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Fim do suporte a chips i486 no Linux está próximo

6 de Abril de 2026, 10:53
Arte exibe Linus Torvalds, o criador do Linux, em destaque. Ele aparece à direita, com óculos e um semblante sorridente, iluminado por tons de verde e azul. À esquerda, em letras brancas grandes, está a palavra "Linux" sobre uma forma laranja que simula um traço de pincel. O fundo escuro apresenta pequenos pontos e elementos em pixel art, lembrando uma interface antiga de computador. No canto inferior direito, a marca d'água "tecnoblog" é visível.
Fim do suporte a chips i486 no Linux está próximo (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • kernel Linux deve iniciar remoção do suporte aos chips i486 na versão 7.1;
  • suporte ao i486 gera código legado e rotinas de emulação x86-32 para CPUs 32 bits antigas, o que consome tempo de manutenção;
  • Linux já encerrou suporte a chips i386 em 2012 por motivo semelhante.

Introduzidos no final dos anos 1980 e popularizados na década seguinte, os processadores i486 deverão deixar de ser suportados pelo kernel Linux. Desenvolvedores do projeto já se movimentam para que as linhas de código referentes a esses chips deixem de existir. Entre eles está Linus Torvalds.

O motivo: os chips i486 são muito antigos e, consequentemente, são pouco utilizados atualmente. Sobre isso, há cerca de um ano, Torvalds chegou a comentar:

Eu realmente tenho a sensação de que é hora de deixar o suporte ao i486 para trás.

Não há nenhuma razão real para alguém desperdiçar um segundo de esforço de desenvolvimento com esse tipo de problema.

Linus Torvalds

A qual problema Torvalds se refere? Também no ano passado, Ingo Molnar, outro importante desenvolvedor do projeto, explicou o porquê de o suporte a chips i486 ser complicado no Linux:

Na arquitetura x86, nós temos vários recursos complexos de emulação de hardware em x86-32 para suportar CPUs antigas de 32 bits que pouquíssimas pessoas usam com kernels modernos.

Essa compatibilidade às vezes causa problemas que as pessoas gastam tempo para resolver, tempo este que poderia ser gasto em outras atividades.

Ingo Molnar

Faz sentido. Código pouco usado em um projeto tão importante e complexo como o Linux exige esforços de manutenção, adaptação e até otimização para que o kernel não fique “inchado” ou tenha problemas de desempenho. Convém direcionar esforços para aquilo que tem mais prioridade.

Em tempo, o nome i486 faz referência à linha de processadores 80486 (ou somente 486) de 32 bits que a Intel lançou no fim dos anos 1980 e início da década de 1990. Também houve alternativas oferecidas pela concorrência, a exemplo dos chips Am486, da AMD.

Não seria um movimento inédito. Basta nos lembrarmos de que, em 2012, o kernel Linux perdeu suporte aos chips i386, que antecederam os processadores i486, por razões parecidas.

Processador Intel 486 DX
Processador Intel 486 DX (imagem: yellowcloud/Flickr)

Quando o suporte a i486 deixará de existir no Linux?

Linus Torvalds e sua turma trabalham atualmente no kernel Linux 7.0, versão que pode ser anunciada oficialmente já no próximo fim de semana. Porém, o Phoronix observou que uma alteração de código que dá início à remoção do suporte a i486 foi inserida recentemente em uma ramificação relacionada ao kernel 7.1.

Isso significa que a versão seguinte ao Linux 7.0 é que deve dar início ao processo de aposentadoria dos chips 486 na plataforma. Mas não pense que esta será uma decisão tomada às pressas: discussões sobre o fim do suporte a chips i486 no Linux existem pelo menos desde 2022.

Quem tem um PC 486 em atividade não ficará desamparado, porém. Neste caso, a solução é recorrer a uma distribuição Linux com uma versão anterior do kernel e que, como tal, mantém suporte a esse tipo de processador.

