integra o conceito do empreendimento 280 Art Boulevard, cuja curadoria é assinada por Marc Pottier e inclui uma escultura externa escolhida por um concurso.

Mercado promissor

A Benx registrou um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 2,2 bilhões no ano passado.

Na visão de Bueno Netto, o segmento de alto padrão segue resiliente e deve continuar aquecido, especialmente em cidades globais como São Paulo.

“Existe uma busca cada vez maior por projetos mixed-use, com serviços integrados, hospitalidade, segurança, saúde, conveniência e forte presença de áreas verdes”, pondera.

Outro movimento importante apontado pelo executivo é a valorização de empreendimentos que criem experiências urbanas, com arquitetura autoral, paisagismo sofisticado e integração cultural.

“Também cresce a demanda por projetos que ofereçam exclusividade sem abrir mão de convivência e conexão com a cidade”, acrescenta.

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Obra "Cabo de ego", do artista Beto Gatti, em galeria dentro do Parque Global. (Foto: Empresa/Divulgação)

Revolut traz ex-ministro Paulo Guedes para seu novo conselho consultivo no Brasil

11 de Junho de 2026, 15:04

A Revolut nomeou Paulo Guedes, ex-ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, como um dos integrantes de um novo conselho consultivo independente no Brasil. O grupo também inclui Luiz Lobo e Ana Novaes, segundo comunicado da fintech britânica divulgado nesta quinta-feira (11).

Guedes atuará exclusivamente como membro do conselho consultivo da fintech. Doutor em Economia pela Universidade de Chicago, ocupou o Ministério da Economia entre 2019 e 2022.

Após deixar o governo, Guedes fundou em 2023 ao lado do ex-presidente do BNDES, Gustavo Montezano, a YVY Capital, gestora criada em 2023 com foco em infraestrutura no Brasil e na América do Sul — que recebeu investimento minoritário do UBS em fevereiro de 2025.

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Luiz Lobo tem experiência em governança, compliance e gestão de riscos no sistema financeiro brasileiro, com passagens como Chief Risk Officer e membro de conselhos de administração em instituições financeiras, incluindo o BTG Pactual, segundo seu perfil no LinkedIn.

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Ana Novaes tem trajetória no mercado de capitais, com atuação em conselhos de empresas de capital aberto, incluindo B3, CCR e CPFL, e em organizações ligadas à supervisão do mercado, como o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), também segundo seu perfil no LinkedIn.

Em comunicado, o CEO da Revolut Brasil, Glauber Mota, diz que a fintech está construindo uma operação de longo prazo no país, “alinhada aos mais altos padrões globais de governança e supervisão”. A fintech tem mais de 75 milhões de clientes no mundo e processa mais de um bilhão de transações por mês.

A Revolut está presente no Brasil desde 2023, onde compete com players locais e internacionais com uma oferta de serviços bancários e pagamentos, conta global em diversas moedas e investimentos.

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Monte Capital compra Takoda da Apax Partners e entra no mercado de data centers

© Isac Nóbrega/PR

Paulo Guedes, em foto de 2022: ex-ministro atuará exclusivamente como membro do conselho consultivo da fintech. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Monte Capital compra Takoda da Apax Partners e entra no mercado de data centers

11 de Junho de 2026, 14:37

A Monte Capital assinou um acordo para adquirir integralmente a Takoda, empresa brasileira de data centers, de fundos de investimento assessorados pela Apax Partners.

O negócio marca a saída da gestora britânico-americana do mercado brasileiro de tecnologia. Há um ano, a Apax vendeu a Tivit para o grupo italiano Almaviva, mas a Takoda, que surgiu de um spin-off da Tivit há três anos, continuava sob controle da Apax.

O valor e os termos da transação não foram divulgados. O negócio está sujeita à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), segundo comunicado divulgado nesta quinta-feira (11).

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A Monte Capital administra aproximadamente R$ 2 bilhões em ativos e atua em infraestrutura tradicional - rodovias, aeroportos, saneamento e portos. A aquisição da Takoda representa a entrada da gestora no segmento de infraestrutura digital.

A Takoda opera quatro data centers no Brasil e na Colômbia, com capacidade instalada de 14 MW, e registra faturamento anual de R$ 240 milhões. A empresa nasceu como unidade de colocation da Tivit e foi separada em uma companhia independente em janeiro de 2023.

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Com a mudança de controle, a Takoda prevê R$ 2 bilhões em investimentos na primeira fase de expansão, de acordo com o comunciado.

O plano contempla novos sites em Sumaré (SP), com 96 MW de capacidade, e no Rio de Janeiro, com 64 MW — ambos com primeira fase de 16 MW cada. A capacidade instalada atual é de 14 MW distribuída nos quatro data centers existentes.

A Monte Capital avalia também oportunidades de expansão por aquisições nos próximos anos.

“Estamos diante de uma transformação semelhante à que ocorreu com outros setores essenciais de infraestrutura nas últimas décadas”, disse Fábio Bonini, senior partner e CEO da Monte Capital, em comunicado. “Os data centers se tornaram ativos críticos para a economia digital, e a Takoda reúne atributos muito relevantes para capturar esse movimento.”

A Takoda opera com 100% de energia renovável no Brasil e tem parceria com a Casa dos Ventos para fornecimento de energia nos novos sites.

A operação teve assessoria do Bradesco Banco de Investimento, Mayer Brown e Veirano pelo lado da Monte Capital. A Apax e a Takoda foram assessoradas pelo Itaú BBA, Citizens Capital Markets & Advisory, Skadden e Mattos Filho.

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Unidade da Takoda: negócio marca a saída da gestora britânico-americana Apax Partners do mercado brasileiro de tecnologia. (Foto: Divulgação/Takoda)

O plano de R$ 1 bi da São Pedro Capital com foco em tecnologia

11 de Junho de 2026, 07:07

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A São Pedro Capital, gestora fundada pelo ex-CEO do Google no Brasil Alex Dias, projeta chegar a R$ 1 bilhão em ativos sob gestão até o fim do ano, em uma estratégia que combina investimentos líquidos e ilíquidos no setor de tecnologia.

Fundada em 2020 em São Paulo, a casa cresceu inicialmente fazendo investimentos PIPE (Private Investments in Public Equity) em empresas no Brasil como Eletromídia e ClearSale, mas hoje se posiciona como uma gestora especializada em conectar investidores brasileiros com as oportunidades em segmentos de ponta, como inteligência artificial (IA), fora do Brasil.

Seu fundo Global Technology, focado em ações de tecnologia do exterior, completou o primeiro ano em maio com um retorno em dólares de 26,8%, e tem meta de atingir R$ 500 milhões sob gestão até o fim do ano, segundo Dias.

“A tecnologia é o centro da discussão sobre a evolução de modelos de negócio, e o investidor brasileiro ficou apático a esse processo”, disse Dias em entrevista à Bloomberg Línea na sede da empresa.

⇒ Leia a reportagem: São Pedro Capital mira R$ 1 bi em ativos com foco no setor de tecnologia global

Escritório da gestora São Pedro Capital, em São Paulo

No radar dos mercados

As ações globais operam em alta nesta quinta-feira (11), mesmo após o presidente dos EUA, Donald Trump, dizer à Fox News que o país voltaria a atacar o Irã caso seus líderes não assinassem um acordo provisório de paz.

- EUA ameaçam ampliar ataques ao Irã. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que continuará a bombardear o país caso Teerã não aceite, até esta quinta-feira, um acordo provisório para estender o cessar-fogo e reabrir Ormuz. O Irã, por sua, vez retaliou e disparou contra bases americanas.

- Fujimori retoma liderança no Peru. A candidata Keiko Fujimori somou 50,001% dos votos e ultrapassou por margem mínima o candidato Roberto Sánchez, com 98,2% das cédulas apuradas. O impulso veio dos votos de peruanos no exterior. A confirmação oficial do resultado ainda pode levar semanas.

- Alta dos combustíveis preocupa a Fonterra. Richard Allen, CEO da maior exportadora de laticínios do mundo, afirmou que ainda não consegue estimar o impacto do aumento dos custos de combustível e frete sobre os negócios da cooperativa neozelandesa nos próximos 12 meses.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (10/06): Dow Jones Industrials (-1,87%), S&P 500 (-1,62%), Nasdaq Composite (-1,98%), Stoxx 600 (-0,08%), Ibovespa (-0,70%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Nova guerra do delivery: como apps chineses desafiam a liderança do iFood no Brasil

Banco Central busca autonomia para proteger o Pix e seu papel de supervisão

Hub de inovação da PUC-PR, Hotmilk investe R$ 14,5 mi e prepara divisão de deeptechs

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De olho no ‘posto do futuro’, Vibra amplia uso de IA e usa câmeras para vender mais

10 de Junho de 2026, 17:28

Enquanto o e-commerce consolidou métricas precisas de dados de origem das vendas, taxa de conversão e comportamento do consumidor, os postos de combustíveis tradicionais ainda operam sem uma ampla visão do potencial de negócios que podem ser gerados com inovação, com destaque para a inteligência artificial.

Esta é a visão do vice-presidente de Gente, Tecnologia e ESG da Vibra (VBBR3), Aspen Andersen. Ele acrescenta que, no mercado tradicional, o revendedor sabe quanto vendeu ao final do dia, mas perde potenciais vendas significativas.

“O posto do futuro deixa de ser apenas um ponto de abastecimento tradicional para operar como um ecossistema tecnológico inteligente, focado em eficiência e no desenvolvimento de um portfólio de soluções renováveis e descarbonização”, afirmou em entrevista à Bloomberg Línea.

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Ele diz que revendedores do mercado ainda têm dificuldades para identificar o potencial que existe dentro e fora de seus estabelecimentos.

A Vibra, que licencia a marca de postos de combustíveis da Petrobras (PETR3, PETR4), lançou a nova fase da sua plataforma de varejo batizada de Posto 360 2.0, que utiliza IA com ecossistemas de startups para identificar oportunidades de negócios nos postos. A tecnologia já gerou mais de R$ 100 milhões em produtividade, e o grupo projeta que a plataforma deve chegar a 1.100 pontos de venda até o fim de 2026.

A plataforma opera com câmeras equipadas com tecnologia de leitura automática de placas, que capturam informações tanto nas vias de acesso quanto no interior dos postos.

Com a camada de IA, o sistema passa a identificar padrões de comportamento, horários de maior movimento e o perfil da frota, como idade dos veículos, modelos e tipo de combustível utilizado, permitindo decisões mais precisas sobre oferta, escala de equipes e serviços.

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Segundo Andersen, a estratégia de implantação da plataforma é gradual e escalável. Atualmente, cerca de 700 postos já contam com a infraestrutura de câmeras instaladas. “O nosso objetivo de longo prazo é democratizar essa inteligência, expandindo para 100% da base instalada”, diz.

Ele conta que a inspiração do projeto veio da necessidade de quebrar o paradigma tradicional do setor e liderar a transformação digital no varejo de combustíveis, transformando hardware comum (câmeras) em uma ferramenta estratégica de inteligência.

Neste contexto, o Posto 360 automatiza a captura e a leitura de placas, transformando imagens de fluxo de veículos em dados estruturados sem atrito operacional. Ao processar dados de fluxo e o perfil da frota, a plataforma apoia a gestão do ponto de venda e permite aumentar o fluxo de clientes, adequando o atendimento e as promoções ao movimento real e até a taxa de conversão entre o abastecimento e a loja de conveniência.

Para o curto prazo, o foco da equipe de tecnologia da empresa é acelerar a implantação e atingir a meta traçada até o final do ano.

Em um mercado cada vez mais competitivo, o executivo destaca que o sistema de IA aplicado à plataforma faz parte da estratégia de adição de valor para a rede. “A tecnologia gera valor na ponta para o revendedor, que capta esse ganho financeiro.”

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A proposta da Vibra é que, ao cruzar dados de veículos que apenas passam em frente ao posto com aqueles que efetivamente entram e consomem, o revendedor consiga personalizar ofertas, otimizar estoques e adequar o atendimento ao fluxo real de clientes.

A companhia afirma que deixou de olhar apenas para quem entra no posto para entender quem passa na rua. Isso significa usar a lógica de gestão orientada por dados, e não apenas estimativas.

Inovação e novas apostas

Andersen observa que o investimento em IA na Vibra é transversal e permeia toda a arquitetura corporativa. “Estamos expandindo o uso de IA em frentes altamente estratégicas, o que engloba o desenvolvimento de torres de controle operacionais, gêmeos digitais (digital twins) e agentes de IA que aumentam a eficiência operacional, focados no suporte à nossa força de vendas.”

Ele acrescenta que, para suportar essa evolução, a tecnologia ainda dependerá das pessoas. “Criamos a Academia de IA, um programa robusto de capacitação para nossos colaboradores, do nível operacional ao executivo”, diz.

Institucionalmente, explica, o pilar de automação e digitalização logística é tão prioritário que a companhia decidiu dedicar o Vibra Ventures, fundo corporativo de R$ 150 milhões criado em 2022, para mapear, investir e acelerar startups estrategicamente focadas em novos modelos de negócios e na automação da eficiência logística.

“A automatização é o vetor que nos dá escala e eficiência. O Posto 360 materializa isso na ponta”, diz Andersen .

Rede de postos da Vibra passa a contar com plataforma de IA para ganhos de margens para o revendedor (Foto: Divulgação)

O entrave à entrada de farmácias em supermercados

10 de Junho de 2026, 07:14

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A Pague Menos já recebeu ofertas para comprar as operações de farmácia que grandes redes de supermercado do país montaram dentro de suas lojas ao longo dos últimos anos e disse não a todas.

A recusa contraria a expectativa que cercou a sanção da Lei 15.357, em março, resultado de mais de uma década de pressão do setor supermercadista no Congresso.

Essas farmácias operam em desenho mais leve do que o exigido pela nova regulamentação, e o faturamento médio por loja é baixo demais para o investimento.

Nenhuma grande rede de drogaria assumiu esses ativos até o momento, nem para comprar, nem para operar em nome do supermercado, afirma o CFO da Pague Menos, Luiz Novais, à Bloomberg Línea.

O setor supermercadista esperava poder vender remédios na gôndola. O texto sancionado foi mais restritivo: exige ambiente fisicamente separado das demais áreas, caixa próprio e um farmacêutico responsável durante todo o horário de funcionamento.

⇒ Leia a reportagem: Pague Menos recusa farmácias de supermercados e questiona alcance de nova lei

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta quarta-feira (10), enquanto investidores aguardam a divulgação dos dados de inflação ao consumidor de maio nos Estados Unidos (CPI, na sigla em inglês). 

- A ambição do Brasil em terras raras. A Agência Nacional de Mineração enfrenta cortes orçamentários em meio ao aumento dos pedidos de exploração de terras raras. Desde 2023, o órgão recebeu mais de 3 mil solicitações, ante 745 entre 1975 e 2022, mas conta com apenas quatro funcionários dedicados à área. 

- UE analisa compra da Warner pela Paramount. A União Europeia investiga a aquisição de US$ 110 bilhões da Warner pela Paramount sob regras de subsídios estrangeiros, diante da participação de fundos do Oriente Médio no financiamento da operação. O bloco estabeleceu prazo até 14 de julho para examinar o acordo. 

- Bitcoin acumula perdas. A criptomoeda acumula queda de 16% nos últimos sete dias, em meio à saída de investidores de ETFs e à mudança nas expectativas para os juros nos EUA. Analistas avaliam que a recuperação recente pode ser temporária e que o ativo ainda não encontrou um piso.

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🔘 As bolsas ontem (09/06): Dow Jones Industrials (+0,17%), S&P 500 (-0,27%), Nasdaq Composite (-0,97%), Stoxx 600 (-0,50%), Ibovespa (+0,68%)
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Efeito Copa do Mundo: torneio deve conter volatilidade dos títulos, segundo o Citi

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Pague Menos recusa farmácias de supermercados e questiona alcance de nova lei

10 de Junho de 2026, 06:00

A Pague Menos (PGMN3) já recebeu ofertas para comprar as operações de farmácia que grandes redes de supermercado do país montaram dentro de suas lojas ao longo dos últimos anos e disse não a todas.

A recusa contraria a expectativa que cercou a sanção da Lei 15.357, em março, resultado de mais de uma década de pressão do setor supermercadista no Congresso.

Essas farmácias operam em desenho mais leve do que o exigido pela nova regulamentação, e o faturamento médio por loja é baixo demais para o investimento.

Nenhuma grande rede de drogaria assumiu esses ativos até o momento, nem para comprar, nem para operar em nome do supermercado, afirma o CFO da Pague Menos, Luiz Novais, à Bloomberg Línea. Os nomes das redes que fizeram propostas não foram revelados.

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O setor supermercadista esperava poder vender remédios na gôndola. O texto sancionado foi mais restritivo: exige ambiente fisicamente separado das demais áreas, caixa próprio e um farmacêutico responsável durante todo o horário de funcionamento.

O que a regra permite, na prática, é uma drogaria inteira dentro do supermercado, em formato mais caro e mais complexo do que o que algumas redes alimentares já operavam.

Para Novais, esse desenho não destrava o negócio. A dipirona não fica na gôndola, e o cliente precisa entrar em uma segunda loja dentro da primeira para comprá-la.

Leia também: Pague Menos prioriza redução de dívida e segura expansão após turnaround, diz CFO

Na avaliação do CFO, a experiência tem muito atrito e perde apelo para o consumidor. A leitura interna da Pague Menos é que a aprovação da lei foi até favorável, porque encerrou um debate de mais de uma década com termos restritivos suficientes para manter alta a barreira de entrada.

A mesma Lei 15.357 autorizou farmácias a contratar plataformas de comércio eletrônico para logística e entrega, e a Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), que reúne as 29 maiores redes do setor, entregou em abril à Anvisa um dossiê com indícios de irregularidades em marketplaces.

Em nota, o CEO Sergio Mena Barreto diz que a lei autoriza apenas logística e entrega, nunca intermediação. A agência prepara uma proposta para substituir a RDC 44/2009, norma considerada defasada para a venda de remédios online.

Mercado de R$ 241,6 milhões

O mercado em disputa é volumoso. O varejo farmacêutico brasileiro movimentou R$ 241,6 bilhões em 2025, alta de 11,3% sobre o ano anterior, segundo a IQVIA, multinacional americana de dados e análises do setor de saúde.

A Close-Up International, consultoria que audita o varejo farmacêutico, projeta crescimento de 8,5% ao ano até 2027, puxado pelas canetas emagrecedoras da classe GLP-1 e pelo canal digital.

Para os supermercados que ainda decidirem entrar, o convênio com uma rede de drogaria licenciada é o caminho mais provável, na avaliação da Peers Consulting + Technology, feita à Bloomberg Línea.

O diretor executivo da consultoria, Admar Corrêa, define a escolha entre operar com estrutura própria ou via licenciamento como um dilema entre capturar margem e absorver complexidade regulatória.

“Redes de grande porte tendem a verticalizar para otimizar dados de CRM [histórico e perfil de compras do cliente], enquanto médios varejistas encontram no convênio a agilidade necessária para não perder a janela de oportunidade”.

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No formato próprio, a Peers estima que o supermercado captura margem bruta de 30% a 35% em Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), categoria que inclui analgésicos, antiácidos e antigripais.

O custo fixo é alto: um farmacêutico dedicado sai por algo entre R$ 12 mil e R$ 18 mil por mês com encargos, sem contar o investimento em climatização e segurança.

No convênio com uma rede já licenciada, o supermercado abre mão de margem em troca de risco menor. Para Corrêa, redes alimentares de grande porte devem operar elas mesmas, para ficar com os dados do cliente, enquanto as médias tendem ao convênio para não perder a janela.

Do lado dos meios de pagamento, a leitura sobre a entrada dos supermercados é mais otimista. Em nota à reportagem, Ariane Bete, diretora comercial da DM, gestora independente de cartões de loja (private label) do país, com mais de 18 milhões de cartões emitidos, vê dois ganhos para o varejista alimentar que decidir abrir uma farmácia.

“Ao integrar o setor farmacêutico à operação, o supermercado amplia o tempo de permanência do cliente na loja e aumenta as chances de compras adicionais”, diz.

O segundo ganho é financeiro: redes que já emitem cartões próprios podem oferecer ao consumidor a opção de parcelar o medicamento no mesmo crédito que usa para a feira, sem precisar de um novo meio de pagamento.

A leitura dos analistas de mercado sobre o setor segue positiva. Em relatório de maio, o JPMorgan apontou que as vendas do varejo farmacêutico ao consumidor cresceram 14% em abril ante o mesmo mês de 2025, com a taxa acumulada de 12 meses em 14,6%.

Para o banco, a Pague Menos, classificada como underweight (equivalente a venda) na carteira do JPMorgan, está bem posicionada para capturar a expansão das canetas emagrecedoras da classe GLP-1, exposição que também sustenta a tese para a RD Saúde (RADL3), recomendada como overweight (equivalente a compra).

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Faturamento médio por loja é baixo demais para o investimento em supermercados, segundo a Pague Menos. (Foto: Pague Menos/Divulgação)

Kalshi quer conversa ‘construtiva’ com o governo

9 de Junho de 2026, 07:06

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A Kalshi mantém seu interesse no mercado brasileiro e tem como “plano A” trabalhar de forma construtiva com o governo brasileiro para reverter a decisão que proibiu sua operação no país, segundo a cofundadora Luana Lopes Lara.

Em entrevista à Bloomberg Línea, a brasileira avalia que a proibição faz parte de um desafio com a qual a plataforma de mercados de previsão está acostumada e diz que a empresa busca trabalhar de forma legalizada e regulada em todos os países onde estiver.

“É nosso desafio educacional mostrar para as pessoas o que realmente são os mercados preditivos e por que eles são diferentes de casas de apostas e muito melhores para a população no final”, afirmou em entrevista, antes de subir ao palco na abertura do Web Summit Rio 2026, na segunda-feira (8).

⇒ Leia a reportagem: ‘O plano A é trabalhar de forma construtiva com o governo’, diz Luana Lara, da Kalshi

Luana Lara, da Kalshi: mercados preditivos são diferentes de casas de aposta. (Foto: Sam Barnes/Web Summit via Sportsfile)Photo by Sam Barnes/Web Summit via Sportsfile

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos Estados Unidos avançam nesta terça-feira (9), à medida que investidores retomam gradualmente as apostas ligadas à inteligência artificial e aumentam a exposição a ativos de risco após o alívio das tensões no Oriente Médio e a queda dos preços do petróleo.

- Novo comando na CVM. O novo presidente da autarquia, Otto Lobo, dispensou sete superintendentes e assessores em seu primeiro dia no cargo, em uma reformulação de áreas ligadas à gestão, tecnologia e planejamento. Segundo comunicado da CVM, a medida busca melhorar o aproveitamento de pessoal.

- Vale vê demanda resiliente. O CEO da mineradora, Gustavo Pimenta, disse em entrevista à Bloomberg Television que não enxerga uma queda da demanda por metais em meio à guerra envolvendo o Irã e elevou em US$ 1,5 bilhão sua projeção de fluxo de caixa livre para o negócio de minério de ferro.

- Impasse na eleição no Peru. O candidato Roberto Sánchez lidera a disputa presidencial por pouco mais de 30 mil votos sobre Keiko Fujimori, mas analistas avaliam que os votos no exterior podem inverter o resultado. A apuração final deve se estender até julho.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (08/06):Dow Jones Industrials (-0,16%), S&P 500 (+0,30%), Nasdaq Composite (+0,86%), Stoxx 600 (-0,15%), Ibovespa (-0,21%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Mercado abandona perspectiva de corte de juros e vê Selic acima de 14% por anos

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XP aposta em bolsa ‘além do Ibovespa’ e espera desaceleração da economia em 2027

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• Opinião Bloomberg: Sob comando de Greg Abel, nova era na Berkshire Hathaway parece se afastar de Buffett

• Para não ficar de fora: Movida nega ‘modismo’ da IA e mira triplicar receita com parceria da Meta no WhatsApp

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Movida nega ‘modismo’ da IA e mira triplicar receita com parceria da Meta no WhatsApp

8 de Junho de 2026, 18:49

Diante da corrida pela inteligência artificial, o discurso de transformação digital se tornou quase obrigatório nas empresas. Para a Movida (MOVI3), porém, a decisão de desenvolver projetos baseados na ferramenta vai além de “modismos”.

Embora a locadora não tenha um orçamento dedicado para IA, todo projeto de tecnologia e inovação da companhia passa por um comitê executivo para garantir que os pilares estratégicos do grupo sejam atendidos.

“Primeiramente, investigamos quais seriam os benefícios do investimento para o cliente e depois para a empresa. Buscamos não cair em modismos”, afirmou o CEO da Movida, Gustavo Moscatelli, à Bloomberg Línea após apresentação de parceria com a Meta (META).

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A locadora foi a primeira empresa escolhida pela gigante do Vale do Silício no país para desenvolver um agente de IA para o WhatsApp que atenda toda a jornada do cliente em uma mesma conversa. Isso significa que o consumidor será atendido desde o primeiro contato até a conclusão do pedido dentro da plataforma, sem precisar sequer de link de pagamento externo.

Do lado da Meta, a parceria envolveu cerca de 50 funcionários para desenvolver e implementar a ferramenta, que foi levada como case de sucesso a Londres. Não houve aplicação de recursos dedicados ao projeto por parte das empresas, segundo Moscatelli, mas sim de equipes.

“Não é simplesmente um chatbot. O agente do WhatsApp já sabe as preferências e hábitos do cliente, além de conseguir armazenar dados e melhorar o atendimento a cada dia”, diz.

Leia mais: Movida quer aumentar a base de clientes, mas ‘não a qualquer custo’, diz CEO

Ele conta que a conversão de vendas pelo Whatsapp da Movida duplicou em três semanas. Nos últimos 12 meses, o faturamento da empresa pelo canal somou cerca de R$ 100 milhões, mas o potencial, segundo Moscatelli, é alcançar R$ 300 milhões até o final do ano.

Anteriormente, a Movida tinha uma equipe interna de cerca de 30 pessoas dedicadas ao atendimento por Whatsapp aliado a um serviço de chatbot. Esses funcionários foram realocados para outras áreas do SAC.

Segundo a companhia, ainda é possível que o cliente solicite falar com um atendente, caso sinta necessidade. “O agente de IA é uma estratégia complementar, não excludente. Nosso principal objetivo é acelerar o processo de conversão”, diz Moscatelli.

Além da conversão

O executivo afirma que, além de acelerar a conversão de vendas, o agente de IA da Meta deve ajudar a Movida na coleta e tratamento de dados, inclusive no planejamento de novas lojas.

De acordo com o estudo Panorama Liderança 2026, da Amcham com a consultoria Humanizadas, cerca de 7 em cada 10 executivos veem a IA como tradutor de grandes volumes de dados. Conforme o levantamento, traduzir dados em insights (68%), antecipar riscos operacionais (62%) e recomendar ações com base em padrões (50%) lideram o ranking de benefícios da IA no ambiente corporativo.

Moscatelli destacou que o próximo passo do projeto envolvendo o Whatsapp é implementar a nova ferramenta no atendimento de venda de seminovos e serviços de carro por assinatura.

No âmbito da IA como um todo, a Movida está tocando atualmente o desenvolvimento de três projetos: um na área de carro por assinatura; o segundo na divisão de finanças e, o terceiro, no SAC.

“Temos um pensamento mais pragmático. Tudo que planejamos trazer, principalmente de inovação, tem que ser muito bom para o cliente e operacionalmente para a empresa. Não é só para mostrar que temos agentes de IA”, diz.

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Loja da Movida em Brasília: jornada do cliente por agente de IA no Whatsapp (Foto: Empresa/Divulgação)

O novo fundo da Kaszek

8 de Junho de 2026, 07:02

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A Kaszek, um dos maiores fundos de venture capital da América Latina, deve voltar ao mercado nos próximos seis a doze meses para captar seu sétimo fundo de early stage. O movimento ocorre porque o seu Fundo VI está chegando à etapa final de formação de portfólio.

A informação foi confirmada pelo cofundador Hérnan Kazah em entrevista à Bloomberg Línea. A gestora prevê um valor semelhante ao do veículo anterior, que levantou US$ 540 milhões em 2023.

A tese, segundo o investidor argentino, continuará essencialmente a mesma, focada em bons fundadores, setores com grande mercado endereçável, principalmente na América Latina, que usam a tecnologia para criar produtos novos ou melhores do que os atuais.

“Obviamente, IA está cada vez mais presente em praticamente tudo o que fazemos e vemos algumas oportunidades adicionais em áreas como energia e data centers, mas isso é mais uma evolução natural da tecnologia e do mercado do que uma mudança de estratégia”, afirma Kazah.

⇒ Leia a reportagem: Kaszek prepara captação de fundo early stage e tem ainda quase US$ 1 bi para investir

Tese da gestora continuará focada em bons fundadores, setores com grande mercado endereçável, principalmente na América Latina (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos Estados Unidos operam em leve alta nesta segunda-feira (8), mesmo após a escalada das tensões entre Irã e Israel durante a madrugada, que elevou os preços do petróleo e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano. 

- Israel e Irã voltam a trocar ataques. Os dois países lançaram novos ataques com mísseis nesta segunda-feira, apesar dos apelos do presidente Donald Trump por uma trégua e pela retomada das negociações. A escalada tende a impulsionar os preços do petróleo e pressionar os mercados globais. 

- Aéreas criticam fabricantes de motores. Executivos do setor, reunidos no encontro anual da Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) no Rio de Janeiro, acusaram fornecedores de motores de falhas de desempenho. Segundo a associação, problemas na cadeia já custaram US$ 11 bilhões às aéreas em 2025. 

- Importância das pessoas em meio à IA. O CEO do HSBC, Georges Elhedery, afirmou em entrevista à Bloomberg TV que a inteligência artificial deve aumentar a produtividade, mas ponderou que a parte de julgamento, decisões e responsabilidade humanas continuarão no centro das operações.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na sexta-feira (05/06): Dow Jones Industrials (-1,35%), S&P 500 (-2,64%), Nasdaq Composite (-4,18%), Stoxx 600 (-0,29%), Ibovespa (-0,77%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Irã lança mísseis contra Israel e ameaça negociações para encerrar guerra

Vaca Muerta exige mais de US$ 10 bilhões para abastecer Brasil e vizinhos, diz estudo

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• Opinião Bloomberg: Por que a próxima grande aposta da IA pode estar nos mercados emergentes

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Kaszek prepara captação de fundo early stage e tem ainda quase US$ 1 bi para investir

8 de Junho de 2026, 06:00

A Kaszek, um dos maiores fundos de venture capital da América Latina, deve voltar ao mercado nos próximos seis a doze meses para captar seu sétimo fundo de early stage. O movimento ocorre porque o seu Fundo VI está chegando à etapa final de formação de portfólio.

A informação foi confirmada pelo cofundador Hérnan Kazah em entrevista à Bloomberg Línea. A gestora prevê um valor semelhante ao do veículo anterior, que levantou US$ 540 milhões em 2023.

A tese, segundo o investidor argentino, continuará essencialmente a mesma, focada em bons fundadores, setores com grande mercado endereçável, principalmente na América Latina, que usam a tecnologia para criar produtos novos ou melhores do que os atuais.

“Obviamente, IA está cada vez mais presente em praticamente tudo o que fazemos e vemos algumas oportunidades adicionais em áreas como energia e data centers, mas isso é mais uma evolução natural da tecnologia e do mercado do que uma mudança de estratégia”, afirma Kazah.

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A gestora nunca investiu em data centers e tem apenas duas startups na área de energia. O movimento mostra uma ambição da Kaszek em capturar valor na onda da IA em mais linhas de negócios do que apenas as camada de aplicações, que tende a ser onde as startups regionais criarão mais negócios.

“Data center é um negócio que acho que super interessante, mas com demanda de capital muito alto”, afirma. “Hoje, tem muita mais demanda do que no ano passado. Sempre teve demanda, mas hoje está crescendo não linear, e sim exponencialmente.”

Segundo Kazah, que criou a Kaszek em 2011 ao lado de Nicolas Szekasy, ambos co-fundadores do Mercado Livre, a gestora tem quase US$ 1 bilhão para investir.

O montante inclui reservas dos fundos IV, V e VI, além do Opportunity Fund 3 — a estratégia de growth da gestora —, do qual cerca de 70% a 75% do capital ainda está disponível. Por isso, a Kaszek não pretende captar para esse segmento neste momento, apenas para o early stage.

Leia mais: Google Cloud planeja investimento no Brasil para apoiar expansão, diz CEO global

A tese de ‘defensibilidade’

Para Kazah, a inteligência artificial representa a terceira grande disrupção tecnológica que ele acompanha de perto como investidor — após a internet e os smartphones. Mas ela tem uma característica que a diferencia das anteriores: age simultaneamente na ponta do consumidor e dentro das empresas.

“É uma combinação incrível”, afirmou. “As barreiras para empreender são cada vez menores.”

O reflexo disso aparece na velocidade de crescimento das startups do portfólio. Kazah disse que métricas que antes levavam anos para serem atingidas — como US$ 10 milhões ou US$ 25 milhões em receita anual — agora são alcançadas em meses. “Nunca vi uma velocidade assim”, disse.

Mas é exatamente essa velocidade que cria o principal dilema do momento, na percepção do executivo. Se antes a dificuldade era encontrar o product-market fit, hoje a pergunta central mudou: qual dessas empresas vai continuar existindo daqui a cinco anos?

“O desafio hoje é a sustentabilidade. O que é defensável”, resume Kazah, citando o conceito popularizado por Warren Buffett de moat — a vantagem competitiva durável de um negócio.

Para Kazah, há dois caminhos que tornam uma startup de IA mais difícil de ser engolida pelos próprios modelos fundacionais que a sustentam.

O primeiro é o acesso a dados exclusivos combinado com integração de hardware. Nesse modelo, a empresa usa os grandes modelos de linguagem (LLMs) como base, mas os opera em ambiente fechado, com dados proprietários que ninguém mais possui. “Onde essa inteligência está mais conectada com o hardware e com dados que você só tem”, diz.

O segundo caminho é resolver um problema tão específico e local que nenhum LLM global teria incentivo — ou conhecimento — para atacar.

Kazah citou como exemplo a Enter, startup de legaltech focada em direito do consumidor, uma startup do Brasil que recebeu investimentos recentemente e se tornou o primeiro unicórnio latino-americano nascido em inteligência artificial.

Outro exemplo é o da Eden, a startup mexicana de saúde oncológica que chegou ao Brasil nos últimos meses. “Você utiliza os modelos grandes, mas num ambiente fechado, com dados que são só seus”, diz, ao explicar a lógica de modelos verticalizados.

Os valores subiram

Se a tese da Kaszek não tem mudado neste momento de expansão de IA, há outros elementos que passaram por ajustes. O primeiro é o tamanho dos aportes, agora mais robustos. Em estágios iniciais, o fundo investe entre US$ 3 milhões e US$ 10 milhões — ante US$ 1 milhão a US$ 5 milhões no passado. Em rodadas séries B e C, o aporte pode chegar a US$ 20 milhões ou US$ 30 milhões.

O processo de avaliação das startups também passou por um refinamento. Equipe, tamanho de mercado e modelo de negócio seguem centrais na seleção da gestora, mas o peso de cada elemento mudou.

“Uma coisa que estão mudando agora, quando o coding está deixando de ser tão relevante, é ter fundadores que têm cabeça mais de sales, de captação de recursos, recrutamento e de muita futurologia, capaz de imaginar três movimentos à frente para ajudar a construir soluções sustentáveis”, afirma o gestor.

Ao listar as verticais mais atrativas no momento, Kazah citou três frentes: fintech de infraestrutura (mais B2B), energia e data centers — área nova para o fundo —, e implementação de IA para empresas.

Nessa última categoria, a Kaszek investiu recentemente na Wonderful, startup israelense que ajuda companhias a colocar IA em produção. “Todo mundo está maluco com IA, mas a implementação é difícil. A Wonderful está fazendo isso muito bem”, diz.

Kazah também confirmou que o fundo acompanha o movimento de empreendedores latino-americanos que se instalam no Vale do Silício para construir empresas globais — como o argentino Guillermo Rauch, fundador da Vercel, avaliada em US$ 9 bilhões e com IPO previsto para os próximos 12 meses.

Mas deixou claro que a Kaszek não pretende abrir escritório nos Estados Unidos. “Acho que é um caso típico de adverse selection. Se você conseguir negócio lá, tem que se perguntar por que está conseguindo", brinca.

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Escritórios em São Paulo: tese da gestora continuará focada em bons fundadores, setores com grande mercado endereçável, principalmente na América Latina (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)

Vaca Muerta exige mais de US$ 10 bilhões para abastecer Brasil e vizinhos, diz estudo

7 de Junho de 2026, 08:47

O desenvolvimento de Vaca Muerta pode se tornar o motor de uma nova etapa de integração energética na América do Sul, embora, para concretizá-la, seja necessária uma onda de investimentos superior a US$ 10 bilhões em infraestrutura de gás.

É o que afirma um relatório elaborado pela International Gas Union (IGU), pela Arpel e pela Olade, que identifica a formação de Neuquén como a principal fonte de recursos capaz de abastecer os mercados da Argentina, do Brasil, do Chile, do Uruguai e da Bolívia nas próximas décadas.

O papel que o estudo atribui a Vaca Muerta surge após afirmar que os recursos recuperáveis de gás natural dessa formação não convencional equivalem a entre 45 e 124 anos do consumo conjunto atual da Argentina, do Brasil, do Chile, do Uruguai e da Bolívia.

Leia mais: Brasil negocia tarifa para comprar gás de Vaca Muerta: quanto dinheiro entraria na Argentina

O relatório indica que a região conta com uma vantagem que não existia há duas décadas: grande parte da infraestrutura de interconexão já foi construída.

Ao longo das últimas décadas, foram desenvolvidos 16 gasodutos internacionais na América do Sul, muitos dos quais hoje se encontram subutilizados.

Para os autores do documento, o principal obstáculo a uma integração mais profunda não tem sido a falta de gasodutos, mas sim a ausência de excedentes de gás para exportação, uma limitação que poderia começar a ser superada com a expansão da produção em Vaca Muerta.

A ideia é que a formação em Neuquén possa se tornar o ponto de partida para uma nova etapa de integração entre a Argentina, o Brasil, o Chile, o Uruguai e a Bolívia.

Nesse cenário, a Argentina aumentaria as exportações e reduziria as importações de GNL; o Brasil teria acesso a uma fonte adicional de gás para impulsionar sua industrialização; o Chile poderia substituir parte de suas importações de GNL e acelerar a saída do carvão; o Uruguai reduziria seus custos de abastecimento; e a Bolívia monetizaria a capacidade ociosa de seus gasodutos por meio de serviços de trânsito para o Brasil.

Obras necessárias

Para que esse cenário se concretize, o relatório alerta que será necessário realizar investimentos em transporte, processamento e armazenamento de gás.

Um dos projetos identificados como prioritários é a ampliação do sistema da Transportadora de Gás do Norte (TGN) e a otimização da reversão do Gasoduto Norte, uma iniciativa avaliada em cerca de US$ 2,3 bilhões que permitiria gerar até 5,5 milhões de metros cúbicos diários de exportações garantidas para o Chile, a Bolívia e o Brasil.

Outra obra estratégica é a expansão do sistema Centro-Oeste e do gasoduto GasAndes, com um custo estimado de US$ 1,4 bilhão. O projeto permitiria aumentar as exportações garantidas para o Chile para até 16 milhões de metros cúbicos por dia durante todo o ano.

A integração com o Brasil exigiria investimentos ainda maiores.

O relatório menciona a necessidade de concluir o corredor até Uruguaiana e construir nova infraestrutura entre Neuquén e La Carlota para garantir o fornecimento constante de gás de Vaca Muerta.

No total, as obras relacionadas a essa alternativa exigiriam cerca de US$ 4,5 bilhões.

A isso somam-se investimentos em instalações de processamento e separação de líquidos, consideradas indispensáveis para acompanhar o crescimento produtivo de Vaca Muerta e abastecer futuros projetos de exportação de GNL.

O estudo destaca, por exemplo, a iniciativa anunciada por TGS para desenvolver instalações de processamento na origem com um investimento estimado em US$ 3 bilhões.

Produção, demanda e perspectivas

O relatório destaca que o crescimento de Vaca Muerta já começou a alterar o panorama energético regional.

A produção de gás não convencional na Argentina passou de 17 milhões de metros cúbicos por dia em 2015 para 90 milhões em 2025, representando mais de 60% da produção argentina de gás.

Esse aumento permitiu compensar o forte declínio do gás convencional argentino e lançou as bases para a recuperação das exportações para os países vizinhos.

Atualmente, o Chile é o principal destino do gás argentino, embora os volumes exportados ainda estejam abaixo da capacidade disponível de interconexão.

Os autores consideram que o Brasil será o mercado mais relevante para uma futura expansão regional.

O país busca reduzir o custo do gás para impulsionar sua reindustrialização e, embora pretenda aumentar sua própria produção nos próximos anos, continua interessado em ter acesso a fornecimentos competitivos provenientes da Argentina.

Paralelamente, a Bolívia enfrenta uma queda acentuada na produção e poderá deixar de dispor de excedentes para exportação no início da próxima década. Nesse contexto, o transporte de gás argentino para o Brasil surge como uma oportunidade para aproveitar a infraestrutura já construída e evitar sua subutilização.

Para os autores, a combinação de recursos abundantes em Vaca Muerta, da infraestrutura regional existente e de uma crescente demanda por energia competitiva nos países vizinhos abre uma oportunidade inédita para avançar em direção a uma integração energética mais profunda.

O desafio será mobilizar os investimentos necessários e garantir acordos de longo prazo que permitam transformar esse potencial em uma realidade comercial.

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Necessidade de infraestrutura de distribuição é o principal desafio do projeto. Foto: Secretaria de Energia

Padtec volta a atuar em cabos submarinos e compra LEV Brasil para crescer no segmento

5 de Junho de 2026, 19:24

A Padtec (PDTC3) decidiu criar uma nova unidade de negócios para atuar no desenvolvimento de projetos de infraestrutura submarina e costeira, de acordo com comunicado da empresa divulgado na noite desta sexta-feira (5).

Batizada de Padtec Marine Networks (PMN), a nova unidade marca uma volta definitiva ao segmento de cabos submarinos depois que a empresa brasileira de sistemas de comunicações ópticas vendeu sua operação na área em 2019 à americana IPG.

Ao mesmo tempo, a Padtec anunciou a aquisição de 85% do capital da LEV Brasil, empresa especializada em estudos geológicos, engenharia marinha e licenciamento ambiental, para apoiar a expansão no segmento.

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A transação prevê a capitalização da LEV Brasil, com o investimento sendo direcionado ao próprio negócio. Os termos financeiros não foram divulgados. Os demais 15% permanecerão com o fundador, Antonio Badagola, que assumirá a liderança executiva da Padtec Marine Networks.

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Segundo o CEO Carlos Raimar Schoeninger, a expectativa é capturar os ganhos diante de uma espécie de “renascimento” do mercado de infraestrutura submarina, depois do aumento da demanda por transmissão de dados, com os investimentos em data centers e inteligência artificial.

