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Review do Lenovo Idea Tab: pacote completo, desempenho limitado

29 de Abril de 2026, 19:45
Tela de início do Lenovo Idea Tab; cenário composto pela caixa do produto, caneta do tablet e uma caneca do Tecnoblog.
Lenovo Idea Tab: preço baixo por um hardware inferior compensa? (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

O Lenovo Idea Tab é um tablet com tela de 11 polegadas que já vem acompanhado de capa, teclado e caneta. Lançado em outubro de 2025 por R$ 2.149, o aparelho já é encontrado a partir de R$ 1.700, e promete ser uma opção com bom custo-benefício para quem busca um tablet para estudo.

Mas será que o equilíbrio entre o hardware limitado e o preço compensa? Eu testei o Lenovo Idea Tab nos últimos dias, e conto a seguir o que você pode esperar deste dispositivo em termos de desempenho e recursos.


Prós
  • Tela grande (11″) com resolução 2.5K e taxa de 90 Hz
  • Vem com capa, teclado e caneta
  • Boa autonomia de bateria
  • Recursos de IA integrados
  • Suporte a microSD
Contras
  • Câmeras básicas
  • Engasga em jogos e apps pesados
  • Áudio peca nos graves
  • Sem dados móveis (LTE ou 5G)
  • Brilho de tela baixo
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Aviso de ética

O Tecnoblog é um veículo jornalístico independente que ajuda as pessoas a tomarem sua próxima decisão de compra desde 2005. Nossas análises não têm intenção publicitária, por isso ressaltam os pontos positivos e negativos de cada produto. Nenhuma empresa pagou, revisou ou teve acesso antecipado a este conteúdo.

O Idea Tab foi cedido por empréstimo pela Lenovo e será devolvido após os testes. Para mais informações, acesse a nossa Política Editorial.

O que vem na caixa do Lenovo Idea Tab?

Caixa do Lenovo Idea Tab que menciona o kit com Capa Teclado e Caneta.
Caixa do Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

O pacote do Lenovo Idea Tab é completo, o que representa um ponto positivo em relação ao Galaxy Tab A11 Plus. Além do tablet, a caixa inclui carregador de 20 W, cabo USB-A para USB-C, capa com teclado e a caneta Lenovo.

A caneta funciona com uma pilha AAAA. Esse é um ponto de atenção, já que esse padrão é menos comum que as pilhas AAA usadas em periféricos convencionais e em controles de smart TV, por exemplo, o que pode dificultar a reposição imediata.

Caneta do Lenovo Idea Tab apresenta o nome da marca no topo.
Caneta do Lenovo Idea Tab precisa de pilha AAAA (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

A caixa ainda inclui o manual de instruções, Guia de Início Rápido e a chave para abertura da bandeja de cartão de memória.

Design e construção: tablet fino, leve e com visual premium

Parte traseira do Lenovo Idea Tab com o nome da marca em baixo relevo e destaque para a seção da câmera traseira.
Parte traseira do Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

O design do Idea Tab surpreende positivamente por apresentar uma construção bem sólida em peça única de alumínio na cor cinza.

Temos os botões de volume na lateral, a entrada para cartão microSD, além do botão de Liga/Desliga e duas saídas de áudio no topo. A traseira do tablet conta com o nome da marca em baixo relevo espelhado, o que traz um aspecto premium para o modelo, além de uma seção retangular para a câmera de 8 MP.

Parte inferior do Lenovo Idea Tab composto pela entrade de carregador USB-C, duas saídas de áudio e conector P2.
Conector de cabo USB-C e saídas de áudio do Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Na parte inferior do dispositivo, a Lenovo manteve a conexão P2 para fones de ouvido em uma das quinas, além da entrada USB-C para carregamento e outras duas saídas de áudio Dolby Atmos.

As dimensões e peso do Lenovo Idea Tab são:

  • Largura: 166,15 mm
  • Altura: 254,59 mm
  • Espessura: 6,99 mm
  • Peso: 480 gramas

Sem acessórios, o aparelho entrega boa ergonomia e é leve para transporte, inclusive com apenas uma mão.

No entanto, ao acoplar a capa e o teclado, o peso dobra, o que pode comprometer a mobilidade para quem pretende carregá-lo por longos períodos.

Vale ressaltar ainda que o tablet da Lenovo não tem resistência à submersão em água, apenas certificação IP52 que indica proteção contra respingos e poeira. Então é bom manter o tablet longe de piscinas para evitar acidentes.

Tela: alta resolução e 90 Hz de taxa de atualização

Reprodução de "Irmão do Jorel" no streaming para testar se o Lenovo Idea Tab exibe imagens vivas.
Tela do Lenovo Idea Tab oferece cores vivas em streaming (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

A tela é um dos pontos fortes do Idea Tab, entregando uma boa saturação de cores. O aparelho traz um painel WVA de 11 polegadas com resolução 2.5K (2.560 x 1.600 pixels) que, no geral, apresenta boa visualização em qualquer ângulo de visão em ambientes com pouca luz solar, e alta qualidade de imagem na reprodução de filmes e séries por streaming.

O tablet da Lenovo tem painel com brilho máximo de apenas 500 nits. Durante meus testes, isso foi suficiente apenas para uso em escritórios ou ambientes escuros, mas apresentou limitações de visibilidade sob luz solar direta, principalmente por conta dos reflexos que aparecem na tela.

Uso do Lenovo Idea Tab sob a luz do sol não mostra com qualidade o que está sendo exibido na tela.
Usando o Lenovo Idea Tab sob a luz do sol (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Esse número baixo de nits fez com que eu precisasse manter o brilho da tela sempre alto para conseguir uma boa visualização, principalmente em ambientes mais claros, onde exigiu o máximo de luminosidade.

Já a taxa de atualização de 90 Hz é outro ponto positivo do aparelho, garantindo uma fluidez satisfatória em animações do sistema e navegação em apps.

Áudio: alto volume de som, mas com graves decepcionantes

Inscrição "Dolby Atmos" na parte inferior do Lenovo Idea Tab.
Lenovo Idea Tab tem tecnologia de áudio Dolby Atmos (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Os alto-falantes do Lenovo Idea Tab entregam som bastante alto na reprodução de músicas, vídeos do YouTube ou filmes por streaming. Nas frequências mais baixas, porém, é clara a queda de potência e perda de presença.

O modelo apresenta uma leve distorção nos agudos com o volume máximo, deixando o som com um aspecto um pouco metálico em alguns momentos.

Câmeras: fotos e vídeos não são o foco do Idea Tab

Módulo de câmera traseira do Lenovo Idea Tab com a inscrição "8 MP Câmera"
Câmera traseira de 8 MP do Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Assim como em outros tablets, a câmera não é o foco principal do modelo da Lenovo. O Idea Tab conta com uma câmera traseira básica de 8 MP que permite tirar fotos em resolução Full HD, e deve ser satisfatória para escanear documentos e fazer registros cotidianos.

As imagens até podem agradar em ambientes bem iluminados, mas capturas contra a luz ou em ambientes mais escuros expõem os problemas, com perda significativa de detalhes, nitidez e resolução.

Teste de fotografia sob a luz do sol com o Lenovo Idea Tab. A imagem exibe uma praça cercada de carros e ruas
Foto em dia ensolarado com Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

O HDR presente no dispositivo até tenta contribuir com uma melhor qualidade de imagem, mas acaba sendo imperceptível no resultado final.

O mesmo acontece quando utilizamos o zoom digital da câmera. Repare que a imagem abaixo ficou parecendo uma pintura a tinta, quase sem detalhe nenhum captado pela lente de 8 MP.

Imagem com zoom digital do Lenovo Idea Tab que mostra prédios ao fundo com imagem borrada.
Zoom digital do Lenovo Idea Tab não é eficiente (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Tudo isso vale também para a câmera frontal de 5 MP, que é útil em videochamadas, mas não entrega nada muito além disso.

Outro detalhe importante é a falta do flash traseiro, enquanto a lente frontal tenta reproduzir o efeito via software. Isso faz com que o dispositivo não tenha uma lanterna, como acontece nos smartphones.

O Lenovo Idea Tab grava vídeos também em resolução Full HD, a 30 quadros por segundo. Como não possui estabilização óptica de imagem (OIS), qualquer movimentação com o braço é captada pela câmera, o que pode decepcionar alguns usuários.

Desempenho: não é um tablet para jogos, definitivamente

Modo multitarefa do Lenovo Idea Tab com Spotify, Instagram e Google Chrome em exibição.
Lenovo Idea Tab tem modo de multitarefas que funciona bem (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

O Idea Tab é equipado com o processador MediaTek Dimensity 6300 de oito núcleos e o modelo que testamos possui 8 GB de RAM, embora exista uma versão com 4 GB no mercado. Seu armazenamento interno é de 128 GB, expansível até 1 TB via cartão microSD.

O tablet apresentou bom desempenho em tarefas diárias para lazer e trabalho.

Durante meu tempo de uso, acessar redes sociais como WhatsApp, Instagram e serviços de streaming, como YouTube e Spotify não foi um problema, inclusive no modo multitarefa, que divide a tela em duas.

Também não tive problemas no uso básico de ferramentas de produtividade como o Google Docs, e em apps de inteligência artificial, como o Gemini.

No entanto, o Idea Tab sofre para executar jogos pesados, como Fortnite, por exemplo. A única forma que consegui uma taxa de quadros acessível foi reduzindo todas as configurações gráficas para o mínimo.

Fortnite sendo reproduzido no Lenovo Idea Tab com uma baixa qualidade gráfica e travamentos
Lenovo Idea Tab sofre para reproduzir jogos como Fortnite (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Em jogos mais leves, como Asphalt Legends, a reprodução foi melhor, mas ainda com alguns leves travamentos. Definitivamente, esse não é um tablet para jogos.

Outro problema foi no uso de softwares de edição de vídeo, como o CapCut. Foi possível notar travamentos constantes, já que app exige muito do processador na edição e reprodução de vídeos, efeitos e filtros.

Podemos comprovar essa falta de potência ao realizarmos o teste de benchmark via Geekbench 6.

O Lenovo Idea Tab apresentou 779 pontos em Single-Core e 1945 pontos em Multi-Core, sendo inferior a smartphones como Galaxy S20 FE, um celular lançado em 2020, e ao Galaxy A54, lançado em 2023.

Teste de benchmarking do Lenovo Idea Tab que exibe as pontuações em single-core e multi-core.
Resultado de benchmark do Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

No Geekbench 6, o Single-Core Score mede o desempenho de apenas um núcleo do processador, mostrando como ele se sai em tarefas simples ou que não usam múltiplos núcleos. Esse resultado é importante para atividades do dia a dia, como abrir aplicativos, navegar na internet e executar programas menos otimizados.

Já o Multi-Core Score avalia o desempenho usando todos os núcleos e threads disponíveis ao mesmo tempo, indicando a capacidade total do processador em tarefas pesadas. Essa pontuação é relevante para edição de vídeo, renderização e outras atividades que conseguem dividir o trabalho entre vários núcleos da CPU.

Sistema e recursos: recursos de IA integrados e atualização até 2029

Usando o Circle to Search com a caneta do Lenovo Idea Tab na página do Galaxy S26 do Tecnoblog.
Lenovo Idea Tab tem recursos de IA integrados, como o Circle to Search, do Google (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

O Idea Tab sai de fábrica com Android 16 e a interface personalizada da Lenovo, que traz alguns apps integrados e recursos de IA, como o Circle to Search.

Com ele, você pode circular qualquer elemento na tela para realizar buscas rápidas no Google, traduzir blocos de texto instantaneamente ou identificar objetos. Embora úteis, esses recursos apresentaram um tempo de resposta ligeiramente maior devido ao hardware limitado do aparelho.

O uso com a caneta também foi agradável, principalmente ao escrever e desenhar, já que eu pude encostar meu punho no aparelho sem problemas do tablet reconhecer como um toque adicional. O teclado também se comportou bem ao utilizar o Modo PC disponível no modelo.

Escrevendo TB no bloco de notas do Lenovo Idea Tab.
Caneta do Lenovo Idea Tab apresenta boa responsividade durante o uso (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

No entanto, um ponto negativo é que o recurso “Levantar para ativar” da tela simplesmente não funcionou quando o tablet está na posição vertical, mas funcionando perfeitamente ao usar a biometria para desbloquear o aparelho na horizontal.

De acordo com a Lenovo, o Idea Tab terá atualizações de segurança até 2029, o que garante uma boa sobrevida ao produto.

Bateria: 8 horas de uso contínuo em streaming

Segurando um carregador de 20 W do Lenovo Idea Tab, com um celular e uma caneca ao fundo.
Carregador do Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

O Lenovo Idea Tab tem bateria de 7.040 mAh, entregando uma boa autonomia durante meus testes.