Fim do suporte a chips i486 no Linux está próximo

Linus Torvalds, o "pai" do Linux (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Processador Intel 486 DX (imagem: yellowcloud/Flickr)

Linux 7.0 vem aí e Linus Torvalds brinca sobre temer “números grandes”

24 de Fevereiro de 2026, 12:08
Tux, o símbolo do Linux, e Linus Torvalds
Linux 7.0 está a caminho e Linus Torvalds brinca sobre “números grandes” (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Linux 7.0 foi anunciado por Linus Torvalds, com lançamento previsto para abril de 2026, mas salto de numeração reflete apenas “progresso sólido”, sem grandes novidades;
  • Torvalds afirmou que mudou número principal para evitar confusão com contagens; em tom de brincadeira, ele comentou esperar que seu sucessor lide melhor com números altos;
  • Atualização trará suporte para novos processadores da Intel e AMD, além de otimizações de desempenho; o uso da linguagem Rust sairá da fase experimental.

O kernel Linux 7.0 vem aí. O número arredondado nos faz pensar em uma grande novidade na versão. Mas Linus Torvalds tratou de avisar que a numeração representa apenas um “progresso sólido” do projeto e fez até uma brincadeira sobre seu sucessor não ter medo de números altos.

Atualmente, o Linux está na versão 6.19, que foi anunciada no último dia 8. Uma simples continuidade do projeto nos faria pensar em uma versão “6.20”. Vem daí a suspeita de que o salto para a versão 7.0 representaria algum avanço muito expressivo.

No último domingo (22/02), o Linux 7.0 rc1 (Release Candidate 1) foi anunciado. A fase “rc” consiste na última antes do lançamento da versão final do projeto. Como o projeto avança dentro do prazo, é bastante provável que o Linux 7.0 chegue no momento esperado: abril de 2026.

Torvalds aproveitou o anúncio para explicar o salto de numeração: “temos um novo número de versão principal simplesmente porque me confundo facilmente e não me dou bem com números grandes”.

Ele continuou, sem perder o bom humor:

Não fazemos lançamentos baseados em recursos (ou em “estável versus instável”) há muito tempo. Portanto, esse novo número de versão principal não significa que temos algum novo recurso incrível ou que estamos abandonando interfaces antigas. É apenas o marcador usual de “progresso sólido”, nada mais.

E sim, não tenho um plano concreto para quando o próprio número da versão principal ficar grande. Mas, fazendo as contas, até lá, espero que tenhamos alguém mais competente no comando, que não tenha medo de números maiores que 10. Então, não vou me preocupar com isso.

Linus Torvalds, principal mantenedor do Linux

Ao comentar sobre um sucessor, talvez Torvalds tenha feito uma referência ao plano criado para quando o Linux precisar de um novo líder.

Linus Torvalds e Linus Sebastian
Linus Torvalds e Linus Sebastian em gravação no ano passado (imagem: YouTube/Linus Tech Tips)

O que o Linux 7.0 trará de novo?

Tradicionalmente, cada nova versão traz um conjunto de pequenos aprimoramentos. Não será diferente no Linux 7.0. Essa versão reserva novidades como:

  • suporte para os futuros processadores Intel Nova Lake e Diamond Rapids;
  • suporte para os futuros chips AMD com arquitetura Zen 6;
  • suporte melhorado aos chips Qualcomm Snapdragon X2;
  • ajustes de desempenho para arquiteturas como RISC-V e LoongArch;
  • otimizações em sistemas de arquivos, a exemplo do ext4 e do exFAT.

Um detalhe interessante é que, na nova versão, o uso de Rust (linguagem mais moderna e segura) no desenvolvimento de determinados componentes do kernel deixará a fase “experimental” para ser definitiva.

Vale relembrar que a versão final do Linux 7.0 é esperada para abril. Talvez o anúncio seja feito no dia 12 ou no dia 19 desse mês (dependerá do número de versões “rc” lançadas).

