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Elon Musk admite uso de modelos da OpenAI para treinar o Grok

30 de Abril de 2026, 19:00

Elon Musk confirmou que a xAI usou modelos de inteligência artificial (IA) da OpenAI para treinar o Grok, se beneficiando da expertise da rival no desenvolvimento do então novo bot. A revelação aconteceu durante depoimento em um tribunal da Califórnia (Estados Unidos) nesta quinta-feira (30).

Sem fornecer maiores detalhes, o bilionário deu a entender que sua empresa de IA utilizou técnicas de destilação em sistemas da desenvolvedora do ChatGPT. Em tais métodos, um modelo maior e já estabelecido age como "professor", transferindo conhecimento para outro menor e em formação.

Prática comum no setor de IA

Questionado se sabia o que é destilação de modelos, Musk respondeu corretamente. Na sequência, foi perguntado se a xAI adotou a técnica no treinamento da sua própria IA a partir da tecnologia da OpenAI.

  • O bilionário tentou se esquivar da resposta, como relata o The Verge, mas acabou respondendo que todas as empresas de IA fazem isso;
  • Indagado se aquilo significava sim, que a sua empresa destilou modelos da OpenAI, o dono do X disse que "em parte";
  • Logo após, falou mais uma vez que "é prática comum usar outras IAs para validar a sua própria IA";
  • Não existe um consenso sobre a legitimidade da técnica, mas a destilação pode violar os termos de uso estabelecidos pelas desenvolvedoras, como ressalta o TechCrunch.
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Elon Musk falou sobre o assunto durante julgamento na Califórnia. (Imagem: Benjamin Fanjoy/Getty Images)

Apesar da falta de clareza em relação à legalidade, o uso do método tem crescido nos últimos anos, levando os principais nomes do mercado a se posicionarem contra a prática. Startups como OpenAI e Anthropic estão entre elas.

De acordo com companhias, empresas chinesas utilizam a técnica para compreender o funcionamento de modelos avançados e otimizar os seus próprios sistemas, acusação que também foi feita pela Casa Branca. O Google é outra empresa que criticou os supostos ataques de destilação estrangeiros.

Vale lembrar que a presença de Musk no tribunal californiano tem relação com o processo movido por ele contra a dona do ChatGPT. Na ação, o empresário acusa Sam Altman e Greg Brockman, CEO e presidente, respectivamente, de violarem a missão original da startup.

© Mariia Shalabaieva/Unsplash

iPhone 17 é o mais popular na história da Apple e impulsiona receitas da empresa

30 de Abril de 2026, 18:22

O lançamento da linha iPhone 17 segue impulsionando os resultados financeiros da Apple. Nesta quinta-feira (30), a empresa divulgou os números do segundo trimestre de 2026 com um acréscimo de 17% na comparação ano a ano, registrando US$ 111,2 bilhões em receita.

A divisão responsável pelos produtos da empresa somou US$ 80,20 bilhões em receita no período, ante US$ 68,71 bilhões do mesmo trimestre de 2025. No caso dos serviços, o trimestre atual registrou US$ 30,97 bilhões em receita, ante US$ 26,64 bilhões do mesmo período no ano anterior.

Quando olhamos para áreas específicas, a divisão dá ainda mais destaque aos smartphones:

  • iPhone: US$ 56,99 bilhões (ante US$ 46,84 bilhões de 2025);
  • Mac: US$ 8,39 bilhões (ante US$ 7,94 bilhões de 2025);
  • iPad: US$ 6,91 bilhões (ante US$ 6,40 bilhões de 2025);
  • Vestíveis, Home e Acessórios: US$ 7,90 bilhões (ante US$ 7,52 bilhões de 2025);
  • Serviços: US$ 30,97 bilhões (ante US$ 26,64 bilhões de 2025).

Ao Financial Times, Kevan Parekh, CFO da Apple, afirmou que “a família do iPhone 17 é, atualmente, a linha mais popular em nossa história”.

iPhone 17 e MacBook Neo fazem sucesso

Uma série de lançamentos recentes da Apple ajudaram a atingir o crescimento de dois dígitos na receita da empresa no segundo trimestre. Esse também é o primeiro relatório fiscal da companhia após o atual CEO Tim Cook anunciar que deixará o cargo. Ele assumirá a presidência executiva do conselho de administração da companhia.

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MacBook Neo, notebook de entrada da Apple, vem preocupando fabricantes de PCs Windows. (Imagem: Apple/Divulgação)

O novo CEO da Apple, John Ternus, é um executivo de longa data da empresa e assumirá o cargo a partir de 1º de setembro. Uma das expectativas do mercado é de ver um foco maior em produtos. Ternus também será responsável por lançamentos como o novo iOS 27 e de novidades aguardadas do Apple Intelligence, além da próxima geração do iPhone.

“Hoje, a Apple tem orgulho em anunciar o nosso melhor trimestre de março de todos os tempos”, disse Cook, em comunicado. O executivo também elogiou o “recorde de receitas para o trimestre” atingido pelo iPhone, “impulsionado por uma procura extraordinária pela linha iPhone 17”. A área de serviços da empresa também atingiu “mais um recorde histórico”.

Outros lançamentos elogiados pela Apple na divulgação incluem o iPhone 17e, o iPad Air com chip M4 e também o notebook de entrada MacBook Neo.

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O não-dito virou habilidade. O problema é o que fazemos com ele

30 de Abril de 2026, 18:15

Esta semana voltou a circular um vídeo do Jensen Huang, CEO da NVidia, em que ele fala que a pessoa mais inteligente no trabalho é a que consegue “inferir os não-ditos”.

A frase parece simples, quase óbvia, mas fala de uma habilidade que muita gente vem tentando desenvolver no dia a dia e que gera consequências que quase nenhuma empresa tá a fim de bancar. Vamos destrinchar isso com calma.

Quando se fala em “não-dito”, costuma-se pensar em algo que alguém percebeu e preferiu não falar ou guardou segredo. Isso existe, mas tem um outro tipo de não-dito que não passa por escolha. Ele não chega a virar fala e, ainda assim, aparece.

A psicanálise nos ajuda a entender e captar essa escuta mais profunda, que está ao nível inconsciente — das pessoas e nas dinâmicas dos grupos — e que organiza muitas coisas no trabalho.

Se você amplia um pouco o olhar, a antropologia aponta para algo parecido quando fala de cultura. Todo grupo funciona a partir de regras que não estão escritas, mas que todo mundo aprende, porque não precisam ser explicadas o tempo todo.

No trabalho, isso aparece com clareza. Existe o que está formalizado — meta, processo, valor, ritmo, tipo de cobrança — e existe o que de fato organiza as coisas, e essas duas camadas nem sempre coincidem.

Mas é justamente aqui que mora a tensão. Esses não-ditos têm função dentro dos grupos. O psicanalista Wilfred Bion, que estudou fenômenos de grupos, descreve como, diante de pressão, incerteza ou conflito, os grupos entram em modos de funcionamento voltados à própria preservação. Entre eles, a dinâmica de luta-fuga.

Na autopreservação luta-fuga, o grupo precisa seguir, então a tensão não pode ser trabalhada diretamente. Ela é simplificada ou contornada. Outra coisa ocupa o lugar, e o ponto principal não entra em discussão, porque mexer nele desorganiza o funcionamento do grupo. Ainda assim, continua ditando o que acontece de bom e ruim por ali.

Esses não-ditos não são, por si só, um problema. Eles fazem parte do funcionamento de qualquer empresa. Nem tudo precisa ser dito o tempo todo, e nem todo silêncio produz consequência.

O problema começa quando esse não-dito passa a apoiar situações que geram desgaste, conflito e, por consequência, sofrimento psíquico.

A discussão sobre Saúde Mental avançou muito nas empresas. Ganhou espaço, entrou na agenda e passou a ser tratada com mais seriedade.

Ainda assim, uma parte do sofrimento psíquico continua se repetindo, porque as ações não atingem a causa e, muitas vezes, nem chegam a encostar nela.

Quando eu penso nessa habilidade, vou além do que sugere Huang. Eu penso muito nessa ideia de colocar as empresas no divã. Não como ferramenta clínica, mas como mudança de ponto de partida e de consequência: sair do sintoma e chegar na causa, a partir daí, mexer naquilo que efetivamente está sustentando  a organização do trabalho que adoece.

E eu sei que é justamente aqui que a coisa complica. Em alguns momentos, essa escuta coloca em jogo o modo de funcionamento do trabalho atual e que não muda sem um certo custo.

Acredito que tão difícil quanto a habilidade de “inferir os não-ditos” é a de bancar mudanças que deixam de reorganizar os mesmos problemas e passam, de fato, a interromper o que os produz.

Até porque não se trata apenas de lideranças corajosas e habilidosas, mas de um pacto ético e institucional do sistema como um todo.

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Google não descarta ideia de colocar anúncios no app da IA Gemini

30 de Abril de 2026, 18:00

O aplicativo do Gemini, ferramenta de inteligência artificial (IA) da Google, pode ganhar anúncios no futuro. Quem falou sobre o assunto foi um executivo da própria companhia, durante uma conversa com investidores na última quarta-feira (29).

De acordo com o gerente de negócios da companhia, Philipp Schindler, "anúncios podem ser bastante valiosos e informações comerciais úteis", mas apenas caso sejam bem implementados.

Porém, ele também citou que a empresa "não está se apressando para nenhum lado", o que significa que a chegada ou não de anúncios na plataforma não deve ser decidida a curto prazo. Ainda assim, é possível que o prazo seja mais apertado do parece: em 2026, a Meta pode até mesmo ultrapassar o Google em receita gerada com publicidade digital pela primeira vez.

Na conversa, o executivo confirmou ainda que a atual prioridade do Google é trabalhar na publicidade já existente do Visão Geral criada por IA e no Modo IA, que é a versão do chatbot integrada ao buscador, para só depois analisar o cenário e lançar ou não anúncios no Gemini — inclusive talvez até no mesmo formato.

"É justo dizer que nós acreditamos que um formato que funciona bem no Modo IA poderia ser transferido de forma bem sucedida para o aplicativo do Gemini", afirmou Philipp.

Anúncios em IAs ainda são polêmicos

A inserção de materiais publicitários em chatbots em IA ainda é um tópico bastante sensível e que foi recebido com muitas críticas por parte da comunidade.

  • Para uma parcela do público, há riscos de manipulação de resultados e sugestões direcionadas comercialmente caso uma empresa transforme interações com chatbots em receita — mesmo que as companhias garantam que eles não interferem nos resultados gerados pelo robô;
  • A OpenAI confirmou no início de 2026 que o ChatGPT passaria a ter anúncios, inclusive para assinantes do plano pago Go. Os testes estão em andamento há alguns meses e a política logo deve ser oficializada;
  • Pouco tempo depois, a Anthropic, dona da IA Claude, disse que não teria anúncios e ainda fez piada com a situação da rival em uma série de vídeos;
  • No mesmo período, a Perplexity anunciou que não implementaria mais a adição de publicidade, mesmo depois de vários meses de experimentos com essa fonte de renda.

Quer continuar informado sobre as novidades do setor de IA? Confira a seção especial sobre o tema no site do TecMundo!

© Kenneth Cheung/Getty Images

Samsung tem lucro recorde no 1º trimestre de 2026 com chips de IA

30 de Abril de 2026, 17:30

A Samsung registrou aumento superior a oito vezes no lucro operacional do primeiro trimestre de 2026, com 57,2 trilhões de wons, o equivalente a R$ 211,6 bilhões pela cotação atual. A quantia supera estimativas do mercado e alcança um novo recorde, conforme comunicado divulgado nesta quinta-feira (30).

O balanço financeiro também aponta uma receita recorde alcançada pela gigante sul-coreana nos três primeiros meses do ano, com 133,9 trilhões de wons, ou R$ 495,4 bilhões, igualmente acima do esperado. Isso representa um salto de 43% na comparação com o período anterior.

Chips de IA impulsionam recordes

Dando continuidade aos ótimos números do final do ano passado, a Samsung tem na divisão de memória uma das principais impulsionadoras dos resultados. Com a alta demanda por chips de IA, a oferta ficou restrita e os preços subiram, beneficiando a fabricante.

  • Em meio a isso, a companhia vem expandindo o desenvolvimento de memórias de alta largura de banda (HBM), componente fundamental para data centers de IA;
  • Vendas em massa de produtos HBM4 e SOCAMM2 para a plataforma Vera Rubin da Nvidia e o desenvolvimento de SSDs PCIe Gen6 também contribuíram para o sucesso;
  • A big tech prevê que a demanda pelos semicondutores continue em alta no segundo trimestre, com a expansão da infraestrutura do setor, e planeja consolidar a liderança técnicas com as primeiras amostras da HBM4E;
  • "A divisão também pretende capitalizar proativamente a demanda inicial por novas GPUs e CPUs a serem lançadas no segundo semestre de 2026 e planeja continuar sua estratégia de vendas focada em produtos de IA, tanto para DRAM quanto para NAND", disse a Samsung, em comunicado.
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A Samsung vem faturando alto com a forte demanda pelos chips para data centers de IA. (Imagem: mikkelwilliam/Getty Images)

Outras divisões apresentaram bons resultados, como a Device eXperience (DX), com alta de 19% nas vendas do trimestre, graças às estreias de novos smartphones premium. Os negócios de displays, MX e redes foram outros com balanços positivos no período.

Por outro lado, a divisão de ar-condicionado teve melhora limitada nos resultados do primeiro trimestre, lidando com pressões de custos e tarifas. Já a Harman apresentou queda nos lucros por conta do aumento de despesas, restrições de memória e sazonalidade, conforme a Samsung.

Continue no TecMundo e saiba mais sobre os possíveis impactos dos conflitos no Oriente Médio no mercado de tecnologia.

© JHVEPhoto/Getty Images

Meta aumenta investimento em IA e segue perdendo bilhões com metaverso

30 de Abril de 2026, 16:30

A Meta divulgou, na última quarta-feira (29), os resultados do relatório fiscal da companhia para o primeiro trimestre de 2026. No geral, a empresa mantém uma perspectiva positiva sobre os números, mas nem todos os setores estão em alta.

A receita gerada foi para US$ 42,3 bilhões, um aumento de 33% em comparação com o mesmo período do ano passado. A empresa de Mark Zuckerberg segue como uma das maiores do mundo em valor de mercado, com capitalização de US$ 1,54 trilhão.

Por outro lado, a Meta reclamou de possíveis problemas nos resultados financeiros por causa de problemas judiciais e regulatórios que a empresa atualmente encara, em especial nos Estados Unidos e na União Europeia.

A marca perdeu processos importantes e corre o risco de receber multas ou precisar limitar funcionalidades, em especial sobre o uso das plataformas por jovens.

No anúncio, a companhia também abordou rapidamente as recentes demissões, que afetaram cerca de 10% dos funcionários. A gerente financeira da Meta, Susan Li, justificou os cortes por "muitas mudanças acontecendo" devido às reorganizações promovidas pela IA.

No setor de redes sociais, a plataforma ainda revelou que a quantidade de "pessoas ativas diariamente" no trimestre foi de 3,56 bilhões. Essa é uma alta de 4% em relação ao mesmo período do ano passado, mas uma queda de mais de 5% em relação ao último trimestre.

Segundo o documento, a guerra no Irã e "restrições no acesso ao WhatsApp na Rússia" teriam sido os responsáveis por essa mudanças nos números.

Mais investimentos com IA

O maior objetivo da companhia segue a busca por um espaço no mercado de inteligência artificial (IA), com a Meta tentando se estabelecer como referência técnica no setor.

Por outro lado, isso também significa uma maior quantidade de gastos: para 2026, os investimentos em equipamentos ou infraestrutura devem ficar entre US$ 125 bilhões e US$ 145 ‌bilhões, valor bastante alto e acima das projeções internas anteriores.

Os motivos dos gastos maiores envolvem não só as metas ambiciosas da companhia para o desenvolvimento da superinteligência, mas também os custos cada vez mais elevados com componentes como memórias, dado o atual estado aquecido do mercado.

Metaverso continua perdendo dinheiro

Em outro extremo das prioridades da companhia, a divisão Reality Labs segue em má fase. O segmento responsável pelo metaverso e headsets como o Meta Quest continua apresentando um prejuízo elevado.

No trimestre, a perda operacional do segmento foi de US$ 4,03 bilhões, comparado com US$ 402 milhões arrecadados em vendas. Além disso, a empresa confirmou mudanças nos serviços e produtos oferecidos, com uma grande redução nas ferramentas de realidade mista.

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O Horizon Worlds teve as atividades limitadas nos últimos meses. (Imagem: Reprodução/Meta)

Entre investimentos altos demais, processos e queda em alguns setores, a combinação de preocupações fez até as ações da Meta caírem mais de 7% depois da divulgação do relatório, com uma leve alta momentos depois.

Qual a situação atual das demissões no mercado de tecnologia por causa da IA? Confira um panorama sobre o assunto.

© Mariia Shalabaieva/Unsplash

Anatel apreendeu 1,3 milhão de dispositivos piratas entre 2025 e 2026

27 de Abril de 2026, 16:00

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) retirou de circulação mais de 1,3 milhão de dispositivos sem homologação entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, durante esforços de combate à pirataria. As informações foram reveladas nesta segunda-feira (27).

Levando em conta os valores de venda desses produtos irregulares, o órgão estima que o total correspondente aos aparelhos apreendidos chegue a R$ 136,6 milhões. O cálculo considera notas fiscais, pesquisas online e, em último caso, metodologia específica da Gerência de Fiscalização.

Equipamentos de radiação restrita dominam a lista

De acordo com a agência, os equipamentos de radiação restrita são os principais alvos das operações de combate à pirataria. Eles chegam a quase 1 milhão de unidades do total 1.394.385 dispositivos apreendidos ao longo do período.

  • Esses aparelhos têm radiofrequência de baixa potência e operam com limites rigorosos de emissão, exigindo certificação e homologação para a venda;
  • Roteadores, dispositivos Wi-Fi e carregadores de baterias dominam a maior parte dos itens confiscados;
  • As apreensões aconteceram durante 381 ações de inspeção focadas em verificar se os eletrônicos estavam homologados, garantindo que não causem interferências em outros sistemas;
  • Dessas, 255 começaram a partir de relatos de irregularidades pelos consumidores, como destaca o relatório.
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As apreensões ocorreram durante centenas de operações de fiscalização entre 2025 e 2026. (Imagem: Anatel/Divulgação)

"O objetivo da Anatel com a fiscalização e as apreensões é a segurança do usuário, uma vez que a utilização de produtos não homologados traz riscos à saúde, devido à falta de testes de segurança elétrica e de emissão de radiofrequência", afirmou o conselheiro Edson Holanda, em comunicado.

Ainda conforme o porta-voz do órgão, os produtos piratas podem impactar serviços de emergência e a rede de telefonia móvel, que utilizam as mesmas frequências. Ele coordena as ações relacionadas ao tema.

Como identificar produtos piratas?

Para saber se um dispositivo possui homologação e venda autorizada no Brasil, é necessário verificar a presença do selo da Anatel no equipamento. Além disso, vale consultar o número do certificado no site da agência.

Segundo a Anatel, a segurança e a sustentabilidade são priorizadas na destinação dos produtos apreendidos. Aqueles que não podem passar por regularização e doação vão para a manufatura reversa.

Dessa forma, acontece a desmontagem para a reciclagem ou reutilização de peças e componentes, evitando que o meio ambiente seja comprometido e, também, o retorno de dispositivos perigosos ao mercado.

Siga no TecMundo e confira 5 dicas para descartar corretamente o lixo eletrônico.

© Sitade/Getty Images

JBL comemora 80 anos com exposição internacional; entenda a origem da marca

25 de Abril de 2026, 14:00

A JBL, reconhecida marca de áudio da Harman, completa seu 80° aniversário neste ano. Fundada em 1946 pelo engenheiro James Bullough Lansing, a marca comemorará a data com diversas iniciativas globais, incluindo uma exposição itinerante e conteúdos relacionados à história da empresa.

Nascida em Los Angeles, nos Estados Unidos, a JBL surgiu com foco no desenvolvimento de soluções de áudio. Atualmente, é uma marca da Harman — líder global em tecnologia de áudio e subsidiária integral da Samsung Electronics.

Como parte das celebrações de 80 anos, a JBL realizará a JBL Playback Gallery, uma exposição itinerante com os principais produtos da empresa ao longo de sua história. A turnê visitará Amsterdã (Holanda), Los Angeles e Nova York (EUA) e Tóquio (Japão).

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A JBL é uma marca da Harman, que por sua vez é subsidiária da Samsung. (Fonte: Harman/Reprodução)

O projeto também contará com o lançamento de um vídeo comemorativo e uma temporada completa do podcast Audio Talks, da Harman, dedicada ao aniversário da marca.

A JBL está presente no Brasil com duas fábricas: uma na Zona Franca de Manaus, cujo principal produto é o JBL Boombox 4, e outra em Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, focada na fabricação e montagem de equipamentos de áudio profissional e automotivo.

Entenda o nome JBL

A história da JBL começa antes da própria empresa. Em 1927, James Bullough Lansing fundou a Lansing Manufacturing Company ao lado de Ken Decker, com foco no desenvolvimento de sistemas de som de alta qualidade. A empresa lançou produtos por anos, até Decker morrer em um acidente de avião. Com o tempo, surgiram problemas financeiros e a companhia foi adquirida pela Altec Service Corporation — que posteriormente foi rebatizada como Altec Lansing.

James B. Lansing permaneceu na firma até o fim do seu contrato. Ao sair, fundou uma nova empresa, a Lansing Sound, Incorporated, em 1946. Dado o peso do nome "Lansing" no mercado de áudio, a Altec Lansing pressionou por uma mudança de nome. Após um acordo, a empresa passou a se chamar James B. Lansing Sound, Incorporated — mantendo o sobrenome, mas com maior ênfase no fundador.

James B. Lansing faleceu em setembro de 1949. O comando da empresa foi repassado a William Thomas, um dos membros da diretoria. À medida que a James B. Lansing Sound cresceu em relevância, a Altec voltou a pressionar judicialmente por uma mudança de nome. Thomas, então, renomeou a empresa para o acrônimo "JBL", preservando a identidade da marca. A logo acompanhou a mudança — junto com o característico ponto de exclamação cuja origem ninguém sabe ao certo.

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© JBL/Divulgação

CPUs para IA agora são tão cruciais quanto GPUs e podem sofrer com escassez

25 de Abril de 2026, 13:00

O mercado de processadores entrou na mira dos data centers por conta da evolução das IAs Agênticas e empresas como a Intel esperam ganhar muito dinheiro com isso. Servidores para esse tipo de tecnologia exigem uma quantidade absurdamente maior de CPUs e isso deve encarecer o mercado doméstico.

Em uma reunião sobre resultados financeiros, o CFO da Intel David Zinsner comentou a respeito sobre o aumento na proporção de CPUs para data centers de IAs Agênticas. Antes, o treinamento de IAs “normais” poderia exigir um processador para um rack com oito placas de vídeo, mas nesse novo formato o número de CPUs necessário pode ser igual ao de GPUs.

Isso significa que se antes um data center tinha 100 processadores para 800 placas de vídeo, agora será preciso de 800 processadores para lidar com essas 800 placas. Como essas IAs são muito mais complexas, a proporção pode convergir em algo perto de 1:1 nos servidores ou até mesmo pender mais para o lado dos processadores.

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Linha Intel Xeon se torna o carro-chefe da Intel. (Imagem: Intel/Divulgação)

O motivo para essa necessidade aumentada é que modelos agênticos precisam executar tarefas e não apenas responder a uma pergunta. Mesmo que as GPUs, como os modelos da Nvidia, sejam extremamente potentes, é preciso que os processadores acompanhem o ritmo para não desacelerar o sistema.