Para uso direto, o aparelho suportou a reprodução de streaming por 8 horas contínuas, em YouTube e Spotify, com a configuração de tela sempre ligada, sem bloquear o dispositivo.

Para uso cotidiano, a bateria claramente é capaz de segurar carga por um dia inteiro — ou até mais, caso use o tablet por algumas horas por dia e o mantenha com a tela bloqueada no restante do período.

Já o tempo de recarga completa do aparelho com o adaptador de 20 W incluso na caixa foi de pouco mais duas horas.

Conectividade: o Idea Tab só funciona via Wi-Fi

Modo PC do Lenovo Idea Tab com o teclado e caneta em exibição; página do Tecnoblog é exibida na tela
Lenovo Idea Tab não tem suporte à dados móveis (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

O tablet da Lenovo não é compatível com dados móveis, como 4G ou 5G, e NFC, para pagamentos por aproximação.

O aparelho só tem acesso à internet via Wi-Fi (dual-band). As especificações de conexões e conectividade incluem ainda Bluetooth 5.2, saída P2 para fones de ouvido e uma porta USB-C 2.0, o que limita a velocidade de transferência de dados via cabo quando comparada a padrões mais recentes.

Vale a pena comprar o Lenovo Idea Tab?

Sim, mas por um preço bem mais baixo que o valor de lançamento. O tablet da Lenovo entrega um conjunto honesto para quem busca produtividade no trabalho e estudo, graças à alta capacidade de bateria.

O grande atrativo é receber o kit completo de acessórios sem custo adicional, o que o torna competitivo frente a modelos da Samsung ou Apple onde esses itens são vendidos à parte.

Porém, se o seu foco é potência para jogos ou brilho de tela extremo, talvez ele não seja a primeira opção. Para o uso diário, é uma escolha equilibrada pelo preço atual, na faixa dos R$ 1.700.

Assim como em outros dispositivos, vale ficar de olho no Achados do Tecnoblog antes de fechar negócio. Nossa equipe está sempre atenta nas melhores ofertas de tablets, principalmente sobre o Idea Tab, pelo custo-benefício que entrega ao usuário.

Mas e você, o que achou? Me conta se você tá disposto a comprar um desses na Comunidade do Tecnoblog!

Review do Lenovo Idea Tab: pacote completo, desempenho limitado

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Testamos o tablet Lenovo com tela 2.5K que promete bom custo-benefício e traz acessórios de produtividade na caixa; veja os prós e contras do Lenovo Idea Tab

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Lenovo Idea Tab (Imagem: Victor Toledo/Tecnoblog)

Review do Motorola Signature: câmera e desempenho para brigar pelo topo

8 de Abril de 2026, 14:17
Motorola Signature
Chegou o novo desafiante (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

O Motorola Signature é um smartphone ultra-premium da marca anunciado durante a CES 2026, que chegou ao Brasil com preço sugerido de R$ 8.999.

Para concorrer no segmento de topo de linha, o Signature terá que enfrentar modelos poderosos das linhas iPhone 17 e Galaxy S26, entre outros pesos-pesados.

Nessa disputa, seus atrativos são quatro câmeras de 50 megapixels, tela de 165 Hz, carregador de 125 W e o chip Snapdragon 8 Gen 5, que não é o Elite.

Nós testamos todos os detalhes, e contamos para você os prós e contras do Motorola Signature neste review completo.


Prós
  • Ótima construção e acabamento
  • Smart Connect para se ligar a outros dispositivos
  • Carregamento muito rápido
  • Desempenho de alto nível
  • Câmeras excelentes
Contras
  • Tamanho meio desajeitado
  • Falta calibração de cores e brilho nas câmeras
  • Limitações da Moto AI
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Aviso de ética

Tecnoblog é um veículo jornalístico independente que ajuda as pessoas a tomarem sua próxima decisão de compra desde 2005. Nossas análises não têm intenção publicitária, por isso ressaltam os pontos positivos e negativos de cada produto. Nenhuma empresa pagou, revisou ou teve acesso antecipado a este conteúdo.

O Signature foi cedido por empréstimo pela Motorola e será devolvido após os testes. Para mais informações, acesse a nossa Política Editorial.

O que vem na caixa do Motorola Signature?

Ao comprar um Motorola Signature você recebe essa caixa, que vem com o celular, obviamente. Dentro dela, tem também um carregador de 125 W, um cabo USB-C para USB-C, um documento com a garantia e uma chave para abrir a bandeja do chip nanoSIM. Se você queria também uma capinha, vai ter que comprar separadamente, porque não vem nenhuma.

Motorola Signature, carregador e caixa
Carregador de 125 W é mais que suficiente para recarga máxima de 90 W (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Um detalhe interessante é que a caixa vem perfumada! A Motorola tem se dedicado muito ao design e aos materiais dos aparelhos e, nessa linha, passou a colocar um cheirinho na embalagem. Chique, né?

Design: caprichado nos mínimos detalhes

Traseira em vegan leather do Motorola Signature
Cor verde-oliva puxa para o dourado (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

A Motorola caprichou no acabamento do Signature. Na parte de trás, ele tem um revestimento de material sintético que imita couro, também conhecido como vegan leather. Nas laterais, a moldura é de alumínio. É bem bonito, viu?

Essa unidade que a Motorola mandou para a gente é da cor verde oliva – apesar do nome, eu diria que está mais para um dourado. Para quem prefere ser discreto, tem também uma opção em azul bem escuro, quase preto.

Na borda direita, o smartphone tem os botões de volume e bloqueio de tela. Na esquerda, fica o botão de atalho para Moto AI – logo, logo a gente fala mais sobre isso. Na parte de baixo, fica uma entrada USB-C, uma bandeja para chip nanoSIM e um alto-falante. Tem outro alto-falante na parte superior do aparelho – o som é estéreo e tem suporte ao formato Dolby Atmos.

Botão de atalho do Motorola Signature
Atalho para Moto AI fica sozinho na esquerda (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Todo esse conjunto conta com as certificações IP68 e IP69. Isso significa que, ao menos na teoria, ele deve resistir a jatos d’água de alta pressão e a profundidades de 1,20 m por 30 minutos, além de ser selado contra a entrada de poeira.

O celular também passou pelos testes para obter a certificação MIL-STD-810H de padrão militar, o que significa que ele foi aprovado para funcionar sob condições extremas de temperatura e outros fatores. É bom explicar que isso não significa resistência a quedas.

O Signature tem 162,1 mm de altura por 76,4 mm de largura por 7 mm de espessura, pesando 186 gramas. Na mão, a impressão é de um aparelho leve e fininho.

Na parte superior esquerda, fica o módulo de câmeras, com três lentes e um flash organizados em um quadrado com acabamento de metal. Ele tem um calombo, mas as bordas são bem suaves e acaba sendo um bom lugar para colocar o dedo indicador. O aparelho só não é totalmente confortável de usar porque ele é bem grande, com tela de 6,8 polegadas.

Tela: para quem gosta de cores intensas

E já que estamos falando de tela, vamos a mais detalhes. O Signature conta com um painel AMOLED de taxa de atualização variável, que vai de 1 a 165 Hz, podendo alternar entre modos mais econômicos e outros mais focados em desempenho.

A resolução é Super HD, de 1264 x 2780 pixels – mais que Full HD, portanto. Isso dá aproximadamente 446 pixels por polegada. Para quem precisa de visibilidade sob o sol, o Signature oferece um pico de brilho de 6.200 nits. A tela conta com a proteção do Gorilla Glass Victus 2, e vale dizer que ela tem bordas curvadas nos quatro lados.

Motorola Signature mostrando cena de Peanuts
Cores vivas são destaque da tela do Signature (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Deixando de lado todos os números e especificações, o que a gente tem é uma tela com contraste muito alto e cores bastante saturadas. São três opções de ajuste: cores naturais, radiantes e intensas. Tirando a primeira opção, que é mais apagadinha, as outras duas mostram cores bem vivas, com um brilho muito alto. Ler sob o sol não é tão difícil, mas ficaria melhor se o vidro não refletisse tanto a luz do sol.

A alta taxa de atualização também merece elogios, deixando todas as transições e rolagens de conteúdo bem agradáveis aos olhos. O Signature oferece três opções, podendo ficar só com 120 Hz, só com 60 Hz ou equilibrar os dois conforme o uso, para não gastar muita bateria. É bom notar que essas diferenças são meramente estéticas – se você preferir economizar bateria, não vai perder muita coisa.

Áudio: qualidade de ponta, volume ok

O Signature tem dois alto-falantes desenvolvidos em parceria com a marca Bose, uma das principais empresas de áudio do planeta. Com isso, o smartphone tem suporte ao padrão Dolby Atmos de som surround, criando uma sensação espacial para músicas, séries e filmes.

Porta USB-C do Motorola Signature
Signature tem um alto-falante na parte de baixo e outro na parte de cima, oferecendo som estéreo (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Os alto-falantes não chegam a ser tão potentes – eu diria que o volume é mais alto que a média de um celular, mas ainda longe de uma caixinha de som. O que muda mesmo é a qualidade: o Signature tem um som encorpado, aconchegante, com atenção especial a graves e médios. Não fica aquele som de caixinha de abelha de celular – é muito mais denso.

O estéreo e o Dolby Atmos também ajudam muito a criar essa sensação. Eu vi algumas cenas do filme F1, vencedor do Oscar de melhor som, e o Signature não vai ser um cinema inteiro nas suas mãos, mas ele capta um pouco das nuances de espaço das cenas.

Câmeras: ricos detalhes, mas cuidado com a exposição

O Signature tem um conjunto triplo de câmeras na traseira e uma câmera frontal. Todas elas têm 50 megapixels. Mas vamos pausar um pouquinho para explicar melhor isso.

Sensor de 50 megapixels significa que as imagens que ele gera têm essa resolução, mas isso não significa que todos os sensores de 50 megapixels são iguais.

A diferença mais importante entre eles está no tamanho. Isso mesmo, você pode ter sensores de 50 megapixels com tamanhos diferentes. Quanto maior o tamanho, mais luz ele capta, e a tendência é que as imagens tenham mais qualidade, principalmente em situações em que a iluminação não ajuda, como à noite ou em lugares fechados.

Existem algumas formas de você saber o tamanho do sensor. Uma das mais simples é pelo tamanho do pixel. Ele é expresso em micrômetros, nome dado a um milésimo de milímetro.

Motorola Signature
Todas têm 50 megapixels, mas não são iguais (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Depois de toda essa explicação, acho que fica mais fácil entender como são as câmeras do Signature.

  • A câmera principal tem um sensor Sony Lytia 828 de 50 megapixels com 1,22 micrômetros cada.
  • A câmera periscópica teleobjetiva tem zoom óptico de 3x. Ela usa um sensor Sony Lytia 600, de 50 megapixels com 0,8 micrômetros cada.
  • A câmera ultrawide tem ângulo de visão de 122 graus e sensor de 50 megapixels com 0,64 micrômetros cada. Aqui, a Motorola não especificou quem é o fabricante do componente.
  • Por fim, a câmera frontal usa sensor Sony Lytia 500.

Um ponto importante do Motorola Signature é que ele é capaz de filmar em 8K a 30 frames por segundo com o conjunto traseiro de câmeras e 4K a 60 frames por segundo com a câmera frontal, o que é bem interessante para quem precisa de muita definição em seus conteúdos.

Legal, eu falei um monte de números aqui, mas e na prática? Olha, a câmera é realmente muito boa. As imagens são bastante detalhadas, e o processamento feito pela Motorola deixa tudo bem claro e iluminado, de noite ou de dia, no sentido da luz ou contra a luz.

O modo retrato consegue um bom desfoque das imagens ao fundo, aplicando o efeito com muita precisão e permitindo ajustar a profundidade de campo. Mesmo na câmera frontal, que depende de um único sensor e dos algoritmos para conseguir o efeito de retrato, o resultado é muito bom, com um recorte bastante preciso.

Duas fotos de uma mesma mulher em um bar, com um quadro ao fundo. Na primeira, o desfoque é sutil. Na segunda, é mais agressivo.
Modo retrato oferece opções de profundidade de campo e entrega imagens de qualidade, mas tons saem puxados para o vermelho (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)
Foto de homem em uma área externa. A parede ao fundo e uma planta estão desfocadas.
Câmera frontal também faz bom trabalho no modo retrato (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

A alta resolução do sensor usado na lente periscópica permite um nível excelente de detalhes mesmo com o zoom ativado. Eu até brinquei aqui em casa que nunca tinha feito fotos tão bonitas da minha gata.