Linux 7.0 vem aí e Linus Torvalds brinca sobre temer “números grandes”

Tux, o símbolo do Linux, e Linus Torvalds (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Linus Torvalds e Linus Sebastian (imagem: YouTube/Linus Tech Tips)

Linus Torvalds anuncia Linux 6.19; veja o que há de novo

9 de Fevereiro de 2026, 14:47
Tux, o símbolo do Linux, e Linus Torvalds
Linus Torvalds anuncia Linux 6.19 (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Linux 6.19 melhora compatibilidade com GPUs AMD antigas e suporte a máquinas virtuais com chips da companhia;
  • Atualização traz suporte a chips Intel Nova Lake e para tecnologia de segurança Intel LASS, que previne ataques baseados em vulnerabilidades de hardware;
  • Sistema de arquivos EXT4 foi otimizado e dispositivos portáteis como Steam Deck e Asus ROG Ally ganharam suporte oficial para controle de hardware.

O Linux 6.19 é oficial. Manda a tradição que o anúncio de uma nova versão do kernel seja feito em um domingo. Pois bem, Linus Torvalds apresentou a novidade no último dia 8. O que há de novo? Principalmente ajustes ou acréscimo de compatibilidade com chips AMD e Intel. Mas há outros avanços, é claro.

No e-mail em que anuncia o Linux 6.19, Linus Torvalds fez o seguinte comentário:

Sem grandes surpresas na semana passada [com relação ao kernel], então a versão 6.19 foi lançada conforme o esperado — justamente quando os EUA se preparam para uma paralisação completa ainda hoje, assistindo à última leva de comerciais de TV.

Apostadores diriam que todos eles [os comerciais] foram gerados por IA, mas talvez alguma empresa empreendedora decida ir contra essa tendência? Duvido, mas sempre há uma pequena chance.

Linus Torvalds, principal mantenedor do Linux

Ao falar de paralisação nos Estados Unidos, Torvalds brinca com a final do Super Bowl, que ocorreu justamente no último domingo. Mas vamos ao que interessa: o Linux em si.

Ubuntu 25.10 em um notebook com CPU Intel
Distribuição Ubuntu (imagem ilustrativa: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

O que o kernel Linux 6.19 traz de novo?

Há várias pequenas novidades no kernel Linux 6.19. Entre as que se destacam está a que torna GPUs AMD antigas, como as séries Radeon R9 200 e HD 7000, plenamente compatíveis com o driver aberto RADV para a API gráfica Vulkan. Essa novidade pode tornar a execução gráfica baseada em Vulkan ou em OpenGL até 40% mais rápida, de acordo com os benchmarks.

Ainda no universo da AMD, agora há suporte para máquinas virtuais com até 4.096 CPUs via tecnologia x2AVIC. O suporte anterior era de 512 CPUs. Isso significa que o Linux ficou mais potente em virtualização profissional a partir de processadores AMD.

Há ainda ajustes de desempenho na criptografia AES-GCM para processadores com arquitetura Zen 3 e suporte para inserção inteligente de dados no cache em processadores como o AMD Epyc 9005.

No ecossistema da Intel, as novidades incluem suporte para áudio em máquinas baseadas nos chips Nova Lake, a serem introduzidos ainda em 2026.

Agora também há suporte para a tecnologia Intel LASS (Linear Address Space Separation), que previne uma série de ataques baseados em vulnerabilidades de processadores, a exemplo das famosas falhas Spectre e Meltdown.

Outras novidades dignas de nota incluem:

  • EXT4: o sistema de arquivos agora tem suporte a blocos maiores que o tamanho da página do sistema, o que pode agilizar a cópia de arquivos grandes ou a extração de arquivos compactados, por exemplo;
  • Asus ROG Ally e Steam Deck: agora há suporte oficial ao controle de hardware de ambos os dispositivos, o que pode melhorar a experiência do usuário com jogos;
  • IdeaPad: agora há suporte a carregamento rápido via porta USB-C em vários notebooks da linha da Lenovo;
  • Tela azul: lembra que o Linux agora tem a sua própria versão da “tela azul da morte”? Pois bem, esse recurso foi ampliado para funcionar com uma variedade maior de hardware.
PC gamer portátil ROG Ally X (imagem: divulgação/ROG Ally X)
PC gamer portátil ROG Ally X (imagem: divulgação/ROG Ally X)

Como obter o Linux 6.19?