Intel ganha mais receita com IA, mas preço de chips sobe

Para a Intel e sua grande concorrente, a AMD, essas são ótimas notícias. O próprio time azul anunciou uma receita de US$ 13,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano, principalmente graças aos seus chips para servidores. Em outras palavras, essa alta demanda por IAs está impulsionando a retomada de mercado da Intel.

Informações do Commercial Times apontam que o preço de CPUs para data centers aumentou entre 10% e 20% em março deste ano, enquanto para PCs domésticos o reajuste foi de até 10%. Também é dito que a Intel irá priorizar a fabricação dos processadores Xeon para data centers em relação aos processadores para uso diário.

A companhia espera que a venda total de unidades de computadores reduza em dois dígitos percentuais para 2026 e aposta as fichas no mercado de IA. “Ao analisarmos a taxa de crescimento daqui para frente, a demanda por CPUs se tornará uma parte significativa do mercado total de IA”, explicou Zinsner.

Com a alta nas receitas recentes nos dois últimos trimestres, a Intel volta a ocupar uma posição de maior destaque no cenário global. Dado o aumento de envios de processadores Xeon ao longo do ano, a expectativa é que a empresa tenha maior estabilidade, já que perdeu bastante terreno para a AMD desde o início da década.

Na semana passada, a Intel revelou os processadores Wildcat Lake para integrarem notebooks mais baratos com funções de inteligência artificial, em um plano para driblar a crise de componentes. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.

© (Imagem: EvgeniyShkolenko/Getty Images)

Tinder testa escaneamento de íris para frear bots de IA

24 de Abril de 2026, 19:00

Diante do avanço de perfis falsos criados por inteligência artificial (IA), o Tinder passou a testar um novo sistema de verificação que usa escaneamento de íris para provar que o usuário é humano. A novidade, feita em parceria com a World, reacende discussões sobre segurança, privacidade e os limites do uso de dados biométricos.

O aumento de perfis falsos e golpes em aplicativos de namoro não é novidade, mas ganhou uma nova dimensão com a popularização da IA. Hoje, bots conseguem imitar fotos, voz e até conversas com um nível de realismo que engana facilmente e é nesse cenário que o Tinder decidiu reforçar seus mecanismos de verificação.

A solução encontrada envolve a World, projeto cofundado por Sam Altman, também CEO da OpenAI. A ideia é simples de entender: o usuário escaneia a íris, aquela parte colorida do olho, e o sistema gera um código único que comprova que ele é uma pessoa real. Esse código, chamado de World ID, pode ser usado para validar a identidade dentro da plataforma.

Como funciona?

Na prática, o processo pode ser feito por um aplicativo ou por dispositivos físicos em formato de esfera, desenvolvidos pela própria World. Após o escaneamento, o usuário recebe um selo no perfil indicando “prova de humanidade”. Como incentivo, o Tinder também oferece benefícios, como impulsionamentos gratuitos que aumentam a visibilidade do perfil por um período.

A iniciativa vem sendo testada inicialmente em mercados como o Japão e faz parte de uma estratégia maior da World de expandir sua tecnologia para outras plataformas digitais. Empresas como Zoom, Reddit e Shopify também podem adotar essa tecnologia no futuro com a mesma proposta: usar a verificação para garantir que há uma pessoa real por trás das contas e reduzir fraudes feitas com ajuda de IA.

O movimento não acontece por acaso. Nos últimos anos, os chamados golpes amorosos aumentaram; só nos EUA, esses esquemas causaram prejuízos superiores a US$ 1 bilhão em um único ano, segundo dados de autoridades locais. Em muitos casos, os criminosos usam perfis falsos altamente sofisticados para enganar vítimas.

O Tinder já havia começado a exigir selfies em vídeo para validar usuários, mas a chegada da IA tornou essas barreiras menos eficazes. Com ferramentas capazes de gerar rostos e vídeos convincentes, a verificação tradicional passou a não ser suficiente, então o escaneamento de íris surge como uma camada extra de segurança.

World no Brasil

Apesar da promessa de mais segrança, a tecnologia não vai funcionar no Brasil. O sistema da World foi proibido no país após decisão da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que questionou o uso de dados biométricos e a prática de oferecer criptomoedas em troca do cadastro.

A suspensão começou em janeiro do ano passado e continuou mesmo depois de a empresa tentar mudar a decisão. Com isso, a coleta de dados segue parada no Brasil, e o recurso do Tinder não deve chegar por aqui tão cedo.

A proposta coloca o usuário diante de uma escolha delicada: mais segurança ou mais exposição de dados. A World afirma que o sistema é anônimo e não coleta informações como nome ou endereço, mas ainda há dúvidas sobre o armazenamento e uso desses dados biométricos.

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DeepSeek revela novo modelo de IA adaptado a chips da Huawei

24 de Abril de 2026, 17:00

A DeepSeek lançou, nesta sexta-feira (24), uma prévia do seu novo modelo de inteligência artificial generativa que tem como atrativo o suporte aos chips da Huawei. A mudança contribui para reduzir a dependência de hardware estrangeiro, em meio às restrições de exportação das fornecedoras americanas.

Enquanto a versão lançada no final do ano passado possuía forte dependência das GPUs da Nvidia, a quarta geração do modelo da startup chinesa foi adaptada para rodar em sistemas com os processadores Ascend de alto desempenho da Huawei. A novidade estará disponível em duas variantes.

Tentando voltar ao topo

O modelo DeepSeek V4 apresentou bom desempenho em testes de benchmark na comparação com opções desenvolvidas por concorrentes. A empresa não divulgou detalhes, mas afirma que o seu sistema ficou atrás apenas do Gemini Pro 3.1, do Google.

  • Esse resultado se refere à versão Pro da atualização, destinada ao trabalho com agentes de IA, mais complexos que os bots convencionais;
  • Já a variante Flash do novo modelo tem como foco as aplicações mais leves e de baixo custo, que se destacam pela maior velocidade;
  • Segundo a DeepSeek, a divulgação da prévia permitirá coletar feedback a partir de casos de uso real, fundamental para aprimoramentos antes da estreia da versão final;
  • Por enquanto, não há um cronograma definido para o lançamento do modelo completo, que pode ajudar a recolocar a empresa em destaque no cenário internacional.
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A IA DeepSeek teve altos e baixos em 2025, e agora tenta recuperar sua fatia no mercado. (Imagem: Justin Sullivan/Getty Images)

Depois de estrear com sucesso, chegando a superar o ChatGPT em quantidade de downloads no início do ano passado, o modelo de IA chinês de baixo custo sofreu uma queda gigante. Os problemas foram relacionados ao tratamento de dados, principalmente.

A partir das acusações de que compartilhava informações com Pequim, a IA DeepSeek foi banida dos dispositivos oficiais de vários países, embora continue entre as mais procuradas nas plataformas de código aberto. A chegada de novos concorrentes locais também levou à perda da liderança no país.

Gostou do conteúdo? Continue no TecMundo e saiba mais detalhes sobre a acusação da Casa Branca contra a China de suposto roubo de tecnologia de IA. A denúncia pode acirrar ainda mais a disputa pela liderança no segmento.

© Anthony Kwan/Getty Images

Governo proíbe plataformas que monetizam previsões nos esportes, eleições e mais

24 de Abril de 2026, 16:45

As apostas em plataformas de mercado preditivo para determinados tipos de eventos serão proibidas no Brasil a partir de maio. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (24), está em uma nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) e não afeta as bets tradicionais.

Na prática, a norma impacta empresas como Kalshi e Polymarket, que já haviam se tornado alvo de reclamação no Ministério da Fazenda por parte das casas de apostas legalizadas. De acordo com as bets, elas funcionam sem nenhum tipo de regulação no mercado nacional.

Quais apostas em mercados preditivos serão proibidas?

Segundo a nova regra do CMN, a proibição nesse tipo de plataforma vale para as apostas relacionadas a eventos esportivos, de entretenimento, políticos, culturais e sociais. Outros temas também poderão ser adicionados posteriormente pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

  • Ou seja, os mercados de previsão não poderão ofertar ou negociar títulos sobre eventos reais de temática esportiva, por exemplo;
  • Jogos online também se enquadram na norma, assim como reality shows e outros tipos de programas envolvendo celebridades;
  • As apostas associadas a resultados de eleições são outra temática proibida pela mudança, da mesma maneira que acontecimentos não ligados à economia;
  • Por outro lado, continuarão permitidas as apostas sobre indicadores econômicos e do mercado financeiro, incluindo juros, inflação, preços de ações e demais ativos de segmentos autorizados.
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Apostas sobre resultados de processos eleitorais estão entre as afetadas pela proibição. (Imagem: Scott Olson/Getty Images)

Vale ressaltar que o mercado de previsões se baseia em títulos que dependem do valor futuro de um ativo ou mercadoria, com o usuário apostando em "sim" ou "não" sobre algo que pode acontecer. De maneira semelhante às ações na bolsa, o contrato cai ou sobe conforme as mudanças nas probabilidades.

Devido a essas características, os contratos do mercado preditivo são equiparados a derivativos e regulados por CVM e CNM. Já as bets seguem o modelo de cota fixa para um determinado resultado, no qual o apostador tem um prêmio fixo.

A nova regra, que impacta as plataformas Kalshi e Polymarket, deve começar a valer no dia 4 de maio. As empresas ainda não se manifestaram a respeito da decisão do governo.

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© Scott Olson/Getty Images

Google vai investir até US$ 40 bilhões na Anthropic, dona da IA Claude

24 de Abril de 2026, 16:30

O Google confirmou nesta sexta-feira (24) um novo investimento na empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic. A responsável pelo chatbot Claude receberá pelo acordo um total de US$ 40 bilhões, ou cerca de R$ 198 bilhões em conversão direta de moeda.

De acordo com a Bloomberg, que confirmou a informação com as empresas envolvidas, a parceria envolverá duas etapas de pagamento:

  • Um investimento inicial de US$ 10 bilhões na companhia levando em consideração o valor de mercado dela de fevereiro de 2026, que era de US$ 350 bilhões;
  • Um segundo pagamento com os US$ 30 bilhões adicionais, atrelado ao cumprimento de certas metas de desempenho e tenha um aumento significativo na capacidade de computação.

O acordo é também uma expansão de outra parceria estabelecida recentemente. No começo deste mês, a Anthropic fechou um contrato com Google e Broadcom para ampliar a própria infraestrutura computacional.

Expansão necessária

Como parte desses contratos, a divisão Google Cloud vai garantir ainda mais capacidade computacional para a Anthropic ao longo dos próximos cinco anos

Esse aumento é considerado essencial para a companhia em curto prazo, já que é necessário para suportar o uso de ferramentas em ascensão é de muita demanda — como é o caso do Claude Code, ferramenta de programação que estaria operando sob prejuízo pelos altos gastos com tokens e até quase saiu da modalidade de assinatura mais barata da plataforma recentemente. 

Anteriormente, a companhia de IA já era uma das clientes mais importantes da empresa em chips do tipo TPU e serviços de nuvem para alto desempenho —a relação entre a dupla é boa e remete até ao CEO da marca, Dario Amodei, que trabalhou no Google durante vários anos.

Para além da expansão do Claude Code, a Anthropic agora também aposta em outras versões da plataforma de IA. Elas incluem a Mythos, um modelo de linguagem supostamente "perigoso demais" e com foco em cibersegurança, e o Claude Design, uma ferramenta que ajuda na construção de materiais como apresentações de slides.

Manifesto Palantir: o que diz o texto da empresa que defende o uso militar da IA? Descubra nesta análise!

© Robert Way/Getty Images

Cade vai investigar Google por uso de notícias sem autorização em ferramentas de IA

24 de Abril de 2026, 16:00

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vai investigar o Google por suposto uso excessivo de notícias sem autorização dos veículos jornalísticos em ferramentas de inteligência artificial. O caso foi iniciado para apurar a exibição de conteúdo jornalístico sem qualquer remuneração aos veículos no ano passado. O Google afirma que a decisão parte de uma "compreensão equivocada".

A tese do presidente interino do Cade, Diogo Thomson de Andrade, foi aprovada por unanimidade nesta quinta-feira (23). Ele recomendava o retorno dos autos à Superintendência-Geral (SG/Cade) para a instauração de processo administrativo, buscando aprofundar as investigações considerando a evolução tecnológica.

O caso tem origem no próprio Cade, que identificou a necessidade de aprofundar as apurações sobre as condições concorrenciais do mercado de busca e o uso de conteúdo jornalístico pelo Google em ferramentas de IA. O julgamento pode resultar em sanções administrativas por infração à ordem econômica.

O “Modo IA” e o “Visão Geral criada por IA” sintetizam informações contidas em sites, mas sem remunerar os autores. (Fonte: Google/Reprodução)

Debate começou em 2025

A discussão no Cade sobre o tema começou em 2025. Na época, a Superintendência-Geral concluiu pela "ausência de indícios suficientes de infração à ordem econômica" e recomendou o arquivamento do caso.

O caso foi retomado pelo Tribunal e distribuído à relatoria do ex-conselheiro e presidente Gustavo Augusto, que votou pelo arquivamento. Em 8 de março, o conselheiro Diogo Thomson apresentou voto favorável à investigação, apontando indícios robustos sobre a atuação do Google — e Augusto ajustou sua posição anterior, concordando com a apuração. A conselheira Camila Cabral também votou a favor da abertura do processo, destacando que o Google utiliza conteúdo jornalístico sem autorização prévia.

No voto, Thomson ressaltou que a conduta do Google evoluiu significativamente com a incorporação de funcionalidades baseadas em IA generativa, capazes de sintetizar informações diretamente na interface de busca — como o Modo IA e a "Visão geral gerada por IA".

Análise das condições do mercado

Thomson levantou a hipótese de que a conduta do Google pode configurar abuso exploratório de posição dominante, caracterizado pela extração de valor econômico a partir de conteúdo produzido por terceiros. O conselheiro também propôs uma estrutura analítica específica para avaliação de condutas dessa natureza em mercados digitais, com foco em dependência estrutural, imposição de condições comerciais, extração de valor e existência de dano concorrencial.

Google acredita que a decisão é equivocada

Em comunicado enviado ao G1, o Google afirmou acompanhar a decisão do Cade, mas classificou-a como uma "compreensão equivocada" sobre o funcionamento de seus produtos. A empresa argumenta que o AI Overviews foi projetado para ampliar a descoberta de conteúdos relevantes e que a plataforma segue enviando bilhões de cliques para websites diariamente. O Google disse ainda que continuará dialogando com o Cade para esclarecer dúvidas sobre seus produtos.

Abaixo, confira o posicionamento completo:

“Acompanhamos a decisão do Cade de encaminhar este caso à Superintendência para uma análise detalhada, mas acreditamos que a decisão reflete uma compreensão equivocada sobre como nossos produtos funcionam e o valor que entregamos aos editores de notícias. Em um mundo onde as preferências dos usuários estão evoluindo, o AI Overviews [‘Visão geral criada por IA’] foi projetado para mostrar links para uma ampla variedade de resultados, criando novas oportunidades para que sites relevantes e conteúdos diversos sejam descobertos. Temos um compromisso com a web aberta e continuamos enviando bilhões de cliques para websites diariamente. Seguiremos dialogando com o Cade para esclarecer quaisquer dúvidas sobre o nosso produto”.

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© Getty Images

IA 101: por onde começar, de verdade

7 de Abril de 2026, 18:45

Em vez de correr direto para a parte mais avançada, às vezes vale começar pelo básico. A pergunta certa não é “qual é a melhor ferramenta de IA?”, mas outra bem mais simples: se você se sente atrasado em relação à IA, por onde realmente deve começar?

Este texto é para quem já percebeu que IA importa, mas ainda não sabe como encaixar isso no dia a dia. Se você já testa modelos diferentes, usa IA todos os dias e compara ferramentas com naturalidade, talvez possa pular. Se não, este é um guia prático — sem hype, sem pânico e sem pressupor fluência técnica.

Porque o que muita gente precisa não é de mais barulho. É de orientação.

O que IA é — sem complicar

Boa parte da confusão vem do uso excessivamente amplo do termo “IA”. Ele acaba descrevendo tudo e, ao mesmo tempo, nada. Uma definição simples ajuda:

IA é um software que recebe um input e gera um output que normalmente exigiria esforço humano.

Você faz uma pergunta, recebe um resumo. Envia anotações, ganha um rascunho. Fornece dados, surgem padrões. Descreve uma ideia, aparece uma imagem.

Além disso, hoje existem basicamente duas formas de uso. A primeira é como assistente: você pede tarefas específicas — resumir, escrever, organizar, explicar. A segunda é como agente: você define um objetivo e deixa o sistema decidir os passos para chegar até lá.

A diferença é simples. Pedir ajuda para cozinhar não é o mesmo que pedir para alguém fazer o jantar inteiro. A cozinha é a mesma; o nível de autonomia, não.

O papel dos modelos

O termo aparece o tempo todo por um motivo. Modelos são o motor por trás das ferramentas de IA — o “cérebro” que faz o trabalho pesado. Eles são treinados de formas diferentes e otimizados para tarefas distintas: escrita, código, pesquisa, imagens.

Isso importa. Muita gente testa uma única ferramenta, obtém um resultado mediano e conclui que “IA é superestimada”. Normalmente, o problema não é o conceito, mas o encaixe errado: ferramenta errada, modelo errado, tarefa errada.

Usuários mais experientes não procuram uma solução única. Usam modelos diferentes para objetivos diferentes. Não existe a ferramenta perfeita — existem bons usos.

Três mitos que ainda atrapalham

“IA não é tão boa assim”

Em geral, essa opinião vem de experiências antigas ou indiretas. A IA evolui rápido. O que não funcionava bem meses atrás pode hoje ser claramente útil. Não para tudo — mas para muitas tarefas do trabalho intelectual cotidiano.

“Dá sempre para perceber quando algo foi feito por IA”

Nem sempre. Existe muito conteúdo ruim feito com IA, mas isso não prova que a tecnologia é ruim. Prova que ela amplifica quem a usa. Sem critério, gera lixo mais rápido. Com julgamento, ajuda a produzir melhor, também mais rápido.

“Mas IA alucina”

Sim. Ainda erra. Por isso, não deve ser usada no piloto automático. Um bom modelo mental é pensar em IA como um estagiário muito rápido: às vezes brilhante, às vezes descuidado, mas sempre precisando de revisão.

Prompting não é magia

Você não precisa dominar fórmulas secretas. Prompting é, basicamente, saber explicar o que quer, fornecer contexto e ajustar quando o resultado não vem ideal. Muitos sistemas já melhoram os prompts automaticamente. Clareza hoje vale mais do que técnica.

O maior ajuste de mentalidade

Talvez o erro mais comum seja tratar IA como uma máquina de venda automática: um prompt, um resultado perfeito — ou frustração. A IA funciona melhor de forma iterativa. Pergunta, resposta, ajuste, melhoria. Como uma conversa de trabalho.

A diferença é a velocidade. O ciclo de feedback leva minutos, não dias. É aí que mora grande parte do ganho.

Contexto é tudo

Sem contexto, o resultado será genérico. Objetivos, público, tom, dados, exemplos — tudo isso melhora significativamente o output. Um modelo é como um chef: sem ingredientes, não há milagre.

De ferramenta a camada de trabalho

Quem mais se beneficia da inteligência artificial não a trata como uma curiosidade pontual, mas como parte do processo. Pesquisa, escrita, estruturação, análise, aprendizado. Não é sobre substituir pensamento, mas sobre potencializá‑lo.

Assim como search virou uma camada básica para encontrar informação, a inteligência artificial está se tornando uma camada padrão para criar, organizar e explorar ideias.

E, para a maioria das pessoas, é exatamente aí que começar faz mais sentido.

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Intel e Elon Musk fecham parceria para a fábrica de chips Terafab

7 de Abril de 2026, 17:00

A Intel é a mais nova aliada de Elon Musk na construção da Terafab, o projeto ambicioso de fabricação de chips do bilionário. O anúncio foi feito nesta terça-feira (7), depois que Musk passou o fim de semana em visita à empresa de semicondutores.

A ideia é que a Intel atue como uma das assistentes nos processos de idealização e construção da fábrica de semicondutores, que deve fornecer chips de inteligência artificial (IA) avançados para as companhias do empresário.

"Nossa capacidade de projetar, fabricar e embalar chips de altíssimo desempenho em escala ajudará a acelerar o objetivo da Terafab de produzir 1 TW/ano de capacidade computacional para impulsionar os futuros avanços em IA e robótica", diz o comunicado, publicado pela própria Intel na rede social X.

O CEO da Intel, Lip-Bu Tan, apareceu em uma foto ao lado de Musk e reforçou a aliança em uma publicação separada.

"Elon Musk tem um histórico comprovado de reinventar setores inteiros. Isso é exatamente o que a fabricação de semicondutores precisa hoje. O Terafab representa uma mudança radical na forma como a lógica de silício, a memória e a embalagem serão construídas no futuro", diz o executivo.

O que é o projeto Terafab?

  • A Terafab foi anunciada no fim de março por Musk e consiste em uma fábrica de grandes dimensões para produzir chips de IA para três grandes clientes: a montadora Tesla, a empresa de exploração espacial SpaceX e a xAI, dona do Grok e do X;
  • Os planos do bilionário incluem construir uma frota de robotáxis e de robôs humanoides, além de mais data centers para alimentar os empreendimentos do grupo;
  • O grande desafio de Musk, ao menos até agora, era conseguir a expertise necessária para uma tarefa tão complexa e cara como a montagem de uma fábrica de semicondutores.

Até o momento, não há informações sobre valores ou o que a Intel receberá em contrapartida pela participação. Ainda assim, a notícia foi bem recebida pelo mercado, já que as ações da companhia subiram 4% ao longo do dia.

A aliança pode ser ainda um alívio para a divisão Intel Foundry, grande aposta da marca para o futuro próximo e que atua na fabricação de chips para outros clientes. Para além da Terafab, duas novas fábricas no estado do Arizona estão em fase de construção.

A receita pode ajudar a companhia a manter a fase lucrativa depois de uma grave crise — que foi reduzida inclusive com a ajuda da Casa Branca, que adquiriu 10% da empresa, e a antiga rival Nvidia, que agora tem por volta de 4% da marca.

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© Intel/X

Spotify e gravadoras pedem US$ 320 milhões em processo de pirataria de músicas

26 de Março de 2026, 20:00

O Spotify e grandes gravadoras da indústria da música pedem US$ 322 milhões (cerca de R$ 1,6 bilhão na cotação atual) de indenização contra os operadores do Anna’s Archive, site pirata que roubou 86 milhões de músicas do serviço de streaming. Os requerentes argumentam que representantes da biblioteca paralela não compareceram ao tribunal e ignoraram a liminar ao liberar o conteúdo exportado via BitTorrent.

O roubo aconteceu em dezembro de 2025, quando o Anna’s Archive coletou 86 milhões de arquivos de áudio — equivalente a 99,6% das reproduções — do Spotify, junto com milhões de arquivos de metadados.

O cerco judicial fez o Anna’s Archive perder vários nomes de domínio. Contudo, a plataforma continuou no ar e conseguiu endereços alternativos para se manter acessível.

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O Spotify e as gravadoras pedem US$ 320 milhões em indenização. (Fonte: GettyImages)

Entre as gravadoras envolvidas no processo, estão Warner, Sony e UMG.

Após a abertura do processo judicial, a biblioteca paralela removeu os torrents do Spotify. O primeiro lote de arquivos de música distribuído em fevereiro também foi interrompido.

Segundo um operador do site, identificado como “Anna’s Archivist”, a liberação dos arquivos do Spotify aconteceu de forma acidental e foi temporariamente suspensa porque “não valia a pena” diante dos problemas adicionais causados pelos advogados da indústria musical.

