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IA militar já é usada por 1,5 milhão de funcionários nos EUA

17 de Junho de 2026, 11:09
Tela do sistema GenAI.mil no computador, com texto “GenAI.mil” e interface do Pentágono
GenAI.mil é a plataforma de IA generativa do Pentágono (imagem: reprodução/Army National Guard)
Resumo
  • O Departamento de Defesa dos EUA tem 1,5 milhão de funcionários usando a IA militar GenAImil diariamente.
  • A plataforma, integrada ao Google Gemini, agiliza o fluxo de trabalho e permite que as equipes automatizem tarefas burocráticas.
  • O uso da IA resultou na redução de tempo para elaboração de relatórios anuais de prestação de contas, de 200 horas para apenas cinco horas.

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) vem registrando um aumento acelerado no uso de inteligência artificial generativa. Segundo o diretor de tecnologia do Pentágono, Emil Michael, o sistema GenAI.mil, lançado em dezembro de 2025, já é utilizado diariamente por cerca de 1,5 milhão de funcionários.

O cenário atual reverte a baixa adoção inicial. Há seis meses, apenas cerca de 80 mil usuários utilizavam o sistema, muito pouco perto dos 3,5 milhões de funcionários no departamento.

De acordo com o Business Insider, o salto recente foi impulsionado pela integração ao modelo Google Gemini para agilizar o fluxo de trabalho e eliminar o que seriam processos monótonos.

O que a IA do Pentágono pode fazer?

Na prática, o GenAI.mil opera como um assistente focado em produtividade. A ferramenta permite que as equipes automatizem burocracia pesada com comandos simples. As tarefas delegadas à IA vão desde a redação de descrições de cargos até a análise de grandes volumes de informações.

Um exemplo é a elaboração de relatórios anuais de prestação de contas para o Congresso americano. O que antes demandava cerca de 200 horas de trabalho manual de uma equipe inteira agora é concluído em apenas cinco horas, já que o sistema consegue varrer o banco de documentos e compilar o material rapidamente, liberando os profissionais para outras atividades estratégicas.

Imagem mostra o logo do Gemini ao centro. O fundo é levemente colorido, nas cores do Google: azul, verde, amarelo e vermelho
Integração com Google Gemini impulsionou a adesão da ferramenta (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A virada de chave

A transição para a marca de 1,5 milhão de usuários ativos diários exigiu mudanças na cultura interna. No início, as pessoas simplesmente ignoravam o GenAI.mil por não entenderem a sua finalidade.

Para quebrar essa resistência, o Pentágono aliou o motor do Gemini a um trabalho educativo, passando a divulgar estudos que mostravam como funcionários já estavam poupando horas de expediente com a plataforma. Essa disseminação de exemplos práticos, somada à familiaridade das pessoas com a IA no dia a dia fora dos escritórios, facilitou a aceitação.

Além de ganhar espaço nos setores administrativos, o DoD também estuda a expansão da tecnologia para áreas de logística e de combate. O órgão reconhece que eventuais conflitos futuros exigirão um processamento de dados ultrarrápido, mas reforça o discurso de que a supervisão humana continuará sendo fundamental.

Para sustentar esse avanço, o orçamento para o ano fiscal de 2027 já prevê o investimento de bilhões de dólares em infraestrutura e IA de última geração.

IA militar já é usada por 1,5 milhão de funcionários nos EUA

Google Gemini (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Anthropic quer processar o Pentágono por classificação de risco à segurança nacional

6 de Março de 2026, 16:39
Ilustração em fundo laranja mostra o contorno preto de um rosto humano de perfil, voltado para a esquerda, com uma mão aberta abaixo do queixo. À frente do rosto, flutua um símbolo branco circular com pontos conectados, semelhante a órbitas ou a um diagrama molecular, sugerindo inteligência artificial e interação entre humano e tecnologia.
Anthropic quer processar governo dos EUA (imagem: divulgação)
Resumo
  • Anthropic vai contestar na Justiça a classificação de risco à segurança nacional feita pelo Departamento de Defesa dos EUA.
  • Decisão ameaça um contrato de US$ 200 milhões com o Pentágono.
  • Segundo a empresa, a seção 3252 do estatuto das Forças Armadas dos EUA não deve ser usada para disputas contratuais.