Foto em close de gata cinza, com rosto em cinza, preto e laranja. A foto é muito aproximada e tem muitos detalhes dos pelos.
Zoom óptico de 3x e sensor de 50 MP garantem fotos ricas em detalhes (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

E por falar em zoom, a Motorola também colocou um recurso de zoom de até 100x usando IA. Ele funciona de modo satisfatório em paisagens, para mostrar alguns detalhes de árvores, animais, construções. Mas, olha, não dá para você esperar milagre: se você for tentar tirar fotos muito aproximadas de um show, por exemplo, o resultado é bastante artificial.

Duas fotos lado a lado. Na primeira, cadeiras de praia, palmeiras e dois prédios. Na segunda, um detalhe das folhas da palmeira.
Zoom com IA se sai bem em paisagens (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

A explicação é simples: para “preencher” as informações da imagem, ele usa IA e tenta adivinhar o que é aquilo na lente. É por isso que o rosto do seu cantor favorito vai acabar ficando meio esquisito na foto.

Rosto da cantora Alcione visto em close. Há várias listras duplicadas nos cabelos, e é praticamente impossível ver o microfone, que se tornou uma mancha dourada amorfa.
Zoom com IA do Signature pode alucinar e criar imagens com aspecto muito artificial (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

A estabilização em vídeos é ótima, tanto com a câmera frontal quanto com as três câmeras traseiras. A Motorola oferece ainda um modo chamado Action Shot, que serve para tirar fotos de itens em movimento sem que eles fiquem desfocados. Na viagem que eu fiz a convite da marca para acompanhar uma sessão de surfe, pude ver isso na prática, e o resultado é bastante satisfatório.

Foto de mulher surfando em uma piscina de ondas artificiais.
Action Shot garante imagens de movimento sem borrões (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Tem alguns pontos que eu notei na câmera do Signature que podem incomodar algumas pessoas. Em algumas fotos, eu notei que a câmera puxou um pouco para o vermelho e até mesmo para o marrom, resultando em uma imagem menos natural.

Outro problema é ao gravar e dar zoom – ao passar de uma câmera para outra, as cores mudam bastante. Essa é uma queixa comum em smartphones, mas eu achei que o Signature tem isso de modo um pouco mais acentuado que o de outros aparelhos da mesma categoria.

Também em vídeos, eu achei que a câmera zoom tende a deixar as imagens muito estouradas de brilho em shows. Dá para compensar isso reduzindo a exposição, mas esse controle no app padrão da câmera do Signature é muito sensível, então apanhei bastante para conseguir gravar do jeito que eu queria.

Foto de palco de show do cantor Gilberto Gil. As imagens do telão estão claras demais
Vídeos tendem a ficar com brilho demais (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)
Foto de palco do cantor Gilberto Gil. Desta vez, o palco está com uma boa iluminação, mais puxada para o escuro, mas a plateia praticamente desapareceu.
Controles de exposição são muito sensíveis, e encontrar equilíbrio pode ser difícil (imagem: Giovanni Santa Rosa)

Desempenho: esquentadinho, mas dá conta do recado

O Motorola Signature vendido no Brasil tem 512 GB de armazenamento e 12 GB de RAM, que podem ser expandidos para 24 GB com ajuda do armazenamento. No dia a dia, não tive problemas: usei WhatsApp, redes sociais, Slack, ClickUp, apps bancários, Gmail, calendário e alguns jogos casuais sem travamentos ou engasgos. Como mencionei, o modo de 120 Hz da tela reforça essa sensação de agilidade.

A Motorola optou por usar o chip Snapdragon 8 Gen 5. A Qualcomm andou fazendo uma bagunça no nome das suas plataformas, então é melhor explicar direitinho: existe o Snapdragon 8 Elite Gen 5, que é o que o Xiaomi 17 e o Galaxy S26 Ultra usam, e o Snapdragon 8 Gen 5 “não Elite”, se é que a gente pode chamar assim, que está aqui no Signature.

Tela do Geekbench 6 no Motorola Signature
Desempenho rivaliza com segmento ultra-premium do ano passado (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Nos testes do Geekbench 6, o chip mostrou que é muito próximo ao do Snapdragon 8 Elite for Galaxy usado no S25, do ano passado, tanto em CPU quanto em GPU, o que confirma a impressão de alto desempenho que eu tive ao usar o aparelho.

  • Geekbench 6 CPU single-core: 2885
  • Geekbench 6 CPU multi-core: 9180
  • Geekbench 6 GPU: 17676

Na prática, em momentos de maior exigência, o Signature saiu bem. Eu joguei cerca de uma hora de Genshin Impact com todos os gráficos no máximo e ele conseguiu manter os 60 fps durante quase todo o período, com só uma leve queda instantânea, sem lag e sem travar.

O único porém é que ele esquenta consideravelmente – segundo a própria ferramenta de games da Motorola, que vem pré-instalada no aparelho, a temperatura chegou a 44 graus. Nas mãos, você sente isso principalmente nas bordas e no módulo da câmera, que são de alumínio. É um pouco desconfortável, mas dá para aguentar.

Sistema e recursos: Smart Connect brilha, Moto AI derrapa

O Signature vem com Android 16 e promessa de sete atualizações de sistema operacional e sete anos de updates de segurança.

Motorola Signature mostrando o logo do Android 16
Signature deve receber até o Android 23 (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Muita gente se lembra daquela fase da Motorola com Android puro e tudo mais… a interface Hello UI não é mais tão pura e traz algumas alterações – tem um feed de notícias do lado da bandeja de aplicativos, por exemplo. Mesmo assim, são alterações bem menos agressivas que de uma One UI da Samsung, por exemplo. E os gestos clássicos de girar para abrir a câmera e chacoalhar para ligar a lanterna continuam por aqui.

Dá para ver bem isso nos aplicativos pré-instalados. Enquanto outras concorrentes colocam seus próprios aplicativos de calendário, contatos, navegação na internet e galeria, a Motorola opta por usar apenas os apps do Google – Chrome, Google Fotos, Arquivos. A notícia ruim é que não dá para desinstalar nenhum deles, apenas desativar.

Isso não quer dizer que não tem nenhum app próprio da Motorola no aparelho – tem sim, e como tem! A fabricante colocou aplicativos como Notas, Dolby Atmos, Moto Secure e Moto Unplugged. A nota negativa fica para o Dimo, que é uma espécie de banco digital da marca. E de novo, nada de desinstalar, apenas desativar.

Três fotos lado a lado mostrando personalizações de interface do Motorola Signature
Motorola inclui apps próprios e personalizações no Android (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Por outro lado, o destaque positivo é o Smart Connect. A Motorola vem, ao longo dos últimos anos, aprimorando a conectividade dos smartphones da marca com outros aparelhos. O Smart Connect centraliza tudo isso.

Uma coisa bem bacana é a possibilidade de plugar um monitor externo pela porta USB-C. Eu fiz um teste usando um monitor, um adaptador e um cabo HDMI e o resultado foi ótimo. A interface do Smart Connect tem diversos modos para acessar o conteúdo do Signature.

O modo desktop, por exemplo, permite usar os apps em janelas, com ajuda de um mouse e teclado. Já o modo TV abre um menu com os serviços de streaming instalados no celular, para você poder ver filmes e séries em uma tela maior. O modo de videoconferência faz ligações usando a câmera do smartphone, e o modo de jogos lista os games e permite rodá-los com auxílio de um controle.

Tela de computador rodando Android, com o site do Tecnoblog aberto
Smart Connect dá acesso a apps do Android em uma tela maior (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

E isso é só a parte mais legal do que o Smart Connect pode fazer. Com um app para Windows, o smartphone e o computador ficam conectados, e dá para acessar mensagens SMS, usar o celular como webcam e sincronizar o Ctrl+C Ctrl+V, entre outros recursos do tipo. A plataforma inclui ainda ferramentas de sincronização com tablets, fones, tags de localização e até iPhones.

Outro diferencial do Signature é a Moto AI, conjunto de ferramentas de inteligência artificial generativa da marca, como resumo de notificações, gerador de imagens e criador de playlists. Ao acionar a assistente da marca pelo botão de atalho que fica na lateral esquerda do aparelho, a IA lê a tela e sugere ações, como armazenar as informações presentes, salvar contatos ou agendar compromissos.

O ponto negativo é que nada funciona localmente, nem mesmo o resumo de notificações – você precisa estar conectado à internet para usar.

Bateria: grande o suficiente para um smartphone fino

A bateria de silício-carbono do Signature tem 5.200 mAh — ao contrário das marcas que usaram a tecnologia para expandir a capacidade, a Motorola parece ter optado por um componente mais compacto, equilibrando autonomia e design.

Além disso, o smartphone tem suporte a carregamento com fio de 90 W. O carregador que a Motorola manda na caixa é mais que suficiente, com 125 W.

No uso diário, eu não tive problema com o aparelho em nenhum dia. Mesmo quando exagerei e joguei algum game mais casual por mais de uma hora, ele conseguiu chegar até a hora de dormir com uma boa carga.

Motorola Signature mostrando AccuBattery
Bateria dura bastante e tem recarga muito rápida (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Um exemplo disso: em um fim de semana, eu tirei o Signature da tomada pela manhã, por volta das 8h, com 100% de carga. Até umas 14h, estive fora de casa, usando redes sociais e WhatsApp ocasionalmente. A bateria caiu para 80%. Depois, por volta das 18h, eu saí com 68% de bateria e usei a direção do Google Maps por cerca de 45 minutos, chegando a 61%. Eu fui a um show, e aproveitei para testar bastante a câmera com fotos e principalmente vídeos durante três horas. À meia-noite, cheguei em casa ainda com 30%, uma boa folga.

No nosso teste de desgaste total, coloquei o Signature para tocar uma transmissão infinita no YouTube. Ele durou 17h29min até a bateria esgotar por completo.

Mesmo que você se esqueça de carregar o Signature, o carregador de 125 W te salva. Nos nossos testes, ele entregou em média entre 1,5% e 1,6% de capacidade por minuto. Ou seja, em meia hora, ele recebe 45% da bateria, e uma hora é suficiente para encher o celular.

Conectividade: Wi-Fi 7 e Bluetooth 6 presentes

E um último ponto da ficha técnica do Signature é a conectividade. Nesse quesito, o smartphone da Motorola tem tudo o que é esperado de um flagship, como o suporte a eSIM, Wi-Fi 7, NFC para pagamentos por aproximação e Bluetooth 6.0 – além de 5G, é claro.

Vale a pena? Preço mais baixo pode tornar Signature atraente

O Signature é voltado para quem não tem medo de gastar muito em um celular e quer o que há de melhor no mercado em câmeras e desempenho.

Se seu uso é mais básico e voltado ao dia a dia, é melhor ficar longe do Signature – fique com um aparelho mais modesto e acessível para acessar as redes sociais, tirar fotos sem grandes pretensões e jogar um joguinho de vez em quando. Você vai economizar muito dinheiro.

Se a gente for pegar os preços oficiais, o Signature é R$ 1.800 mais barato que o Galaxy S26 Plus de 512 GB e R$ 3.500 mais barato que o iPhone 17 Pro Max de 512 GB, que são as principais referências em termos de recursos, câmeras e tamanho de tela.

Motorola Signature mostrando tela inicial do Android
(foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

A gente não sabe como isso vai se desenrolar nos próximos meses, quando os preços começarem a cair, mas se essa diferença continuar, o novo modelo da Motorola se mostra bastante competitivo. Se você preferir economizar e levar o Signature no lugar de um Galaxy S26 Plus ou mesmo de um iPhone 17 Pro Max, você terá um smartphone com um conjunto fotográfico excelente, recarga muito mais rápida e, se você se importa com isso, estilo e acabamento diferenciados.

O Signature pode deixar a desejar um pouco por ter uma interface menos polida que a dos concorrentes e um desempenho ligeiramente abaixo, mas o saldo final do conjunto ainda é muito positivo.

E para encontrar preços melhores, acompanhe os Achados do TB! Nossa equipe revira a internet todos os dias para encontrar as ofertas mais vantajosas para você.

