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China desenvolve bateria barata que pode durar 16 anos

29 de Abril de 2026, 11:16
Fábrica de produção de baterias de veículos elétricos. Close-up de componentes de bateria de alta tensão de íons de lítio para veículos elétricos ou carros híbridos. Módulo de bateria para linha de produção da indústria automotiva.
Novidade seria alternativa ao lítio em escala industrial (foto: iStock/SweetBunFactory)
Resumo
  • Pesquisadores chineses desenvolveram uma bateria de fluxo à base de ferro que pode durar 16 anos, com 6 mil ciclos de carga.
  • Essa bateria é uma solução de infraestrutura pesada, voltada para armazenamento em escala industrial — e não para celulares.
  • A tecnologia oferece uma alternativa mais barata para armazenar eletricidade em larga escala, demanda cada vez maior no setor.

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Pesquisa de Metais da Academia Chinesa de Ciências (CAS) desenvolveu uma bateria de fluxo à base de ferro que pode solucionar o maior gargalo da transição energética: o alto custo do armazenamento de eletricidade em larga escala.

O estudo, publicado este mês na revista científica Advanced Energy Materials, apresenta uma inovação capaz de suportar 6 mil ciclos de carga — uma durabilidade de 16 anos em operação diária.

No entanto, vale lembrar que essas baterias não foram projetadas para dispositivos portáteis: elas dependem de tanques de eletrólitos, bombas e tubulações para funcionar. Trata-se de uma solução de infraestrutura pesada, voltada para o armazenamento em escala industrial.

A urgência dessa inovação está na dinâmica do mercado. Hoje, quem dita as regras quando o assunto é armazenamento de energia é o lítio, mas a sua cadeia de suprimentos é complexa e muito cara. Um levantamento repercutido pelo jornal South China Morning Post destaca que o lítio chega a ser negociado por um valor 80 vezes maior que o do ferro na indústria de base.

Essa diferença de preço transforma o material abundante na Terra em uma alternativa mais viável para criar instalações capazes de estabilizar as redes elétricas das grandes cidades, por exemplo, garantindo o fornecimento ininterrupto de energia.

Como a bateria funciona?

Diferente das baterias de íon-lítio dos celulares, as de fluxo de ferro armazenam energia em tanques de líquidos. Historicamente, os modelos à base de ferro esbarravam em uma falha técnica no polo negativo do equipamento: durante o uso, os materiais ativos têm a tendência de vazar. Esse processo, conhecido no jargão técnico como crossover, inviabiliza sua comercialização.

Para resolver o obstáculo do vazamento, os cientistas do CAS desenvolveram um complexo de ferro que funciona como um escudo de dupla camada em nível molecular. Segundo as informações divulgadas pelo portal Interesting Engineering, a molécula usa sua estrutura física — que é mais rígida e volumosa — para proteger o núcleo de ferro. Ao mesmo tempo, esse complexo possui uma forte carga negativa que gera um campo de força, repelindo as partículas que tentam “fugir” de forma indevida.

Contêineres de armazenamento de energia usados para estabilizar a rede elétrica (imagem: reprodução)

A combinação desses mecanismos barra a liberação do material. Além disso, a nova tecnologia adota uma química de base alcalina que impede a formação de dendritos, minúsculos cristais que costumam causar curtos-circuitos e destruir módulos precocemente.

Durante todo o período simulado, a bateria operou sem qualquer perda na capacidade de armazenamento. Mesmo quando os pesquisadores exigiram altas potências de saída, o protótipo reteve 78,5% da sua eficiência energética original.

Corrida para substituir o lítio

Há uma corrida internacional para encontrar alternativas ao lítio. Como as instalações de rede elétrica não sofrem restrições de peso ou espaço físico — ao contrário de carros elétricos ou dispositivos móveis —, as baterias de fluxo despontam como sucessoras mais baratas no setor.

Nos Estados Unidos, o mercado já apresenta movimentações parecidas. A ESS Tech Inc., empresa com sede no Oregon, iniciou a instalação de medidores de fluxo de ferro em infraestruturas privadas, fornecendo suporte de energia para data centers de gigantes da tecnologia como o Google.

