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The Adventures of Elliot: The Millennium Tales mostra que a Square Enix também tem Zelda em casa

17 de Junho de 2026, 09:04

Muitos jogos tentam, mas poucos conseguem reproduzir o formato clássico das dungeons de The Legend of Zelda: A Link to the Past com tanta exatidão. Goste ou não da franquia Zelda, a jornada do herói, tal como a conhecemos nos videogames, deve muito ao jovem Link e à Nintendo. Sejamos justos aqui. 

Eu costumo evitar comparações diretas com outras obras logo no início das análises que produzo, mas The Adventures of Elliot: The Millennium Tales, novo título da Square Enix dos criadores de Octopath Traveler e Bravely Default, clama por isso: é Zelda da cabeça aos pés. Para não ser injusto, há muito do DNA dos primeiros jogos da série Mana, sobretudo na maneira como a trama avança. 

Em tempos em que cada vez mais desenvolvedoras recorrem a mecanismos complexos para aumentar a vida útil de seus jogos, o panorama parece ter mudado: destaca-se quem busca simplicidade. Num contraste entre tradição e modernidade, The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é, em linhas gerais, uma aventura livre dos excessos dos RPGs atuais, o que, ao menos para mim, acaba sendo um alívio. 

História com o carimbo do Team Asano

Apesar de ser um jogo com a estrutura de exploração de um Zelda, o enredo segue a cartilha das demais produções assinadas por Tomoya Asano, a mente criativa por trás do Team Asano. A história, portanto, é mais presente do que em outros títulos de ação e aventura, com diálogos mais elaborados e boa condução narrativa, mesmo sem textos em português do Brasil.

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O protagonista, Elliot, encarna bem o arquétipo da jornada do herói: um jovem destemido, sempre em busca de aventuras no Reino de Huther, mas predestinado a um papel maior. Recrutado pelo Rei Hichard para uma tarefa aparentemente simples, Elliot logo descobre a existência de uma fenda que permite viajar entre diferentes eras do continente. 

O personagem, então, é incumbido de evitar que um ex-aliado do reino distorça a linha temporal, o que pode levar ao fim da era em que vive. Acompanhado pela Princesa Heuria, filha do rei Hichard, com quem se comunica por meio dos brincos mágicos, e pela fada Faie (que é basicamente uma versão adaptada da Navi, de Zelda), Elliot transita entre passado e presente para, olha só, salvar o mundo. Faie, inclusive, pode ser controlada por outro usuário em modo cooperativo local, uma ótima adição para quem gosta de companhia.

A premissa está longe de ser inédita. Cá entre nós, já vimos o tema da viagem no tempo ser explorado em outros games da própria Square Enix, de Chrono Trigger a Live a Live, mas The Adventures of Elliot tem seus méritos por apresentar ótimos personagens e, como de praxe, reviravoltas que só Asano constrói com tanta carga emocional, explorando com maestria as forças e fraquezas de seus personagens. 

O HD-2D em seu ápice

O estilo de arte característico do estúdio, que funde modelos 2D com cenários 3D, também contribui para intensificar o peso dramático. Há trechos de exploração repletos de natureza, que evidenciam a beleza das eras antigas, dos tempos em que o mundo ainda não havia sido devastado por magia, em oposição aos momentos de melancolia dos vilarejos tomados por desesperança. 

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Sei que o estilo gráfico HD-2D, amplamente elogiado quando foi apresentado no primeiro Octopath Traveler, já não é unanimidade e, para muitos, vem caindo na mesmice. Eu ainda sou do time que aprecia essa estética e consigo ver que The Adventures of Elliot se esforça para evoluir, trazendo ambientes mais densos e detalhados nos efeitos, principalmente na iluminação. É como um salto geracional em comparação a Octopath Traveler 0, por exemplo, o último grande título da produtora.

Concebido na Unreal Engine 5, vale lembrar que o projeto de The Adventures of Elliot não envolve só Tomoya Asano, mas também o produtor Naofumi Matsushita, atuante nos principais títulos HD-2D da Square Enix, bem como Shota Fukebaru, uma das peças-chave no desenvolvimento de Triangle Strategy e Octopath Traveler II. Ou seja, o time é formado pela nata do HD-2D.

Exploração acessível e menos RPG

Como esperado, The Adventures of Elliot: The Millennium Tales cumpre praticamente todos os requisitos de um bom Zelda-like. Sem o sistema de níveis dos RPGs tradicionais, o jogo aposta na progressão baseada em itens para conduzir a experiência do jogador. Basicamente, Elliot consegue acessar áreas de Huther bloqueadas inicialmente à medida que encontra novas ferramentas. 

