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Cadê os celulares com bateria infinita? Tudo evolui, menos isso

6 de Fevereiro de 2026, 11:16
Ilustração mostra pessoas com placas de bateria. No lado esquerdo, um smartphone com o símbolo de pouca bateria. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível.
Autonomia dos smartphones pouco mudou nos últimos anos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A autonomia dos smartphones é um dos problemas mais antigos dos consumidores.
  • Baterias de silício-carbono aumentam a capacidade em 20% a 30%, mas têm vida útil menor, com cerca de 1.500 ciclos de carga.
  • Fabricantes chinesas como Xiaomi, Realme, Honor e Oppo investem nessa tecnologia, enquanto Apple e Samsung priorizam controle de energia.

Todo mundo quer celulares com baterias que durem mais. Essa é uma das queixas mais antigas dos consumidores — e também uma das mais negligenciadas. Nos últimos anos, os smartphones ficaram mais rápidos, ganharam telas maiores e mais brilhantes, câmeras mais sofisticadas e (muitas) funções de inteligência artificial. A autonomia, porém, continua praticamente no mesmo lugar: para o uso intenso, um dia longe da tomada ainda é o padrão.

Esse descompasso chama atenção porque não faltam inovações no restante do aparelho. A solução que o mercado passou a oferecer foi o carregamento rápido: em vez de smartphones que duram mais, surgiram aparelhos que carregam em menos tempo. Potências de 80 W, 100 W e 120 W viraram argumento de venda.

Mas algumas fabricantes chinesas voltaram a cutucar essa ferida. A Realme anunciou o P4 Power, com bateria de 10.001 mAh e promessa de até três dias longe da tomada. A Honor revelou o Power 2, com 10.080 mAh de bateria. Ambos os modelos em corpos finos: 9,08 mm e 7,98 mm de espessura, respectivamente — algo possível graças à tecnologia de silício-carbono, ainda pouco adotada.

Baterias tradicionais atingiram o “teto”

Hoje, a maioria dos smartphones usa baterias de íon-lítio com ânodo de grafite. É uma tecnologia consolidada, segura e altamente otimizada ao longo de décadas. Justamente por isso, o espaço para avanços é limitado.

Conversei com Egidio Raimundo Neto, engenheiro eletricista, doutor em Telecomunicações e professor do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), para saber mais do assunto.

Segundo ele, o mercado já extraiu quase tudo o que era possível desse modelo. “As baterias atuais são resultado de anos de refinamento em materiais e processos”, diz. “O grafite tem uma vantagem importante: a expansão durante carga e descarga é relativamente pequena, em torno de 10%, o que garante estabilidade”, explica o professor.

O problema é que essa previsibilidade impõe um limite físico. “Do ponto de vista de construção e de algumas variações de dopagem, já esprememos tudo que podíamos das baterias que estão no mercado”, afirma Neto.

Carregador Super Fast Charging sendo segurado na mão
Carregamento rápido virou solução do mercado (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Silício-carbono: maior capacidade, menor vida útil

Aí entram as baterias de silício-carbono, que “aumentam a capacidade para uma mesma área de bateria”. Essa tecnologia substitui parte do grafite do ânodo por silício, um material capaz de armazenar muito mais íons de lítio. 

Na prática, isso permite aumentar a capacidade em cerca de 20% a 30% sem ampliar o tamanho físico da bateria. Ou seja: com o silício-carbono, é possível comercializar celulares finos com números de mAh maiores.

O principal custo dessa nova interação é a vida útil, algo que não aparece de cara. O fim de vida típico da bateria são os 80% de sua capacidade original. Isso significa que, “se a bateria armazenava 100 unidades de energia quando nova, ela é considerada no fim da vida útil quando só consegue armazenar 80”, diz o professor.

A bateria ainda funciona, mas a autonomia cai e o aquecimento pode crescer. Estamos falando em cerca de 3 mil ciclos de carga em baterias de íon-lítio tradicionais, considerando condições perfeitas de uso — o equivalente a mais de oito anos carregando o celular diariamente.

Imagem mostra um iPhone 14 sendo segurado em uma mão
Apple prioriza controle sobre a experiência do usuário (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Nas baterias de silício-carbono, esse número cai pela metade, mesmo com bom uso. “Falamos de algo em torno de 1,5 mil. Para smartphones, que as pessoas trocam em dois ou três anos, talvez isso não seja tão relevante. Mas para aplicações mais duráveis, como automóveis ou drones, faz muita diferença”, detalha o professor.

