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Imunoterapia no SUS: lei aprovada no Senado acelera chegada de tratamento

13 de Março de 2026, 08:58

O Senado deu um passo decisivo para ampliar o combate ao câncer ao aprovar, na terça-feira (10), o Projeto de Lei 2.371/2021. O texto altera a Lei Orgânica da Saúde para acelerar a oferta de imunoterapia no Sistema Único de Saúde (SUS). Agora, a proposta segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De autoria do deputado Bibo Nunes (PL/RS), o projeto de lei estabelece que o tratamento deve ser incorporado aos protocolos públicos sempre que houver prova de superioridade clínica ou maior segurança em comparação às terapias tradicionais. 

Superioridade clínica é o termo técnico que indica que um novo tratamento é comprovadamente melhor do que o tratamento padrão utilizado no momento. 

No contexto da nova lei para o SUS, isso significa que a imunoterapia só terá sua incorporação acelerada se estudos científicos demonstrarem que ela supera a quimioterapia ou outras opções existentes em critérios fundamentais.

Geralmente, essa superioridade é medida por três pilares:

  • Maior sobrevida: O paciente vive por mais tempo com o novo tratamento do que com o antigo;
  • Menor toxicidade: O medicamento causa menos efeitos colaterais graves, preservando melhor a saúde geral do paciente durante o processo;
  • Melhor resposta: O tumor diminui de tamanho de forma mais expressiva ou a doença demora mais tempo para voltar a avançar.

Enquanto a quimioterapia ataca as células de forma direta (atingindo também células saudáveis), a imunoterapia funciona como um “treinamento” para as defesas do corpo. Na prática, ela estimula o sistema imunológico do paciente a reconhecer e destruir o tumor.

Imunoterapia: o gargalo financeiro e a viabilidade nos hospitais

O principal obstáculo para a universalização desse método é o custo elevado de mercado. No setor privado, as doses mensais da terapia variam entre R$ 25 mil e R$ 40 mil. E podem superar a marca de R$ 100 mil dependendo do medicamento e da dosagem utilizada. 

Como os planos de saúde são obrigados a cobrir tratamentos aprovados pela Anvisa, criou-se um abismo tecnológico entre o atendimento particular e o público.

A estrutura de repasse de verbas do governo também enfrenta desafios operacionais. Atualmente, o sistema funciona por meio da APAC (Autorização de Procedimentos de Alta Complexidade), que paga valores fixos aos hospitais por cada procedimento realizado. 

Em entrevista ao G1, o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, alertou: sem a reestruturação desse modelo de financiamento, hospitais filantrópicos e públicos podem não ter recursos suficientes para adquirir os insumos. Isso mesmo que eles estejam oficialmente incorporados no papel.

Uma coisa é dizer que a imunoterapia está aprovada. Outra é ter financiamento para isso.

Stephen Stefani, oncologista do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, ao G1.

Atualmente, o acesso gratuito à imunoterapia no SUS é restrito a diagnósticos específicos, como o melanoma avançado, o linfoma de Hodgkin e certos tipos de câncer de pulmão. 

Pacientes com outros tipos de tumores costumam recorrer à judicialização ou buscam participar de pesquisas clínicas (estudos científicos custeados por patrocinadores nos quais o paciente recebe a medicação e o acompanhamento sem custos).

Senadora Dra. Eudócia, do PL
“Leva 180 dias e às vezes muito mais para liberar a imunoterapia, tempo este que é o suficiente para o paciente oncológico vir a óbito”, disse a senadora dra. Eudócia, do PL por Alagoas (Imagem: Waldemir Barreto/Agência Senado)

A urgência da nova legislação foi ilustrada no Plenário pela história de Dany Catunda, paciente que faleceu após ter o tratamento interrompido por falta de acesso ao medicamento na rede pública.

“Leva 180 dias e às vezes muito mais para liberar a imunoterapia, tempo este que é o suficiente para o paciente oncológico vir a óbito”, disse a relatora, senadora dra. Eudócia (PL-AL), segundo a Agência Senado. “Nós não estamos falando de equações, de matemática nem de orçamento, nós estamos falando de vida. Para cada um de vocês, quanto vale uma vida?”

O objetivo do Projeto de Lei 2.371/2021 é evitar que lacunas administrativas e orçamentárias resultem em mortes evitáveis. Ou seja: garantir que a linha de cuidado não seja rompida por falta de previsão legal ou financeira.

O próximo desafio do governo será equilibrar a incorporação dessas drogas de alto custo com a sustentabilidade do sistema.

