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Mantenedor do sudo para Linux e Unix pede ajuda para continuar o projeto

4 de Fevereiro de 2026, 13:49
Sudo em distribuição Linux
Sudo em distribuição Linux (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Resumo
  • sudo, ferramenta de segurança para Linux e Unix, precisa de apoio para manutenção e desenvolvimento; Todd C. Miller, mantenedor há mais de 30 anos, busca patrocínio desde 2024;
  • ferramenta permite executar tarefas com privilégios de administrador sem login como root;
  • trata-se de um recurso muito usado em distribuições Linux e outros sistemas baseados no Unix.

Alguns recursos são tão bem integrados a sistemas Linux que parecem ser funções nativas, quando não o são. É o caso do sudo: o principal responsável por essa ferramenta usou seu site para pedir ajuda financeira para continuar mantendo o projeto, que existe há mais de 30 anos.

O sudo é comumente encontrado em distribuições Linux e em outros sistemas operacionais baseados no Unix. Estamos falando de uma simples, mas poderosa ferramenta de segurança.

Isso porque o sudo funciona como um comando que executa uma ou mais tarefas que exigem privilégios de administrador (ou de root), sem que você tenha, de fato, que fazer login no sistema com uma conta do tipo.

Em uma comparação grosseira, é como se você ganhasse permissão para entrar em uma sala que só é acessada por seu chefe, mas, ao fazê-lo, você só pode executar ali uma única tarefa definida previamente.

Como exemplo, suponha que você queira instalar o reprodutor de mídia VLC em um computador com Linux. Você pode, então, usar o comando abaixo para iniciar a instalação como root. Observe, porém, que você não ficará permanentemente com privilégios de administrador, pois o comando foi acionado apenas para a tarefa em questão:

sudo apt install vlc

O que está acontecendo com o sudo?

Do ponto de vista técnico, o sudo continua cumprindo a sua função. Porém, Todd C. Miller, principal desenvolvedor do projeto, declarou em seu site pessoal que está procurando patrocínio para continuar mantendo o sudo:

Há mais de 30 anos tenho sido o mantenedor do sudo. Atualmente, estou em busca de um patrocinador para financiar a manutenção e o desenvolvimento continuado do sudo. Se você ou sua organização estiverem interessados em patrocinar o sudo, entre em contato comigo.

Todd C. Miller

Neste ponto, é importante contextualizar. Tal como explica o Register, a empresa Quest Software contribuía financeiramente para o projeto desde 2010. Porém, esse patrocínio terminou em fevereiro de 2024, ano em que Miller saiu da One Identity, uma subsidiária da Quest Software.

Sudo em distribuição Linux
Sudo em distribuição Linux (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

O desenvolvedor fez o pedido de apoio para o sudo depois que a Quest deixou de apoiar financeiramente o projeto. Mas, como nada mudou depois de dois anos, é de se presumir que o sudo ainda precise de um grande patrocinador. O projeto até recebe ajuda financeira de indivíduos, mas, aparentemente, não em volume suficiente para a sua plena manutenção.

Iniciativas como o sudo realmente precisam de apoio, afinal, trabalho não falta por lá. Por exemplo, Miller ajudou, nos últimos meses, no desenvolvimento do sudo-rs, variação da ferramenta criada em linguagem Rust e, por isso, considerada mais segura.

Para completar, o desenvolvedor contribui com outros projetos que demandam tempo, a exemplo do sistema operacional OpenBSD.

Mantenedor do sudo para Linux e Unix pede ajuda para continuar o projeto

Sudo em distribuição Linux (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Sudo em distribuição Linux (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Wine 11.0 chega para melhorar execução de softwares Windows no Linux

14 de Janeiro de 2026, 17:20
Imagem ilustrativa que mostra várias taças de vinho em alusão ao Wine 10.0
Wine 11.0 chega para melhorar execução de softwares Windows no Linux (imagem ilustrativa: Kelsey Knight/Unsplash)
Resumo
  • Wine 11.0 oferece suporte completo ao modo WoW64, permitindo conversão de chamadas de sistema de 32 bits para 64 bits;
  • Wine 11.0 inclui ainda suporte ao NTSync, mecanismo de sincronização do kernel Linux, que melhora o desempenho ao replicar a sincronização de threads do Windows;
  • Novidade também implementa a API Vulkan 1.4.335, suporta extensões do Vulkan Video e melhora a integração com Wayland e X11, além de corrigir mais de 600 bugs.

Virou tradição. Todo começo de ano marca a chegada de uma nova versão do Wine, a popular ferramenta de código aberto que faz o Linux e outros sistemas baseados no Unix executarem softwares para Windows. O Wine 11.0, como a novidade foi batizada, traz um conjunto de pequenos, mas importantes aprimoramentos funcionais.

Sempre convém destacar que “Wine” é um acrônimo para “Wine Is Not an Emulator”, que significa “Wine não é um emulador”. Esse nome brincalhão tem seu fundo de verdade: o que a ferramenta faz, basicamente, é trabalhar como uma camada que traduz instruções de softwares para Windows em instruções equivalentes para Linux/Unix.