Esses dados podem ser bem diferentes dependendo da condição de uso de cada consumidor. Usar o aparelho na tomada ou não manter ciclos de carga lentos podem afetar esses números. Mas, na teoria, estamos falando de uma grande diferença entre as baterias posta desde a fabricação.

Isso ajuda a entender por que Apple e Samsung ainda não embarcaram no silício-carbono. Os indícios são de que ambas priorizam vida útil previsível e controle rígido da experiência do usuário, mesmo que isso signifique abrir mão de números chamativos na ficha técnica. No caso da sul-coreana, ainda há o trauma causado pelo explosivo Galaxy Note 7.

Fabricantes chinesas querem vencer na força

Imagem promocional mostra um smartphone em um fundo preto, com a parte da bateria destacada com uma arte que ilustra a capacidade de 10.001 miliampere-hora
Realme P4 Power promete três dias longe da tomada (imagem: divulgação)

Do outro lado, as fabricantes chinesas, que encabeçam a oferta de produtos com baterias de silício-carbono, passaram a testar abordagens mais agressivas. Xiaomi, Realme, Honor e Oppo vêm experimentando tanto baterias maiores quanto novas químicas.

A Oppo afirma que superou a expansão das baterias no carregamento com “algoritmos proprietários para o ânodo de silício, mantendo a integridade estrutural e garantindo que a tela e a tampa traseira permaneçam impecáveis, mesmo durante uso intenso”.

O professor Egidio Neto lembra que, quando começaram as pesquisas em torno dessa tecnologia, a expansão do silício chegava a 300%. “Como suportar uma expansão de 300% do volume se o padrão era 10%? Era inviável”, afirma.

A solução veio com o carbono, que traz “resistência para o material” e permite controlar esse aumento. Dessa maneira, o silício-carbono se tornou viável, mas segue num campo de cautela — nos modelos topo de linha das fabricantes chinesas, é raro ver baterias com essa tecnologia.

Uma grande barreira ainda são os custos industriais mais altos. “As linhas de produção precisariam de grandes investimentos”, explica Neto. “Quem tem fatias menores de mercado costuma ser mais audacioso para tentar expandir sua marca”.

Mão segurando iPhone 17 azul-névoa, destacando as câmeras, com mesa em madeira como fundo
iPhone 17 tem uma bateria de 3.692 mAh (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Existe também uma diferença entre a capacidade nominal e uso real. Vemos, por exemplo, iPhones com 3.692 mAh equiparando ou superando o desempenho de aparelhos Android com 5.000 mAh em benchmarks de bateria.

Segundo o engenheiro eletricista, isso tem menos a ver com a química da bateria e mais com a forma como a energia é gerenciada. “Existe toda uma eletrônica embarcada e um software que modelam o consumo. O hardware virou commodity; o diferencial está no software”, afirma.

A Apple — e, em menor grau, Samsung — investe pesado em controle de processos em segundo plano, integração entre chip e sistema operacional, além da limitação de picos desnecessários de desempenho. O resultado é uma eficiência maior por unidade de energia. Em outras palavras: um “tanque” menor pode render mais se o sistema desperdiçar menos “combustível”.

Muitas vezes é só marketing 

Os principais responsáveis pelo consumo enérgico continuam os mesmos: tela e sistema de áudio, especialmente em jogos. Portanto, promessas de dois ou três dias de bateria quase sempre dependem de cenários de uso moderado — bem diferentes da rotina real de quem passa horas por dia no celular. “Muitas vezes o marketing vende uma ideia e depois o engenheiro tem que dar um jeito de fazer acontecer”, diz o professor.

O consumo dispara quando tudo acontece ao mesmo tempo: tela ligada, transferência constante de dados, Bluetooth ativo, fones sem fio e smartwatch conectados. “Ninguém mais quer fone com fio”, observa Neto. Nesse cenário, qualquer ganho de capacidade é rapidamente diluído.

As baterias de silício-carbono já deixaram o laboratório, mas ainda operam como testes em escala comercial. Na visão do professor, elas ajudam, mas não resolvem todo o problema da autonomia: “é um diferencial competitivo, mas essa tecnologia não vai dar aquele salto de multiplicar por três a capacidade de uma bateria”.