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Em dez anos, câncer de pele cresce 1.500% no Brasil

13 de Março de 2026, 05:10

Nos últimos anos, o Brasil tem apontado uma crescente e preocupante elevação nos casos de câncer de pele. Em dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) divulgados pela Agência Brasil, de 2014 até 2024, o número de diagnósticos da doença subiu de cerca de 4 mil para 72 mil, um aumento de 1.500% em apenas 10 anos e esse número pode aumentar ainda mais.

Ainda hoje, o principal método para prevenir o câncer de pele é somente se expor ao sol após a utilização do protetor solar e roupas grossas. Além, é claro, de aplicar a quantidade correta deste produto e reaplicá-lo diariamente enquanto houver contato com o sol.

Para quem tem pressa:

  • A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) divulgou que, entre 2014 e 2024, o número de diagnósticos do câncer de pele subiu de cerca de 4 mil para 72 mil, um aumento de 1.500% em apenas 10 anos;
  • As causas variam entre o envelhecimento da população, recorte regional e baixa adesão de prevenções necessárias para combater a doença, principalmente entre homens;
  • A recomendação da SBD é a de aplicar e reaplicar o protetor solar a cada 2 horas ao longo do dia, principalmente durante a prática intensa de atividade física (como correr na rua durante o dia).

O que explica o aumento dos casos de câncer de pele no Brasil?

Pele sendo examinado à procura de câncer
Exame médico de câncer de pele (Imagem: Pixel-Shot/Shutterstock)

Os fatores que explicam o aumento nos casos são diversos. Entre eles, destacam-se o envelhecimento da população, fatores regionais e a baixa adesão a cuidados básicos de prevenção.

O envelhecimento da população é um dos principais aspectos. Nos últimos anos, a expectativa de vida dos brasileiros tem aumentado, o que faz com que a pele fique exposta à radiação solar por mais tempo ao longo da vida. Essa exposição acumulada pode contribuir para o desenvolvimento da doença. Dados do DATASUS indicam que, entre 2018 e 2023, os registros foram mais frequentes entre idosos de 70 a 79 anos.

Outro fator relevante é a questão regional. A maior concentração de registros ocorre nas regiões Sul e Sudeste do país, o que está relacionado à presença mais significativa de pessoas com pele clara, que são mais sensíveis ao câncer de pele. Em entrevista ao Jornal da USP, o professor Bruno Fantini, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, destaca que o acesso aos exames médicos também influencia esses números.

Nessas regiões, existe um acesso maior e mais rápido aos exames médicos. Sendo assim, a gente acaba registrando um número maior de casos”, afirma.

A baixa adesão a cuidados básicos de prevenção também contribui para esse cenário. Registros divulgados pela Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, com dados do DATASUS, apontam que a maior incidência da doença ocorre entre homens, que representam 52% dos casos.

Em material divulgado pelo A.C.Camargo Cancer Center, o líder do Centro de Referência em Tumores Cutâneos da instituição, Dr. João Duprat, afirmou que a falta de cuidados preventivos — especialmente entre o público masculino — é outro fator que deve ser considerado.

Leia mais:

Como se proteger adequadamente

mulher aplicando protetor solar no ombro direito
Mulher aplicando protetor solar (Reprodução: paultarasenko/Shutterstock)

Na última década, o câncer de pele foi a causa de mais de 30 mil óbitos no país. A alta mortalidade preocupa especialistas que consideram a doença como evitável, sendo necessário reforçar a conscientização dos cuidados a se tomar e da atenção com possíveis sinais da condição. Para Fantini, a saúde pública deve investir em três fatores principais.

O primeiro passo é a educação nas escolas, ensinando as crianças a se protegerem do sol. Em segundo lugar, deve ser facilitada e acelerada a chegada do paciente ao dermatologista, permitindo o diagnóstico precoce. E é fundamental também que as campanhas de prevenção ao câncer de pele sejam ampliadas para o ano todo, e não apenas no verão, uma vez que a informação salva vidas.

— Bruno Fantini, professor na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP

No quesito individual, o doutor João Duprat afirma que, especialmente em um país tropical como o Brasil, com altas temperaturas, é necessário adotar algumas medidas, como aplicar e reaplicar o protetor solar a cada 2 horas ao longo do dia, principalmente durante a prática intensa de atividade física (como correr na rua durante o dia).

É importante reforçarmos o Fator de Proteção Solar (FPS) como principal defesa contra os efeitos nocivos dos raios UVA e UVB. Além de ficar na sombra na praia, se exercitar ao ar livre com roupas de proteção, usar bonés e chapéus, é importante investir no uso do protetor solar diariamente e da forma correta“, finalizou.

