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Stellantis se volta para marcas com foco regional para atrair consumidor ante avanço chinês

21 de Maio de 2026, 08:50

Formada a partir da fusão da Fiat Chrysler com o PSA Group, a Stellantis nasceu como um dos maiores grupos automotivos do mundo em janeiro de 2021 e a ambição de promover um portfólio com 14 marcas, como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Chrysler e Opel, em um momento de transformação da indústria, rumo a então novas tecnologias como a eletrificação e a direção autônoma.

Pouco mais de cinco anos depois, o cenário é muito distinto. Carros elétricos ainda ganham relevância, mas a sua adoção perdeu o ímpeto de outrora, especialmente diante da retirada de incentivos em diferentes mercados desenvolvidos e dos efeitos da guerra comercial de Donald Trump.

O mundo de juros perto de zero cedeu espaço para uma era de volta da inflação e de taxas mais altas, o que se traduz em aumento do custo de capital e de fornecedores e desafio à demanda de consumidores. E, de forma impactante para o setor, o avanço de empresas chinesas – notadamente a BYD mas não só ela – alterou o cenário competitivo da indústria global.

Nessa nova configuração de mercado de um dos setores mais tradicionais da economia e de encruzilhada de marcas tradicionais, a Stellantis decidiu adotar um novo plano estratégico para os próximos cinco anos para tentar retomar o apelo junto ao consumidor, que hoje conta com muitas mais alternativas do que no começo da década, ao mesmo tempo em que fortalece a rentabilidade e acelera o crescimento.

Os pilares passam por uma nova estratégia de marcas e de produtos que inclui foco regional, investimentos que devem superar € 60 bilhões – US$ 70 bilhões – em novas plataformas de veículos, motores e tecnologias que incluem IA (inteligência artificial) e parcerias com outras companhias, como as chinesas Leapmotor e Dongfeng, além da Tata e da JLR (Jaguar Land Rover).

Serão mais de 60 novos modelos e 50 atualizações, a maior parte em elétricos puros e híbridos: alguns spoilers foram dados (ou confirmados) no evento, como o novo Argo, da Fiat (nome para o Grande Panda vendido na Europa) e o Peugeot 3008 híbrido no Brasil; a volta da picape Dodge Dakota nos Estados Unidos; novos modelos da Cherokee e da Grand Cherokee, da Jeep; e um novo E-208 da Peugeot, além de lançamentos na divisão de veículos comerciais para entregas.

O equivalente a 60% do total será destinado a marcas e desenvolvimento de novos modelos, enquanto os demais 40% terão como alvo plataformas globais, tecnologias e usos comuns.

O plano foi apresentado nesta manhã de quinta-feira (21) no Investor Day realizado em sua sede em Auburn Hills, próximo a Detroit, berço da indústria automotiva americana, sob a liderança do CEO global, Antonio Filosa.

O executivo italiano, que completa um ano à frente da Stellantis em junho, sucedeu justamente um dos arquitetos da formação da holding, o português Carlos Tavares, que deixou o cargo no fim de 2024 diante da piora dos resultados operacionais e financeiros – e do esgotamento de seu receituário que priorizava a eficiência da operação em detrimento da estratégia ao consumidor.

Trata-se justamente da mudança mais evidente de abordagem explicitada no novo plano.

O desafio passa por reconquistar a confiança de investidores: desde o pico em março de 2024, as ações negociadas na Euronext Paris e na NYSE (Bolsa de Nova York) perderam cerca de 70% do valor, o que derrubou o market cap do grupo para pouco mais de US$ 21 bilhões.

Filosa, por sua vez, chegou credenciado em parte justamente pelo seu trabalho à frente da América do Sul, inicialmente na Fiat Chrysler e, depois, na Stellantis, entre 2018 e 2023, período em que alçou a Fiat à liderança no Brasil, o maior mercado dessa região. Depois ele comandou a Jeep globalmente e a operação na América do Norte.

O CEO global da Stellantis, o italiano Antonio Filosa, no Investor Day em Auburn Hills em 21 de maio de 2026: ele comandou a operação na América do Sul entre 2021 e 2023 (Foto: Divulgação)
O CEO global da Stellantis, o italiano Antonio Filosa, no Investor Day nesta quinta (21) (Foto: Divulgação)

A apresentação do plano denominado FaSTLAne 2030, em alusão ao ticker da Stellantis na NYSE, acontece no primeiro encontro dedicado a investidores e analistas em dois anos.

Depois de operarem em queda de até 6% na abertura, as ações passaram a subir no meio da tarde (15h30 de Nova York), com queda perto de 30% tanto no acumulado de 2026 como em 12 meses.

Stellantis: marcas multirregionais

“Passamos do foco global para multirregional”, disse o presidente do conselho, John Elkann, no começo da apresentação do Investor Day a uma plateia tomada de investidores, analistas de bancos e jornalistas, em referência a um dos principais pilares do novo plano.

Quatro marcas globais – Jeep, Ram, Peugeot e Fiat, além da divisão de veículos comerciais Pro One – vão receber 70% dos investimentos destinados a produtos nos próximos cinco anos, diante do que o grupo identifica como maior potencial.

Outras cinco marcas regionais foram destacadas no plano estratégico: Chrysler, Dodge, Citroën, Opel e Alfa Romeo.

E a Maserati será explorada como marca de alto luxo, com o lançamento de dois novos modelos no segmento de elétricos, acompanhando uma das tendências do segmento.

Na América do Norte, que hoje responde por cerca de 40% das receitas da Stellantis, o lançamento de novos modelos deve estender a cobertura de mercado dos atuais 60% para 90%, o que vai se traduzir em dispor de ofertas que alcancem quase a totalidade dos consumidores.