Spotify insiste na disputa judicial

Apesar da interrupção, o Spotify e as gravadoras não querem abrir mão da disputa judicial. “O desrespeito flagrante e intencional do réu pelos direitos dos autores e pela autoridade do Tribunal justifica a imposição de indenização legal contra o réu por violação de direitos autorais no valor de US$ 22,2 milhões (R$ 116 milhões) e por violação da Lei de Direitos Autorais do Milênio Digital no valor de US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão), bem como uma medida cautelar permanente”, argumentam.

Cada gravadora pede o valor máximo de US$ 150 mil (R$ 786 mil) em indenização legal por cerca de 50 obras. O Spotify acrescenta uma reivindicação de US$ 2,5 mil (R$ 13 mil) por violação da Lei de Direitos Autorais do Milênio Digital (DMCA) referente a 120 mil arquivos de música, elevando o total para mais de US$ 322 milhões.

Os requerentes afirmam que o pedido de indenização é “extremamente conservador”. A reivindicação abrange somente 148 faixas, o que representa uma pequena parte do que o Anna’s Archive alegou ter coletado.

Além da indenização, os requerentes também buscam uma liminar permanente para abranger dez domínios (atuais e anteriores) usados pelo Anna’s Archive. A ordem exigiria que registradores e provedores de hospedagem cumpram a sentença, desativando permanentemente o acesso aos domínios mencionados e cessando os serviços de hospedagem do site.

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© stockcam/GettyImages

SpaceX pode fazer uma das maiores ofertas públicas de ações da história

26 de Março de 2026, 19:00

A SpaceX, empresa de transporte e exploração espacial de Elon Musk, está prestes a realizar a oferta pública de ações (IPO). A entrada da companhia na Bolsa de Valores está cercada de expectativa pelos possíveis valores envolvidos.

O objetivo dela é arrecadar por volta de US$ 75 bilhões (cerca de R$ 392 bilhões em conversão direta de moeda) com a operação, o que faria ela bater o recorde entre as IPOs globais. Atualmente, a Saudi Aramco é a empresa que levantou mais verba no processo, com US$ 29 bilhões (ou R$ 151 bilhões) em 2019.

A realização da oferta de ações segue em mistério. A Bloomberg alega que o processo pode ser iniciado ainda neste mês, enquanto o prazo mais provável é de que ela entre na Bolsa até junho deste ano. A SpaceX não se manifestou até o momento sobre o assunto.

O tamanho da SpaceX hoje

Com a IPO, a avaliação final de valor de mercado da companhia pode chegar a mais de US$ 1,75 trilhão (aproximadamente R$ 9,15 trilhões), o que já colocaria ela em uma lista seleta de gigantes acima do patamar do trilhão. Atualmente, só Nvidia, Apple, Alphabet (Google), Microsoft e Amazon ultrapassaram esse marco.

O sucesso e os altos valores envolvidos ressaltam a boa fase da companhia de Musk, que atualmente é um conglomerado que concentra os seguintes negócios:

  • A própria SpaceX, que tem foguetes de lançamento reutilizáveis e módulos de transporte de carga e humanos ao espaço com vários contratos governamentais fechados;
  • A Starlink, operadora de sinal de internet via satélite para localidades remotas ou sem cobertura tradicional;
  • A xAI, empresa de inteligência artificial (IA) que inclui o chatbot Grok;
  • A rede social X.

As últimas duas companhias foram absorvidas há pouco tempo, com Musk optando por fazer uma fusão entre os próprios empreendimentos. Além disso, recentemente a xAI recebeu US$ 3 bilhões de financiamento de uma companhia mantida pelo governo da Arábia Saudita, que deve ter uma parcela de ações no futuro IPO.

O que é a Terafab, a ousada fábrica de chips anunciada por Elon Musk? Saiba sobre o projeto em detalhes nesta matéria!

© SpaceX

Reorganização é a inovação que sua empresa está procurando

25 de Março de 2026, 20:00

Até pouco tempo atrás, e para algumas empresas até hoje, falar sobre inovação era o mesmo que falar sobre tecnologias revolucionárias ou um novo produto ou ideia que mudaria completamente um mercado. Às vezes, essa conversa ainda precisa acontecer. Mas, para quem estuda e trabalha com inovação diretamente, fica claro que ela vai muito além das disrupções que chegam ao grande público. 

Nos bastidores das organizações, inúmeras inovações são implementadas e alcançam resultados surpreendentes, sem que nada totalmente novo seja criado. O verdadeiro avanço surge ao reorganizar o que já existe. 

O que isso significa? Vamos contextualizar. Nas últimas décadas, as empresas passaram por transformações intensas, para dizer o mínimo. Se olharmos para trás, veremos uma sequência de mudanças rápidas que começaram lá na evolução industrial e se aceleraram de forma impressionante até os dias atuais. Novos modelos de trabalho, novas tecnologias, novos comportamentos e novas expectativas surgiram quase ao mesmo tempo. O resultado foi um crescimento gigantesco de ferramentas, processos e informações. 

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A pandemia foi um dos divisores de águas recentes nesse processo. De repente, organizações de todos os tamanhos precisaram adotar o home office ou migrar para modelos híbridos praticamente da noite para o dia. Foi uma adaptação necessária e que trouxe muitos aprendizados, mas também criou novos desafios. Até hoje vemos empresas tentando ajustar os limites e benefícios do que foi montado rapidamente naquele período. 

O que quero dizer é que todas essas mudanças requerem estrutura e organização. E, verdade seja dita, nunca tivemos tantas ferramentas digitais disponíveis para trabalhar, comunicar e organizar processos. Só que a abundância de tecnologia não resolve nada por si só. Quando cada área utiliza um canal diferente e as informações ficam espalhadas, o que deveria gerar eficiência acaba criando confusão. 

É por isso que empresas mais maduras, ou em busca do amadurecimento operacional,  estão revisitando um elemento que parecia simples, mas que hoje se mostra estratégico: a centralização da comunicação. Estruturas como a intranet voltam a ganhar relevância justamente porque ajudam a organizar o fluxo de informação e dar visibilidade ao que está acontecendo dentro da empresa através de métricas e indicadores. Não se trata apenas de um repositório de documentos, mas de um ponto de encontro digital onde pessoas, processos e mensagens se conectam.

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Sim, a inovação pode nascer exatamente aí, dentro da intranet. É onde surgem novos métodos de organizar dados, novas distribuições de equipes, até mesmo novas maneiras de se comunicar. Cada detalhe tem o potencial de ser transformador para a organização como um todo. 

No fundo, reorganizar é uma forma de inovação silenciosa. Ela não adiciona mais camadas de complexidade; ao invés disso, ela analisa o que precisa ser simplificado para que o trabalho realmente funcione.

As organizações que entendem isso primeiro têm uma vantagem competitiva importante porque compreendem que inovar não é apenas criar algo do zero. Às vezes, a inovação está em organizar melhor o que já existe para que as pessoas consigam trabalhar com mais clareza, colaboração e propósito. E, neste momento, poucas coisas são mais transformadoras para uma empresa do que isso.

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O vibe coding é o espelho da colonização da inteligência artificial

25 de Março de 2026, 17:56

Em fevereiro do ano passado, Andrej Karpathy, que passou por Tesla, OpenAI e  Google, chamou de “vibe coding” uma forma de programar com IA sem ler o código gerado: aceitar tudo, colar erros no chat até sumir, guiado pela intuição e pelo resultado imediato.

Nas palavras dele: “It's not really coding — I just see stuff, say stuff, run stuff, and copy-paste stuff, and it mostly works”.

Não era manifesto, nem provocação, era um cara contando como usava IA para codar nos fins de semana. O mercado transformou aquilo em competência executiva. Hoje, CEOs e C-levels do mundo inteiro colocam “vibe coding” no LinkedIn e isso diz muito menos sobre democratização tecnológica do que parece.

Quando um executivo celebra que “agora qualquer um pode construir software sem saber programar”, o que está sendo dito nas entrelinhas é que compreender o processo deixou de ser valor e virou obstáculo. O C-level que vibra com a IA sem entender o que está por baixo é o consumidor ideal: entusiasmado, dependente e sem repertório para questionar os termos da relação. Não é democratização. É qualificação de cliente.

Foto: Lucian Fialho/arquivo pessoal

A placa de tokens que a OpenAI presenteia a parceiros e grandes gastadores diz uma coisa sem querer: o que está sendo celebrado é consumo, não resultado. Em qualquer ambiente técnico saudável, o prêmio seria para quem faz mais com menos. Aqui, é para quem mais gasta. Não é brinde, é inversão de valores.

A concentração da IA em quatro ou cinco empresas não é falha de mercado, é o resultado esperado de quem controlou capital, infraestrutura e talento por duas décadas. O vibe coding, na versão executiva, é o mecanismo de adesão voluntária a essa estrutura.                         

Colonização nunca precisou de exércitos quando havia dependência econômica suficiente. A diferença agora é que a gente aplaude na keynote, posta no LinkedIn e assina os termos de uso com entusiasmo (ou nem tanto)…

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Mercado Livre anuncia R$ 57 bi em investimento e 10 mil novas vagas no Brasil

25 de Março de 2026, 17:30

O Mercado Livre anunciou na terça-feira (24) que vai investir um total de R$ 57 bilhões para ampliar sua operação no Brasil, em 2026. Este será maior valor aportado pela empresa até então, representando um salto significativo em relação aos R$ 38 bilhões do ano passado.

Junto com o aporte histórico, a gigante do comércio eletrônico revelou a abertura de 10 mil novas vagas de trabalho em diferentes segmentos. A previsão é de que a companhia encerre o ano com mais de 70 mil contratados.

Principais focos do investimento

De acordo com o Mercado Livre, o aporte recorde será direcionado a três áreas, principalmente, que receberão os maiores recursos. A logística é uma delas, com a abertura de 14 novos centros de distribuição.

  • Operando no modelo fullfilment, essas instalações funcionam como hubs logísticos, permitindo gerenciar todo o processo de pós-venda, resultando em envio rápido ao consumidor;
  • Com as inaugurações, a empresa chegará à marca de 42 unidades fullfilment no Brasil, um acréscimo de 50%;
  • As novas unidades também poderão contribuir para o fortalecimento da plataforma de marketplace, outra área que a marca deseja focar;
  • Os planos são de aumentar a penetração do e-commerce no Brasil, atualmente em 17%, patamar distante dos Estados Unidos (27%) e da China (32%).
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O Mercado Livre também tem planos de melhorar a penetração do comércio eletrônico no Brasil. (Imagem: FG Trade/Getty Images)

"Com este aporte anual, o Mercado Livre reafirma a confiança no Brasil como um dos mercados mais promissores para e-commerce e serviços financeiros no mundo. Estamos focados em tornar nosso ecossistema mais eficiente e acessível, melhorando a experiência dos usuários", afirmou o porta-voz da companhia, Fernando Yunes, em comunicado.

Em relação às vagas no Mercado Livre, a maior parte desta nova oferta será destinada às equipes de logística, serviços financeiros e tecnologia. Tais setores são considerados cruciais para garantir a eficiência de todo o ecossistema.

Investimentos no Mercado Pago

O segmento financeiro é o terceiro eixo em que a organização concentrará os investimentos em 2026, com destaque para o Mercado Pago. Os planos incluem consolidar o banco digital como o preferido dos brasileiros.

Neste sentido, a companhia prevê a ampliação do portfólio de crédito para pessoas físicas e empreendedores. A fintech vem se destacando com o uso da tecnologia na democratização do acesso aos serviços financeiros, integrando-os à experiência de compra no marketplace.

"Para 2026, vemos grandes oportunidades e continuaremos investindo com disciplina para encantar nossos usuários e vendedores e gerar valor para a sociedade brasileira", apontou Yunes, que é vice-presidente executivo de Commerce do Mercado Livre na América Latina.

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© onurdongel/Getty Images

Meta e YouTube foram 'negligentes' e viciaram jovens em apps, diz juiz

25 de Março de 2026, 16:04

A Meta (dona de Facebook, Instagram e WhatsApp) e o YouTube, serviço de vídeos do Google, foram considerados negligentes em relação aos riscos de redes sociais para a saúde mental de jovens. Essa é a decisão do júri em um processo que corria contra as empresas nos Estados Unidos.

A ação judicial em Los Angeles foi aberta em nome de uma jovem chamada K.G.M. Ela alega que desenvolveu um vício no uso de plataformas digitais que prejudicou relações sociais e saúde mental, sem mecanismos suficientes que pudessem reduzir a presença nesses serviços — justamente porque o engajamento seria um objetivo dos aplicativos.

O júri confirmou as duas acusações da defesa: de que houve negligência por parte de Meta e YouTube e também que essa falta de ação foi um "fator substancial" nos danos relatados pela jovem.

A Meta disse em nota que "discorda respeitosamente do veredito" e confirmou que vai avaliar as opções legais a partir de agora. O Google até o momento não se pronunciou sobre a decisão, mas rejeitou as acusações ao longo do processo.

Os próximos passos do processo

O caso de K.G.M. é considerado um possível marco importante em denúncias contra plataformas digitais e a ausência de planos de ação dessas companhias para evitar o uso intenso dos aplicativos por jovens, além de expor esses usuários a uma série de riscos.

  • Essa é a primeira decisão contra essas companhias de redes sociais a um nível estrutural no país e que leva em conta não usuários específicos que causam danos pelo conteúdo, mas a estrutura das redes sociais. O resultado pode virar um precedente jurídico importante para futuros julgamentos e ações já em andamento;
  • Além de serem consideradas negligentes ao menos nesse caso, as companhias terão que pagar uma indenização de US$ 3 milhões (por volta de R$ 15,8 milhões), com a dona do Instagram responsável por 70% desse total;
  • Executivos como Mark Zuckerberg (CEO da Meta) e Adam Mosseri (responsável pelo Instagram) prestaram depoimento e defenderam o modelo de negócios atual, citando mudanças nas plataformas e rejeitando a culpa por viciar jovens;
  • Outras plataformas digitais foram mencionadas na denúncia original, como TikTok e Snap, mas elas fecharam um acordo e deixaram de participar do caso;
  • Em breve, uma segunda etapa do julgamento vai determinar se as empresas terão que promover mudanças na interface também como forma de pena ou se o pagamento em dinheiro será o suficiente.

Nesta semana a Meta também perdeu outra ação judicial parecida, em que foi acusada de permitir exploração de crianças em redes sociais em outro estado dos EUA. Saiba mais sobre esse caso nesta matéria.

© Berke Citak/Unsplash

Samsung retoma negociações com sindicato e pode evitar greve em maio

24 de Março de 2026, 15:00

A Samsung Electronics concordou em retomar as negociações sobre bônus, afirmou o sindicato dos trabalhadores da empresa na Coreia do Sul nesta terça-feira (24). A discussão acontece após a associação aprovar uma greve marcada para maio deste ano.

O sindicato representa cerca de 90 mil trabalhadores da Samsung — aproximadamente 70% da força de trabalho local. A entidade demanda revisão na tabela de pagamentos e bônus maiores, exigindo uma abordagem similar à adotada pela concorrente SK Hynix.

Cerca de 93% dos votos aprovaram o plano de greve, segundo o sindicato. A paralisação estava prevista para acontecer por 18 dias a partir de 21 de maio, mas só será iniciada caso nenhum acordo seja fechado até lá.

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Samsung retomou as negociações sobre reajuste nos bônus salariais, afirmou o sindicato. (Fonte: JHVEPhoto/GettyImages)

Produção pode ser impactada

Toda a fabricação de chips DRAM da Samsung acontece nas unidades da Coreia do Sul, bem como dois terços dos componentes NAND, conforme levantamento da Counterpoint. Uma eventual greve teria impacto significativo no fluxo de produção, podendo interferir diretamente na oferta global desses componentes.

Até o momento, nenhum acordo foi estabelecido, portanto o plano de greve segue mantido. Ainda assim, a retomada das negociações aumenta a possibilidade de um entendimento entre as partes antes da data prevista para a paralisação.

Fique ligado no TecMundo para acompanhar os desdobramentos desse caso e outras notícias sobre o mercado de tecnologia. Nos siga também nas redes sociais para não perder nenhuma atualização.

© JHVEPhoto/GettyImages

TikTok terá anúncios mais 'intrusivos' que ocupam até a tela inteira

24 de Março de 2026, 14:30

A rede social TikTok terá novos anúncios em breve no aplicativo — e eles serão bem menos discretos do que os atuais. A própria companhia confirmou os formatos que serão oferecidos para clientes em potencial durante o evento de mercados digitais IAB NewFronts.

Um dos novos formatos de anúncio é o Logo Takeover. Nessa modalidade premium de publicidade, uma empresa pode colocar a logo dela ao lado do símbolo do próprio TikTok, que aparece no momento em que a pessoa abre o aplicativo.

Segundo a companhia, essa forma de anúncio captura a atenção da pessoa de forma instantânea e "cria uma experiência compartilhada de marca que exibe parceria, credibilidade e relevância cultural, isso enquanto anunciantes conseguem um maior alcance".

Outras formas de anunciar no TikTok

A plataforma também adicionou uma possibilidade de anúncio chamada Prime Time, que exibe publicidades específicas durante um certo período — como um evento ao vivo ou momento de alto engajamento. Nesse caso, é possível exibir até três vídeos patrocinados de uma mesma marca para o usuário no intervalo de 15 minutos.

Outra novidade é um anúncio chamado de Top Reach, que dura apenas um dia. A categoria combina duas outras modalidades (TopView e TopFeed) e, caso adquirida, permite que a marca "reserve" a posição de exibir publicidade para o usuário como o primeiro vídeo que eles assistirem ao abrir o aplicativo ou como a primeira propaganda dentro do feed Para Você.

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Algumas das novas modalidades de anúncio no aplicativo. (Imagem: TikTok/Reprodução)

O TikTok confirmou ainda que fará melhorias no Pulse, o conjunto de ferramentas internas de publicidade que ajuda marcas a se conectarem com temas e criadores de conteúdo selecionados com base em relevância e aderência a um tema.

Até o momento, não há informações sobre quando os anúncios entrarão em vigor no aplicativo do TikTok e nem se eles estarão disponíveis para anunciantes de diferentes regiões.

Por que uma liderança indígena está criticando o data center do TikTok no Brasil? Confira a entrevista feita pelo TecMundo!

© Alexander Shatov/Unsplash

Inteligência Artificial Geral: o que significa o conceito citado pelo CEO da Nvidia?

24 de Março de 2026, 13:00

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, explicou durante uma entrevista que talvez a indústria tenha atingido o status de Inteligência Artificial Geral (AGI). A fala aconteceu durante uma entrevista do mandatário ao podcast de Lex Friedman, que disse que “acredita que tenhamos alcançado a AGI”.

O próprio Friedman teria descrito a AGI como um tipo de ferramenta que “essencialmente faz o seu trabalho”, citando o papel de Huang como um CEO. Em outros termos, essa tecnologia seria uma ferramenta de IA que pode até gerar uma marca de tecnologia e administrá-la com sucesso.

Sem muita hesitação, após Friedman questionar se levariam cinco ou 20 anos até alcançarmos a AGI, Huang explica que talvez já tenhamos feito isso. O diretor executivo da gigante exemplifica que essa IA autônoma “poderia criar um serviço para web, algum pequeno aplicativo interessante que de repente seria usado por bilhões de pessoas por 50 centavos e depois desaparece”.

Huang continua e diz que não ficaria surpreso de que uma IA criasse um tipo de influencer digital fofo, parecido com um Tamagotchi e tornasse isso um sucesso instantâneo. “Várias pessoas iriam usar isso por alguns meses e depois o efeito acaba desaparecendo com o tempo”, explica Jensen Huang.

Fala de Huang é exagerada?

A grande questão a respeito da fala de Huang é que as definições da Inteligência Artificial Geral podem variar muito e são suscetíveis a várias interpretações. Companhias como o Google e a Amazon concordam que essa seria uma tecnologia capaz de realizar qualquer tipo de tarefa que o intelecto humano também conseguiria fazer.

  • Mesmo com uma fala empolgante assim, a declaração de Huang pareceu um tanto quanto oportunista para alguns;
  • O CEO também destacou a utilização massiva de softwares como o OpenClaw, em que o próprio já citou como um “novo ChatGPT”;
  • Apesar da empolgação, o próprio diretor executivo indicou que a chance desses agentes de IA construírem a Nvidia é de zero por cento;
  • Um relatório chamado “AI 2027” indica que uma superinteligência artificial poderia estar disponível até o final de 2027;
  • Especialistas da organização responsável entendem que a tecnologia avançará ao ponto de ultrapassar as capacidades humanas;
  • Outros CEOs do mundo tech, como o chefão da OpenAI, acredita que esse tipo de tecnologia conseguirá até mesmo a aumentar a taxa de natalidade global;
  • Ex-desenvolvedores do Google creem que a ascensão dessas tecnologias irá substituir até mesmo os diretores de muitas empresas no futuro.

Se a declaração de Jensen Huang está certa ou errada, somente o tempo vai dizer. No entanto, com as informações disponíveis hoje, parece improvável que a atual inteligência artificial já tenha conseguido ultrapassar as capacidades humanas para algumas tarefas, a menos que algum anúncio bombástico ocorra nos próximos meses.

No início do ano, Huang já enfatizou que ataques contra a inteligência artificial podem prejudicar o desenvolvimento desse setor. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.

© Kevin Dietsch/GettyImages

'Riscos inaceitáveis': EUA proíbem venda de roteadores fabricados fora do país

24 de Março de 2026, 12:00

A Comissão Federal de Comunicações (FCC), órgão regulador dos Estados Unidos equivalente ao que faz a Anatel no Brasil, proibiu a comercialização de roteadores fabricados fora do país. A medida foi publicada na última segunda-feira (23) e tem efeito imediato.

A partir de agora, qualquer fabricante não-estadunidense interessada em vender, divulgar ou importar roteadores no país precisa de uma autorização especial e condicional da FCC. Quem já adquiriu ou atualmente usa um aparelho de marca estrangeira não será afetado pelas novas regras.

A documentação obrigatória inclui informações sobre quem são os investidores da companhia, a influência de governos estrangeiros e se há planos ou não para produzir esse tipo de equipamento nos próprios EUA. Essa etapa é obrigatória até mesmo se a marca for nacional, mas produzir os eletrônicos fora do país.

Uma medida similar foi tomada pelo país em relação aos drones. Ela afetou diretamente a presença no país da atual líder desse mercado, que é a chinesa DJI.

Por que banir roteadores?

O banimento de roteadores estrangeiros nos EUA é justificado pelo órgão regulador por dois motivos, um econômico e o outro de segurança nacional. 

  • Segundo o documento que confirma o ato, esses roteadores estrangeiros estariam conquistando espaço no mercado nacional ao criar “riscos inaceitáveis de mercado”;
  • Além disso, eles são considerados riscos para a cibersegurança, já que tendem a ser relacionados com alguns ataques específicos — a ordem da FCC cita incidentes como Volt, Flax e Salt Typhoon, que atacaram consumidores e a infraestrutura do país nos últimos anos.
  • Outra preocupação do órgão envolve o possível uso desses aparelhos, que gerenciam conexões e transferência de dados, para espionagem ou coleta de dados por parte de agentes estrangeiros, em especial vindos da China;
  • Como várias das referências desse setor são companhias de fora dos EUA ou fabricam os dispositivos em áreas como China e Taiwan, ainda não é possível saber por enquanto quais serão os critérios adotados pela FCC para barrar ou não a presença de determinadas marcas no setor.

Uma das companhias possivelmente afetadas é a TP-Link. Ela é referência no segmento de roteadores domésticos e, apesar de ter separado o braço chinês da companhia em uma empresa separada, foi listada anteriormente como um alvo em potencial de investigações por questões de segurança.

O que considerar na hora de comprar um roteador? Confira o guia preparado pelo TecMundo!

