Visualização normal

Received before yesterdayTecnoblog

Gastos com IA confundem e assustam empresários

9 de Julho de 2026, 13:12
Ilustração com o texto "AI" ao centro. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog"é visível.
Executivos têm dificuldade para entender uso de tokens de IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • 29% dos líderes seniores não compreendem os custos operacionais crescentes associados à IA, segundo um relatório da consultoria KPMG.
  • O modelo de cobrança baseado em consumo surpreendeu empresas, que esperavam um formato de assinatura de software.
  • Grandes empresas de tecnologia, como Amazon e Microsoft, investem bilhões de dólares em infraestrutura para atender à demanda por IA.

Depois da corrida para testar chatbots e agentes autônomos dentro das empresas, muitos executivos agora tentam entender por que a conta da tecnologia ficou imprevisível. 29% dos líderes seniores dizem não compreender de onde vêm os custos operacionais crescentes associados à IA.

Os números são de um relatório da consultoria holandesa KPMG, que ouviu 2.145 executivos em 20 países. Eles demonstram que muitas empresas estão sendo pegas de surpresa pelo modelo de cobrança baseado em consumo. Ele foi revelado pelo site The Register.

Segundo o levantamento, os contratantes trataram a IA como mais uma assinatura de software. No entanto, fornecedoras como OpenAI, Anthropic e GitHub utilizam um formato de cobrança pelo uso real: quanto mais a empresa usa tokens, mais processamento consome e maior pode ser a fatura.

ilustração sobre token de IA
Os tokens em IA também atuam como moedas simbólicas, ajudando a calcular o consumo de dados dos usuários (imagem: Reprodução/CCN)

Executivos de gigantes, como a Uber e Microsoft, já afirmaram publicamente que a conta da IA está vindo alta demais.

A empresa de transporte por aplicativo, por exemplo, consumiu todo o orçamento de 2026 para ferramentas de IA em apenas quatro meses, e forçou a criação de ferramentas internas para supervisionar o uso. Outras big techs, como Amazon e Meta, também recorreram a um acompanhamento mais próximo, uma saída que muitas outras organizações estão procurando, segundo a KPMG.

De acordo com a consultoria, um terço dos líderes ouvidos pelo levantamento vê a falta de entendimento sobre a enconomia da IA como uma barreira para implementar agentes com sucesso.

Empresas adiam projetos para entender retorno

A preocupação já afeta decisões de implantação. Segundo a pesquisa, quase metade das organizações reestruturou ou adiou projetos de IA após perceber que os custos poderiam superar o valor esperado. Elas tentam separar os usos que geram retorno daqueles que apenas aumentam a fatura.

O ajuste também aumentou a busca por modelos mais baratos e eficientes, em relação ao trimestre passado. Em vez de usar sempre os modelos mais poderosos, companhias passaram a avaliar quando uma opção mais simples já é suficiente para as demandas.

O relatório também cita que empresas ainda não têm regras maduras para definir quando humanos devem revisar respostas da IA, quem responde por erros, como resultados são auditados e o que ocorre quando um sistema falha.

Anteriormente, a própria KPMG teve de retirar de circulação um relatório sobre IA porque o próprio documento — que também analisava a adoção de IA por empresas pelo mundo — apresentava alucinações geradas por IA.

Indústria precisa justificar gastos bilionários

Big techs deverão mostrar se combate a golpistas é efetivo em seus ecossistemas
Big techs devem gastar bilhões com infraestrutura (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Enquanto a cautela dos clientes aumenta, Amazon, Microsoft e outras empresas gastam bilhões de dólares em infraestrutura para atender à demanda por IA.

Os investimentos vêm impactando toda a cadeia produtiva, fazendo com que fornecedoras atinjam valores de mercado estratosféricos, enquanto os preços de hardware para o público comum continuam a subir.