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Tecnologia que “lê o cérebro”: China projeta uso público em até cinco anos

8 de Março de 2026, 16:36

A tecnologia de Interface Cérebro-Computador (BCI), que permite a comunicação direta entre o cérebro e máquinas, deve chegar ao uso prático pela população entre três e cinco anos.

A previsão é de Yao Dezhong, diretor do Instituto de Ciências do Cérebro de Sichuan, em entrevista à Reuters durante as reuniões anuais do parlamento chinês em Pequim.

Imagem; H_Ko/Shutterstock

O governo da China elevou essa tecnologia ao status de indústria estratégica central em seu novo plano de cinco anos, colocando-a ao lado de áreas como inteligência artificial, 6G e fusão nuclear.

Avanços e testes clínicos

A China é o segundo país a iniciar testes humanos invasivos (com chips implantados). Atualmente, existem mais de 10 testes ativos no país, mesmo número registrado nos Estados Unidos. A meta para este ano é recrutar mais de 50 pacientes em todo o país para novas pesquisas.

Leia mais:

Resultados de testes recentes mostram o impacto prático da tecnologia:

  • Pacientes com paralisia e pessoas com membros amputados recuperaram parte da mobilidade.
  • Voluntários conseguiram operar mãos robóticas e cadeiras de rodas inteligentes apenas com comandos cerebrais.

O mercado e o apoio do governo

Para acelerar o acesso, o governo chinês já incluiu alguns tratamentos de BCI no seguro médico nacional em algumas províncias piloto. Segundo a consultoria CCID, o mercado interno deve movimentar 5,58 bilhões de yuans (cerca de 809 milhões de dólares) até 2027.

De acordo com Yao Dezhong, o país possui vantagens competitivas no setor, como:

  • Grande demanda de pacientes devido à enorme população.
  • Cadeia industrial com custos acessíveis.
  • Grande quantidade de talentos nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

China vs. Neuralink

Embora empresas americanas como a Neuralink, de Elon Musk, foquem em chips que penetram no tecido cerebral, os pesquisadores chineses trabalham em diferentes frentes: modelos invasivos, não invasivos e semi-invasivos.

Os modelos semi-invasivos são colocados na superfície do cérebro. Eles podem perder um pouco da qualidade do sinal, mas reduzem riscos como danos aos tecidos e complicações pós-cirúrgicas.

Apesar de reconhecer a vantagem técnica da Neuralink — que usa um robô para inserir centenas de eletrodos no cérebro em minutos —, Yao afirma que a China está progredindo rapidamente. Segundo o especialista, a direção seguida por Musk já é basicamente alcançável dentro do cenário doméstico chinês.

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Aumento de CO₂ no ar já dá sinais prejudiciais à saúde, afirma estudo

7 de Março de 2026, 06:00

Recentemente, uma pesquisa feita na Austrália pelos cientistas Alexander N. Larcombe e Phil N. Bierwirth chegou à conclusão de que o CO₂ pode estar alterando a química do sangue humano. Em parceria com três instituições, incluindo a renomada The Kids Research Institute Australia, os pesquisadores chegaram a essa conclusão após analisarem que o aumento de cerca de 7% de bicarbonato no corpo humano acompanhou a elevação dos índices de CO₂ na atmosfera.

Os dados utilizados pela pesquisa foram divulgados pela Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos EUA (NHANES), que, entre 1999 e 2020, coletou amostras sanguíneas de aproximadamente 7 mil estadounidenses.

Para quem tem pressa:

  • Uma pesquisa feita na Austrália pelos cientistas Alexander N. Larcombe e Phil N. Bierwirth chegou à conclusão de que o CO₂ pode estar alterando a química do sangue humano;
  • Os níveis de bicarbonato no sangue, diretamente ligados ao aumento de CO₂ na atmosfera, têm se aproximado do limite saudável.

Mudanças climáticas e o corpo humano

Paisagem de poluição na qual chaminés industriais expelem muita fumaça
Excesso de poluição numa cidade cheia de indústrias (Imagem: Ralf Vetterle/Pixabay)

As mudanças climáticas têm se tornado cada vez mais intensas no mundo atual. Em 2024, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um estudo sinalizando que a concentração de CO₂ na atmosfera atingiu seu nível mais crítico desde quando a estatística começou a ser analisada em 1957.

