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Você conhece os Gigavírus? Essa pesquisa brasileira desvendou novos mistérios

17 de Março de 2026, 06:30

Pesquisadores da USP e da UFMG publicaram um trabalho científico que propõe a mudança taxonômica do recém-descoberto “universo de vírus gigantes”, intitulado Gigavírus. O autor principal do trabalho é Luiz-Eduardo Del-Bem e pode ser lido na íntegra clicando aqui.

De acordo com a pesquisa, o grupo de vírus Asfarviridae não deveria ser classificado em uma única família viral, mas em diferentes grupos com várias famílias diferentes. Ou seja, para o estudo, essa remodelação é importante porque corrigiria preceitos incorretos da taxonomia e auxiliaria na análise da evolução viral.

Gigavírus: entenda o conceito do ‘vírus gigante’

Os vírus gigantes, ou Gigavírus, são uma novidade da virologia descoberta no começo do século XXI. A diferença primordial destes micróbios para os tradicionais é que os Gigavírus são conhecidos por seu tamanho avassalador.

Gigavírus Asfarviridae
Os gigavírus são novidades na virologia e impressionam por seu tamanho.
Imagem: Wikimedia Commons/ ViralZone, SIB Swiss Institute of Bioinformatics

Isso porque, enquanto o coronavírus tem 120 nanômetros de tamanho e apresenta 11 genes, um Gigavírus pode ter 2.600 nanômetros e 867 genes (grande parte ainda um mistério para ciência)

Thiago Mendonça-Santos, outro autor do artigo, explica que muitas vezes esses Gigavírus são confundidos com bactérias devido ao seu tamanho anormal para os parâmetros da virologia.

Apesar dos avanços, “ainda não se sabe exatamente o que eles são nem quais funções biológicas são capazes de realizar”, afirma Del Bem ao Jornal da USP. O pesquisador ainda informa que, diferente do que diz a literatura, o grupo Asfarviridae tem, pelo menos, cinco famílias virais diferentes dentro do que outrora se pensava ser apenas uma.

A metodologia utilizada para a pesquisa

Ilustração de cabeças de pessoas e vírus de doença
(Imagem: Lightspring/Shutterstock)

Geralmente, os vírus possuem hospedeiros muito próximos. No caso dos vírus Asfarviridae, os infectados variavam de amebas a porcos, o que levou a equipe a questionar se não haveria mais famílias virais ali do que se tinha notícia: essa amplitude de hospedeiros era um indicativo da diversidade dentro da família.

Utilizando métodos comparativos comuns em estudos de plantas e organismos multicelulares, mas pouco usados em virologia, os pesquisadores analisaram a diversidade genética desse grupo de vírus. Foram identificados 2.483 grupos diferentes de genes entre os vírus analisados, porém, apenas 37 estavam presentes em todos. Além disso, quase 40% dos genes apareceram em apenas um único vírus. Esses resultados indicam que há uma enorme diversidade genética dentro desse grupo.

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Os resultados obtidos

Árvore filogenética que mostra as diferentes famílias de vírus gigantes
A família Asfarviridae se mantém, mas reduzida. Quatro outras famílias surgem.
Imagem: Divulgação Científica/reprodução do artigo.

No universo da virologia, existe uma instituição que classifica esses seres e sua taxonomia: o Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV). Sua função é encaixar os vírus em espécies, famílias, gêneros e outras classificações taxonômicas, mesmo com os vírus não sendo considerados seres vivos.

Ao final da pesquisa, a diversidade ampla encontrada entre os vírus pelos cientistas evidenciou uma necessidade: desmembrar a família Asfarviridae.

Com isso, os pesquisadores propuseram uma nova classificação. A família Asfarviridae se mantém, mas apenas com 3 espécies, e quatro novas famílias surgem: Faustoviridae, com quatro espécies; Kaumoebaviridae, com duas; Pacmanviridae, com duas; e Abaloneviridae, com um gênero descrito, mas ainda sem espécies identificadas.

A pesquisa mostra que essa divisão taxonômica correta é essencial para o estudo desses seres no ambiente e em hospedeiros.

