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Estudo inédito revela direção e velocidade de buraco negro em fuga

17 de Março de 2026, 06:00

Um estudo publicado na revista Nature Astronomy relata que um buraco negro recém-formado foi lançado pelo espaço a cerca de 180 mil quilômetros por hora. Esta foi a primeira vez que cientistas conseguiram medir não só a velocidade, como também a direção desse movimento após a fusão que deu origem ao objeto.

O fenômeno foi identificado a partir do sinal chamado GW190412, gerado pela colisão entre dois buracos negros de massas diferentes. Esse tipo de evento produz ondas gravitacionais – ondulações no espaço-tempo que carregam informações detalhadas sobre a dinâmica da fusão.

Ilustração representa a fusão de dois buracos negros detectados pelo LIGO em 2015. Com massas de 14 e 8 vezes a do Sol, eles se uniram formando um único buraco negro de 21 massas solares. O evento gerou ondas gravitacionais, embora essas ondulações sejam invisíveis a olho nu
Uma fusão de buracos negros gera ondas gravitacionais. Crédito: LIGO/T. Pyle

A pesquisa buscou responder a uma questão central: com que intensidade um buraco negro é “empurrado” após uma fusão e para onde ele segue. Esse impulso, conhecido como recuo, acontece porque as ondas gravitacionais são emitidas de forma desigual, criando uma espécie de desequilíbrio que lança o objeto na direção oposta.

O trabalho foi liderado por Juan Calderón-Bustillo, da Universidade de Santiago de Compostela. Segundo ele, é possível reconstruir essa trajetória analisando as características do sinal captado. Isso permite transformar dados complexos em um mapa tridimensional do movimento do buraco negro.

Para alcançar esse nível de detalhe, os cientistas analisaram componentes mais sutis das ondas gravitacionais, chamados de modos de ordem superior. Esses sinais adicionais variam conforme o ângulo de observação e ajudam a determinar como o objeto se desloca em relação à Terra.

Evento com massas diferentes amplia precisão das medições

De acordo com um comunicado, o evento GW190412 foi considerado especial porque envolveu buracos negros com massas muito diferentes. Essa assimetria intensificou os sinais mais fracos e forneceu as informações necessárias para calcular não apenas a velocidade, mas também a direção do movimento com maior precisão.

A velocidade estimada ultrapassa 50 quilômetros por segundo, valor suficiente para que o buraco negro escape de ambientes densos, como aglomerados globulares. Nesses locais, a gravidade costuma manter os objetos unidos, mas um impulso dessa magnitude pode expulsar o remanescente para o espaço.

Esse tipo de ejeção tem consequências importantes. Ao deixar seu ambiente de origem, o buraco negro pode deixar de participar de novas fusões naquele local, alterando a dinâmica de formação de sistemas mais massivos ao longo do tempo.

A direção do recuo também influencia os efeitos observáveis após o evento. Se o objeto atravessar regiões com grande quantidade de gás, pode gerar um brilho temporário. Em áreas mais vazias, esse fenômeno tende a ser muito mais discreto ou até imperceptível.

Buraco negro é lançado a 180 mil km/h após fusão, com velocidade e direção medidas pela primeira vez. Crédito: Imagem gerada por IA/ChatGPT

Pesquisadores projetam avanços em estudos de buraco negro

Os pesquisadores também analisaram a relação entre o movimento do buraco negro e o momento angular do sistema, que indica a orientação da órbita antes da fusão. Essa combinação de dados permite entender melhor a geometria do evento e transformar um sinal complexo em uma trajetória clara.

O avanço se baseia em anos de estudos que mostraram que esses impulsos não são apenas teóricos, mas podem ser medidos diretamente nas ondas gravitacionais. Trabalhos anteriores já indicavam como extrair essas informações, mas agora foi possível obter um retrato mais completo do fenômeno.

Desde a primeira detecção de ondas gravitacionais em 2015, esse campo da astronomia tem evoluído rapidamente. Cada novo evento registrado amplia a capacidade dos cientistas de entender colisões cósmicas e o comportamento dos objetos resultantes.

No futuro, os pesquisadores pretendem combinar dados de ondas gravitacionais com observações de luz para identificar possíveis sinais associados a esses recuos. Regiões como núcleos galácticos ativos, ricos em gás, são consideradas ideais para esse tipo de investigação.

Os resultados indicam que as ondas gravitacionais se tornaram ferramentas essenciais para mapear o universo. Elas permitem não apenas detectar fusões de buracos negros, mas também acompanhar como esses objetos se movem após eventos extremos.

Com a melhoria dos detectores e o aumento do número de observações, os cientistas esperam construir um mapa cada vez mais detalhado desses movimentos. Isso deve ajudar a esclarecer como buracos negros crescem, interagem e evoluem ao longo da história do cosmos.

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Alho pode ajudar a retardar o envelhecimento?