O kernel é o núcleo do sistema operacional, portanto, a sua implementação não é trivial, a não ser que você seja um usuário com conhecimentos avançados sobre Linux: quem sabe como compilar e atualizar o kernel pode baixar o Linux 6.19 a partir do site oficial.

Para os demais casos, convém aguardar pela liberação do novo kernel nas distribuições Linux, de modo oficial. Algumas delas, como o Arch Linux e o Fedora, poderão contar com o Linux 6.19 em breve.

Mas tenha em mente que, dependendo da distribuição, a implementação do novo kernel pode levar mais tempo. Isso porque costuma não haver pressa para isso. Cada projeto implementa a versão mais otimizada para determinada fase da distribuição, não necessariamente a mais recente.

Antes de encerrarmos, uma curiosidade: Linus Torvalds revelou que a próxima versão do kernel será chamada de Linux 7.0.

Com informações de Phoronix e OMG! Ubuntu

Linus Torvalds anuncia Linux 6.19; veja o que há de novo

Tux, o símbolo do Linux, e Linus Torvalds (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Ubuntu 25.10 em um notebook com CPU Intel (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

PC gamer portátil ROG Ally X (imagem: divulgação/ROG Ally X)

Comunidade Linux traça plano para quando Linus Torvalds der adeus

27 de Janeiro de 2026, 13:30
Arte exibe Linus Torvalds, o criador do Linux, em destaque. Ele aparece à direita, com óculos e um semblante sorridente, iluminado por tons de verde e azul. À esquerda, em letras brancas grandes, está a palavra "Linux" sobre uma forma laranja que simula um traço de pincel. O fundo escuro apresenta pequenos pontos e elementos em pixel art, lembrando uma interface antiga de computador. No canto inferior direito, a marca d'água "tecnoblog" é visível.
Linus Torvalds, o “pai” do Linux (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Desenvolvedores do Linux documentaram um plano de sucessão para quando Linus Torvalds não puder mais liderar o projeto;
  • Se os principais mantenedores não puderem substituir Torvalds, será convocada uma reunião em 72 horas para eleger um ou mais sucessores;
  • Decisão sobre o sucessor será comunicada à comunidade em até duas semanas. Linus Torvalds concordou com o plano.

Linus Torvalds é chamado de “pai do Linux” não só por ter criado o kernel no início dos anos 1990, mas também por mantê-lo até hoje. Mas o que acontecerá quando Torvalds não puder mais conduzir o projeto? A comunidade Linux finalmente decidiu traçar um plano para esse cenário.

Que fique claro desde já: Linus Torvalds não anunciou planos de aposentadoria, ano sabático, hiato ou qualquer coisa do tipo. Mas, partindo do pressuposto de que ele ficará à frente do projeto até o fim da vida, esse dia inevitavelmente chegará, e alguém terá que ocupar o seu lugar.

O tal plano foi documentado no repositório oficial em um arquivo de nome engraçadinho: “conclave.rst“. Eu não sou do tipo que explica piadas, mas aí vai uma rápida explicação para quem não captou a referência: conclave é o nome do processo de eleição de um novo papa pela cardeais da Igreja Católica.

Qual é o papel de Linus Torvalds no Linux?

Pois bem, a parte inicial do documento explica que o kernel Linux é um projeto “amplamente distribuído, com mais de 100 mantenedores, cada um trabalhando para manter as mudanças em andamento em seus próprios repositórios”.

Mais à frente, o texto explica que a etapa final, que contém as alterações que resultam no lançamento de uma nova versão do kernel, é um trabalho centralizado e “normalmente executado por Linus Torvalds”.

