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Startup pode ter chips cerebrais para jogos e quer rivalizar com Neuralink

9 de Dezembro de 2025, 16:38
Imagem mostra um homem de camisa branca e barba branca, sorrindo para a câmera
Gabe Newell, CEO da Valve, também é dono da startup Starfish Neuroscience (imagem: reprodução/Future)
Resumo
  • Starfish Neuroscience, startup de Gabe Newell, planeja lançar um chip cerebral que registra e estimula o cérebro.
  • O dispositivo deve operar sem bateria e utilizar energia sem fio, rivalizando com o N1, da Neuralink, startup de Elon Musk.
  • A tecnologia pode ser aplicada em jogos, algo já discutido pela Valve durante uma palestra pública em 2019.

Gabe Newell não é apenas dono da Valve, companhia responsável pela plataforma de jogos Steam e pela franquia Half-Life. Ele também tem uma startup de chips cerebrais: a Starfish Neuroscience. Agora, a empresa começou a detalhar seu primeiro projeto: um chip cerebral que pode ser entregue ainda este mês.

A iniciativa marca o retorno do executivo à pesquisa de interfaces cérebro-computador, tema que a própria Valve chegou a explorar em experimentos internos e apresentações técnicas anteriores.

Embora não se trate de um implante completo, a startup promete um componente capaz de registrar sinais neuronais e estimular regiões específicas do cérebro, tecnologia que poderia futuramente ser aplicada para entretenimento, tratamento de doenças e estudos neurológicos.

Como funciona o chip criado pela empresa de Gabe Newell?

Segundo o The Verge, o dispositivo apresentado pela Starfish é um chip de “eletrofisiologia”, descrito como uma peça que lê a atividade elétrica do cérebro e pode enviar estímulos.

De acordo com a equipe, o protótipo ainda depende de outros módulos para operar dentro do corpo humano, como sistemas de alimentação sem fio e estruturas que permitam a implantação.

“Prevemos que nossos primeiros chips cheguem no final de 2025 e estamos interessados em encontrar colaboradores para os quais esse chip abriria novos e empolgantes caminhos”, escreveu o neuroengenheiro Nate Cermak no blog oficial da Starfish.

A startup quer reduzir o tamanho e a complexidade dos dispositivos já existentes. A meta é oferecer um componente sem bateria, que consome apenas 1,1 mW e funciona por transmissão de energia sem fio, permitindo que múltiplas regiões do cérebro sejam acessadas ao mesmo tempo. O chip teria dimensões de 2 x 4 mm, suportando 32 eletrodos com 16 canais de leitura simultânea.

Ilustração do chip da Neuralink em um fundo branco, ao lado de uma moeda
Chip da Neuralink é do tamanho de uma moeda (imagem: reprodução/Neuralink)

Para efeito de comparação, o N1, da Neuralink, possui 1.024 eletrodos e depende de uma bateria recarregável. A empresa de Elon Musk já implantou o dispositivo em humanos, embora o primeiro voluntário tenha relatado que alguns dos fios inseridos no cérebro se soltaram — um problema que não impediu o funcionamento geral do sistema.

Segundo a Starfish, o acesso a diferentes regiões do cérebro ao mesmo tempo pode ser essencial para tratar outras condições, como o Parkinson, já que muitos distúrbios envolvem falhas de comunicação entre circuitos neuronais.

A empresa também cita o desenvolvimento de um equipamento de ”hipertermia de precisão” para destruir tumores e um sistema de estimulação magnética transcraniana guiado por robôs para tratar transtornos como depressão e bipolaridade.

E os jogos?

Em 2019, durante uma palestra na Gamers Developer Conference, a Valve apresentou publicamente ideias para integrar sinais cerebrais a computadores voltados a jogos (embora a animação icônica da Valve já seja uma referência antiga para a expansão da mente).

Na ocasião, a empresa detalhou que o objetivo seria usar leituras cerebrais não invasivas, frequentemente acopladas a headsets de realidade virtual, para coletar dados fisiológicos e psicológicos dos jogadores.

Essas informações permitiriam que o jogo se tornasse inteligente e adaptativo, ajustando a dificuldade em tempo real se o sistema detectasse que o jogador estava entediado ou frustrado.

Vale lembrar que, no mês passado, a Valve anunciou uma versão da Steam Machine junto com o novo Steam Controller e o Steam Frame, headset de realidade virtual. Todos esses dispositivos estão previstos para o começo de 2026.