Como a concentração de CO₂ no ar está agora mais alta do que a humanidade jamais experimentou, parece estar se acumulando em nossos corpos. Talvez nunca consigamos nos adaptar, sendo vital limitar os níveis atmosféricos de CO₂ . 

— Comentou o cientista do estudo, Phil N. Bierwirth

Além do aumento de dióxido de carbono na atmosfera e do bicarbonato no sangue, os cientistas identificaram uma queda na presença de cálcio e fósforo no corpo humano, sinalizando mais uma alteração na química sanguínea.

“O que estamos observando é uma mudança gradual na composição química do sangue que reflete o aumento do dióxido de carbono na atmosfera, o qual está impulsionando as mudanças climáticas”, afirmou Alexander Larcombe.

Leia mais:

Qual é a relação entre o bicarbonato e o CO₂?

Células de sangue dentro do corpo (Imagem: jpargeter/Freepik)

No corpo humano, o bicarbonato desempenha uma função essencial na manutenção do equilíbrio ácido-base. Quando os níveis de CO₂ aumentam, o sangue tende a ficar mais ácido. Nessa situação, os rins atuam de forma compensatória, aumentando a retenção de bicarbonato, o que contribui para regular o pH do organismo e preservar o funcionamento adequado dos sistemas fisiológicos.

Com base nessa relação, os cientistas analisaram os níveis de bicarbonato nas amostras estudadas e observaram que seu aumento estava associado a maiores concentrações de dióxido de carbono nos tecidos. Ou seja, os níveis de bicarbonato podem servir como um indicador indireto para o excesso da exposição ao CO₂ no organismo.

A faixa normal mantém um equilíbrio delicado entre a quantidade de CO₂ no ar, o pH do nosso sangue, a nossa frequência respiratória e os níveis de bicarbonato no sangue.

— Comentou o cientista Phil N. Bierwirth

O valor atual de CO₂, e consequentemente de bicarbonato no corpo, ainda não é prejudicial, mas estima-se que em aproximadamente 50 anos, os números podem ultrapassar o limite humano.

Além disso, o estudo apontou que nossos corpos podem não se adaptar a esse acelerado aumento do nível de CO₂ no ar. “Na verdade, acho que o que estamos vendo é porque nossos corpos não estão se adaptando. Parece que estamos adaptados a uma faixa de CO₂ no ar que pode já ter sido ultrapassada“, finalizou Bierwirth.

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Camundongo pode revelar segredo sobre o envelhecimento saudável

5 de Março de 2026, 05:30

O mundo animal é cheio de surpresas, visto que vários bichos possuem características únicas que mais se parecem com superpoderes. Por outro lado, nós, humanos, buscamos incluir essas habilidades em nossas vidas. Alcançamos o voo como os pássaros, o fundo do mar como os peixes e subimos montanhas que nem a mais corajosa das cabras subiria.

Mas quando se trata da finitude da vida, ainda não encontramos respostas. Porém, um pequeno roedor encontrado na Ásia pode ser a chave para um envelhecimento mais saudável. Trata-se do camundongo espinhoso-dourado, uma espécie selvagem que vive muito mais do que outros roedores e mantém funções físicas e cognitivas preservadas ao longo dos anos.

Segundo reportado pelo MedicalXpress, há evidências de que esse animal, nativo de desertos rochosos do Oriente Médio, pode viver até cinco anos na natureza — um fato curioso porque outros tipos de camundongos selvagens raramente passam de nove meses. Além da longevidade, o espinhoso-dourado permanece ativo, ágil e funcional durante praticamente toda a vida.

Regeneração, imunidade e chave para envelhecimento saudável

O estudo sobre o camundongo espinhoso-dourado mostra que a espécie pode viver até cinco anos na natureza, mantendo funções físicas e cognitivas preservadas. (Imagem: Ilan Ejzykowicz/Shutterstock)
O estudo sobre o camundongo espinhoso-dourado mostra que a espécie pode viver até cinco anos na natureza, mantendo funções físicas e cognitivas preservadas. (Imagem: Ilan Ejzykowicz/Shutterstock)

Hee-Hoon Kim e Vishwa Deep Dixit pontuam entre os autores da pesquisa, intitulada “Resistores imunometabólicos do envelhecimento em camundongos espinhosos dourados de longa vida“. O artigo foi publicado na Science Advances e pode ser lido na íntegra clicando aqui.

A equipe comparou roedores jovens e idosos com outras espécies de camundongos, e identificou que o espinhoso-dourado mantém a capacidade de regenerar a pele sem formar cicatrizes mesmo em idade avançada. Esse mecanismo indica processos celulares eficientes de reparo tecidual que não se deterioram com o tempo.