Ocasionalmente, outros mantenedores assumem o papel de Torvalds. Isso ocorreu, por exemplo, em 2018. Durante o período de desenvolvimento do kernel 4.19, ele se afastou do projeto por cerca de um mês para, aparentemente, descansar e refletir sobre o seu temperamento até então enérgico, por assim dizer.

O próprio documento do “conclave” cita esse episódio. À época, Greg Kroah–Hartman, outro nome importante do projeto, assumiu as decisões que seriam tomadas por Torvalds.

Bill Gates e Linus Torvalds
Bill Gates e Linus Torvalds em encontro realizado em 2025 (foto: LinkedIn/Mark Russinovich)

Quem substituirá Linus Torvalds, de acordo com plano?

Basicamente, o documento determina que, se os principais mantenedores não puderem cobrir Linus Torvalds diretamente, o projeto deverá eleger um ou mais substitutos o quanto antes.

Para tanto, caberá ao organizador da última Cúpula de Mantenedores do kernel ou ao presidente do Conselho Consultivo Técnico (TAB) da Linux Foundation convocar uma reunião a ser realizada em até 72 horas (após a saída de Torvalds, presumivelmente).

Poderão participar da reunião tanto integrantes da Cúpula de Mantenedores quanto membros do TAB, e todos eles poderão convidar participantes externos. Se nenhuma cúpula tiver sido realizado nos 15 meses anteriores à reunião, o TAB convocará os participantes.

Pois bem, a reunião visa eleger justamente o sucessor de Linus Torvalds no projeto do kernel Linux. Ou os sucessores. A decisão deverá ser comunicada à comunidade em até duas semanas na lista de discussão ksummit@lists.linux.dev.

Para quem gosta de um pouco de drama, eis o momento de frustração: este não é nenhum plano maligno para tirar Torvalds do poder ou algo assim. Ele próprio ratificou o documento, expressando plena concordância com o plano.

Comunidade Linux traça plano para quando Linus Torvalds der adeus

Linus Torvalds, o "pai" do Linux (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Bill Gates e Linus Torvalds (foto: LinkedIn/Mark Russinovich)

Linus Torvalds testa vibe coding e aprova experiência

13 de Janeiro de 2026, 15:29
Imagem mostra o criador do Linux, Linus Torvalds, de óculos, sorrindo para a câmera. Um pinguim de desenho animado, mascote do sistema operacional, está sentado em seu ombro esquerdo. O fundo vermelho escuro tem ícones de computador em marca d'água. No canto inferior direito, lê-se "tecnoblog".
Linus Torvalds, o “pai do Linux” (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Vibe coding utiliza modelos de linguagem de larga escala para desenvolvimento de software usando linguagem natural, conceito cunhado por Andrej Karpathy em 2025;
  • Linus Torvalds usou vibe coding no projeto AudioNoise, especificamente no visualizador de amostras de áudio do projeto, usando o Google Antigravity;
  • Torvalds aprova o uso de vibe coding para projetos menores, mas mantém métodos tradicionais em projetos críticos como o Linux.

Linus Torvalds não carrega apenas a fama de “pai do Linux”. Ele também é conhecido por seu comportamento altamente crítico. Diante disso, era de se esperar que Torvalds “demonizasse” o vibe coding. Mas não foi o que aconteceu em sua recente experiência com o conceito.

O que é vibe coding e por que o conceito é polêmico?

Vibe coding é uma expressão que descreve o uso de modelos de linguagem de larga escala (LLM) no desenvolvimento de software, de modo que o programador tenha que usar apenas linguagem natural em vez de linguagem de programação para isso. Trata-se de um termo cunhado por Andrej Karpathy, cofundador da OpenAI, em fevereiro de 2025.

Teoricamente, o vibe coding permite que uma pessoa desenvolva um projeto de software tendo pouco ou nenhum conhecimento sobre desenvolvimento. Mas o conceito também é visto como uma forma de acelerar ou poupar o trabalho de desenvolvedores profissionais.