Startup pode ter chips cerebrais para jogos e quer rivalizar com Neuralink

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Starfish Neuroscience quer lançar um chip capaz de registrar e estimular o cérebro. Startup de Gabe Newell, CEO da Valve, pode entregar dispositivo ainda este mês.

Gabe Newell é CEO da Valve (imagem: reprodução/Future)

Interface cérebro-máquina: saiba como funciona o dispositivo neurotecnológico

2 de Dezembro de 2025, 16:57
ilustração sobre uma interface cérebro-máquina
Entenda como as interfaces cérebro-máquina são um importante avanço para a neurotecnológia e a médicina (imagem: Shubham Dhage/Unsplash)

As interfaces cérebro-máquina (ICM) são um canal de comunicação direto entre o cérebro e um dispositivo externo. Elas são projetadas para auxiliar, aumentar ou reparar funções cognitivas ou motoras humanas, integrando o sistema nervoso com máquinas para restaurar a autonomia de pacientes.

O funcionamento de uma ICM baseia-se na captação de sinais cerebrais por meio de eletrodos (invasivos ou não-invasivos) processados por um computador. Esses sinais são traduzidos em comandos digitais para operar dispositivos como cadeiras de rodas, próteses ou softwares especiais, refletindo a intenção do usuário.

Várias empresas atuam no desenvolvimento dessas tecnologias, com destaque para a Neuralink de Elon Musk que trabalha com implantes cerebrais para fins diversos. Synchron, Emotiv e Blackrock Neurotech também atuam no aprimoramento de interfaces neurais para aplicações médicas e outros campos.

A seguir, entenda o conceito de interfaces cérebro-máquina, para que servem e como funcionam. Também saiba as vantagens e as limitações dessa neurotecnologia com diferentes aplicações.

O que é interface cérebro-máquina?

Uma interface cérebro-máquina (ICM), ou brain machine interface (BCI), é um sistema de comunicação que capta e decodifica a atividade neural, transformando-a em comandos que controlam dispositivos externos. Ela estabelece uma conexão direta entre o cérebro e o hardware ou software, permitindo o controle sem a necessidade de movimento físico.

Em suma, a interface cérebro-computador (ou brain computer interface) traduz a intenção funcional do indivíduo, o desejo de interagir com o ambiente, diretamente dos sinais cerebrais. Isso permite que o usuário controle um aplicativo ou um dispositivo usando apenas a mente, o que tem potencial em reabilitação e assistência tecnológica.

Para que serve a interface cérebro-computador?

A interface cérebro-computador é usada primariamente para restaurar a comunicação e as funções motoras em pessoas com lesões ou doenças neurológicas graves. Elas capacitam os indivíduos a controlar dispositivos externos usando somente a atividade cerebral, abrindo caminhos para superar limitações físicas.

A função central da ICM é traduzir a atividade neural captada em comandos de controle para software e hardware externos, permitindo a execução de tarefas. Isso engloba a digitação em uma tela, o movimento de membros robóticos (neuropróteses) e a operação de cadeiras de rodas.

Basicamente, as interfaces possibilitam o controle de tecnologia pela mente para recuperar movimentos e a fala perdidos. Eles também representam uma ferramenta no diagnóstico e tratamento de condições neurológicas e oferecem feedback sensorial de volta ao cérebro.

imagem de uma pessoa participando de uma atividade de interface cérebro-máquina
Os ICMs podem traduzir a atividade cerebral e transformá-los em comandos de softwares e hardwares (imagem: Robert Bauernhansl/Ars Electronica)

Como funciona a interface cérebro-máquina

Uma interface cérebro-máquina opera captando os sinais elétricos gerados pelas redes neurais do cérebro, que representam a comunicação entre neurônios nas sinapses. Isso é feito por meio de sensores (eletrodos) posicionados para detectar essa atividade, seja no couro cabeludo ou implantados no tecido cerebral.

O componente físico (hardware) de detecção mede a frequência e a intensidade desses sinais, agindo como um “microfone” para a atividade elétrica do cérebro. Em seguida, os dados brutos são submetidos a um processamento de pré-condicionamento, como filtragem, antes de serem enviados para um software de computador local.