Certos trechos, por exemplo, exigem que você use bombas para destravar caminhos interditados por rochas ou revelar paredes ocultas. O bumerangue e o arco, em contrapartida, são usados para abater oponentes de distâncias seguras, além de serem fundamentais na resolução de alguns quebra-cabeças (que não são muitos, na verdade).  

Sobre a exploração, o mundo é 100% aberto e funciona nos moldes dos games clássicos de Zelda, num esquema parecido com o de The Legend of Zelda: A Link Between Worlds, um jogo que permite alternar entre Hyrule e sua versão sombria, Lorule. Já em The Adventures of Elliot: The Millennium Tales, podemos conhecer diferentes eras da mesma região, cada qual com seus desafios e objetivos, embora o layout do mapa seja sempre preservado. 

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As atividades opcionais são o grande trunfo do título e fazem valer cada minuto investido por quem busca uma aventura mais duradoura. A liberdade de explorar reforça o senso de descoberta e evita que a progressão seja guiada do início ao fim. Há masmorras aos montes espalhadas pelo mapa, até mesmo nos cantos mais improváveis, oferecendo testes de combate, plataforma e puzzle, que rapidamente nos remetem aos santuários de The Legend of Zelda: Breath of the Wild. 

Dedicar-se ao conteúdo opcional é um exercício espontâneo ao longo das mais de 40 horas de jogatina que a aventura reserva, já que o jogador é recompensado por tudo o que faz. Dungeons não concedem apenas dinheiro para adquirir itens nos comerciantes da cidade, mas, sobretudo, fragmentos que, quando unidos, ampliam os cristais de vida de Elliot.

Combate sem excessos

O combate, por sua vez, é simples e exige a combinação de poucos botões, sendo um dedicado a ataques leves e outro aos pesados. Você ainda pode usar um escudo para se defender, mas os bloqueios são limitados por uma barra de vigor, o que introduz uma boa dose de estratégia. Atacar os inimigos é bastante prazeroso graças às animações e ao excelente feedback visual dos golpes, por mais básica que seja a jogabilidade. 

As opções de armas são amplas, e o jogo exige que você intercale os equipamentos com certa frequência, a depender da criatura ou do desafio enfrentado. O sistema de batalha ganha profundidade com os Magicites, fragmentos que concedem bônus e atributos específicos ao personagem quando equipados, dando mais flexibilidade à formação de builds, ainda que não tenha a robustez mecânica de um RPG. 

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Meu único desapontamento em relação ao combate é a repetição exaustiva de inimigos. Mesmo que você viaje entre as diferentes fases da história, as tribos encontradas nelas são sempre as mesmas, sem qualquer distinção visual. Não há fator surpresa ou algo que constantemente convide o jogador a rever suas estratégias na hora de encarar os inimigos. Depois de um tempo, tudo fica meio batido e familiar até demais.

Veredito

Com direito a viagens no tempo, uma estrutura narrativa com influências de Mana e o combate e a exploração característicos de Zelda, The Adventures of Elliot: The Millennium Tales demonstra que o estilo HD-2D ainda tem muita lenha para queimar, inclusive em outros gêneros, e que amadureceu significativamente nos últimos games. Depois de anos refinando a fórmula em jogos de menor escopo, a Square Enix parece enfim ter encontrado um Zelda para chamar de seu. 

Nota: 90

Pontos positivos (Prós): 

  • Viagens no tempo agregam valor à história e à exploração;
  • Combate simples e prazeroso;
  • Ótimos atrativos no mundo aberto; 
  • Senso de descoberta e progressão clássica por itens;
  • Um dos jogos mais bonitos no estilo HD-2D.

Pontos negativos (Contras):

  • Repetição exagerada de inimigos;
  • Ausência de localização para o português.

 

Uma cópia de The Adventures of Elliot: The Millennium Tales foi gentilmente cedida pela Square Enix para fins de análise no PS5 Pro. O jogo também está disponível para Nintendo Switch 2, Xbox Series S|X e PC.

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Review: Super Bomberman Collection é a Konami mais uma vez sendo referência em coletâneas

16 de Março de 2026, 09:15

Nem o fã mais otimista de videogames imaginou que a Konami pudesse dar a volta por cima ao ressuscitar do absoluto nada algumas de suas franquias consagradas, como Castlevania, Metal Gear Solid e, principalmente, a agora prolífica Silent Hill. Afinal, não é só de máquinas de pachinko que vive o público japonês, embora a empresa tenha demorado a reconhecer isso.

A Konami não apenas ensaiou um retorno ao seu auge, como também se tornou referência no assunto coletânea, entregando pacotes generosos de suas séries em formatos acessíveis e a preços justos. Conteúdos novos, acervos históricos e opções de acessibilidade viraram o padrão das compilações, e foi a produtora quem pavimentou o terreno para que isso acontecesse.