Review do Motorola Signature: câmera e desempenho para brigar pelo topo

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Testamos o Signature, novo celular premium da Motorola; veja como o smartphone se sai em câmeras, desempenho, bateria e recursos no dia a dia antes de decidir se vale a pena comprar

Chegou o novo desafiante (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

(foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

(foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

(foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

(foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

(foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Modo retrato oferece opções de profundidade de campo e entrega imagens de qualidade, mas tons saem puxados para o vermelho (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Zoom óptico de 3x e sensor de 50 MP garantem fotos ricas em detalhes (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Zoom com IA se sai bem em paisagens (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Zoom com IA do Signature pode alucinar e criar imagens com aspecto muito artificial (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Action Shot garante imagens de movimento sem borrões (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Vídeos tendem a ficar com brilho demais (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Controles de exposição são muito sensíveis, e encontrar equilíbrio pode ser difícil

Desempenho rivaliza com segmento ultra-premium do ano passado (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

(foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

(foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Smart Connect dá acesso a apps do Android em uma tela maior (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Bateria dura bastante e tem recarga muito rápida (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

(foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Terror da privacidade: novo serviço revela seu aniversário e endereço a outras pessoas

13 de Fevereiro de 2026, 14:27
Marcos Mion é sócio e garoto propaganda de plataforma (imagem: reprodução)
Resumo
  • O PresenteIA, da CRMBonus em parceria com o iFood, utiliza dados de transações para sugerir presentes via WhatsApp, levantando preocupações sobre privacidade.
  • O sistema coleta dados pessoais como nome, CPF e endereço, e pode revelar aniversários de contatos sem consentimento direto.
  • A CRMBonus afirma que os dados são tratados conforme a legislação, mas há dúvidas sobre a transparência e consentimento no uso das informações.

Um novo serviço tem o potencial de revelar o seu aniversário – e de 90% dos brasileiros, segundo o marketing deles – para qualquer pessoa. Anunciado no começo desta semana, o PresenteIA é fornecido pela empresa de fidelização CRMBonus em parceria com o iFood. A ideia é “presentear pessoas queridas” a partir de uma aplicação dentro do WhatsApp. Na prática, ela levanta dúvidas sobre a proteção da privacidade dos consumidores.

A novidade tem tudo para se tornar o terror da privacidade, pela facilidade com que os dados são cruzados e o tamanho das empresas envolvidas. Basta saber o número de telefone, conforme você vê abaixo.

Como funciona o PresenteIA?

Eu fiz o teste do chatbot, que rapidamente identificou nome completo e CPF (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Primeiro precisamos entender como o PresenteIA funciona. É necessário mandar uma mensagem para a conta dele no WhatsApp e concordar com os termos de uso. A partir daí, apenas com seu telefone, o sistema já resgata seu nome completo e CPF. O passo seguinte é informar o próprio endereço, algo obrigatório para participar da plataforma.

Nos nossos testes, a etapa seguinte foi anexar contatos diretamente da agenda do smartphone. O PresenteIA brinca com a ideia de que “parece mágica, mas é IA” e promete “adivinhar” as datas de aniversário dessas pessoas. Para tanto, ele se vale da base de dados da CRMBonus, empresa que opera, entre outros serviços, o Vale Bonus, uma espécie de marketplace onde os clientes trocam pontos por produtos.

O PresenteIA explica que o sistema envia um lembrete 24 horas antes de cada data cadastrada e, no mesmo fluxo de conversa, “sugere opções de presentes alinhadas ao perfil de consumo e ao contexto da ocasião”. Os mimos ofertados atualmente são chocolates, bebidas, flores e brinquedos, entre outros.

Muitas dúvidas sobre privacidade

O advogado especializado em direito digital Pedro Henrique Santos, que também atua como pesquisador do Data Privacy Brasil, faz a seguinte ponderação: “a pessoa cujo aniversário é identificado necessariamente consentiu que essa informação fosse disponibilizada a alguém apenas por constar como contato?” Essa é uma das principais questões a respeito da nova plataforma, que se baseia na ideia de que os dados armazenados na CRMBonus podem ser repassados a terceiros.

Plataforma identifica aniversários dos contatos (imagem: reprodução/PresenteIA)

Cabe lembrar aqui que o funcionamento é diferente de uma rede social, onde nos acostumamos a visualizar os perfis das pessoas, descobrir informações, checar datas importantes e até relações de parentesco. E mesmo assim, com o passar dos anos, aplicativos como o Facebook passaram a reduzir a exposição desses dados.

O usuário do app Vale Bônus que queria trocar pontos estava ciente, ao iniciar essa relação com a CRMBonus, de que o seu aniversário seria revelado a terceiros sem autorização prévia? Me parece que não, e você é mais do que bem-vindo para deixar a sua opinião nos comentários deste texto.

Cadê a autorização prévia?

O encarregado de dados da CRMBonus nos respondeu que, no caso do novo serviço, o tratamento de dados pessoais “ocorre somente mediante interação do usuário no chatbot, por meio do qual ele terá acesso ao Aviso de Privacidade e aos Termos e Condições de Uso para aceite e envio dos contatos de seus familiares ou amigos/conhecidos para inserção em agenda de aniversários.” Isso não é inteiramente verdade, pois um contato que jamais interagiu com o PresenteIA pode ter seu aniversário apresentado a terceiros. Basta informar o número de telefone daquela pessoa.

Já o especialista em privacidade com quem conversamos lembra que o risco à privacidade poderia ser reduzido se a aplicação adotasse mecanismos de transparência ativa. “Eles poderiam assegurar que a pessoa seja informada de forma clara quando seu contato for inserido na ferramenta e quando seus dados forem acessados por terceiros.” Nada disso ocorre atualmente, pelo que pudemos verificar.

Eles sabem o seu endereço

Lembrancinhas disponíveis no PresenteIA (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

A data de aniversário é só o começo dessa história, já que a ideia real do PresenteIA é vender produtos em datas especiais. “Estamos focados em transformar o ato de presentear em um hábito cotidiano no Brasil”, afirma o CEO da CRMBonus, Alexandre Zolko, em nota à imprensa. Ainda falta, portanto, saber o endereço.

Nós simulamos o interesse de presentear uma pessoa em nossos testes. Uma loja surge no WhatsApp com diversos produtos, de variados preços, que se enquadrariam na categoria de lembrancinhas. Escolhemos uma caixa de chocolates de R$ 185 e avançamos na compra. Nesta hora, o PresenteIA informa que o aniversariante precisa ter um cadastro na plataforma.

Entra em cena o iFood, aplicativo que domina o setor de delivery no Brasil, se tornou acionista da CRMBonus em 2025 e é classificado como um “parceiro estratégico” na nova iniciativa. “Quando o assunto é saber o endereço da pessoa que você mais gosta, respeitando toda a privacidade, o negócio é comigo.” Assim começa a fala de Diego Barreto, CEO do aplicativo, num vídeo de divulgação. “Depois do iFood, a vida ficou mais fácil. E é também porque eu sei o seu endereço. Porque você me confia ele.” Confira abaixo.

Mesmo com todo o marketing em torno das facilidades dessa adivinhação – na realidade, um poderoso cruzamento de dados –, a etapa de descobrir o endereço não deu certo nos nossos testes. Depois disso, o PresenteIA sugeriu mandar uma mensagem ao aniversariante pedindo que cadastre o endereço na plataforma.

Importante: o endereço do aniversariante não é informado diretamente no chatbot, mas aparece na nota fiscal. Ou seja, a pessoa que pagou pelo produto saberá onde fica a sua casa.

PresenteIA oferece consulta à base de dados do iFood (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Tudo isso ocorre com o conhecimento da Meta, dona do WhatsApp. O líder do aplicativo no Brasil, Guilherme Horn, também aparece no vídeo celebrando a possibilidade de enviar uma lembrancinha sem sair do WhatsApp. “É revolucionário”.

O que diz a CRMBonus?

Nós entramos em contato com a equipe de comunicação da CRMBonus para apresentar nossas dúvidas sobre privacidade. A empresa disse que as informações são tratadas “de forma legítima, transparente e em conformidade com a legislação vigente”. Também explicou que “nenhum dado classificado como sensível pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) é compartilhado”.

Por fim, disse que os endereços “são inseridos diretamente pelo próprio usuário, de forma voluntária, exclusivamente para viabilizar a experiência de uso do produto”. Este ponto conflita com a fala do CEO do iFood, de que ele sabe os endereços das pessoas e que isso poderia ser utilizado durante a compra do presente.

A CRMBonus conclui dizendo que o PresenteIA foi desenvolvido “para oferecer mais praticidade e conveniência no dia a dia, promovendo conexões positivas por meio do ato de presentear, com responsabilidade no uso da tecnologia e respeito à privacidade dos usuários”.

Como excluir os dados?

Aviso de privacidade prevê exclusão dos dados (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

O advogado Pedro Henrique Santos considera “fundamental” permitir que a pessoa impeça a divulgação de sua data de aniversário ou a utilização de suas informações na plataforma. De acordo com ele, a combinação de medidas da chamada transparência ativa e o direito de oposição contribui para um tratamento de dados mais alinhado à LGPD.

As pessoas interessadas em excluir os dados armazenados pela CRMBonus devem entrar em contato com o encarregado Eduardo Luis dos Santos Vieira pelo email dpo@crmbonus.com. A empresa se compromete a processar a solicitação num prazo de 15 dias.

Terror da privacidade: novo serviço revela seu aniversário e endereço a outras pessoas

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PresenteIA utiliza 100 milhões de registros de transações da empresa CRMBonus. Também conta com parceria do iFood para obter endereços.

Marcos Mion é sócio e garoto propaganda de plataforma (imagem: reprodução)

Lembrancinhas disponíveis no PresenteIA (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Aviso de privacidade prevê exclusão dos dados (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Cadê os celulares com bateria infinita? Tudo evolui, menos isso

6 de Fevereiro de 2026, 11:16
Ilustração mostra pessoas com placas de bateria. No lado esquerdo, um smartphone com o símbolo de pouca bateria. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível.
Autonomia dos smartphones pouco mudou nos últimos anos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A autonomia dos smartphones é um dos problemas mais antigos dos consumidores.
  • Baterias de silício-carbono aumentam a capacidade em 20% a 30%, mas têm vida útil menor, com cerca de 1.500 ciclos de carga.
  • Fabricantes chinesas como Xiaomi, Realme, Honor e Oppo investem nessa tecnologia, enquanto Apple e Samsung priorizam controle de energia.

Todo mundo quer celulares com baterias que durem mais. Essa é uma das queixas mais antigas dos consumidores — e também uma das mais negligenciadas. Nos últimos anos, os smartphones ficaram mais rápidos, ganharam telas maiores e mais brilhantes, câmeras mais sofisticadas e (muitas) funções de inteligência artificial. A autonomia, porém, continua praticamente no mesmo lugar: para o uso intenso, um dia longe da tomada ainda é o padrão.

Esse descompasso chama atenção porque não faltam inovações no restante do aparelho. A solução que o mercado passou a oferecer foi o carregamento rápido: em vez de smartphones que duram mais, surgiram aparelhos que carregam em menos tempo. Potências de 80 W, 100 W e 120 W viraram argumento de venda.

Mas algumas fabricantes chinesas voltaram a cutucar essa ferida. A Realme anunciou o P4 Power, com bateria de 10.001 mAh e promessa de até três dias longe da tomada. A Honor revelou o Power 2, com 10.080 mAh de bateria. Ambos os modelos em corpos finos: 9,08 mm e 7,98 mm de espessura, respectivamente — algo possível graças à tecnologia de silício-carbono, ainda pouco adotada.

Baterias tradicionais atingiram o “teto”

Hoje, a maioria dos smartphones usa baterias de íon-lítio com ânodo de grafite. É uma tecnologia consolidada, segura e altamente otimizada ao longo de décadas. Justamente por isso, o espaço para avanços é limitado.

Conversei com Egidio Raimundo Neto, engenheiro eletricista, doutor em Telecomunicações e professor do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), para saber mais do assunto.

Segundo ele, o mercado já extraiu quase tudo o que era possível desse modelo. “As baterias atuais são resultado de anos de refinamento em materiais e processos”, diz. “O grafite tem uma vantagem importante: a expansão durante carga e descarga é relativamente pequena, em torno de 10%, o que garante estabilidade”, explica o professor.

O problema é que essa previsibilidade impõe um limite físico. “Do ponto de vista de construção e de algumas variações de dopagem, já esprememos tudo que podíamos das baterias que estão no mercado”, afirma Neto.

Carregador Super Fast Charging sendo segurado na mão
Carregamento rápido virou solução do mercado (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Silício-carbono: maior capacidade, menor vida útil

Aí entram as baterias de silício-carbono, que “aumentam a capacidade para uma mesma área de bateria”. Essa tecnologia substitui parte do grafite do ânodo por silício, um material capaz de armazenar muito mais íons de lítio. 

Na prática, isso permite aumentar a capacidade em cerca de 20% a 30% sem ampliar o tamanho físico da bateria. Ou seja: com o silício-carbono, é possível comercializar celulares finos com números de mAh maiores.

O principal custo dessa nova interação é a vida útil, algo que não aparece de cara. O fim de vida típico da bateria são os 80% de sua capacidade original. Isso significa que, “se a bateria armazenava 100 unidades de energia quando nova, ela é considerada no fim da vida útil quando só consegue armazenar 80”, diz o professor.