“Já era um movimento planejado dentro da empresa, que começou há dois anos, mas agora ele toma corpo pela pressão de mais data center, de mais inteligência artificial (IA) e de grandes players globais entrando nesse mercado, que não são só mais telecom”, disse em entrevista à Bloomberg Línea.

“Estou nesse mercado há muitos anos e nunca vi tantos projetos ao mesmo tempo nas costas do Atlântico, do Pacífico e no Caribe. Já nascemos com mais projetos talvez do que estávamos pensando em ter nesse momento da vida da Padtec Marine Network.”

O tamanho da nova unidade

A empresa trabalha atualmente no desenvolvimento de mais de 10 projetos, sendo que três estão em fase mais avançada, com expectativa de assinatura ainda neste ano, de acordo com o executivo.

A empresa não fornece guidance, mas o CEO afirma que a expectativa é que a nova unidade possa gerar entre R$ 50 milhões e R$ 150 milhões em receitas ainda neste ano. “Mas é cedo dizer, porque tem a parte de permissões, de meio ambiente. Pode ser para mais ou pode ser um pouco para menos”, afirmou.

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A ambição é capturar no longo prazo um market share de “no mínimo” 25% do mercado latino-americano, que hoje é estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões – o que significaria um range entre US$ 500 milhões e US$ 750 milhões.

Segundo o CEO, no longo prazo a nova unidade tem potencial de superar o faturamento de outras unidades do grupo. “Pelo tamanho de mercado, pelo potencial de mercado, é natural que em algum momento essa unidade venha a se tornar maior do que a origem”, afirmou.

Retorno aos cabos submarinos

Desde que vendeu sua antiga operação de cabos submarinos em 2019 a Padtec se concentrou no negócio de fornecimento de equipamentos e sistemas para redes de fibra óptica, conhecidos no jargão do setor pela sigla DWDM (Dense Wavelength Division Multiplexing), e também na atuação em serviços, softwares e plataformas de apoio.

Mais recentemente, após um período de non-compete, a empresa voltou a prestar serviços de infraestrutura submarina, diante de uma demanda crescente, inclusive de antigos clientes, o que levou a empresa a estruturar uma volta ao segmento.

'Já nascemos com mais projetos talvez do que estávamos pensando em ter nesse momento da vida da Padtec Marine Network'

O CEO Carlos Raimar Schoeninger, que fazia parte do conselho na época da venda do negócio, reconhece que a Padtec talvez pudesse ter se tornado um player mais forte no segmento se tivesse continuado a atuar no setor, mas avalia que a decisão foi acertada, dada a situação financeira da empresa em 2019 e uma vez que o mercado estava em um ciclo de baixa.

“A decisão pavimentou o caminho da volta, porque quando o cliente lamenta que você sai, significa que você está fazendo bem em alguma coisa. Quem nos chamou a atenção para voltar [à infraestrutura submarina] foram nossos clientes”, afirmou.

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O plano é atuar principalmente em projetos em águas rasas, nas costas do Brasil e de outros países da América Latina, incluindo no Caribe, locais onde a Padtec já reúne expertise.

“Nosso sweet spot aqui são os projetos menores. O Brasil tem uma plataforma continental que vai longe em águas pouco profundas. Nós conhecemos bem o que está ali por baixo, mas exige uma navegação especializada e controle especializado”, disse.

A expectativa é trabalhar em projetos próprios ou em parceria com terceiros, incluindo concorrentes que trabalham em projetos intercontinentais, para realizar a parte final do projeto próximo à costa brasileira, chamado de shore end.

Outro mercado potencial é o de monitoramento e a manutenção dos sistemas instalados, incluindo para fazer a armazenagem de estoques de equipamentos e cabos mais próximos da costa brasileira. Segundo o CEO, a maior parte dos sistemas não tem estoques no Brasil e depende do fornecimento de outros países em caso de substituição.

“Se a água é pouco profunda, é intuitivo prever que barcos e navios possam jogar âncoras, então as incidências de falhas também aumentam significativamente. Ter uma empresa especializada por perto, para monitorar, operar, fazer toda essa cadeia de operação, é importante. É aí que nós nos encaixamos bem nesse momento”, afirmou.

Com isso, o CEO diz que a empresa busca se posicionar como uma plataforma de “infraestrutura crítica digital”, para além da oferta tradicional de equipamentos e serviços.

“A Padtec deixa de ser só uma empresa de equipamentos e passa a ser uma empresa de infraestrutura crítica digital. Tudo aquilo que mantém os sistemas digitais funcionando está no nosso escopo de trabalho”, afirmou.

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© Divulgação/Padtec

Sede da Padtec

McDonald’s quer ser menos fast food

5 de Junho de 2026, 08:12

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

O McDonald’s está apostando em tudo, desde frangos mais sofisticados até novos playgrounds, como parte de uma campanha para parecer, cada vez menos, com um fast food.

Novos itens do cardápio, incluindo asa e filé empanado à mão, estão sendo testados como parte de uma estratégia renovada.

Isso faz parte de uma aposta de longo alcance de que alimentos de melhor qualidade, juntamente com campanhas de redes sociais mais envolventes e melhorias nos restaurantes, ajudarão o McDonald’s a se consolidar como a primeira opção dos clientes - não apenas para uma refeição rápida em qualquer lugar, mas também para passeios em família e outras ocasiões.

O McDonald’s ainda se concentrará no valor e na rapidez, mas os clientes estão “realmente exigindo mais pelo seu dinheiro”, disse o CEO Chris Kempczinski à Bloomberg News.

⇒ Leia a reportagem: De frango empanado a novo visual: o plano do McDonald’s para parecer menos fast food

A McDonald's restaurant in LaBelle, Florida, US, on Saturday, Feb. 7, 2026. McDonald's Corp. is scheduled to release earnings figures on February 11. Photographer: Zak Bennett/Bloomberg

No radar dos mercados

As ações norte-americanas operam em queda nesta sexta-feira (5), enquanto investidores reduzem a exposição ao tema da inteligência artificial e aguardam os dados do payroll de maio em busca de sinais sobre a trajetória dos juros.

- Nova fronteira para a SpaceX? Analistas de bancos como Goldman Sachs e Evercore projetam que a divisão de inteligência artificial da SpaceX multiplicará sua receita em cerca de 100 vezes até o fim da década, tornando-se responsável por até 74% das vendas da companhia até 2031.

- Barreira para grandes IPOs. A S&P Dow Jones decidiu manter a exigência de ao menos 12 meses de negociação, além dos critérios de lucratividade e free float, para inclusão de empresas no S&P 500. A decisão impede a entrada da SpaceX, da OpenAI e da Anthropic e adia bilhões de dólares em compras por fundos.

- Terminal de Omã retoma operações. As atividades no terminal de Mina Al Fahal, principal ponto de exportação de petróleo bruto do país, foram normalizadas após uma explosão interromper temporariamente os carregamentos na sexta-feira. Segundo operadores, a causa do incidente ainda não foi esclarecida.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na quarta-feira (03/06): Dow Jones Industrials (-1,21%), S&P 500 (-0,73%), Nasdaq Composite (-0,89%), Stoxx 600 (+0,66%), Ibovespa (-2,22%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Raízen vende ativos na Argentina para Mercuria e Integra Capital por US$ 1,4 bilhão

Braskem busca reestruturação de dívida após IG4 assumir fatia da Novonor, diz fonte

Bolsa mais lucrativa do mundo em 2026 tem potencial de subir mais 35%, diz Goldman

• Também é importante: Brasil negocia a compra de 20 novos Gripen da Saab e pode ampliar frota para 56 | Carros elétricos usados ganham impulso após disparada dos combustíveis nos EUA

• Opinião Bloomberg: Até os bancos centrais mais pacientes estão mudando de postura com a alta da inflação

• Para não ficar de fora: IA economiza tempo, mas empresas têm dificuldade para medir os ganhos, diz estudo

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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Bolsa mais lucrativa do mundo em 2026 tem potencial de subir mais 35%, diz Goldman

A bolsa da Coreia do Sul é a grande estrela de 2026. O índice Kospi acumulou valorização de cerca de 100% em dólares no acumulado do ano, tornando-o o mais rentável entre os principais índices do mundo. Mesmo com o avanço expressivo até aqui, o Goldman Sachs (GS) considera que a trajetória de alta ainda não chegou ao fim.

A instituição elevou sua meta para o Kospi para 12.000 pontos no horizonte de doze meses, uma previsão que implica um potencial adicional superior a 35% em relação aos níveis atuais.

O Goldman mantém sua confiança nas ações sul-coreanas graças ao forte crescimento dos lucros corporativos impulsionado pelo boom de inteligência artificial e pela demanda por semicondutores avançados.

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A aposta do Goldman na Coreia do Sul não vem sozinha. O banco também revisou para cima sua perspectiva em relação a Taiwan e elevou sua recomendação para esse mercado, diante da solidez dos lucros das empresas.

Leia mais: Brasil está perdendo oportunidade em IA por atraso em regulação, diz diretor da Nvidia

Os estrategistas liderados por Timothy Moe explicam que “nos inclinamos pelo norte da Ásia, onde o crescimento dos lucros é mais forte”.

A instituição estima ainda que a Coreia do Sul liderará o mercado na Ásia nesse aspecto, enquanto Taiwan continuará apresentando um desempenho sólido graças ao peso das empresas de tecnologia.

As 10 bolsas de valores mais lucrativas do mundo

De acordo com dados da Bloomberg sobre rentabilidade em dólares em 2026, os mercados com melhor desempenho são:

  • Kospi (Coreia do Sul): 98,27%
  • Índice NGX All Share (Nigéria): 65,06%
  • Taiex (Taiwan): 60,34%
  • GSE Composite (Gana): 46,37%
  • Tunindex (Tunísia): 35,05%
  • Nikkei 225 (Japão): 32,78%
  • DAX (Alemanha): 32,69%
  • Índice MSCI 30: 30,75%
  • TA-35 (Israel): 30,22%
  • Índice da Bolsa de Valores da Indonésia: 29,75%

Por trás do otimismo do banco está a revolução da inteligência artificial. Tanto a Coreia do Sul quanto Taiwan abrigam alguns dos maiores fabricantes de chips do mundo.

Empresas como a Samsung, a SK Hynix e a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) têm sido as principais impulsionadoras das altas no mercado de ações, graças a resultados que se beneficiaram da crescente demanda por infraestrutura para inteligência artificial.

O Goldman acredita que essa tendência pode se manter nos próximos anos e afirma que “o investimento em IA permitirá que o setor de hardware tecnológico registre um forte crescimento nos lucros até 2028 e além”.

O índice Kospi exibido na sala de negociação do Banco Woori em Seul, Coreia do Sul. Foto: SeongJoon Cho/Bloomberg

Apesar do cenário favorável, a instituição também alerta para os riscos. Os fortes ganhos registrados em ambos os mercados concentraram a atenção em um pequeno grupo de empresas de grande capitalização, o que aumenta a vulnerabilidade a possíveis correções e realizações de lucros.

O Goldman reconhece que o excelente desempenho da Coreia do Sul e de Taiwan aumenta o risco de quedas bruscas no curto prazo.

Mesmo assim, a empresa mantém uma visão positiva para ambos os mercados e considera que o ciclo de lucros associado à inteligência artificial continua oferecendo espaço para novas altas.

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© SeongJoon Cho

Índice da Coreia (KOSPI) vem registrando desempenho acima dos pares. (Foto: SeongJoon Cho/Bloomberg)

Tonino Lamborghini leva grife a imóvel de luxo no Brasil: ‘Comprador entra no meu mundo’

4 de Junho de 2026, 14:07

Tonino Lamborghini, herdeiro de Ferruccio Lamborghini (1916-1993), levou o sobrenome da lenda da indústria automobilística italiana para outro território. O filho que trabalhou nos negócios do pai fundou em 1981 a própria marca de estilo de vida, com relógios, óculos, móveis, hotéis, espresso, blends e destilados e, agora, edifícios em mais de 40 países, hoje com 45 anos de história independente.

Aos 78 anos, o fundador e presidente do grupo que leva seu nome esteve no Brasil para a inauguração do primeiro edifício residencial completo assinado por ele. A torre de 53 andares em Balneário Camboriú (SC) foi erguida pela Embraed, incorporadora local desde 1984, foi entregue no último sábado (30).

De terno azul de risca de giz, Tonino percorreu o edifício com a Bloomberg Línea na véspera da entrega. Parou diante da decoração, fez perguntas a representantes da construtora sobre os materiais, e passou um tempo observando as próprias fotos antigas, emolduradas nas paredes.

Diante de uma fotografia de 1970, em que aparece jovem sobre uma moto, ele riu. Há anos ele vendeu aquela Norton, campeã e presente do pai. “Quando você cresce, se pergunta: por que a vendi? O que mudou na minha vida por causa dessa venda?”, disse.

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O episódio com a moto resume seu modo de fazer negócios atualmente. Para Tonino, o cliente se divide em dois: o que busca quatro paredes e um banheiro, e o que busca pertencimento. “Quem compra um imóvel aqui entra no meu mundo. E, se não aprecia, não me interessa vender”, afirmou ele durante o tour pela torre.

Não é uma fala de ocasião: desde 2018 ele repete, sobre os hotéis da marca, que quem entra nos empreendimentos entra no seu mundo.

Leia também: Para Lamborghini, mercado não está pronto para superesportivo 100% elétrico, diz CEO

O prédio em Balneário Camboriú repete as características da marca: lobby de teto esculpido em ondas e escada curva de vidro, salão de jogos com mesa de sinuca de tampo de vidro assinada pela Tonino Lamborghini sob o brasão do touro, símbolo que Ferruccio, nascido sob o signo de Touro (28 de abril de 1916), adotou como expressão de força, não por afinidade com as touradas.

No elevador, a caminho de outro andar, perguntado qual o melhor mármore italiano, não hesitou: “O branco de Carrara é o mais italiano de todos”.

'Quem compra um imóvel aqui entra no meu mundo. E, se não aprecia, não me interessa vender'

Para escolher um sócio, ele usa o mesmo critério. Começa pela empatia e termina na ambição. “Se a ambição é apenas vender e obter lucro, é melhor não fazer uma parceria comigo”, afirma. “É preciso ter lucro, obviamente, mas o lucro não pode estar em primeiro lugar.” Antes do lucro, diz, o grande objetivo é deixar uma memória no tempo.

Essas são regras que ele diz que valiam em sua própria casa, quando era jovem. Tonino diz ter aprendido duas coisas com seu pai Ferruccio: trabalhar muito e fazer só o que dá emoção.

A família Lamborghini vendeu a montadora nos anos 1970 e não tem mais participação na fabricante italiana de supercarros de alto desempenho. Hoje ela é controlada pela Audi, que faz parte do Grupo Volkswagen, da Alemanha.

Avanço de ‘branded residences’

O modelo que o edifício de Tonino Lamborghini em Balneário Camburiú representa tem avançado rapidamente no Brasil, com o crescimento do mercado imobiliário de luxo.

O país está na sexta posição de um ranking de países com maior número de projetos de branded residences no mundo, segundo um relatório da consultoria internacional Savills.

De acordo com o estudo, o mercado global de prédios residenciais assinados por grifes deve superar a marca de 1.000 projetos em 2026 e alcançar 1.747 empreendimentos até 2032, com um crescimento médio anual de 10,9%.

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Balneário Camboriú, famosa por ter alguns dos arranha-céus mais altos do país, e as vizinhas Itapema e Praia Brava (em Itajaí) concentram parte dos projetos de grife no país, ao lado de Armani e Versace, e disputam com São Paulo o mapa do luxo residencial.

Balneário Camboriú tem o metro quadrado mais caro do Brasil há quatro anos, cerca de R$ 15 mil de média, à frente de São Paulo e do Rio, segundo o índice FipeZAP. Nas torres de grife como esta, o valor passa de R$ 20 mil e vai bem além.

Uma obra do município que alargou a faixa de areia de 25 para 75 metros atraiu estrangeiros para a cidade e empurrou os preços.

Lounge, projetado para recepções, destaca-se pela iluminação embutida e bancada de mármore, completando a identidade visual com o balcão terracota

Lembrado de que muitos chamam Balneário Camboriú de “Dubai brasileira” por causa dos arranha-céus, Tonino Lamborghini discordou da comparação.

“Prefiro dizer que é a Monte Carlo brasileira”, afirma, porque Dubai está arquitetonicamente mais avançada, enquanto Monte Carlo guarda a escassez que sustenta o valor.

Para ele, a escassez de Monte Carlo não é só geográfica, é também fiscal e cultural: o mar, a colina, os benefícios tributários, a proximidade com a França e com a Itália. Balneário, diz, tem o mesmo potencial.

Escassez de terrenos

Tatiana Cequinel, presidente do conselho de administração da construtora, também presente no tour pelo edifício, explica que a área territorial oficial da cidade soma 46 quilômetros quadrados. É o segundo menor município em extensão territorial do estado de Santa Catarina, ficando atrás apenas de Bombinhas, também no litoral.

A escassez se traduz em uma extensão de apenas cerca de seis quilômetros de orla, e um projeto público de revitalização da Praia Central, com infraestrutura de lazer e paisagismo, valoriza cada metro desse trecho, tornando os endereços dessa área nobre ainda mais cobiçados.

Na torre de Tonino Lamborghini, as unidades foram vendidas antes da chave. “Vendemos em torno de 30% no primeiro mês, e há um ano e meio não temos mais unidades à venda”, diz Cequinel.

Torre com assinatura de dinastia italiana, recém-inaugurada, está cercada de obras de novos arranha-céus, como o edíficio Armani, também da Embraed, que terá 78 andares e 270 metros de altura

O edifício tem cerca de 170 metros e fica a 50 metros do mar, com 67 residências de 194 a 430 metros quadrados (dois apartamentos por andar nos andares 8 ao 31) e cerca de 2.500 metros quadrados de lazer, segundo a Embraed, que opera verticalizada e corta o próprio mármore.

A Embraed também aposta em Itapema, onde entrega o edifício Latelier, de 61 andares, uma resposta à expansão do luxo para além dos limites de Balneário.

Marca nacional também é aposta

Com o avanço do mercado de branded residences, marcas nacionais também buscam ocupar esse lugar. Na Praia Brava, a Construtora CK aposta na assinatura do mobiliário de alto padrão da Artefacto para empreendimentos residenciais, como o Artefacto Towers, lançado em 2021 com previsão de entrega em dezembro com duas torres de quase 110 metros de altura, 195 apartamentos e quatro salas comerciais.

O empreendimento, que está 95% comercializado, tem ticket médio de R$ 3,2 milhões e VGV estimado em R$ 300 milhões, acumulando uma valorização de 105,86% desde o seu lançamento, com crescimento médio anual de cerca de 20%, segundo informou a construtora em nota.

Esse cenário reflete a tendência de parcerias imobiliárias com grandes marcas. O potencial bilionário desse modelo ficou claro quando a grife nacional Daslu foi arrematada por R$ 10 milhões para uso exclusivo em incorporações.

Cifras dessa magnitude ilustram o forte retorno financeiro gerado por assinaturas globais em contratos de licenciamento que costumam guardar sigilo sobre os royalties, conforme apontaram analistas do Bradesco BBI.

O edifício com a assinatura da grife italiana em Balneário é o primeiro entregue, não o único em carteira. Tonino cita projetos em São Paulo, Goiânia, Chapecó, nos Emirados Árabes, no Egito, na Geórgia e quatro na Índia.

Em todo o tour, nos espaços coletivos, o que se vê é o sobrenome Lamborghini e seu brasão de touro no chão, nos móveis e nas paredes, que ele explica como uma expressão da experiência de estilo de vida da marca.

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70 metros, 53 andares e 67 unidades vendidas antes da chave: a primeira torre residencial Tonino Lamborghini do mundo, em Balneário Camboriú. (Foto: Divulgação/Embraed)

Brasil negocia a compra de 20 novos Gripen da Saab e pode ampliar frota para 56

4 de Junho de 2026, 10:50

O Brasil demonstrou interesse em adquirir 20 caças Gripen E e F adicionais da fabricante sueca de defesa Saab, em um movimento que pode ampliar a parceria entre os dois países na área de defesa e elevar de 36 para 56 o número de aeronaves previstas no programa brasileiro.

A informação consta de uma declaração conjunta divulgada nesta quinta-feira (4), após um encontro em Estocolmo entre o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro Filho, e o ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson.

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A negociação ocorre em meio a restrições no orçamento brasileiro de 2026. O Ministério da Defesa foi a pasta mais afetada pelo bloqueio adicional de despesas anunciado pelo governo federal, com R$ 4,36 bilhões temporariamente indisponíveis.

Leia também: Novo caça Gripen F da Saab reforça programa de transferência tecnológica para o Brasil

Em segundo lugar, o Ministério das Cidades foi o mais afetado, com R$ 3,32 bilhões temporariamente bloqueados. Os ministérios devem anunciar até 8 de junho quais programas sofrerão bloqueios.

Novo centro de pesquisa

O Brasil e a Suécia também avançaram nas discussões para aprofundar a cooperação tecnológica relacionada ao Gripen.

Na terça-feira (2), a Saab e a Força Aérea Brasileira (FAB) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para a realização de estudos e análises conjuntas sobre o possível estabelecimento de um Centro de Inovação e Pesquisa no Brasil, segundo nota divulgada pela empresa.

O centro seria dedicado ao desenvolvimento e à prospecção de novos sistemas e equipamentos aplicáveis à operação, à manutenção e à modernização das aeronaves Gripen.

Nesta quinta-feira (4), o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro Filho, disse que o centro também deverá se debruçar sobre aplicações de IA no setor.

A iniciativa também tem como objetivo ampliar as capacidades tecnológicas brasileiras e apoiar a formação de profissionais qualificados.

As tratativas entre a Saab e a FAB serão conduzidas no âmbito do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), órgão do Comando da Aeronáutica responsável por ações de ciência, tecnologia e inovação.

Os próximos passos envolvem a realização dos estudos e análises previstos no memorando, seguida pela avaliação dos resultados para definir como avançar em direção a um acordo formal.

Questionado pela Bloomberg Línea durante entrevista a jornalistas em Linköping, na Suécia, sobre a importância do Brasil para a companhia, Johansson afirmou que a Saab pretende ampliar sua capacidade produtiva tanto na Suécia quanto no mercado brasileiro.

“O Brasil é um país prioritário para nós no mercado da América Latina e realmente concentramos nossa atenção nele. É claro que temos a ambição de ampliar a participação da região na receita da Saab como companhia”, disse Johansson.

Segundo o executivo, a operação brasileira não deverá focar apenas no Gripen. A empresa também produz radares, sistemas de mísseis, comando e controle, treinamento, soluções subaquáticas, e tecnologia de guerra eletrônica.

“Como estamos estabelecidos no Brasil e temos uma parceria industrial tão relevante, é claro que faz sentido buscar outros negócios”, disse Johansson.

A operação brasileira, segundo o CEO da Saab, deverá participar da produção relacionada ao contrato colombiano e poderá atender a outros mercados internacionais - além da Colômbia, a Tailândia também encomendou o caça.

Na semana passada, Suécia e Ucrânia informaram que avançaram nas negociações para que Kiev adquira um lote inicial de até 20 caças Gripen E/F, enquanto o governo sueco pretende doar até 16 aeronaves Gripen C/D às forças ucranianas se a compra das aeronaves for concretizada.

Parceria Brasil-Suécia

O contrato original entre o governo brasileiro e a Saab foi assinado em outubro de 2014 e prevê o desenvolvimento e a produção de 36 caças Gripen E/F para a FAB, sendo 28 unidades da versão monoposto Gripen E e oito da versão biposto Gripen F. O acordo foi avaliado em aproximadamente 39,3 bilhões de coroas suecas.

As entregas começaram em 2020, e 11 aeronaves foram entregues à FAB, segundo a Saab.

Diferentemente de programas tradicionais de aquisição militar, o acordo incluiu um amplo pacote de transferência de tecnologia e a participação da indústria brasileira. Engenheiros da Embraer e de outras empresas nacionais participaram diretamente do desenvolvimento da versão biposto Gripen F.

Na terça-feira, a Saab apresentou em Linköping o primeiro Gripen F-39F destinado à FAB. A aeronave mantém as capacidades operacionais do Gripen E, mas incorpora um segundo cockpit, que pode ser utilizado para treinamento e missões mais complexas.

Em entrevista à Bloomberg Línea um dia antes da apresentação do Gripen F na Suécia, Peter Dölling, presidente da Saab Brasil, afirmou que os componentes produzidos no país já abastecem a linha global do Gripen, independentemente do cliente final.

“A fuselagem traseira, a fuselagem dianteira, os freios aerodinâmicos e o cone de cauda vão para todos os clientes”, disse.

De acordo com o executivo, a operação brasileira alcançou níveis de qualidade e produtividade equivalentes aos da unidade sueca, o que poderá favorecer a transferência de novas etapas produtivas para o país à medida que a demanda internacional avançar.

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Modelo Gripen F apresentado nesta semana pela gigante de defesa tem espaço para dois pilotos e poderá ser usado em missões mais complexas do que o Gripen E. (Foto: Divulgação)

Raízen vende ativos na Argentina para Mercuria e Integra Capital por US$ 1,4 bilhão

4 de Junho de 2026, 10:02

A suíça Mercuria Energy e a argentina Integra Capital fecharam na madrugada desta quinta-feira (4) a compra dos ativos da Raízen na Argentina, segundo uma pessoa com conhecimento direto do assunto que falou com a Bloomberg Línea. Os ativos em questão são a refinaria de Dock Sud e a rede de postos de combustível da Shell.

Em comunicado ao mercado nesta manhã, a Raízen detalhou que o valor final da transação chegou a US$ 1,420 bilhão, a ser pago em dinheiro no fechamento, sujeito aos ajustes habituais de preço de compra para transações dessa natureza, incluindo capital de giro, caixa, dívida e despesas de transação.

O acordo definitivo para a venda do negócio de downstream incluiu também a assunção, pelo comprador, da dívida da Raizen Argentina S.A.U.

“Espera-se que o fechamento da transação ocorra dentro da atual safra agrícola e permanece sujeito ao cumprimento das condições precedentes usuais para transações dessa natureza, incluindo, entre outras, a obtenção das autorizações regulatórias e judiciais pertinentes”, informou a Raízen.

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Os ativos da Raizen no país são estratégicos para o setor de downstream na Argentina. A refinaria de Dock Sud responde por 14% da produção de combustíveis do país, enquanto a rede de 894 postos Shell detém 17,9% do mercado — ficando atrás apenas da líder YPF, com 58,1%.

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A operação incluiu ainda uma fábrica de lubrificantes na cidade de Buenos Aires, duas aeroplataformas nos aeroportos de Ezeiza e Aeroparque, e dois terminais de combustíveis em Arroyo Seco e Santa Fe.

Com a operação, a Mercuria Energy, trader de commodities de origem suíça, amplia sua presença na Argentina, onde já atua por meio da Phoenix Resources na formação de petróleo e gás não convencional de Vaca Muerta.

Tanto em Vaca Muerta quanto na aquisição recente, a Mercuria está associada ao empresário local José Luis Manzano, fundador e presidente da Integra Capital.

A decisão da brasileira Raízen de vender seus ativos na Argentina está relacionada à delicada situação financeira que a empresa atravessa.

Na quarta-feira, ela apresentou aos credores uma proposta final de reestruturação — passo central nos esforços da produtora de açúcar e etanol para obter uma revisão extrajudicial de sua dívida.

A empresa, que enfrenta um prazo até 8 de junho para fechar um acordo, espera que mais de 70% dos credores aprovem o plano, segundo a Bloomberg News. A dívida total da Raizen chega a R$ 65 bilhões.

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Refinaria Dock Sud em Buenos Aires: ativos da Raizen no país são estratégicos para o setor de downstream. (Foto: Tomas Cuesta/Bloomberg)

Preços de cervejas recuam com clima frio e renovação de estoques, aponta J.P. Morgan

3 de Junho de 2026, 13:30

As baixas temperaturas registradas em maio e início de junho no Brasil têm sido um dos fatores por trás da redução de preços de cervejas no país, enquanto as fabricantes de bebidas se preparam para um possível aumento do consumo durante a Copa do Mundo.

Pelo segundo mês consecutivo, Ambev (ABEV3), Heineken e Petrópolis reduziram os preços no varejo, de acordo com um monitoramento mensal do J.P. Morgan, que rastreou mais de 1 milhão de pontos de preço em 700 municípios brasileiros.

A cervejaria Petrópolis registrou o maior recuo, de 2,8% nos preços em relação a abril. Ambev caiu 0,6% e Heineken, 0,5%. Os três grupos são os líderes no mercado brasileiro.

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Para Lucas Ferreira, analista de alimentos e bebidas do J.P. Morgan, o movimento ainda exige cautela na leitura. “Preferimos ser mais conservadores e aguardar novos dados para confirmar se os cortes de preço vão persistir”, escreveu ele no relatório.

O analista levanta duas hipóteses: o acirramento da concorrência após ganhos recentes de participação de mercado pela Ambev, ou o descarte de estoques acumulados na temporada de verão.

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A segunda hipótese tem respaldo sazonal claro. Com os termômetros caindo e o consumo desacelerando, as cervejarias chegam a junho com estoques rodados do ciclo quente e precisam baixar o preço para manter o giro nas gôndolas. O frio, nesse sentido, não é inimigo do setor, mas um gatilho para promoções.

Na região metropolitana de São Paulo, um dos maiores mercados consumidores, o clima mais frio tem sido registrado nas últimas semanas, e a Defesa Civil está em estado de atenção para baixas temperaturas desde 28 de maio.

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A expectativa agora é de mais frio à frente. Segundo o Cepagri, centro de pesquisas climáticas da Unicamp, junho terá duas frentes frias no estado, e a segunda onda pode derrubar os termômetros abaixo dos 10°C no Centro-Sul, reforçada pelo ar polar.

Segundo o relatório do J.P. Morgan, no acumulado de 12 meses, contudo, o quadro é outro. O segmento premium segurou a valorização: a Budweiser LN 330ml subiu 10,6% no período, a Corona LN avançou 8% e a Becks LN, 6,1%.

No canal de bares e restaurantes, Michelob e Stella Artois lideram os ganhos anuais, com alta de 11,7% e 7%, respectivamente.

O quadro sugere um mercado dividido em dois. Consumidores de marcas premium continuam pagando mais, em qualquer estação. Já quem prefere outros produtos, encontra preços menores nas gôndolas.

Não é a primeira vez que o inverno aparece como fator nessa equação. Em setembro do ano passado, o BTG Pactual registrou que a gestão da Ambev reconheceu que 60% da queda de volume no segundo trimestre de 2025 ocorreu em junho, quando “o frio e as chuvas mais intensas reduziram o consumo fora de casa”, segundo relatório assinado pelos analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

Ainda assim, eles ponderaram que havia mais do que clima por trás do tombo, citando a decisão da Ambev de subir preços no segundo trimestre de 2025, a primeira vez desde 2012, seguida pela Heineken em julho, e sinais de desaceleração da economia: “há mais do que apenas as baixas temperaturas”.

-Texto atualizado às 23h30 para incluir análise do BTG Pactual sobre a relação entre frio e queda de volume de cerveja em junho de 2025

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Ambev registrou queda de 0,6% nos preços em maio, segundo monitoramento do J.P. Morgan. (Foto: Jonne Roriz/Bloomberg)

De itens exclusivos a multicanalidade: como a MBRF planeja elevar as vendas na Copa

3 de Junho de 2026, 12:19

A MBRF (MBRF3) está otimista com a Copa do Mundo para alavancar as vendas neste ano.

As apostas do grupo vão desde multicanalidade – o que inclui a distribuição em lojas de conveniência dentro de condomínios – até produtos exclusivos para elevar em 50% o volume vendido em relação ao torneio de 2022.

“Em período de Copa, o consumo dos nossos produtos aumenta e, neste ano, o evento será mais longo. Esperamos que também seja mais longo para o Brasil”, disse o CEO do grupo, Miguel Gularte, em entrevista a jornalistas na terça-feira (2).

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Com foco na Sadia, patrocinadora master da seleção brasileira até 2030, a companhia vem se preparando para atender à demanda gerada pelo evento desde janeiro deste ano.

Serão 20 itens que foram criados exclusivamente para a Copa, além de ações de marketing.

“Estamos em 90% dos lares brasileiros e somos patrocinadores da seleção. O brasileiro já vai ter a Sadia no seu repertório de consumo quando chegar ao ponto de venda”, diz o diretor de inovação e marketing da MBRF, Luiz Franco.

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A estratégia do grupo inclui foco no varejo e no foodservice (destinado a restaurantes). Segundo os executivos, a demanda deve ser forte nos lares, principalmente com petiscos e produtos para churrasco, e em cadeias de alimentação e bares.

Franco afirma que o varejo terá que estar preparado para vendas “omnichannel”. “Haverá um pico de vendas em uma série de canais alternativos.” A marca está em cerca de 340 mil clientes.

Além da Sadia, o grupo vê potencial para os produtos da Perdigão na categoria in natura, voltada para churrasco, e até linhas especiais como a Sadia Assa Fryer.

Em um momento de mudanças de hábitos de consumo em decorrência do uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Ozempic e Mounjaro, o grupo também quer oferecer alternativas nas gôndolas.

Segundo o vice-presidente do mercado Brasil e marketing da MBRF, Manoel Martins, a companhia tem uma gama de produtos nos modelos de proteína “regular” e “adicionada”.

“Temos linhas de pratos prontos que estamos adicionando proteína”, diz. “Temos um portfólio ‘de A a Z’ para atender todas as classes sociais, em todas as ocasiões de consumo. Preparamos a companhia para isso”, acrescenta Martins.

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O grupo projeta avanço de 50% do volume vendido em relação ao último torneio. (Foto: Adriano Machado/Bloomberg)

O atraso do Brasil em IA, segundo a Nvidia

3 de Junho de 2026, 07:02

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

No momento em que a inteligência artificial generativa dita o ritmo das avaliações de mercado no mundo, o Brasil enfrenta um desafio crítico: acelerar seus investimentos em infraestrutura computacional para não perder o bonde da nova era tecnológica.

A lentidão na regulamentação e na execução de políticas públicas no país, no entanto, tem funcionado como um forte freio de mão para o desenvolvimento de negócios de alta performance.

Essa é a análise de Márcio Aguiar, diretor da Divisão Enterprise da Nvidia para a América Latina. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e o programa Redata (Regime Especial de Incentivos para Computação em Nuvem e Centros de Dados) seguem travados em discussões em Brasília.

Esse compasso de espera já cobra o seu preço na forma de fuga de talentos, adiamento de investimentos privados e perda de competitividade frente a vizinhos da América Latina.

“Estamos perdendo a oportunidade de embarcar nesse trem que está passando”, afirmou Aguiar em entrevista à Bloomberg Línea. “A tecnologia está evoluindo tão rapidamente que cada um ou dois meses de atraso já nos colocam em uma nova era da inteligência artificial.”

⇒ Leia a reportagem: Brasil está perdendo oportunidade em IA por atraso em regulação, diz diretor da Nvidia

Data center: sem projetos locais robustos, cientistas de dados, engenheiros de machine learning e pesquisadores de alta performance acabam migrando para oportunidades no exterior, diz diretor da Nvidia. (Foto: Jason Alden/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações norte-americanas têm dificuldades para manter seus ganhos recordes enquanto as crescentes tensões sobre o cessar-fogo entre os EUA e o Irã fizeram com que os preços do petróleo subissem pelo terceiro dia consecutivo.

- Reestruturação da Raízen. A produtora de açúcar e etanol deve apresentar aos credores uma proposta final de reestruturação nesta quarta-feira (3), um passo fundamental no esforço de meses da empresa em dificuldades para conseguir uma revisão extrajudicial da dívida.

- Termos do IPO da SpaceX. A empresa de Elon Musk planeja definir os termos da maior oferta pública inicial da história nesta quarta-feira (3). Segundo fontes ouvidas pela agência Reuters, a SpaceX pretende vender 555,6 milhões de ações a US$ 135, cada uma, em seu IPO de US$ 75 bilhões.

- Novo tarifaço dos EUA. Após uma investigação sobre como parceiros comerciais lidam com trabalho forçado, o governo de Donald Trump propôs novas tarifas de pelo menos 10% sobre as importações de 60 parceiros comerciais. Esta é a maior medida protecionista do presidente desde que suas taxas anteriores foram derrubadas pela Suprema Corte.

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Destaques da Bloomberg Línea:

Braskem negocia para iniciar recuperação extrajudicial antes de julho, dizem fontes

Nubank: saída de CFO traz dúvidas sobre crédito e expansão nos EUA, dizem analistas

Bradesco Asset planeja expansão em Miami com interesse global por ativos brasileiros

• Também é importante: Novo caça Gripen F da Saab reforça programa de transferência tecnológica para o Brasil | ‘Mais ganância do que medo’: o retrato do mercado atual, segundo o CEO do Goldman

• Opinião Bloomberg: Avanço do insider trading ameaça confiança nos mercados e desafia governo Trump

• Para não ficar de fora: Camisa da seleção da Colômbia vira símbolo político em eleição polarizada

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Brasil está perdendo oportunidade em IA por atraso em regulação, diz diretor da Nvidia

3 de Junho de 2026, 06:00

No momento em que a inteligência artificial generativa dita o ritmo das avaliações de mercado no mundo, o Brasil enfrenta um desafio crítico: acelerar seus investimentos em infraestrutura computacional para não perder o bonde da nova era tecnológica.

A lentidão na regulamentação e na execução de políticas públicas no país, no entanto, tem funcionado como um forte freio de mão para o desenvolvimento de negócios de alta performance.

Essa é a análise de Márcio Aguiar, diretor da Divisão Enterprise da Nvidia para a América Latina. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e o programa Redata (Regime Especial de Incentivos para Computação em Nuvem e Centros de Dados) seguem travados em discussões em Brasília.

Esse compasso de espera já cobra o seu preço na forma de fuga de talentos, adiamento de investimentos privados e perda de competitividade frente a vizinhos da América Latina.

“Estamos perdendo a oportunidade de embarcar nesse trem que está passando”, afirmou Aguiar em entrevista à Bloomberg Línea. “A tecnologia está evoluindo tão rapidamente que cada um ou dois meses de atraso já nos colocam em uma nova era da inteligência artificial.”

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O executivo, que comanda as operações comerciais da companhia cujos semicondutores se tornaram o motor da revolução da IA no mundo, detalha que, embora o Brasil ancore o volume da região ao lado do México, economias menores têm mostrado maior agilidade regulatória para atrair investimentos e reter o capital humano de ponta, como Chile, Uruguai, El Salvador, Costa Rica, Equador, República Dominicana e Colômbia.

“Muito pela questão de burocracia. São países menores, é verdade, mas hoje, quando falamos em tecnologia, quanto mais agilidade, melhor”, diz o executivo, que está na companhia desde 2010.

Para Aguiar, o Brasil tem iniciativas importantes, mas que esbarram em questões de regulamentação e atrasam as tomadas de decisão estratégica.

O custo de oportunidade do impasse regulatório

Os prejuízos decorrentes da paralisia do Redata e do PBIA não são projeções para o futuro - eles já estão sendo contabilizados no balanço atual do ecossistema.

O plano nacional de IA foi anunciado em julho de 2024 com projeção de atrair R$ 23 bilhões em investimentos até 2028. Passados quase dois anos, o mercado ainda não viu a concretização de uma infraestrutura inicial pública que sirva de marco para o desenvolvimento de pesquisa aplicada.

Leia também: Ascenty investe US$ 1,2 bilhão para avançar em data centers para IA no Brasil

Já o Redata, criado a partir de uma Medida Provisória, caducou no Senado Federal após aprovação na Câmara dos Deputados. O programa previa a suspensão de tributos federais por até cinco anos para a compra de máquinas, equipamentos e componentes de tecnologia, em troca de compromissos das empresas para investimentos produtivos, sustentabilidade e ampliação da capacidade tecnológica instalada no país. A discussão tramita agora por meio de Projeto de Lei (PL).

Marcio Aguiar, da Nvidia: “A tecnologia está evoluindo tão rapidamente que cada um ou dois meses de atraso já nos colocam em uma nova era da inteligência artificial”

Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, os pedidos de conexão para novos projetos de data centers avançaram 330% entre 2024 e 2025. Em dezembro de 2025, o órgão contabilizava 28,5 GW de demanda solicitada para projetos previstos até 2038. O país conta atualmente com cerca de 205 data centers entre operação e projetos em construção, que somam mais de R$ 114,5 bilhões em investimentos estimados.

O principal impacto dessa inércia no andamento dos projetos, segundo o executivo da Nvidia, é a perda do capital humano mais valioso do setor. Sem projetos locais robustos, cientistas de dados, engenheiros de machine learning e pesquisadores de alta performance acabam migrando para oportunidades no exterior.

A falta de incentivos fiscais claros também gera um fenômeno de “arbitragem geográfica” por parte das corporações privadas brasileiras.

Diante da incerteza sobre quando os incentivos tributários do Redata serão efetivados, grandes companhias optam por alocar seus investimentos em capacidade computacional fora do território nacional, acessando a infraestrutura de nuvem remotamente.

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Dependência tecnológica externa

Entra nessa conta a manutenção do país estritamente como um consumidor de soluções prontas, ao invés de um produzir tecnologia de ponta — um padrão estrutural que se repete por toda a América Latina. Para o mercado, essa dinâmica limita a criação de propriedade intelectual local e mantém as empresas dependentes das oscilações de custos de provedores globais.

O movimento enfraquece a arrecadação interna de impostos de longo prazo e reduz a criação de empregos técnicos de alto valor agregado na base local. “Nós temos visto que países que instalaram ou que vêm instalando toda essa infraestrutura estão gerando novos empregos, aumentando o PIB, as receitas de impostos e tudo mais”, afirma Aguiar, descrevendo o processo virtuoso observado em outros mercados globais.

De acordo com o executivo, a aprovação de projetos de incentivo como o Redata abriria um dos melhores “cenários possíveis” para o país, que é frequentemente apontado por analistas como um dos destinos mais adequados do mundo para receber investimentos em centros de dados devido à sua matriz energética majoritariamente limpa e renovável.

“O impacto não seria ter somente a montagem física de um data center. O país cria novos empregos, novas capacidades e impulsiona a economia porque vai gerar vagas não só para cientistas de dados, mas também para pessoas que estarão envolvidas em todo esse processo de construção, operação e de manutenção do equipamento”, diz Aguiar.

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© Jason Alden

Data center: sem projetos locais robustos, cientistas de dados, engenheiros de machine learning e pesquisadores de alta performance acabam migrando para oportunidades no exterior, diz diretor da Nvidia. (Foto: Jason Alden/Bloomberg)

Novo caça Gripen F da Saab reforça programa de transferência tecnológica para o Brasil

2 de Junho de 2026, 11:32

A Saab apresentou nesta terça-feira (2) o primeiro Gripen F-39F destinado à Força Aérea Brasileira (FAB).