© TP-Link

Lei Felca: entenda sobre o assunto conferindo o resumão do que aconteceu na semana

21 de Março de 2026, 06:00

A internet brasileira foi tomada nesta semana por dois termos que significam a mesma coisa: ECA digital e Lei Felca. As novas regras, que devem mudar a internet brasileira, não só causaram bastante polêmica, mas geraram muita desinformação.

Só que além das famosas fake news, a Lei 15.211/2025 também causou diferentes visões, sendo algumas mais otimistas e outras mais pessimistas. 

Para organizar um pouco de tudo o que aconteceu nessa semana em relação ao já em vigor ECA Digital, o TecMundo preparou esse resumão com os principais acontecimentos e fatos. Confira, a seguir, 

16 de março (segunda-feira)

Noticiamos que a Riot Games anunciou mudanças importantes para jogadores no Brasil, incluindo a restrição de acesso a alguns de seus títulos para menores de idade. A medida começou a valer a partir da terça-feira (17) e afetou jogos populares como League of Legends, que tiveram a classificação etária temporariamente elevada para 18 anos no país.

Segundo a empresa, a decisão faz parte da adaptação às novas exigências do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente — legislação que estabelece regras mais rígidas para plataformas online utilizadas por crianças e adolescentes. Com isso, contas registradas como pertencentes a menores não poderão mais acessar determinados títulos a partir de 18 de março.

17 de março (terça-feira)

A coisa começou a “ferver” mais na terça-feira, quando efetivamente entrou em vigor a chamada Lei Felca, ou ECA Digital. A Lei 15.211/2025 entrou em vigor com o objetivo de oferecer ferramentas, responsabilizações e medidas para proteger os menores de 18 anos na internet.

A nova legislação teve origem no Projeto de Lei (PL) 2.628/2022, do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), mas voltou ao debate público com muito mais clamor em 2025 após viralizar na internet um vídeo do influenciador Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido como Felca. Ele denunciava a exploração de menores nas plataformas digitais.

Dentre as propostas, o ECA Digital estabelece: Supervisão parental e verificação de idade; proíbe loot boxes em games para menores; estabelece regras claras para microtransações; elimina publicidades direcionadas a crianças e adolescentes; obriga sites, apps, redes sociais e praticamento todo serviço online a realizar checagem “confiável” de idade do usuário.

17 de março (terça-feira)

Ainda na própria terça-feira, a Rockstar, desenvolvedora da franquia GTA, interrompeu a venda de seus títulos digitais no país por meio de sua própria loja e launcher, em resposta às novas exigências da legislação.

A medida passou a valer em 16 de março de 2026 e afetou exclusivamente a loja oficial da empresa. Ou seja, jogadores brasileiros não conseguem mais comprar jogos diretamente pelo Rockstar Games Launcher ou pelo site da companhia, ao menos por enquanto.

18 de março (quarta-feira)

Após adiar a assinatura do decreto para regulamentar questões ligadas ao ECA Digital, o presidente Lula (PT) assinou o documento na quarta-feira (18). Em cerimônia em Brasília, além de por a lei em prática, ele regulamentou outras duas questões principais:

  • Criou o Centro Nacional de Proteção da Criança e do Adolescente, que fortalece os trabalhos da Polícia Federal (PF) na proteção contra crimes digitais cometidos contra menores de idade;
  • Aprovou uma estrutura específica para a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), possibilitando que a instituição exerça suas competências de fiscalização e proteção previstas no ECA Digital.

Durante sua fala, o presidente chamou de “dia histórico” o evento e argumentou que as novas regras protegerão as crianças de vários crimes cometidos online por abusadores reais.

“Chega de tolerância com exploração ao abuso sexual, pornografia infantil, bullying, incitação à violência e automutilação só porque acontece no mundo digital. Que fique bem claro de uma vez por todas: o que é crime no mundo real, é crime no ambiente digital e os criminosos sofrerão o rigor da lei”, disparou.

20 de março (sexta-feira)

Nesta sexta-feira (20), a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), responsável pela aplicação do ECA Digital, divulgou as primeiras orientações preliminares sobre a lei. As informações incluem detalhes bastante aguardados, como o período de início da fiscalização propriamente dita.

O documento da ANPD orienta empresas e prestadoras de serviço que terão as plataformas digitais enquadradas nas regras de proteção de crianças e adolescentes previstas no conjunto de medidas, popularmente chamado de Lei Felca.

A ANPD informou que as ações começarão por etapas, segundo que a segunda começa em agosto de 2026. No período, haverá orientações definitivas e o monitoramento passará para "outros setores ou grupos de fornecedores", escolhidos a partir de uma série de critérios. As variáveis incluirão informações levantadas na primeira etapa e aspectos previstos no ECA Digital, como o nível de risco de cada produto.

Mais novidades

Como o assunto rendeu muitos desdobramentos não só nesta semana, confira, abaixo, uma lista de mais materiais que o TecMundo produziu para abordar sobre o impacto do ECA Digital no Brasil. 

 

 

 

 

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Pedra no sapado: IA atrapalha planos dos EUA de reduzir déficit comercial

20 de Março de 2026, 19:00

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já mostrou sua personalidade forte e inflexibilidade inúmeras vezes, mas nem mesmo ele consegue bater de frente com a inteligência artificial. Apesar das suas políticas para reduzir o déficit comercial no país, a exigência de importação tecnológica coloca os planos do mandatário em pausa.

Para Trump, o déficit sempre foi uma grande fraqueza econômica dos EUA e por isso ele esteve disposto a mudar isso de maneira radical. Vale notar que o termo se refere ao processo de quando um país importa mais produtos do que efetivamente exporta, ou seja, quando a compra supera as vendas.

Como a IA tem garantido números fortes para a Bolsa de Valores e é o grande investimento da década, os EUA não poderiam simplesmente cortar o número de importações, em especial o de tecnologia estrangeira. Para as companhias norte-americanas continuarem nessa toada, é preciso realizar a importação de chips e máquinas caras de outros países.

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Trump já se encontrou com líderes de tecnologia para colocar os EUA na frente da corrida por IAs (Imagem: GettyImages/Andrew Harnik)

Isso faz com que as políticas de Trump entrem em uma questão difícil, afinal de contas o déficit comercial dos Estados Unidos subiu para perto de US$ 1,2 trilhão (cerca de R$ 6,3 trilhões na cotação atual) em 2025. Apesar do número alto, ele é apenas 2,1% maior do que em 2024, mas mesmo assim se tornou um problema para a administração Trump.

A dependência de Taiwan

Uma das grandes questões enfrentadas nesse déficit tem relação com Taiwan, graças à TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), maior fabricante de semicondutores do mundo. A tecnologia que alimenta aceleradores da Nvidia e AMD vem de lá, então acaba por se tornar uma base para inúmeros produtos ao redor do globo.

  • Somente para Taiwan, o déficit comercial dobrou e já bate US$ 146 bilhões (R$ 770 bilhões), acendendo um sinal vermelho;
  • Um dos desejos dos EUA há tempos era diminuir sua dependência de Taiwan, mas a tarefa não é nada simples;
  • A razão para isso, fora o déficit, é a proximidade da ilha com a China, que clama ser dona daquele território;
  • Com uma eventual ocupação chinesa em Taiwan, os EUA perderiam seu principal fornecedor de chips e isso abriria terreno para uma crise global;
  • Uma das armas usadas por Trump para reduzir esse déficit foi a instauração das tarifas recíprocas no início de 2025;
  • Apesar de chacoalharem com a economia global, as tarifas não contemplam produtos como semicondutores e PCs graças à pressão da Nvidia e Apple.

O grande desejo da administração Trump é que chips e eletrônicos sejam produzidos localmente nos Estados Unidos. No entanto, apesar de várias empresas terem se comprometido em investir bilhões no país, a construção de fábricas é um processo muito demorado que demora vários anos até atingirem a maturidade operacional.

Você sabia que nos últimos dias os Estados Unidos registraram um domínio “Alien.gov” para arquivos sobre alienígenas após as promessas de Trump? Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber notícias como essa diretamente no seu e-mail.

© Greggory DiSalvo/GettyImages

IA e carreira: o risco de um trabalho sem aprendizado

20 de Março de 2026, 17:50

No início de março, saiu esse relatório sobre os impactos da IA no mercado de trabalho. Como se a gente precisasse de mais uma comprovação do fim do nosso futuro. Pessimismos ou brincadeiras à parte, o fato é que esse relatório da Anthropic trouxe 5 grandes insights:

  1. IA ainda está mais ajudando do que substituindo;
  2. O impacto varia muito por profissão;
  3. A adoção da IA está acontecendo extremamente rápido;
  4. Ainda não há evidência clara de desemprego causado por IA;
  5. A grande mudança deve surgir nos empregos de entrada.

Grandes novidades? Nenhuma! Mas olhando para além do que o relatório diz e que, convenhamos, é muito conveniente para a própria empresa de IA, temos um caminho importante para traçar a partir desses insights.

Como pesquisadora em Saúde Mental no trabalho, meu olhar segue em uma direção: o fim das tarefas de aprendizado. Se a gente pensar que a maior parte das profissões tem uma estrutura pedagógica informal, ou seja, começam por meio de tarefas simples, repetitivas e operacionais, o fato de que a IA tem executado tudo isso para os colaboradores pode ser bem preocupante.

Para alguns economistas, esse fenômeno tem sido chamado de deskilling pipeline collapse ou “colapso da formação de competências”. E isso gera três efeitos possíveis: 1) o mercado fica mais elitizado e entram somente pessoas que já chegam preparadas; 2) há uma concentração de expertise com menos especialistas em um futuro próximo e 3) profissões são redesenhadas desde a base.

Mas vale uma provocação: será que esse “colapso da formação de competências” é, de fato, um problema para as empresas hoje em dia? Acho que não, afinal, automatizar tarefas básicas reduz custo, aumenta produtividade e traz um ganho evidente.

O problema está no futuro mesmo. O que hoje aparece como eficiência pode, no médio prazo, virar escassez. As empresas podem estar trocando um problema por outro, sem ainda medir o custo dessa escolha.

E como isso conversa com a saúde mental dos nossos guerreiros? Bom, se a IA elimina justamente o espaço de experimentação e aprendizado do trabalho, ela pode afetar também a formação das profissões e dos profissionais. E não é só isso, é também uma questão de formação psíquica. Explico.

O Christophe Dejours é um psicanalista que há anos estuda o impacto do mercado de trabalho na psique humana e ele diz que o trabalho tem duas dimensões: tarefa prescrita (o que mandam fazer) e trabalho real (o que se aprende fazendo).

É justamente nesse trabalho real que as pessoas desenvolvem inteligência prática, constroem identidade profissional e aprendem coisas objetivas e subjetivas. Então, quando a IA toma conta desses processos aparentemente inofensivos, o maior impacto não é a eliminação de empregos, mas o processo pelo qual aprendemos a trabalhar.

O ponto central aqui é que o trabalho não é apenas remuneração. Para Dejours, ele tem uma função psíquica fundamental, pois é um espaço onde a pessoa experimenta, erra, ajusta, evolui, recebe reconhecimento.

Em outras palavras: o trabalho é responsável por produzir autoestima, pertencimento e tantos outros sentimentos importantes para o ser humano — desde que haja espaço para um reconhecimento, claro.

Se as tarefas iniciais desaparecem com a IA, o sujeito perde esse processo gradual e as consequências podem ser bem desastrosas. Não só para o mercado de trabalho, mas para a sociedade como um todo.
Do ponto de vista do trabalho, acontece o óbvio: o medo da irrelevância gera hiperprodutividade defensiva, comparações constantes e receio de tomar decisões. Disso tudo para um burnout, não é preciso muito.

Quando o percurso natural do trabalho se encurta ou desaparece, surge também uma realidade injusta: profissionais sendo exigidos em níveis mais complexos sem terem passado pelo percurso que ensina justamente essa complexidade.

A questão talvez não seja apenas se a IA vai acabar com os empregos, mas o que acontece com a gente quando o trabalho deixa de ser um lugar de aprendizagem e, portanto, de formação? O que acontece com toda uma sociedade ;e impactada por isso? Vale refletir.

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Meta recua e não vai descontinuar metaverso Horizons Worlds para VR

20 de Março de 2026, 09:00

A Meta recuou do plano de encerrar em definitivo a versão de Realidade Virtual (VR) de Horizon Worlds, a plataforma de metaverso da empresa. As novas informações foram confirmadas nesta quinta-feira (19).

Em uma sessão de perguntas e respostas no Instagram, o gerente de tecnologia da Meta, Andrew Bosworth, explicou qual é a nova diretriz. Ele ainda deu a entender que a decisão partiu após pedidos de parte da comunidade para que a plataforma continuasse no ar.

"Nós decidimos, inclusive hoje, que nós iremos manter o Horizon Worlds funcionando em VR para os jogos já existentes, para apoiar os fãs que nos contataram", diz o executivo.

Além disso, essa versão do aplicativo do Horizon World continuará disponível para download "pelo futuro próximo". Um dia antes, a Meta havia confirmado que essa versão do Horizon Worlds sairia do ar em 15 de junho, enquanto o aplicativo sairia das lojas já no fim deste mês.

Metaverso em pausa?

Entretanto, de acordo com o executivo, títulos desenvolvidos com a engine Horizon Unity continuarão exclusivamente disponíveis na plataforma imersiva e não serão adicionados novos jogos na plataforma. Ou seja, a companhia vai apenas manter os universos virtuais e interativos no ar, sem adicionar novos conteúdos.

Isso porque o plano principal da companhia segue de pé: ela vai focar em experiências do metaverso em dispositivos móveis, como smartphones. Segundo Bosworth, esse ambiente "é onde já estava a energia da maioria parte de consumidores e criadores", o que justifica essa preferência.

A própria ideia de metaverso estaria em discussão na Meta, com Bosworth dizendo que ele não é "apenas VR, mundos virtuais e espaços imersivos, mas também Realidade Aumentada e como você pode ter artefatos digitais sobrepostos em coisas físicas". A plataforma original foi lançada em 2021 e, na época, motivou até a mudança de nome da empresa antes chamada Facebook.

Apesar da empolgação do executivo, os últimos meses têm sido difíceis para a divisão Reality Labs da Meta, que cuida desse projeto. A companhia reduziu significativamente os investimentos na área, além de promover demissões e fechar estúdios e serviços inteiros.

Como é a nova campanha da Meta para “tirar” criadores de conteúdo de redes como o TikTok? Descubra nesta matéria.
 

© Justin Sullivan/Getty Images

ECA Digital entra em vigor e força empresas a mexer no dinheiro

20 de Março de 2026, 07:00

O ECA Digital, também chamado de Lei Felca, entrou em vigor na última terça-feira, 17, e já começa a mexer com o mercado de tecnologia no Brasil. A ideia é simples: proteger crianças e adolescentes na internet. A execução? Nem tanto.

Na prática, a lei cria uma série de novas obrigações para plataformas digitais. Entre elas, está a exigência de verificação de idade mais rigorosa (adeus botão “tenho mais de 18”), o fim da publicidade personalizada para menores e limites para recursos que incentivam uso excessivo, como rolagem infinita e loot boxes em jogos (aquelas “caixinhas surpresa” pagas em games, em que o jogador não sabe o que vai ganhar).

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Fonte: Felca/YouTube/Reprodução

Isso significa que redes sociais, apps, jogos e sites vão ter que repensar como funcionam, do jeito que recomendam conteúdo até como ganham dinheiro com usuários mais jovens. Sim, é aquele tipo de mudança que não dá pra resolver só com um “atualizamos nossos termos de uso”.

Mesmo assim, a entrada em vigor veio com um certo improviso. O governo adiou a assinatura do decreto que detalha as regras, o que deixou empresas num cenário meio “a lei já vale, mas calma aí que ainda estamos vendo como aplicar tudo”.

Mercado ainda reage devagar às novas regras

No primeiro dia de vigência, algumas empresas já começaram a se mexer. O Google, por exemplo, anunciou mudanças em serviços como Busca, YouTube e Play Store, com mais restrições de conteúdo e ferramentas de supervisão para menores.

Mas, fora isso, a sensação geral é de “vida normal”, com redes sociais funcionando praticamente igual, sem exigir verificação mais rígida de idade. E, sim, sites adultos ainda usam aquele clássico botão de autodeclaração, que a lei basicamente tentou banir.

Basicamente, o que se vê é um descompasso: a lei entrou em vigor, mas o comportamento das plataformas ainda não acompanhou totalmente, pelo menos por enquanto.

“As plataformas que oferecem produtos ou serviços direcionados a crianças e adolescentes tendem a iniciar, de imediato, medidas mínimas de adequação para atender às obrigações já vigentes”, afirma Ricardo Nunes, sócio de Tecnologia, Proteção de Dados e Propriedade Intelectual do escritório de advocacia Lefosse.

Segundo ele, acabar com o “tenho mais de 18” já muda bastante o jogo e deve forçar as empresas a correr atrás de sistemas mais sérios, principalmente em serviços com conteúdo adulto.

Agora o negócio ficou sério

Se do lado de fora quase nada mudou, por dentro das empresas o cenário é outro. A Lei Felca exige alterações profundas e caras na forma como as plataformas operam, o que significa mexer diretamente em estruturas que não foram feitas para mudar rápido.

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Fonte: Alice Labate/TecMundo

Isso inclui criar sistemas mais robustos de verificação de idade, revisar algoritmos de recomendação e até repensar produtos inteiros. Recursos comuns hoje, como feeds infinitos ou mecânicas de engajamento em jogos, entram diretamente na mira e não são exatamente fáceis de substituir.

Traduzindo: não é só uma questão de compliance ou jurídico. É produto, tecnologia, dados, marketing, basicamente todo mundo dentro da empresa vai ser impactado. E como muitas dessas ferramentas estão no centro do modelo de negócio, qualquer ajuste vira também uma decisão estratégica.

Esse movimento também abre um outro problema: até onde as empresas podem ir para cumprir a lei sem violar a privacidade dos usuários?

“A Lei 15.211 exige verificação de idade confiável, mas não especifica como fazê-la, e é exatamente nesse silêncio que mora o maior risco jurídico para as plataformas”, afirma Paula Caixeta, cofundadora e CLO da DeltaAI. “Biometria facial, por exemplo, é dado sensível nos termos da LGPD, e seu tratamento exige base legal específica, consentimento qualificado e proporcionalidade estrita”.

Na prática, isso significa que não basta sair pedindo documento ou selfie de todo mundo. As empresas vão ter que equilibrar proteção de menores com privacidade, e errar nessa conta pode dar problema dos dois lados.

Segundo Nunes, esse processo não deve acontecer de uma vez. “A adaptação tende a ser gradual e faseada”, afirma. “Isso decorre tanto do impacto operacional quanto da necessidade de desenvolvimento ou ajuste de mecanismos internos para mapear riscos”.

Nesse começo, a prioridade tende a ser mais básica do que parece: saber o que a empresa já faz, quais dados coleta e onde estão os principais riscos. Só depois disso é que entram mudanças mais pesadas, o que ajuda a explicar por que o impacto ainda não apareceu com força para o usuário.

A vida é um morango apenas para as big techs

Quando o assunto é adaptação, nem todo mundo parte do mesmo ponto, porque empresas grandes tendem a ter mais fôlego para lidar com esse tipo de mudança. Gigantes como Meta e o próprio Google já têm estrutura, equipe e tecnologia para adaptar produtos em diferentes países.

Mesmo assim, isso não significa mudanças imediatas. O mais provável é ver ajustes graduais, muitas vezes começando por soluções intermediárias, como estimar a idade do usuário em vez de exigir um documento logo de cara.

CONFIRMEI MINHA IDADE NO TWITTER COM O JEONGIN TO MORTA pic.twitter.com/3IbSZXT8ff

— nini (@jeongconha) March 18, 2026

Algumas plataformas já começaram a testar caminhos nesse sentido. O X (eterno Twitter), por exemplo, passou a pedir uma selfie para tentar estimar a idade dos usuários usando inteligência artificial (IA). Na prática, porém, esse tipo de sistema ainda levanta dúvidas e pode ser facilmente burlado, já que muitos menores conseguem contornar a verificação usando fotos de outras pessoas ou até bonecos.

Nesse cenário, impedir totalmente esse tipo de coisa ainda está longe de ser uma realidade. Segundo o sócio da Lefosse, tentativas de fraude em sistemas de verificação já são esperadas e fazem parte do jogo. “Mais do que uma solução específica, o objetivo mais realista é reduzir significativamente a possibilidade de fraude por meio de mecanismos consistentes e demonstráveis”, afirma.

É tipo misturar várias tecnologias e aumentar o nível de controle dependendo do risco de cada plataforma. Porque, sendo realista, não dá pra impedir 100% das fraudes, o foco é dificultar ao máximo e mostrar que a empresa fez a lição de casa.

Só que esse tipo de solução também cria um novo problema: segurança.

“Sempre que uma plataforma passa a coletar RG, selfie ou biometria, ela amplia o volume de dados sensíveis sob sua guarda e aumenta o impacto potencial de qualquer incidente”, afirma Luiz Claudio, CEO da LC SEC. “Diferentemente de uma senha, esses dados não podem simplesmente ser trocados depois de um vazamento”.

Segundo ele, isso aumenta a chamada “superfície de ataque” das empresas, já que essas informações passam por diferentes sistemas, fornecedores e integrações. “Se não houver arquitetura segura, criptografia forte e controle de acesso, cria-se um ponto muito valioso para fraudadores”, diz.

Para companhias menores, o cenário é mais desafiador. Startups e plataformas com menos recursos precisam adaptar sistemas e rever processos sem a mesma capacidade técnica ou financeira, o que pode pesar na operação.

“Empresas menores podem lidar com desafios típicos como limitação de recursos financeiros e humanos”, explica Nunes. Ainda assim, ele ressalta que o risco jurídico não se limita às big techs e pode atingir empresas de diferentes tamanhos, dependendo do caso.

Isso pode aumentar a distância entre quem já é grande e quem ainda está tentando crescer. A lei é a mesma para todo mundo, mas o impacto claramente não é.

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Empresas ainda operam no escuro

Essa demora não é por acaso. Parte da lentidão na adaptação tem uma explicação simples: ainda não está tudo 100% definido. O decreto que detalha a aplicação da lei foi adiado e deve passar por ajustes, o que deixa empresas operando em um cenário de incerteza.

Nem todas as regras estão claras ainda, o que faz com que muitas empresas adotem uma postura mais cautelosa, evitando mudanças mais profundas até entender melhor o que será exigido. “De forma geral, as empresas buscam avançar em frentes que não dependem de regulamentação detalhada e aguardam diretrizes específicas para evitar retrabalho”, afirma Ricardo Nunes.

Esse “esperar sem ficar parado” tem um efeito direto na forma como as empresas estão priorizando suas ações agora. Em vez de sair implementando soluções complexas, o foco inicial tende a ser mais interno, quase um raio-x da própria operação.

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Fonte: Alice Labate/TecMundo

Segundo Nunes, o primeiro passo seria compreender quais dados são tratados e quais produtos ou serviços podem atingir crianças e adolescentes, mesmo que não sejam pensados diretamente para esse público. A partir daí, entram o mapeamento de sistemas, fluxos e controles já existentes.

A ideia é simples (na teoria): antes de mudar, entender onde estão os riscos. Esse diagnóstico inicial ajuda a evitar decisões desproporcionais, tipo gastar milhões em uma solução que talvez nem seja necessária, e direciona melhor os investimentos.

Além disso, tem um fator que pesa bastante nesse ritmo: o que ainda vai ser definido pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A expectativa é que a autoridade publique orientações mais detalhadas nos próximos meses, inclusive sobre temas sensíveis como verificação de idade.

