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Investidores criticam gasto excessivo das big techs com IA

19 de Fevereiro de 2026, 10:39
Imagem mostra notas de R$ 100 reais abertas em leque, formando um fundo para vários logotipos de grandes empresas de tecnologia. Os logotipos são da Apple, Google, Amazon, Microsoft, Meta e TikTok. No canto inferior direito, o logo do "tecnoblog" é visível.
O avanço dos investimentos em IA por grandes empresas de tecnologia começa a gerar ceticismo em Wall Street (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo

O ritmo acelerado de investimentos das grandes empresas de tecnologia em inteligência artificial começa a gerar incômodo entre investidores. Mesmo após as principais big techs deixarem claro, na temporada mais recente de balanços, que não pretendem reduzir os aportes em infraestrutura e modelos de IA, o mercado financeiro demonstra sinais crescentes de ceticismo.

Uma nova pesquisa do Bank of America indica que parte relevante de gestores de fundos e executivos financeiros já considera esses gastos excessivos.

A avaliação sugere que, para Wall Street, o entusiasmo com IA segue alto, mas a tolerância a investimentos sem retorno claro começa a diminuir.

Wall Street vê exagero nos aportes em IA

O levantamento ouviu 162 gestores responsáveis por cerca de US$ 440 bilhões em ativos (R$ 2,24 trilhões). Um percentual recorde desses profissionais afirmou que as empresas estão “investindo demais” em despesas de capital, especialmente ligadas à expansão de data centers, chips e infraestrutura voltada à IA.

O resultado vem acompanhado de uma mudança importante no humor dos executivos de tecnologia. Apenas 20% dos CIOs ouvidos disseram defender o aumento dos gastos de capital, o chamado capex, uma queda relevante em relação aos 34% registrados na pesquisa anterior. Para muitos, o momento agora é de cautela.

Esse freio no entusiasmo pode ser explicado pela percepção de risco. Um quarto dos participantes apontou uma possível “bolha de IA” como o principal risco para o mercado em 2026, superando preocupações tradicionais como inflação, conflitos geopolíticos ou alta desordenada dos juros.

Ilustração mostra moedas, um celular e um notebook, em um gráfico de seta indicando aumento. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível.
Investimentos em tecnologia seguem altos, enquanto o mercado avalia riscos e retorno (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A bolha de IA pode virar um problema maior?

Além do temor de excesso de otimismo, parte dos investidores enxerga um risco ainda mais estrutural. Cerca de 30% dos entrevistados consideram os gastos massivos dos chamados hyperscalers de IA como a fonte mais provável de um evento sistêmico de crédito. Em outras palavras, o medo não é apenas de perdas pontuais, mas de impactos mais amplos no sistema financeiro.

Esse tipo de avaliação seria impensável há um ano, quando a corrida por IA parecia justificar praticamente qualquer nível de investimento. Desde então, no entanto, o mercado passou a exigir resultados mais concretos.

Com informações do Business Insider

Investidores criticam gasto excessivo das big techs com IA

Big techs no Brasil (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Aumento de preço da memória RAM (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Presidente da Mozilla quer “aliança rebelde” para desafiar gigantes da IA

28 de Janeiro de 2026, 14:12
Foto de Mark Surman, de casaco preto e camisa preta com um símbolo vermelho. Ele gesticula com a mão direita enquanto fala em uma apresentação.
Mark Surman, presidente da Mozilla (imagem: Gregor Fischer/re:publica)
Resumo
  • O presidente da Mozilla, Mark Surman, propõe uma “aliança rebelde” para promover uma IA aberta e independente das big techs.
  • A Fundação Mozilla usará reservas de US$ 1,4 bilhão para apoiar startups e desenvolvedores de projetos de código aberto.
  • Mozilla Ventures, criado em 2022, já investiu em mais de 55 empresas e planeja novos aportes até 2026.

O presidente da Fundação Mozilla, que controla o navegador Firefox, está traçando o que chama de uma “aliança rebelde” contra as big techs. A ideia de Mark Surman é articular uma rede de startups e desenvolvedores para promover uma IA mais aberta, “confiável” e independente de empresas como OpenAI e Anthropic.

À CNBC, o executivo contou que a empresa pretende usar reservas de cerca de US$ 1,4 bilhão (aproximadamente R$ 7,2 bilhões, em conversão direta) para apoiar organizações e projetos que priorizem segurança, governança e código aberto.

O novo logotipo da Mozilla, em cor verde, em um fundo inteiramente preto
Logotipo oficial da Mozilla desde 2024 (imagem: reprodução/Mozilla)

A organização também destacou o papel do Mozilla Ventures, fundo criado em 2022, e afirmou que já investiu em dezenas de empresas (mais de 55, no total), com novos aportes planejados para 2026.

“Para muitas pessoas, a ideia de que a IA de código aberto pode vencer, ou que essa aliança rebelde pode realmente tomar uma fatia do mercado, é difícil de acreditar”, admitiu Surman. “Mas há uma série de tendências em andamento.”

Busca por equilíbrio no mercado

O investimento da empresa parte da análise de que startups que tentam entrar no setor de IA sem o apoio de big techs como Microsoft ou Google são intimidadas. Ali Asaria, fundador do Transformer Lab (um dos braços da Mozilla na iniciativa open-source), relatou que investidores repetiam que seria “tecnicamente impossível” competir.

“Quando você entra no espaço de IA como uma nova startup, é assustador, porque essas poucas empresas controlam muito mais do que apenas a propriedade intelectual”, disse Asaria. “Elas controlam o financiamento e o acesso à infraestrutura.”

Mesmo entre as grandes empresas a favor do código aberto, os executivos avaliam que a lógica da concentração de poder e recursos se repete. Para Surman, as contribuições das big techs nesses projetos são relevantes, mas não eliminam o risco de concentração.

O executivo afirma que, mesmo quando colaboram com comunidades de código aberto, essas empresas podem engolir concorrentes menores caso não haja cautela por parte do ecossistema. Segundo ele, há uma tensão constante entre colaboração aberta e a busca por domínio em infraestrutura, modelos e plataformas de IA.

Mozilla aposta em união

Imagem mostra o logo do navegador Mozilla Firefox, que é uma raposa laranja e amarela abraçando um globo roxo e azul. Há dois outros logos menores e desfocados ao fundo, em um cenário de degradê de tons rosa e roxo. No canto superior direito, a marca d'água "tecnoblog" é visível.
Empresa trouxe IA para o Firefox, seu principal produto (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A Mozilla reconhece que não se compara em recursos com grandes nomes da IA, como OpenAI e Anthropic, que levantaram US$ 60 bilhões e US$ 30 bilhões, respectivamente, segundo dados citados pela CNBC. Ainda assim, Surman defende que múltiplas empresas menores, juntas, podem formar um ecossistema mais plural.

A aposta é de longo prazo: a meta é que, até 2028, a Mozilla esteja financiando um ecossistema open-source robusto o suficiente para ser popular entre desenvolvedores. Tudo isso para provar que existe viabilidade econômica fora dos muros das big techs.

Internamente, a empresa tenta convencer os próprios usuários quanto ao uso de IA. A integração de recursos inteligentes no Firefox, navegador carro-chefe da empresa, por exemplo, não agradou todos os usuários.

Presidente da Mozilla quer “aliança rebelde” para desafiar gigantes da IA

O novo logotipo da Mozilla (imagem: reprodução/Mozilla)

Mozilla Firefox (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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