Trata-se da primeira unidade da versão biposto do caça supersônico desenvolvida em parceria com a indústria brasileira.

A aeronave representa um novo marco do programa Gripen no Brasil, que combina aquisição de aeronaves, transferência de tecnologia e participação da indústria nacional no desenvolvimento do projeto.

A Bloomberg Línea acompanhou a apresentação, que ocorreu nas instalações da fabricante sueca em Linköping, pouco mais de dois meses após a cerimônia de apresentação do primeiro Gripen E produzido no Brasil, realizada no complexo da Embraer em Gavião Peixoto (SP).

“Esse lançamento não teria sido possível sem o Brasil. Reflete anos de colaboração. Isso é sobre construir conhecimento para as gerações futuras. É a maior transferência de tecnologia já feita pela Saab e eu acredito que também no mundo todo”, disse o CEO da Saab, Micael Johansson, durante a cerimônia de lançamento.

Johansson também ressaltou que o modelo Gripen F é uma “plataforma adaptável para as tecnologias de amanhã, como por exemplo o uso de IA”.

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Enquanto o Gripen E é a versão monoposto destinada às operações regulares da FAB, o Gripen F incorpora um segundo assento e pode ser usado em missões mais complexas.

Segundo a Saab, a configuração biposto reduz o tempo necessário para a conversão operacional ao permitir treinamento diretamente na plataforma de combate.

O ministro da Defesa do Brasil, José Mucio Monteiro Filho, também participou da cerimônia de apresentação do Gripen F, e ressaltou a transferência tecnológica desse programa, que permite inovação e fortalece a indústria de defesa.

“É uma relação ganha a ganha, produz uma resultante que supera as capacidades isoladas de cada a um sozinho”, disse na cerimônia.

Ao todo, a aeronave possui capacidade de 10 pontos externos para armamentos, tem comprimento de 15,9 metros e 8,6 metros de largura. O modelo é cerca de 60 cm maior do que o Gripen E.

Apresentação do Gripen F, caça biposto desenvolvido com participação brasileira, em Linköping (Suécia) (Foto: Naiara Albuquerque/Bloomberg Línea)

O diferencial do Gripen F

Embora compartilhem a mesma plataforma, os mesmos sensores, sistemas e armamentos, as versões E e F foram projetadas para funções complementares.

O Gripen F mantém todas as capacidades operacionais do Gripen E, mas acrescenta um segundo cockpit (ou assento) para acomodar um instrutor ou um segundo operador de missão.

Segundo a companhia, em cenários mais exigentes, a presença de dois tripulantes possibilita distribuir tarefas e ampliar a consciência situacional durante a missão, e, por isso, é destinado para operações mais complexas.

“O Gripen F representa uma conquista compartilhada entre a Saab, a indústria brasileira e a FAB”, disse, em nota enviada à imprensa, Lars Tossman, chefe da área de negócios Aeronautics da Saab.

Leia também: ‘Negócio da guerra’: conflito com Irã gera US$ 28 bi a bilionários do setor de defesa

Segundo a Saab, o segundo tripulante também amplia o potencial da aeronave para funções de coordenação de missão e gerenciamento de sistemas conectados, incluindo futuras aplicações envolvendo plataformas ou veículos não tripulados.

(Da direita para a esquerda) General da força aérea brasileira, Marcelo Kanitz Damasceno, CEO da Saab, Micael Johansson, ministro da defesa do Brasil, José Mucio Monteiro, e o ministro da defesa da Suécia, Pal Jonson (Foto: Naiara Albuquerque/Bloomberg Línea)

Brasil como parceiro de desenvolvimento

A aeronave faz parte do contrato de cerca de R$ 5,4 bilhões assinado entre Brasil e Saab em 2013, durante o governo Dilma, para o fornecimento de 36 caças Gripen, sendo 28 unidades da versão E e oito da versão F. As entregas começaram em 2020 e 11 aeronaves já foram entregues à FAB.

Diferentemente de programas tradicionais de aquisição militar, o acordo brasileiro incluiu um amplo pacote de transferência de tecnologia e participação da indústria local.

O Brasil, por sua vez, participou diretamente do desenvolvimento do Gripen F, com o envolvimento de engenheiros da Embraer, e das empresas brasileiras Akaer e da AEL Sistemas em diferentes etapas do projeto.

O programa também capacitou engenheiros brasileiros na Suécia.

Em entrevista à Bloomberg Línea um dia antes do lançamento do Gripen F, Peter Dölling, presidente da Saab Brasil, explicou que os componentes produzidos no país já abastecem toda a linha global do Gripen, independentemente do cliente final.

De acordo com o executivo, a unidade brasileira alcançou níveis de qualidade e produtividade equivalentes aos da operação sueca, o que pode favorecer a transferência de novas etapas produtivas para o país.

Leia também: De polo automotivo a potência bélica: a virada industrial da Eslováquia com munições

“A fuselagem traseira, a fuselagem dianteira, os freios aerodinâmicos e o cone de cauda vão para todos os clientes”, disse.

Segundo executivos da Saab, as unidades do Gripen F serão produzidas, por ora, na Suécia, enquanto a produção brasileira segue concentrada inicialmente na versão monoposto Gripen E.

Produção no Brasil

A parceria entre Saab e Embraer tem avançado para além do desenvolvimento tecnológico.

Em 2023, as empresas inauguraram a linha de produção do Gripen em Gavião Peixoto, o que transformou o Brasil no único país fora da Suécia com uma linha de produção do Gripen.

O primeiro Gripen E produzido no país foi apresentado em março deste ano, e reforça a estratégia de nacionalização gradual da produção e de criação de uma base industrial capaz de prestar suporte à frota brasileira e a potenciais clientes internacionais.

Recentemente, a Colômbia assinou um acordo de US$ 4,3 bilhões para adquirir 17 caças Gripen E/F da Saab. Segundo executivos da empresa, o Brasil tem potencial de produzir a aeronave - ou ao menos partes dela - para o país vizinho. A previsão é que os aviões comecem a chegar na Colômbia em 2028.

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Segundo o Vice-presidente e diretor de marketing (CMO) da companhia, Mikael Franzén, um dos diferenciais do Gripen é a capacidade de preparação rápida entre missões.

“A linha Gripen é focada para uma resposta rápida de combate. Para que o avião retorne à base, abasteça e retorne ao ar”, disse o executivo em coletiva de imprensa com jornalistas em uma das sedes da empresa em Linköping.

A produção de cada aeronave leva aproximadamente três anos para ser concluída, e reflete a complexidade do processo de fabricação e integração de sistemas.

Próximos passos

Antes de ser entregue à FAB, o primeiro Gripen F passará por uma campanha de testes no Centro de Ensaios em Voo da Saab, na Suécia.

A versão F biposto já recebeu a confirmação de encomendas de outros clientes, incluindo Tailândia e Colômbia.

Nesta semana, porém, Suécia e Ucrânia informaram que avançaram nas negociações para que Kiev adquira um lote inicial de até 20 caças Gripen E/F, enquanto o governo sueco pretende doar até 16 aeronaves Gripen C/D às forças ucranianas se a compra das aeronaves for concretizada.

Segundo o último balanço financeiro divulgado pela empresa referente ao primeiro trimestre do ano, cerca de 72% da carteira de pedidos, ou backlog, ao fim de março estava associada a mercados internacionais.

Nos pedidos contratados no trimestre, mercados internacionais responderam por 59% do total, enquanto a Suécia representou os 41% restantes.

No trimestre, as vendas para a Suécia cresceram 23% em relação ao mesmo período do ano passado. Para a Europa, o aumento foi de 53%.

Para a América Latina, o aumento foi de 25%, seguido pela América do Norte, (+5%). Para a Ásia, a queda foi de 33%, e, para a África, de 17%.

Desde o início da invasão russa na Ucrânia houve um aumento significativo da demanda em relação à indústria de Defesa.

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Google Cloud planeja investimento no Brasil para apoiar expansão, diz CEO global

2 de Junho de 2026, 11:17

Pioneira na criação de uma região de nuvem no Brasil, o Google Cloud pretende continuar investindo no país para apoiar o seu crescimento depois que o país se tornou o seu hub de expansão mais acelerada no mundo, segundo Thomas Kurian, CEO global da companhia, que é o braço de nuvem do Google.

“Continuamos a expandir nossa presença em infraestrutura no Brasil à medida que a demanda por nossos serviços continua a crescer, e vocês nos verão expandir ao longo do tempo”, disse Kurian à Bloomberg Línea durante o Google Cloud Next 2026, evento organizado pela companhia no mês passado em Las Vegas.

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Os últimos anos foram marcados por anúncios de investimentos bilionários em data centers, em uma corrida entre provedores de serviços em nuvem, renovada à medida que a inteligência artificial avança no mercado.

Recentemente, empresas concorrentes informaram investimentos no Brasil e região. A AWS, da Amazon, prevê aplicar US$ 11 bilhões nos próximos anos, em projetos em países como Brasil, México e Chile.

Em janeiro, a Microsoft, dona da Azure, inaugurou dois data centers, como parte de um investimento de R$ 14,7 bilhões. Em paralelo, o TikTok também constrói um data center em Pecém, no Ceará, com previsão de investir de R$ 200 bilhões.

O CEO do Google Cloud não quis abrir os números dos investimentos no país, mas disse que o mercado nacional tem registrado um “crescimento enorme”.

A expansão é impulsionada por uma demanda que vai desde pequenas empresas até grandes corporações, como bancos, empresas de manufatura e empresas industriais no país. “Vocês nos verão continuar a investir e crescer no Brasil”, afirma.

Os investimentos no Brasil caminham em três dimensões. Além de infraestrutura, a companhia da Alphabet tem observado uma expansão no tamanho da operação, de acordo com Kurian.

“Agora, precisamos equilibrar a quantidade de pessoas que adicionamos com a qualidade dessas pessoas. Por isso, somos cuidadosos para não crescer rápido demais e acabar não tendo talentos de alta qualidade. Mas também estamos crescendo nessa área”, adicionou o executivo, no comando da operação desde 2018.

A terceira dimensão é onde o Google Cloud vê a maior oportunidade — e a maior demanda. Com a explosão de projetos de inteligência artificial, empresas brasileiras estão procurando o que Kurian chama de “forward deployed engineers”: profissionais super-especializados que entendem profundamente os produtos e sabem aplicá-los em contextos reais.

“Este ano, nós iremos expandir particularmente nesse domínio no Brasil porque há muita demanda por serviços de IA”, disse o CEO. O Google Cloud está recrutando e treinando engenheiros técnicos capazes de ajudar clientes a implementar soluções de IA — ou seja, não apenas vender a tecnologia, mas garantir que ela funcione.

A era agêntica

A expansão física e de talentos no Brasil ocorre em um momento de mudança de paradigma para o Google Cloud, que agora redefine sua estratégia global em torno da “empresa agêntica”.

Segundo Kurian, o mercado de nuvem superou a fase focada apenas em armazenamento para entrar em uma era onde sistemas unificados de dados e pessoas interagem via agentes de IA capazes de executar tarefas de forma autônoma.

Dados apresentados no Google Cloud Next 2026 pela companhia revelaram que 75% dos seus clientes já utilizam produtos de IA, e o volume de tokens processados por minuto via API saltou para 16 bilhões, ante 10 bilhões em dezembro.

Para sustentar essa infraestrutura, a Alphabet lançou a oitava geração de seus chips proprietários, os TPUs 8t e 8i, que entregam até o triplo do poder de processamento e uma eficiência por dólar 80% superior para a execução de milhões de agentes simultâneos.

A ofensiva é complementada por um robusto pilar de cibersegurança, fortalecido pela aquisição da Wiz por US$ 32 bilhões — a maior da história da Alphabet.

Com uma receita anualizada de US$ 70 bilhões em sua unidade de nuvem, o Google projeta que mais da metade de seu investimento em computação para machine learning em 2026 será destinado a produtos de nuvem, consolidando a integração entre infraestrutura de ponta e inteligência aplicada.

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A nova cesta de consumo GLP-1

2 de Junho de 2026, 06:51

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A expansão do uso de medicamentos análogos ao hormônio GLP-1, que favorece a perda de peso – conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” –, vem transformando a cesta de consumo.

No Brasil, quase metade da população relata estar tentando emagrecer em 2026, e 5,5% já usa medicamentos como Mounjaro ou Ozempic — proporção superior à média global de 3,7%, segundo um estudo da consultoria especializada Euromonitor.

O efeito colateral mais relatado é a redução no consumo de bebidas açucaradas, citada por 46% dos usuários. Outros 32% dizem sentir menos desejo por álcool, nicotina ou drogas ilícitas.

Com menos apetite e novos hábitos, esses consumidores estão redirecionando gastos para alimentos frescos, suplementos proteicos, produtos capilares e roupas esportivas.

“O conceito de bem-estar no varejo tem sido redefinido com o uso do GLP-1. Os impactos vão desde o foodservice até vestuário e beleza”, afirma a analista de pesquisa de food & nutrition da Euromonitor International, Adriana Murasaki, em entrevista à Bloomberg Línea.

⇒ Leia a reportagem: Uso de ‘canetas emagrecedoras’ no Brasil supera média global e muda cesta de consumo

Consumidores estão redirecionando gastos para alimentos frescos, suplementos proteicos, produtos capilares e roupas esportivas. (Foto: Gustavo Minas/Bloomberg)

No radar dos mercados

O rali das ações dos EUA foi interrompido, e a euforia em torno da inteligência artificial perdeu força, enquanto investidores avaliam as perspectivas de um fim para a guerra no Oriente Médio.

- Possível novo tarifaço contra o Brasil. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) concluiu uma investigação da seção 301 contra o Brasil, apontou o que vê como práticas comerciais injustas e propôs uma nova onda de tarifas de 25% sobre produtos exportados pelo país. A decisão sobre um novo tarifaço deve ser tomada pelo presidente Donald Trump.

- Blackstone avança na Ásia. A empresa de aquisições reuniu US$ 13,1 bilhões para um fundo de private equity na Ásia sem recorrer à sua plataforma global mais ampla. O avanço ultrapassa sua meta de US$ 10 bilhões e se soma a uma série de grandes fundos levantados pelos gigantes do setor na região.

- Alphabet e Berkshire ampliam aposta em IA. A controladora do Google captou US$ 80 bilhões por meio de um pacote de ofertas de ações, incluindo um acordo de investimento com a Berkshire Hathaway, para financiar gastos com inteligência artificial em um dos maiores negócios de ações de todos os tempos.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na segunda-feira (01/06): Dow Jones Industrials (+0,09%), S&P 500 (+0,26%), Nasdaq Composite (+0,42%), Stoxx 600 (-0,76%), Ibovespa (-0,91%)
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• Opinião Bloomberg: Copa do calor: torneio de futebol mostra como o clima extremo virou desafio ao esporte

• Para não ficar de fora: Panamá vai taxar em 15% empresas de fachada usadas por estrangeiros ricos

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Uso de ‘canetas emagrecedoras’ no Brasil supera média global e muda cesta de consumo

2 de Junho de 2026, 06:00

A expansão do uso de medicamentos análogos ao hormônio GLP-1, que favorece a perda de peso – conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” –, vem transformando a cesta de consumo.

No Brasil, quase metade da população relata estar tentando emagrecer em 2026, e 5,5% dos brasileiros já usam medicamentos como Mounjaro ou Ozempic — proporção superior à média global de 3,7%, segundo um estudo da consultoria especializada Euromonitor.

O efeito colateral mais relatado é a redução no consumo de bebidas açucaradas, citada por 46% dos usuários. Outros 32% dizem sentir menos desejo por álcool, nicotina ou drogas ilícitas.

Com menos apetite e novos hábitos, esses consumidores estão redirecionando gastos para alimentos frescos, suplementos proteicos, produtos capilares e roupas esportivas.

“O conceito de bem-estar no varejo tem sido redefinido com o uso do GLP-1. Os impactos vão desde o foodservice até vestuário e beleza”, afirma a analista de pesquisa de food & nutrition da Euromonitor International, Adriana Murasaki, em entrevista à Bloomberg Línea.

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Ela acrescenta que as canetas emagrecedoras estão catalisando um movimento que já estava para acontecer, de busca cada vez maior por produtos ligados ao conceito de bem-estar.

Leia mais: EMS diz que farmácia terá margem maior com 1ª caneta emagrecedora nacional

Outro fator que deve impulsionar esse mercado é a queda da patente da semaglutida (princípio ativo do Ozempic) no país, ocorrida no último mês de março.

A expectativa é que a chegada de genéricos e outros concorrentes ao segmento leve a uma redução significativa dos preços das canetas, favorecendo ainda mais as categorias de consumo ligadas à saúde e bem-estar.

Conforme o levantamento, os usuários de GLP-1 para perda de peso são majoritariamente das gerações Z e Millennial.

Murasaki aponta que há um crescimento do consumo de produtos de manutenção de peso e bem-estar, com os consumidores entrando mais cedo no funil de tratamento para sobrepeso e obesidade.

A analista destaca que, diferentemente do mercado dos Estados Unidos, a inovação em produtos voltados para consumidores de GLP-1 no Brasil tem mais espaço para categorias “fresh food” (comida fresca).

“As inovações precisam ser pensadas para esse público que não abre mão de uma refeição completa na hora do almoço.”

Diante da necessidade de ingestão mínima diária de proteína durante o tratamento com o medicamento, a consultoria vê espaço para demanda cada vez maior de suplementação em pó e líquida, com oportunidades de substitutos que tragam conveniência e adição de vitaminas e minerais específicos.

O impacto na alimentação também chegou ao segmento de foodservice (restaurantes). Segundo o estudo, os estabelecimentos do setor estão se posicionando para atender usuários de GLP-1 com experiências reduzidas em volume e preços, incluindo “rodízios”. Restaurantes ‘à la carte’ também reportam opções e adaptações com a mesma lógica.

Categorias de beleza

A Euromonitor aponta que a queda de cabelo como efeito colateral do consumo de GLP-1 deve influenciar a oferta de produtos voltados para esse tratamento, que antes eram restritos a categorias de preços mais elevados. Embora sem sinalizar isso no rótulo, essas indústrias já miram atingir um público mais amplo.

O efeito do uso de GLP-1 também influencia a indústria de vestuário. O estudo informa que, em 2023, o crescimento anual do segmento de roupas esportivas superou o registrado no mercado em geral, indicando não só o aumento da atividade física, mas a busca maior por um novo estilo de vida, avalia Murasaki.

A C&A inaugurou, na semana passada, a primeira loja independente da ACE, marca de roupas esportivas do grupo, no shopping Ibirapuera, na capital paulista.

A mesma tendência tem sido observada em calçados esportivos em comparação a calçados em geral.

“Devemos observar mudanças de hábitos de consumo não somente por parte de usuários de GLP-1, mas também daqueles que convivem com eles”, diz Murasaki.

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© Gustavo Minas

Consumidores estão redirecionando gastos para alimentos frescos, suplementos proteicos, produtos capilares e roupas esportivas. (Foto: Gustavo Minas/Bloomberg)

A inspiração na Brookfield no mercado imobiliário

1 de Junho de 2026, 06:49

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Quando Bruno Sindona lançou seus primeiros empreendimentos pela Sindona, no começo dos anos 2010, a estratégia era comprar terrenos que ninguém queria — imóveis com histórico familiar complicado, projetos abandonados no meio do caminho, negócios de empreendedores em dificuldade.

O primeiro da série era exatamente esse tipo de ativo: uma herança de problema, não de valor.

Mais de uma década depois, o mesmo diagnóstico que orientou aquela fase inicial está na base de uma virada muito mais ambiciosa.

A Sindona Desenvolvimento está sendo reestruturada para operar como uma desenvolvedora de ativos complexos urbanos — com portfólio que vai de data centers a projetos de uso misto, passando por retrofit de edifícios comerciais reconvertidos em residenciais.

“No Brasil, o desenvolvimento e a incorporação são negócios tradicionalmente separados. O mercado financeiro faz operação de dívida com as incorporadoras mas não necessariamente entende o negócio. A gente quer ser algo no meio do caminho, próximo ao que hoje faz a Brookfield”, afirmou Bruno Sindona em entrevista à Bloomberg Línea.

⇒ Leia a reportagem: Inspirada na Brookfield, Sindona muda foco para projetos imobiliários complexos

Construção de edifício comercial em São Paulo: Sindona quer aplicar modelo da canadense Brookfield no país. (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)

No radar dos mercados

O trade de inteligência artificial obteve novos ganhos na segunda-feira (1º), o que permitiu que as ações globais ignorassem a alta dos preços do petróleo enquanto EUA e Irã continuaram em um impasse sobre um acordo de paz.

- Primeira grande compra de Greg Abel. A Berkshire Hathaway vai adquirir a Taylor Morrison Home em um negócio de cerca de US$ 6,8 bilhões na primeira grande aquisição sob o comando do CEO Greg Abel e um voto de confiança no mercado imobiliário dos EUA. É a maior compra desde que a Berkshire comprou os negócios petroquímicos da Occidental Petroleum em janeiro.

- Novo líder no mercado japonês. O SoftBank Group ultrapassou a Toyota Motor como a empresa mais valiosa do Japão, um marco para o boom global da inteligência artificial e uma remodelação da hierarquia corporativa do país. As ações do grupo de tecnologia liderado por Masayoshi Son subiram 14% nas negociações de Tóquio.

- Diesel mais barato no Brasil. A Petrobras reduziu os preços domésticos do diesel como parte de um programa de subsídios do governo para proteger os consumidores dos impactos da guerra no Oriente Médio. A estatal informou que reduzirá seu preço médio de venda do diesel às distribuidoras em R$ 0,3515 por litro, diminuindo o preço em 9,6%, para R$ 3,30 por litro.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

Os mercados nesta segunda-feira (1º)
🔘 As bolsas na sexta-feira (29/05): Dow Jones Industrials (+0,72%), S&P 500 (+0,22%), Nasdaq Composite (+0,21%), Stoxx 600 (+0,42%), Ibovespa (-0,73%)
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• Para não ficar de fora: Brasil tem status de ‘mercado local’ para Almaviva, vinho ícone do Chile, diz enólogo

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Mais Mu e Plamev Pet são as primeiras PMEs a obter registro em novo regime da CVM

29 de Maio de 2026, 17:49

Duas pequenas empresas brasileiras tornaram-se nesta semana as primeiras a obter registro no Regime Fácil, novo marco regulatório que abre o mercado de capitais para companhias de menor porte, segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e a BEE4, plataforma de negociação voltada a empresas emergentes.

Atualmente a BEE4 conta com quatro companhias listadas (Mais Mu, Plamev Pet, Engravida e Eletron Energia).

A Mais Mu, fabricante de suplementos e snacks, e a Plamev Pet, empresa independente de planos de saúde para animais do Brasil, conquistaram o registro na Categoria A, a mais completa do sistema, que autoriza a emissão tanto de ações quanto de dívida.

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Fundada em 2014, a Mais Mu tem portfólio de mais de 60 produtos nas linhas de proteínas, baixo açúcar e plant based, e faturou R$ 111,1 milhões em 2025, segundo a BEE4. O registro foi concedido pela CVM na última quinta-feira (28), um dia depois da Plamev Pet.

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A operadora de planos de saúde para pets, fundada em 2013 em Minas Gerais, atua no segmento preventivo para cães e gatos, e se apresenta como o maior player independente desse nicho de planos de saúde veterinários, num mercado nacional que movimentou R$ 75,4 bilhões em 2024 e transformou o Brasil no terceiro maior mercado pet do mundo, segundo a Abinpet, associação do setor.

Os dois setores (alimentos funcionais e saúde animal) estão entre os de maior crescimento no consumo brasileiro, impulsionados pela valorização do bem-estar humano e pelo avanço da chamada humanização dos pets.

A Mais Mu tem uma trajetória relevante na BEE4: realizou uma oferta pública pulverizada na plataforma, recebeu investimento de um fundo da British American Tobacco (BAT) e acumula quase mil pessoas físicas como acionistas minoritários. Em março, foi protagonista da primeira oferta pública de notas comerciais sob o Regime Fácil, com operação de renda fixa estruturada pelo Itaú BBA.

O que é o Regime Fácil

O Regime Fácil, em vigor desde 16 de março, simplifica o acesso ao mercado de capitais para empresas de menor porte.

Companhias com faturamento até R$ 500 milhões podem captar até R$ 300 milhões por ano. Os custos de abertura de capital, que no mercado tradicional chegam a R$ 10 milhões, caem para entre R$ 300 mil e R$ 400 mil.

Para operacionalizar o novo marco, a BEE4 lançou em março quatro produtos com diferentes níveis de complexidade e custo.

O mais simples, o BEE4 Go, não exige que a empresa abra capital. Os demais (Traction, Direct e Classic) permitem emissões de dívida ou ações com graus crescentes de estrutura regulatória. As liquidações são processadas pela Núclea, maior infraestrutura bancária do país.

Vencedores de reality show

A chegada das duas empresas a esse patamar tem uma história anterior ao próprio regime. Ambas foram listadas na BEE4 ainda durante o período de sandbox regulatório da CVM, um ambiente experimental para testar modelos inovadores sob regras provisórias.

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A plataforma também promoveu o Rota Fácil, reality show exibido no canal BM&C News que selecionou dez PMEs para receber cerca de R$ 500 mil cada em subsídios para listagem. As vencedoras, anunciadas em 22 de abril, foram 3e Soluções, Dimatelas, Glux, Grupo RÃO, Safertrip, Sementes Esperança, Stoque, Tutors, Vapza e Vellore.

“A BEE4 foi pioneira propondo e testando as regras para viabilizar a listagem de PMEs no mercado de capitais, que culminaram no Regime Fácil”, disse Patricia Stille, CEO da BEE4, em nota enviada em março.

Em abril, a plataforma recebeu como investidora a IFC (International Finance Corporation), braço de investimentos privados do Grupo Banco Mundial, num movimento que sinaliza o reconhecimento internacional do modelo.

O registro das duas empresas formaliza essa trajetória e abre uma porta para fundos de investimento que administram aproximadamente R$ 2,5 trilhões em crédito privado no país, mas só podem comprar crédito de companhias registradas como de capital aberto na CVM.

Hoje apenas 700 empresas no país têm esse registro, segundo disse Rodrigo Fiszman, chairman da BEE4, à Bloomberg Línea em janeiro.

Empresas com faturamento relevante, mas distante do porte exigido para abrir capital na bolsa tradicional, passam a contar com uma rota estruturada para captar recursos, diversificar fontes de financiamento e reduzir a dependência do crédito bancário, segundo o executivo.

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Equipe da Mais Mu toca a campainha para celebrar a listagem na BEE4 durante o período de sandbox da CVM em julho de 2023. (Foto: Divulgação/BEE4)

Mudança estrutural no escritório: home office e juros levam obras à mínima em 25 anos

29 de Maio de 2026, 10:15

O volume de novos escritórios em construção atingiu o menor nível em 25 anos nas Américas, diante do avanço do sistema híbrido de trabalho, juros elevados e maior cautela das empresas acerca da expansão imobiliária, segundo o estudo Office Fit Out Cost Guide 2026, da Cushman & Wakefield.

A redução drástica na construção de novos espaços marca uma transformação estrutural no setor, com impactos que se estendem desde os grandes centros norte-americanos até os mercados emergentes da América Latina.

“O cenário projetado para 2026 indica a continuidade de um ambiente de pressão de custos, ainda que com avanço mais moderado do que nos anos de pico inflacionário”, afirma a diretora de Project & Development Services para América Latina da Cushman & Wakefield, Fernanda Machado, em entrevista à Bloomberg Línea.

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A metodologia do estudo abrange 59 mercados nas Américas, incluindo Canadá, Estados Unidos e México, com dados referentes a 2026, coletados de empresas da construção civil sobre as expectativas de custos.

A métrica utilizada é pé quadrado (sqft, e não m²), para efeitos de comparação com mercados como Estados Unidos. Um metro quadrado equivale a 10,7 pés quadrados.

Conforme o levantamento, o Brasil se mantém como um dos mercados mais competitivos da região em termos de preços do pé quadrado, com custo médio de US$ 79.

Isso ocorre em meio à pressão crescente de custos de construção no país, que subiram 50% em relação a 2025, impulsionados por recomposição inflacionária, ajustes na cadeia de fornecedores e fatores cambiais. Somente os custos de acabamentos em geral tiveram crescimento de 177% no período.

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O valor médio registrado no Brasil só fica atrás, em termos de competitividade de preços, da Argentina (US$ 57). Estes países, assim como Colômbia, Chile e Peru registraram preços bem abaixo daqueles reportados nos mercados com custos mais caros.

Estes seguem concentrados nos Estados Unidos, especialmente na Costa Oeste, com destaque para São Francisco (US$ 228), San Jose (US$ 224) e Seattle (US$ 223).

O relatório aponta que os custos elevados nessas metrópoles dos Estados Unidos são impulsionados por custos de mão de obra; forte presença sindical; requisitos rigorosos de códigos de construção e energia; padrões de conformidade sísmica e despesas operacionais e de seguros consistentemente altas.

Segundo Machado, fatores estruturais seguem influenciando o mercado, com a reconfiguração das cadeias de suprimento, impactos de políticas comerciais e tarifas e aumento da complexidade dos projetos, o que inclui tecnologia, exigências de ESG e eficiência energética.

Embora alguns mercados apresentem focos de demanda forte, a atividade geral de construção permanece reprimida. As empresas consultadas não esperam declínio dos custos de materiais ou mão de obra nos próximos seis meses.

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Diante dos preços de insumos crescentes e desaceleração da atividade, uma parcela crescente das construtoras acredita que haverá absorção de parte do aumento de custos, sem a possibilidade de repasse para os clientes.

Os custos médios de implantação de escritórios atingiram US$ 149 por pé quadrado, um aumento de 5,5% em relação ao relatório de 2025. O avanço se alinha com as tendências de inflação local, embora alguns mercados tenham divergido notavelmente.

Neste contexto, Machado alerta que há uma disponibilidade menor de novos espaços. Em paralelo, é necessário que haja uma adaptação dos escritórios às novas exigências de trabalho híbrido, bem como uma busca por maior eficiência de custos e prazos.

“Além disso, há um direcionamento claro do mercado para reforma e atualização de portfólios existentes, em vez de expansão via novos desenvolvimentos, especialmente em mercados mais maduros”, destaca.

Na prática, afirma a executiva, o retrofit deixa de ser uma solução pontual e passa a ser uma estratégia central de investimento imobiliário corporativo.

Ela afirma que muitas empresas têm priorizado a ocupação e requalificação de ativos existentes, especialmente em edifícios classe A.

Oportunidades

O levantamento da Cushman aponta que, no Brasil, os custos estruturais devem permanecer baixos em relação ao resto da região, com mão de obra acessível e regulação menos complexa.

A reutilização de espaços reduz custos e acelera entregas, bem como o retrofit e a modernização têm grande potencial para readequação de escritórios existentes.

Segundo o estudo, 79% das construtoras esperam novos aumentos de custos de mão de obra e materiais nos próximos seis meses. Materiais estratégicos (cobre, concreto, componentes elétricos) seguem pressionados globalmente.

Para a consultoria, há um novo paradigma neste mercado, com o escritório deixando de ser uma despesa e passando a ser investimento estratégico, ao equilibrar experiência, produtividade e eficiência financeira.

“O mercado está migrando de um ciclo de ‘choque inflacionário’ para um contexto de custo estruturalmente mais elevado e mais complexo de gerenciar”, diz Machado.

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Região comercial de São Paulo: Brasil registra um dos menores custos de construção das Américas (Foto: Bloomberg)

O plano da L’Occitane para triplicar sua marca brasileira

29 de Maio de 2026, 06:28

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A L’Occitane pretende triplicar o tamanho da operação de sua marca local no Brasil nos próximos três anos e dobrar o número de lojas até 2028.

A marca com foco no país, a L’Occitane au Brésil, cresceu mais de 37% desde 2023, e já responde por cerca de 60% da receita da multinacional francesa de cosméticos em território brasileiro, segundo André Abramo, CMO da empresa no país.

“Não é só loja que a gente vai amplificar. A gente tem uma estratégia muito grande de omnicanalidade”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.

A expansão se insere em uma estratégia maior do grupo no país, que opera sob duas lógicas distintas que se complementam.

De um lado, a L’Occitane au Brésil é a marca presente em diversas redes de shoppings, que busca ganhar escala, com expansão de lojas, novos canais de venda e maior presença no varejo de rua.

De outro, a L’Occitane en Provence passa por um reposicionamento para reforçar a percepção de marca importada, de nicho e de maior valor agregado.

⇒ Leia a reportagem: Na L’Occitane, rede au Brésil já é 60% do negócio no país. A meta é triplicar operação

Marca responde por cerca de 60% da receita do grupo no país, enquanto a L’Occitane en Provence representa os outros 40%. (Foto: Divulgação/L'Occitane Group)

No radar dos mercados

As ações dos EUA mantiveram-se estáveis em seus máximos históricos, enquanto investidores aguardam para ver se Washington e o Irã finalmente conseguiriam fechar um acordo de paz e restaura. O petróleo bruto Brent caiu para US$ 93 por barril e caminha para sua maior queda mensal desde o início da pandemia.

- Acordo preliminar entre EUA e Irã. Os dois países chegaram a um acordo preliminar para estender o cessar-fogo por 60 dias e discutir o futuro do programa nuclear de Teerã, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto ouvida pela Bloomberg News. O presidente Donald Trump ainda não concordou com os termos.

- PCC e CV classificados como terroristas. Os EUA vão classificar as duas principais facções criminosas do Brasil como organizações terroristas, em uma medida que tende a reacender as tensões entre Donald Trump e Lula. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou nesta quinta-feira (28) que os EUA aplicarão a classificação ao Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho.

- Queda do minério de ferro. O mineral caminha para a primeira queda mensal desde fevereiro, depois de uma breve recuperação desencadeada por um acidente em uma mina de carvão na China. Os contratos futuros de minério de ferro de Cingapura caíram 1,2% em maio. O mercado ainda avalia o impacto sobre as margens do aço de um aumento nos preços do carvão de coque depois que a explosão da mina cortou parte do fornecimento.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

Abertura 29/05/2026
🔘 As bolsas ontem (28/05): Dow Jones Industrials (+0,05%), S&P 500 (+0,58%), Nasdaq Composite (+0,91%), Stoxx 600 (+0,49%), Ibovespa (-0,39%)
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🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Bonds da Raízen disparam com termos do acordo de reestruturação extrajudicial

Nova fase da Carbono Oculto investiga uso de fintechs pelo crime organizado

Inter aposta em linhas de crédito com garantias em cenário de juro alto, diz CEO

• Também é importante: Galapagos vê ‘fit’ com público da JHSF e abre casa de arte no mall do Boa Vista | Na Rocca, produção familiar de leite vira marca premium com meta de faturar R$ 32 mi

• Opinião Bloomberg: Ricos e odiados: violência contra CEOs expõe crise de confiança no capitalismo dos EUA

• Para não ficar de fora: ChatGPT da polícia: brasileira Pax atrai capital dos EUA com IA para segurança pública

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Na L’Occitane, rede au Brésil já é 60% do negócio no país. A meta é triplicar operação

29 de Maio de 2026, 06:00

A L’Occitane pretende triplicar o tamanho da operação de sua marca local no Brasil nos próximos três anos e dobrar o número de lojas até 2028.

A marca com foco no país, a L’Occitane au Brésil, cresceu mais de 37% desde 2023, e já responde por cerca de 60% da receita da multinacional francesa de cosméticos em território brasileiro, segundo André Abramo, CMO da empresa no país.

“Não é só loja que a gente vai amplificar. A gente tem uma estratégia muito grande de omnicanalidade”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea. “As revendedoras ajudam muito em penetrações em lugares como Sul da Bahia e interior do Norte, onde é mais difícil ter algum tipo de loja.”

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A expansão se insere em uma estratégia maior do grupo no país, que opera sob duas lógicas distintas que se complementam.

De um lado, a L’Occitane au Brésil é a marca presente em diversas redes de shoppings, que busca ganhar escala, com expansão de lojas, novos canais de venda e maior presença no varejo de rua.

De outro, a L’Occitane en Provence passa por um reposicionamento para reforçar a percepção de marca importada, de nicho e de maior valor agregado.

“A au Brésil deve penetrar muito mais no mercado brasileiro, tanto com loja, ponto de venda, como com produto também. Para Provence a estratégia é ser grande dentro de um nicho. É focada em nicho e é para ser assim”, disse o executivo.

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A L’Occitane au Brésil tem 350 lojas no país, incluindo franquias, que representam cerca de 45% da base. A en Provence, por sua vez, opera com 105 lojas e quase toda a operação sob controle direto do grupo, com poucas franquias.

Segundo Abramo, a L’Occitane au Brésil conversa com uma consumidora mais jovem, entre 18 e 30 anos, de classe B e C aspiracional, mais exposta a tendências digitais e redes sociais.

Já a en Provence mira uma mulher acima de 30 anos, de renda mais alta, e com maior disposição a pagar por produtos importados e experiências de loja.

au Brésil em busca de escala

Criada em 2013, a L’Occitane au Brésil foi desenhada para adaptar a lógica da marca francesa ao mercado brasileiro, segundo o executivo. Ou seja, passou a usar ingredientes locais e a focar no apelo sensorial e em uma narrativa ligada à natureza.

No TikTok, por exemplo, é possível encontrar publicações acerca dos produtos da marca, como a geleia corporal de romã, que se tornou um fenômeno de vendas com impulso das redes sociais.

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Abramo explica que os body splash - tipo de colônia suave - e perfumes são os carros-chefe da marca, seguidos por produtos corporais, como hidratantes, manteigas e itens de banho.

A próxima aposta da companhia para a marca será no setor de cabelo. A empresa prepara uma entrada ainda este ano, com uma linha que deve incluir shampoo, condicionador e óleo capilar, segundo o executivo.

(Fonte: Divulgação)

Segundo o executivo, esta é a segunda categoria que mais cresce no mercado brasileiro de beleza, atrás apenas de fragrâncias.

“O que vem para crescer é cabelo”, disse Abramo. “A L’Occitane Brasil quer se posicionar como uma marca que tem produtos para entrar nesse circuito de consumo capilar da consumidora brasileira.”

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A estratégia também inclui uma campanha para reforçar a identidade híbrida da marca: francesa de origem, mas construída em torno da brasilidade, explica.

“Não somos uma marca brasileira, mas escolhemos o Brasil para ser nossa casa”, afirmou. “Temos investido no Brasil, colocando dinheiro aqui, em fábrica, em loja.”

A expectativa da marca é que a L’Occitane au Brésil se torne uma das três principais marcas, ao lado da L’Occitane en Provence e de Sol de Janeiro, segundo Abramo.

De acordo com o executivo, há planos de exportação da marca para outros países da América Latina. Mas o foco, no momento, está em consolidar a operação no Brasil.

en Provence e o foco no premium

Na L’Occitane en Provence no Brasil, o foco está na tendência de premiumização. A marca, que completa 50 anos e está presente em 90 países, o objetivo é manter avanço anual de 10% a 12% no mercado premium, segundo Abramo.

A expectativa é não ampliar a distribuição de maneira agressiva.

“A diferença de Provence não é nem tanto crescimento de venda, é posicionamento na cabeça do consumidor”, afirmou. “A gente quer estar na disponibilidade mental desse consumidor Triple A e premium.”

(Foto: Divulgação)

A companhia se prepara para reformar de 15 a 20 lojas da en Provence no Brasil neste ano, com investimento superior a R$ 5 milhões, segundo o executivo.

Uma das unidades reformadas foi a do JK Iguatemi, em São Paulo, vista como vitrine do novo conceito.

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Ao contrário da L’Occitane au Brésil, a en Provence não deve abrir novas lojas com franqueados, salvo exceções antigas fora de São Paulo.

Abramo explica que a gestão própria permite investimentos menos orientados ao retorno imediato e mais ligados à construção de marca.

“Quando você tem uma loja onde controla 100% das operações, consegue fazer investimentos pensando em posicionamento”, disse.

A en Provence também vai abrir 16 Beauty Care Rooms no país neste ano. São salas dentro das lojas para tratamentos faciais de uma hora, por um valor que pode ser revertido em produtos da marca.

A iniciativa busca aproximar a marca de uma consumidora de mais de 30 anos, de alta renda, interessada em skincare e menos dependente de tendências de redes sociais.

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A mudança responde a uma fragilidade percebida pela própria empresa: a marca ainda é mais associada a fragrâncias, presentes e produtos corporais do que a tratamento facial.

Abramo cita a linha Immortelle, comparada por ele ao retinol, como exemplo de tecnologia que a companhia pretende comunicar melhor.

Na comunicação, a en Provence também passa por adaptação local.

O lançamento global da linha de fragrâncias Flora Orchestra, por exemplo, foi ancorado em produto em mercados como Europa e Estados Unidos; no Brasil, a companhia trouxe a atriz Bruna Lombardi para liderar a campanha.

“A gente vem fazendo uma tropicalização da comunicação internacional para o Brasil”, disse Abramo.

A estratégia, portanto, é a de ampliar a relevância da marca dentro de um nicho.

A aposta de Abramo é que as duas marcas cresçam por caminhos diferentes: uma pela capilaridade; a outra, pela percepção de valor.

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© Divulgação/L'Occitane Group

Marca responde por cerca de 60% da receita do grupo no país, enquanto a L’Occitane en Provence representa os outros 40%. (Foto: Divulgação/L'Occitane Group)

Oncoclínicas contrata BTG como formador de mercado e avalia recuperação extrajudicial

28 de Maio de 2026, 10:32

A Oncoclínicas (ONCO3) contratou o BTG Pactual como formador de mercado, com a tarefa de sustentar a liquidez de suas ações no momento em que o mesmo banco atua como representante legal da MAK Capital, o fundo americano que lidera a pressão por mudanças no comando da empresa de oncologia em troca de um aporte de R$ 500 milhões.

O arranjo coloca uma única instituição financeira em dois papéis simultâneos dentro de uma companhia mergulhada na pior crise desde sua estreia na bolsa.

A decisão, confirmada pela Oncoclínicas, substitui o Citigroup, que exercia a função de formador de mercado desde a abertura de capital, em 2021, e se soma a uma guerra societária que acaba de chegar à CGU (Controladoria-Geral da União).

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A companhia afirma que não tem conhecimento de eventual proposta de capitalização de R$ 500 milhões e que a recuperação extrajudicial, instrumento que permite renegociar dívidas com credores fora do rito completo da Justiça, “permanece em avaliação no âmbito das discussões conduzidas pela Administração e seus assessores”.

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A urgência tem prazo. A empresa obteve em abril uma tutela cautelar que suspende o vencimento antecipado de suas dívidas e segura a execução por credores, proteção que vale até junho. O esgotamento desse prazo é o que torna a recuperação extrajudicial uma hipótese cada vez mais concreta.

O novo contrato com o BTG entra em vigor enquanto a companhia tenta provar ao mercado que ainda controla seu próprio destino, mesmo cercada por credores, fundos e investidores que disputam a rede de tratamento de câncer.

