Visualização normal

Received before yesterdayTecnoblog

Moradores da Groenlândia recorrem a apps para boicotar produtos dos EUA

22 de Janeiro de 2026, 13:10
Três capturas de tela do aplicativo Made O'Meter, uma ferramenta desenvolvida na Dinamarca para identificar a origem e os proprietários de marcas e produtos. As telas mostram a função de busca por foto ou nome, e os resultados detalhados para o shampoo Head & Shoulders (propriedade da Procter & Gamble, EUA) e para a Jolly Cola (marca local da Dinamarca).
Dinamarqueses adotam apps que indicam produtos estadunidenses (imagem: reprodução/Made O’Meter)
Resumo

Aplicativos projetados para identificar se um produto é fabricado nos Estados Unidos chegaram ao topo da lista de mais baixados na App Store da Dinamarca, loja que também atende aos moradores da Groenlândia. Dois aplicativos específicos – o NonUSA e o Made O’Meter – viram sua popularidade explodir nos últimos dias tanto no iPhone quanto no Android.

De acordo com o TechCrunch, o aumento nos downloads acompanha uma reação a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de o país assumir o controle da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca.

Apesar do crescimento expressivo, o volume absoluto de downloads na Dinamarca segue relativamente pequeno em comparação com mercados maiores.

Segundo a Appfigures, a App Store do país registra cerca de 200 mil downloads por dia no total, o que permite que aplicativos alcancem rapidamente posições de destaque nos rankings com alguns milhares de instalações.

Como os apps funcionam?

O aplicativo NonUSA, que saltou da 441ª posição para o primeiro lugar na App Store dinamarquesa nesta quarta-feira, funciona como um scanner de bolso. O usuário utiliza a câmera do celular para ler o código de barras de um item no supermercado e o sistema informa a origem do produto, sugerindo alternativas locais para evitar a compra de mercadorias americanas.

A outra ferramenta, chamada de Made O’Meter, entrou para o top 5 da Apple e tem um funcionamento similar: o software ajuda o consumidor a filtrar suas compras com base no país de fabricação, incentivando a escolha de produtos que não enviem receitas para os Estados Unidos.

Segundo dados da empresa de inteligência de mercado Appfigures, a média diária de downloads combinados desses aplicativos aumentou 867% (cerca de 9,7 vezes) nos últimos sete dias em comparação com a semana anterior.

Gráfico do Appfigures mostrando a subida meteórica de um aplicativo na App Store da Dinamarca entre 08 e 21 de janeiro de 2026. A linha rosa representa o ranking de "Top Apps", que sobe da posição 500 para o 1º lugar em apenas duas semanas.
Apps como o NonUSA explodiram na última semana (imagem: reprodução/Appfigures)

Entretanto, o jornal Economic Times aponta que o boicote não se limita a produtos físicos. Consumidores dinamarqueses e groenlandeses também estariam cancelando viagens aos Estados Unidos e assinaturas de serviços digitais sediados no país, como a Netflix.

Além disso, o próprio país vem tentando substituir tecnologias estrangeiras. Em junho de 2025, Ministério de Assuntos Digitais da Dinamarca anunciou que o Estado passaria a utilizar soluções de código aberto em substituição às plataformas da Microsoft.

Moradores da Groenlândia recorrem a apps para boicotar produtos dos EUA

Dinamarca culpa Rússia por ataques cibernéticos contra infraestrutura

19 de Dezembro de 2025, 17:59
Bandeira da Dinamarca hasteada contra céu azul com nuvens, representando o país
Inteligência da Dinamarca detectou DDoS (foto: Markus Winkler/Pexels)
Resumo

O serviço de inteligência da Dinamarca atribuiu à Rússia uma série de ataques cibernéticos contra infraestrutura do país. O anúncio veio nessa quinta-feira (18/12), quando o DDIS (Serviço de Inteligência de Defesa Dinamarquês) divulgou uma avaliação sobre incidentes ocorridos em 2024 e 2025.

Segundo o DDIS, os dois grupos atuam em nome do Estado russo. No caso, o Z-Pentest teria sido responsável pelo ataque a um serviço de água em 2024 enquanto o NoName057(16) teria conduzido ataques de negação de serviço (DDoS) antes das eleições municipais dinamarquesas, realizadas em novembro.

A agência classificou os ataques como parte de uma campanha híbrida russa contra nações ocidentais. O objetivo seria gerar insegurança em países que apoiam a Ucrânia, de acordo com o documento oficial.

Como foram os ataques?

O ataque ao serviço de água teve objetivo de destruir o sistema, embora o DDIS não tenha detalhado a extensão dos danos. Já no caso dos ataques DDoS, o grupo NoName057(16) sobrecarregou sites dinamarqueses, tirando-os do ar durante o período eleitoral.

O serviço de inteligência também afirmou que as eleições municipais foram usadas como plataforma para atrair atenção pública, um padrão observado em outras eleições recentes na Europa.

A Dinamarca apoia a Ucrânia desde a invasão russa de fevereiro de 2022, fornecendo equipamentos militares, treinamento e assistência financeira. O país também participa das sanções internacionais contra Moscou, o que seria a principal motivação para esses ataques.