A polêmica reside aí: há quem veja o vibe coding como um conceito para “preguiçosos”; outros entendem que o vibe coding pode resultar em código de baixa qualidade ou até inseguro.

Como foi a experiência de Linus Torvalds com o vibe coding?

Além de ter desenvolvido o Linux (e liderar o projeto até hoje) e o Git, Torvalds se aventura em projetos menores, ocasionalmente. Um deles é o AudioNoise, projeto de código aberto focado em efeitos de áudio digital.

Pois bem, o arquivo README.md mais recente do AudioNoise informa o seguinte em sua parte final (em tradução livre):

Note também que a ferramenta de visualização em Python foi basicamente escrita com vibe coding. Eu sei mais sobre filtros analógicos — e isso não quer dizer muita coisa — do que sobre Python.

Começou como meu típico método de programação de “pesquisar no Google e fazer o que o outro faz”, mas depois eliminei o passo intermediário — eu mesmo — e simplesmente usei o Google Antigravity para criar o visualizador de amostras de áudio.

Em outras palavras, Linus Torvalds admitiu ter usado vibe coding no desenvolvimento de um dos recursos do AudioNoise. Mas, sim, há uma razão para isso.

Grande parte do projeto foi desenvolvido em C, linguagem que Torvalds domina. Contudo, o visualizador de amostras de áudio do AudioNoise é baseado em Python, linguagem com a qual Linus é menos familiarizado. Para não perder tempo pesquisando sobre como trabalhar com o desenvolvimento desse recurso, Torvalds recorreu ao Google Antigravity.

Google Antigravity
Google Antigravity é editor de código baseado em IA (imagem: reprodução/Google)

O Google Antigravity é um ambiente de desenvolvimento lançado em novembro de 2025 como um fork do popular Visual Studio Code, mas que tem o suporte a múltiplos agentes de IA com diferencial. Trata-se de uma ferramenta que dá abertura para o trabalho com vibe coding, portanto.

Foi o que Linus Torvalds fez e, por ter reconhecido a experiência na documentação do AudioNoise, sugere ter aprovado o resultado. Não chega a ser surpresa: em novembro do ano passado, Torvalds disse não encontrar problemas no uso do vibe coding, embora tenha ressalvas sobre o uso do conceito em projetos realmente importantes.

Ao que tudo indica, essa premissa está sendo levada a sério aqui: o visualizador do AudioNoise é algo pequeno; mas o Linux em si, que é um projeto crítico, continua sendo mantido por Torvalds nos moldes tradicionais, com os desenvolvedores do projeto cuidando rigorosamente de cada linha de código.

Com informações de Phoronix

Linus Torvalds testa vibe coding e aprova experiência

Linus Torvalds, o "pai do Linux" (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Google lança Antigravity, editor de código todo baseado em IA (imagem: reprodução/Google)

Linus Torvalds defende Microsoft em casos de “tela azul” no Windows

4 de Dezembro de 2025, 15:37
Linus Torvalds e Linus Sebastian
Linus Torvalds e Linus Sebastian (imagem: YouTube/Linus Tech Tips)
Resumo
  • Linus Torvalds defendeu a Microsoft, afirmando que falhas de hardware, não bugs de software, são responsáveis por muitas “telas azuis” do Windows;
  • Torvalds destacou a importância das memórias ECC para evitar problemas causados por falhas de hardware;
  • A “Tela Azul da Morte” do Windows foi alterada para uma “tela preta” no Windows 11.

Há quem acredite que o “pai do Linux” tem repulsa por tudo que venha da Microsoft, mas a realidade é diferente. Linus Torvalds tem mantido uma postura respeitosa com relação à companhia, tanto que a defendeu recentemente ao comentar um tópico sempre polêmico: a “Tela Azul da Morte” (“BSOD”) do Windows.

O episódio ocorreu na participação de Linus Torvalds em um vídeo no popular canal no YouTube Linus Tech Tips. No vídeo, Torvalds acompanha a montagem de um PC com Linux ao lado do apresentador Linus Sebastian.