Os pesquisadores também analisaram o timo, órgão essencial para a produção de células do sistema imune. Em humanos e outros vertebrados, o timo encolhe rapidamente com a idade. No camundongo, ele permanece funcionalmente intacto mesmo em fases avançadas da vida.

Outro achado relevante envolve cognição. Animais idosos da espécie não apresentaram o declínio típico em memória e aprendizado observado em outros roedores. A manutenção simultânea de regeneração, imunidade e função cerebral sugere que múltiplas vias biológicas do envelhecimento seguem ativas por mais tempo nesse modelo natural.

Entre os principais diferenciais observados, estão:

  • Regeneração de pele sem cicatriz ao longo da vida;
  • Timo preservado e sistema imune funcional na velhice;
  • Manutenção de memória e aprendizado em idade avançada;
  • Menor inflamação crônica associada ao envelhecimento;
  • Expressão elevada de proteínas ligadas à longevidade.

Leia mais:

Proteína pode ser chave contra inflamação crônica

O estudo identificou níveis elevados da proteína clusterina no tecido adiposo desses animais idosos. A substância ajuda a eliminar proteínas defeituosas e reduz seus efeitos tóxicos. Em humanos, níveis mais altos de clusterina se associam a menor neuroinflamação e maior longevidade, especialmente em pessoas com mais idade.

Representação artística de células tronco
A proteína clusterina, encontrada em níveis elevados, pode desempenhar papel central na proteção contra inflamação sistêmica e declínio funcional, apontando caminhos para futuras terapias de longevidade humana.
(Imagem: Anusorn Nakdee / Shutterstock.com)

Para testar o efeito, os cientistas administraram clusterina em camundongos de laboratório. Os animais tratados apresentaram menor declínio motor, órgãos mais saudáveis e sinais reduzidos de inflamação crônica relacionada à idade, processo conhecido como inflammaging. Células brancas humanas expostas à proteína também mostraram respostas anti-inflamatórias.

Além dos fatores moleculares, a espécie desenvolveu vantagens evolutivas. Ela é ativa durante o dia, evita competição e predadores noturnos, resiste a toxinas e reduz o gasto energético em períodos de escassez. Essas adaptações aumentam a sobrevivência e permitem que a seleção natural favoreça mecanismos biológicos que promovem envelhecimento saudável, abrindo caminho para futuras terapias focadas em longevidade humana.

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Jejum intermitente não é tão eficaz quanto outras dietas, aponto novo tudo

5 de Março de 2026, 05:00

O jejum intermitente explodiu na mídia em 2010 como um auxílio “milagroso” no processo de emagrecimento. Contudo, um novo estudo, coordenado pelo pesquisador Luis Ignacio Garegnani, aponta que esta forma de jejum não é tão eficaz quanto dietas tradicionais. O trabalho pode ser lido na íntegra clicando aqui.

Para realizar o experimento, os pesquisadores reuniram 22 estudos randomizados com um total de quase 2 mil participantes de quase todos os continentes.

O artigo foi publicado pela Cochrane Library, uma coleção premium e independente de base de dados, conhecida mundialmente por produzir revisões científicas com alto rigor metodológico, geralmente consideradas entre os níveis mais elevados de evidência científica.

Para quem tem pressa:

  • Grupo de pesquisa revisou 22 análises sobre jejum intermitente para perda de peso;
  • Os resultados apresentaram que a prática “pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na perda de peso ou na qualidade de vida“;
  • Considerando a falta de alguns dados mais profundos, os pesquisadores afirmaram que a generalização dos estudos dificultou uma análise mais intensa sobre os possíveis benefícios ou não do jejum para a saúde além da perda de peso.

Análise ampla e diferentes vertentes

dieta
Mulher com dificuldade para comer uma salada (Imagem: Shutterstock/Pormezz)

Liderados por Luis Garegnani, pesquisador do Hospital Universitário Italiano de Buenos Aires, o grupo de cientistas da revisão reuniu 22 análises de estudos que acompanharam, no total, cerca de 2 mil pessoas durante 12 meses. O período de estudo foi de 2016 a 2024 e ouviu relatos de diversas partes do mundo, como América do Sul e Norte, Europa e países como China e Austrália.

Buscando ampliar os resultados, foram analisadas diversas vertentes dessa prática, como a dieta 5:2, que consiste na diminuição drástica de consumo calórico em dois dias não consecutivos na semana, o jejum alternado e a dieta 16:8, em que é necessário jejuar por 16 horas seguidas.