Além da incerteza técnica, existe também uma pressão jurídica que deve crescer nos próximos meses. “As empresas estão vinculadas à lei desde 17 de março, mas sem parâmetros técnicos definitivos de como cumpri-la”, afirma Paula Caixeta. “Essa janela de incerteza precisa ser gerenciada com documentação rigorosa e demonstração ativa de boa-fé regulatória”.

Segundo ela, isso muda o jogo na prática. “Antes, a plataforma alegava boa-fé e transferia a responsabilidade ao usuário. Agora, ela precisa demonstrar que adotou medidas técnicas razoáveis e proporcionais”. Isso inclui registrar todo o processo: como verificou a idade, quais dados coletou, por quanto tempo guardou e o que acontece em caso de problema. Em outras palavras: não basta fazer, tem que provar que fez.

Para Ricardo Nunes, esse processo deve seguir uma lógica progressiva, considerando o nível de risco de cada serviço. Ou seja: nem toda empresa vai precisar fazer tudo ao mesmo tempo, e nem do mesmo jeito.

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Para inovar é preciso captar investimento? Nem sempre (ou quase nunca)

19 de Março de 2026, 20:00

Por muito tempo, a palavra inovação foi associada quase automaticamente à ideia de grandes aportes financeiros, laboratórios de tecnologia ou projetos disruptivos capazes de transformar setores inteiros. Esse imaginário não está completamente errado, mas é incompleto. 

Na prática, muitas das mudanças que realmente geram impacto dentro das empresas surgem de fatores mais simples, como a revisão de processos internos ou uso de ferramentas já existentes no mercado.

Em outras palavras, a inovação não precisa necessariamente começar com um investidor ou com um projeto milionário. Em muitos casos, ela nasce da capacidade de olhar para a operação com atenção e identificar gargalos que, embora pareçam pequenos, estão travando resultados importantes.

Um exemplo ajuda a ilustrar essa dinâmica em empresas que crescem muito rápido. Imagine uma empresa que, após aumento das vendas, passa a enfrentar atrasos constantes na expedição de pedidos. À primeira vista, o problema parece complexo, mas a causa pode ser muito mais simples do que se imagina: a equipe possuir poucas impressoras para emitir notas fiscais. 

Ao ampliar a quantidade de equipamentos — um investimento pequeno diante do impacto gerado —, o fluxo logístico seria destravado e os atrasos poderiam ser reduzidos.

Talvez não pareça inovador, mas é. Quando a solução melhora o fluxo do negócio, reduz desperdícios ou aumenta a eficiência, ela já está cumprindo o papel central da inovação.

Outro caso interessante que acompanhei pessoalmente envolve a área de recursos humanos. Uma empresa tinha um processo seletivo bastante estruturado, mas enfrentava um problema recorrente. 

Entre a aprovação do candidato e o início efetivo no trabalho, passavam-se cerca de três meses e, durante esse período, o futuro colaborador praticamente não tinha contato com a empresa ou com a equipe. 

Como resultado, muitos acabavam aceitando outras propostas antes de assumir a vaga. O impacto era significativo, já que, além da perda de talentos, havia o custo de todo o processo seletivo que precisava ser reiniciado.

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A inovação precisa ser sustentável para evitar desperdícios e fortalecer a saúde financeira da empresa para que ela não dependa tanto de capital externo para crescer. (Fonte: Getty Images)

A solução envolveu uma parceria com uma plataforma de onboarding já disponível no mercado. Com a ferramenta, os profissionais aprovados passaram a ter acesso antecipado a conteúdos da empresa, conhecer colegas e iniciar uma integração gradual mesmo antes do primeiro dia de trabalho. O resultado foi a redução da evasão de candidatos e maior eficiência no processo de contratação.

Esses exemplos mostram que inovação também pode significar reorganizar, conectar ou adaptar soluções que já existem. Aliás, vale dizer que momentos de crise costumam acelerar esse tipo de transformação. 

Quando os recursos ficam mais escassos, as empresas tendem a olhar com mais atenção para seus próprios processos e buscar formas criativas de fazer mais com menos.  Cortar custos passa a ser uma necessidade imediata, mas esse movimento também pode revelar oportunidades de melhoria que estavam escondidas em estruturas pouco questionadas.

A verdade é que inovar precisa fazer sentido para a saúde financeira da empresa. Uma ideia só se sustenta quando ela, de alguma forma, reduz custos ou abre novas fontes de receita. Precisa emitir nota fiscal, por assim dizer. E existem muitas formas de fazer isso sem precisar de apoio externo.

É claro que captar investimento pode, sim, acelerar projetos transformadores e abrir novas possibilidades de crescimento. Mas não é o único caminho para inovar. Muitas empresas descobrem que as mudanças mais eficazes começam dentro de casa quando decidem olhar com atenção aquilo que já existe.

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Home office: 40 vagas para trabalho remoto internacional [15/03]

15 de Março de 2026, 19:00

O TecMundo e a Remotar, maior plataforma de vagas remotas do país, trazem uma nova seleção de oportunidades de trabalho para quem busca uma atuação no mercado internacional para ganhar em dólar ou euro. São vagas home office nas áreas de Tecnologia, Dados, Produto, Marketing, entre outras. Confira a lista abaixo! 

Vagas em áreas Administrativa, Marketing e Vendas

De modo geral, aqui concentram-se vagas fora da área de Tecnologia, como vagas da administrativa, financeira, vendas, marketing e recursos humanos.

Vagas para Design, Produto e Tecnologia da Informação

Design UX, UI, Produto, e todas as áreas relacionadas à Tecnologia e Programação você confere na lista abaixo. 

Não encontrou a vaga que buscava? Acesse o site da Remotar e confira as demais oportunidades de trabalho remoto disponibilizadas na plataforma.

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Adobe pagará US$ 75 mi a clientes para encerrar processo de cancelamento de assinaturas

15 de Março de 2026, 15:00

Processada por dificultar cancelamentos de assinaturas, a Adobe anunciou nesta sexta-feira (13) um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para encerrar a ação aberta em 2024. A empresa pagará um total de US$ 150 milhões, o equivalente a R$ 798 milhões pela cotação atual.

Desse montante, US$ 75 milhões (R$ 399 milhões) ficarão com a principal agência de aplicação da lei do governo americano. Já a outra metade será destinada aos usuários impactados, por meio da oferta de serviços gratuitos para quem tiver direito ao ressarcimento.

Clientes encorajados a desistir do cancelamento

No processo aberto há quase dois anos, a dona do Photoshop foi acusada de esconder taxas de rescisão de contratos e complicar o encerramento de assinaturas. A denúncia foi feita pela Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC).

  • Conforme a entidade, termos de uso do plano anual pago mensalmente ficavam ocultos em meio a letras minúsculas e links;
  • Dessa forma, muitos assinantes de serviços como Photoshop e Illustrator não sabiam da cobrança pela rescisão antecipada do contrato;
  • A ação também menciona uma série de dificuldades para cancelar a assinatura, com o cliente precisando passar por inúmeras páginas para confirmar a solicitação;
  • Segundo os autores, a empresa encorajava o assinante a desistir do cancelamento ao aplicar a taxa, que podia chegar a custar centenas de dólares.
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Assinantes de serviços da Adobe nos EUA impactados terão direito ao ressarcimento. (Imagem: MyndziakVideo/Getty Images)

As dificuldades continuavam, ainda, nas tentativas de cancelamento por meio do chat ou ligação telefônica. Há relatos de desconexão dos usuários nos dois casos, com os interessados em encerrar o contrato precisando refazer todo o processo.

Investigando as supostas violações, as autoridades pediram que a companhia encerrasse as práticas relatadas pelos assinantes. Também foi solicitado o pagamento de indenização aos clientes prejudicados.

Adobe nega irregularidades

À época de abertura do processo, a empresa negou as acusações e garantiu transparência no cancelamento de assinaturas. Agora, ela voltou a refutar as queixas, porém concordou em pagar para encerrar a ação.

"Embora discordemos das alegações do governo e neguemos qualquer irregularidade, estamos satisfeitos por resolver esta questão. Concordamos em fornecer US$ 75 milhões em serviços gratuitos aos clientes elegíveis", afirmou a Adobe, em comunicado.

Os usuários afetados serão notificados assim que o acordo com o Departamento de Justiça estiver formalizado no tribunal.

Gostou do conteúdo? Siga no TecMundo e confira, também, detalhes da saída do CEO da Adobe, que deixou o cargo depois de quase 20 anos.

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ByteDance usa Malásia para treinar IAs com chips da Nvidia, diz jornal

13 de Março de 2026, 17:00

A ByteDance e outras empresas chinesas encontraram uma maneira de usar os chips restritos da Nvidia, como aponta o The Wall Street Journal. Empresas chinesas como a dona do TikTok começaram a usar companhias especializadas em nuvem como offshore para treinamento dos seus modelos em países como a Malásia.

Como a Nvidia está embargada pelo governo dos Estados Unidos a vender seus aceleradores de IA para os chineses, as clientes da gigante estavam tecnicamente limitadas a conseguir hardware. Porém, a tática de usar os offshores permite que essas companhias usem indiretamente os aceleradores da Nvidia para treinar seus modelos de IA.

A própria ByteDance estreitou os laços com a empresa especializada em serviços de nuvem Aolani, da Malásia. Essa é uma empresa considerada como cliente prioritária da Nvidia, então consegue os chips mais recentes e potentes da companhia. Isso também faz com que a dona do TikTok acesse a geração B200 Blackwell de chips da Nvidia, proibida pelos EUA de ser comercializada aos chineses.

Servidor de IA Nvidia HGX
Nvidia corre na dianteira e se isola como a empresa com os melhores chips para treinamento de IAs (Imagem: Nvidia)

Inúmeras empresas chinesas têm adotado essa estratégia, como a Tencent. Além da Malásia, países como Singapura também são usados como esses offshores de treinamento para IAs. A Nvidia explicou em nota que todos os parceiros de nuvem são “avaliados e aprovados” pelas equipes de campo, finanças e conformidade antes de receberem os produtos.

Como a ByteDance usa offshores para treinar IA?

A forma de operação da ByteDance e essas outras gigantes chinesas é relativamente simples. Essas companhias enviam as informações para esses centros de dados operados por empresas de outras nações e consegue trabalhar com as tecnologias que esses países têm acesso.

  • Como Singapura e Malásia não estão nas listas de restrições dos EUA, esses países podem receber livremente os chips da Nvidia;
  • Isso faz com que essas empresas chinesas finalmente consigam desenvolver seus produtos com desempenho e velocidade;
  • O CEO da Nvidia já chegou a reclamar do antigo governo Biden e elogiou Trump sobre as questões de distribuição de hardware para a China no passado;
  • Jensen Huang acredita que com os embargos tecnológicos, a China será forçada a se adaptar e a desenvolver seus próprios produtos de alta tecnologia;
  • Mesmo que esteja atrás dos EUA, o próprio Alibaba já tem chips de IA relativamente poderosos e que devem ser refinados com o tempo;
  • A China também não aceita bem os chips modificados e com menor desempenho da Nvidia e já chegou e solicitar que as empresas locais não façam essas compras.

A grande questão de enviar as informações chinesas para outros países é que dados sensíveis podem ser facilmente obtidos por terceiros. Dessa forma, as empresas chinesas devem precisar tomar um cuidado adicional com o que enviam para esses offshores, principalmente em contextos de acusações crescentes de espionagem internacional.

Em diversas oportunidades o presidente Donald Trump já afirmou que os “melhores chips” da Nvidia seriam destinados apenas para empresas norte-americanas. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.

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Amazon deve mudar data do Prime Day em 2026, diz site

13 de Março de 2026, 13:30

O Prime Day de 2026, edição deste ano da data comemorativa da Amazon que é repleta de promoções para os usuários, pode mudar de data. A informação foi publicada pela Bloomberg, enquanto a companhia se recusou a comentar o assunto ao ser contatada.

De acordo com o site, o Prime Day deste ano será realizado em junho, muito possivelmente no final do mês, e não durante julho, período já tradicionalmente escolhido pela gigante do varejo. Fontes ligadas ao tema foram consultadas pela reportagem original, mas se mantiveram anônimas porque a estratégia ainda não foi publicamente divulgada.

Uma das possibilidades da mudança de data está em questões fiscais: caso seja realizado antes de 30 de junho, o Prime Day entra no relatório fiscal da Amazon para o segundo trimestre deste ano, enquanto a data antiga faria com que ele fosse contabilizado no período seguinte.

O que é o Prime Day da Amazon?

  • O Prime Day é um dos os eventos anuais de liquidação mais importantes da Amazon, feito especialmente para fidelizar ou atrair mais assinantes em todo o mundo;
  • Ele é considerado um momento esperado durante o ano para a Amazon e parceiros comerciais, como lojas e perfis do marketplace. Na edição de 2025, os descontos chegaram a 60% e envolveram mais de 50 categorias em promoção;
  • Grande parte dos benefícios da data é voltada para os assinantes do pacote Prime de vantagens, que inclui frete grátis nas compras, descontos exclusivos e acesso a serviços paralelos, como o Prime Video;
  • A comemoração comercial teve a primeira edição realizada em 2015, mas o Brasil só recebeu a versão nacional das ofertas cinco anos depois;
  • As datas tendem a ser diferentes dependendo do país. Em 2025, por exemplo, ela aconteceu durante quatro dias nos Estados Unidos (de 8 a 11 de julho), enquanto no Brasil a janela foi menor, entre os dias 15 de 16 de julho;
  • Nos últimos anos, concorrentes diretas também passaram a realizar eventos parecidos, inclusive com liberação de cupons e descontos em datas similares para aproveitar o  momento de maior propensão do consumidor em gastar.

O Prime Day costuma ter uma cobertura especial do TecMundo, inclusive com a curadoria dos apresentadores em busca das melhores ofertas para você. Siga a nossa página no Instagram e fique ligado para mais informações! 

© Daria Nipot/Getty Images

Mercado de PCs deve ter declínio de 11% em 2026

13 de Março de 2026, 13:00

O mercado de computadores deve ter um declínio de 11% na distribuição de remessas globais em 2026. Uma revisão nas projeções do IDC indica que as interrupções na cadeia de suprimentos e memória tornará esse um ano bem complicado para a indústria de PCs, e os consumidores devem esperar por mais aumentos de preços.

A redução de 11,6% nas remessas de PCs é bem maior que os 2,4% estipulados pelo IDC em novembro de 2025. Remessas de tablets também devem ser afetadas em 7,6% até o fim do ano. Vale notar que a nova projeção não considera as recentes tensões e guerras no Oriente Médio, que podem ser um obstáculo adicional para muitas empresas.

O declínio tem relação direta em fatores como a convergência de escassez de memórias, aumento no preço dos componentes e restrições amplas no fornecimento de peças. Todos esses problemas devem limitar fortemente a produção de computadores e tablets até 2027, tornando a recuperação de bons índices um desafio.

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Mercado deve começar uma estabilização de preços maior a partir de 2028 (Imagem: IDC)

O vice-presidente da divisão de aparelhos e consumos do IDC, Ryan Reith, entende que dificuldades acumuladas como essas resultam em perturbações massivas no mercado. “A crescente lista de eventos industriais e geopolíticos torna a tomada de decisões — e até mesmo a sobrevivência em alguns setores — praticamente impossível”, indica Reith.

Crise vai se intensificar até 2027

Apesar do cenário catastrófico, o IDC entende que a indústria deve conseguir um leve aumento no valor de vendas gerais de PCs. Os computadores devem crescer em 1,6%, totalizando US$ 274 bilhões em vendas (cerca de R$ 1,4 trilhão). Mesmo que as remessas diminuam, o valor mais alto dos produtos condicionará essa subida de 1,6%.

  • Pesquisadores do IDC entendem que a era de computadores baratos já passou por conta desse balanço extremo na indústria;
  • O problema das memórias deve persistir fortemente até 2027 e os preços podem começar a cair em 2028;
  • A questão é que os analistas projetam que não veremos mais preços como os de 2025, indicando um “novo normal” no mercado;
  • Fornecedores vão priorizar a resiliência da cadeia de suprimentos e estratégias mais flexíveis na fabricação;
  • A chance das companhias reduzirem especificações dos dispositivos para baratear o preço é alta;
  • Mesmo com as reduções de componentes, os preços de computadores e até mesmo celulares devem continuar altos.

Com as incertezas do mercado, a projeção do IDC pode mudar rapidamente. Fabricantes de memória, como a Samsung, projetam novos aumentos de até 100% no preço desses itens e ao longo de 2026 isso deve se tornar uma prática cada vez mais normal. Com a expansão das IAs, as fabricantes direcionam a produção massiva para os data centers.

Empresas como a Xiaomi já afirmaram em diversas oportunidades que vão precisar aumentar o preço dos seus celulares para absorver os custos. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.

© TecMundo

Adapta cria ecossistema de softwares adaptáveis para PMEs e anuncia aquisição

13 de Março de 2026, 12:05

O setor de M&A em tecnologia movimentou R$ 26 bilhões em 2024 — alta de 115% em relação a 2023 — e o mercado de IA brasileiro deve atingir US$ 11,6 bilhões até 2030, segundo projeções do setor. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028 prevê R$ 23 bilhões em investimentos, reforçando o ambiente favorável para consolidação.

Visando este mercado, a  Adapta, maior ecossistema de inteligência artificial generativa do Brasil, anuncia a aquisição da Skip (goskip.dev), plataforma de desenvolvimento de aplicações com IA, por R$ 30 milhões. A operação marca a entrada da Adapta no segmento de ferramentas de criação de software e sinaliza o início de uma agenda ativa de M&A — com novas aquisições estratégicas em análise.

A aquisição integra a estratégia da Adapta de se tornar a plataforma mais completa de soluções de IA para o trabalho no Brasil. Com mais de 150 mil assinantes, a empresa passa a oferecer aos seus clientes não apenas educação e acesso a modelos de IA, mas também ferramentas proprietárias de produtividade — começando pelo Skip, que permite criar aplicações web completas usando apenas linguagem natural.

O foco estratégico da aquisição é claro: posicionar o Skip como a ferramenta de criação de ferramentas internas (internal tools) para pequenas e médias empresas dentro do ecossistema Adapta. A plataforma, que já permite construir aplicações web completas em minutos usando apenas prompts em linguagem natural, será integrada à base de assinantes da Adapta e customizada para atender demandas práticas de gestão, operação e automação de negócios.

"O mercado de PMEs na América Latina tem uma dor clara: falta acesso a software customizado a um custo acessível. O Skip resolve isso. Com IA, qualquer empreendedor pode criar a ferramenta que precisa sem escrever uma linha de código", explica Peters.

A aquisição da Skip é o primeiro movimento de uma estratégia de M&A mais ampla. A Adapta confirma que está avaliando outras oportunidades de aquisição de startups de IA no Brasil, com foco em ferramentas que complementem seu ecossistema e acelerem a adoção de inteligência artificial por profissionais e empresas brasileiras.

"Queremos ajudar as pessoas a se adaptarem e prosperarem na era da IA. Para isso, vamos buscar as melhores soluções do mercado — e, quando necessário, vamos comprá-las", afirma Peters. “Estamos olhando ativamente para outras oportunidades.”

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Google Brasil abre vagas para estágios em engenharia e negócios

13 de Março de 2026, 09:00

O Google Brasil abriu a inscrição do seu programa de estágio e aprendizagem para estudantes do ensino médio e superior. A proposta abrange diversas modalidades e foca em quatro diferentes vertentes, voltadas para equidade racial, negócios, engenharia de software e gestão de projetos.

A jornada dos estágios varia de acordo com o curso selecionado, mas duram entre três a 24 meses. Vale notar que boa parte das posições ofertadas exige atuação presencial nos escritórios do Google nas cidades de São Paulo ou Belo Horizonte, em Minas Gerais. O programa de engenharia de software, no entanto, aceita aplicação de jovens de qualquer lugar do país, desde que possam residir nas cidades citadas.

“Nosso objetivo é oferecer uma experiência prática e estruturada, onde estudantes de diferentes origens e regiões possam aplicar seu conhecimento em desafios reais da tecnologia”, explica a gerente de programas de talentos do Google Brasil, Thais Gomes.

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Candidatos devem se atentar à programação para não perder as inscrições. (Imagem: Google/reprodução)

Quais estágios o Google Brasil oferece?

Um dos estágios voltados em negócios e tecnologia foca em equidade racial para estudantes que se autodeclaram pessoas negras ou indígenas. O Next Step tem duração de 18 meses para quem faz bacharelado em qualquer área, mas que tenha interesse na área de Vendas e Comercial.

O Business Intern Program (BIP) é ligeiramente similar por ser em negócios e segue a mesma cartilha, mas com um tempo de duração menor, de seis meses. Em contrapartida, o Programa de Aprendizagem em Gestão de Projetos dura 24 meses e está disponível para quem terminou o Ensino Médio ou está até no máximo no segundo período de uma graduação técnica ou superior.

Por fim, o estágio Software Engineering Intern Program (SWE+) busca talentos de qualquer região do país, desde que sejam estudantes de bacharelado de cursos como Ciência da Computação, Engenharia de Software ou UX Design. A duração é de somente três meses.

Quem se interessar pelo programa de estágio do Google deve acessar o site oficial para entender as datas de inscrição e outras especificidades.

Nos últimos dias, o Google ampliou a integração do agente de IA Gemini em plataformas como o Drive, Docs, Sheets e Slides. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.

© Google/reprodução

Rage rooms: 'salas da raiva' voltam a ser trend com aumento de estresse no trabalho

13 de Março de 2026, 06:30

Em meio a um cenário de pressão crescente no mercado de trabalho, marcado por jornadas intensas, insegurança profissional e pela rápida adoção de tecnologias como a inteligência artificial (IA), vídeos de pessoas destruindo televisores, garrafas e eletrodomésticos voltaram a viralizar nas redes sociais.

As chamadas rage rooms, salas criadas para quebrar objetos de forma controlada, reapareceram como tendência em diferentes países no TikTok e no Instagram neste início de 2026, frequentemente acompanhadas de relatos de frustração com o trabalho, demissões ou cansaço emocional.

O movimento também cresce no Brasil em um momento em que pesquisas indicam deterioração na relação dos brasileiros com o trabalho. O levantamento global Work Relationship Index 2025, da HP, aponta que apenas 29% dos profissionais do país estão na chamada “zona saudável”.

Na outra ponta, 34% se encontram na “zona crítica”, índice que cresceu 9 pontos percentuais em relação a 2024 e indica avanço do desgaste emocional. Segundo o estudo, 71% dos brasileiros dizem que as exigências das empresas aumentaram no último ano.

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Fonte: Rage Room CT/Instagram

Popularizadas na internet desde 2021, as rage rooms surgiram no Japão como um espaço para liberar emoções reprimidas e passaram a aparecer em diferentes países. No Brasil, o formato ainda é raro. Em São Paulo, há apenas um espaço dedicado à atividade, a Rage Room CT, no Tatuapé.

Para o professor de marketing digital da ESPM, João Finamor, o retorno da tendência segue um padrão recorrente de conteúdos online. “Foi um ciclo que teve início na época da pandemia, por volta de 2021, e agora voltou novamente. Esse movimento é comum no ambiente digital: conteúdos tendem a ser cíclicos e acabam sendo revisitados ao longo do tempo. Como sociedade, as pessoas também resgatam aquilo com que ainda têm algum tipo de conexão”.

Segundo ele, o momento que estamos vivendo favorece esse tipo de conteúdo. “Quando a gente fala do momento atual, estamos em um período muito catártico. As pessoas estão muito estressadas e cansadas. Nesse contexto, esse tipo de conteúdo acaba funcionando também como uma forma de desestressar e gerar algum tipo de conexão”.

Pressão no trabalho aparece entre os motivos

A viralização também acompanha mudanças na relação com o trabalho. O estudo da HP aponta que 39% dos profissionais brasileiros acreditam que as empresas priorizam o lucro em detrimento das pessoas. Ao mesmo tempo, 68% gostariam de passar menos dias presencialmente no escritório, revelando insatisfação com o modelo atual.