Em dado momento, quando Sebastian manipulava um módulo de RAM, a conversa enveredou para a predileção de Torvalds por memórias com ECC (Error Checking and Correction), tecnologia para detecção e correção de erros nesse tipo de componente.

Como módulos com ECC costumam ser mais caros, memórias com esse recurso tendem a ser usados em servidores, workstations ou aplicações profissionais, sendo pouco comuns em PCs domésticos.

Mas Torvalds defende o uso abrangente dessa tecnologia por entender que a sua ausência pode causar problemas sérios ao computador, pois, não raramente, falhas ocorrem no nível do hardware, não no software.

Foi quando, para exemplificar, Linus Torvalds comentou que nem sempre a Microsoft é culpada pela famosa e temível “tela azul”:

Estou convencido de que todas as brincadeiras sobre a instabilidade do Windows e a tela azul… Bom, creio que não é mais uma tela azul [atualmente, é preta]… Na verdade, uma grande porcentagem dessas falhas não eram bugs de software. Uma grande porcentagem eram efeito de hardware não confiável.

Linus Torvalds

Na sequência, Torvalds comentou que o ECC é tão essencial para tornar o computador confiável que ele não toca em PCs que não tenham o recurso, deixando claro que esse tipo de tecnologia é importante independentemente do sistema operacional em uso.

Os comentários de Torvalds sobre ECC e sobre “tela azul” começam no minuto 8 do vídeo:

A “Tela Azul da Morte” do Windows agora é preta

A “Tela Azul da Morte” é informalmente chamada assim porque aparece de modo repentino, exibindo um mensagem de erro com fundo azul quando algo impede o funcionamento do computador.

Tela preta com texto branco centralizado exibindo uma mensagem de erro do sistema operacional Windows. A mensagem diz: "Your device ran into a problem and needs to restart. 0% complete". Na parte inferior da tela, em menor tamanho, está escrito: "Stop code: CRITICAL_PROCESS_DIED (0xEF)" e "What failed: rdbss.sys". Não há outros elementos visuais presentes.
Tela azul do Windows 11 que agora é preta (imagem: divulgação/Microsoft)

Mas, no Windows 11, a Microsoft começou a trocar a “tela azul” por uma “tela preta” neste ano. Aparentemente, trata-se de uma tentativa da companhia de simplificar e otimizar o tratamento de erros que interferem no funcionamento do sistema operacional, sejam eles causados por falhas de hardware ou software.

Vale lembrar ainda que, também em 2025, Linus Torvalds e Bill Gates se encontraram pela primeira vez.

Linus Torvalds defende Microsoft em casos de “tela azul” no Windows

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Torvalds comentou sobre importância de memórias com ECC (correção de erros), exemplificando que "tela azul" do Windows muitas vezes ocorre por falha de hardware.

Linus Torvalds e Linus Sebastian (imagem: YouTube/Linus Tech Tips)

Linux 6.17 é lançado por Linus Torvalds; confira as novidades

29 de Setembro de 2025, 16:52
Arte exibe Linus Torvalds, o criador do Linux, em destaque. Ele aparece à direita, com óculos e um semblante sorridente, iluminado por tons de verde e azul. À esquerda, em letras brancas grandes, está a palavra "Linux" sobre uma forma laranja que simula um traço de pincel. O fundo escuro apresenta pequenos pontos e elementos em pixel art, lembrando uma interface antiga de computador. No canto inferior direito, a marca d'água "tecnoblog" é visível.
Linux 6.17 é lançado por Linus Torvalds (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Kernel Linux 6.17 chega com avanços importantes em drivers e estabilidade do sistema;

  • A versão melhora o suporte a chips AMD e Intel, além de trazer compatibilidade aprimorada com Macs, por exemplo;

  • Novidade já está disponível no site oficial, mas distribuições Linux devem liberar novo kernel de acordo com seus cronogramas de lançamentos.

