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O Flipper One vem aí: ele será tão polêmico quanto o Flipper Zero?

21 de Maio de 2026, 13:22
Flipper One
O Flipper One vem aí (imagem: reprodução/Flipper Devices)
Resumo
  • O Flipper One é um minúsculo computador baseado em Linux com processador octa-core Rockchip RK3576, 8 GB de RAM e recursos para análise e exploração de redes.
  • Ele oferece conectividade com duas portas Gigabit Ethernet, USB Ethernet, Wi-Fi 6E e modem 5G ou LTE, e pode ser expandido via conexão GPIO e M.2;
  • O dispositivo pode ser usado para testes de segurança, avaliação de sistemas embarcados e análise de desempenho de redes, mas seu potencial uso para ações maliciosas levanta preocupações, como as que ocorreram com o seu antecessor, o Flipper Zero.

Se será polêmico como o seu antecessor, é cedo para sabermos, mas o fato é que o Flipper One foi anunciado. O dispositivo consiste em um minúsculo computador baseado em Linux que oferece diversos recursos para que você possa analisar, ajustar e, bom, explorar redes. Mas vai além disso.

O design peculiar faz o Flipper One parecer um brinquedo “futurista dos anos 1990”, mas estamos falando de um computador completo. A novidade conta com processador octa-core Rockchip RK3576 com GPU Mali-G52, além de 8 GB de RAM, para você ter ideia.

Outro componente presente é o microcontrolador (MCU) RP2350, que aparece no Raspberry Pi Pico 2, por exemplo. Com ele, você pode controlar painéis de LED, telas, botões personalizáveis, touchpads, entre outros componentes.

Já o sistema operacional é o Flipper OS, que é baseado no Debian Linux, mas implementado em formas de perfis de uso. Isso significa que o usuário conta com “snapshots” que trazem pacotes e configurações para tarefas específicas, sendo possível alternar entre eles com relativa facilidade.

Visão interna do Flipper One
Visão interna do Flipper One (imagem: reprodução/Flipper Devices)

Mas o que torna o Flipper One um dispositivo único são seus recursos de conectividade. Por aqui, encontramos duas portas Gigabit Ethernet, USB Ethernet, Wi-Fi 6E e até modem 5G ou LTE, este disponível via módulo M.2.

Além da conexão M.2, o Flipper One pode ter suas funcionalidades expandidas via conexão GPIO. Um pequeno visor LCD na lateral do dispositivo permite controlar os principais recursos da novidade.

Também é possível ligar o dispositivo a uma monitor ou TV via porta HDMI 2.1 — há suporte a 4K e taxa de atualização de 120 Hz aqui.

Flipper One
Flipper One (imagem: reprodução/Flipper Devices)

No que o Flipper One poderá ser usado?

O Flipper One poderá ser usado para testes de segurança, avaliação de sistemas embarcados, apoio para soluções de automação, análise de desempenho de redes e assim por diante.

Mas, neste ponto, chegamos ao aspecto potencialmente polêmico. O antecessor Flipper Zero foi proibido em países como Canadá e até no Brasil por, na prática, ter sido considerado um dispositivo “hacker”. O aparelho tem recursos que, originalmente, servem para testes de segurança, mas que foram (ou são) usados para ações maliciosas envolvendo RFID, NFC, Bluetooth e afins.

Essas ações maliciosas consistem em emulação de crachás, aberturas de portas eletrônicas e invasões de redes, por exemplo. No Canadá, o Flipper Zero foi banido principalmente por facilitar o furto de carros.

Com base nesse histórico, não vai ser estranho se o Flipper One também for usado para o “mal”.

Flipper Zero (Imagem: Divulgação / Flipper Zero)
O antecessor Flipper Zero (imagem: reprodução/Flipper Devices)

O Flipper One já foi lançado?

Ainda não. Por ora, a Flipper Devices só fez o anúncio do dispositivo. Ainda não há data definida de lançamento, até porque as características do Flipper One podem ser mudadas até lá — o produto segue em desenvolvimento.

Além de questões técnicas, Pavel Zhovner, CEO da Flipper Devices, explica que há desafios financeiros a serem superados para o lançamento do Flipper One, razão pela qual o anúncio, na verdade, veio na forma de pedido de ajuda à comunidade:

Há muita incerteza neste projeto, juntamente com desafios técnicos e riscos financeiros (como a atual crise dos chips de RAM). Não sei se conseguiremos fazer tudo o que planejamos, mas daremos tudo de nós. Obrigado a todos e sejam bem-vindos a uma nova aventura.

Pavel Zhovner, CEO da Flipper Devices

Com base nisso, é provável que o aparelho seja lançado com preço superior aos US$ 199 sugeridos pelo Flipper Zero nos Estados Unidos.