Leia mais:

Resultado não do jejum intermitente é milagroso

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Pessoas que fizeram jejum intermitente tiveram menor ou nenhuma perda de peso em comparação com as que seguiram dietas tradicionais – Shutterstock/Reprodução

Na revisão, foi concluído que os resultados da média de perda de peso foram de 3%, número qeu fica abaixo da média de 5% considerada como significativa para os médicos.

“Comparado às orientações alimentares convencionais, o jejum intermitente pode resultar em pouca ou nenhuma diferença na perda de peso ou na qualidade de vida“, afirmaram os pesquisadores.

Uma outra hipótese levantada foi a de que o jejum poderia auxiliar em benefícios para a saúde que não estivessem ligados à perda de peso. Seguindo nessa linha, os pesquisadores afirmaram que não é possível tirar tais conclusões pelas “evidências muito incertas”.

Falta de dados e análise por curto período

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Imagem: Tatjana Baibakova/Shutterstock

Por mais abrangente que o estudo tenha sido, o grupo de autores sinalizou que, baseado nos dados apresentados, não se pode tirar conclusões mais aprofundadas que aquelas já descritas acima. Uma das alegações é de que o período de 12 meses não é positivo para uma análise sobre obesidade, considerando que essa é uma condição crônica que leva mais tempo para apresentar resultados ou algum desenvolvimento.

A pesquisadora Eva Madrid, que fez parte do estudo afirmou, na revisão e em entrevista à própria Cochrane Library, que a generalização de resultados, não considerando gênero, contexto geográfico e diferentes índices de massa corporal, também dificultou o estudo.

“Com as evidências atualmente disponíveis, é difícil fazer uma recomendação geral. Os médicos precisarão adotar uma abordagem caso a caso ao orientar um adulto com sobrepeso sobre a perda de peso.”, afirmou.

Por fim, alguns pesquisadores questionam o fato de a grande fama que o jejum intermitente ganhou nos últimos anos não ter muita comprovação científica. Em entrevista à BBC News, o professor Baptiste Leurent, associado de estatística médica na University College London, afirmou que esse é “mais um exemplo de desalinhamento entre a percepção pública e as evidências científicas”.

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Obesidade infantil deve superar desnutrição até 2027; veja riscos

4 de Março de 2026, 20:22

A prevalência de excesso de peso entre crianças e adolescentes está crescendo em um ritmo acelerado em todo o mundo. Segundo o mais recente Atlas da Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation), citado pelo G1, a projeção é que, até 2027, o número de jovens obesos supere o de desnutridos globalmente.

Atualmente, estima-se que 20,7% dos jovens entre 5 e 19 anos vivam com obesidade ou sobrepeso; um salto considerável em relação aos 14,6% registrados em 2010. No Brasil, o cenário é igualmente preocupante: cerca de 16,5 milhões de crianças e adolescentes estavam nessa condição em 2025, com previsões de que o índice ultrapasse 50% dessa população até 2040.

Como a tecnologia e o ambiente influenciam

O avanço da obesidade não é resultado apenas de escolhas individuais, mas de um contexto estrutural. A tecnologia desempenha um papel ambíguo nesse cenário: se por um lado auxilia na medicina, por outro, o excesso de tempo de tela contribui para o sedentarismo. Segundo o relatório, em 95% dos países analisados, a maioria dos adolescentes não atinge os níveis mínimos recomendados de atividade física.

Além disso, o ambiente alimentar expõe precocemente os jovens a produtos ultraprocessados e bebidas açucaradas. Outro fator crucial é a saúde metabólica materna. Condições como o diabetes gestacional e o tabagismo durante a gravidez podem programar biologicamente a criança para um maior risco de desenvolver doenças crônicas no futuro.

Para facilitar a compreensão, médicos alertam que a obesidade pode levar à hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue, que pode evoluir para diabetes tipo 2) e à esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado, que prejudica o funcionamento do órgão).

Resultados das projeções e riscos à saúde

O estudo aponta que o aumento da obesidade infantil trará consequências diretas para os sistemas de saúde. A estimativa é de um aumento de 15% nos diagnósticos de doenças associadas ao peso em jovens, totalizando 9 milhões de casos. Entre as principais complicações estão:

  • Hipertensão: pressão arterial elevada que sobrecarrega o coração.
  • Triglicerídeos elevados: gorduras no sangue que aumentam o risco cardiovascular.
  • Impacto psicossocial: além do dano físico, a condição afeta o desenvolvimento emocional e a autoestima na fase escolar.