A cada novo genoma, aparecem genes completamente inéditos. Isso mostra que estamos lidando com um grupo cuja diversidade ainda é imensa”, afirma o professor. Essa coleção de genes, chamada de pangenoma, é crescente e ainda existem muitas espécies a serem descobertas. Para Del Bem, é um sinal claro: “Ainda não vimos tudo que esses vírus têm a oferecer”.

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Lei inédita reconhece vínculo entre tutores e pets até depois da morte

15 de Março de 2026, 18:27

O Governo de São Paulo sancionou em fevereiro de 2026 a legislação que permite o sepultamento de animais domésticos em cemitérios humanos. Conhecida como Lei Bob Coveiro em São Paulo, a medida reconhece o forte vínculo emocional entre tutores e seus bichos de estimação. Agora, cães e gatos podem descansar oficialmente ao lado de seus donos em jazigos familiares, trazendo um novo significado ao luto.

O que é a Lei Bob Coveiro em São Paulo?

De acordo com informações oficiais divulgadas pela Agência SP, a nova regra autoriza que animais de estimação sejam enterrados em campas e jazigos de concessão familiar. A norma altera a dinâmica tradicional dos cemitérios públicos e particulares, integrando os pets definitivamente ao núcleo familiar, mesmo após a morte.

A iniciativa visa humanizar o processo de despedida e evitar descartes inadequados de carcaças, que muitas vezes ocorrem por falta de opções acessíveis ou burocracia. Com a validação jurídica, as administrações dos cemitérios devem se adaptar para receber os restos mortais dos animais seguindo protocolos específicos de higiene e organização espacial.

🐾 Fevereiro de 2026: Sanção oficial da Lei Bob Coveiro pelo Governo do Estado.

📜 Regulamentação: Cemitérios adaptam regimentos internos para sepultamento compartilhado.

🕊️ Implementação: Início oficial das cerimônias de despedida pet em jazigos humanos.

Como funciona o sepultamento de pets em jazigos familiares?

O procedimento exige que o animal tenha sido mantido sob a guarda legal do titular do jazigo ou de seus familiares diretos devidamente comprovados. É necessário apresentar a documentação que comprove a propriedade do animal e o registro de óbito emitido por um médico veterinário responsável, garantindo a total transparência sanitária do processo.

Uma vez cumpridos os requisitos burocráticos, o corpo do pet deve ser acondicionado de forma apropriada em invólucros biodegradáveis antes de ser colocado no túmulo familiar. O processo é semelhante ao sepultamento humano tradicional, respeitando rigorosamente as normas ambientais para evitar a contaminação do solo e garantir a segurança biológica.

  • Apresentação de certidão de óbito veterinária original.
  • Comprovação de titularidade ativa do jazigo familiar.
  • Uso de recipientes específicos para transporte seguro.
  • Pagamento de taxas administrativas locais do cemitério.
A nova lei de São Paulo que permite que cães e gatos sejam enterrados junto com seus donos
O pet deve ser acondicionado em invólucros biodegradáveis no jazigo familiar. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Quais são os requisitos para utilizar a Lei Bob Coveiro em São Paulo?

Para que o tutor consiga realizar o enterro, ele deve estar em dia com as taxas de manutenção do cemitério e possuir a concessão do espaço. A Lei Bob Coveiro em São Paulo estabelece que apenas animais domésticos de estimação de pequeno e médio porte estão contemplados inicialmente nesta permissão para garantir a logística das gavetas.

Além disso, as prefeituras podem estabelecer normas complementares sobre o tipo de material permitido para o recipiente pet e os horários para a cerimônia. É fundamental que o cidadão consulte a administração do cemitério local para entender as particularidades logísticas de cada unidade antes de proceder com a organização da despedida final.

Item de Controle Especificação Legal
Espécies Exclusivamente cães e gatos domésticos.
Documento Atestado de óbito assinado por veterinário.
Local Cemitérios públicos e privados de SP.

Onde os animais podem ser enterrados legalmente agora?

A permissão abrange cemitérios públicos e privados em todo o estado de São Paulo que possuam jazigos familiares devidamente registrados em cartório. Entretanto, a aplicação prática depende da infraestrutura de cada local, sendo que algumas unidades já estão criando áreas específicas ou adaptando as gavetas existentes para o uso compartilhado.