O software emprega algoritmos de decodificação neural auxiliados por tecnologia de aprendizagem de máquina e inteligência artificial. Então, eles traduzem os complexos padrões de dados cerebrais em uma intenção programável clara do usuário, como o desejo de mover um membro ou selecionar uma letra.

Finalmente, essa intenção decodificada é transformada em um comando de controle que opera um hardware, como um exoesqueleto, um cursor de computador ou uma cadeira de rodas. O sistema usa um ciclo de feedback contínuo para refinar o controle, permitindo que o usuário e a ICM ajustem e melhorem a colaboração ao longo do tempo.

Quais são os tipos de interface cérebro-máquina?

As interfaces cérebro-máquina são categorizadas pela invasividade, afetando diretamente a qualidade do sinal e a aplicação clínica ou não-clínica. A escolha depende do equilíbrio entre a precisão da leitura neural e o risco associado ao procedimento de implantação.

As ICMs invasivas requerem neurocirurgia para implantação de eletrodos dentro ou na superfície do córtex cerebral para registros de eletrocorticografia (ECoG). O contato direto com o tecido neural capta sinais de alta fidelidade, sendo essenciais para a restauração funcional em pacientes com paralisia grave ou síndrome do encarceramento.

As ICMs não-invasivas usam dispositivos externos, como capacetes com sensores, atuando como um canal bidirecional de comunicação sem a necessidade de cirurgia. Embora os sinais sejam mais fracos e menos precisos, são adequados para aplicações menos críticas, como neurofeedback, jogos ou controle básico de dispositivos.

Ilustração do chip da Neuralink
As interfaces cérebro-máquina podem ser pequenos chips implantados diretamente no córtex cerebral (imagem: Reprodução/Neuralink)

Quais empresas desenvolvem interfaces cérebro-máquina?

Estas são algumas das empresas que estão trabalhando no desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina:

  • Neuralink: desenvolve ICMs invasivas para criar uma “simbiose” entre o cérebro humano e a inteligência artificiais. O objetivo é restaurar funções sensoriais e motoras em pacientes com condições neurológicas graves;
  • Synchron: pioneira na abordagem endovascular, implantando o dispositivo Stentrode através da veia jugular para residir em um vaso sanguíneo sobre o córtex motor e restaurar a comunicação e a função motora; 
  • Blackrock Neurotech: fornecedora de sistemas invasivos, usando o microeletrodos Utah Array, foca no desenvolvimento de um sistema implantável domiciliar para restaurar a comunicação e a função motora em pessoas com tetraplegia;
  • Precision Neuroscience: criou a interface cortical Layer 7, uma película ultrafina e flexível de microeletrodos. Esta interface neural é projetada para se adaptar à superfície do cérebro com mínima interrupção do tecido neural;
  • Kernel: foca em interfaces não-invasivas usando métodos como espectroscopia funcional de infravermelho (fNIRS). Seus sistemas buscam medir e decodificar a atividade cerebral para aplicações de bem-estar e cognição;
  • Neurable: especializada em soluções não-invasivas para uso diário, frequentemente incorporadas em headsets de realidade virtual/aumentada. A tecnologia cria ferramentas de medição cognitiva que avaliam o estado emocional e o esforço de atenção;
  • Emotiv: desenvolve headsets sem fio para monitoramento por registros eletroencefalográficos (EEG) usados para pesquisa e uso pessoal. Suas aplicações se estendem desde o controle de jogos e TV interativa até medicina e automação robótica;
  • Padromics: está progredindo em ICM invasiva com o implante cortical Connexus. O dispositivo transmite milhares de canais neurais simultaneamente, com registros in-human já completados.
Logo da empresa Neuralink
Neuralink é uma das empresas na vanguarda do desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina (Imagem: Reprodução/Neuralink)

Existem casos de aplicação da interface cérebro-computador?

Sim, existem diversas aplicações ICMs criadas para ajudar pessoas com deficiências por meio de comunicação, controle motor e na reabilitação. Essas tecnologias também visam melhorar o desempenho humano em produtos de consumo e em ambientes profissionais.