Só neste ano, a empresa de Jeff Bezos prevê investir cerca de US$ 200 bilhões (aproximadamente R$ 1 trilhão) para expandir a capacidade de IA da AWS, enquanto a Microsoft projeta gastos de US$ 190 bilhões (R$ 975 bilhões). Ao todo, as grandes empresas de tecnologia devem ultrapassar US$ 700 bilhões (R$ 3,5 trilhões) em gastos com infraestrutura para IA.

Gastos com IA confundem e assustam empresários

Inteligência artificial (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Relatório sobre IA tinha erros cometidos por IA

16 de Junho de 2026, 10:58
Sede da KPMG. Imagem mostra um prédio com a sigla “KPMG” no topo.
KPMG foi fundada em 1987 e é uma das maiores consultorias do mundo (foto: Juan Sebastian Vasquez/Pexels)
Resumo
  • A consultoria KPMG retirou do ar um relatório sobre IA após a descoberta de que o documento continha informações falsas geradas por IA.
  • O arquivo atríbuia projetos de IA a organizações como o banco suíço UBS e o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido.
  • Segundo o Financial Times, a KPMG comunicou que removeu o estudo de seus sites enquanto investiga as circunstâncias da publicação.

A consultoria holandesa KPMG retirou de circulação um relatório sobre inteligência artificial após a descoberta de que o próprio documento continha alucinações geradas por IA. O estudo sobre os benefícios da tecnologia apresentava exemplos que nunca existiram.

O relatório, intitulado “Redefinindo a excelência na era da IA agêntica”, analisava a adoção da IA por empresas ao redor do mundo. No entanto, o documento dizia que organizações como o banco suíço UBS, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) e as Ferrovias Federais Suíças (SBB) já aplicavam serviços de IA na sua rotina.

Segundo o Financial Times, as informações eram totalmente falsas ou exageradas. Em um dos exemplos, a KPMG afirmava que o UBS utilizava agentes de IA para consultoria de investimentos, gestão de riscos e monitoramento regulatório. O banco afirmou que a descrição era “factualmente incorreta”.

Em outros trechos, de acordo com o jornal britânico, as alegações pareciam ter sido construídas a partir de comunicados reais, mas citavam funcionalidades e aplicações de IA que nunca foram anunciadas por essas organizações.

Em primeiro plano, um aperto de mãos entre uma mão robótica prateada, à esquerda, e uma mão humana, à direita. O robô possui dedos articulados com detalhes metálicos e pretos. O humano veste um paletó escuro. Ao fundo, uma mulher de cabelos castanhos e blusa clara está sentada à mesa, desfocada, observando a cena. O ambiente é um escritório moderno com janelas amplas e vista para prédios. No canto inferior direito, lê-se a logomarca "tecnoblog" em branco.
Estudo continha alucinações de IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

As inconsistências foram identificadas pela GPTZero, empresa especializada em detecção de conteúdo gerado por inteligência artificial. Segundo os pesquisadores, os exemplos apresentavam características típicas de alucinações de modelos de IA.

Ao Financial Times, a KPMG informou que removeu o estudo de seus sites enquanto investiga as circunstâncias da publicação.

“Esperamos que todos os nossos funcionários sigam nossas diretrizes sobre o uso responsável da IA, incluindo supervisão humana para validar o conteúdo e verificar fontes independentes”, afirmou um porta-voz da consultoria.

Caso parecido já aconteceu antes

O episódio se soma a uma lista curiosa. No final do ano passado, a famosa consultoria Deloitte passou pela mesma situação – duas vezes. 

Em outubro, a Deloitte abriu mão de parte do pagamento recebido do governo australiano após identificar que um relatório entregue pela consultoria continha erros de IA, incluindo citações, referências e fontes que não existiam.

Um mês depois, em novembro, a empresa entregou um relatório com citações e estudos acadêmicos que não existem ao setor público do Canadá.

Relatório sobre IA tinha erros cometidos por IA

Inteligência artificial se tornou concorrente para muitos profissionais (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
❌