Morning Call - 23/06/2026 - Nasdaq Cai Sob Pressão dos Juros
Agenda de Indicadores:
8:00 – BRA – Ata do Copom
9:15 – USA – Variação Semanal de Empregos Privados ADP
10:45 – USA – PMIs da S&P Global (Prévia) (Junho)
14:00 – USA – Leilão de T-Note de 2 anos
17:30 – USA – Estoques de Petróleo Bruto Semanal API
Brasil
Acompanhe o Pré-Market de NY:
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VALE
PBR
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BSBR
Ativos brasileiros negociados na ActivTrades
BRA50
$ACTIVTRADES:MINDOLM2026
Ata do Copom
A ata da última reunião do Copom será divulgada às 8h e deverá fornecer detalhes adicionais sobre a decisão de reduzir a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, além de esclarecer como o Banco Central avalia os próximos passos da política monetária.
O principal foco dos investidores será entender por que o Comitê optou por manter aberta a possibilidade de novos cortes de juros, mesmo diante de um cenário que, à primeira vista, se tornou menos favorável para a inflação.
Na decisão da semana passada, o BC elevou suas projeções inflacionárias para o horizonte relevante de política monetária, ampliou o balanço de riscos e destacou fatores como a atividade econômica mais forte do que o esperado, a resiliência do mercado de trabalho e a continuidade da expansão do consumo doméstico.
Em condições normais, a combinação de crescimento robusto, expectativas de inflação desancoradas e projeções mais elevadas poderia justificar uma postura mais cautelosa ou até mesmo uma interrupção do ciclo de flexibilização monetária. No entanto, o Copom optou por preservar a flexibilidade.
Estados Unidos
Os futuros dos principais índices de Nova York —
USA500
,
USAIND
,
USATEC
e
USARUS
— operam em forte queda nesta terça-feira, refletindo uma combinação de preocupações com juros mais altos nos Estados Unidos e questionamentos crescentes sobre o ritmo dos investimentos em inteligência artificial financiados por endividamento corporativo.
O movimento de aversão ao risco se espalha pelos mercados globais, pressionando ações na Europa e na Ásia, enquanto commodities como petróleo e metais preciosos também recuam.
O epicentro da correção continua sendo o setor de tecnologia. Após meses de valorização impulsionada pela inteligência artificial, traders passaram a rever as elevadas avaliações das empresas do segmento em um ambiente de custos de financiamento mais elevados.
No pré-mercado, as ações da Nvidia e da Alphabet recuam cerca de 3%, enquanto Intel, AMD e Marvell Technology registram perdas entre 5,5% e 7,5%. A SpaceX também amplia as quedas e perde 4,5%.
Segundo Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do Swissquote Bank: "O mercado volta a questionar se o atual ritmo de investimentos em infraestrutura de IA é sustentável. O aumento do uso de dívida para financiar esses projetos reacende preocupações sobre retorno, rentabilidade e alocação eficiente de capital."
A pressão também atinge empresas ligadas à memória e armazenamento de dados. As ações da Micron recuam 8,6%, enquanto Sandisk e Western Digital caem 9,6% e 6,6%, respectivamente. O mercado aguarda com atenção os resultados trimestrais da Micron na quarta-feira, que poderão servir como importante termômetro para a demanda global por semicondutores voltados à inteligência artificial.
O receio de juros mais elevados também pesa sobre os segmentos mais sensíveis ao custo do crédito. Os contratos futuros do Russell 2000, índice composto por empresas de menor capitalização, recuam 1,7%.
Ao mesmo tempo, o índice VIX, conhecido como o "termômetro do medo" de Wall Street, sobe para 20,1 pontos, atingindo o maior nível em mais de uma semana.
As expectativas para a política monetária também se tornaram mais restritivas. Segundo a ferramenta FedWatch, os traders passaram a precificar aproximadamente 50 pontos-base adicionais de aperto monetário até o final do ano, refletindo a postura mais firme adotada pelo novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh.
No mercado de renda fixa, o rendimento dos Treasuries de dois anos recua para 4,19%, após ter alcançado na sessão anterior o maior nível desde fevereiro de 2025.
No cenário geopolítico, os Estados Unidos mantêm suspensas por 60 dias as sanções contra o Irã após a primeira rodada de negociações do acordo de paz. Apesar do avanço diplomático, o presidente Donald Trump afirmou que Washington está preparado para agir caso Teerã descumpra os termos estabelecidos.
Ao longo do dia, os traders acompanharão os indicadores de atividade econômica (PMIs) de junho e, principalmente, a divulgação do índice de preços PCE na sexta-feira — medida de inflação preferida do Federal Reserve. O consenso de mercado projeta uma inflação anual próxima de 4,1%, reforçando o desafio da autoridade monetária em conduzir a política de juros nos próximos meses.
Europa
Os principais índices acionários da Europa —
EURO50
,
GER40
,
GERMID50
,
ESP35
,
UK100
,
FRA40
,
ITA40
e
SWI20
— registram forte movimento de correção nesta terça-feira, pressionados pelo aumento das expectativas de novos apertos monetários nos Estados Unidos e pela crescente preocupação com o volume de investimentos em inteligência artificial financiados por endividamento corporativo.
O índice Euro Stoxx 50
EURO50
e o DAX
GER40
, da Alemanha, recuam cerca de 1,1%, enquanto o FTSE 100
UK100
, do Reino Unido, apresenta perda mais moderada, próxima de 0,3%.