Com resultados científicos, o próximo desafio será provar a escalabilidade do projeto, tirando a promessa dos laboratórios e integrando a tecnologia às redes elétricas.

China desenvolve bateria barata que pode durar 16 anos

(imagem: iStock/SweetBunFactory)

Bateria de íon-lítio: entenda o que é, como funciona e o mito do “vício”

18 de Março de 2026, 11:19
Bateria de íons de lítio em celular (imagem: Unsplash/Tyler Lastovich)
Bateria de íons de lítio em celular (imagem: Unsplash/Tyler Lastovich)

As baterias de íon-lítio usam óxidos metálicos de lítio e grafite para a transferência de íons entre cátodo e ânodo. Essa movimentação é responsável por gerar energia que é armazenada pelo componente, sendo amplamente utilizada em dispositivos portáteis, como notebooks, celulares e wearables.

Esse tipo de bateria tem o funcionamento baseado em ciclos de carregamento, evitando o “vício” dos aparelhos eletrônicos. A tecnologia foi uma evolução às tradicionais baterias de níquel-cádmio que se degradavam de maneira mais agressiva, devido ao “efeito memória”.

A seguir, entenda como funciona a tecnologia das baterias li-ion, seu funcionamento e entenda o mito do “vício” em celulares e notebooks.

O que é uma bateria de íon-lítio?

Bateria de íon de lítio (ou bateria li-ion) é um tipo de bateria recarregável que tem lítio como principal componente interno. Esse tipo de bateria é muito usado em dispositivos eletrônicos em razão de sua durabilidade, baseada em ciclos de carregamento.

Como o lítio é um material com alto potencial eletroquímico, é possível armazenar uma grande quantidade de energia sem que o peso do aparelho aumente de maneira incômoda para o usuário.

Como funcionam as baterias de íon-lítio?

As baterias de íon-lítio funcionam a partir do movimento de íons entre o cátodo e o ânodo. Quando uma bateria está com 0% de carga, todos os íons de lítio estão posicionados no cátodo de óxido metálico. Ao colocar para carregar, esses íons passam a se mover para o ânodo de grafite por meio de eletrólitos, fornecendo energia elétrica.

Assim que um dispositivo eletrônico atinge 100% de carregamento, o sistema de gerenciamento da bateria interrompe o fluxo de energia da tomada, fazendo com que os íons passem a se movimentar de volta para o cátodo, descarregando a bateria durante o uso.

Os coletores de corrente são os responsáveis por transformar toda essa energia química gerada para o hardware do dispositivo, de forma que os componentes internos passem a funcionar normalmente.

Quais são os componentes de uma bateria de íon-lítio?

Uma bateria li-ion é composta por quatro componentes principais: catodo, ânodo, eletrólito e um separador. No entanto, existem outros elementos fundamentais para o bom funcionamento do componente, como coletores de corrente e um sistema de gerenciamento de bateria. Veja a função de cada um deles abaixo:

  • Cátodo: eletrodo positivo composto por óxidos metálicos de lítio. O cátodo determina qual será a capacidade da bateria, além de ser o reservatório principal de íons de lítio enquanto a bateria está sem energia. Durante o carregamento do componente, esses íons são levados em direção ao ânodo;
  • Ânodo: eletrodo negativo (geralmente feito de grafite) que armazena íons de lítio enquanto a bateria tem carga. Quando você usa um dispositivo eletrônico com 100% de bateria, os íons vão sendo levados de volta para o cátodo até atingir 0%;
  • Eletrólito: meio condutor responsável pela transferência de íons entre cátodo <-> ânodo, além de atuar como isolante para elétrons;
  • Separador: componente responsável pela segurança do sistema da bateria. Geralmente é uma membrana que mantém ânodo e cátodo separados fisicamente, evitando, assim, explosões;
  • Coletores de corrente: responsáveis pela transferência de energia química liberada na reação cátodo-ânodo para os componentes elétricos do dispositivo. Os coletores são compostos por materiais de alta condutividade e estabilidade, como alumínio e cobre;
  • Battery Management System (BMS): sistema de monitoramento da bateria que controla temperatura, corrente e voltagem. O BMS é responsável por garantir que o componente se mantenha equilibrado, sem danificar o aparelho caso o carregamento seja feito por muito tempo, por exemplo.