A bateria ainda funciona, mas a autonomia cai e o aquecimento pode crescer. Estamos falando em cerca de 3 mil ciclos de carga em baterias de íon-lítio tradicionais, considerando condições perfeitas de uso — o equivalente a mais de oito anos carregando o celular diariamente.

Imagem mostra um iPhone 14 sendo segurado em uma mão
Apple prioriza controle sobre a experiência do usuário (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Nas baterias de silício-carbono, esse número cai pela metade, mesmo com bom uso. “Falamos de algo em torno de 1,5 mil. Para smartphones, que as pessoas trocam em dois ou três anos, talvez isso não seja tão relevante. Mas para aplicações mais duráveis, como automóveis ou drones, faz muita diferença”, detalha o professor.

Esses dados podem ser bem diferentes dependendo da condição de uso de cada consumidor. Usar o aparelho na tomada ou não manter ciclos de carga lentos podem afetar esses números. Mas, na teoria, estamos falando de uma grande diferença entre as baterias posta desde a fabricação.

Isso ajuda a entender por que Apple e Samsung ainda não embarcaram no silício-carbono. Os indícios são de que ambas priorizam vida útil previsível e controle rígido da experiência do usuário, mesmo que isso signifique abrir mão de números chamativos na ficha técnica. No caso da sul-coreana, ainda há o trauma causado pelo explosivo Galaxy Note 7.

Fabricantes chinesas querem vencer na força

Imagem promocional mostra um smartphone em um fundo preto, com a parte da bateria destacada com uma arte que ilustra a capacidade de 10.001 miliampere-hora
Realme P4 Power promete três dias longe da tomada (imagem: divulgação)

Do outro lado, as fabricantes chinesas, que encabeçam a oferta de produtos com baterias de silício-carbono, passaram a testar abordagens mais agressivas. Xiaomi, Realme, Honor e Oppo vêm experimentando tanto baterias maiores quanto novas químicas.

A Oppo afirma que superou a expansão das baterias no carregamento com “algoritmos proprietários para o ânodo de silício, mantendo a integridade estrutural e garantindo que a tela e a tampa traseira permaneçam impecáveis, mesmo durante uso intenso”.

O professor Egidio Neto lembra que, quando começaram as pesquisas em torno dessa tecnologia, a expansão do silício chegava a 300%. “Como suportar uma expansão de 300% do volume se o padrão era 10%? Era inviável”, afirma.

A solução veio com o carbono, que traz “resistência para o material” e permite controlar esse aumento. Dessa maneira, o silício-carbono se tornou viável, mas segue num campo de cautela — nos modelos topo de linha das fabricantes chinesas, é raro ver baterias com essa tecnologia.

Uma grande barreira ainda são os custos industriais mais altos. “As linhas de produção precisariam de grandes investimentos”, explica Neto. “Quem tem fatias menores de mercado costuma ser mais audacioso para tentar expandir sua marca”.

Mão segurando iPhone 17 azul-névoa, destacando as câmeras, com mesa em madeira como fundo
iPhone 17 tem uma bateria de 3.692 mAh (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Existe também uma diferença entre a capacidade nominal e uso real. Vemos, por exemplo, iPhones com 3.692 mAh equiparando ou superando o desempenho de aparelhos Android com 5.000 mAh em benchmarks de bateria.

Segundo o engenheiro eletricista, isso tem menos a ver com a química da bateria e mais com a forma como a energia é gerenciada. “Existe toda uma eletrônica embarcada e um software que modelam o consumo. O hardware virou commodity; o diferencial está no software”, afirma.

A Apple — e, em menor grau, Samsung — investe pesado em controle de processos em segundo plano, integração entre chip e sistema operacional, além da limitação de picos desnecessários de desempenho. O resultado é uma eficiência maior por unidade de energia. Em outras palavras: um “tanque” menor pode render mais se o sistema desperdiçar menos “combustível”.

Muitas vezes é só marketing 

Os principais responsáveis pelo consumo enérgico continuam os mesmos: tela e sistema de áudio, especialmente em jogos. Portanto, promessas de dois ou três dias de bateria quase sempre dependem de cenários de uso moderado — bem diferentes da rotina real de quem passa horas por dia no celular. “Muitas vezes o marketing vende uma ideia e depois o engenheiro tem que dar um jeito de fazer acontecer”, diz o professor.

O consumo dispara quando tudo acontece ao mesmo tempo: tela ligada, transferência constante de dados, Bluetooth ativo, fones sem fio e smartwatch conectados. “Ninguém mais quer fone com fio”, observa Neto. Nesse cenário, qualquer ganho de capacidade é rapidamente diluído.

As baterias de silício-carbono já deixaram o laboratório, mas ainda operam como testes em escala comercial. Na visão do professor, elas ajudam, mas não resolvem todo o problema da autonomia: “é um diferencial competitivo, mas essa tecnologia não vai dar aquele salto de multiplicar por três a capacidade de uma bateria”.

Cadê os celulares com bateria infinita? Tudo evolui, menos isso

(ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Carregador Super Fast Charging (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Desempenho da bateria do iPhone 14 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

(imagem: divulgação)

O iPhone 17 tem duas câmeras na traseira (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

5 momentos que provam que as pessoas estão cansadas de tanta IA

30 de Janeiro de 2026, 15:03
Imagem que mostra a sigla "AI" rodeando uma pessoa entediada
5 momentos que provam que as pessoas estão cansadas de tanta IA (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Expressão “fadiga de IA” descreve incômodo de usuários com onipresença de ferramentas de IA e, consequentemente, com conteúdos resultantes de baixa qualidade;

  • Protestos como o termo “Microslop” e baixa adesão aos AI PCs indicam que grande parte das ferramentas de IA ainda não convenceram os usuários;

  • Com efeito, surgem ferramentas “anti-IA”, a exemplo de scripts que ocultam recursos de IA de navegadores e sistemas operacionais.

Não aguenta mais ouvir falar em inteligência artificial? Você não está só. Hoje, esse tipo de tecnologia parece estar em tudo, mesmo naquilo em que nós, meros usuários, não fazemos questão. O resultado é uma sensação de incômodo com relação ao conceito que já tem até nome: “fadiga de IA”.

Para muita gente, o problema gira em torno de um conceito mais específico: o de inteligência artificial generativa, que é aquela que gera conteúdo em texto, imagem ou vídeo a partir de um conjunto prévio de dados ou instruções (prompts).

Exemplos notáveis de ferramentas de IA generativa são o ChatGPT e o Gemini. Mas esse tipo de tecnologia tornou-se tão tecnicamente acessível que, quando nos demos conta, recursos do tipo já apareciam em editores de texto, serviços de mensagens, ambientes de programação, aplicativos de redes sociais e por aí vai.

Tão grave ou pior que tamanha onipresença é o “AI slop”, termo que faz referência à onda de conteúdo produzido com auxílio da inteligência artificial com qualidade questionável. São memes para viralizar nas redes sociais, textos lapidados para causarem impacto no LinkedIn, vídeos falsos para constranger celebridades e assim por diante.

Para completar, estamos assistindo a uma proliferação de agentes de IA que se propõem a fazer determinadas tarefas no seu lugar, cuspindo resultados que nem sempre são o que você espera ou precisa.

Tudo isso gera um excesso de informação ou uma sensação de falta de controle que é difícil de digerir. Cinco sintomas dessa indigestão surgiram recentemente, como mostra a lista a seguir.

1. Movimento “Microslop” contra a Microsoft

Esse chega a ser engraçado. No fim de 2025, Satya Nadella, CEO da Microsoft, publicou um texto em seu blog em que pede para as pessoas deixarem de ver o conteúdo produzido pela IA como “slop”, termo que, aqui, pode ser traduzido como “lixo”. A reação pública foi a palavra “Microslop”, um trocadilho com o nome da empresa que ganhou as redes sociais.

Em linhas gerais, as pessoas que fizeram parte desse protesto, por assim dizer, estavam irritadas com o fato de a Microsoft “inchar” seus produtos com recursos de IA pouco relevantes, principalmente no Windows 11. Um exemplo recente: uma função que usa IA para criar livros de colorir no Paint.

Extensão que muda nome "Microsoft" por "Microslop"
Criaram até uma extensão que muda o nome “Microsoft” para “Microslop” (imagem: reprodução/Chrome Web Store)

2. Dell admite que consumidores se interessam pouco por PCs com IA

Você acha importante que o seu próximo computador tenha hardware para executar tarefas de IA localmente? Por mais que fabricantes de computadores e a Microsoft tentem promover as vantagens dos chamados AI PCs, atualmente, poucos consumidores se interessam por essas máquinas.

Não é só porque elas tendem a ser mais caras. Prova disso é que, neste início de 2026, a própria Dell admitiu que a IA ainda não entrega o prometido em PCs.

Em um ato de franqueza pouco comum na indústria, Jeff Clarke, vice-presidente e COO da companhia, declarou que “a promessa não cumprida da IA e a expectativa de que a IA irá aumentar a demanda por parte dos consumidores finais” foram aspectos desafiadores para o setor em 2025 (e continuarão sendo em 2026, pelo visto).

Fotografia colorida mostra o executivo Jeff Clarke no centro de um palco, segurando um notebook aberto. Ele é um homem branco de cabelos curtos grisalhos e veste camiseta azul-marinho e calça jeans. Ao fundo, um telão exibe a imagem ampliada de dois notebooks prata que se cruzam, com a inscrição "XPS" visível em um deles. Em primeiro plano, silhuetas de pessoas na plateia levantam celulares para fotografar o momento. O ambiente tem iluminação clara e tons azulados.
Jeff Clarke, vice-presidente e COO da Dell (imagem: divulgação/Dell)

3. Em defesa de um “estilo de vida analógico”

Além de celulares e PCs, recursos de IA já aparecem em TVs, painéis de carro, geladeiras, alto-falantes e assim por diante. Como reação não somente à “invasão” da IA, mas a um excesso de dispositivos tecnológicos, há um movimento crescente de pessoas que defendem um estilo de vida mais analógico, tanto quanto possível.

Na prática, isso significa fazer exercícios físicos sem dispositivos vestíveis por perto, ler revistas ou livros físicos (em papel), buscar hobbies manuais (como tricô ou artesanato) ou até tirar fotos com uma câmera analógica (com filme).

4. DuckDuckGo: 90% dos usuários preferem buscas sem IA

A DuckDuckGo, mais conhecida pelo mecanismo de busca que leva o seu nome, abriu uma enquete online em 19 de janeiro perguntando se os usuários preferem realizar buscas na web auxiliadas por IA ou fazer buscas tradicionais (sem IA generativa).

A enquete foi finalizada em 26 de janeiro mostrando que mais de 175.000 pessoas haviam participado, com 90% declarando preferir buscas tradicionais. Esse pode ser um sinal de que grande parte dos usuários não está lá muito empolgada com o Modo IA das buscas do Google, por exemplo.

Enquete da DuckDuckGo: 90% preferem buscas sem IA
Enquete da DuckDuckGo: 90% preferem buscas sem IA (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

5. Serviços “anti-IA” não param de surgir

À medida que mais pessoas sentem a tal fadiga de IA, surgem ferramentas que prometem te deixar o mais longe possível do conceito. Começou de forma sutil. Por exemplo, a DuckDuckGo tem uma versão com recursos de IA nas buscas, bem como outra sem integração com inteligência artificial generativa.

Mas também há ferramentas “anti-IA” que são ainda mais diretas nessa proposta. Eis alguns exemplos:

  • Just the Browser: trata-se de um script capaz de remover recursos de IA de navegadores como Chrome, Edge e Firefox;
  • RemoveWindowsAI: eis outro script aberto, mas que se propõe a remover o Copilot, o Recall e outros recursos baseados em IA do Windows 11;
  • Hide Gemini and Google AI: essa é uma extensão para Chrome que oculta o Gemini e outros recursos de IA do Google no buscador, Gmail, Drive e demais serviços; também há uma versão para Firefox;
  • udm14: para quem prefere usar o Google “antigo”, sem resultados incrementados com IA, é possível acrescentar o parâmetro “&udm=14” ao endereço da busca, ou então, fazer a pesquisa a partir do site udm14 para automatizar o truque (sabe-se lá até quando isso irá funcionar).
Busca sem IA no Google com o parâmetro "&udm=14"
Busca sem IA no Google com o parâmetro “&udm=14” (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

E agora?

É cedo para sabermos se esses movimentos são reflexos de uma bolha prestes a estourar ou se, ao menos, farão os grandes nomes do setor tirarem o pé do acelerador quando o assunto é IA (algo que eu considero improvável, para ser honesto).