Na capital paulista, a Rage Room CT recebe cerca de 250 pessoas por mês, entre quarta-feira e domingo. O funcionamento é simples: o visitante escolhe um pacote de destruição e paga pelos objetos que deseja quebrar durante a sessão.

O espaço oferece experiências de 30 minutos para grupos de até três pessoas e sessões de uma hora para grupos maiores. Antes da atividade, os participantes passam por um briefing com instruções de segurança e recebem equipamentos de proteção. Depois disso, entram na sala preparada para o impacto e começam a destruir os objetos escolhidos.

O perfil do público revela um recorte específico. Segundo o espaço, 98% dos frequentadores são mulheres, com idade entre 20 e 45 anos. Entre as profissões mais comuns estão trabalhadores de tecnologia, psicólogos e terapeutas, professores e profissionais de comunicação.

“A Rage Room CT surgiu como uma forma de aliviar o estresse do dia a dia, funcionando como uma espécie de válvula de escape. O espaço recebe pessoas por diferentes motivos, que vão desde questões pessoais até pressões relacionadas ao trabalho”, afirma a equipe do local.

O desenvolvedor de sistemas Lucas Lopes, de 31 anos, foi uma dessas pessoas. Ele visitou a rage room com uma amiga em um momento de pressão profissional. “Eu fui uma vez porque estava me sentindo estressado com muitas coisas, questões pessoais e, principalmente, do trabalho”, conta.

Segundo ele, a rotina na área de tecnologia pode ser desgastante. “É estressante porque, para mim, o maior problema são os bugs quase inexplicáveis que aparecem às vezes nos códigos e que eu preciso resolver. Além disso, tenho muita responsabilidade e pressão diariamente, o que, a longo prazo, acaba sendo bem desgastante”.

O avanço da IA também tem alimentado incertezas no mercado de trabalho. Segundo a pesquisa Global Hopes and Fears 2025, da PwC, 61% dos brasileiros acreditam que a tecnologia afetará significativamente seus empregos nos próximos três anos. Ao mesmo tempo, o uso dessas ferramentas já faz parte da rotina de muitos profissionais.

Entre desenvolvedores de software, esse processo é ainda mais evidente. Lucas afirma que, no início, tinha dúvidas sobre como a IA afetaria sua profissão, mas passou a incorporá-la no dia a dia de trabalho. “No começo, quando ainda não sabíamos muito bem como as IAs se encaixariam na rotina de trabalho, me atrapalhava bastante. Mas, agora, com a evolução delas, eu uso pra melhorar minhas entregas”, diz.

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Fonte: Arquivo pessoal/Lucas Lopes

Destruição como forma de aliviar tensões

Para Finamor, o sucesso desses vídeos também está ligado à forma como são narrados nas redes sociais. “Todos têm storytelling. Por exemplo: depois de uma demissão, após um término de namoro. Não é simplesmente a pessoa que foi lá quebrar coisas e postar, há um contexto por trás”.

O especialista afirma que o fenômeno também tem um componente geracional. “A geração Z tem uma conexão mais forte com essa questão catártica. Mas sempre dizemos que o millennial é uma geração coringa, porque combina e hibridiza características das outras gerações”.

Entre os vídeos mais comuns estão justamente aqueles que conectam a destruição de objetos a situações emocionais intensas. “Primeiro, há aquela conexão social e cultural, que faz as pessoas se identificarem. Depois vem a questão da catarse emocional. A pessoa está quase explodindo e ver algo explodindo gera uma associação”.

Para quem participa da experiência, o efeito pode ser imediato, ainda que temporário. A ilustradora Giulia Conti, de 23 anos, visitou uma rage room na Itália, onde mora, acompanhando uma amiga. “Foi muito bom, me ajudou bastante a descarregar emoções e problemas que eu já vinha carregando há algum tempo, principalmente questões pessoais. Foi uma experiência muito boa”, afirma.

Ela ressalta que a experiência não resolve todos os problemas. “Não ajuda completamente. Não é como se eu tivesse saído de lá pensando ‘nossa, agora estou bem de novo’. Mas ajudou bastante”.

A psicóloga Marina Akemi Tanabe Duarte afirma que experiências desse tipo podem funcionar como um canal de expressão emocional. “Vejo as rage rooms como uma ferramenta para expressão de emoções, assim como outras práticas perpetuadas socialmente”.

Segundo ela, cada pessoa encontra formas próprias de lidar com sentimentos como raiva ou estresse. “Em alguns casos, ir a uma rage room e descarregar essas emoções pode funcionar, a depender da necessidade e da intensidade do que a pessoa está sentindo”.

A predominância feminina nesses espaços também pode ter explicações sociais. Para a psicóloga, homens historicamente tiveram mais permissividade cultural para expressar agressividade em público, enquanto mulheres são frequentemente pressionadas a reprimir esse tipo de reação.

@ragezoneusa Replying to @Cris🔛🔝 ♬ original sound - Rage Zone

“A mulher, desde que o homem é homem, quando expressa seus sentimentos de maneira ‘inadequada’ aos padrões impostos, é taxada de histérica, emocionalmente desregulada e louca”, afirma.

A possibilidade de que experiências desse tipo incentivem comportamentos agressivos fora desse ambiente também é discutida por especialistas.

Para Marina, no entanto, o risco não está necessariamente na prática em si, mas na forma como as emoções são elaboradas. “Muitas práticas e situações podem igualmente reforçar comportamentos agressivos, não necessariamente a rage room em si. Se é utilizado para descarregar sentimentos em um ambiente controlado e específico para isso, não há por que essa prática resultar em comportamentos agressivos em outros contextos sociais cotidianos”.

A psicóloga ressalta ainda que não existe uma única forma considerada ideal para lidar com emoções intensas. Segundo ela, o ponto central é encontrar maneiras de expressar essas emoções sem causar danos a si mesmo ou aos outros. “A raiva e o estresse, quando não elaborados de alguma forma, podem ter outro destino e, em algumas situações, se tornar adoecedores. É melhor colocar esses sentimentos ‘para fora’ de uma maneira que não cause danos a você ou ao outro”.

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Justiça ordena Stone a reintegrar funcionários demitidos em layoff

12 de Março de 2026, 19:10

A Justiça do Trabalho determinou, nesta quinta-feira (12), que a Stone reintegre todos os funcionários demitidos recentemente. A decisão atende à ação civil pública proposta pelo Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (SINDPD-SP).

Concedida pela juíza da 20ª Vara do Trabalho de São Paulo, Rita de Cássia Martinez, a liminar reconhece a nulidade das demissões diante da falta de intervenção sindical prévia, segundo entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Tema 638. Os cortes afetaram 3% da força de trabalho da fintech.

Prazo para reintegração e multa

De acordo com a magistrada, a empresa de máquinas de pagamento terá que reintegrar os cerca de 370 funcionários dispensados em um prazo de até dez dias. A contagem inicia a partir da publicação da decisão.

  • Em caso de não cumprimento da ordem judicial dentro do prazo estabelecido, a Stone terá que pagar multa;
  • Ficou definido o valor de R$ 500, por dia, para cada contratado que não tiver o seu emprego de volta;
  • O despacho também proíbe a companhia de realizar novas demissões coletivas sem negociação prévia com o sindicato;
  • Para este último caso, a justiça fixou multa de R$ 10 mil para cada novo trabalhador dispensado se a empresa descumprir a determinação.
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Os cortes na força de trabalho da fintech de pagamentos atingiram principalmente o setor de tecnologia. (Imagem: andreswd/Getty Images)

"Essa decisão da justiça deixa uma mensagem clara: trabalhador não é descartável e nem estatística para ser eliminada em um processo de ‘reestruturação’. As empresas precisam respeitar a lei, o diálogo social e a negociação coletiva. Demitir em massa sem conversar com o sindicato é desrespeitar a dignidade de quem constrói diariamente os resultados dessas empresas", disse o presidente do SINDPD-SP, Antônio Neto, em comunicado.

O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação (FENATI), Emerson Morresi, também comemorou a decisão. "Não se trata apenas de um caso isolado, mas de um recado para todo o setor de tecnologia de que demissões coletivas não podem ocorrer à revelia", apontou.

As entidades afirmaram que seguirão acompanhando o caso e o cumprimento da decisão judicial, apoiando os trabalhadores. Já a Stone ainda não se pronunciou sobre a liminar.

Enquanto a empresa justificou as demissões como um "ajuste pontual" na sua estrutura, alguns dos dispensados relataram que foram substituídos por ferramentas de IA. Entenda o caso nesta matéria do TecMundo.

© BrianAJackson/Getty Images

Guerra dos chips: por que a venda de GPUs para IA virou política

12 de Março de 2026, 19:00

O mercado de tecnologia poucas vezes esteve tão envolvido com política quando atualmente. É comum que notícias sobre o lançamento de novos produtos, como chips ou celulares, estejam acompanhados de disputas envolvendo países ou empresas.

Além disso, no setor aquecido e ainda crescente da inteligência artificial (IA), a demanda por GPUs fez com que as fabricantes se direcionassem cada mais para esse setor, gerando demanda crescente de mais componentes por parte das fabricantes e escassez desse e outros componentes para os eletrônicos de consumo.

A situação transformou uma disputa comercial que já era quente em uma série de batalhas políticas, até mesmo no mercado de eletrônicos. A seguir, entenda qual o contexto dessa guerra de chips e por que até mesmo o consumidor pode ser prejudicado.

O que é a atual guerra dos chips?

A atual guerra dos chips é uma disputa estratégica pelo controle da tecnologia, da produção e do acesso a semicondutores avançados, em especial os componentes que são utilizados em diferentes etapas da indústria da IA.

Esse conflito tem alcance global e envolve os planos de determinados países de dominar todo o ecossistema da indústria, desde o design de chips até a fabricação deles, passando pela comercialização dos produtos finalizados por empresas daquele mesmo país.

Como os semicondutores se tornaram estratégicos

Semicondutores são materiais sólidos que tem condutividade elétrica variável, o que significa que podem atuar de forma versátil tanto como condutor quanto na capacidade de isolante. O mais popular da indústria é o silício, hoje é a base material dos processadores.

Esses componentes agora compõem a base material de poder econômico e militar de países com China e Estados Unidos — tanto pela importância deles na indústria quanto por estarem concentrados em poucas regiões, que abrigam matérias-primas, fábricas e responsáveis pela criação dessa tecnologia.

Como avanços de IA hoje representam também a aceleração em indústrias variadas, da medicina até o meio militar, o domínio e o uso de semicondutores viraram formas de medir a relevância de um país no cenário tecnológico global.

Por que GPUs são essenciais para inteligência artificial

As GPUs foram conhecidas por muitos anos como peças de tarefas específicas e mercados como os games. Porém, a estrutura e a capacidade desses processadores gráficos se tornaram também importantes para um melhor desempenho de sistemas de IA.

Modelos modernos e otimizados de GPU possuem um desempenho superior a um conjunto de CPUs de custo similar em tarefas envolvendo redes neurais. Elas incluem tanto a etapa de treinamento quanto as atividades de inferência de grandes modelos de linguagem (LLMs), modelos de voz e sistemas de recomendação.

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A Hopper ou H200, GPU referência para data centers de IA. (Imagem: Divulgação/Nvidia) 

O segredo está no tipo de operação dos chips gráficos: eles trabalham com um processamento paralelo em massa, com os múltiplos núcleos fazendo o mesmo tipo de operação em muitos dados ao mesmo tempo.

Diferença entre CPUs e GPUs

A CPU ou Unidade Central de Processamento é a responsável por executar as principais tarefas de um eletrônico, como o sistema operacional, dispositivos conectados, drivers e programas. Normalmente, ela é chamada de forma generalizada de 'processador'.

Equivalente ao cérebro da máquina, esse componente também envia informações ou comandos para softwares e recebe respostas, que devem ser interpretadas em tempo real para que você utilize aquele dispositivo de forma dinâmica.

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A Intel é especializada em CPUs para computadores. (Imagem: Divulgação/Intel)

Já a GPU, mais conhecida como placa de vídeo, é a Unidade Gráfica de Processamento. Ela é um chip de ação específica e especializada, criado para renderização de elementos visuais em geral — como vídeos, modelos em 3D e jogos.

Na atual onda do mercado de IA, entretanto, ela também passou a ser utilizada em vários processos importantes desse setor — e é justamente isso que causou o desequilíbrio e as brigas internacionais.

Como a disputa por chips virou questão política

Desde o estabelecimento do transistor e a miniaturização de componentes como os processadores, chips têm uma importância tecnológica. 

Porém, é apenas recentemente que os semicondutores viraram uma verdadeira infraestrutura estratégica de poder econômico e militar, em especial pelo envolvimento com IA. A demanda elevou a importância de empresas do setor, enquanto países apostam cada vez mais nessa área.

Países e empresas no centro da guerra tecnológica

Embora todo o planeta participe direta ou indiretamente dessa disputa, já que ela afeta produtos vendidos nos mais diversos países, algumas regiões são consideradas chave para entender esse cenário.

  • A China tem um papel central por ser uma das maiores economias do mundo e investir pesado no setor de tecnologia. Ela também é o polo de extração e processamento das terras raras, minérios de grande importância para essa e outras indústrias;
  • Os EUA seguem como o mercado mais relevante de chips por abrigar uma alta quantidade de empresas e consumidores. A força política é um diferencial, inclusive na aplicação de sanções ou tarifas a países adversários e no protecionismo em relação às tecnologias proprietárias, como o design de chips ou softwares inteiros;
  • Taiwan é outra peça importante. Considerada independente pelos próprios moradores e território chinês pelo país asiático, ela é sede da atual maior fabricante de chips do mundo, além de outras companhias do setor. Ela também é uma região populosa em especialistas de engenharia;
  • Em uma camada abaixo de importância, regiões como Coreia do Sul, Japão e Países Baixos (Holanda) se destacam pela presença pontual de certas indústrias — como a produção de memórias de sul-coreanas como a Samsung e as máquinas de litografia da ASML, presentes no país europeu.

Já entre as companhias, também há nomes que são relevantes na situação atual do mercado de semicondutores:

  • A Nvidia, atual empresa mais valiosa do mundo, segue como especialista em GPUs e se adaptou para se tornar uma empresa focada em IA e fornecer chips avançados para uso em data centers;
  • A TSMC, maior fabricante de semicondutores do mundo, tem a demanda cada vez maior de clientes de IA e segue como referênia na produção de chips para eletrônicos de consumo;
  • A estadunidense Intel, que superou uma grave crise e é uma das armas do governo dos EUA para ser referência nacional na produção de chips para além da referência atual em CPUs para PCs;
  • Huawei e SMIC, fabricantes chinesas que estão fortalecendo o ecossistema nacional de GPUs para IA com desempenho equiparado aos componentes estrangeiros.

Impactos globais da guerra dos chips

Essa disputa tecnológica já provocou mudanças em áreas como economia e geopolítica. Pela receita movimentada e a presença em tantos produtos, de computadores e celulares até carros, os chips viraram questão de segurança nacional.

Exemplo disso é o envolvimento direto do presidente dos EUA, Donald Trump, na autorização ou não da venda de chips avançados da Nvidia para IAs de outros países, como a China — algo que seria bom para a companhia em termos de receita, mas poderia "armar" tecnologicamente uma nação inimiga.

Por outro lado, há uma nova corrida de empresas por cada vez mais desempenho e eficiência rapidamente. Companhias chinesas em especial estão investindo em tecnologia própria e nacional, após as limitações impostas por outros países.

O resultado é um ecossistema polarizado: EUA e China estão cada vez mais concentrados de lados opostos em termos de ecossistema tecnológico, com os parceiros comerciais desses países sendo pressionados a reforçarem a aliança e não negociar com o outro.

Efeitos no mercado de tecnologia

Mesmo com a disputa ainda longe do fim, já foram várias as consequências globais no desequilíbrio da demanda por chips. Elas estão relacionadas com o próprio desenho da indústria de semicondutores, que parece estar se adaptando ao novo cenário.

O que mais é sentido pelo consumidor é a variação nos preços desses componentes, seja em peças avulsas ou eletrônicos já montados — afinal, com o custo de produção e compra elevados, a fabricante tende a repassar ao menos parte desse valor para o público. Uma série de marcas já confirmou que a alta no valor final dos produtos é inevitável, ou então já elevou os preços antecipadamente.

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Não são apenas GPUs: as RAM DDR4 também dispararam nos últimos meses pela escassez. (Imagem: Reprodução/NSL)

Além disso, é esperado o fechamento ou a saída de empresas grandes e pequenas de mercados para o consumidor, seja porque a marca perdeu o mercado ou vai migrar totalmente para a IA. Este último é o caso da Micron, que abandonou a tradicional linha Crucial de RAM e SSDs.

Isso já tem efeitos imediatos, como a própria Nvidia confirmando que o cenário do mercado de GPUs gamers será de escassez para os próximos meses. Com até mesmo países inteiros direcionando esforços para a IA, aparelhos acabam ficando em segundo plano.

© hh5800/Getty Images

O desafio de desaprender na era da IA

12 de Março de 2026, 18:50

Publicado na semana passada, Labor Market Impacts of AI: A New Measure and Early Evidence é o estudo mais detalhado já produzido pela Anthropic sobre o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho. Analisou mais de um milhão de conversas reais com o Claude, mapeou mais de 20 mil tarefas profissionais e criou uma métrica chamada “observed exposure”, a distância entre o que a IA é teoricamente capaz de fazer e como está sendo efetivamente usada nas organizações.

Para profissionais de computação e matemática, modelos de linguagem são teoricamente capazes de executar 94% das tarefas. Em funções administrativas, o gap é semelhante. O vermelho, adoção real, é uma fração do azul, capacidade possível.

O próprio paper identifica o problema e indica que a diferença entre a exposição atual à IA e a exposição potencial é muito grande, abrindo a possibilidade de maior disrupção adiante. Mas há uma dimensão que o estudo não captura.

O problema das fotografias

O paper mede um momento. Uma fotografia de onde a adoção chegou em relação ao que já é possível. É uma contribuição valiosa para gestores que precisam entender o presente.

Mas o presente não é onde o risco mais relevante se esconde.

A fronteira azul não é estática. Enquanto o vermelho tenta alcançar o azul atual, os modelos continuam avançando e expandindo o próprio azul em velocidade provavelmente superior à velocidade da capacidade de qualquer organização absorver o que já existe no mundo teórico. Não por falha das empresas, mas porque a capacidade teórica se expande mais rápido do que a fricção corporativa — legal, cultural, regulatória — permite.

É preciso mudar o foco e observar o “vazio”, o espaço além do que a teoria nos permite enxergar hoje. Não o vermelho do que já foi adotado, nem o azul do que já se sabe possível. Mas o branco do que ainda não tem contorno, mas que ganhará forma em 18 a 36 meses.

Fonte: https://www.anthropic.com/research/labor-market-impacts “Theoretical capability and observed exposure by occupational category. Share of job tasks that LLMs could theoretically perform (blue area) and our own job coverage measure derived from usage data (red area).”

É nesse espaço que o risco real se prepara, silenciosamente.

Execute, Adapt, Unlearn

A partir dessa observação desenvolvemos um framework de três círculos para avaliar prontidão organizacional diante da expansão da IA.

Execute é o círculo interno, no domínio do conhecido. Aqui a organização opera o que já sabe, com processos estabelecidos e métricas de eficiência. É onde a maioria das análises de impacto da IA se concentra e onde os resultados são mais visíveis.

Adapt é o círculo intermediário, no domínio da mudança. A organização precisa de abertura para absorver o que já é tecnicamente possível, mas ainda não foi internalizado. A métrica aqui não é velocidade, mas permeabilidade. A capacidade de mudar sem quebrar.

Unlearn é o círculo externo, no domínio do desconhecido em mutação. Aqui as métricas do passado deixam de funcionar. Eficiência, velocidade, ROI — todos são instrumentos calibrados para o que já existe. No espaço branco, a única métrica útil é a qualidade da experimentação: a capacidade de errar com aprendizado, de desaprender ativamente para explorar o que ainda não tem forma.

Perguntas diferentes para contextos diferentes

O C-level gerencia a tensão entre Execute e Adapt. A execução, acelerar adoção, reduzir fricção, transformar capacidade teórica em operação real. Roadmaps, change management, e indicadores de cobertura. O horizonte é o que cabe no balanço.

O board monitora a distância entre Adapt e Unlearn. A prontidão organizacional, que indica a capacidade da empresa de navegar de forma consciente quando o azul se expande e engloba o que hoje está no espaço branco. O horizonte é o que ainda não tem nome.

A maioria dos modelos de maturidade de IA disponíveis hoje está calibrada para a tensão Execute/Adapt. Perguntam “quão bem está sendo adotado?” quando a pergunta estratégica do board deveria ser: “quão bem estamos organizacionalmente preparados para o que ainda não sabemos que virá?”. Esse é o tipo de pergunta que estamos interessados na Comissão do Futuro da Governança, no IBGC - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

São perguntas fundamentalmente diferentes e, por isso, exigem instrumentos igualmente fundamentalmente diferentes.

O que medir no espaço branco

A pergunta sobre prontidão para o círculo Unlearn não tem resposta fácil.

Se o CA só consegue avaliar a IA com métricas de eficiência e velocidade de adoção, ele está, na prática, navegando o futuro com instrumentos do passado. O espaço branco não é um vácuo temporário que a adoção eventualmente preencherá. É o espaço onde decisões estratégicas são tomadas sem consciência do risco real e onde as organizações mais bem preparadas construirão vantagem antes que o risco se torne visível para todos.

Prontidão para o Unlearn não se mede com quantas ferramentas de IA a empresa adotou. Mede-se pela capacidade da organização de experimentar sem garantia de retorno, de errar sem punição, de desaprender uma certeza operacional antes que ela se torne um obstáculo.

É uma métrica de cultura antes de ser uma métrica de tecnologia.

The 42* question

Se sua organização precisasse desaprender uma certeza estratégica hoje para estar pronta amanhã, qual seria ela? E quem no seu conselho está fazendo essa pergunta?
 

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YouTube supera Disney e se torna a maior empresa de mídia do mundo, mostra estudo

11 de Março de 2026, 16:30

O YouTube se tornou a maior empresa de mídia do mundo em receita, superando a Disney, ao registrar US$ 62 bilhões em 2025, o equivalente a R$ 321,9 bilhões pela cotação atual. É o que aponta um estudo da MoffettNathanson, divulgado na segunda-feira (9).

Antiga detentora do título, a The Walt Disney Company teve receita de US$ 60,9 bilhões (R$ 316,2 bilhões) no mesmo período, caindo para a segunda posição. Vale destacar que o faturamento se refere apenas ao setor de mídia da gigante do entretenimento, deixando de fora produtos e parques.

Números em alta do YouTube

De acordo com a consultoria financeira, a plataforma de vídeos do Google começou a escalada rumo ao topo em 2024, quando gerou US$ 50 bilhões (R$ 259,6 bilhões) em receita, se aproximando da concorrente. Grande parte do sucesso vem da publicidade.

  • No quarto trimestre do ano passado, o streaming alcançou US$ 11,4 bilhões (R$ 59,2 bilhões) em receita publicitária, fechando o total anual com mais de US$ 40 bilhões (R$ 207,7 bilhões);
  • Mas a plataforma tem outras boas fontes de receita, que contribuíram para o resultado positivo;
  • O negócio de assinaturas, que inclui YouTube Premium, YouTube Music, NFL Sunday Ticket e YouTube TV, está entre os destaques;
  • São cerca de 10 milhões de assinantes apenas no YouTube TV, atualmente, e estima-se que a plataforma vai superar operadoras de TV paga líderes nos Estados Unidos em alguns anos.
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Os bons resultados financeiros apresentados pelo YouTube foram registrados em 2025, levando a marca ao topo. (Imagem: Zulfugar Karimov/Unsplash)

O relatório destaca, ainda, o enorme volume de recursos distribuídos pelo serviço aos criadores de conteúdo, empresas de música e parceiros de mídia. Foram mais de US$ 100 bilhões (R$ 519,3 bilhões) repassados no ano passado.