A representação foi protocolada pela Abraicc, associação que reúne acionistas minoritários, na CGU, órgão do governo federal responsável por fiscalizar a integridade e a conduta na administração pública, confirmou à Bloomberg Línea o advogado Felipe Demori, que representa os minoritários.

O documento está ligado à disputa sobre a obrigatoriedade de uma oferta pública de aquisição, a OPA, que tramita na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), reguladora do mercado de capitais. A Abraicc levou à CGU questionamentos sobre a forma como o caso tem sido conduzido perante as instâncias de controle.

A movimentação revela uma base acionária fragmentada e um controle cada vez mais disputado. De um lado, a Centaurus resiste à OPA que os minoritários cobram. De outro, a MAK Capital, representada no Brasil pelo BTG, pressiona por uma reforma no conselho como condição para colocar dinheiro na empresa.

No meio, a companhia tenta conter credores e evitar uma reestruturação que o mercado já trata como provável.

Fim do estoque dos medicamentos

O tempo, porém, corre contra a Oncoclínicas dentro das próprias clínicas. Em carta ao conselho eleito em 30 de abril, o corpo clínico alertou que o estoque de medicamentos garantido pelo último aporte dura apenas mais algumas semanas e que a escassez recorrente já compromete a segurança dos pacientes, segundo o documento visto pela Bloomberg Línea.

A pressão financeira, nesse caso, deixou de ser apenas um problema de balanço e passou a afetar o tratamento contra o câncer.

A troca do formador de mercado se encaixa nesse mosaico. O contrato com o Citigroup foi encerrado no mês passado, e o BTG assumiu com a missão formal de fomentar a negociação dos papéis na B3, segundo o comunicado divulgado pela companhia.

A presença do banco como guardião da liquidez ganha peso porque ele também representa, no Brasil, a MAK Capital, que detém pouco mais de 6% do capital e condiciona o aporte a uma ampla reforma na governança.

Já o esclarecimento sobre a proposta de R$ 500 milhões veio em resposta a um ofício da CVM sobre reportagem do Valor Econômico, que noticiara a busca por essa capitalização como parte de um plano de recuperação extrajudicial.

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No comunicado, assinado pelo diretor financeiro e de relações com investidores, Isaac Quintino da Silva, a companhia afirmou não ter conhecimento de proposta nesse valor nem de definições sobre operação dessa natureza.

As conversas com credores são conduzidas pela BR Partners, contratada como assessoria financeira, e permanecem em estágio preliminar, sem definição sobre alongamento de prazos ou descontos, segundo comunicado da Oncoclínicas.

Procuradas pela reportagem, Oncoclínicas, BR Partners e MAK Capital não comentaram. A empresa acumula prejuízo crescente, alavancagem considerada insustentável pela Fitch, e as ações desvalorizam 35,6% no ano e 64% em 12 meses.

Esse cenário se desenhou depois que depois que Porto Seguro (PSSA3) e Fleury (FLRY3) deixaram a mesa no mês passado, quando chegaram a negociar a criação de uma nova empresa que absorveria parte das clínicas e bilhões em dívida do grupo, mas desistiram, deixando a proposta da MAK como a alternativa mais concreta sobre a mesa.

Entre as opções estudadas para aliviar o caixa está a venda de ativos. A companhia busca comprador para um hospital no Rio de Janeiro, depois que a Hapvida recuou da operação, e avalia desinvestimentos em outras unidades, incluindo cancer centers, os centros que concentram diagnóstico, quimioterapia e radioterapia num mesmo complexo.

No plano societário, o pedido de OPA dos minoritários já deixou a área técnica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e foi encaminhado ao Colegiado para julgamento.

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Unidade da Oncoclinicas no Rio: empresa obteve em abril uma tutela cautelar que suspende o vencimento antecipado de suas dívidas e segura a execução por credores, proteção que vale até junho. (Foto: Divulgação/Oncoclínicas)

Na Rocca, produção familiar de leite vira marca premium com meta de faturar R$ 32 mi

28 de Maio de 2026, 09:54

Em meio às dificuldades típicas da cadeia do leite, como custos elevados e margens apertadas, Rosi Barbosa e Raphael Figueiredo decidiram transformar a produção da fazenda da família em uma marca própria de doce de leite.

A aposta deu origem em 2014 à Rocca, marca criada na Fazenda Zé Pequeno, em Pouso Alegre, Minas Gerais que faturou R$ 24 milhões em 2025.

Há mais de 60 anos na atividade leiteira, os pais de Rosi já haviam fornecido para grandes fabricantes de laticínios, como a Vigor.

Com o aumento dos custos e a pressão sobre as margens do setor, a família passou a buscar alternativas de maior valor agregado dentro da própria fazenda.

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Foi desse movimento que nasceu a Rocca, marca de doce de leite criada pelo casal Barbosa e Figueiredo, que saiu de um investimento inicial de cerca de R$ 20.000 para um faturamento na casa dos milhões de reais.

“Vimos uma oportunidade de sair da commodity do leite e transformar aquilo em marca”, disse Rosi Barbosa à Bloomberg Línea. Segundo a fundadora da Rocca, o segmento de doce de leite ainda era pouco explorado sob a lógica de construção de marca e posicionamento mais premium.

Para este ano, a expectativa é atingir R$ 32 milhões em receita, enquanto a empresa amplia a capacidade industrial e inicia os trâmites com foco na exportação do produto. Segundo os fundadores, a empresa operou com margem Ebitda de cerca de 38% no ano passado.

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A empresa produz cerca de duas toneladas de doce de leite por dia em uma operação que conta com 40 pessoas, segundo a empresária. O negócio da marca, localizado na fazenda da família, reúne curral, o polo industrial para a produção de doce de leite e o escritório.

Os pais de Rosi produzem leite há mais de 60 anos e já forneceram para grandes laticínios

A trajetória da Rocca acompanha um movimento que tem ganhado espaço no agro brasileiro: o retorno de jovens ao interior que veem no campo a possibilidade de criar novos negócios a partir da atividade familiar.

“Quando a gente veio e voltou, acho que trouxemos uma vida nova para a fazenda”, disse Rosi.

Como tudo começou

O início da operação de doce de leite começou de forma improvisada, conta Barbosa.

Mas, antes do doce de leite, e da produção de leite em si, foi a geleia de frutas que a sua mãe e o irmão começaram a produzir. Uma possibilidade de mercado que, inclusive, Rosi vislumbra para o futuro da marca:

“Eu, até, por uma questão emocional, me imagino fazendo geleia. Que é um produto que minha mãe fazia e temos muito respeito. Mas por enquanto é apenas um sonho”, conta ela, emocionada.

(Foto: Divulgação)

O primeiro investimento para a construção da Rocca foi a compra de um tacho de aproximadamente R$ 20.000. Segundo os fundadores, o negócio começou com pouca experiência industrial e praticamente sem capital de giro.

“Compramos o tacho sem saber fazer doce de leite”, disse Raphael.

O tacho é uma espécie de grande panela onde é usado para cozinhar o leite com açúcar na produção de doce de leite.

A formulação da marca levou cerca de um ano até chegar ao produto final e o que pode ser comprado nas prateleiras dos mercados.

A proposta, conta Raphael, era desenvolver um doce de leite com validade mais longa sem recorrer a espessantes ou ingredientes artificiais. Segundo os fundadores, a receita para os produtos é feita apenas com leite e açúcar.

O avanço da marca coincidiu com a expansão do mercado de alimentos premium e artesanais no varejo alimentar. Hoje, a Rocca está presente em redes como Pão de Açúcar, St Marche, Swift, Casa Santa Luzia e VerdeMar, com maior concentração no Sudeste.

A empresa também ampliou o portfólio para outros sabores além do tradicional, que é campeão de vendas. Hoje, a marca oferece variações com café, pistache, avelã e cacau, além de ter expandido a atuação para o segmento de foodservice.

(Foto: Divulgação)

Inicialmente voltada para confeitaria, a frente acabou encontrando demanda maior nas sorveterias, segmento que ajudou a reduzir a sazonalidade típica do consumo de doces, mais forte nos meses de inverno, segundo os fundadores.

A Rocca fornece produtos para redes como The Best e passou a desenvolver collabs (colaborações) com marcas do setor de sorvetes.

Produção de leite na fazenda

Ao mesmo tempo em que expandia a operação industrial, a família deu início a uma reestruturação da produção leiteira da fazenda.

O irmão mais novo de Rosi, Romero Barbosa, engenheiro agrônomo, tornou-se sócio do negócio de leite e liderou a modernização do manejo do rebanho.

Essa mudança foi realizada há cerca de cinco anos, quando a família adotou o sistema de compost barn, modelo de confinamento voltado para ganho de produtividade e conforto térmico das vacas. A estrutura inclui ventilação, umidificação e manejo voltado ao gado holandês - uma vez que o calor impacta diretamente sobre a produtividade dos animais.

Com o compost barn, a produtividade média saiu de cerca de 11 litros por vaca para aproximadamente 35 litros diários por animal.

Hoje, o rebanho soma cerca de 100 cabeças, com aproximadamente 50 vacas em lactação. A produção diária passou de cerca de 170 litros para 1.500 litros.

A produção própria da fazenda ainda responde por uma parcela minoritária da demanda da fábrica. Segundo os fundadores, a Rocca processa entre 5.000 e 10.000 litros de leite por dia.

Todo o leite produzido na fazenda é destinado à Rocca, mas a empresa também compra matéria-prima de produtores da região.

Os investimentos na operação leiteira somaram aproximadamente R$ 1 milhão ao longo dos últimos anos, incluindo genética e infraestrutura.

A expansão da parte industrial do complexo localizado na fazenda também exigiu novos investimentos. A empresa saiu de um único tacho de 150 litros para quatro equipamentos de 2 mil litros cada.

A operação funciona das 3h às 21h, e a companhia afirma ter espaço para ampliar novamente a capacidade produtiva.

No fim de 2024, dez anos após o início da marca, a Rocca investiu cerca de R$ 2 milhões na ampliação da fábrica, incluindo envasadora, caldeira e novos equipamentos industriais.

O próximo passo é a obtenção do selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), considerado necessário para iniciar a exportação. A empresa mira inicialmente mercados como Chile, Portugal e Estados Unidos.

“Sempre pensamos em aumentar o chão de fábrica e continuar com a mesma receita para os produtos, mantendo a mesma simplicidade’, disse Raphael.

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Do cacau ao leite: Ferrero vê agricultura como a próxima fronteira da descarbonização

Produtos da empresa estão sendo vendido nas principais redes do país, como Pão de Açúcar, Oba Hortifruti e Swift (Foto: Divulgação/ Rocca)

Os novos minoritários da Westwing

28 de Maio de 2026, 06:07

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A Westwing tem adotado um conjunto de mudanças estruturais para reverter os prejuízos acumulados, meses depois de a varejista de móveis e decoração ser envolvida em uma troca de acionistas provocada pelo caso do Banco Master.

Uma das mudanças é justamente a entrada de novos fundos como sócios minoritários, entre eles as gestoras Oriz, HIX Capital, BlueOak, Três Ilhas e Leblon Equities, segundo o CEO da Westwing, André Machado.

Elas adquiriam parte da fatia de 32% que havia sido tomada pela Mastercard quando a bandeira de cartões executou as garantias após a inadimplência e liquidação do Will Bank, banco digital do Master, de Daniel Vorcaro. A Mastercard não tinha interesse estratégico na varejista e levou os papéis a leilão realizado pelo BTG Pactual.

Em entrevista à Bloomberg Línea, Machado classificou as cinco gestoras como uma nova “base super qualificada” de acionistas. Ele, no entanto, reconheceu que não espera uma solução única e milagrosa para a empresa de home & living voltar ao lucro. “Não existe uma bala de prata”, afirmou.

⇒ Leia a reportagem: Sem ‘bala de prata’, Westwing busca lucro após 5 fundos comprarem fatia da Mastercard

Westwing, que atua no varejo de móveis e artigos de decoração, tem três lojas em São Paulo: na Vila Madalena (foto), em Moema e no Shopping Tamboré (Barueri)

No radar dos mercados

As ações caíam nesta quinta-feira (28) enquanto o petróleo e os rendimentos de títulos subiram depois que novos ataques no Oriente Médio alimentaram dúvidas sobre se o fim da guerra é iminente.

- EUA atacam o Irã. Forças americanas atacaram alvos militares iranianos pela segunda vez esta semana e o Kuwait disse ter respondido a ameaças de mísseis e drones. O Irã mirou a base americana de onde partiram os ataques e quatro drones iranianos disparados contra um navio comercial foram derrubados pelos EUA.

- Queda dos investimentos em petróleo. Os investimentos globais em projetos de petróleo devem cair pelo terceiro ano, conforme o choque de oferta no Oriente Médio desloca prioridades. Apesar dos preços mais altos, os gastos com projetos de petróleo devem cair abaixo de US$ 500 bilhões em 2026, segundo o relatório anual da Agência Internacional de Energia publicado na quinta-feira.

- Vendas da Toyota recuam. As vendas globais da montadora registraram seu terceiro mês consecutivo de quedas na comparação anual. O resultado de abril, incluindo da subsidiária Daihatsu Motor, caiu 3,7% em relação ao ano anterior para 902.015 unidades, disse a empresa na quinta-feira. A produção, porém, subiu 3,4% para 933.685 unidades.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (26/05): Dow Jones Industrials (-0,23%), S&P 500 (+0,61%), Nasdaq Composite (+1,19), Stoxx 600 (-0,57%), Ibovespa (-0,69%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Bancos apertam crédito ao agro com pedidos de garantias após recuperações judiciais

Ascenty investe US$ 1,2 bilhão para avançar em data centers para IA no Brasil

Copasa avalia relançar oferta após propostas ficarem abaixo do preço mínimo, dizem fontes

• Também é importante: Natura recorre a IA e biotecnologia para desenvolver cosméticos e recuperar crescimento | Tokio Marine vence concorrência no Banco do Nordeste e amplia oferta de seguros

• Opinião Bloomberg: Casa Branca impulsiona Intel, que se aproxima da Apple e avança após anos de crise

• Para não ficar de fora: Risco de ‘Super Niño’ põe energia e agro no centro das atenções do mercado no Brasil

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A estratégia do C6 no uso de IA

27 de Maio de 2026, 06:47

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

O C6 Bank está expandindo as funcionalidades do seu assistente baseado em inteligência artificial (IA) como parte de uma estratégia mais ampla em tecnologia adotada pelo banco digital, que tem o JP Morgan Chase como sócio.

A meta é aprofundar o relacionamento com clientes e avançar em principalidade – um dos indicadores mais disputados no setor bancário brasileiro.

“Nosso primeiro objetivo é estreitar o relacionamento com o cliente. E quanto mais conversamos e conhecemos nosso cliente, maior é a possibilidade de oferecermos soluções personalizadas”, afirmou Gustavo Torres, head de inovação do banco, em entrevista à Bloomberg Línea.

Como parte do movimento, o banco apresentou na terça-feira (26) uma ferramenta de consulta de gastos integrada ao C6 Assistant que permite ao usuário interagir com o histórico de transações da conta corrente e do cartão de crédito.

⇒ Leia a reportagem: C6 Bank expande o uso de IA para engajar clientes e conquistar principalidade

Sede do C6 Bank, em São Paulo: ferramenta permite realizar consulta de gastos integrada ao C6 Assistant. (Foto: Divulgação/C6)

No radar dos mercados

Os futuros dos EUA sobem enquanto o otimismo em torno da inteligência artificial, os preços mais baixos do petróleo e a flexibilização dos rendimentos dos títulos estimularam os investidores a se tornarem cada vez mais otimistas.

- Novos membros no clube de US$ 1 tri. O aumento das ações de chips de memória fez a SK Hynix e a Micron Technology ultrapassarem a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez. Investidores apostam que o avanço da IA levará a uma reavaliação sustentada do setor.

- Governo sinaliza ajuda ao BRB. O Ministério da Fazenda sinalizou que ajudará a fortalecer o Banco de Brasília depois que a instituição foi prejudicada pelas consequências da crise do Banco Master. O governo se comprometeu a flexibilizar as regras fiscais para ajudar o Distrito Federal a garantir um empréstimo de bilhões de reais com o FGC para capitalizar o banco.

- Elétricos impulsionam setor auto na UE. As vendas de automóveis na Europa aumentaram pelo terceiro mês consecutivo em abril impulsionadas por modelos elétricos e híbridos. Os registros de veículos novos aumentaram 7% para 1,15 milhão no mês passado, informou a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis na quarta-feira (27).

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (26/05): Dow Jones Industrials (-0,23%), S&P 500 (+0,61%), Nasdaq Composite (+1,19), Stoxx 600 (-0,57%), Ibovespa (-0,69%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Estímulos do governo Lula ‘atropelam’ esforço do Banco Central para cortar os juros

O que pode mudar com a aquisição do controle da Brava pela Ecopetrol, segundo analistas

EMS diz que farmácia terá margem maior com 1ª caneta emagrecedora nacional

• Também é importante: Da guerra à seca nos EUA: alta do algodão abre janela para produtores brasileiros | Trump se reúne com Flávio Bolsonaro em encontro na Casa Branca

• Opinião Bloomberg: Antes de chegar ao Fed, Kevin Warsh acenou com corte de juros. Agora precisará recuar

• Para não ficar de fora: CEO da Audemars Piguet diz que parceria com Swatch desencadeou demanda sem precedentes

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C6 Bank expande o uso de IA para engajar clientes e conquistar principalidade

27 de Maio de 2026, 06:00

O C6 Bank está expandindo as funcionalidades do seu assistente baseado em inteligência artificial (IA) como parte de uma estratégia mais ampla em tecnologia adotada pelo banco digital, que tem o JP Morgan Chase como sócio.

A meta é aprofundar o relacionamento com clientes e avançar em principalidade – um dos indicadores mais disputados no setor bancário brasileiro.

“Nosso primeiro objetivo é estreitar o relacionamento com o cliente. E quanto mais conversamos e conhecemos nosso cliente, maior é a possibilidade de oferecermos soluções personalizadas”, afirmou Gustavo Torres, head de inovação do banco, em entrevista à Bloomberg Línea.

Como parte do movimento, o banco apresentou na terça-feira (26) uma ferramenta de consulta de gastos integrada ao C6 Assistant que permite ao usuário interagir com o histórico de transações da conta corrente e do cartão de crédito.

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É possível, por exemplo, solicitar à ferramenta levantamentos de gastos com delivery de comida, dos principais boletos pagos ou da quantidade de Pix realizados a um prestador específico. A solução vale tanto para contas pessoa física quanto jurídica.

Leia também: Com IPO, SpaceX entra na batalha pelo controle do mercado de IA de US$ 26,5 trilhões

A expectativa é que, quanto mais o usuário converse com o assistente, maior seja o banco de informações do C6 sobre seus hábitos, preferências e momentos de vida, o que abre espaço para interações mais assertivas do que as oferecidas tradicionalmente pela área de gestão de relacionamento com clientes (CRM, na sigla em inglês).

“Nosso objetivo é que, a partir desse relacionamento, sejamos capazes de transformar o C6 Assistant em um assistente de fato. Não só o transacional, mas algo que possa gerar automações para resolver problemas mais complexos do dia a dia do cliente”, afirmou o head de inovação.

Executivo defende que IA é caminho para estreitar o relacionamento com o cliente

O banco levou cerca de um ano e meio de desenvolvimento até lançar a nova funcionalidade. Quando o C6 Assistant foi apresentado ao mercado no fim de 2024, a ferramenta oferecia soluções transacionais com IA, como pedido para pagamento de boleto ou Pix.

Torres atribui a mudança à evolução da própria tecnologia. À época, ferramentas corporativas de rastreamento de raciocínio dos modelos – os chamados sistemas de tracing – precisaram ser construídas internamente, dada a escassez de soluções prontas no mercado. “As soluções que temos atualmente na prateleira já melhoraram exponencialmente”, disse.

O novo recurso de IA no C6 Assistant inclui ainda uma frente de investimentos em renda fixa. O executivo ressalta que não se trata de recomendação de investimentos, mas de uma camada “educativa e de acesso”.

O cliente pode perguntar, por exemplo, sobre produtos com liquidez diária, entender o que significam termos técnicos e, a partir do chat, acessar diretamente o produto desejado para aplicar recursos.

Torres não descarta que, no futuro, o C6 Assistant possa recomendar investimentos, mas afirma que a tecnologia ainda não está preparada para lidar com a complexidade de alinhar teses de investimento, recomendações macroeconômicas e o momento de vida do cliente.

“[Não vamos fazer] até que chegue o momento em que a IA entregue os valores que são necessários para o banco. Por enquanto vamos resolvendo os problemas que estão mais próximos e contamos com os assessores de investimentos para também conversar com os clientes quando necessário”, afirmou.

O próximo passo do C6 Assistant é avançar em automações contextuais: sugerir débito automático para quem paga a fatura todo mês, propor Pix recorrente para transferências repetidas, ou alertar sobre vencimentos antes que o cliente esqueça. O C6 não abre guidance de quando os novos passos podem ser implementados.

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Sede do C6 Bank, em São Paulo: ferramenta permite realizar consulta de gastos integrada ao C6 Assistant. (Foto: Divulgação/C6)

Bank of America vê ‘pelo menos’ dez IPOs de empresas brasileiras em 2027

27 de Maio de 2026, 06:00

O Bank of America avalia que existe apetite para a realização “pelo menos” dez ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) de empresas brasileiras em 2027, de acordo com Bruno Saraiva, co-head de Investment Banking Brasil e head de Equity Capital Markets (ECM) para América Latina.

Segundo ele, isso representaria “com conforto” um volume financeiro de aproximadamente R$ 50 bilhões em atividade em IPOs, follow-ons e block trades, envolvendo empresas brasileiras seja no mercado doméstico, seja no exterior.

“Tem pipeline para isso? Tem. Pode ser inclusive maior que isso”, disse Saraiva, durante conversa com jornalistas nesta terça-feira (26), em São Paulo. “Isso significa que tem atividade, tem companhias com diversos valores sendo preparadas para o ano de 2027.”

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O executivo se baseia na visão de que, apesar da volatilidade causada pela guerra no Irã e pela proximidade das eleições no Brasil, o cenário para o mercado brasileiro continua construtivo.

A perspectiva é de que a tendência de queda de juros foi postergada – e não encerrada –, em razão do aumento da inflação sob efeitos da guerra.

Leia também: Elo contrata Bank of America, UBS BB e Bradesco para IPO nos EUA, dizem fontes

O banco de Wall Street continua a ver um cenário de dólar fraco e com maior fluxo para mercados emergentes, o que beneficia o Brasil. O também país tem condições favoráveis para atrair capital, com desemprego nas mínimas e atividade econômica em expansão, além do fato de ser um país exportador de commodities.

Saraiva vê também uma chance razoável de um ajuste fiscal no próximo governo, independentemente do candidato que sair vitorioso, o que também tende a impulsionar o mercado no ano que vem.

“O que a gente veria de uma atividade muito robusta em 2026, a gente está vendo uma atividade muito mais robusta em 2027″, afirmou.

Leia também: De zero a US$ 3,2 bi: maior IPO do ano transforma fundador em bilionário da tecnologia

A visão do BofA é de que hoje o pipeline de empresas brasileiras para abertura de capital está mais equilibrado entre ofertas no exterior e no Brasil. Mas em um prazo de um ano e meio a dois anos, a perspectiva é de um pipeline “muito maior” para a B3, de acordo com Hans Lin, co-head de Investment Banking Brasil, na mesma entrevista.

Depois de anos sem aberturas de capital de empresas brasileiras, o mercado voltou a registrar maior atividade em 2026 com os IPOs de PicPay e Agibank, nos Estados Unidos, e da Compass, do grupo Cosan, no início de maio.

Segundo os executivos, é possível que ainda haja mais uma operação neste ano, antes das eleições, mas a maior parte das companhias no pipeline do banco estão sendo preparadas para o período pós-eleitoral.

Em relação aos setores de maior potencial, Saraiva apontou que o BofA tem trabalhado em operações de empresas dos segmentos de real estate, consumo, infraestrutura e varejo.

“Por isso que nos próximos 12 a 24 meses, eu vejo muito mais IPOs na B3, por causa da multiplicidade de setores que a B3 vai abraçar. E lá fora, são empresas de alto crescimento e tecnologia, que também inclui fintechs”, disse Saraiva.

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© Patricia Monteiro

B3, em São Paulo: perspectiva do banco de Wall Street é de um volume maior de aberturas de capital na bolsa brasileira. (Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg)

O que pode mudar com a aquisição do controle da Brava pela Ecopetrol, segundo analistas

26 de Maio de 2026, 14:35

Após o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) pelo controle da Brava Energia (BRAV3) por parte da Ecopetrol, a expectativa é que, caso a transação seja bem-sucedida, a colombiana passe a deter 51% do capital social da brasileira.

Na prática, a Brava deve continuar listada no segmento de Novo Mercado da B3.

A principal diferença reside em torno do controle. Hoje, a Brava é caracterizada como uma junior company (petroleira de menor porte), que tem estrutura de custos mais enxuta e maior agilidade na tomada de decisões.

Com a Ecopetrol assumindo o controle, a gestão passa a ter influência de uma gigante de petróleo estatal, de acordo com analistas.

“É possível que ocorra uma mudança na percepção dos investidores em relação ao múltiplo justo para esse papel por conta da troca de controlador”, diz o analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman.

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Ele observa que a movimentação demonstra a força do Brasil no setor, com a estatal colombiana em busca de uma empresa brasileira. “Há um dinamismo de transações societárias envolvendo juniores, com a força do Brasil nesse ecossistema", diz.

Arbetman lembra que o mercado regional de junior companies de petróleo já era restrito, com poucas empresas listadas em Bolsa. A própria Brava é resultado da fusão entre 3R e Enauta. “Vamos continuar com esse segmento enxuto, com uma junior controlada por uma estatal colombiana”, afirma.

Leia mais: ‘Esta administração da Petrobras não gosta de vender, só de comprar’, diz Magda Chambriard

A Brava opera basicamente em campos terrestres (onshore) maduros e também em alto-mar (offshore), com 459 milhões de barris de óleo equivalente (boe) de reservas provadas e produção diária média na casa dos 80 mil barris. A vida útil das reservas é de cerca de 16 anos.

Espera-se que a transação, caso bem-sucedida, adicione reservas e produção relevante à operação da Ecopetrol, com um aumento de reservas líquidas em quase 13% e aumento de exposição ao Brasil.

Segundo analistas, a experiência da estatal colombiana pode destravar valor na Brava principalmente no segmento de campos maduros terrestres. Do outro lado, a brasileira pode contribuir com o desenvolvimento de campos offshore da Ecopetrol.

Analistas do BTG afirmaram em relatório que veem chance de ganhos no curto prazo com a operação.

No entanto, segundo analistas do mercado, o avanço da produção da Brava é relativamente limitado, mesmo com as novas campanhas de perfuração, o que coloca em evidência o processo de declínio da produção no futuro próximo.

Oferta pública

Segundo comunicado, o lançamento da OPA da Brava ocorre com um preço de R$ 23 por ação, destinada à aquisição de 116,1 milhões de ações ordinárias, o que corresponde a aproximadamente 25% do total.

O leilão da OPA será realizado no próximo dia 25 de junho. Caso a operação seja concretizada, haverá menos ações no free float.

Em abril, a Ecopetrol já havia comprado 26% das ações de três acionistas da Brava: Somah, Jive e Yellowstone.

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© Esteban Vanegas

Operação da Ecopetrol: estatal colombiana está em busca do controle da brasileira Brava. Foto: Esteban Vanegas/Bloomberg

Da conta PJ para as maquininhas

26 de Maio de 2026, 07:11

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A fintech brasileira Cora, que conta com os fundos americanos Greenoaks, Tiger Global e Ribbit Capital entre seus investidores, decidiu ir além da sua oferta de serviços bancários tradicionais, voltados a contas para pessoa jurídica (PJ).

A startup desenvolve agora uma nova vertical de adquirência, com o objetivo de entrar em um mercado altamente concorrido e disputado por nomes como PagBank, Mercado Pago, Stone, CloudWalk (InfinitePay), SumUp, entre outros.

O movimento envolve soluções tanto de maquininhas de cartão quanto de tecnologia Tap to Phone, que transforma o celular em um terminal de pagamentos, segundo executivos da startup.

“Esse produto sozinho vai ser maior do que toda a Cora em dois ou três anos”, afirma Igor Senra, co-fundador e CEO da fintech, à Bloomberg Línea. “É um produto em que as pessoas têm uma alta sensibilidade a custo e nós iremos entrar com a possibilidade de derrubar o custo de maneira importante.”

⇒ Leia a reportagem: Cora, apoiada por fundos dos EUA, entra em maquininhas após crescer em contas PJ

Máquinas de cartão de crédito: oportunidade identificada pela startup está atrelada à alta sensibilidade do micro e pequeno empreendedor em relação às taxas cobradas no mercado. (Foto: Simon Dawson/Bloomberg)

No radar dos mercados

Os futuros das ações dos EUA operam em alta nesta terça-feira (26), à medida que investidores seguem otimistas de que os mais recentes ataques americanos ao Irã não vão comprometer as negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio.

- EUA e Israel atacam alvos iranianos no Estreito de Ormuz. O ataque contra embarcações e lançadores de mísseis ocorreu após Donald Trump ter afirmado mais cedo que as negociações com Teerã avançavam, aumentando as dúvidas sobre a fragilidade do cessar-fogo e pressionando o petróleo, que voltou a subir.

- PEC do fim da escala 6x1. A comissão especial da Câmara que analisa a PEC do fim da escala 6x1 adiou a votação após pedido do deputado Leo Prates (Republicanos). A expectativa do presidente da comissão, Alencar Santana (PT), é que o debate seja retomado na quarta-feira.

- Lupatech pede homologação de recuperação extrajudicial. A companhia protocolou plano para reestruturar dívidas trabalhistas e quirografárias de R$ 295,4 milhões em conjunto com seis subsidiárias, após obter adesão inicial de parte dos credores e ganhar prazo de 90 dias para alcançar o apoio necessário à homologação.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (25/05): Dow Jones Industrials (—), S&P 500 (—), Nasdaq Composite (—), Stoxx 600 (+1,04%), Ibovespa (+0,91%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Com IPO, SpaceX entra na batalha pelo controle do mercado de IA de US$ 26,5 trilhões

JBS entra em lista prévia do Russell 3000 e amplia expectativa por chegada ao S&P 500

Dexco encerra planta de cerâmica em Santa Catarina para acelerar desalavancagem

• Também é importante: Da Bolívia à Turquia: Turbulência política pressiona mercados emergentes | MPT pede banimento do glifosato e amplia pressão sobre Bayer no Brasil

• Opinião Bloomberg: Como escassez de infraestrutura de IA e mão de obra põe lucros das big techs em xeque

• Para não ficar de fora: Sephora abre 13ª unidade em São Paulo e avança no país com foco na alta renda

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Cora, apoiada por fundos dos EUA, entra em maquininhas após crescer em contas PJ

26 de Maio de 2026, 06:00

A fintech brasileira Cora, que conta com os fundos americanos Greenoaks, Tiger Global e Ribbit Capital entre seus investidores, decidiu ir além da sua oferta de serviços bancários tradicionais, voltados a contas para pessoa jurídica (PJ).

A startup desenvolve agora uma nova vertical de adquirência, com o objetivo de entrar em um mercado altamente concorrido e disputado por nomes como PagBank, Mercado Pago, Stone, CloudWalk (InfinitePay), SumUp, entre outros.

O movimento envolve soluções tanto de maquininhas de cartão quanto de tecnologia Tap to Phone, que transforma o celular em um terminal de pagamentos, segundo executivos da startup.

“Esse produto sozinho vai ser maior do que toda a Cora em dois ou três anos”, afirma Igor Senra, co-fundador e CEO da fintech, à Bloomberg Línea. “É um produto em que as pessoas têm uma alta sensibilidade a custo e nós iremos entrar com a possibilidade de derrubar o custo de maneira importante.”

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A expectativa é disputar o vasto mercado de adquirência no país. Segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), as transações com cartões no Brasil somaram mais de R$ 1,1 trilhão no primeiro trimestre deste ano, depois de alcançarem R$ 4,5 trilhões no ano passado.

A oportunidade identificada pela startup está atrelada à alta sensibilidade do micro e pequeno empreendedor em relação às taxas cobradas no mercado.

Segundo o CEO, a operação enxuta da fintech foi desenhada para permitir uma redução de custos drástica na comparação com a concorrência, incluindo negócios que já nasceram digitais.

Leia também: ‘Adoção de IA não é opcional’, diz CEO da Red Hat, empresa da IBM que fatura US$ 7 bi

Para chegar ao modelo prometido, a Cora tem feito uma série de testes no mercado. O produto tem sido introduzido aos poucos, ainda em fase beta e com parceiros pontuais. No momento, a fintech oferece apenas a modalidade de link de pagamento, mas a expectativa é ampliar a oferta.

O CEO ainda evita indicar o quão competitiva podem ser as taxas oferecidas, mas diz que a nova vertical foi construída com base no aprendizado desenvolvido ao longo dos anos em suas duas verticais - crédito e conta bancária.

“O nosso custo de servir os clientes é na casa de R$ 14,00, cerca de 10% do valor para as grandes instituições. Isso nos permite, com muito menos dinheiro, cobrar muito menos e lucrativo”, diz Senra.

Criada em 2019, a Cora conta hoje com mais de 1,7 milhão de clientes e encerrou o primeiro trimestre deste ano

Criada em 2019, a Cora conta hoje com mais de 1,7 milhão de clientes e encerrou o primeiro trimestre deste ano com um volume de pagamentos transacionados em cerca de R$ 50 bilhões e a receita cresceu em torno de 50%, na comparação com semelhante período de 2025.

Ao entrar em adquirência, a startup vai procurar obter uma outra fatia movimentada por clientes já conhecidos.

Não é a primeira vez que os fundadores da Cora exploram o segmento. O CEO Igor Senra e seu sócio, Leonardo Mendes, foram fundadores da Moip, uma startup de meios de pagamento, que foi vendida à Wirecard em 2016 (a operação brasileira da Wirecard depois foi adquirida pela PagSeguro/PagBank em 2020).

Quando saíram do negócio, diferentemente de outras startups que passam por ciclos exaustivos de tentativa e erro, a experiência contribuiu para que a nova tese fosse validada logo no início.

O primeiro produto — a conta digital focada exclusivamente em Pessoas Jurídicas (PJs) — foi o que o chamam de “home run”, numa analogia com uma ataque certeiro no jogo de beisebol.

“Se você for pensar que a dinâmica de banking é um jogo de xadrez, a conta digital é o tabuleiro. É o que permite que tudo aconteça, é lá que as informações afluem”, diz Senra.

Em 2023, a startup também passou por um processo de verticalização, eliminando intermediários e assumindo a infraestrutura direta de Pix e boletos; e abraçou a inteligência artificial. Hoje, 100% das transações passam por modelos proprietários de IA para análise de risco, prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) e fraude, além de 85% do atendimento ao cliente ser resolvido de forma automatizada por IA.

As mudanças, acompanhadas por um salto no número de clientes - de um número inferior a 1 milhão para os atuais 1,7 milhão -, levaram a startup ao breakeven um ano depois. De acordo com Senra, a sensação atual na Cora é “de que, de fato, controlamos o nosso destino” e de que não há a necessidade de capital externo para dar os próximos passos.

A última captação da startup ocorreu em 2021, quando levantou uma rodada série B de US$ 116 milhões (cerca de R$ 600 milhões na época) liderada pelo Greenoaks Capital, com a participação das gestoras Tiger Global e Tencent.

Antes disso, a empresa já tinha levantado uma rodada série A de US$ 26,8 milhões, que contou com a participação da Ribbit Capital. E levantou um investimento Seed de US$ 10 milhões, liderado pela Kaszek Ventures.

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Além da nova vertical, os planos de expansão da Cora passam por ampliar a participação da unidade de crédito, em que a liderança observa a oportunidade de aumentar em três vezes ARPU, sigla em inglês para Receita Média por Usuário.

“É surreal o tamanho da oportunidade de crédito para a gente”, diz Senra, que prevê saltar o volume dos R$ 200,00 atuais para R$ 600,00, com produtos como capital de giro, antecipação de recebíveis de boleto.

“Nós estamos falando de um negócio que hoje representa 20% do todo, mas que tem o potencial de ser três vezes maior do que o todo hoje”, afirma. “Ou seja, com adquirência e crédito, nós temos algumas avenidas que permitem esse negócio crescer bastante ainda.”

Segundo o executivo, a ideia é tocar todos esses projetos dentro de casa. Conversas já feitas para movimentos inorgânicos não avançaram devido à questões associadas a complexidades de integração. Novas captações também estariam fora do radar e o caixa seria “suficiente para as ambições”.

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© Simon Dawson

Máquinas de cartão de crédito: oportunidade identificada pela startup está atrelada à alta sensibilidade do micro e pequeno empreendedor em relação às taxas cobradas no mercado. (Foto: Simon Dawson/Bloomberg)

A estratégia da Renault para brigar pelo premium

25 de Maio de 2026, 07:07

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Ao entrar no SUV Koleos, o banco do motorista se ajusta automaticamente ao último uso. Se está um dia frio, é possível esquentar os bancos de todos os cinco passageiros. Entre os itens de segurança, se destacam o assistente de estacionamento autônomo, câmera 360 graus 3D e frenagem automática.

A proposta parece a de um veículo de luxo no mercado brasileiro, mas trata-se do primeiro modelo híbrido lançado pela Renault no Brasil.

“É um carro de luxo acessível. A Renault tem vocação de marca generalista, mas tem trazido cada vez mais a um público amplo uma experiência premium em seus produtos”, afirma o diretor comercial da marca, Aldo Costa, em entrevista à Bloomberg Línea.

Segundo o executivo, a Renault vem desenvolvendo essa estratégia globalmente. “Inclusive no Brasil, onde elevamos o padrão da marca. [O Koleos] não é necessariamente destinado ao segmento de luxo, mas é um cliente mais sofisticado e exigente que compra”, afirmou.

⇒ Leia a reportagem: Renault investe em ‘luxo acessível’ para brigar pelo segmento premium no Brasil

Koleos: proposta de modelo de 'luxo acessível', segundo a montadora francesa. Foto: Empresa/Divulgação

No radar dos mercados

As ações europeias operam em alta nesta segunda-feira (25), enquanto o petróleo cai após autoridades sinalizarem que os Estados Unidos estão próximos de um acordo com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz e restabelecer o fluxo da commodity. Nos EUA, as bolsas permanecem fechadas devido ao feriado do Memorial Day.

- SoftBank dispara com aposta em IA. As ações do grupo japonês atingiram um patamar recorde após notícias de que a OpenAI prepara uma oferta pública inicial e da perspectiva de IPO da SB Energy, o que amplia o otimismo dos investidores com os investimentos da empresa em inteligência artificial.

- BlackRock vê espaço para corte de juros nos EUA. Navin Saigal, chefe de renda fixa global para a região Ásia-Pacífico da gestora, em resposta a uma pergunta da Bloomberg Television, disse que o Federal Reserve pode ter mais razões para reduzir os juros do que elevá-los sob a gestão de Kevin Warsh.

- Ministério Público mira glifosato no Brasil. Procuradores acionaram a Justiça para proibir o registro, produção, venda e uso do herbicida glifosato no país. Eles alegam riscos à saúde humana e ao meio ambiente, em uma medida que pode afetar empresas como a Bayer, que já enfrenta processos sobre o produto nos EUA.

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🔘 As bolsas na sexta-feira (22/05): Dow Jones Industrials (+0,58%), S&P 500 (+0,37%), Nasdaq Composite (+0,19%), Stoxx 600 (+0,73%), Ibovespa (-0,81%)
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Equipe Breakfast: Filipe Serrano (Editor sênior, Brasil), Daniel Buarque (Editor-assistente, Brasil) e Naiara Albuquerque (Editora-assistente, Brasil)

Renault investe em ‘luxo acessível’ para brigar pelo segmento premium no Brasil

25 de Maio de 2026, 06:00

Ao entrar no SUV Koleos, o banco do motorista se ajusta automaticamente ao último uso. Se está um dia frio, é possível ligar não só o ar quente, mas esquentar os bancos de todos os cinco passageiros. Em temperaturas elevadas, também é possível ventilar os assentos com ar resfriado.

Entre os itens de segurança, se destacam o assistente de estacionamento autônomo (o sistema realiza automaticamente toda a manobra), limitador de velocidade, alertas de permanência em faixa e frenagem automática, além de câmera 360 graus 3D.

A proposta parece a de um veículo de luxo, considerando o padrão histórico do mercado brasileiro, mas trata-se do primeiro modelo híbrido lançado pela Renault no Brasil, com preço sugerido a partir de R$ 289.990.

“É um carro de luxo acessível. A Renault tem vocação de marca generalista, mas tem trazido cada vez mais a um público amplo uma experiência premium em seus produtos”, afirma o diretor comercial da marca, Aldo Costa, em entrevista à Bloomberg Línea.

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Segundo o executivo, a Renault vem desenvolvendo essa estratégia globalmente. “Inclusive no Brasil, onde elevamos o padrão da marca. [O Koleos] não é necessariamente destinado ao segmento de luxo, mas é um cliente mais sofisticado e exigente que compra”, afirmou.

Entusiastas do mercado automotivo têm afirmado nas redes sociais que o Koleos é um “SUV chinês” ou um “modelo Volvo”. Isso porque sua plataforma é compartilhada com a chinesa Geely, que também é usada na fabricação de veículos da marca de automóveis Volvo. O Koleos tem ainda a assinatura Alpine, grife esportiva do grupo francês. “O DNA francês se mantém”, diz Costa.

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A Renault e a Geely têm uma parceria no Brasil, que prevê distribuição e desenvolvimento conjunto de novos modelos.

O executivo acrescenta que a estratégia é colocar em cada segmento onde a Renault embarca produtos que se tornem referência, iniciando com a chegada do SUV de entrada Kardian, passando pelo utilitário esportivo médio Boreal e, mais recentemente, o Koleos.

A Renault considera como principais concorrentes do Koleos alguns modelos emblemáticos da categoria de SUVs de maior porte: Tiguan (Volkswagen); RAV4 (Toyota); Song Plus Premium (BYD); Haval (GWM) e a versão topo de linha do Commander (Jeep).

Proposta do Koleos inclui itens de segurança, conforto e acabamento mais nobre com custo-benefício. Foto: Empresa/Divulgação

O executivo diz que a Renault entrou em sua terceira fase no Brasil. A primeira começou em meados do final da década de 1990, quando os produtos tinham pouca adaptação ao mercado local.

“Os carros eram muito focados no desenvolvimento europeu, mas ainda assim chegaram aqui e conquistaram consumidores com atributos interessantes e proposta mais sofisticada.”

No entanto, a estratégia não seria sustentável com o crescimento que a montadora buscava no país, acrescenta Costa. Em um segundo momento, a Renault se voltou para volumes, com plataformas de custo-benefício.

Novo perfil do consumidor

Para Costa, o consumidor está cada vez mais exigente, buscando produtos mais sofisticados, mesmo em faixas de preço mais elevadas. “De R$ 120 mil a R$ 200 mil, trazemos uma oferta de mais valor”, avalia.