O que está claro é que a fadiga de IA tende a ser muito mais do que um mero aborrecimento. Já há indícios de que esse fenômeno, por assim dizer, tem feito profissionais se sentirem sobrecarregados por conta da pressão para dominar ferramentas de inteligência artificial.

Em linhas mais gerais, também há sinais de que cada vez mais pessoas sentem-se estressadas ou deprimidas em razão do excesso de informação propiciado por IAs generativas.

Com o perdão do trocadilho, AI de nós.

5 momentos que provam que as pessoas estão cansadas de tanta IA

5 momentos que provam que as pessoas estão cansadas de tanta IA (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Extensão que muda nome "Microsoft" por "Microslop" (imagem: reprodução/Chrome Web Store)

Jeff Clarke listou desafios enfrentados pelo setor em 2025 (imagem: divulgação)

Enquete da DuckDuckGo: 90% preferem buscas sem IA (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Busca sem IA no Google com o parâmetro "&udm=14" (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

“Fui perdendo um cliente atrás do outro”: como a IA tem afetado freelancers

26 de Janeiro de 2026, 18:14
Em primeiro plano, um aperto de mãos entre uma mão robótica prateada, à esquerda, e uma mão humana, à direita. O robô possui dedos articulados com detalhes metálicos e pretos. O humano veste um paletó escuro. Ao fundo, uma mulher de cabelos castanhos e blusa clara está sentada à mesa, desfocada, observando a cena. O ambiente é um escritório moderno com janelas amplas e vista para prédios. No canto inferior direito, lê-se a logomarca "tecnoblog" em branco.
Inteligência artificial se tornou concorrente para muitos profissionais (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A inteligência artificial tem impactado negativamente freelancers em áreas como marketing e design. Clientes estão substituindo profissionais por soluções de IA, resultando em menos demanda, preços mais baixos e prazos mais apertados.
  • Freelancers relatam perda significativa de clientes e redução de remuneração. Alguns profissionais tiveram que buscar alternativas, como aumentar preços, buscar clientes no exterior ou mudar de carreira.
  • A substituição por IA não é sempre eficaz. Empresas enfrentam falhas em projetos de IA e insatisfação de clientes. Alguns freelancers observam uma “ressaca de IA”, com clientes voltando a valorizar o trabalho humano.

O hype da inteligência artificial generativa tem pouco mais de três anos. Alguns usuários parecem incomodados com a insistência em ferramentas do tipo. Muitas empresas ainda não viram a tecnologia dar resultados na prática. Mas vários trabalhadores já sentem o impacto da inovação — e, para essas pessoas, ele não é positivo.

O Tecnoblog conversou com profissionais freelancers de áreas como marketing, publicidade, artes e design. Eles contam que os clientes sumiram, as demandas deixaram de chegar, os preços despencaram e os prazos ficaram mais apertados. As consequências para essas pessoas são menos dinheiro no bolso e mais ansiedade.

“Até 2021, eu conseguia me manter com uma boa cartela de clientes, mas, de 2022 para frente, caiu mais de 50%”, conta Paula*. Ela é jornalista e atua como redatora de conteúdos para blogs e e-books.

Mariana*, que é designer de livros, passou por uma situação parecida. “Antes, eu recebia por volta de cinco pedidos de orçamento por semana. Sempre acabava com pelo menos uma contratação. Hoje, os contatos diminuíram quase pela metade”, conta.

Hoje em dia, os autores e as editoras que a procuram estão mais decididos a contratar um profissional, diz a designer. Mesmo assim, ela passou a ter menos clientes por mês.

Para Fabio Farro, a queda foi ainda mais brusca: ele estima que, entre 2023 e 2024, houve uma redução de 90% no número de clientes que o contratam. Experiente em roteiros de documentários e vídeos institucionais, ele passou a fazer também serviços de revisão de texto e tradução para pessoas físicas.

A produtora de textos Beatriz* conta que perdeu todos os clientes — antes de 2024, ela atendia mais de dez marcas de uma vez. “Felizmente, eu tenho um trabalho CLT e consigo segurar o orçamento, mas aquela minha verba que dava uma força no fim do mês já não vem mais”, lamenta.

Trocas silenciosas e decisões de mercado

A perda de clientes nem sempre é acompanhada por uma comunicação clara por parte das empresas. “Dos meus clientes, tive alguns que sumiram mesmo. Só descobri porque fui olhar a página deles na Amazon e tinha lá uma penca de livros novos, com as capas feitas por IA”, diz Mariana.

O coordenador de marketing Ricardo* também não recebeu nenhum aviso, mas foi fácil entender o que estava acontecendo. “As empresas para as quais eu prestava serviços sofreram pressão para demonstrar que estavam investindo em IA. Tinha que tirar esse dinheiro de algum lugar, e o lugar de onde elas tiraram foi o marketing”, relembra.

Em alguns casos, a substituição é aberta. A redatora publicitária Viviane Fortes conta que, em uma das agências onde é freelancer, os redatores foram substituídos por “operadores de ChatGPT”.

As empresas que contratavam Beatriz também foram sinceras. “Fui perdendo um cliente atrás do outro, com a justificativa de que iriam centralizar todas as demandas internamente, focando em deixar apenas um profissional responsável pela produção via IA.”

Remuneração menor

O cenário pós-IA generativa não é apenas de menos contratos para freelancers — é também de pagamentos mais baixos, já que a tecnologia se tornou uma concorrente muito mais barata. “O preço por texto está aquém do que era praticado até 2021, e as agências demoram a pagar”, relata Paula.

Ricardo vem passando por esse mesmo processo de remunerações cada vez menores. Ele diz que, desde 2023, sempre que deixou de prestar serviços para uma empresa, foi trabalhar para outra que pagava menos.

Fortes conta que os redatores de uma das agências onde ela presta serviços nem consideram conversar sobre uma atualização na tabela de preços, que está congelada desde a pandemia. Para fugir das condições cada vez piores da área, ela planeja uma migração de carreira para análise de dados ou para o setor público.

Com menos clientes e pagamentos menores, os freelancers passam dificuldades. “Precisei voltar a morar com a minha mãe, e bate o desespero de não conseguir emprego na minha área”, diz Farro.

Nesse sentido, Mariana é uma exceção. A designer conta que conseguiu se manter no zero a zero, mas precisou de várias estratégias para compensar a queda no movimento: aumentar preços, criar materiais para bancos de imagens, buscar clientes no exterior e abrir uma loja online com designs pré-prontos de capas de livros (vendidos uma única vez, para manter a exclusividade para quem compra).

Novos parâmetros

Além de perder clientes e receber menos, os frilas precisaram se adaptar a um cenário profissional em que o referencial passou a ser a máquina. Ricardo conta que trabalhou para uma agência de e-mail marketing que pedia de 20 a 25 disparos por dia, para clientes diferentes.

Para dar conta, ele e os outros contratados passaram a usar um GPT personalizado para gerar os textos, ainda que isso sacrificasse a qualidade do trabalho. “Não fazia sentido para a empresa que ficasse bem feito o e-mail. Eles queriam mandar o máximo possível de mensagens no menor tempo possível. Ninguém ia ler aquilo. Nem quem fazia, nem quem revisava, nem quem recebia”, conta o redator.

Tela do ChatGPT
“Operador de ChatGPT” se tornou uma alternativa aos redatores tradicionais (foto: Unsplash/Jonathan Kemper)

Paula diz que mais habilidades passaram a ser exigidas dos freelancers contratados. Para ela, isso está diretamente ligado às novas ferramentas. “As empresas te substituem pela IA e, ao mesmo tempo, exigem que você saiba fazer tudo que uma IA faz. Então eu tenho que saber sobre redação, tradução, design, edição de vídeo, métricas, sendo que muitas dessas coisas não são da minha alçada.”

A designer Mariana passou por situações semelhantes. “Eu enviava orçamentos para potenciais clientes e recebia a devolutiva com: ‘poxa, eu até gosto do seu trabalho, mas muito caro e demorado. Se eu for fazer com IA, eu recebo na hora e nem gasto tudo isso’. Como se fosse perfeitamente comparável o trabalho de um robô com o de uma pessoa”, dispara.

“Ressaca de IA”

As empresas podem ter trocado serviços de freelancers por produções feitas com inteligência artificial generativa, mas a tecnologia está longe de ser uma unanimidade. Usuários do Windows, por exemplo, passaram a se referir à Microsoft como “Microslop” por causa da insistência da companhia em empurrar ferramentas de IA.

Do lado das empresas, um estudo do MIT realizado em 2025 aponta que 95% dos projetos envolvendo IA generativa falham. Em uma pesquisa recente da consultoria PwC, 56% dos CEOs entrevistados disseram que “não estão ganhando nada” com a adoção da tecnologia.

Satya Nadella, homem de óculos usando uma camisa cinza e um paletó cinza escuro. Ao lado, um logo do Windows.
Satya Nadella, CEO da Microsoft, já fez apelo para que IA seja realmente útil (imagem: divulgação)

Os freelancers com quem conversei já observam que trocar humanos por robôs não é tão simples quanto as empresas gostariam. “Eu começo a sentir que tem uma ressaca desse movimento. Tem algumas pessoas percebendo que você não consegue substituir redator por IA e valorizando um pouco mais o trabalho. Mas eu diria que não voltou ao que era em 2023, ainda está longe disso”, avalia Ricardo.

Fortes, que viu outros redatores serem trocados por “operadores de ChatGPT”, é testemunha de como a substituição não é tão simples.

“A quantidade de pedidos para refazer textos dos operadores é altíssima, tem muita reclamação dos clientes, e muitos já cancelaram contrato.”

Em alguns casos, até a reação do público pode ser um fator determinante para preferir o trabalho humano, ainda que isso se manifeste de um jeito inusitado.

“Já recebi briefings pedindo para eu seguir exatamente aquele rascunho feito por IA, porque [o cliente] gerou aquela arte e gostou muito, mas queria que uma pessoa ‘arrumasse’ e ‘assinasse’ a arte porque sabia que pegaria mal se descobrissem que era IA”, conta a designer Mariana.

Ela se recusa a aceitar esse tipo de serviço, que chama de “lavagem de arte”. Outra decisão foi não usar nenhuma ferramenta de IA em seu trabalho, por questões éticas e morais.“Tenho clientes que resolveram me contratar justamente porque eu não uso IA. Não usar IA nesse mercado virou um ‘diferencial’, por mais absurdo que pareça”, explica.

Sofrimento real

Mesmo conseguindo equilibrar as contas em meio a tempos difíceis, a designer Mariana admite o incômodo com a situação. “Esse é um trabalho que eu amo fazer e vejo ser desvalorizado cada vez mais. É triste ver quando somos substituídos por IA depois de aquele cliente ter feito mais de uma dezena de projetos contigo. Você fica pensando onde foi que errou”, lamenta.

O coordenador de marketing Ricardo é mais um freelancer que sentiu o impacto da IA em sua saúde mental. “Desde 2023, eu faço tratamento para ansiedade, que é uma situação obviamente afetada pela instabilidade profissional. É muito difícil se programar financeiramente em um cenário em que a sua principal fonte de renda pode sumir de um dia para o outro.”

Ele aponta ainda que a chegada da inteligência artificial generativa criou um clima de desconfiança no setor, que contribui para a desvalorização do trabalho e afeta a autoestima dos profissionais. “Parece que a pessoa se sente idiota por estar te pagando para escrever, sendo que ela acha que uma máquina pode fazer instantaneamente.”

Fortes viveu uma situação parecida, em que a IA foi usada para desprezar seu trabalho. “Já tive que ouvir de dono de agência que o ChatGPT é o redator perfeito. Ficamos todos com cara de bunda na hora, mas todo mundo tem boletos e entubou o desaforo.”

No caso do redator Farro, o cenário profissional pós-IA tem afetado até atividades que poderiam fazê-lo se sentir melhor. “Era o meu sonho, desde pequeno, trabalhar com escrita. Tento me distrair (e apostar) em um projeto autoral, mas fica difícil quando não se tem dinheiro”, desabafa.

Nomes marcados com * foram alterados a pedido dos entrevistados para proteger suas identidades.

“Fui perdendo um cliente atrás do outro”: como a IA tem afetado freelancers

Inteligência artificial se tornou concorrente para muitos profissionais (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(Imagem: Unsplash/Jonathan Kemper)

Satya Nadella é CEO da Microsoft (imagem: divulgação)

Isso são horas? Clientes reclamam de entregas perto da meia-noite

9 de Janeiro de 2026, 15:33
Entrega da Shopee (Imagem: Divulgação)
Entrega da Shopee ocorre perto da meia-noite (imagem: divulgação)
Resumo
  • A Shopee enfrenta queixas por entregas em horários tardios, incluindo próximas da meia-noite.
  • A empresa utiliza transportadoras parceiras e entregadores independentes, o que pode levar a horários de entrega flexíveis.
  • A Shopee afirma que as entregas ocorrem entre 6h00 e 23h00, respeitando limites razoáveis para atividades comerciais.