Coleções do calibre de Castlevania Dominus Collection, Yu-Gi-Oh! Early Days Collection e Metal Gear Solid: Master Collection Vol.1 não devem ser ignoradas: são patrimônios dos games. Super Bomberman Collection é mais um compilado com títulos que marcaram a infância de muita gente (inclusive a minha) e chega para reafirmar a liderança da empresa japonesa em iniciativas de preservação. Que venham mais!

Reacendendo a rivalidade dos anos 1990

Sou suspeito para falar sobre os jogos de Bomberman, pois guardo memórias vívidas de quando os alugava em uma locadora perto de casa, ali no fim dos anos 1990. O caráter multiplayer de Bomberman, aliás, sempre despertava um ímpeto competitivo no meu círculo de amizades, uma rivalidade nem sempre saudável, mas inesquecível.

As mecânicas de Bomberman, por mais simples que sejam para os padrões atuais, não envelheceram em nada. Pelo contrário: o tempo atestou que esse estilo de gameplay permanece único até hoje. Se você não vivenciou a febre de Bomberman, eu explico: nos moldes de um party game, os jogadores posicionam bombas em pontos estratégicos, como armadilhas, para abrir caminhos e encurralar os adversários.

Básica à primeira vista, a experiência ganha profundidade à medida que novos itens (ou power-ups, se preferir) ficam disponíveis nas arenas. Seja jogando sozinho ou com amigos, você logo compreende que Bomberman é, na verdade, como um grande quebra-cabeça em tempo real, no qual a agilidade mental conta mais do que os reflexos no controle.

Super Bomberman Collection, tal como os demais pacotes da Konami, não economiza em conteúdo e traz alguns dos games mais icônicos do mascote bombástico. Além de dois clássicos esquecidos, Bomberman e Bomberman II, há duas obras que, na época, não foram lançadas fora do Japão, incluindo o excelente Super Bomberman 5. São sete títulos no total, cada qual com suas variantes por região:

  • Bomberman
  • Bomberman II
  • Super Bomberman
  • Super Bomberman 2
  • Super Bomberman 3
  • Super Bomberman 4
  • Super Bomberman 5

Mais uma coletânea exemplar

Conforme comentei acima, elogiar as coletâneas da Konami é chover no molhado. Para quem ama os designs do lendário Shoji Mizuno, há uma batelada de artes conceituais nas galerias para apreciar, sendo um álbum por jogo. Também temos uma jukebox, a Rádio Bomba, em que é possível revisitar as composições dos sete games, ideal para reviver a nostalgia enquanto lavamos a louça ou damos um trato em casa.

Quanto aos recursos de acessibilidade, você pode salvar o progresso e carregá-lo a qualquer momento, além de rebobinar jogadas para repensar táticas que não deram certo, sem necessariamente ser punido por isso. Como certos games da coleção apresentam uma dificuldade acima da média, agora não há mais impedimentos para jogá-los até o fim.

A Konami não costuma se contentar em somente portar os jogos para as plataformas atuais, e em Super Bomberman Collection isso não é diferente. Temos a adição do modo Corrida aos Chefes, que coloca o jogador para desafiar todos os bosses em sequência, com direito a um cronômetro e tudo mais, ainda que não tenha um componente essencialmente online, o que teria sido bacana.

Aqui, entretanto, apesar de haver um seletor de dificuldade, não há como trapacear: é preciso vencer os chefes na raça, isto é, sem cheats, sem rebobinar e sem salvar em pontos-chave da rodada. Para quem pretende platinar ou fazer 100%, é importante ter isso em mente antes de se dedicar: você vai suar para superar os desafios e não é pouco.

Vale a pena?

Super Bomberman Collection traz todas as conveniências que uma coletânea de jogos clássicos precisa ter, sem tirar nem pôr. Depois de se recuperar de uma overdose de pachinko, a Konami, enfim, parece ter dominado a arte de preservar suas propriedades intelectuais. Espero que a empresa persista na iniciativa, pois seu baú ainda está cheio de relíquias que merecem ser resgatadas.

Nota: 90

Prós

  • Modernidades para tornar os jogos mais acessíveis;
  • Robusta galeria de artes e músicas;
  • Todos os games da série Super envelheceram bem;
  • Continua sendo um ótimo party game em coop local;
  • Modo Boss Rush sustenta o fator replay.

Contras

  • Ausência de um modo online.

Uma cópia de Super Bomberman Collection foi gentilmente cedida pela Konami para o propósito de análise no PS5. O jogo está disponível para PS5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2 e PC.

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