Vale destacar que cemitérios exclusivos para animais continuam operando normalmente, servindo como uma alternativa para quem não possui um jazigo próprio. A nova legislação apenas expande as opções disponíveis, garantindo que o direito de escolha do tutor seja respeitado conforme sua crença ou desejo de proximidade eterna com o companheiro.

Qual o impacto emocional dessa nova legislação para os tutores?

O reconhecimento legal da “família multiespécie” é um passo gigante para a validação do luto pet, muitas vezes negligenciado ou minimizado pela sociedade atual. Permitir que o animal ocupe um lugar no túmulo da família reforça a ideia de que o amor pelos bichos transcende a vida biológica e merece rituais de passagem respeitosos.

Psicólogos apontam que ter um local fixo para visitar e homenagear o animal ajuda significativamente na elaboração da perda e no fechamento de ciclos. Com a segurança jurídica garantida por esta nova norma, muitos paulistas encontram conforto em saber que sua última morada será compartilhada com seus companheiros mais leais.

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Após adiar estreia no RJ, Keeta demite funcionários

4 de Março de 2026, 15:00

Nesta quarta-feira (4), a Keeta, app de delivery do grupo chinês Meituan e que desembarcou há pouco no Brasil, realizou cortes de funcionários no Rio de Janeiro (RJ) pouco depois de anunciar o adiamento de sua estreia na cidade carioca.

As demissões foram confirmadas pela empresa. Contudo, alega que são poucas em relação ao total. Ainda diz que os postos de trabalho serão mantidos, mas passarão a integrar a equipe do Estado de São Paulo. Na região paulista, a Keeta atua desde o fim de 2025.

Keeta culpa contratos de exclusividade

  • Na semana passada, ao anunciar o adiamento do lançamento no Rio, a companhia colocou a culpa em contratos de exclusividade existentes entre restaurantes e seus concorrentes, o iFood e o 99Food;
  • Isso, segundo a Keeta, inviabilizou a operação em solo carioca;
  • O CEO da empresa, Tony Qiu, disse, à Folha de S.Paulo, que reportaria a situação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Em nota publicada nesta quarta-feira (4), ao confirmar as demissões, a Keeta voltou a bater na mesma tecla. “Cláusulas de exclusividade colocam em risco a livre concorrência no Brasil, não apenas no setor de delivery, mas também em diferentes indústrias, retirando a liberdade de escolha e restringindo oportunidades de geração de renda para os participantes do mercado, incluindo consumidores e parceiros comerciais”, apontou.

Por sua vez, o iFood questiona o posicionamento da concorrente. “Nos causa estranheza que os contratos de exclusividade estejam impactando uma determinada plataforma, sem atingir outros concorrentes que seguem investindo na cidade e expandindo suas operações”, pontuou, também em nota.

À esquerda, um motoboy com uma bolsa da 99Food; à direita, Logo da Keeta em um smartphone
Keeta culpa concorrentes 99Food e iFood e seus contratos de exclusividade (Imagem: Divulgação/99Food/Keeta)

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Outras cidades foram afetadas

Contudo, a Keeta não adiou suas operações somente no Rio de Janeiro. A empresa optou por se manter em São Paulo antes de seguir para outras regiões para ajustar as questões regulatórias, incluindo “resolver questões estruturais que inibem a concorrência saudável no segmento de delivery brasileiro”.

Apesar das mudanças, a chinesa manteve o plano anunciado no ano passado, que envolve investir R$ 5,6 bilhões no Brasil ao longo de cinco anos.

Meituan em baixa

Na terça-feira (3), a Meituan, empresa que controla a Keeta, viu sua nota de crédito ser rebaixada de A- para BBB+ pela agência de classificação de risco S&P Global.

Uma das razões principais é a concorrência com o Alibaba na China, mas, também, o “pé no freio” no Brasil. “Acreditamos que ela limitará a escala e o ritmo de entrada no Brasil até que seu negócio de entrega de alimentos na China se estabilize”, explica.

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Estudantes da USP vencem prêmio internacional de IA com chatbot para WhatsApp

4 de Março de 2026, 05:30

Recentemente, três alunos de Ciência da Computação no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP São Carlos criaram um chatbot para o combate de fake news online. O chamado “Tá Certo isso AIanalisa e verifica a veracidade das informações recebidas via mensagens pelo WhatsApp, independentemente do formato (texto, vídeo, áudio ou imagem).