​A gigante do e-commerce Shopee enfrenta uma série de queixas por causa do horário das entregas. Teve consumidor que recebeu os produtos perto da meia-noite, levando a um desgaste e à natural crítica na própria internet. Afinal, até que horas os entregadores da Shopee trabalham?

​Primeiro, é preciso entender que a empresa com origem em Singapura rapidamente conquistou o coração dos brasileiros. Ela oferece muitos cupons, tem de tudo, inclusive produtos a preços muito acessíveis. Isso levou à ascensão da Shopee no Brasil, que se mantém mesmo após a adoção da taxa das blusinhas, em 2025.

​Esse crescimento acelerado se apoia em uma malha logística complexa. Diferentemente dos Correios, a Shopee utiliza majoritariamente transportadoras parceiras e entregadores independentes no modelo de última milha. Muitos desses profissionais utilizam veículos próprios e possuem rotas extensas, o que acaba flexibilizando — e por vezes extrapolando — os horários convencionais de entrega para dar conta da demanda.

Consumidor recebeu pedido às 23h40 (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

​O alto volume de entregas com práticas questionáveis levou às reclamações. Um consumidor disse que “eles entregam em qualquer lugar, mesmo você estando em casa para receber”. E acrescentou: “isso quando não vem entregar perto da meia-noite”.

​Outra cliente afirmou no X que antigamente recebia as encomendas até 19h00. Agora? Diz ela que o responsável pelo produto tocou a campainha às 23h40. Desabafos como este se avolumam no Reclame Aqui. Algumas pessoas pedem que a companhia adote o horário comercial.

​Qual o horário de entrega da Shopee?

Consumidor recebeu pedido às 23h40 (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

O Tecnoblog entrou em contato com a equipe de comunicação. A Shopee nos disse que trabalha para “oferecer a melhor experiência de compra, incluindo modalidades logísticas que oferecem ainda mais conveniência e agilidade”. Ela destacou que, na opção Entrega Rápida, os pedidos podem ser entregues “fora do horário comercial para atender àqueles que optam por essa comodidade”.

Já numa resposta a uma reclamação pública, um funcionário da Shopee disse que os pedidos podem ser entregues entre 6h00 e 23h00, o que, na visão dele, estaria dentro do “limite razoável de horário para atividades comerciais”.

Isso são horas? Clientes reclamam de entregas perto da meia-noite

Entrega da Shopee (Imagem: Divulgação)

Consumidor recebeu pedido às 23h40 (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Consumidor recebeu pedido às 23h40 (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Após críticas, Amazon revela por que colocou publicidade na tela da Alexa

18 de Novembro de 2025, 12:47
Talita Bruzzi Taliberti lidera Alexa no Brasil (foto: divulgação/Amazon)
Resumo
  • A Amazon aumentou a publicidade nos dispositivos Alexa para garantir a sustentabilidade do negócio, segundo Talita Bruzzi Taliberti, country manager da Alexa no Brasil.
  • A publicidade é parte da experiência de Alexa, com anúncios em serviços gratuitos como Amazon Music e Spotify, visando monetização para manter os serviços.
  • Talita reconheceu críticas sobre a publicidade, mas afirmou que não há planos para torná-la opcional, destacando que a reação negativa pode ser devido à novidade.

Se você possui um dispositivo da Amazon, deve ter notado que a quantidade de publicidade aumentou nos últimos meses. Muitos leitores do Tecnoblog nos trouxeram este ponto, e nós fomos até a sede da Amazon, em São Paulo, para saber o que está acontecendo. De acordo com Talita Bruzzi Taliberti, country manager da Alexa no Brasil, isso é necessário para garantir a sustentabilidade do negócio.

Talita explica que propagandas e anúncios são parte da experiência de Alexa há bastante tempo, em situações como ouvir as notícias ou mesmo música nos serviços gratuitos do Amazon Music e do Spotify. “É uma forma da gente conseguir gerar monetização e continuar oferecendo todo o nosso serviço, que tem um custo por trás – que não é baixo”.

Echo Show 8 exibe publicidade do Galaxy Tab S11 (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

As falas se deram durante a apresentação da nova geração do Echo Show, quando os representantes da Amazon abriram para perguntas de jornalistas. Eu questionei sobre a teoria da enshitfication, cunhada pelo ativista dos direitos digitais Cory Doctorow, que estabelece que, a partir de um determinado momento, plataformas digitais propositalmente pioram o seu serviço para extrair mais valor dos usuários.

“Somos obcecados pelo consumidor. Nossa visão é de conseguir trazer anúncios que sejam relevantes e facilitem a vida do cliente. Por exemplo, se ele está pesquisando sobre o Dia dos Pais e eu trago um produto assim para ele.”

A country manager da Alexa no Brasil reconheceu que houve um aumento de críticas sobre a publicidade na Alexa. A título de exemplo, alguns leitores do Tecnoblog nos disseram que não pretendem mais comprar produtos da linha Echo Show pois se sentem incomodados pela publicidade persistente e sem possibilidade de desativar.

Geladeira tem widget com publicidade (imagem: divulgação/Samsung)

Nesta seara, a imprensa americana tem repercutido principalmente a falta de transparência, pois a pessoa leva para casa o produto com um funcionamento já conhecido e, dali a um tempo, começa a ver publicidades que não estavam previstas no momento da compra. A Samsung tem passado por questionamentos similares por colocar propaganda na tela de uma geladeira de ponta.

Apesar das críticas, Talita diz que não há planos na Amazon de tornar opcional a visualização de publicidade. Ela acredita que, por ser uma novidade, a publicidade na tela dos dispositivos acabou gerando essa reação inicial.

Não custa lembrar: o próprio CEO da Amazon admitiu em agosto que tem o desejo de colocar propaganda na boca da Alexa+, nova geração da assistente virtual, por ora sem previsão de lançamento no Brasil.

Após críticas, Amazon revela por que colocou publicidade na tela da Alexa

Talita Bruzzi Taliberti lidera Alexa no Brasil (foto: divulgação/Amazon)

Echo Show 8 exibe publicidade do Galaxy Tab S11 (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Geladeira tem widget com publicidade (imagem: divulgação/Samsung)

Opera Neon: como é usar o navegador com IA no dia a dia

13 de Outubro de 2025, 14:12
Arte exibe três robôs com camisas sociais em um fundo de cor azul. Na parte inferior direita, o logotipo do "Tecnoblog" é visível.
Opera Neon promete colocar robôs para trabalhar no navegador (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Tecnoblog teve acesso à versão de testes do Opera Neon, novo navegador com IA que executa ações na web.
  • O serviço custa US$ 19,90 por mês (R$ 110) e oferece três funções: Chat (respostas e análises), Make (criação de conteúdo) e Do (execução de comandos).
  • Apesar de interessante, a falta de padronização da web pode limitar o desempenho do navegador.

A Opera lançou oficialmente o navegador Neon, que conta com agentes de inteligência artificial para executar ações na web. As possibilidades sugeridas pela companhia são variadas: fazer compras, comparar produtos, resumir informações, encontrar vídeos, organizar emails e muito mais.

A promessa é, nas palavras da própria empresa, combater a ineficiência da web e aumentar a produtividade. O serviço custa US$ 19,90 mensais (cerca de R$ 110, em conversão direta). O Tecnoblog teve acesso a uma versão de testes do Opera Neon. Eu usei o navegador durante cinco dias nas minhas tarefas pessoais e profissionais e conto como é a experiência.

Conhecendo o Opera Neon

A interface do Opera Neon é praticamente idêntica à de qualquer navegador, a não ser por uma barra extra de abas. Funciona assim: as abas inferiores são tradicionais, e você pode abrir uma página da web em cada uma delas. Já as abas superiores receberam funcionam como grupos; a Opera deu a elas o nome de “tarefas”.

Toda vez que você manda um prompt para a IA do Neon, ele considera apenas as abas que estão dentro daquele grupo. Assim, você pode dar uma ordem, mudar para outra tarefa, dar outra ordem, e assim sucessivamente. Dá para executar várias ações em paralelo e ainda continuar navegando, sem que a interface vire uma bagunça.

Interface do navegador Opera Neon com o site "tecnoblog.net" aberto. A aba mostra uma reportagem com o título "Oakley homologa óculos inteligentes esportivos no Brasil" e uma foto de um homem usando óculos escuros. Acima, há barras de abas duplas — “Neon Do”, “lançamento aplicativo”, “Neon Make” e “Página inicial” — ilustrando o sistema de tarefas e abas do navegador.
Abas são agrupadas em tarefas (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

O Neon tem três possibilidades de uso para IA. O Chat é um assistente — como o ChatGPT, o Gemini e outros — capaz de dar respostas, produzir textos e analisar imagens, por exemplo.

Já o Make é um criador. A ideia dele é realmente gerar páginas, web apps, guias, relatórios, joguinhos e mais. O resultado fica hospedado em um serviço da própria Opera e pode ser acessado pela web — inclusive por outros navegadores. De certa forma, me lembrou o Canvas do Gemini.

Mas grande parte da “mágica” está no Do, que navega na web e executa ações em páginas, usando como base os comandos do usuário.

Mande fazer, mas não pare para ver

Ao selecionar a opção Do, o Neon entende que aquele comando deve resultar em uma tarefa no navegador. O navegador envia o prompt para a nuvem e recebe de volta uma “receita”, dividida em pequenas ações, que serão executadas localmente no browser.

Se você parar e ficar acompanhando a ação, vai perceber que o processo é bastante lento, repetitivo e cheio de tentativas e erros. Nos dias em que usei o Neon, percebi que o melhor é fazer um pedido e deixá-lo trabalhando enquanto você faz outra coisa.

Tela inicial do Opera Neon com fundo em tons de céu e o logotipo circular preto. O texto central diz “Your browsing starts here. What can I do for you?”. Abaixo, há um campo de busca e um menu com opções de modos de uso: “@neon” (padrão), “@chat”, “@do” e “@make”.
Usuário pode escolher entre Chat, Do e Make (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

A melhor analogia que encontrei para explicar a utilidade do Do é pensar em uma máquina de lavar ou em um robô aspirador. Uma pessoa possivelmente consegue lavar roupa ou limpar a casa de um jeito melhor, mais cuidadoso ou até mais rápido. No entanto, isso demanda tempo. A grande vantagem em usar esses equipamentos é que eles nos liberam para fazer outras coisas.

Com os navegadores de IA, a lógica é parecida: delegue a ele tarefas mecânicas e vá fazer coisas mais importantes, que realmente precisam da sua criatividade e inteligência.

Quanto mais específico, melhor

Leva algum tempo até se acostumar com o nível de detalhamento necessário para que as tarefas saiam do jeito que você deseja.

Um dos meus primeiros testes foi “procure um adaptador USB-C para fone de ouvido”. O Neon fez do jeito mais direto possível: abriu a Amazon, digitou o termo na busca e colocou o primeiro resultado no carrinho. Aí eu percebi que o prompt foi pouco detalhado: o adaptador escolhido custava mais do que o triplo dos outros da loja.

A Opera sabe disso. Na demonstração que o Tecnoblog acompanhou, um exemplo envolvendo compras tinha um prompt bem mais detalhado: “procure na Amazon teclados mecânicos de topo de linha com preço superior a US$ 200 e avaliação superior a 4 estrelas e abra todos os produtos encontrados em novas abas”.

O porta-voz da empresa ainda pediu para o Neon criar uma tabela comparando os resultados, sem comprar nem colocar no carrinho nenhum deles. A escolha, portanto, ficava a cargo de um humano. Tentei novamente procurar adaptadores, dessa vez com mais sucesso: listei lojas, especifiquei preços e avaliações. O Neon fez uma tabela com as opções disponíveis.

Entendendo as possibilidades reais

Interface do modo “Neon Do” mostrando um comando de IA: “Entre no Tecnoblog e encontre a notícia mais recente sobre o WhatsApp”. O assistente exibe um plano de ação em duas etapas e mensagens de status como “Neon em execução” e “Ok”. A tela simula o navegador executando automaticamente a tarefa solicitada.
Interface do agente de IA explica ações e indica o que o navegador está fazendo (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

“Inspirado” por esse exemplo, tentei uma nova tarefa. Pedi para o Neon entrar no site de um pet shop específico e colocar três itens no carrinho: um sachê para gatos castrados, um pacote de areia e uma ração para cães adultos. Determinei a marca do sachê e da ração, e indiquei duas opções para a areia.