A montadora não comenta sobre metas de vendas de modelos específicos, mas o executivo pondera que o Koleos vem para ampliar a atuação da Renault. “Por muito tempo, a oferta estava limitada no mercado brasileiro, saindo do Kwid para o Duster, que é um SUV compacto.”

A transmissão é automática com câmbio do tipo e-shifter (sem alavanca tradicional). Foto: Empresa/Divulgação

Em sua visão, a marca está pronta para atender a uma cobertura muito maior do mercado, de acordo com as tendências de crescimento do setor localmente.

Ele garante que o plano de mudar o posicionamento pela terceira vez começou antes mesmo da última leva de chinesas chegando ao país.

“A nova estratégia vinha sendo discutida desde um pouco antes da pandemia, com prioridade para Europa e, na sequência, para expansão internacional. O Brasil já estava nesse road map, que calhou de começar no momento da chegada de novos entrantes. Não foi uma reação aos chineses”, diz.

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Koleos: proposta de modelo de 'luxo acessível', segundo a montadora francesa. Foto: Empresa/Divulgação

Além do futebol: como a Panini planeja crescer após fim da licença do álbum da Copa

24 de Maio de 2026, 13:26

O CEO da editora italiana Panini no Brasil, Raúl Vallecillo, afirmou que o término da licença com a FIFA decorre de uma decisão da licenciada e não da empresa, em um contexto em que a empresa busca diversificar seus negócios para além dos álbuns de futebol.

Com relação ao término da licença com a FIFA, Raúl Vallecillo destacou, em entrevista à Bloomberg Línea, o grau de diversificação atual do negócio.

Ele destacou a variedade de licenças que a Panini possui, que abrangem não apenas álbuns de figurinhas, mas também publicações de quadrinhos e mangás.

A decisão de romper o vínculo histórico com a Panini “cabe exclusivamente à licenciada” (FIFA), afirmou ele. “É uma decisão de terceiros (...) buscaremos as melhores alternativas para dar continuidade a essa história”.

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Agora, “a Panini sempre vai se esforçar para oferecer o melhor aos seus consumidores, e isso inclui todo o nosso portfólio de entretenimento, como no caso do futebol”.

A Panini não produzirá mais o tradicional álbum da Copa do Mundo, após a FIFA ter anunciado um acordo com a Fanatics pela licença, que inclui cartões colecionáveis e figurinhas do torneio de futebol.

O acordo terá início em 2031 e os novos produtos serão fabricados pela marca Topps, de propriedade da Fanatics, anunciou a FIFA em um comunicado.

Essa parceria deixa de fora a Panini, a editora italiana que, desde 1970, produz o álbum de figurinhas colecionáveis.

O CEO da Panini no Brasil não confirmou se, no futuro, a marca teria alguma presença na Copa do Mundo após 2030.

“A Panini continuará sendo o que todos conhecemos: uma empresa de entretenimento que nos acompanha há muito tempo e que tem essa história de fazer parte de um colecionismo para ser lembrado e continuar avançando nas próximas coleções”, disse o executivo chileno na entrevista.

Ainda no dia 30 de abril, a Panini lançou a edição 2026 do seu álbum, o maior da história, com 980 figurinhas, que se transformou em uma exposição de figurinhas monumentais que percorrerá as cidades-sede do torneio no México entre maio e julho.

Será o penúltimo álbum que a Panini lançará como parte de seu atual contrato com a FIFA, que termina em 2030.

Com isso, chegará ao fim uma tradição de mais de 60 anos relacionada à Copa do Mundo, durante a qual a editora italiana publicou 15 álbuns de imagens.

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Vendas na América Latina

O CEO da editora italiana no Brasil afirmou que as vendas parciais relacionadas ao álbum da Copa do Mundo de 2026 estão 24% acima em comparação com a edição do Catar 2022 nos países da região que ela atende.

“Isso significa que a grande demanda dos países deste lado do mundo fez com que esse número aumente constantemente”, disse Raúl Vallecillo à Bloomberg Línea.

Quanto aos mercados mais ativos na compra do álbum da Copa do Mundo de 2026 na região, ele afirmou que os principais são Brasil, Argentina, Colômbia e Chile, que apresentaram um crescimento sustentado bem acima do previsto pela Panini.

Cada um desses mercados, consequentemente, registrou um aumento no número de colecionadores e nos canais de distribuição, observou o executivo.

O Brasil está entre os cinco mercados mais importantes para a Panini na temporada da Copa do Mundo, não apenas pelo tamanho do seu mercado, mas também pelo grande interesse que o torneio de seleções mais importante do mundo desperta.

“Hoje, embora estejamos trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana, há mais de dois meses, principalmente em tudo o que diz respeito à fábrica, a grande variedade de álbuns, em diferentes versões e para diferentes mercados, nos obriga a manter uma produção e distribuição constantes em cada um desses mercados”, comentou o CEO da Panini Brasil.

Ele afirmou que, para o álbum da Panini da Copa do Mundo, é feito um planejamento detalhado com três anos de antecedência em áreas como operações, comercial e editorial, para que o produto chegue a tempo em cada um dos mercados.

A matriz italiana da Panini administra as filiais nos Estados Unidos, no México, no Brasil e no Chile.

Os demais mercados, incluindo a Colômbia, operam por meio de distribuidores oficiais que administram, em coordenação com a Panini, toda a operação nesses países.

Atualmente, “no caso da Panini Global, a empresa possui uma fábrica principal em Modena [na Itália] que atende principalmente ao mercado europeu, à região da América do Norte e a outros mercados em outros continentes”.

Na Panini Brasil, a fábrica atende toda a América Central e a América do Sul. “Portanto, o esforço operacional realizado a partir do Brasil abrange praticamente 80% deste continente”.

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Aposta em novos colecionadores e público feminino

Persona abriendo un paquete de pegatinas para la Copa Mundial de la FIFA 2026.

Sobre o crescimento da demanda, Raúl Vallecillo destacou a incorporação de novos segmentos de consumidores, diretamente relacionada ao colecionismo.

Ele também mencionou o aumento da demanda por parte do público feminino, que está ajudando a impulsionar as vendas do álbum da Copa do Mundo.

Por outro lado, “quando se trata de um evento como a Copa do Mundo, o público se torna muito mais diversificado, pois temos desde crianças bem pequenas até pessoas bem mais velhas que acompanham a cobertura”.

“Também não se pode ignorar que o fenômeno social associado a um álbum está relacionado a esse grau de interação que um evento tão importante como a Copa do Mundo proporciona. É preciso promover, em cada um dos segmentos, a possibilidade de compartilhar e trocar figurinhas, principalmente.”

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Futuro da Panini após término da licença com a FIFA

Com relação ao término da licença com a FIFA, Raúl Vallecillo destacou o atual grau de diversificação do negócio.

Ele destacou a variedade de licenças que a Panini possui, que abrangem não apenas álbuns de figurinhas, mas também publicações de quadrinhos e mangás.

Agora, “a Panini sempre vai se esforçar para oferecer o melhor aos seus consumidores, e isso inclui todo o nosso portfólio de entretenimento, como no caso do futebol”.

O CEO da Panini Brasil não confirmou se, no futuro, a marca manterá alguma presença na Copa do Mundo após 2030. “A Panini continuará sendo o que todos conhecemos: uma empresa de entretenimento que nos acompanha há muito tempo e que tem o histórico de fazer parte de um colecionismo para ser lembrado e continuar avançando nas próximas coleções”.

Inflação e matérias-primas elevam os custos do álbum

O impacto da inflação na América Latina refletiu-se nos custos operacionais da Panini na região.

Os custos mais elevados associados ao álbum da Copa do Mundo de 2026 estão diretamente relacionados ao tamanho da coleção.

Como esta coleção conta com um número maior de figurinhas, devido ao fato de haver o maior número de seleções participantes da história, o custo unitário de produção aumenta.

“Todas as aquisições de matérias-primas nos diversos mercados para a fase produtiva também sofreram um aumento significativo de preço, em função da evolução dos preços das matérias-primas, seja devido a conflitos bélicos ou ao efeito do pós-pandemia”, observou o executivo.

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Esse custo mais elevado do produto está relacionado, em parte, ao valor atual do produto nos diferentes mercados.

No entanto, Raúl Vallecillo afirma que o custo não foi repassado integralmente aos consumidores.

“Portanto, qualquer eventual ajuste de custos está diretamente relacionado à rentabilidade — ou à falta dela — que podemos alcançar em cada um dos produtos que fabricamos”, afirmou ele.

As matérias-primas utilizadas pela Panini na América Latina provêm de diversos locais, já que as fontes de produção de papel, por exemplo, estão localizadas no Canadá, na Espanha e em outros mercados. “Embora haja consumo dentro da América Latina, também há um forte volume de importações provenientes de outros mercados fora do continente”.

Figurinhas de jogadores ausentes

Paquete de figuritas de Panini de la Copa del Mundo 2026.

Em resposta à pergunta sobre os jogadores que não foram incluídos nesta edição do álbum da Copa do Mundo, como foi o caso de Neymar, a Panini confirmou que, de fato, haverá uma solução para os colecionadores.

Nos últimos Mundiais, a Panini lançou um conjunto extra que também estará disponível no álbum da Copa do Mundo de 2026 e incluirá as figurinhas dos jogadores convocados oficialmente para as seleções participantes.

“Assim como as folhas e os envelopes são vendidos em cada um dos mercados, eles também estarão disponíveis para que cada colecionador possa comprá-los”, disse ele.

O conjunto estará disponível não apenas no site, mas também em lojas físicas.

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Jogadores históricos, pirataria e figurinhas repetidas

Sobre o colecionismo, o executivo disse que há certas Copas do Mundo de futebol que se tornam icônicas e, por isso, os álbuns ganham mais valor com o passar do tempo.

Entre elas estão as Copas do Mundo da Itália em 1990, da Espanha em 1982 e, mais recentemente, do Catar em 2022, segundo ele.

Embora, mais do que uma Copa do Mundo específica, ele diga que, em geral, o que mais conta na perspectiva são os jogadores que eventualmente são convocados para cada um desses eventos.

“Assim, as grandes figuras — como, no passado, Pelé ou Maradona — fazem com que, para uns ou outros, essa seja uma Copa do Mundo especial e despertem um desejo ainda maior de colecioná-la”.

Por outro lado, Raúl Vallecillo destacou que a questão da pirataria é um fator que afeta a indústria do entretenimento em geral e que o colecionismo de álbuns não é exceção.

“Obviamente, nós, da Panini, temos a obrigação de proteger não apenas o produto oficial, mas também os direitos da FIFA que nos permitem lançar esse produto oficial”, disse ele.

“Por um lado, há o setor jurídico, que de fato acompanha a situação”, mas “a tecnologia hoje em dia facilitou a multiplicação dessa distribuição digital” no mercado da pirataria.

De modo geral, ele afirmou que o impacto da pirataria é “insignificante no fim das contas”, pois “os volumes e o número de pessoas que procuram o produto oficial de qualidade são muito maiores”.

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Quanto aos altos preços pagos no mercado informal por figurinhas especiais ou jogadores icônicos, Vallecillo afirmou que isso é desnecessário, já que a Panini oferece o serviço de completar o álbum por meio do pedido dos figurinhas que faltam em seu site oficial.

“Oferecemos o serviço de ‘últimas figurinhaspara que cada colecionador possa comprar, seja a de Messi, a de Cristiano Ronaldo ou de qualquer outro jogador que esteja na Copa do Mundo, pelo mesmo preço das demais figurinhas do álbum”, afirmou. “Portanto, essas vendas ou revendas por um valor mais alto não se justificam tanto, porque, no fim das contas, se você precisar de uma ou até 40 figurinhas, poderá comprá-las diretamente sem pagar um preço inflacionado”.

Quanto às críticas sobre a qualidade das figurinhas e a quantidade de figurinhas repetidas nesta versão do álbum da Copa do Mundo, ele afirmou que o objetivo é reduzir ao máximo esses problemas.

Os controles relativos aos processos de produção gráfica não são realizados apenas por uma área específica, mas envolvem profissionais da matriz na Itália e a equipe no Brasil.

“Portanto, a qualidade das figurinhas é semelhante em todos os mercados e, eventualmente, atende aos padrões aprovados pela FIFA no momento em que as figurinhas são impressas, disse ele.

Sobre as figurinhas repetidas no álbum da Copa do Mundo de 2026, ele explicou que o processo se baseia em placas aleatórias que garantem que saiam na mesma proporção.

“Em princípio, não deveria haver mais repetições do que em qualquer outra coleção no mercado. A diferença é que, quanto maior for a quantidade de figurinhas e a proporção de figurinhas por folha, eventualmente pode-se considerar que há mais repetições”, afirmou.

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© DANIEL HERNANDEZ

O Brasil é um dos cinco mercados mais importantes para a Panini, e a empresa planeja os álbuns com três anos de antecedência. (Foto: Daniel Hernánde)

Turbi busca debenturistas para converter dívida em ações e reduzir alavancagem

23 de Maio de 2026, 07:00

A Turbi busca autorização de debenturistas para converter os títulos de sua 12ª Emissão em ações da empresa, após a startup de aluguel de carros não realizar o pagamento de juros dos papéis no fim de abril.

A empresa sediada em São Paulo convocou os titulares de suas debêntures da 12ª emissão para uma assembleia no dia 1º de junho, segundo edital de convocação registrado na CVM na noite desta sexta-feira (22). O objetivo é votar sobre o não vencimento antecipado dos títulos, de acordo com o edital.

A 12ª emissão, realizada em agosto de 2025, é de debêntures conversíveis em ações, da espécie quirografária – ou seja, sem garantia real – e foi estruturada com remuneração de CDI mais 8% ao ano. De acordo com as demonstrações financeiras do primeiro trimestre, publicadas em 15 de maio, o saldo da 12ª emissão era de R$ 34,8 milhões ao final de março.

O pagamento de juros remuneratórios venceu em 26 de abril, segundo os documentos.

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Em resposta à Bloomberg Línea, a Turbi afirmou que a possibilidade de antecipar o vencimento já estava prevista desde a estruturação, e que a proposta “já foi discutida e aprovada pela maioria dos acionistas e debenturistas, e coordenada com outros credores da companhia.”

“A conversão em ações das debêntures representa evolução concreta do perfil de crédito da Turbi e demonstra a confiança e apoio dos acionistas na companhia. A operação reduz o passivo financeiro, fortalece o patrimônio líquido e reduz a despesa financeira da companhia. O efeito, portanto, é a melhora do resultado líquido da empresa, não o oposto”, disse a empresa em nota.

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De acordo com a startup, a operação aumenta o capital social em R$ 80 milhões. A empresa diz que o não pagamento da dívida é sua prerrogativa e que os detentores da dívida são os acionistas da empresa e não credores externos. “⁠A assembleia rejeitará a proposta de não vencimento antecipado pois a ideia é converter a emissão”, disse a Turbi.

Prejuízo no 1o. trimestre e alerta de auditor

A conversão de debêntures em ações ocorre em um momento financeiro delicado. No primeiro trimestre de 2026, a Turbi registrou prejuízo líquido de R$ 19,5 milhões – 62% maior do que no mesmo período do ano anterior.

A despesa financeira trimestral chegou a R$ 48,4 milhões, mais da metade da receita operacional líquida de R$ 90,2 milhões. O caixa consolidado era de R$ 18,9 milhões em março, contra uma dívida bruta total de R$ 837,6 milhões.

A KPMG, auditora independente da companhia, incluiu em seu relatório do trimestre uma ênfase de incerteza material sobre a continuidade operacional.

“Esses eventos e condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da Companhia”, escreveu a KPMG.

Nas notas explicativas, a administração da Turbi afirmou que estima que “os recursos provenientes da venda dos veículos, somados à geração de caixa operacional vinda do aluguel desses ativos, serão suficientes para suportar as amortizações previstas”.

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À Bloomberg Línea, a Turbi disse que reitera as informações prestadas em seu último balanço, “que demonstram uma gestão meticulosa e escrupulosa de sua dívida, assim como solidez operacional e crescimento do negócio.”

A empresa destacou que registrou margem Ebitda do segmento de aluguel de carros de 60,5% no trimestre, avanço de 9,3 pontos percentuais sobre o mesmo período do ano anterior, aumento de 52% na receita líquida, para R$ 90,2 milhões; e EBITDA consolidado de R$ 33,2 milhões, 77% mais que no ano anterior.

“A frota aumentou 33% no trimestre, e a taxa de utilização aumentou 2,6 pontos percentuais em relação ao período anterior”, afirmou.

Descumprimento de covenants

Em março, a Turbi já havia convocado uma assembleia de titulares da 7ª emissão de notas comerciais para obter a dispensa do descumprimento do Índice de Cobertura de Juros — métrica contratual que mede a relação entre Ebitda e despesas financeiras e que deveria ser de ao menos 1x —, violado desde janeiro de 2026. Os titulares aprovaram o waiver por unanimidade.

A empresa disse ter identificado o descumprimento de covenants em outros contratos de dívida em abril, sem especificar, e informou que iniciaria “tratativas formais junto às instituições credoras e agentes fiduciários para a obtenção de waivers e a repactuação de cláusulas”, segundo as demonstrações financeiras do primeiro trimestre, publicadas em 15 de maio.

Dias antes de deixar de pagar os juros da 12ª emissão, o conselho de administração da Turbi aprovou uma nova captação da 13ª emissão de debêntures, neste caso com garantia real, no valor de até R$ 265 milhões. Em 30 de abril, R$ 85 milhões foram integralizados. Os recursos, segundo fato relevante publicado pela empresa, serão usados exclusivamente para comprar veículos novos.

A Turbi opera no modelo de aluguel de carros por horas, com uma frota de cerca de 6.500 veículos. Em setembro de 2025, a empresa dizia contar com cerca de 300 estacionamentos em São Paulo e cidades próximas, como Guarulhos, Osasco e região do ABC.

No primeiro trimestre de 2026, a receita de locação somou R$ 60,5 milhões no consolidado. A empresa também vende os veículos da frota após cerca de 25.000 a 30.000 quilômetros rodados, vertical que respondeu por cerca de 31% da receita líquida no primeiro trimestre de 2026.

A Turbi recorreu ao mercado de dívida em ritmo acelerado para financiar sua expansão. Desde 2018, a empresa realizou 13 emissões. Em outubro de 2025, uma captação de R$ 156 milhões foi ancorada pelo Itaú Unibanco. Na época, executivos da empresa disseram à Bloomberg News que as operações de crédito poderiam “abrir caminho para um IPO no futuro”.

À época, o CFO Mario Liao havia reconhecido que o índice de dívida líquida sobre Ebitda da empresa estava entre cinco e seis vezes e que o objetivo era reduzi-lo por meio da venda de uma participação acionária.

O balanço do primeiro trimestre registra que, no período, a Turbi recebeu um aporte de R$ 9,4 milhões da Caravela Capital, fundo descrito pela administração como “focado em tecnologia e mobilidade”. O valor foi contabilizado na reserva de capital da companhia por meio de um mútuo conversível – instrumento que pode se transformar em participação acionária.

Na carta aos acionistas, o CEO Daniel Prado apresentou a entrada da Caravela como uma das “movimentações relevantes” do trimestre, descrevendo-a como validação da tese da Turbi “como uma empresa de base tecnológica”.

-- Reportagem atualizada em 24/05/2025, às 16h, para incluir o posicionamento da Turbi e alterar o conteúdo para refletir que a empresa busca converter os títulos em ações.

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Shoppings atraem mais visitantes, mas fim da taxa das blusinhas traz incertezas

22 de Maio de 2026, 18:05

O fluxo de visitantes nas lojas de shoppings centers cresceu 16% em abril ante o mesmo mês de 2025, alcançando o maior nível desde março de 2024.

O dado de fluxo de visitantes em abril é do IPV (Índices de Performance de Varejo), da HiPartners, venture capital focada em varejo, e foi reproduzido em relatório do J.P. Morgan divulgado nesta sexta-feira (22). O indicador mede as entradas em lojas via sensores eletrônicos.

O movimento nas ruas comerciais subiu 11% no mesmo período, de acordo os dados apontados no mesmo relatório. A região Sudeste, principal mercado das três empresas de shopping centers listadas em bolsa, teve queda de -7% no fluxo na comparação anual.

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O banco mantém recomendação de compra para as três principais operadoras de shoppings.

Os preços-alvo para dezembro de 2026 são R$ 40 para a Allos (ALOS3), R$ 36 para a Iguatemi (IGTI11) e R$ 42 para a Multiplan (MULT3), com potencial de alta entre 35% e 40% sobre os preços atuais.

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Apesar do movimento positivo no fluxo de visitantes nos shoppings, o setor varejista já acende um alerta após a revogação em maio da chamada taxa das blusinhas, tributação aplicada desde 2024 a compras de até US$ 50 feitas em plataformas de e-commerce como Shein, Shopee, Temu, TikTok Shop e AliExpress.

Soma-se ao cenário a incerteza envolvendo a Azzas 2154 (AZZA3), uma das maiores inquilinas dos shoppings do país e dona de 25 marcas com forte presença nesses corredores, como Arezzo, Schutz, Hering, Farm e Reserva, em meio à disputa societária entre sócios e à perspectiva de cisão.

Por outro lado, um fator favorável é a temporada de filmes nas salas de exibição na virada do semestre, que pode seguir a tradição do calendário dos shoppings e ajudar a sustentar o fluxo nos centros de compras no período de férias escolares.

Há estreias com apelo de franquias como Toy Story 5, Minions 3, Moana 3 e Star Wars: The Mandalorian e Grogu. O efeito já apareceu em maio com O Diabo Veste Prada 2, que liderou bilheteria no Brasil e movimentou o público nos shoppings.

Varejo nacional sem proteção tributária

O ponto de atenção para a receita das operadoras de shoppings está nas categorias mais expostas à concorrência internacional. A taxa das blusinhas era um tributo de 20% mais ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) aplicado a compras feitas em sites internacionais de até US$ 50.

Veja mais: Briga societária e queda das vendas ameaçam plano de virada da Azzas, dizem analistas

Sem a tributação, abre-se uma diferença de custo de até 16,5% entre o varejo brasileiro e as plataformas estrangeiras, dependendo da composição tributária, segundo análise da consultora Ana Paula Tozzi, CEO da AGR. A discussão envolve, segundo ela, assimetria tributária, e não competitividade operacional do varejo nacional.

A Shein estava 6% mais barata que a Riachuelo, 10% abaixo da Renner e 13% abaixo da C&A em pesquisa de preços com oito produtos feita pelo BTG Pactual, divulgada em relatório. As três varejistas figuram entre as principais lojas-âncora de vestuário nos shoppings brasileiros.

A plataforma chinesa também avança no formato físico, com pop-up em Curitiba entre 27 e 31 de maio no Ventura Shopping e expectativa de 15 mil visitantes, o dobro da edição anterior.

Impacto da crise da Azzas nos shoppings

Dona de dezenas de marcas de roupas, calçados e acessórios, a Azzas opera média de 14 lojas por shopping no país. Franqueados de lojas, analistas e administradoras de centros comerciais ainda têm mais dúvidas do que certezas sobre os efeitos do possível “divórcio” entre os grupos Arezzo e Soma.

O motivo é que a chamada “House of Brands” havia reformulado lojas recentemente e planejava usar seu status de “super-inquilina” para renegociar contratos de locação em condições mais favoráveis. O antigo plano envolvia ainda a unificação das unidades de vestuário, calçados e bolsas, com padronização de processos, sistemas e serviços.

A estrutura em discussão para a cisão prevê empresas-espelho, com Alexandre Birmann ficando com Arezzo&Co, Hering e Farm, e Roberto Jatahy retendo o portfólio feminino de moda e estilo de vida, segundo o J.P. Morgan, que rebaixou a ação para neutra e preço-alvo de R$ 24,50.

A leitura é compartilhada por consultores do setor. “Esse casamento caminha a passos largos para uma separação, menos de dois anos depois de ter sido celebrado”, afirmou Luiz Alberto Marinho, fundador da consultoria LAM.

O consultor cita a notícia publicada pelo jornal Valor Econômico de que o modelo prevê que a Azzas fique com Arezzo, Hering, Reserva e Farm Rio, enquanto o Grupo Soma manteria marcas como Cris Barros, Animale, NV e Maria Filó.

“As marcas são fortes, relevantes. Não creio que os valores de locação serão alvos de renegociação”, analisou Marinho à Bloomberg Línea, descrente de que a cisão, se consumada, abriria uma oportunidade para eventual revisão de contratos de aluguel entre lojistas da Azzas e os shoppings.

Competição com calçados importados

A indústria calçadista entra na conta porque concentra parte relevante das marcas operadas pela Azzas e divide espaço nos shoppings com fabricantes independentes.

A Abicalçados projeta dois cenários para a produção brasileira em 2026: recuo de 1,2% no pessimista e alta de 1,4% no otimista, conforme relatório recém-publicado. Em valor, a produção deve avançar entre 3,8% e 5,1% sobre os R$ 40 bilhões registrados em 2025.

A projeção parte de uma base fraca. A produção brasileira totalizou 847,5 milhões de pares em 2025, retração de 1,9% ante 2024, com queda equivalente no consumo doméstico e recuo de 1,8% em valor nas exportações.

As importações atingiram 43,2 milhões de pares no mesmo ano, alta de 20,6% em volume e maior patamar da última década, com Vietnã, China e Indonésia respondendo por 78,5% do total e a China praticando preço médio de US$ 4,50 por par, segundo a associação do setor.

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© Lucas Landau

Barra Shopping, no Rio de Janeiro: ponto de atenção para a receita das operadoras de shoppings está nas categorias mais expostas à concorrência internacional. (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)

A mudança no modelo da Empiricus

22 de Maio de 2026, 06:59

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A Empiricus deu início neste mês a uma nova fase em seu modelo de negócios. A maior casa de análise do país vai trocar o formato de assinaturas individuais de séries de investimento pela criação de uma plataforma consolidada de conteúdo financeiro por assinatura – algo que o CEO Rodolfo Amstalden classifica como uma espécie de “Netflix do mercado financeiro”.

No novo formato, o assinante tem acesso a 10 carteiras de investimentos e conteúdos da empresa por um valor fixo mensal mais acessível. Antes, cada assinatura era vendida separadamente, a preços significativamente mais altos.

“É algo que continua tendo muito valor, as pessoas querem acessar para tomar as suas decisões de investimento, mas não necessariamente querem pagar caro por isso como pagavam antes”, afirmou Amstalden em entrevista à Bloomberg Línea.

Amstalden é um dos fundadores da Empiricus ao lado de Felipe Miranda e Caio Mesquita, que deixaram a empresa e a sociedade com o BTG Pactual no início de 2026.

⇒ Leia a reportagem: Empiricus reformula assinatura, estreita laços com BTG e mira dobrar usuários ativos

Empiricus conta atualmente com 300.000 assinantes e 40.000 usuários ativos, que consomem algum conteúdo ao menos uma vez por mês. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações globais operam em alta nesta sexta-feira (22), à medida que aumentam as esperanças de que os Estados Unidos e o Irã estejam mais próximos de um acordo de paz. O S&P 500 caminha para registrar sua mais longa sequência de ganhos semanais desde 2023.

- Fortuna no esporte. Lionel Messi ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão em patrimônio líquido, segundo dados do Bloomberg Billionaires Index. A ida para o Inter Miami ampliou as receitas do jogador, que agora está ao lado de Cristiano Ronaldo entre os atletas mais ricos do mundo.

- Mercado imobiliário europeu. O bilionário co-fundador da Zara, Amancio Ortega, está em negociações para comprar um edifício de escritórios em Paris por cerca de € 850 milhões, em uma operação que pode se tornar a maior transação de escritórios da Europa desde 2022.

- Luxo em recuperação. As vendas da suíça Richemont no ano fiscal encerrado em março subiram 11%, impulsionadas pela demanda por joias Cartier e pelo forte desempenho nas Américas. A empresa foi uma das que mostraram maior resiliência à desaceleração do setor de luxo em comparação com rivais como a LVMH.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (21/05): Dow Jones Industrials (+0,55%), S&P 500 (+0,17%), Nasdaq Composite (+0,09%), Stoxx 600 (+0,04%), Ibovespa (+0,17%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

ETF da BlackRock para América Latina registra saídas com IA e volatilidade política

Laços com Vorcaro abalam o apoio de empresários e investidores a Flávio Bolsonaro

Treasuries de 30 anos acima de 5% ampliam pressão sobre América Latina e emergentes

• Também é importante: De Jeep a RAM: Stellantis investirá € 60 bi até 2030 com foco em quatro marcas | GPA vende participação na Stix, programa de fidelidade, à RD Saúde por R$ 23 milhões

• Opinião Bloomberg: SpaceX corre risco de cair na ‘armadilha do conglomerado’ com apostas em IA e chips

• Para não ficar de fora: Guerra eleva custos de fertilizantes e freia expansão agrícola no Brasil

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Empiricus reformula assinatura, estreita relação com BTG e mira dobrar usuários ativos

22 de Maio de 2026, 06:00

A Empiricus deu início neste mês a uma nova fase em seu modelo de negócios. A maior casa de análise do país vai trocar o formato de assinaturas individuais de séries de investimento pela criação de uma plataforma consolidada de conteúdo financeiro por assinatura – algo que o CEO Rodolfo Amstalden classifica como uma espécie de “Netflix do mercado financeiro”.

No novo formato, o assinante tem acesso a 10 carteiras de investimentos e conteúdos da empresa por um valor fixo mensal mais acessível. Antes, cada assinatura era vendida separadamente, a preços significativamente mais altos.

“É algo que continua tendo muito valor, as pessoas querem acessar para tomar as suas decisões de investimento, mas não necessariamente querem pagar caro por isso como pagavam antes”, afirmou Amstalden em entrevista à Bloomberg Línea.

Segundo ele, a mudança ocorreu porque a empresa avaliou que já não seria mais possível monetizar esse tipo de conteúdo no modelo anterior.

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Amstalden é um dos fundadores da Empiricus ao lado de Felipe Miranda e Caio Mesquita, que deixaram a empresa e a sociedade com o BTG Pactual no início de 2026.

O deal de compra da Empiricus pelo BTG, fechado em maio de 2021, incluiu ainda a gestora Vitreo e os sites de finanças pessoais e investimentos Seu Dinheiro e Money Times – um total de R$ 690 milhões, segundo os valores divulgados à época.

A integração com o banco ao longo dos últimos anos levou à absorção de estruturas semelhantes entre as duas empresas, como as áreas de gestão, corretagem e segmentos corporativos. Amstalden define o novo passo como a consolidação dessa trajetória e um retorno ao core business da Empiricus.

“É uma volta às origens. A Empiricus nasceu como uma empresa com início, meio e fim de conteúdo”, afirmou. “É a nossa mudança de maior impacto estratégico”.

Leia também: Felipe Miranda deixa a Empiricus após 16 anos e sai do partnership do BTG Pactual

Em vez de monetizar apenas o conteúdo em si, a Empiricus passa a funcionar como um canal de distribuição e curadoria para produtos financeiros do ecossistema BTG.

Em abril, por exemplo, a empresa usou suas plataformas para destacar o CMDB11, ETF de commodities da BTG Asset, num momento em que o cenário geopolítico tornava o ativo relevante para carteiras de varejo.

O resultado foi um salto expressivo no número de cotistas, segundo o CEO. O próximo na fila é o BTLG11, fundo imobiliário de galpões logísticos.

“Meu interesse agora é gerar receitas-espelho para o grupo. Não faço nenhuma questão de ter essa receita dentro do meu guarda-chuva”, disse o executivo.

“É uma volta às origens. A Empiricus nasceu como uma empresa início, meio e fim de conteúdo”, afirmou

A Empiricus conta atualmente com 300.000 assinantes e 40.000 usuários ativos, que consomem algum conteúdo ao menos uma vez por mês. A meta, segundo Amstalden, é dobrar a base ativa em 12 meses com a Empiricus+.

IA e WhatsApp

Para ampliar o alcance, a empresa aposta ainda em campanhas de teste gratuito e em uma parceria com o controlador: clientes do BTG Pactual com ao menos R$ 5 mil investidos na plataforma ganham acesso à plataforma sem custo adicional.

Amstalden defende ainda que a Empiricus+ não irá competir com a atuação dos assessores de investimento plugados ao banco, e sim se tornar uma estratégia complementar de prospecção com o cliente.

“Se você tem um bom motivo genuíno para conversar com o seu cliente, isso muitas vezes passa por conteúdo de qualidade – seja uma notícia, um relatório, um vídeo, um podcast”, disse Amstalden. “[Acessar a Empiricus+] é um gancho maravilhoso para iniciar uma conversa com o cliente.”

Como próximos passos, a Empiricus prevê a incorporação de uma ferramenta de busca por inteligência artificial dentro da área logada — um mecanismo que responderá perguntas do usuário com base exclusivamente nos conteúdos, dados e ferramentas da própria plataforma.

“Vemos bastante valor nisso, não só porque todo mundo está se acostumando a usar IA, mas porque há um diferencial importante: quando você coloca uma IA na web, em interface aberta, os riscos de alucinação e de respostas não confiáveis são maiores. Por isso queremos aplicar esse mecanismo restrito às fronteiras do nosso conteúdo, dados e ferramentas”, avaliou o CEO.

A expectativa é também conteúdo personalizado via WhatsApp. Com a tecnologia da Kinvo, consolidador de carteiras também adquirido pelo BTG, o investidor poderá cadastrar sua carteira e receber diariamente um resumo do que aconteceu com seus ativos: notícias, fatos relevantes, resultados e análises publicadas pela Empiricus. O serviço entrou em fase beta esta semana e deve ser lançado à base da empresa nos próximos 40 dias.

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Escritório da Empiricus, em São Paulo: empresa conta atualmente com 300.000 assinantes e 40.000 usuários ativos, que consomem algum conteúdo ao menos uma vez por mês. (Foto: Divulgação)

Jatinhos ou helicópteros? Esquenta disputa do transporte aéreo na Faria Lima

5 de Agosto de 2023, 17:41

O mercado de transporte aéreo em São Paulo terá o aumento da competição no segmento de fretamento de helicópteros ou jatinhos para rotas de curta distância, como o aeroporto internacional de Guarulhos e a Fazenda Boa Vista, no interior paulista, reduto do público de alta renda do país.

Nesta semana que passou, a Revo, plataforma do grupo português OHI, começou a operar na capital com voos regulares para esses dois destinos, com dois helicópteros bimotores da Airbus.

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O modelo de negócios é conhecido no mercado como “Uber dos helicópteros”, em alusão aos serviços de táxi aéreo que operam de forma similar ao aplicativo de mobilidade urbana terrestre. Outros players já testaram modelo semelhante e há ainda a competição com jatinhos fretados (veja mais abaixo).

Essas empresas permitem que os usuários solicitem viagens também via aplicativo e operam em um modelo de compartilhamento de custos, o que significa que os usuários podem compartilhar um voo com outras pessoas para reduzir o valor individual que precisam pagar.

Dois helipontos serão usados na operação da Revo: o do edifício International Plaza II, na esquina das avenidas Juscelino Kubitschek com Faria Lima, na Vila Olímpia, e o do complexo Cidade Jardim Corporate Center.

O grupo OHI atua no Brasil no mercado de transporte aéreo offshore por meio da Omni Táxi Aéreo, que presta serviços para companhias como a Petrobras (PETR3, PETR4).

A decisão de lançar a plataforma digital de mobilidade urbana Revo veio após estudos para diversificar os negócios no país, disse o CEO da Revo, João Welsh.

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Concorrência

A chegada da novata Revo vai enfrentar concorrentes já estabelecidos no mercado. Um exemplo é a Flapper, cujo CEO Paul Malicki disse que o modelo de negócio da plataforma portuguesa é “questionável”.

“Por que usar helicópteros biturbinados como EC 155 e EC 135, que são excepcionalmente caros e barulhentos? Mobilidade urbana aérea, para ser acessível, precisa ser baseada no helicóptero monomotor, como AS 350 ou Jet Ranger, como outros players fazem ou fizeram no passado. Foi o caso da Blade e da Voom”, disse Malicki à Bloomberg Línea.

O CEO da Revo, por sua vez, afirmou que os helicópteros inicialmente usados em seu lançamento fazem parte da frota da Omni. O modelo H135 transporta até cinco passageiros; o H155, até oito. Todos os voos contam com dupla tripulação, segundo ele.

“O plano de expansão prevê 12 aeronaves em cinco anos, em princípio da Airbus. Nesse prazo, queremos que a Revo represente entre 20% e 25% da receita do grupo. Em 2022, a OHI faturou 300 milhões de euros”, afirmou Welsh.

Helicóptero da Revo no heliponto da Fazenda Boa Vista, localizado no município de Porto Feliz, no interior paulista

Essa estimativa não considera a previsão de recebimento de eVTOLs (electric vertical take-off and landing, aeronave de decolagem e aterrissagem vertical elétrica), em que a Eve, que é controlada pela Embraer (EMBR3), é uma das principais fabricantes.

“Temos um pedido não firme de eVTOLs com a Eve para 50 aeronaves. Nossa expectativa é receber em 2026″, revelou o CEO da Revo, em referência justamente ao ano previsto para o começo das entregas da fabricante brasileira dos chamados “carros voadores”.

A primeira fábrica dos eVTOLs da Eve em território nacional será em Taubaté, no interior paulista. Ainda não há preço de cada unidade, pois o protótipo não foi ainda nem certificado, explicou Welsh.

“Os eVTOLs são o futuro da mobilidade. Eles tornarão os voos mais verdes, acessíveis e sustentáveis, mas quem vai operar esses veículos? Onde estão os passageiros? Há muito a ser feito ainda em termos da infraestrutura para que os carros voadores se tornem uma realidade em alguns anos”, disse.

Preços por assento: R$ 3.500

A estreia da Revo traz uma nova política comercial: a venda avulsa de assentos individuais nos helicópteros. Em janeiro, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) aprovou, em caráter definitivo, a comercialização de assentos de forma avulsa, como alternativa ao fretamento (contratação de toda a aeronave).

A venda avulsa dos assentos individuais por empresas de táxi aéreo começou em 2020, como uma necessidade de flexibilização das regras do setor aéreo durante a pandemia da covid-19.

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A medida, que possibilitou o transporte de pessoas e cargas especialmente em rotas com menor oferta de voos, acabou por se tornar uma opção permanente com a Resolução 700, de 24 de janeiro deste ano.

Além de fomentar a aviação regional, a regra ampliou as opções de voos em aeronaves utilizadas em operações não agendadas com até 19 assentos. Com a regulamentação, empresas de táxi aéreo certificadas poderão ofertar bilhetes aéreos para até 15 voos por semana.

“Vamos iniciar a Revo com 40 voos semanais, sendo 30 para Guarulhos, de segunda a sexta, 15 de ida e 15 de volta. Outros 10 serão para a Fazenda Boa Vista, 5 de sexta a sábado, 5 de domingo a segunda˜, disse Welsh.

O executivo da Revo explicou que a plataforma vai usar ferramentas de IA (Inteligência Artificial) para obter respostas sobre os destinos e horários mais demandados pelos usuários para realizar os ajustes da malha aérea, traçando rotas também terrestres.

“As funções básicas - reservar um voo nas rotas específicas e pagar - não precisam nem de análise preditiva nem de machine learning. É um grande exagero. Atualmente não tem nenhuma plataforma no nosso setor que amplamente usa machine learning ou AI porque não precisa”, avaliou Malicki.

O trajeto de helicóptero entre a Faria Lima e Guarulhos custa R$ 3.500 por assento. No caso das rotas entre São Paulo e a Fazenda Boa Vista, o valor é de R$ 5.000.

“Hoje, para fazer esses mesmos percursos, o passageiro precisa fretar uma aeronave, com custo médio de R$ 20 mil para o aeroporto e R$ 35 mil para a Fazenda Boa Vista, sem o que entendemos que são os diferenciais da Revo, como hosts treinados, lounge premium nos pontos de embarque e desembarque e transporte do cliente porta a porta”, afirmou o CEO da Revo.

Já o CEO da Flapper forneceu preços menores do que o valor médio citado pela Revo para o trecho entre a Faria Lima e Boa Vista.

“A partir de R$ 13.800, dá para sair da Faria Lima pela Flapper para a Boa Vista no helicóptero Airbus B4. Já o biturbina é a partir de R$ 21.560″, informou Malicki.

Projetos anteriores

O CEO da Flapper também evitou considerar a Revo como uma plataforma pioneira, ao lembrar de outras tentativas - hoje descontinuadas - de players com a proposta de ser o “Uber dos helicópteros”.

“O que aconteceu com empresas como a Voom, braço da Airbus, que investiu mais de US$ 30 milhões no desenvolvimento desse conceito no Brasil? Houve diversos players tentando competir no setor de mobilidade aérea no Brasil, entre eles Helo (pioneira), FlyEdge, Aerobid, CloudTaxi, VoudeJato e, mais recentemente, FlyAdam. Infelizmente todos fecharam a porta ao longo dos anos”, disse Malicki.

O CEO da Revo disse que a plataforma foi idealizada no fim de 2020, período em que realizou um estudo de mercado para propor um serviço e um modelo de negócio.

O Grupo OHI é dono de 100% da Revo. O OHI, por sua vez, é apoiado pelo seu principal acionista, a Stirling Square Capital Partners, uma empresa de private equity com sede no Reino Unido que atualmente administra um portfólio de mais de 3 bilhões de euros, segundo o CEO da Revo.

Todos os voos da Revo serão operados pela Omni Táxi Aéreo. Também controlada pelo grupo OHI, a Omni opera no Brasil há cerca de 20 anos e se define como o maior operador de helicópteros na América Latina. Segundo a Revo, a frota do grupo é de 90 helicópteros, que realizam 1.500 voos semanais, e está avaliada em US$ 1 bilhão.

Com sede no Rio de Janeiro, a Omni Táxi Aéreo oferece serviços de transporte de pessoal e de equipamentos de bases em terra para plataformas marítimas e outras instalações, incluindo emergência médica, para clientes como Petrobras, Total, Exxon e Shell.

Mercado de helicópteros

A disputa pela preferência de executivos da Faria Lima na hora de fretar um assento em helicóptero se deve ao tamanho desse mercado. O Brasil conta com uma frota de 2.000 helicópteros, segundo a Avantto, empresa do segmento de compartilhamento de aeronaves executivas, citando dados da Anac em julho.

Só a capital paulista tem mais de 410 aeronaves, que realizam cerca de 2.200 pousos e decolagens diariamente.

“São Paulo tem a maior frota de helicópteros do mundo, seguido de Nova York, Tóquio, Rio de Janeiro, Londres, Belo Horizonte, Santiago, Cidade do México, Bogotá e Pequim”, estimou a Avantto, que diz ter 450 usuários ativos no portfólio com quatro tipos de aparelho de asa rotativa no pool de compartilhamento.

A Abraphe (Associação Brasileira de Pilotos de Helicópteros) também estimou a liderança da cidade de São Paulo em número de aeronaves no mundo.