"Nos próximos anos, diferentemente de quase todos os outros ativos que analisamos, acreditamos firmemente que o YouTube será um dos principais beneficiários tanto dos fatores estruturais favoráveis quanto dos fatores desfavoráveis que as empresas de tecnologia e mídia enfrentam", previu a consultoria.

Grande valorização de mercado

Com os resultados apresentados pelo streaming do Google em 2025, a plataforma se consolida como a mais valorizada do mercado no segmento, conforme o estudo, ficando muito à frente da rival mais próxima.

A MoffettNathanson estima que o YouTube esteja avaliado entre US$ 500 bilhões e US$ 560 bilhões (de R$ 2,59 trilhões a R$ 2,90 trilhões), no momento. A Netflix é a segunda colocada, com valor de mercado de US$ 409 bilhões (R$ 2,12 trilhões).

Classificando o YouTube como "o novo rei de todas as mídias", a consultoria também apontou o alcance global, os investimentos em inteligência artificial e a capacidade de distribuição de conteúdos como outros pontos positivos da empresa.

Sabia que o YouTube terá anúncios que não poderão ser pulados no app para smart TVs? Confira mais detalhes nesta matéria do TecMundo.

© Nordwood Themes/Unsplash

A IA de voz como infraestrutura de inclusão e continuidade da identidade

10 de Março de 2026, 15:50

A voz é uma das expressões mais fundamentais da identidade humana. Por meio dela comunicamos ideias, emoções e singularidades. Durante décadas, perder a capacidade de falar ou cantar significou, na prática, a perda de autonomia e presença no mundo.

No entanto, os avanços recentes na engenharia de áudio baseada em inteligência artificial estão redefinindo esse cenário, transformando a voz em algo que pode ser preservado, reconstruído e, em muitos casos, devolvido.

Esse avanço representa uma mudança estrutural na relação entre tecnologia e expressão humana. Agora, a IA de voz passou a ocupar um papel mais profundo: o de infraestrutura de inclusão, acessibilidade e continuidade da identidade.

O caso do músico britânico Patrick Darling ilustra com clareza essa transformação. Diagnosticado com uma doença degenerativa que comprometeu progressivamente sua capacidade de falar e cantar, ele viu sua trajetória artística ser interrompida.

Vocalista da banda The Ceili House Band, Patrick construiu sua vida em torno da música e da própria voz. Com o progresso da doença, a comunicação passou a depender de tecnologias assistivas, mas a expressão artística parecia fora do seu alcance.

A partir de gravações feitas antes da progressão da doença, foi possível recriar digitalmente sua voz com fidelidade permitindo tanto a comunicação quanto sua interpretação musical. O retorno aos palcos, com auxílio da tecnologia, foi a restauração de uma parte essencial de sua identidade.

Essa transformação no caso de Patrick sinaliza uma mudança mais ampla. Mais do que recriar sons, a engenharia de áudio baseada em IA recria continuidade. A comunicação deixa de ser interrompida por limitações físicas e passa a ser sustentada por uma camada tecnológica capaz de preservar características únicas, como timbre, ritmo e entonação.

Isso permite que a pessoa continue sendo reconhecida como ela mesma, mesmo diante de mudanças profundas em sua condição física. O relato foi apresentado durante o Summit da ElevenLabs, realizado em Londres, onde o artista voltou a interpretar suas próprias composições diante de uma audiência global.

Historicamente, muitas soluções ofereciam substituições genéricas, com vozes padronizadas e pouco personalizadas. Embora funcionais, essas abordagens frequentemente criavam uma sensação de distanciamento entre a pessoa e sua forma de comunicação.

A nova geração de IA de voz elimina essa barreira, permitindo que a tecnologia amplifique o indivíduo em vez de substituí-lo. Na economia criativa, a voz é um ativo central para artistas, dubladores, criadores de conteúdo e profissionais da comunicação.

A capacidade de preservar e proteger esse ativo abre novas possibilidades de continuidade de carreira, proteção de propriedade intelectual e expansão criativa.

Nesse contexto, iniciativas como o ElevenLabs Impact Program refletem um movimento mais amplo de democratização do acesso a essas tecnologias. Ao disponibilizar recursos para pessoas que perderam a voz e para organizações sem fins lucrativos, esse tipo de programa contribui para reduzir barreiras históricas e ampliar o acesso à comunicação personalizada.

A acessibilidade deixa de ser tratada como um recurso complementar e passa a ser integrada desde o início no desenvolvimento tecnológico. Essa mudança de abordagem é fundamental para garantir que os avanços em inteligência artificial beneficiem um espectro mais amplo da sociedade, e não apenas contextos comerciais ou operacionais.

À medida que avançamos, a engenharia de áudio baseada em IA tende a evoluir de forma significativa, tornando-se mais precisa, acessível e integrada. Essa evolução também terá implicações profundas na forma como pensamos sobre comunicação, criatividade e inclusão.

O próximo ciclo da inteligência artificial não será definido por sua capacidade de automatizar tarefas, mas por sua capacidade de preservar a humanidade. Quando utilizada de forma responsável, a IA amplifica a capacidade humana de existir, se expressar e permanecer presente no mundo.

Devolver a voz a alguém é devolver mais do que a capacidade de falar ou cantar. É devolver autonomia, identidade e conexão. E esse talvez seja um dos exemplos mais claros de como a tecnologia pode cumprir seu papel mais importante: servir como uma extensão do potencial humano.

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Anthropic processa governo dos EUA após ser classificada como ameaça à segurança nacional

10 de Março de 2026, 15:00

A Anthropic processou o Departamento de Guerra dos Estados Unidos após ser incluída em uma lista de ameaças à segurança nacional. A empresa responsável pela inteligência artificial Claude afirma que a classificação é ilegal, viola o devido processo legal e fere seu direito à liberdade de expressão.

O processo foi registrado em uma corte federal da Califórnia. Na ação, a Anthropic pede que seja removida da lista de ameaças nacionais e que seus serviços deixem de ser proibidos em agências do governo. Apesar da restrição, o Claude teria sido utilizado para auxiliar no ataque ao Irã após a decisão, segundo informações do Wall Street Journal.

Na quinta-feira (5), a Anthropic foi rotulada como uma empresa que oferece “risco à cadeia de suprimentos” dos Estados Unidos. A classificação impede que a IA Claude seja usada por empresas contratadas pelo governo em atividades relacionadas às Forças Armadas do país.

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A Anthropic processou o Departamento de Guerra por classificá-la como ameaça à cadeia de suprimentos. (Fonte: Anthropic/Reprodução)

Anthropic rejeitou acordo com os EUA

A restrição foi aplicada após a empresa se recusar a flexibilizar termos de um acordo com o Departamento de Guerra. Segundo a Anthropic, a companhia não autorizava o uso de sua tecnologia para monitoramento de cidadãos ou para alimentar armas autônomas.

“Essas ações são sem precedentes e ilegais. A Constituição não permite que o governo use seu enorme poder para punir uma empresa por sua liberdade de expressão”, afirmou a Anthropic no processo judicial.

De acordo com o site Axios, a Casa Branca prepara uma ordem executiva formal determinando que todo o governo federal remova tecnologias de inteligência artificial da Anthropic de suas operações.

OpenAI aceitou acordo com os EUA

A OpenAI, por outro lado, chegou a firmar um acordo com o Departamento de Guerra. A princípio, os termos seriam bastante semelhantes aos propostos à Anthropic, embora a empresa tenha enfrentado críticas públicas após o anúncio.

Com a ação judicial, a Anthropic não busca indenização financeira. O objetivo é que o tribunal declare inválida a classificação da empresa como ameaça à cadeia de suprimentos do governo dos Estados Unidos.

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© Robert Way/Getty Images

Duplicata escritural: a nova infraestrutura que vai potencializar o crédito para PMEs

10 de Março de 2026, 14:45

Se eu começar falando em duplicata escritural na coluna deste mês, sei que parte dos leitores pode torcer o nariz. O nome é técnico e, à primeira vista, parece distante da rotina de quem empreende. Mas, apesar do termo complicado, estamos falando de algo com potencial real de transformar a maneira como pequenas e médias empresas acessam crédito no Brasil.

A duplicata, na essência, é simples. Trata-se do registro de uma venda a prazo entre empresas. Quando uma companhia vende com o pagamento em 30, 60 ou 90 dias, ela gera um direito de receber aquele valor no futuro. Esse direito pode ser antecipado junto a uma instituição financeira. A lógica é parecida com a do cartão de crédito: o lojista vende hoje, receberia em 30 dias, mas pode antecipar esse valor pagando uma taxa. A diferença é que, no caso das duplicatas, historicamente o processo foi menos padronizado e menos transparente do que no mercado de cartões, que já opera há anos com regras claras e infraestrutura consolidada.

Por muito tempo, a antecipação de duplicatas funcionou com informações descentralizadas e pouca interoperabilidade. Nem sempre era simples verificar se aquele recebível já havia sido usado como garantia em outra operação ou se existia algum ônus sobre ele. Essa assimetria de dados limitava a concorrência. Quem tinha mais informação conseguia ofertar crédito. Quem não tinha, cobrava mais caro para compensar o risco.

É nesse ponto que entra a agenda regulatória do Banco Central. A duplicata escritural passa a exigir o registro eletrônico do título em entidades autorizadas, com regras claras sobre emissão, cessão e vinculação como garantia. Na prática, estamos organizando um mercado que movimenta cerca de R$ 11 trilhões por ano no país. Hoje, apenas cerca de 20% desse volume é efetivamente utilizado como garantia em operações de crédito e, como podemos ver, há um potencial enorme subaproveitado.

Estamos agora em uma etapa decisiva: a fase de testes bilaterais da duplicata escritural. Essa etapa valida a interoperabilidade entre as registradoras que vão operar o novo modelo. Em termos simples, significa garantir que os sistemas conversem entre si, que um título registrado em uma entidade possa ser consultado e reconhecido por outra, com as mesmas informações. Isso reduz o risco de duplicidade, evita conflitos sobre titularidade e cria uma base mais confiável para a concessão de crédito.

Quando a informação passa a ser padronizada, rastreável e compartilhável dentro de um ambiente regulado, o risco operacional diminui. A instituição financeira consegue verificar a existência do recebível, sua autenticidade e se ele já está vinculado a outra operação. Com menos incerteza, a tendência é que mais recebíveis sejam aceitos como garantia e que mais players disputem esse mercado. A formalização abre espaço para uma concorrência mais equilibrada.

Penso nesse movimento como uma espécie de open finance dos recebíveis. Assim como o compartilhamento estruturado de dados bancários ampliou ofertas e reduziu fricções, a duplicata escritural cria as bases para que bancos, fintechs e novos entrantes possam competir em condições mais transparentes. Para quem concede crédito, o ambiente fica mais seguro. Para quem precisa contratar, ele tende a se tornar mais democrático.

As pequenas e médias empresas possivelmente estarão no centro dessa transformação. São elas que mais sofrem com crédito caro e restrito, muitas vezes por falta de garantias estruturadas. Ao formalizar e registrar seus recebíveis, essas empresas passam a ter ativos mais facilmente reconhecidos pelo sistema financeiro. Um fluxo de vendas consistente, quando devidamente registrado, deixa de ser apenas uma expectativa de caixa e passa a ser um instrumento financeiro com maior poder de alavancagem.

Há ainda um ponto que considero decisivo: o papel das empresas de tecnologia, especialmente SaaS e ERPs. Essas plataformas acompanham o ciclo completo da operação das PMEs, do faturamento ao contas a receber. Elas conhecem o histórico de pagamentos, a recorrência de clientes, a sazonalidade do negócio. Com a duplicata escritural integrada a esse ecossistema, é possível conectar o dado operacional ao mercado de crédito de forma mais inteligente.

Na prática, um ERP que já registra a emissão da nota e controla o recebimento pode estruturar esse dado para registro e, a partir daí, viabilizar ofertas de antecipação mais alinhadas ao perfil daquela empresa. Uma PME com histórico sólido e previsível pode acessar taxas mais competitivas porque o risco é melhor mensurado.

Ainda estamos em um processo de implementação regulatória e ajustes certamente virão, mas já podemos enxergar a duplicata escritural como uma mudança estrutural. Não é apenas a digitalização de um documento que antes podia circular de forma menos controlada. É a criação de uma infraestrutura de mercado que aumenta a segurança, a rastreabilidade e a transparência. E quando você combina esses três elementos em um mercado de R$ 11 trilhões, o impacto potencial sobre o crédito empresarial é extremamente relevante.

No fim do dia, estamos falando de infraestrutura. De transformar um instrumento tradicional em uma base mais sólida para financiamento. Podemos, a partir disso, criar ainda mais condições para que pequenas e médias empresas tenham mais alternativas, mais competição entre ofertantes e, idealmente, melhores condições para crescer.

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Site pirata processado em US$ 13 trilhões é alvo de nova ação judicial

10 de Março de 2026, 14:00

Um grupo formado por várias editoras de renome na indústria abriu um processo contra um site conhecido por disponibilizar livros e artigos acadêmicos. É o Anna's Archive, acusado de pirataria e infração de direitos autorais em nova ação judicial.

A aliança de 13 integrantes da indústria inclui nomes como Penguin Random House, Elsevier e HarperCollins — todas relevantes no meio acadêmico, fonte de muitas das obras fornecidas pela página. A acusação é de que a plataforma tem níveis "impressionantes" de conteúdo pirata.

O mesmo site já foi alvo de um processo de grandes proporções do Spotify por obter os arquivos de música da plataforma de streaming, com o pedido de uma indenização que poderia chegar a US$ 13 trilhões (ou mais de R$ 68 trilhões em conversão direta de moeda).

O novo processo contra o Anna's Archive

  • A dificuldade ao encerrar as atividades da página está na estrutura dela. O site não revela quem são os responsáveis pelo projeto e está constantemente trocando de servidores e domínios, para evitar que ele fique totalmente fora do ar em algum momento;
  • Até por isso, dificilmente as editoras terão acesso à multa pedida, que envolve a acusação de pirataria de 63 milhões de livros e 95 milhões de artigos acadêmicos, a uma taxa de downloads que supera os 763 arquivos baixados por dia;
  • O processo cita ainda que o site facilita o acesso a essas obras por grandes modelos de linguagem (LLMs), que são a base de ferramentas de inteligência artificial (IA). Plataformas chinesas, russas e até a Meta já teriam usado material da página;
  • Os advogados das editoras também acusam o Anna's Archive de oferecer um acesso premium com vantagens para quem fizer uma 'doação' de US$ 200 mil (pouco mais de R$ 1 milhão), voltado inclusive para essas empresas de IA.

Apesar de pedir US$ 19,5 milhões (ou R$ 102 milhões), o grupo tenta encontrar uma saída alternativa para impedir os trabalhos desse serviço. A ideia é afetar a infraestrutura do Annas's Archives, a partir de uma liminar que exija a retirada dos conteúdos do ar e que os domínios sejam encerrados — uma tarefa que seria direcionada para data centers e serviços de hospedagem, não ao próprio acusado.

Até agora, o processo não começou a ser julgado. O Anna's Archive também não se manifestou oficialmente sobre o caso.

Pagar todos os streamings ficou inviável? Por que o brasileiro voltou a recorrer à pirataria? Entenda a situação nesta matéria!

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Samsung mantém posto de maior empresa de TVs, mas TCL avança rápido

10 de Março de 2026, 13:30

A Samsung conquistou mais uma vez o posto de maior marca de TVs do mundo, segundo levantamentos das firmas de mercado Counterpoint Research e Omdia. Com a nova conquista, a gigante sul-coreana abocanha mais de 29% do mercado de televisores globais, mas a rival TCL segue em uma crescente e vem logo atrás.

A Counterpoint foi a primeira a indicar a posição isolada da Samsung no ranking, mas logo depois a própria empresa confirmou o feito através da Omdia. O time sul-coreano domina especialmente o segmento de TVs entre US$ 1.500 e US$ 2.500 (entre R$ 7.700 e R$ 12.900) com 54,3% desse mercado.

O estudo da Counterpoint sugere que a Samsung bateu 17% do total de televisores vendidos no fim de 2025, marcando um leve declínio contra os 18% do ano anterior. A TCL, por sua vez, fica logo atrás com seus 16% de envios, e a também chinesa Hisense ocupa a terceira colocação.

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TCL deve ganhar ainda mais mercado nos próximos anos. (Imagem: Counterpoint Research)

É interessante notar que a LG continua com uma porcentagem bem tímida do mercado de televisões. Diferente da Hisense, que teve uma queda no número de produtos vendidos, a TCL segue em uma crescente bem consistente ao longo dos anos, enquanto a Samsung se mantém em um patamar de estabilidade contínua.

Marcas chinesas ganham tração

A Samsung já é uma das marcas mais populares no Brasil, seja para TVs, smartphones ou notebooks. Porém, o crescimento rápido da TCL se dá pelo poder de investimento em produtos de alta qualidade nos últimos anos. “Ao oferecer tecnologias de alta definição, como o Mini LED à preços competitivos, a TCL obteve uma ótima resposta em mercados emergentes, como a Europa Oriental, Oriente Médio e África”, explica o diretor associado da Counterpoint, Sujeong Lim.

  • A Samsung anunciou a tecnologia de Micro RGB inédita para suas televisões em agosto do ano passado;
  • Com forte presença em todos os setores, a sul-coreana é uma das principais escolhas de modelos 4K no mercado brasileiro;
  • A Counterpoint indica que marcas chinesas, como TCL, Hisense e até a Xiaomi estão aumentando sua participação em diversos segmentos;
  • O Mini LED se tornou um dos principais atrativos por parte dessas companhias, que se traduzem em um alto volume de vendas;
  • Pouco popular no mercado chinês, a LG soma bons números graças ao momento imponente na América do Norte e América Latina;
  • Com a nova pesquisa, a Samsung manteve seu posto como maior marca de TVs nos últimos 20 anos.

O próximo passo da companhia e suas concorrentes é correr para a popularização desses modelos com tecnologia Micro RGB. Esse recurso é considerado a próxima evolução das telas, já que descarta o uso de luzes brancas e opera com LEDs individualizados muito pequenos.

A Samsung também obteve uma vitória judicial contra a própria TCL por usar publicidade enganosa para promover modelos QLED na Alemanha. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.

© Samsung

'Vai impactar o preço', diz presidente da Motorola Brasil contra aumento de imposto de importação

10 de Março de 2026, 13:00

Mesmo que revogada em partes, a alta na taxa de importação de aparelhos e insumos de tecnologia pode aumentar os preços no Brasil mesmo de produtos fabricados por aqui, como os smartphones. A avaliação é de Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola no Brasil, que falou de maneira exclusiva com o TecMundo nesta terça-feira (10).

“Nós estamos em conversas constantes com os órgãos de estado e de governo porque apoiamos que esse aumento não seja aplicado, porque ele vai impactar o preço final”, destacou.

O assunto sobre a taxa de importação viralizou em fevereiro. O governo, através da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, havia aprovado uma resolução aumentando em até 7,5 pontos percentuais a alíquota de mais de 1,2 mil produtos eletrônicos.

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Rodrigo Vidigal (à esquerda), Sérgio Bunianc (centro) e José Cardoso (à direita) são CEO do Brasil, CEO global e CEO Latam da Motorola, respectivamente. (Imagem: Carlos Palmeira/TecMundo)

Após reclamações da comunidade gamer e influenciadores de tecnologia, o imposto de 15 produtos voltou ao patamar anterior. Além disso, outros 105 produtos tiveram as alíquotas zeradas. Depois do recuo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a dizer que não houve nenhum passo atrás, já que havia conversas com os setores estratégicos e possíveis distorções poderiam ser corrigidas.

Assim como alguns especialistas consultados pelo TecMundo na época dos debates sobre o aumento, Vidigal explicou que apesar de a Motorola fabricar os dispositivos no Brasil (nas fábricas em Manaus e Jaguariúna), os componentes são importados.

“Hoje, nos smartphones, 85% dos componentes são importados e apenas 15% são fabricados no país, como é o caso dos carregadores. E mesmo a memória que é produzida no Brasil utiliza componentes importados”, exemplificou.

O presidente da Motorola no Brasil disse que a junção desse aumento de imposto de importação somado com o cenário atual de alta taxa de juros com certeza trará impacto aos consumidores.

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Segundo Vidigal, o assunto é tratado com o governo federal pela Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que é quem representa a Motorola e outros fabricantes.

Expectativas para 2026

A entrevista com o presidente da Motorola no Brasil foi realizada durante evento de lançamento da linha 2026 de produtos da marca. Dentre as novidades, a marca da Lenovo está trazendo ao país o Motorola Signature, três novos celulares da linha Edge (Edge 70, Edge 70 Fusion e Edge 70 Fusion+), smartwatch e mais.

Apesar de destacar o quão desafiador é atuar no mercado nacional, Vidigal argumentou que a Motorola está ancorada em uma estratégia sólida para conseguir crescer.

Os executivos da empresa costumam defender que a marca possui alguns diferenciais competitivos importantes, como o caso da estratégia Lifestyle-tech. Ela é uma campanha que defende que além de produtos inovadores, a Motorola oferece itens estéticos com design sofisticado.

“[O Lifestyle-tech] é o que realmente vem diferenciando a marca e permitindo e viabilizando esse crescimento, além de uma adoção cada vez maior pelos jovens e uma aceitação pelo público feminino”.

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O Motorola Edge 70 FIFA é banhado a ouro 24k. (Imagem: Carlos Palmeira/TecMundo)

O executivo lembrou ainda de itens exclusivos como os que compõem a linha Collections, como é o caso dos celulares e fones de ouvido com Swarovski, e o vindouro Motorola Edge 70 Fusion FIFA Edition, que vai desembarcar no Brasil em abril.

“O Brasil está entre os três maiores mercados da Motorola no mundo e globalmente é o quarto maior mercado [de celulares] atrás de China, Índia e Estados Unidos”, diz.

E apesar de não quantificar a expectativa de crescimento para 2026, Vidigal afirma que a empresa trabalha para crescer a participação no mercado nacional (que é de 30% no setor de celulares).

*O jornalista viajou para Porto Feliz (SP) a convite da Motorola.

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Meta compra rede social Moltbook, usada por agentes de IA

10 de Março de 2026, 12:25

A Meta, dona do Facebook, WhatsApp e Instagram, adquiriu a rede social feita para agentes de inteligência artificial (IA) Moltbook. A rede ganhou popularidade no início de 2026 após viralizar por essa proposta, já que não aceita postagens de usuários humanos.

De acordo com a Meta, a Moltbook fará parte da divisão Meta Superintelligence Labs (MSL). Os criadores do projeto, Matt Schlicht e Ben Parr, agora trabalham diretamente para a companhia. Os detalhes do acordo e o valor da aquisição não foram revelados.


A rede social viralizou por causa do projeto OpenClaw, já que ambos trabalham em conjunto. Ele é usado para configurar e gerenciar um agente personalizado de IA, que passa a interagir na rede social "como os humanos". Ele chega a ser até considerado um "Reddit para bots", criando temas variados, postando mensagens, respondendo a outros bots e até se organizando em votações.

“A entrada da equipe do Moltbook na MSL abre novas possibilidades para que os agentes de IA trabalhem para pessoas e empresas”, diz um porta-voz da Meta. De acordo com a Axios, os atuais usuários do Moltbook seguirão com acesso normal, mas isso pode ser temporário.