Não especifiquei quantidades, mas a ideia era realmente essa, já que poderia alterar manualmente no carrinho. Também não pedi para concluir a compra, para evitar possíveis problemas.

A ideia desse prompt era direcionar ao máximo o navegador, transformando uma lista de compras em uma ação prática, que pouparia o meu tempo. A ação foi quase perfeita, mas novamente esbarrou na falta de detalhes: o sachê e a areia foram escolhidos corretamente, mas ficou faltando especificar o tamanho do pacote de ração — ele escolheu o de 15 kg, e geralmente eu compro o de 3 kg.

A ferramenta não é muito confiável para tarefas mais complexas. Dei um comando para trocar a ração pelo peso desejado, mas o navegador só removeu do carrinho o pacote de 15 kg, ignorando o resto.

Percebi que não teria sucesso dessa forma e recomecei do zero. Abri uma nova tarefa e refiz o prompt com os detalhes que ficaram faltando, mas não deu certo: desta vez, o Neon não conseguiu passar da página inicial do pet shop. Só quando fiz uma terceira tarefa consegui, finalmente, montar o carrinho com os itens que precisava.

É uma questão de aprendizado e adaptação. Nós não estamos acostumados a pensar “preciso comprar um pacote de ração de 3 kg da marca X para cães de raças pequenas”. Nós pensamos “preciso comprar ração” e, no processo, pegamos os itens de costume. Nós pensamos “preciso comprar um adaptador de fone” e vamos pesquisando aos poucos, aprendendo o preço, lendo avaliações. Para a IA conseguir um resultado mais satisfatório, você tem que aprender a antecipar situações, prever possibilidades e só então escrever o prompt.

Um ajudante para o trabalho

Deixando um pouco de lado as tarefas pessoais, experimentei um pouco o Neon na minha atividade como jornalista aqui no Tecnoblog.

Meu trabalho como repórter envolve acompanhar notícias no Brasil e no mundo, além de checar se algum serviço caiu e quais são as tendências no interesse do público. Tive a ideia de tentar automatizar isso com o Neon.

Fiz um prompt bem detalhado, indicando quais sites a IA deveria acessar, como grandes portais, agregadores de notícias e ferramentas como o Google Trends. Também listei temas que nos interessam e temas que não entram na nossa produção. O resultado final deveria ser uma lista, sem duplicatas.

Mais uma vez, o funcionamento foi demorado. Em alguns momentos, precisei intervir — ao tentar entrar no DownDetector, o navegador teve problemas com o captcha, por exemplo.

Navegador pode entrar em páginas e checar a cor de um gráfico, por exemplo (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

O resultado foi razoável. Recebi de fato uma lista com manchetes de notícias e tendências, separadas por tema e acompanhadas de uma breve explicação. Mesmo assim, havia itens duplicados, e as fontes não foram indicadas — esse último problema pode ser melhorado em uma nova versão do prompt.

Apesar de interessante, a impressão que dá é que isso pode atrapalhar e gerar mais trabalho, como verificar se não há nenhuma alucinação na lista final. Ainda sigo pensando em maneiras de adaptar o navegador ao meu uso.

Cards com prompts ainda precisam de refinamentos

O Opera Neon ainda tem mais alguns recursos. Um deles é a possibilidade de usar cards, que são prompts predefinidos. Eles podem ser incluídos em comandos feitos no chat ou na navegação.

Funciona assim: há um ícone de cartas na caixa da página inicial do Neon. Ali, você pode selecionar os cards que deseja. No entanto, mesmo que seja um prompt completo, você precisa digitar alguma coisa para poder enviar.

Página inicial do Opera Neon com o logotipo circular preto e o texto “Your browsing starts here. What can I do for you?”. Abaixo, há um campo de busca com a opção “Neon” selecionada e uma lista de cards que inclui “pre-flight-check”, “priority-matrix”, “wallet-wise”, “mood-lifter” e “priority-matrix-pt-br”.
Usuário pode adicionar um ou mais cards ao prompt (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Há uma espécie de loja da Opera com vários deles. O usuário pode salvar e também editar, caso queira um resultado mais personalizado. E por fim, os cards podem ser usados em conjunto.

Os exemplos são bem variados. Um card transforma uma lista de tarefas desorganizada em uma matriz de Eisenhower. Outro cria uma relação de itens para uma viagem, com base no destino, duração e clima. Alguns são ainda mais complexos, podendo analisar informações financeiras de empresas ou currículos de fundadores de startups.

Tela da loja de “cards” do Opera Neon, com a aba “Browse” aberta. O destaque é o card “creative-kick”, com a descrição “Sparks creativity in work or hobbies.” Abaixo, há três cards em destaque: “code-review-helper”, “wallet-wise” e “priority-matrix”, cada um com uma ilustração e uma breve descrição.
Opera tem “lojinha” com cards úteis (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Na prática, eu não achei a experiência tão fácil assim, já que, na lista de seleção, o card não exibe as informações necessárias para funcionar. Também não dá para deixar um prompt salvo ali e só enviar, já que é obrigatório escrever alguma coisa.

Conclusão: tecnologia é interessante, mas ainda engatinha

Nos últimos anos, a IA impressionou com respostas articuladas, códigos úteis e vídeos cheios de detalhes. Colocar essa tecnologia em um navegador para que ele possa realizar tarefas com alguma independência é mais um desses feitos. No entanto, ainda há imperfeições. Não é sempre que um robô consegue se entender com páginas web dos tipos mais diversos, sem uma API ou um SDK para fazer o meio de campo entre as duas partes.

Superar a “ineficiência da web”, como a Opera falou, realmente não é fácil. O Neon tenta, mas nem sempre consegue, e quando consegue, nem sempre o pedido inicial foi bom o suficiente para justificar a espera.

Se eu pudesse dar uma humilde sugestão, seria esta: colocar o chatbot para fazer algumas perguntas ao usuário até chegar a um prompt mais preciso para realizar a tarefa. Pode parecer chato, mas eu acho que é até mais humano: se você recebe um pedido de outra pessoa, tira dúvidas até entender, e se você faz um pedido, sempre está disposto a explicar melhor. Conversando a gente se entende — e isso também vale para a IA.

Opera Neon: como é usar o navegador com IA no dia a dia

Abas são agrupadas em tarefas (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Usuário pode escolher entre Chat, Do e Make (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Interface do agente de IA explica ações e indica o que o navegador está fazendo (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Navegador pode entrar em páginas e checar a cor de um gráfico, por exemplo (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Usuário pode adicionar um ou mais cards ao prompt (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Opera tem "lojinha" com cards úteis (imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

Como é a minitela dos novos notebooks Positivo

8 de Outubro de 2025, 19:41
Minitela do Positivo Vision C15M
Minitela do Positivo Vision C15M (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Resumo
  • Positivo Vision R15M e C15M trazem uma minitela LCD de 1,54 polegada com resolução de 240×240 pixels para exibir notificações e widgets;
  • O R15M oferece processadores AMD Ryzen, até 64 GB de RAM, armazenamento de até 4 TB, e tela IPS LCD de 15,6 polegadas; o C15M possui processador Intel Celeron e até 8 GB de RAM.
  • O Vision R15M está disponível a partir de R$ 2.699 com Linux e R$ 2.899 com Windows 11; o C15M a partir de R$ 1.799 com Windows 11.

Em agosto deste ano, a Positivo anunciou o Vision R15M. Seria apenas mais um notebook comum se não fosse por um detalhe: o modelo conta com uma minitela logo abaixo do teclado. Como o componente é inusitado, vale a pena dar uma olhada mais de perto nele.

O Positivo Vision R15M é um notebook com tela de 15,6 polegadas, processador AMD Ryzen 5 5625U ou Ryzen 7 5825U e até 64 GB de RAM. Mas a minitela também aparece no Positivo Vision C15M, que conta com chip Intel Celeron N4500, bem como no Positivo Vision I15M, que traz um Intel Core i3-N300 e será lançado em breve.

Em todos os modelos, a minitela consiste em um painel LCD colorido de 1,54 polegada e resolução de 240×240 pixels. O tamanho é equivalente ao de um relógio de pulso, portanto.

A minitela pode ser controlada e configurada por meio de um aplicativo fornecido pela Positivo que, no momento, permite que o componente seja usado para exibir notificações do WhatsApp, um widget de autonomia de bateria e conectividade, um widget de previsão do tempo, notas, GIFs animados ou fotos do usuário.

Para ativar o visor, é preciso apenas apertar o botão “Minitela” no teclado por dois segundos. Um toque simples na mesma tecla faz o visor mudar o conteúdo exibido. Neste ponto, é importante esclarecer que a minitela não é sensível a toques, daí a existência do botão.

Tecla "Minitela" no Positivo Vision C15M
Tecla “Minitela” no Positivo Vision C15M (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

A minitela é mesmo um diferencial?

É um recurso bem-vindo e que pode, sim, ter utilidade para algumas pessoas. Por outro lado, não estamos falando de algo capaz de melhorar a vida do usuário a ponto de valer a pena comprar um R15M ou um C15M só por conta da minitela.

Até porque, no momento, o visor é compatível com poucas funções. Não é possível fazê-lo funcionar com as notificações do próprio sistema operacional ou com outro aplicativo de mensagens além do WhatsApp, por exemplo.

Widget de bateria e conectividade sem fio da minitela do notebook Positivo C15M
Widget de bateria e conectividade sem fio da minitela (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Porém, ao Tecnoblog, a Positivo informou que, se uma empresa comprar os notebooks para uso corporativo e quiser configurar a minitela para exibir informações de um sistema próprio, poderá entrar em contato com a companhia para solicitar uma solução sob medida.

Como sempre, convém analisar o conjunto da obra para tomar a decisão de compra. O notebook tem outros recursos interessantes e que podem pesar nessa escolha. Por exemplo, a tela principal de 15,6 polegadas parece ter boa qualidade. O componente é do tipo IPS LCD, tem resolução full HD, além de acabamento antirreflexo.

Outro recurso interessante é a Lumina Bar, que consiste em LEDs com três níveis de intensidade de luz que ficam ao lado da webcam. Eles ajudam o usuário a participar de chamadas de vídeo em ambientes escuros.

Disponibilidade e preços

No momento, o Vision R15M está disponível com preços a partir de R$ 2.699 na versão com Linux (que, sim, funciona com a minitela) e de R$ 2.899 na versão com Windows 11.

Já o Vision C15M parte de R$ 1.799, com Windows 11. Quanto ao Vision I15M, a previsão é de início das vendas ainda neste mês de outubro.

Notebook Positivo Vision C15M
Notebook Positivo Vision C15M (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Positivo Vision R15M e C15M — fichas técnicas

 Vision R15MVision C15M
Tela15,6 polegadas, IPS LCD, 1920×1080 pixels, 16:9, antirreflexiva, 60 Hz15,6 polegadas, IPS LCD, 1920×1080 pixels, 16:9, antirreflexiva, 60 Hz
ProcessadorAMD Ryzen 5 5625U ou Ryzen 7 5825UIntel Celeron N4500
RAMde 8 GB a 64 GB de DDR4 (em slots)4 GB ou 8 GB de DDR4 (soldados)
Armazenamentode 512 GB a 4 TBde 128 GB a 2 TB
Bateria3 células, 55 Wh, até 8 horas de autonomia2 células, 37 Wh, até 5 horas de autonomia
Webcam720p com Lumina BAR720p com Lumina BAR
ConectividadeBluetooth 5.2, Wi-Fi 6, HDMI (1), USB 3.2 tipo A (2), USB 2.0 tipo A (1), USB 3.2 Tipo C (1), fones/microfoneBluetooth 5.0, Wi-Fi 5, USB 3.2 tipo A (2), USB 2.0 tipo A (1), USB 3.2 Tipo C (1), fones/microfone
Sistema operacionalWindows 11 ou Debian LinuxWindows 11
Outrosteclado ABNT2, touchpad com 2 botões, alto-falantes estéreos, cor preta, Minitela IPS de 1,54 polegada, trava Kensington, leitor de cartões SDteclado ABNT2, touchpad com 2 botões, alto-falantes estéreos, cor preta, Minitela IPS de 1,54 polegada, trava Kensington, leitor de cartões SD
Dimensões35,9 x 1,96 x 24,11 cm35,9 x 1,96 x 24,11 cm
Peso1,75 kg1,75 kg

Como é a minitela dos novos notebooks Positivo

Minitela do Positivo Vision C15M (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Tecla "Minitela" no Positivo Vision C15M (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Widget de bateria e conectividade sem fio da minitela (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Notebook Positivo Vision C15M (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
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