A aversão ao risco é liderada pelo setor de tecnologia, que cai mais de 3% e caminha para seu pior desempenho diário desde fevereiro. O movimento acompanha a forte realização observada em empresas globais ligadas à inteligência artificial, após os traders passarem a questionar a sustentabilidade dos elevados investimentos realizados pelo setor.
Entre os destaques negativos, as ações da Infineon e da STMicroelectronics recuam 5,7% e 7,5%, respectivamente. Já as fabricantes de equipamentos para semicondutores ASML e Aixtron acumulam perdas superiores a 5%.
O setor vinha sendo um dos principais responsáveis pela alta das bolsas europeias ao longo do trimestre. No entanto, o cenário de juros mais elevados reduz a atratividade de empresas dependentes de crescimento futuro e aumenta o custo de financiamento dos projetos de expansão relacionados à inteligência artificial.
Além disso, diversas companhias do setor recorreram recentemente ao mercado de dívida para financiar investimentos em capacidade produtiva, infraestrutura e desenvolvimento tecnológico, aumentando a sensibilidade das ações ao ambiente de crédito mais restritivo.
Segundo Kiran Ganesh, do UBS: "Se as empresas precisarem continuar captando recursos via dívida antes que esses investimentos gerem retornos consistentes, os investidores começarão a questionar não apenas a sustentabilidade do crescimento, mas também a qualidade dos lucros e o perfil financeiro dessas companhias."
O movimento de realização não se limita à tecnologia. As mineradoras europeias também sofrem forte pressão, com o setor recuando cerca de 4,5%, acompanhando a queda dos preços dos metais industriais e preciosos nos mercados internacionais.
Entre os destaques corporativos, as ações da Signify despencam mais de 15% após a companhia revisar suas metas estratégicas de longo prazo e projetar uma margem EBITDA ajustada próxima de 10% até 2029, abaixo das expectativas mais otimistas do mercado.
Na contramão, as ações da Heineken avançam 2,7% após a cervejaria anunciar Rafael Oliveira como seu novo presidente-executivo. Os traders receberam positivamente a mudança de liderança em um momento em que o setor enfrenta desaceleração do consumo e pressão sobre margens em diversos mercados globais.
Ásia/Pacífico
Ativos asiáticos negociados na ActivTrades:
HKIND
JP225
CHINAA50
Os mercados da Ásia-Pacífico registraram forte movimento de correção nesta terça-feira, com os traders reduzindo a exposição ao setor de semicondutores após meses de valorização acelerada impulsionada pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial.
O principal destaque negativo ficou com a Coreia do Sul. O índice Kospi
KOSPI
despencou 10%, registrando sua maior queda em mais de três meses. As ações da Samsung Electronics e da SK Hynix recuaram mais de 12% cada, eliminando dezenas de bilhões de dólares em valor de mercado e levando ao acionamento dos mecanismos automáticos de interrupção das negociações por 20 minutos.
A forte concentração do mercado sul-coreano em empresas de semicondutores ampliou o movimento de realização. Atualmente, Samsung e SK Hynix representam mais da metade do valor de mercado do índice, fator que ajudou o Kospi a superar pela primeira vez o patamar histórico de 9.100 pontos na sessão anterior.
A correção reacendeu o debate sobre os riscos de excesso de valorização e o aumento da participação de traders de varejo utilizando alavancagem.
Segundo Alexander Redman, estrategista-chefe de ações da CLSA: "A volatilidade aumentou significativamente e movimentos dessa magnitude dificilmente acontecem sem uma forte participação do trader de varejo. O que preocupa é o uso crescente de margem e a popularização de produtos alavancados, que tendem a amplificar ainda mais os movimentos do mercado."
As preocupações ganharam força após declarações do presidente do órgão regulador do mercado sul-coreano, Lee Chan-jin, que afirmou que a aprovação recente de ETFs alavancados vinculados a ações individuais de semicondutores pode ter contribuído para o aumento da especulação e da volatilidade observada nas últimas semanas.
Os reguladores locais também vêm alertando para o crescimento acelerado das operações financiadas por dívida. O volume de crédito utilizado por traders para compra de ações atingiu níveis recordes em junho, elevando os riscos de movimentos mais bruscos em momentos de realização.
Apesar da forte queda desta terça-feira, o Kospi ainda acumula valorização próxima de 95% no ano, refletindo o enorme fluxo de capital direcionado às empresas ligadas à inteligência artificial. No mesmo período, o won sul-coreano registra desvalorização de cerca de 6,5% frente ao dólar.
O movimento de realização se espalhou por toda a região. No Japão, o Nikkei
NI225
recuou 3,6%, pressionado principalmente pelas empresas de tecnologia e semicondutores. Em Taiwan, o índice TWSE 50
TW50
perdeu 1,1%.
Na China continental e em Hong Kong, os principais índices — Shanghai
000001
, Shenzhen
399001
, China A50
XIN9
e Hang Seng
HSI
— encerraram o dia com perdas entre 1,4% e 3,2%, acompanhando o movimento global de redução de risco.
Na Austrália, o ASX 200
XJO
apresentou desempenho mais resiliente e recuou apenas 0,3%, com as perdas das mineradoras sendo parcialmente compensadas pela força do setor financeiro, que voltou a atrair fluxo defensivo em meio ao aumento da volatilidade global.