De fato, não estamos lidando com um mero emulador.

O que o Wine 11.0 tem de novo?

Uma das novidades do Wine 11.0 em relação ao Wine 10.0 e versões anteriores é o suporte completo ao modo WoW64. Esse recurso converte chamadas de sistema oriundas de aplicativos de 32 bits em equivalentes para 64 bits.

Sem o WoW64, o Wine só pode trabalhar corretamente com softwares de 64 bits. A implementação completa do recurso torna o Wine 11.0 mais compatível e otimizado com softwares de 32 bits, portanto.

Outra novidade é o suporte oficial ao NTSync. Esse é um mecanismo de sincronização do kernel Linux capaz de melhorar sensivelmente o desempenho do Wine. Isso porque o NTSync, um recurso nativo do Linux 6.14 e versões superiores, permite ao Wine replicar a forma como sistemas Windows lidam com a sincronização de threads.

Tem mais. No Wine 10.0, um dos avanços oferecidos foi o suporte a Arm64EC, solução que permite que um software combine código Arm com código x64. Mas esse suporte era limitado, pois aquela implementação trabalhava com tamanho de página de sistema de apenas 4 KB. O Wine 11.0 atenua essa limitação “simulando” tamanhos como 16 KB e 64 KB, mais condizentes com as demandas atuais.

As demais novidades incluem:

  • implementação da API Vulkan 1.4.335, que melhora o suporte a recursos gráficos;
  • nesse sentido, também há suporte às extensões do Vulkan Video, permitindo codificação e decodificação mais eficientes de vídeos, aqui, com o uso do codec H.264;
  • integração melhorada com os mecanismos gráficos Wayland (mais moderno) e X11 (antigo, mas ainda relevante para determinadas aplicações);
  • mais de 600 correções de bugs e cerca de 6.300 alterações individuais no código do projeto como um todo.

Todos esses recursos tornam o Wine 11.0 especialmente interessante para a execução de jogos para Windows. Mas a ferramenta pode lidar com diversos tipos de software, é claro.

Wine 11.0 em uma distribuição Linux
Wine 11.0 em uma distribuição Linux (imagem: Pinguinpc/Phoronix Forum)

Como obter o Wine 11.0?

A forma menos trabalhosa de se obter o Wine 11.0 consiste em aguardar que essa versão seja adicionada à distribuição Linux que você usa. Quem não quiser esperar pode fazer o download da novidade a partir do site oficial.

Ali, basta baixar o pacote direcionado à sua distribuição Linux ou o mais próximo disso. Por exemplo, quem instalar o recém-lançado Linux Mint 22.3 pode obter o Wine 11.0 para Ubuntu (como você deve, o Linux Mint é baseado no Ubuntu).

Wine 11.0 chega para melhorar execução de softwares Windows no Linux

Wine 10.0 é a nova versão da ferramenta que executa softwares para Windows no Linux (imagem ilustrativa: Kelsey Knight/Unsplash)

Wine 11.0 em uma distribuição Linux (imagem: Pinguinpc/Phoronix Forum)

Fita da primeira versão do Unix em C é recuperada com sucesso

24 de Dezembro de 2025, 08:41
Técnica sofisticada permitiu recuperar dados sem danificar a mídia física (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A fita magnética do Unix V4 de 1973 foi recuperada e restaurada por Al Kossow, do Museu da História da Computação.
  • A recuperação utilizou uma técnica que preserva o fluxo magnético, gerando um arquivo de 1,6 GB a partir de 40 MB de dados reais.
  • O Unix V4, reescrito em C, tornou o sistema portátil e influenciou sistemas modernos como Linux e macOS.

Uma das peças mais raras da história da tecnologia foi salva do esquecimento digital. Al Kossow, curador de software do Museu da História da Computação (CHM), conseguiu recuperar o conteúdo de uma fita magnética do Unix V4, datada de 1973. A mídia, encontrada por acaso no mês passado em um depósito da Universidade de Utah, contém a primeira versão do sistema operacional reescrita na linguagem C — um marco que mudaria para sempre a forma como interagimos com computadores.

Os arquivos foram reconstruídos e o sistema já está “vivo” novamente, rodando via emulação. O artefato foi encontrado pelo professor Robert Ricci, da Escola de Computação Kahlert, enquanto fazia uma faxina em uma sala de armazenamento da universidade. Dada a importância do achado, a mídia foi enviada com urgência para a Califórnia, segundo o jornal The Register.

Como conseguiram ler a fita magnética de 50 anos?

Recuperar dados de uma mídia magnética dessa idade não é tão simples. Se a equipe tentasse ler os arquivos da maneira tradicional, a degradação física da fita poderia causar erros irreversíveis. Por isso, os especialistas optaram por uma técnica mais sofisticada: preservar o fluxo magnético.

Em vez de tentar decifrar os “zeros e uns” imediatamente, eles usaram conversores de alta velocidade para criar uma “imagem” analógica das ondas magnéticas gravadas na fita. É um processo parecido com o que preservadores fazem com disquetes antigos: o objetivo é capturar o sinal bruto.