Reação do governo dinamarquês

O ministro de defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, afirmou que os ataques são evidências de que a guerra híbrida mencionada pelo governo agora se concretiza no território europeu.

Em paralelo a isso, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador russo para esclarecimentos sobre os incidentes.

Alerta internacional sobre grupos pró-Rússia

Neste mês, a CISA emitiu um alerta conjunto com o FBI, NSA e outras 20 agências de segurança e inteligência de países como Austrália, Canadá, Reino Unido, França e Alemanha.

O documento, atualizado no dia 18 de dezembro, alertou que grupos de hackers ativistas pró-Rússia realizam ataques oportunistas contra infraestrutura crítica global. Além dos grupos já citados pela Dinamarca, o alerta também menciona o CARR (Exército Cibernético da Rússia Renascido) e o Sector16.

Outros países escandinavos enfrentaram situações parecidas. Por exemplo, em agosto, hackers pró-Rússia abriram válvulas de uma barragem na Noruega após invadirem sistemas operacionais da estrutura.

Dinamarca culpa Rússia por ataques cibernéticos contra infraestrutura

Imagem: Markus Winkler/Pexels

Dinamarca quer proibir uso de VPN para acessar streaming

16 de Dezembro de 2025, 14:57
Serviço VPN da Surfshark
Dinamarca pode tornar ilegal o uso de VPNs no país (Imagem: Divulgação/Surfshark)
Resumo
  • O governo da Dinamarca propôs um projeto de lei para proibir o uso de VPNs para acessar conteúdos de streaming indisponíveis no país ou contornar bloqueios a sites ilegais, com previsão de multa para quem descumprir as regras a partir de 1º de julho de 2026.
  • Especialistas em direitos digitais criticam a proposta, alegando que ela representa um excesso de controle estatal e pode inviabilizar o uso legal de VPNs, comparando-a a legislações de países com políticas restritivas na internet.
  • O ministro da Cultura, Jakob Engel-Schmidt, defende que o foco é combater a pirataria, não criminalizar o uso de VPNs, enquanto o projeto faz parte de um pacote mais amplo de medidas contra a pirataria online.

O governo da Dinamarca apresentou um projeto de lei que pode tornar ilegal o uso de VPNs para acessar conteúdos de streaming indisponíveis no país ou contornar bloqueios a sites considerados ilegais. A proposta faz parte de um pacote mais amplo de medidas para combater a pirataria online, mas já provoca forte reação de especialistas em direitos digitais.

Embora as VPNs sejam amplamente utilizadas como ferramenta de segurança e proteção de dados, elas também são usadas para acessar catálogos estrangeiros de plataformas de streaming. Uma pesquisa recente da Câmara de Comércio Dinamarquesa indica que cerca de 9% da população do país já utilizou a ferramenta com esse objetivo, o que amplia o alcance potencial da medida.

O que diz o projeto de lei?

A proposta foi apresentada pelo Ministério da Cultura da Dinamarca e estabelece que será proibido “usar conexões VPN para acessar conteúdos de mídia que, de outra forma, não estariam disponíveis na Dinamarca, ou para burlar o bloqueio de sites ilegais”. Caso seja aprovada, a lei entrará em vigor em 1º de julho de 2026, prevendo multa para quem descumprir as regras.

Jesper Lund, presidente da Associação de Política de TI da Dinamarca, afirmou que a redação do projeto é preocupante e transmite uma sensação de excesso de controle estatal. Segundo ele, a proposta tem um “tom totalitário” e pode acabar inviabilizando oferta e uso legal de serviços de VPN.

“Mesmo na Rússia, não é punível contornar sites ilegais com uma VPN”, disse Lund à emissora dinamarquesa DR, ao comparar a proposta com legislações de países conhecidos por políticas mais restritivas na internet.

Pirataria
Dinamarca tem apoiado iniciativas no combate à pirataria (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A Dinamarca pode ir longe demais no controle da internet?

O debate sobre VPNs não surge de forma isolada. Nos últimos anos, a Dinamarca tem apoiado iniciativas controversas no âmbito digital, como o projeto europeu conhecido como “Chat Control”, que prevê o escaneamento de mensagens privadas em busca de conteúdo ilegal.

O país também discute medidas para restringir o acesso de menores de 15 anos às redes sociais, seguindo tendência observada em outras regiões. A Austrália adotou regra similar, mas para menores de 16 anos.

No cenário europeu, detentores de direitos autorais vêm pressionando empresas de VPN a colaborar mais ativamente no combate à pirataria. Em alguns países, provedores já foram obrigados a bloquear o acesso a transmissões esportivas ilegais. A proposta dinamarquesa, porém, representa uma escalada ao transferir a responsabilidade legal diretamente para o usuário final.

Diante das críticas, o ministro da Cultura, Jakob Engel-Schmidt, afirmou que o objetivo não é criminalizar o uso de VPNs. “Não sou a favor de tornar a VPN ilegal, e nunca vou propor isso. É por isso que os críticos entenderam completamente errado este projeto”, declarou. Segundo ele, a intenção é focar exclusivamente no combate à pirataria.

Dinamarca quer proibir uso de VPN para acessar streaming

O uso de VPNs estabelece uma conexão segura entre dispositivo e rede (Imagem: Divulgação/Surfshark)

Pirataria (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
❌