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ByteDance suspende Seedance 2.0 após briga com Hollywood

16 de Março de 2026, 13:58

A ByteDance, empresa-mãe do TikTok, pausou o lançamento mundial do seu mais novo modelo de geração de vídeos com inteligência artificial, o Seedance 2.0, depois de enfrentar uma série de disputas de direitos autorais com grandes estúdios de Hollywood e plataformas de streaming. A informação foi publicada pelo site The Information no último sábado, com base em duas fontes com conhecimento direto do assunto. A ByteDance não respondeu aos pedidos de comentário do site ou da agência de notícias Reuters.

A empresa havia planejado disponibilizar o modelo para clientes ao redor do mundo em meados de março, mas os planos foram suspensos diante das ameaças legais. Segundo a reportagem, a equipe jurídica da companhia está trabalhando para identificar e resolver possíveis problemas legais, enquanto engenheiros adicionam salvaguardas para evitar que o sistema gere conteúdo que possa violar propriedade intelectual.

Disney envia carta à ByteDance

Um dos casos mais emblemáticos envolve a Disney, que encaminhou uma carta de cease-and-desist à ByteDance no mês passado. A acusação é de que o Seedance 2.0 teria sido treinado com personagens da empresa sem autorização — incluindo franquias como Star Wars e Marvel — tratando-os como se fossem imagens de domínio público.

Disney tem queda na TV a cabo, mas lucros crescem em parques e streaming
Disney entrou em contato com a dona do TikTok para solicitar que o gerador de vídeo com IA da empresa pare de usar seus personagens sem autorização (Imagem: Bankrx / Shutterstock)

A polêmica ganhou força depois que vídeos gerados pelo modelo viralizaram na China, entre eles uma cena fictícia com os atores Tom Cruise e Brad Pitt em uma briga. A Disney afirmou que a ByteDance pré-configurou o Seedance com uma biblioteca pirata de personagens protegidos por direitos autorais.

Leia mais:

O que é o Seedance 2.0

Lançado oficialmente em fevereiro, o Seedance 2.0 foi apresentado pela ByteDance como uma ferramenta voltada para uso profissional nas áreas de cinema, e-commerce e publicidade. O sistema é capaz de processar texto, imagens, áudio e vídeo simultaneamente, com o objetivo de reduzir custos de produção de conteúdo.

O modelo ganhou projeção internacional ao ser comparado ao DeepSeek, empresa chinesa de IA cujos sistemas rivalizam com os da Anthropic e da OpenAI. Personalidades do setor de tecnologia, incluindo Elon Musk, chegaram a elogiar a capacidade do Seedance de gerar narrativas cinematográficas a partir de poucos comandos.

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O plano da dona do TikTok para driblar os EUA e usar chips de IA potentes da Nvidia

13 de Março de 2026, 08:03

A ByteDance, empresa dona do TikTok, estabeleceu uma rota logística e jurídica para contornar o bloqueio tecnológico dos Estados Unidos e usar GPUs Nvidia Blackwell (B200), considerados os “motores” mais potentes da inteligência artificial (IA) atual. É o que o Wall Street Journal revelou na quinta-feira (12).

A manobra é basicamente montar data centers fora da China. Isso porque o fornecimento direto dos processadores ao território chinês é proibido por Washington sob justificativa de segurança nacional.

O plano foca na instalação de aproximadamente 36 mil chips em data centers localizados na Malásia, operados em parceria com a Aolani Cloud. Como a Aolani é uma parceira certificada da Nvidia no Sudeste Asiático, ela possui acesso prioritário ao hardware. 

Na prática, a empresa vai servir como ponte para a ByteDance competir com empresas como OpenAI e Google no desenvolvimento de modelos de linguagem.

Parceria da ByteDance garante hardware topo de linha da Nvidia para data centers

A complexa operação logística para viabilizar esse projeto envolve a compra de servidores da Aivres, empresa especializada em montar os sistemas que abrigam a tecnologia da Nvidia. 

Estima-se que o investimento total apenas para a infraestrutura na Malásia ultrapasse os US$ 2,5 bilhões (aproximadamente R$ 13 bilhões).

Esses sistemas funcionam como grandes “cérebros eletrônicos” capazes de processar volumes massivos de dados em frações de segundo.

Logo da ByteDance em um smartphone em cima do teclado de um notebook
(Imagem: rafapress/Shutterstock)

O apetite por expansão não se limita ao território malaio. A ByteDance já negocia infraestruturas similares na Indonésia, onde planeja instalar mais de 7 mil chips B200, além de avaliar mercados na Coreia do Sul, Austrália e Europa

Paralelamente, a ByteDance reforça sua presença técnica no Ocidente com a abertura de mais de 100 vagas para especialistas em IA em seus escritórios de San Jose e Seattle, nos Estados Unidos. 

Essa movimentação garante que a empresa chinesa mantenha talentos próximos ao polo de inovação americano, enquanto o hardware opera em jurisdições mais flexíveis.

Essa infraestrutura externa sustenta o ecossistema de produtos da empresa, que hoje já gera cerca de 25% de sua receita fora da China. 

Atualmente, a ByteDance detém cinco dos 50 aplicativos de IA voltados ao consumidor mais populares do mundo. Entre eles, estão: o chatbot Dola, o assistente escolar Gauth e o modelo de vídeo Seedance, que gera cenas realistas a partir de textos. 

Sem o acesso aos chips da Nvidia, a capacidade de resposta e a evolução dessas ferramentas seriam severamente limitadas pela falta de potência de processamento.

A viabilidade jurídica da operação repousa numa brecha nas regras de exportação de Washington: as normas impedem a venda dos chips para a China, mas não proíbem que empresas chinesas utilizem o poder de processamento desses chips em “nuvens” localizadas em países terceiros. 

Um porta-voz da Nvidia confirmou ao WSJ que as diretrizes permitem que infraestruturas de processamento remoto sejam construídas e operadas por parceiros fora das nações controladas, desde que os equipamentos não cruzem as fronteiras restritas.

Para assegurar a conformidade, a Aolani Cloud enfatiza que seus clientes, como a ByteDance, não detêm a propriedade física dos chips, mas apenas alugam o poder de processamento por meio de contratos de serviço. 

Essa estrutura permite que a companhia avance em sua meta de “alcançar o cume mais alto” da IA, conforme definido pelo CEO Liang Rubo, apesar das tensões geopolíticas entre Pequim e Washington.

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