Rede social polêmica

Tanto o Moltbook quanto o OpenClaw já são projetos considerados polêmicos. Os “usuários” (agentes de IA) já teriam fundado uma religião e criado um site pornô e até rendeu “desabafo” sobre questões com usuários humanos. A maior acusação, porém, é de que as postagens são feitas por humanos, e não pela IA.

© Foto: Wellington Arruda/TecMundo

Home office: 30 vagas para trabalho remoto internacional [08/03]

8 de Março de 2026, 19:00

Em busca de oportunidade de trabalho 100% remota e no mercado internacional? Essa é a sua chance de encontrar aquele home office dos sonhos! O TecMundo e a Remotar selecionaram as melhores vagas nas áreas de Tecnologia, Design, Marketing e outras áreas para você. Confira a lista! 

Vagas em áreas Administrativa, Marketing e Vendas 

De modo geral, aqui concentram-se vagas fora da área de Tecnologia, como vagas da administrativa, financeira, vendas, marketing e recursos humanos.

Vagas para Design, Produto e Tecnologia da Informação 

Design UX, UI, Produto, e todas as áreas relacionadas à Tecnologia e Programação você confere na lista abaixo. 

Não encontrou a oportunidade que buscava? Acesse o site da Remotar e confira as demais vagas de trabalho remoto disponibilizadas na plataforma.   

© Getty Images

10 notícias mais importantes da semana (02/03 a 06/03)

7 de Março de 2026, 06:00

Bom dia! Para se manter atualizado neste início de sabadão (07), o TecMundo separou tudo o que rolou de mais importante nesta semana (02 a 06 de março). Além de várias notícias sobre tecnologia e ciência, o mundo do entretenimento e dos games também foram bastante movimentados no período.

Logo na segunda-feira (02), a Xiaomi apresentou a versão global do Xiaomi 17. Na quarta-feira (04), noticiamos sobre a decisão do Google de diminuir as tarifas na Play Store. Nesta sexta-feira (06), explicamos com o banqueiro Daniel Vorcaro enviava mensagens de visualização única no WhatsApp.

Esse foi só um aperitivo de tudo o que bombou! Confira, abaixo, tudo o que rolou de mais importante na semana. Para acessar cada notícia na íntegra, basta clicar nos links a seguir.

1. Xiaomi 17, 17 Ultra e smartphone da Leica ganham versão global; saiba tudo. Smartphones combinam recursos avançados de fotografia com componentes de alto desempenho em bateria e processador.

2. OpenAI fecha acordo com Departamento de Guerra dos EUA após Anthropic ser banida. A OpenAI concordou em fornecer tecnologia para o Departamento de Guerra dos EUA, mas com restrições para alimentação de armas autônomas e monitoramento doméstico.

3. Amazon Now chega ao Brasil com entregas em 15 minutos e frete grátis. O Amazon Now é o novo serviço de delivery de produtos em 15 minutos e oferece entrega rastreável; confira!

4. Desinstalações do ChatGPT disparam em 295% após acordo da OpenAI com os EUA. O número de desinstalações na comparação dia após dia cresceu 295% no final de semana, aponta site.

5. Google reduz taxas da Play Store e abre Android para outras lojas de apps. Os desenvolvedores do Android pagarão taxas inferiores ao Google, que abre o caminho para mais lojas de apps no Android.

6. Cade mantém medida protetiva contra termos de IA do WhatsApp. O Cade entende que manter a medida não prejudica a Meta; a big tech informa que está atualizando os termos para continuar oferecendo suporte aos serviços.

7. iPhone 17e, MacBook Neo: Apple lançou 7 produtos e nenhum é acessível de verdade. A Apple atualizou seu portfólio com várias novidades, renovando as versões "acessíveis" do iPhone e do MacBook.

8. 'Como Vorcaro enviava mensagens de visualização única no WhatsApp? Para contornar a ausência de suporte para mensagens de texto temporárias, Daniel Vorcaro tirava prints do bloco de notas para enviar como fotos autodestrutivas.

9. Guerra no Irã pode impactar indústria da tecnologia, alerta Foxconn. Os impactos no setor tecnológico tendem a se intensificar com o prolongamento do conflito no Oriente Médio, segundo o CEO da Foxconn.

10. Smart TVs de 43" a partir de R$1.199 no Mercado Livre; confira as oportunidades. Aproveite até 48% de desconto em diversos modelos de smart TV de 43 polegadas e garanta opções AOC, LG, Samsung e mais a preços mais baixos por tempo limitado.

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Guerra no Irã pode impactar indústria da tecnologia, alerta Foxconn

6 de Março de 2026, 18:00

Os conflitos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã podem resultar em fortes impactos na indústria em geral, incluindo a tecnologia, dependendo da duração da guerra. O alerta é do CEO da Foxconn, Young Liu.

Em declarações à imprensa nesta sexta-feira (6), o executivo disse que, por enquanto, a maior fabricante de eletrônicos do mundo lida com impactos "limitados" associados às ofensivas no Oriente Médio. Mas a situação tem chance de piorar caso os ataques se prolonguem.

Petróleo e matérias-primas em alta

De acordo com Liu o problema está, principalmente, no preço do petróleo. A região onde a guerra se concentra é uma das maiores produtoras do mundo e tem uma das rotas marítimas mais importantes, o Estreito de Ormuz.

  • O tráfego pela rota teve uma redução significativa desde o início dos conflitos, com embarcações afetadas por interferências no GPS;
  • A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que a passagem foi fechada para navios americanos, israelenses, europeus e de países aliados;
  • Controladora do tráfego na região, a entidade disse que petroleiros pertencentes a esses países podem ser atingidos se identificados passando pelo Estreito de Ormuz;
  • Isso vem resultando em uma grande pressão sobre o petróleo, levando a uma disparada nos preços.
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Petroleiros de vários países estão impedidos de passar pelo Estreio de Ormuz, perto do Irã. (Imagem: FarzadFrames/Getty Images)

Para o chefe da Foxconn, os problemas para a indústria ficarão maiores quando os barris forem vendidos a US$ 100 cada (R$ 527,21 pela cotação do dia). Ele acredita que isso terá impacto direto nos preços das matérias-primas.

"Se esses efeitos durarem mais, todos começarão a senti-los. Mas se a duração puder ser curta, pelo menos por enquanto, o impacto não é muito grande, com base no que estamos vendo no momento", afirmou Liu, como relata a Reuters.

O executivo também desejou que a guerra termine "o mais rápido possível" e disse que espera um ano com bons resultados para a empresa. Impulsionada pela alta demanda por dispositivos de IA, a Foxconn registrou receitas recordes.

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© Cheng Xin/Getty Images

'Cadê a empresa bilionária?': Keeta faz demissão em massa e funcionários protestam

5 de Março de 2026, 11:00

A Keeta, companhia chinesa de delivery que iniciou há pouco tempo as operações no Brasil, já fez a primeira demissão em massa em território nacional. Ela aconteceu na quarta-feira (4) e envolveu funcionários das operações dela no Rio de Janeiro.

Ao todo, aproximadamente 200 pessoas que ajudavam a estruturar a chegada dela na cidade foram desligadas após uma mudança de planos da empresa. Segundo a nota oficial da Keta, ela decidiu adiar a expansão para outras regiões para "focar na melhoria dos padrões de serviço do mercado para consumidores, restaurantes e entregadores parceiros".

O Metrópoles obteve um vídeo gravado durante o comunicado da demissão. Ele mostra a revolta de alguns funcionários, inclusive uma mulher que teria largado outro emprego após promessas de crescimento feitas pela Keeta. Outros entrevistados alegam pressão psicológica excessiva durante o período de trabalho para a marca.

"Cadê a maior empresa de delivery do mundo? Cadê a empresa bilionária? Cadê nessa hora, cadê o dinheiro?", reclamou, recebendo incentivo de alguns dos presentes. Ainda no vídeo, é possível acompanhar risadas do público no anúncio de que o plano de saúde seria prorrogado por apenas mais um mês.

Dificuldades na expansão

A Keeta estaria com dificuldades de estabelecimento em território nacional em especial pela competição acirrada com o iFood, já dominante no país, e a expansão simultânea de outra rival: a 99, de origem brasileira e dona atual chinesa.

De acordo com a nota da empresa, o principal problema envolve "questões estruturais que inibem a concorrência saudável no segmento de delivery brasileiro" — possivelmente em referência a questões como contratos de exclusividade das concorrentes com restaurantes, caso que foi parar até na Justiça.

Além da alteração estratégica, a empresa dona da Keeta, a gigante chinesa Meituan, teve más notícias recentes. Ela teve a nota de crédito rebaixada pela S&P Global Ratings por "pressões competitivas no mercado doméstico", o que significa que ela também encontra dificuldades na China, além de uma previsão de menor investimento no Brasil.

A Keeta confirmou que viria ao Brasil em maio do ano passado e, em novembro, começou a operar na cidade de São Paulo. Após a demissão no Rio, a empresa garante que vai manter os seus 1,2 mil postos de trabalho existentes, "focando no desenvolvimento das operações na região de São Paulo", além de cumprir o compromisso de investir R$ 5,6 bilhões em cinco anos no Brasil.

Um especialista consultado pelo TecMundo acredita que o cenário brasileiro de delivery pode mudar com as rivais do iFood. Confira as previsões dele nesta matéria!

© Keeta

Guerra por IA: Apple, Amazon e Nvidia apoiam Anthropic após briga com Trump

5 de Março de 2026, 10:00

A empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic, dona do Claude, segue em clima de tensão com o governo dos Estados Unidos. Agora, parceiras da companhia tentam ao menos impedir que ela sofra punições após desavenças com a administração de Donald Trump.

A Anthropic corre perigo de ser considerada um "risco para a cadeia de suprimentos", uma classificação de segurança nacional normalmente impostas a empreendimentos estrangeiros que faria ela ser excluída de vários contratos governamentais e talvez até com empresas privadas. Tentar evitar isso virou a tarefa de um grupo no país.

O Information Technology Industry Council, formado por representantes de marcas como Amazon, Nvidia, Apple e até a OpenAI, publicou uma carta na última quarta-feira (4) expressando "preocupação por relatos recentes" vindos do Departamento de Guerra dos EUA sobre a mudança na classificação de uma empresa do setor.

Segundo a Reuters, outras companhias também seguem acionando contatos no governo Trump em uma tentativa de contornar a situação. Assim como alguns dos investidores da companhia, elas acreditam que a punição seria exagerada e que é possível até reconstruir algum tipo de parceria militar para a plataforma.

Por outro lado, alguns investidores acham que a questão envolve também uma briga de egos e que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, deveria buscar uma solução mais amigável com o Pentágono e não um corte de laços.

Os contratos de guerra por IAs

  • Após se recusar a flexibilizar o uso da IA para uso militar e de vigilância de cidadãos dos EUA, a Anthropic perdeu um importante contrato com o Pentágono e foi duramente repreendida pelo presidente;
  • A OpenAI, responsável pelo ChatGPT, acabou escolhida como substituta na parceria e agora tenta se explicar para o público sobre a aliança. Depois de várias críticas, ela alega que poderia rever termos do contrato, mas o CEO Sam Altman admitiu que a decisão final de uso será do Pentágono;
  • Porém, de acordo com o Financial Times, a dona do Claude não desistiu de ainda manter contratos governamentais para uso militar da IA. As conversas estariam ocorrendo com um secretário de pesquisa e engenharia, Emil Michael;
  • As falas de Amodei, por outro lado, estão colocando ainda mais fogo na disputa. Recentemente, ele criticou em um memorando interno o aceite da OpenAI e sugeriu que a briga com o governo aconteceu porque a Anthropic "não fez doações para Trump" e "não elogiou Trump no estilo de um ditador".

As desinstalações do ChatGPT dispararam após o acordo da OpenAI com o governo dos EUA. Saiba mais dados sobre esse caso nesta matéria!

© Andrew Harnik/Getty Images

Nu Stadium: Nubank fecha acordo com time de Messi nos EUA

5 de Março de 2026, 09:00

A fintech brasileira Nubank é a mais nova patrocinadora oficial do Inter Miami CF. O time de futebol, que disputa a principal liga dos Estados Unidos, tem como principal jogador o argentino Lionel Messi.

Essa parceria é mais um passo da empresa na estratégia de expansão internacional nos Estados Unidos. O Nubank já obteve a licença oficial para operar como banco no país e tem Cristina Junqueira, cofundadora da fintech, como CEO da operação na região.

O patrocínio inclui "múltiplas frentes de ativação de marca", como a presença da logo do Nubank nas nas costas da camisa do Inter Miami CF. Como o uniforme é um dos mais vendidos do mundo inclusive pela presença de Messi e o uruguaio Luis Suárez, além do crescimento como potência regional, essa é uma forma importante de tornar a marca reconhecida.

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O patrocínio com a logo da fintech nacional nas costas da camisa. (Imagem: Divulgação/Nubank)

O Inter Miami só tem seis anos de atividade, mas já conquistou quatro títulos de renome no futebol estadunidense, além de ter participado do Mundial de Clubes da FIFA em 2025. O ex-jogador inglês David Beckham é um dos proprietários do clube, que disputa a Conferência Leste da Major League Soccer (MLS).

Nu Stadium

A aliança de longo prazo anunciada nesta quarta-feira (04) inclui também a detenção dos naming rights do novo estádio do clube. A arena do Inter Miami já está em fase final de construção e agora passa a se chamar Nu Stadium.

Previsto para ser inaugurado em 4 de abril de 2026, o estádio de capacidade para 26.700 torcedores fica no complexo esportivo Miami Freedom Park, que tem 530 mil m². Além de ser a arena de partidas de competições como a MLS, ele contará com dois espaços que levam o nome da fintech:

  • o Nu Club, um "lounge de hospitalidade premium" para 770 pessoas com uma vista de túnel de vidro dos jogadores enquanto caminham dos vestiários para o campo;
  • a Nu Plaza, um "centro comunitário dinâmico" para hospedar espaços de convivência, um telão e áreas de descanso.

Mais detalhes sobre a expansão internacional do Nubank podem ser conferidos no site oficial da empreitada.

Você conhece a história da fintech brasileira Nubank e como ela passou de uma ideia para uma instituição com presença em vários países? Confira a trajetória dela neste vídeo!

© Nubank

Home office: 75 vagas para trabalho remoto [04/03]

4 de Março de 2026, 20:00

O TecMundo em parceria com a Remotar, traz mais uma seleção de vagas para quem está buscando uma oportunidade de trabalho no modelo home office.

 São vagas nas áreas de Financeiro, Tecnologia, Marketing, Produto, Vendas, entre outros. Confira, abaixo, a lista completa!

Vagas remotas em Administrativo e Financeiro (18)

Vagas remotas em Marketing e Vendas (15)

Vagas remotas em Design / UX / UI (11)

Vagas remotas em Produto (13)

Vagas remotas em Programação / Data Science / QA (18)

Não encontrou a oportunidade que buscava? Acesse o site da Remotar e confira mais vagas disponibilizadas na plataforma.

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Checkout-less: quando pagar deixa de ser etapa e vira infraestrutura

4 de Março de 2026, 17:45

Estamos entrando em uma fase em que o pagamento deixa de ser um “momento” e passa a ser uma camada invisível da experiência. No Brasil, isso já é perceptível: Pix, carteiras digitais, aproximação por celular e relógios mudaram o hábito de compra em poucos anos. O caixa ainda existe, mas cada vez menos como ritual e cada vez mais como infraestrutura.

É nesse contexto que mora a tentação de olhar para “checkout-less” apenas como tecnologia de loja sem fila, mas esse olhar é curto. O ponto central não é eliminar o caixa físico; é reduzir atrito sem perder confiança. Quando o pagamento desaparece para o cliente, ele precisa reaparecer para a empresa em forma de governança: rastreabilidade, segurança, transparência e capacidade de resolver disputas.

O caso da Amazon ajuda a entender isso. A empresa popularizou o conceito com o Just Walk Out, a tecnologia das lojas Amazon Go que elimina a etapa do caixa, porque o sistema identifica os itens levados. Com o fechamento das unidades, ajustou sua estratégia e manteve a tecnologia em outros formatos e parceiros. A leitura madura não é “deu certo” ou “deu errado”: é que, em varejo físico, experiência, custo operacional, prevenção de perdas e clareza para o cliente precisam estar juntos. Sem esse equilíbrio, a inovação vira demonstração e não é capaz de escalar.

Também é importante evitar simplificações sobre causas sociais para explicar decisões de varejo. Segurança, perdas, perfil de loja, mix de produtos, maturidade tecnológica e custo de operação variam por região e formato. Em temas sensíveis, análise séria pede multicausalidade, não slogans.

No Brasil, há um aprendizado interessante em como o varejo sempre operou com preocupação prática de fraude e ruptura operacional, muitos modelos de autoatendimento já nasceram com camadas extras de controle, com checagens de peso, validações adicionais, monitoramento e auditoria de exceções. Isso cria uma base útil para avançar em experiências mais fluidas sem abrir mão de controle.

Outro ponto-chave é não tratar meios de pagamento como disputa de torcida. QR Code, NFC, cartão tokenizado e iniciação de pagamento convivem. O consumidor escolhe pela conveniência do contexto e o varejista competitivo é quem orquestra trilhos, não quem aposta em trilho único.

O próximo salto é a economia de transações entre sistemas inteligentes. Agentes de IA já conseguem executar tarefas digitais em nome do usuário, e iniciativas como o x402, padrão experimental de cobrança via HTTP, tentam padronizar pagamentos nativos da web com base em fluxos de “payment required”. É uma direção promissora para APIs e serviços digitais. Mas, no mundo físico, a adoção em escala ainda depende de algo menos glamoroso e mais decisivo: identidade confiável, limites de alçada, consentimento revogável, prevenção à fraude e responsabilidade clara em caso de erro. 

Por isso, a pergunta estratégica para executivos não é “quando o caixa vai sumir?”, e sim: nossa operação está pronta para transformar pagamento em produto? Isso exige integração entre UX, risco, jurídico, dados e tecnologia. Exige também interoperabilidade real com o ecossistema financeiro, de adquirência e carteiras a Pix e Open Finance. 

O futuro do checkout-less não será definido por quem tirar o caixa primeiro, mas por quem desenhar a melhor equação entre fluidez e confiança. Em pagamentos, experiência sem governança não escala e governança sem experiência não vende. O jogo está em construir os dois ao mesmo tempo.

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Receita apreende R$ 25,4 milhões em eletrônicos contrabandeados

4 de Março de 2026, 17:00

A Receita Federal apreendeu um total de R$ 25,4 milhões em eletrônicos contrabandeados, em todo o Brasil, por meio de diferentes operações realizadas ao longo de cinco dias. Detalhes dessas ações foram divulgados na última terça-feira (03).

Realizado entre os dias 27 de fevereiro e 3 de março, o trabalho ocorreu em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Contrabando, celebrado ontem. Ao todo, foram confiscados R$ 69,1 milhões em mercadorias com algum tipo de irregularidade fiscal.

Celulares e mais produtos apreendidos

De acordo com o órgão, os eletrônicos representaram a principal categoria de produtos ilegais apreendidos nas operações especiais. Uma das ações em destaque aconteceu na região de Foz do Iguaçu (PR), perto da fronteira com o Paraguai.

  • Em uma única abordagem a um ônibus, os oficiais apreenderam uma carga de produtos avaliados em R$ 2,5 milhões;
  • Pelo menos 200 smartphones estavam entre os itens confiscados pelos agentes, mas detalhes a respeito dos modelos não foram informados;
  • Diversos medicamentos introduzidos clandestinamente no território nacional também faziam parte da carga;
  • Já as demais operações na mesma área, durante o período, resultaram na apreensão de R$ 4 milhões em mercadorias de diferentes tipos, bem como 156 kg de substância análoga à maconha.
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Parte da carga apreendida em Foz do Iguaçu. (Imagem: Receita Federal/Divulgação)

Abaixo dos eletrônicos, aparecem itens de vestuário e acessórios, somando R$ 15,2 milhões em apreensões. Produtos diversos (R$ 9,3 milhões), cosméticos (R$ 5,7 milhões) e medicamentos (R$ 5,3 milhões) completam o top 5.

Nessas ações, que contaram com a participação de mais de 450 servidores da Receita e apoio de policiais, drones e cães farejadores, mais de 800 kg de drogas foram apreendidos. O trabalho levou, ainda, à prisão de 14 pessoas.

Fiscalização reforçada

As operações comemorando o Dia Nacional de Combate ao Contrabando também incluíram a participação da Polícia Militar de vários estados, Polícia Rodoviária Federal e Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), entre outras instituições. Elas ocorreram em 37 localidades.

Reforçando a fiscalização em rodovias, aeroportos, portos, fronteiras, centros de distribuição e estabelecimentos logísticos e comerciais, a ação especial mirou diversos tipos de práticas ilícitas. Além do contrabando, o foco estava em pirataria e descaminho.

Tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de bens foram alguns dos outros crimes investigados. O comércio ilegal de armas também estava entre os alvos, inclusive resultando na apreensão de 16 canos de fuzil no Aeroporto Internacional de Viracopos (SP).

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© Receita Federal/Divulgação

Amazon e Nvidia liberam home office para equipes locadas no Oriente Médio

4 de Março de 2026, 14:45

Funcionários da Amazon e da Nvidia foram instruídos a trabalhar de casa em meio à escalada do conflito armado entre Israel e Irã no último fim de semana. Equipes do Google localizadas na região também foram impactadas por restrições impostas pelas autoridades locais.

No caso da Nvidia, a adoção do home office partiu diretamente do CEO Jensen Huang, segundo apuração da CNBC. Em e-mail enviado na terça-feira (3) às equipes que atuam em Dubai, o executivo determinou o fechamento temporário dos escritórios na cidade e informou que times de gerenciamento de crises estão mobilizados para prestar suporte ativo aos funcionários afetados e suas famílias.

A Nvidia mantém cerca de 6 mil funcionários apenas em Israel. “A Nvidia tem raízes profundas na região”, afirmou Huang na mensagem. “Milhares de nossos colegas moram lá, e muitos outros ao redor do mundo têm familiares e amigos afetados por esses eventos. Assim como vocês, estou acompanhando com grande preocupação a segurança de nossas famílias da Nvidia”, completou.

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Jensen Huang pediu para que os funcionários da Nvidia localizados no Oriente Médio trabalhassem de casa. (Fonte: Ezra Acayan/Getty Images)

Amazon também aderiu ao home office

A Amazon adotou estratégia semelhante. A companhia orientou seus funcionários a trabalharem remotamente e a seguirem as instruções dos governos locais. “A segurança de nossos funcionários e parceiros continua sendo nossa principal prioridade, e estamos trabalhando em estreita colaboração com as equipes e autoridades locais para garantir que recebam o apoio necessário”, declarou um porta-voz da empresa em comunicado enviado à CNBC.

A Amazon mantém escritórios nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia, Egito, Turquia, Bahrein, Kuwait e Israel.

Dois data centers da empresa foram atingidos por drones no fim da sexta-feira (27). Uma estrutura localizada no Bahrein também sofreu danos após um ataque semelhante.

Google está atento às movimentações locais

O Google também possui presença relevante no Oriente Médio, incluindo operações em Tel Aviv, em Israel — cidade que foi alvo direto de mísseis. A companhia está em processo de expansão para a ToHa2 Tower, edifício que deve abrigar um dos maiores escritórios da gigante na região.

Procurado pela CNBC, o Google não detalhou a situação específica de seus escritórios em Tel Aviv. “A situação no Oriente Médio está evoluindo rapidamente e estamos monitorando-a atentamente”, afirmou um porta-voz. “Nosso foco é a segurança e o bem-estar de nossos funcionários na região”, completou.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal, dezenas de funcionários do Google que estavam em Dubai para uma conferência ficaram sujeitos às restrições impostas ao tráfego aéreo.

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© (Imagem: Nvidia/Divulgação)

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