  • N1 Implant (Neuralink): implante totalmente interno e de alta largura de banda, desenvolvido para permitir que pessoas com paralisia controlem computadores e smartphones usando apenas o pensamento;
  • Stentrode (Synchron): dispositivo minimamente invasivo implantado através da veia jugular, evitando a necessidade de cirurgia cerebral aberta para permitir que pacientes controlem dispositivos digitais sem as mãos;
  • Epoc Flex e Insight (Emotiv): headsets sem fio com eletrodos EEG para uso em pesquisa científica, desenvolvimento de sistemas de controle sem as mãos e aplicações em jogos;
  • Fones de ouvido (Neurable): fones de ouvido bluetooth com cancelamento de ruído que incorporam eletrodos EEG invisíveis para uso diário, aplicáveis em contextos como jogos de realidade virtual e foco;
  • Próteses neurais (braços robóticos): sistemas que decodificam sinais cerebrais de regiões motoras para controlar diretamente membros artificiais e restaurar a função motora em indivíduos com amputações ou paralisia;
  • Restauração da comunicação (pessoas com ELA/paralisia): tecnologias que permitem pacientes com perdas vocais ou motoras possam soletrar palavras ou selecionar frases em uma tela, transformando pensamentos em texto ou fala;
  • Neurofeedback e reabilitação cognitiva: uso de ICM para treinar pacientes a modular sua própria atividade cerebral para tratar condições como TDAH, ou para acelerar a recuperação motora após um AVC.
Neuralink / chip N1
Chip N1, da Neuralink, usado para processar sinais cerebrais (imagem: Reprodução/Neuralink)

Quais são as vantagens da interface cérebro-máquina?

Estes são os principais pontos fortes das interfaces cérebro-computador:

  • Acessibilidade aprimorada: permitem que indivíduos com graves deficiências motoras (como paralisia) recuperem o controle sobre dispositivos e ambientes, possibilitando operar cadeiras de rodas, membros robóticos ou comunicar-se usando computadores;
  • Restauração de funções: são cruciais em neuropróteses, ajudando a restaurar funções sensoriais, motoras e de fala perdidas, sendo empregadas em terapias de reabilitação para pacientes que buscam recuperar habilidades motoras após um AVC;
  • Interação otimizada e intuitiva: oferecem uma forma de comunicação mais direta, rápida e intuitiva entre o cérebro e as máquinas, superando as limitações de velocidade e esforço dos dispositivos de entrada (teclados e mouses);
  • Jogos e entretenimento: permitem criar experiências de jogos e aplicativos de realidade virtual/aumentada mais imersivas e envolventes, onde os jogadores podem controlar elementos ou interagir com ambiente digital diretamente com seus pensamentos;
  • Coleta e análise de dados cerebrais: fornecem informações em tempo real valiosas sobre a atividade, padrões e funções cerebrais, sendo essenciais para a pesquisa avançada em neurociência, psicologia e desenvolvimento de tratamentos neurológicos.

Quais são as desvantagens da interface cérebro-máquina?

Estes são os principais pontos fracos das interfaces cérebro-máquina:

  • Procedimentos cirúrgicos de riscos: as ICMs com técnicas invasivas requerem cirurgia cerebral para a implantação de eletrodos, o que está associado a riscos significativos como infecções, hemorragias, danos ao tecido cerebral e complicações relacionadas à anestesia;
  • Alto custo de desenvolvimento e acessibilidade: o desenvolvimento, fabricação e manutenção dos dispositivos são extremamente caros, limitando a acessibilidade e adoção generalizada fora de centros de pesquisa e hospitais especializados;
  • Qualidade e latência limitada do sinal: as ICMs não-invasivas como EEG apresentam baixa resolução espacial e alta latência, pois o crânio e a pele atenuam e dispersam o sinal, tornando a decodificação de comandos mais lenta e menos precisa;
  • Fadiga cognitiva e sobrecarga mental: o uso contínuo de ICMs, que muitas vezes exige foco e concentração mental intensos para gerar comandos claros, pode levar à fadiga cognitiva, estresse mental e uma diminuição na capacidade de sustentar o desempenho ao longo do tempo;
  • Complexidade na decodificação de sinais cerebrais: a tradução dos padrões neurais complexos e dinâmicos em comandos claros e utilizáveis exige algoritmos de aprendizado de máquina sofisticados e grande volume de dados de treinamento personalizados para cada usuário;
  • Preocupações éticas, de segurança e de privacidade: a capacidade de acessar e registrar dados cerebrais levanta sérias questões sobre a autonomia cognitiva (liberdade mental) e o potencial uso indevido ou falhas de segurança na proteção de informações neurais altamente sensíveis (brain-hacking).