A Anthropic anunciou que vai contestar na Justiça dos Estados Unidos a decisão do Departamento de Defesa (DoD) de classificar a empresa como um risco à cadeia de suprimentos da segurança nacional americana. A notificação chegou à companhia na quarta-feira, e o CEO Dario Amodei respondeu com um comunicado ontem (05/03).

“Não acreditamos que essa ação seja juridicamente válida, e não vemos outra alternativa senão contestá-la na Justiça”, escreveu Amodei em um post no blog da Anthropic.

A designação coloca em risco um contrato de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,05 bilhão) que a empresa mantém com o Pentágono para o fornecimento de ferramentas de IA para uso em ambientes de informações sigilosas. Pode impedir, também, a Anthropic de atuar em parceria com outras empresas em projetos de defesa, segundo a Bloomberg.

O conflito vinha se acumulando há semanas após o fracasso das negociações entre Amodei e o governo quanto às condições de uso da tecnologia da empresa. A exigência da Anthropic era de que seu sistema de IA não fosse utilizado para vigilância em massa de cidadãos, nem para acionamento de armas autônomas.

Por conta disso, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificou o caso como uma ameaça. No mesmo dia, a OpenAI — rival direta da Anthropic — anunciou um acordo com o Pentágono. No post, Amodei acrescenta que o próprio Sam Altman, CEO da OpenAI, reconheceu no X que o contrato era confuso.

Por que a Anthropic vai recorrer à Justiça?

De acordo com a Anthropic, a medida invocada pelo DoD — a seção 3252 do estatuto das Forças Armadas norte-americanas — existe para proteger o governo de riscos externos, não para punir fornecedores em disputas contratuais.

Dessa forma, a empresa sustenta que o escopo é mais limitado do que parece. Ela se aplicaria apenas ao uso do Claude como parte direta de contratos com o Departamento de Defesa, e não a todo uso do sistema por clientes que tenham contratos com o departamento.

Apesar da designação ter sido declarada “com efeito imediato” por um oficial de defesa, as ferramentas da Anthropic seguiam em uso ativo pelo Exército nas operações no Irã no momento da publicação do comunicado, de acordo com uma fonte ouvida pela Bloomberg. Hegseth havia estipulado um prazo de seis meses para a transição a outros fornecedores.

Amodei abaixa o tom contra o governo

Foto de Dario Amodei, de camisa azul, falando em um evento
Dario Amodei, CEO da Anthropic, se desculpa pelo tom usado em memorando (imagem: reprodução/TechCrunch)

No comunicado, Amodei afirmou que as conversas com o Pentágono nos últimos dias haviam sido “produtivas” e que a empresa continua disposta a fornecer seus produtos às Forças Armadas pelo tempo que for necessário e permitido.

O CEO da empresa também pediu desculpas por críticas à OpenAI após o vazamento de um memorando, publicado pelo The Information, no qual ele acusava a concorrente de agir de forma oportunista e de abrir mão de salvaguardas no acordo com o Pentágono. Dizia, também, que a Anthropic era rejeitada pelo governo Trump por falta de apoio público à política do presidente. Agora, afirma que o tom do texto não refletia a visão dele sobre a situação.

Do outro lado, Emil Michael, subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia e responsável pelas negociações com Amodei, descartou qualquer continuidade das conversas, segundo a Bloomberg. “Quero encerrar qualquer especulação: não há nenhuma negociação ativa entre o Departamento de Guerra e a Anthropic”.

