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Intel e Qualcomm revelam novos chips para portáteis e notebooks

28 de Maio de 2026, 16:59
Logo Intel Arc G e chip Snapdragon C em placa, ilustrando novidades para computação móvel
Intel e Qualcomm revelam novidades para o mercado de computação móvel (imagem: reprodução)
Resumo
  • Intel lança linha Arc G-Series para consoles portáteis com Windows, focada em gráficos avançados com arquitetura Xe3, ray tracing e upscaling XeSS 3.
  • Qualcomm apresenta Snapdragon C para notebooks de baixo custo, com recursos de IA e eficiência energética.
  • Acer, MSI, OneXPlayer, HP e Lenovo desenvolverão dispositivos com esses chips, com lançamentos previstos para junho de 2026.

Duas das principais gigantes da indústria de semicondutores escolheram a última semana de maio para revelar os próximos passos no mercado de computação móvel. Em anúncios simultâneos que servem como prévia para a feira Computex 2026, Intel e Qualcomm oficializaram novos processadores com propostas distintas.

A família Arc G-Series da Intel foi desenvolvida para impulsionar consoles portáteis de alto desempenho. Já a Qualcomm apresentou o Snapdragon C, projetado para levar recursos de inteligência artificial e mais eficiência energética para notebooks de baixo custo.

Intel foca na arquitetura gráfica Xe3 para jogos

Para atrair o exigente público gamer que busca mobilidade, a nova linha de processadores Intel Arc G-Series chega ao mercado liderada por dois modelos principais: o Arc G3 e o Arc G3 Extreme.

Segundo a fabricante, os componentes são baseados na plataforma Intel Core Ultra Series 3, também conhecida pelo codinome Panther Lake. Os chips são equipados com uma CPU de 14 núcleos, em um estrutura dividida em 2 núcleos de performance (P-cores) para tarefas complexas, 8 núcleos de eficiência (E-cores) e 4 núcleos de eficiência de baixo consumo (LP E-cores).

Imagem mostra as especificações da linha Arc G3 com suporte a ray tracing e XeSS 3
Nova linha Arc G3 traz suporte a ray tracing e XeSS 3 (imagem: reprodução)

O verdadeiro atrativo para os consoles, no entanto, é a arquitetura gráfica Xe3 integrada. A GPU oferece recursos nativos de ray tracing e a tecnologia de upscaling XeSS 3, que combina otimizações de super-resolução, geração de quadros (Multi-Frame Generation) e redução de latência (Xe Low Latency) para garantir que jogos pesados rodem com taxas de quadros mais estáveis.

No quesito software, a companhia confirmou a integração nativa com o Modo Xbox e o recurso Intel Precompiled Shaders, que baixa arquivos de sombreamento já compilados direto da nuvem.

A chegada dos primeiros dispositivos com a série Arc G3 está prevista para junho de 2026. A lista inicial de parceiras inclui Acer, MSI e OneXPlayer, inaugurando o segmento com os modelos Acer Predator Atlas 8, MSI Claw 8 EX AI+ e o OneXPlayer 3.

Snapdragon C para notebooks de baixo custo

Imagem mostra o chip Snapdragon C dedicado a recursos de IA e design silencioso para notebooks de baixo custo
Snapdragon C traz NPU dedicada para recursos de IA (imagem: reprodução)

Com a plataforma Snapdragon C, em que a letra “C” representa “Compute” (Computação), a Qualcomm tenta dominar a categoria de entrada (modelos a partir de US$ 300, ou cerca de R$ 1.600 em conversão direta). Conforme destaca o portal Tom’s Hardware, essa linha difere dos processadores de alto desempenho Snapdragon X e X2.

Para atender a esse segmento, a empresa decidiu resgatar a estrutura Kryo, amplamente validada em chips de smartphones e tablets. Baseada nos núcleos Cortex da Arm, a tecnologia intercala núcleos de performance com clusters focados em eficiência energética.

A finalidade dessa escolha técnica é viabilizar a produção de laptops que operem de forma silenciosa e com autonomia de bateria suficiente para superar um dia inteiro de uso.

Apesar do posicionamento focado no baixo custo, a Qualcomm incluiu uma Unidade de Processamento Neural (NPU) dedicada para a execução local de tarefas de IA. Contudo, como reflexo da atual alta nos preços dos componentes, os dispositivos dessa geração devem apresentar limitações na capacidade de memória RAM.