Qual é a diferença entre interface cérebro-máquina e próteses neurais?

Interface cérebro-máquina é uma tecnologia que estabelece um caminho de comunicação direto entre cérebro e um dispositivo externo, como computador ou membro robótico. Ela tem a função de traduzir a atividade neural (pensamentos, intenções) capturada em comandos que a máquina pode executar.

Prótese neural é um dispositivo médico projetado especificamente para substituir ou restaurar uma função perdida do sistema nervoso. Ela usa a tecnologia ICM para receber sinais neurais, permitindo o movimento de um membro protético ou a percepção sonora com um implante coclear.

Interface cérebro-máquina: saiba como funciona o dispositivo neurotecnológico

(imagem: Shubham Dhage/Unsplash)

(imagem: Robert Bauernhansl/Ars Electronica)

(Imagem: Reprodução/Neuralink)

(Imagem: Reprodução/Neuralink)

Chip N1, da Neuralink, usado para processar sinais cerebrais (Imagem: Reprodução / Neuralink)

O que é a Neuralink? Conheça a empresa de chip cerebral do Elon Musk

4 de Novembro de 2025, 13:39
Logo da empresa Neuralink
Neuralink quer ser pioneira no desenvolvimento de interfaces cérebro-computador (Imagem: Reprodução/Neuralink)

Neuralink é uma empresa de neurotecnologia cofundada por Elon Musk que desenvolve interfaces cérebro-máquina (ICMs) implantáveis no crânio humano. Esses dispositivos são capazes de traduzir sinais neurais em ações, permitindo que indivíduos controlem máquinas a partir do pensamento.

A princípio, a Neuralink prevê que sua interface neural poderá expandir a capacidade de pessoas com deficiência ou que tiveram lesões neurológicas. Mas a ideia da empresa é que seu dispositivo se torne um produto comercial no futuro, proporcionando imersão digital ao integrar humanos e máquinas.

Chamado de N1, o chip da Neuralink funciona mediante cirurgia para o implante neural. Uma vez que o dispositivo é implantado, fios ultrafinos da interface se conectam a células cerebrais, captam as mensagens dos impulsos elétricos, e enviam as informações para sistemas externos de IA e machine learning.

A seguir, entenda melhor o que é e o que faz a Neuralink, e confira detalhes sobre o funcionamento da interface neural da empresa.

O que é a Neuralink?

Neuralink é uma empresa norte-americana do segmento de neurotecnologia. Fundada no dia 21 de junho de 2016, a companhia busca ser a pioneira no desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina (ICM ou BCI, em inglês): chips cerebrais implantáveis que podem traduzir sinais neurais em ações.

Quem é o dono da Neuralink?

O empresário e bilionário Elon Musk é reconhecido como o dono da Neuralink, por ser cofundador e sócio majoritário da empresa. O cofundador e atual presidente da Neuralink, Dongjin “DJ” SEO, também tem participação ativa nas diretrizes da companhia, embora o status de “dono” seja atribuído a Musk.

Vale destacar que não há dados públicos que indiquem a porcentagem da participação de Musk sobre a Neuralink, e nem detalhes sobre outros possíveis acionistas que possam integrar o quadro societário da empresa.

O que a Neuralink faz?

A Neuralink investe em pesquisas e experimentos de tecnologia neural para o desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina (ICMs) implantáveis no crânio de pessoas com deficiência ou que sofreram graves lesões que comprometeram a fala, o movimento ou a visão.

A ideia é que esses dispositivos possam traduzir sinais neurais em ações, permitindo que indivíduos consigam controlar PCs, braços robóticos e outros tipos de máquinas apenas com o pensamento.

Ilustração de chip da Neuralink
Interface neural da Neuralink busca traduzir sinais neurais em ações (Imagem: Reprodução/Neuralink)

Quais são os objetivos da Neuralink?

O objetivo da Neuralink consiste em validar uma interface cérebro-computador implantável capaz de expandir a capacidade de pessoas com deficiência ou com lesões neurológicas. Diversas empresas estão trabalhando nessa frente, mas a Neuralink de Elon Musk quer despontar como a pioneira a colocar o produto nas prateleiras.