O software foi desenvolvido por Cauê Paiva Lira, Luiz Felipe Costa e Pedro Henrique Silva, equipe vencedora do Programa AI4Good da Brazil Conference. Esse evento é uma conferência internacional que reúne brasileiros nos EUA — incluindo especialistas, líderes, estudantes e empreendedores — para debater e criar estratégias que enfrentem desafios tecnológicos, políticos e socioeconômicos do país.

O evento ocorrerá presencialmente na Universidade Harvard e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos dias 27, 28 e 29 de março.

Para quem tem pressa:

  • Estudantes da USP São Carlos criaram um chatbot que analisa e verifica a veracidade das informações recebidas via WhatsApp, independentemente do formato (texto, vídeo, áudio ou imagem);
  • O software “Tá Certo Isso AI?” foi o vencedor do Programa AI4Good;
  • As informações analisadas pela ferramenta são checadas em meios de comunicação consolidados, sites e portais institucionais e fontes especializadas na checagem de fatos. A ideia é que o bot não faça apenas uma apuração primária, mas que auxilie no processo de combate à desinformação.

Funcionamento do chatbot e curadoria de informações

O softwate “Tá Certo isso AI?” é público e pode ser acessado por qualquer pessoa de diferentes formas.

Na primeira forma, você pode adicionar o telefone 35 8424-8271 nos contatos da sua agenda do celular e salvá-lo. Em seguida, basta abrir uma conversa com este número no WhatsApp.

A segunda maneira é por meio do site oficial do projeto, clicando aqui. Ainda é possível adicionar a ferramenta a grupos de WhatsApp onde, após a adição, é possível marcar o bot com @ na informação que deseja confirmação.

Na análise, o chatbot busca a veracidade das informações em meios de comunicação consolidados, sites e portais institucionais, e fontes especializadas na checagem de fatos. Em entrevista ao Jornal da USP, um dos desenvolvedores do projeto, Luiz Felipe Diniz Costa, afirmou que a ideia é que o bot não faça apenas uma apuração primária.

“O bot não aceita qualquer fonte. Ele faz a checagem apenas em bases que já passaram por esse filtro de confiabilidade, o que reduz o risco de erro e aumenta a qualidade das respostas”, afirmou Luiz Felipe Costa, um dos idealizadores do projeto.

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Idealização do projeto

Seu celular não é só distração nem diversão e pode alimentar um problema todos os dias
Jovem interage com diversas plataformas tecnológicas em seu celular – (Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O “Tá Certo Isso AI?” começou com a participação dos estudantes no Hackathon 2025, uma maratona de programação onde os alunos tiveram apenas 10 horas para esboçar a ferramenta e saíram vencedores. O tema era justamente “Soluções para mitigar o impacto das fake news na sociedade”.

A partir daí, Cauê afirmou que soube que o edital do AI4Good estava aberto e viu uma oportunidade para continuar o desenvolvimento do projeto. “Foram cerca de 170 grupos inscritos e apenas oito foram selecionados para participar do processo de monitoria e aceleração”, comentou um dos desenvolvedores.

Após a aprovação no processo, foram aproximadamente seis semanas para aprimorar o “Tá Certo isso AI?” e colocá-lo em vigor.

Desenvolvimentos futuros

Microsoft alerta para falha em modelos de IA que ameaça privacidade dos usuários
Usuário utilizando chatbot (Imagem: TippaPatt / Shutterstock)

Para continuar o desenvolvimento da ferramenta, Luiz Costa analisou a proporção que o chatbot tem tomado e vê como uma oportunidade para investimentos no projeto:

Acreditamos que a visibilidade proporcionada pela Brazil Conference pode abrir caminho não apenas para colaborações com órgãos governamentais e veículos de comunicação, já que o enfrentamento à desinformação é um interesse comum a essas esferas, mas também para impulsionar nossas trajetórias profissionais, por meio do desenvolvimento de projetos com impacto social.

— Luiz Costa, um dos idealizadores do “Tá Certo isso AI?”

O post Estudantes da USP vencem prêmio internacional de IA com chatbot para WhatsApp apareceu primeiro em Olhar Digital.

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