Bateria de íon-lítio vicia?

Não. O “vício” de uma bateria refere-se ao “efeito memória” das baterias de níquel-cádmio. Durante os anos 60, sistemas orbitais operavam com células deste tipo que passavam por ciclos constantes de reabastecimento: a carga era elevada a 100% ao atingir o índice de 25%.

Após muito tempo de uso desse padrão, especialistas da General Electric (GE) constataram uma degradação na capacidade de energia que não era utilizada. Isso serviu de base para a disseminação global sobre a dependência de carga, sustentando a ideia de que o reabastecimento deve ocorrer apenas após o esgotamento total para evitar o “vício” do componente.

Vale destacar que esse problema só acontecia com as baterias de níquel-cádmio. As de íon-lítio funcionam de um jeito diferente e moderno, por isso elas não correm o risco de “viciar”.

Qual é a durabilidade das baterias de íon-lítio?

A durabilidade das baterias li-ion é medida por ciclos de carregamento. Com o passar do tempo, nanocristais de sal gerados pela reação química alteram a estrutura interna do componente, afetando sua eficiência.

Em smartphones, os ciclos de carga podem variar entre 1.000 e 2.000 ciclos, de acordo com a marca. Cada ciclo é contado apenas quando a bateria é descarregada 100%, como no gráfico abaixo:

As baterias de íon-lítio podem explodir?

Sim, embora seja raro. As explosões em baterias de íon-lítio ocorrem devido ao fenômeno chamado de “Fuga térmica”, no qual o superaquecimento do dispositivo gera reações químicas fora do padrão.

Pesquisas realizadas pela University College London mostram que esse superaquecimento gera bolsas de gás, deformando camadas internas da bateria, levando ao inchaço do componente, além de possíveis incêndios e explosões.

Impactos na estrutura da bateria, exposição prolongada ao calor intenso e o uso de carregadores não originais podem aumentar o risco das baterias de íon-lítio explodirem.

Quais são os tipos de bateria de íon-lítio?

Uma bateria de íon-lítio pode ter diferentes composições químicas, de acordo com a necessidade:

  • LCO (Óxido de cobalto e lítio): bateria com alta densidade energética muito usada em dispositivos menores, como celulares e notebooks. Tem vida útil menor que outros tipos de baterias de íon-lítio;
  • LMO (Óxido de manganês e lítio): bateria de íon-lítio com alta potência, mas que possibilita uma descarga de energia maior. Oxído de manganês e lítio são recomendados para veículos elétricos e ferramentas elétricas, por exemplo;
  • NMC (Óxido de níquel, manganês, cobalto e lítio): bateria de íon-lítio altamente recomendada para o setor automobilístico por ter maior equilíbrio entre vida útil, densidade e versatilidade, já que a proporção de cada elemento químico pode ser alterada de acordo com a necessidade.
  • LFP (Fosfato de ferro e lítio): tipo de bateria com segurança maior, visto que o risco de fuga térmica é menor. Tem durabilidade maior e também é altamente utilizada no setor automobilístico;
  • NCA (Óxido de níquel, cobalto, alumínio e lítio): tipo de bateria li-ion focada em desempenho, oferecendo maior autonomia e potência. Por se tratar de uma bateria com maior risco de problemas, exige um sistema de resfriamento mais controlado;
  • LTO (Titanato de lítio): tipo de bateria que altera o componente químico do ânodo — diferente das demais que alteram o cátodo. É uma evolução nas baterias de íon-lítio, já que é altamente durável e oferece um carregamento mais rápido.

Onde as baterias de íon-lítio são usadas?

As baterias de íon-lítio são amplamente utilizadas em eletrônicos de consumo, como smartphones, tablets, smartwatches, e outros wearables que permitem carregamento. Além disso, também são usadas em equipamentos portáteis, como ferramentas de diferentes indústrias.

Com o passar dos anos, esse tipo de bateria também chegou em veículos elétricos, como carros, bicicletas e patinetes.

Quais são as vantagens da bateria de íon-lítio?