De acordo com o endocrinologista pediátrico Dr. Miguel Liberato, a prevenção deve ser encarada como prioridade desde o pré-natal. “O aleitamento exclusivo até os seis meses e mantido de forma complementar até os dois anos reduz o risco de obesidade em cerca de 20% a 25%. Além disso, na introdução alimentar, é importante evitar açúcar, inclusive sucos, e priorizar alimentos in natura”, orienta.

Próximos passos e prevenção

O relatório da Federação Mundial de Obesidade destaca que frear essa tendência exige políticas públicas integradas e não apenas recomendações isoladas. Entre as estratégias propostas estão:

  • Regulação digital: restrição do marketing de alimentos não saudáveis voltado ao público infantil em redes sociais e plataformas de vídeo.
  • Taxação: adoção de tributos sobre bebidas adoçadas para desestimular o consumo precoce.
  • Intervenção escolar: implementação de padrões nutricionais rígidos e metas claras de atividade física nas instituições de ensino.
  • Apoio clínico: fortalecimento da atenção primária para identificar precocemente alterações no Índice de Massa Corporal (IMC) das crianças.

É importante ressaltar que a obesidade é uma condição complexa e multifatorial. O acompanhamento médico especializado é indispensável para o diagnóstico e tratamento adequado, evitando a automedicação ou dietas restritivas sem orientação profissional.

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20% da população brasileira dorme menos que o necessário, aponta estudo

4 de Março de 2026, 06:00

O sono dos brasileiros apresentou números que classificaram a “síndrome do sono insuficiente” como doença crônica no país. De acordo com o Ministério da Saúde, 20% dos brasileiros dormem menos de seis horas por dia e 31,7% da população sofre de insônia.

O apontamento veio através da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), pesquisa anual que visa analisar os hábitos de saúde da população brasileira. A análise foi feita no Distrito Federal e nas capitais brasileiras, e você pode conferi-la completa na íntegra clicando aqui.

Por que esse estudo sobre o sono é importante?

(Imagem: Vitória Lopes Gomez (gerada com IA)/Olhar Digital)

Em entrevista ao Jornal da USP, Andrea Toscanini, médica do Laboratório do Sono do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, comentou a importância da análise do sono brasileiro pela primeira vez.

Foi fundamental que o Vigitel tenha colocado a síndrome do sono insuficiente como uma doença crônica no Brasil, visto que, no resto do mundo, ela é, há muitos anos, considerada uma doença crônica, inclusive pela própria Organização Mundial da Saúde, que a considera como a maior doença crônica não comunicável“, afirmou.

Leia mais:

Como os fatores sociais e de gênero se relacionam ao sono

Ciclo circadiano desregulado atrapalha a dormir e a acordar nos horários certos
Mulher na cama com dificuldades para dormir (Imagem: amenic181/Shutterstock)

Um dos métodos de análise abordados pelo estudo foi a comparação de diferentes parâmetros sociais entre os participantes da pesquisa.

Por exemplo: os pesquisadores perceberam que os indivíduos que não concluíram o Ensino Fundamental (cerca de 26,7% dos participantes) dormem menos que o necessário se comparados a quem concluiu o Ensino Superior (em torno de 15,9% dos entrevistados).

Noutro contexto, a Vigitel também percebeu que as mulheres (aproximadamente 21,3%) sofrem com insuficiência de sono de maneira mais recorrente do que os homens (18,9% dos entrevistados) os quais dormem menos de seis horas por noite.

A mulher, na menopausa, do ponto de vista hormonal, muda completamente e passa a ter todos aqueles sintomas vasomotores, passa a ter uma suscetibilidade maior aos transtornos de humor e à insônia, que está muito ligada à equitabilidade psicológica. A gente sabe, por exemplo, que a insônia de início de noite pode acontecer em pessoas que têm aquela roda de pensamentos pré-sono, pensamentos intrusivos ou preocupações. Nós vimos nesse estudo que o perfil de pacientes que têm mais insônia é daqueles que têm uma renda menor, então, a mulher, que muitas vezes tem uma dupla jornada, que inclui a responsabilidade da casa e dos filhos e tem uma renda um pouco menor, acaba sendo sobrecarregada.