O Flipper One vem aí: ele será tão polêmico quanto o Flipper Zero?

O Flipper One vem aí (imagem: reprodução/Flipper Devices)

Visão interna do Flipper One (imagem: reprodução/Flipper Devices)

Flipper One (imagem: reprodução/Flipper Devices)

Flipper Zero (Imagem: Divulgação / Flipper Zero)

Fabricante chinesa de chips é punida por violar projeto de código aberto

6 de Janeiro de 2026, 14:26
Ilustração de chip da Rockchip
Rockchip é uma empresa chinesa de semicondutores (imagem: reprodução/Rockchip)
Resumo
  • Repositório Rockchip Linux MPP foi desativado no GitHub após queixa de DMCA enviada por membro do projeto FFmpeg;

  • Acusação aponta que empresa incorporou código-fonte aberto sem manter registros de direitos autorais;

  • Membros do FFmpeg tentavam resolver situação amigavelmente com Rockchip desde o início de 2024, sem sucesso.

Se você nunca ouviu falar da Rockchip, saiba desde já que esta é uma importante companhia chinesa de semicondutores. A Rockchip atraiu os holofotes recentemente, mas não por lançar um chip: a empresa teve um de seus principais repositórios de software no GitHub desativado devido a uma queixa de violação de direitos autorais (DMCA).

A Rockchip é especializada em chips de arquitetura Arm que são implementados em diversos dispositivos, como TV boxes, tablets Android, câmeras de segurança e equipamentos para soluções embarcadas ou feitas sob medida, a exemplo da placa Banana Pi BPI-M5 Pro (concorrente da linha Raspberry Pi 5).

Frequentemente, os chips da Rockchip são empregados em equipamentos que trabalham com plataformas abertas, a exemplo do Linux e do Android. É por isso que a desativação do repositório em questão deixou a comunidade em torno da Rockchip preocupada.

Queixa vem de integrante do projeto FFmpeg

O FFmpeg é uma poderosa ferramenta de código aberto para conversão de formatos de vídeo ou áudio, codificação de mídia, transmissão ou captura de conteúdo, e afins.

Eis que um dos membros da comunidade do FFmpeg enviou uma queixa de violação de direitos autorais pela Rockchip ao GitHub, que respondeu desativando o repositório correspondente, de nome Rockchip Linux MPP.

De acordo com a queixa, a Rockchip incorporou grande parte do código-fonte do FFmpeg para uso na plataforma Rockchip MPP, empregada em tarefas de codificação e decodificação de vídeo.

Como o projeto FFmpeg tem código-fonte aberto, parece não haver nenhum problema nisso. Mas, de acordo com a queixa, a incorporação do código foi feita sem que os registros de direitos autorais e dos autores do projeto fossem mantidos, o que caracteriza uso ilegal.

Para piorar a situação, a plataforma Rockchip MPP foi redistribuída sob uma licença Apache que é incompatível com a licença LGPL 2.1 implementada no FFmpeg.

Banana Pi BPI-M5 Pro (imagem: divulgação/Banana Pi)
Banana Pi BPI-M5 Pro tem SoC da Rockchip (imagem: divulgação/Banana Pi)

FFmpeg tentou resolver problema junto à Rockchip

A parte mais surpreendente dessa história é que membros do FFmpeg vinham tentando resolver o problema junto à Rockchip. Um vídeo no canal Brodie Robertson, no YouTube, mostra desenvolvedores de ambos os projetos trocando mensagens sobre o assunto pelo menos desde o início de 2024.

Em uma das conversas, um membro da Rockchip admitiu o uso de código do FFmpeg de modo indevido como resultado de uma falta de compreensão sobre os conflitos entre as licenças LGPL e Apache.

A Rockchip prometeu, ainda em 2024, resolver o problema, mas não o fez. Foi isso que levou um integrante do FFmpeg a enviar a queixa de DMCA ao GitHub.

O que acontece agora?

Não está claro. Até o momento, a Rockchip não se pronunciou sobre o assunto. Mas, como o repositório problemático não está mais disponível no GitHub, é possível que a companhia corrija o problema em um futuro próximo para não prejudicar seus clientes.

Como correção, a comunidade do FFmpeg propõe:

  • remover as falsas alegações de autoria;
  • restaurar a atribuição original e os avisos de direitos autorais;
  • distribuir o código sob uma licença compatível com a LGPL.

Fabricante chinesa de chips é punida por violar projeto de código aberto

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Chinesa Rockchip teve repositório de software no GitHub desativado após ser acusada de usar código do projeto FFmpeg indevidamente.

Rockchip é uma empresa chinesa de semicondutores (imagem: reprodução/Rockchip)
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