Pede a tradição que uma nova versão do kernel Linux seja anunciada oficialmente aos domingos. Pois bem, Linus Torvalds aproveitou o último domingo (28/09) para lançar a versão final do Linux 6.17. A novidade chega com vários pequenos aprimoramentos que envolvem chips da AMD e Intel, por exemplo.

Anunciado dois meses após o Linux 6.16, o kernel 6.17 não traz nenhuma grande novidade. Mas o próprio Torvalds sinaliza que isso não é ruim, pois significa que os desenvolvedores não enfrentaram nenhum grande desafio ou contratempo recente nos trabalhos com a nova versão:

Nenhuma grande surpresa na semana passada, então aqui estamos nós, com o kernel 6.17 lançado e pronto para uso.

(…) Não é empolgante, o que é ótimo. Acho que o maior patch disponível são correções para travamento de alguns conflitos de Bluetooth que poderiam causar situações de “use after free” [tipo de erro de memória].

(…) Fora isso, há as correções de driver habituais (GPU e rede dominam [esse aspecto] como sempre, mas essa “dominância” ainda é bem pequena), há algumas pequenas atualizações aleatórias de outros drivers, algum ruído no sistema de arquivos, kernel e mm [gerenciamento de memória].

Linus Torvalds, líder de desenvolvimento do kernel Linux

O que o Linux 6.17 tem de novo?

As novidades do kernel 6.17 podem não ser empolgantes, mas são relevantes. No que diz respeito aos chips da AMD, os avanços envolvem, por exemplo, o suporte ao driver Hardware Feedback Interface (HFI), que contribui para o uso mais eficiente dos processadores Ryzen por meio da distribuição mais inteligente das cargas de trabalho entre os núcleos.

Também há suporte para a função SmartMux, que permite alternar de modo mais eficiente entre uma GPU integrada e um chip gráfico dedicado em computadores que contam com esses dois componentes.

No universo da Intel, o kernel 6.17 mantém o suporte a múltiplos núcleos de CPU sempre ativado para assegurar que as cargas de trabalho sejam distribuídas de modo mais eficiente entre todos eles.

Além disso, a nova versão traz suporte aprimorado ao driver de webcam IPU7, de modo a melhorar a compatibilidade do Linux com câmeras de notebooks que têm um processador recente da Intel.

Com relação a sistemas de arquivos, uma das novidades está nos ajustes de escalabilidade de alocação de blocos em partições EXT4. Isso contribui para deixar o sistema como um todo mais estável.

Outras novidades incluem:

  • suporte melhorado ao sistema de arquivos Btrfs;
  • suporte inicial aos codecs HEVC(H.265) e VP9 no decodificador de vídeo Qualcomm Iris;
  • drivers gráficos para notebooks com os futuros chips Intel Panther Lake (linha Core Ultra);
  • compatibilidade aprimorada em Macs com chip M1 ou M2;
  • adição de recursos para a Touch Bar de MacBooks Pro com processador Intel.

Mais detalhes sobre o kernel Linux 6.17 podem ser encontrados aqui e aqui (ambas as páginas descrevem recursos de modo bastante técnico).

Ícones de aplicativos no Ubuntu 25.2
O Ubuntu está entre as distribuições que devem trazer o Linux 6.17 na próxima atualização (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Como obter o Linux 6.17?

Usuários que sabem como compilar e atualizar o kernel podem baixar o Linux 6.17 a partir do site oficial.

Note que o procedimento exige conhecimentos avançados. Para o público em geral, o ideal é aguardar que o kernel 6.17 seja liberado pelos desenvolvedores das distribuições Linux.

Costuma não haver pressa para isso, porém. Em linhas gerais, as distribuições usam o kernel mais otimizado para determinada versão do projeto, não necessariamente o mais recente.

Com informações de It’s Foss e OMG! Ubuntu

Linux 6.17 é lançado por Linus Torvalds; confira as novidades

Linus Torvalds, o "pai" do Linux (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Os aplicativos do Ubuntu 25.04 incluem o LibreOffice 25.2 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
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