  • Menor custo: as baterias de íon-lítio têm custo menor em comparação com as baterias de silício-carbono, por exemplo;
  • Baixa taxa de descarga: baterias de íons de lítio são mais eficientes enquanto estão descarregando, segurando cargas por tempos maiores em comparação com baterias de níquel. Isso permite ter um dispositivo carregado mesmo após semanas sem uso;
  • Ausência de efeito memória: tecnologias antigas (como níquel-cádmio) têm o chamado “efeito memória”. Assim, baterias li-ion podem ser carregadas em qualquer momento, funcionando por meio de ciclos de carregamento;
  • Maior ciclo de vida: alguns tipos de baterias de íon-lítio oferecem alto ciclo de vida, possibilitando o uso de eletrônicos por anos antes de realizar a troca por outro componente. Alguns modelos, inclusive, são usados em carros elétricos;
  • Carregamento rápido: a química presente nas baterias de íons de lítio permitem o carregamento rápido, já que a energia química gerada internamente permite que o componente absorva energia de forma eficaz;

Quais são as desvantagens da bateria de íon-lítio?

  • Exigência de sistemas de proteção: a instabilidade presente na bateria li-ion exige um sistema de gerenciamento de bateria interno para evitar problemas durante o uso. Esse sistema faz o monitoramento de voltagem, temperatura, evitando sobrecargas elétricas;
  • Sensibilidade a impactos: baterias de íon-lítio podem ser danificadas após impactos contundentes. Quedas de celulares e tablets podem danificar o componente, causando fuga térmica.
  • Degradação: baterias de íon-lítio acumulam nanocristais de sal com o passar do tempo, resultado das reações químicas entre cátodo e ânodo, aumentando a degradação das células;
  • Sensibilidade ao calor: altas temperaturas podem acelerar os processos químicos internos das baterias de íons de lítio. Dessa forma, a vida útil do componente pode ser reduzida, além da possibilidade de incêndios e explosões em casos extremos;

Qual é a diferença entre baterias de íon-lítio e baterias de silício-carbono?

A bateria de íon-lítio tem funcionamento baseado na migração de íons de lítio entre o cátodo de óxido metálico e ânodo de grafite para armazenar energia. É confiável para dispositivos como smartphones pelo alto ciclo de vida e baixa taxa de descarga, apesar de se degradar com o tempo pelo acúmulo de nanocristais de sal.

Já a bateria de silício-carbono utiliza composto sintético no ânodo, aumentando a absorção de íons pelo encapsulamento do silício pelo carbono. Esse tipo de bateria tem um controle maior da expansão volumétrica, resultando em maior densidade energética e taxa de carregamento.

Qual é a diferença entre baterias de íon-lítio e baterias de níquel-cádmio?

As baterias de íon de lítio funcionam a partir da movimentação de íons entre câtodo de óxido metálico e ânodo de grafite, resultando em energia que é armazenada pelo componente para o funcionamento de dispositivos eletrônicos portáteis.

Já as baterias de níquel-cádmio utilizam hidróxido de níquel e cádmio metálico como eletrodos. O funcionamento do sistema é feito por essa reação química. No entanto, muitas empresas as deixaram de usar em eletrônicos devido ao “efeito memória”, que memorizava índices de carga e reduzia a capacidade útil da bateria.

Bateria de íon-lítio: entenda o que é, como funciona e o mito do “vício”

Buscadores com IA priorizam sites menos populares, diz estudo

29 de Outubro de 2025, 15:42
Homem sobre palco. Ao fundo, um telão exibe os escritos "AI Overviews"
Google anunciou as AI Overviews em 2024 (foto: reprodução/Google)
Resumo
  • Uma pesquisa na Alemanha mostra que buscas com IA generativa usam fontes menos populares que buscadores tradicionais.

  • Ferramentas como AI Overviews e o GPT-4o citaram sites fora do top 1.000 do ranking Tranco, rastreador que classifica sites por tráfego e popularidade.

  • Os pesquisadores afirmam que a amplitude das informações é similar, mas a IA tende a condensar contextos.

Um estudo constatou que buscadores com IA generativa recorrem com mais frequência a sites pouco populares ou fora dos padrões tradicionais. A pesquisa foi realizada pela Universidade Ruhr de Bochum, na Alemanha, e o Instituto Max Planck de Sistemas de Software.