O primeiro modelo confirmado é o Acer Aspire Go 15 (AG15-Q31P). O notebook possui uma tela de 15,6 polegadas com resolução 1080p, 8 GB de RAM, 512 GB de armazenamento. Marcas como HP e Lenovo também estão desenvolvendo produtos com chip Snapdragon C, com mais detalhes previstos para a Computex 2026, que começa em 2 de junho.

Intel e Qualcomm revelam novos chips para portáteis e notebooks

Intel está vendendo chips de má qualidade que nem água

27 de Abril de 2026, 10:57
Arte com o logotipo da Intel ao centro, em fonte de cor branca, e o fundo em cor azul.
Intel aproveita escassez para limpar estoques de chips inferiores (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Intel está vendendo processadores de baixa qualidade que seriam normalmente descartados.
  • Empresa criou linhas de produtos com especificações limitadas para clientes corporativos.
  • Demanda por semicondutores, impulsionada pela expansão dos data centers de IA, fez com que big techs aceitassem chips com desempenho inferior.

A Intel parece ter encontrado uma alternativa altamente lucrativa para tentar contornar a crise global de chips gerada pela explosão da inteligência artificial. A gigante dos semicondutores passou a vender processadores que, em condições normais de mercado, seriam descartados como lixo eletrônico.

Essa estratégia impulsionou a receita da empresa e a ajudou a superar, com folga, as previsões de Wall Street no primeiro trimestre de 2026. Como aponta o portal Tom’s Hardware, segundo o relatório financeiro recém-divulgado, a receita total da companhia bateu a marca de US$ 13,6 bilhões, acima da projeção inicial de US$ 12,3 bilhões. Além disso, as ações da Intel registraram um salto de 28%, estabelecendo um novo recorde na bolsa.

A resposta para esse desempenho fora da curva não é uma nova arquitetura ou corte de gastos. O analista financeiro Ben Bajarin detalhou no X/Twitter que a margem subiu porque os clientes corporativos estão comprando CPUs “que poderiam ter sido descartadas”, gerando uma injeção de receita inesperada nos cofres da fabricante.

Reaproveitando “sucata”?

Na indústria de semicondutores, nem todo chip sai perfeito da linha de produção. Se um processador da Intel não atinge as especificações de desempenho para ser considerado um produto premium, a prática comum é a empresa reetiquetar a unidade e vendê-la como um componente de entrada, por um preço mais acessível (um processador Core i3 ou Celeron, por exemplo).

Contudo, existem unidades que não alcançam sequer esse padrão mínimo. Historicamente, esses chips eram classificados como sucata e iam direto para o descarte.

Mas o cenário mudou em 2026. Pressionada pela escassez de componentes, a Intel resgatou essas peças de baixíssima expectativa, criou linhas de produtos com especificações ainda mais limitadas e conseguiu vendê-las.

Processador Core Ultra 200S
Estratégia de vender componentes que iriam para o lixo gerou bilhões (imagem: divulgação/Intel)

IA tem impactado o mercado de hardware

O atual momento do setor de tecnologia prova que as CPUs também voltaram a ser o centro das atenções. O grande motor dessa demanda é a infraestrutura pesada necessária para rodar cargas de trabalho de IA. A expansão acelerada dos data centers consome capacidade computacional em um ritmo feroz, sugando os estoques globais e inflando os preços.

No olho desse furacão estão os processadores Intel Xeon, projetados para servidores. A procura por essas CPUs segue em níveis críticos, estimulada por fabricantes como Dell, HP e Lenovo. Paralelamente, big techs como Microsoft, Google e Amazon continuam adquirindo esses chips em volumes elevados para ampliar suas próprias redes e infraestruturas de nuvem.

Para essas gigantes da tecnologia, o custo de manter a expansão de um data center paralisada por falta de peças é infinitamente maior do que o investimento em processadores de “qualidade inferior”. Aceitar chips com desempenho abaixo do ideal pode ter virado uma decisão estratégica de negócios.

Intel está vendendo chips de má qualidade que nem água

Intel (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Processador Core Ultra 200S (imagem: divulgação/Intel)
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