Anthropic quer processar o Pentágono por classificação de risco à segurança nacional

Anthropic já oferece Haiku 4.5 e Sonnet 4.5, versões menores do modelo de IA (imagem: divulgação)

(imagem: reprodução/TechCrunch)

Usuários abandonam ChatGPT e migram para Claude após polêmica nos EUA

3 de Março de 2026, 10:44
Imagem mostra o CEO da OpenAI, Sam Altman, à esquerda, e o logo do ChatGPT à direita. Na parte inferior direita, o logo do "tecnoblog"
ChatGPT sofre debandada de usuários após acordo com governo dos EUA (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Após a parceria da OpenAI com o Departamento de Defesa dos EUA, as desinstalações do ChatGPT aumentaram 295%, segundo a Sensor Tower.
  • O Claude, da Anthropic, subiu para o primeiro lugar na App Store americana, superando o ChatGPT, após a Anthropic recusar colaboração com o DoD.
  • O Claude liderou downloads em sete países e os cadastros diários quebraram recordes, com crescimento de mais de 60% nos usuários gratuitos desde janeiro.

Depois que a OpenAI anunciou uma parceria com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD), as desinstalações do app ChatGPT cresceram 295%, segundo dados da plataforma de análise de mercado Sensor Tower. No mesmo período, o Claude, da Anthropic, escalou o ranking da App Store americana e chegou ao primeiro lugar, ultrapassando o maior concorrente.

A movimentação ocorre durante um impasse das duas empresas sobre fornecer tecnologia para o governo norte-americano. Dias antes do anúncio da OpenAI, a Anthropic havia se recusado a permitir que suas IAs fossem usadas pelo DoD para vigilância doméstica em massa ou para armas autônomas — sistemas que disparariam sem intervenção humana.

Pouco depois, a OpenAI foi na direção oposta e fechou seu próprio acordo com o Pentágono. O CEO Sam Altman disse que o contrato inclui salvaguardas relacionadas às preocupações de Dario Amodei, chefe da Anthropic.

Claude no topo

Claude cresceu nas lojas de App (imagem: divulgação)

Segundo dados da Sensor Tower, o Claude estava fora do top 100 no final de janeiro e passou parte do mês de fevereiro entre os 20 mais baixados. Entretanto, na última semana, a escalada foi rápida: sexto na quarta-feira, quarto na quinta, e primeiro na noite de sábado.

Já dados do Appfigures apontam que o total diário de downloads do Claude no sábado superou o do ChatGPT pela primeira vez, com um salto de 88% de um dia para o outro. Além do mercado norte-americano, o aplicativo da Anthropic também assumiu a primeira posição entre os apps gratuitos para iPhone em seis outros países: Alemanha, Bélgica, Canadá, Luxemburgo, Noruega e Suíça.

De acordo com a Anthropic, os cadastros diários quebraram o recorde histórico todos os dias durante a semana, o número de usuários gratuitos cresceu mais de 60% desde janeiro e os assinantes pagos mais que dobraram.

Com a mudança de plataforma, muitos ex-usuários da OpenAI têm recorrido ao novo processo de transferir dados do ChatGPT para o Claude.

O que aconteceu?

Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA (Imagem: Thomas Hawk / Flickr)
Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA (Imagem: Thomas Hawk / Flickr)

A disputa entre a Anthropic e o Pentágono não era sobre se a empresa deveria ou não trabalhar com o governo, mas sobre os termos. De acordo com a desenvolvedora do Claude, as IAs da empresa ainda não têm capacidade para operar com segurança em cenários de lethal autonomy, nome dado a sistemas que tomam decisões de ataque sem supervisão humana.

Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, rebateu que o DoD não deveria ser limitado pelas políticas internas de um fornecedor, e que qualquer “uso legal” da tecnologia deveria ser permitido. Após o posicionamento da companhia, o presidente Donald Trump ordenou que agências do governo parassem de usar produtos da Anthropic.

A OpenAI diz em comunicado que também determinou áreas nas quais a IA não poderá ser usada, entre elas vigilância doméstica, sistemas de armas autônomas e sistemas como os de crédito social. Altman, no entanto, admitiu no X que o acordo foi apressado.

Usuários abandonam ChatGPT e migram para Claude após polêmica nos EUA

ChatGPT e Sam Altman, CEO da OpenAI (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Assistente virtual Claude é produzido pela Anthropic (imagem: divulgação)

Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA (Imagem: Thomas Hawk / Flickr)
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