O levantamento analisa como ferramentas de busca baseadas em inteligência artificial generativa selecionam suas fontes de informação. O resultado difere dos mecanismos de busca tradicionais, que priorizam listas de links baseadas em relevância e autoridade.

Enquanto sistemas convencionais operam indexando e classificando páginas, retornando listas ordenadas, o estudo mostrou que as IAs das buscas compactam informações de múltiplas fontes para criar respostas resumidas.

Metodologia da comparação

Para realizar a análise, a equipe extraiu milhares de consultas de um conjunto de dados públicos. As consultas incluíam perguntas baseadas em interações do ChatGPT, tópicos sociais e políticos do site de monitoramento AllSides, os 100 itens mais pesquisados na Amazon e tópicos em alta no Google Trends.

Cada consulta foi submetida simultaneamente à pesquisa tradicional do Google e a vários sistemas baseados em IA: as AI Overviews do Google, o Gemini 2.5 Flash e duas variantes do GPT-4o da OpenAI (seu modo de busca na web integrado e a Ferramenta de Busca GPT-4o).

Robô humanoide sentado e segurando tela
Sistemas priorizam “síntese” de dados em vez de “ranqueamento” de links (imagem: Andrea De Santis/Unsplash)

Os pesquisadores então compararam os domínios citados nas respostas geradas pela IA com os domínios que aparecem nos primeiros 10 e 100 links orgânicos da página de resultados padrão do Google. Para medir a popularidade dos domínios, foi utilizado o Tranco, um rastreador independente que classifica sites por tráfego e popularidade. Os resultados comprovaram diferenças significativas.

No caso das AI Overviews, mais da metade das fontes citadas não apareceu nos 10 principais resultados orgânicos do Google para a mesma consulta. Além disso, 40% das fontes estavam ausentes até mesmo dos 100 principais links tradicionais.

O Gemini apresentou um padrão semelhante, citando frequentemente domínios classificados fora dos 1.000 principais do ranking Tranco. O GPT-4o e sua versão web também se basearam em fontes menos proeminentes.

Qualidade da informação é pior nas IAs?

Ilustração com uma lupa sobre uma caixa de busca. Atrás estão alguns robôs.
Pesquisa revela diferenças entre os resultados de buscadores com IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O estudo não vai por esse caminho. Utilizando a LLOOM, ferramenta de avaliação independente desenvolvida pela Universidade Stanford, a equipe descobriu que, embora as fontes sejam diferentes, a amplitude geral das informações resumidas pela IA é semelhante àquela encontrada nos resultados tradicionais.

No entanto, os pesquisadores observaram que a busca padrão tende a fornecer uma cobertura contextual mais ampla. Em contrapartida, as respostas da IA frequentemente consolidavam esses casos em interpretações únicas, omitindo alguns resultados alternativos. Ou seja, as IAs tendem a condensar contextos.

A pesquisa também observou que os sistemas se beneficiam do conhecimento pré-treinado. O GPT-4o, por exemplo, por vezes oferecia resumos abrangentes sem citar dados externos, baseando-se apenas em sua base de conhecimento interna. Esse comportamento foi eficaz para tópicos bem estabelecidos, mas menos confiável para eventos recentes ou notícias de última hora.

Buscadores com IA priorizam sites menos populares, diz estudo

Google anuncia AI Overviews durante I/O 2024 (Imagem: Reprodução/Google)

Inteligência artificial (imagem: Andrea De Santis / Unsplash)

Inteligência artificial generativa chega à busca do Google (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Trabalhadores de apps têm jornadas mais longas e recebem menos, aponta IBGE

17 de Outubro de 2025, 17:29
Motorista de Uber
Estudo aponta que carga horária é de quase 45 horas semanais (imagem: Paul Hanaoka/ Unsplash)
Resumo
  • Trabalhadores de apps têm, em média, 5,5 horas a mais de jornada semanal que os não plataformizados, segundo o IBGE.
  • Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (17/10) e também revelam que o Brasil tem 1,7 milhão de trabalhadores de aplicativos, um aumento de 25,4%.
  • Apenas 35,9% contribuem para a previdência, e 71,1% atuam na informalidade, com autonomia limitada pelas plataformas.