Na América do Sul, a meta passa por manter a liderança no principal mercado, o Brasil, e também na Argentina, com uma estratégia corrente que passa pela “localização” de modelos, parcerias com a chinesa Leapmotor e novos lançamentos da Fiat, da Jeep, da Ram e da Peugeot, segundo o presidente e COO (Chief Operating Officer) para a região, Herlander Zola.

Outra meta para a região é crescer 10% em receitas até 2030 e chegar a 8% a 10% de margem do resultado operacional ajustado no mesmo período.

Novos modelos de marcas como Opel, Jeep, Fiat, Chrysler e Peugeot, com diferentes focos regionais e de perfil de consumidor: portfólio da Stellantis (Foto: Divulgação)
Novos modelos de marcas como Opel, Jeep, Fiat, Chrysler e Peugeot: diferentes focos de público

“Tudo começa com produto […] nós movemos as pessoas com marcas e produtos que elas amam”, disse Filosa no evento ao destacar, a exemplo do chairman, um dos novos focos da Stellantis. Outros executivos ecoaram a mesma ênfase de priorização em produto e estratégia regional.

O foco em produto e na gestão de portfólio não atendeu, por outro lado, a expectativa de uma ala de analistas e investidores que esperavam uma redução no número de marcas da Stellantis, algo visto como um dos seus principais desafios para melhorar a eficiência de sua operação – e que o grupo apontou que espera resolver por meio de sinergias (veja mais abaixo).

China: concorrente e aliado

Não que o resultado operacional e financeiro e a alocação de capital fiquem em segundo plano, segundo o CEO global, que também destacou na apresentação a melhora das métricas ao longo do último ano: o lucro líquido ficou em € 390 milhões no primeiro trimestre, revertendo uma perda de € 371 milhões um ano antes.

O lucro operacional foi de € 688 milhões, depois de uma perda de € 316 milhões no mesmo período de 2025.

O novo plano inclui metas financeiras como alcançar fluxo de caixa positivo até 2027 e cortes de custos da ordem de € 6 bilhões ao ano (US$ 7 bilhões) até 2028.

Nesse sentido, a estratégia passa por novas plataformas globais de veículos desenhadas para tecnologias de eletrificação e de uso de IA e que sejam “escaláveis” para diferentes mercados e que, segundo se espera, vão permitir a redução dos custos de desenvolvimento: no caso da STLA One, nome de uma das plataformas, a queda é estimada em 20% versus o que é hoje adotado na Europa.

A frente de ganho de eficiência é considerada fundamental para a competitividade dos modelos da Stellantis – e de montadoras europeias, americanas e japonesas e coreanas em geral – diante de marcas chinesas, que ganham com apelo crescente em preços e também em tecnologia e design.

Outro pilar destacado inclui as citadas parcerias com as chinesas Leapmotor e Dongfeng em regiões como a Europa (para adaptação e produção) e a China: os objetivos passam por desenvolvimento de tecnologias – incluindo de eletrificação – e modelos complementares a determinados mercados, por meio de joint ventures em que a holding detém o controle com 51% do capital.

Segundo a Bloomberg, a parceria em tecnologias para carros elétricos será a mais profunda já adotada por uma montadora europeia com uma chinesa já acertada.

Outras parcerias incluem a Tata, para o mercado indiano, e a Jaguar Land Rover.

— Em atualização.

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Americanas vende lojas do Hortifruti Natural da Terra em SP para o Oba por R$ 69 milhões

13 de Maio de 2026, 20:30

A Americanas fechou um acordo para vender ao Oba Hortifruti os ativos usados na operação de dez lojas deficitárias da Hortifruti Natural da Terra, todas localizadas no estado de São Paulo.

O negócio foi anunciado nesta quarta-feira (13) pela rede varejista, que segue em recuperação judicial desde janeiro de 2023, e envolve a subsidiária HNT Comércio de Hortifrutigranjeiros. O preço de aquisição foi definido em R$ 69,3 milhões, sujeito a ajustes previstos em contrato.

A operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade. A transferência dos ativos será feita de forma gradual, conforme os termos acertados entre as empresas.

Pelo contrato, o Oba pagará R$ 10,4 milhões à vista na data de fechamento da transação. O restante será quitado em 24 parcelas mensais, iguais e sucessivas, corrigidas pela variação do CDI. A primeira parcela vence em até 30 dias após a conclusão da operação.

A venda não representa a saída completa da Americanas do negócio, mas reforça o movimento da companhia de rever ativos que estão em seu portfólio e reduzir operações deficitárias em meio ao processo de recuperação judicial.

No comunicado, a empresa afirma que a alienação foi feita no curso normal dos negócios e está autorizada pelo plano de recuperação.

A Hortifruti Natural da Terra entrou para o grupo Americanas em 2021, antes da revelação das inconsistências contábeis da ordem de mais de R$ 40 bilhões, muitas das quais sob suspeita de fraudes, que levaram a companhia à recuperação judicial.

Naquele momento pré-crise, a aquisição da Natural da Terra foi apresentada como parte de uma estratégia de expansão da Americanas para a categoria de alimentos frescos, um segmento com maior recorrência de compra e potencial de integração com o e-commerce.

A prioridade da Americanas, porém, mudou após a revelação do rombo bilionário e a entrada em recuperação judicial. A companhia passou a concentrar esforços na preservação de caixa, na renegociação com credores e na simplificação da estrutura operacional.

Para o Oba, o negócio amplia a sua presença em São Paulo, principal mercado do país e região em que redes de hortifruti e supermercados disputam consumidores de maior renda e tíquete médio mais alto.

O grupo já opera uma rede consolidada no segmento de frutas, legumes, verduras e produtos perecíveis, com posicionamento mais próximo do varejo alimentar especializado.

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