Mas apesar dos discursos com propósitos voltados para a área da saúde, a Neuralink também foca em um objetivo meramente tecnológico. Inclusive, Musk chegou a dizer no passado que uma interface neural permitiria uma “simbiose” entre humanos e máquinas, de modo a evitar que pessoas se tornassem “gatos domésticos” com o avanço da inteligência artificial.

Portanto, a Neuralink parece focar (no curto e médio prazo) em um chip neural que pode expandir a capacidade de pessoas com deficiência ou lesões. Mas no futuro (longo prazo), a empresa pode levar o produto para outros públicos, permitindo que pessoas se conectem a máquinas para maior imersão digital.

Como funciona o chip cerebral da Neuralink?

O chip da Neuralink funciona como um sistema de comunicação bidirecional entre o cérebro do usuário e dispositivos externos. Esse funcionamento permite que os sinais neurais captados do usuário consigam controlar máquinas sem qualquer ação adicional da pessoa.

Tudo começa com uma cirurgia para o implante neural. Em suma, uma máquina robótica abre um pequeno buraco no crânio do usuário para a inserção da interface da Neuralink, chamada de N1. A N1 mede cerca de 23 mm de diâmetro e tem 8 mm de espessura, e é formada por alguns componentes físicos (hardwares): um invólucro biocompatível, bateria, chips e eletrônicos, além de fios de eletrodos ultrafinos.

Ilustração do chip da Neuralink
Ilustração da interface neural da Neuralink (Imagem: Reprodução/Neuralink)

Depois que o chip é implantado, os fios de eletrodos se conectam com até mil células cerebrais diferentes, e se tornam capazes de detectar as mensagens transmitidas entre neurônios pelos impulsos elétricos. De acordo com a Neuralink, usuários podem ter até 10 chips N1 implantados.

O chip então se comunica (sem fio) com máquinas externas (como um PC), e os sinais são interpretados via software. Com a ajuda de modelos de inteligência artificial e machine learning, o sistema passa a compreender os sinais do usuário, transformando essas mensagens em ações. Com o tempo, o usuário pode usar máquinas a partir de seus pensamentos.

Funcionamento do chip da Neuralink
Sinais neurais podem ser interpretados para fazer ligações, navegar no PC e até jogar (Imagem: Reprodução/Neuralink)

Cases de ensaios clínicos mostraram que pacientes com a interface N1 implantada puderam jogar, mexer no computador, e até escrever seu nome.

A Neuralink é segura?

Sim, embora existam ressalvas. Neuralink é uma das empresas de Elon Musk, que atingiu um valor de mercado de US$ 9 bilhões em 2025. Apesar de valuation não validar nada e de polêmicas e contradições éticas do bilionário, presume-se que a empresa tenha capacidade de investir em tecnologias experimentos científicos de ponta.

Além disso, a Neuralink recebeu aval da Administração Federal de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos em 2023 para iniciar ensaios clínicos da interface cérebro-máquina em humanos.

No entanto, vale frisar que os chips neurais envolvem diversos riscos. Implantes neurais são processos delicados, que exigem máximo cuidado antes, durante e após a cirurgia.

E por ainda estar em fase de ensaios clínicos, não há certezas sobre problemas ou possíveis sequelas no médio e longo prazo. Como exemplo, relatórios recentes mostraram que 85% dos fios do primeiro implante da Neuralink foram desconectados do cérebro do paciente, o que acende o alerta para questões de segurança e eficácia.

Qual é a diferença entre Neuralink e outras empresas de interface neural?

A principal diferença entre Neuralink e outras empresas de interface neural está no propósito. Players como Synchron e Paradomics deixam claro que suas interfaces cérebro-máquinas são voltadas para necessidades médicas. Já a Neuralink enxerga a BCI no longo prazo como um dispositivo tecnológico de consumo.

Esse propósito também implica em questões de durabilidade. A Paradomics cita que a Neuralink utiliza uma interface com prazo de validade próximo a dois anos, devido aos materiais em polímeros e à necessidade de manutenções. Em contrapartida, a própria Paradomics utiliza materiais como metais e cerâmicas, o que faz com que os dispositivos possam durar décadas.

O que é a Neuralink? Conheça a empresa de chip cerebral do Elon Musk

(Imagem: Reprodução/Neuralink)

(Imagem: Reprodução/Neuralink)

(Imagem: Reprodução/Neuralink)

(Imagem: Reprodução/Neuralink)
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