Público da Fazenda Boa Vista

Ao escolher a Fazenda Boa Vista como uma das rotas, a Revo justificou que seu foco é o público de alta renda.

Segundo a JHSF (JHSF3), o condomínio de luxo possui um total de 885 propriedades, das quais 600 estão habitadas. A incorporadora não quis fornecer dados sobre a movimentação de helicópteros em seu heliponto.

“Atualmente, a parceria se dá pela integração da Revo na plataforma JHSF ID como um dos prestadores de serviço com condições preferenciais aos membros. Basicamente, os integrantes têm descontos em voos e podem trocar os pontos acumulados por voos da Revo”, informou a Revo à Bloomberg Línea.

Além desse empreendimento em Porto Feliz, a 100 km da capital, a empresa planeja lançar duas novas rotas regulares a partir de São Paulo no último trimestre. Os clientes também podem reservar voos privados realizados sob demanda entre São Paulo e regiões próximas, como campo, praia e cidades vizinhas.

O CEO da Revo disse que a JHSF é uma parceira importante para a captação de clientes pela plataforma. “Eles podem servir assentos de helicóptero para seu grupo fechado de clientes”.

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De Jeep a RAM: Stellantis investirá € 60 bi até 2030 com foco em quatro marcas

21 de Maio de 2026, 12:53

A Stellantis (STLA) anunciou nesta quinta-feira (21) um plano estratégico que prevê investimento de € 60 bilhões até 2030 com o objetivo de reforçar sua posição no mercado automotivo global.

O grupo ítalo-americano concentrará 70% dos recursos do plano, batizado de Fastlane, em quatro marcas — Jeep, RAM, Peugeot e Fiat — que deverão impulsionar o crescimento e a rentabilidade.

“Cada marca da Stellantis terá um papel claro no cumprimento dos compromissos do Fastlane 2030”, afirmou a investidores o CEO do grupo, Antonio Filosa.

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A estratégia também prevê alocação significativa para parcerias com montadoras chinesas, inteligência artificial (IA) e desenvolvimento de baterias. A iniciativa ocorre diante de um cenário cada vez mais competitivo, o que inclui a ofensiva de chinesas na eletrificação de veículos.

O plano contempla como principais pilares a gestão mais eficiente do portfólio de 14 marcas; investimentos em plataformas globais, motorização e novas tecnologias; parcerias; eficiência da base industrial e fortalecimento das regiões e das equipes locais.

O grupo informou que, até 2030, estão previstos mais de 60 lançamentos e 50 atualizações relevantes de produtos, abrangendo todas as marcas e diferentes tecnologias de propulsão, incluindo 29 veículos elétricos a bateria, 15 híbridos plug-in ou elétricos de autonomia estendida, 24 híbridos e 39 modelos com motores a combustão ou híbridos leves.

A montadora informou que as marcas regionais Chrysler, Dodge, Citroën, Opel e Alfa Romeo continuarão relevantes em seus mercados e devem se beneficiar das plataformas globais. Já DS e Lancia serão desenvolvidas como marcas de nicho, sob gestão da Citroën e da Fiat, respectivamente.

Nos próximos cinco anos, a Stellantis prevê investimentos de € 24 bilhões em plataformas globais, propulsão (powertrain) e novas tecnologias. No período, 50% do volume global anual do grupo será produzido sob três plataformas globais, o que eleva a padronização e, consequentemente, otimiza os custos.

Leia mais: Como a BYD dribla crise do frete com frota própria de navios para até 9 mil carros

Parcerias

Segundo comunicado, o próximo passo da parceria com a Leapmotor International, controlada em 51% pela Stellantis, é a união da área de compras, com foco em custos. As empresas também planejam avançar na cooperação industrial, com o compartilhamento de capacidade produtiva nas fábricas de Madrid e Zaragoza, na Espanha, com foco em futuros requisitos “Made in Europe”.

Em solo chinês, a Stellantis espera iniciar a produção de dois modelos Peugeot e dois Jeep em parceria com a Dongfeng destinados ao mercado chinês e a outras regiões. O plano também prevê nova joint venture com a Dongfeng na Europa.

As parcerias incluem ainda avanços com a indiana Tata, a britânica Jaguar Land Rover e projetos estratégicos nas áreas de software, inteligência artificial e tecnologia de baterias, incluindo nomes de parceiros como Qualcomm e NVIDIA, entre outros.

Operações nas regiões

Na América do Sul, a Stellantis projeta crescimento de 10% na receita e lucro operacional entre 8% e 10%, sustentado pela consolidação de sua liderança no Brasil e na Argentina, pela ofensiva no segmento de picapes e pela expansão em outros mercados da região.

O grupo informou que a capacidade instalada na Europa deverá ser reduzida em mais de 800 mil unidades, por meio da reconfiguração de plantas, com aumento da utilização da capacidade de 60% para 80% até 2030.

Nos Estados Unidos, o aumento da produção também deve elevar a capacidade para o mesmo patamar no período. Segundo o grupo, 60% dos €36 bilhões a serem investidos em marcas e produtos serão destinados à América do Norte.

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© Bing Guan

Grupo terá como foco quatro marcas e o desenvolvimento de novas tecnologias.

O foco da CVC em renegociar a dívida

21 de Maio de 2026, 07:03

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A CVC Corp deu início a um processo de reestruturação operacional e financeira que inclui cortes de despesas administrativas, como enxugamento da folha de pessoal, à revisão de estratégias de mercado.

Pressionada por um cenário macroeconômico global adverso, a maior operadora de turismo do Brasil implementou uma redução em seu quadro de colaboradores e na linha de custos fixos para mitigar os impactos de um balanço trimestral desafiador.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o vice-presidente de Finanças, Jurídico, Estratégia e Relações com Investidores da operadora, Felipe Gomes, afirmou que a prioridade da holding é alongar e baratear a debênture em circulação, e não captar recursos via emissão de ações.

“Não, hoje não consideramos [um novo aporte de capital]. O foco da companhia é na renegociação da dívida atual da debênture”, disse o executivo.

“Apesar de toda a dificuldade do mercado, das questões geopolíticas, do crédito privado estar sofrendo um pouco, nós vemos uma janela para a CVC Corp fazer reestruturação da debênture atual, mais longa e mais barata”, completou.

⇒ Leia a reportagem: CVC foca em renegociar dívida e descarta novo aporte de capital, diz VP

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No radar dos mercados

A recuperação dos futuros das ações dos Estados Unidos perdeu força nesta quinta-feira (21), enquanto os investidores voltaram a aguardar sinais concretos sobre um possível acordo de paz no Oriente Médio.

- Privatização da Copasa. A Equatorial avalia manter interesse no processo de privatização da Copasa mesmo após a desistência da Sabesp, que era sua parceira no consórcio, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg News. A companhia estuda apresentar proposta até o prazo final de 25 de maio.

- Reservas de petróleo em queda. Os estoques globais de petróleo e derivados estão caindo em ritmo recorde em maio, diante dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre a oferta, segundo o Goldman Sachs. O banco aponta que refinarias chinesas reduziram importações diante da demanda mais fraca.

- Stellantis em reestruturação. A montadora se prepara para detalhar nesta quinta-feira sua estratégia de recuperação após seu valor de mercado cair cerca de dois terços em dois anos. O CEO Antonio Filosa tem apostado em parcerias com montadoras chinesas como Dongfeng e Leapmotor para reduzir custos.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (20/05): Dow Jones Industrials (+1,31%), S&P 500 (+1,08%), Nasdaq Composite (+1,55%), Stoxx 600 (+1,46%), Ibovespa (+1,77%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Raízen corre para aprovar plano de reestruturação sem apoio de bondholders, dizem fontes

Receita de US$ 18,7 bi e 85% de poder de voto de Musk: os detalhes do IPO da SpaceX

Daniel Goldberg, da Lumina, vê oportunidade em ‘mini ciclos’ de crédito no Brasil

• Também é importante: Gera, que tem Lemann como sócio, sai de ensino bilíngue após Cade aprovar venda da Edify | Gestora I Squared está entre os interessados no Porto Sudeste, dizem fontes

• Opinião Bloomberg: Google tem potencial para liderar em IA, mas não deve sobrecarregar usuários

• Para não ficar de fora: Como a BYD dribla crise do frete com frota própria de navios para até 9 mil carros

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CVC foca em renegociar dívida e descarta novo aporte de capital, diz VP

21 de Maio de 2026, 06:00

A CVC Corp (CVCB3) deu início a um processo de reestruturação operacional e financeira que inclui cortes de despesas administrativas, como enxugamento da folha de pessoal, e revisão de estratégias de mercado.

Pressionada por um cenário macroeconômico global adverso, a maior operadora de turismo do Brasil implementou uma redução em seu quadro de colaboradores e na linha de custos fixos para mitigar os impactos de um balanço trimestral desafiador.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o vice-presidente de Finanças, Jurídico, Estratégia e Relações com Investidores da operadora, Felipe Gomes, afirmou que a prioridade da holding é alongar e baratear a debênture em circulação, e não captar recursos via emissão de ações.

“Não, hoje não consideramos [um novo aporte de capital]. O foco da companhia é na renegociação da dívida atual da debênture”, disse o executivo.

“Apesar de toda a dificuldade do mercado, das questões geopolíticas, do crédito privado estar sofrendo um pouco, nós vemos uma janela para a CVC Corp fazer reestruturação da debênture atual, mais longa e mais barata”, completou.

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Gomes detalhou o cronograma de vencimentos para sustentar a tese de que um follow on (oferta subsequente de ações) não está no radar. “Temos uma parcela de R$ 80 milhões vencendo no final do ano, e temos mais de R$ 400 milhões no caixa. Hoje, então, não enxergamos um follow on dado o valor da ação. Não faria sentido”, argumentou ele.

O executivo acrescentou que o caixa também cobre o montante total do vencimento. “Para a própria debênture como um todo, considerando todos os pagamentos até o final de 2028, são R$ 400 milhões, e temos mais do que isso no caixa, sem contar a geração ao longo dos próximos anos”, disse.

Leia também: CVC: família Paulus dobra aposta e estuda trazer marca de luxo Biblos ao Brasil

Vice-presidente de Finanças, Jurídico, Estratégia e Relações com Investidores da CVC, Felipe Gomes, diz que qualquer empresa que tiver interesse em uma proposta ou de participar do capital da companhia precisa formalizar proposta e levar ao conselho, depois ser direcionado para uma Assembleia, onde haveria uma votação.

O VP também rebateu a leitura de que a companhia estaria avaliando o fatiamento de ativos diante de suposto interesse da Decolar, controlada pela sul-africana Prosus.

No início de maio, após coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo apontar que a companhia argentina preparava uma OPA (oferta pública de aquisição) por valor superior a R$ 3,30 por ação, a CVC protocolou fato relevante na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) negando ter recebido qualquer comunicação ou proposta formal, comunicado assinado pelo próprio Gomes.

À Bloomberg Línea, o executivo reforçou o teor do documento. “A companhia não tem como comentar algo que não foi formalizado”, afirmou.

“Somos uma empresa de capital aberto, e qualquer empresa que tiver interesse em uma proposta ou de participar do capital da CVC Corp precisa formalizar proposta e levar ao conselho, depois ser direcionado para uma assembleia, onde haveria uma votação. Não existe nada, nem integral nem parcial”, concluiu.

Procurada à época, a Decolar afirmou ao site Panrotas que “não comenta rumores de mercado”, mas acrescentou que o “crescimento inorgânico é um dos eixos de crescimento da companhia, que sempre está atenta a oportunidades nos mercados onde opera”.

Nos bastidores, a leitura é outra. Uma pessoa com conhecimento da operadora, que pediu anonimato por tratar de assuntos não públicos, afirmou à Bloomberg Línea que a narrativa de atribuir o tombo do trimestre ao cenário macroeconômico pavimenta o terreno para um novo aporte de capital no próximo ano.

A fonte reconhece que a holding tem caixa para honrar a primeira tranche da debênture, de R$ 80 milhões, com vencimento em novembro, mas avalia que o quadro operacional exigirá reforço de capital no horizonte.

Os cortes e o pano de fundo do balanço

O posicionamento do executivo da CVC vem em meio à reestruturação anunciada pela companhia. O desligamento de mais de 100 profissionais, em um quadro total de cerca de 2.000 colaboradores, atingiu posições de comando em divisões consolidadas e em áreas internas de marketing e tecnologia.

O processo foi concluído antes do fim de semana, segundo disse o CEO Fabio Mader ao site Panrotas. A empresa confirmou à Bloomberg Línea a conclusão do enxugamento e disse que o número de cortes não chegou a 130 postos.

Em paralelo, a holding recalibrou o planejamento estratégico que previa o desembarque da grife argentina de luxo Biblos no Brasil. O segmento premium foi absorvido como uma célula interna da Visual Turismo.

O redirecionamento estratégico foca na consolidação dos ativos existentes, buscando preservar a sustentabilidade do negócio e alinhar-se à perspectiva de estabilidade financeira de longo prazo referendada pela agência Fitch Ratings.

Leia também: Brasil lidera crescimento do tráfego aéreo na América Latina em março, diz associação

O pano de fundo está nos números do primeiro trimestre de 2026, que vieram aquém do consenso. A receita líquida consolidada cresceu apenas 1% na base anual, para R$ 365 milhões, pressionada por queda de 17% nas receitas da subsidiária argentina e pela compressão da taxa de comissão (take rate) nas operações brasileiras e internacionais.

As despesas gerais, administrativas e de vendas (SG&A) avançaram 10% no período, apontou o relatório do BTG Pactual. A escalada nos preços do combustível de aviação e a instabilidade geopolítica no Oriente Médio paralisaram conexões internacionais, com cancelamentos de reservas que somaram R$ 109 milhões entre Brasil e Argentina.

Com maiores custos de antecipação de recebíveis, carga tributária mais alta sobre transações bancárias e perdas cambiais, a CVC reportou prejuízo líquido contábil de R$ 72 milhões no trimestre, e a dívida líquida subiu para R$ 1,5 bilhão, o equivalente a 3,4 vezes o Ebitda, segundo apontou o Citi em relatório.

A ação acumulava queda de 16% em 2026 e de 20% em 12 meses, até o pregão da quarta-feira (20).

Contraste com a concorrência

Balanços recém-divulgados mostram que outros players do setor (aviação, hotelaria e distribuição online) cresceram em ritmo superior ao do mesmo trimestre de 2025.

A Latam Airlines registrou alta de 21,7% em vendas e de 36,7% no Ebitda no primeiro trimestre, com margem operacional recorde. A Azul, em seu primeiro trimestre completo após sair do Chapter 11, entregou Ebitda recorde de R$ 1,69 bilhão, alta de 22,6%.

Na hotelaria, o Hilton avançou 9% em receita e Marriott, 6,2%, ambas com elevação do guidance para o ano. Na distribuição online, Booking subiu 16% em receita, Expedia 15% e Airbnb 18%. A companhia americana, inclusive, citou o Brasil entre seus principais mercados de expansão no trimestre, ao lado de Japão e Índia.

Na trajetória recente da CVC, a expansão de vendas da CVC chegou a 29,8% no ano passado, ainda sob a gestão de Fabio Godinho. Neste primeiro trimestre, o avanço desacelerou para 3,8%, uma queda de 26 pontos percentuais no ritmo de crescimento e veio acompanhado de retração de 10,5% no Ebitda em base anual. As despesas de marketing, por sua vez, saltaram 48,3% no período, para R$ 45,1 milhões.

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CVC reduziu posições seniores na última sexta-feira visando maior eficiência operacional. (Foto: Divulgação)

Gera, que tem Lemann como sócio, sai de ensino bilíngue após Cade aprovar venda da Edify

20 de Maio de 2026, 18:47

A Gera Capital, gestora que tem o bilionário brasileiro Jorge Paulo Lemann entre os sócios, se desfez oficialmente de uma de suas apostas em educação básica.

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão federal que avalia fusões e aquisições no Brasil, publicou no Diário Oficial da União desta quarta-feira (20) a aprovação, sem restrições, da compra da Edify Education pela Arco Educação, do empresário cearense Ari de Sá Cavalcante Neto.

A operação junta as duas maiores plataformas de ensino bilíngue para colégios particulares no país, em um movimento que mostra as duas velocidades do mercado brasileiro de idiomas. De um lado, estão as franquias tradicionais para adultos, sob pressão da concorrência digital e de aplicativos com inteligência artificial. Do outro, o inglês integrado ao currículo dos colégios particulares, segmento puxado pela demanda das famílias da classe média alta.

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O negócio sai por R$ 105,6 milhões, a serem pagos em duas parcelas: R$ 53,1 milhões no fechamento e o restante dois anos depois, ambas corrigidas pelo CDI desde a assinatura do contrato, em 13 de novembro de 2025.

A decisão ainda corre o prazo de 15 dias para eventual avocação ao Tribunal do Cade, quando um conselheiro pede para reanalisar o caso, antes do trânsito em julgado. A Arco prefere falar com mais profundidade sobre a operação somente após o trânsito em julgado do processo.

Leia também: Arco Educação deixou a Nasdaq em 2023. Agora reabre a porta para o mercado de dívida

Fundada em 2017 como Spot Educação e rebatizada em 2021, a Edify era a número 2 do mercado brasileiro de plataformas para programas bilíngues, com mais de 150 mil alunos.

Com a operação, passa a integrar o sistema líder do segmento, o PES English, da Arco, que tem mais de 200 mil estudantes. A Arco mantém ainda a marca Ways, escola internacional em fase inicial dentro de seu negócio bilíngue, e preserva os sócios-fundadores Bernardo Paiva e Marina Dalbem na gestão da edtech adquirida.

No balanço enviado à CVM em dezembro e auditado pela EY, a CBE (Companhia Brasileira de Educação e Sistemas de Ensino), controladora operacional da Arco, descreveu a Edify como detentora de “soluções educacionais completas para o ensino da língua inglesa no segmento de ensino fundamental e médio”, combinando “materiais didáticos impressos e digitais, trilhas pedagógicas estruturadas, plataformas educacionais e suporte contínuo às escolas parceiras”.

A companhia justificou a compra no mesmo documento: “Esta transação amplia a presença da Arco no mercado suplementar, adicionando soluções de alta qualidade com preços complementares ao seu portfólio. A Arco acredita no grande potencial do inglês como segunda língua e nas tendências favoráveis do mercado para as habilidades do século XXI”.

Leia também: Pearson vende Yázigi para MoveEdu em momento de mudança do ensino de línguas

A Arco fecha a compra da Edify depois de um 2025 em que registrou, segundo a empresa, recorde de geração de caixa, com receita consolidada de R$ 2,84 bilhões e lucro líquido de R$ 111 milhões, ante R$ 2,5 bilhões e R$ 124 milhões em 2024.

No mesmo ano, a CBE quitou R$ 448,8 milhões pela parcela final da aquisição da International School e captou R$ 800 milhões em debêntures entre julho e agosto. A companhia é controlada pela família Sá Cavalcante e tem os fundos americanos General Atlantic e Dragoneer como minoritários desde o fechamento de capital na Nasdaq em 2024.

Para a Gera Capital, o desinvestimento marca o fim da tese de plataforma bilíngue iniciada em 2021. Fundada em 2010 e liderada por Duda Falcão e Rafaela Dantas, a gestora, qque reúne mais de 40 famílias empresariais brasileiras e informava ter R$ 1,5 bilhão investido, passa a concentrar sua exposição em educação na Salta, rede de colégios próprios que nasceu como Eleva e foi a primeira investida do fundo.

Em nota, a Gera Capital afirmou estar satisfeita com o retorno do investimento, equivalente a cerca de 2x o CDI do período.

“Embora a gente goste muito da tese e da empresa, chegamos a uma fase de desinvestimento desse fundo e, portanto, essa saída foi naturalmente construída”, disse a gestora.

O fundo também declarou ter “grande admiração pela trajetória da Arco” e agradeceu aos executivos que acompanharam a Edify durante o ciclo sob seu controle.

--Texto atualizado às 22h15 para incluir nota da Gera Capital e posição da Arco com dados do seu balanço de 2025

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A ‘guerra por agendas’ das viagens corporativas

20 de Maio de 2026, 07:06

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Se para o torcedor a Copa do Mundo de 2026 é sinônimo de festa, para o gestor de viagens corporativas no Brasil a competição de futebol se traduz em uma dor de cabeça logística.

Em um ano com um grande número de feriados emendados, eleições no segundo semestre e um calendário de jogos do Mundial que desorganiza a rotina de negócios, o planejamento de eventos corporativos, reuniões e deslocamentos de executivos se tornou um quebra-cabeça para encontrar as melhores opções de custos e disponibilidade.

A consequência prática é uma “guerra por agendas”, uma vez que os eventos corporativos competem pelas mesmas datas escassas, o que inflaciona hotéis e voos nos dias disponíveis.

“A estratégia de precificação ficou bem difícil. As empresas que tinham um orçamento não têm achado nada naquele preço”, diz Aline Bueno, CEO da Argo Solutions, plataforma brasileira de gestão de viagens corporativas, em entrevista à Bloomberg Línea.

⇒ Leia a reportagem: Copa, feriados e voos mais caros levam a ‘guerra por agendas’ em viagens corporativas

Aeroporto do Galeão, no Rio: calendário comprimido desorganiza a rotina de negócios e desafia o planejamento de eventos corporativos. (Foto: Dado Galdieri/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações globais operam em alta nesta quarta-feira (20), após a venda de títulos perder força, enquanto investidores aguardam os resultados financeiros da Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo e peça central da corrida da inteligência artificial.

- Impacto da IA no trabalho. O CEO do HSBC, Georges Elhedery, disse em um evento em Hong Kong que a inteligência artificial “destruirá” algumas funções, e defendeu que os funcionários se adaptem à transformação tecnológica. O banco avalia cortes que podem atingir até 20 mil cargos nos próximos anos.

- Samsung enfrenta ameaça de greve. As negociações salariais entre a Samsung Electronics e seu maior sindicato não avançaram, e uma paralisação geral nas operações da empresa na Coreia do Sul está programada para esta quinta-feira (21). A greve pode afetar a cadeia global de chips.

- Corte de vagas na Meta. A empresa começou uma nova rodada global de demissões como parte da reestruturação para financiar investimentos em inteligência artificial. Os funcionários foram incentivados a trabalhar de casa enquanto a empresa corta cerca de 8 mil postos de trabalho.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (19/05): Dow Jones Industrials (-0,71%), S&P 500 (-0,67%), Nasdaq Composite (-0,84%), Stoxx 600 (+0,19%), Ibovespa (-1,52%)
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Destaques da Bloomberg Línea:

Ometto avalia comprar terras da Radar em vez de capitalizar a Raízen, dizem fontes

EDP Brasil integra operação de renováveis para avançar no mercado livre de energia

Do hype entre celebridades às incertezas sobre cisão: o novo capítulo da crise da Azzas

• Também é importante: Bershka, do mesmo grupo da Zara, prepara 2ª loja no Brasil no BarraShopping, no Rio | Leilão da JBJ Ranch em Goiás tem cavalo vendido a R$ 44 milhões e supera expectativas

• Opinião Bloomberg: Powell foi exemplar à frente do Fed. Mas deixou a desejar no controle da inflação

• Para não ficar de fora: Google e Samsung revelam design de novos óculos inteligentes para competir com a Meta

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Leilão da JBJ Ranch em Goiás tem cavalo vendido a R$ 44 milhões e supera expectativas

19 de Maio de 2026, 16:41

A edição 2026 do leilão JBJ Ranch e Família Quartista, realizado entre 15 e 17 de maio em Nazário (GO), movimentou R$ 257 milhões entre venda e coberturas de animais.

O resultado representa um aumento de 71,3% em relação à expectativa inicial do evento, que era de R$ 150 milhões, segundo disse Fabrício Batista, o empresário responsável pela empreitada, antes da realização do leilão.

Ao todo, foram comercializados 142 animais, com média de R$ 1,593 milhão por animal — avanço de 57% sobre a edição anterior. No leilão de 2025, o evento atingiu R$ 128 milhões.

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O evento marcou ainda a comercialização de 50% do garanhão Inferno Sixty Six, ou Gênesis 66, como é conhecido no país, em 55 parcelas de R$ 800 mil, totalizando R$ 44 milhões - o animal foi o mais caro vendido no evento.

A Bloomberg Línea noticiou em dezembro de 2024 a venda de 50% do animal, que pertencia até então ao grupo Monte Sião. Na ocasião, a fatia havia sido vendida por 50 parcelas de R$ 1,6 milhão, que totalizou R$ 80 milhões.

A venda, porém, não foi concretizada no período, diante de um imbróglio que foi parar na Justiça do Paraná. O animal hoje pertence 25% à JBJ Ranch, 25% ao Haras Frange e 50% de Domenico, proprietário do Slide Or Die, treinador responsável pelo desenvolvimento do animal nos EUA, segundo informou a assessoria de imprensa de Batista.

O animal se tornou o reprodutor mais jovem da história a ultrapassar US$ 5 milhões em produções, o que ajuda a explicar o valor empregado em sua genética.

A operação do JBJ Ranch é liderada por Fabrício Batista, que vem ampliando a sua atuação internacional, em meio à valorização da genética equina como ativo de investimento no agro — conforme reportagem recente da Bloomberg Línea sobre a estratégia do empresário para expandir presença global no mercado de cavalos de elite, sobretudo nos EUA, onde detém mais uma fazenda do grupo em Pilot Point, no Texas.

Após o leilão, Batista disse que a “grande realização é ver o reconhecimento das pessoas pelo que temos construído no agronegócio e, agora, também na equinocultura”.

E que o intuito do projeto é deixar uma marca na história, “com melhoramento genético, investimento no esporte e nas competições da raça, além de compromisso e transparência nas relações com o mercado”, disse ele em resposta por escrito à Bloomberg Línea.

Leia também: Como Fabrício Batista, da JBJ Ranch, quer ‘cruzar fronteiras’ com cavalos de elite

Além dos negócios, o evento reuniu shows de artistas sertanejos e ações de relacionamento voltadas ao público de alta renda do agronegócio.

Segundo Fabricio, a edição deste ano custou cerca de R$ 7 milhões, entre estrutura e shows. O investimento no evento foi atenuado pela venda de cotas de patrocínio de R$ 70 mil, R$ 150 mil e R$ 200 mil a cerca de 40 marcas, com arrecadação próxima de R$ 4 milhões, conta.

Fabrício é filho de José Batista Júnior, mais conhecido como Júnior Friboi, dono da JBJ Agropecuária, a maior operação de confinamento de bois do país.

Júnior é o irmão mais velho dos atuais controladores da holding J&F Investimentos, que detém a JBS, Joesley e Wesley Batista.

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Fabrício Batista, ao lado de seu pai, José Batista Júnior, da JBJ Agropecuária: empreitada foca em animais quarto de milha de elite com atuação em Rédeas. (Foto: JBJ Ranch/ Divulgação)

EDP Brasil integra operação de renováveis para avançar no mercado livre de energia

19 de Maio de 2026, 13:55

A EDP informou nesta terça-feira (19) que fará uma reorganização societária, passando a integrar no Brasil 100% da EDP Renováveis para concentrar todas as suas operações de geração de energia e comercialização no país.

O movimento visa simplificar a estrutura operacional, ampliar sinergias e fortalecer a posição no mercado livre de energia.

Segundo o CEO da EDP para América do Sul, João Brito Martins, não há perspectiva de crescimento no segmento de renováveis no país nos próximos anos.

“Esta é uma das razões. Por outro lado, com a expectativa de abertura do mercado livre de energia, um portfólio único com geração hídrica, eólica e solar nos dá a possibilidade de melhorar a oferta para os clientes finais”, afirmou o executivo em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea.

A motivação de ter uma plataforma de geração totalmente integrada é permitir ao grupo responder melhor aos desafios do setor no futuro.

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A EDP Renováveis opera no país um portfólio com 1,8 gigawatt (GW) de capacidade instalada, sendo 1,1 GW em geração eólica onshore (em terra) e 0,7 GW em solar de grande porte (utility scale).

“O Brasil não tem expectativa de novos investimentos em renováveis nos próximos três ou quatro anos. A EDP Renováveis possui uma história de crescimento no país, entendemos que faz mais sentido essa reorganização”, disse Martins.

Leia mais: ‘Esta administração da Petrobras não gosta de vender, só de comprar’, diz Magda Chambriard

O mercado brasileiro vive um momento de excesso de oferta de renováveis, com picos principalmente de solar durante o dia. Com isso, parte da geração das empresas, incluindo não renováveis, é obrigatoriamente interrompida por ordem do regulador, o chamado “curtailment” – como não há estocagem, crescem os riscos de sobrecarga no sistema.

Neste contexto, a EDP Renováveis global decidiu focar em grandes mercados do segmento como Estados Unidos e países da Europa, deixando a gestão integrada no Brasil com a geração hídrica.

Na prática, segundo o grupo português, a operação brasileira reunirá em uma única plataforma as atividades de produção, gestão de energia e comercialização, o que tende a aumentar a agilidade na tomada de decisão, a eficiência operacional e a capacidade de gestão de risco.

Abertura do mercado livre de energia

O movimento ocorre em um momento de expansão do ambiente livre de negociação de energia no país, impulsionado pela abertura gradual da modalidade para novos perfis de consumidores, incluindo pequenas e médias empresas.

“Olhamos para a abertura do mercado [livre] como uma grande oportunidade, assim como aconteceu em Portugal. Temos o conhecimento e as competências”, diz Martins. O executivo iniciou sua jornada na EDP Portugal em 2005, participando do processo de abertura do mercado livre de energia no país europeu.

Leia mais: Leilões e R$ 45 bi de debêntures: como o saneamento virou protagonista da renda fixa

Segundo o grupo, a transação prevê contrapartida total de R$ 4,1 bilhões (equivalente a um enterprise value de €1,5 bilhão), com um aumento de capital na EDP Brasil.

A conclusão da operação está prevista para ocorrer até o final de 2026, condicionada a aprovações regulatórias e demais condições usuais.

Como parte da visão de longo prazo, o grupo vem ampliando globalmente os projetos envolvendo armazenamento de energia. “Continuamos a desenvolver nossos projetos na área de baterias. Nos Estados Unidos, já temos bastante conhecimento no setor, com 500 megawatts em operação”, relata o executivo.

Ele acrescenta que, no Chile, um projeto de 60 megawatts também de baterias deve entrar em operação ainda esse ano. “No Brasil, assim que houver condições no mercado, também queremos atuar na área.”

CEO da EDP para América do Sul, João Brito Martins:

O mercado está à espera da publicação do edital sobre o leilão de baterias pelo Ministério de Minas e Energia.

Em 2023, a EDP concluiu o fechamento de capital da EDP Brasil, com o objetivo de trazer mais flexibilidade na gestão financeira e operacional para a subsidiária local.

Na visão de Martins, ainda há grandes oportunidades no mercado brasileiro, como o segmento de distribuição.

Ele salienta que, neste ano, o grupo EDP completa 50 anos, sendo 30 no Brasil.

“Foi o primeiro país a fazermos um processo de internacionalização. Nos habituamos a ter perspectivas de longo prazo por aqui e mantemos essa visão. Operamos em um setor com ciclos muito longos, de até 30 anos”, diz.

-- Reportagem atualizada às 16h48: a pedido da empresa, foi alterado o trecho sobre o aumento de capital na EDP Brasil para fins de esclarecimento.

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Sede da EDP, em São Paulo: grupo vai passar por reorganização societária no Brasil. Foto: Empresa/Divulgação

O plano da Heineken para avançar no premium

19 de Maio de 2026, 07:05

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

“Temos muito orgulho de, mesmo não sendo a maior cervejaria do Brasil, ser considerada a melhor cervejaria do Brasil”. Foi com essa frase que o CEO da Heineken no país, Maurício Giamellaro, fez a abertura do mais recente evento de lançamento da marca no Brasil.

A referência implícita do executivo era à Ambev, que assumiu a liderança em market share do mercado brasileiro em cervejas nas categoria premium e super premium, desde outubro do ano passado. A liderança até então estava com a Heineken.

O plano da empresa holandesa para o Brasil - que tem no país seu principal mercado global das marcas Heineken e Amstel - é continuar crescendo justamente no segmento premium.

Como parte dessa estratégia, a empresa anunciou na segunda-feira (18) o lançamento da Heineken Ultimate, nova versão da cerveja com 30% menos calorias, sem glúten e com 97 calorias.

“O premium já representa mais de 70% do nosso negócio. E deve aumentar nos próximos anos”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.

⇒ Leia a reportagem: Na Heineken, cerveja premium já representa 70% do negócio no Brasil. O CEO quer mais

Brasil foi escolhido como primeiro mercado global para lançamento da Ultimate (Foto: Ron Antonelli/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta terça-feira (19), pressionadas pela retração dos papéis de tecnologia. O petróleo e os Treasuries recuaram, enquanto investidores aguardam sinais de avanço sobre um acordo de paz no Oriente Médio.

- Trump recua de ataque ao Irã. O presidente dos EUA disse que suspendeu um novo bombardeio contra o Irã após pedidos de Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos por mais tempo para negociações diplomáticas. O recuo ocorre em meio à alta do petróleo e a maior tensão no Estreito de Ormuz nos últimos dias.

- Mercado mira Treasury a 5,5%. Investidores passaram a tratar o rendimento de 5,5% dos títulos de 30 anos dos EUA como novo patamar de referência, após a taxa subir a 5,16%, maior nível desde 2007, segundo disse Jim McCormick, estrategista de taxas macro do Citigroup, em entrevista à Bloomberg News.

- Musk perde disputa contra OpenAI. Um júri nos EUA rejeitou as alegações de Elon Musk de que a OpenAI traiu sua missão original ao virar uma empresa com fins lucrativos. A decisão é vista como um alívio para a OpenAI, que avalia uma possível IPO, enquanto Musk e seus advogados prometeram recorrer.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (18/05): Dow Jones Industrials (+0,32%), S&P 500 (-0,07%), Nasdaq Composite (-0,51%), Stoxx 600 (+0,54%), Ibovespa (-0,17%)
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• Também é importante: IPO da SpaceX: como a nova ação de Musk pode se tornar um risco para a Tesla | Muito além da Nvidia: IA já responde por 71% do crescimento dos lucros do S&P 500

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Na Heineken, cerveja premium já representa 70% do negócio no Brasil. O CEO quer mais

19 de Maio de 2026, 06:00

“Temos muito orgulho de, mesmo não sendo a maior cervejaria do Brasil, ser considerada a melhor cervejaria do Brasil”. Foi com essa frase que o CEO da Heineken no país, Maurício Giamellaro, fez a abertura do mais recente evento de lançamento da marca no Brasil.

A referência implícita do executivo era à Ambev, que assumiu a liderança em market share do mercado brasileiro em cervejas nas categoria premium e super premium, desde outubro do ano passado. A liderança até então estava com a Heineken.

O plano da empresa holandesa para o Brasil - que tem no país seu principal mercado global das marcas Heineken e Amstel - é continuar crescendo justamente no segmento premium.

Como parte dessa estratégia, a empresa anunciou na segunda-feira (18) o lançamento da Heineken Ultimate, nova versão da cerveja com 30% menos calorias, sem glúten e com 97 calorias.

“O premium já representa mais de 70% do nosso negócio. E deve aumentar nos próximos anos”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea.

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Segundo ele, o segmento premium no Brasil saiu de cerca de 4%, há mais de uma década, para 25% atualmente. Ou seja, uma em cada quatro cervejas consumidas hoje no país pertence à categoria premium.

A aposta da companhia, porém, não se resume à Heineken. O grupo também vê espaço relevante de expansão em outras marcas do portfólio, especialmente na Amstel, que se tornou um dos motores de crescimento da operação brasileira.

Leia também: Ambev supera estimativas com volume recorde de cerveja para um primeiro trimestre

Segundo Giamellaro, a Amstel já é a quarta maior marca de cerveja do país e a terceira em supermercados — um avanço acelerado para uma cerveja lançada no mercado brasileiro há cerca de dez anos, explicou o executivo.

“Nossa aposta para o futuro é continuar crescendo com a marca Heineken através de inovação e continuar investindo em segmentos balanceados. Mas, obviamente, o motor Amstel tem muita oportunidade”, disse.

Produto tem 30% menos caloria e sem glúten

A estratégia da empresa combina, assim, dois movimentos paralelos: o primeiro é ampliar a presença em consumo com foco em volume, como por exemplo a Amstel, enquanto aprofunda o domínio na premiumização com Heineken e suas extensões.

Foco no premium

Segundo os executivos do grupo holandês, o lançamento da Ultimate busca ampliar o ecossistema da marca Heineken para ocasiões ligadas a moderação, equilíbrio e bem-estar — movimento que já vinha sendo desenhado com o lançamento em 2020 da Heineken 0.0 álcool, e de produtos como Amstel Ultra, Sol sem glúten e a linha Mamba - com uma versão proteica.

O reforço no portfolio da Heineken ocorre em meio a uma desaceleração do consumo de álcool, especialmente entre consumidores mais jovens como a geração Z.

“O principal desafio hoje é garantir um mercado mais justo e competitivo, em que o consumidor tenha liberdade para escolher o produto que quer consumir no momento e no lugar que desejar”, disse Giamellaro. Segundo ele, isso “ainda não acontece plenamente” no mercado brasileiro.

Leia também: Heineken chegou à liderança em puro malte no Brasil. Agora quer avançar em chope

Na visão do executivo, a Ultimate adiciona mais uma camada de consumo para públicos que buscam alternativas com menos álcool e menos calorias sem sair da categoria cerveja.

O Brasil foi escolhido pela empresa como o primeiro mercado do mundo para o lançamento do produto.

“O Brasil é hoje o maior mercado da Heineken”, afirmou o executivo durante lançamento da nova cerveja a jornalistas. Segundo ele, o mercado brasileiro da marca é quase quatro vezes maior do que o da China.

A companhia não divulga números detalhados da operação local, mas Giamellaro afirmou que o primeiro trimestre deste ano registrou “recorde histórico de lucro” no Brasil, em contraste com um cenário global mais pressionado para o setor.

Globalmente, a Heineken reportou crescimento de 1,2% em volume no primeiro trimestre e aumento de 2,8% na receita líquida, impulsionado por preços mais altos e mix premium.

A marca Heineken, especificamente, cresceu 6,9% em volume no período, enquanto as Américas tiveram retração de 2,6% nos volumes. Por outro lado, o avanço de preços ajudou a compensar a queda de volume em receita.

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No Brasil, segundo o executivo, o desempenho foi positivo e diferente da global porque a expansão da Heineken 0.0 ajudou a impulsionar o crescimento local.

Segundo ele, a Heineken 0.0 cresce cerca de 30% no país, enquanto o segmento que a empresa chama de “escolhas balanceadas” avança mais de 50%. A Ultimate passa justamente a integrar essa frente estratégica.

A estratégia ajuda a explicar por que a companhia tem conseguido crescer em receita mesmo em um ambiente mais desafiador para volume na indústria de cerveja.

Esse movimento ocorreu, explica o executivo, mesmo em um momento - o primeiro trimestre, no caso - que costuma favorecer marcas econômicas e mainstream por causa do Carnaval, enquanto a Heineken mantém foco maior em produtos de valor agregado e premium.

Disputa por valor

A companhia entrou no país em 2010, após a aquisição da divisão de cerveja da Femsa, e acelerou sua escala local depois da compra da Brasil Kirin, em 2017.

Depois da aquisição da Brasil Kirin, a empresa passou a integrar as marcas Schin, Devassa, Baden Baden, Eisenbahn, Cintra, Glacial e os refrigerantes Itubaína ao seu portfolio.

A Ultimate também reforça uma mudança mais ampla na lógica de inovação da empresa.

“Há 16 anos, escolhemos nos posicionar no premium”, disse Giamellaro durante o evento. “Agora, estamos ampliando as possibilidades dentro da marca.”

A distribuição da nova Ultimate começa por São Paulo e Minas Gerais, antes de avançar para Rio de Janeiro, Espírito Santo e o restante do país.

A demanda inicial, segundo o executivo, superou as expectativas internas da companhia.

De acordo com ele, a Heineken precisou dobrar a estimativa inicial de produção diante dos pedidos feitos por varejistas do Sudeste antes mesmo do lançamento oficial.

A companhia descarta, por enquanto, uma expansão internacional imediata do produto, inclusive a América Latina, embora reconheça potencial global. “É um piloto no Brasil”, afirmou.

A expansão ocorre também em meio a ajustes globais da Heineken. Em fevereiro, o grupo anunciou um plano internacional de corte de 6 mil empregos após desaceleração no consumo de cerveja em alguns mercados. Segundo Giamellaro, o movimento não teve e não terá impacto na operação brasileira.

“O Brasil cresce e cresce aceleradamente”, afirmou. “Você não viu nenhuma comunicação de desligamento no Brasil. e não verá. Nem no futuro, nem nesse ano”, disse o executivo, que, neste ano, completa 14 anos na marca - 7 deles como CEO e, antes disso, 6 anos como VP Comercial.

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© Ron Antonelli

Brasil foi escolhido como primeiro mercado global para lançamento da Ultimate (Foto: Ron Antonelli/Bloomberg)

Por que o Santander cortou o preço-alvo das ADRs da Embraer, apesar do otimismo

18 de Maio de 2026, 17:03

Embora o Santander (SANB11) siga otimista para o mercado aeronáutico, o banco cortou o preço-alvo das ADRs (recibos negociados nos EUA) da Embraer (EMBJ3).

O preço-alvo para a fabricante brasileira caiu de US$ 90 para US$ 86 (para o final de 2026), mantendo recomendação de compra e classificação outperform (acima do índice de referência). Atualmente, o papel está cotado por volta de US$ 55.

“Estamos atualizando as estimativas para a Embraer após os resultados do primeiro trimestre e, apesar de reduzirmos nossas estimativas para este ano, reiteramos nossa forte convicção sobre a empresa”, disseram os analistas em relatório neste domingo (17).

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O banco prevê como riscos principais os atrasos na cadeia de suprimentos (especialmente motores Pratt & Whitney), avanço da competição e desaceleração do PIB, além de apreciação do real e redução de pedidos no segmento de Defesa & Segurança.

De acordo com o relatório, a Embraer continua a ser negociada com desconto em relação às principais concorrentes do setor aeroespacial (segundo seu índice próprio “Santander Aerospace”).

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O desconto ocorre mesmo diante da expectativa de obtenção de ganhos significativos de participação de mercado na aviação executiva e garantia de encomendas “substanciais” do C-390 nos próximos anos.

“Nosso índice sugere que a Embraer está sendo negociada atualmente com um desconto de 39% em relação às concorrentes internacionais do setor de aviação, de acordo com a Bloomberg, ponderado pela exposição da fabricante à cada divisão”, disseram os analistas.

Eles acrescentam que o conflito em curso no Oriente Médio criou uma oportunidade de compra para os papéis.

Os analistas disseram ter analisado profundamente as diretrizes orçamentárias da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e como tais acordos podem representar ventos favoráveis ​​para o C-390 Millennium.