13 de Março de 2026, 06:00

Pesquisadores descobriram que compostos de enxofre derivados do alho podem afetar diretamente o processo de envelhecimento. Um estudo publicado na revista Cell Metabolism relata que camundongos machos que receberam esses compostos viveram mais e mantiveram força, memória e controle da glicose por mais tempo.

A pesquisa sugere que alimentos comuns podem conter sinais biológicos capazes de modular como o corpo envelhece.

No fígado dos animais, os efeitos apareceram primeiro: menos gordura acumulada e respostas à insulina mais eficientes. No Centro Andaluz de Biologia Molecular e Medicina Regenerativa em Sevilha (CABIMER), na Espanha, Alejandro Martín-Montalvo identificou que os compostos do alho ativam sinais de enxofre nas células. Isso não só prolongou a vida, mas também manteve os animais ativos, fortes e com memória preservada.

Será que consumir alho faz envelhecer mais devagar? Não é bem por aí. Crédito: New Africa – Shutterstock

Embora os resultados sejam promissores, eles ainda vêm de estudos com ratos. Mesmo assim, a manutenção de funções físicas e cognitivas torna difícil considerar a descoberta apenas uma curiosidade de laboratório.

Compostos de alho melhoram saúde celular

O alho libera moléculas de enxofre quando cortado ou mastigado. Duas dessas moléculas se destacam por gerar sulfeto de hidrogênio, um gás sinalizador natural do corpo. Nos ratos, ele protegeu células de danos e ajustou vias relacionadas ao metabolismo energético. Como humanos possuem sistema de sinalização parecido, o mecanismo parece relevante, mas a dosagem segura ainda é incerta.

Mais importante do que prolongar a vida é manter a qualidade dela. Chamado de “expectativa de saúde”, esse conceito mostra que os animais que receberam os compostos desde 20 semanas de idade viveram em média 877 dias, contra 787 dias dos ratos do grupo de controle. Ou seja, 11,4% a mais de vida, com preservação de movimento, memória e controle da glicose.

O efeito sobre a glicose foi rápido: os ratos mostraram respostas mais eficientes à insulina e picos menores de açúcar após testes. Com o tempo, precisaram de menos insulina para manter níveis estáveis, indicando maior sensibilidade celular. Isso é importante, já que o envelhecimento tende a gerar resistência à insulina.

A suplementação com compostos de alho (DAD/DAT) promove a longevidade e melhora a saúde metabólica através da persulfidação de proteínas mediada pelo sulfeto de hidrogênio (H₂S). O estudo demonstra benefícios significativos em camundongos e humanos, incluindo melhor função neurocognitiva, redução da fragilidade e controle lipídico aprimorado. Crédito: Silva, A.M., et al.

No fígado, as gotículas de gordura diminuíram de tamanho, facilitando sua queima pelas células. Mesmo em dietas ricas em gordura, os compostos do alho impediram acúmulos prejudiciais. Em vez de apenas reduzir peso corporal, eles remodelaram a gordura, protegendo órgãos antes que surgissem danos visíveis.

Dentro das células, os compostos alteraram a persulfidação, um marcador de enxofre que modifica proteínas, e reduziram a atividade de vias associadas ao envelhecimento acelerado. Tecidos hepáticos mostraram menos inflamação, um fenômeno conhecido como meta-inflamação, ligado a problemas metabólicos.

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E quanto ao envelhecimento humano?

A equipe também analisou amostras de sangue de 288 pessoas com doenças crônicas. Níveis mais altos de proteínas ligadas ao enxofre estavam associados a maior força de preensão e menores triglicerídeos. O estudo não prova causa e efeito, mas a semelhança entre humanos e ratos reforça a relevância biológica da pesquisa.

Apesar do entusiasmo, existem limitações claras. Apenas ratos machos foram testados; fêmeas podem reagir de maneira diferente. Exames pós-morte mostraram aumento em casos de câncer de fígado, possivelmente por maior tempo de vida, já que animais mais velhos têm mais chance de desenvolver tumores. Isso impede qualquer recomendação direta de suplementos.

Martín-Montalvo alerta que o alho de cozinha comum não substitui os compostos usados no estudo, que foram purificados e administrados em dietas controladas. Ele ressalta que mais pesquisas são necessárias em humanos e modelos animais antes que qualquer recomendação seja segura. Hoje, mais da metade dos idosos não tem qualidade de vida ideal, e compreender esses mecanismos é um passo importante.

O que emerge é um panorama do envelhecimento influenciado por metabolismo, inflamação e sinalização celular. Estudos futuros devem definir doses seguras, incluir mulheres e confirmar se efeitos similares podem ser obtidos em humanos. A pesquisa abre caminho para uma abordagem mais ampla de como retardar o envelhecimento sem comprometer a saúde e o bem-estar.

Com informações do Earth.com

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