Trabalhadores por aplicativo têm jornadas semanais mais longas que profissionais não plataformizados no Brasil, com um rendimento por hora trabalhada até 8,3% menor. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (17/10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e levam em conta o ano de 2024.

A pesquisa também revela que o número de trabalhadores nessa modalidade cresceu no país: de 1,3 milhão para 1,7 milhão no último ano, um aumento de 25,4% em apenas dois anos. São mais de 335 mil novos trabalhadores nas plataformas digitais.

Em termos comparativos, o contingente dos chamados “plataformizados” já supera a população de capitais como Recife (1,6 milhão) e Porto Alegre (1,4 milhão), e representa 1,9% do total de 88,5 milhões de pessoas ocupadas no setor privado.

O levantamento considera no montante o transporte particular de passageiros (exceto táxi), entrega de produtos e prestação de serviços gerais via app. A maior parte, 878 mil, atuava no transporte de passageiros em 2024 — um aumento de 29,2% somente nessa categoria.

Jornadas de trabalho são mais longas

Entregador do Uber Eats de moto
Trabalhadores cumprem jornada semanal mais longa (imagem: Szymon Fischer/Unsplash)

O rendimento mensal médio dos trabalhadores de aplicativos foi de R$ 2.996, valor 4,2% superior aos R$ 2.875 recebidos, em média, por profissionais não plataformizados. De acordo com o analista do IBGE Gustavo Geaquinto, rendas um pouco mais altas e a proposta de flexibilizar os horários incentivam a adesão a esse modelo de trabalho.

Contudo, para alcançar esses valores, a jornada semanal dos trabalhadores de aplicativos foi de 44,8 horas — 5,5 horas a mais que as 39,3 horas semanais cumpridas pelos demais. Na prática, essa diferença na carga horária resulta em um rendimento por hora trabalhada inferior: a média foi de R$ 15,40 por hora, ante os R$ 16,80 por hora recebidos pelos não plataformizados.

Vale destacar que o levantamento considera somente os indivíduos cujo trabalho principal é intermediado por plataformas digitais, excluindo quem usa os aplicativos como fonte de renda complementar. Segundo o IBGE, a maioria dos trabalhadores plataformizados é homem (83,9%) e possui ensino médio completo ou superior incompleto (59,3%).

Plataformas controlam a “flexibilidade”

Imagem mostra uma mulher dirigindo um carro, com as mãos ao volante
Pesquisa revela controle dos apps sobre preços e tarefas (imagem: Jan Baborák/Unsplash)

O estudo do IBGE também lança luz sobre a vulnerabilidade e as condições de trabalho dos trabalhadores de aplicativos. Apenas 35,9% deles contribuíam para a previdência social em 2024, uma proporção muito inferior aos 61,9% observados entre os não plataformizados. A informalidade também é expressiva, atingindo 71,1% do grupo.

A pesquisa também analisou o nível de controle das plataformas e apontou autonomia limitada entre os trabalhadores. Segundo o estudo, 91,2% dos motoristas afirmaram que o valor das corridas é definido pelo aplicativo. Além disso, 76,7% disseram que as plataformas escolhem os clientes a serem atendidos, e 70,4% dos entregadores relataram que o prazo de entrega também é imposto pelos apps.

A flexibilidade, citada como uma vantagem, é influenciada pelas próprias plataformas. Mais de 55% dos motoristas e entregadores relataram que sua jornada de trabalho é afetada por incentivos, bônus ou promoções. Além disso, mais de 30% desses trabalhadores reportaram a influência de ameaças de punições ou bloqueios.

O estudo integra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e foi realizado em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Ministério Público do Trabalho (MPT). Os resultados estão detalhados no site do IBGE.

Trabalhadores de apps têm jornadas mais longas e recebem menos, aponta IBGE

Motorista de Uber (Imagem: Paul Hanaoka/ Unsplash)

Entregador do Uber Eats de moto (Imagem: Szymon Fischer / Unsplash)

99 lança 99Mulher para motoristas mulheres atenderem só passageiras (Imagem: Jan Baborák/Unsplash)
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