“Nossas análises sugerem que 349 aeronaves C-390 poderiam ser vendidas para países da Otan até 2035, o que implica um aumento na carteira de encomendas de até US$ 42 bilhões nos próximos 10 anos [considerando um preço de US$ 120 milhões por jato].”

Sobre as perspectivas em torno de renovação da frota de jatos executivos, os analistas concluem que um nível de vendas sustentável para o mercado global gira em torno de 660 aeronaves por ano, abaixo dos níveis atuais de mais de 850 jatos (total de entregas em 2025).

“Em suma, acreditamos que a Embraer está bem posicionada para continuar a se beneficiar de sua harvest season [temporada de colheita]”, destacaram.

‘Carros voadores’

No caso da EVE (EVEX), o Santander reduziu o preço-alvo de US$ 9 para US$ 8, mas também manteve outperform.

Os analistas do banco reforçaram a visão positiva sobre a fabricante de “carros voadores”, com base em quatro pilares principais: oportunidade considerável no mercado de mobilidade aérea urbana; histórico substancial das partes interessadas na indústria da aviação, incluindo o apoio da própria Embraer; projeto bem financiado em um mercado onde novos investimentos têm sido escassos; e retornos potenciais significativos em alguns cenários.

O banco revisou as estimativas para abarcar os resultados mais recentes da EVE e a previsão macroeconômica atualizada do Santander, bem como as perspectivas do setor e as premissas de taxas de juros.

“Embora reconheçamos a natureza incipiente do projeto do eVTOL da EVE e da indústria de mobilidade aérea urbana como um todo, acreditamos que o histórico da Embraer reduz o risco de nossos piores cenários se concretizarem”, disseram os analistas.

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Alliança capta R$ 76 mi em empréstimo emergencial diante de ‘esvaziamento’ do caixa

18 de Maio de 2026, 12:36

A Alliança Saúde e Participações (AALR3), antiga Alliar, recorreu a um empréstimo de emergência de até R$ 76 milhões para evitar uma paralisação de suas operações.

A empresa de medicina diagnóstica, dona do Centro de Diagnósticos Brasil (CDB), sua rede de exames de imagem em São Paulo, e de cerca de 105 unidades de atendimento pelo país, admitiu nesta segunda-feira (18) que enfrenta o “esvaziamento praticamente total” de seu caixa, expressão usada pela própria companhia em comunicado.

O empréstimo foi captado pela Cura, subsidiária de diagnóstico que a Alliança comprou no ano passado, em condições que expõem o tamanho do risco.

O financiador, o fundo 287 FIP, tem assegurado retorno mínimo de 1,45 vez o valor aportado, além de juros que somam o CDI, a taxa básica do mercado, a mais 12% ao ano. Em troca, exigiu garantia dupla: bens dados como lastro e um terceiro que responde pela dívida se a emissora não pagar.

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Há cinco anos, ainda como Alliar, a empresa era um dos ativos mais cobiçados da saúde brasileira, disputada pela Rede D’Or (RDOR3) e pelo grupo Fleury (FLRY3).

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O empresário Nelson Tanure, conhecido por investir em companhias com dificuldades financeiras, venceu o páreo em 2022, pagando R$ 20,50 por ação, rebatizou a companhia de Alliança Saúde e prometeu transformá-la na maior rede de diagnóstico do país.

O plano não vingou. A ação, que chegou a valer quase R$ 35 em meados de 2023, é negociada esta segunda-feira em torno de R$ 3,24, uma desvalorização de 88% desde a estreia em bolsa e de mais de 52% só nos últimos 12 meses.

Hoje a companhia vale cerca de R$ 970 milhões, menos de um sexto do que custou cada papel na aquisição de controle. O capital em circulação no mercado, segundo a posição mais recente divulgada pela B3, equivale a 40% das ações e está pulverizado entre cerca de 3,9 mil pessoas físicas, 41 empresas e 46 investidores institucionais.

Tanure acabou perdendo o controle. Em fevereiro, credores tomaram suas ações para cobrir uma dívida de R$ 1,2 bilhão ligada à compra da Ligga Telecom, e a companhia passou às mãos da Tessai, fundo da gestora Geribá, especializada em situações de crise, que hoje detém 59,84% do capital.

Do calote ao socorro

O rombo nas contas ficou exposto em abril, quando a Alliança não pagou o principal e os juros de uma emissão de dívida que venceu no dia 4. O calote levou a Fitch Ratings a rebaixar a nota de crédito da empresa para o degrau imediatamente anterior ao da inadimplência formal.

A agência avisou que, se a companhia pedir recuperação judicial, a nota cai ao último nível da escala, e acrescentou que ainda não tem clareza sobre o que o novo controlador pretende fazer com o negócio, fator que aumenta o risco percebido.

No fim de setembro de 2025, a Alliança tinha R$ 124 milhões em caixa para fazer frente a R$ 295 milhões em dívidas que venceriam logo adiante, e devia R$ 545 milhões no total.

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A deterioração foi rápida, e o comando da companhia, instável. Sob Tanure, o reposicionamento da empresa foi tocado pelo CEO Pedro Thompson, que conduziu a troca de marca de Alliar para Alliança Saúde em 2023.

Depois da saída de Thompson, a presidência executiva chegou a ser ocupada interinamente pela filha do empresário, a médica Isabella Tanure, antes de passar a Ricardo Sartim, em 2025.

Em julho daquele ano, a Alliança anunciou a compra do Grupo Meddi, maior rede independente de diagnóstico do Nordeste, por cerca de R$ 252 milhões, e falou na época em “crescimento disciplinado” e “redução da alavancagem”.

Sartim, então CEO, projetava R$ 500 milhões a mais de receita anual. Dez meses depois, ele renunciou, a empresa segue sem presidente-executivo nomeado, e o discurso de expansão deu lugar ao pedido de socorro para manter as portas abertas.

Uma crise que não é só da Alliança

O caso da Alliança não é isolado. O setor de saúde no Brasil vive um ciclo difícil, em que empresas que cresceram à custa de aquisições e dívida barata agora pagam a conta de juros altos por um período prolongado e de margens espremidas por reajustes que não acompanham a inflação dos exames.

Entre o fim de abril e o início de maio, a rede oncológica Oncoclínicas (ONCO3) e a rede hospitalar Kora, controlada pela gestora HIG Capital, iniciaram ou prepararam pedidos de recuperação extrajudicial para reorganizar suas dívidas com credores.

A Oncoclínicas carrega passivos de R$ 4,8 bilhões e teve da Fitch o mesmo rating RD(bra) atribuído à Alliança. A diferença é que, no caso da Alliança, a mudança foi agravada por um problema externo: o endividamento bilionário de seu antigo controlador, Nelson Tanure, que arrastou a companhia para a crise.

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O BC cada vez mais perto de uma pausa, segundo o Goldman

18 de Maio de 2026, 07:06

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

A possibilidade de pausa no ciclo de corte de juros no Brasil tem ganhado força entre agentes do mercado diante de um quadro de preços em alta, expectativas de inflação ainda mais distantes da meta do Banco Central e de uma atividade econômica resiliente no país.

Na visão de Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do Goldman Sachs, o espaço para cortes tem se reduzido rapidamente sem uma solução para a retomada dos fluxos de petróleo no Oriente Médio.

Com isso o BC já está “muito perto” de reconhecer que precisará fazer uma pausa, segundo ele.

“Dois cortes de 25 pontos-base, com uma sinalização que deixa os próximos passos em aberto, me parecem apropriados. Mas, em condições normais, não fosse o juro tão restritivo, o Banco Central neste momento não deveria cortar”, disse Ramos em entrevista à Bloomberg Línea.

⇒ Leia a reportagem: BC está ‘muito perto’ de reconhecer que terá de fazer uma pausa, diz Ramos, do Goldman

Alberto Ramos, do Goldman Sachs: o espaço para cortes tem se reduzido rapidamente. (Foto: Bloomberg Línea)

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta segunda-feira (18), enquanto o mercado de títulos mostra estabilidade após a liquidação global da semana passada. O impasse entre os EUA e o Irã continua impulsionando os preços do petróleo.

- O alerta do Morgan Stanley. Os estrategistas do Morgan Stanley liderados por Mike Wilson preveem que a alta global dos juros pode provocar a primeira correção relevante das bolsas desde março. Apesar do risco de curto prazo, a equipe manteve visão otimista para as ações americanas no longo prazo.

- Expectativa para o IPO da SpaceX.O bilionário Elon Musk disse que quer fazer a oferta pública inicial da SpaceX “muito em breve”. A expectativa é que a empresa capte até US$ 75 bilhões e alcance um valor de mercado superior a US$ 2 trilhões, o que tornaria a operação o maior IPO da história.

- A aposta de Trump em sushi. O presidente americano comprou entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões em ações da Kura Sushi USA no primeiro trimestre, em meio a mais de 3.700 negociações feitas por ele ou seus consultores. Além da empresa de sushi, ele também investiu na Nvidia, na Amazon e na Apple.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas na sexta-feira (15/05): Dow Jones Industrials (-1,07%), S&P 500 (-1,24%), Nasdaq Composite (-1,54%), Stoxx 600 (-1,48%), Ibovespa (-0,61%)
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🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Treasuries de 30 anos a 5%? Traders apontam para nova era de rendimentos mais altos

Na era da IA, CEOs agora planejam manter veteranos e reduzir cargos juniores

Crise da Ypê aquece procura por concorrentes e marcas próprias de supermercados

• Também é importante: ‘Não queremos ser réplica da Toscana’: a visão de negócios da vinícola Rio Manso, de MG | Longe do mar, lanchas da Armatti & Fishing estreiam no Catarina atrás de dono de jato

• Opinião Bloomberg: Swatch precisa de parceria com Audemars Piguet para contornar seus obstáculos

• Para não ficar de fora: Terras raras na mira: EUA montam ‘Dream Team’ no Pentágono para reduzir domínio chinês

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América Latina tem 6 dos 10 países mais complexos para fazer negócios, segundo a TMF

17 de Maio de 2026, 13:04

A América Latina se mantém como uma das regiões mais complexas para se fazer negócios no mundo em 2026, devido a fatores como a imprevisibilidade regulatória diante das constantes mudanças nas regras do jogo, de acordo com um novo relatório da consultoria TMF Group.

A posição da América Latina se deve a fatores como a incerteza jurídica e política, afirmou à Bloomberg Línea Cristhian Fresen, diretor regional para a Colômbia, Equador e Venezuela da TMF, empresa global de serviços de conformidade financeira e corporativa.

“E se somarmos a isso os fatores sociais de desigualdade e uma distribuição de riqueza possivelmente desigual, isso torna as diferenças ainda mais acentuadas e poderia explicar boa parte do que torna complexo fazer negócios na região”, observou.

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Seis países da América Latina figuram este ano entre os 10 mais complexos para se fazer negócios no mundo, de acordo com o Índice de Complexidade Empresarial Global, publicado na terça-feira (12) pela TMF.

O Índice de Complexidade Empresarial Global (GBCI) avalia os fatores que tornam a expansão de um negócio fácil ou desafiadora em 81 países ou jurisdições, “apresentando os dados essenciais de que as empresas precisam para atuar em um mundo de margens reduzidas”.

O relatório toma como base 292 indicadores que abrangem legislação, conformidade regulatória, normas contábeis e fiscais, bem como requisitos de recursos humanos e folha de pagamento.

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Para ajudar a enfrentar os desafios atuais, Frensen destaca que “a grande maioria dos países da região possui boas instituições, e são elas que fazem com que a instabilidade política não tenha um impacto tão grande”.

“Mas, para mim, o problema estrutural é que, a cada mudança de governo, cada governante nesses países é radical, passando da extrema direita à extrema esquerda, e é difícil encontrar algo de centro que proporcione algum equilíbrio”, afirmou Fresen.

“Na medida em que não haja continuidade nas políticas e nas estruturas, é muito difícil que não haja complexidade”, observou Fresen. “Porque é essa falta de continuidade que gera incerteza, essa mudança excessiva e esse ruído constante nos mercados”.

Complexidade regulatória

“A América Latina combina vários ‘fatores estruturais, institucionais e econômicos que aumentam a incerteza para investidores e empresas’”, afirmou à Bloomberg Línea a acadêmica e doutora em Economia pela Universidade do Rosário (Colômbia), Clara Inés Pardo.

No entanto, “também é uma região com enorme potencial devido ao tamanho do mercado, aos recursos naturais, à localização estratégica e ao crescimento dos setores digital e energético”.

Ela explicou que a região enfrenta constantemente“ciclos políticos altamente polarizados” que geram mudanças abruptas nas regras tributárias, trabalhistas, energéticas ou de investimento.

“Por exemplo, reformas tributárias recorrentes, alterações em contratos públicos, mudanças regulatórias dependendo do governo em exercício e incerteza jurídica para os investidores, o que dificulta o planejamento de investimentos de longo prazo.”

Além disso, há a burocracia excessiva e a fragilidade institucional, a elevada informalidade no mercado de trabalho e no setor empresarial, bem como a desigualdade social e a baixa confiança.

Na opinião de Pardo, “a América Latina é vista simultaneamente como uma região difícil para se fazer negócios e como uma das regiões com maior potencial de crescimento estratégico”.

“A América Latina possui recursos, mercado, localização, jovens talentosos, oportunidades nos setores energético e digital. O grande desafio não é a falta de potencial, mas transformar esse potencial em confiança, produtividade e institucionalidade de longo prazo”, observou Clara Inés Pardo.

O relatório da TMF indica que os esforços para atrair investimento estrangeiro direto diminuíram globalmente, com apenas 23% das jurisdições relatando iniciativas ativas em 2026, em comparação com 39% em 2025.

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No entanto, ela observa que o uso de incentivos fiscais direcionados tem aumentado.

Atualmente, 34% das jurisdições oferecem alíquotas reduzidas para atrair empresas internacionais, contra 24% em 2025.

“Outros incentivos, incluindo isenções fiscais e investimentos em digitalização, também são menos comuns do que há um ano”, afirma a TMF.

De acordo com a TMF, as sanções por descumprimento estão se tornando mais severas.

Este ano, 24% das jurisdições impedem a continuidade das operações devido ao descumprimento dos prazos de declaração de impostos, “o que representa uma tendência de aumento constante”.

“Essas conclusões mostram que a regulamentação está se adaptando ao novo ambiente tecnológico e que as organizações devem aliar eficiência e precisão para evitar riscos empresariais significativos”, afirma o documento.

Países da América Latina ficam para trás

Depois da Grécia, considerada a jurisdição mais complexa do mundo para se fazer negócios em 2026, o relatório coloca o México em segundo lugar no Índice de Complexidade Empresarial Global.

Com esse resultado, o México consolida sua reputação como um dos mercados mais desafiadores para as empresas estrangeiras.

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No país, segundo o relatório da TMF, “as empresas estrangeiras enfrentam desafios constantes, marcados por frequentes mudanças normativas e requisitos administrativos imprevisíveis”.

Ao mesmo tempo, “tarefas como abrir contas bancárias e lidar com essas autoridades fiscais podem gerar dúvidas e atrasos, o que dificulta que as empresas planejem com confiança”.

Em terceiro lugar no ranking mundial está o Brasil, onde um sistema tributário de múltiplos níveis e frequentes mudanças normativas em todas as áreas de serviços aumentam a complexidade da jurisdição. Outro agravante são as rigorosas exigências de conformidade e “a falta de coerência” entre as normas nos âmbitos federal, estadual e municipal, segundo a consultoria TMF.

A lista dos cinco países mais complexos do mundo é completada pela França e pela Turquia, seguidas pela Colômbia.

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A posição da Colômbia baseia-se no fato de que as “medidas discricionárias” da autoridade fiscal, as constantes mudanças nos requisitos e as expectativas pouco claras em relação às normas internacionais de prestação de informações aumentam a complexidade, de acordo com o Índice de Complexidade Empresarial Global.

“As autoridades reguladoras colombianas atualizam frequentemente a legislação tributária, incluindo as normas do IVA e as políticas voltadas para pessoas com elevado patrimônio líquido, o que obriga as empresas estrangeiras a se adaptarem rapidamente”, afirma.

Na sétima posição está a Bolívia, uma vez que as empresas continuam enfrentando obstáculos burocráticos e a lentidão nas respostas das autoridades locais, apesar de uma mudança de governo que “traz consigo a esperança de melhorias graduais em toda a jurisdição”.

Na oitava posição está a Itália e na nona a Argentina, onde o ambiente empresarial “continua sendo exigente”.

A TMF explica que os órgãos reguladores continuam introduzindo mudanças imprevisíveis na Argentina e consideram provável que os requisitos de conformidade regulatória aumentem no próximo ano.

“As frequentes atualizações legislativas obrigam as empresas a revisar constantemente os processos locais, o que aumenta o risco operacional e ressalta a necessidade de contar com especialistas locais”, afirma o relatório.

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E na décima posição aparece o Peru, onde a digitalização em andamento em todas as linhas de serviço para cumprir a regulamentação, paradoxalmente, se torna um dos “principais fatores” que aumentam a complexidade.

“Por isso, no Peru, a digitalização é uma faca de dois gumes, pois apresenta tanto desafios quanto vantagens para as empresas estrangeiras que operam no país”, afirma a TMF.

Em nível regional, também se destacam outros destinos devido à complexidade do ambiente de negócios, como o Paraguai (12º lugar), o Chile (20º lugar), o Uruguai (24º lugar) e o Equador (26º lugar), prejudicado pela atual onda de violência.

Enquanto isso, a Venezuela ocupa a 27ª posição no ranking mundial.

No relatório, “o que estamos enfrentando é a complexidade de se fazer negócios. E um dos fatores é o quanto o quadro regulatório é mutável. Na Venezuela, talvez não seja o melhor quadro regulatório, mas pelo menos não muda o tempo todo”, esclareceu Fresen.

Entre os destinos mais bem avaliados da América, destacam-se territórios ultramarinos, o Caribe e a América Central.

No geral, o destino menos complexo é as Ilhas Cayman, um território britânico ultramarino.

De acordo com o relatório, embora as atualizações frequentes nas diversas linhas de serviços nas Ilhas Cayman “exijam atenção e conhecimento especializado”, elas também contribuem para um ambiente empresarial mais “transparente e resiliente”.

“As comparações de preços com outras grandes jurisdições podem apresentar desafios, mas também incentivam as organizações a otimizar suas operações e melhorar sua competitividade”, destaca o relatório.

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No Caribe, os países com melhor classificação são Curaçao (72º lugar) e a Jamaica (71º lugar), enquanto na América Central destacam-se Honduras (65º lugar) e a Costa Rica (63º lugar).

Cristhian Fresen concluiu que o desempenho desses países na América Central e no Caribe está, em geral, associado à continuidade das políticas públicas. “Pode ser o jogo de tabuleiro mais complexo, mas se as regras forem claras, dá para jogar. O problema que os outros países enfrentam é que as regras do jogo mudam constantemente”, observou.

As principais estratégias para reduzir a complexidade na região, segundo a analista Clara Inés Pardo, concentram-se em fortalecer a estabilidade institucional e regulatória para conferir maior previsibilidade às regras do jogo, melhorar a infraestrutura e a logística para aumentar a competitividade e aproveitar o nearshoring como uma oportunidade de realocação produtiva.

Além disso, é necessário impulsionar a educação e a transformação digital para aumentar a produtividade, avançar em direção a uma maior integração regional e promover a transição energética, aproveitando os recursos naturais da região em um ambiente mais estável para o investimento.

“O principal sinal que as empresas buscam é a previsibilidade. A região precisa de: regras claras, segurança jurídica, independência do Poder Judiciário, estabilidade tributária e menos corrupção. Os países que alcançaram maior estabilidade institucional costumam atrair mais investimentos”, concluiu Pardo.

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© Cesar Rodriguez

Cidade do México: posição da América Latina se deve a fatores como a incerteza jurídica e política,. (Foto: Cesar Rodriguez/Bloomberg)

‘Não queremos ser réplica da Toscana’: a visão de negócios da vinícola Rio Manso, de MG

17 de Maio de 2026, 08:59

O primeiro vinho produzido pela vinícola Rio Manso ficou pronto no ano passado, mas a casa decidiu não colocar a bebida à venda.

A safra ficou parada no estoque por dois anos e não tem previsão de ir ao mercado depois que os quatro sócios e a equipe técnica avaliaram que o produto ainda não estava no patamar de qualidade que justificaria associá-lo à marca em construção em Jacutinga, no sul de Minas Gerais, na divisa com São Paulo.

A primeira garrafa de vinho da marca, da safra seguinte, só vai chegar ao mercado no lançamento oficial da vinícola, neste mês de maio, depois que a qualidade esperada foi alcançada.

“Do ponto de vista de business, é uma decisão difícil. Você está lá com o dinheiro parado no estoque, mas tomar a decisão de não vender foi correta, porque a gente está nesse negócio por longo prazo e só queremos entrar com um produto realmente muito bom”, disse Plínio Battesini Pereira, executivo da DHL e um dos quatro sócios do projeto (que inclui empresários de varejo e familiares dele), em entrevista à Bloomberg Línea.

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A Rio Manso compõe uma onda de vinícolas que se instalaram na Serra da Mantiqueira nos últimos anos, em uma região que hoje concentra mais de 70 projetos em raio de 30 km de Espírito Santo do Pinhal, cidade paulista perto da divisa com Minas Gerais.

Algumas estimativas do mercado indicam que o conjunto desses empreendimentos já soma mais de R$ 1 bilhão em investimentos, número que o empresário considera subestimado por capturar apenas o aporte inicial e ignorar o custo de manutenção até a primeira receita.

A tese de investir em vinho num país com Selic a 14,50% ao ano exige paciência incomum. Pereira decompõe o ciclo do negócio em fatias de tempo que somadas tornam o desafio concreto. São cerca de dois anos para preparar a terra e instalar irrigação, postes e arames; mais dois ou três anos para a primeira safra após o plantio; e ao menos um ano de vinificação até a garrafa estar pronta.

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“Estamos falando de seis anos de um negócio onde tem muito investimento e na prática nenhum retorno imediato”, disse o executivo.

O custo de implantação de um hectare de vinhedo está hoje em cerca de R$ 500 mil, segundo ele. A Rio Manso plantou 11 hectares em uma propriedade de 82 e tem capacidade média de produção de 65 mil garrafas por ano.

A matemática do varejo também não fecha. “Se você tentar vender vinho em rede de supermercado e esse fosse o seu único canal de vendas, a conta não fecharia”, afirmou Plínio. A rentabilidade depende da venda na propriedade, onde a carga tributária é menor e não há intermediários consumindo margem.

‘Não queremos ser réplica da Toscana’: a visão de negócios da vinícola Rio Manso em MG

O business plan da Rio Manso se apoia em três fontes de receita que devem operar em conjunto. A primeira é o próprio vinho, com posicionamento premium ancorado em qualidade técnica. A segunda é a valorização imobiliária. Os sócios compraram a terra em 2019 e, segundo informações de uma corretora de imóveis rurais da região mencionadas pela CEO do projeto, Aline Mabel, o preço do hectare na área subiu cerca de dez vezes nesse intervalo.

A terceira perna é o turismo. A vinícola está construindo restaurante, salão de eventos e wine bar, com inauguração prevista para outubro deste ano. Um projeto de hotelaria deve começar a sair do papel ainda em 2026.

Mabel, doutora em viticultura pela UFRGS, projeta que a região vai consolidar-se como principal polo de enoturismo do Brasil em cinco anos.

Plínio relata uma conversa com um produtor do Rio Grande do Sul que ajuda a explicar a aposta paulista. O gaúcho lhe disse que a região nova nasce com um ativo que a Serra Gaúcha jamais terá, a distância curta até São Paulo. A propriedade fica a cerca de 250 km da capital paulista, o maior mercado consumidor de vinho da América Latina.

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Vinícolas argentinas como a Catena Zapata, em Mendoza, recebem entre 60% e 70% de visitantes brasileiros, segundo Pereira, e parcela expressiva é de paulistas. A tese da Rio Manso é capturar esse fluxo sem o custo do voo internacional.

Para atrair este público, a Rio Manso aposta na criação de uma identidade própria para a região que começou a fazer vinhos há menos de duas décadas.

Aline Mabel, CEO da vinícola Rio Manso, de Jacutinga (MG)

Os rótulos inaugurais da vinícola foram batizados com referências à fauna da Mata Atlântica preservada na propriedade. Visita do Lobo, Voo do Tucano, Olhar da Onça. Foi com este último, um corte das uvas syrah, cabernet franc e viognier, que a vinícola conquistou medalha de ouro no Vinalies Internationales 2026, antes mesmo do lançamento comercial.

“A gente tem uma identidade, a gente não precisa ser uma réplica da Toscana, até porque a gente seria uma péssima réplica”, afirmou Pereira.

O comentário responde a uma expressão que se tornou comum ao se referir à nova região produtora de vinho entre SP e MG, chamada por muitos de “Toscana brasileira”. “A Toscana está lá fazendo vinho há mais de mil anos. Não vamos seguir o mesmo modelo”, disse Pereira.

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Para os executivos, a região mostra sinais de inflexão. Pousadas que antes operavam só de sexta a domingo agora têm ocupação contínua. Vinícolas que abriam apenas no fim de semana passaram a receber visitantes a partir das quintas-feiras.

“A região está se transformando em um ritmo mais rápido, mais acelerado do que a gente imaginou”, disse Pereira.

O executivo reconhece que parte dos mais de 70 projetos na região não vai sobreviver ao ciclo longo. “Quem não se estruturou para aguentar esse longo prazo até começar a ter algum retorno, vai ficar pelo caminho”, afirmou. Mas relativiza o risco de bolha. Mendoza tem mais de mil vinícolas, disse, e a Mantiqueira ainda está longe disso.

Apesar de mencionar os custos de implantação da vinícola, Pereira evitou falar sobre o investimento total do grupo no projeto - estimado em R$ 20 milhões por pessoas do mercado ouvidas pela Bloomberg Línea. Segundo ele, falar dos números minimizaria o tamanho da aposta real no projeto para um prazo de décadas.

O break-even da Rio Manso pode chegar em 2027 ou 2028, disse. O retorno integral do investimento, entretanto, só em algum momento da próxima década.

“Se a gente conseguir realizar o projeto como pensamos, com foco na qualidade do vinho e da recepção de visitantes, o retorno é consequência”, disse Plínio sobre a entrega de bons vinhos e uma experiência de qualidade ao consumidor e para o visitante que for à região.

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Vinícola Rio Manso, de MG: local compõe uma onda de vinícolas que se instalaram na Serra da Mantiqueira nos últimos anos. (Foto: Divulgação)

Claure vê oportunidade no Brasil e diz que país combina capitalismo com política social

16 de Maio de 2026, 16:14

Marcelo Claure, o homem mais rico da Bolívia e ex-CEO do SoftBank Group International, vê no Brasil uma combinação rara de um país que concilia políticas sociais com um ambiente favorável aos negócios — e está aprofundando suas apostas no mercado brasileiro.

“Para mim, o Brasil é um país socialista na parte social e é capitalista na área de negócios”, disse Claure à Bloomberg Línea, ao tratar de seus investimentos atuais.

Por meio do Claure Group, uma holding de investimentos global que, em 2024, contava com aproximadamente US$ 4 bilhões sob gestão, o empresário tem participações em diversos setores, como tecnologia, inteligência artificial, transição energética, estilo de vida e entretenimento.

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A empresa de investimentos de Marcelo Claure possui ativos na Ásia, Europa e nas maiores economias da América Latina, incluindo Brasil e México.

Ele também atua como vice chairman da Shein desde 2023 e tem ajudado a varejista asiática em sua estratégia de expansão global desde então.

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Negócio entre GDA Luma e Botafogo

Além dessas posições, o empresário boliviano também tem investimentos nos esportes e comentou a proposta aquisição do controle majoritário do Botafogo.

A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube carioca recebeu uma proposta da GDA Luma, empresa de investimentos da qual Claure é sócio, para assumir o seu controle.

“Por meio de outro fundo de investimentos que possuo, estamos vendo potencial em um time no Brasil”, disse. “Há um fundo de investimentos no qual tenho controle e que está bastante avançado para salvar esse clube”, acrescentou.

Claure já é proprietário do Club Bolívar, da Bolívia, e coproprietário do Girona FC, da Espanha, e do New York City FC, dos Estados Unidos.

Apostas na Argentina

O empresário também falou sobre sua visão sobre o mercado da Argentina. Apesar de reconhecer que o país “tem um monte de problemas” e ainda não saiu de sua crise, Claure afirmou que continua apostando no país.

“Quando você se senta com o pessoal do governo, primeiro, você é bem-vindo, e segundo, eles têm regras claras sobre o investimento estrangeiro”, disse o investidor.

Clare foi um dos participantes da Argentina Week em Nova York, evento organizado entre 9 e 11 de março pelo JPMorgan, pelo Bank of America, pela Embaixada da Argentina nos Estados Unidos e pelo fundo Kaszek.

O evento foi palco do anúncio de investimentos de US$ 16,15 bilhões em energia, mineração e tecnologia, segundo o governo argentino — embora parte dos números incluísse aportes de empresas locais e compromissos já anunciados anteriormente.

O milionário boliviano disse que a Argentina está atraindo projetos de grande escala, não apenas em recursos naturais, mas também em infraestrutura digital. “Os maiores data centers do mundo estão sendo construídos na Argentina”, disse ele.

Ele destacou que, atualmente, sua empresa investe na Argentina em setores como gás, petróleo, bancos e lítio.

Claure comparou esses mercados (Brasil e Argentina) com outros da região e destacou que a Bolívia, apesar de seu potencial, precisa de reformas para atrair capital.

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“A Bolívia é um país com um potencial imenso, mas precisa tomar as medidas necessárias para atrair investidores estrangeiros”, disse ele.

Ele acrescentou que o principal fator para os grandes fundos internacionais é a certeza regulatória.

Nesse sentido, alertou que não basta emitir títulos de dívida para gerar confiança.

“O governo [boliviano] está confuso. Ele acredita que, por emitir um título de US$ 1 bilhão com uma taxa de 10%, existe confiança internacional. Isso não é confiança internacional”, indicou.

“É como se alguém tivesse um cartão de crédito que vai começar a usar, sabendo que não vai conseguir pagar. Com um déficit fiscal de 12,2%, não há nenhuma chance de conseguir pagar dessa forma se continuar se endividando, nem de reduzir o custo do financiamento”, acrescentou Claure.

No início de maio, a Bolívia vendeu títulos em dólares nos mercados internacionais de capitais pela primeira vez em quatro anos.

A Bloomberg News informou que o país sul-americano fixou o preço de emissão de títulos em dólares no valor de US$ 1 bilhão, com vencimento em 2031, em 9,75%.

Segundo Claure, a Bolívia precisa da ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial, do BID e da CAF, “com taxas que normalmente são muito mais baixas” e com diferentes modelos de financiamento.

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Marcelo Claure: 'Para mim, o Brasil é um país socialista na parte social e é capitalista na área de negócios'. (Foto: Victor J. Blue/Bloomberg)

Crise da Ypê aquece procura por concorrentes e marcas próprias de supermercados

16 de Maio de 2026, 12:12

O recolhimento de produtos da Ypê determinado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) abriu uma janela para outra disputa nas gôndolas. Algumas redes de supermercados de conveniência adotaram a estratégia de ocupar o espaço deixado pela líder com a própria marca.

Jéssica Costa, head e sócia da AGR Consultores, afirma que o movimento depende do perfil de público de cada bandeira. Clientes mais sensíveis a preço tendem a migrar para a marca própria, que costuma entrar abaixo do produto recolhido.

Já o consumidor que prioriza segurança percebida vai à rival tradicional, no caso a Limpol, da Bombril. “A marca própria também pode ocupar o espaço na gôndola como um abastecimento temporário, evitando o vácuo”, afirmou Costa à Bloomberg Línea.

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Para a consultora, o ideal é dividir a prateleira entre a linha da rede e a marca rival, de forma a atender tanto o cliente que prioriza economia quanto aquele que privilegia segurança conhecida.

A Bloomberg Línea visitou na quarta-feira (13) uma loja da bandeira Dia em Vila Gomes, na zona oeste de São Paulo. O vão antes dedicado ao detergente líquido Ypê amanheceu ocupado pelos frascos da linha “Melhor a Cada Dia”.

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A etiqueta de preço da Ypê seguia colada ao trilho da prateleira, apontando para o vazio. Uma caixa de papelão da Ypê com produtos em pó, ao fundo, indicava a circulação recente da marca no estoque. O concorrente Limpol também sumiu da gôndola ao lado.

A Dia Brasil informou à Bloomberg Línea que iniciou “imediatamente o protocolo interno para retirada preventiva em todas as lojas dos itens impactados” assim que tomou conhecimento da decisão da Anvisa.

A rede afirmou em nota não ter identificado desabastecimento nas unidades, e reforçou o estoque com produtos de outras marcas de mesma categoria. “Seguimos acompanhando possíveis novas manifestações da Anvisa e do fabricante sobre o tema e consequentes atualizações nos protocolos atuais”, disse a empresa.

Mudança de hábito

Na sexta-feira (15), a Anvisa rejeitou o recurso administrativo apresentado pela Química Amparo, fabricante da marca e decidiu manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de 23 produtos da marca Ypê.

A medida atinge linhas de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes com numeração final 1 no lote, fabricados na unidade de Amparo, município do interior paulista.

A agência manteve, contudo, suspenso o recolhimento, à espera de plano de gestão a ser apresentado pela fabricante para os produtos já distribuídos no varejo.

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Entre os profissionais de limpeza, o número “1” no final do lote virou o símbolo do alerta sobre os produtos. “Quando o áudio caiu nos grupos de WhatsApp das diaristas, ninguém esperou laudo. Eu mesma avisei o gerente do hotel para descartar tudo o que tinha”, afirma Fátima da Costa, responsável pela limpeza de um pequeno hotel na zona oeste.

Ela diz que usava o detergente Ypê diariamente, em estoque renovado toda semana. Quando o alerta circulou, suspendeu o uso no mesmo turno. Migrou para a Limpol até o produto da marca se esgotar nas prateleiras. Agora limpa louça com a marca da rede de supermercado. “O cheiro é diferente, mas faz espuma”, diz Fátima.

A Química Amparo, fabricante da Ypê, fatura cerca de R$ 10 bilhões por ano. A empresa é a segunda maior do setor de limpeza doméstica no Brasil, atrás da Unilever, dona de Omo, Comfort e Cif. Concorre ainda com a P&G, fabricante de Ariel, Downy e Ace, e com a Reckitt, dona de Veja e Vanish. Entre as nacionais, Bombril, Flora (Minuano, da J&F) e Limppano (ODD) operam em escala menor.

A Limpol, porém, tem limites para surfar a crise da concorrente. A marca pertence à Bombril, que entrou em recuperação judicial em fevereiro de 2025 e adiou no último 30 de abril a divulgação dos resultados de 2025, em razão dos trabalhos de auditoria em curso, segundo comunicado.

A companhia registrou receita bruta de R$ 1,847 bilhão nos primeiros nove meses de 2025, último período consolidado disponível, alta de 6,3% na comparação anual.

O volume vendido somou 348,5 mil toneladas, avanço de 7,4%. Os números agregam o portfólio inteiro da fabricante, que inclui também Pinho Bril, Mon Bijou, Kalipto e a palha de aço Bombril. A marca Limpol está entre as dadas em garantia das debêntures emitidas pela companhia. A Bombril não respondeu ao pedido de comentário enviado pela reportagem.

Amaciante Ypê em parceria com a L'Occitane au Brésil, na versão rosa, permanece na gôndola da rede Dia em Vila Gomes. A linha está fora do recall da Anvisa.

Rastreabilidade industrial

A Química Amparo, da Ypê, reconheceu em reuniões técnicas com a Anvisa nesta semana que as falhas apontadas pela fiscalização precisam ser corrigidas, e apresentou mais de 200 ações em implantação nas linhas de produção e controle.

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A empresa informa que manteve a linha de produção inoperante desde 7 de maio, e iniciou ações de limpeza, readequação de processos, melhoria do controle de qualidade e aquisição de equipamentos.

Segundo o advogado Fernando Moreira, doutor em Engenharia de Produção com ênfase em Governança e Compliance e professor da FGV, a rastreabilidade industrial é o que permite à fabricante isolar o problema sem paralisar a operação inteira.

“O recall a lote específico pressupõe que a empresa consiga, pelos sistemas internos, demonstrar à autoridade sanitária em que ponto da linha o desvio ocorreu. Sem isso, o recolhimento se amplia”, afirma Moreira, que não tem relação direta com o caso.

O risco sanitário, depois da determinação da agência, já basta para gerar direito a troca ou reembolso, independentemente de dano comprovado, segundo o advogado.

O episódio entra numa lista que o varejo brasileiro conhece bem. Recalls coordenados por vigilância sanitária vão de extratos de tomate a casos mais graves. Um surto de intoxicações por metanol adicionado ilegalmente a bebidas alcoólicas, em substituição ao etanol mais caro, mobilizou em 2025 Anvisa, Ministério da Saúde e governos estaduais.

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Gôndola de detergentes em loja da bandeira Dia em Vila Gomes, zona oeste de São Paulo, na quarta-feira (13): O espaço antes ocupado pela Ypê foi preenchido pela marca própria da rede após a determinação da Anvisa (Foto: Sérgio Ripardo/Bloomberg Línea)

De refinarias a nova descoberta de petróleo: Petrobras prevê investir R$ 37 bi em SP

15 de Maio de 2026, 17:44

De combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) a exploração de um novo campo de petróleo bruto, a Petrobras (PETR3, PETR4) anunciou na tarde desta sexta-feira (15) investimento previsto de R$ 37 bilhões no estado de São Paulo no período de 2026 a 2030.

O montante faz parte do plano de negócios já anunciado para o período e que foi detalhado por executivos da companhia.

O principal projeto na carteira paulista é a ampliação da capacidade da refinaria de Paulínia (Replan), que receberá R$ 17 bilhões no quinquênio.

No total, a estatal possui dez refinarias, sendo quatro localizadas no estado.

“Para quem pensa que a Petrobras é Rio de Janeiro, apenas uma das refinarias da companhia em São Paulo é responsável por 1% do PIB brasileiro”, disse a presidente da empresa, Magda Chambriard, a jornalistas.

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A Replan é a maior refinaria da companhia, com capacidade de produção de 434 mil barris por dia (bpd), o equivalente a 20% do total de refino brasileiro.

Na unidade, são produzidos 24 milhões de litros do chamado diesel s10 (menos poluente) por dia. O volume poderia abastecer diariamente 80 mil ônibus. Na planta, também é produzido o diesel s500.

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Com o aporte previsto, a empresa quer elevar em 5% a capacidade de diesel da Replan.

Em paralelo, a Petrobras vai começar a implementar projetos de produção de querosene de aviação sustentável feito a partir de coprocessamento de óleo vegetal e resíduo animal, além do chamado “Alcohol-to-Jet” (AtJ), que usa etanol como base.

Em uma primeira fase, que deve estar disponível até o final deste ano, o SAF será produzido por coprocessamento na Replan.

Ainda na refinaria, uma segunda planta será dedicada ao AtJ, que utiliza etanol. “Já temos assinado o projeto básico, com perspectiva de licitação para início das obras no ano que vem”, disse o gerente executivo de refino da Petrobras, Daniel Violatti.

Ele acrescentou que o objetivo final do projeto da nova planta dedicada é atingir 10 mil barris de SAF por dia.

Ainda em Paulínia, serão investidos R$ 100 milhões em uma planta fotovoltaica para geração de energia.

Segundo Chambriard, todas as dez refinarias da Petrobras consomem cerca de 11 milhões de m³ de gás por dia. Com o aporte em energia renovável, a ideia é oferecer mais gás natural para o mercado brasileiro.

No município de Cubatão, a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC) deve receber recursos para produção de diesel s10 e SAF por coprocessamento.

Ainda no estado de São Paulo, a estatal prevê investimentos para aumentar a produção de diesel s10 na refinaria de São José dos Campos (Revap) e processamento mais eficiente de óleos do pré-sal em Mauá (Recap).

Nova descoberta no pré-sal

A Petrobras anunciou ainda a intenção de iniciar o desenvolvimento de uma descoberta nova de óleo na área de Aram, em um campo que ainda não foi batizado.

Segundo o gerente de projetos da estatal, João Lucas Gizzi, já foram perfurados cinco poços exploratórios em uma das áreas e mais um em outra.

Com base nos resultados, a companhia está fazendo uma avaliação exploratória e deve partir para o desenvolvimento de uma estratégia para o campo.

“A partir disso, vamos avaliar se faremos declaração de comercialidade. É uma área muito promissora, seria o primeiro projeto na área de alta pressão da Bacia de Santos”, declarou.

Chambriard afirmou que pelo menos um dos poços produtores terá que estar em produção até 2030. “Esta é a minha encomenda para a equipe.”

Porto de Santos

Ainda nesta sexta-feira, a Petrobras anunciou investimento da ordem de R$ 3,3 bilhões na expansão de duas áreas do terminal aquaviário no Porto de Santos.

No local, além de um novo pier, deve ocorrer a instalação de uma nova estrutura para tanques destinados a combustível de navegação (bunker) com parcela de renovável, o que segundo Chambriard já tem uma boa aceitação na Ásia.

“Esperamos que esse combustível também conquiste mercado importante aqui na América do Sul”, disse a executiva.

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Tanques de armazenamento de petróleo na refinaria de Paulínia (Replan) da Petrobras, em Paulínia, estado de São Paulo: novos investimentos. (Foto: Maira Erlich/Bloomberg)

iFood compra fatia minoritária na Daki e amplia parceria para crescer em supermercado

15 de Maio de 2026, 10:38

O iFood e a Daki chegaram a um acordo para a aquisição de uma participação minoritária na plataforma de compras de supermercado digital pelo aplicativo de delivery.

Com o negócio, o iFood terá uma participação inferior a 5% na Daki, de acordo com um comunicado das empresas divulgado à Bloomberg Línea. O valor investido e os termos da transação não foram revelados.

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Para o iFood, o acordo amplia a sua estratégia para crescer na categoria de supermercados. A empresa diz ter registrado crescimento de 60% em volume de vendas nessa vertical entre março de 2025 e março de 2026.

No período, houve a inclusão de quase 3 mil novas lojas parceiras à plataforma, com avanço percentual mais expressivo no Norte (130%) e no Nordeste (81%).

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“O setor de supermercados no Brasil movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano, mas a jornada de digitalização ainda está no começo”, disse Lucas Pittioni, vice-presidente de Jurídico, M&A e Políticas Públicas do iFood, em comentário enviado à Bloomberg Línea.

“Nosso investimento na Daki é um reconhecimento à execução do time e à maturidade do modelo de negócios.”

A entrada do iFood como sócio na Daki representa um aprofundamento de uma parceria entre as duas startups que começou há pouco mais de dois anos.

Em fevereiro de 2024, as empresas firmaram parceria comercial para que a Daki operasse a categoria de supermercado dentro da plataforma, após o iFood descontinuar suas próprias operações de varejo alimentício. Na época, o CEO da Daki, Rafael Vasto, confirmou à Bloomberg Línea que o acordo não envolvia troca de ações.