— Andrea Toscanini, médica do Laboratório do Sono do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

Consequências e problemas para a saúde

O sono insuficiente e de má qualidade pode ter grandes complicações na saúde, não apenas para o corpo, mas, principalmente, na saúde mental. Andrea comenta:

Esses pacientes que apresentam os sintomas de insônia estão mais suscetíveis a uma série de comorbidades, sendo as principais complicações a depressão, hipertensão, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e obesidade. Há também efeitos cognitivos que aumentam o risco do paciente desenvolver problemas de memória, atenção, foco ou algum tipo de demência. As consequências do sono encurtado são de ordem muito séria.

Entre crianças e jovens, o sono influencia em questões como desempenho na escola, mas também pode estar relacionado a distúrbios de atenção e até psicológicos.

A especialista destacou que os jovens também apresentam problemas de sono, o que pode afetar diretamente o desempenho escolar. Segundo ela, a falta de descanso tem consequências cognitivas mais intensas nessa faixa etária. No caso das crianças, ela aponta que dificuldades como déficit de atenção ou transtorno opositor desafiador podem estar relacionadas à qualidade do sono, gerando impactos que se acumulam ao longo do tempo.

Como ter uma boa noite de sono?

Para manter uma boa rotina de sono, a Sleep Foundation aponta os seguintes hábitos:

  • Estabeleça uma rotina de sono, dormindo e acordando no mesmo horário;
  • Não utilize dispositivos eletrônicos a pelo menos 30 minutos antes de dormir;
  • Opte por descansar em um ambiente silencioso e escuro;
  • Não exagere em cochilos durante o dia;
  • Pratique exercícios de relaxamento de corpo e mente;
  • Evite luzes fortes antes de dormir.

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Gatos estão ajudando a desvendar a genética do câncer

22 de Fevereiro de 2026, 11:57

Um estudo internacional liderado pelo Instituto Wellcome Sanger, em Cambridge, no Reino Unido, revelou o primeiro mapa genético detalhado do câncer em gatos domésticos. A pesquisa analisou o DNA tumoral de quase 500 animais e identificou mutações relevantes associadas à doença. Os resultados apontam semelhanças significativas entre tumores felinos e humanos, abrindo caminho para novas abordagens terapêuticas em ambas as espécies.

Publicado na revista Science, o trabalho indica que compreender os mecanismos genéticos do câncer em gatos pode ajudar a esclarecer como determinados tumores surgem e evoluem em humanos. Segundo os pesquisadores, o avanço é relevante porque, apesar de o câncer ser uma das principais causas de doença e morte entre gatos, pouco se sabia até agora sobre sua base genética.

gato ronronar
Mapeamento genético do câncer felino pode ter impacto no entendimento da doença em humanos (Imagem: LL_studio / Shutterstock.com)

Mapa genético revela mutações e paralelos com humanos

A equipe examinou cerca de 1 mil genes associados a 13 tipos de câncer felino. A análise identificou que muitos dos genes que impulsionam o crescimento e a disseminação dos tumores em gatos são semelhantes aos encontrados em humanos. Essa correspondência sugere que as duas espécies compartilham processos biológicos fundamentais ligados ao desenvolvimento da doença.

“A genética do câncer em gatos tem sido uma verdadeira incógnita até agora”, afirmou Louise Van der Wayden, líder do estudo, à BBC. Ela destaca que ampliar o entendimento sobre o câncer em qualquer espécie pode trazer benefícios mais amplos para a pesquisa biomédica.

Os dados também reforçam a importância dos animais de estimação como modelos naturais para investigação científica, especialmente quando apresentam padrões genéticos comparáveis aos observados em humanos.

Leia mais:

Câncer de mama triplo negativo entra no foco

Os cientistas apontam que o gato doméstico pode contribuir para a compreensão de certos tipos de câncer de mama, como o câncer de mama triplo negativo. Esse subtipo representa cerca de 15 em cada 100 casos da doença em humanos. Nos gatos, ele ocorre com maior frequência, o que amplia a disponibilidade de amostras para estudo.

gato deitado com a barriga para cima, com mão humana desfocada fazendo carinho
Mapeamento genético do câncer felino pode ter impacto no câncer de mama triplo negativo (Imagem: ArtPhoto21 / Shutterstock.com)

A incidência mais elevada desse subtipo em felinos pode oferecer pistas para o desenvolvimento de novos medicamentos. Além disso, tanto gatos quanto cães compartilham os mesmos ambientes que seus tutores, estando expostos a fatores ambientais semelhantes.

Geoffrey Wood, do Ontario Veterinary College, no Canadá, explicou à BBC que essa convivência pode ajudar a esclarecer como o ambiente influencia o risco de câncer. Ele afirma que compreender essas interações pode contribuir para novas estratégias de prevenção e tratamento em gatos e humanos.

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