Cadê os celulares com bateria infinita? Tudo evolui, menos isso

(ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Carregador Super Fast Charging (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Desempenho da bateria do iPhone 14 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

(imagem: divulgação)

O iPhone 17 tem duas câmeras na traseira (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Celular com 3 dias de bateria: a nova promessa da Realme

20 de Janeiro de 2026, 11:29
Imagem promocional mostra um smartphone branco em um fundo igualmente branco. O foco está nas câmeras
Design TransView confere visual transparente à parte superior do dispositivo (imagem: divulgação)
Resumo
  • Realme P4 Power será lançado na Índia em 29 de janeiro com uma bateria de 10.001 mAh, prometendo até três dias e meio de autonomia.
  • O smartphone possui carregamento rápido de 80 W e carregamento reverso de 27 W, permitindo recarregar outros dispositivos.
  • Ele inclui tela AMOLED de 6,78 polegadas, com taxa de atualização de 144 Hz e processador MediaTek Dimensity 7400 Ultra.

A Realme lança o novo P4 Power na Índia no dia 29 de janeiro. Ele chega com a promessa de entregar três dias de autonomia, graças à super bateria de 10.001 mAh. A empresa já iniciou a campanha de pré-reserva no país mediante um pagamento simbólico de 999 rúpias (cerca de R$ 60).

Esse não será o preço final do celular, apenas um “sinal” que garante prioridade na compra e benefícios exclusivos — uma prática comum no varejo indiano.

Aqui no Brasil, a assessoria da Realme nos informou que deve trazer novidades sobre o aparelho “em breve”. Por enquanto, não há data e preços no mercado nacional.

Super bateria e especificações

Imagem promocional mostra um smartphone em um fundo preto, com a parte da bateria destacada com uma arte que ilustra a capacidade de 10.001 miliampere-hora
Com recarga reversa de 27 W, o P4 Power também funciona como um power bank (imagem: divulgação)

Sem dúvida, o grande trunfo do Realme P4 Power é a bateria. Equipado com uma célula de 10.001 mAh de silício-carbono, o aparelho oferece o dobro da capacidade da maioria dos smartphones topo de linha atuais (o Galaxy S25 Ultra, por exemplo, tem uma bateria de 5.000 mAh).

Mesmo assim, o celular mantém um peso surpreendente de 218 gramas. A tecnologia de silício-carbono é a chave para esse equilíbrio, permitindo uma densidade energética superior sem aumentar drasticamente o volume ou o peso do aparelho. A fabricante promete até três dias e meio de uso moderado longe da tomada.

O chefe de marketing de produto da marca, Francis Wong, confirmou que o Realme P4 Power terá carregamento rápido de 80 W, capaz de recarregar a célula gigante rapidamente.

Além de durar dias, o P4 Power pode “salvar” outros gadgets. O dispositivo suporta carregamento reverso de 27 W, transformando-o em um power bank eficiente para carregar fones, relógios e até celulares.

O conjunto de especificações deve incluir uma tela AMOLED de 6,78 polegadas com taxa de atualização de 144 Hz e o processador MediaTek Dimensity 7400 Ultra (possivelmente uma versão renomeada de chips da série 8000).

Preço e disponibilidade

Imagem mostra dois smartphones da Realme lado a lado, formando um X, em um fundo de cor amarela
Modelo suporta carregamento rápido de 80 W (imagem: divulgação)

O preço oficial ainda não foi revelado, mas vazamentos sugerem que o valor de etiqueta da versão mais completa, com 12 GB de RAM e 256 GB de armazenamento, pode ser de 37.999 rúpias (cerca de R$ 2.250).

No entanto, analistas do mercado local esperam que o preço real de venda para o consumidor fique entre 25 mil e 30 mil rúpias (algo entre R$ 1.500 e R$ 1.800), posicionando-o como um intermediário premium.

Vale lembrar que a Realme voltou a ser uma submarca da Oppo e não opera mais de forma independente, mas a movimentação da marca com o novo smartphone não é isolada. Recentemente, a Honor lançou na China o Honor Power 2, com uma bateria de 10.080 mAh.

As fabricantes chinesas parecem ter encontrado no silício-carbono a solução para oferecer autonomia de sobra sem comprometer a ergonomia, enquanto Samsung e Apple focam em eficiência para manter os celulares finos.

Celular com 3 dias de bateria: a nova promessa da Realme

(imagem: divulgação)

(imagem: divulgação)
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