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Mesmo com a sociedade com a Daki, o iFood diz que sua área de vendas de supermercado continuará a operar de forma neutra em relação aos demais parceiros.

“A Daki atua em um segmento específico de entrega ultrarrápida que endereça uma jornada de compra distinta e complementar. O canal do iFood representa demanda incremental para a Daki, assim como para todos os demais parceiros da plataforma”, disse o iFood em resposta à Bloomberg Línea.

Já a Daki diz que o iFood representa um canal incremental e que a maior parte das vendas ocorre por meio de seu canal próprio.

Daki atinge breakeven

Do lado da Daki, a sociedade com o iFood coincide com um marco operacional. A startup informou ter atingido o breakeven (quando as receitas superam os custos), registrando Ebitda positivo pela primeira vez desde sua fundação, em 2021. A empresa não quis informar o mês quando o marco foi atingido.

A startup também diz que se aproxima de R$ 1 bilhão em receita anualizada, com crescimento acima de 50% ao ano.

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A Daki atribui o resultado à cadeia logística verticalmente integrada e ao uso de inteligência artificial em decisões operacionais como previsão de demanda, roteirização e personalização de oferta.

Com o aporte do iFood, a Daki planeja abrir novos hubs em 2026 e expandir para além de São Paulo e Minas Gerais. A empresa não informou as cidades-alvo.

A Daki foi fundada em janeiro de 2021 por Alex Bretzner, Rafael Vasto e Rodrigo Maroja no modelo de dark stores — lojas fechadas ao público com raio de entrega limitado e estoque próprio.

Em 2021, a empresa se fundiu com a Jokr, que chegou a ser avaliada em US$ 1,2 bilhão.

Em 2023, a startup captou duas rodadas: uma Série C de US$ 50 milhões, que elevou o valuation para US$ 1,3 bilhão, e uma Série D de mesmo valor, liderada pela Convivialité Ventures, braço de investimento da Pernod Ricard.

Entre os demais investidores que participaram das rodadas anteriores estão Lombard Odier, G-Squared, GGV, Balderton Capital, Greycroft, Tiger Global e Monashees.

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Entregador em unidade da Daki: startup planeja planeja abrir novos hubs em 2026 e expandir para além de São Paulo e Minas Gerais após acordo com o iFood (Foto: Divulgação/Daki)

O novo bilionário da tecnologia

15 de Maio de 2026, 07:11

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Andrew Feldman, empreendedor em série do Vale do Silício que literalmente cresceu no campus da Universidade Stanford, já havia participado da venda de três empresas e da abertura de capital de outra. Mas nada se compara à estreia de sua fabricante de chips de IA na quinta-feira (14).

As ações da Cerebras Systems (CBRS), empresa que ele cofundou em 2015, dispararam cerca de 68% na Nasdaq em Nova York. É o maior IPO do ano e atribui à empresa um valor de mercado de aproximadamente US$ 67 bilhões.

Com isso, a participação de Feldman passou a valer US$ 3,2 bilhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, que avalia sua fortuna pela primeira vez. A fatia do cofundador Sean Lie, por sua vez, vale US$ 1,6 bilhão.

“Um dia bom, não é?”, disse Feldman, de 56 anos e CEO da empresa, em entrevista à Bloomberg Television. “É um dos maiores IPOs de tecnologia da história e o maior IPO de semicondutores da história. Não poderíamos estar mais orgulhosos.”

⇒ Leia a reportagem: De zero a US$ 3,2 bi: maior IPO do ano transforma fundador em bilionário da tecnologia

Andrew Feldman (ao centro): participação do empresário passou a valer US$ 3,2 bilhões com o IPO. (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)

No radar dos mercados

As ações globais operam em queda nesta sexta-feira (15), após uma ampla liquidação nos mercados de títulos interromper de forma abrupta a alta impulsionada pela inteligência artificial.

- O repasse de Vorcaro. O senador Flávio Bolsonaro disse em entrevista à GloboNews que os recursos pagos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai foram para um fundo administrado nos EUA pelo advogado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro.

- M&A no luxo. A LVMH, dona da Louis Vuitton, Christian Dior e Loewe, concordou em vender a marca Marc Jacobs para a joint venture entre a WHP Global e o G-III. O grupo francês se desfaz da marca de luxo acessível em meio à desaceleração da demanda global por produtos de alto padrão.

- Novo horizonte para o dólar? Um índice da moeda americana subiu mais de 1% nesta semana após dados de inflação acima do esperado nos EUA reforçarem apostas de alta de juros pelo Fed ainda neste ano. Investidores veem o dólar como um ativo mais seguro em meio à volatilidade geopolítica e energética.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (14/05): Dow Jones Industrials (+0,75%), S&P 500 (+0,77%), Nasdaq Composite (+0,88%), Stoxx 600 (+0,76%), Ibovespa (+0,72%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

Destaques da Bloomberg Línea:

Lucro do Nubank fica abaixo das estimativas com expansão da carteira de crédito

MBRF vê exportações para China, UE e Oriente Médio compensarem ciclo nos EUA

• Dengo aposta no cacau de qualidade para crescer e vai na contramão do ‘sabor chocolate’

• Também é importante: Banco do Brasil defende avanço em consignado e alta renda para recuperar rentabilidade | Inadimplência recorde pressiona bancos e fintechs da Argentina e desafia governo Milei

• Opinião Bloomberg: Como a Ford encontrou na IA uma saída para reduzir perdas com carros elétricos

• Para não ficar de fora: Cristiano Ronaldo compra ‘fatia relevante’ da LiveModeTV, ligada à CazéTV

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MBRF vê exportações para China, UE e Oriente Médio compensarem ciclo nos EUA

14 de Maio de 2026, 20:58

A MBRF (MRFG3), empresa resultante da fusão entre a BRF e a Marfrig, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 111 milhões, avanço de 26,8% na comparação anual.

O vice-presidente financeiro da empresa, José Ignácio Scoseria, atribuiu o resultado ao avanço das exportações de carnes bovina e de frango, à retomada de embarques para mercados como China e União Europeia e ao aumento de eficiência operacional em meio a um cenário ainda pressionado pelo ciclo pecuário nos Estados Unidos.

“A exportação foi uma âncora importante para a rentabilidade da operação”, disse Scoseria durante coletiva de resultados com jornalistas nesta quinta-feira (14).

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A receita líquida da companhia para o período ficou praticamente estável em R$ 39,5 bilhões e o Ebitda ajustado somou R$ 3,09 bilhões, com margem de 7,8%.

Além disso, 46% da receita consolidada da companhia foi oriunda da operação na América do Norte, sob o guarda-chuva da National Beef, 16% da operação da América do Sul e 38% da BRF.

Operação americana sob pressão

A operação da National Beef, nos Estados Unidos, continuou pressionada pelo ciclo pecuário americano, marcado pela menor oferta histórica de gado e preços elevados da matéria-prima.

“O primeiro trimestre foi difícil”, disse Tim Klein, CEO da National Beef, durante a coletiva de resultados.

Klein explica que os preços elevados do gado não foram totalmente compensados pela demanda forte no mercado americano.

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Segundo os executivos, há sinais “iniciais” de melhora nas condições do mercado americano de carne bovina, embora o cenário ainda siga pressionado pela baixa oferta de gado.

Para Scoseria, o desempenho da operação na América do Sul foi sustentado pelo avanço das exportações. O volume destinado ao mercado externo cresceu 28% na comparação anual, enquanto o mercado interno teve leve retração.

A retração da demanda no mercado interno já era esperado pela companhia diante do ‘efeito sazonal’ do período, após a demanda elevada de fim de ano e em meio à desaceleração do consumo das famílias no início do calendário fiscal.

Oriente Médio

Scoseria também destacou a retomada dos embarques para China e União Europeia, além do aumento das vendas para o Oriente Médio durante o Ramadã.

“Estamos vendo um cenário de demanda muito forte, principalmente para China, União Europeia e Oriente Médio”, afirmou.

Segundo a companhia, a participação da MBRF nas exportações para os países do Golfo aumentou 12 pontos percentuais entre fevereiro e março.

A companhia também informou que atingiu, em março, recorde de exportações diretas de aves e suínos, movimento sustentado pela reabertura de mercados na Ásia e na Europa.

O Oriente Médio segue como uma das principais apostas de crescimento internacional da companhia mesmo diante da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

Segundo Miguel Goulart, a MBRF manteve os embarques normalmente após o início da guerra e redirecionou navios para portos alternativos para evitar interrupções logísticas.

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De acordo com o executivo, a companhia utilizou sua estrutura de distribuição regional para abastecer clientes por rotas terrestres após a chegada dos produtos a portos fora da área afetada pelo bloqueio marítimo.

“Conseguimos chegar a todos os clientes em todas as geografias do Oriente Médio sem nenhuma ruptura”, disse Goulart.

O executivo explicou que a estratégia foi facilitada pela decisão tomada pela companhia em 2024 de ampliar estoques nos países de destino, e não no Brasil, após os episódios sanitários envolvendo a doença de Newcastle.

A companhia informou que a operação na região encerrou o trimestre com margem Ebitda ajustada recorde de 15,6%, beneficiada pelo aumento da demanda durante o Ramadã e pelo fortalecimento da presença regional da marca Sadia.

Durante a coletiva, os executivos destacaram a conclusão em maio deste ano do acordo que resultou na Sadia Halal, joint venture voltada ao mercado islâmico, anunciada como peça central da estratégia global da MBRF — a expectativa é que o IPO da nova companhia aconteça em Riad, capital da Arábia Saudita, a partir de 2027.

Restrições

Além disso, os executivos também falaram sobre a restrição da União Europeia às exportações brasileiras de carne e produtos animal.

Goulart disse que a decisão do bloco está ligada a exigências adicionais de certificação e validação de processos sanitários, e não a uma suspensão imediata dos embarques.

A avaliação da companhia é que o tema pode ser revertido nos próximos meses. “O Brasil cumpre todos os requisitos hoje para exportar para a União Europeia”, afirmou Fábio Stumpf, vice-presidente de agro e qualidade da companhia.

A MBRF também reforçou que segue avançando na integração entre Marfrig e BRF. A companhia informou ter capturado R$ 126 milhões em sinergias no trimestre — mais de 20% da meta prevista para 2026 — além de R$ 296 milhões adicionais em ganhos de eficiência operacional.

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Banco do Brasil defende avanço em consignado e alta renda para recuperar rentabilidade

14 de Maio de 2026, 15:20

O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) em 7,3% – sua rentabilidade mais baixa em uma década, acima apenas dos 6,5% apurados no segundo trimestre de 2016.

Para sair das mínimas e buscar a retomada do indicador, o BB pretende avançar no crédito pelas linhas de maior spread enquanto o agronegócio – principal fonte da pressão para o balanço – ainda não se normaliza.

“Seguimos tracionados na pessoa física como uma estratégia para equilibrar o portfólio do banco, principalmente em momentos onde as outras carteiras, como a do agro, não performam tão bem”, afirmou o CFO Geovanne Tobias, a jornalistas nesta quinta-feira (14).

“[Assim] entregamos rapidamente uma volta a uma rentabilidade em patamares mais elevados”, disse.

A expectativa do banco é alcançar um ROE entre 9% e 11% ao final de 2026 – ainda abaixo do patamar de 20% conquistado antes da crise do agro, mas já em trajetória de retorno aos dois dígitos.

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A queda da rentabilidade no trimestre acompanhou a pressão do agro sobre o custo de crédito do banco, que avançou 85,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 18,9 bilhões no trimestre.

O saldo foi reflexo do aumento de provisões na carteira rural e da inadimplência persistentemente acima do que o banco havia projetado.

Leia também: Lucro do BB cai 53,5% no 1º tri com impacto agro e banco faz nova revisão de guidance

Em que áreas o BB pretende crescer

O crescimento em pessoa física está concentrado em dois eixos. O primeiro é o crédito consignado, no qual o BB já detém quase 25% do mercado público e mira 20% do privado. E o segundo envolve cartões e produtos para alta renda, público mais resiliente diante do ciclo econômico mais desafiador.

Os executivos destacaram a evolução do crédito ao trabalhador, linha de consignado privado para quem tem carteira assinada, para projetar a velocidade da expansão.

O Banco do Brasil saiu de 100 mil clientes atendidos no segmento no início de 2025 para 1,2 milhão este ano, com R$ 18 bilhões desembolsados.

Tobias reforçou ainda que o BB não pretende repetir o modelo de crescimento acelerado e indiscriminado do pós-pandemia, quando a expansão do crédito gerou ondas posteriores de inadimplência em todo o setor bancário. O CFO disse que vão evitar o chamado crescimento em ‘mar aberto’, buscando clientes não-correntistas.

Ainda na pessoa física, o banco enfrenta outro desafio: a “contaminação” dos portfólios por conta do agronegócio.

Produtores rurais que mantêm outras operações no banco, como cartão de crédito e crédito pessoal, passaram a atrasar também nessas linhas quando o fluxo de caixa apertou.

O BB identificou esse movimento e, de forma preventiva, reforçou as provisões sobre esse portfólio antes de os atrasos materializarem a inadimplência acima de 90 dias.

A inadimplência de pessoas físicas encerrou março em 6,82%, ante 5,10% um ano antes. O banco projeta que o segundo trimestre será o período de maior pressão nesse segmento, com concentração nas linhas de cartão de crédito e crédito pessoal.

Geovanne Tobias, CFO Banco do Brasil:

A partir do terceiro trimestre, a expectativa é de normalização progressiva. O movimento pode ser acelerado, segundo Tobias, a depender dos frutos do novo programa Desenrola do Governo Federal, que deve estimular as renegociações e alongamento de dívidas entre os clientes mais apertados.

Leia mais: Inadimplência no agro força ‘acerto de contas’ no Banco do Brasil

Nova revisão de guidance

Enquanto o crescimento não estabiliza os números do BB, o banco voltou a revisar suas projeções. O novo guidance de lucro líquido ajustado para 2026 passou para o intervalo de R$ 18 bilhões a R$ 22 bilhões — abaixo do piso da faixa anterior, que ia de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões. Na prática, o teto do novo intervalo é igual ao piso do antigo.

O custo de crédito também foi revisado para cima, para R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões, vindo de uma faixa entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões.

A revisão no guidance já contempla também o desafio do BB em pontualização (indicador de pagamento em dia) no setor agro. Embora não seja ainda um indicador de inadimplência, a pontualização sinaliza um estresse no comportamento do setor.

Também inclui a mudança no cenário macroeconômico diante da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio. “Não gostaríamos de estar revisando esse guidance agora, mas o mundo em que montamos o guidance anterior é completamente diferente do que temos hoje”, afirmou Tobias.

Para os próximos meses, a expectativa é que o agro ainda pressione os resultados, já que boa parte dos vencimentos deste ano ainda pertence ao portfólio originado antes da adoção de novas medidas de recuperação de crédito – iniciativa que veio a partir de julho de 2025. Apenas a partir de setembro mais de 50% dos vencimentos mensais serão de operações mais recentes, com critérios mais rigorosos de concessão.

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BB pretende avançar no crédito pelas linhas de maior spread enquanto o agronegócio ainda não se normaliza. (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)

Dengo aposta no cacau de qualidade para crescer e vai na contramão do ‘sabor chocolate'

14 de Maio de 2026, 13:36

A Dengo decidiu manter suas receitas e preservar a qualidade dos produtos, mesmo diante da disparada do preço do cacau nos últimos anos.

Enquanto parte do mercado debate a polêmica em torno do “sabor chocolate”, a marca aposta em reforçar sua proposta premium e a origem do cacau brasileiro.

“Nós não vamos abrir mão de receita”, disse a CEO Cíntia Moreira em entrevista à Bloomberg Línea, ao descrever a decisão da empresa de manter a formulação dos produtos mesmo diante da volatilidade da commodity na ICE, a bolsa de Nova York.

Essa decisão resume bem a estratégia da companhia de buscar capturar maior valor a partir de decisões que aumentem a sua eficiência operacional em vez de reduzir o percentual de cacau presente no produto ou até, em última instância, diminuir o valor pago aos produtores.

O presidente Lula sancionou nesta semana uma lei que estabelece uma nova espécie de “régua” a ser seguida pelas empresas de chocolate: produtos que tenham menos de 35% de sólidos totais de cacau (ao menos 18% de manteiga de cacau e 14% isento de gordura) em sua composição precisam indicar que se tratam de um alimento “sabor chocolate”.

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A resolução ganhou espaço nas redes sociais e chamou a atenção dos consumidores, que têm ampliado a atenção para a composição - e substituições - que a indústria chocolateira tem utilizado para tentar mitigar os efeitos da alta histórica do cacau nos últimos anos.

No caso da Dengo, a resposta para a alta dos preços do cacau foi preservar a integridade (e a qualidade) do chocolate enquanto busca ajustar processos.

“Em nenhum momento nós pedimos para [a área de] inovação desenvolver produtos com mais recheio, ou com wafer, ou com biscoito”, afirmou. “Onde nós fomos buscar eficiência? Em operações, em processos”, conta a executiva.

A estratégia da companhia está ancorada em três pilares definidos desde a fundação da marca, conta a executiva: elevar o impacto positivo na cadeia do cacau, a sustentabilidade e focar no produto premium.

A marca foi criada em 2017 por Guilherme Leal, que também é cofundador da Natura, e Estevan Sartoreli, que já atuou como gerente de Marketing na Natura. Ambos seguem no conselho da Dengo.

Segundo a executiva, a Dengo nasceu da leitura de que o cacau é uma cadeia historicamente desigual, e que o valor pago pela amêndoa não era revertido aos produtores.

“O pequeno produtor não recebia valor adequado e vendia [o cacau] como commodity, sem incentivo para focar na qualidade”, disse a executiva.

A proposta da Dengo foi inverter essa lógica e focar na compra de amêndoas de maior qualidade, o que também se traduziu em um prêmio pago sobre o valor médio dessa amêndoa.

Nas principais regiões do Brasil é possível, inclusive, encontrar pequenos produtores que têm focado justamente na produção do cacau (e do chocolate) fino, enquanto reduzem a produção do tipo commodity. (Leia mais sobre esse movimento aqui).

A Dengo compra cerca de 490 toneladas de amêndoas por ano, principalmente do sul da Bahia e de regiões da Amazônia, incluindo Pará e Amazonas.

Segundo a executiva, a tentativa dos produtores de atender aos padrões exigidos pela empresa ficou conhecida como “critério Dengo”, já que a companhia tolera no máximo 2% de defeitos nas amêndoas de cacau.

Outro critério é que os produtores precisam ter acompanhamento técnico para elevar o padrão produtivo dos cacaueiros.

A empresa informa nas embalagens de seus produtos que paga acima do mercado o valor do cacau.

Questionada, a empresa disse que a variação sobre o prêmio pago muda conforme o ciclo da commodity na bolsa de Nova York.

Até 2023, o prêmio chegou a ficar entre 80% e 110% sobre o preço internacional; com a alta do cacau em 2024, esse diferencial recuou para cerca de 40%, segundo informações da empresa.

Além do preço, a Dengo tenta agilizar o pagamento aos produtores em até dois dias, segundo a executiva, em contraste com prazos mais longos de pagamento praticados no mercado.

A origem do cacau também é parte da estratégia da empresa, que disse que compra exclusivamente de sistemas agroflorestais — cabruca, no caso do sul da Bahia, e modelos equivalentes na Amazônia.

“Comprar de pequenos produtores, manter a floresta em pé e entregar um produto de qualidade para o consumidor”, explica a executiva, sobre o foco da empresa em atuar na cadeia.

Esse controle da matéria-prima se estende ao processo industrial. A empresa adota o modelo bean-to-bar, em que compra a amêndoa e conduz internamente etapas como a torra e a formulação das receitas.

A escolha permite maior controle sobre o sabor e a padronização dos produtos.

Segundo Renata Rabelo, executiva de Marketing e P&D da empresa, a torra mais baixa é usada para preservar as notas sensoriais do cacau, como nuances frutadas e florais, em oposição ao perfil mais uniforme de chocolates industrializados.

“Nós priorizamos as notas de cacau para um chocolate de verdade. Não precisamos colocar muito açúcar para esconder sabores de uma torra excessiva”, disse a executiva à Bloomberg Línea.

A formulação também segue uma linha bem definida: uso exclusivo de manteiga de cacau, sem substitutos, e ausência de aromatizantes ou aditivos.

O teor de cacau é outro elemento de diferenciação nos produtos da Dengo, que concentram no mínimo 38% da amêndoa e podem chegar a 50% a depender da categoria, segundo a empresa.

A Dengo opera atualmente 57 lojas, sendo 19 franquias. A empresa abriu cinco unidades no último ano. A expansão deve seguir com franquias, conta a CEO. Há duas lojas no Sul do país.

No exterior, a empresa mantém duas lojas próprias em Paris.

Em termos de desempenho, a companhia reporta crescimento de vendas em lojas comparáveis de 22% e avanço relevante em datas sazonais, como a Páscoa.

A categoria de cafeterias responde por cerca de 17% das vendas das lojas e é vista como um instrumento importante de fidelização, mais do que diversificação do core business.

A lógica é aumentar a frequência de consumo em um produto tipicamente associado a ocasiões especiais.

No portfólio, a expansão ocorre via novos formatos e sabores. A empresa tem apostado em produtos em versões menores para ampliar a penetração a diferentes públicos e trabalha com combinações com ingredientes brasileiros, como banana, cupuaçu e castanha de caju.

“Propósito sem resultado não se sustenta. Mas o resultado sem propósito não nos representa”, disse Moreira.

Antes de assumir como CEO na Dengo em junho de 2025, Moreira foi diretora comercial do grupo ADCOS e passou pela Lacoste e Estée Lauder.

A empresa afirma estar aberta à compra de cacau de novos produtores. Para a CEO, o próximo ciclo de crescimento pode depender menos da expansão física e mais de ganhos de produtividade sem alterar o modelo de negócios que sustenta a operação.

“Não somos uma filantropia. É um negócio que precisa ser rentável e sustentável”, disse. “O propósito faz parte do modelo de negócio, com um valor mais compartilhado ao longo da cadeia.”

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Empresa compra cerca de 490 toneladas de amêndoas por ano, principalmente do sul da Bahia e de regiões da Amazônia, incluindo Pará e Amazonas.

A adaptação cultural da H&M no Brasil

14 de Maio de 2026, 07:05

Este é o Breakfast - o seu primeiro gole de notícias. Uma seleção da Bloomberg Línea com os temas de destaque no mundo dos negócios e das finanças. Bom dia!

Quando a varejista sueca de moda H&M abriu sua primeira loja em Portugal, muitos clientes que entravam pela porta e viam as iniciais da marca achavam que queria dizer “Homem e Mulher”, lembrou Joaquim Pereira, country manager da H&M Brasil, com um sorriso.

A anedota portuguesa resume um dos desafios que a rede enfrenta no Brasil nove meses depois de abrir sua primeira loja no país: uma marca global que, para boa parte dos consumidores brasileiros, ainda precisa se apresentar, ser conhecida do público local, além de entender melhor o consumidor brasileiro.

“Aprendemos muito”, disse Pereira em entrevista à Bloomberg Línea na ocasião da abertura recente da primeira loja da marca no Rio de Janeiro, em abril. “Quando chegamos, sempre falei que tínhamos que ser humildes, dispostos a aprender com o consumidor brasileiro.”

Parte desse processo de apresentação é assumir uma “nova identidade”. Em vez de “êitch-end-êm”, como as iniciais costumam ser pronunciadas em inglês, no Brasil a marca se assume oficialmente como “agá e ême”.

⇒ Leia a reportagem: No Brasil, H&M vira ‘agá e ême’ para se adaptar à cultura e ganhar reconhecimento

O principal desafio identificado pela marca na chegada ao país, que não é de preço nem de produto, mas de reconhecimento (Foto: Divulgação)

No radar dos mercados

As ações globais operam em alta nesta quinta-feira (14), enquanto o rali das ações de tecnologia mostra poucos sinais de perda de fôlego e os resultados da Cisco Systems reforçam o entusiasmo em torno da inteligência artificial.

- China renova licenças para frigoríficos dos EUA. Pequim restabeleceu autorizações de importação para centenas de plantas americanas de carne bovina. A medida pode reduzir o espaço de exportadores como o Brasil, que já se aproxima da cota anual chinesa.

- Burberry adota tom cauteloso. A grife britânica alertou que incertezas geopolíticas e econômicas podem afetar a demanda no ano fiscal, mesmo após ter registrado crescimento de 2% nas vendas comparáveis no quarto trimestre. As ações caíam 6,7% nesta manhã em Londres.

- O impulso do Brasil na Telefónica. A operadora espanhola reportou alta de 1,8% no Ebitda ajustado do primeiro trimestre, para € 2,84 bilhões, com crescimento de 8,7% no Brasil e menor concorrência na Espanha. As ações avançaram até 5,8% nesta manhã em Madri, no maior salto intradiário desde fevereiro.

→ Leia a matéria completa sobre o que guia os mercados hoje

🔘 As bolsas ontem (13/05): Dow Jones Industrials (-0,14%), S&P 500 (+0,58%), Nasdaq Composite (+1,20%), Stoxx 600 (+0,79%), Ibovespa (-1,80%)
LEIA + Siga a trilha dos mercados para conhecer as variáveis que orientaram os investidores →

🗓️ Agenda: Os eventos e indicadores em destaque hoje e na semana →

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• Também é importante: Petrobras amplia produção de fertilizantes e quer fornecer 35% do consumo do país | Embraer vê maior demanda por jatos menores e eficientes com a disparada do combustível

• Opinião Bloomberg: Sediar a Copa traz menos benefícios econômicos para uma cidade do que parece

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No Brasil, H&M vira ‘agá e ême’ para se adaptar à cultura e ganhar reconhecimento

14 de Maio de 2026, 06:00

Quando a varejista sueca de moda H&M abriu sua primeira loja em Portugal, muitos clientes que entravam pela porta e viam as iniciais da marca achavam que a marca queria dizer “Homem e Mulher”, lembrou Joaquim Pereira, country manager da H&M Brasil, com um sorriso.

A anedota portuguesa resume um dos desafios que a rede enfrenta no Brasil nove meses depois de abrir sua primeira loja no país: uma marca global que, para boa parte dos consumidores brasileiros, ainda precisa se apresentar, ser conhecida do público local, além de entender melhor o consumidor brasileiro.

“Aprendemos muito”, disse Pereira em entrevista à Bloomberg Línea na ocasião da abertura da primeira loja da marca no Rio de Janeiro, em abril. “Quando chegamos, sempre falei que tínhamos que ser humildes, dispostos a aprender com o consumidor brasileiro.”

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Parte desse processo de apresentação é assumir uma “nova identidade”. Em vez de “êitch-end-êm”, como as iniciais costumam ser pronunciadas em inglês, no Brasil a marca se assume oficialmente como “agá e ême”.

Por mais que muitos consumidores da rede no Shopping Iguatemi conheçam a marca desde fora do país e talvez chame pelas iniciais em inglês, disse ele, é importante se adaptar a cada país onde a H&M chega.

“Temos que respeitar o idioma do país onde estamos, e aqui é o português. Então, aqui é ‘agá e eme’, como no Chile é ‘ajeneme’. E o consumidor brasileiro está assimilando bem isso. Quando falamos com nossos colaboradores, também falamos ‘agá e eme’. Tentamos personalizar a marca aqui com o idioma local”, disse.

A questão de como se referir à marca pode soar mundana, mas ganha especial relevância por conta do principal desafio identificado por Pereira na chegada ao país, que não é de preço nem de produto, mas de reconhecimento.

Num país de mais de 200 milhões de habitantes, a H&M ainda é desconhecida para a maioria dos consumidores, disse. “Há muitos clientes que nos conhecem, mas há muito mais que não”, disse. “Muitos nunca foram ao exterior e nunca precisaram entrar numa loja da H&M.”

Esse diagnóstico levou a uma adaptação operacional concreta. As novas lojas têm sido inauguradas com mais promotores de vendas, funcionários que abordam ativamente os clientes para apresentar o produto, os tamanhos, os cortes, o material. “Vimos que o consumidor que entra pela primeira vez quer experimentar, quer tocar. Então adaptamos a oferta a essa aprendizagem.”

Leia também: Brasil é motor de crescimento global da H&M, diz CEO ao inaugurar primeira loja no Rio

É também por isso que a expansão para novas cidades tem, para Pereira, uma função dupla: vender e se fazer conhecer. “A gente vai ao Rio, vai a Porto Alegre, vai a Sorocaba para criar conhecimento de marca. E com o e-commerce, conseguimos atender clientes em todo o país", disse.

Joaquim Pereira, Country Manager da H&M Brasil (Foto: Divulgação)

Aulas de Brasil

Enquanto a marca tenta se apresentar ao brasileiro, também começa a aprender mais com a cultura local. Das lições aprendidas nos primeiros meses, Pereira destaca uma que todo manual de expansão internacional ensina, mas que só se aprende na prática: no Brasil, o primeiro trimestre do ano é, na prática, o segundo.

“Todo mundo falava que o ano só começava depois do Carnaval, mas a gente só aprendeu isso na prática”, disse. “Tivemos vendas muito fortes no Natal, entramos em promoções, e então chegou o período antes do Carnaval, e percebemos que havia outras prioridades no país e o ano realmente só começa depois dele”, disse

O comportamento do consumidor masculino foi outra descoberta, mais positiva. Pereira compara com o Chile, mercado onde trabalhou por quase quatro anos: “Lá, um homem que gosta de uma calça compra o mesmo modelo em três cores. No Brasil, não. O brasileiro gosta mais de moda e busca o outfit completo: a calça, a camisa, o sapato, o acessório. Busca o look do momento.”

Leia também: De ‘loja-modelo’ a colaboração global: os bastidores da entrada da H&M no Brasil

A abertura da primeira loja no Rio de Janeiro coloca a H&M diante de um desafio logístico e editorial inédito para a operação brasileira: a empresa passará a operar simultaneamente em três zonas climáticas distintas: São Paulo, Rio de Janeiro e, em breve, Porto Alegre.

“Isso vai nos desafiar a garantir que cada loja ofereça o melhor para o seu consumidor”, disse Pereira.

Para o Rio, a empresa ainda está em fase de aprendizado: “Sabemos que o carioca é um consumidor muito mais de moda de praia, de t-shirts, de shorts. Com esse conhecimento, para o ano que vem já conseguimos garantir que a oferta vai estar focada no que o cliente carioca procura.”

Ainda há o desafio de lidar com as frequentes mudanças regulatórias no país. Em decisão na terça-feira (12), o governo brasileiro revogou a chamada “taxa das blusinhas”, uma cobrança de um imposto de importação sobre produtos de até US$ 50 comprados do exterior.

A decisão favorece varejistas online asiáticas como Shein, Shopee e Temu e coloca pressão sobre as demais empresas que atuam no varejo de moda no país, além da indústria têxtil local.

Trabalho no Brasil

No processo de apresentação da marca e de conhecimento da realidade local, Pereira apresentou voluntariamente a posição da marca sueca sobre o debate político no Brasil sobre o modelo de trabalho.

Segundo ele, a H&M chegou ao país adotando a escala de trabalho 5x2 desde o início da operação, o que seria um dos principais diferenciais para atrair e reter funcionários num setor que historicamente opera de forma diferente.

“Ouço muitas conversas sobre isso, que é um sentimento de geração. Independente da geração, se você pode descansar dois dias por semana, vai ficar contente”, disse. “Isso vai mudar o varejo no Brasil, cedo ou tarde. E outras empresas vão ter que se adaptar.”

O modelo é mais custoso, reconhece o executivo. Mas, para uma empresa que prevê dobrar o número de lojas no Brasil nos próximos três meses, manter funcionários motivados e comprometidos é pré-requisito para a expansão.

“Para crescer, precisamos que as pessoas cresçam com a gente”, disse Pereira. “Se não conseguimos manter as pessoas, é difícil manter a expansão.”

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O principal desafio identificado pela marca na chegada ao país, que não é de preço nem de produto, mas de reconhecimento (Foto: Divulgação)

Justiça concede 60 dias de proteção parcial ao Grupo Toky contra cobranças

13 de Maio de 2026, 23:36

O juiz Henrique Inoue, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, concedeu nesta quarta-feira (13) uma proteção parcial ao Grupo Toky, controlador das varejistas de móveis e decoração Tok&Stok e Mobly, um dia depois de a companhia pedir recuperação judicial com passivo declarado de R$ 1,12 bilhão.

A decisão suspende por 60 dias as cobranças contra a empresa, mas adia o exame do pedido principal, o chamado deferimento do processamento, até que o grupo organize melhor a documentação apresentada.

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A medida mais sensível atinge a SRM Bank Instituição de Pagamento. A companhia alega na petição inicial que a fintech bloqueou cerca de R$ 77 milhões em recebíveis de cartão de crédito para garantir uma dívida estimada em R$ 1,3 milhão, sem contrato que respaldasse a operação.

O juiz deu 48 horas para a SRM apresentar o suporte jurídico dos bloqueios. Caso não comprove, terá de liberar imediatamente os valores travados nas registradoras Núclea (CIP) e CERC.

Leia também: Grupo Toky solicita desbloqueio de R$ 77 mi em recebíveis de cartão em pedido de RJ

Procurada pela reportagem na terça-feira, a SRM Bank, instituição de pagamento do grupo SRM, especializado em soluções de crédito, deu versão divergente da apresentada pelas requerentes.

Em nota, a fintech afirma que “todas as ações tomadas são amparadas por aceites formais da Tok&Stok em duplicatas cedidas por seus fornecedores” e sustenta que, após tratativas entre as partes, “os valores bloqueados já foram liberados na sexta-feira”, antes do protocolo do pedido de recuperação judicial.

A SRM diz pautar sua atuação “pela mais estrita observância aos princípios da boa-fé objetiva, transparência e estrito cumprimento das obrigações legais e contratuais”.

O juiz também declarou nulas as cláusulas de “vencimento antecipado” acionadas em razão do próprio pedido de recuperação, dispositivos que permitiriam a credores exigir o pagamento integral de contratos no instante em que a empresa procurasse a Justiça.

Para o magistrado, essas cláusulas contrariam a função social do contrato e esvaziariam a finalidade da lei de recuperação judicial.

Outra frente da liminar protege o funcionamento das lojas e da operação digital. Fornecedores de serviços considerados essenciais ficam proibidos de interromper o atendimento por dívidas anteriores ao pedido, sob multa diária de R$ 50 mil, limitada a 30 dias.

Leia também: Grupo Toky, dono de Tok&Stok e Mobly, pede recuperação judicial após pressão de juros

A lista inclui concessionárias de energia elétrica e água em todos os estados, a Vamos Locação de Caminhões, e fornecedores de tecnologia como Google Brasil, Amazon Serviços de Varejo e Santo Digital. Em contrapartida, o grupo precisa comprovar todo mês o pagamento em dia dos serviços prestados a partir de agora, sob pena de perder a proteção.

A consolidação processual das seis empresas do grupo — Grupo Toky, Mobly Hub Transportadora, Mobly Serviços de Intermediação, Estok Comércio e Representações, Estok Distribuidora e Mobly Comércio Varejista, foi autorizada. Isso significa que o processo correrá de forma unificada, em reconhecimento ao controle comum e à integração operacional das marcas.

O magistrado, porém, cobrou mais rigor das requerentes. Apontou que a documentação foi entregue de forma “incompleta e desordenada”, com papéis intercalados entre as seis empresas, o que dificulta verificar se cada uma cumpre os requisitos legais para pedir recuperação. Deu prazo de 15 dias para emenda da petição inicial.

Ele também pediu esclarecimento específico sobre a assinatura de Victor Noda, CEO do grupo, em procuração da Estok Comércio e Representações, empresa em que, segundo o juiz, ele não consta como administrador na ficha da Junta Comercial de São Paulo.

Para evitar uma falência sistêmica enquanto a documentação é refeita, o juiz antecipou parcialmente o chamado “stay period”, o escudo legal que paralisa execuções e atos de cobrança. O prazo concedido é de 60 dias, e não os 180 solicitados pela companhia.

Nesta quarta-feira de manhã, em fato relevante, o Grupo Toky comunicou uma ampla reestruturação de sua diretoria executiva. André Ferreira Peixoto assume a presidência no lugar de Victor Pereira Noda, fundador da Mobly e até então CEO do grupo.

Fabio Ferrante substitui Marcelo Rodrigues Marques na diretoria financeira e de Relações com Investidores, e Daniel Passos de Melo assume a área de operações e logística no lugar de Mário Fernandes Filho.

Os três fundadores deixam a diretoria, mas seguem no conselho de administração da holding e da Estok Comércio e Representações. A companhia afirmou no comunicado que a transição não altera a estratégia de longo prazo.

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Lucro do BB cai 53,5% no 1º tri com impacto agro e banco faz nova revisão de guidance

13 de Maio de 2026, 20:42

O Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,43 bilhões no primeiro trimestre deste ano, queda de 53,5% na comparação anual e baixa de 40,2% frente ao último trimestre, em um resultado ainda fortemente impactado pela turbulência no agronegócio.

Apesar da queda, o resultado ficou em linha com as estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg, que estimavam um saldo de R$ 3,46 bilhões na última linha do balanço.

Em nota, a CEO Tarciana Medeiros reconheceu um ambiente mais desafiador para o crédito este ano, “com maior pressão especialmente na carteira de agronegócios”.

“Entre as medidas para enfrentar o ciclo de agravamento da inadimplência do agronegócio, ampliamos e evoluímos no uso de garantias por alienação fiduciária e revisamos as esteiras de cobranças. Nos primeiros meses de 2026, já dobramos o número de judicializações realizadas durante todo o ano passado. Isso reflete o nosso direcionamento de buscar a recuperação dos nossos ativos”, afirmou a CEO.

O banco estatal é líder no crédito ao agronegócio e tem um terço de sua carteira destinada ao setor. Os efeitos do endividamento e de uma alta no volume de recuperações judiciais no segmento vem impactando os negócios do BB desde o terceiro trimestre de 2024, com efeito mais pronunciado ao longo do último ano, marcado por duas revisões de projeções diante da piora dos números.

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Junto com o resultado, o banco divulgou na noite desta quarta-feira (13) uma nova revisão de guidance – a terceira desde o início da crise e a primeira de 2026.

Foram revisadas as projeções para custo do crédito, margem financeira bruta e lucro líquido ajustado, a partir da reavaliação do cenário, “em especial a continuidade da dinâmica agravada do risco no agronegócio, das incertezas decorrentes do contexto geopolítico e seus reflexos nos indicadores macroeconômicos”, afirmou o banco em nota.

O BB agora projeta lucro líquido ajustado entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, abaixo do piso da faixa anterior, que ia de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.

O custo de crédito passou para o intervalo entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões, vindo de uma faixa entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões. Já a margem financeira bruta, que ficaria entre 4% e 7%, subiu para o intervalo entre 7% e 11%.

Leia também: Banco do Brasil prevê ‘freio′ no crédito para o agro para elevar rentabilidade em 2026

BB no 1º tri

O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE), principal indicador de rentabilidade do banco, caiu para 7,3% dos 16,7% registrados no mesmo período do ano passado. Na comparação trimestral, a queda foi de 5,1 pontos percentuais.

A margem financeira alcançou R$ 27,42 bilhões, ganho de 14,8% na comparação anual e leve queda de 1,3% em três meses.

A carteira de crédito expandida somou R$ 1,306 trilhão no período, alta de 2,2% em 12 meses e de 0,7% frente ao terceiro trimestre.

Em inadimplência, o índice de atrasos acima de 90 dias avançou de 3,63% em março do ano passado para 5,05% no fechamento do primeiro trimestre de 2026. Na comparação trimestral, o indicador teve leve queda de 0,12 ponto percentual.

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Banco do Brasil teve lucro líquido de R$ 3,4 bi no primeiro trimestre, queda de 53,5% na comparação anual e baixa de 40,2% frente ao último trimestre (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)

Petrobras amplia produção de fertilizantes e quer fornecer 35% do consumo do país

13 de Maio de 2026, 17:16

A Petrobras (PETR3, PETR4) anunciou nesta quarta-feira (13) a retomada da produção da unidade de fertilizantes na Bahia. A expectativa é que, em 2028, a companhia atenda cerca de 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados.

“Quando tivermos nossas quatro fábricas operando, em meados de 2028, seremos capazes de fornecer 35% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. Antes, o Brasil importava 100% da ureia consumida”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em entrevista a jornalistas.

Apenas na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), foram investidos R$ 100 milhões para retomar a produção, sem contar os recursos para a área de gás natural, que viabiliza a operação, de acordo com a empresa.

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Segundo Chambriard, com o aporte serão gerados cerca de 3.600 postos de trabalho entre diretos e indiretos. A capacidade atual da unidade é de 1.300 toneladas de ureia por dia, o que representa 5% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados.

Ela lembrou que a Fafen-BA foi “hibernada” (temporariamente desativada, mas preservada com manutenção) em 2019, sendo arrendada para a iniciativa privada posteriormente. “A iniciativa privada falhou e a Fafen foi hibernada de novo em 2023″, diz.

Leia mais: ‘Esta administração da Petrobras não gosta de vender, só de comprar’, diz Magda Chambriard

Conforme a executiva, a Petrobras viabilizou investimentos para baixar o custo do gás natural para atender à planta, que foi reativada no início deste ano.

“Ainda não ‘revogaram’ a lei da oferta e da demanda. Quando a procura é muito grande, como é por fertilizantes no país, a oferta também tem que ser grande, e é exatamente isso que fizemos.”

Ela acrescentou que a Petrobras está em processo de contratação da conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas (MS).

“Antes de nossas fábricas voltarem a operar no Nordeste, o Brasil importava 100% da ureia consumida, mas isso está mudando agora. A ureia é hoje o fertilizante nitrogenado mais demandado no país, com consumo nacional em torno de 8 milhões de toneladas por ano”, destacou.

A executiva ponderou que o insumo é utilizado nas culturas do milho, cana de açúcar, café, trigo e algodão. “Esse fertilizante também serve à pecuária, pois é um suplemento alimentar para ruminantes.”

Além da Fafen-BA, a retomada da produção nacional da companhia também passa pela reabertura da Fafen no Sergipe e a ANSA (Araucária Nitrogenados, no Paraná).

Produção na Bahia

Chambriard reforçou que a Petrobras tem um plano de negócios ambicioso que prevê US$ 3,5 bilhões em exploração e produção (E&P) nos próximos cinco anos no estado da Bahia.

Segundo ela, são mais de 100 intervenções a serem feitas no Recôncavo Baiano em poços novos e já existentes com o objetivo de mais do que dobrar a produção de óleo e gás no estado.

“Esse investimento previsto deve gerar, segundo as nossas estimativas, cerca de 6.500 empregos entre diretos e indiretos apenas nessa frente de E&P”, disse.

A companhia ainda tem US$ 115 milhões previstos para a usina de biodiesel de Candeias, no estado.

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Unidade de fertilizantes da Petrobras no polo industrial de Camaçari, na Bahia. Foto: Empresa/Divulgação
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