Essa leitura gerou um arquivo de 1,6 GB que representa cerca de 40 MB de dados reais. Depois, um software especial analisou essas ondas digitalizadas para reconstruir a informação original. Para quem quiser ver a história com os próprios olhos, uma versão pronta para uso foi disponibilizada. O sistema pode ser iniciado no emulador SimH, que simula o computador da época (um PDP-11), permitindo até digitar comandos em um prompt de 1973.

Imagens do sistema rodando já circulam no Mastodon, onde entusiastas colocaram o Unix V4 para funcionar em máquinas antigas por simulação.

Interface de linha de comando do Unix V4 rodando no emulador (imagem: reprodução/Mastodon)

Por que essa versão do Unix é tão importante?

A recuperação do Unix V4 preenche uma lacuna na história. As versões anteriores haviam sido escritas em Assembly, uma linguagem complexa e presa ao hardware específico da máquina. Foi na versão V4 que Ken Thompson e Dennis Ritchie reescreveram a maioria do sistema em C. Isso tornou o software “portável”, permitindo que ele fosse levado para outros computadores sem precisar ser recriado do zero. Sem esse passo, sistemas modernos como Linux e macOS talvez não existissem da forma como conhecemos.

O material bruto agora está preservado no Internet Archive, garantindo que não se perca novamente.

Fita da primeira versão do Unix em C é recuperada com sucesso

Unix é considerado o pai dos sistemas operacionais (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Fita com primeira versão do Unix em C é encontrada após mais de 50 anos

10 de Novembro de 2025, 09:34
Unix é considerado o pai dos sistemas operacionais (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Pesquisadores da Universidade de Utah encontraram uma fita com o Unix V4, primeira versão escrita em C, considerada perdida há décadas.
  • A fita, rotulada como “UNIX Original From Bell Labs V4”, contém uma cópia original enviada pela AT&T a Martin Newell e será encaminhada ao Computer History Museum.
  • Al Kossow, do projeto Bitsavers, tentará recuperar os dados da fita usando conversores de alta velocidade e 100 GB de RAM, priorizando a recuperação devido ao valor histórico.

Um pedaço da história da computação pode ter ressurgido em um depósito da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. Uma fita magnética contendo o Unix V4, lançado em 1973 pelos Laboratórios Bell, foi encontrada por pesquisadores enquanto limpavam uma sala de armazenamento.

O achado é notável porque essa é a primeira versão do Unix escrita em C, linguagem criada pouco antes por Dennis Ritchie, e da qual praticamente não restavam cópias completas conhecidas. Segundo o professor Robert Ricci, da Kahlert School of Computing, a fita estava arquivada havia mais de cinco décadas e agora será encaminhada ao Computer History Museum, na Califórnia.

O que há na fita e por que ela é importante?

A fita é composta por uma bobina de nove trilhas com o rótulo manuscrito “UNIX Original From Bell Labs V4 (See Manual for format)”. Ela tem uma ligação histórica ainda mais curiosa: o texto foi escrito por Jay Lepreau, ex-professor da universidade falecido em 2008. De acordo com Ricci, a mídia contém uma cópia original do Unix enviada pela AT&T a Martin Newell, criador do famoso Utah Teapot, modelo 3D amplamente usado em computação gráfica.

O Unix V4 representou uma virada na história da tecnologia, marcando a transição do sistema em Assembly para o C, o que tornou o código mais portátil e influente em sistemas operacionais posteriores, como o Linux e o macOS. Até então, apenas partes isoladas dessa edição eram conhecidas, como fragmentos do kernel e manuais técnicos datados de novembro de 1973.

É possível recuperar os dados da fita?

A fita será levada de carro até o Computer History Museum, em Mountain View, onde o arquivista Al Kossow, conhecido pelo projeto Bitsavers, vai tentar recuperar seu conteúdo. O processo exige extremo cuidado: ele planeja digitalizar os sinais analógicos diretamente da fita, usando conversores de alta velocidade e até 100 GB de memória RAM para armazenar os dados brutos, que serão depois reconstruídos com um software especial.

“A fita isolante é aplicada ao amplificador de leitura da cabeça de leitura, utilizando um conversor analógico-digital multicanal de alta velocidade que despeja os dados em cerca de 100 gigabytes de RAM, seguido por um programa de análise escrito por Len Shustek. Trata-se de uma fita 3M de 1200 pés (aproximadamente 365 metros) da década de 70, provavelmente de 9 canais, que tem uma boa chance de ser recuperada”, explicou.

Kossow afirmou que, por se tratar de uma fita 3M de 1.200 pés e nove trilhas, as chances de sucesso são boas – ainda que o material tenha mais de meio século. Segundo ele, a recuperação foi priorizada na fila de projetos do museu, dado o valor histórico da descoberta. “Isso é tão raro que estou priorizando a recuperação desse problema no topo da minha lista de projetos”, afirmou.

Fita com primeira versão do Unix em C é encontrada após mais de 50 anos

Unix é considerado o pai dos sistemas operacionais (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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